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Ufam e museu de Chicago assinam acordo de cooperação técnica com foco em tecnologias de pesquisa

Foto: Valérie Chansigaud/Wikimedia Commons

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) firmou parceria interinstitucional com o Field Museum of Natural History, localizado em Chicago, no estado norte-americano de Illinois. Por meio desse acordo de cooperação técnica, as instituições executarão o projeto de pesquisa ‘Tecnologias de pesquisa novas e rápidas para capturar padrões e fatores que impulsionam a biodiversidade das florestas tropicais’, com atividades previstas até junho de 2029.

De modo específico, o projeto tem os objetivos de viabilizar o intercâmbio de dados e informações; promover cursos, treinamentos e eventos de capacitação de pessoas vinculadas às duas instituições; e realizar estudos técnico-científicos voltados à produção de dados e informações. Para a execução das atividades descritas, o acordo prevê o respeito mútuo das legislações vigentes e aplicáveis a cada entidade, em consonância com o Plano de Trabalho aprovado pela Ufam e pelo Field Museum para os 60 meses de vigência.

Os resultados da parceria técnico-científica, que poderão ser produtos e documentos, serão de propriedade da Ufam e do Field Museum, além outras instituições envolvidas nas ações. A professora Izeni Pires Farias, do Departamento de Genética do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) é a responsável por coordenar e acompanhar as atividades planejadas no âmbito da Universidade. Por outro lado, o pesquisador Lesley de Souza, vinculado ao Departamento Collections, Conservation and Research do museu norte-americano. Ambos devem orientar os trabalhos conjuntamente, avaliando os programas a serem desenvolvidos.

Segundo Izeni Farias, a nova colaboração representa um avanço significativo para a pesquisa científica, especialmente no que se refere ao estudo da biodiversidade das florestas tropicais.

“Com a utilização de novas e rápidas tecnologias de pesquisa, essa cooperação interinstitucional visa aprofundar o conhecimento sobre os padrões e fatores que impulsionam a diversidade biológica da Amazônia. Espero que vários alunos (graduação e pós-graduação) de ambas as instituições tenham projetos desenvolvidos no âmbito desta parceria. Pois a formação de recursos humanos qualificados é um dos principais objetivos”, explica ela.

Planejar, executar, avaliar e documentar

Como detalhado no documento, o escopo do projeto inclui o intercâmbio de dados e informações, a realização de estudos técnico-científicos e a promoção de cursos e treinamentos. “Dessa forma, o projeto interinstitucional permite não apenas a geração de conhecimento acadêmico, mas o fortalecimento de redes de pesquisa e o desenvolvimento de capacidades técnicas para estudantes e profissionais envolvidos”, afirma a docente do ICB.

“A minha atuação como coordenadora pela Ufam consiste em planejar, acompanhar e executar as atividades previstas no acordo. Isso inclui a supervisão dos estudos desenvolvidos para garantir a conformidade com os objetivos propostos e o cumprimento das normas legais aplicáveis. Estarei envolvida na organização de eventos de capacitação, como cursos e treinamentos, facilitando o intercâmbio entre pesquisadores das duas instituições. Além disso, participarei da elaboração de relatórios técnicos e científicos, com a missão de assegurar a documentação e o compartilhamento dos produtos e documentos resultantes entre as partes”, enumera.

O monitoramento contínuo das atividades e a avaliação dos resultados, segundo ela, é que garantirão o sucesso do trabalho, já que permitem observar de modo eficaz o alcance dos objetivos propostos e fortalecem o conhecimento e a pesquisa sobre a biodiversidade tropical, ponto central da iniciativa.

A professora recorda ainda que essa parceria também reforçará ainda mais a visibilidade internacional da Ufam como promotora de pesquisas sobre a biodiversidade da região amazônica. “Inclusive, esta relação que já rendeu excelentes resultados. Toda a equipe participou na competição do XPRIZE Rainforest, da qual foi vencedora”, finaliza a coordenadora.

*Com informações da Ufam

Educação ambiental aproxima estudantes do maior manguezal do planeta

Foto: Divulgação/Projeto Mangues da Amazônia

Ajuru, turu e caranguejo-uçá são espécies de frutos e animais que fazem parte da cultura alimentar e da economia da maior faixa contínua de manguezal do mundo. São tão presentes no dia a dia dos moradores de Bragança, no estado do Pará, que é bem comum receber um convite para tomar um caldo do molusco turu, ou para catar ajuru, um fruto rosado e doce, na praia.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

Localizada na chamada Região do Salgado, no nordeste do estado, a cidade da Amazônia também está às margens do Oceano Atlântico e por isso mistura as paisagens da floresta com a vida marinha, resultando em uma natureza única no planeta: um manguezal que se estende desde a costa do estado do Pará até o Maranhão, por 679 quilômetros. É a maior extensão contínua desse ecossistema do planeta.

