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Fruta nativa da América do Sul, milho roxo quebra barreiras e cresce na Amazônia

Cultivada no continente americano, fruta deu origem até à criação de uma cerveja natural. Foto: Reprodução/Agência Andina

O milho roxo, uma fruta nativa da região da América do Sul onde o Peru está localizado, não é cultivado apenas em áreas costeiras e andinas, mas também na Amazônia, dando origem à criação de uma bebida cujo sabor característico se combina com o camu camu, outro produto natural do continente americano.

Graças ao apoio do Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), os agricultores de Ucayali produzem com sucesso essa cultura, gerando assim uma fonte de renda para a economia familiar e para seus alimentos.

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O pesquisador do IIAP, Carlos Abanto Rodríguez, afirmou que inovações desse tipo contribuem para fortalecer esse setor da população amazônica. “Antes, coordenamos com os agricultores para atender às necessidades deles”, pontuou.

Foi nesse contexto que foi concebido o primeiro caso bem-sucedido de cultivo de milho roxo nas planícies inundáveis amazônicas, entendendo essas partes como aquelas que são liberadas das águas dos rios quando elas diminuem.

Segundo Abanto, essas terras são naturalmente fertilizadas graças à água que esteve nelas durante o período de enchentes, que vai aproximadamente de dezembro a março.

Produtora de milho roxo
Cleydis Murayari, agricultora da Vila de 7 de Junio, produtora de milho roxo. Foto: Reprodução/Andina

Caso pioneiro

Em 2022, o IIAP soube do caso de Cleydis Murayari Ihuaraqui, uma agricultora da vila de 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha, que havia plantado milho roxo, uma cultura raramente usada na Amazônia.

Tendo obtido resultados positivos, o produtor solicitou sementes dessa cultura à entidade mencionada, dentro do âmbito do programa pelo qual sementes de milho, feijão, melancia, pimenta e outros produtos alimentícios são entregues aos agricultores.

“Entregamos essas sementes porque não queremos falhas ou colheitas ineficientes, queremos jogar pelo seguro”, diz Abanto. “O Estado investe dinheiro na compra de sementes e na transferência de assistência técnica no campo, do plantio à colheita”, explicou.

Com o histórico mencionado, dez quilos de semente de milho roxo INIA 615 Black Canaan foram entregues à agricultura. Outros quarenta quilos foram distribuídos entre outras produtoras.

Boa colheita

As culturas de milho roxo foram distribuídas nessa primeira oportunidade por uma área de 2500 metros quadrados, sendo avaliadas pelo IIAP.

Abanto relata que três meses depois, até pouco antes da colheita, esse fruto não apresentava a coloração característica. “Mas faltando de 15 a 20 dias para a colheita, sua coloração apareceu”, disse ele.

Os resultados também foram satisfatórios para Cleydis Murayari, que colheu 500 quilos de milho roxo, vendendo 450 desses a uma quantidade entre 4 e 5 solos por quilo. Os outros 50 eram usados para consumo e também para preparar refrigerantes semelhantes à chicha morada.

Camu-camu, fruta típica da Amazônia. Foto: Reprodução/Andina

O IIAP levou isso em consideração e, para agregar valor a um novo produto ao qual se projetava potencial, ele foi misturado com camu camu, um fruto típico da Amazônia.

O resultado é o ‘Camuchicha’, que já foi exibido e comercializado com sucesso nas últimas edições da Expo Amazonica.

Leia também: Conhecido como o ‘ouro da Amazônia’, camu-camu é aposta para indústria alimentícia

Cerveja natural do milho roxo

É composto por 60% de essência de milho roxo, sendo os 40% restantes polpa de camu camu. A fórmula, inicialmente desenvolvida em um laboratório na sede do IIAP em Ucayali, foi posteriormente transferida para Cleydis Murayari e outros 150 agricultores para que também pudessem produzir essa bebida.

Produção da cerveja natural de milho roxo na IIAP. Foto: Reprodução/Andina

“Não é a clássica chicha morada que consumimos, mas também tem aditivos para diminuir o ácido do camu camu e dar sabor”, explica Abanto. “Essa tecnologia foi transferida para os agricultores, e agora eles têm mais uma opção para dar valor aos seus produtos”, enfatizou.

Ainda são necessárias mais pesquisas sobre as condições e o potencial do milho roxo e a melhor forma de produzi-lo na Amazônia, diz o representante do IIAP. Uma vez determinada a variedade dessa cultura que melhor se adapta às condições climáticas desta região do país, ainda mais progressos podem ser feitos na promoção de sua produção.

“A vantagem é que aqui temos solos férteis, que não precisam de investimento em fertilizantes, porque o fertilizante natural permanece aqui após a inundação dos rios”, diz o especialista, destacando mais uma força de um produto eminentemente orgânico.

*Com informações da Agência Andina

Com bioma amazônico, Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo

Foto: Heins Plenge Pardo

O Peru possui biodiversidade reconhecida internacionalmente, evidente em sua avifauna, que lhe rendeu o primeiro lugar no Global Big Day quatro vezes (2024, 2021, 2016 e 2015).

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Mas por que o Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo? Quantas espécies são endêmicas e quais são as mais emblemáticas?

Peru, um paraíso para pássaros

De acordo com a lista oficial atualizada de aves do Peru, elaborada pela União dos Ornitólogos do Peru (UNOP) e em conformidade com os critérios do Comitê Sul-Americano de Classificação (SACC), o país é um dos que apresentam maior diversidade de espécies de aves no mundo, com 1.879 espécies registradas, das quais 14 são novas espécies descritas nos últimos anos. Além disso, existem 117 espécies endêmicas ou nativas do Peru. 

A geografia do Peru abriga áreas naturais protegidas que são o lar da grande maioria das espécies de aves que podem ser observadas e registradas. As áreas naturais protegidas mais notáveis ​​para a observação de aves são:

Grande Dia Global: Por que o Peru é um dos países com a maior variedade de aves do mundo?
Foto: ANDINA / Editora Perú

No litoral, por exemplo, o Santuário Nacional Los Manglares de Tumbes, localizado na costa noroeste do Peru, na província e distrito de Zarumilla, departamento de Tumbes, abriga entre 200 e 300 espécies de aves, como a fragata, diversas espécies de garças, o íbis-branco, o ralídeo-dos-manguezais e a toutinegra-dos-manguezais, entre outras. Por esse motivo, é considerado um local ideal para a observação de aves e, consequentemente, para sediar o Global Big Day.

Por sua vez, o Parque Nacional Cerros de Amotape, localizado na parte norte de Piura e na parte mais meridional de Tumbes, é o exemplo mais bem preservado de floresta seca equatorial em toda a região do Pacífico. Abriga espécies únicas como o periquito-de-coroa-vermelha, o beija-flor-de-cauda-espinhosa-de-cabeça-preta e a aracuã-de-cauda-espinhosa, entre outras.

Leia também: Estação seca mais quente reduz em 63% taxa de sobrevivência de aves da Amazônia

Nas terras altas, destaca-se a Reserva Paisagística Nor Yauyos Cochas, localizada nos distritos de Tanta, Miraflores, Vitis, Huancaya, Alis, Laraos Tomas e Carania, na província de Yauyos, departamento de Lima, e no distrito de Canchayllo, na província de Jauja, departamento de Junín.

Entre as aves que podem ser observadas, destaca-se a presença de várias espécies de mergulhões, do huaco, do yanavico, da guallata e diversas espécies de patos.

