Representantes de Roraima participaram do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR
Representantes da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) e das forças de segurança de Roraima participaram no dia 12 de maio, em Brasília, do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa do Governo Federal que prevê investimento superior a R$ 11 bilhões no enfrentamento às facções criminosas, milícias, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e demais estruturas ligadas ao crime organizado no país.
Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o programa estabelece uma resposta integrada entre União, estados e municípios, com foco em quatro pilares: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento do sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos.
Representando Roraima, participaram do lançamento a delegada-geral da Polícia Civil de Roraima (PCRR) Simone Arruda; o diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), Herbert de Amorim Cardoso; a secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves; a comandante da Polícia Militar de Roraima (PMRR), coronel Valdeane Alves de Oliveira; e a major Valdirene Vieira.
Autoridades de Roraima prestigiaram lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR
“A adesão ao programa representa um importante avanço para o fortalecimento das ações de segurança pública em Roraima, uma vez que ela amplia a integração entre os órgãos Estaduais e Federais, fortalece o combate às organizações criminosas e contribui diretamente para o enfrentamento qualificado dos crimes transfronteiriços, garantindo mais eficiência nas operações e segurança para a população”, afirmou a secretária da Sesp, Eliane Gonçalves.
Luta contra o crime em Roraima
Durante a solenidade, o presidente destacou que o programa representa uma ofensiva direta contra a estrutura econômica e operacional das facções criminosas, com o objetivo de devolver territórios dominados pelo crime à população brasileira.
“Para Roraima, a participação no programa amplia perspectivas de acesso a investimentos em tecnologia, equipamentos especializados, fortalecimento da perícia criminal, inteligência policial, aparelhamento das forças de segurança e operações conjuntas de alta complexidade”, disse.
De acordo com Simone Arruda, a presença da cúpula da segurança pública de Roraima reforça o compromisso do Estado com o fortalecimento das ações integradas e com a modernização dos instrumentos de inteligência, repressão qualificada e investigação criminal, especialmente em uma região estratégica de fronteira.
A delegada-geral observou ainda que a atuação conjunta entre forças estaduais e Governo Federal posiciona Roraima dentro de uma política nacional de segurança pública mais robusta, com foco na desarticulação das bases financeiras e logísticas do crime organizado.
“A participação da comitiva roraimense evidencia o alinhamento institucional do estado com as novas diretrizes nacionais e reforça o compromisso das forças de segurança locais na proteção da população e no combate firme às organizações criminosas”, disse.
Entre as medidas previstas no programa estão o fortalecimento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), expansão de sistemas de investigação financeira, reforço do controle penitenciário, aquisição de equipamentos periciais, além de ações estratégicas voltadas à repressão ao tráfico internacional de armas e drogas, áreas consideradas sensíveis para estados de fronteira como Roraima.
A nova espécie de mariposa foi batizada de Pyralis papaleonei, a “mariposa Papa Leão”. Foto: Agência Andina/Editora Perú
Um grupo de cientistas europeus batizou uma nova espécie de mariposa de Pyralis papaleonei, ou “mariposa Papa Leão“, em homenagem ao chefe da Igreja Católica que completou recentemente um ano como Sumo Pontífice.
“A nova espécie é dedicada ao líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV . O pontífice é um defensor ferrenho da proteção climática e ambiental, e esperamos que sua voz sirva de exemplo para a humanidade”, escreveram os autores Peter Huemer, Lauri Kaila e Andreas H. Segerer em um artigo científico sobre a espécie.
A informação foi destacada pela agência de notícias ACI Prensa, que acrescentou que, na revista científica Nota Lepidopterologica, entomologistas observaram que a espécie foi descoberta na ilha mediterrânea de Creta. Trata-se de uma espécie de porte médio, com envergadura de aproximadamente 2 centímetros, manchas douradas e faixas brancas proeminentes.
“Além disso, devido à sua coloração e aparência geral distintas, a nova espécie pertence a um grupo de Pyralidae cujos nomes se referem a altas posições seculares ou eclesiásticas, incluindo Pyralis regalis, Pyralis imperialis, Pyralis princeps e Pyralis cardinalis”, explicaram.
Foto: Agência Andina/Editora Perú
Nomes de mariposas vão além do Papa
Segundo um comunicado do Tiroler Landesmuseum Ferdinandeum — o Museu Estadual do Tirol, localizado em Innsbruck, Áustria — as borboletas e mariposas frequentemente recebem nomes inspirados em suas características externas, localizações geográficas ou em homenagem a pessoas ilustres.
No entanto, uma tradição diferente surgiu dentro do gênero Pyralis. Já em 1775, os naturalistas e jesuítas austríacos Michael Denis e Ignaz Schiffermüller descreveram a primeira espécie do grupo como Pyralis regalis (“real”), devido à sua coloração.
Isso posteriormente deu origem a nomes semelhantes, como Pyralis princeps e Pyralis cardinalis, pertencentes à superfamília Pyraloidea, que inclui cerca de 16.000 espécies descritas em todo o mundo.
Segundo Huemer, chefe de estudos do Museu Estadual do Tirol, o processo de nomear espécies é mais do que um ato científico: é também um gesto simbólico. No caso da mariposa Papa Leão, representa um apelo ao líder da Igreja Católica para que enfatize a responsabilidade fundamental da humanidade na preservação da criação.
“Estamos enfrentando uma crise global de biodiversidade e, no entanto, apenas uma fração das espécies do mundo foi documentada cientificamente. A conservação eficaz da biodiversidade exige, antes de tudo, que as espécies sejam reconhecidas, descritas e nomeadas”, afirmou Huemer.
A importância dos animais polinizadores já é bem conhecida pelos cientistas. Ao transferirem grãos de pólen de uma flor para outra, atuam como um elo essencial na reprodução das plantas e na formação de frutos e sementes. Esse papel se mantém mesmo em atividades que envolvem o manejo humano dos ambientes naturais, como a agricultura. Agora, um novo estudo está olhando em detalhes a contribuição deles para a manutenção do bioma mais biodiverso do planeta: a floresta amazônica.
