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Energia elétrica: estudos recomendam aplicação de tarifa social e formação de agentes locais em comunidades tradicionais

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Foto: Tauan Alencar/ MME

Duas publicações inéditas lançadas pela Rede Energia & Comunidades evidenciam os desafios e as oportunidades para a universalização do acesso à energia elétrica em territórios tradicionais do Brasil. As publicações foram apresentadas no dia 30 de março, no 1º Seminário Energias da Floresta – Inovação e Sustentabilidade Energética, evento transmitido on-line pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília.

Os relatórios ‘Contribuições para o aperfeiçoamento do programa Luz para Todos em territórios tradicionais‘ e ‘Contribuições para o aperfeiçoamento do programa Luz para Todos em territórios extrativistas dos maretórios‘ analisam, respectivamente, a realidade de territórios indígenas e quilombolas na Amazônia e de comunidades extrativistas no litoral sul da Bahia.

O primeiro teve coordenação técnica do Instituto Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o segundo foi conduzido também pelo WWF Brasil, ambos integrantes da Rede Energia & Comunidades, este com apoio da Associação Mãe dos Extrativistas da Reserva Extrativista de Canavieiras (AMEX).

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Os dois estudos apresentam um conjunto abrangente de recomendações para aprimorar o programa Luz para Todos e garantir acesso qualificado à energia elétrica.

Amazônia: desafios estruturais no acesso à energia elétrica

O primeiro relatório apresenta recomendações para ampliar o acesso à energia elétrica pública de qualidade em territórios indígenas do Xingu (MT) e em comunidades quilombolas de Abaetetuba (PA). O trabalho foi realizado entre março e agosto de 2025, com foco em 12 povos do Território Indígena do Xingu e nos territórios quilombolas de Bom Remédio e Ramal do Piratuba, ambos no Pará.

Os encontros de monitoramento e de avaliação reuniram representantes de instituições como o Ministério de Minas e Energia (MME), a Aneel, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério do Desenvolvimento Social e o Ministério da Igualdade Racial, além de lideranças comunitárias.

Leia também: Projeto levará energia elétrica limpa a aldeia Kaxinawá

Entre os principais problemas identificados estão falhas na implantação dos sistemas elétricos, ausência de diálogo com as comunidades e inadequações técnicas. No Xingu, por exemplo, sistemas foram instalados com tensão de 127 V, incompatível com os equipamentos locais, historicamente adaptados para 220 V, gerando riscos e prejuízos às famílias.

comunidade tradicional em santana do arari, no pará - foto: IEMA - energia elétrica
Foto: Reprodução/IEMA

Bahia: acesso desigual e impactos socioeconômicos

O segundo documento analisou a situação de cerca de 2.600 famílias na Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras, que abrange mais de 100 mil hectares. A pesquisa de campo, realizada em novembro de 2025, contou com a participação de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do MME e da Aneel.

O levantamento identificou três situações principais: comunidades sem acesso à energia elétrica, comunidades com acesso precário e instável e famílias que utilizam sistemas fotovoltaicos de baixa capacidade, suficientes apenas para iluminação básica.

A falta de energia impacta diretamente a renda e a segurança alimentar. Sem refrigeração adequada, por exemplo, pescadores dependem de gelo para conservar produtos, elevando custos e reduzindo o valor de venda. Em muitos casos, a precariedade do serviço tem levado moradores a migrar para centros urbanos.

Avanços identificados

Apesar dos desafios, os estudos também apontam melhorias. Em comunidades como Campinhos, o programa Luz do Povo garante gratuidade total da conta de energia para famílias com consumo de até 80 kWh por mês, com isenção de tarifas e tributos.

Outro destaque foi a realização do primeiro teste do aplicativo do programa Luz para Todos, desenvolvido pelo Ministério de Gestão e Inovação (MGI) e MME, para identificação de residências sem acesso à energia elétrica. Ele apresentou funcionamento pleno mesmo em áreas sem internet, demonstrando potencial para aprimorar o monitoramento das políticas públicas. Este aplicativo deverá ser lançado ainda neste semestre pelo governo federal.

Os estudos reforçam que o acesso à energia elétrica deve ser tratado como um direito fundamental e condição essencial para a dignidade, a segurança alimentar e hídrica e o desenvolvimento sustentável.

Ao evidenciar desafios persistentes, como acesso desigual, baixa qualidade do serviço e limitações institucionais, e apontar caminhos concretos, as publicações contribuem para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de soluções mais justas e eficazes para os povos e comunidades tradicionais do Brasil.

Os diagnósticos produzidos contribuíram para o  desenho inicial do Sandbox Regulatório Projeto Energias da Floresta, iniciativa da Aneel em cooperação com o IEMA e outras organizações,  voltada a testar soluções inovadoras para ampliar e qualificar o acesso à energia em territórios remotos e tradicionais. Esse projeto busca desenvolver modelos técnicos, regulatórios e de gestão mais adequados às realidades locais, a partir das demandas das próprias comunidades.

Entre as principais medidas estão:

  • ampliação da Tarifa Social de Energia Elétrica, com a regularização do CadÚnico;
  • inclusão das comunidades em cronogramas públicos de atendimento;
  • implantação de sistemas fotovoltaicos mais robustos, com baterias de maior capacidade;
  • fortalecimento da rede elétrica existente e a regularização de ligações precárias;
  • formação de agentes comunitários de energia;
  • criação de mecanismos de compensação socioambiental;
  • integração com políticas de saúde, educação, saneamento, conectividade e inclusão produtiva;
  • fortalecimento da fiscalização do serviço prestado pelas distribuidoras;
  • ampliação da participação social, com garantia de consulta prévia, livre e informada.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA)

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: por que existe essa divisão entre os dois estados? 