Merece destaque também o Santuário Nacional de Ampay, localizado no distrito de Tamburco, província de Abancay, departamento de Apurímac.

Abrange 3.635,50 hectares e está situado no coração dos Andes, formando uma espécie de “ilha biológica”. Além disso, faz parte da cadeia de picos nevados da Serra de Vilcabamba e dos Andes Meridionais. Esta área natural protegida apresenta uma variação altitudinal de 2.900 a 5.235 metros acima do nível do mar.

Foto: ANDINA / Editora Perú

Entre as aves que podem ser avistadas estão o beija-flor-de-cauda-espinhosa-de-abancay (considerado uma espécie endêmica), o pololoco, o “siwar q’ente”, o ganso-andino e o condor, entre muitas outras.

Na floresta tropical, a Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada na província de Maynas, departamento de Loreto, abrange uma área de 57.667,43 hectares.

É o lar de 475 espécies de aves, 21 das quais são exclusivas das florestas de areia branca, incluindo seis espécies novas para a ciência e nove endêmicas da ecorregião do Napo.

Leia também: Aves fantasmas: confira 8 espécies de aves dificilmente observadas na Amazônia

Entre as espécies que podem ser observadas estão o Formigueiro-de-Gentry, o Cotinga-pompadour macho, o Formigueiro-de-cauda-castanha, o Tiraninho-de-Mishana, o Manacá-de-crista-laranja , entre outras.

Merece destaque também a Floresta de Proteção de Alto Mayo, localizada entre os departamentos de San Martín, Loreto e Amazonas, onde foram registradas 500 espécies, como o beija-flor-de-cauda-espátula, a coruja-de-bigodes e o tucano.

Além disso, o Parque Nacional Tingo María, localizado no departamento de Huánuco, abriga 291 espécies de aves, como o guácharo, o galo-da-serra-andino e a saíra-de-barriga-preta.

Aves emblemáticas do Peru

Em seguida, vamos revisar quais são as espécies endêmicas que, devido à sua importância e valor, são emblemáticas do Peru:

Galo-da-rocha peruano

O galo-da-serra-andino (Rupicola peruvianus) é a ave nacional do Peru e foi escolhido como emblema dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Lima 2019. É uma espécie belíssima; os machos possuem uma crista laranja adornando a cabeça. Penas pretas e brancas cobrem suas costas e asas. 

Leia também: Galo-das-rochas-peruano: conheça a encantadora ave nacional do Peru

Foto: ANDINA / Editora Perú

Como na maioria das aves, a plumagem da fêmea é mais discreta. Durante a época de acasalamento, ela costuma realizar exibições rituais ou “leks” em grupo, acompanhadas por chamados roucos e cacarejos característicos.

Essa ave está ameaçada de extinção devido à caça indiscriminada para fins comerciais. Ela habita as florestas da Amazônia peruana.

Parihuana ou flamingo-andino

É uma das três espécies de flamingo encontradas no Peru e uma das que migram comumente dos altos Andes para a costa. Mede 1,1 metros de comprimento. A plumagem é predominantemente esbranquiçada com um forte tom rosado. A cauda é coberta por penas pretas e a parte superior do peito é violeta. Seu bico é quase todo preto.

Foto: ANDINA / Editora Perú

Leia também: Livro registra 310 espécies de aves em Terra Indígena no Alto Rio Negro, no Amazonas

O flamingo-andino (Phoenicopterus chilensis) faz parte da lenda popular que envolve a criação da primeira bandeira peruana. Segundo essa versão, poucos dias após o desembarque da expedição libertadora na baía de Pisco, o General José de San Martín observou um bando de flamingos sobrevoando a praia e, inspirado por suas cores vibrantes, propôs o desenho bicolor do primeiro e mais importante símbolo nacional.

Jacu-de-asas-brancas

É outra ave endêmica do Peru, redescoberta em 1977 após ter sido considerada extinta por 100 anos. O jacu-de-asas-brancas (Penelope albipennis) vive apenas nas florestas secas do norte do Peru, em populações isoladas. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

A sobrevivência dessas aves está ameaçada, especialmente pela destruição acelerada de seu habitat. Programas de reprodução em cativeiro e repovoamento têm apresentado resultados positivos. Um desses locais é a reserva particular Chaparrí, situada na região de Lambayeque.

Beija-flor-de-cauda-espátula

É uma das aves mais belas do mundo, admirada por sua plumagem deslumbrante e pela majestade de sua cauda, ​​dividida em duas grandes penas independentes que se movem livremente. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

O beija-flor-de-cauda-espátula (Loddigesia mirabilis) mede apenas 15 centímetros de comprimento, dos quais mais da metade corresponde à sua longa cauda e bico.

Pesa entre 40 e 70 gramas. Este beija-flor é endêmico, habitando exclusivamente a floresta tropical da região amazônica, no nordeste do Peru, a 1.212 quilômetros da cidade de Lima.

Cortador de plantas peruano

Outra espécie endêmica do Peru e também ameaçada de extinção. Ela vive na floresta seca do norte do Peru, de Piura a La Libertad. Sua maior ameaça é a destruição e a degradação de seu habitat. 

O cortador-de-plantas-peruano (Phytotoma raimondi) mede 18,5 centímetros de comprimento. Possui um bico relativamente curto e muito forte, com a ponta um tanto arredondada e bordas ligeiramente serrilhadas. Sua crista proeminente, que ergue quando alarmado, é impressionante.

Leia também: Você sabe quais aves representam os Estados da Amazônia Legal?

Foto: ANDINA / Editora Perú

O macho, mais colorido, tem a parte superior do corpo cinza-acinzentada, mais escura nas asas e na cauda, ​​e apresenta diversas manchas brancas. A parte inferior do corpo é cinza-clara, tornando-se avermelhada na barriga. Possui também uma mancha avermelhada acima do bico.

Condor andino

É a maior ave do mundo e está em perigo de extinção. É predominantemente preta, com penas brancas ao redor do pescoço e em parte das asas. Sua cabeça é vermelha e sem penas. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

O condor andino (Vultur gryphus) habita áreas de alta altitude, como o Vale do Colca (1.131 quilômetros a sudeste de Lima), em Arequipa; embora também tenha sido avistado em algumas localidades costeiras. O condor está associado à cultura e mitologia andinas. Devido a isso e a outros fatores, encontra-se em perigo de extinção.

Coruja-de-bigodes

É mais uma das belas aves endêmicas do Peru e uma das menores corujas do mundo. Seu habitat é a floresta tropical montana que abrange territórios nas regiões de Amazonas e San Martín, no nordeste do Peru. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

A coruja-de-bigodes (Xenoglaux loweryi) mede 13 centímetros de comprimento, tem uma cauda curta e sua plumagem é predominantemente marrom-escura, com o peito esbranquiçado salpicado de manchas escuras. Seu nome vem das numerosas penas longas e delicadas em seu rosto que lembram bigodes. 

Pato Torrente

É uma ave espetacular devido ao seu estilo de vida e beleza. O pato-torrente (Merganetta armata) vive nos rios das encostas andinas, com abundância de pedras, onde nada agilmente, mesmo em rios de correnteza rápida. 

Foto: ANDINA / Editora Perú

É fácil distinguir o sexo, pois o macho tem a cabeça branca com manchas pretas. É encontrado desde a Venezuela até a Argentina e o Chile. No Peru, um de seus habitats é o Santuário Nacional de Machu Picchu.

