O rebanho bovino de Roraimaatingiu 1.291.065 cabeças em 2025, segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr). O número consolida o avanço da pecuária e o trabalho do Governo do Estado nos últimos anos em reforçar o crescimento local do setor.
Entre os municípios com maior concentração de animais estão Mucajaí, com 162.270 cabeças; Amajari, com 145.834; Alto Alegre, com 122.896; Iracema, com 122.846; Rorainópolis; Caroebe, com 105.340; Caracaraí, com 104.884; Cantá, com 104.635; e Bonfim, com 102.953.
Já os municípios de Boa Vista, São Luiz do Anauá, São João da Baliza, Pacaraima, Normandia e Uiramutã somaram, juntos, 187.340 cabeças no mesmo período.
O presidente da Aderr, Marcelo Parisi, atribui o crescimento do rebanho a fatores estruturais, como os investimentos do Governo de Roraima e o avanço da regularização fundiária.
“São fatores que garantem segurança ao produtor para investir, ampliar o rebanho e melhorar as condições produtivas da propriedade. Além disso, houve um avanço significativo na qualidade genética do nosso rebanho”, destacou.
Segundo Parisi, os produtores vêm investindo em inseminação artificial e na aquisição de touros de alta genética, o que contribui tanto para o aumento do número de animais quanto para a melhoria da produtividade.
“Com mais segurança jurídica e apoio institucional, o produtor consegue investir em pastagens de melhor qualidade e estruturar a propriedade para suportar um rebanho maior”, acrescentou.
Gado em Roraima gera renda ao Estado. Foto: Divulgação
Controle sanitário e reconhecimento internacional bovino de Roraima
O crescimento da pecuária também se reflete na movimentação de animais. Em 2025, o Estado emitiu 190.720 GTAs (Guias de Trânsito Animal), documento obrigatório para o transporte de bovinos e fundamental para o controle sanitário da produção.
O reconhecimento sanitário tem sido outro marco importante para o setor. Em março de 2024, o Ministério da Agricultura reconheceu Roraima como livre de febre aftosa sem vacinação em âmbito nacional. Em maio de 2025, o mesmo status foi concedido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), ampliando as possibilidades de mercado.
Foto: Aderr
De acordo com o presidente da Aderr, a GTA é essencial para garantir rastreabilidade e segurança.
“O documento permite identificar a origem e o destino dos animais. Em caso de doença ou qualquer outra ocorrência, conseguimos rastrear por onde esses animais passaram e agir rapidamente para delimitar áreas e proteger o rebanho”, explicou.
Com avanços estruturais, segurança sanitária e melhoria genética, a pecuária roraimense consolida-se como um dos pilares do crescimento econômico do Estado.
A obra premiada da artista Alícia Bianca é “um profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami”, segundo ela. Foto: Alicia Bianca/Rede Amazônica RR
A artista plástica roraimense Alícia Bianca, de 19 anos, recebeu um prêmio nacional por uma obra dedicada e inspirada em Davi Kopenawa, xamã e um dos maiores líderes indígenas do país. Ela também é a imortal mais jovem da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (Alaca), com sede em Manaus (AM).
A obra premiada é um quadro pintado à mão, intitulada ‘A Ferida de Kopenawa’ e está entre as 19 produções selecionadas no concurso ‘Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!’. Como reconhecimento, Alícia vai receber R$ 2 mil.
“Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração”, afirma Alícia.
Promovido pela Artigo 19, uma organização internacional de direitos humanos, o concurso selecionou produções ilustração, charge, cartum e fotografia. O resultado foi divulgado no dia 16 de fevereiro.
Alícia conta que o quadro retrata a principal liderança indígena do povo Yanomami com um “profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami”. Além disso, representa, por meio de Kopenawa, a luta dos povos originários.
Maior território indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima. A região vive invasões de garimpeiros há décadas e, nos últimos três anos, enfrenta os reflexos da atividade ilegal na saúde, na segurança, no modo de vida e no meio ambiente.
“O coração em chamas representa as queimadas, a fumaça nas terras indígenas. Ele está com o olho lacrimejando, simbolizando a dor. Os traços no rosto dele são pinturas com urucum”, explicou.
A artista plástica retratou a luta de Davi Kopenawa. Foto: Alicia Bianca/Acervo pessoal
A obra foi produzida a partir de técnica mista, com lápis de cor e marcador artístico — recursos que a artista desenvolveu por meio da experimentação, processo que envolveaexploração de novas técnicas, materiais, ideias e formas de expressão.
“O objetivo foi provocar uma reflexão sobre os desafios climáticos em diálogo com a COP30, colocando o sofrimento dos povos originários no centro do debate global”, afirmou.