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Imagem gerada por IA

Os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul anos atrás eram um só território. Conflitos sociais e políticos dos habitantes da região norte e sul do estado perduraram por mais de cem anos e resultaram em sua divisão. 

Mato Grosso era um estado que tinha sua extensão territorial vasta como um problema entre as regiões norte e sul. As duas regiões do estado receberam influências distintas na sua colonização e isso começou a gerar conflitos de interesse. Por isso, suas ideologias, conduções políticas e até mesmo distâncias físicas eram fatores que as diferenciavam. 

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Assim, a necessidade geográfica de divisão foi enfatizada para que houvesse desenvolvimento de áreas subutilizadas, para assegurar a segurança nacional e melhorar o equilíbrio político à época. Logo, em 11 de outubro de 1977, foi assinado o decreto de divisão territorial pelo então Presidente-General Ernesto Geisel.

“Foi preocupação do meu governo abri o caminho no sentido de uma melhor divisão territorial do país. Considero isso uma necessidade. Necessidade decorrente, em primeiro lugar, da disposição geográfica, decorrente também do desenvolvimento do país e sobretudo da ocupação, da utilização de novas áreas que até agora jazem apenas em estado potencial. Mas decorrente igualmente de uma necessidade de ordem política, tendo em vista um melhor equilíbrio da federação nos dias de amanhã. Mato Grosso do Sul com vocação extraordinária para o desenvolvimento agropecuário e agroindustrial e dos efeitos dinamizadores propiciados pela vizinhança com os estados do Paraná e de São Paulo”, declarou Geisel em seu discurso durante a assinatura da emancipação político-administrativa.

Visão aérea do Parque das Nações Indígenas em campo grande no mato grosso do sul
Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Governo do Mato Grosso do Sul

Com a divisão, a capital do Mato Grosso continuou Cuiabá e a nova federação Mato Grosso do Sul teve sua capital definida como Campo Grande.

A data ficou marcada na história e os dois estados continuam comemorando a independência de ambos, celebrando como feriado.

Cuiabá, mato grosso
Cuiabá, capital de Mato Grosso. Foto: Reprodução/Agência Sebrae

E por que Mato Grosso faz parte da Amazônia Legal?

Em 1953, através da Lei 1.806, de 06.01.1953,(criação da SPVEA), foram incorporados à Amazônia Brasileira, o Estado do Maranhão (oeste do meridiano 44º), o Estado de Goiás (norte do paralelo 13º de latitude sul atualmente Estado de Tocantins) e Mato Grosso (norte do paralelo 16º latitude Sul).

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

Por conta disso, a Amazônia Brasileira passou a ser chamada de Amazônia Legal, fruto de um conceito político para planejar e promover o desenvolvimento da área nacional que abriga o bioma amazônico.

*Com informações de Associação Nacional de História (ANPUH) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

Saúde pública: médica orienta sobre automedicação e a importância do atendimento

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Foto: Daiane Mendonça/Sesau-Rondônia

Diante dos riscos que a automedicação, prática comum na busca por alívio imediato, podem causar à saúde, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Rondônia faz um alerta à população. O uso de medicamentos sem orientação profissional pode mascarar doenças, atrasar diagnósticos e agravar quadros clínicos.

De acordo com a médica Bruna Angelis, da Policlínica Oswaldo Cruz (POC), ao tentar resolver um problema de forma imediata, o paciente pode acabar escondendo sinais importantes de uma doença. 

“Quando a pessoa utiliza medicação por conta própria, principalmente analgésicos, ela pode encobrir sintomas de algo mais grave. Isso pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado”, explicou.

A médica destacou ainda que medicamentos usados para aliviar sintomas comuns podem ocultar sinais de doenças que precisam de investigação médica. Além disso, a automedicação pode representar riscos quando há interação com outros medicamentos, especialmente em pacientes que fazem tratamento contínuo.

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Outro ponto de atenção são as dosagens. Segundo a especialista, elas são específicas para cada paciente e exigem ainda mais cuidado em casos com crianças e gestantes. “Cada organismo reage de uma forma. A dose que pode ser adequada para um adulto, por exemplo, pode ser perigosa para uma criança ou para uma gestante”, ressaltou.

Leia também: Rondônia reforça prevenção à Doença de Chagas com ações de orientação

saúde rondônia
Foto: Leandro Morais/Acervo Prefeitura de Porto Velho

Saúde é prioridade

Por isso, ao se deparar com sintomas persistentes ou dores intensas, a orientação é procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já para investigação de doenças e acompanhamento médico, o recomendado é buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

O titular da Sesau, Edilton Oliveira, frisou que a recomendação é não utilizar medicamentos sem prescrição e procurar sempre avaliação médica. “Estamos trabalhando para fortalecer a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso e atendimento seguros, orientação adequada e cuidado contínuo junto à população”.

*Texto de Daiane Brito, da assessoria da Secretaria de Estado de Saúde de Rondônia

Conheça a Terra Indígena Capoto-Jarina, lar do cacique Raoni

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso, é um território tradicionalmente ocupado pelo povo Kayapó, também conhecido como Mebêngôkre. Dentro dessa terra indígena fica a aldeia Piaraçu, onde vive o cacique Raoni Metuktire, uma das lideranças indígenas mais conhecidas do Brasil e com reconhecimento internacional.

A área possui mais de 630 mil hectares de extensão e abriga diversas aldeias que mantêm a cultura e os costumes do povo Kayapó. E, além dos Kayapó, também vivem na região grupos Tapayuna, que compartilham práticas culturais semelhantes e convivem de forma integrada.