Mergulhão-de-junin

É uma das espécies ameaçadas de extinção no Peru. Seu único habitat é o Lago Junín ou Chinchaycocha, localizado a 270 quilômetros a leste da cidade de Lima, na região de Junín. 

Leia também: Observação de aves: uma janela da Amazônia para o mundo

Foto: ANDINA / Editora Perú

É um mergulhão não voador que nidifica entre os juncos do lago, nas áreas menos afetadas pela poluição. O mergulhão-de-junín (Podiceps taczanowskii) tem um bico fino e pontiagudo, olhos avermelhados e patas cinzentas. Suas costas são cinza escuras e seu peito é branco. Alimenta-se de peixes, que captura mergulhando na água.

Cinclodes patagônico

Habita as florestas úmidas perto do Santuário Histórico de Machu Picchu, na região de Cusco, e devido ao desmatamento está em perigo de extinção. Também vive em algumas áreas costeiras.

O cinclodes patagônico (Cinclodes patagonicus) mede cerca de 21 centímetros de comprimento. Sua plumagem é geralmente marrom-acinzentada por todo o corpo. Possui uma sobrancelha e listras malares brancas proeminentes, além de pequenas estrias esbranquiçadas na parte superior do peito.

*Com informações da Agência Andina

BR-319: vital à integração logística do transporte rodofluvial do Amazonas

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Por mais que empresários, políticos, analistas ou agentes de governo tentem contestar os intransponíveis obstáculos interpostos pela ex-ministra Marina da Silva, a inimiga pública número 1 da Amazônia, pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama, algumas ONGs e seus tentáculos espalhados por cada canto de nosso território, a verdade inexorável sobre as barreiras contrárias às obras de conclusão da rodovia BR-319 tem uma só origem: o Palácio do Planalto.

Estranhamente, o presidente Lula da Silva, que nas eleições de 2022 ganhou em 58 dos 62 municípios, menos Manaus, atingindo 51,1% dos votos do eleitorado amazonense, jamais fez um pronunciamento aberto e contundente em defesa das obras, nem consignou recursos no Orçamento da União. Delegou à ex-ministra e suas ONGs decidir a respeito.

Acintosamente, a União, nesse período, e de forma equivocada, não considera a Amazônia prioridade nacional. O uso sustentável dos recursos da biodiversidade, o estímulo ao desenvolvimento da bioeconomia, como endossado por renomados professores e pesquisadores de nossas universidades e centros de pesquisa têm plena capacidade de tornar o Brasil uma das economias mais pujantes do planeta, gerando benefícios sociais de alto impacto aos amazônidas, ao povo que aqui vive e mantém a região território brasileiro desde sempre.

O quadro de menosprezo agravou-se de forma escalar no período pós redemocratização de 1985, quando reduziu se dramaticamente a presença de Brasília na região. Sobretudo em decorrência do esvaziamento da Sudam e da Suframa, potencializando, consequentemente, em níveis estratosféricos a prática da pirataria ambiental, do narcotráfico e da pilhagem ambiental, ao ocuparem crescentemente espaços antes de domínio da União.

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A despeito da gravidade da situação, o poder central ignora as demandas do Amazonas, que conserva 97% de suas florestas e detém 57,3% do território sob proteção de Unidades de Conservação nos níveis estadual, federal e terras Indígenas, no que se refere a intervenções desenvolvimentistas, incluindo a recuperação da BR-319. É evidente que a política de “desmatamento zero” nada tem a ver com a preservação florestal.

Funciona apenas como mídia internacional na cobertura de interesses estrangeiros aqui defendidos por poderosas organizações aparentemente sem fins lucrativos, íntimas da estrutura funcional dos órgãos nacionais de defesa ambiental. Prender rebanhos, destruir lavouras e áreas de mineração clandestinas é mais importante do que investir preventivamente no controle dessas anomalias ambientais por meio de políticas públicas dirigidas à regulação desses setores econômicos.

Enquanto isso, no Norte, como no Nordeste, o estado de pobreza toma conta das camadas mais carentes da população. O Amazonas registrou uma renda média mensal per capita (por pessoa) de R$ 1.450 (menos de 290 dólares), sendo o quinto menor do país no último ano. O estado ficou muito abaixo da média nacional de R$ 2.264 (em torno de US$450) estando à frente apenas do Pará, Alagoas, Ceará, Acre e Maranhão. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa PNAD Contínua (2012-2025).

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

A renda média per capita mede os rendimentos médios de indivíduos, dividindo a renda total de um grupo (estado ou país), pelo número de habitantes. No ranking nacional, o Amazonas ficou na 23ª posição. Segundo a tabela do IBGE, as maiores rendas per capita estão no Distrito Federal (R$ 4.401), São Paulo (R$ 2.862) e Rio Grande do Sul (R$ 2.772).

Vexatórios dados que opositores da conclusão das obras de recuperação da BR-319 desconhecem inteiramente, muito mais ainda os compêndios de Samuel Benchimol, Djalma Batista, Alfredo Homma propondo políticas estratégicas de desenvolvimento socioeconômico e ambiental para o estado do Amazonas e a região Norte. Ou de Bertha Becker, que, em sua obra seminal defende que “o ambientalismo excessivamente preservacionista da década de 1990 na Amazônia esgotou-se como modelo por uma dupla razão. Ao não ter conseguido barrar a expansão da agropecuária capitalizada, e porque a conscientização crescente da população amazônica, que demanda melhores condições de vida, resultou na criação de mercado de trabalho e renda sedimentada no uso sustentável do seu patrimônio natural”.

Essas mesmas forças inimigas do nosso desenvolvimento ignoram, por exemplo, projeções da WWF (World Wide Fund for Nature) dando conta de que a procura global por madeira triplicará de 3,4 bilhões para 11,3 bilhões de metros cúbicos (m³) entre 2010 e 2050. Nesse mercado o Brasil sempre teve participação mínima, como também nos ramos da mineração, do turismo ecológico, dos biocosméticos, biofármacos, da bioenergia, nanotecnologias biológicas, etc.

Certamente, autoridades do poder central desconsideram clara e manifestamente a importância do da exploração sustentável do nosso bioma para o equilíbrio ambiental e a economia internacional. Enquanto isso, a China vem ganhando de forma avassaladora importantes posições estratégicas na economia da Amazônia e do território pan-amazônico. Como diz a sabedoria milenar, o tempo não poupa quem o despreza. Portanto, ainda é hora de o Brasil acordar para essa realidade e retomar as rédeas do destino de nossa região.

Leia também: Embrapa apresenta pesquisa sobre pau-rosa a empresários amazonenses

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Órgãos nacionais e internacionais alertam sobre aumento do fenômeno El Niño em 2026

Anomalia da temperatura da superfície em mar em abril de 2026. Fonte: CPTEC/INPE

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) publicaram uma nota técnica conjunta com as análises mais recentes sobre a possível evolução do fenômeno El Niño ao longo de 2026. O documento indica aumento da probabilidade de formação do fenômeno ainda neste ano, especialmente ao longo do segundo semestre.

De acordo com a nota técnica, a parte mais superficial do Oceano Pacífico equatorial encontra-se, desde o início do ano, em condições próximas da neutralidade. No entanto, o oceano subsuperficial vem apresentando sinais de aquecimento anômalo das águas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como El Niño e La Niña afetam a região amazônica?