Segundo o pesquisador Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia dos Mangues, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a presença abundante desse ecossistema costeiro posiciona o Brasil como o segundo país com a maior área de manguezal do mundo, atrás apenas da Indonésia. E a costa amazônica, que inclui os estados do Amapá, Pará e Maranhão, concentra mais de 80% dessas áreas.

“É uma região extremamente diferenciada, porque tem uma bacia hidrográfica muito grande de água doce e aí diferencia muito dos outros manguezais da costa brasileira. Da costa Nordeste, que tem uma bacia fluvial menor, da costa Sudeste e da costa Sul”, explica.

De acordo com Fernandes, o grande volume de água doce carrega sedimentos e nutrientes que tornam esse ecossistema único na Região Norte do país.

Brasília (DF) 28/01/2025 - Educação Ambiental aproxima estudantes do maior manguezal do planeta.
Foto: Projeto Mangues da Amazônia/Divulgação
Foto: Divulgação/Projeto Mangues da Amazônia

“Aqui, a gente tem uma alta conectividade com diferentes sistemas. Conectividade tanto com os recifes de coral, os corais amazônicos que se descobriu desde a década de 70, conectividade com todo um outro tipo de floresta de novos ecossistemas como várzeas de maré, igapós, terra firme, restingas e outros sistemas que são florestados e são tão ricos também em diversidade, tanto de fauna quanto de flora”, destaca.

Vivência

Apesar de o Brasil estar entre os 15 países com as maiores zonas costeiras do mundo e ter mais da metade da população, 54,8%, vivendo no litoral, conhecer um mangue ainda é uma experiência para poucos. Aos 17 anos, Maria Eduarda Mendes mora no litoral, cresceu vendo o mar de Bragança, mas durante toda a infância só conhecia os manguezais pelas histórias que o avô e o tio pescadores contavam.

Em 2024, quando cursava o 1º ano no ensino médio, participou do Escola Vai ao Mangue, um projeto de educação ambiental promovido pelo Instituto Peabiru, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), e com apoio da Petrobras. Ao conhecer detalhes do ecossistema de água salobra, com uma biodiversidade diferente da floresta e também do mar, Maria Eduarda pôde sentir a textura da lama, ver as longas raízes da vegetação e aprender sobre os animais que trazia na memória de cada história ouvida.

“Quando a gente veio de lá, quando eu voltei, eu cheguei contando para todo mundo aqui de casa o quanto foi divertido e o quanto eu queria poder vivenciar isso cada vez mais”, lembra.

Brasília (DF) 28/01/2025 - Educação Ambiental aproxima estudantes do maior manguezal do planeta.
Foto: Projeto Mangues da Amazônia/Divulgação
Foto: Divulgação / Projeto Mangues da Amazônia

Segundo o coordenador do Escola Vai ao Mangue, Madson Galvão, o projeto é parte de um programa de educação maior chamado Mangues da Amazônia, que, somente em 2024, recebeu a visita de cerca de 2 mil alunos e 300 professores, de 29 escolas e duas instituições de ensino superior.

“Muitos desses estudantes veem a Amazônia só como uma floresta de terra firme. Mas não, a gente tem uma outra faixa, com outra feição, que é a Amazônia costeira, onde estão o ecossistema manguezal e o ecossistema marítimo. Então, quando eles chegam nessa Amazônia, eles veem as conexões dos nossos rios com a floresta, com o manguezal e o mar”, explica Madson Galvão.

Expansão

Em 2025, ano em que o Pará sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, em novembro, os organizadores do projeto esperam expandir a capacidade e alcançar mais estudantes.

Eles já planejam o encaminhamento de propostas de educação ambiental para a 1ª Conferência Internacional Infantojuvenil sobre Educação e Mudança do Clima, um encontro preparatório da COP, que também ocorrerá na capital paraense, entre 7 e 21 de março.

Imersão

Para Marcus Fernandes, as aulas a céu aberto são experiências sensoriais, científicas e de conscientização sobre a importância do manguezal para proteção da zona costeira, segurança alimentar da população local e capacidade de estocar carbono e proteger o planeta das mudanças climáticas.

“O manguezal tem a capacidade de estoque superior à da terra firme, de duas a três vezes mais. Isso é importante para o efeito de equilíbrio ambiental”, explica.

Na vivência, à medida que os estudantes interagem com o ecossistema, as espécies são apresentadas.

“A gente mostra como identificar as três mais dominantes: a Rhizophora mangle, o mangue-vermelho; a Avicennia schaueriana, o mangue-preto, e a Laguncularia racemosa, o mangue-branco. Então a gente trabalha a associação delas com o sedimento, e a partir daí a gente já vai entrando na fauna, porque é no mangue-vermelho, com solo mais lamoso e fácil de construir galerias e tocas, que o caranguejo tem uma maior distribuição associada”, detalha o coordenador do projeto.