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A demarcação oficial da Terra Indígena Capoto-Jarina ocorreu em 1984, após um longo processo de reconhecimento pelo governo federal. Desde então, o território é considerado um dos mais preservados da Amazônia Legal, com baixos índices de desmatamento e forte controle comunitário sobre as atividades internas.

Atualmente, segundo dados do instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que cerca de 1.600 indígenas vivam nas aldeias da TI Capoto-Jarina. A população local mantém uma organização social estruturada e segue tradições que envolvem rituais, danças, artesanato e um modo de vida voltado à sustentabilidade e à convivência harmônica com a floresta.

Leia também: Cacique Raoni: honrarias e homenagens que já foram cedidas ao líder indígena

Preservação ambiental e ameaças

Caciquei Raoni é o líder da Terra Indígena Capoto-Jarina. Foto: Divulgação/ Instituto Raoni

A Terra Indígena Capoto-Jarina é uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira. Dados recentes indicam que menos de 0,2% de sua cobertura florestal foi perdida entre 2008 e 2024, resultado de ações contínuas de vigilância e do uso sustentável dos recursos naturais. O território é considerado um exemplo de como a presença indígena contribui para a conservação ambiental.

Apesar do cenário de preservação da Terra Indígena Capoto-Jarina, a região enfrenta ameaças recorrentes, principalmente de incêndios florestais. Em 2024, grandes focos de fogo atingiram parte da terra indígena, destruindo roças, áreas de coleta de plantas medicinais e afetando a fauna local. Os incêndios foram combatidos por brigadistas indígenas com o apoio de instituições ambientais.

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

Segundo o cacique Raoni, outra preocupação da TI é sobre as invasões de garimpeiros e madeireiros ilegais, que já tentaram se instalar na região em anos anteriores.

O cacique Raoni e outras lideranças reforçam constantemente a necessidade de proteger o território e de impedir qualquer tipo de exploração não autorizada. Patrulhas comunitárias percorrem as áreas de floresta e rios para monitorar possíveis invasões.

O trabalho de conscientização junto aos jovens Kayapó também tem sido fundamental para garantir a continuidade da proteção territorial. As novas gerações são instruídas sobre a importância da terra, da cultura e das práticas de autossutentabilidade que mantêm a comunidade viva.

Vida comunitária e autogestão indígena

Dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina, as aldeias são organizadas de forma coletiva. As casas, geralmente feitas de madeira e palha, são dispostas em torno de uma grande praça central, onde ocorrem reuniões e celebrações. A língua Kayapó é amplamente utilizada, embora muitos também falem português para se comunicar com instituições externas.

A vida comunitária envolve o cultivo de alimentos como mandioca, milho, banana e batata-doce, além da caça e da pesca, que seguem regras tradicionais de equilíbrio com a natureza. As decisões sobre o uso dos recursos naturais são tomadas em conjunto, com a participação das lideranças e dos anciãos.

O Instituto Raoni, fundado por lideranças indígenas, tem papel importante na execução de projetos voltados à proteção do território, ao etnomapeamento e à valorização do conhecimento tradicional. O instituto também atua em campanhas contra o desmatamento e pela defesa dos direitos indígenas em todo o país.

Relações com o Estado e reconhecimento público

Durante períodos de crise, como os incêndios recentes, a comunidade na TI realiza ações coordenadas com órgãos ambientais e outras instituições de apoio. Brigadas indígenas e grupos de monitoramento garantem a resposta rápida e o controle do fogo em áreas de risco.

O cacique Raoni Metuktire, com idade próxima aos 90 anos, é seu principal representante, reconhecido mundialmente como símbolo da luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas e tem participado de conferências internacionais, encontros com autoridades e campanhas em defesa do meio ambiente, incentivando as comunidades indígenas.

Em 2025, o cacique recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Aldeia Piaraçu, dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina. Durante o encontro, lideranças indígenas discutiram temas como demarcação de terras, proteção ambiental e políticas de fortalecimento da cultura indígena.

O cacique Raoni também já recebeu diversas homenagens e condecorações por sua atuação, além de ser referência em pautas relacionadas ao combate ao garimpo ilegal, à defesa das florestas e à autonomia dos povos originários. Sua trajetória é marcada pelo diálogo com diferentes setores da sociedade, mantendo-se sempre como defensor da integridade do território indígena.

Novo imortal: escritor amazonense Milton Hatoum toma posse na Academia Brasileira de Letras

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Milton Hatoum proferiu discurso durante a posse na ABL. Foto: Reprodução/Youtube-Academia Brasileira de Letras

O escritor amazonense Milton Hatoum é o primeiro do estado a se tornar imortal‘ na Academia Brasileira de Letras (ABL). Vencedor de três prêmios Jabuti, Hatoum assumiu a cadeira 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni, em uma cerimônia realizada nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro (RJ).

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O jornalista Cícero Sandroni morreu em junho do ano passado e Milton Hatoum foi anunciado como seu sucessor em agosto. Ele é o primeiro amazonense a tomar posse do título na ABL.

Em seu discurso, Hatoum lembrou a obra de Sandroni e de antigos ocupantes da cadeira que passa a representar. O discurso de recepção foi feito pela acadêmica Ana Maria Machado. Assista a cerimônia:

Milton Hatoum, o imortal amazonense

Entre os nove livros de ficção de sua autoria, os romances ‘Relato de um certo Oriente’, ‘Dois irmãos’ e ‘Cinzas do Norte’, vencedores do Prêmio Jabuti, são destaques e referência entre o público. ‘Dois irmãos’ é uma das obras que ganharam versões em quadrinhos e televisivas. Em 2025, o autor amazonense encerrou a sua mais recente trilogia, ‘O lugar mais sombrio’.

