A Defensoria Pública da União (DPU) obteve decisão favorável em ação civil pública que garante o acesso ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para indígenas e ribeirinhos de Tefé, no Amazonas. A medida determina que a União suspenda a exigência de documento oficial com foto para a inscrição ou regularização do CPF dessas populações, permitindo o uso apenas da certidão de nascimento.
A decisão reconhece que a exigência imposta pela Receita Federal vinha impedindo o acesso de comunidades tradicionais a direitos básicos, como benefícios sociais, atendimento de saúde e inclusão em políticas públicas. Sem o CPF, essas populações permanecem em situação de invisibilidade social e exclusão.
“É muito comum que indígenas e ribeirinhos tenham apenas certidão de nascimento. Para retirar um documento com foto, como a carteira de identidade, precisam fazer longos deslocamentos e ainda aguardar meses. Isso, quando conseguem agendar. Tal situação dificulta o acesso ao CPF e aos benefícios sociais que exigem o documento, como o Bolsa Família”, explica o defensor regional de direitos humanos no Pará, Marcos Wagner Alves Teixeira.
Para ele, a medida corrige uma barreira desproporcional que desconsiderava a realidade local. Em regiões de difícil acesso, como na Amazônia, a obtenção de documentos com foto é limitada por entraves logísticos, entre eles a ausência de postos de atendimento e a dificuldade de deslocamento entre comunidades.
Na ação civil pública, a Defensoria destacou que o CPF é essencial para o exercício da cidadania, sendo requisito para inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e acesso a programas sociais do governo.
“A ausência do documento compromete diretamente a subsistência dessas comunidades, agravando situações de vulnerabilidade social. A estimativa é que a medida atinja centenas de pessoas, podendo ser usada como precedente para casos similares”, destacou o defensor.
Além de afastar a exigência, a Justiça determinou que a União apresente um cronograma de atendimentos itinerantes para alcançar as populações mais isoladas. Também foi estabelecida a necessidade de articulação entre órgãos públicos, como a Receita Federal, Ministério dos Povos Indígenas e cartórios, para ampliar o acesso à documentação civil.
Pesquisa prevê ganho por habitante ao ano até 2040, a partir do acesso pleno aos serviços de saneamento básico. Foto: Divulgação
A universalização do saneamento na Amazônia Legal, conforme estudo doInstituto Trata Brasil, aponta um cenário de benefícios transformadores para os nove estados da região: Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
A pesquisa estima ganhos de R$ 330 bilhões decorrentes da ampliação do acesso aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Para o estado do Amazonas, que abriga cerca de 4 milhões de habitantes, o estudo indica ganhos de R$817,14 por habitante ao ano até 2040, a partir do acesso pleno aos serviços. Esse resultado se traduz em benefícios socioeconômicos que impactam positivamente a população, elevando a qualidade de vida.
Ganhos per capita da universalização nos estados da Amazônia Legal, em R$ por habitante por ano, 2024 a 2040. Foto: Divulgação/Instituto Trata Brasil
Na capital, Manaus, o benefício estimado é de R$ 384,79 com a garantia plena do saneamento. De acordo com o Ranking do Saneamento 2026, a capital amazonense ocupa a 82ª posição, subindo cinco colocações em relação ao ranking do ano anterior.
O alcance das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento — 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033 — contribui para a formação de uma população mais saudável, com a redução da incidência de doenças de veiculação hídrica.
Esse cenário favorece a diminuição da evasão escolar e do absenteísmo no trabalho, além de gerar ganhos diretos em produtividade e bem-estar social. O avanço também contribui para a proteção do meio ambiente, assegura infraestrutura básica adequada e impulsiona o desenvolvimento sustentável do estado.
Acesso à água potável no Amazonas ainda é um problema a ser enfrentado. Foto: Reprodução/Blog 1 Doc
O Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) poderá ser reconhecido como patrimônio ambiental, científico e educacional do Estado do Amazonas. O Projeto de Lei (PL) foi anunciado durante homenagem aos 31 anos do parque verde urbano, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), no dia 14 de abril, quando também foram agraciados 30 servidores e parceiros do espaço.
De autoria do deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), o PL em tramitação na Aleam valoriza a importância do Bosque como espaço de preservação ambiental e conservação da biodiversidade amazônica. Também reconhece a contribuição desse museu de ciências ao ar livre para a pesquisa científica, por meio das atividades desenvolvidas pelo Inpa.
