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Conta Um Conto 2026 encerra inscrições com participação de jovens de municípios do Amazonas e estados da Região Norte

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Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) encerrou, neste sábado (17/05), às 23h59, as inscrições para a edição 2026 do concurso cultural Conta Um Conto. Ao todo, a iniciativa contabilizou 235 inscritos nas categorias Amazonas e Amazônia, consolidando o alcance regional do projeto e reforçando o interesse crescente de jovens da Região Norte por ações voltadas à produção literária, criatividade e formação cidadã.

Com o tema “O Conto, a Amazônia e a Agenda 2030”, a edição deste ano fortalece o posicionamento estratégico do projeto ao integrar literatura, educação e sustentabilidade em uma mesma proposta pedagógica. A iniciativa estimula estudantes a desenvolverem narrativas autorais inspiradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conectando reflexões sociais, ambientais, econômicas e educacionais aos desafios e potencialidades da Amazônia contemporânea.

Participação regional fortalece diversidade de narrativas amazônicas

Na categoria Amazonas, o concurso recebeu inscrições de estudantes dos municípios de Manaus, Iranduba, Tefé, Boca do Acre, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Parintins e São Sebastião do Uatumã. A participação de diferentes localidades evidencia o alcance territorial da iniciativa e reforça o compromisso da Fundação Rede Amazônica com a democratização do acesso à cultura, à leitura e à produção textual.

Já na categoria Amazônia, destinada a participantes de outros estados da Região Norte, o projeto registrou inscrições de estudantes do Acre, Amapá e Rondônia. A presença de representantes de diferentes estados amplia o intercâmbio cultural entre jovens amazônidas e fortalece a valorização das múltiplas identidades, experiências e perspectivas presentes na região.

Literatura, sustentabilidade e formação cidadã

Ao conectar a produção literária à Agenda 2030, o Conta Um Conto amplia seu impacto educacional e social ao estimular o pensamento crítico e a construção de narrativas alinhadas aos desafios do desenvolvimento sustentável. A proposta contribui para que os participantes reflitam sobre temas relevantes para a Amazônia, utilizando a escrita como ferramenta de expressão, conscientização e transformação social.

A iniciativa também reforça o papel da educação e da cultura na formação de jovens mais conscientes, criativos e preparados para contribuir com o desenvolvimento de seus territórios. Além de incentivar o hábito da leitura e da escrita, o concurso promove o protagonismo juvenil e valoriza talentos emergentes da Região Norte.

Reconhecimento e valorização de novos talentos

O concurso é destinado a estudantes de 11 a 17 anos, matriculados no Ensino Fundamental II e Ensino Médio da rede pública dos estados da Região Norte. Em cada categoria, serão reconhecidos estudantes das duas etapas de ensino, fortalecendo o compromisso da iniciativa com o incentivo à educação e à valorização de novos talentos literários da Amazônia.

Os vencedores receberão tablets e serão homenageados em cerimônia oficial prevista para ocorrer entre os dias 01 e 03 de julho de 2026, além de terem seus trabalhos divulgados nos canais institucionais da Fundação Rede Amazônica.

O Conta Um Conto é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Colégio Lato Sensu e MSP Estúdios.

Por Pauline Lima, da FRAM

Santarém recebe primeiro museu virtual do Oeste do Pará

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Foto: Divulgação/SEMC

O Museu Virtual do Patrimônio Arqueológico Amazônida foi lançado durante a cerimônia de reabertura do Centro Cultural João Fona, realizada no dia 15 de maio, consolidando a criação do primeiro museu virtual do Oeste do Pará.

A iniciativa une tecnologia, pesquisa e educação patrimonial para ampliar o acesso ao patrimônio histórico amazônico e fortalecer a preservação da memória ancestral da região.

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Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores e profissionais das áreas de arqueologia, história, antropologia, museologia, tecnologia e ilustração, o projeto disponibiliza gratuitamente ao público um acervo arqueológico digital e interativo.

Santarém recebe primeiro museu virtual do Oeste do Pará e amplia acesso ao patrimônio arqueológico amazônico
Foto: Divulgação/SEMC

Museu virtual reúne memória ancestral

A plataforma projeta, no ambiente virtual, a memória de povos que habitam o território amazônico há mais de três mil anos, aproximando a população de importantes registros históricos e culturais da região.

A iniciativa é apoiada pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e passa a integrar o cenário da inovação cultural no Brasil ao transformar pesquisas científicas em uma experiência digital acessível, educativa e inclusiva. O lançamento também integra as ações de revitalização do Centro Cultural João Fona, espaço que inspirou a criação do projeto.

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Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, o projeto representa um importante avanço na democratização do acesso ao patrimônio histórico e cultural da Amazônia, especialmente para pessoas que vivem em localidades mais distantes e que nem sempre conseguem visitar presencialmente os espaços culturais do município.

“Esse projeto amplia o alcance da nossa memória e do nosso patrimônio arqueológico, permitindo que mais pessoas tenham acesso a esse conhecimento, inclusive moradores de comunidades mais afastadas e estudantes que muitas vezes não conseguem visitar o Centro Cultural João Fona presencialmente. É uma iniciativa que aproxima a população da sua própria história e fortalece o sentimento de pertencimento e valorização da cultura amazônica”, destacou a secretária.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Amazônia em Xeque: o papel estratégico das Forças Armadas na defesa ambiental e da soberania

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Foto: Reprodução/Arquivo Agência Brasil

*Por Helder Guimarães

A Amazônia, coração pulsante do Brasil e do planeta, enfrenta desafios sem precedentes que ameaçam sua integridade ambiental, a segurança de suas populações e a própria soberania nacional. A crise climática global, com suas manifestações cada vez mais severas, como eventos extremos e alterações nos padrões ambientais, intensifica a vulnerabilidade da região. Paralelamente, a Amazônia é palco de uma complexa rede de ilícitos que corroem o tecido social e ambiental, exigindo uma resposta robusta e coordenada do Estado brasileiro. Neste cenário crítico, o papel das Forças Armadas emerge como um pilar fundamental, não apenas na defesa territorial, mas também na garantia da lei e da ordem e na proteção do meio ambiente, conforme preceituado pela Constituição Federal de 1988.

A vastidão e a riqueza natural da Amazônia a tornam um alvo constante para atividades criminosas. O desmatamento ilegal e a grilagem de terras avançam, impulsionados pela apropriação indevida de áreas públicas para exploração econômica, como a agropecuária e a mineração ilegais. Essas práticas não só destroem a floresta, mas também geram conflitos agrários e violência no campo, deslocando comunidades tradicionais e indígenas. O garimpo ilegal, por sua vez, além de devastar ecossistemas, contamina rios e populações com mercúrio, um metal pesado altamente tóxico, causando graves problemas de saúde pública e desequilíbrio ambiental.

O tráfico de fauna e flora, juntamente com a biopirataria, exploram a vasta biodiversidade da região, gerando perdas incalculáveis para o patrimônio natural e cultural do Brasil, desrespeitando conhecimentos tradicionais e ameaçando espécies à extinção. Todas essas atividades ilícitas estão interligadas e são frequentemente financiadas por redes de crime organizado, especialmente aquelas dedicadas ao narcotráfico, que se aproveitam da complexidade geográfica e da fragilidade da presença estatal em muitas áreas para operar com impunidade.