Além de aprenderem sobre a distribuição dos manguezais na Amazônia e as espécies da fauna e da flora desse ecossistema, os estudantes participam do plantio de mudas para reflorestamento em áreas de manguezais degradadas.

“É muito incrível saber que a gente plantou coisas novas no mangue e quando eu passar de novo por lá, para ir à praia por exemplo, eu vou ver o quanto estará grande”, diz Maria Eduarda.

Brasília (DF) 28/01/2025 - Educação Ambiental aproxima estudantes do maior manguezal do planeta.
Foto: Projeto Mangues da Amazônia/Divulgação
Foto: Divulgação / Projeto Mangues da Amazônia

A partir das iniciativas de educação ambiental, o programa já recuperou 16 hectares de manguezal da Amazônia, onde o retorno dos caranguejos é monitorado e a variabilidade genética das espécies é estudada para identificação de sementes mais resistentes e que garantam maior sucesso em reflorestamentos futuros.

A interação com pescadores e extrativistas soma à experiência os saberes tradicionais, da economia e cultura alimentar regional.

“É uma atividade que traz aprendizagens que são interdisciplinares, porque a gente vai lidar com uma série de temas lá dentro. Ciências, geografia, cultura local. A gente vai lidar com conhecimento da relação entre o meio ambiente e as pessoas e a sociedade”, conclui Fernandes.

*Com informações da Agência Brasil

Planta anti-inflamatória, algodão roxo se adapta na Amazônia e ajuda parteiras

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Foto: João Medeiros/Flickr

O algodão roxo (Gossypium hirsutum L.) é uma espécie de arbusto da família Malvaceae, amplamente reconhecida por sua fibra felpuda branca e por suas propriedades medicinais. Originário de regiões tropicais e subtropicais, o algodoeiro roxo é uma planta exótica na Amazônia, onde é utilizado tanto para fins ornamentais quanto terapêuticos. A planta pode atingir até sete metros de altura e apresenta folhas grandes, geralmente com três, cinco ou sete lobos.

Em comunidades tradicionais, como na Vila do Areal, em Santa Maria do Pará (PA), o algodão roxo tem sido amplamente utilizado na medicina popular. O xarope feito das folhas é empregado para tratar catarro no peito, tosse e gripe. Há também relatos do uso das folhas, flores e cascas em conjunto como diurético e no combate à asma. Além disso, as sementes e folhas são conhecidas por suas propriedades contra a tosse.

Entre os princípios ativos da planta, destaca-se o gossipol, um aldeído triterpenoide com propriedades antitumorais, inseticidas e antimicrobianas.

Flor do Algodão Roxo. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Principais Benefícios

  • Diurético
  • Digestivo
  • Anti-inflamatório
  • Antimicrobiano
  • Inseticida
  • Antitumoral

Auxilia na produção de leite materno

Sabe quem utiliza o algodão roxo? As parteiras. Em Tefé, no Amazonas, por exemplo, a planta é tão utilizada que serviu de inspiração para a criação da Associação de Parteiras Tradicionais do Estado do Amazonas Algodão Roxo.

Para as parteiras, as folhas do algodão roxo são consideradas diuréticas e digestivas e as profissionais recomendam o uso para hemorragias e inflamações em geral. Também serve para ajudar na produção de leite materno.

O algodão roxo pode ser consumido de diversas formas:

  • Sumo das folhas ingerido para alívio de problemas respiratórios;
  • Infusão de folhas, flores e cascas, utilizadas como diurético e para tratar asma;
  • Sementes e folhas, que combatem a tosse.

Efeitos colaterais e precauções

Apesar de seus benefícios, o algodão roxo pode ter efeitos colaterais. Estudos apontam que o gossipol pode reduzir a produção de espermatozoides nos homens e causar malformações no bebê durante a gestação. Por isso, o consumo deve ser feito com cautela e sob orientação de um profissional de saúde.

Grupo Flor Ribeirinha se torna Patrimônio Histórico e Imaterial de Cuiabá

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Foto: Emanoele Daiane

O prefeito de Cuiabá (MT), Abilio Brunini, sancionou lei aprovada pela Câmara Municipal que declara como patrimônio histórico, cultural e de natureza imaterial o Grupo Flor Ribeirinha. A sanção foi publicada no dia 31 de janeiro no Diário da Justiça.

Um dos símbolos da cultura de Cuiabá, o grupo Flor Ribeirinha trabalha no resgate, manutenção, proteção e difusão da cultura popular da região, principalmente o siriri e o cururu (dança e ritmo tradicionais).

A declaração de patrimônio histórico, cultural e de natureza imaterial, o Grupo Flor Ribeirinha passa a ter proteção integral do poder público e não pode ser destruído ou descaracterizado.

Em outubro de 2023, o Grupo Flor Ribeirinha venceu o Cheonan World Dance Festival, na Coreia do Sul, considerado o maior evento de dança folclórica da Ásia e o segundo maior do mundo. Foi a primeira vez que um grupo brasileiro venceu a competição.