Essas anomalias se propagam em direção ao continente pelo Pacífico e afloram na superfície, especialmente na porção leste do oceano, onde a termoclina – camada que separa as águas mais profundas das superficiais – tende a se localizar mais próxima da superfície. O aquecimento das águas superficiais observado ao longo de abril reforça o indicativo de transição para o El Niño nos próximos meses.

Segundo previsões do Centro de Previsão Climática (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), há cerca de 60% de probabilidade de estabelecimento do fenômeno no trimestre maio-junho-julho. As previsões da nota conjunta indicam ainda alta probabilidade, superior a 80%, de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de persistência até o início de 2027. A intensidade do fenômeno ainda não pode ser definida, embora exista a possibilidade de que o evento atinja, ao menos, intensidade moderada.

Previsão probabilística para ocorrência de condições de El Niño (barras em vermelho), neutras (barras em cinza) e de La Niña (barras em azul), emitida pelo CPC/NOAA em abril de 2026. Fonte: Nota Técnica - EL NIÑO 2026 (INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM)
Previsão provável para ocorrência de condições de El Niño (barras em vermelho), neutras (barras em cinza) e de La Niña (barras em azul), emitida pelo CPC/NOAA em abril de 2026. Fonte: Reprodução/Nota Técnica INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que altera a circulação atmosférica e influencia as condições meteorológicas e oceânicas em diversas regiões do planeta. Como explica o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez:

“O El Niño é um fenômeno que obedece às interações entre diversos componentes do sistema terrestre, principalmente entre o oceano e a atmosfera. Pequenas alterações podem impactar vários parâmetros, como a intensidade, a duração do evento e os efeitos que o fenômeno pode ter em diferentes regiões do planeta. Assim, mesmo que o ápice do evento aconteça no final do ano, alguns episódios associados ao fenômeno podem ser sentidos em diferentes regiões ao longo do seu desenvolvimento”, explica.

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Impactos diferentes no Brasil

No Brasil, os impactos do El Niño tendem a se manifestar de forma distinta entre as regiões. Em geral, há aumento da probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e déficit de precipitação em áreas da Amazônia, especialmente em sua porção leste, além de condições mais secas em partes das regiões Norte e Nordeste.

Essas características, no entanto, podem variar conforme a intensidade do fenômeno e a influência de outros fatores climáticos, como as condições do Oceano Atlântico, que têm se mostrado importantes especialmente para as regiões Norte e Nordeste.

Na região Norte, a falta de chuvas é um dos impactos do fenômeno El Niño em áreas da Amazônia. Foto: AlexPazuello/Secom AM

A nota técnica também alerta para o risco de ocorrência de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno e seus potenciais impactos em diferentes setores da sociedade e da economia, como abastecimento de água, segurança alimentar, geração de energia, mobilidade, saúde pública e atividades produtivas.

Nesse contexto, as instituições que assinam a nota destacam a importância do acompanhamento sistemático das condições oceânicas e atmosféricas, bem como das previsões meteorológicas e climáticas divulgadas pelos órgãos oficiais, uma vez que o monitoramento contínuo permite aprimorar as previsões e subsidiar ações de planejamento, prevenção, mitigação e resposta frente aos possíveis impactos identificados.

El Niño: preocupação mundial

A probabilidade do aumento do fenômeno El Niño também chamou a atenção de autoridades internacionais. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo também espera o aumento das temperaturas globais dos oceanos já para maio deste ano.

“É apenas uma questão de dias. 2027 provavelmente ultrapassará 2024 como o ano mais quente já registrado”, apontou Samantha Burgess, climatologista do observatório Copernicus da Europa.

O Centro de Previsão Climática (CPC) do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos da América também alertou que há 82% de probabilidade do fenômeno se manifestar de forma forte ou muito forte neste e no próximo ano.

Essa previsão também deste serviço mantido pelo governo americano indica que há 96% de probabilidade de que esse fenômeno continue ocorrendo entre dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem. Isso é corroborado por registros da temperatura da água do mar na zona equatorial central e oriental do Oceano Pacífico.

O fenômeno El Niño geralmente ocorre quando a temperatura do mar aumenta mais de 0,5 graus Celsius acima da média. Atualmente, segundo o CPC, esse valor permanece ligeiramente abaixo, no entanto, espera-se que aumente em junho.

“Em resumo, é provável que o El Niño apareça em breve (82% de probabilidade entre maio e julho de 2026) e continue durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27 (96% de probabilidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027)”, afirma o diagnóstico do CPC.

Em declarações à CNN, Michelle L’Heureux, cientista responsável pela previsão do El Niño no CPC, indicou que é possível que nos próximos meses esse fenômeno seja mais intenso do que nos anteriores.

Ele afirmou que isso dependerá da continuidade de certas tendências de mudança tanto na atmosfera quanto nas águas do Pacífico. Como exemplo, citou o enfraquecimento dos ventos equatoriais enquanto, simultaneamente, a temperatura do oceano aumenta.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicou esta semana que existe uma grande possibilidade de 2026 e 2027 figurarem entre os cinco anos mais quentes já registrados.

*Com informaçoes do INPE e da Agência Andina

Peru é uma escala crucial para aves migratórias

Foto: Divulgação/Agência Andina

O segundo sábado de maio é o Dia Mundial das Aves Migratórias, um evento importante que lembra da importância de proteger as aves que percorrem enormes distâncias como parte de seu comportamento biológico.

O território peruano é uma parada crucial para essas aves, mas quais áreas se destacam? Quantas espécies de aves migratórias foram registradas em no país e quais são as mais emblemáticas?

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Dia Mundial das Aves Migratórias 2026

O Dia Mundial das Aves Migratórias tem como objetivo aumentar a conscientização global sobre a importância dessas aves, seus habitats e seu papel nos ecossistemas, bem como aumentar a conscientização pública sobre as ameaças que elas enfrentam durante a migração e encontrar mecanismos de cooperação para proteger essas espécies.

Essas aves migram sazonalmente, viajando milhares de quilômetros em busca de alimento, para se reproduzirem em regiões mais quentes ou em áreas mais tranquilas para passar o inverno.

Leia também: Migração de aves para a Amazônia: um ciclo natural marcado pela busca de abrigo e alimento

Desde 2018, este evento é celebrado em duas datas: o segundo sábado de maio e o segundo sábado de outubro, para alcançar um público mais amplo e disseminar conhecimento sobre a proteção dessas aves. Em 2026, o tema central desta comemoração destaca a importância da ciência cidadã (também conhecida como ciência comunitária) para a conservação de aves migratórias.

O Peru como uma escala crucial para aves migratórias

As aves migratórias fizeram do Peru uma importante escala em suas jornadas. Elas chegam à Amazônia peruana em busca das margens fluviais que se formam durante a estação seca e são utilizadas para nidificação e criação de filhotes. 

Eles também chegam aos Andes peruanos, em busca de pântanos e grandes lagos salgados onde o alimento é abundante. Chegam principalmente ao litoral peruano, fugindo do frio que assola sua terra natal, com temperaturas que tornam a vida selvagem quase impossível.

Locais como a Reserva Nacional de Paracas, o Refúgio de Vida Silvestre Pantanos de Villa ou o Santuário Nacional Los Manglares de Tumbes foram designados como sítios de importância internacional pela Convenção de Ramsar sobre Zonas Úmidas. 

Leia também: Aves migratórias mudam rotina e estimulam novos estudos na Amazônia

Dia Mundial das Aves Migratórias: Por que o Peru é uma escala crucial para essas aves?
Foto: ANDINA/Divulgação

A inclusão desses territórios demonstra o compromisso do Peru em tomar as medidas necessárias para garantir a conservação dos processos ecológicos dessas aves.

