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Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas

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Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas. Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

A Amazônia brasileira já começa a registrar cenários até então projetados para as próximas décadas, com estações secas mais longas e alteração no padrão de chuvas, apontam dois estudos recém-publicados liderados por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O quadro pode se intensificar rapidamente, elevando riscos à biodiversidade, ao reabastecimento de reservatórios naturais de água e ao funcionamento da floresta se não houver políticas integradas e iniciativas de combate às mudanças climáticas.

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Os trabalhos, baseados em modelos climáticos que incorporam a dinâmica regional, também funcionam como um alerta para este ano e o próximo, quando há a possibilidade de um ‘super El Niño’. Caracterizado pelo aquecimento do oceano Pacífico na faixa equatorial, o fenômeno pode, em sua versão mais intensa, elevar a temperatura em mais de 2 °C acima da média, provocando grandes alterações na circulação atmosférica e no regime de chuvas em escala global.

O resultado de uma das pesquisas indica prolongamento da estação seca na Amazônia de quatro para até seis meses, com aumento de déficit hídrico superando -150 milímetros (mm) no período. Publicado no International Journal of Climatology, o artigo aponta maior instabilidade climática e mais eventos extremos fora do padrão sazonal, além de crescimento da degradação da floresta associada ao fogo.

Leia também: Seca e estiagem: entenda as diferenças entre os fenômenos que ocorrem na Amazônia

Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas.
Comunidade do Catalão, em Iranduba. Foto: Gato Júnior/Rede Amazônica AM

O outro trabalho, que está na edição de março da Perspectives in Ecology and Conservation, analisa a seca registrada entre 2023 e 2024 na Amazônia, período em que o Brasil também foi fortemente afetado pelo El Niño.

Os achados mostram um crescimento médio de 9% nas áreas queimadas e 19% nos alertas de degradação florestal, com até 4,2 milhões de hectares impactados por fogo no pico da seca. Evidenciam, assim, que o ciclo seca-fogo-degradação está se fortalecendo, reduzindo a capacidade do ecossistema de se restabelecer.

“Há alguns anos, quando começamos a discutir cenários climáticos para a Amazônia, muitas vezes esse futuro era visto como algo distante nas conjunturas mais pessimistas. Porém, estamos observando que os extremos de anomalia mais pessimistas estão acontecendo no presente. Quando comparamos os dados de hoje com as projeções, vemos o quão crítica vai ficando essa situação à medida que incluímos cenários pessimistas na análise climática”, resume a engenheira ambiental e sanitarista Débora Dutra, doutoranda em sensoriamento remoto no Inpe e primeira autora dos dois artigos.

A bióloga Liana Anderson, orientadora de Dutra e pesquisadora no Inpe, destaca o papel dos cientistas diante da dissonância entre as evidências científicas dos impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas e as respostas para a sua mitigação e contenção.

“Estamos em um momento crucial, com metas nacionais e internacionais a cumprir até 2030. Se colocarmos os esforços nessa direção, temos condição de atingi-las. É preciso pensar na conexão entre meio ambiente, desenvolvimento e economia como uma tríade indissociável, seja pelo lado da exploração ou pelo preço a ser pago pela reconstrução após os impactos. Acho que essa crise climática abre oportunidade de repensarmos caminhos e como acelerar iniciativas sustentáveis, que busquem qualidade de vida, justiça social e ambiental. Existe mobilização da comunidade científica para contribuir e mostrar alternativas. A questão é quem está disposto a escutar o que vem sendo estudado ao longo das últimas décadas”, complementa Anderson.

Anderson lidera o laboratório TREES (sigla para TRopical Ecosystems and Environmental Sciences) ao lado do pesquisador Luiz Aragão, também um dos autores dos artigos.

Construindo modelos

Na pesquisa publicada no International Journal of Climatology, os cientistas utilizaram uma métrica que vem sendo trabalhada por Aragão desde 2007 – o máximo déficit hídrico acumulado (MCWD, na sigla em inglês), considerado um indicador-chave de estresse hídrico nos ecossistemas tropicais –, aliada a dados da fase seis do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, que fornece uma estrutura padronizada para a modelagem climática alinhada às avaliações dos Caminhos Socioeconômicos Compartilhados (SSPs) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas.

O estudo foi conduzido no sudoeste da Amazônia, abrangendo o Acre e parte dos Estados do Amazonas e de Rondônia. Abrigando áreas com mais de 90% de cobertura florestal, a região está sob forte pressão de desmatamento.

Leia também: Seca, enchente, calor: eventos climáticos extremos ameaçam ecossistemas fluviais

Área desmatada no Acre. Foto: Divulgação/Batalhão de Policiamento Ambiental do Acre

Os resultados mostram que, em cenários de altas emissões de gases de efeito estufa, há uma intensificação dos déficits hídricos durante a estação seca na Amazônia, sobretudo na porção sudoeste da floresta. As projeções indicam estações secas mais longas e intensas, com aumento do estresse hídrico entre junho e setembro e déficits que podem ultrapassar -21 mm/mês até o fim do século no cenário mais pessimista.

Esse agravamento tende a produzir impactos diretos sobre a floresta, com maior mortalidade de árvores, degradação florestal e perda de biodiversidade, além da redução da capacidade da Amazônia de atuar como sumidouro de carbono, reforçando um ciclo de retroalimentação entre degradação e aquecimento global.

Para aprimorar as projeções futuras e as avaliações de risco climático na região, os pesquisadores sugerem, entre outros pontos, a adoção de análises integradas que incorporem mudanças no uso da terra, anomalias na circulação atmosférica e interações entre incêndios e secas.

Na pesquisa que analisou a seca extrema de 2023 e 2024, o grupo mapeou e quantificou o estresse hídrico, a degradação florestal e a dinâmica do fogo, identificando implicações para a gestão ambiental. O estudo chegou à conclusão de que a seca intensificou a interação entre déficit hídrico, incêndios e degradação, com o fogo cada vez mais associado à debilitação da floresta em pé, e não apenas ao desmatamento. Enquanto o desmate remove totalmente a cobertura de vegetação, a degradação enfraquece a floresta sem destruí-la por completo.