Criado em 1º de abril de 1995, o Bosque une lazer em contato com a natureza, educação e popularização da ciência em um só lugar. O espaço científico cultural promove a sensibilização da população sobre a proteção dos ecossistemas amazônicos e o turismo ecológico no Amazonas. Em 2025, recebeu mais de 140 mil visitas em 2025, entre moradores locais, estudantes e turistas.
No PL, o Bosque da Ciência é apresentado como um dos mais emblemáticos espaços de integração entre preservação ambiental, produção científica e educação pública no Amazonas, constituindo-se um “verdadeiro patrimônio vivo da biodiversidade amazônica e da difusão do conhecimento”.
“É extremamente significativo ver a ciência sendo reconhecida dentro do ambiente legislativo. Isso demonstra maturidade institucional e reforça o papel do conhecimento científico na formulação de políticas públicas. O Bosque da Ciência é uma vitrine desse trabalho e um elo direto do Inpa com a sociedade”, ressaltou o diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira.
Para o parlamentar, o reconhecimento proposto contribui para ampliar a visibilidade institucional do Bosque da Ciência. “Isso vai possibilitar a captação de parcerias, investimentos e projetos que garantam sua manutenção, expansão e permanente atualização como referência em ciência, educação e preservação ambiental”, afirma.
Homenagem
A sessão solene reuniu servidores, bolsistas e estudantes da pós-graduação do Inpa e autoridades. Além de representar uma homenagem pelas mais de três décadas de trajetória do Bosque, é um reforço do compromisso do Inpa e de seus servidores com a ciência, com a educação e com a preservação ambiental.
“Essa honraria nos motiva ainda mais a ampliar nossas ações. O Bosque cumpre uma missão estratégica na educação ambiental, mas é fundamental avançarmos em novas parcerias com o poder público e a sociedade para fortalecer a preservação e expandir o alcance das atividades educativas”, disse o chefe do Bosque, Jorge Lobato.
Na sessão, Lobato e Pereira receberam uma placa em reconhecimento a seus relevantes serviços prestados ao parque. Acesse a lista dos homenageados aqui.
“Esse momento é memorável. O Bosque é um espaço muito importante, no qual compartilhamos informações e conhecimento, e também aprendemos em contato com a população”, contou a tecnologista Kyara Formiga, que pesquisa e atua na popularização de conhecimento sobre genética populacional dos bagres migradores da Amazônia.
O pesquisador João Domingos atua há mais de 50 anos no Inpa e está entre os homenageados. “Temos uma oleoteca com 1.050 óleos essenciais no Inpa, como pau-rosa, casca preciosa e pimenta longa. E nós levamos amostras para crianças, jovens e adultos sentirem e conhecerem um pouco dos óleos da Amazônia”, disse o pesquisador que está prestes a se aposentar.
Bosque da Ciência
O Bosque da Ciência é o primeiro parque verde urbano de Manaus. É um fragmento florestal de quase 13 hectares (equivalente a 13 campos de futebol), que integra a Área de Proteção Ambiental (APA Manaós), localizada na área central da capital amazonense. Em três décadas, o Bosque recebeu mais de 2,5 milhões de visitas.
No museu de ciências ao ar livre, o visitante pode se divertir e aprender em contato com a natureza. O espaço oferece observação de fauna (ariranha, peixe-boi da Amazônia, jacarés, tartarugas, cutias, preguiças, macacos), de flora (árvores centenárias, como a Tanimbuca de 600 anos), além de trilhas e atrativos culturais e expositivos na Maloca Indígena, Casa da Ciência e Paiol da Cultura.
O visitante ainda tem acesso a pesquisas e tecnologias que visam proteger a floresta, seus povos e desenvolver a Amazônia de forma sustentável.
A riqueza cultural e histórica afro-brasileira de São Luís garantiu à capital maranhense o título de melhor destino nacional no 4º Prêmio do Afroturismo. Promovido pelo Guia Negro e patrocinado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a premiação ocorreu nesta segunda-feira (14), durante a WTM Latin America, em São Paulo. Estiveram presentes à solenidade representantes da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), da Prefeitura de São Luís.
O reconhecimento consolida o protagonismo da cidade no cenário turístico nacional. A premiação destacou, entre outros aspectos, o potencial do Quilombo Urbano da Liberdade, considerado o maior da América Latina e um dos principais polos de promoção da cultura negra no Maranhão.
