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Cheia não deve superar recorde histórico em Manaus em 2025, aponta SGB

Rio Negro chega a 27,56 metros e atinge cota de inundação em Manaus. Foto: Foto: Michel Castro/Rede Amazônica AM

O nível dos rios no Amazonas não deve superar, neste ano, as marcas registradas na cheia histórica de 2021 em Manaus, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins, municípios do estado monitorados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A previsão foi divulgada no dia 30 de abril, durante a apresentação do 2º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas de 2025.

De acordo com o SGB, o segundo alerta ocorre 45 dias antes do possível pico da cheia neste ano, previsto para 14 de junho .

O levantamento aponta que a cota nas quatro localidades devem ficar entre 1,11m e 0,67m abaixo dos níveis recordes já registrados.

“A cheia para Manaus, Manacapuru , Itacoatiara e Parintins já é uma cheia de grande magnitude, já alcançou patamares que superam a cota de inundação e (superar) a cota de inundação severa, a gente tem uma probabilidade alta de acontecer”, disse o pesquisador de geociência do SGB, André Martinelli.

Confira as previsões da SGB para os municípios:

Manaus – Rio Negro

A cota do Rio Negro era de 27,63 metros no dia 30. Ele apresenta 42% de chance de alcançar a marca de inundação severa e menos de 1% para atingir a cota máxima registrada. O SGB prevê que no pico da cheia o rio atinja 28,91 metros.

Cota máxima registrada (2021): 30,02m
Cota de inundação severa: 29,00m
Cota de inundação: 27,50m
Cota de alerta: 27,00m

Manacapuru – Rio Solimões

O Rio Solimões atingiu a marca de 18,36 metros, no dia 30, com 53% de chances para uma inundação severa e menos de 1% para atingir a cota máxima registrada. O SGB prevê que no pico da cheia o rio atinja 19,63 metros.

Cota máxima registrada (2021): 20,86m
Cota de inundação severa: 19,60m
Cota de inundação: 18,20m
Cota de alerta: 17,70m

Itacoatiara – Rio Amazonas

No município, o Rio Amazonas está com a cota de 13,86 metros e apresenta 94 % de chances para uma inundação severa. O órgão aponta que há menos de 1% de chance de se atingir a cota máxima registrada. O SGB prevê que no pico da cheia o rio atinja 14,53 metros.

Cota máxima registrada (2021): 15,20m
Cota de inundação severa: 14,20m
Cota de inundação: 14,00m
Cota de alerta: 13,50m

Parintins – Rio Amazonas

Ainda no dia 30, o rio Amazonas em Parintins marcou com a cota de 8,16 metros, apresenta 83% de chances para uma inundação e menos de 1% para atingir a cota máxima registrada. O SGB prevê que no pico da cheia o rio atinja 8,64 metros.

Cota máxima registrada (2021): 9,47m
Cota de inundação severa: 9,30m
Cota de inundação: 8,43m
Cota de alerta: 8,00m

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Situação de emergência

A cheia que atinge o Amazonas avança e já atinge 144 mil pessoas, segundo o mais recente boletim da Defesa Civil do estado, divulgado no dia 29 de abril. De acordo com Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do órgão, as nove calhas de rios no Amazonas ainda seguem em processo de cheia até o mês de junho.

Conforme dados disponibilizados pela Defesa Civil do Amazonas, 13 municípios estão em situação de emergência devido a cheia no Amazonas (dados referentes até dia 30 de abril):

Rio Madeira: Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã e Borba
Rio Purus: Boca do Acre
Rio Juruá: Guajará, Ipixuna, Itamarati e Eirunepé
Rio Solimões: Benjamin Constant e Atalaia do Norte
Rio Amazonas: Tonantins

A Defesa Civil informou que outros 36 municípios estão em estado de atenção, 13 em estado de alerta e nenhum em estado de normalidade.

Segundo o meteorologista e pesquisador, Leonardo Vergasta, dois fatores contribuíram para o aumento no volume dos rios em relação a 2024: o Inverno Amazônico, que causa chuvas acima da média na Região Norte e deve seguir até o fim de maio, e o fenômeno La Ninã, que chegou ao fim em abril e resfriou as águas do Oceano Pacífico, provocando fortes pancadas de chuva no Norte do país.

Leia também: Portal Amazônia responde: como El Niño e La Niña afetam a região amazônica?

“A gente teve aí no início de 2025 a atuação do efeito La Niña, que é o resfriamento das águas do pacífico equatorial, então a gente tem um aumento das intensidades de chuva na região, e coincidiu com nosso período chuvoso, então a partir de fevereiro toda a bacia amazônica teve chuvas acima da normalidade”, explicou o pesquisador.