A floresta amazônica é a maior floresta tropical do mundo, guardando ainda um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Ela é considerada um sumidouro de carbono, armazenando cerca de 123 bilhões de toneladas de CO₂ em seu solo e vegetação. No entanto, queimadas, desmatamento e a própria defaunação podem colocar em risco a atuação da Amazônia na regulação climática.
Segundo a nova pesquisa, liderada por um cientista da Universidade de Utrecht, na Holanda, aproximadamente 80% das espécies de árvores amazônicas dependem de animais tanto para a atividades de polinização quanto para a dispersão de sementes.
Em contrapartida, em menos de 1% das espécies arbóreas essas etapas cruciais do ciclo de vida não envolvem a participação de animais. Essa relação de dependência torna imprescindível a interrupção da defaunação na floresta.
O pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Biociências da Unesp, câmpus de Botucatu, Caio Simões Ballarin, é um dos colaboradores da pesquisa e coautor do artigo. Ballarin explica que o levantamento foi possível graças ao engajamento de cientistas de diversas instituições, o que permitiu cruzar grandes quantidades de dados e alcançar resultados robustos.
Além dos dois já citados, a iniciativa reúne especialistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, do Instituto Tecnológico Vale, da Universidad de los Andes (Colômbia), da Universidade de Turku (Finlândia) e do instituto de pesquisa neozelandês Landcare Research.
Estudo abrangeu 94% das espécies árvores que habitam a Amazônia
No total, foram obtidos dados de visitação floral relativos a 5.201 espécies de árvores amazônicas. Esse número correspondente a 50% de todas as espécies de árvores conhecidas, e 94% de todos as espécies que se estima habitarem a Amazônia.
Apesar da dimensão e importância da floresta amazônica, havia ainda poucos dados sobre polinização na região em comparação a outros biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica. Uma das dificuldades, explica Ballarin, é a altura das árvores na Amazônia.
“As flores e frutos das árvores da Amazônia encontram-se, normalmente, no topo, quase no céu”, diz ele, “enquanto o Cerrado, por exemplo, é um sistema campestre e savânico, facilitando a observação das espécies.
A Mata Atlântica também se caracteriza por florestas fechadas e grandes árvores. Porém, avalia o pesquisador da Unesp, o fato de que o bioma se situa em estados onde há grande concentração de universidades, como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, pode ser outro fator facilitador que explica a grande quantidade de estudos que já tematizaram a Mata Atlântica.
Inferindo o comportamento dos animais
Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas coletaram via literatura certos dados essenciais, como os nomes das espécies vegetais e dos animais que costumam visitá-las. No caso das espécies para as quais não havia informações documentadas foram realizadas inferências. Isso significa que os pesquisadores observaram quais recursos eram produzidos a fim de estimar quais espécies animais seriam capazes de polinizar ou fazer a dispersão de sementes daquele espécime vegetal.
“se encontrássemos uma espécie de planta que só produzia pólen, inferíamos que o visitante floral seria, majoritariamente, a abelha, porque ela é um dos únicos animais que consome pólen com frequência. Se o fruto fosse carnoso, inferíamos que mamíferos ou aves consumiam esse fruto, porque o fruto carnoso é um atrativo para esses dispersores”, exemplifica Ballarin.
Fonte: Ter Steege et al. Arte: Equipe de arte ACI
Ao final, os cientistas concluíram que as abelhas atuam como os principais agentes polinizadores das espécies da floresta amazônica (59,1%). Em seguida vem os chamados visitantes florais generalistas (39,1%) – animais que visitam diversas espécies de plantas para obter néctar e pólen, sem depender de uma única fonte. Borboletas, morcegos, besouros, entre outros, completam essa lista.
Poucos gêneros são extremamente importantes
O estudo concluiu que apenas 16 dos mais de 750 gêneros de árvores analisados respondem por metade das interações bióticas. Isso torna a defesa destes gêneros algo imprescindível para assegurar a manutenção do ciclo de vida das plantas, e também dos animais.
“Dezesseis é um número baixo. Se um destes gêneros se extinguir por completo, seja por ações humanas ou eplas mudanças climáticas, o impacto vai ser enorme”, alerta Ballarin.
Cada gênero engloba diversas espécies. O gênero Inga, por exemplo, têm entre 300 e 400 espécies, enquanto o gênero Miconia soma mais de 2 mil espécies. Segundo o artigo, quando se analisa os gêneros mais envolvidos em interações, o Inga e o Miconia se destacam, chegando a responder por mais de 2% de todas as interações.
Quando se avalia sob o prisma das populações de árvores na Amazônia envolvidas nas interações, os destaques ficam por conta dos gêneros Protium, Eschweilera, Pouteria, Ocotea, Virola e novamente o Inga. Eles estão envolvidos em mais de 2% de todas as interações.
Em contrapartida, menos de 1% das espécies arbóreas amazônicas não dependem de animais para garantir a polinização e dispersão de sementes. Nestes casos, os grãos de pólen e sementes aladas se espalham com auxílio do vento, que sopra nas árvores e carrega o material para longe da planta mãe.
Estudo é ponto de partida
O pesquisador reforça que o estudo foi feito em escala ampla, o que pode interferir na resolução dos resultados. Embora o estudo se baseie em evidências científicas e resultados já publicados anteriormente, a pesquisa inovou ao possibilitar inferências sobre o trabalho dos animais polinizadores e dispersores em espécies da floresta tropical. O estudo representa uma espécie de pontapé inicial, diz Balladin.
“São necessários estudos na Amazônia que olhem a escala local”, diz.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Carolina Fioratti
Desmatamento para garimpo na APA Triunfo do Xingu. Foto: Christian Braga/Greenpeace
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, foi a área protegida mais pressionada pela derrubada florestal na Amazônia entre janeiro e março de 2026. Nos três últimos trimestres de 2025, o território também ocupou posições na lista das 10 áreas protegidas mais pressionadas.
Os dados são do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, do Imazon, que analisa quais territórios sofrem ameaça, quando a redução florestal ocorre nos seus arredores, e quais enfrentam pressão, caracterizada pelo desmatamento em seu interior.
Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
“Ao transformar os dados de monitoramento em indicadores estratégicos, o estudo pode auxiliar governos e órgãos ambientais a otimizar recursos, direcionando equipes para os locais mais ameaçados. Ou seja, onde o crime ambiental está se aproximando, para realizar ações preventivas e impedir o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.
