No município de São Félix do Xingu, no Pará, um grupo de 43 mulheres está mostrando que é possível garantir fonte de renda na floresta mesmo mantendo ela em pé. É o resultado da marca ‘Delícia do Quintal’, criada por uma associação de mulheres que mudou uma área de capim em floresta produtiva através do beneficiamento de frutas e verduras.
Com suporte técnico do programa Florestas de Valor do Imaflora, apoiado pela Petrobras, a Associação das Mulheres de Polpa de Fruta (AMPPF) implantou Sistemas Agroflorestais que combinam espécies nativas, frutíferas e cultivos da agricultura familiar no município, que é historicamente marcado pelos altos índices de desmatamento associados à pecuária.
A transformação produtiva, que completa 13 anos em 2026, opera com infraestrutura própria, incluindo usina de processamento e câmaras frias, voltada ao beneficiamento de frutas que antes se perdiam nos quintais das famílias. A produção, inclusive, chega diretamente à mesa de crianças e adolescentes por meio de políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Ao gerar demanda estável para produtos da sociobiodiversidade, essas políticas reduzem a pressão por abertura de novas áreas e valorizam a produção local.
“Garantimos que a associação tenha segurança jurídica e técnica para gerir recursos públicos com transparência. O PNAE e o PAA funcionam como ferramentas de conservação ambiental ao criarem um mercado institucional para a agricultura familiar sustentável”, comenta Celma de Oliveira, coordenadora do Florestas de Valor do Imaflora em São Félix do Xingu.
Com apoio do PNAE, a associação movimentou aproximadamente R$ 375 mil em um único ano, consolidando-se como referência local de empreendedorismo feminino.
Associação das Mulheres de Polpa de Fruta (AMPPF), no município de São Félix do Xingu, no Pará. Foto: Divulgação/Imaflora
Maria Josefa Machado Neves, presidente da AMPPF. Foto: Divulgação/Imaflora
Além da geração de renda, a transformação produtiva representar algumas mudanças positivas nos aspectos ambiental e social. De acordo com a presidente da AMPPF, Maria Josefa Machado Neves, as mudanças representam um ganho significativo na paisagem natural.
“Hoje a gente olha pela janela e não vê mais o amarelado do capim. Com os novos plantios, passamos a morar no meio da floresta”, relata Maria Josefa.
O modelo baseado nos SAFs demonstra como inclusão produtiva, governança participativa e acesso a mercados institucionais podem reduzir conflitos ambientais e fortalecer a economia local. A autonomia econômica feminina impacta diretamente na qualidade de vida das famílias, ampliando investimentos em saúde, educação e segurança alimentar.
Em fevereiro deste ano, a AMPPF assinou novo contrato com o PNAE para fornecimento alimentos à rede municipal de ensino. A iniciativa conecta a produção sustentável da Amazônia diretamente à alimentação escolar.
Mais do que um contrato comercial, trata-se do reconhecimento do trabalho dessas mulheres, que transformam saberes tradicionais e manejo responsável da floresta em oportunidades concretas de desenvolvimento local.
Ao incentivar cadeias produtivas sustentáveis e o acesso ao mercado institucional, o apoio do Florestas de Valor fortalece a agricultura familiar, promove a conservação da floresta e contribui para um modelo de desenvolvimento que alia inclusão social, segurança alimentar e respeito aos modos de vida amazônicos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora
Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Observatório da Costa Amazônica
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um índice capaz de medir a saúde do solo de manguezais em diferentes estágios. Aplicado em áreas degradadas, restauradas e preservadas, o índice revelou que manguezais saudáveis, incluindo os recuperados, provêm serviços ecossistêmicos próximos de sua capacidade máxima, enquanto os desmatados mantêm apenas uma pequena parte desse potencial.
O Índice de Saúde do Solo (ISS) varia em uma escala de 0 (pior) a 1 (melhor) e está descrito em artigo publicado na revista Scientific Reports. Ao traduzir processos complexos em uma métrica simples, a ferramenta pode apoiar gestores na definição de prioridades de conservação e restauração.
O ISS foi construído a partir de um conjunto de variáveis que, de forma integrada, representam os principais processos físicos, químicos e biológicos responsáveis pelo funcionamento do solo no contexto em que ele está inserido.
O índice incorpora atributos ligados à dinâmica do carbono (como textura do solo, teor de carbono orgânico e ferro pseudototal), à fixação de substâncias contaminantes (especialmente diferentes formas de minerais de ferro) e à ciclagem de nutrientes (incluindo indicadores biológicos baseados nas atividades enzimáticas de microrganismos do solo). Em conjunto, essas variáveis viabilizam o estado funcional do solo e sua capacidade de sustentar serviços ecossistêmicos.