Leia também: Anéis de crescimento de árvores revelam mudanças extremas na sazonalidade de chuvas na Amazônia

Seca em Rondônia. Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

De acordo com o trabalho, os resultados destacam a necessidade de uma governança integrada do fogo, reunindo indicadores climáticos aos sistemas de alerta, fortalecendo a coordenação institucional e incorporando a degradação florestal nas estratégias de mitigação e adaptação.

Costurando ciência e iniciativas práticas

Sob a coordenação de Anderson, Dutra vem estudando há alguns anos os impactos do fogo na floresta amazônica e publicou um artigo sobre queimadas no município de Boca do Acre, no Amazonas.

Desde o ano passado, as pesquisadoras integram a iniciativa “Fogo em Foco”, uma parceria entre forças operacionais de combate e prevenção de fogo (como o Corpo de Bombeiros Militar de diversos Estados) e instituições de pesquisa.

Para marcar o lançamento do programa, o laboratório TREES, a Rede Brasa de pesquisa e a Liga dos Corpos de Bombeiros Militares realizaram um evento em outubro com a divulgação do relatório “Fogo em Foco 2024-2025” e do artigo internacional “State of Wildfires 2024-2025”.

Segundo Anderson, em abril foi autorizada a continuidade desse trabalho conjunto com os bombeiros para 2026.

“Essa aproximação é uma forma de aliar o que a ciência consegue entregar com a realidade de quem atua na ponta, tanto em estratégias de prevenção quanto de combate. Tentamos costurar ciência e ações na sociedade. Mas ainda há um ponto em que precisamos avançar, que é a magnitude do impacto econômico e o quanto isso significa para o desenvolvimento do país”, diz a pesquisadora.

Por isso, Dutra decidiu mergulhar no tema e vai trabalhar em sua tese de doutorado com dados sobre o potencial das perdas econômicas derivadas do fogo, discutindo não só questões florestais, mas também saúde e impactos sociais.

Ela recebe bolsa da FAPESP, que também apoiou os dois artigos por meio de outros cinco projetos – 21/04019-420/08916-825/28244-8 e 25/07124-4, incluindo o Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI).

Leia os artigos Dry-season water deficits in the Southwestern Amazon under high emissions e Intensification of drought-associated wildfires challenges actions for Amazonia’s sustainable development.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Luciana Constantino

Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá

Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Muito popular em Rondônia, o café robusta amazônico pode ganhar espaço também no Amapá. A Embrapa realiza uma pesquisa para avaliar a viabilidade do cultivo no estado.

O trabalho tem dois objetivos: lançar uma cultivar genuinamente amapaense e recomendar variedades já desenvolvidas pela Embrapa Rondônia que se adaptem às condições locais, considerando desenvolvimento da planta, resistência a pragas e doenças e qualidade da bebida.

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As primeiras plantações do café robusta começaram em 2022 e, em 2024, foram feitas colheitas experimentais. Os resultados definitivos devem sair em cerca de quatro anos. 

O café robusta é uma das principais espécies cultivadas no mundo, tem mais cafeína, sabor mais forte e costuma ser usado em blends e cafés solúveis, diferente do arábica, que é mais suave e complexo.

Leia também: Café Robusta Amazônico é declarado patrimônio cultural e imaterial de Rondônia

Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá
Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

“Em pesquisa, a gente precisa de pelo menos 4, 5 anos de avaliação. Os primeiros resultados são auspiciosos. Nós conseguimos produtividade em nível experimental, em campo experimental, nas condições controladas pela Embrapa, com nossos trabalhadores que já são habituados a trabalhar com plantas. Nós conseguimos produtividades excelentes, bem maiores do que a média nacional e do que a própria média de Rondônia, que é o local de origem das plantas que nós trouxemos”, explicou Rogério Alves, pesquisador da Embrapa.

Segundo ele, o material recomendado pela Embrapa Rondônia já é utilizado em outros estados da Amazônia, como Amazonas e Acre. No Amapá, os testes buscam avaliar o desempenho das plantas e, paralelamente, desenvolver uma cultivar própria.

Rogério Alves, pesquisador da Embrapa. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

Leia também: A história do café adaptado à Amazônia

“No Amazonas, no Acre, estão plantando o mesmo material. Nós resolvemos testar aqui por ser mais rápido, por ser um material que já está pronto. O nosso, que eu estou falando que nós estamos procurando lançar o Amapaense, nós vamos levar mais tempo, porque ele está sendo desenvolvido do zero, ao passo que o de Rondônia já existe, as plantas já estão prontas. Então, nós só transportamos de lá para cá, plantamos e estamos vendo como é que ele se comporta. Nós precisamos de uma série de seleção, teste, seleção e teste. Então, a gente vai levar mais tempo”, explicou.

Atualmente, a Embrapa Amapá conduz duas linhas de pesquisa:

  • Um experimento seminal, com 500 plantas cultivadas a partir de sementes, das quais 20 foram selecionadas para análises, visando lançar uma cultivar genuinamente amapaense.
  • Um experimento clonal, com 300 plantas de 11 cultivares já desenvolvidas pela Embrapa Rondônia, para verificar quais se adaptam melhor ao Amapá.
Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá. Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica AP

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A produção obtida até agora é apenas experimental, voltada para análises. A recomendação de materiais para produtores só será feita após a conclusão dos testes.

*Por Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica AP

Quanto menos mata menor a diversidade de peixes, revela pesquisa

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O tamboatá vive no fundo de rios de águas lentas ou paradas. Foto: Chucão/Wikimedia Commons

A perda das matas às margens de riachos da Amazônia, ao alterar os ambientes aquáticos, pode promover o desaparecimento de peixes.

Algumas espécies que seriam mais afetadas são:

  • o tamboatá (Callichthys callichthys) e o muçum (Synbranchus marmoratus), ambos capazes de respirar fora d’água por períodos curtos de tempo;
  • duas espécies de peixe-elétrico: o sarapó (Gymnotus coropinae) e o falso-peixe-faca-tigre (G. javari);
  • o jundiá (Rhamdia quelen);
  • e o ituí-transparente (Eigenmannia virescens).