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A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 142, estabelece que as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. No contexto amazônico, a prerrogativa constitucional da garantia e da lei e da ordem confere às Forças Armadas um papel duplo na proteção da Amazônia: a defesa da soberania brasileira implica não só a defesa das fronteiras, mas também está diretamente ligada à proteção do meio ambiente e dos recursos naturais, que são patrimônios da União e essenciais para a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável do país.

Software sobre propriedade intelectual foi desenvolvido na ufam - manaus, amazonas, amazônia
Foto: Reprodução/Ufam

Leia também: Comando Conjunto Harpia intensifica presença das Forças Armadas na Amazônia

Mas as Forças Armadas não são as protagonistas, nem atuam sozinhas na proteção da Amazônia. A Lei Complementar 140, de 2011, que fixa normas para a cooperação entre os entes federativos nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção do meio ambiente, reforça a necessidade de uma atuação integrada.

Embora não se refira diretamente às Forças Armadas, ela estabelece o arcabouço para a gestão ambiental compartilhada, onde a capacidade operacional e logística militar podem ser empregadas em apoio aos órgãos ambientais e de segurança pública. A atuação das Forças Armadas na Amazônia, portanto, não se restringe a operações militares clássicas, mas se estende ao apoio logístico, à inteligência, ao transporte e à segurança em operações de fiscalização e combate a ilícitos ambientais, garantindo a efetividade das ações do Estado em áreas de difícil acesso e sob influência de grupos criminosos.

A convergência entre a agenda de Defesa e a de mudança do clima na Amazônia é inadiável. A degradação ambiental causada pelos ilícitos não só acelera os efeitos das mudanças climáticas, como também compromete a capacidade do Brasil de exercer sua soberania sobre a região. A proteção da Amazônia, de seus ativos e das pessoas que nela vivem, é uma questão de segurança nacional. As Forças Armadas, com sua capacidade de mobilização e presença em todo o território, são um ator estratégico para enfrentar os desafios impostos pela crise climática, desde o apoio em desastres naturais até a proteção de infraestruturas críticas e o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis para o setor de defesa.

Com o intuito de avançar nessas discussões essenciais para o futuro da região, o Centro Soberania e Clima realizará, nos dias 20 e 21 de maio, importantes eventos no âmbito do projeto “Cooperação Regional Amazônica: integrando defesa, segurança, desenvolvimento e sustentabilidade”. A cidade de Manaus-AM sediará o Simpósio Internacional “Diálogos sobre Segurança e Sustentabilidade na Amazônia” e o Workshop “Segurança e Sustentabilidade na Agenda de Cooperação Regional Amazônica”. Essas iniciativas buscam promover o diálogo interagências e fortalecer a articulação estratégica, reunindo especialistas e autoridades para traçar caminhos práticos que unam a defesa da soberania nacional à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável da pan-amazônia.

É imperativo que o Brasil aprofunde o debate sobre essa convergência, reconhecendo o papel multifacetado das Forças Armadas na garantia da soberania e na proteção ambiental. A integração de considerações sobre os riscos climáticos e a criminalidade ambiental nos documentos de alto nível do setor de Defesa, bem como a elaboração de diretrizes claras para a atuação militar em operações interagências e em cenários de crise ambiental, são passos essenciais. Somente com uma abordagem coordenada, que una a capacidade de defesa do Estado com as políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável, será possível salvaguardar a Amazônia, garantir a segurança de suas populações e assegurar a soberania nacional diante dos desafios do século XXI.

*O conteúdo é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Amazônia.

A presença portuguesa na colonização da Amazônia

Trabalhadores e a mecanização das fábricas. Fonte: www.significados.com.br/revolucao-industrial/

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A conquista europeia e a posse da Amazônia, no decorrer dos séculos XVII e XVIII, se realizaram sob um intenso processo de luta e disputa entre portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses.

Os portugueses, por sua vez, acabaram dominando o delta e a maior parte da Calha Central do Rio Amazonas e, naturalmente, os seus primeiros afluentes, ao norte e ao sul, enquanto os espanhóis procuraram fixação na Cordilheira Andina seduzidos pelas minas de prata e ouro encontradas no litoral transandino; consolidaram a sua conquista na periferia setentrional dos vales dos rios Içá (Putumayo), Japurá (Caquetá) e o alto rio Negro (Guayana); e a montante, no oeste e sudoeste do alto Amazonas e as suas nascentes, por meio de importantes tributários, rios Ucayale e Marañon. Os franceses, ingleses e holandeses acabaram confi-nados nos estreitos limites da região das Guianas.

Vale apenas ressaltar que, no plano interno, a grande luta foi a consolidação dessa conquista, principalmente em face da rebeldia da população indígena, que não aceitava o processo de aprisionamento e escravidão. Todo esse trabalho era promovido pelas tropas de resgate que procuravam incorporar a mão de obra barata nos trabalhos de colonização e assentamento dos núcleos e povoamentos.

Ressalta-se, ainda, que tantos os portugueses como os espanhóis, no processo de conquista e ocupação, difundiam os valores e símbolos das próprias culturas. A sociedade nativa, ao receber o impacto dominante desses valores e sistemas imperiais, acultura-os, por via de submissão, acomodados, assimilação ou conflito, sobrepondo-os ou integrando-os à sua própria cultura primitiva. De outro lado, os conquistadores que penetraram na Amazônia, a serviço da fé do Império, tiveram de ceder e adaptar-se ao mundo tropical para poder sobreviver em um ambiente diferente, com incertezas e agressividade de um ambiente exótico e desconhecido.

[…] A colonização e expansão portuguesa na Amazônia foi uma tarefa dura e penosa que exigiu a mobilização de soldados, capitão-general, sargento-mor, sertanistas, missionários, colonos e indígenas ao longo de mais de duzentos anos de presença nas colônias do Grão-Pará, Maranhão e Rio Negro. Durante esses dois séculos, a influência portuguesa se fez sentir de forma profunda na vida e na cultura da região.1

Final do século XIX e início do século XX

O Luso Sporting Club foi fundado por portugueses em 1912. Para historizá-lo problematizaremos antes um pouco do contexto histórico, a questão da imigração e o Amazonas no período delimitado.

O processo de Imigração marcou a História do Brasil, principalmente a partir da crise de mão de obra iniciada com a proibição do tráfico negreiro e da tentativa de “embranquecimento” da população brasileira durante meados do século XIX.

Segundo afirma Barreto, com relação ao processo de imigração na sociedade ocidental,

[…] Além da civilização ocidental ser condicionada por um fator – “fronteiras abertas”- , teria que haver ainda um componente ideológico: a liberdade de migrar. Esse componente só foi conquistado com a Revolução Francesa, a partir do que os laços de solidariedade entre os membros de uma comunidade e de uma família foram esmorecidos, permitindo que se buscassem, em outras localidades novas oportunidades. Aliado a este, a industrialização e a urbanização efetuada na Europa permitem […] movimentos migratórios campo-cidade, assim como movimentos transoceânicos.2

Dessa forma, podemos entender que vários foram os fatores que influenciaram esses imigrantes a virem para o Brasil, para se estabelecerem como colonos. Porém, sem se desligarem de suas raízes culturais vividas naquele período em seus países de origem. Já no caso dos portugueses, devido o fato do Brasil ter sido colônia e ter a mesma língua, a emigração foi frequente.

Durante o Século XVII a imigração de portugueses para o Brasil foi pouco significativa. Nesse período vieram para o Brasil portugueses de todos os tipos, que segundo Maia, desde o rico fazendeiro, passando por aventureiros, prostitutas, mulheres órfãs, degredados e empresários falidos3.