Com a busca por soluções baseadas na natureza para enfrentar a crise climática, os manguezais são uma alternativa para gerar ganhos ambientais e sociais. Além de importantes sumidouros e estocadores de carbono, sustentam a pesca e ajudam a conter a erosão costeira, entre outros serviços.
Ainda assim, estimativas indicam que entre 30% e 50% dos manguezais do mundo tenham sido perdidos nos últimos 50 anos, processo que pode ser acelerado pelas mudanças climáticas, com o aumento do nível do mar e maior frequência de eventos extremos, além de desmatamento e expansão urbana.
O Brasil tem a segunda maior área de mangue do planeta – cerca de 1,4 milhão de hectares ao longo da faixa costeira, ficando atrás apenas da Indonésia – e o mais extenso trecho contínuo, localizado entre o Amapá e o Maranhão. Uma ampla biodiversidade, com mais de 770 espécies de fauna e flora, confere a essas áreas destaque para a pesca.
Ao ser aplicado no estuário do rio Cocó, no Estado do Ceará, o ISS mostrou condições contrastantes do local, com recuperação em áreas restauradas e suas implicações para os serviços ecossistêmicos. De acordo com os resultados, os manguezais maduros apresentaram os maiores valores de ISS (0,99 ± 0,03), enquanto os locais degradados, os menores (0,25 ± 0,01).
As regiões replantadas há nove e 13 anos tiveram valores intermediários (0,37 ± 0,01 e 0,52 ± 0,02, respectivamente), com um melhor desempenho das mais antigas, indicando assim uma recuperação gradual.
“A pesquisa buscou traduzir em números alguns aspectos importantes relacionados à saúde de solos dos manguezais e à provisão de seus serviços ecossistêmicos, tais como sequestro de carbono, imobilização de contaminantes e ciclagem de nutrientes. Montamos a escala de 0 a 1 para acompanhar o restabelecimento ecossistêmico frente ao processo de recuperação”, explica à Agência FAPESP a gestora ambiental Laís Coutinho Zayas Jimenez.
“Meu sonho agora é usar o índice de saúde do solo em uma aplicação prática. Mostrar aos meus pares, os gestores, que é possível analisar se o manguezal que passou por recuperação está produzindo plenamente ou não os serviços ecossistêmicos e em quanto tempo isso acontece.”
O artigo é resultado de sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), desenvolvida sob a orientação de Tiago Osório Ferreira, e com o apoio da FAPESP.
Atualmente, Jimenez é chefe do setor de manguezais na Diretoria de Biodiversidade da Fundação Florestal e lidera um projeto inédito cujo objetivo é medir o estoque de carbono dos manguezais paulistas e detectar a presença de elementos tóxicos, como metais pesados, em seus solos.
A Fundação Florestal é um órgão da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil) responsável pelas Unidades de Conservação do Estado. Das mais de cem unidades, pelo menos 16 delas têm manguezal.
“Mesmo que o restabelecimento das funções do manguezal seja rápido, isso não pode ser usado como argumento para não proteger esse ambiente da degradação. Observada a retomada de alguns serviços ecossistêmicos, entre eles sequestro de carbono e ciclagem de nutrientes, outros, como a contenção de erosão costeira, demoram mais”, ressalta Jimenez.
Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Greenpeace
“Carbono azul”
Os mangues são chamados de “florestas de carbono azul” por sua característica de absorver grandes quantidades de CO₂ da atmosfera e armazenar carbono orgânico no solo por décadas, mais eficientes do que florestas tropicais (leia mais em: agencia.fapesp.br/55382). No entanto, as mudanças no uso da terra e a poluição ameaçam cada vez mais os solos de manguezais, comprometendo sua funcionalidade.
Segundo a iniciativa global Mangrove Breakthrough, que tem o objetivo de restaurar e conservar 15 milhões de hectares de manguezais em escala global até 2030, esses ecossistemas armazenam o equivalente a mais de 22 gigatoneladas de CO2. A perda de apenas 1% dos manguezais remanescentes poderia levar ao correspondente a emissões anuais de 50 milhões de automóveis.
“Como o estudo foi desenvolvido em uma área de recuperação, os resultados desmistificam a ideia de que o ecossistema é resiliente frente a intervenções antrópicas. Mostramos que pode ser degradado em uma velocidade muito rápida. Mas a boa notícia é que o sistema também se recupera rapidamente, desde que a restauração seja feita de maneira assistida e elaborada, respeitando as condições locais do ambiente em que ele está inserido. Assim é possível obter novamente as funções do ecossistema e sua capacidade de prover serviços”, avalia o professor Hermano Melo Queiroz, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Queiroz é um dos autores correspondentes do artigo, juntamente com Ferreira, que também é diretor de disseminação e pesquisador do CCARBON. Participam ainda do grupo o professor Maurício Roberto Cherubin, diretor de pesquisa do centro e especialista em saúde dos solos, e Francisco Ruiz.