Para o secretário municipal de Turismo, Saulo Santos, a conquista contribui para evidenciar e valorizar a identidade e a resistência da cultura afro-brasileira presentes na cidade, por meio de ações desenvolvidas pela Prefeitura de São Luís, por meio da gestão da prefeita Esmênia Miranda e, com a participação da população negra na construção e consolidação da atividade turística na capital.
“Para nós, esse prêmio representa o reconhecimento da identidade, da cultura e da contribuição do povo afro-brasileiro na história de São Luís. O afroturismo vem se consolidando como um segmento estratégico, fortalecendo o posicionamento da cidade no cenário nacional. Esse resultado é fruto das ações da Prefeitura de São Luís, em articulação com o setor privado e com a participação fundamental da população negra na consolidação do turismo na capital”, disse o secretário.
O prêmio também reconheceu o Roteiro Quilombo Cultural de São Luís, iniciativa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Turismo desde 2021, voltada à valorização da ancestralidade negra em bairros formados por remanescentes de quilombos. A ação contribui para o fortalecimento da identidade étnica quilombola e para a reafirmação do sentimento de pertencimento coletivo.
Também estiveram presentes na premiação representantes do Sebrae Maranhão e da Produtora Novo Quilombo, parceira nas atividades do roteiro, além de representantes de empresas do setor turístico do estado.
Roteiro Quilombo Cultural de São Luís
O Roteiro Quilombo Cultural de São Luís foi estruturado a partir de um processo de mapeamento e diagnóstico da área correspondente ao quilombo.
Inicialmente, contemplava dez espaços culturais, incluindo casas de cultura de reggae, barracões de grupos de bumba meu boi, casas de religião de matriz africana, blocos tradicionais, blocos afros e outras manifestações que integram as tradições populares maranhenses.
Em 2025, houve a ampliação da área contemplada, elevando para 15 o número de casas e espaços dedicados à valorização da cultura popular.
Atualmente, os espaços culturais recebem visitantes, moradores de São Luís e região, além de agências de turismo que integram o roteiro às suas atividades, proporcionando uma experiência imersiva na cultura popular local.
Foto: Renato Vaz/Embratur
Prêmio do Afroturismo
Em sua quarta edição, o Prêmio do Afroturismo reconhece e valoriza destinos, histórias e iniciativas ligadas à identidade negra no Brasil.
A premiação integra a programação da WTM Latin America, considerada o maior evento de turismo da América Latina, que aborda temas relacionados à diversidade e à sustentabilidade.
Criada em 2023, a iniciativa surgiu inicialmente em formato online. Atualmente, o prêmio conta com a participação de profissionais do setor cultural afro e reúne jurados das áreas de turismo, especialistas, guias e consultores hoteleiros. A escolha dos vencedores é feita por votação em 10 categorias.
Célia Xakriabá: proposta representa avanço no combate à exploração ilegal de recursos em terras indígenas e “justiça histórica”. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou proposta que endurece as penas para quem explorar matéria-prima em terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas.
O texto altera a lei de crimes contra a ordem econômica e prevê pena de reclusão, de dois a dez anos, e multa para o crime contra o patrimônio da União, em caso de exploração ilegal de matérias-primas em terras indígenas.
O texto aprovado é a versão da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) ao Projeto de Lei 959/22, do ex-deputado Leo de Brito (AC). O projeto inicial aumenta de um a cinco anos de detenção para dois a seis anos.
Segundo Xakriabá, a aprovação representa um avanço no combate à exploração ilegal de recursos em terras indígenas, e também um ato de “justiça histórica e de reafirmação da dignidade da pessoa humana como fundamento da República”, consagrando os povos originários como sujeitos de direitos e aliados indispensáveis na preservação da vida e do meio ambiente.
Xakriabá afirmou que a proteção das terras indígenas guarda relevância estratégica para o Brasil e para o mundo.
“Nós, povos originários, desempenhamos papel essencial na preservação ambiental, utilizando conhecimentos ancestrais e práticas sustentáveis que assegurem a integridade de biomas cruciais”, disse, ao reforçar a defesa dos direitos indígenas como política de enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade.
Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin. Foto: Helena Palmquist/Acervo MPF-PA
Crimes ambientais além de terras indígenas
A proposta também altera a Lei dos Crimes Ambientais para aplicar a mesma pena (6 meses a 1 ano de detenção) dos que extraem irregularmente recursos minerais para quem:
colocar em risco a vida ou saúde de pessoas;
causar significativo impacto ambiental;
utilizar máquinas ou equipamentos pesados de mineração; ou
realizar a atividade mediante ameaça ou com emprego de arma.