Artista já recebeu um prêmio para cada ano de vida
Alícia é artista autodidata e começou a desenhar aos 12 anos. Atualmente, cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e ocupa a cadeira nº 329 da Alaca.
“Comecei com um caderno de caligrafia que minha avó me deu para treinar a letra. No verso das folhas, fazia desenhos”, relembrou.
Em sete anos dedicados à arte, Alícia recebeu 19 premiações regionais, nacionais e internacionais.É, de forma simbólica, um prêmio para cada ano de vida.
Entre os prêmios internacionais, ela venceu em 1º lugar no concurso internacional da Fédération Internationale des Véhicules Anciens (Fiva), uma competição voltada a veículos históricos, em Torino, na Itália. Também ficou em 5º lugar no concurso de ilustração A(R)RISCAR’21, em Portugal.
Para ela, as conquistas não são apenas troféus na estante, mas “lembretes de que a arte produzida no extremo Norte do Brasil tem potência, tem voz e consegue dialogar com o mundo”.
“Sinto que a juventude me dá uma liberdade de experimentação muito grande. Não tenho medo de errar, porque ainda estou descobrindo muitas camadas da minha própria arte. Por outro lado, ser reconhecida tão cedo me faz querer honrar cada vez mais o meu lugar de fala e a minha região”, destacou.
Alícia busca retratar Roraima em todos os trabalhos que produz. Desde que começou, criou cerca de 600 obras, muitas delas em homenagem a personalidades e elementos culturais do estado.
As artes da jovem já ilustraram edições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em Roraima, além de livros de ficção e materiais editoriais.
“Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração. Quando viajo pelos lavrados de Roraima e vejo os buritizais, isso me inspira. É isso que quero mostrar por meio da arte”, concluiu.
Davi Kopenawa
Nascido por volta de 1955 (a data é incerta), Kopenawa é xamã e porta-voz dos Yanomami, povo ameaçado, principalmente, pela exploração ilegal do garimpo de ouro – atividade que se intensificou nos últimos anos e ameaça o povo que vive isolado geograficamente em Roraima e Amazonas.
Há mais de 30 anos, ele viaja pelo mundo em atos que defendem os direitos dos povos indígenas. Recebeu o apelido de “Dalai Lama da Floresta Tropical” e foi chave para o reconhecimento oficial do território Yanomami na Amazônia em 1992, depois de quase dez anos de luta.
Comunidades quilombolas da Ilha do Marajó são priorizadas nos pedidos do MPF. Foto: Divulgação/TV Brasil
A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentem, no prazo de 60 dias, relatório circunstanciado e atualizado do andamento individualizado de cada um dos processos administrativos para regularização de 14 comunidades quilombolas do arquipélago do Marajó, no Pará.
Os relatórios devem conter indicação objetiva das etapas já cumpridas e das pendentes, além de cronograma compatível com os prazos estabelecidos em sentença judicial.
Segundo a sentença, os processos com Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) publicados devem ser concluídos em 24 meses e os processos que estão em fases anteriores à publicação do RTID devem ser concluídos em 48 meses.
A sentença também determinou à União que acompanhe os processos administrativos do Incra e se desincumba das etapas de sua responsabilidade em um prazo máximo de 12 meses da conclusão aos seus órgãos.
O MPF havia pedido o bloqueio de quase R$ 2,3 milhões para garantir o cumprimento da sentença. A Justiça Federal não acatou nesse momento o pedido, porém poderá determinar o bloqueio caso o cronograma não seja atendido pela União e Incra.
Mulheres quilombolas de Abaetetuba. Foto: Projeto Putirum
Na ação, ajuizada em 2013, o MPF apontou que, das comunidades com processos de regularização em atraso, 12 estão no município de Salvaterra (Campina, Santa Luzia, Caldeirão, Deus Ajude, Pau Furado, São Benedito, Paixão, Salvar, São João, Bacabal, Rosário, Boa Vista), uma em Cachoeira do Arari (Gurupá) e uma em Curralinho (São José de Mutuacá).
Os processos de regularização dessas comunidades foram iniciados entre 2003 e 2007. Na ação, o MPF registrou que, no decorrer das investigações do caso, foi constatado que muitas vezes as terras invadidas pela crescente monocultura do arroz no Marajó se sobrepõem aos territórios quilombolas nunca regularizados.
Além de estabelecer prazos para a conclusão de processos de regularização, em 2018, na sentença, a Justiça também determinou que a União verificasse se eram suficientes os valores a serem repassados ao Incra para a conclusão de processos de regularização de áreas quilombolas que aguardavam solução havia mais de cinco anos.