Por sua vez, o Santuário Nacional Lagunas de Mejía , na região de Arequipa, uma área natural protegida dedicada à conservação de aves ameaçadas de extinção, recebe anualmente mais de 180 espécies migratórias do Peru, da América do Sul e da América do Norte.

Leia também: Pesquisador do IPAM revela que proteção de espécies migratórias exige ações de escala internacional

Aves migratórias emblemáticas do Peru

Gaivotas-de-Franklin e andorinhas-do-mar de várias espécies, dezenas de tarambolas e maçaricos, virapédras e maçaricos-reais, narcejas e tesourinhas-do-mar, pernilongos-de-asa-preta e águias-pesqueiras são algumas das espécies emblemáticas de aves migratórias que, todos os anos, fazem uma parada crucial em sua grande jornada continental para se alimentar e repor as energias e, após algumas semanas, iniciar a viagem de volta aos seus locais de nidificação. 

Foto: ANDINA/Divulgação

Ao chegarem, juntam-se às populações de aves residentes, partilhando as praias com ostraceiros, andorinhas-do-mar-inca, gaivotas-peruanas e catadores de marisco. No entanto, a repentina chegada de aves famintas não produz o caos e as disputas que se poderia esperar. Pelo contrário, dezenas de espécies partilham pacificamente às margens enquanto procuram alimento de acordo com as suas próprias técnicas de alimentação.

A chave para este oásis surpreendente está escondida sob a areia e chama-se muymuy. Um pequeno crustáceo, cujo nome parece ter sido escolhido para homenagear a sua importância no ecossistema costeiro. Os muymuys alimentam-se de plâncton e vivem enterrados em águas rasas na zona de arrebentação das praias arenosas, tornando-os presas fáceis para uma legião de viajantes alados famintos. Durante o verão, a população de muymuys explode, garantindo um banquete farto para os abundantes visitantes voadores que chegam de terras distantes.

Global Big Day 2026

Como parte do Dia Mundial das Aves Migratórias, está acontecendo o Global Big Day 2026, um evento mundial de observação de aves para aumentar a conscientização sobre a conservação das aves e construir conhecimento coletivo. Neste dia, pessoas de todo o mundo se unem para registrar o maior número possível de espécies de aves em seus países durante um período de 24 horas.

Participar não só mantém o país como um dos líderes mundiais na observação de aves, como também destaca a importância da conservação de áreas protegidas e do turismo sustentável.

*Com informações da Agência Andina.

Ashmead e Merrill: os fotógrafos da estrada de ferro Madeira-Mamoré

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O fotógrafo oficial da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Dana Merrill (caracterizado como caubói), posa ao lado de um grupo de indígenas. Ao centro, um deles com um rifle. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1909, o fotógrafo estadunidense Dana Merrill, então com 32 anos de idade, desembarcou em Porto Velho (atual capital de Rondônia e, à época, parte do território de Humaitá/AM) com a missão de registrar a grande e derradeira parte da aventura que foi a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, encerrada em 1912. Quando ele aportou no canteiro de obras, a ferrovia contava com apenas 74 quilômetros de trilhos assentados.

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Apesar de Merrill ser o nome mais festejado e reconhecido quando se pensa na iconografia da EFMM, é preciso fazer uma justiça histórica: antes de sua chegada, o engenheiro Percy Herbert Ashmead (1867–1919) já havia produzido cerca de 200 imagens a serviço da companhia. Ashmead só deixou o ofício paralelo de documentar o cotidiano ferroviário quando o profissional contratado assumiu as funções.

Pouco se sabe sobre a biografia de Dana Merrill, mas seu legado é monumental: são mais de 2.000 imagens produzidas entre 1909 e 1912, que capturaram uma das maiores e mais diversas ondas migratórias do planeta. Seus registros revelam o olhar de um verdadeiro documentarista, alguém que parecia compreender com exatidão a importância e a complexidade de seu tempo.

Mesmo trabalhando a serviço da cidade-empresa, suas fotografias também circulavam de forma independente, sendo vendidas como souvenirs nos classificados do jornal em língua inglesa The Porto Velho Times, que circulava entre os trabalhadores.

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Ashmead e Merrill: os fotógrafos da estrada de ferro Madeira-Mamoré
Registro de anúncio de jornal: fotos produzidas pelo fotógrafo Merril comercializadas como souvenires. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Indígenas aprendem a produzir fotos e vídeos para monitorar territórios com parceria do Museu Goeldi

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Indígenas da TI Caru, no Maranhão, durante a oficina de foto e vídeo por celular ministrada pelo fotógrafo Adriano Gambarini. Foto: Reprodução/PPBio – Rede Resiliência

“Na minha Terra Indígena Caru, eu já trabalho como guardião da floresta, fazendo vigilância e monitoramento da fauna. Isso me motivou [a participar da qualificação] porque vi a necessidade de também conhecer determinadas áreas com menos e mais animais”.

Esse depoimento é de Milson Guajajara, um dos 28 participantes da oficina de fotografia e vídeo por celular realizada na Terra Indígena Caru, no Maranhão, pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Oriental (PPBio-AmOr), por meio do projeto Rede Resiliência, que tem o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) entre as instituições parceiras.

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Milson também atua como bolsista de apoio técnico no projeto, devido ao valor do seu conhecimento tradicional. Para ele, além de colaborar com a proteção do seu território e com a produção de registros da fauna, a formação vai ajudar a manter viva a sua cultura.

“Por isso é importante fazermos os registros. [A oficina] vai melhorar [o trabalho] porque tínhamos a necessidade de realizar o monitoramento e a vigilância para que as futuras gerações pudessem ver e dar continuidade à proteção do Território Caru e para que a fauna e a flora resistam”, finalizou.

A oficina foi ministrada pelo fotógrafo e documentarista Adriano Gambarini, colaborador permanente da National Geographic Brasil, que atua em projetos com populações tradicionais da Amazônia há 30 anos. As atividades foram adequadas para cada uma das localidades em decorrência da experiência prévia que a equipe do PPBIO – Rede Resiliência tinha com os indígenas.

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Indígenas aprendem a produzir fotos e vídeos para monitorar territórios com parceria do Museu Goeldi
Participantes da oficina em trabalho de campo. Foto: Reprodução/PPBio – Rede Resiliência

“Além de toda a parte técnica, de regulagem do próprio celular, eu gosto muito de compartilhar sobre a história da fotografia, desde a primeira fotografia analógica, linguagem fotográfica, estética visual, todas as informações possíveis para que eles possam fazer um registro com fotografia, vídeo e edição de vídeo dessa área fantástica que eles vivem”, afirmou Adriano em vídeo institucional produzido pelo projeto.

A atividade, que integra um processo contínuo de formação de multiplicadores locais, ocorreu em dois momentos: de novembro a dezembro de 2025, na aldeia Maçaranduba, e no último mês de fevereiro, na aldeia Awá, contemplando também indígenas de comunidades próximas, como a aldeia Nova Samyã, onde vive a participante Simone Guajajara.

“O que me motivou a participar da oficina foi a oportunidade de aprender coisas novas, desenvolver habilidades e ter novas experiências. Também achei interessante poder interagir com outras pessoas e trocar conhecimentos”, afirmou.

