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Ministério do Meio Ambiente e prefeituras instalam bases de proteção à floresta em 70 cidades amazônicas

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Em 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apoiou a instalação de escritórios de governança ambiental em municípios prioritários da Amazônia para fortalecer o controle do desmatamento e da degradação ambiental.

A iniciativa integra o Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM), contemplando as 70 cidades que aderiram à iniciativa voluntariamente.

Criado pelo Decreto nº 11.687, de 5 de setembro de 2023, o UcM estabelece ações de prevenção, monitoramento, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal no bioma Amazônia, bem como prevê a implementação de medidas específicas nos municípios prioritários para fortalecer o enfrentamento ao desmatamento.

Leia também: Parceria busca fortalecer combate ao desmatamento em 70 municípios prioritários da Amazônia

Os escritórios são dedicados ao monitoramento do desmatamento e dos incêndios florestais. A implementação dos espaços incluiu a capacitação de equipes municipais, suporte técnico contínuo e a entrega de mais de 1.800 equipamentos às prefeituras.

“As lideranças nos municípios são parte fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e no controle do desmatamento. Quando Governo do Brasil, estados e prefeituras trabalham juntos, conseguimos mais efetividade nas políticas, além de criar melhores condições de vida para a população”, reforçou o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.

O projeto conta com orçamento de R$ 61 milhões, financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF), no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia. A execução envolve também agências implementadoras, como o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM).

Foto: Fernando Donasci/MMA

Na Amazônia, Pará lidera no número de municípios

O Pará lidera o ranking de estados com maior número de cidades participantes no Programa União com Municípios. Entre elas está Altamira, o maior município em extensão territorial do país, que tem registrado queda contínua no desmatamento: de 626 km² em 2022 para cerca de 130 km² em 2025, segundo o sistema Prodes, do Inpe.

“Contar com um espaço dedicado ao monitoramento e à análise de informações ambientais — equipado com computadores, veículos e outros instrumentos — permite que a equipe identifique áreas com indícios de desmatamento e planeje ações de fiscalização mais estratégicas”, destacou o prefeito de Altamira, Loredan Mello.

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Já em Mato Grosso, Aripuanã é um dos 21 municípios do estado que aderiram ao programa. A prefeita Seluir Peixer Reghin acredita que essa decisão contribuiu para as ações do poder público local para a preservação do meio ambiente.

“Esse apoio e estrutura com equipamentos, capacitação técnica e disponibilização de dados atualizados de satélite ampliaram a capacidade de resposta do município e consolidaram uma gestão ambiental mais eficiente e integrada”, afirmou.

Os benefícios do programa também são realidade em municípios do Acre. O vice-prefeito de Feijó, Juarez Leitão, avalia que a estrutura já apresenta resultados práticos. Ele cita como exemplo o uso de drones entregues pelo projeto, possibilitando a ágil identificação de focos de queimadas mesmo a dezenas de quilômetros de distância da área urbana.

“Pela primeira vez temos uma equipe mais estruturada. Hoje tem um computador bom, dois laptops, câmera fotográfica, drone, caminhonete. É uma realidade completamente diferente”, reforçou o vice-prefeito.

Altamira, no Pará. Amazônia.
Município de Altamira. Foto: Reprodução/Prefeitura de Altamira

No ano passado, o Brasil reduziu a área desmatada na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo. Os números tornam-se ainda mais expressivos quando analisados apenas os municípios que participam do União com Municípios.

Entre 2022 e 2025, enquanto em toda a Amazônia Legal, com 773 municípios, a diminuição acumulada no desmatamento foi de aproximadamente 50%, a redução ultrapassou os 65% nas 70 cidades que aderiram ao programa.

Para a coordenadora-geral do Departamento de Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, Nazaré Soares, esses resultados comprovam o acerto em fortalecer a parceria com as prefeituras.

“O MMA tem ações que impactam diretamente o dia a dia das pessoas. Com o União com Municípios, além dos escritórios de governança, projetos de pagamento por serviços ambientais, recuperação de vegetação e regularizações ambientais e fundiárias são caminhos para transformar, efetivamente, a vida de quem vive na Amazônia”.

União com Municípios

O Programa União com Municípios reconhece o protagonismo dos gestores locais na redução do desmatamento e de incêndios florestais na Amazônia.