Cumprimento Provisório de Sentença nº 1036023-28.2022.4.01.3900
A cidade amazonense de Parintins ganhou destaque em uma publicação do Ministério do Turismo. Segundo a publicação, é durante o verão amazônico, em julho, que as águas do Rio Amazonas baixam e apresentam praias fluviais que transformam a paisagem da região destacando a cidade como um dos destinos culturais mais marcantes do Brasil.
Localizada às margens do Rio Amazonas, no coração da Amazônia, a cidade combina natureza, tradição e identidade em uma experiência única para moradores e visitantes.
Reconhecida internacionalmente pelo Festival Folclórico, Parintins foi fundada oficialmente em 1796 e tem origem ligada aos povos indígenas que habitavam a região, especialmente os tupinambás. Ao longo do tempo, consolidou-se como um importante polo cultural do Amazonas, onde tradição e contemporaneidade caminham juntas.
O nome Parintins remete a um povo indígena que habitava a ilha antes da colonização. Essa herança ancestral permanece viva na estética, nos rituais, nas narrativas e na relação simbólica que a população mantém com a floresta e as águas.
De julho a novembro, seu período de verão, Parintins revela praias fluviais que encantam moradores e visitantes. A Praia do Uaicurapá é uma das mais conhecidas, oferecendo banhos refrescantes, paisagens amplas e momentos de convivência em contato direto com a natureza.
Também é pelo Rio Amazonas que chegam turistas, mercadorias, histórias e influências culturais. O rio molda o cotidiano da cidade, define o tempo das cheias e das vazantes e transforma-se, no verão amazônico, em espaço de lazer, encontro e celebração.
O maior símbolo cultural da cidade é o Festival Folclórico de Parintins, realizado anualmente no Bumbódromo, tradicionalmente no último final de semana do mês de junho. O duelo entre os bois Garantido e Caprichoso transforma mitos, lendas e saberes amazônicos em um espetáculo grandioso de música, dança e artes visuais.
O festival é uma afirmação cultural. Elementos indígenas, ribeirinhos e caboclos ganham protagonismo, reforçando a Amazônia como centro de criação artística.
Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins
Ancestralidade e resistência cultural
A força cultural de Parintins está diretamente ligada às raízes indígenas e populares. Os rituais, grafismos, narrativas orais e personagens do festival dialogam com cosmologias ancestrais e reafirmam a importância dos povos originários na construção da identidade amazônica.
Essa ancestralidade também se manifesta no artesanato, na música regional e nas festas religiosas e populares que ocupam ruas, comunidades e beiras de rio ao longo do ano.
Foto: Eduardo Melo/Acervo SEC
Sabores de Parintins: tradição no prato
A culinária parintinense é um reflexo direto da vida ribeirinha. Peixes como tambaqui, tucunaré e pirarucu são preparados assados, fritos ou em caldeiradas. O tacacá é outro prato típico que atrai visitantes.
Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM
Um convite para viver a Amazônia em sua forma mais autêntica
Parintins é uma experiência cultural e afetiva. Entre o vermelho e o azul dos bois, o brilho do rio e a força da ancestralidade, o visitante descobre uma Amazônia que canta, dança e se reinventa em sintonia com suas raízes.
Às margens do Rio Amazonas, Parintins convida o mundo a conhecer a floresta a partir de sua gente, de sua arte e de sua memória: uma Amazônia que pulsa cultura o ano inteiro e transforma tradição em futuro.
Foto: Alessandra Serrão e MTur Destinos/ Ministério do Turismo
Mulheres que inspiram. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista
Com papel essencial no fortalecimento da agricultura familiar, a força da mulher marca presença nas lavouras todos os dias do ano, unindo cuidado, luta, dedicação e resiliência no campo. Em Boa Vista (RR), seja na zona rural ou nas comunidades indígenas do município, mulheres plantam, colhem e geram renda, garantindo sustento e dignidade às suas famílias.
Todo esse trabalho é feito com políticas públicas implantadas pela Prefeitura de Boa Vista. Até o momento, já foram investidos R$ 77 milhões no fortalecimento da agricultura familiar da capital. Para 2026, a previsão é de mais R$ 43 milhões destinados a novos investimentos no setor, ampliando o apoio aos produtores e produtoras, impulsionando o desenvolvimento rural.
No auge da pandemia, causada pelo Coronavírus, em 2020, Antônia Mourão saiu da cidade e foi para o PA Nova Amazônia I, zona rural de Boa Vista, buscando segurança e tranquilidade, já que estava em isolamento, respeitando as regras de prevenção. O tempo passou, a transmissibilidade do vírus caiu, a vacina chegou, mas Antônia e o esposo, Antônio Pacheco, já estavam habituados à rotina no campo.