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Menos mata, menor a diversidade de peixes
Muçum (Synbranchus marmoratus). Foto: Germano Woehl Junior

Perda de mata ciliar influencia na diversidade de peixes

O biólogo Lucas Pires Oliveira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), examinou a relação entre a perda da mata ciliar e a diversidade de peixes em 23 riachos de duas reservas extrativistas e em outros 12 de uma área não protegida próxima a uma delas, todas no Acre, entre 2019 e 2024.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são matas ciliares?

As coletas reuniram 4.072 indivíduos de 127 espécies de peixes. Nos riachos das duas reservas viviam 75 e 60 espécies e na área não protegida, com maior perda de vegetação, 58.

A perda da diversidade de espécies refletia a intensidade e a duração do desmatamento às margens dos riachos (Journal of Environmental Management, fevereiro).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Praça Jonathas Pedrosa é um dos símbolo da origem de Porto Velho

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A praça Jonathas Pedrosa carrega um título de nobreza urbana. Foto: José Carlos

Imagine o ano de 1915. Porto Velho (RO) era um canteiro de obras e sonhos, pulsando ao ritmo da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). No meio do frenesi de ingleses, americanos, caribenhos e brasileiros que chegavam para desbravar a floresta, surgiu a necessidade de um respiro: um lugar onde a vida não fosse apenas trabalho.

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Foi nesse cenário que nasceu a Praça Jonathas Pedrosa. Apenas um ano após a criação oficial do município, ela já estava ali, desenhada para ser o coração social da cidade.

“As pessoas literalmente marcavam de ir pra praça. Era o ‘point’ da época. Os pais levavam os filhos, os casais namoravam sob o olhar atento das famílias, e os políticos discutiam o futuro ali. Era o grande ponto de convivência da sociedade porto-velhense”, explica o historiador Célio Leandro.

A primogênita do Estado

Pouca gente sabe, mas a Praça Jonathas Pedrosa carrega um título de nobreza urbana: foi a primeira praça projetada de todo o estado de Rondônia.

Sua criação não foi por acaso, mas parte do plano do Major Guapindaia, primeiro superintendente (cargo equivalente a prefeito) do município. Ele entendeu que, para Porto Velho ser, de fato, uma cidade, precisava de um espaço público de lazer e civismo.

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Praça Jonathas Pedrosa é símbolo da origem de Porto Velho
Para o historiador Célio Leandro, a praça Jonathas Pedrosa representa uma conexão com um modo de vida que se transformou. Foto: José Carlos

“Porto Velho surge em 1914 e, já no ano seguinte, se concretiza esse espaço. Isso demonstra que houve um pensamento urbanístico focado na convivência humana desde os primeiros passos da cidade”, destaca Célio Leandro.

Uma homenagem do outro lado do rio

O nome da praça é, em si, uma aula de geografia histórica. Naquela época, a divisão territorial era curiosa: de um lado ficava o antigo município de Santo Antônio do Rio Madeira, pertencente ao Mato Grosso e hoje conhecido como bairro Santo Antônio. Do outro, a jovem Porto Velho, que ainda era território do Amazonas.

Praça Jonathas Pedrosa nasceu como uma homenagem ao homem que validou a certidão de nascimento da cidade. Foto: José Carlos

Jonathas de Freitas Pedrosa não era rondoniense, ele era o governador do Amazonas na época e a figura central na assinatura do decreto que emancipou o município de Porto Velho, em 1914. A praça Jonathas Pedrosa nasceu, portanto, como uma homenagem ao homem que validou a certidão de nascimento da cidade.

Um tempo de coretos e saudações

Ao olharmos para registros antigos da praça, como a imagem que ilustra esta matéria, ou ao imaginarmos sua configuração original, com um coreto no centro, percebemos o quanto ela era vibrante. Para o historiador Célio Leandro, a praça representa uma conexão com um modo de vida que se transformou.

“Hoje a gente não vê mais as praças como antigamente, o ritmo da cidade é outro. Mas existe um saudosismo muito grande. Quando eu olho pra esse espaço, eu lembro exatamente desse tempo de convivência, dos encontros, de um tempo em que a cidade conversava olho no olho”.

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Jonathas Pedrosa na década de 1970. Foto: Acervo/ Célio Leandro

Mais de um século depois, a Praça Jonathas Pedrosa resiste. Recentemente revitalizada, ela não é apenas um adorno na paisagem urbana do centro histórico, mas um documento vivo.

O prefeito Léo Moraes destacou a importância do espaço para a cidade. “Estamos preservando um patrimônio histórico e devolvendo à população um espaço de convivência, que faz parte da identidade de Porto Velho”.

Ao caminhar por suas calçadas reformadas, pisa-se na mesma terra onde os fundadores de Porto Velho sonharam a cidade. Ela segue ali: viva, presente e acessível, guardando a essência do que fomos e do que somos.

Onde a vida acontece

Para muitos, a praça não é apenas um trajeto de passagem no centro da capital, mas o destino final. É o caso de Domingos Andrade, um trabalhador autônomo que, há quase 40 anos, mantém sua fiel banca de conserto de relógios no local. Foi na praça, entre engrenagens e ponteiros, que ele construiu sua trajetória.

Natural de Manicoré, Domingos chegou jovem e encontrou na praça a oportunidade que precisava. Dali, tirou o sustento para criar nove filhos e conquistar cada vitória de sua vida.

Praça Jonathas Pedrosa. Foto: José Carlos

“Aqui significa tudo pra mim. Foi daqui que eu criei meus filhos, sustentei minha família e comprei minhas coisas. Meu carro, minha casa… Tudo veio daqui”, afirma com orgulho.

Ao longo das décadas, ele viu a praça mudar, acompanhou o desgaste do tempo, a revitalização e o crescimento da cidade, mas manteve-se firme em seu posto, sendo ele mesmo parte do patrimônio vivo do lugar.

Memórias que atravessam o tempo

Para quem nasceu e cresceu em Porto Velho, a Jonathas Pedrosa é sinônimo de infância. A professora Maria José, de 64 anos, recorda os tempos no bairro Embratel e as visitas constantes ao centro.

“Eu trazia meu filho aqui… era o nosso lazer, um local de família. A gente vinha encontrar os amigos e até namoro acontecia, eu mesma namorei muito aqui”, conta, entre risos.