Caso o crime seja praticado em terras indígenas, a pena será aumentada até o dobro. Quem financiar esse tipo de ação poderá ter até três anos de detenção.
Próximos passos
O projeto será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Depois, seguirá para o Plenário. Para virar lei, precisa ser aprovado por Câmara e Senado.
Equipe da Ronda Escolar da Guarda Municipal de Boa Vista reforça a segurança no ambiente escolar. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Logo cedo, antes mesmo do sinal tocar, eles já estão lá, uniformizados e atentos, em frente às escolas de Boa Vista. Não são professores nem pais, mas fazem parte do cotidiano como se fossem. É a equipe da Ronda Escolar, da Guarda Municipal de Boa Vista.
Com um efetivo de 11 agentes, o grupamento atua preventivamente em todas as unidades de ensino da rede. Seja na área urbana, rural ou em comunidades indígenas, eles garantem que a comunidade escolar tenha um ambiente seguro e tranquilo.
“Há diálogo constante com gestores, pais e, principalmente, uma abordagem humanizada com os alunos. Também participamos de reuniões, entendemos as demandas e esclarecemos dúvidas”, explicou o GCM Gabriel Wesley dos Santos Campos.
Cerca de 40 escolas são visitadas diariamente. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
O grupamento também faz atividades educativas, abordando temas como cidadania, respeito e convivência social. “É uma forma de plantar, desde cedo, valores que ajudam a prevenir a violência e fortalecer o senso de comunidade”, completou o integrante do grupamento.
As equipes fazem rondas, observando tanto o interior quanto o entorno das escolas, para antecipar problemas, evitar conflitos, coibir o vandalismo e agir rapidamente diante de qualquer situação de risco. Quando necessário, são acionadas via Central de Comunicação e Monitoramento (CECOM), para uma resposta ágil às demandas.
Agentes garantem que alunos, professores e servidores possam viver o ambiente escolar com tranquilidade. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Segurança reforçada
Andréia Carla Vaz, mãe do pequeno Davi, de apenas 3 anos, sente conforto ao deixar o filho na escola. “É muito bom chegar aqui e ver os guardas. Passamos o dia todo fora e ficamos com o coração apertado, mas saber que ele está em boas mãos nos deixa mais tranquilos”, destacou.
A sensação se repete entre outros pais e responsáveis da Escola Municipal Professor Francisco Pedrosa, no bairro Dr. Airton Rocha. O autônomo Ruan Mafra, de 23 anos, leva a filha e a sobrinha para a escola. “Agradeço a segurança reforçada para a minha família. Nos sentimos mais protegidos”, contou.
Para muitas famílias, a presença dos guardas representa o cuidado da Prefeitura de Boa Vista com as pessoas. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Dentro das escolas, a percepção também é positiva. Para o gestor Marcos Silva, da Escola Municipal Professor Ronilson Silva Nascimento, no bairro Araceli, a presença da guarnição fortalece não apenas a segurança, mas a confiança de toda a comunidade escolar.
“Estamos aqui desde janeiro deste ano, quando a escola foi inaugurada pela Prefeitura de Boa Vista. A presença da guarnição é fundamental. As crianças interagem bastante com eles, correm, cumprimentam. É uma relação muito saudável”, disse Marcos.
Exclusão sanitária marca o cotidiano de muitas escolas rurais. Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
A exclusão sanitária ainda marca o cotidiano de muitas escolas rurais no Brasil, especialmente na Região Norte e em terras indígenas, onde falta até o básico: água potável e banheiros. Um novo estudo, publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública, escancara o peso dessa desigualdade.
A pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) mostra que, entre as escolas públicas rurais de ensino fundamental analisadas, aquelas de pequeno porte, com até 10 alunos, e as localizadas em terras indígenas são as que mais sofrem com falta de abastecimento de água e esgotamento sanitário – infraestrutura essencial para acesso ao saneamento.
O estudo olhou para dados de 2011 a 2023 provenientes do Censo Escolar da Educação Básica, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O impacto é ainda maior para as meninas: sem onde cuidar da higiene menstrual, muitas faltam às aulas e desistem da escola de vez.
Segundo o levantamento, mais de 22 mil unidades rurais de ensino fundamental fecharam nesse período. Entre as mais de 56 mil unidades em 2011, restaram em atividade pouco mais de 34 mil em 2011.