“A gente começou plantando alguns pés de quiabo, produzindo bem pouco mesmo e agora, estamos ampliado. Hoje, cultivamos pimenta, quiabo, maxixe, abobrinha, batata-doce, milho, banana, macaxeira, goiaba, peixe, galinha e ovos. Trabalhar no campo exige força física e é preciso estar disposto a arregaçar as mangas. Tudo é fruto de muito suor, mas eu não me vejo mais fora daqui”, disse.
Guardando tradição
Nas comunidades indígenas, o papel feminino na agricultura é ainda mais simbólico. Além de cultivar a terra, as mulheres mantêm vivas técnicas tradicionais de plantio, cultivo e preparo, transmitidas de geração para geração. Jucirene Souza mora na comunidade Mauixe, região do Baixo São Marcos, com o esposo e filhos. Há 3 anos, a família decidiu intensificar o cultivo de mandioca para produção de farinha.
Jucirene tem ampliado o cultivo de mandioca. Foto: Diane Sampaio/PMBV
“Trabalho como merendeira em uma escola e aqui na roça com a minha família. Contamos com o sistema de irrigação da prefeitura para conseguir produzir mandioca o ano inteiro e assim não parar a produção de farinha. É uma correria sem fim, mas estamos conseguindo vencer e já estamos planejando ampliar a roça. Vamos aumentar o tamanho da área irrigada”, contou.
Mandioca é utilizada na produção de farinha. Foto: Diane Sampai/PMBV
Desde a implantação do Plano Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), o apoio institucional alcançou 757 famílias chefiadas por mulheres. Os produtores contam com assistência técnica especializada, 149 máquinas e implementos, dentre tratores, caminhões, escavadeiras, drones agrícolas, colheitadeiras, patrola, dentre outros.
Frutas são produzidas na zona rural da capital. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Jornada dupla das mulheres agricultoras
Entre hortaliças, mandioca, frutas e legumes, a rotina das mulheres começa cedo. Antes mesmo do sol nascer, a maioria já está de pé, iniciando a dupla jornada, pois cuidar da produção e da família exige disciplina, coragem e capacidade de adaptação. Ter consciência de que o alimento que chega à mesa passa por mãos femininas que não desistem é reconhecimento à força que sustenta o campo.
Mulheres se dividem entre cuidados com a família e trabalho no campo. Foto: Diane Sampaio/PMBV
O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, vai além de uma data simbólica de reconhecimento. Em territórios tradicionais da Amazônia, transformar essa celebração em oportunidades concretas de geração de renda, qualificação e liderança feminina é um desafio permanente.
Nesse contexto, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tem desenvolvido iniciativas voltadas ao fortalecimento econômico e ao protagonismo de mulheres das florestas e rios amazônicos. As ações visam ampliar a independência financeira das participantes, aliando geração de renda, formação técnica e valorização dos saberes tradicionais.
“Garantir autonomia econômica para as mulheres da região amazônica é oferecer ferramentas concretas para que elas possam empreender, gerar renda e fortalecer suas comunidades. Quando investimos em formação e valorizamos os conhecimentos locais, criamos caminhos reais de transformação social e desenvolvimento sustentável”, destaca a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima.
Entre as iniciativas está o ‘Laboratório de Empreendedorismo Feminino’, realizado em Manaus (AM), que integra o projeto Empreendedoras da Floresta, feito em parceria com a L’Oréal Fund for Women. A ação promoveu, em junho do ano passado, imersões formativas voltadas ao desenvolvimento de negócios sustentáveis e criativos.
Durante os encontros, as participantes tiveram acesso a oficinas sobre planejamento, inovação de produtos e modelagem de negócios, além de apresentarem seus projetos em formato de pitch para uma banca avaliadora. A proposta fortaleceu competências estratégicas e possibilitou a troca de experiências entre as participantes, ampliando a rede de contatos.
Foto: Rodolfo Pongelupe
“Pude aprender bastante e ter mais conhecimento sobre planejamento, precificação e sobre como organizar os produtos até à venda. Foi muito importante, porque a FAS e a L’oreál vem dando oportunidade para mulheres artesãs”, comentou Joana Oliveira, empreendedora do grupo Formiguinhas do Saracá, localizada na comunidade Saracá (distante cerca de 60km de Manaus, via fluvial), numa das atividades do projeto.
No campo da qualificação técnica, a FAS também desenvolve o projeto ‘Elas Reparam’, em parceria com o Consulado da Mulher (ação social que tem a Whirlpool, dona da Brastemp, Consul e KitchenAid, como principal mantenedora). A iniciativa capacita mulheres de Unidades de Conservação (UCs) em manutenção de eletrodomésticos, como geladeiras, máquinas de lavar, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado.