Entre os territórios com maior pressão, cinco são unidades de conservação estaduais, quatro são terras indígenas e apenas um é uma unidade de conservação federal.
Áreas Protegidas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)
Ranking
Nome
Categoria
Estado
1
APA Triunfo do Xingu
UCE
PA
2
TI Yanomami
TI
AM/RR
3
TI Alto Rio Negro
TI
AM
4
TI Raposa Serra do Sol
TI
RR
5
Resex Chico Mendes
UCF
AC
6
TI São Marcos
TI
RR
7
APA Arquipélago do Marajó
UCE
PA
8
APA Baixada Maranhense
UCE
MA
9
APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo)
UCE
AM
10
APA Margem Direita do Rio Negro
UCE
AM
Roraima concentrou seis das 10 áreas protegidas mais ameaçadas
Ao observar as áreas protegidas mais ameaçadas, ou seja, aquelas em que a dinâmica da destruição ocorre em suas proximidades, o estado de Roraima possui seis dos 10 territórios mais críticos. Quatro deles estão integralmente no estado e outros dois parcialmente.
No topo da lista está a Floresta Nacional (Flona) de Roraima, seguida pela Terra Indígena Waimiri Atroari, que também tem parte da área no Amazonas, e, em terceiro lugar, a Terra Indígena Wai Wai.
O estado passou a concentrar a maioria dos territórios com grau superior de ameaça em 2026 devido a uma combinação de fatores climáticos e dinâmicas regionais de uso do solo.
“Enquanto a grande parte da Amazônia Legal passa pelo período chuvoso no início do ano, Roraima apresenta um regime climatológico inverso e atravessa sua estação seca. Esse cenário facilita a prática do desmatamento e o uso do fogo, elevando os índices de devastação no primeiro trimestre de 2026”, comenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.
Áreas Protegidas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)
Ranking
Nome
Categoria
Estado
1
Flona de Roraima
UCF
RR
2
TI Waimiri Atroari
TI
AM/RR
3
TI WaiWái
TI
RR
4
TI Uru-Eu-Wau-Wau
TI
RO
5
Flona de Anauá
UCF
RR
6
Flona de Balata-Tufari
UCF
AM
7
TI Pirititi
TI
RR
8
TI Yanomami
TI
AM/RR
9
Flona do Jamanxim
UCF
PA
10
Resex do Cazumbá-Iracema
UCF
AC
Terra Indígena Yanomami sofre maior pressão no trimestre
Além de ser a segunda área protegida com maior pressão no ranking geral, o território Yanomami, localizado no Amazonas e em Roraima, ocupou a primeira posição na lista das terras indígenas mais pressionadas. Mesmo após os esforços de desintrusão realizados desde 2024 pelo Governo Federal, o local, que abriga uma população superior a 31 mil indígenas de oito povos diferentes, incluindo grupos isolados, segue com a presença do crime ambiental.
“A persistência da ilegalidade se dá por conta da existência de garimpos que utilizam estruturas menores e móveis, permitindo que os garimpeiros retornem aos ambientes explorados assim que as forças de segurança se retiram. A pressão também é favorecida pela logística clandestina de pistas de pouso dentro e no entorno da TI. Somado a isso, o aumento do desmatamento ilegal registrado em Roraima no início de 2026 intensificou os danos ambientais dentro dos limites do território originário, consolidando uma situação de alerta”, observa Bianca.
Em segundo lugar no ranking está a Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, e, em terceiro, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O relatório ainda aponta que quatro dos 10 territórios da lista (Yanomami, Alto Rio Negro, Cué-Cué/Marabitanas e Waimiri Atroari), também apareceram entre os mais pressionados no levantamento do período anterior, de outubro a dezembro de 2025, o que reforça a presença constante do desmate.
Terras Indígenas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)
Ranking
Nome
Estado
1
TI Yanomami
AM/RR
2
TI Alto Rio Negro
AM
3
TI Raposa Serra do Sol
RR
4
TI São Marcos
RR
5
TI Cué-Cué/Marabitanas
AM
6
TI Manoá/Pium
RR
7
TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra
MA
8
TI Urubu Branco
MT
9
TI Waimiri Atroari
AM/RR
10
TI Balaio
AM
Já entre as ameaçadas estão a Terra Indígena Waimiri Atroari, situada no Amazonas e em Roraima, e a Terra Indígena WaiWái, que está apenas em Roraima. Quatro dos 10 territórios mais ameaçados no intervalo também apareceram no ranking anterior: Waimiri Atroari, WaiWái, Trombetas/Mapuera e Alto Rio Guamá.
Terras Indígenas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)
Após as secas históricas registradas em 2023 e 2024, o Governo Federal antecipou ações para reduzir os efeitos de uma possível nova estiagem na Amazônia em 2026. As medidas incluem planejamento de dragagens, manutenção hidroviária, reforço da sinalização náutica e avaliação permanente das condições de navegabilidade para evitar prejuízos ao transporte de passageiros, ao abastecimento de cidades e ao fluxo de cargas na região Norte.
Rios como o Amazonas e o Solimões registraram níveis críticos nos últimos anos, comprometendo a navegação e afetando diretamente a mobilidade e o abastecimento de municípios da região. Diante desse cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) passaram a estruturar ações permanentes para períodos de seca.
O MPor, por meio da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), prepara o lançamento do Painel de Monitoramento das Hidrovias, ferramenta que permitirá acompanhar, em tempo real, as condições de navegabilidade em diferentes regiões do país. O sistema reunirá dados hidrológicos, informações operacionais e alertas estratégicos para apoiar decisões sobre dragagem, manutenção dos canais e operação logística durante eventos climáticos extremos.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a atuação antecipada é fundamental para reduzir impactos sociais e econômicos na Amazônia.
“Estamos atuando de forma preventiva para reduzir os impactos de uma possível nova seca na região. Fortalecer o acompanhamento das hidrovias e preparar previamente as ações operacionais é fundamental para garantir abastecimento, mobilidade e segurança à população que depende dos rios no dia a dia”, afirmou.