O Grupo Flor Ribeirinha acumula outros títulos mundiais, conquistados em países como Turquia (2017), Polônia (2021) e Bulgária (2022).

Leia também: Grupo folclórico de Mato Grosso vence festival internacional de dança na Polônia

Por meio da Associação Cultural Flor Ribeirinha, o grupo atua no resgate, manutenção, proteção e difusão da cultura mato-grossense, com foco no Siriri e Cururu.

Além disso, contribui para a preservação de tradições cuiabanas, como as celebrações das festas de santos, produção de cerâmica em argila, comidas e bebidas típicas, confecção e uso da viola de cocho e, enfim, na valorização do modo de vida da população ribeirinha.

*Com informações da Prefeitura de Cuiabá

Registro raro de ave em parque no Acre contribui para novas pesquisas sobre a espécie

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Jacu-estalo-de-bico-vermelho (Neomorphus pucheranii). Foto: Luis Morais

Uma expedição científica no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, resultou no registro raro do jacu-estalo-de-bico-vermelho (Neomorphus pucheranii), uma ave considerada o “santo graal” do birdwatching. O biólogo Luis Morais, responsável pelo avistamento, explica que observar essa espécie depende, além de técnica e persistência, de um pouco de sorte.

Leia também: Ave rara é fotografada pela primeira vez no Parque Estadual Chandless, no Acre

Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional da Serra do Divisor tem papel fundamental na conservação da biodiversidade amazônica. A descoberta ocorreu em novembro do ano passado, durante o primeiro ano do doutorado de Morais, que busca propor uma nova classificação para o gênero Neomorphus. Há tão pouca informação disponível sobre essas aves que ainda não se sabe ao certo quantas espécies existem, como se diferenciam e qual sua real distribuição geográfica.

A expedição durou cinco dias na região do rio Moa e contou com o apoio de comunidades locais e do ornitólogo Ricardo Plácido, especialista da avifauna do parque. Segundo Morais, moradores da região conheciam a ave e, por isso, ela foi incluída em um guia de aves do parque, elaborado com sua participação.

Foto: Luis Morais

Além da raridade do registro, um dos destaques foi a obtenção de fotos nítidas da ave, algo inédito até então. Antes, as únicas imagens disponíveis eram de armadilhas fotográficas e não permitiam uma visão detalhada de sua coloração. As novas fotos revelam detalhes sobre a aparência da espécie, especialmente a coloração vibrante do bico e da região pós-ocular.

“As fotos geraram espanto na comunidade de ornitólogos e passarinheiros. Não se tinha noção do colorido dessa espécie baseado nos exemplares conservados em museus”, destaca Morais.

O registro no Parque Nacional da Serra do Divisor reforça a importância da conservação da área para a pesquisa científica e para a observação de aves na Amazônia. O Instituto Chico Mendes segue promovendo ações de monitoramento e proteção da biodiversidade no parque, contribuindo para a ampliação do conhecimento sobre as espécies e para a manutenção de habitats essenciais.

3 pessoas são processadas em mais de meio milhão de reais por danos a geoglifo no Acre 

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Áreas estruturais do geoglifo foram aradas e depositado solo dentro das valetas, conforme o MPF-AC. Foto: Reprodução/MPF-AC

O Ministério Público Federal (MPF-AC) está processando a dona da Fazenda Oeste, na cidade de Capixaba, interior do Acre, o arrendatário e um empregado da propriedade, por danos causados a um geoglifo durante limpeza da área. Os danos foram descobertos em 2021, quando o órgão federal recebeu o laudo de uma vistoria.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Contudo, os prejuízos foram causados no início dos anos 2000. A área chegou a ser embargada na época e os proprietários alertados sobre a situação, contudo, ‘não demonstraram interesse em firmar acordo extrajudicial para solução dos danos’, segundo o MPF.

A defesa dos acusados não foi localizada até a última atualização desta reportagem*.

Os geoglifos são estruturas milenares escavadas no chão com formas geométricas que surpreendem pela precisão e são protegidos por lei federal. Apenas no Acre já foram descobertos mais de 800 sítios arqueológicos. O estado é o que tem mais número de geoglifos no país.

Leia também: Arqueóloga acredita que geoglifos podem se tornar potencial turístico no Acre

No ano passado, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Doca Veronez, um dos maiores pecuaristas do estado, também foi processado pelo MPF-AC por destruir geoglifos durante o processo de plantio de grãos na Fazenda Crixá II, também em Capixaba.

Assuero afirmou, na época, que fez um acordo de não persecução penal com o MPF-AC e pagou a quantia de R$ 22 mil, além de admitir a participação no crime contra o patrimônio cultural, delimitou a área do geoglifo e se comprometeu a não fazer mais nenhuma atividade na região.

Diferente do pecuarista, conforme o MPF-AC, os proprietários da Fazenda Oeste não quiseram dialogar com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e não aceitaram os termos do acordo proposto.