Situação do Rio Madeira preocupa

A cheia do Rio Madeira afeta ao menos dez cidades do Amazonas. O município de Humaitá é um dos mais impactados pelo alto nível do rio, e nesta quarta-feira atingiu a cota de 23,44 metros, e se aproxima da cota histórica de 25,63 metros.

Cota máxima registrada (2014): 25,63m
Cota de alerta: 15,00m

Na zona rural de Humaitá, a cheia está devastando plantações e afetando a rotina escolar. De acordo com a Defesa Civil, cerca de 16 mil pessoas já foram afetadas pela cheia do rio.

“A gente plantou mil pés de bananas e deu perda total (com a cheia do rio). A banana que dá para colher não chega nem a R$ 200, deu perda total”, relatou o agricultor Júlio Cézar Góes.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Berlinda do Círio de Nazaré

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Berlinda do Círio de Nazaré. Foto: Rosana Pinto/Ascom DFN

A história da berlinda no Círio de Nazaré surge no século XVI. De etimologia alemã, significa “uma carruagem que transportava pessoas de classes nobres e autoridades políticas”, para ficarem em evidência e, assim, todas as outras iriam vê-las. A berlinda é feita de madeira e vidro para ser possível visualizar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Ela começou a ser usada em 1882 para substituir o palanquim, uma espécie de carruagem puxada por cavalos ou bois. Durante o Círio, a berlinda é ornamentada com flores naturais, sendo levada durante toda a procissão colocada sobre um carro com pneus e puxada pela corda conduzida pelos devotos.

*Com informações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Ferrovias ativas na Amazônia viabilizam integração com o país; saiba quais são

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Cercada pela maior bacia hidrográfica do planeta, a região amazônica é historicamente isolada dos grandes centros do resto do país por falta de estrutura de acesso terrestre.

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Isso pode ser explicado por diversos fatores: a complexidade do relevo (com florestas, planícies, colinas e montanhas); a menor conexão com diferentes regiões por terra, através de rodovias; e também o avanço de atividades como o desmatamento.

Leia também: Descubra quantas e quais rodovias “cortam” a Amazônia Legal 

Contudo, uma alternativa para a logística de transporte entre a Amazônia e o restante do Brasil é a construção e utilização de ferrovias. A ferrovia consiste num sistema de transporte sobre trilhos por onde trens conduzem pessoas e mercadorias.

Na Amazônia existem três ferrovias ativas, voltadas principalmente para o escoamento de commodities agrícolas e minerais:

Estrada de Ferro de Carajás (EFC)

Inaugurada em 1985, a Estrada de Ferro de Carajás possui 892 quilômetros de extensão e liga o Porto de Itaqui, no Maranhão, às províncias minerais da Serra do Carajás, no estado do Pará.

A EFC é considerada uma ferrovia de alta capacidade, ou seja, capaz de movimentar grandes quantidades de materiais e passageiros – no caso, minério de ferro – e também é toda duplicada.

Em Açailândia, no Maranhão, a ferrovia se conecta à outra, a Norte-Sul, o que permite que as mercadorias com origem na Ferrovia Norte-Sul possam acessar o Porto de Itaqui.

A Estrada de Ferro Carajás também realiza o transporte regular de passageiros entre São Luiz, capital maranhense e Parauapebas, no Pará, com três trens semanais em cada sentido.

Leia também: Conheça o Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás, que une Maranhão e Pará na Amazônia Legal

Foto: Reprodução/Associação Nacional dos Transportadores sobre Trilhos (ANP)

Ferrovia Norte-Sul

A Ferrovia Norte-Sul (EF-151) cruza o país de Norte a Sul e funciona como uma espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, interligando as principais malhas ferroviárias das cinco regiões do Brasil.

O Tramo Norte da ferrovia, que é o trecho que passa na Amazônia, começa no município de Açailândia, no Maranhão, até Porto Nacional, no Tocantins. São 720 quilômetros de linha ferroviária.

As obras nesse trecho foram concluídas em 1996 e, à época, a operação foi concedida para a Vale. Contudo, com a criação da VLI – empresa de logística do Brasil que controla as concessionárias de transporte ferroviário de cargas – a mesma passou a operar a ferrovia.