“Nessa pesquisa, um dos objetivos era traduzir a informação de processos biogeoquímicos muito específicos para uso de gestores ambientais. O índice, ao mostrar que os estoques de carbono retornam para áreas de mangue restauradas, traz uma mensagem muito importante no cenário de combate às mudanças climáticas”, diz Ferreira, que pesquisa há mais de 25 anos áreas de manguezais e contribuiu para a criação de um banco de dados com informações de toda a costa brasileira.
Ferreira coordena o projeto “BlueShore – Florestas de Carbono Azul para mitigação de mudanças climáticas offshore”, desenvolvido no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) constituído com apoio da FAPESP, da Shell e participação de outras empresas, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
Aberto e mutável
Os pesquisadores destacam que entre os diferenciais do ISS está a possibilidade de incluir informações específicas de cada ecossistema e do ambiente em que está inserido para diferentes regiões do país. É possível, por exemplo, inserir dados de serviços ecossistêmicos – sequestro de carbono e imobilização de contaminantes – e geoquímicos, como a quantidade de fósforo.
“Quanto maior a quantidade de fósforo, mais benéfico é para o ecossistema. Só que, no caso dos manguezais, dependendo do contexto em que ele está inserido, o excesso de fósforo pode representar um problema de contaminação ou de eutrofização”, afirma Queiroz.
A eutrofização provoca a proliferação exagerada de algas e cianobactérias na área de mangue, que causam o bloqueio da luz solar e o consumo do oxigênio, resultando em mau odor e morte de peixes, com perda da biodiversidade aquática e deterioração da qualidade da água.
Agora, os cientistas dizem que o próximo passo é entender que tipo de carbono está “retornando” para esses solos, se é mais ou menos estável, com maior ou menor duração.
Combinando análises de solo, sensoriamento remoto e modelagem espacial, a proposta é mapear a saúde dos solos de manguezais e seu potencial de sequestro de carbono. A iniciativa pretende gerar o primeiro mapa em larga escala da saúde do solo de manguezais no Brasil.
O artigo Tracking mangrove restoration using a biogeochemical soil health index and ecosystem service indicators pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-025-30909-2.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino
Plataforma de streaming é gratuira e voltada para produções audiovisuais do Amapá e da Amazônia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Amazônia Play: a nova plataforma gratuita de streaming voltada para produções audiovisuais do Amapá e da Amazônia foi lançada no dia 7 de março em Santana (AP). O serviço pretende ser vitrine da indústria criativa nortista, levando obras locais para o público da região, do Brasil e também para o exterior.
O catálogo reúne produções gratuitas e abertas para todas as idades, incluindo filmes de ficção, documentários, animações e clipes musicais.
O idealizador e coordenador do projeto de streaming, Abel Neto, explica que a iniciativa nasceu da necessidade de reunir em um só espaço os trabalhos produzidos na região.
“A plataforma surgiu da necessidade de reunir em um só espaço as produções locais, que antes eram divulgadas de forma dispersa. Agora, com o Amazônia Play, conseguimos valorizar o audiovisual do Amapá e dar visibilidade para outros estados e para o mundo”, afirmou.
O evento de lançamento do streaming aconteceu no Senac, em Santana, com programação cultural aberta ao público, incluindo homenagens, apresentações musicais. Para o cineasta Rosivan Santos, a novidade chega em um momento importante para o setor.
“Nós não tínhamos um espaço específico para divulgar nossas produções. Geralmente colocávamos no YouTube ou Instagram, mas era difícil alcançar público fora da região. Agora nossos filmes e documentários poderão ser acessados em qualquer lugar do mundo”, destacou.
Uma pesquisa do professor doutor e pesquisador Ferdinan Melo, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que tem a participação de estudantes, professores e colaboração de instituições fora do Estado, dá conta de que é necessário fazer um alerta à sociedade sobre os riscos à saúde humana quanto ao consumo do Caracol Africano (Achatina fulica) nos municípios da grande São Luís.
A pesquisa esclarece que este animal é um molusco nativo da África Oriental, introduzido no Brasil com o propósito de ser utilizado na alimentação, como uma alternativa na substituição do Cornu aspersum, conhecido como Escargot. Informa, ainda, que, devido ao rápido crescimento populacional desordenado é considerada uma espécie invasora em vários países.
Segundo explica o professor Ferdinan, coordenador do estudo, o Caracol Africano, classificado como praga urbana e agrícola, constitui uma ameaça à biodiversidade e à saúde pública, por ser hospedeiro intermediário de nematódeos, como o Angiostrongylus cantonensis, agente da Meningite Eosinofílica.
“A nossa intenção é investigar as ocorrências do Caracol Africano e de nematódeos com relação à saúde da população na Região Metropolitana da Ilha de São Luís. Para isso, realizamos coletas em 12 parcelas fixas nos municípios de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís, em finais de períodos chuvosos e secos nos anos de 2024 e 2025”, disse Ferdinan.