Os municípios listados como prioritários para o controle do desmatamento podem aderir voluntariamente. Com cerca de R$ 800 milhões do Fundo Amazônia e do Projeto Floresta + Amazônia (parceria entre MMA, PNUD e GCF), o programa realiza projetos de regularização fundiária e ambiental, implementação de escritórios de governança, pagamento por serviços ambientais e recuperação da vegetação nativa.

*Com informações do MMA

MPF recomenda à Secretaria de Meio Ambiente e municípios de Mato Grosso proteção ao patrimônio arqueológico

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Sítio arqueológico em MT Foto: Reprodução/Iphan

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema/MT), e aos 142 municípios mato-grossenses que passem a consultar obrigatoriamente o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em todos os processos de licenciamento ambiental. A consulta deve ser feita, inclusive, nos processos já em andamento, sempre que houver possibilidade de impacto sobre bens culturais acautelados em âmbito federal. 

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A medida atinge empreendimentos que possam incidir sobre sítios arqueológicos e outros bens protegidos, ainda que não estejam previamente identificados, registrados ou cadastrados em bancos de dados públicos.

O documento, assinado pelo procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, aponta que a Instrução Normativa Sema nº 1/2017, que trata sobre o assunto, vinha sendo interpretada de forma restritiva, condicionando a consulta ao órgão federal apenas à existência de bens já registrados.

A prática, segundo o MPF, contraria a legislação federal que determina que todos os sítios arqueológicos são bens da União e integram o patrimônio cultural brasileiro, independentemente de cadastro prévio.

Sitio arqueológico Pedra Preta, Mato Grosso
Sítio Arqueológico de Pedra Preta – Paranaíta (MT). Foto: Acervo Iphan

Leia também: Conheça três sítios arqueológicos na Amazônia que são considerados patrimônio cultural do Brasil

O MPF recomenda que a Sema/MT adote três providências principais. Primeiro: não interpretar o termo ‘acautelado’ como sinônimo de registrado ou cadastrado, realizando consulta ao Iphan em todas as hipóteses em que o empreendimento possa incidir sobre bens culturais, mesmo que não identificados faticamente ou anotados em banco de dados público.

O órgão estadual também deve alterar o artigo 3º, inciso I, da IN SEMA nº 1/2017, suprimindo a expressão ‘bens devidamente anotados e registrados na forma da lei’, para deixar claro que o conceito de bem acautelado independe de registro prévio.

A Sema/MT deve ainda revogar o artigo 10 da mesma norma, que permitia, excepcionalmente, a consulta ao Iphan em casos onde a área de influência do empreendimento não interviesse em bens acautelados, eliminando qualquer dúvida interpretativa.

“O licenciamento ambiental deve atuar como instrumento efetivo de identificação e salvaguarda dos bens culturais acautelados, impedindo que o interesse meramente econômico prevaleça sobre a proteção de bens culturais não renováveis e, consequentemente, ocorra a completa dilapidação de inúmeros bens culturais de relevância nacional, como vem ocorrendo em território mato-grossense”, frisa a recomendação.

Municípios

Aos 142 municípios mato-grossenses, representados pela Associação dos Municípios Mato-grossenses (AMM), o MPF recomenda que, independentemente de atos normativos municipais, passem a consultar o Iphan nos licenciamentos ambientais municipais, nas mesmas condições estabelecidas para o órgão estadual.

A AMM deverá encaminhar a recomendação a todos os municípios associados, compilando as respostas e justificativas para envio ao MPF. O documento sugere ainda que a matéria seja apresentada durante o II Encontro Mato-Grossense de Municípios, marcado para os dias 25 a 27 de março, em Cuiabá.

Discrepância estatística

Segundo a recomendação, entre 2021 e 2024, a Sema/MT emitiu 3.074 licenças ambientais para empreendimentos de alto impacto, enquanto o Iphan recebeu apenas 243 Fichas de Caracterização de Atividade (FCA) no mesmo período.

Leia também: Preciosidade arqueológica: conheça a cidade indígena que existe embaixo do bairro Nova Cidade, em Manaus

Sítio Arqueológico de Pedra Preta – Paranaíta (MT). Foto: Acervo Iphan

A discrepância estatística, classificada pelo MPF como ‘alarmante’, evidencia que a norma estadual tem afastado a participação da (entidade) federal especializada do processo de licenciamento, transferindo ao empreendedor ou à própria secretaria a responsabilidade técnica de avaliar a existência de patrimônio arqueológico, que se encontra predominantemente abaixo da superfície.

Danos concretos

A recomendação reúne casos emblemáticos em que a ausência de consulta prévia ao Iphan resultou em danos ao patrimônio cultural. Na Rodovia MT-130, sítios arqueológicos foram diretamente impactados por obras de pavimentação sem qualquer estudo prévio. No Centro de Eventos localizado na MT-251, em Cuiabá, o sítio Serra Abaixo foi mutilado durante obras de acesso. Já na Usina Hidrelétrica de Colíder, pesquisas realizadas após o início da implantação revelaram grande quantidade de vestígios arqueológicos em uma região onde não havia cadastro prévio, demonstrando que a ausência de registro não significa ausência de patrimônio.

Sítio Arqueológico de Pedra Preta – Paranaíta (MT). Foto: Acervo Iphan

Foi concedido prazo improrrogável de 45 dias corridos, contados do recebimento da recomendação, para que os destinatários respondam sobre o acatamento, com comprovação das providências adotadas, ou apresentem razões justificadas para a recusa parcial ou total.

*Com informações do Ministério Público Federal.

Análise revela: menos árvores na Amazônia, mais nos Andes

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Pesquisador estima altura de árvores na Amazônia. Foto: Léo Ramos Chaves /Revista Pesquisa FAPESP

Uma grande análise de dados coletados por projetos de campo de longo prazo indica que o norte dos Andes e a Amazônia ocidental estão ganhando espécies de árvores, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores das universidades de Liverpool e de Leeds, no Reino Unido, com a participação de instituições brasileiras.

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Enquanto isso, a parte central da cordilheira, a região centro-oriental da Amazônia e o escudo das Guianas perdem diversidade.

As partes da floresta que sofreram maior aumento anual de temperatura nesse período perderam mais espécies vegetais, enquanto as que mantiveram umidade e constância climática ganharam.

Amazônia, vista aérea
Foto: Diego Monsores

Amazônia e Andes X desmatamento

As florestas que mantêm o padrão de chuvas e aquelas menos fragmentadas se mostraram mais protegidas, o que ressalta a importância de evitar o desmatamento.

O aumento de temperatura atingiu 90% das 406 parcelas analisadas, mais intenso nas regiões centro-leste e sul da região amazônica.

Como as árvores reagem lentamente, a biodiversidade atual pode não ser uma medida duradoura. A análise foi publicada na Nature Ecology & Evolution, em 23 de janeiro. Leia AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Antropologia cultural da Amazônia é investigada em livro

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Livro ajuda a pesquisar sobre antropologia da Amazônia. Foto: Divulgação

Explorar a complexidade das crenças e a riqueza das tradições que pulsam no coração da Amazônia é a proposta central de ‘Saberes em Diálogo’, livro do professor Manoel Moraes, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião (PPGCR), do Centro de Ciências Sociais Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Publicado pela editora Alta Books, a obra é fruto de um ciclo de pesquisa iniciado em 2016 e marca o movimento do professor como autor: a transição de discussões da filosofia da religião para uma imersão na antropologia cultural, com foco especial na realidade paraense.

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O livro é o resultado de anos de dedicação acadêmica e de campo, consolidando estudos realizados na Uepa, em sua experiência no mestrado, e na Universidade Federal do Pará (UFPA) sob a influência de referências como o antropólogo Raimundo Heraldo Maués.

Segundo o professor, a motivação para o trabalho surgiu da necessidade de aprofundar o olhar sobre as vivências locais.

UEPA fachada. Foto: Divulgação

“O livro surge no encerramento de um ciclo de pesquisa que começou aproximadamente em 2016, num deslocamento de discussões de filosofia da religião para antropologia cultural na Amazônia”, explica Manuel.

Nesse percurso, ele se debruçou sobre as expressões ameríndias de grupos como os Aikewaras, povos do Tapajós e os Ka’apor, no Maranhão, próximos aos Tembés do Pará.

Destaques do livro

livro mistura antropologia e amazônia
Capa do livro. Foto: Divulgação

A obra destaca-se por ser uma construção coletiva, nutrida por cooperações com diversos pesquisadores e alunos de doutorado. Entre as colaborações que deram corpo ao texto estão estudos sobre mulheres que curam em contextos ribeirinhos e indígenas, etnomusicologia em Bragança, educação e ritualidade Kaiapó, além da chamada “pagelança quilombola” na região do Capim. Manuel ressalta que o conhecimento compartilhado por professores indígenas foi fundamental para sedimentar a pesquisa.

Além das vivências práticas, Saberes em Diálogo tem uma forte base pedagógica, tendo sido gestado a partir de anotações de aulas ministradas não apenas na Uepa, mas em programas de pós-graduação em instituições como a UFPA, a Universidade Metodista de São Paulo e a Universidade de Quebec. “Esse trabalho nasce também dessas notações de aula que também associam com pesquisa de conta”, revela o autor, conectando a teoria acadêmica à realidade observada em campo.

Apesar de já estar disponível pela Alta Books, o livro ainda não possui uma previsão de lançamento oficial. No entanto, a obra já se apresenta como um registro essencial para quem busca compreender as intersecções entre ciência da religião, saberes tradicionais e a identidade amazônica.

*Com informações de UEPA

Leguminosas da Amazônia colonizaram montanhas antes da formação de savanas

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A leguminosa Chamaecrista hispidula que vive em áreas abertas no Cerrado, em restingas e dunas, e até em outros países da América do Sul. Foto: Henrique Moreira/ Fapesp

O amarelo das flores de Chamaecrista, um gênero de plantas da família das leguminosas, marca as paisagens abertas do Brasil, sobretudo nos campos rupestres, ambientes montanhosos de altitude associados a afloramentos rochosos antigos e solos pobres em nutrientes. O que não se sabia é que essas plantas descendem de uma linhagem amazônica, mesmo estando atualmente a 2 mil quilômetros de distância.

“Muito antes da expansão do Cerrado, no final do Eoceno e início do Oligoceno, entre 40 milhões e 35 milhões de anos atrás, essas plantas se dispersaram da Amazônia e colonizaram as áreas montanhosas”, explica a taxonomista Juliana Rando, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e primeira autora de um artigo publicado em janeiro na revista científica Journal of Biogeography. “Até então existia uma dúvida sobre a origem das plantas dos campos rupestres, que poderiam ter vindo do Cerrado e da Caatinga.”

Com quase 370 espécies descritas no mundo, Chamaecrista é um dos gêneros mais diversos de leguminosas das regiões abertas da América do Sul. No Brasil, essas plantas assumem formas variadas, indo de arbustos a árvores de grande porte, especialmente na Amazônia, onde ainda existem com menor diversidade.

Nos campos rupestres – em regiões de Minas Gerais e da Bahia, por exemplo – e no Cerrado, predominam espécies de pequeno porte adaptadas a solos pobres, ao fogo e às condições climáticas mais extremas, características que ajudam a explicar o sucesso do grupo nesses ambientes.

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Embora não sejam plantas cultivadas para alimentação, muitas espécies do gênero mantêm associação com bactérias fixadoras de nitrogênio, um processo que melhora a fertilidade do solo. Por essa característica, o estudo do grupo também é relevante como fonte de conhecimento para leguminosas de interesse agrícola.

Para entender como essas plantas colonizaram as áreas montanhosas, os pesquisadores analisaram dados genéticos de 231 espécies de Chamaecrista, o equivalente a quase dois terços de todas as espécies conhecidas do gênero e mais de 70% das que ocorrem nos Neotrópicos (a região tropical do continente americano).

“O que a gente consegue ver atualmente é o DNA das plantas. Então partimos daí para inferir qual teria sido o caminho de relações ocorrido no passado”, explica o biólogo Eduardo Nery, pesquisador em estágio pós-doutoral na Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos autores da publicação.

Imagem colorida mostra leguminosas olesiphyllacrommyotricha
Espécies leguminosas C. olesiphylla, endêmica dos campos rupestres de Minas Gerais, na Serra Talhada em Congonhas do Norte (à esq.), e C. crommyotricha, específica do Cerrado brasileiro. Foto: Juliana Rando/Ufob e Henrique Moreira

Leia também: Revolução no conhecimento sobre a antiga Amazônia pode ajudar a proteger a floresta atual

O trabalho também incluiu dados de distribuição geográfica dessas espécies, reunidos a partir de bases de dados globais de coleções botânicas. Com esse conjunto de informações, os autores reconstruíram a filogenia – uma espécie de árvore genealógica das espécies – do grupo e testaram diferentes cenários para entender onde essas plantas se originaram e como se dispersaram pelo território brasileiro ao longo de milhões de anos.

A análise biogeográfica comparou nove modelos diferentes, que testavam hipóteses alternativas sobre quando os campos rupestres se tornaram disponíveis para colonização e se essas áreas foram ocupadas antes ou depois da expansão do Cerrado e da Caatinga, sempre considerando intervalos geológicos distintos e mudanças climáticas ao longo de dezenas de milhões de anos.

Os resultados indicam que os campos rupestres não funcionaram apenas como destinos para plantas vindas de outros biomas, mas são capazes de produzir e sustentar uma grande diversidade ao longo de muito tempo. “Esses ambientes até então eram vistos como um dreno de espécies, mas o que mostramos é que talvez eles sejam uma fonte”, afirma Rando.

Espécies leguminosas expandiram localização

Segundo a pesquisadora, essa mudança de perspectiva ajuda a explicar por que os campos rupestres concentram tantos grupos endêmicos e reforça o papel dessas áreas montanhosas como elementos centrais na evolução da flora brasileira.

Para a ecóloga evolutiva brasileira Cibele Cássia Silva, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, o estudo chama a atenção por abordar a biogeografia das plantas a partir da montagem dos ecossistemas ao longo do tempo.

“Nos campos que ocorrem em altitude há uma diversidade imensa não só de espécies, mas também de história evolutiva”, comenta ela, que não participou do estudo.

Por muito tempo tratados como uma simples variação do Cerrado, ela ressalta que os campos rupestres vêm sendo reconhecidos mais recentemente como ambientes singulares com estratégias ecológicas próprias, o que exige mais estudos e políticas públicas de conservação.

Além do Brasil, as leguminosas do grupo Chamaecrista também ocorrem em países africanos, asiáticos e na Austrália. Rando iniciou a pesquisa que resultou no artigo de janeiro ainda durante o doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) há cerca de 12 anos, e agora busca entender como esse gênero se dispersou para fora do continente americano.

“Essa filogenia que fizemos no artigo é a mais abrangente hoje para o gênero, mas ainda existe uma lacuna, principalmente em relação aos outros continentes.” Atualmente, ela realiza estágio pós-doutoral no Kew Gardens, os jardins botânicos reais da Inglaterra, em Londres, onde aprofunda o estudo dessas conexões globais. “O foco agora é justamente entender essas dispersões, usando mais dados e comparando com outros grupos que também fizeram esse caminho”, diz ela.

A reportagem acima foi publicada com o título “Da Amazônia para as montanhas” na edição impressa nº 361 de março de 2026.

Projetos
1.
 Biogeografia de Chamaecrista Moench. e filogenia e revisão de Ch. sect. Chamaecrista ser. Coriaceae (Benth.) H.S. Irwin & Barneby (Leguminosae-Caesalpinioideae) (nº 09/16434-4); Modalidade Bolsa de doutorado; Pesquisador responsável José Rubens Pirani (USP); Beneficiária Juliana Gastaldello Rando; Investimento R$ 198.061,22.
2.
 Efeitos sinérgicos de múltiplos mutualistas nas plantas: como bactérias, formigas e abelhas contribuem para a evolução de um grupo de leguminosas (nº 19/19544-7); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Programa Biota; Pesquisador responsável Anselmo Nogueira (UFABC); Investimento R$ 3.264.584,53.
3.
 Quais são as características das plantas e os fatores ambientais que impulsionam a evolução das leguminosas superfixadoras de nitrogênio? (nº 2024/16735-4); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Cooperação Instituto Serrapilheira; Pesquisador responsável Anselmo Nogueira (UFABC); Investimento R$ 307.140,56.

Artigo científico
RANDO, J. G. From rainforests to open-vegetation: The biogeographic history of Chamaecrista (Leguminosae) in the NeotropicsJournal of Biogeography. v. 53, n. 1, e70137. 14 jan. 2026.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Guilherme Costa

Escola de Boa Vista conquista Selo ODS Educação 2025

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A rede municipal de ensino desenvolve projetos alinhados à sustentabilidade e inovação. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A Escola Municipal do Campo Balduíno Wottrich, localizada no Monte Cristo, em Boa Vista, conquistou a certificação do Selo ODS Educação 2025, reconhecimento nacional concedido a instituições que desenvolvem práticas pedagógicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O reconhecimento é resultado do projeto pedagógico “Ciências em Campo: Conectando Saberes por Meio de Projetos”, desenvolvido pela escola, através de ações de formação continuada de professores, parcerias institucionais e a realização da Feira de Iniciação Científica Escolar, onde os alunos apresentaram projetos relacionados à sustentabilidade e à preservação ambiental.

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A vice-gestora, Leidymar Cunha, vai participar da cerimônia de certificação em Recife. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A vice-gestora da escola, Leidymar Cunha, destacou que a conquista é fruto de um trabalho construído ao longo de todo o ano letivo. “Desde o início do projeto, todo o nosso planejamento foi voltado para esse reconhecimento, com formações para professores, parcerias e atividades que incentivaram os alunos a desenvolver projetos ligados à realidade do campo e à sustentabilidade”, explicou.

Para a coordenadora pedagógica, Jéssica Fernandes, a certificação reconhece práticas que já fazem parte do cotidiano da unidade.

“Receber esse prêmio é muito satisfatório. Somos uma escola do campo, nós trabalhamos muito com desenvolvimento sustentável, de forma natural. Então o selo só traz a certificação de que o nosso trabalho está sendo executado com excelência”, disse.

A escola participará do Evento Nacional de Certificação do Selo ODS Educação, que ocorrerá nos dias 17 e 18 de março, em Recife (PE), onde será realizada a cerimônia oficial de entrega do reconhecimento às instituições certificadas.

Alunos da Escola do Campo fazem atividades pedagógicas ao ar livre. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Rede municipal incentiva projetos ligados a sustentabilidade

O reconhecimento conquistado pela escola é resultado do trabalho desenvolvido pela rede municipal com projetos educacionais alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as iniciativas está o projeto “Meu Primeiro Código”, voltado para os mais de 14 mil alunos do 1º e 2º ano do ensino fundamental.

A proposta trabalha o pensamento computacional de forma lúdica, com programação em blocos e uso de robôs educacionais, sem necessidade de telas, conforme destacou o assessor pedagógico da Gerência de Programas e Projetos Educacionais (GPPE), da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), Paulo Santos.

Leia também: Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar

O projeto “Meu Primeiro Código” atende toda a rede municipal de ensino. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“O material didático da rede municipal de ensino sempre traz um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como tema central, como o ODS 4, que trata da educação de qualidade. Esse selo nacional mostra que estamos alinhados à Agenda 2030 e às metas de desenvolvimento sustentável, promovendo uma educação de qualidade para os alunos”, destacou.

Alimentos negligenciados possuem potencial para fortalecer segurança alimentar no Brasil

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Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Você já parou para pensar na diversidade de plantas, animais e fungos que poderiam fazer parte da alimentação da população brasileira? Enquanto nossa alimentação diária se restringe a poucas espécies, como arroz, feijão, frango e alguns legumes, o Brasil abriga uma imensa variedade de alimentos pouco conhecidos pela ciência e pelo mercado.

São as espécies alimentares negligenciadas: algas, cogumelos, insetos comestíveis, peixes, frutos nativos e animais silvestres que fazem parte da cultura alimentar de comunidades tradicionais, mas permanecem sub-representados nos debates sobre nutrição e segurança alimentar.

Leia também: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

Um estudo inédito publicado na revista Scientific Reports, conduzido por uma rede nacional de pesquisadores, com participação do Instituto Mamirauá, compilou um inventário com 369 espécies alimentares nativas ou subutilizadas no Brasil.

O levantamento inclui desde plantas como o baru e o camu-camu, até cogumelos silvestres, insetos como a tanajura, peixes de água doce e carne de caça consumida por populações ribeirinhas e indígenas.

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alimentos amazônicos: camu-camu
Camu-camu. Foto: Walnice Nascimento/Embrapa

Alimentos surpreendentes

Os pesquisadores combinaram o conhecimento de especialistas em nutrição e ciências ambientais com ferramentas de inteligência artificial explicável – um tipo de tecnologia que permite não apenas fazer previsões, mas entender como os modelos chegam a determinadas conclusões. Dessa forma, foi possível identificar os fatores que mais influenciam a priorização de espécies para estudos de composição nutricional e consumo alimentar.

O fator mais determinante para que uma espécie seja priorizada é a quantidade de receitas em que ela aparece, seguido pela sua distribuição geográfica pelo país. Ou seja: quanto mais presente na culinária local e em diferentes regiões, maior a chance de ser estudada. Por outro lado, critérios como risco de extinção ou categoria alimentar tiveram pouca influência na decisão. Isso revela um viés importante: a pesquisa em nutrição ainda é fortemente guiada pelo uso cultural e pela acessibilidade imediata das espécies, deixando em segundo plano questões ecológicas e de conservação.

Leia também: Instituto Mamirauá apresenta tecnologia para monitorar biodiversidade da Amazônia

Essa abordagem revelou também lacunas de conhecimento. Embora as plantas correspondam a quase 30% das espécies listadas e concentrem a maior parte dos dados nutricionais disponíveis, grupos como algas, insetos e cogumelos permanecem praticamente inexplorados. Nenhuma espécie de alga ou inseto do inventário possui informação nutricional publicada. Entre os cogumelos, apenas 12,6% têm algum dado e, apesar de representarem 24% da lista, os animais silvestres também carecem de análises mais aprofundadas.

Como parte da rede de pesquisa, o Instituto Mamirauá tem atuado justamente para reduzir as lacunas de conhecimento sobre a biodiversidade alimentar amazônica. Isso envolve tanto análises laboratoriais da composição nutricional de espécies consumidas localmente, como peixes, vertebrados terrestres e frutos nativos, quanto esforços de tradução e disseminação desses dados. A ideia é que a informação gerada na Amazônia retorne para as comunidades locais de forma acessível, fortalecendo a segurança e valorizando o conhecimento tradicional.

“Na Amazônia, onde o aumento do consumo de produtos ultraprocessados no lugar de alimentos tradicionais tem sido acompanhado de um aumento nos índices de anemia, diabetes e hipertensão, a rica biodiversidade local poderia ser uma aliada importante no combate à desnutrição. Este estudo mostra que é preciso aprofundar as pesquisas sobre aquilo que as comunidades tradicionais já sabem há gerações: a floresta é fonte de alimentos nutritivos, e diversificar o prato pode ser também uma estratégia de saúde e de conservação”, comenta Daniel Tregidgo, pesquisador do Instituto Mamirauá e coautor da pesquisa.

Os autores do estudo defendem que é preciso avançar em várias frentes. Primeiro, investir em pesquisas colaborativas e interdisciplinares para preencher as lacunas de dados nutricionais, especialmente dos grupos mais negligenciados. Segundo, ampliar os levantamentos de consumo em comunidades com menor integração ao mercado, onde a diversidade alimentar tende a ser maior.

Além disso, é importante criar e fortalecer bancos de dados nacionais que integrem informações sobre usos culinários e composição de alimentos da sociobiodiversidade. E, por fim, incluir esses alimentos em políticas públicas e na formação de profissionais de nutrição, sempre atentos à necessidade de manejo sustentável e à conservação das espécies.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Solo do delta do rio Amazonas está afundando 0,5 mm por ano, aponta estudo

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Litoral paraense. Foto: Jader Paes/Agência Pará

A superfície terrestre do delta do rio Amazonas, que se espraia pelo litoral do Pará e do Amapá, está afundando. A taxa de rebaixamento dos terrenos entre os quais correm um emaranhado de rios é maior do que a taxa de elevação do nível do mar.

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Há outros 17 deltas na mesma situação – incluindo os do Nilo, no Egito; do Ganges, na Índia; do Amarelo, na China; e do Vermelho e do Mekong, ambos no Vietnã –, de acordo com um estudo liderado pela Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos.

Leia também: A foz do rio Amazonas é um delta ou estuário?

Foz do rio Amazonas, vista do satélite da Agência Espacial Americana NASA - delta do rio amazonas
Foto: Reprodução/NASA

Delta do rio Amazonas afunda anualmente

Entre os 40 maiores do mundo entre 2014 e 2023, os mais afetados foram os dos rios Chao Phraya, na Tailândia, Brantas, na Indonésia, e Amarelo, com taxas médias de afundamento de cerca de 8 milímetros (mm) por ano, o dobro da taxa de elevação global do nível do mar. O delta do Amazonas está afundando 0,5 mm por ano.

A exploração intensa dos reservatórios de água subterrânea e o peso das construções urbanas comprimem o solo, somados à erosão e à diminuição da deposição de sedimentos, fazem a superfície afundar lenta e gradualmente, aumentando o risco de inundações mais frequentes e o recuo da linha de costa.

Essas áreas abrigam 10 das 34 megacidades do mundo e uma população de aproximadamente 500 milhões de pessoas. O estudo foi publicado na Nature, em 14 de janeiro.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Estúdio Inspiração transforma podcast em estratégia de posicionamento em Manaus

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Estúdio Inspiração – espaço 1. Foto: Divulgação

Luz, câmera e ação. Assim é o movimento nos bastidores do Estúdio Inspiração, no Vieiralves, em Manaus, que tem atraído diversas personalidades interessadas em desenvolver podcasts e se tornarem autoridades em seus nichos.

Com uma conversa mais intimista, no formato “olho no olho”, o podcast tem se consolidado como uma poderosa ferramenta de posicionamento. Em constante crescimento no Brasil, o formato se tornou uma das principais estratégias de autoridade para profissionais liberais e empresários.

Estúdio Inspiração transforma podcast em estratégia de posicionamento em Manaus
Estúdio Inspiração – espaço 2. Foto: Divulgação

A procura por esse tipo de conteúdo também tem se ampliado significativamente em Manaus, transformando o podcast em vitrine de negócios no ambiente digital. Médicos, empresários, advogados, influencers e outros profissionais que desejam fortalecer sua presença no mercado têm investido na estratégia para alcançar um público que se identifica com o formato e com a proposta de conteúdo.

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A empresária Hélida Tavares destaca que a ideia de estruturar um estúdio para gravação de vídeos surgiu a partir de um projeto desenvolvido em uma escola de negócios, onde buscou capacitação e foi desafiada a criar um produto que ampliasse o faturamento de sua empresa, que atua nos segmentos de comunicação, marketing digital e treinamentos comportamentais.

Estúdio Inspiração – podcasts. Foto: Divulgação

“Pessoas que entendem que o posicionamento por meio de vídeos é fundamental para sua imagem no mundo empresarial saem na frente. Hoje somos referência na gravação de vídeos e podcasts. Somos procurados diariamente por pessoas que querem começar a produzir conteúdo ou por empresários que já gravam e desejam profissionalizar ainda mais seu material. Esse posicionamento é essencial dentro do marketing digital”, destacou Tavares.

Estúdio Inspiração HUB transforma podcast em posicionamento. Vídeo: Divulgação

Um dos empreendedores que utiliza o espaço do Estúdio Inspiração há seis meses é o médico Flávio Oliva, CRM/AM 6113, que ressalta a importância de ter seu próprio podcast como ferramenta estratégica de comunicação e expansão do negócio.

“O podcast surgiu com a proposta de ampliar minha presença nas redes sociais, divulgar meu trabalho e levar à população o tema saúde de maneira acessível. Conseguimos promover prevenção de doenças e incentivar hábitos saudáveis. O grande objetivo é conversar de forma simples e levar informação de qualidade a quem consome esse formato”, afirmou.

Hélida Tavares recebe o Dr. Flávio Oliva no estúdio. Foto: Divulgação

Sobre o estúdio

O Estúdio Inspiração conta com equipamentos de alta tecnologia, teleprompter para facilitar as gravações, mais de três ambientes cenográficos, equipe técnica responsável pela captação e edição das imagens e roteiristas que orientam os apresentadores para garantir alta performance.

Mais de dois mil episódios já foram gravados no espaço, atendendo profissionais de diversos nichos e consolidando o estúdio como referência regional na produção de podcasts.

Hélida Tavares – Estúdio Inspiração. Foto: Divulgação

Comissão aprova suspensão de norma sobre identificação de indígenas na navegação de interior

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A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou projeto que suspende a exigência de documentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para o embarque de indígenas em barcos da navegação de interior.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 300/22, da ex-deputada Joenia Wapichana, suspende trecho da Resolução 81/22, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

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A resolução estabelece que, em caso de percurso nacional, a identificação do indígena será feita por documento de identidade ou por autorização expedida pela Funai; em percurso internacional, por passaporte ou, dentro do Mercosul, por carteira de identidade.

A relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), recomendou a aprovação do projeto e disse que a norma da Antaq cria um regime jurídico diferenciado que prejudica o direito de ir e vir dos povos originários.

EMBARCAÇÃO - INDÍGENAS - AMAZÔNIA
Foto: Reprodução/Acervo Secom AM

Direito constitucional

Ela argumenta que a Constituição garante a todos os cidadãos a liberdade de locomoção e que não cabe a uma agência reguladora criar requisitos discriminatórios para o acesso ao transporte.

Leia também: Povos indígenas ganham manual de orientação para situações de conflitos fundiários

“Ao condicionar o embarque de pessoas indígenas a documento ‘autorizativo’ da Funai, a Resolução cria requisito discricionário e discriminatório, fora dos limites legais de sua atuação regulatória”, afirmou a relatora Célia Xakriabá em seu parecer.

Para a autora, a norma da Antaq reforça o racismo estrutural ao tratar indígenas de forma segregada em relação aos demais brasileiros.

Próximas etapas

A proposta será ainda analisada pelas comissões de Viação e Transportes, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, para em seguida ser votada pelo Plenário. Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

*Com informações da Agência Câmara