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Jonathas Pedrosa. Foto: José Carlos

Para ela, ver o espaço revitalizado traz um misto de nostalgia e esperança.

“Essa praça tem muita história. Passou um tempo mais largada, mas hoje está bonita de novo. É bom ver esse reconhecimento.”

Entre passado e presente

As lembranças também guiam os passos de Sâmia Guimarães, que agora retorna à praça levando a neta — um ciclo que se repete décadas depois. Ela confessa que passou um período afastada devido à falta de conservação que o local enfrentou anos atrás.

“A gente vinha pra encontrar os amigos, passear… mas depois ela já não estava mais boa de frequentar. Hoje é a primeira vez que venho com a minha neta e já fizemos questão de registrar o momento aqui”, diz Sâmia, enquanto observa a pequena desbravar o espaço que um dia foi dela.

O valor do cuidado coletivo

Quem vive na capital desde a década de 70, como Renê, entende que a beleza de um espaço público é uma responsabilidade compartilhada. Morador de Porto Velho desde 1976, ele celebra o resgate das praças, mas deixa um alerta.

“O que entristece é quando arrumam, deixam tudo bonito, e o vandalismo toma conta. A população precisa ajudar a cuidar, isso aqui é para as futuras gerações”, reflete.

Novos olhares

Enquanto alguns guardam memórias de décadas, outros começam a escrever suas primeiras linhas agora. Jackson Santiago, de 19 anos, trocou Vilhena pela capital para um curso de formação da Força Aérea. Mesmo recém-chegado, a Jonathas Pedrosa foi um dos primeiros lugares a chamar sua atenção.

“Achei a praça bonita e bem diferente. Não sabia que era a primeira do estado, achei bem bacana conhecer essa parte histórica”, comenta o jovem.

Onde a história continua

A Praça Jonathas Pedrosa resiste ao tempo e se renova. Considerada um símbolo histórico da cidade, o espaço foi revitalizado e devolvido à população como área de convivência, lazer e memória coletiva .

O prefeito Léo Moraes destacou o significado da praça para a capital. “É um símbolo vivo da história de Porto Velho e um espaço que volta à população com cuidado e valorização da nossa cidade” .

Praça Jonathas Pedrosa. Foto: José Carlos

Ela segue viva no balançar dos ponteiros do seu Domingos, no riso da neta de dona Sâmia e no olhar curioso de quem acaba de chegar à capital.

É um lugar simples, mas carregado de simbolismo: um ponto de encontro onde cada porto-velhense leva um pedaço da praça no coração e, em troca, deixa um pouco de sua própria história gravado ali.

*Com informações da Secom Porto Velho

Nevoeiro da Amazônia transporta e abriga microrganismos, mostra estudo

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Os nevoeiros na Amazônia costumam formar-se ao anoitecer e estender-se a perder de vista. Foto: Bruna Sebben/URPR

Um estudo envolvendo 36 biólogos, engenheiros ambientais, físicos, meteorologistas e químicos de instituições do Brasil e de seis outros países demonstrou pela primeira vez que o nevoeiro que recobre ocasionalmente a floresta amazônica abriga microrganismos vivos.

Os pesquisadores identificaram em gotículas suspensas no ar, a mais de 40 metros (m) de altura, espécies como a bactéria Serratia marcescens e o fungo Aspergillus niger, normalmente encontradas no solo da floresta, onde decompõem madeira e folhas mortas, fornecendo nutrientes para a próxima geração de plantas.

“Os nevoeiros transportam esses microrganismos, ajudando-os a colonizar novas áreas da floresta”, afirma o químico Ricardo Godoi, do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e líder da pesquisa.

É bem conhecida a presença de microrganismos vivendo em gotículas das nuvens, em grãos de poeira e outras partículas microscópicas suspensas no ar, conhecidas como aerossóis, inclusive na Amazônia. Quase nada, porém, sabe-se sobre a vida microbiana em nevoeiros.

Um estudo pioneiro publicado em 2019 na revista Science of the Total Environment, liderado pela bióloga norte-americana Sarah Evans, da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que a diversidade de micróbios no ar aumenta durante eventos de neblina costeira na Namíbia (África), em comparação com períodos sem neblina.

Já o novo estudo na Amazônia, publicado em fevereiro na revista Communications Earth and Environment, é o primeiro a confirmar que células vivas, aptas à reprodução, viajam em nevoeiros. De acordo com Godoi, as gotículas funcionam como abrigo contra a radiação ultravioleta do Sol e a desidratação. “A neblina é um hábitat microbiológico”, conclui.

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Nevoeiro
Estrutura instalada no topo do Observatório de Torre Alta da Amazônia, em Uatumã. Foto: Bruna Sebben/UFPR

O interesse de Godoi pelos nevoeiros começou cerca de 10 anos atrás, quando sua então aluna de doutorado, a engenheira ambiental Cybelli Barbosa, coletou aerossóis no topo do Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto), uma estrutura de 325 m de altura instalada na reserva de floresta virgem de Uatumã, mantida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a 156 quilômetros a nordeste de Manaus, e os institutos Max Planck de Química e de Biogeoquímica, da Alemanha.

Entre os aerossóis, ela encontrou pólen, esporos de fungos e outras partículas de material biológico vindas do chão da floresta, como descreveu em artigo publicado em 2022 na revista NPJ Climate and Atmospheric Science. O resultado parecia impossível. Como essas partículas relativamente grandes teriam subido tão alto? “Aquilo me tirava o sono”, lembra Godoi.

Foi quando o próprio pesquisador subiu na torre do Atto e testemunhou uma neblina cobrindo a floresta até o horizonte. Impressionado, consultou colegas meteorologistas. Os nevoeiros costumam se formar à noite, quando o ar úmido da floresta esfria, condensando vapor-d’água em gotículas. Com o nascer do sol, o aquecimento do solo cria correntes de ar ascendentes que elevam o nevoeiro acima da copa das árvores, onde a evaporação e os ventos terminam de dissipá-lo.

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Alguns anos depois, Godoi iniciou um projeto com outra aluna de mestrado, a engenheira ambiental Bruna Sebben, para descobrir se o nevoeiro poderia funcionar como uma espécie de elevador para partículas e microrganismos. Entre 2021 e 2023, ela realizou quatro campanhas de coleta de nevoeiro no Atto, cada uma ao longo de cerca de 45 dias.