Um dos objetivos da oficina é consolidar redes comunitárias de monitoramento ambiental para a proteção dos territórios. “Através da oficina, podemos registrar e compartilhar saberes importantes que muitas vezes são passados de geração em geração. Espero que a oficina contribua para a conservação da sociobiodiversidade da Amazônia, ajudando a conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar a natureza e os modos de vida dos povos que vivem nela”, reiterou Simone.

A participante afirma ainda que o aprendizado pode fortalecer o cuidado com o meio ambiente e garantir que os conhecimentos tradicionais e os recursos naturais sejam protegidos.

Conforme a pesquisadora integrante do PPBio – Rede Resiliência, Beatriz Cosendey, a ideia da oficina de foto e vídeo por celular surgiu pela necessidade de garantir bons registros de vestígios da fauna, garantindo a qualidade da análise.

“O monitoramento dos territórios se dá através da identificação de rastros, pegadas, fezes, pena, observação direta, som, entre outros, que são registrados nos aplicativos Cybertracker [de foto] ou Timestamp [de foto e vídeo]”, informou a cientista, acrescentando que os aplicativos são estilizados de forma a ficar intuitivo para os usuários, que recebem treinamento prévio para tal.

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O Museu Goeldi e o PPBio – Rede Resiliência

O Museu Goeldi integra o PPBio-AmOr desde a sua criação, em 2004. Nestes mais de vinte anos, coordenou projetos, colaborou com pesquisas, contribuiu com a formação de estudantes e ajudou a fortalecer acervos científicos na Amazônia. Instituído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa é financiado e gerido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 2023, um novo projeto passou a incrementar os seus resultados: a “Rede Integrada de Análise da Resiliência da Sociobiodiversidade da Amazônia Oriental aos Impactos dos Sistemas de Ocupação e Uso do Solo e das Mudanças Climáticas – Rede Resiliência”, que está sediada no MPEG, sob a coordenação geral do pesquisador Rogério Rosa da Silva.

A Rede Resiliência atua a partir de três eixos: o eixo “Sociobiodiversidade”, coordenado por Juarez Pezzuti, da Universidade Federal do Pará (UFPA), busca fortalecer a interlocução com povos indígenas e populações locais por meio de pesquisas colaborativas e da valorização de tecnologias sociais.

Já o eixo “Síntese”, liderado por Valéria Tavares, do Instituto Tecnológico Vale (ITV), e por Ana Cristina Mendes de Oliveira, também da UFPA, analisa o grande volume de dados gerados para a Amazônia Oriental, com foco em abordagens macroecológicas, incluindo estimativas de padrões de distribuição dos táxons, que são unidades para classificação de organismos, no passado, presente e futuro, bem como suas respostas às interferências humanas, como fragmentação, degradação ambiental e mudanças climáticas.

Por fim, o eixo “Lacunas”, coordenado por Rogério Rosa da Silva, do Museu Goeldi, foi pensado para preencher as lacunas de conhecimento sobre a biodiversidade e fortalecer as coleções científicas com a divulgação de dados.

De acordo com o coordenador da Rede Resiliência, a oficina de foto e vídeo por celular realizada na Terra Indígena Caru decorreu do eixo “Sociobiodiversidade” do projeto, tendo como um dos principais objetivos desenvolver estratégias de coprodução de conhecimento com povos tradicionais. “As relações com as comunidades ainda estão em construção e se fortalecem por meio de trocas de saberes”, reforçou o coordenador.

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Indígenas recebem certificado pela conclusão da oficina ao lado do fotógrafo Adriano Gambarini e da equipe do PPBio – Rede Resiliência. Foto: Reprodução/PPBio – Rede Resiliência

A Rede Resiliência reúne cerca de 100 integrantes e aproximadamente 20 instituições, distribuídas em diferentes regiões do Brasil e do exterior, com forte concentração na Amazônia Oriental. As áreas de atuação do projeto abrangem diferentes unidades de conservação e localidades no Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins.

No que se refere às comunidades tradicionais, as atividades incluem, até o momento, o Quilombo do Abacatal, e as Terras Indígenas (TI) Alto Rio Guamá (aldeia Itwaçu), Caru (aldeias Maçaranduba, Awá, Nova Samyã, Tiracambu), Alto Turiaçu (aldeias Cocal, Turizinho, Xiépihu-Rena, Paracuí-Rena), Las Casas (aldeia Las Casas), Kayapo (aldeia Kriny) e Resex do Rio Cajari (quiombo do Tapereira).

O período de execução do projeto vai de 2023 a 2027. No entanto, as ações foram estruturadas para garantir a continuidade das colaborações para além desse período, por meio do fortalecimento de redes de pesquisa e de parcerias institucionais.

Rogério afirma que outras parcerias ainda estão em fase de estabelecimento e os trabalhos seguem em andamento. A análise dos resultados têm como previsão de início no próximo semestre de 2026.

“Mesmo assim, resultados parciais já apontam descobertas de espécies e avanços no preenchimento de lacunas de conhecimento para diversos grupos biológicos, além da obtenção de informações que ajudam a compreender melhor as ameaças e a orientar estratégias de conservação desses territórios”, explicou o coordenador, frisando que as atividades e as colaborações desenvolvidas no projeto não ficam restritas ao período de execução.

“A ideia é dar continuidade a essas iniciativas por meio da rede que vem sendo construída, fortalecendo as conexões já estabelecidas. Com isso, o projeto busca ampliar o alcance das ações e gerar um impacto mais duradouro, tanto na produção de conhecimento, expansão de coleções, formação de pessoas e no apoio à conservação da sociobiodiversidade na Amazônia Oriental”, finalizou.

*Com informações do Museu Goeldi

Iogurte funcional com curcumina para pessoas com diabetes é criado por estudantes na Bolívia

Segundo os estudantes da Unifranz, a iniciativa surge da empatia e do compromisso para com aqueles que enfrentam restrições em sua alimentação diária. Foto: Reprodução/Unifranz

Um grupo de estudantes de Bioquímica e Farmácia da Universidade Franz Tamayo (Unifranz), na Bolívia, desenvolveu um iogurte funcional inovador para pessoas com diabetes. O protótipo, chamado “Curcuyog”, é um iogurte enriquecido com curcumina — o ingrediente ativo da cúrcuma — que visa proporcionar benefícios principalmente no controle glicêmico e na saúde em geral.

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O projeto do iogurte surgiu como uma iniciativa acadêmica com foco social, combinando pesquisa científica e prototipagem. A equipe de desenvolvimento é formada por Roselia Quiñajo, Esther Quispe, Álvaro Gutiérrez, Fiorella Castillo, Américo Aguilar e Carmen Baldivieso. Eles também são orientados por María Julia Conde, professora de Bioquímica e Farmácia da Unifranz.

“Nosso projeto se chama ‘Curcuyog’ e consiste na produção de um iogurte especial para pessoas com diabetes. Seus benefícios: é um iogurte funcional para pessoas com diabetes tipo 2, pois, graças ao seu ingrediente ativo, a cúrcuma, ajuda a reduzir os níveis de insulina, ou seja, diminui a glicose no sangue”, explica Esther.

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica caracterizada por altos níveis de glicose no sangue, causados ​​pela resistência à insulina e pela produção insuficiente desse hormônio pelo pâncreas.

Especialistas indicam que seu desenvolvimento está intimamente ligado a fatores como obesidade, sedentarismo e predisposição genética. O tratamento inclui mudanças no estilo de vida, como uma dieta saudável e exercícios físicos regulares, além de medicamentos e, em alguns casos, administração de insulina.