Leia também: Milton Hatoum: dez livros essenciais do escritor amazonense que transformou Manaus em literatura universal

Hatoum também é escritor de coletâneas de contos e crônicas e tem mais de 500 mil exemplares vendidos em 17 países.

milton hatoum recebe titulo de imortal na academia brasileira de letras
Foto: Reprodução/Youtube-Academia Brasileira de Letras

Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva. Na experiência mística. Vivemos também no devaneio. A humanidade não pode suportar tanta realidade como diz o famoso poema de Eliot. Um dos meus devaneios é imaginar um punhado de leitores anotando os mesmos trechos de um livro”, destacou Hatoum em seu discurso.

Entre os passos da celebração de posse, ele recebeu a medalha simbólica entregue aos novos membros da acadêmica Rosiska Darcy; o diploma foi entregue pela acadêmica Lilia Moritz Schwarcz; e a espada foi entregue por Arnaldo Niskier.

A comissão de entrada foi formada pelos acadêmicos Antonio Carlos Secchin, Domício Proença Filho e Eduardo Giannetti. Já a comissão de saída foi formada pelos acadêmicos Arno Wehling, Ana Maria Gonçalves e Gilberto Gil.

Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país

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Foto: Divulgação

Gravado em quatro cidades brasileiras (Manaus, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo), o documentário Bernardo Cabral, a palavra em ação‘ pretende dar amplitude de maneira prazerosa e instigante à vida e obra do amazonense Bernardo Cabral.

Feito ao longo de 2025, o documentário tem duração de 1h15m e foi produzido e dirigido por Alexandre Pina. Teve o incentivo da Lei do ICMS do Rio de Janeiro, com patrocínio institucional de Siqueira Castro Advogados, Nabor Bulhões Advocacia, CFOAB, Fecomercio e Rede Amazônica, além do apoio institucional da OAB-RJ.

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Foto: Divulgação

“O conceito de documentário clássico, cai como luva na obra de Bernardo Cabral. Deixar que o personagem em toda sua sofisticação intelectual e bom humor conduza é o fio que liga os arcos da história. A câmera é mera coadjuvante que segue de perto e se afasta para mostrar com detalhes e contextualizar os momentos em que o país pode se servir de um grande politico devoto da democracia. Com imagens de acervo para dar concretude aos depoimentos, a pesquisa torna-se uma grande força nesse filme sobre o mais importante ator ao lado de Ulysses Guimarães do processo de redemocratização do país”, descreve a produção do filme.

Conservar a contribuição de Bernardo Cabral

O objetivo do documentário é levar às próximas gerações uma história contemporânea e conservar as contribuições de Bernardo Cabral ao país. A direção conta com a sensibilidade de Alexandre Pena, documentarista brasileiro que começou a trabalhar com filmes em produção de biografias como ‘Barão de Mauá’ e ‘Guerra de Canudos’.

Alexandre estudou jornalismo no Rio de Janeiro e fez mestrado na Universidade Federal Fluminense. Já trabalhou em diversos emissoras e produtoras nacionais e internacionais com filmagem e direção de documentários. Implementou a TV Escola, TV Show Turca e fez produção para a TV Globo.

Foto: Divulgação

Nos últimos oito anos dirigiu quatro documentários: ‘Rio de Malta’, sobre o fotógrafo de Pereira Passos, Augusto Malta; outro sobre Aiçor César Nunes e seu cinejornal Revista da Tela; um sobre acervos culturais no Brasil; e por último um filme sobre a participação dos advogados no processo constituinte de 1988.

O documentário terá uma sessão para convidados na Cinemateca do MAM no dia 6 de maio, às 18h, com a presença de Bernardo Cabral; do presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti; do ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz; entre outros.

Quem é Bernardo Cabral?

José Bernardo Cabral nasceu em 27 de março de 1932, em Manaus (AM), onde transcorreu sua formação familiar e educacional, inclusive sua graduação em ciências jurídicas (1954). Graduou-se, também, em ciências contábeis (1950) e psicologia e serviço social (1958).

Foi delegado de Polícia em Manaus (1955) e promotor de Justiça em Itacoatiara (1955-56), também no Amazonas, onde ainda foi chefe do Departamento de Assistência e Previdência Social (1956) e procurador fazendário (1961).

Sua carreira política também se iniciou no Amazonas como secretário de Segurança Pública (1957), secretário de Interior e Justiça (1958 a 1959), chefe da Casa Civil (1959 a 1960) e, posteriormente, deputado estadual (1962 a 1966).

Eleito deputado federal em 1967, pelo estado em que nasceu, perfilou-se na oposição ao regime autoritário e ao movimento político-militar de 1964 (criticando a escalada de medidas governamentais correspondentes) até sua cassação em 1969, como parlamentar, e banimento como cidadão, baseados no Ato Institucional nº 5 de 1968 (editado pelo governo militar), pelo prazo de 10 anos. Nunca foi anistiado pelo regime.

Advogado militante, antes e depois de seu banimento político pelo autoritarismo militar em 1969, teve intenso ativismo social no interior da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual foi secretário-geral no período de 1979 a 1981 e seu presidente durante o período de 1981 a 1983, enquanto a entidade se tornava uma das principais lideranças da sociedade civil brasileira na resistência democrática e foi alvo de ataques terroristas contrários à distensão política entre o regime autoritário e seus opositores em curso.

Leia também: Senador José Bernardo Cabral: itinerário de vida exemplar

Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país
Foto: Divulgação

Decorrido o prazo temporal (de 10 anos) do ostracismo político-proibitivo de direitos políticos e de todos os demais direitos correlatos imposto pelo regime autoritário, Bernardo Cabral se candidatou a deputado federal para as eleições legislativas que formariam a Assembleia Nacional Constituinte incumbida de escrever uma nova Constituição brasileira. Foi eleito pelo estado do Amazonas em 1986.