A torre de 325 m de altura permite estudar condições atmosféricas. Foto: Bruna Sebben / UFPR

No escuro da madrugada, acompanhada de algum colega, ela caminhava de lanterna na mão por uma estrada (veículos a combustão são proibidos próximo ao experimento, para não interferir nas medidas atmosféricas), vestia os equipamentos de segurança e subia os degraus escorregadios da torre até 42 m de altura, pouco abaixo da copa das árvores. Ali permanecia das 3h às 7h, monitorando um equipamento cedido pelo meteorologista Fábio Gonçalves, da Universidade de São Paulo (USP), que suga as gotículas e as armazena em uma garrafa. Assim ela conseguiu registrar 13 eventos de nevoeiro, ao longo das estações seca e chuvosa da Amazônia.

A água de nevoeiro foi inicialmente analisada na UFPR, por meio de uma técnica chamada citometria de fluxo, que usa um feixe laser para contabilizar células: desde cerca de 3,5 mil até 80 mil células por mililitro de água. “A concentração poderia ter sido zero, pois não fazíamos ideia do que encontrar”, lembra Godoi. “Foi um momento de eureca”.

Usando corantes especiais que reagem com as células quando iluminadas por laser, a citometria revelou que muitas células apresentavam mitocôndrias ativas e DNA intacto. As amostras foram então enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, onde a bióloga Dulcilena Castro e Silva e o biomédico Valter Duo Filho isolaram e cultivaram as células, revelando oito espécies de bactérias e sete de fungos.

Tanto a quanti­dade de células quanto a diversidade de espécies variaram, sem relação aparente com a estação (seca ou chuvosa).

“Ainda é cedo para estabelecer conclusões sobre frequência ou distribuição das espécies”, afirma Castro, que já estudou fungos atmosféricos em florestas e cidades.

Além desses resultados, a equipe internacional também colaborou para entender as implicações da descoberta para o ecossistema da floresta. Os pesquisadores sugerem que o transporte por nevoeiro poderia explicar por que bactérias e fungos decompositores estão tão bem espalhados pela mata, reciclando nutrientes em toda parte. Por outro lado, eles preveem que o aumento de temperatura e a redução de umidade provocados por queimadas, desmatamento e mudanças climáticas devem reduzir drasticamente a geração de nevoeiros, diminuindo assim a capacidade da floresta de se regenerar.

“O artigo traz insights ótimos e a hipótese faz todo o sentido”, considera o ecólogo Bruno Rosado, do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que não participou da pesquisa. “Ainda assim, a presença de microrganismos na neblina talvez não faça diferença na decomposição. Se eles já estiverem presentes em abundância na matéria orgânica em primeiro lugar, o efeito da neblina será apenas uma maior disponibilidade de água e não o enriquecimento da microbiota”.

Nevoeiro: carona pelo ar

Para verificar o papel dos microrganismos da neblina na decomposição orgânica, Rosado propõe um experimento comparando a presença de espécies microbianas associadas à decomposição em quatro situações diferentes na floresta: sem neblina, com neblina natural, com neblina filtrada sem microrganismos e com neblina filtrada inoculada com microrganismos. Ele lembra que as plantas variam na capacidade de repelir água. “Folhas e tecidos de espécies diferentes podem apresentar ‘molhabilidades’ diferentes, de modo que os efeitos da neblina e de seus microrganismos não são os mesmos”, explica.

Arte: Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

Os novos resultados se somam a trabalhos anteriores do grupo de Godoi, que já sugeriam a importância dos microrganismos atmosféricos para a Amazônia. Em 2021, uma análise metagenômica do DNA obtido de aerossóis coletados no Atto revelou uma abundância de bactérias dos gêneros Beijerinckiaceae e Azospirillum, de acordo com artigo liderado pelo biólogo Luciano Huergo, da UFPR, e publicado na revista Science of the Total Environment. Elas são capazes de transformar nitrogênio atmosférico em amônio, que funciona como fertilizante para as plantas.

Em outro artigo, publicado em 2017 na revista Atmospheric Chemistry and Physics, a bióloga Joana Rizzolo, então estudante de doutorado de Godoi, coletou grãos de poeira vindos do deserto do Saara. A surpresa foi encontrar, nesses grãos que viajaram do norte da África à Amazônia de carona com os ventos Alísios, microrganismos que convertem ferro e fósforo minerais em compostos químicos capazes de serem absorvidos pelas plantas.

Instrumento (à esq.) coleta neblina de onde microrganismos, como fungos filamentosos, podem ser isolados e cultivados (à dir.). Foto: Bruna Sebben/ UFPR e Dulcilena Castro e Silva / Adolfo Lutz

Godoi avalia o estudo recém-publicado como um passo importante em uma área de pesquisa ainda pouco explorada. Com a hipótese de que o nevoeiro deve abrigar muito mais espécies do que as já identificadas, a equipe pretende realizar um estudo de metagenômica, sequenciando todo o DNA encontrado na água coletada do nevoeiro.

Planejam também usar a linha de radiação infravermelha Imbuia e a linha de raios X Carnaúba, do acelerador de luz síncrotron Sirius, em Campinas, para analisar as propriedades das partículas de aerossóis presentes entre as gotículas de nevoeiro. Os pesquisadores suspeitam que essas partículas contenham sódio e potássio ligados à matéria orgânica, que serviriam como núcleos de condensação de nuvens na atmosfera da região.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa da Fapesp, escrito por Igor Zolnerkevic

Conheça 6 músicas de três artistas do Beiradão amazonense

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Foto: Reprodução/ SEC AM

Popularizado na década de 80, no interior do Amazonas, o ritmo ‘Beiradão’ nasceu “nas beiras” dos rios amazônicos, com uma batida dançante e ritmada do saxofone e da guitarra, que embalava as festas das diversas comunidades da região.

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Em 1958, o jornalista amazonense Álvaro Maia fez a primeira citação ao termo ‘beiradão’, quando escreveu um romance homônimo e usou a palavra para se referir às margens dos rios de águas brancas, que eram povoados pelos ribeirinhos. 

Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Amazonas, por meio da lei n° 6.448 de 22 de setembro de 2023, o som é moldado por ritmos latinos como a Salsa, o Merengue e o Carimbó.

Os principais expoentes dessa expressão cultural, enraizada na identidade amazônica, são: Teixeira de Manaus, Oseas da Guitarra, Chico do Amazonas, Chiquinho David e Chico Caju.

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Conheça 6 músicas de três artistas do Beiradão amazonense
Foto: Divulgação

O Portal Amazônia procurou por algumas músicas de três artistas do beiradão amazonense para conhecer:

Teixeira de Manaus

Precursor do ‘Beiradão’, Rudeimar Soares Teixeira, conhecido como Teixeira de Manaus, popularizou-se nas décadas de 70 e 80. Descoberto pelo músico paraense Pinduca, ele ganhou destaque nacional com a conquista de um disco de Ouro, em 1983, com o álbum ‘Solista de Sax’.

‘Deixa Meu Sax Entrar’: Lançada em 1982, como parte do álbum ‘Solista de Sax Vol.2 ‘, essa música é considerada um dos maiores clássicos do beiradão e maior sucesso do artista. A canção se tornou presença garantida nas festas ribeirinhas e até hoje é referência quando se fala no ritmo.

Beiradão‘: Lançada em 1981, como parte do primeiro disco de sucesso do artista, ‘Solista de Sax’, essa música instrumental mistura carimbó, merengue e cumbia.

Chico Caju

Francisco Ferreira do Nascimento, mais conhecido como Chico Caju, começou sua carreira nos anos 80, quando foi apresentado ao radialista Zé Milton, que o instigou a gravar uma fita com cinco de suas músicas autorais. O disco em questão foi um sucesso e atingiu 200.000 cópias vendidas.

‘Melhor do Forró’: Faixa do álbum ‘Chico Caju e Seu Super Sax’, lançado em 1986, a música ‘Melhor do Forró’ mostra como o beiradão dialoga com o forró, misturando o ritmo do saxofone, com o baião, o xote e o carimbó. A canção animada é típica das festas do interior amazônico.

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‘Pare um Pouco Aí’: A canção ‘Pare um Pouco Aí’ foi lançada em 1986, como parte do álbum ‘Chico Cajú e Seu Super Sax’, e é um dos sucessos do artista.

Hadail Mesquita

O cantor, compositor e instrumentista Hadail Mesquita, foi vocalista em diversos grupos musicais, e compositor de jingles durante o período eleitoral. Hadail, que cresceu ouvindo seu tio tocar saxofone às margens do rio, ganhou visibilidade através de um canal do Youtube. 

No ar desde 2016, o canal ‘Portal do Beiradão’ já acumula mais de 4 milhões de visualizações e 19 mil inscritos, tornando o ritmo ‘beiradão’ popular no Amazonas. 

‘Ao Som Desse Beiradão’: Lançada em 2019, como faixa do álbum ‘Amazonas o País do Beiradão’, a música é um dos sucessos do artista.

Perna de Jaçanâ: Lançada em 2019, como faixa do álbum ‘Amazonas o País do Beiradão’, a música é um dos sucessos mais lembrados do artista.

Roraima entra na rota da política nacional para ampliar exportações

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Foto: Divulgação/Seadi Roraima

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) realizou em Boa Vista (RR), nos dias 16 e 17, oficinas voltadas à construção da Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE) no estado. O encontro reuniu gestores públicos, representantes do setor produtivo e instituições parceiras com o objetivo de fortalecer estratégias voltadas à inserção de empresas locais no mercado internacional.

A Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) também participou da programação no Palácio Senador Hélio Campos. De acordo com o coordenador de Negócios Internacionais, Eduardo Oestreicher, a proposta é garantir uma construção coletiva e específicas do plano estadual.

“Cada instituição participa ativamente dos painéis temáticos, contribuindo com propostas voltadas ao fortalecimento das exportações e à ampliação da presença de Roraima em novos mercados, tanto no cenário nacional quanto internacional”, afirmou.

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A programação incluiu etapas de diagnóstico, definição de prioridades e construção de estratégias voltadas, especialmente, às micro, pequenas e médias empresas. Cerca de 30 técnicos participam das atividades. A metodologia aplicada nas oficinas foi apresentada pela facilitadora Karina Canedo, que explicou que o modelo já foi implementado em outros estados e vem sendo aprimorado ao longo dos últimos anos.

O governador Edilson Damião ressaltou o crescimento das exportações no estado nos últimos anos e destacou o potencial de expansão com a consolidação de novas parcerias e investimentos em infraestrutura. Ele também reforçou o compromisso do governo estadual com o fortalecimento da economia e a abertura de novos mercados.

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Roraima entra na rota da política nacional para ampliar exportações
Foto: Divulgação/Seadi Roraima

A ação é coordenada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que preside o Comitê Nacional para a Promoção da Cultura Exportadora (CNPCE), em conjunto com o Governo de Roraima.

Programação em Roraima

Durante a programação, foram trabalhados os principais eixos de atuação da política, que orientam a construção do plano estadual:

– Diretrizes Políticas e Arranjos Institucionais, voltadas ao fortalecimento da governança e da articulação entre instituições públicas e privadas;

– Promoção de Negócios, com foco no desenvolvimento da competitividade empresarial e na ampliação da presença de empresas locais no comércio internacional;

– Promoção da Imagem, direcionada ao reposicionamento do estado no cenário nacional e internacional, valorizando seus potenciais econômicos, culturais e ambientais;

– Financiamento, com ênfase na ampliação do acesso a crédito e instrumentos financeiros que incentivem a exportação.

Números relevantes

Para a diretora de Promoção das Exportações e Facilitação do Comércio da Secex, Janaína Silva, o momento é estratégico para o estado. Segundo ela, a proximidade com a Guiana — impulsionada pela expansão da indústria de petróleo — abre novas oportunidades para ampliar a presença de Roraima no comércio exterior.

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Dados recentes indicam que o estado exportou cerca de US$ 240,6 milhões em 2025, com destaque para produtos como soja, óleos vegetais e alimentos processados, tendo como principais destinos Venezuela, Guiana e mercados asiáticos.