O pesquisador acrescenta que amostras foram avaliadas no Laboratório Central do Maranhão (LACEN-MA) e encaminhadas para o Laboratório de Malacologia (LRNEM-IOC), Fiocruz, Rio de Janeiro, onde foram submetidas ao processo de digestão artificial, com HCl a 0,7%.
Nas unidades, os moluscos foram pesados e mensurados para realizar a relação massa-comprimento e identificar o fator de condição relativa. Foram coletados 473 espécimes em 2024, 348 (73,57%) no período chuvoso e 125 (26,42%) no período seco.
Durante os trabalhos, descobriu-se que nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo da presença do molusco em toda Ilha de São Luís, e o risco potencial de doenças (zoonoses) se tornou uma preocupação. A equipe ouviu, ainda, relatos constantes da população sobre as dificuldades de controle malacológico pelos agentes de endemias, somado a desinformação e cuidados inadequados com os terrenos baldios, quintais e jardins, que podem estar ligadas direta ou indiretamente à presença desses moluscos.
Foto: Ferdinan Melo/Acervo pessoal
Observou-se, também, que, esses animais tanto adultos como jovens, mostraram-se ter grande capacidade de adaptação em situações ambientais adversas, possibilitando sua reprodução e, que, as condições antrópicas promovem a manutenção e proliferação desses caracóis, principalmente em locais com saneamento básico precário.
“Esperamos que os resultados deste estudo forneçam medidas de controle eficazes, contribuindo para a promoção da saúde dentro do contexto de ‘Uma Só Saúde’, alerta o professor Ferdinan.
O professor esclarece que o ciclo de vida do nematódeo tem como hospedeiros definitivos os roedores. Mas os humanos, por sua vez, atuam como hospedeiros acidentais, sendo infectados da mesma forma que os ratos, por meio da ingestão desses caracóis, caramujos ou lesmas contaminados no terceiro estágio de desenvolvimento.
Ferdinan conclui ressaltando que, uma vez, esses animais no organismo humano, desenvolvem larvas, que atingem o estágio subadulto, e, a maioria desses vermes, após migrarem pelo tecido cerebral, acabam matando seus portadores. O comprometimento neurológico observado nos indivíduos infectados resulta um processo inflamatório desencadeado pelo sistema imunológico.
Imagem: Divulgação/UEMA
Equipe de colaboradores na pesquisa:
Prof. Dr. Guilherme Mota da Silva Laboratório de Malacologia-LMALAC IOC- FIOCRUZ; Daniel Soares Saraiva – Doutorando PPGCA UEMA; Nathália Medeiros Guimarães – Doutoranda PPG BIONORTE; Rivaldo Costa Almeida – Doutorando PPGCA UEMA; Anna Maria Fonseca Roma – Bolsista Iniciação Científica UEMA; Sarah Jéssica Morais Brandão – Bolsista de Extensão UEMA; e Thaynara Kênia Garcez Pinheiro – Bolsista de Extensão UEMA.
O cupuaçu é patrimônio cultural na Amazônia. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA
Os frutos amazônicos misturam sabores e culturas em uma mordida só. Existem para todos paladares: dos mais doces aos mais azedos/amargos, mas todos com sabores únicos e inconfundíveis.
Entre eles, o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) ganhou destaque em uma conversa entre as participantes do reality show Big Brother Brasil 26, Jordana Reis (da região Centro-Oeste) e a cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque.
O cupuaçu é uma fruta que possui polpa cremosa, caroço comestível e uma casca grossa marrom e varia de varia de 15 a 25 cm de tamanho. Cientificamente conhecido como Theobroma grandiflorum, é originário da Amazônia, com grande incidência nos estados do Pará e Maranhão. Ele pode ser encontrado ocasionalmente em países como o Equador, Colômbia, Costa Rica e Gana, na África Ocidental, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Com a polpa, muito rica em proteínas, carboidratos, fibras e enzimas, se preparam sucos, refrescos, cremes, compotas, doces, sorvetes, biscoitos, licores e iogurtes.
E a semente é utilizada na produção do cupulate (chocolate feito do caroço da fruta).
O fruto, desde 2024, através da Assembleia Legislativa do Amazonas, se tornou patrimônio cultural, junto com a pupunha, o açaí e o buriti.
O Portal Amazônia reuniu algumas opções de receitas feitas com o fruto para você conhecer:
Essa é uma das lembrancinhas mais populares no Amazonas. As balas de chocolate recheadas com geleia de cupuaçu ou com castanha-da-Amazônia são itens indispensáveis para apresentar um pouco dos sabores amazônicos, mas é quando se une os dois que se cria uma explosão de sabor?
Ingredientes
1 pacote de doce de cupuaçu (massa);
250 g de castanha-do-brasil;
150 g de açúcar refinado;
1 vidro de vinagre branco;
1 lata de leite condensado;
4 colheres de chocolate;
1 vidro pequeno de mel de abelha e 50 g de manteiga.