Na Assembleia Nacional Constituinte que funcionou de 1987 a 1988, foi eleito, por meio de disputa interna, à bancada parlamentar do PMDB, relator da Comissão (intitulada de Sistematização) onde convergiam as diversas propostas que tramitavam para a futura Constituição do país.

Posteriormente, com a intensificação das polarizações ideológicas e políticas na Assembleia Constituinte, tornou-se seu relator geral e, consequentemente, parecerista de todos os temas dos debates e articulador em todas as polêmicas relevantes do processo de elaboração da nova Magna Carta. Após a primeira sucessão presidencial democrática (e com voto direto pela população), com o fim do regime autoritário e a promulgação da Constituição de 1988, foi nomeado ministro da Justiça do governo de Fernando Collor de Mello (eleito em 1989). Esteve à frente do Ministério da Justiça por sete meses, abando-o em outubro de 1990.

Em 1994, tornou-se senador da República pelo estado do Amazonas, exercendo o mandato pelo Partido da Frente Liberal (PFL), cujo diretório amazonense presidiu. Encerrando-o em 2002, foi marcado pela articulação e relatoria de reformas constitucionais no campo do Poder Judiciário e correlatos (incluindo a criação do Conselho Nacional de Justiça).

Dentre dezenas de títulos e outras distinções que lhe foram outorgados, é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) em 2005, pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2009, pela Academia Brasileira de Filosofia em 2010 e é membro da Academia Brasileira de Direito e Economia, desde 2012.

É autor de dezenas de livros, especialmente sobre a região amazônica e legislação sobre recursos hídricos do país, além de centenas de pareceres jurídicos em revistas especializadas. Pela Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Magna Carta de 1988, publicou ‘Poder Constituinte: fonte legítima – soberania liberdade’.

Bernardo Cabral exerce a advocacia, ininterruptamente, desde 1969, no estado do Rio de Janeiro (ano e local onde se encontrava quando cassado pelo regime autoritário, o que lhe impôs, à época, restrições de mobilidade), e a consultoria da Presidência da Confederação Nacional do Comércio, desde 2003.

NN Logística 2026 supera expectativas, movimenta R$ 520 milhões e consolida Manaus como hub da indústria fluvial

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NN Logística tem nova edição anunciada para abril de 2027. Foto: Divulgação/IP Focos Media

Manaus (AM) encerrou a edição 2026 da NN Logística consolidando-se como o principal polo de articulação da indústria fluvial na América Latina. Realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, o evento reuniu mais de 9 mil visitantes e gerou cerca de R$ 520 milhões em acordos comerciais, segundo os organizadores.

Mais do que números expressivos, a feira se destacou por reunir atores de todas as esferas — governo federal, agências reguladoras, operadores logísticos, indústria naval, estaleiros, multinacionais, estudantes, universidades e entidades setoriais — em torno de uma agenda estratégica para o futuro da navegação interior e da infraestrutura logística brasileira.

Leia também: Feira NN Logística 2026 evidencia Manaus no centro da indústria fluvial na América Latina

Para o organizador da Feira, David Semeghini, o resultado reflete a maturidade do setor e o papel crescente da região Norte no cenário nacional.

“O evento superou todas as expectativas, tanto em visitantes quanto em geração de negócios. Tivemos grandes debates, conexões relevantes e mais de R$ 520 milhões em vendas. Manaus é o coração do Arco Norte, e a tendência é crescer cada vez mais, trazendo tecnologia e empresas para a região”, afirma.

A próxima edição ocorrerá em abril de 2027, novamente em Manaus, com expectativa de expansão.

NN Logística 2026 supera expectativas, movimenta R$ 520 milhões e consolida Manaus como hub da indústria fluvial
Foto: Divulgação/IP Focos Media

Avanços concretos e consenso do setor

No campo institucional e estratégico, os Diálogos Hidroviáveis que trouxeram à Manaus autoridades e especialistas no setor, apontaram consensos importantes para o desenvolvimento da logística nacional, especialmente no eixo hidroviário.

Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (ADECON), Adalberto Tokarski, o evento consolidou diretrizes claras para o setor.

“O principal consenso é a necessidade de políticas públicas mais estruturadas, com maior participação da iniciativa privada e comunicação mais próxima com a sociedade. A concessão de hidrovias é essencial para garantir navegação segura durante 365 dias por ano e 24 horas por dia, reduzindo custos logísticos”.

Tokarski também destacou o avanço da indústria naval, impulsionado por investimentos do Fundo da Marinha Mercante:

“Foram aprovados R$ 80 bilhões, com cerca de R$ 16 bilhões já aplicados, o que representa um crescimento superior a 1.000% em relação ao período anterior. No Amazonas, estaleiros ampliaram em mais de 300% sua força de trabalho qualificada”.

O presidente da ADECON também destacou a evolução de projetos estruturantes, como outro ponto relevante dos Diálogos Hidroviáveis, temário da NN Logística 2026.

“O DNIT já possui projetos e recursos para dragagem nas principais hidrovias da Amazônia. Além disso, o terminal da Manaus Moderna avança, com perspectiva de concessão à iniciativa privada, o que é fundamental para atender a população e melhorar a logística local”.

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Foto: Divulgação/IP Focos Media

Indústria aquecida e crescimento dos estaleiros

O aquecimento da demanda por embarcações também foi destacado como fator determinante para o sucesso da feira.