“Muitas dessas escolas eram justamente as mais precárias. Quando elas deixam de existir, o problema diminui nas estatísticas, mas não necessariamente na vida das crianças. Além disso, muitos estudantes passam a depender do transporte escolar em longas distâncias, nem sempre disponível de forma regular”, explica Lívia Pita Corrêa, autora principal do estudo.
Turma de alfabetização do professor Arautará, acompanhamento pedagógico na escola Karib, comunidade Kuikuro, Parque Indígena do Xingu.
O mapeamento mostra que o Norte do Brasil segue sendo mais afetado. Segundo os dados de 2023, 27,5% dessa região não tinham banheiro – com destaque negativo para o Pará. No estado, a distância das cidades, o isolamento e o transporte difícil, muitas vezes via rio, encarecem a instalação de redes de água e esgoto.
Já as escolas públicas rurais de ensino fundamental em terras indígenas tiveram piores desempenhos quando comparadas às demais unidades públicas rurais de ensino fundamental.
“Nas escolas localizadas em terras indígenas, a situação é ainda mais crítica. A maior ausência de banheiros e saneamento reflete um processo histórico de exclusão no acesso a serviços básicos. Na prática, isso afeta diretamente a saúde dos estudantes, aumentando o risco de doenças, e também compromete a permanência na escola”, destaca a pesquisadora.
Pesquisa escancara exclusão sanitária da rede ensino na região rural do Norte. Foto: Opimo
Esse cenário aprofunda desigualdades e penaliza especialmente as meninas. Sem acesso ao básico, saúde e dignidade ficam comprometidas, e muitos alunos se afastam das salas de aula.
“Sem infraestrutura adequada, muitas deixam de frequentar a escola durante o período menstrual e, em alguns casos, acabam abandonando os estudos. Isso mostra que o acesso à água, saneamento e higiene nas escolas não é apenas uma questão de infraestrutura, mas também de equidade”, avalia Corrêa.
Os autores avaliam que o próprio modelo de financiamento público piora a situação. O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) repassa menos dinheiro às unidades com poucos alunos, justamente aquelas que mais precisam. Para garantir, de forma efetiva, o direito à educação e à saúde para todas as crianças, os pesquisadores defendem fortalecer o financiamento fixo das escolas rurais, ampliar o suporte técnico e considerar o isolamento geográfico na hora de distribuir recursos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
Betikre Tapayuna (à esquerda) é presidente da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã. Foto: Reprodução/Instagram-betikre_tapayuna
“Nós, da nova geração, temos que manter viva a luta dos nossos antepassados”.
Foi desta forma que o presidente da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã, Betikre Tapayuna, defendeu a cultura e a importância de manter seu território, localizado na Terra Indígena do Xingu. A declaração, dada em entrevista à newsletter Um Grau e Meio, do IPAM Amazônia, o jovem indígena destacou as soluções indígenas para a crise climática, os novos desafios para a juventude, a cooperação com organizações não indígenas e a preparação para o ano eleitoral.
Tapayuna também começou a importância do Acampanhamento Terra Livre 2026, considerada a maior mobilização de líderes indígenas do Brasil, que aconteceu em Brasília de 5 a 11 de abril.
“O ATL é muito importante para nós porque reúne povos de várias etnias e de todas as partes do Brasil, fortalecendo nossa luta. Essa luta faz parte de nossa vida e une todos os povos. A crise climática é muito intensa e tem chegado com cada vez mais força aos territórios, o que nos preocupa muito”, pontuou o líder.
Como essa crise tem afetado a rotina nos territórios e quais respostas vocês têm encontrado?
Betikre: Nós, da nova geração, temos que manter viva essa luta que vem de nossos antepassados. Ela passa pela conservação das matas, mas, entre os mais jovens, também temos nos preocupado mais com a colaboração com pesquisadores e com a produção de ciência. É uma nova frente de atuação que encontramos para combater a crise climática.
Também temos nos dedicado ao combate aos incêndios, que antes não invadiam nossa terra, mas agora se tornaram frequentes. Estamos organizando brigadas para dar respostas mais rápidas ao fogo e proteger nosso território. Essa luta é contínua e vem de nossos conhecimentos ancestrais. Nossos avós nos transmitiram esses saberes, e precisamos manter essa espiritualidade viva e adaptá-la para enfrentar os novos desafios que surgem com o tempo.