Além de abrir uma nova alternativa de renda dentro das próprias comunidades, o projeto reduz custos com deslocamentos até centros urbanos para consertos. Antes, muitos equipamentos eram inutilizados ou descartados por falta de assistência técnica local. Com a capacitação, as participantes passam a oferecer o serviço na própria região, fortalecendo a economia comunitária e promovendo maior estabilidade financeira para suas famílias.
FAS: projetos para mulheres
Outra frente é a ‘Jornada de Empregabilidade e Carreira’, uma iniciativa da FAS em parceria com o Amazonas Shopping, voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade social que desejam avançar na vida profissional. Realizada em novembro, a formação ofereceu um espaço estruturado de aprendizado, com atividades focadas no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais (hard e soft skills).
A programação beneficiou dezenas de mulheres, com orientações práticas sobre elaboração de currículo, participação em entrevistas e preparação para processos seletivos.
“Ao investir em formação empreendedora, qualificação técnica e fortalecimento de redes locais, contribuímos para que mulheres amazônidas ampliem sua renda e assumam papéis estratégicos na economia comunitária. Em territórios onde são guardiãs da floresta e da cultura, promover independência econômica também significa fortalecer a sustentabilidade da Amazônia”, finaliza Valcléia Lima.
Um relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável no Brasil aponta que o número de mulheres no turismo comunitário representa 44% do total de pessoas empreendedoras no setor. Os dados, divulgados pelo Sebrae com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o público feminino é maioria no ramo.
De acordo com os números, em relação à clientes viajantes, a porcentagem feminina pula para 70%. Para a coordenadora de operações da Vivalá, Mariana Oliveira, a busca por relações mais justas no turismo sustentável é um dos motivos que favorece a presença de mulheres.
“Os dados do relatório mostram que o turismo responsável contribui para a redução das desigualdades de gênero, o que indica um modelo mais inclusivo e que promove empoderamento. Já no modelo tradicional, as mulheres tendem a ocupar funções mais operacionais, enquanto os cargos de decisão e visibilidade seguem majoritariamente masculinos. Do ponto de vista das viajantes, o turismo comunitário costuma oferecer ambientes mais acolhedores, seguros e sensíveis às questões de gênero, enquanto o modelo tradicional nem sempre considera essas dimensões de forma intencional”, destaca Mariana.
A tendência é que os números aumentem ainda mais, principalmente no turismo de base comunitária, que combina geração de renda local, imersão cultural e valorização das pessoas locais. O grande contraste, quando comparado a outros setores e até mesmo ao modelo tradicional de turismo, ajuda a explicar por que o turismo sustentável pode ser uma frente poderosa no atendimento da equidade de gênero, que é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Agenda 2030.
Liderança feminina na Amazônia
Um dos exemplos de liderança feminina no turismo de base comunitária nasceu às margens do Rio Negro, que banha o Amazonas e é o maior rio de águas pretas do mundo. Horenilde da Silva Gomes, conhecida como Nilde, é CEO da Caboclo’s House Ecolodge e cresceu no Lago de Acajatuba, localizado a 70 km de Manaus (AM), ao lado de 13 irmãos.
Hoje, ela comanda uma hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo, segundo o TripAdvisor e afirma que a floresta faz parte de tudo isso.
Nilde é CEO da Caboclo’s House Ecolodge e cresceu no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus. Foto: Divulgação/Vivalá
“Eu tinha uma família enorme, então a casa sempre estava cheia. Muitas vezes, eu e minhas irmãs mais velhas tínhamos que cuidar dos mais novos para ajudar meus pais, e foi assim que aprendi desde cedo sobre responsabilidade, união e resiliência. Acho que toda a realidade daquele lugar foi transformadora: a floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, afirma.
O turismo entrou em sua vida quando seu pai recebia visitantes na Casa de Farinha da família e mostrava todo o processo da mandioca, enquanto sua mãe ensinava o poder das plantas com a medicina natural. Em 2005, trabalhou em um hotel de selva e viu de perto a força do turismo e o impacto da floresta nos viajantes.
“Senti que havia um caminho para mim, mostrar a Amazônia, ensinar nossos modos de viver e criar um legado baseado na sabedoria ancestral”, conta. No ano seguinte, Nilde, junto com seus pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante, mas logo perceberam que não era aquilo.
Com a venda do flutuante, adquiriram um terreno e abriram um novo restaurante com quartos duplos. “Foi nesse momento que nasceu a Caboclo’s House, um projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres. A cada ano, com esforço e dedicação, construímos mais um pedacinho, sempre com a esperança de receber bem nossos hóspedes. O começo, no entanto, foi muito difícil. As dificuldades financeiras eram grandes, era complicado encontrar mão de obra, e ser mulher empreendendo na região também não era simples”, conta Nilde.