“O aumento das encomendas de embarcações fluviais tem sido decisivo. O nível de ociosidade dos estaleiros nunca foi tão baixo, o que demonstra a força e o momento positivo da indústria naval na região”, avalia a diretora da NN Logística, Rosângela Vieira.

Expansão da NN Logística e protagonismo do setor

A evolução da NN Logística acompanha o crescimento do próprio setor. De acordo com o diretor, Marcos Godoy Perez, a edição 2026 marcou um salto relevante.

“A feira cresceu consistentemente desde a primeira edição, mas este ano avançou de forma significativa, com ampliação de 30% da área de exposição. Recebemos mais de 9 mil visitantes e geramos R$ 520 milhões em negócios. Isso comprova a robustez da indústria naval fluvial da região Norte”.

Ele também projeta expansão para os próximos anos: “Para 2027, esperamos alcançar uma nova marca. Já temos renovações de contrato, pedidos de ampliação de estandes e interesse de empresas que hoje participam como visitantes”.

A NN Logística é hoje a principal plataforma de negócios e debates da indústria fluvial na América Latina.

“Ao reunir investimento, inovação, política pública e articulação institucional em um único ambiente, a feira reforça o protagonismo da Amazônia no futuro da logística brasileira e projeta Manaus como um dos principais hubs do setor no continente. Com nova edição já confirmada para 2027, o evento avança para um novo ciclo de crescimento, ampliando sua relevância nacional e internacional”, aposta David Semeghini.

Indígena Sateré-Mawé apresenta dados inéditos sobre espécies de cogumelos consumidos pelo seu povo

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O indígena Tyson Ferreira-Sateré apresentou 10 espécies de cogumelos comestíveis. Foto: Anne Karoline/Inpa

O estudante do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Tyson Ferreira-Sateré, pertence à etnia Sateré-Mawé e defendeu sua dissertação de mestrado com um feito inédito para a ciência: o consumo de 10 espécies de cogumelos comestíveis ainda não registradas para povos amazônicos.

Por meio de trabalho de campo, documentação fotográfica, identificação taxonômica e análises laboratoriais, Tyson constatou o primeiro registro de Cookeina tricholoma no município de Barreirinha, conhecido pelos Sateré-Mawé como Kusiú e more, o “cogumelo cuxiú de nariz vermelho”.

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Na pesquisa, o biólogo detalhou que a espécie é comum nos trópicos e pertence ao filo Ascomycota, diferente da maioria dos cogumelos comestíveis mais conhecidos: os Basidiomycota.

O cogumelo Cookeina tricholoma tem formato semelhante a uma pequena cuia, com presença de “pelos” na superfície externa e coloração alaranjada, podendo crescer rente ao substrato ou apresentar estipe (um “pezinho”).

O fungo é bastante utilizado na alimentação da comunidade Sateré-Mawé, tradicionalmente preparado no formato de pukecas (um recipiente feito com folhas de bananeira, utilizado para assados), que são servidas em comemorações internas da aldeia e em eventos abertos ao público.

Leia também: Estudo aponta bioativos de cogumelos amazônicos para eliminar radicais livres e prevenir doenças

Segundo Tyson, nos últimos 50 anos, apenas 35 cogumelos comestíveis tinham sido registrados em nível de espécie no contexto etnomicológico da Amazônia brasileira, principalmente entre o povo Yanomami. Com o estudo, o número foi ampliado para 45. 

A importância dos cogumelos vai além da alimentação, ela se apresenta nos aspectos culturais, econômicos e ecológicos, já que os fungos também atuam na decomposição de galhos e troncos, contribuindo para a reciclagem de nutrientes da floresta.

“A minha maior surpresa foi saber que há mais de 350 anos o povo Sateré-Mawé tem contato com jesuítas, naturalistas e diversos pesquisadores, mas o conhecimento etnomicológico deles ainda não havia sido registrado. Estou muito feliz que o próprio provedor do conhecimento está fazendo esta história”, comemora a pesquisadora do Inpa e orientadora do trabalho, Noemia Ishikawa, que é líder do grupo de pesquisa Cogumelos da Amazônia.

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Imagem colorida mostra Tyson Saterê-Mawé com banca examinadora e amigos após aprovação de dissertação
Foto: Anne Karoline/Inpa

Com o título de “Etnomicologia sobre o uso de cogumelos na alimentação do povo Sateré-Mawé, com foco especial nas espécies de gênero Cookeina, na região do baixo Rio Andirá, Amazonas”, a dissertação foi avaliada e aprovada por unanimidade pela pesquisadora do Inpa, Sônia Alfaia, pelo arqueólogo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Carlos Augusto da Silva, e pela coordenadora do Núcleo de Biotecnologia do Centro de Estudos Superiores de Parintins e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cynara Carmo Bezerra.

Protagonismo indígena

Nascido em Manaus e criado na comunidade Ponta Alegre, terra indígena Andirá-Marau, município de Barreirinha, no Amazonas, Tyson Ferreira-Sateré conta que sua principal motivação para a pesquisa foi valorizar o conhecimento tradicional Sateré-Mawé e contribuir para a conservação biocultural da floresta amazônica.

Ele se emociona ao falar da conclusão desta etapa acadêmica. “Este momento representa uma grande conquista pessoal e familiar. Concluir o mestrado com base nos nossos próprios conhecimentos tradicionais, valorizando a floresta em pé — que é parte fundamental da nossa identidade e modo de vida — é algo muito significativo para mim e para o meu povo. É a prova de que é possível fazer ciência a partir das nossas raízes, sem abrir mão da nossa cultura”, ressalta.