Modo de fazer
Amassar o doce com o garfo e colocar a castanha ralada;
misturando bem com as mãos até obter o ponto de enrolar;
Abrir a massa, na palma da mão;
acrescentar um pedaço de castanha torrada e enrolar.
Mousse de maracujá e cupuaçu
Foto: Arquivo Portal Amazônia
Outra receita que é bastante popular também é uma união de sabores: cupuaçu e maracujá. Geladinho, esse “copo da felicidade” leva mousse de maracujá e cupuaçu e um toque especial com pudim de leite.
Confira a receita completa e o modo de preparo AQUI.
Sorvete de cupuaçu
Mais uma receita para se refrescar no calor amazônico, o sorvete é fácil e prático de produzir em casa.
Imagem gerada por IA
Ingredientes
1 xícara de chá de açúcar demerara
3 colheres de sopa de açúcar demerara
1/2 xícara de chá de água
3 claras
400 gramas de polpa de cupuaçu descongelada
200 gramas de creme de Leite
Amazon bites a gosto
Modo de preparo
Em uma panela, coloque a xícara de açúcar e a água. Leve ao fogo e deixe formar uma calda em ponto de fio. Reserve.
Em outra panela, misture as claras e as colheres de sopa de açúcar.
Leve ao fogo baixo e mexa sem parar por 3 minutos. Retire a panela do fogo um pouco a cada minuto, sempre mexendo.
Transfira para uma batedeira e, aos poucos, despeje a calda de açúcar. Bata por 5 minutos.
Em uma tigela a parte, misture a polpa de cupuaçu e o creme de leite.
Junte com a mistura batida na batedeira e leve ao congelador por 12 horas.
Pronto, sirva com Amazon bites! Aproveite.
Creme de Cupuaçu
E é claro que não poderia faltar a receita do popular creme de cupuaçu. Confira a prática receita:
Ingredientes
2 latas de leite condensado; 2 latas de creme de leite; 200 g de polpa de cupuaçu;
Modo de preparo
Bata os ingredientes no liquidificador por 5 minutos;
Distribua em tigela ou potes individuais e leve para gelar por 3 horas.
Toda sociedade sofre modificações. É necessário fixar-lhe a memória por meio de uma escrita que marca com nitidez os contornos de sonhos de uma época. O ano era 1968, marcado pela efervescência do Regime Militar em que o Brasil vivia. Foi diante desse cenário de uma Manaus bucólica que nascia Cláudia Maria Daou Paixão e Silva, no dia 22 de abril de 1968.
Nasceu em um hospital, cuja memória se perdeu no tempo, que era a Santa Casa de Misericórdia. Sua mãe que ali trabalhava, dava a luz e ajudava a minorar as dores de outros pacientes, pura coincidência. Cláudia Maria Daou Paixão e Silva que herdou da enfermeira que lhe trouxe ao mundo a personalidade forte. Toda nova geração constrói novos padrões, valores e atitudes sobre a vida e a sociedade.
Seu pai, Phelippe Daou, nessa época já despontava como promissor jornalista trabalhando no ‘O Jornal’ e sua mãe Magdalena Arce Daou, era reconhecidamente na época como dedicada enfermeira que, com esforço próprio trabalhava duro para contribuir no sustento da família.
Phelippe Daou Júnior e a menina Cláudia Maria Daou. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
O tempo foi passando e a menina Cláudia Maria Daou, hoje Paixão e Silva teve o primeiro contato com as letras no Colégio Christus, já em tenra idade do maternal até a 5ª série do Ensino Fundamental. De família que professa a Religião Católica, logo transferiu-se para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, tendo concluído o Ensino Médio.
Os anos foram permitindo o amadurecimento de Cláudia Maria Daou, que conhece o jovem Ely Freitas Paixão e Silva, formado em Engenharia Elétrica, com quem casou-se em 1990, trazendo ao mundo três filhos: Lorena Daou Paixão e Silva, que nasceu em 05 de agosto de 1992, Phelippe Daou Neto, no dia 03 de fevereiro de 1996 e Lara Daou Paixão e Silva, no dia 10 de junho de 2002.
Cláudia Maria Daou Paixão e Silva e Ely Freitas Paixão e Silva. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Em 1990 cursa Administração de empresas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde concluiu com pleno êxito. Em seguida, faz uma especialização em Recursos Humanos, pela Fucapi, à época uma instituição de muito prestígio.
Seguindo o exemplo de seus pais, logo começa a trabalhar no Grupo Rede Amazônica. Seu desejo de conhecer todos os meandros da Administração percorreu vários setores da instituição, inclusive na Fundação Rede Amazônica, hoje como Diretora Presidente.
