Inpa e Shell Brasil anunciam lançamento de centro para recuperar áreas degradadas na Amazônia

Segundo dados recentes obtidos pelo Inpa, a Amazônia tem cerca de 20% de áreas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados.

Foto: Kaylane Golvim/Ascom Inpa

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Shell Brasil formalizaram o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad), que será voltado para o desenvolvimento de soluções que ampliem a recuperação de áreas degradadas na Amazônia.

Com investimento inicial de R$ 18,7 milhões da Shell Brasil, via cláusula de PD&I da ANP, o objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias para soluções baseadas na natureza.

Sediado no Inpa, em Manaus, o Cibrad integrará pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, conectando governo, comunidade científica, empresas e startups. A proposta é fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono. A iniciativa também prevê a modernização da infraestrutura de pesquisa do Inpa.

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Segundo o secretário da Subsecretaria para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Dorival dos Santos, o Cibrad é um marco para a ciência brasileira e para o futuro da Amazônia.

“Tenho plena confiança de que o Centro se tornará uma referência internacional em biotecnologia aplicada à restauração florestal e à economia de baixo carbono. Mais do que um centro de pesquisa, o Cibrad nasce como um espaço de convergência entre ciência, inovação e compromisso com o futuro da Amazônia. Proteger a floresta, restaurar seus ecossistemas e gerar conhecimento a partir dela é investir diretamente no futuro do Brasil e do planeta”, destaca. 

“A criação do Cibrad reforça como a inovação aberta é essencial para avançarmos em soluções concretas para desafios complexos, como a recuperação de áreas degradadas na Amazônia. A iniciativa nasce de uma parceria prévia entre Shell e Inpa, iniciada em 2022, quando se formou a rede de instituições e pesquisadores que vão atuar no referido centro. Esse é um exemplo de como a Shell Brasil, por meio de Pesquisa e Desenvolvimento, atua em parceria para transformar conhecimento em impacto positivo e acelerar o desenvolvimento de tecnologias baseadas na natureza”, afirma Alexandre Breda, gerente de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil.

O Cibrad reúne um consórcio de projetos que abrangem instituições de pesquisa dos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o Amazon GeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da Amazônia Legal.

Leia também: Pesquisadora diz que memória indígena pode recuperar áreas degradadas

“Com o Cibrad, estamos dando um passo além: sistematizar a pesquisa associada a plantios florestais com um objetivo maior, que é estruturar cadeias produtivas baseadas em espécies nativas. Isso envolve avançar em uma silvicultura de alta performance e conectar esse conhecimento a agendas estratégicas, como o mercado de carbono. Esse alinhamento é fundamental para o que esperamos construir nas próximas décadas na Amazônia”, ressalta o diretor do Inpa, Henrique Pereira.

unidade do inpa em manaus
Unidade do Inpa em Manaus. Foto: Reprodução/Inpa

Pesquisas do Inpa e parceiros ajudam na construção no centro

As pesquisas abrangem dez espécies florestais amazônicas de áreas degradadas de elevado potencial para restauração, como castanheira-da-Amazônia, andiroba, cumaru, mogno, copaíba e seringueira.

Além dos projetos conduzidos no âmbito do Inpa, o Cibrad também conecta iniciativas desenvolvidas em parceria com startups como Krilltech e Bioflore, ampliando o potencial de aplicação prática das pesquisas e fortalecendo o ecossistema de inovação voltado à restauração florestal na Amazônia.

A Amazônia tem cerca de 20% de áreas degradadas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados.

“O Cibrad se propõe a implementar não só o processo de domesticação de novas espécies, mas também de espécies que já têm cadeias produtivas consolidadas. Isso significa trazer processos de melhoramento genético, número de propágulos o suficiente para reflorestar grandes áreas e impactar não só o mercado de carbono, mas a indústria de produtos e processos”, conta o coordenador do Cibrad, o pesquisador do Inpa, José Francisco de Carvalho Gonçalves.

A coordenação dos projetos será acompanhada por um Conselho Diretor e supervisionada por um comitê técnico-científico composto por pesquisadores, cientistas e profissionais das empresas parceiras, assumindo uma governança moderna e identificada com os mais elevados princípios de transparência e compliance.

*Da assessoria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA

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