Apesar das dificuldades, e enquanto o turismo caminhava a passos lentos na região, em 2017, a empreendedora conheceu uma viajante que, ao passear pelo hotel, as conectou com um grupo de outras pessoas interessadas na experiência. Foi então que a comunidade passou a ter novos horizontes, especialmente pela conexão com a Vivalá.
“A Vivalá fomenta o turismo e instrui as pessoas da comunidade a não perderem sua essência. Com o tempo, vieram também o reconhecimento e os prêmios. Fui homenageada como mulher empreendedora e pelo meu trabalho de base comunitária. Hoje, ver o hotel ser reconhecido entre os melhores hotéis do mundo é mais que um título, é a prova de que um sonho improvável deu mais do que certo”, ressalta Nilde.
União de mulheres empreendedoras
Nilde não apenas vive do turismo sustentável, como incentivou outras mulheres a se desenvolverem e buscarem seu espaço. “Junto com a estruturação do hotel, empreendedores locais surgiram, atrativos foram criados, e todos descobriram que só precisavam de oportunidade para florescer. Entre tantas histórias, uma que me toca muito é a da Sueula, do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. Incentivei ela a acreditar no seu talento e hoje ela é uma empreendedora de sucesso, vendendo seus produtos e oferecendo oficinas para hóspedes de hotéis da região”, cita.
A história da Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, se mistura com a chegada da Vivalá na região. Segundo a empreendedora, a empresa passou a existir quando o negócio social ofereceu mentorias de empreendedorismo na comunidade. “Para mim e para o meu desenvolvimento, foi muito importante, porque eu aprendi muita coisa, como lidar com o meu dinheiro e com o meu negócio. As trocas que eu tive fizeram com que eu crescesse pessoalmente e com que eu visse o potencial que eu tinha das minhas mãos”, conta Sueula.
Os produtos artesanais são produzidos e comercializados pela empreendedora, que destaca que já tinha contato com ervas e óleos por conta de seus ancestrais, que a ensinaram a cuidar da floresta. Mas foi com a mentoria e as capacitações que ela passou a ver aquela paixão como um negócio rentável. “Eu comecei a estudar e a ver que é um mundo muito grande e, por incrível que pareça, a matéria prima está no meu quintal. Hoje faço vários produtos, mas a cosmética natural realmente mudou minha vida e o turismo de base comunitária fez com que a gente se fortalecesse”.
Suela também ressalta a importância do apoio feminino para o fortalecimento da comunidade e dos negócios. “Eu vejo hoje que nós mulheres somos uma grande força aqui dentro. A maioria dos empreendimentos que temos de turismo de base comunitária e sustentabilidade, quem gesta é uma mulher, de pousada a pequenos empreendimentos. Eu acho que nós mulheres nos fortalecemos muito e nos juntamos para viver isso e mostrar que cada uma de nós somos capazes, mesmo com os desafios da vida e com tudo que acontece. É um modelo muito bom de trabalho que a gente vive e o fortalecimento da comunidade para mim também é muito grande”, conclui.
Mulheres em campo aumentam a sensação de segurança
Mais do que entender a importância das mulheres ocuparem cada vez mais lugares, é importante incentivar. “A Vivalá fortalece a autonomia econômica das mulheres ao gerar oportunidades de renda justa por meio do turismo comunitário e ao apoiar iniciativas locais onde muitas mulheres já atuam na gestão e coordenação. Ao conectar comunidades ao mercado do turismo responsável, contribuímos para a valorização do trabalho feminino, o aumento da renda e o fortalecimento do papel das mulheres na cadeia como um todo”, comenta Mariana.
Vivalá atua com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social na Amazônia. Foto: Divulgação/Vivalá
Atualmente, cerca de 80% dos destinos da organização contam com ao menos uma mulher no time de campo, e a tendência é que o número se expanda nos próximos anos. Uma das parceiras Vivalá, que atua como guia, é Mônica Azevedo Rodrigues, especialista em ecoturismo.
“Sendo guia de turismo e mulher, sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Isso já me deixa bem à frente dos profissionais homens, nesse quesito. Conheço profissionais do sexo masculino que são incríveis e muito empáticos. Ainda assim, há algo singular na experiência de compartilhar determinadas vivências com outra mulher — a sensação de ser compreendida não apenas pela escuta atenta, mas pelo reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado”, conta.