Com o falecimento de seu pai em 2016, assume juntamente com seu irmão o destino e a condução do Grupo Rede Amazônica.
Nos dias atuais participa ativamente e efetivamente a condução do Grupo Rede Amazônica como Presidente do Conselho Consultivo, dividindo as responsabilidades com seu irmão Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do professor e paleontólogo Manuel Alfredo, é uma das instituições responsáveis pelo estudo da descoberta histórica de fósseis de dinossauros no Maranhão, no município de Davinópolis. Os pesquisadores responsáveis pelo achado descreveram uma nova espécie de dinossauro saurópode em pesquisa publicada no Journal of Systematic Palaeontology.
A nova espécie de dinossauro identificada possui cerca de 100 milhões de anos e é o maior já descoberto no estado, com cerca de 18 metros de comprimento. Os fósseis revelam a existência de uma grande comunidade biológica na região durante o Período Cretáceo, há cerca de 115-120 milhões de anos.
De acordo com o estudo publicado, o animal era um saurópode (pescoçudo) de médio a grande porte, com comprimento estimado em cerca de 20 metros.
Preparação do fóssil na Unifesspa. Foto: Elver Mayer
O fóssil encontrado foi batizado de Dasosaurus tocantinensis. O nome foi escolhido para homenagear tanto a localização quanto a vegetação da região em que foi encontrado os fósseis, como pontua o professor da UFMA e paleontólogo, Manuel Alfredo.
“‘Dasosaurus’ (nome do gênero) quer dizer dinossauro da floresta, em referência à Amazônia Legal, da qual o Maranhão faz parte. ‘Tocantinensis’ (nome da espécie latinizado) como referência à região tocantina, onde foi encontrado”, explica.
A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque o Dasosaurus é o “irmão” evolutivo mais próximo de um dinossauro espanhol (Garumbatitan). Análises sugerem que esse grupo de dinossauros teve origem na Europa e migrou para a América do Sul através do norte da África antes de os continentes se separarem totalmente.
A peça foi descoberta em abril de 2021, durante obras de terraplenagem para a construção de um terminal ferroviário. A escavação, limpeza, remontagem e os primeiros estudos foram realizados pelo paleontólogo e, na época, professor da UNIFESSPA, Elver Luiz Mayer.
A pesquisa foi realizada no Pará pela proximidade geográfica dos achados e da instituição. Atualmente, os fósseis estão em exposição no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís.
De acordo com a Lei de Proteção ao Patrimônio Fossilífero, um fóssil é patrimônio da União e pode ser mantido sob a guarda de qualquer instituição federal, estadual ou municipal dentro do território brasileiro.
Fósseis preparados para translado do estado do Pará para o Maranhão. Foto: Elver Mayer
Apesar de ter sido coordenado pelo pesquisador Elver Mayer, o professor da UFMA e paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros fez parte do estudo e foi um dos responsáveis pelo translado dos fósseis de São Félix do Xingu, no Pará, até São Luís, Maranhão, em 2025.
A equipe responsável pelo estudo do novo dinossauro contou com pesquisadores de onze instituições públicas brasileiras: Universidade Federal do Maranhão, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Piauí, Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.
O professor Manuel Alfredo destaca que a UFMA foi convidada devido à sua reconhecida experiência em pesquisas e publicações sobre a fauna extinta do período Cretáceo. “A UFMA foi convidada justamente porque já tem um histórico de mais de 25 anos com publicações nacionais e internacionais sobre a fauna extinta à qual esse novo animal fazia parte, que viveu entre 113 e 95 milhões de anos, no Período Cretáceo”.
Manuel Alfredo também reforça a posição de destaque do Nordeste, sobretudo do Maranhão, nas descobertas históricas do período Cretáceo.
“O Maranhão já vem atraindo a atenção e pesquisadores da França, China e USA por achados anteriores. Agora, com um dinossauro que tem parentesco com uma espécie europeia (da Espanha) esse interesse deve aumentar e se consolidar”, frisa.
Entre os principais achados dessa fauna, em várias localidades do Maranhão (Davinópolis, Coroatá, Cajapió, Santa Rita, Duque Bacelar, Alcântara e São Luís), estão restos de dinossauros herbívoros e carnívoros, crocodilos, répteis voadores, como os pterossauros, além de inúmeros peixes, tartarugas e vestígios de formas vegetais antigas, incluindo coníferas, samambaias arborescentes e equisetos.
Para os pesquisadores, os achados ampliam a diversidade conhecida de dinossauros do Brasil, mostram que o Nordeste foi uma região-chave na história evolutiva dos saurópodes e fornecem evidências de conexões entre América do Sul, África e Europa.