As secas registradas em 2023 e 2024 provocaram efeitos diretos no abastecimento e na mobilidade na região Norte. Municípios como Manacapuru, Tabatinga, Itacoatiara e Parintins (todos no Amazonas) registraram níveis críticos dos rios, afetando o transporte de alimentos, medicamentos e água potável, além de comprometer atividades econômicas como pesca e agricultura familiar.
Seca em Rondônia, 2023. Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO
Em Itacoatiara, o Rio Amazonas chegou a atingir 83 centímetros em 2024. Em Parintins, os níveis chegaram a 1,9 metro, menor marca registrada em 49 anos. Além das dificuldades logísticas, a estiagem provocou isolamento de comunidades ribeirinhas e indígenas e aumentou os desafios de abastecimento em municípios dependentes do transporte hidroviário.
Segundo especialistas, eventos climáticos extremos, associados ao aumento da temperatura global e à influência do fenômeno El Niño, têm ampliado os períodos de seca na Amazônia e aumentado os desafios para a navegação na região.
Monitoramento e planejamento
Para ampliar a atuação durante períodos críticos, o MPor e o Dnit vêm reforçando o planejamento das intervenções hidroviárias em pontos considerados estratégicos para a navegação. As ações incluem acompanhamento técnico contínuo das cotas dos rios, definição antecipada de trechos prioritários para dragagem e articulação com operadores logísticos da região Norte.
Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a atuação preventiva é essencial para reduzir prejuízos à população amazônica.
“A Amazônia depende diretamente dos rios para garantir abastecimento, mobilidade e integração regional. Por isso, o governo federal vem atuando de forma preventiva, com acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade e planejamento das ações necessárias para reduzir impactos à população e à logística da região”, afirmou.
Hidrovia do Rio Madeira. Foto: Divulgação/MPor
O diretor de Gestão Hidroviária, Eliezé Bulhões, destacou que a integração de dados e o acompanhamento técnico contínuo devem ampliar a rapidez das respostas operacionais em períodos críticos.
“As secas dos últimos anos mostraram a importância de ampliar o acompanhamento técnico das hidrovias e antecipar respostas operacionais. Com maior integração das informações e monitoramento contínuo, será possível identificar pontos críticos com mais rapidez e fortalecer as ações voltadas ao transporte de passageiros, cargas e abastecimento das comunidades amazônicas”, destacou.
De acordo com o diretor do Dnit, Edme Tavares, o governo federal possui atualmente contratos permanentes de manutenção hidroviária, o que amplia a capacidade de atuação em comparação aos anos anteriores. “Hoje temos uma estrutura mais preparada para agir preventivamente. Os contratos em vigor permitem maior planejamento das intervenções necessárias para manter a navegabilidade e reduzir impactos logísticos e sociais na região amazônica”, concluiu.
Simulação do fluxo da água no rio Amazonas e na região central da bacia Amazônica e suas planícies de inundação durante o pico da cheia de junho de 2009. Imagem: Alice Fassoni/UNB
O mais extenso e volumoso rio do mundo vem ganhando mais superlativos, dessa vez preocupantes. O rio Amazonaspercorre cerca de 6.900 quilômetros (km), de suas cabeceiras na cordilheira dos Andes peruana ao oceano Atlântico, formando a maior bacia hidrográfica do mundo. No município de Óbidos, no Pará, a 800 km de sua foz, a vazão média do rio chegou a 160 mil metros cúbicos por segundo (m³/s) — um valor comparável à soma dos outros sete rios mais caudalosos do planeta.
Durante três a oito meses por ano, o Amazonas inunda vastas áreas de sua várzea, entre 10 km e 100 km de largura, levando sedimentos e nutrientes para florestas, zonas rurais e urbanas por meio de uma rede intrincada de canais e lagos adjacentes. Nas últimas décadas, porém, o rio vem sofrendo com secas e inundações cada vez mais extremas.
Durante as grandes enchentes de 2009 e 2021, na planície alagada, também chamada de várzea ou planície de inundação, de Parintins, no estado do Amazonas, a vazão quebrou recordes históricos, ultrapassando os 40 mil m³/s — quase a mesma vazão média do Congo, o principal rio da segunda maior bacia hidrográfica do mundo, na África.
Essa é uma das conclusões de um estudo realizado por uma equipe de hidrólogos do Brasil, França e Reino Unido, que combinou medidas do nível e da vazão do rio, imagens de satélite e modelos computacionais para reconstituir o histórico até então desconhecido do fluxo das águas em quatro planícies de inundação do baixo Amazonas, entre os municípios de Manaus, no Amazonas, e Santarém, no Pará, durante os anos de 1970 a 2023.
A pesquisa liderada pela hidróloga Alice Fassoni de Andrade, da Universidade de Brasília (UnB), mostrou mudanças surpreendentes nessa região a partir de 2005. Entre esse ano e 2023, a vazão do rio aumentou 4,7% em relação ao período de 1970 a 2004. O aumento registrado na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém, em frente a Óbidos, chegou a 60% — um aumento relativo 13 vezes maior, cujas consequências para a floresta de várzea e as comunidades ribeirinhas ainda precisam ser mais bem compreendidas.
“Já havia estudos mostrando o aumento da vazão no rio, mas não nas planícies”, conta Andrade. Sua pesquisa começou ainda durante seu doutorado, defendido em 2020, sob orientação do hidrólogo Rodrigo de Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coautor do artigo publicado em março na Environmental Research Letters.
Andrade dedicou o capítulo final de sua tese ao desenvolvimento de um modelo computacional de um trecho de 1.100 km do rio Amazonas, com uma área de quase 40 mil quilômetros quadrados (km²), entre as confluências com o rio Negro, na altura de Manaus, e com o rio Xingu, em Porto de Moz, a leste de Santarém, a partir do relevo estimado por imagens de satélites, como os da série Landsat, da agência espacial norte-americana (Nasa). Modelos como esse são comuns em hidrologia, mas detalhando regiões bem menores.
“Não existem muitos exemplos no mundo de um modelo tão sofisticado”, afirma Paiva.
Casas e moradores da planície inundável do Lago Grande de Curuai, em Santarém (PA), durante a cheia de junho de 2022. Fotos: Alice Fassoni /UNB
Medir a vazão de um rio tão grande é uma tarefa complexa. Entre Manaus e Santarém, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mantém algumas estações fluviométricas que monitoram continuamente o nível do Amazonas. Nas estações de Porto de Manaus, esse monitoramento remonta a 1902.
Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) medem a vazão diretamente apenas algumas vezes por ano, utilizando um equipamento chamado de perfilador acústico de correntes por efeito Doppler (ADCP), que usa pulsos de ultrassom para determinar a velocidade da água em diferentes profundidades. Os hidrólogos usam essas medidas para calibrar a chamada curva-chave, uma relação matemática entre a vazão e o nível medido pelas estações, que permite estimar a vazão do rio e da várzea em qualquer momento.
O modelo de Andrade utilizou essas estimativas de vazão do Amazonas e aquelas dos rios tributários, obtidas a partir de outro modelo de toda a bacia amazônica, desenvolvido anteriormente por Paiva e outros pesquisadores da UFRGS. A partir desses dados, o modelo usou as equações da hidrodinâmica para simular o escoamento de água pela região em duas dimensões, entre os anos de 2008 e 2010. Com uma resolução espacial de 400 metros, a simulação demorou dias para ser concluída em um computador do tipo workstation.
Durante a defesa de tese de Andrade, um dos membros da banca, o hidrólogo Walter Collischonn, também da UFRGS, foi o primeiro a notar que o modelo sugeria um fluxo muito elevado sobre as planícies de inundação, comparável ao de um grande rio. Em 2022, trabalhando em outro projeto, Andrade participou de uma expedição do SBG para medir a vazão na planície do Lago Grande do Curuai, durante o pico da cheia, em junho.
A pesquisadora estava com o hidrólogo Ayan Fleischmann, ex-aluno de doutorado de Collischonn e atualmente no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé, Amazonas. A vazão medida em Curuai chegou quase a 17 mil m³/s — a mesma vazão média do Mississippi, o maior rio da América do Norte. Mais tarde, descobriram que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já haviam feito medidas semelhantes no mesmo local, registrando 19 mil m³/s, em junho de 2006, e 12 mil m³/s, em julho de 2014.
Imagem: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP
Foi o que motivou a equipe a criar curvas-chave, relacionando os resultados do modelo de Andrade aos dados das estações fluviométricas entre 1970 e 2023, para estimar o histórico das vazões nas maiores planícies de inundação desse trecho do rio, com 40 a 50 km de largura: Jatuarana, em Manaus; Parintins, em Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre, em Monte Alegre, no Pará.
Os resultados mostraram que pequenas mudanças na vazão do rio ao longo de décadas foram amplificadas em até 13 vezes nas planícies de inundação.
“Diante disso, propomos que é necessário monitorar continuamente os fluxos de água nas planícies, o que ainda não é feito”, afirma Andrade.
De acordo com os pesquisadores, o aumento não linear nos fluxos do rio e nas planícies depende de variáveis como profundidade, largura, declividade e resistência da vegetação, que freia as correntezas. Para ajudar a entender como pequenas variações no rio podem provocar grandes alterações na planície, Andrade dá um exemplo envolvendo apenas profundidade. “Se a profundidade de um rio aumenta de 50 para 55 metros [m], o aumento relativo é de 10%”, ela explica. “Agora, se o nível da água na planície, que é mais rasa que o rio, sobe de 2 para 7 m, o aumento relativo é de 250%.”
“É um trabalho muito importante”, considera o ecólogo Jochen Schöngart, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, que não participou da pesquisa. De acordo com ele, o aumento observado da vazão nas várzeas vai ao encontro das conclusões de outros estudos, mostrando uma intensificação do ciclo hidrológico da bacia amazônica no século XXI. Dados da estação de Porto de Manaus revelam um aumento de 18% na diferença entre o nível mínimo e máximo do Amazonas em relação ao século anterior.
Essa tendência de secas e cheias cada vez mais intensas também está registrada em diferenças nos anéis de crescimento de árvores, como a arapari (Macrolobium acaciifolium) e o cedro-cheiroso (Cedrela odorata). Em 2025, uma equipe de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, da qual Schöngart fez parte, publicou uma análise de isótopos estáveis de oxigênio nessas espécies, mostrando o aumento da precipitação na estação chuvosa e a diminuição das chuvas no período seco, durante os últimos 40 anos.
Sem as plantas e árvores da várzea, o impacto das cheias seria ainda maior
Paiva explica que essa intensificação de secas e inundações na Amazônia é prevista pelos modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que levam em conta o aquecimento global provocado pelo aumento das emissões de gases estufa. Esses modelos também indicam um aumento das chuvas no noroeste da bacia amazônica, no Peru e na Bolívia, juntamente com uma redução no sul, o que pode afetar afluentes importantes como os rios Tapajós e Xingu. “Existe muita incerteza sobre como essa combinação de mudanças no regime de chuvas vai afetar o Amazonas no futuro”, ele explica.
A metodologia do estudo das várzeas não permitiu analisar períodos de seca com precisão, mas outras pesquisas envolvendo colaboradores da equipe conseguiram avaliar, por meio de imagens de satélite, os impactos da seca recorde de 2023. Um estudo liderado por Fleischmann mostrou que a seca, combinada a uma onda de calor, elevou perigosamente as temperaturas dos lagos da Amazônia Central.
As águas do lago Tefé chegaram a 41 graus Celsius, provocando a morte de mais de 200 botos vermelhos (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis) (ver Pesquisa FAPESP nº 358). Já um estudo coordenado pelo hidrólogo Daniel Maciel, do Inpe, revelou uma redução de 8% na superfície coberta por água da Amazônia Central durante os piores meses da seca, em relação à média de anos anteriores, com alguns lagos encolhendo em até 80%. Em contraste, outro estudo liderado por Fleischmann mostrou que a extensão máxima de todas as áreas alagadas durante enchentes do Amazonas aumentou 26% desde 1980.
“O estudo de Andrade mostra que enchentes muito intensas não causam impactos apenas por atingirem níveis elevados de água, mas também porque aumentam a velocidade com que a água se movimenta dentro das planícies de inundação”, comenta o ecólogo Leandro Castello, do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia, Estados Unidos, especialista em peixes da Amazônia, que não participou da pesquisa. “O aumento da velocidade da água tende a acelerar os processos de erosão, o transporte de sedimentos e de matéria orgânica, especialmente detritos, folhas, frutos e pequenos organismos que caem das árvores.”