Mônica é guia de turismo nacional e atua com a Vivalá há cerca de um ano, no roteiro para a Chapada dos Veadeiros (GO). Segundo ela, ao guiar mulheres os desafios são maiores. É importante garantir para a viajante que ela esteja em um ambiente seguro e acolhedor, principalmente quando o grupo precisa lidar com outros prestadores de serviço homens. A guia afirma que a presença de lideranças comunitárias femininas durante as viagens é um ato de empoderamento e que passa confiança.
“Dentro do meu conhecimento, principalmente como viajante, que é algo que sempre amei, percebo uma crescente no número de mulheres que querem incentivar outras mulheres a viver mais, a fazer viagem solo, a viver sem necessariamente ter alguém (homem ou mulher) do outro lado, que não há nada errado em fazer as coisas sozinha, até porque muitas vezes não temos a companhia e o tempo passa. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal para ir atrás do que se quer. Então o que vejo é isso, mulheres tomando a frente nas próprias escolhas e boa parte delas, cuidando para que essa escolha seja a melhor e mais segura possível”, destaca.
Para a viajante Rita Alves, se sentir segura durante todo o roteiro fez a diferença. “Estive na Amazônia, em comunidade ribeirinha, em área de preservação ambiental, vivendo uma experiência real de contato com a natureza e com pessoas profundamente conectadas ao território. Um lugar conduzido por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta — e isso não é acaso, é escolha de rota, de ética e de visão. Mas desde antes da viagem, já deu pra sentir o compromisso e a responsabilidade com cada detalhe: a equipe realizou uma reunião prévia para apresentar o cronograma, alinhar expectativas, explicar o roteiro e nos preparar para a vivência. Isso fez toda a diferença. Me senti segura, respeitada e muito bem acompanhada”.
Organização Vivalá é referência em turismo sustentável com programas de impacto socioambiental. Foto: Divulgação/Vivalá
Sobre a Vivalá
A Vivalá é referência em turismo sustentável e programas de impacto socioambiental positivo, atendendo pessoas físicas e algumas das maiores organizações do país, com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as pessoas têm com o Brasil. Atualmente, a Vivalá atua em 30 operações nos biomas da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, em conjunto com mais de 1.600 famílias envolvidas na operação.
Com 17 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais da Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur, Abeta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, entre tantos outros. A Vivalá tem uma operação 100% carbono neutro e é uma empresa B certificada, tendo a maior nota do setor no Brasil e a 7ª maior no mundo. Até o final de 2025, a Vivalá já contava com mais de 6 mil clientes, além de ter injetado mais de R$ 8,5 milhões em economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária. Para mais informações, acesse: https://www.vivala.com.br/
O compositor de toadas do Boi Garantido, Tadeu Garcia, morreu neste sábado (7), aos 68 anos. Natural de Parintins, era carinhosamente apelidado de “Mestre das Evoluções” devido ao talento em compor toadas que descrevem o movimento do boi na arena do Bumbódromo de Parintins.
Ao longo de décadas, Garcia escreveu clássicos do boi bumbá e se imortalizou na galeria de lendas do Festival de Parintins. Relembra algumas toadas marcantes compostas por Tadeu Garcia:
‘Evolução’ (1995)
A toada marcou o início de uma série que se tornaria uma das marcas do compositor. A música descreve o movimento do boi na arena e ajudou a consolidar o conceito das toadas de evolução, usadas para acompanhar a dança do Garantido durante as apresentações.
‘Encontro dos Povos’ (1998)
A toada destaca a diversidade cultural da Amazônia e aborda o encontro entre diferentes povos que formam a identidade regional. A música valoriza a mistura de tradições indígenas, caboclas e populares presentes no festival.
‘Canto do Sonho-Fantasia’ (2009)
A música mistura imaginação e espetáculo, elementos centrais das apresentações do Garantido. A toada celebra a criatividade e o universo simbólico que marca o festival de Parintins.
‘As Dimensões do Vaqueiro’ (2024)
Uma das composições mais recentes do artista, a toada destaca o papel do vaqueiro na tradição do boi-bumbá. A música ressalta a importância desse personagem para a condução e evolução do boi dentro da arena do Bumbódromo.
Quem foi Tadeu Garcia
O compositor Tadeu Garcia era carinhosamente apelidado de “Mestre das Evoluções”, devido ao talento em compor toadas para as performances do boi vermelho e branco no Festival de Parintins.
Entre suas composições mais conhecidas estão toadas como “Marca da Ausência” (1997), “Tempos de Cabanagem” (1998), em parceria com Paulinho Du Sagrado, “Luzes Rubras” (2001), “Alma de Guerreiro” (2002), “Sublimação” (2004) e “Canto do Sonho-Fantasia” (2009), além da histórica sequência de toadas de Evolução, iniciada em 1995 e que atravessou diversas edições do Festival, até a Décima Nona Evolução, que fará parte do álbum Garantido 2026.