Iniciativa da UNIR promove inclusão social de bolivianos na fronteira com Rondônia. Foto: Divulgação
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
A Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) deu início, no dia 7 de março, à 5ª etapa do curso de extensão “Ensino de Língua Portuguesa para Estrangeiros”. A aula inaugural, que reuniu cerca de 60 cursistas, foi realizada na sede da Associação de Imigrantes Bolivianos, em Guajará-Mirim, reforçando o compromisso da instituição com o acolhimento e a integração cultural na região de fronteira.
A atividade é vinculada ao Departamento Acadêmico de Ciências da Linguagem (DACL) e ao Grupo de Estudos e Pesquisas “Literaturas, Língua(gens) e Memórias das/nas Fronteiras Amazônicas” (GEPELLIM).
O tema da aula inaugural para os bolivianos, “A Língua Portuguesa e o diálogo entre culturas”, foi ministrado pela professora doutora Maria Cristina Victorino de França. A exposição buscou não apenas ensinar as bases do idioma, mas promover uma troca cultural entre os estudantes e a universidade.
O curso tem como objetivo principal a inclusão social de imigrantes que residem na fronteira entre Brasil e Bolívia. Ao oferecer o domínio do português em um contexto de acolhimento, a UNIR busca diminuir barreiras linguísticas e sociais, permitindo que a comunidade imigrante participe de forma mais ativa e valorizada no desenvolvimento do município.
Bolivianos recebem aula de português pela UNIR. Foto: Divulgação
Equipe multidisciplinar
O projeto é resultado de um esforço coletivo da UNIR, Campus Jorge Vassilakis, em Guajará-Mirim. A coordenação da 5ª edição está a cargo dos professores doutora Auxiliadora Pinto, doutora Maria Cristina Victorino de França e mestre Celielson de Aguiar Brito.
A execução do curso conta com uma equipe robusta de docentes e acadêmicos, garantindo o acompanhamento pedagógico dos alunos. Compõem a equipe executiva as professoras Eunaia dos Santos Mercado, Janete Alvas Flores, Saraiê Chavez Tamo, Teresa Tamo Mamani, Jane Maria Cassimiro Gonçalves, o professor Jhony Davi Cayami Reina, além dos acadêmicos David Salas Azulay, Nora Rodriguez Duran e Ildilene Correa dos Santos.
Com essa iniciativa, a universidade reafirma sua importância na extensão universitária, consolidando-se como um elo entre o saber acadêmico e as demandas reais da população fronteiriça amazônica.
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal
Um engenheiro civil nascido em Manaus, no Amazonas, está no centro de um dos maiores projetos de infraestrutura aeroportuária do planeta. Mário Thiago Queiroz de Carvalho, de 37 anos, atua atualmente como Diretor de Projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, em Hanói, Vietnã — um empreendimento multibilionário que figura entre os maiores em execução no setor, cujos valores oficiais não podem ser divulgados por questões de compliance e confidencialidade contratual.
O projeto prevê capacidade para 100 milhões de passageiros por ano, mais que o dobro da capacidade projetada do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, concebido para cerca de 47 milhões anuais. O escopo inclui dois terminais principais, um terminal VVIP destinado a chefes de Estado, quatro pistas de pouso e decolagem, terminal de cargas, hangares, hotéis, sistema de metrô com acesso direto ao aeroporto, novas rodovias e integração ao projeto de trem de alta velocidade que conectará Hanói a Ho Chi Minh City ao longo de aproximadamente 1.600 quilômetros.
À frente dos pacotes de Project Management (PM) e Construction Management (CM), Mário lidera equipes multidisciplinares em modelo fast-track, no qual engenharia, planejamento e construção ocorrem simultaneamente — formato que reduz prazos, mas exige elevado controle técnico, gestão de riscos e integração estratégica.
Raízes amazônicas e a formação em Manaus
Mário conta que após concluir o ensino médio, iniciou simultaneamente os cursos de Economia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Engenharia Civil na Universidade Nilton Lins, optando posteriormente pela engenharia.
Ainda durante a graduação em Manaus, participou de projetos estruturantes no Amazonas, como a construção da Arena da Amazônia, o Shopping Via Norte e um complexo de galpões no Distrito Industrial de Manaus. A experiência na Arena, prestando serviços para a Andrade Gutierrez, consolidou sua atuação em obras de grande porte.
Em 2015, decidiu migrar de Manaus, com a família, para o Canadá. Em Toronto, aprofundou sua formação e atuou na Orbit Engineering como coordenador de projetos voltados à análise de materiais para rodovias e pontes. Posteriormente, na Bridgecon Construction, assumiu a posição de Superintendente de Obras de Infraestrutura.
Foi nesse período que teve seu primeiro contato com projetos aeroportuários — experiência que definiu sua vocação profissional.
Mário se formou em engenharia civil pela Universidade Nilton Lins, em Manaus. Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal
Com o retorno ao Brasil em 2019, encontrou o setor aeroportuário em plena transformação com o ciclo de privatizações. Concluiu MBA em Infraestrutura Aeroportuária e passou a atuar em diferentes obras pelo país: Maceió (2022), Porto Velho (2023), Belo Horizonte e Londrina (2024), Santarém (2025).
