Foto de capa: Reprodução/PM-PA
O inverno amazônico, época de fortes chuvas na região Norte, é o período que mais contribui para as enchentes, fenômenos naturais que acontecem quando a água de rios, igarapés ou córregos transborda e alcança ruas e perímetros urbanos isolados. Tal cenário cria condições propícias para a proliferação de doenças através da água contaminada por bactérias, vírus e parasitas.
Por isso, o ambiente das enchentes gera grandes riscos à saúde, como a leptospirose, doença infecciosa causada a partir do contato direto de pessoas e animais com água, lama ou solo contaminado pela urina de rato.
Para a médica veterinária Jocilda Soares, é fundamental evitar qualquer tipo de contato com a água das enchentes, que geralmente se mistura com o lixo acumulado das ruas.
“As enchentes oferecem um grande risco de contaminação de doenças como leptospirose, hepatite A, diarreia, febre tifoide. A mais comum é a leptospirose, causada pela urina de rato e quando acometida a um paciente ou animal, é bem complicado reverter um quadro grave e evitar o óbito. Então, a gente tem que ter muito cuidado em não pisar na água e cuidar para que animais não tenham contato nem bebam dela para não contrair a doença”, explicou a médica.
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Jocilda destaca que, mesmo que tenha o contato inevitável com a água contaminada, é fundamental evitar a permanência por longos períodos, o que diminui o risco de contaminação da leptospirose.
“A melhor prevenção é evitar o excesso do contato com a água contaminada. Lembrando que o rato precisa estar com a doença, ele geralmente é o hospedeiro da doença, ou seja, não pega, mas transmite para o animal ou humano. Então, a gente não vai saber se a água está ou não contaminada, por isso o importante é: se puder evitar, melhor”, pontua.
Enchente não é diversão
Uma cena bem comum registrada durante as fortes chuvas são crianças pulando e nadando nas águas das enchentes. Apesar de parecer divertido, a prática esconde um grande risco à saúde dessas crianças, que vão deste a contaminação de doenças até acidentes fatais. Para Jocilda Soares, os pais precisam enxergar isso como um grande risco à vida humana e não como diversão.
“Infelizmente, é algo tão comum, mas que deveria ser evitado, principalmente com crianças. E é até meio difícil né, porque a gente vê até adultos brincando na água. Eles que têm mais entendimento, deveriam dar exemplo, mas até os adultos brincam nessa água suja”, lamenta.

Orientações e tratamento da leptospirose
Além de evitar o contato com a água, Jocilda recomenda que os locais afetados pelas enchentes passem por um processo de limpeza com a utilização de produtos químicos.
“A primeira coisa é fazer a limpeza e desinfecção dos locais afetados pelas enchentes, usando água sanitária. É fundamental que as pessoas utilizem botas tipo galocha, capas e luvas para entrar na água e fazer este processo. Isso porque a bactéria está lá, não sabemos se ela vai estar ‘viva’, mas bactéria é bactéria, então existe a possibilidade de ter uma nova enchente e ela ser reativada”, explicou.

Outro ponto importante, segundo Jocilda, são os sintomas após o contato com a água contaminada.
De acordo com a profissional, é essencial ter atenção redobrada em casos de sinais suspeitos e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível.
“Se aparecer febre alta, dores no corpo, diarreia, é necessário se atentar a esses sintomas, procurar um posto de saúde com urgência para verificar se houve contaminação. Já os animais, é fundamental que eles tomem uma vacina chamada múltipla para evitar lepstospirose, assim como outras doenças”, finalizou.
Águas que transformam
A entrevista com Jocilda Soares faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 23 de abril.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:19):