Betikre Tapayuna, presidente da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã. Foto: Reprodução/Instagram-betikre_tapayuna
O IPAM tem trabalhado com sensores de qualidade do ar para medir essa invasão das queimadas nos territórios tradicionais. Como você acha que isso ajudaria a organização da sua comunidade?
Betikre: Com equipamentos como esse, teremos uma noção melhor do que está acontecendo em nossa região. Não vemos o ar nem a poluição, mas eles afetam nosso corpo e nosso sangue diariamente. Sabemos que o ar tem mudado. As comunidades passaram a ter doenças diferentes, que antes só ouvíamos falar. Antes não havia casos de câncer na aldeia, mas agora já existem. Por isso, dados como esses são muito importantes para entendermos a que estamos sendo expostos e como podemos nos proteger.
Nos últimos anos, temos enfrentado dias seguidos com a aldeia coberta de fumaça e incêndios invadindo o território. Isso prejudica principalmente os idosos, que já estão mais vulneráveis.
E como pessoas e organizações não indígenas podem ampliar essa voz e essa busca por respostas?
Betikre: Para nós, essa colaboração é muito importante. A luta é de todos, e devemos seguir juntos. Temos um conhecimento ancestral diferenciado. Pessoas não indígenas e estrangeiros contribuem com seus saberes e formas de pensar, e assim seguimos juntos. São novas ferramentas que nos ajudam a ampliar nossa voz por meio de tecnologias, conhecimentos e espaços que vêm sendo ocupados. Somamos forças para enfrentar aqueles que querem desmatar, invadir terras indígenas e implementar grandes empreendimentos sem sustentabilidade ou consulta aos povos. Isso foi muito importante, por exemplo, na mobilização em torno do Marco Temporal, pois nos permitiu enfrentar o problema em várias frentes.
Em ano eleitoral, como você e sua organização têm se preparado para responder a ataques e pautar as demandas indígenas nos debates?
Betikre: Reuniões como o ATL são ainda mais importantes nesses contextos, justamente porque nos permitem identificar e nos posicionar contra políticas que vão contra nossos interesses. Também temos buscado garantir que os acordos firmados com governantes não beneficiem apenas os políticos, mas tragam vantagens concretas para nossos povos. Estamos nos organizando para mostrar que não apoiamos automaticamente governos: temos demandas que precisam ser atendidas. Temos aproveitado o período eleitoral para que nosso conhecimento, nossa voz e nossos saberes ancestrais sejam ouvidos na formulação de políticas públicas que nos afetam diretamente.
E o que você gostaria que o eleitor tivesse em mente na hora de votar?
Betikre: Gostaria de pedir que os povos indígenas sejam respeitados e lembrados. Queremos sobreviver, como todos. Se desmatarmos tudo e acabarmos com os rios, ninguém sobreviverá. O mundo não resistirá. A mudança climática já é muito severa, e precisamos parar de pensar que esse problema vai desaparecer sozinho. É urgente interromper a exploração do meio ambiente e os ataques aos direitos indígenas.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
Projeto ‘Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões’ voltou a dar forma na recuperação ancestral da produção de peças da cerâmica ancestral. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
As japuna, termo de origem tupi que designa o assador de farinha, voltaram a ganhar forma pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade da Missão, em Tefé, no interior do Amazonas. O projeto “Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões” foi iniciado pelo Instituto Mamirauá em 2025.
A iniciativa conta com três eixos de pesquisa:
o primeiro com base em escavações na região;
o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres;
e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade.
A pesquisa permitiu reunir esses dados e chegar à conclusão de que as japuna produzidas por elas ainda apresentam forte semelhança com as do passado.
Na prática, o projeto reuniu as mulheres integrantes da associação Clube de Mães da comunidade para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de “cadeia operatória das japuna”, que vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas mães e avós.
Dona Lucila Frazão, de 69 anos, descendente do povo Miranha do Médio Solimões, herdou o conhecimento e a habilidade de ceramista de sua avó indígena.
“Lembro como se fosse hoje. Cada família produzia em sua própria casa; a produção era grande, com peças de cerâmica de grande porte, e todas as mulheres, das mais novas às mais velhas, sabiam produzir. Isso me traz não apenas memórias da infância, mas também a necessidade de voltar a produzir”, conta.
Dona Lucila Frazão, de 69 anos, ceramista japuna que herdou habilidade de sua avó indígena. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
Um fato curioso é que as peças produzidas pelas mulheres são semelhantes às japuna escavadas no sítio arqueológico do Centro de Estudos Superiores de Tefé Universidade Estado do Amazonas (CEST UEA), em Tefé (AM), entre 2017 e 2018.