A presença portuguesa na colonização da Amazônia
Interior do Bar Americano, na Av. Eduardo Ribeiro, 1913. Fonte: Instituto Oswaldo Cruz

O primeiro foco dessa imigração foi a região nordeste do Brasil, já que as plantações de cana-de-açúcar estavam em pleno desenvolvimento. Essa imigração colonizadora ficou marcada pela masculinidade da população: as mulheres portuguesas raramente emigravam, pois na Europa, o Brasil possuía a imagem de uma terra selvagem e perigosa, onde apenas os homens poderiam sobreviver.

A partir do século XVIII, a imigração portuguesa no Brasil alcança cifras jamais vistas. Os fatores para esse crescimento imigratório foram: a descoberta de ouro nas Minas Gerais, e o aprimoramento dos meios de transporte aquáticos. No início do século XVIII, as minas de ouro tornaram-se a principal economia da colônia. O desenvolvimento e riqueza trazida pelo ouro atraíram para o Brasil um grande contingente de colonos portugueses em busca de riqueza. Nessa época, surge o mineiro, que era o colono português que enriqueceu no Brasil graças ao ouro.4

Avenida Joaquim Nabuco, esquina com Sete de Setembro (canto do Quintela), vendo-se a esquerda a primeira mercearia A Renascença, 1926. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O surto urbano que se deu na colônia graças à mineração, fez crescer as ofertas de emprego para os portugueses. Antes, os colonos eram quase que exclusivamente rurais, dedicando-se ao cultivo da cana-de-açúcar, mas agora surgiriam profissões como de pequenos comerciantes.

A maior parte da emigração foi de pessoas originárias do Minho. De início, a Coroa Portuguesa incentivou a ida de minhotos pobres para o Brasil, onde se fixaram principalmente na região de Minas Gerais e na Região Centro-Oeste do Brasil, onde foram encontradas minas de ouro. Porém, a emigração tomou proporções altíssimas, e a Coroa passou a controlar a ida de portugueses para o Brasil. Pela vinda em larga escala de colonos, a língua portuguesa tornou-se dominante no Brasil em meados do século XVIII, em substituição ao tupi-guarani, ou língua geral.

É importante perceber também as peculiaridades de cada região, como afirma Barreto, ao discorrer sobre o Sul do Brasil e a emigração de alemães e italianos que,

no caso de Santa Catarina, a colonização baseada na pequena propriedade foi realizada principalmente a partir da iniciativa de particulares, pois o Estado não dispunha de meios para financiar a vinda desses imigrantes.5

Com a retração da mineração, no final do século XVIII, a imigração portuguesa teve uma queda, mas voltou a crescer no início do século XIX com a vinda da monarquia portuguesa. Após a Independência do Brasil, em 1822, criou-se no país uma certa xenofobia contra os portugueses, ficando a emigração decaída. Mas, com o passar do tempo, o fluxo de imigrantes portugueses para o Brasil, ao invés de diminuir, cresceu drasticamente. Em grande parte, isto se deve ao fim do tráfico de escravos africanos em 1850. Com o fim do tráfico, adveio uma carência de mão de obra no Brasil, e ao mesmo tempo ocorreu a expansão das plantações de café no país, necessitadas de trabalhadores.

A partir da metade do século XIX, a imigração portuguesa no Brasil tomou caráter quase que exclusivamente urbano e, ao contrário dos imigrantes alemães e italianos que estavam sendo mandados para trabalharem na agricultura, os portugueses passaram a rumar para dois destinos preferenciais: as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.6

Uma expressiva parcela dessa população era oriunda de regiões interioranas do norte de Portugal, notadamente entre Beira Alta e Alto Trás-os-Montes e eram, em sua maioria, extremamente pobres, vindos em família, com grande número de mulheres e crianças. Ao chegarem no Brasil, procuravam parentes ou se instalavam em pequenos cortiços. A maior parte desses imigrantes se dedicaram ao comércio: pequenas vendas e padarias, chegando ao ponto de dominarem essas duas atividades em várias regiões do Brasil. Outros, se tornaram operários nas nascentes indústrias brasileiras.

Os portugueses que se deslocaram para Amazônia eram, em sua enorme maioria, pobres, e vieram de aldeias do interior de Portugal. Não tinham instrução, o que não os impediu de construir aqui uma sólida carreira comercial que garantiu aos seus descendentes melhores perspectivas de estudo e emprego. A maioria da comunidade de portugueses em Manaus se dedicava ao comércio através da rede de importação e exportação da borracha e, praticamente, monopolizava o intercâmbio de mercadorias pelas chamadas casas aviadoras.

Comendador Joaquim Gonçalves de Araújo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Extração do látex. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Quando os portugueses vieram para a Amazônia, durante o período áureo da economia gomífera, incentivaram de forma extremamente dinâmica, o sistema mercantil da região. Foi através da emigração portuguesa que se tornaram possíveis diálogos entre mundos distintos, pois, seria também através do comércio em várias áreas da região Amazônica que o processo de europeização da população cabocla se tornaria possível.

A imigração portuguesa para Amazônia foi incentivada pelos governantes locais que viam nela a possibilidade do surgimento de rostos mais europeus frente à sociedade local, tão marcadamente tapuia. Apesar desta intenção, os portugueses logo seriam incorporados à região através dos casamentos interétnicos, ocorridos regularmente entre brasileiros e portugueses, devido ao número baixo de mulheres portuguesas. Outra peculiaridade da imigração portuguesa para Amazônia é o tamanho da comunidade portuguesa que, em 1920, representava 13% da população das cidades de Manaus e Belém.7

A obra da comunidade portuguesa em Manaus é outro ponto de destaque que estes imigrantes deixaram na cidade. Os exemplos maiores disso foram a Sociedade Beneficente Portuguesa e a Santa Casa de Misericórdia que, eram instituições administradas diretamente pela comunidade portuguesa, receberam consideráveis ajudas financeiras dos imigrantes portugueses residentes de Manaus.

A partir de 1910, apesar da retração da economia gomífera que se abateu sobre a região, a população local, possuindo outros meios de sobrevivência financeira, não foi muito afetada, ao contrário da migração de nordestinos. Em primeiro lugar, porque a economia da borracha não contribuiu para a melhoria do nível de renda das populações locais que eram, e continuaram sendo, muito pobres.

Apesar disso,

[…] a retração da economia provocou o refluxo de parte dos imigrantes nordestinos para a região de origem, diminuindo a pressão sobre as fontes de alimentos. Finalmente houve certo aumento na produção de outros produtos extrativos, especialmente a castanha e a madeira que absorveu a mão-de-obra liberada dos seringais.8

Mas há uma dimensão espacial neste processo, pois a resistência veio da população nativa (não necessariamente indígena, mas cabocla) ou dos que já haviam se fixado e adaptado à região, e tinham, por isso, conhecimentos sobre o espaço, conseguindo estabelecer novas formas de sobrevivência. Neste sentido, a borracha levou à destruição, mas também criou os mecanismos da resistência. Isso parece tanto mais verdadeiro quando comparado ao impacto ocasionado no interior da Amazônia e nos dois principais centros urbanos do norte do Brasil: Belém e Manaus.