A proposta “Curcuyog” baseia-se em evidências científicas que comprovam os efeitos da curcumina na melhora do metabolismo da glicose, na redução da resistência à insulina e na melhoria de indicadores como a glicemia em jejum.

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Desenvolvimento científico e formulação de produtos

O processo de criação do iogurte Curcuyog envolveu diversas etapas rigorosas, desde a pesquisa até a validação do produto final. 

“O processo de desenvolvimento do nosso produto foi dividido em três etapas: pesquisa, formulação e testes. Na fase de pesquisa, analisamos a cúrcuma, pois ela tem um sabor terroso e intenso, então tivemos que torná-la palatável e também garantir que não comprometesse a textura do produto. Na formulação, adicionamos estévia para que não elevasse os níveis de açúcar no sangue, especialmente para pessoas com diabetes tipo 2”, explica Roselia.

Essa abordagem destaca a importância de equilibrar as propriedades funcionais da cúrcuma, garantindo que o produto seja saudável e atraente para os consumidores. A inclusão da estévia, um adoçante natural, atende à necessidade de prevenir picos de açúcar no sangue, especialmente em pessoas com diabetes.

Benefícios potenciais da curcumina

A cúrcuma, utilizada há séculos na medicina tradicional, tem sido amplamente estudada por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. A curcumina, seu principal componente ativo, atua reduzindo marcadores inflamatórios e combatendo o estresse oxidativo, o que pode beneficiar a saúde cardiovascular, articular e cerebral.

Além disso, pesquisas sugerem que seu consumo ajuda a aliviar dores crônicas, melhora a digestão e pode reduzir o risco de doenças degenerativas. No entanto, especialistas alertam que esses benefícios devem ser considerados complementares e não substituem os tratamentos médicos convencionais.

Projeção social e compromisso

O projeto também possui um forte componente humano. Álvaro, outro dos estudantes desenvolvedores, destaca:

“As melhorias que podemos implementar incluem mais testes experimentais nos laboratórios da universidade, muito mais inovação ao podermos desenvolver mais sabores utilizando frutas, que podem ser consumidos por pessoas que sofrem dessa doença, mas ver o resultado nos deixa muito felizes”, enfatiza o futuro bioquímico.

O grupo de estudantes não só busca inovar no setor alimentício, como também atender às necessidades reais de sua comunidade. Essa iniciativa nasce da empatia e do compromisso com aqueles que enfrentam restrições alimentares, fortalecendo a dimensão humana de suas pesquisas e prototipagem, e guiando seus esforços para soluções práticas e acessíveis, com a visão de melhorar a qualidade de vida.

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Estudantes da Unifranz desenvolvem iogurte funcional com curcumina para pessoas com diabetes
iogurte desenvolvido pelos alunos da Unifranz. Foto: Reprodução/ Unifranz

“Quando soubemos que alguns familiares de nossos colegas sofrem dessa doença, também sentimos a necessidade de fornecer a eles alimentos que não afetassem diretamente sua saúde”, destaca Gutiérrez.

Este depoimento reflete como a formação acadêmica pode transcender a sala de aula e se tornar uma ferramenta para solucionar problemas do mundo real. Curcuyog é um exemplo do potencial da pesquisa universitária para gerar impacto social.

Iniciativas como esta demonstram que o ensino universitário pode ser um espaço para inovação com propósito, onde ciência, pesquisa, saúde e compromisso social convergem para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

*Com informações da Unifranz

Marinha do Brasil aumenta calado e reforça segurança da navegação na foz do Amazonas

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Medida visa ampliar a navegabilidade de embarcações de maior porte e com maior carga na região do ‘Arco Lamoso’. Foto: Reprodução/Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil (MB) concluiu o aumento do calado operacional no “Arco Lamoso”, trecho estratégico localizado na foz do Rio Amazonas, elevando a capacidade de navegação em uma das principais rotas hidroviárias do País. A medida amplia a segurança do tráfego marítimo e fluvial e fortalece o escoamento da produção nacional, com impactos diretos para a economia da região Norte e para o comércio exterior brasileiro.

Calado é a distância vertical entre a linha de flutuação de uma embarcação na superfície da água e a parte mais baixa da quilha, a parte mais baixa do casco do navio ou barco. Essa medida é essencial para determinar a profundidade mínima que uma embarcação precisa para navegar com segurança, sem risco de encalhar o colidir com o fundo do mar ou rios.

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Calado de uma embarcação
Imagem: Reprodução/FazComex

Com a alteração, o novo calado passou a ser de 11,85 metros para navios mercantes com cargas comuns e de 11,65 metros para navios-tanque e embarcações transportando cargas perigosas. Esses índices são relativos ao período entre 1º de fevereiro e 15 de agosto de cada ano. Para os outros meses, o novo limite é de 11,70 metros para navios mercantes e de 11,50 metros para navios-tanque e embarcações com cargas perigosas.

A atualização das condições de navegabilidade permite a passagem de embarcações com maior porte e maior carga, reduzindo restrições operacionais e aumentando a eficiência logística. Em uma região marcada por intensa dinâmica sedimentar, como é o caso do estuário amazônico, ações contínuas de levantamento hidrográfico e atualização cartográfica são essenciais para garantir rotas seguras.

O “Arco Lamoso” é a área mais crítica e rasa dentro da Barra Norte, na foz do Rio Amazonas, entre o Pará e o Amapá, se estendendo por cerca de 45 quilômetros. O Diretor do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), Capitão de Fragata Anselmo Vinicius de Souza, destacou os principais desafios para se navegar na região.

“Os principais desafios são inerentes à grande dinâmica hidrológica da região, que é influenciada principalmente pela interação entre as diferentes massas d’água que confluem para o trecho da foz. Além disso, há também a ocorrência de um regime pluviométrico sazonal, caracterizado pelos períodos de “cheia” e de “seca” dos rios”, comentou o Capitão de Fragata Anselmo.

Relevância Econômica

O “Arco Lamoso” integra um corredor logístico vital para o escoamento de cargas, especialmente commodities oriundas das Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. A ampliação do calado possibilita maior eficiência no transporte, reduz custos logísticos e aumenta a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

A importância desse tipo de operação da MB se torna ainda mais evidente quando analisada à luz da chamada Economia do Mar. No Brasil, mais de 95% do comércio exterior é realizado por via marítima, evidenciando a dependência do País de rotas seguras e eficientes para a entrega de mercadorias.

Região do ‘Arco Lamoso’ é a principal saída das exportações do Brasil para o mar na região Norte. Imagem: Reprodução/Praticagem Brasil

Segundo dados apresentados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), os portos e terminais da região Norte registraram o maior crescimento percentual do Brasil em 2025 – cerca de 10,4%, chegando a 163,3 milhões de toneladas, dado superior à média nacional (6,1%), o que pode indicar um redirecionamento do eixo logístico do País. O Diretor do CHN-4 ainda explica, em números, o impacto do aumento do calado na região.

“A quantidade de carga acrescida com o aumento do calado varia de acordo com as características de cada navio. Para os navios do tipo ‘Panamax’, que são as embarcações cujas as suas dimensões alcançaram o tamanho limite para passar nas eclusas do Canal do Panamá, por exemplo, o aumento pode representar até cerca de dez mil toneladas por embarcação, representando um ganho aproximado de US$ 1 milhão de carga por navio – cerca de R$ 5 milhões”, completou.