“Ainda é difícil prever com precisão como o aumento da velocidade da água afetará os peixes”, avalia Castello. Ele lembra que muitas espécies podem ter dificuldades, como o pirarucu (Arapaima gigas), o tucunaré (Cichla spp.) e o acará-açu (Astronotus ocellatus), que vivem geralmente em lagos e dependem de áreas com correnteza mais lenta, onde se alimentam de frutos e outros itens que caem das árvores inundadas. Mas outras espécies talvez possam ser beneficiadas pelas novas condições.
Schöngart lembra da importância das plantas aquáticas e das árvores da várzea em absorver a força das águas. Sem elas, o impacto das cheias extremas para as populações ribeirinhas seria ainda maior. Estima-se que um sexto da biodiversidade de árvores da Amazônia venha da floresta de várzea, que por sua vez é cercada por uma grande abundância de espécies de gramíneas e outras plantas aquáticas, como o aguapé (Eichhornia crassipes). Entretanto, poucas áreas da várzea do Amazonas estão protegidas por unidades de conservação.
Entender melhor como a aceleração das cheias afeta a biodiversidade e as populações é um dos objetivos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Rede de Paisagens Úmidas Brasileiras, criado em 2025 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e coordenado por Schöngart. Andrade faz parte de um dos projetos interdisciplinares do instituto, coordenado por Fleischmann e o ecólogo Rafael Magalhães Rabelo, também do Instituto Mamirauá.
O objetivo desse projeto de pesquisa é propor um zoneamento ecológico-econômico da várzea da Amazônia Central, mapeando as vulnerabilidades e a resiliência de cada macro hábitat da região frente a secas e cheias extremas, cada vez mais comuns na região.
“Vamos fornecer informações relevantes para políticas públicas voltadas à conservação da várzea”, afirma Schöngart.
Com prédio próprio, a UBS Dr. Robério Ribeiro amplia os atendimentos e garante mais conforto aos usuários. Foto: Francisco Sena/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista inaugurou, na manhã desta terça-feira, 12, a nova Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Tereza. Com capacidade para mais de 4 mil atendimentos por mês, a UBS Dr. Robério Ribeiro passa a garantir mais conforto e estrutura em um prédio próprio, além de ampliar os serviços de saúde oferecidos aos usuários.
A nova estrutura também beneficiará moradores de diversos bairros da região, garantindo mais comodidade e melhorias no acesso aos serviços.
“Essa UBS vai atender moradores não apenas do Santa Tereza, mas também de localidades próximas, como Piscicultura, Jardim Primavera e bairros vizinhos. Isso significa um atendimento mais próximo da comunidade e mais qualidade de vida para a população”, completou Zeitoune.
“Tudo lindo aqui, esperamos por esse momento e agora estou feliz”, disse Maridalva. Foto: Francisco Sena/PMBV
Mais conforto e acesso à saúde
Para os moradores da região, a nova unidade representa mais comodidade e qualidade no atendimento. Maridalva Silva vive no bairro Santa Tereza há 20 anos e celebrou a inauguração. “Eu estava ansiosa por esse dia, porque quem mora aqui há tanto tempo merece uma unidade mais confortável, principalmente para quem trabalha e precisa de atendimento”, afirmou.
A agente comunitária de saúde (ACS) Poliana Souza destacou que a nova unidade proporciona um atendimento mais humanizado aos moradores.
“Estou há 13 anos na UBS e moro no bairro há 35 anos. Esperávamos por esse momento para ampliar os atendimentos à população, com mais humanidade e acesso. As expectativas agora são as melhores”, declarou.
Andreina Perdomo é atendida na UBS há nove anos. Com o filho Elian, de 8 meses, nos braços, ela relembrou o acolhimento que recebeu ao longo desse período. “Sempre fui muito bem tratada por toda a equipe. Tenho minha ACS, que nos acompanha e sempre nos ajuda. Fiz todo o meu pré-natal na UBS e, quando fui diagnosticada com diabetes gestacional, também fiz exames e acompanhamento por lá. O atendimento sempre foi ótimo e agora, com certeza, vai melhorar ainda mais”, destacou.
Poliana Souza (1ª da esquerda para a direita) é ACS da unidade há 13 anos. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Valorização dos profissionais da saúde
No Dia Internacional da Enfermagem, celebrado nesta terça-feira, 12, a enfermeira Giliane Silva definiu a inauguração da UBS como um presente para os profissionais e para a população. Segundo ela, a nova estrutura proporciona mais conforto e melhores condições de atendimento.
“Receber uma UBS nova justamente no Dia do Enfermeiro é um presente maravilhoso, tanto para nós, profissionais, quanto para a população. É um espaço mais confortável, que permite um atendimento mais humanizado e acolhedor”, ressaltou.
Com 19 anos de atuação na área, Giliane também reforçou a importância da enfermagem no sistema de saúde e o compromisso diário da categoria com os pacientes. “É a maior categoria profissional da saúde e está presente em todos os momentos da vida das pessoas, do nascimento aos cuidados finais. Tenho muito orgulho de exercer essa profissão com amor, dedicação e responsabilidade”, disse.
Andreina Perdomo com o filho Elian, de 8 meses. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Homenageado
A nova UBS leva o nome do cirurgião-dentista Robério Ribeiro. Especialista em periodontia e implantodontia, ele foi transferido para Boa Vista na década de 1980, onde exerceu a odontologia em diversas unidades de saúde, como São Pedro, 31 de Março, Raiar do Sol, São Vicente, Pricumã e Nova Cidade.
Durante a inauguração, o filho do homenageado, Robério Ribeiro Júnior, agradeceu a homenagem que eterniza o nome do pai em uma unidade de saúde de Boa Vista.
“Meu pai foi um homem simples, sem vaidade, e dedicou 37 anos da carreira odontológica a Boa Vista. O legado dele está sendo lembrado hoje, e isso é motivo de extrema gratidão para mim e toda a nossa família. Agradeço imensamente o carinho dedicado ao meu pai e quero dizer que o legado dele será lembrado para sempre”, afirmou.