Isso ocorreu porque as cidades são espaços produzidos socialmente, são produtos datados, e por isso refletem as condições específicas do lugar e dos conflitos a ele inerente, que não podem ser considerados exclusivamente econômicos, pois têm dimensões culturais, políticas e ideológicas e retratam o vivido de quem as constrói.9

As cidades amazônicas que foram criadas ou dinamizadas a partir da economia da borracha, embora pequenas e com pouca ou nenhuma importância para as outras regiões do país, têm organização e estrutura que extrapolam sua dimensão específica, configurando formas e estilos que estão além da circunscrição do lugar, refletindo o lugar no mundo e o mundo no lugar.10

Nessas cidades, encontravam-se instituições regionais, nacionais e até internacionais, influenciando de forma direta, ou indireta, a sua dinâmica. Todavia tinham especificidades que não escapam ao lugar em que estavam sendo produzidas. Portanto, é preciso entendê-las por meio de características específicas, tentando não vê-las como pedaços de uma cultura mais geral, nem com a mesma dimensão e complexidade dos núcleos urbanos mais dinâmicos. Em outras palavras, as cidades amazônicas eram tempos e espaços produzidos a partir do específico, tendo dimensões gerais.

Os imigrantes portugueses tiveram ainda, importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, tanto na cidade como no interior. Naturalmente como classe política dominante e com o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos, suprindo essa atividade de liderança empresarial necessária, como produtores, mercadores, exportadores e comerciantes, alcançaram posições oligopolista, que se manteve da atividade socioeconômica baseada na borracha até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores.11

Portanto, durante a fase áurea do látex, no fim do século XIX e na primeira década do século XX, milhares de imigrantes lusos atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja maior atuação era representada pelo comércio típico das casas aviadoras.

Fachada dos “ARMAZENS ROSAS” de J. G. Araújo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Fachada dos “ARMAZENS ROSAS” de J. G. Araújo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Praça Justo Chermont: Basílica de Nazaré, Belém (PA). Fonte: Acervo IBGE

É nesse período histórico da economia amazônica, que denominou Benchimol, a Era Jotas, em decorrência da preferência dessa letra nas iniciais das firmas pertencentes a portugueses de então, como, J.G. Araújo, J. S. Amorim, J. A. Leite, J. Soares, J. Rufino e tantos outros.12

É dentro desse contexto que se insere a Manaus da Belle Époque, uma cidade exaltada por sua elite, como a “Paris dos Trópicos”. Lembrada sempre pelas suas mudanças modernas comparadas com os centros urbanos europeus. Durante esse período, a pequena aldeia de indígenas manaós o antigo Lugar da Barra, se transformou em um dos mais importantes centros do mundo tropical, graças a vitalidade econômica da borracha, que lhe deu vida, riqueza e encanto. Cidade de suaves colônias, Manaus desdobra-se em vistas múltiplas para quem a cruza nas avenidas e ruas de um lúcido urbanismo.

E não deixa de impressionar a obra urbanizadora da capital, creditada ao governador Eduardo Ribeiro, a topografia da cidade, antes do governo dele, vislumbravam-se em cortes hidrográficos: era o igarapé do Salgado, o igarapé Castelhana, o igarapé da Bica, o igarapé do Espírito Santo, o igarapé de Manaus, o igarapé da Cachoeirinha, o igarapé de São Raimundo, o igarapé do Educandos, entre outros.

Praça de São Sebastião. Manaus, AM. Fonte: Acervo IBGE

Ao falar das transformações ocorridas na cidade, Otoni Mesquita destaca que, Eduardo Ribeiro aterrou os caudais em benefício do urbanismo funcional, que lutou contra a natureza até fazer secar os pequenos cursos d’água, transformados em amplas avenidas.13

Sobre as transformações arquitetônicas e urbanísticas ocorridas em Manaus, afirma Tocantins:

Cidade rica, progressista e alegre, calçadas de granito e pedras de liós trazidas de Portugal, sombreadas por frondosas mangueiras e de praças e jardins bem cuidados, com belas fontes e monumentos, tinha todos os requisitos de uma urbe moderna: água canalizada e telefonia; energia elétrica, rede de esgotos e bondes elétricos deslizando em linhas de aço espalhadas por toda a malha urbana e penetrando nas florestas até arredores mais distantes do bairro de Flores. O seu porto flutuante, obra-prima de engenharia inglesa, construído a partir de 1900, o qual recebia navios de todos os lugares e das mais diversas bandeiras.14

O movimentado centro comercial “regurgitava” de gente de todas as etnias (nordestinos, ingleses, peruanos, franceses, judeus, norte-americanos, alemães, italianos, libaneses) e as estatísticas do Censo de 1920, apontavam a existência, no Amazonas, de 8.376 portugueses, sendo (6.103 homens e 2.273 mulheres), o que muito facilitou o processo de miscigenação e de casamentos com mulheres nativas. Ao todo, os portugueses eram o mais numeroso grupo de estrangeiros.

A grande maioria deles provinha da região dos minifúndios do médio e norte de Portugal. Deixavam suas ideias, Freguesias e suas querências ao longo do rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, povoado do Varzim, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia e tantos outros pequenos lugarejos, vilas e conselhos, de onde se originavam a maioria dos portugueses que vieram estabelecer-se em Manaus, no Amazonas. Alguns desses nomes se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotados por ocasião da fundação de vilas e cidades da Amazônia.15

Esses imigrantes, quase todos jovens e pobres, eram filhos de agricultores e sitiantes, de numerosas famílias patriarcais, com rígida educação doméstica e obedientes à tradição, valores familiares e devotos de Nossa Senhora de Fátima.

Portugal não tinha, ao findar do século XIX, “muito futuro”. A região norte, terra agrícola dos minifúndios, pertencentes a proprietários de famílias numerosas, que não tinham como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terras, com a subdivisão da herança, se tornaram tão pequenas que era praticamente impossível de sustentar uma família. A única opção para essas pessoas era emigrar para as colônias onde constava também o Brasil. Em Manaus, passavam a conseguir trabalhos através da confiança para ajudar administrar os negócios como: mercearias, padarias, açougues, bares, botequins, feiras, quitandas, lojas e pontos de comércio.

Mais tarde, esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento. Assim, começavam sua ascensão social. No caso de Manaus, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio da borracha e gêneros regionais. Assim, muitos imigrantes eram chamados para aprender seus ofícios como cacheiros, balconistas, viajantes e prepostos dos patrões, como pessoas de confiança.

Basílica Nossa Senhora de Fátima em Cotia-SP. Fonte: Wikipedia

Percebemos que os valores culturais trazidos de Portugal por parte desses imigrantes, tinha certa influência em nossa cidade. Traziam em suas bagagens, não apenas a vontade de trabalhar, mas também, um pouco de sua cultura. Pois em uma terra distante de seu país, de seus costumes, e principalmente, de sua cultura, era necessário que se organizasse uma comunidade, ou clubes, que pudessem oferecer um pouco da cultura de além-mar, pois como nos escreveu Laraia:

Cultura são sistemas (padrões de comportamento socialmente transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e modos de organização política, crença e práticas religiosas, e assim por diante.16

Praça 15 de Novembro e Catedral Nossa Senhora da Conceição. Manaus, AM. Fonte: Acervo IBGE

Manaus, naquele período, era constituída de um emaranhado de culturas trazidas pelos imigrantes de todos os continentes. Porém, o que prevalecia, ainda em sua grande maioria, eram costumes que aqui foram implantados na Belle Époque pela cultura francesa.