“Acho que foi muito importante acompanhar algo que, para mim, só existia na teoria. Ver isso na prática foi surpreendente; elas ainda detêm esse conhecimento ancestral, adquirido por suas antepassadas. Também utilizam técnicas orgânicas, como o uso do caraipé para dar consistência e de pedras para dar brilho e modelar”, relatou a arqueóloga Geórgea Holanda, uma das lideranças da iniciativa.
Ao mesmo tempo em que articula conhecimentos arqueológicos e experiências atuais das ceramistas, a retomada da produção dessas peças amplia as possibilidades de geração de renda para o grupo. Além da japuna, as mulheres iniciaram a confecção de outras peças que não eram produzidas há anos, como vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.
Produção das japuna reúne saberes ancestrais passados de geração em geração. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
O projeto e os saberes ancestrais
A iniciativa foi pensada e idealizada após as descobertas de peças arqueológicas em 2017, pelo projeto Arqueologia Urbana, quando arqueólogos do Instituto Mamirauá identificaram as japuna em escavações na zona urbana de Tefé, no terreno da universidade CEST UEA.
A partir desse achado e de registros históricos sobre essas cerâmicas indígenas, o Grupo de Pesquisa em Arqueologia do Instituto Mamirauá passou a buscar mulheres da região que ainda produzissem peças em cerâmica. O objetivo era identificar se ainda existiam, na região, detentoras das técnicas tradicionais de produção dessas peças indígenas.
Durante essa busca, em 2024, os arqueólogos chegaram às mulheres da Comunidade da Missão. Em conversas sobre as peças, elas revelaram memórias marcantes da produção das japuna, na época, produzidas por suas mães e avós.
Em 2025, as atividades práticas da cadeia operatória da japuna foram desenvolvidas com as mulheres da comunidade. A partir do cruzamento de dados arqueológicos já levantados com informações etno-históricas, os pesquisadores puderam comparar a produção atual das ceramistas com as japuna encontradas nas escavações realizadas entre 2017 e 2018.
Em abril deste ano, os pesquisadores devem chegar à comunidade de Nogueira, na região de Tefé, com o objetivo de também identificar mulheres que ainda detêm práticas ancestrais.
A iniciativa também integra o projeto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica do Instituto Mamirauá, intitulado “Arqueologia e modo de vida da comunidade de Nogueira através da oralidade”, conduzido pela pesquisadora Inês Vitória Menezes.
Nesta etapa inicial, o trabalho se baseia em relatos registrados por naturalistas do século XIX, que descreveram, à época, a produção de cerâmicas, incluindo as japuna, na comunidade de Nogueira.
Segundo a pesquisadora Inês Vitória, participar de uma pesquisa em seu próprio território vai além de uma experiência acadêmica.
“Eu espero que outras pessoas conheçam a história da comunidade; histórias que não estão apenas em documentos escritos, mas vivem nas memórias dos moradores da comunidade e são histórias que merecem ser valorizadas”, relatou.
Peça da cerâmica japuna, termo de origem tupi que designa o assador de farinha. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
Arqueologia no Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá iniciou sua atuação em arqueologia em 2001, com a participação em escavações na comunidade Boa Esperança, localizada na Reserva Sustentável Amanã, no Amazonas. A experiência marcou o começo de um trabalho contínuo voltado à pesquisa e à valorização do patrimônio arqueológico na região.
Em 2006, surgiu o primeiro projeto dedicado à gestão do patrimônio arqueológico da Reserva Amanã, gerenciado pelo Mamirauá. Dois anos depois, o projeto de gestão foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como Instituição de Guarda e Pesquisa (IGP), tornando-se a única no interior do Amazonas.
Atualmente, o Instituto mantém o Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia, formado por seis arqueólogos que atuam em sete projetos integrando atividades de campo e laboratório, além de estudos sobre a preservação do patrimônio cultural, de história e antropologia.
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Mamirauá desenvolve mais de 200 projetos em diferentes áreas do conhecimento, aliando pesquisa científica a ações junto às comunidades.
