Campanha de plantio na Amazônia une produção em viveiros comunitários e logística fluvial de mudas 

A expectativa para a atual temporada do projeto REFLORA é ampliar a recomposição florestal com mais de 17 mil mudas.

Muda de itaúba. Foto: Sérgio de Andrade

O Projeto REFLORA, iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), dá a largada para a campanha de plantio de 2026 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, no Baixo Rio Negro, em Manaus (AM). A ação é a estratégia central deste ano para avançar na meta de restaurar 200 hectares ao longo das áreas atendidas pelo projeto na unidade de conservação.

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Para o sucesso desta nova etapa durante a janela chuvosa na região, a campanha une duas frentes logísticas e produtivas fundamentais que se complementam: a produção local em viveiros comunitários e uma complexa operação de transporte fluvial de mudas externas.

Projeto REFLORA inicia campanha de plantio 2026 na Amazônia unindo produção em viveiros comunitários e logística fluvial de mudas 
Projeto REFLORA inicia campanha de plantio 2026 na Amazônia. Foto: Sérgio de Andrade

A expectativa para a atual temporada é ampliar a recomposição florestal com mais de 17 mil mudas mobilizadas, superando os resultados de 2025, quando o projeto marcou seu primeiro ano em campo com 66,85 hectares implementados e 8 mil mudas plantadas.

A janela ideal de plantio ocorre justamente entre os meses de janeiro e maio, período em que se concentra a estação chuvosa na região amazônica, pois o solo mais úmido é fundamental para favorecer o enraizamento e o desenvolvimento inicial das espécies nativas nas áreas em recuperação. 

Viveiros comunitários

Como um dos pilares do Projeto REFLORA, a estruturação de quatro viveiros comunitários entregues no fim de 2025 fortalece a autonomia das famílias na RDS e reduz a dependência de fornecedores externos a longo prazo. Mais de 9.000 mudas já foram produzidas localmente nestas estruturas e serão utilizadas nos plantios deste ano. As mudas incluem mais de 20 espécies nativas, entre madeireiras e frutíferas como itaúba, jatobá, cajuí, andiroba, cacau, café e cumaru.

Os próprios comunitários realizam diretamente todas as etapas da produção. Parte das sementes é coletada na floresta pelos moradores, para o uso de espécies adaptadas às condições locais. Após a coleta, eles fazem o preparo, a semeadura e o manejo, atuando como fornecedores do projeto ao produzir exemplares em tubetes, mais leves e baratos, o que facilita o transporte interno e a redução do lixo plástico, já que os tubetes são devolvidos e reutilizados.

Leia também: Plantio consorciado ajuda pequenos agricultores a manter produção em Roraima

Viveiro de Mudas na comunidade São Sebastião, RDS Puranga Conquista, Baixo Rio Negro em Manaus (AM). Foto: Sérgio de Andrade

Para isso, o projeto REFLORA investiu fortemente na formação técnica dos participantes, que passaram por capacitações voltadas à produção de viveiros e mudas, com conteúdo como coleta e beneficiamento de sementes, preparo de substratos, germinação e manejo de viveiros, conectando teoria e prática diretamente com a realidade dos territórios amazônicos. Parte dos recursos destinados à implantação dos viveiros teve apoio do Mais Unidos, por meio do Projeto Tucumã.

Logística e transporte fluvial

Para somar forças à produção comunitária e dar a escala necessária à campanha de plantio, o REFLORA executou paralelamente uma operação estratégica para transportar aproximadamente 8 mil mudas de espécies nativas. O volume desta remessa externa foi adquirido de uma startup de biotecnologia vegetal focada em espécies adaptadas às condições da região.

A logística envolveu o deslocamento inicial em caminhão saindo de Iranduba (AM) até o Porto do Gelão, em Manaus. De lá, as mudas foram embarcadas em um barco preparado para esse tipo de carga, em uma jornada fluvial de cerca de 8 horas pelo Rio Negro até a RDS.

Devido à sensibilidade de diversas espécies, como pau rosa, violeta, preciosa e copaíba, a operação exigiu cuidado extremo no manuseio e proteção contra o sol excessivo e acúmulo de água para preservar a integridade da carga até as áreas de plantio.

Resultados e próximos passos

Em 2025, marcando o primeiro ano de execução em campo, o REFLORA implementou 66,85 hectares de áreas em recuperação com o plantio de 8 mil mudas. Para este ano, a expectativa da campanha é dar um salto significativo e ampliar a escala de restauração utilizando as mais de 17 mil mudas prontas mobilizadas nas duas frentes.

Leia também: Dicas de como plantar mudas em três ambientes diferentes

Projeto REFLORA inicia campanha de plantio 2026 na Amazônia. Foto: Sérgio de Andrade

Para isso o projeto contratou sete comunitários para se juntarem à equipe de campo, fortalecendo o seu modelo de atuação participativa. Essa integração valoriza o trabalho local, sendo que parte desses comunitários contratados também recebe o projeto em suas áreas, conectando a recuperação ambiental à geração direta de oportunidades.

Sobre o Projeto REFLORA

O Projeto REFLORA é uma iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas, financiada pelo Edital Amazonas – Floresta Viva.

O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros.

Equipe de campo do projeto composta por comunitários da RDS. Foto: Sérgio de Andrade

O edital 02/2023 conta com o FUNBIO como parceiro gestor. O apoio financeiro é realizado pelo BNDES, pela Eneva S.A. e pela Cooperação Alemã, por meio do KfW. A iniciativa conta ainda com o apoio financeiro do Governo do Brasil. A SEMA, a APCT e a Natura também atuam como parceiras no projeto.

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