Segundo Dias:

O espaço urbano pensado, idealizado e organizado para fazer conhecer, impressionar e atrair os investidores estrangeiros, ao mesmo tempo em que projeta para o mundo prosperidade e civilização dentro da visão burguesa de uma cidade ideal, cria também suas próprias contradições.17

É por isso que naquele período, para alguns observadores, o desenvolvimento e o progresso da cidade foram acompanhados de um quadro muito grande de miséria. Essa observação muitas vezes nos faz notar que, nos discursos dos grupos dominantes como o dos grandes comerciantes e políticos, Manaus aparece como uma cidade em harmonia e sem males sociais. Dessa forma, fica evidente que a imagem da cidade oferecida naquele momento ao mundo, era captada na exata proporção de sua finalidade. Ou seja, de informar ao mundo as grandes potencialidades da região, as oportunidades de investimentos que ela oferecia, e o desejo de mostrar a capacidade de acompanhar o mesmo ritmo de progresso e de prosperidade de outros centros.

Dessa forma, o espaço urbano de Manaus atraía os mais diferentes tipos de pessoas vindas de diversos pontos do país e do mundo, e que de certa forma, passavam a fazer parte do cotidiano da cidade mesmo que não tivessem condições de usufruir da vida de regalias que a borracha havia proporcionado à muitos, que no período áureo de sua extração se beneficiaram.

Foi essa população de imigrantes que vivenciou em Manaus o período da retração, e também fazia parte das classes menos favorecidas naquele contexto. Esse foi o espaço dentro da sociedade que não foi mostrado: um aspecto que o imaginário da elite extrativista não apresentava na época. Apesar de num primeiro momento esses segmentos pobres da população de Manaus não participassem da vida da cidade de uma forma organizada, mesmo assim eles registravam sua presença, manifestando sua insatisfação no espaço urbano, através de protestos e queixas contra toda estrutura que os excluíam.18

Voltando um pouco no tempo, a origem da cidade de Manaus remonta o século XVII. Naquele período, os portugueses passaram a explorar a região amazônica em busca de escravos indígenas, drogas do sertão e presença estrangeira na região. Porém, foi apenas a partir de meados do final do século XIX, que a antiga aldeia de indígenas sofreu um impacto urbano e populacional aos moldes do mundo capitalista industrial, e isso só foi possível devido ao boom da extração da borracha.

Manaus era a capital provincial localizada na região mais distante da administração central e para chegar até ela era necessário empreender longas e demoradas viagens fluviais. A pequena cidade era cercada por um vasto e rico território, e mantinha-se sempre na espera de braços para o trabalho, o que era o estímulo para a chegada constante de portugueses. Trabalhadores e pobres ocupavam a cidade, visualmente disfarçada, habitando vilas e cortiços de alvenaria, além de hospedarias, porões e casebres.

Ainda sobre os aspectos urbanos de Manaus antes da explosão da economia gomífera, afirma Mesquita, “até 1910 a comunicação entre alguns bairros era feita através de pontes de madeiras que quase sempre estavam necessitando de reparos”.19

Assim, concluímos que a capital do Amazonas não passava de uma cidade necessitando de reparos em sua urbanização, e que o grande aspecto urbanístico da cidade não era muito organizado, mas apenas um aglomerado definido por diversos igarapés que recortavam irregularmente a cidade, e naturalmente estabeleciam os limites de alguns bairros recortados por ruas precárias e esburacadas, cujos limites eram muitas vezes definidos por acidentes naturais.

Se no campo econômico daquele período, o Amazonas foi movimentado principalmente pela produção da borracha silvestre que, a partir de 1910, sofre uma baixa nas exportações, devido a concorrência da borracha asiática, levando assim a uma retração na economia regional – por outro lado, no campo político, o Amazonas, a exemplo de outras regiões, manipulava o poder para servir aos seus próprios interesses, o que se realizava por via de aliança com chamados donos do poder. A classe dominante conservava como gênese de sua dominação a propriedade da terra, tendo interesses associados à comercialização e exportação da borracha, e outros produtos extrativos.20

Como podemos perceber, os anos que antecederam a construção do Luso Sporting Club, foram anos de uma grande retração econômica, acompanhada de constantes crises políticas. Pois sua organização dava-se em 1912, num período em que a cidade de Manaus vivenciava uma parte da retração da exportação do látex por conta de uma série de acontecimentos na economia de produção exportadora, e principalmente, pela concorrência asiática, (com suas produções de borracha em larga escala e com um valor de seu produto no mercado, muito inferior ao nosso).

Fontes

  1. BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: formação social e cultural. Manaus: Valer, 1998, p. 64.
  2. BARRETO, Cristiane Manique. Fragmentos e Recortes: Formação de Elites em Itajaí no Início do Século. In. Revista Alcance. Itajaí: Univale, ano IV, n. 0, junho, 1997. p. 30.
  3. MAIA, Álvaro. Defumadores e porongas: pequenas estórias – ciclo da borracha – Amazonas. Manaus: Governo do Estado do Amazonas; Sérgio Cardoso, 1966.
  4. MAIA, Bueno. O século dos imigrantes. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 23, n.º 45, p. 313-316, 2003. Acervo Biblioteca da Rede Amazônica.
  5. BARRETO, Cristiane Manique. Op. Cit. p. 31.
  6. LOBO, Eulália Maria L. Migração portuguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar. 2003. p. 132-134.
  7. LOBO, Eulália Maria L. Migração portuguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, 2003, p. 56.
  8. BITTENCOURT, Ângelo. Chorographia do Estado do Amazonas. Manaus: Typographia Palácio Real do Estado do Amazonas, 1926. p. 36.
  9. Este argumento pode ser melhor observado em: BATISTA, Djalma. Cultura e sociedade. 3.ª ed. Manaus: Org. Tenório Telles, 2007.
  10. LOUREIRO, José Souto. Síntese da História do Amazonas. Manaus: Imprensa Oficial, 1978. p. 76.
  11. BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: formação social e cultural, Manaus: Valer, 1998. p. 70.
  12. BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: formação social e cultural, Manaus: Valer, 1998. p. 71.
  13. MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus história e arquitetura. Manaus: Edua, 1997. p. 208.
  14. TOCANTINS, Leandro. O rio comanda a vida: uma interpretação da Amazônia. Manaus: Imprensa Oficial, 1989. p. 188-189.
  15. BENCHIMOL. Op. Cit. p. 131.
  16. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 19.ª ed., Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. p. 8.
  17. DIAS, Edinea Mascarenhas. A ilusão do Fausto: Manaus 1890-1920. Manaus: Valer, 1999. p. 131.
  18. DIAS, Edinea Mascarenhas. A ilusão do Fausto: Manaus 1890-1920. Manaus: Valer, 1999. p. 145.
  19. MESQUITA, Op. Cit. p. 54.
  20. Este contexto pode se mais bem observado em: CUNHA, Temístocles. No país das Amazonas. Manaus: Editora Saraiva, 1995. p. 10-16.

    Leia também: Antônio José Pereira Sotto Mayor: presidente da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas – 1914

    Sobre o autor

    Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

    *O conteúdo é de responsabilidade do colunista

    Região do Médio Xingu ganha novo chocolate indígena: Kunhã Arã

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    Foto: Divulgação/Norte Energia

    Responsável por mais da metade da produção de cacau do país, o estado do Pará, mais precisamente a região do Médio Xingu, acaba de ganhar um chocolate que vai muito além do sabor, remontando à cultura milenar dos Juruna.

    Trata-se do chocolate artesanal Kunhã Arã, totalmente produzido por uma associação indígena sediada em Altamira, Sudoeste do Pará. O lançamento aconteceu no Chocolat Amazônia 2026, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, em abril, no Hangar Centro de Convenções, em Belém.