Leia também: Marinha realiza levantamento hidrográfico em área de 714 km² no rio Amazonas

O papel da Marinha do Brasil

A MB, por meio do Serviço de Sinalização Náutica e da atividade de Hidrografia, garante a segurança da navegação nas águas sob jurisdição brasileira. Para isso, algumas missões operativas são realizadas frequentemente, como os levantamentos hidrográficos, a produção e a atualização de cartas náuticas e a divulgação de informações essenciais aos navegantes.

No caso do “Arco Lamoso”, a atuação da Força Naval envolveu também o monitoramento das condições do leito do rio, a análise da dinâmica sedimentar e a atualização dos parâmetros de navegação, permitindo a redefinição segura do calado na região. Ao todo, cerca de 110 quilômetros quadrados foram sondados na área da Barra Norte para a garantia de um aumento seguro do calado.

Essas ações integram o esforço contínuo para assegurar a navegabilidade em áreas críticas, especialmente na Amazônia, onde fatores naturais como correntes, marés e sedimentação exigem acompanhamento constante.

Navio Balizador ‘Tenente Castelo’ (H19) é um dos responsáveis pelo levantamento hidrográfico na área da região Norte. Foto: Reprodução/Marinha do Brasil

Hidrovias: eficiência logística e alívio para o transporte terrestre

O transporte hidroviário desempenha papel estratégico na matriz logística brasileira, especialmente no escoamento de grandes volumes de carga. Embora ainda subutilizado, o modal já responde por uma parcela relevante do transporte nacional e apresenta elevado potencial de expansão. O transporte por rios e canais é considerado mais econômico e energeticamente eficiente, sendo especialmente adequado para cargas de grande volume, como grãos e minérios, que representam parcela significativa das exportações brasileiras.

Na prática, o fortalecimento do transporte hidroviário pode contribuir para reduzir a sobrecarga das rodovias, diminuindo custos logísticos, o desgaste da infraestrutura terrestre e a emissão de poluentes. Em regiões como a Amazônia, onde a malha rodoviária é limitada, as hidrovias são, muitas vezes, o principal meio de integração e transporte de mercadorias, consolidando-se como elemento essencial para o desenvolvimento regional.

Iniciativas que ampliam as condições de navegação, como o aumento do calado em áreas estratégicas, não apenas elevam a segurança do tráfego aquaviário, mas também contribuem para uma matriz de transporte mais equilibrada, eficiente e sustentável no País.

*Com informações da Marinha do Brasil


Plano propõe caminhos para fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental

Foto: Caio Lira e Bruno Carachesti

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram, no dia 12 de maio, durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, em Belém, a publicação do Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) na Amazônia Ocidental.

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A iniciativa estratégica propõe diretrizes para transformar a região em um polo de bioeconomia sustentável, capaz de ampliar a agregação de valor nos territórios, fortalecer cadeias produtivas locais e reduzir desigualdades territoriais. 

O lançamento integrou a programação do BAS 2026, realizado de 12 a 14 de maio, na capital paraense. A FAS participou do evento com a presença da superintendente-geral adjunta da instituição, Valcléia Lima, além dos gerentes do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação e de Empreendedorismo da FAS, Gabriela Sampaio e Wildney Mourão, que contribuíram com debates estratégicos sobre os caminhos da bioeconomia na Amazônia.

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Plano propõe caminhos para fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental
Plano propõe caminhos para fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental. Foto: Dirce Quintino

Liderado pela FAS em parceria com a ABDI, o PTEB abrange os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. O plano está alinhado ao Plano de Transformação Ecológica (PTE) federal e à Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENB), estruturando-se em três agendas prioritárias: bioindustrialização e biotecnologia; concessões florestais e territórios; e sistemas agroalimentares sustentáveis.

A publicação partiu de um diagnóstico técnico e de um amplo processo de escuta multissetorial, que analisou desafios históricos enfrentados pelos territórios amazônicos, como a dependência de importações, a baixa agregação de valor local, os desafios logísticos e a fragmentação institucional.

Entre os dados sistematizados, estão 230 instrumentos legais e normativos analisados, 368 iniciativas em curso mapeadas, 952 atores identificados, 200 gargalos estruturais sistematizados e 55 oportunidades de incidência, das quais 16 foram priorizadas de forma participativa.

Leia também: Desenvolvimento sustentável: como o fator social pode auxiliar na preservação ambiental?

Para Gabriela Sampaio, gerente do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da FAS, o lançamento da publicação representou um passo importante para aproximar o debate sobre bioeconomia da realidade dos territórios amazônicos.

“Pensar a bioeconomia amazônica passa por conectar floresta, ciência, indústria e os conhecimentos das populações da região. A proposta do Plano foi construída com essa proposta: contribuir para o debate sobre caminhos possíveis para que a Amazônia Ocidental e o Amapá avancem na agregação de valor em seus próprios territórios, fortalecendo cadeias produtivas locais e ampliando oportunidades a partir da floresta em pé”, afirmou Gabriela. 

Plano propõe caminhos para fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental. Foto: Dirce Quintino

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Um dos principais diferenciais do PTEB é combinar planejamento econômico, governança e estratégias voltadas à implementação da bioeconomia. O plano organiza mecanismos de governança, estratégias financeiras, indicadores de monitoramento e oportunidades de incidência voltadas à implementação prática da bioeconomia amazônica. A proposta também prevê a implantação de três a cinco hubs regionais de bioindustrialização, articulando infraestrutura local, inovação tecnológica e inclusão produtiva.

A diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Neide Freitas, destaca a relevância estratégica do projeto para a política industrial do país.

“O PTEB é a materialização da Nova Indústria Brasil na Amazônia. Não estamos falando apenas de preservação, mas de uma estratégia industrial que utiliza a inovação e a bioindustrialização para agregar valor às nossas riquezas naturais. Nosso objetivo na ABDI é transformar o potencial da biodiversidade em competitividade global, garantindo que a transição para uma economia de baixo carbono seja o motor de um novo ciclo de desenvolvimento regional, com geração de emprego qualificado e protagonismo brasileiro na agenda verde”, disse.

O documento apresenta estimativas relacionadas a impactos econômicos, sociais e ambientais de grande escala, incluindo a mobilização de R$ 12 bilhões a R$ 20 bilhões, a geração de 50 mil empregos diretos, a manutenção de 500 mil hectares de floresta em pé e o fortalecimento de bioindústrias comunitárias.

Plano propõe caminhos para fortalecer o desenvolvimento sustentável na Amazônia Ocidental. Foto: Michael Dantas

A implementação do PTEB foi organizada em horizontes progressivos. No curto prazo, estão previstas ações como formalização da governança, lançamento de editais para plantas piloto e prospecção de bioativos, estruturação de plataformas de financiamento e inteligência territorial, além da valorização da cadeias produtivas e iniciativas ligadas à sociobioeconomia amazônica.

No médio e longo prazo, o plano prevê a consolidação de hubs regionais de bioindustrialização, mecanismos de rastreabilidade, integração logística, expansão de mercados sustentáveis e escalonamento industrial de bioinsumos amazônicos.

Com a publicação, FAS e ABDI buscaram fortalecer o debate sobre caminhos de desenvolvimento para a Amazônia baseados na floresta em pé, na inovação e no protagonismo das populações amazônicas na construção de caminhos sustentáveis e resilientes para a região. 

O plano de bioeconomia está disponível no site da FAS.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

*Com informações da Fundação Amazônia Sustentável