O laudo apresentado ao MPF-AC apontava valetas e muretas características de geoglifos na área conhecida como Ramal Capatará, no entanto, ‘as áreas estruturais do sítio foram aradas e depositado solo dentro das valetas, ou seja, no momento do arado o solo foi aproveitado para nivelar o terreno, aterrando assim as valetas e mutilando as muretas das estruturas de terra’.

O MPF-AC chegou a enviar ao Iphan minuta de termo de ajustamento de conduta que não previa multa ou indenização, somente ações de mitigação e recuperação do que fosse possível na área. O instituto informou que não foi possível dialogar com os responsáveis para acertar os termos do acordo.

“Sendo frustradas as tratativas extrajudiciais, restou ao MPF entrar com a ação, com pedido de fixação de indenização por dano material, dano moral coletivo, além da preservação da área sem qualquer nova intervenção não autorizada pelo Iphan, mantendo-se o seu isolamento”, destaca o processo.

Ação civil pública

Os geoglifos são reconhecidos e registrados pelo Iphan. Por conta disso, o MPF-AC ingressou com uma ação civil pública e pede a condenação dos responsáveis ao pagamento de mais de R$ 530 mil de indenização por dano material e danos morais coletivos.

Os valores devem ser ‘revertidos a projetos de preservação do patrimônio histórico no Acre, desenvolvidos e apresentados pelo Iphan, na ocasião do cumprimento da sentença’.

Também é pedido na ação que os citados no processo cerquem a área do geoglifo de acordo com os termos definidos pelo Iphan e não façam mais nenhum plantio na área. Em caso de descumprimento, eles podem ser responsabilizados.

Na ação, o MPF pede que seja determinado, em caráter de urgência, que os responsáveis realizem o cercamento da área do geoglifo, nos termos a serem definidos previamente pelo Iphan, sob pena de multa diária por descumprimento, além de não realizarem qualquer atividade dentro da área do geoglifo sem a prévia anuência do instituto, também sob pena de multa.

O órgão federal afirmou que parte da estrutura de terra do sítio arqueológico ‘foi impactada por aragem e limpeza para plantação de soja, ocasionando a destruição/mutilação do geoglifo, com diversos fragmentos cerâmicos em superfície’.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Rondônia bate recorde na exportação de café e está entre os cinco maiores exportadores do Brasil

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Foto: Daiane Mendonça/Governo de Rondônia

Rondônia alcançou, pela primeira vez na história, o ranking dos cinco maiores exportadores de café do Brasil. O estado ultrapassou o Paraná, e consolidou sua posição no cenário nacional ao atingir US$ 130,99 milhões em exportações, um crescimento de 645% em relação a 2023.

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base no Comex Stat (2024), sistema para consultas e extração de dados do comércio exterior brasileiro do Ministério do Comércio Exterior. De acordo com os dados do setor, Minas Gerais lidera as exportações com US$ 7.814,83 milhões, seguido pelo Espírito Santo (US$ 2.003,28 milhões), São Paulo (US$ 907,75 milhões) e Bahia (US$ 294,43 milhões). Agora, Rondônia se junta a esse grupo, superando o estado do Paraná, que exportou US$ 86,54 milhões em 2024.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, enfatizou o impacto da expansão do setor cafeeiro para a economia estadual.

“Desde o início, nosso objetivo tem sido fortalecer o agronegócio, gerar emprego e levar o estado a um novo patamar de desenvolvimento. E os números comprovam que Rondônia está cada vez mais forte e competitivo no mercado global.”

Leia também: Rondônia é o estado mais cafeicultor da Amazônia

Investimentos, qualificação e modernização

O titular da Sedec, Sérgio Gonçalves, evidenciou a importância desse avanço para economia. “Rondônia é o segundo maior produtor de café robusta do Brasil e o primeiro da região Norte. Com uma média de produção de 194.148 toneladas e cerca de 20 mil produtores envolvidos, o estado tem se destacado no cenário nacional e internacionalmente, consolidando sua posição como referência na cafeicultura.”

Premiações

Além da conquista histórica no ranking de exportação, Rondônia também brilhou em competições de qualidade em 2024. Na 7ª edição do Florada Premiada, as produtoras Suely da Graça Rezende, Josiele Rodrigues Werneck e Angélica Alexandrino Nicolas conquistaram os três primeiros lugares na categoria Canéfora, com notas que chegaram a 90,44 pontos. Já o cacique Rafael Suruí, com produção em terra indígena, obteve 95,11 pontos na 6ª edição do Concurso Tribos, sendo reconhecido com a nota máxima de 100 pontos pelo jurado técnico Silvio Leite.