    Leia também: Pará lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor

    Lançado em três versões de chocolate ao leite (50%, 70% e 100% cacau), o produto é o sexto de um projeto de chocolates indígenas locais apoiado pela Norte Energia e carrega um diferencial inédito, pois é o primeiro a ser integralmente fabricado pela própria comunidade.

    Chocolate artesanal Kunhã Arã

    Diferentemente de grande parte dos produtos disponíveis no mercado, o Kunhã Arã, que em tupi significa Guerreira da Luz ou Guerreira da Vida, é único porque todas as suas etapas de produção ocorrem dentro da própria comunidade.

    O processo abrange desde o plantio de aproximadamente 19.000 pés de cacau, cultivados em sistema agroflorestal sustentável, passando pela colheita, seleção, fermentação, secagem e torra, até chegar à formulação e embalagem do chocolate.

    Além de ser um produto artesanal, suas receitas incluem ingredientes como manteiga de cacau e são livres de conservantes e aromatizantes.

    Leia também: Festival Internacional apresenta tendências do ‘mundo’ do chocolate no Pará

    Irasilda Pereira, empreendedora indígena da Kunhã Arã no festival de chocolate em Belém. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
    Irasilda Pereira, empreendedora indígena da Kunhã Arã no festival em Belém. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

    O apoio para profissionalizar a produção veio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena da Usina Hidrelétrica Belo Monte, da qual a Norte Energia é a empresa concessionária.

    Essa cadeia produtiva gera benefícios diretos para as 51 famílias que formam a Associação Indígena Tubyá. Formada por indígenas de contexto urbano e rural da etnia Juruna, a associação conta com oito famílias trabalhando ativamente nas etapas de plantio e produção no campo.

    Liderada pela indígena Irasilda Morais Pereira Fernandez Juruna, a iniciativa fomenta a geração de renda local e possui forte potencial de impacto socioeconômico, com planos de expansão, que incluem o fornecimento do chocolate para merendas escolares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos.

     “O que temos hoje na comunidade é inexplicável. Começou com o Chocodjá, antigo nome do chocolate, e logo deu certo, com muita saída. É um projeto voltado para as mulheres, com o objetivo de complementar a renda das famílias. Antes não tínhamos apoio. Pedimos a ajuda da Norte Energia e recebemos mais do que um apoio. Hoje temos uma parceria em tudo. Agora a nossa expectativa é ampliar o alcance e levar o nosso produto para outros estados, e até para fora do Brasil. Para quem começou do zero, eu sei que chegaremos lá”, afirma Irasilda.  

    O chocolate também é um poderoso instrumento de resgate dos valores e da cultura da comunidade Juruna, que trabalha para recuperar sua língua e os grafismos tradicionais perdidos após o contato com não indígenas em 1750. Com o apoio da Norte Energia na construção da identidade visual e embalagens, o Kunhã Arã celebra o poder feminino e a força da terra.

    A logomarca traz uma figura feminina central que representa a guerreira guardiã da floresta e da partilha, coroada por um cocar em forma de sol que reverencia o cacau como um fruto sagrado e ancestral. O resultado é uma marca que equilibra tradição, futuro, resistência da mulher indígena e a doçura que nasce da terra.

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    Para garantir a autonomia da comunidade e permitir que o chocolate fosse fabricado localmente, a Norte Energia forneceu um melangê (equipamento de refino do cacau) e as formas para moldar as barras. A expectativa de produção é de 50 Kg de chocolate por mês.

    O suporte também incluiu o fornecimento inicial de mais de 11.000 mudas de cacau, assistência técnica, construção de 5 secadores solar, e mais recentemente a elaboração em conjunto com a associação, de um Plano de Identidade Visual da marca, assim como o custeio de 1.000 embalagens para viabilizar o início da comercialização.

    “Temos o compromisso de fortalecer a agricultura familiar indígena, promovendo a sustentabilidade, o empreendedorismo e o empoderamento feminino nas comunidades indígenas da região. Acreditamos que iniciativas como essa geram impacto positivo duradouro, ao criar oportunidades de geração de renda, valorizar saberes tradicionais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das famílias”, afirma Thomás Sottili, Gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia.

    O Kunhã Arã chega para empoderar ainda mais a capacidade de produção e o empreendedorismo indígena, trazendo consigo a história de sustentabilidade, autonomia e resistência dos povos do Médio Xingu.

    *Com informações da Norte Energia

    Programa amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá

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    Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

    O Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) participou, no dia 14 de maio, da programação do “Maratonando Municípios”, promovida pelo Governo do Estado no município de Amapá, com ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e ao desenvolvimento da produção rural.

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    Durante a agenda, foi lançado o Programa Ater Mecanizo, iniciativa que prevê a entrega de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas para ampliar a mecanização no campo e melhorar a eficiência das atividades produtivas. A unidade local do Rurap recebeu um trator agrícola, grade aradora, grade niveladora, carretinha com capacidade para 3,5 toneladas e uma semeadora de cinco linhas.

    Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre, com investimento estimado em R$ 400 mil. O conjunto inclui trator agrícola Preet 90 CV, implementos KLR, semeadora-adubadora Baldan PLB com kit de plantio direto e carroça para transporte.

    Leia também: Amapá no Amapá: conheça a história do município homônimo ao Estado

    Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá
    Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

    O programa prevê atendimento inicial de 50 hectares, com 34 produtores já selecionados nas localidades de Piquiá, Cruzeiro, Bicudinho e Amapá Grande. Na Região Norte, a previsão é alcançar 200 hectares, contemplando também os municípios de Tartarugalzinho, Pracuúba, Calçoene e Oiapoque.

    Em todo o estado, a iniciativa soma 1.010 hectares previstos, dos quais 318 já foram executados, beneficiando 240 agricultores.

    Leia também: Agricultura familiar é 8ª maior produtora de alimentos do mundo; Região Norte representa 15,4% do país

    O governador Clécio Luís destacou que o programa foi estruturado para garantir atendimento contínuo aos produtores rurais da região.

    “Vamos iniciar com 50 hectares aqui no município de Amapá, mas esse é apenas o começo. Em toda a Região Norte serão 200 hectares atendidos. O trabalho segue um cronograma: a equipe atende uma localidade, avança para os demais municípios e depois retorna para dar continuidade aos serviços. A ideia é garantir que todos sejam atendidos de forma eficiente e sem demora”, afirmou o governador.

    Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

    Leia também: Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar no Maranhão

    O diretor-presidente do Rurap, Kelson Vaz, ressaltou que a mecanização agrícola será fundamental para fortalecer a produção rural e apoiar a recuperação das lavouras afetadas pela crise fitossanitária da mandioca.

    “Essas máquinas chegam para fortalecer a agricultura familiar e ampliar o atendimento aos produtores rurais da região. Também estamos desenvolvendo, junto à extensão rural e com acompanhamento da Embrapa, unidades experimentais com a mandioca jacaré, que poderão contribuir para a recuperação da produção no estado”, destacou.

    Kelson Vaz também enfatizou os avanços das políticas públicas voltadas ao setor rural, especialmente na ampliação do acesso ao crédito e à assistência técnica. Segundo ele, já foram emitidos 514 Cadastros da Agricultura Familiar (CAF), instrumento essencial para acesso a financiamentos e programas governamentais.

    O ex-deputado federal Camilo Capiberibe destacou os avanços das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à infraestrutura rural no município de Amapá.