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O reconhecimento também vem da sua orientadora, Noemia Ishikawa, que elogiou a forma como o mestrando trouxe o conhecimento tradicional para dentro do Inpa, juntando os saberes da Amazônia, estabelecendo o diálogo com a ciência – experimentos e equipamentos, como a microscopia eletrônica de varredura – pois tudo isso colaborou para a qualidade de sua produção científica.

“As pessoas estudam, geralmente, os alimentos e os costumes das comunidades indígenas em seus artigos. Hoje tivemos uma grande virada de chave na ciência, onde o próprio indígena faz a sua própria ciência, levando-a de volta para a sua comunidade. Espero que o exemplo dele seja seguido por muitos, tanto para virem estudar, como ele está fazendo, quanto para retornar à comunidade com as suas devolutivas e com seus conhecimentos”, observou a orientadora. 

Imagem colorida mostra o pesquisador indígena Tyson Saterê-Mawé e a pesquisadora Noemia Ishikawa no inpa
Foto: Anne Karoline/Inpa

Apoio em pesquisa sobre cogumelos

Tyson Ferreira-Sateré teve bolsa de estudo da PDPG-Capes/Fapeam e o desenvolvimento das atividades de campo e laboratoriais do CNPq receberam apoio financeiro por meio dos projetos “Projeto Diálogos multiculturais” – Chamada PPBio 2023, “Programa de Capacitação e Formação de Recursos Humanos em Taxonomia Biológica – Protax” – Chamada CNPq/Confap-FAPs 2024, e a “Rede Fungo Pan-Amazônia” – Chamada pública MCTI/CNPq N. 03/2025 – Pró-Amazônia, CNPq, acrescentou a orientadora.

Ao destacar o papel essencial do Inpa nessa caminhada, o agora mestre destaca as políticas de ações afirmativas do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, que possibilitaram seu ingresso no mestrado e ampliaram sua visão sobre as diferentes abordagens e metodologias da área.

“Sou muito grato pelo apoio institucional, pelo alinhamento e abertura da direção do instituto, por meio do diretor e professor Henrique Pereira e da pesquisadora Sonia Alfaia, em relação às pautas e às necessidades dos estudantes indígenas. A ciência também é nosso espaço. Podemos e devemos ocupar esses lugares, transformar nossos saberes em pesquisa e mostrar ao mundo a força do conhecimento indígena”, completou. 

*Com informações do Inpa

Mulheres indígenas marcam suas digitais na transformação de trajetórias indígenas no Acre

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Festival Kãda Shawã Shawawa. Foto: Cleiton Lopes/Secom AC

A história indígena não começa em 1500 nem ficou no passado. Quando os colonizadores chegaram, milhões já viviam nas Américas. Hoje, mais de 1,6 milhão de indígenas seguem presentes no Brasil, onde mantêm cantos, tradições e enfrentam disputas por existência. Nesse contexto, as mulheres são maioria, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), e ocupam a linha de frente da preservação cultural e da defesa da floresta.

É nesse cenário que a transformação ganha rosto. A 450 quilômetros de Rio Branco (AC), onde vive, a secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara observa, na Terra Indígena Arara/Igarapé Humaitá, o avanço de mulheres que antes não ocupavam esses espaços. Para ela, esse movimento já não é exceção, mas parte de uma mudança em curso nos territórios.

“Seja dentro da aldeia ou fora dela, estamos defendendo direitos, a participação e a escuta, para que a nossa voz seja alcançada em todos os espaços. Assim, vamos construindo um mundo melhor dentro dos territórios. Hoje, temos três frentes: aquelas mulheres que estão fortalecidas com sua autonomia lá nas pontas; mulheres que também estão dentro das associações, como caciques; e, atualmente, contamos com lideranças mulheres, pajés mulheres e professoras mulheres”.

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Nos territórios e também nos espaços de poder, mulheres indígenas transformam presença em construção coletiva, articulando saberes, decisões e caminhos para o bem comum. Arara afirma ainda:

“Somos mulheres indígenas que ocupamos espaços como conselheiras, artesãs e agricultoras, fortalecendo a segurança alimentar nos territórios. Além disso, participamos das tomadas de decisões em conjunto, contribuindo para o que é melhor nas assembleias”.

“Somos guardiãs das línguas indígenas”, destaca Francisca Arara. Foto: Cleiton Lopes/Secom AC

Também somos guardiãs das línguas indígenas e seguimos promovendo ações para ampliar a presença feminina nos espaços de poder decisório. E não estamos nesses espaços por sermos mulheres; estamos, sobretudo, porque podemos ajudar na construção de políticas públicas para que o mundo se torne melhor.

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Esse avanço não se limita à ocupação de espaços de poder, ele também se constrói na forma como os próprios povos indígenas se reconhecem e se posicionam no mundo. É o que reforça a artesã Júlia Yawanawa, da Terra Indígena Rio Gregório, ao afirmar que os povos originários nunca foram parte da paisagem, mas protagonistas da própria história.

É dessa vivência que nasce o entendimento sobre o que significa, na prática, valorizar os povos indígenas.

“Então, valorizar os povos indígenas é respeitar a nossa existência. Atualmente, na minha visão, falar em valorização dos povos indígenas no Acre passa por reconhecer e respeitar o nosso modo de viver e a nossa forma de enxergar o mundo e a floresta, porque somos defensores da floresta”.

Valorização das mulheres indígenas

Para além do reconhecimento simbólico, Júlia aponta que essa valorização também passa por condições concretas de vida e permanência nos territórios.

“Para quem conhece a vida na floresta, sabe que é uma luta constante. Não é porque vivemos nela que temos tudo de graça. De fato, não compramos água, nem banana ou mandioca, mas, se não trabalharmos, também não teremos. A nossa relação com a floresta é profunda: faz parte da nossa vida, da nossa espiritualidade, da nossa ciência, da nossa cultura e da nossa tradição. Um indígena sem a floresta é como um indígena perdido.”

Esse movimento de fortalecimento também se reflete na educação, onde muitas dessas mulheres constroem suas trajetórias e ampliam sua atuação. Entre o ensino e a liderança indígena, a sala de aula se torna um dos principais espaços de formação e protagonismo.

“Há mulheres indígenas que seguem estudando, são graduadas, graduandas e muitas estão na pós-graduação”, Edileuda Shanenawa. Foto: Edileuda Shanenawa

Todas as mulheres que têm suas vozes evidenciadas aqui apresentam um perfil de liderança que nasce na educação: são ou foram professoras.

É nesse contexto que se insere a trajetória de Edileuda Shanenawa. Coordenadora da Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac) e gestora da Escola Indígena Tekahyne Shanenawa, em Feijó, ela representa uma geração de mulheres que também avançam sobre os espaços institucionais.

Mestre em Artes Cênicas, Edileuda afirma que a ocupação desses espaços já é parte do movimento que evidencia o protagonismo feminino indígena.

“Estamos em um espaço de representação, em que somos conhecedoras dos nossos saberes, da nossa vivência, das nossas dificuldades e das nossas necessidades. E continuamos nos aperfeiçoando. Hoje, há mulheres indígenas que seguem estudando, são graduadas, graduandas e muitas estão na pós-graduação. Esse aperfeiçoamento contribui para que possamos assumir cargos nas instituições públicas e efetivar a nossa presença nesses espaços”.

Imagem colorida mostra duas mulheres indígenas se cumprimentando e olhando para foto sorrindo
Foto: Reprodução/Acervo Secom AC

Nos territórios, a mudança deixou de ser promessa para se tornar presença. Entre a sala de aula, a floresta e os espaços de decisão, mulheres indígenas transformam o silêncio em voz e assumem o protagonismo de suas próprias histórias. Agora, são elas que conduzem os caminhos que estão por vir.

*Com informações da Agência Acre

Passeio de barco no rio Madeira une lazer, cultura e gera renda para comunidades

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Passeio é uma das atividades turísticas que une natureza e história na Madeira-Mamoré. Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

O cenário é de tirar o fôlego. Às margens do rio Madeira, o pôr do sol pinta o céu com tons dourados e alaranjados, refletindo nas águas e criando uma paisagem única em Porto Velho (RO). É nesse ambiente que os tradicionais passeios de barco movimentam o complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, oferecendo uma experiência que une natureza, história e cultura.

Durante o trajeto, que dura em média uma hora, moradores e visitantes têm a oportunidade de contemplar de perto a grandiosidade do rio, sentir a brisa e vivenciar um dos cartões-postais mais marcantes da capital rondoniense. A atividade, além de ser uma opção de lazer acessível, também representa um resgate cultural.

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Reconhecido como patrimônio imaterial do município, o passeio reforça a ligação histórica de Porto Velho com o rio Madeira, elemento essencial para o desenvolvimento da cidade.

Quem conhece bem essa trajetória é Marcos Barroso, presidente da associação dos barcos de turismo do rio Madeira. A relação dele com o rio vem de família.

“Meu pai tinha um barco que fazia o trajeto entre Porto Velho e Manaus. Com o tempo, decidimos trazer essa embarcação para o porto da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, onde já havia um fluxo constante de pessoas. Aos poucos, fomos estruturando o espaço e o passeio começou a se consolidar”.

passeio de barco no rio madeira em porto velho Foto José Carlos Prefeitura de Porto Velho
Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

Ele relembra que, no início, o percurso seguia até a cachoeira de Santo Antônio, antes da instalação da usina, quando o trajeto ainda permitia um contato mais direto com esse importante ponto natural da região.

“Há 33 anos, já enxergávamos o potencial turístico do rio Madeira e a importância de mostrar à população toda essa riqueza natural que sempre esteve presente na cidade”.

Passeio busca oferecer experiência única

Hoje, o passeio funciona por formação de lotação e conta com estrutura para garantir conforto aos visitantes, incluindo bar e restaurante a bordo, além de opções de pagamento via cartão e Pix. Os horários são de segunda a sexta, das 16h às 18h, e aos fins de semana, das 10h às 18h.

Os valores são: R$ 40 por pessoa, com gratuidade para crianças de até 5 anos e meia-entrada para crianças de 6 a 10 anos, o que amplia o acesso da população a essa experiência.

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Ao final do trajeto, fica a certeza de que o passeio vai além do lazer. É um convite para redescobrir Porto Velho sob um novo olhar pelas águas do rio que ajudaram a construir a história da capital. Mais do que um passeio, a atividade também movimenta a economia local, gerando renda para diversas famílias que dependem diretamente do turismo no rio.

Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, o passeio representa um conjunto de ações voltadas para o desenvolvimento cultural e histórico da cidade.

“O rio Madeira faz parte da nossa história e da nossa identidade. Valorizar essa atividade é fortalecer o turismo, a cultura e também gerar oportunidades para muitas famílias. Queremos que cada vez mais pessoas possam viver essa experiência e se conectar com a nossa cidade e vamos seguir desenvolvendo ainda mais a nossa Porto Velho”.

Rio Madeira

Um dos principais afluentes do rio Amazonas, o rio Madeira é considerado um rio “jovem” e com curso ainda em formação. Ele tem uma extensão de cerca de 3,3 mil quilômetros, nascendo na Cordilheira dos Andes, mas é no estado de Rondônia que ele se destaca, sendo um dos principais símbolos da capital, Porto Velho.

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*Com informações da Prefeitura de Porto Velho