A valorização do Café Robusta Amazônico ganhou, também, destaque internacional com a participação do estado no Taste and Feel Rondônia Coffee Fest, realizado em Londres, em dezembro de 2024. O evento evidenciou a posição de Rondônia como um dos grandes protagonistas da cafeicultura brasileira. O estado registrou uma média de crescimento de 1.284% nos últimos sete anos, consolidando sua presença no mercado global do café. Com esse desempenho, o governo de Rondônia segue investindo na expansão das exportações e no aprimoramento das cadeias produtivas, garantindo que o café rondoniense continue ganhando espaço e reconhecimento internacionalmente.

*Com informações do Governo de Rondônia

Prestando contas ao Mestre

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Ele chegou ao Brasil muito jovem e não falava uma única palavra em português. Trazia escrito apenas um nome e endereço para procurar no Rio de Janeiro. Chegou à noite e iria fazer isto no dia seguinte. Cansado de uma viagem de vários dias, recostou-se em uma praça em Copacabana, aguardando amanhecer. Acordou já com o sol forte e constatou que haviam levado a sua única mala, com todos os seus pertences. No bolso, ainda restava o papel amassado, com o endereço. Por sorte, estava há algumas quadras e não foi difícil chegar no local, com a ajuda das pessoas pelo caminho. Ainda era o início dos anos sessenta e a única maneira de buscar um endereço era pelos guias impressos ou perguntando às pessoas que encontrasse. Para ele, só havia a segunda alternativa, fazendo uso de mímica e do papel amassado.

Era um bar com mesas de jogos e frequentadores estranhos. Ainda assim foi recebido bem e deram-lhe um quarto para dormir e um prato de comida. Todo o resto deveria ser por sua conta, fosse lá o que ele viera fazer no Brasil.

Seu trabalho era bater de porta em porta pelas redondezas e oferecer uma oração estranha a quem estivesse sofrendo. Algumas semanas se passaram sem que ninguém a aceitasse. As pessoas ficavam desconfiadas e, amedrontadas, batiam a porta, antes que ele conseguisse comunicar alguma coisa.

Uma primeira oportunidade foi oferecida e, com ela, o que foi considerado um milagre, a recuperação de uma criança desenganada pela medicina. Outros casos vieram e, com isso, tornou-se conhecido, até que, com doações dos beneficiados, conseguiu se estabelecer na Zona Norte do Rio. A partir daí, formavam-se filas diárias para receber a tal oração, uma transmissão de energia, que purificava o espírito e curava doenças e outros tipos de sofrimentos.

Aos poucos, foi formando discípulos e servidores. Embora a comunicação fosse difícil, era possível aprender com o jovem a quem chamavam de Professor. Outros queriam apenas servi-lo, como um ato de agradecimento. Até a limpeza do banheiro do local era disputada, como um privilégio. Lembro de ainda pequeno ouvir a família de minha mãe criticar o meu avô: “Não é que ele sai cedo, quase de madrugada e ainda briga para limpar o banheiro do japonês?” Ninguém da família sabia quem era o tal japonês e continuaram sem saber, pois em uma destas disputas pela limpeza, meu avô, explosivo que era, disse que não voltaria mais lá.

Passaram-se anos, o tal jovem era agora um sacerdote, reconhecido como líder de centenas de milhares de pessoas no Brasil e em outras partes do mundo. Meu avô, no hospital, nos seus últimos dias de vida, sem enxergar e tentando reagir à doença, exclamou em um momento de lucidez, quando recebia uma oração: “era essa a reza do japonês! Estou sentindo. Era essa a energia”. Meu avô partiu logo depois.

Outros anos passaram-se, e eu, sem ligar os pontos, tive oportunidade de participar de um encontro com este homem, junto com um seleto grupo de convidados. Ele falava sobre o seu ideal de promover felicidade para um maior número de pessoas, sem restrição de nacionalidade, raça, credo religioso ou de qualquer tipo. Falava do quanto a ciência estava se aproximando da espiritualidade e de estudos científicos que estavam ocorrendo nos Estados Unidos e na Europa. Seus olhos brilhavam e envolviam a todos nós naquela visão, que agora era nossa também.

Humildemente, levantei a mão e fiz uma pergunta. Se não seria válido seguir por tal caminho e tentar promover tais ações, visando estimular práticas que expandissem a construção da felicidade. Ele ouviu silenciosamente, pareceu refletir um pouco e disse me olhando seriamente: “Acho muito bom. Por favor, o senhor mesmo realize isto. Peço que aceite isso como uma missão”.

Este encontro ocorreu há vinte e três anos. Quando busquei encontrar a minha missão maior, reconheci que ela abrangia a missão me atribuída por ele, o que me faz tentar cumpri-la continuamente.