    Segundo ele, os investimentos em assistência técnica e mecanização agrícola fortalecem a produção rural e melhoram a qualidade de vida das famílias agricultoras, garantindo mais apoio aos produtores rurais.

    O Rurap mantém ações contínuas de assistência técnica e inclusão produtiva, com atendimento a 20 mulheres pelo programa Ater Mulher e acompanhamento de 151 agricultores no enfrentamento à crise fitossanitária da mandioca.

    Leia também: Estudo aponta principais desafios da agricultura familiar em Mato Grosso

    Programa Ater Mecaniz amplia ações para fortalecer agricultura familiar no Amapá. Foto: Cristiane Mareco

    No âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), estão previstos investimentos de R$ 70 mil, beneficiando 14 agricultores com repasse individual de R$ 5 mil, além do atendimento a sete entidades, alcançando cerca de 1.696 famílias.

    Os dados do município de Amapá demonstram crescimento nas ações executadas pelo Rurap entre 2023 e 2026. O número de atendimentos do PAA passou de cerca de 4 mil, em 2023, para 7 mil, em 2025. Em 2026, foram registrados 135 microcréditos destinados ao fortalecimento produtivo.

    No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf A), os atendimentos chegaram a aproximadamente 80 mil em 2025. Já o programa Ater Mulher contabilizou cerca de 6.900 atendimentos no período analisado.

    Os registros do Cadastro da Agricultura Familiar também avançaram, passando de cerca de 9 mil, em 2023, para 10,5 mil no período mais recente.

    *Com informações da Agência Amapá

    Rede Educa debate governança, compliance e segurança jurídica como pilares da competitividade empresarial

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    Foto: Divulgação

    A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), lançou a oitava videoaula do projeto Rede Educa, com o tema “Governança, Compliance e Segurança Jurídica”. O episódio contou com a participação do advogado trabalhista Luciano Coelho e integrou a programação de conteúdos voltados à qualificação técnica e estratégica de profissionais, estudantes e lideranças da região amazônica, promovendo reflexões sobre integridade corporativa, conformidade regulatória e fortalecimento institucional no contexto do Polo Industrial de Manaus.

    A videoaula destacou a importância da governança corporativa e das práticas de compliance como instrumentos fundamentais para ampliar a segurança jurídica, reduzir riscos operacionais e fortalecer a competitividade das organizações diante das novas exigências do mercado contemporâneo.

    Integridade corporativa e fortalecimento institucional

    Ao longo da aula, foram discutidos mecanismos de governança corporativa, gestão de riscos trabalhistas, políticas de conformidade e estratégias voltadas à segurança jurídica nas empresas, evidenciando a necessidade de ambientes corporativos mais transparentes, eficientes e alinhados às boas práticas de gestão.

    O conteúdo também reforçou que o compliance deixou de representar apenas uma obrigação regulatória e passou a ocupar posição estratégica no fortalecimento institucional das organizações, contribuindo para maior previsibilidade jurídica, credibilidade empresarial e sustentabilidade corporativa.

    A abordagem conectou os conceitos técnicos à realidade do setor produtivo amazônico, demonstrando como práticas estruturadas de governança podem impulsionar a confiança institucional, ampliar a competitividade e fortalecer o ambiente de negócios na região.

    Segurança jurídica e competitividade empresarial

    A oitava videoaula do Rede Educa também evidenciou a relação entre segurança jurídica e desenvolvimento sustentável, enfatizando a importância de empresas preparadas para responder às transformações regulatórias, sociais e econômicas que impactam diretamente os modelos de gestão e as relações corporativas.

    Além dos aspectos técnicos, o episódio destacou a relevância da cultura organizacional, da ética empresarial e da implementação de processos internos capazes de promover maior estabilidade institucional e responsabilidade corporativa.

    O advogado trabalhista Luciano Coelho ressaltou que a governança corporativa e o compliance se consolidaram como diferenciais estratégicos para organizações que buscam crescimento sustentável e maior segurança nas relações institucionais.

    “Governança e compliance não representam apenas mecanismos de controle, mas instrumentos estratégicos para fortalecer a segurança jurídica, reduzir riscos e ampliar a confiança institucional dentro das organizações. Empresas que investem em integridade e conformidade constroem ambientes mais sólidos, sustentáveis e preparados para os desafios do mercado contemporâneo”, afirmou Luciano Coelho.

    O projeto Rede Educa vem consolidando uma programação voltada à disseminação de conteúdos estratégicos sobre ESG, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional, ampliando o acesso à formação qualificada e aproximando conhecimento técnico das demandas contemporâneas do setor produtivo.

    A videoaula está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:

    Por Pauline Lima, da FRAM

    Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá

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    Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Acervo pessoal

    Uma escavação realizada no dia 15 de maio na rodovia que liga Laranjal do Jari a Vitória do Jari, no sul do Amapá, resultou na descoberta de artefatos de pedra lascada. Entre os materiais identificados estão uma ponta de flecha e a base de uma vasilha semelhante às usadas no preparo de alimentos como o beiju.

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    Segundo o arqueólogo Kleber Souza, os vestígios ajudam a compreender as técnicas utilizadas por antigos fabricantes de ferramentas na região.

    “A peça possui negativos profundos e acidentes na superfície, o que indica que houve quebras durante a confecção. Um dos bordos não apresenta acabamento, sugerindo que houve outra fratura nesse ponto”, explicou.

    Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

    Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá
    Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Acervo pessoal

    Artefatos revelam detalhes importantes

    Na parte central da ponta de flecha, há resquícios de córtex — camada original da pedra — que não foram removidos. Para Kleber Souza, esse detalhe revela as dificuldades enfrentadas pelos grupos que produziam artefatos líticos.

    Além da ponta de flecha e da base de vasilha, a escavação identificou outros vestígios em uma área de 5×5 metros, todos obtidos por meio de escavação manual.

    Artefatos de pedra lascada são encontrados em escavação no sul do Amapá. Foto: Kleber Souza/Arquivo Pessoal

    Leia também: Vestígios arqueológicos com mais de 3 mil anos são encontrados em Parintins

    Os pesquisadores avaliam que este é o primeiro registro desse tipo no Amapá. Achados semelhantes são raros em sítios arqueológicos da Amazônia, o que torna a descoberta relevante para os estudos sobre ocupação humana na região.

    “Esse tipo de vestígio mostra as limitações técnicas e o aprendizado dos povos que habitavam a Amazônia”, disse.

    *Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

    Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará

    Operação Calha Norte ocorreu na divida do Amapá com o Pará. Foto: Divulgação/Polícia Federal

    Sete áreas de garimpo ilegal em plena atividade foram desativadas durante a Operação Calha Norte, realizada entre os dias 12 e 15 de maio na região da divisa entre os municípios de Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA).

    Saiba mais: Portal Amazônia responde: como funciona o Calha Norte?

    A ação foi coordenada pela Polícia Federal em conjunto com o Ibama, ICMBio, Força Nacional e contou com apoio da Segup/PA, da Polícia Militar do Pará e do Graesp.

    Cerca de 80 agentes participaram da operação, que também utilizou cinco aeronaves para alcançar áreas de difícil acesso na floresta.

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    Sobre a operação contra o garimpo

    A Operação Calha Norte integra os esforços permanentes de repressão aos crimes ambientais e de proteção da floresta amazônica e das comunidades afetadas pela exploração ilegal de recursos naturais.

