Embrapa desenvolve pesquisa para implementar café robusta amazônico no Amapá. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP
Muito popular em Rondônia, o café robusta amazônico pode ganhar espaço também no Amapá. A Embrapa realiza uma pesquisa para avaliar a viabilidade do cultivo no estado.
O trabalho tem dois objetivos: lançar uma cultivar genuinamente amapaense e recomendar variedades já desenvolvidas pela Embrapa Rondônia que se adaptem às condições locais, considerando desenvolvimento da planta, resistência a pragas e doenças e qualidade da bebida.
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As primeiras plantações do café robusta começaram em 2022 e, em 2024, foram feitas colheitas experimentais. Os resultados definitivos devem sair em cerca de quatro anos.
O café robusta é uma das principais espécies cultivadas no mundo, tem mais cafeína, sabor mais forte e costuma ser usado em blends e cafés solúveis, diferente do arábica, que é mais suave e complexo.
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“Em pesquisa, a gente precisa de pelo menos 4, 5 anos de avaliação. Os primeiros resultados são auspiciosos. Nós conseguimos produtividade em nível experimental, em campo experimental, nas condições controladas pela Embrapa, com nossos trabalhadores que já são habituados a trabalhar com plantas. Nós conseguimos produtividades excelentes, bem maiores do que a média nacional e do que a própria média de Rondônia, que é o local de origem das plantas que nós trouxemos”, explicou Rogério Alves, pesquisador da Embrapa.
Segundo ele, o material recomendado pela Embrapa Rondônia já é utilizado em outros estados da Amazônia, como Amazonas e Acre. No Amapá, os testes buscam avaliar o desempenho das plantas e, paralelamente, desenvolver uma cultivar própria.

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“No Amazonas, no Acre, estão plantando o mesmo material. Nós resolvemos testar aqui por ser mais rápido, por ser um material que já está pronto. O nosso, que eu estou falando que nós estamos procurando lançar o Amapaense, nós vamos levar mais tempo, porque ele está sendo desenvolvido do zero, ao passo que o de Rondônia já existe, as plantas já estão prontas. Então, nós só transportamos de lá para cá, plantamos e estamos vendo como é que ele se comporta. Nós precisamos de uma série de seleção, teste, seleção e teste. Então, a gente vai levar mais tempo”, explicou.
Atualmente, a Embrapa Amapá conduz duas linhas de pesquisa:
- Um experimento seminal, com 500 plantas cultivadas a partir de sementes, das quais 20 foram selecionadas para análises, visando lançar uma cultivar genuinamente amapaense.
- Um experimento clonal, com 300 plantas de 11 cultivares já desenvolvidas pela Embrapa Rondônia, para verificar quais se adaptam melhor ao Amapá.

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A produção obtida até agora é apenas experimental, voltada para análises. A recomendação de materiais para produtores só será feita após a conclusão dos testes.
*Por Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica AP