Ele já não está por aqui, mas, com gratidão, sinto que preciso prestar contas ao mestre, dizendo que, entre trancos e barrancos, e com vários companheiros de jornada, estamos avançando na construção consciente da felicidade. Sabemos que o mundo precisa.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ribeirinhos destacam como sistema de captação de água diminui impactos de estiagem de 2024 no Amazonas

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Foto: Orlando Jr./FAS

Pelo segundo ano consecutivo, a estiagem no Amazonas atingiu níveis recordes. Um dos exemplos é o Rio Negro que chegou à marca de 12,11 metros em outubro, o menor nível já registrado em 122 anos de monitoramento pelo Porto de Manaus. Com o propósito de garantir infraestrutura para abastecimento de água potável, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com Fundación Avina e a Coca-Cola Brasil, executa o projeto “Água+ Acesso” na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, no estado do Amazonas. 

Leia também: Seca de 2024 no Amazonas supera número de atingidos em 2023: mais de 747 mil pessoas

Tendo em vista as características geográficas da região, a população depende dos rios para se conectar a redes de serviços essenciais, como educação e saúde, e conseguir alimentos e água para subsistências. Recentemente, o sistema foi ampliado às comunidades ribeirinhas Deus é Amor, Paricatuba, Uxi e Cuiuanã, beneficiando um total de 365 famílias, mais de 1,8 mil pessoas.

Maria Ribeiro Lima, professora e moradora da comunidade Deus é Amor, conta que o cenário foi delicado diante da severa estiagem de 2023. Hoje, com o sistema de purificação, ela compartilha que a qualidade de vida melhorou como um todo.

“Antes da implantação do projeto em nossa comunidade, a situação era bem complicada, não tínhamos água adequada para realizar nem as atividades cotidianas, tampouco água potável para o consumo. Ano passado, quando a estiagem atingiu o período mais severo, tínhamos que comprar água em garrafões de 20 litros, mas nem todos os comunitários conseguiram comprar devido ao custo e à dificuldade para chegar até à comunidade”, conta Maria Ribeiro.

Leia também: Secas e cheias devem tornar-se mais intensas e frequentes na Amazônia, aponta pesquisador

Foto: Orlando Jr./FAS

“Agradeço muito ao projeto e a todos os colaboradores, pois esse ano todos nós temos acesso à água potável. Melhorou a qualidade de vida de todos. É muito satisfatório simplesmente ligar a torneira e ter água apropriada para consumo à disposição da comunidade. O que antes era só um sonho para nós, hoje é uma realidade”, complementa.

Essa é a quarta incursão do projeto na RDS Piagaçu-Purus. Além das residências, o projeto beneficia três escolas municipais rurais de ensino fundamental, alcançando quase 500 estudantes. Isso dá mais segurança para que docentes e alunos sigam em dia com o calendário acadêmico.

Para pessoas como Ana Cristina Vieira Gomes, da comunidade Cuiuanã, a chegada do projeto foi a realização de um sonho. “A importância da água para nossa comunidade é um privilégio que, há muito tempo, lutávamos para ter. Esse tratamento da água trouxe muitos benefícios para nós. Agradecemos muito por termos uma água de qualidade, pois isso evita doenças, como diarreia e outras. Para minha família e meus vizinhos, o projeto trouxe grandes benefícios, mesmo com essa estiagem que vivemos agora, tivemos menos dificuldade em relação ao acesso da água”, conta.

Leia também: Estiagem: município amazonense tem aumento de 100% em preços de alimentos e vê poço secar

O projeto consiste em um sistema de captação, tratamento e armazenamento de água potável, além de distribuição por canos. A tecnologia adotada usa painéis fotovoltaicos para geração de energia sustentável e é interligada a uma estação de tratamento, que, por sua vez, usa um filtro de purificação de mineral zeolit. 

Em uma hora, cada sistema é capaz de limpar até 5 metros cúbicos. Ao todo, esta abordagem permitirá fornecer 56 milhões de litros de água potável por ano, por meio de quatro sistemas instalados. No Amazonas, em colaboração com a FAS e a Associação de Moradores e Entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçú Purus-AMEPP, desde 2017, o programa já impactou seis mil pessoas em 35 comunidades, todos com modelos autossustentáveis por meio da gestão comunitária da água.

Foto: Orlando Jr./FAS

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“Ter acesso à água potável, sobretudo em tempos de seca, é fundamental para que as famílias consigam realizar suas necessidades diárias. Quando a população trouxe essa demanda, a FAS buscou alternativas para levar uma solução sustentável permanente. Junto com parceiros Avina e Coca-Cola Brasil, conseguimos levar um sistema de captação de água do rio e instalação de poços”, diz Valcléia Lima, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS.

Para Rodrigo Brito, Diretor de Sustentabilidade Brasil e Cone Sul da Coca-Cola América Latina, o programa Água +Acesso tem transformado a vida de diversas famílias no Amazonas. “A melhoria na qualidade de vida dessas pessoas é um resultado que nos motiva a continuar. Continuaremos a apoiar iniciativas que promovam o acesso sustentável à água e contribuam para o bem-estar das comunidades locais. Este ano, estamos investindo R$ 5,6 milhões no programa, visando atender mais de 40 comunidades na região Norte, incluindo Amazonas e Pará”, ressaltou. 