*Com informações da Seadi Roraima

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Cley Muniz

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A Dydyo Refrigerantes é uma empresa de bebidas da região amazônica com sede em Porto Velho, Rondônia, que tem levado os seus produtos para todo o Brasil. Foi fundada no fim de 1999 pelos amigos Cley Muniz e Robisson Dorner, tornando-se um exemplo de empreendedorismo em Rondônia.

Nascido em Curitiba, capital do Paraná, mas um rondoniense de criação, pois chegou no estado da região Norte com apenas cinco meses de vida, Cley Muniz conta sua trajetória em uma das empresas mais desenvolvidas dos estados dentro da região amazônica e um pouco de sua experiência:

“Meus pais escolheram essa região para viver e em nenhum momento pensaram em voltar pro Paraná e aqui eu também constitui família, tenho esposa e filhos. E foi aí que meu pai, que é advogado e agropecuarista, com a ideia de empreender, pensou em um ramo de atividade que seria inovador aqui no nosso estado. Então começamos a fazer os projetos, convidamos alguns sócios. Procuramos nomes italianos para marcas, encontramos esse nome ‘Dydyo’, que é italiano e não tinha a marca registrada. Registramos esse nome que está com a gente desde o início”.

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Cley Muniz enfatiza que é um dos maiores diferenciais da Dydyo Refrigerantes é a qualidade da produção. A qualidade para ele também faz com que o público seja cativado, tornando a Dydyo Refrigerantes uma grande empresa que abastece diversos estados do país.

cley muniz dydyo rondônia
Foto: Reprodução/Amazon Sat

“Começamos produzindo algumas embalagens, uma empresa mais enxuta, menor, e fomos crescendo ao longo do tempo com todo o apoio da sociedade que tem gostado do nosso produto. A gente sempre procurou a qualidade e como isso o nosso consumidor reconheceu nosso produto”, afirma.

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Para Cley Muniz, o sucesso da empresa também acontece devido a dedicação das pessoas e da experiência adquirida por ele e por todos que contribuíram com os produtos que surgiram a partir da Dydyo Refrigerantes.

“O momento mais legal e mais divertido é que nós éramos muito jovens, por volta ali dos vinte anos de idade, e ali a gente tava com aquele projeto, aquele sonho de juventude. Então fomos chamando sócios, convencendo nossos sócios, sobre o projeto e vendo ele crescer junto conosco. Então vai se passando o tempo e você vai ficando mais experiente, vai se usando essa experiência para ajudar a crescer mais a empresa. Mas o momento mais legal é o início, quando você vai tracionando esse crescimento e aprendendo junto com ele. Tivemos diversas pessoas que foram importantes para o sucesso da nossa empresa”, comenta Cley Muniz.

O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:

Pesquisa maranhense transforma lodo de esgoto em fonte de energia sustentável

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Estudo propõe o tratamento de uso lodo seco provenientes do esgoto como fontes de energia sustentável. Foto: Reprodução/Site Nutrientes para Vida

Transformar um problema ambiental em solução energética é um dos caminhos mais promissores para o futuro do saneamento, e é exatamente isso que uma pesquisa vem demonstrando na prática. Um estudo feito pelo pesquisador Marcos André, docente da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís, e doutorando pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), propõe uma alternativa sustentável para o tratamento de lodo de esgoto, um dos principais desafios do saneamento básico no Brasil e no mundo.

A pesquisa, publicada em revista científica internacional, mostra que biogás e lodo seco podem suprir até 97% da energia térmica em estações de tratamento. O estudo reforça o potencial da ciência produzida no estado para oferecer soluções inovadoras a desafios globais, como o saneamento básico e a gestão de resíduos.

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A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio do Edital de Bolsas de Doutorado no País e no Exterior, avaliou, em escala real, o uso do biogás e do próprio lodo seco como fontes de energia para o processo de secagem do resíduo em estações de tratamento de esgoto.

Desenvolvido por Marcos André, estudo propõe transformar um problema ambiental em solução energética, usando lodo de esgoto em fonte de energia. Foto: Divulgação Fapema
Desenvolvido por Marcos André, estudo propõe transformar lodo de esgoto em fonte de energia. Foto: Divulgação/Fapema

Na prática, o estudo mostra que aquilo que antes era visto apenas como descarte pode se transformar em recurso. Ao integrar reaproveitamento energético e gestão eficiente de resíduos, a pesquisa fortalece o conceito de economia circular e aponta caminhos concretos para a construção de estações de tratamento mais sustentáveis.

“Essa pesquisa mostra que é possível transformar resíduos do próprio sistema em energia, tornando as estações de tratamento mais eficientes, sustentáveis e menos dependentes de fontes externas”, destaca Marcos André.

Lodo como solução potencial

Os resultados acentuam o potencial da solução: o biogás e o lodo seco gerados na própria estação foram capazes de suprir cerca de 97% da energia térmica necessária para o processo de secagem. Além disso, o material final atingiu padrão sanitário de biossólido Classe A, conforme o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), podendo ser utilizado com segurança em atividades agrícolas, como cultivo e pastagens.

Outro ponto relevante é que as emissões atmosféricas do processo permaneceram dentro dos limites legais, evidenciando que o aproveitamento energético do lodo pode ser realizado de forma ambientalmente segura.

Os resultados da pesquisa foram reconhecidos internacionalmente com a publicação do artigo na revista científica Biomass & Bioenergy, além de apresentação no 3rd Sustainable Bioenergy and Processes Conference, realizado na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2025.

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Autor do estudo, Marcos André é docente na Universidade Federal do Maranhão e doutorando na Universidade Federal do Paraná. Foto: Divulgação Fapema
Marcos André é docente na Universidade Federal do Maranhão e doutorando na Universidade Federal do Paraná. Foto: Divulgação/ Fapema

Para o pesquisador, o apoio institucional foi determinante para que o estudo alcançasse esse nível de impacto. “A ajuda da FAPEMA foi fundamental para viabilizar minha dedicação integral à pesquisa. Essa bolsa permitiu aprofundar análises, consolidar resultados e alcançar uma publicação internacional, dando visibilidade à produção científica do Maranhão”, afirma.