Abertura da Semana de Enfermagem, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata, no campus IV da Uepa, em Belém, que teve como discussão Saúde Ambiental entre ribeirinhos. Foto: Divulgação/ Uepa
Práticas e experiências cotidianas entre ribeirinhos também constroem saber. A pesquisa “Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense”, desenvolvida por estudantes do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), analisou como o conhecimento sobre saúde ambiental repercute no dia a dia dessa população.
O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi feito pelas alunas Élida Fernanda Rêgo de Andrade e Sandy Isabelly Osório de Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata (EEMB), campus IV da Uepa, e coorientação da enfermeira Ana Kedma Correa Pinheiro.
Estudos como esse potencializam a produção científica e o papel da instituição, que promove, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026. O evento tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica e incentivar a pesquisa, e traz como tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, marcando também o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio.
Semana de Enfermagem da Uepa fortalece a formação acadêmica e incentiva a pesquisa, a ética e avanços da profissão. Foto: Divulgação/Uepa
Além de fortalecer a formação acadêmica, o estudo trata do letramento em saúde ambiental (LSA) no cotidiano de ribeirinhos da Amazônia paraense, com foco na prevenção de doenças e proteção ambiental e contribuem para a compreensão de práticas em saúde mais sensíveis às realidades locais. Na Uepa, a pesquisa recebeu o primeiro lugar do Prêmio Melhor TCC 2024/2025 do curso de enfermagem.
As alunas desenvolveram um estudo descritivo e qualitativo realizado na Unidade Municipal de Saúde da Ilha de Cotijuba, em Belém, e os dados foram coletados por meio de entrevistas. Participaram 29 ribeirinhos, a maioria do sexo feminino (82,76%), com idade média de 46 anos e renda familiar de até um salário mínimo.
De acordo com o estudo, as populações ribeirinhas enfrentam inúmeras necessidades, mas mantêm um modo de vida próprio, junto à natureza e orientado pela herança de saberes socioculturais que influenciam o cotidiano, as relações e os cuidados em saúde.
O Letramento em Saúde Ambiental refere-se à capacidade de compreender a relação entre ambiente e saúde e o uso desse conhecimento nas decisões cotidianas, como na identificação de mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, associando a impactos na saúde e ajustando práticas.
Estudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhas. Foto: Reprodução/Uepa
Além do acesso à informação, a prática ribeirinha envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto sociocultural, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde individual e coletiva, explicou a aluna Élida Andrade. Esses conhecimentos articulam práticas e noções de saúde, influenciadas por crenças e experiências locais, que orientam a forma como os ribeirinhos reconhecem riscos e adotam estratégias de cuidado e prevenção.
Resultados
A pesquisa indica que os ribeirinhos associam saúde ambiental à limpeza e ao bem-estar, recorrendo à queima de lixo na ausência de coleta pública, apesar dos riscos à saúde. A preservação é vista como essencial ao sustento, enquanto a degradação ambiental é reconhecida como causa de doenças respiratórias e infecciosas, como leptospirose e dengue.
Moradores da Ilha de Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidiano. Foto: Reprodução/Agência Pará
Os moradores também relataram abandono do poder público e impactos negativos do turismo, sobretudo pela poluição trazida à ilha. As práticas de prevenção entre os ribeirinhos incluem o cuidado com a higiene da água e a eliminação de criadouros de mosquitos, ao mesmo tempo em que apontam desigualdades no acesso à informação, onde parte da população utiliza internet e celular, enquanto outra enfrenta limitações por falta de recursos e infraestrutura.
“Durante a pesquisa, observamos alguns desafios vivenciados por eles, como o acesso limitado aos serviços de saúde e educação, o que dificulta a circulação de informações qualificadas, além da vulnerabilidade socioeconômica e das desigualdades estruturais presentes nesses territórios. Também se observou que, em alguns momentos, essas comunidades são impactadas por ações de visitantes e turistas que, embora contribuam para a economia e a visibilidade local, foram associados ao descarte inadequado de lixo, com repercussões negativas para o ambiente e a qualidade de vida”, disse a aluna Sandy Sousa.
Foto: Divulgação
O estudo ressaltou também o papel do enfermeiro como educador e a necessidade de ações e estratégias de educação em saúde culturalmente adaptadas para empoderar essas comunidades e fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida.
A pesquisa foi desenvolvida por meio de bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e também já foi publicada na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (REEUSP), e pode ser acessada aqui. A revista é classificada como Qualis A, reconhecida pelo seu alto rigor científico e impacto na área.
Semana de Enfermagem 2026
A Escola de Enfermagem Magalhães Barata realiza, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026 (SENF 2026). O evento tem o tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, e é promovido pela Coordenação do curso de enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Centro acadêmico (Caenf). A programação reúne atividades voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica, ao incentivo da produção científica e à promoção de reflexões sobre a enfermagem na sociedade.
A semana vai ter mesa redonda, mostra científica, oficinas e cursos intensivos preparatórios para residências multiprofissionais, apresentação cultural e palestras. A SENF 2026 se propõe como espaço de integração entre ensino, serviço e comunidade acadêmica para promover o aprimoramento técnico-científico e a troca de experiências. Outras informações, programação completa e inscrições disponíveis neste link.
“A SENF 2026 reunirá estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da comunidade acadêmica em torno da formação, da ciência e do fortalecimento da profissão. O tema convida à reflexão sobre os pilares da enfermagem contemporânea: excelência técnica, compromisso ético e protagonismo político”, destacou a professora e coordenadora do Campus IV, Maridalva Leite.
Para estimular a solidariedade, o evento também vai contar com uma campanha de doação de sangue no dia 13 de maio, das 9h às 16h, no campus IV, com direito à certificação para os participantes. O pré-cadastro pode ser feito nesta página e cada doação pode salvar até quatro vidas. Entre os parceiros da campanha de doação de sangue estão a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Anatomia e Fisiologia ( LAMAF) e o Hemopa. A EEMB fica localizada na Avenida José Bonifácio 1289, bairro do Guamá, em Belém.
Docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apresentou a utilização da fibra do caroço do açaí durante o ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP). Foto: Divulgação/UEA
O desenvolvimento de um processo produtivo que utiliza a fibra do resíduo do caroço do açaí na fabricação de painéis de MDF ecológicos, possibilitando a substituição de painéis convencionais, foi apresentado pelo Prof. Dr. Antonio Mesquita, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), durante o painel ‘A natureza e as comunidades tradicionais como parceiras de negócios regenerativos na Amazônia’.
A apresentação ocorreu no ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP), campus Butantã, no dia 11 de maio, e discutiu como a inovação pode emergir da integração entre conhecimento científico, saberes tradicionais e a dinâmica dos ecossistemas naturais.
O painel proposto pela Prof.ª Dra. Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso (FIA Business School, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Cepid Bridge) reuniu os painelistas Prof. Dr. Antonio de Lima Mesquita (UEA), Cinthia Souto (Soul ESGS) e Olinda Canhoto (Fundação Paulo Feitoza-FPFtech), sob mediação da Prof.ª Dra. Aline Homrich (Centro Universitário FEI e Cepid Bridge).
Fibra do caroço do açaí, uma solução ecológica
O projeto apresentado pelo professor Antônio Mesquita é considerado uma das principais alternativas econômicas que possibilita uma nova forma na decoração de móveis e divisórias. Os painéis ecológicos não utilizam resinas tóxicas nem depende de plantações de árvores para a confecção.
As estruturas são confeccionadas a partir de partículas provenientes de fibras vegetais da Amazônia, por meio de rejeitos de frutos agroindustriais, como é o caso do caroço do açaí.
Projeto da roda-gigante. Imagem: Divulgação/MT Par
Você sabia que Mato Grosso terá a maior roda-gigante da América Latina? A atração turística ainda não tem data de inauguração, mas as peças para sua construção tem chegado aos poucos no espaço do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. Com mais de 70 toneladas e 16 metros de comprimento, a peça foi fabricada na China, desembarcou no Porto de Santos (São Paulo) em fevereiro, e seguiu até Cuiabá por transporte terrestre, em carreta escoltada por batedores.
Segundo o Governo de Mato Grosso, responsável pela obra por meio da MT Participações e Projetos (MT Par), as demais peças tem sido entregues de forma gradual.
No total, a roda-gigante conta com 42 cabines, cada uma com capacidade para até seis pessoas, totalizando 210 visitantes por giro. Ela será instalada no canteiro central do Parque Novo Mato Grosso e, devido à sua dimensão e localização estratégica, poderá ser vista de vários pontos da cidade, inclusive da região central de Cuiabá e de Chapada dos Guimarães.
“Trata-se de um atrativo grandioso, acessível à população e que proporcionará uma vista panorâmica privilegiada da cidade. No Parque Novo Mato Grosso, ela integrará um conjunto de atrações como pistas de skate, motocross, kart e automobilismo, ampliando as opções de lazer, entretenimento e esporte”, destacou Wener Santos, presidente da MT Par, durante a entrega de partes da atração em fevereiro.
A estrutura da roda-gigante ocupará uma área construída de 1.000,37 m², distribuída em três níveis: térreo, primeiro pavimento e cobertura, sendo esta última destinada ao embarque dos visitantes.
Roda-gigante é parte do projeto Parque Novo Mato Grosso
Segundo o governo mato-grossense, o objetivo é que o Parque Novo Mato Grosso seja o maior espaço multieventos da América Latina e está em construção a 8 km de Cuiabá, na rodovia de acesso à Chapada dos Guimarães. Com 300 hectares de área, o empreendimento tem como objetivo impulsionar o esporte, os negócios e o turismo em todo o estado.
A operação logística do projeto da roda-gigante, conduzido pela Allog e Comexport, envolveu o transporte da estrutura desde a China até o Porto de Santos, etapa crítica e essencial para viabilizar a continuidade até seu destino final.
A operação foi estruturada em quatro embarques marítimos, reunindo estruturas metálicas de grande porte, cabines de vidro e componentes eletrônicos que darão forma à atração.
@govmatogrosso A MAIOR RODA GIGANTE DA AMÉRICA LATINA! 😱🎡 Ela vai brilhar no coração do Parque Novo Mato Grosso, o novo destino de lazer e entretenimento do Estado! 💕 👉🏼 Com peças que já começaram a desembarcar no Brasil e que em breve chegarão a Cuiabá, a superestrutura será montada bem no centro da rotatória do parque e promete entregar um visual incrível! 👉🏼 O parque será o maior complexo de lazer da América Latina, com atrações para todas as idades, espaços verdes, áreas de convivência e muita diversão para toda a família. É o GovMT trazendo mais lazer e colocando Mato Grosso na rota dos grandes destinos do Brasil! 🏞️ #turismobrasil#turismo#brasil#matogrosso_brasil#matogrosso#turismobrasileiro#rodagigante♬ som original – Governo de Mato Grosso
Diferentes modais para uma mesma operação
Devido ao grande volume da carga e à dinâmica da produção na fábrica, a operação foi estruturada em quatro embarques distintos. As estruturas metálicas de maior dimensão foram embarcadas como carga break bulk pelo porto de Taicang, enquanto as cabines e componentes menores seguiram em containers flat rack e contêineres fechados pelo porto de Shanghai.
Segundo Carolina Frei, gerente de Contas de Carga Projeto do Grupo Allog, essa estratégia foi essencial para viabilizar o transporte de peças superdimensionadas, otimizar prazos e garantir maior eficiência na consolidação da carga.
Peças da roda-gigante chegam aos poucos. Foto: Dan Lima/MT Par
O desafio do eixo central
Entre os itens transportados, destacou-se o eixo central da roda-gigante, peça fundamental para a sustentação da estrutura. Com cerca de 16 metros de comprimento e aproximadamente 70 toneladas, o componente exigiu planejamento específico de içamento, análise técnica da distribuição de peso e acompanhamento especializado durante todas as etapas do embarque.
Além das dimensões e do peso das cargas, o projeto também enfrentou prazos desafiadores e condições climáticas adversas na origem. Durante o verão chinês, as altas temperaturas exigiram ajustes operacionais, com parte das atividades sendo realizadas em horários alternativos para garantir segurança e eficiência.
*Com informações do Governo do Tocantins e da Assessoria de Comunicação GRUPO ALLOG