Representantes das Forças Armadas e órgãos de segurança pública do Brasil, Colômbia e Peru visitaram um semissubmersível apreendido pela Marinha do Brasil em 2025. Foto: Primeiro-Tenente Rodrigues/Marinha do Brasil
Brasil, Peru e Colômbia avançaram na coordenação de ações e cooperação contra o crime organizado na região amazônica durante a VI Reunião Tripartite sobre aplicação da lei nos rios da Bacia Amazônica, realizada entre 14 e 16 de abril, em Belém (PA). O encontro reuniu autoridades militares, policiais e diplomáticas dos três países, além de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), com foco no enfrentamento ao narcotráfico e a crimes correlatos.
Os trabalhos da cooperação foram liderados pela Coordenação-Geral de Repressão a Drogas, Armas, Crimes contra o Patrimônio e Facções Criminosas (CGPRE-PF). A Marinha do Brasil (MB) foi representada por militares do Comando de Operações Navais (ComOpNav), do Comando do 4º Distrito Naval (Com4°DN) e do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz).
Francesca Caonero, Coordenadora Regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), alertou para mudanças no padrão de atuação de grupos criminosos. Segundo ela, as organizações têm expandido sua atuação para países como Suriname e Guiana, com o emprego de estratégias mais sofisticadas, entre elas o uso de embarcações semissubmersíveis.
“Esta reunião de cooperação tem como objetivo analisar esses novos padrões e delinear estratégias para combater esses grupos. Precisamos identificar novos objetivos”, pontuou Caonero.
‘Submarinos do tráfico‘
A programação incluiu uma visita técnica à Base Naval de Val de Cães, onde está custodiada uma embarcação semissubmersível apreendida em maio de 2025, no município de Chaves (Arquipélago do Marajó). A apreensão é um marco para a PF por ter sido a primeira vez que um “submarino do tráfico” foi localizado ainda em fase de construção.
Durante a operação, um homem, morador da propriedade onde a embarcação foi encontrada, foi preso por porte ilegal de arma de fogo. Não foram encontradas drogas no interior da embarcação.
Autoridades militares dos três países participaram da Reunião Tripartite para discutir ações coordenadas na região amazônica. Foto: Felipe Faraon/PF
O sucesso da operação deve-se à análise de imagens de satélite, dados de sensores aeroespaciais e processamento com inteligência artificial. Isso permitiu identificar movimentos atípicos e a localização precisa do equipamento, algo difícil de detectar por métodos tradicionais”, explicou o delegado Lucas Pereira Gonçalves.
Com 18 metros de comprimento e 3 metros de largura, a embarcação artesanal possui engenharia sofisticada. A PF estima que o semissubmersível possa transportar até sete toneladas de cocaína, com autonomia de 10 mil quilômetros — distância suficiente para uma travessia direta do Marajó até a Europa. A estrutura em fibra de vidro e a cor azul dificultam a detecção por radares e a observação visual no oceano.
Em fevereiro de 2024, uma embarcação com características semelhantes foi encontrada por pescadores em São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense. Em março de 2025, cinco homens, todos paraenses, foram presos enquanto transportavam seis toneladas de entorpecentes em um semissubmersível no Oceano Atlântico, a quase 1.000 quilômetros do Arquipélago dos Açores, em Portugal.
Representantes das Forças Armadas e órgãos de segurança pública do Brasil, Colômbia e Peru visitaram um semissubmersível apreendido pela Marinha do Brasil em 2025. Foto: Primeiro-Tenente Rodrigues/Marinha do Brasil
Segundo o Comandante do 4º Distrito Naval, Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista, a escolha de Belém como sede da Reunião Tripartite para discutir a cooperação conjunta foi estratégica.
“A utilização dos rios regionais pelo narcotráfico possui, na região portuária, seu elo de conexão para atingir mercados distantes e, em Belém, esse encontro do fluvial e marítimo se dá, atribuindo relevância a esse complexo portuário no combate aos ilícitos”, afirmou.
Também participaram da reunião de cooperação o Superintendente Regional da Polícia Federal no Pará, Delegado Alexandre de Andrade Silva; o Comandante da Força Naval do Amazonas (Armada Nacional da Colômbia) Contra-almirante Alfonso Cordoba Pinilla; o Diretor do Departamento Antidrogas da Polícia Nacional do Peru, Leiby Antonio Human Daza; e o Chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Entorpecentes da Polícia Federal, Delegado Vinícius Faria Zangirolani.
A sexta edição consolida o diálogo iniciado em novembro de 2023, em Cartagena. O cronograma de cooperação foi realizado em cidades como Manaus, em março de 2024, e Brasília, em agosto e dezembro de 2024, além de agosto de 2025.