Com conclusão do doutorado prevista para maio deste ano, Marcos André retorna a São Luís para retomar suas atividades na UFMA, levando na bagagem uma contribuição relevante para o avanço do saneamento no estado.

Em um cenário de expansão dos serviços de esgotamento sanitário no Maranhão, a pesquisa surge como uma solução estratégica: reduz custos operacionais, diminui impactos ambientais e promove o reaproveitamento de recursos. Mais do que uma inovação técnica, o estudo representa um avanço concreto rumo a um modelo de desenvolvimento mais sustentável e alinhado às demandas do futuro.

*Com informações da Fapema

Relembre passagens de Oscar Schmidt nos estados da Amazônia Legal

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Oscar Schmidt dando autógrafo para torcedor mirim durante palestra no Acre, em 2023. Foto: Marcos Vicentti/Secom Acre

A morte de Oscar Schmidt, ídolo do basquetebol brasileiro e lenda do esporte nacional, gerou uma onda de homenagens, manifestações de pesar e registros de lembranças pelo atleta, que faleceu na última sexta-feira (17) em São Paulo, aos 68 anos, depois de uma longa batalha contra um tumor cerebral.

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Após uma carreira vitoriosa construída nas quadras, a lenda do basquete mundial rodou o Brasil ministrando palestras motivacionais, compartilhando histórias sobre superação, dramas pessoais e lições de vida, inclusive em estados da Amazônia Legal.

Acre

Em 2023, Oscar ministrou uma palestra para servidores do estado sobre a importância da liderança e a necessidade do trabalho em equipe para obter sucesso. Na ocasião, o ícone distribuiu autógrafos e aproveitou para conhecer a cidade.

Oscar Schmidt no Acre
Oscar discursando para servidores estaduais do Acre, no ano de 2023. Foto: Marcos Vicentti/Secom Acre

Amapá

Já em Macapá, o ex-jogador de basquete Mário Cuia, conhecido na região por liderar projetos esportivos locais, conseguiu realizar seu grande sonho: ver de perto o ídolo Oscar jogar uma partida. Com ajuda de amigos, parceiros e até do então governador João Roberto Capiberibe, Cuia conseguiu levar, em 1998, grandes nomes do esporte ao Amapá para disputar um jogo festivo e, entre eles, estava Oscar.

O eterno camisa 14 participou de partidas de exibição que mobilizou o cenário esportivo local. Em quadra, vestiu a camisa do Esporte Clube Macapá contra o Paysandu. Um momento que ficou marcada na memória da população amapaense.

Em 1998, Oscar vestiu a camisa do EC Macapá e jogou ao lado de jovens amapaenses e ex-jogadores locais. Foto: Mário Cuia/Acervo pessoal

Amazonas

Já em Manaus, Oscar ministrou em 2023 a palestra ‘Paixão’, quando compartilhou histórias da carreira e lições de vida para centenas de pessoas no auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT 11). No evento, o atleta discursou sobre momentos marcantes da carreira e destacou os pilares que considerava essenciais para o sucesso: sonho, treino, obstinação, time e paixão.

Ainda no fim da palestra, que fazia parte da programação de encerramento do ano judiciário do TRT-11, Oscar ainda foi agraciado com a entrega da Moeda de Reconhecimento da Presidência do Tribunal.

Oscar em palestra para servidores do TRT-11, no ano de 2023, em Manaus. Foto: Divulgação/TRT-11

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Pará

Schmidt também visitou o estado paraense em algumas oportunidades, mas duas delas são bem lembradas por torcedores de Remo e Paysandu. Isso porque, em 1999, Oscar vestiu as duas camisas durante um jogo de exibição no Ginásio da Universidade do Estado do Pará (UEPA), em Santarém. Mais de 2 mil pessoas prestigiaram aquele ‘Re-Pa’ especial com a presença do craque brasileiro.

A última visita de Oscar em solo paraense foi em 2023, quando o ícone do esporte recebeu uma camisa de basquete do Paysandu das mãos do então vice-presidente do clube, Fred Cabral. O Papão, inclusive, postou em suas redes sociais a foto deste momento no último dia 17 de abril, dia do falecimento do atleta.

Schmidt em partida amistosa no ano de 1999; à esquerda, segurando a camisa do Paysandu, em homenagem, foto de 2023. Foto: Reprodução/Redes Sociais
À direita, Schmidt com a camisa do Remo durante partida amistosa, em 1999; à esquerda, lenda segurando camisa do Paysandu, em homenagem do clube, foto de 2023. Foto: Reprodução/Instagram – clubedoremo e Instagram – paysandu

Tocantins

Em Palmas, Oscar também contou sua história de vida para os tocantinenses em março de 2010, quando ministrou a palestra ‘Desafios’ na Praça dos Girassois. Na ocasião, uma das suas mensagens lembradas pelo público é: “Eu posso fazer o que eu quiser, se eu quiser”.

A declaração foi considerada por muitos como o resumo de sua carreira de sucesso, baseada na resiliência, determinação e foco, virtudes que fizeram do ‘Mão Santa’ o maior nome do basquete brasileiro e um dos nomes mais lendários do esporte no cenário mundial.

Quem foi Oscar Schmidt

Oscar Schmidt é considerado o maior jogador da história do basquete brasileiro. Foto: Divulgação

Conhecido mundialmente como “Mão Santa”, Oscar foi um dos maiores nomes da história do basquete e um dos maiores atletas do esporte brasileiro. Ao longo de uma carreira de sucesso, construiu marcas impressionantes, sendo o segundo maior pontuador da história do basquete, com 49.973 pontos, e o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos.

Pela Seleção Brasileira, deixou um legado inesquecível: é o maior cestinha da história nacional, com 7.693 pontos. Destaque para a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis (Indiana/EUA), sobre os anfitriões norte-americanos, além de participações memoráveis em cinco edições dos Jogos Olímpicos: Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996, sempre com atuações de excelência e protagonismo.

No dia 8 de abril, Oscar foi homenageado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com a cerimônia oficial de inclusão do ex-atleta no Hall da Fama da entidade. Ele também faz parte do Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (FIBA).

*Com informações do G1 Amazonas, Agência de Notícias do Acre, Portal 1 Norte e Governo de Tocantins.