Em apenas cinco anos no setor, evoluiu da posição de engenheiro para Diretor de Projeto — ascensão considerada incomum na engenharia pesada internacional.
Especialista em obras no chamado “lado ar” — pistas, taxiways, pátios de aeronaves e sistemas de auxílio à navegação — desenvolveu expertise no ciclo completo de vida de empreendimentos aeroportuários, desde estudos conceituais e projetos, passando por planejamento e execução, até o comissionamento e ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer), etapa que ativa o aeroporto para início das operações.
Hoje, no Vietnã, Mário lidera um projeto, no Vietnã, que integra aviação, logística, mobilidade urbana e transporte ferroviário de alta velocidade, reposicionando Hanói como novo hub estratégico no Sudeste Asiático.
Sua trajetória desde Manaus simboliza não apenas sucesso individual, mas a competitividade da engenharia brasileira no cenário internacional — especialmente de profissionais formados fora do eixo tradicional de desenvolvimento do país. “Essa é apenas uma parte da minha trajetória. Ainda há muito a construir”, resume.
A ferroviária Euzenir Gomes trabalhou por quase 20 anos na administração no Prédio do Relógio. Foto: Júnior Costa
Em um ambiente historicamente marcado pela presença masculina, Euzenir Gomes construiu sua trajetória profissional na ferrovia, tornando-se exemplo de dedicação, competência e coragem em Rondônia. Seu trabalho na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) representou mais do que o exercício de uma função: foi um ato de afirmação feminina em um espaço tradicionalmente ocupado por homens.
Euzenir integrou uma geração de mulheres que romperam barreiras e ajudaram a consolidar a presença feminina em setores estratégicos da economia da região.
Ao atuar na ferrovia, contribuiu diretamente para manter viva uma instituição que não apenas transportava cargas, mas também conectava pessoas, culturas e impulsionava o desenvolvimento da região Norte do Brasil.
Ela trabalhou por quase 20 anos no setor de gestão de pessoas, iniciando como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração, no Prédio do Relógio, onde funcionava a sede administrativa da ferrovia. Hoje, aos quase 88 anos, relembra com emoção o período em que atuou na histórica ferrovia, patrimônio que marcou o nascimento e o desenvolvimento da capital rondoniense.
Foto: Divulgação
“Eu cheguei à região quando tinha 14 anos. A ferrovia foi o meu primeiro trabalho. Naquela época, as mulheres eram tarefeiras. Eu trabalhava na gestão de pessoas, o que hoje chamamos de RH. Por isso, viajei muito de trem até Guajará-Mirim, acompanhando os trabalhadores e enfrentando as dificuldades da região. Vivi muitas histórias que guardo na memória até hoje”, relembra.
Natural do Maranhão, sempre foi determinada. Enfrentou desafios e conquistou seu espaço em um ambiente que exigia disciplina, responsabilidade e comprometimento. Foi em Porto Velho que se casou e constituiu família. Ela destaca que viveu um período marcante, em que as mulheres começaram a conquistar direitos e ampliar sua participação no mercado de trabalho.
“Eu me sinto feliz com minha trajetória como mulher. Lembro de uma época em que a gente não podia nem votar, estudar e muito menos trabalhar. Mas, aos poucos, fomos conquistando nossos espaços. Hoje, a mulher pode ser o que quiser, e eu tenho muito orgulho de dizer que trabalhei na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”, conclui.
Memória viva da cidade
Ao longo dos anos, Euzenir acompanhou transformações importantes na cidade e na própria ferrovia. Mais do que funcionária, tornou-se guardiã de histórias que hoje integram a memória coletiva porto-velhense. Suas lembranças ajudam a manter viva uma época em que o apito das locomotivas marcava o ritmo da cidade e simbolizava progresso e integração regional.
A trajetória de Euzenir representa o protagonismo feminino na construção da história local. Sua presença na ferrovia simboliza a força das mulheres que contribuíram diretamente para o desenvolvimento social e econômico de Porto Velho.
Sua experiência reforça a importância de valorizar não apenas o patrimônio físico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas também as pessoas que ajudaram a construir e preservar esse legado.
Nas fotos em preto e branco, estão as lembranças de uma época que jamais será esquecida e que é guardada com carinho. Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, Euzenir Gomes e todas as mulheres que, com trabalho e determinação, ajudaram a escrever a história da capital merecem reconhecimento e homenagem.
“Preservar a memória da ferrovia é também reconhecer a contribuição feminina na construção da identidade e do desenvolvimento do município. Nossa gestão é pautada na valorização da nossa história. Tanto a Estrada de Ferro quanto a cidade de Porto Velho tiveram mãos de mulheres que ajudaram a construir a nossa identidade”, afirmou o prefeito.