*Com informações da FAS

Teatros da Amazônia avançam na candidatura a Patrimônios Mundiais da Unesco

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou, na sexta-feira (31/01), a candidatura dos teatros da Amazônia – o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA) – à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. A proposta será submetida à avaliação do Comitê do Patrimônio Mundial, formado por 23 países signatários da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural da Unesco.

Se cumpridos os requisitos demandados, a candidatura poderá compor a pauta do comitê para o potencial reconhecimento do bem cultural.

A oficialização da candidatura, em parceria estreita com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é marcada pela entrega de dossiê com documentos elaborados por um grupo técnico formado pelo Iphan, Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, secretaria de cultura do estado Pará e secretarias de cultura dos municípios de Belém e Manaus. O dossiê será analisado pela Unesco, a partir de critérios que demonstram o valor universal excepcional do bem cultural seriado, sua autenticidade e integridade.

Para o secretário em exercício de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Candido Jeremias, a oficialização da candidatura é um marco no pleito coletivo empreendido pelos estados do Amazonas e do Pará em prol da valorização do Patrimônio Histórico da Amazônia.

“Os dois teatros já são conhecidos mundialmente, atraindo visitantes de todas as partes do país e do mundo, e são detentores de todas as credenciais para integrar a lista do Patrimônio Mundial”, destacou. “O valor inestimável desses patrimônios culturais dos povos da Amazônia merece a oficialização do reconhecimento mundial”, afirmou.

Foto: Divulgação/Arquivo Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

A diretora do Teatro Amazonas, Elizabeth Cantanhede, destaca a importância que este tótem da cultura amazônica tem junto à sociedade local, representando um dos orgulhos da região Norte. “É a realização de um sonho que o Teatro Amazonas, junto com o Teatro da Paz, seja reconhecido como patrimônio da humanidade e possa ter para o mundo a mesma importância que tem para nós amazonenses”, declarou.

“Levar a candidatura dos Teatros da Amazônia para reconhecimento internacional se alinha ao compromisso do Iphan de promover, valorizar e democratizar o Patrimônio Cultural Brasileiro”, destaca o presidente do Iphan, Leandro Grass. “A missão se torna ainda mais importante por ser um bem cultural que representa a riqueza e diversidade cultural da região Norte”, afirma.

O diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan, Andrey Schlee, também destaca a relevância da candidatura. “É uma satisfação poder participar de uma iniciativa tão importante que, mais uma vez, em nível internacional, busca reconhecer a riqueza e a diversidade de bens culturais nacionais. No caso, dois teatros amazônicos com inquestionáveis valores universais”, afirmou.

A etapa de entrega do dossiê é um passo importante no potencial reconhecimento internacional dos Teatros da Amazônia, que representam um patrimônio arquitetônico, cultural e histórico singular na região amazônica. “Estamos vivenciando mais um capítulo na história de valorização da Amazônia. Esse passo para a candidatura do Teatro Amazonas e do Teatro da Paz a Patrimônio Mundial pela Unesco nos permite sentir a cultura do Norte em voga”, enfatizou a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos.

“A candidatura pelo reconhecimento da Unesco para estes dois extraordinários patrimônios arquitetônicos, no coração da Amazônia urbana, tem um valor mais do que simbólico para o Brasil. Nossa região irá sediar a COP 30 neste ano, e o turismo receberá um significativo impulso. As duas casas de espetáculos já são uma referência cultural da Amazônia, dentro do Brasil”, contextualizou a secretária de Cultura do Pará, Ursula Vidal.

Foto: Maycon Nunes/Agência Pará

“Com este reconhecimento, a valorização e divulgação de nossos amados teatros e de sua missão no fomento às artes ganhará uma dimensão planetária, chamando a atenção do mundo e estimulando o desejo em conhecer a pujança da cultura amazônica, sua história e a beleza de seu patrimônio”, completa Ursula.

Esses monumentos, símbolos do Ciclo da Borracha na Amazônia, representam a influência europeia na arquitetura e nas artes cênicas, a incorporação de características locais, além de simbolizarem a riqueza cultural e a relação da região com a economia e a geopolítica internacional entre os séculos XIX e XX.

“Nosso teatro não só conta uma parte de nossa história, mas representa também um marco para todos que fizeram e fazem parte dessa história, desde os seringueiros, artesãos, trabalhadores da construção civil e artistas que deram vida aos palcos dos dois teatros”, sublinhou a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro.

Com a candidatura, o Iphan e o Ministério da Cultura (MinC) reforçam a proteção e a valorização dos bens culturais brasileiros, destacando o Patrimônio Cultural da Amazônia no cenário global. Caso sejam reconhecidos pela Unesco, os Teatros da Amazônia integrarão a lista de Patrimônio Mundial Cultural, que já conta com 15 bens culturais brasileiros chancelados e um cultural e natural.

*Com informações da Agência Amazonas e da Agência Pará