    Leia também: Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

    Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará
    Sete áreas de garimpo ilegal são desativadas em operação na divisa do Amapá com Pará. Foto: Divulgação

    Durante os três dias de ação, foram inutilizados:

    • 4 escavadeiras hidráulicas
    • dezenas de motores usados na extração ilegal
    • 3 quadriciclos
    • 2 tratores
    • geradores e acampamentos clandestinos
    • aproximadamente 3.300 litros de diesel

    O prejuízo estimado aos responsáveis pelas atividades ilícitas ultrapassa R$ 6 milhões.

    *Por Josi Paixão e Fábio Amato, da Rede Amazônica AP

    Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  

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    Avenida Ville Roy. Foto: Richard Messias/PMBV

    Seja com destino à rodoviária internacional ou ao shopping do bairro Caçari, a Ville Roy é a principal avenida para cruzar o Centro de Boa Vista (RR). Mas você já se perguntou o por quê ela tem esse nome? Registros históricos ajudam a conhecer a história de uma das vias mais movimentadas da cidade.

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    Uma curiosidade: o nome escrito é Ville Roy, mas a pronúncia é um tanto diferente: “Villerruá”, já que tem origem francesa.

    Villeroy: governador que criou o município de Boa Vista

    Apesar de não ser oficializado nem nenhum registro da época, acredita-se que o nome da avenida Ville Roy foi dado em homenagem ao criador do município de Boa Vista: Augusto Ximeno Villeroy. Militar e governador da então província do Amazonas, Villeroy foi quem assinou o decreto nº. 049 no dia 9 de julho de 1890 e elevou Boa Vista ao status de município.

    Com o decreto do governador Villeroy, Boa Vista foi desmembrado do município de Moura, no Amazonas, e passou a ser município.

    A avenida Ville Roy foi construída em uma época em que existiam apenas 13 automóveis em todo o território de Roraima, segundo um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1953. A via, entretanto, sempre teve o aspecto largo, hoje tem seis pistas de tráfego. Ela foi pensada para o futuro, já antecipando o crescimento urbanístico da capital.

    Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
    Vista aérea de Boa Vista com a avenida Ville Roy destacada, por volta do final das décadas de 50 e 60. Foto: Reprodução/IBGE

    Não se sabe, entretanto, o motivo da avenida não ter recebido o nome completo do militar igual às outras vias que saem da “bola” do Centro Cívico, como a Capitão Júlio Bezerra, Capitão Ene Garcez e Benjamin Constant.

    Sobre a maior parte dos nomes das principais ruas e avenidas do Centro serem homenagens a antigos militares, o historiador e pesquisador da Universidade Estadual de Roraima (UERR), André Augusto da Fonseca, explica que tudo se trata do contexto histórico da criação e desenvolvimento do município.

    “A criação do município ocorreu em meio a um contexto da Ditadura Militar de Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Então, os governadores do Amazonas eram militares positivistas e republicanos. Depois, o poder passou para os ‘coronéis de barranco’, que eram pecuaristas, das famílias Brasil e Cruz, por exemplo. São os casos de Sebastião Diniz, Jaime e Bento Brasil, Inácio Magalhães, todos nomes de rua”, explica.

    Plano urbanístico de 1946

    No plano urbanístico de 1946 feito para Boa Vista pelo engenheiro e arquiteto carioca Darcy Aleixo Derenusson, a avenida Ville Roy já aparecia, embora não se tenha uma data exata de quando ela foi criada.

    O projeto visava garantir o desenvolvimento da cidade e o fácil acesso aos serviços públicos para os cerca de 1.800 moradores de Boa Vista naquela época.

    Foi Derenusson quem cravou o famoso desenho no formato que lembra um leque para o Centro da cidade. A ideia foi escolhida em 1946, três anos depois da criação do Território Federal do Rio Branco pelo então governador Ene Garcez.

    Inspirado na paisagem da cidade de Belo Horizonte, o plano de Derenusson tinha o Centro Cívico, onde fica o palácio do governo Senador Hélio Campos, como principal referência para as avenidas que “saem” dele para rumo aos bairros da cidade.

    Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
    Plano urbanístico Darcy Aleixo Derenusson para a cidade de Boa Vista, em 1946. Imagem: Antônio Teixeira Guerra, em ‘Estudo Geográfico do Território do Rio Branco’
    Quem foi Villeroy? Nome deu origem a avenida mais famosa de Boa Vista  
    Vista aérea da cidade de Boa Vista cerca de 30 anos depois das obras do plano urbanístico. Foto: Reprodução/IBGE

    Além da Ville Roy, outras importantes vias de Boa Vista também que “saem” da popularmente conhecida “bola” do Centro Cívico também aparecem nos documentos do plano da década de 1940, entre elas a Mário Homem de Melo, Capitão Júlio Bezerra, Getúlio Vargas, Nossa Senhora da Consolata e Benjamin Constant.

    Antes do plano, as únicas avenidas de Boa Vista eram a Jaime Brasil, que sempre foi o principal Centro comercial da capital, e suas adjacentes, as avenidas Bento Brasil e Floriano Peixoto.

    Recortes de anúncios no jornal “O Átomo”, que circulou em Roraima na década de 1950, mostram que a Ville Roy era tratada como rua. Não se sabe, portanto, quando a via ganhou o status de avenida, porém, em jornais da década de 80, ela já era tratada como avenida.

    A “Ville” hoje em dia

    Atualmente, no aniversário de 134 anos de Boa Vista, com mais de 8 km de extensão – da Rodoviária de Boa Vista até o Roraima Garden Shopping, divididos praticamente ao meio pelo Centro Cívico, a Ville Roy absorveu traços do crescimento da capital que incluem o contraste entres as zonas Leste e Oeste da cidade.

    O trecho Leste inclui os bairros como São Pedro, Canarinho, Aparecida – região conhecida pelos prédios comerciais de alto padrão e áreas de esporte e lazer, como o estádio Canarinho e a Praça da Amoca. Mais à frente, a avenida cruza pelo bairro Caçari, área conhecida pelas lojas e bares considerados de alto padrão.

    Já o trecho da área Oeste passa pelo bairro São Vicente, reúne mais lojas de serviços e termina no bairro Treze de Serembro, uma região de passagem para aqueles que entram e saem da capital pela BR-174. Nos arredores dessa metade da avenida , há volume de empresas de autopeças, construtoras e pousadas próximas à Rodoviária Internacional de Boa Vista.

    Augusto Ximeno Villeroy

    O governador Augusto Ximeno Villeroy foi um engenheiro do Exército e participou da conspiração que derrubou a monarquia, no Golpe Militar de 1889, conforme consta no livro “História do Amazonas”, do historiador Arthur César Ferreira Reis.

    Documento antigo com foto de Augusto Ximeno de Villeroy
    Documento antigo com foto de Augusto Ximeno Villeroy, criador do município de Boa Vista. Foto: Reprodução/Arquivo Público Mineiro

    Por ter participado da Proclamação da República como apoiador de Benjamin Constant, Villeroy ganhou a confiança dos republicanos e foi nomeado governador da província do Amazonas um ano depois, em 1890, durante o governo de Marechal Deodoro da Fonseca. À época, todo o território roraimense, incluindo o que hoje é a capital, pertencia ao Amazonas.

    No entanto, o mandato de Villeroy como governador durou menos de 11 meses, de janeiro a novembro de 1890. Após deixar o cargo, o militar retornou ao Rio de Janeiro e liderou conspirações tenentistas na década de 1920 contra o governo do então presidente do Brasil Arthur Bernardes.

    *Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR