Espetáculo teatral é inspirado em pesquisa científica sobre colaboração inusitada de tartarugas e borboletas

Baseado em uma pesquisa do Inpa, espetáculo propõe utilizar a natureza como ponto de partida para discutir questões humanas universais.

Pesquisa científica revela interação entre tartarugas e borboletas. Foto: Alonso Júnior

O espetáculo ‘Borboletas bebem lágrimas de tartarugas’, criado, dirigido e interpretado por Ítalo Rui, em temporada em Manaus (AM), aproxima o público de um fenômeno pouco conhecido da natureza amazônica. A obra, transforma em linguagem cênica uma relação real entre espécies e propõe reflexões sobre memória, território e ancestralidade: a lacrifagia.

Esse comportamento é observado por cientistas na região amazônica entre borboletas e tartarugas. As borboletas se alimentam das lágrimas de tartarugas, que eliminam o excesso de sal do organismo. A partir dessa interação, a dramaturgia constrói uma narrativa simbólica e sensível.

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Arte e ciência a partir das tartarugas

No palco — ou, neste caso, em meio à floresta — o público acompanha a história de Tapy, uma tartaruga que aprende sobre o tempo da vida, do rio e de si mesma. A personagem conduz uma jornada que dialoga com temas como pertencimento, identidade e os ciclos naturais.

Ítalo Rui interpreta sozinho diversos personagens, utilizando elementos do teatro de formas animadas, em que bonecos, corpo e texto se integram. A escolha estética contribui para criar uma atmosfera poética, ao mesmo tempo em que traduz conceitos científicos em experiências acessíveis ao público.

“Vi um vídeo em que apareciam borboletas sobrevoando as tartarugas, uma imagem linda e comecei a pesquisar mais sobre tartarugas. Foi quando descobri que elas depositam seus ovos nos mesmos bancos de areia em que nasceram. Percebi que há uma relação muito forte com o território, com o lugar de onde elas vieram e que as borboletas se nutrem das lágrimas delas”, conta o ator Ítalo Rui sobre a inspiração da apresentação artística.

O espetáculo tem dramaturgia assinada por Pricila Conserva e faz parte de uma linha de pesquisa artística do ator, que já desenvolveu outros trabalhos inspirados em animais. A proposta é utilizar a natureza como ponto de partida para discutir questões humanas universais.

Pesquisa no Inpa e imersão na Amazônia

Um dos diferenciais da montagem é o processo de criação, que envolveu uma imersão direta no ambiente científico. Durante um mês, a equipe artística acompanhou pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Museu da Amazônia (MUSA), participando de atividades práticas e observando de perto o comportamento das espécies.

Saiba mais: Saiba o motivo das borboletas tomarem lágrimas de tracajás e jacarés

pesquisa sobre borboletas e tartarugas - lacrifagia
Foto: Reprodução/Facebook/Ama la Vida TV

No Inpa, os artistas tiveram contato com estudos sobre quelônios no Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia (CEQUA), enquanto no MUSA acompanharam o ciclo de vida das borboletas, desde a fase de lagarta até a metamorfose. A experiência permitiu que elementos científicos fossem incorporados com fidelidade à narrativa artística.

A interação entre artistas e cientistas contribuiu para enriquecer o processo criativo. Além da observação, a equipe participou de rotinas como alimentação dos animais e acompanhamento de estudos em laboratório, fortalecendo a conexão entre conhecimento acadêmico e expressão artística.

Ao levar a narrativa para ambientes naturais, a obra também convida os espectadores a observar a floresta sob uma nova perspectiva, reconhecendo as relações sutis que existem entre as espécies e a importância da preservação desses ecossistemas.

*Com informações do Inpa

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