Além da música, Tadeu Garcia também se dedicou à literatura e à pesquisa sobre a cultura regional. Ele é autor do livro As Lendas e Tradições do Folclore de Parintins: um mergulho na cultura amazônica e suas raízes ancestrais, obra que reúne estudos e reflexões sobre a formação cultural do boi-bumbá e as tradições da ilha.
Imagem aérea de sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022. Foto: Divulgação/Greenpeace
O desmatamento na Amazônia registrou o menor índice dos últimos sete anos no semestre encerrado em janeiro de 2026. Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), houve redução de 41% em relação ao período anterior.
Apesar da queda expressiva, o Amazonas aparece entre os três estados que mais derrubaram floresta, ao lado do Pará e do Acre.
Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento mostram que, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, três municípios amazonenses concentraram as maiores áreas devastadas:
“Isso é um alerta importante nos últimos meses: o avanço da destruição no norte do estado, onde há o maior bloco de áreas protegidas do mundo”, ressalta Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.
Por outro lado, o Amazonas registrou uma das maiores reduções na degradação florestal — provocada por queimadas e extração de madeira. A área degradada caiu de quase 3 mil km² para apenas 53 km², uma queda de 98%.
De acordo com o Imazon, a queda no desmatamento é essencial para que o Brasil alcance a meta de desmatamento zero até 2030. No Amazonas, o desafio é equilibrar os avanços na redução da degradação com o fato de ainda estar entre os estados que mais derrubam floresta na Amazônia Legal.
Confira o ranking de desmatamento na Amazônia por estado (km²):
Estados que mais desmataram
ESTADO
Agosto 2024- Janeiro 2025
Agosto 2025 – Janeiro 2026
Variação
Pará
850 km²
382 km²
-55%
Amazonas
288 km²
196 km²
-32%
Acre
278 km²
196 km²
-32%
Fonte: Imazon
Cenário geral na Amazônia
Em janeiro de 2026, o desmatamento caiu de 133 km² para 83 km².
Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram derrubados 1.195 km² de floresta.
A redução é de 74% em comparação com o semestre de 2020/2021, período de recorde de devastação.
Conquista da Fundação Marabaixo integra os planos do programa Amapá Afro. Foto: Maksuel Martins/GEA
O Governo do Amapá celebra uma conquista histórica para a cultura e o turismo do estado. A Fundação Marabaixo alcançou o 1º lugar no edital do Programa Rotas Negras, do Ministério da Igualdade Racial, iniciativa do Governo Federal que fortalece e projeta o afroturismo em todo o país.
Instituído pelo Decreto nº 12.277/2024, o Programa Rotas Negras tem como missão impulsionar o afroturismo como instrumento de desenvolvimento sustentável das comunidades negras, promovendo e valorizando a cultura afro-brasileira nos cenários nacional e internacional. Ao todo, 50 iniciativas foram selecionadas em todo o Brasil, reconhecendo projetos que fortalecem a memória, a resistência e a identidade do povo negro.
Para a diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, o reconhecimento reafirma o compromisso do Amapá com a valorização de sua história e de suas raízes.
“Essa conquista é fruto de um trabalho coletivo e da força do nosso povo. O Marabaixo é resistência, é fé e é identidade. Estar em primeiro lugar no Programa Rotas Negras mostra que o Amapá está preparado para apresentar ao Brasil e ao mundo a riqueza da nossa cultura afro-amapaense”, destacou.
Diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos. Foto: Fundação Marabaixo
Fundação Marabaixo incentiva o afroturismo
Mais do que uma modalidade de turismo, o afroturismo é uma ferramenta de empoderamento, valorização e visibilidade. Ele potencializa tradições, ritmos, gastronomia, celebrações, religiosidades e manifestações que evidenciam o legado africano, afro-diaspórico e afro-brasileiro, promovendo inclusão social e geração de oportunidades.
A conquista conta ainda com a parceria da Universidade Federal de Santa Maria, fortalecendo o intercâmbio de saberes, a pesquisa e a consolidação de políticas públicas no âmbito do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).
A iniciativa também integra as ações do programa Amapafro, previsto no Plano de Governo do governador Clécio Luís, que tem como eixo estratégico o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, à valorização da cultura negra e à geração de oportunidades para as comunidades tradicionais do estado.
Iniciativa foi lançada no palácio do setentrião em julho de 2025 e agora colhe seus frutos. Foto: Maksuel Martins/GEA
Com o resultado, o Amapá ganha destaque nacional de forma positiva, reafirmando o protagonismo da região Norte e consolidando o Marabaixo como símbolo vivo de resistência, cultura e identidade do povo negro brasileiro.