Leia também: Ferrovia Norte-Sul: a espinha dorsal do sistema de transporte sobre trilhos que passa pelo Maranhão e Tocantins

Foto: Reprodução/Massa Pesagem e Automação Industrial

Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO)

A FICO, como é popularmente conhecida, faz parte de uma política para o desenvolvimento logístico como forma de interligar os produtores de grãos do Centro-Oeste até a Ferrovia Norte Sul.

Com 888 km de extensão, sendo 383 quilômetros de Mara Rosa, em Goiás, a Água-Boa, no Mato Grosso e 505 km de Água Boa a Lucas do Rio Verde no mesmo estado.

A FICO é responsável pelo escoamento da produção de soja e milho do Mato Grosso, pertencente à Amazônia Legal, e maior produtor de soja do Brasil, para os portos de São Luís, Maranhão; Santos, São Paulo e Paranaguá, no Paraná.

Leia também: Ferrovia de Integração Centro-Oeste afetará 24 terras indígenas em Mato Grosso e Rondônia

Foto: GBMX/Reprodução

Projetos em andamento

O projeto da Ferrogrão (EF-170), com 933 quilômetros entre Sinop, no Mato Grosso e Miritituba, no Pará, busca criar uma rota de exportação por meio dos rios da Bacia Amazônica. A ferrovia está incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, mas ainda não foi leiloada devido a impasses jurídicos e ambientais.

A proposta é voltada ao transporte de grãos, especialmente soja e milho. O traçado atravessa áreas sensíveis, como a zona de amortecimento do Parque Nacional do Jamanxim, o que gera debates sobre impactos ambientais e sociais.

Já a Ferrovia Tocantins (EFT) é um projeto estadual voltado à criação de um corredor ferroviário entre o estado do Tocantins e os portos do Arco Norte. A ferrovia visa conectar a malha regional ao porto de Vila do Conde, no Pará, passando por regiões produtoras e polos logísticos no Tocantins.

O projeto ainda se encontra em fase inicial, com estudos de viabilidade em andamento. A proposta é integrar a EFT à Norte-Sul e a outros corredores logísticos, aumentando a capacidade de transporte de grãos, fertilizantes e minérios.

Dia do Ferroviário

Você sabia que o Brasil tem uma data comemorativa ao dia do ferroviário? Ela é celebrada no dia 30 de abril, em memória aos trabalhadores das estradas de ferro. A data foi escolhida porque em 30 de abril de 1854 ocorreu a inauguração da primeira linha ferroviária do Brasil, que inclusive contou com a presença do imperador Dom Pedro Segundo e da imperatriz Tereza Cristina.

Amazonas é convidado para ser autor do Mapa do Monitor de Secas do Brasil

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Foto: Cimone Barros/Inpa

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), foi convidado a ser um dos autores do traçado de mapas do Monitor de Secas do Brasil. Durante a 5ª Reunião de Avaliação do Monitor de Secas, em abril, técnicos da Sema apresentaram um panorama do bioma regional, seus aspectos geográficos, e caracterização da climatologia local.

O evento foi promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em Brasília, na sede da ANA, nos dias 23 e 24. O Monitor de Secas é um processo de acompanhamento regular e periódico da situação da seca no Brasil, cujos resultados consolidados são divulgados por meio de mapeamento mensal. O mapa apresenta a situação de seca nas unidades federativas no mês anterior, além das áreas que ficaram livres do fenômeno.

Leia também: Secas e cheias devem tornar-se mais intensas e frequentes na Amazônia, aponta pesquisador

A composição do Mapa é feita pelos ‘autores’, ‘observadores’ e ‘validadores’. O autor é o responsável pelo traçado dos mapas, analisando o máximo de dados e informações disponíveis, como indicadores de seca e produtos de apoio (anomalia de precipitação e índice de vegetação, por exemplo), a fim de representar a situação de seca da forma mais realista possível.

“Os observadores, que são os gestores de Unidades de Conservação preenchem o Formulário Mínimo Padrão (FMP) em relação à climatologia local. A Sema condensa essas informações avaliando a realidade local dos municípios, é com elas que validamos o mapa. Agora, com a entrada do Amazonas como autor, o traçado da seca pode ser mais representativo, porque temos uma visão mais apurada daqui”, explicou o gestor da Assessoria de Recursos Hídricos da Sema, Maycon Castro.

Foto: Divulgação/Sema AM

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Em 2022, o Estado entrou no Monitor de Secas como validador das informações de seca traçadas por autores de outras regiões. Os validadores são responsáveis por confirmar ou sugerir alterações no traçado do mapa proposto pelo autor, baseando-se em evidências que atestem a severidade da seca no estado.

A reunião do Monitor de Secas é um encontro de diversos especialistas ambientais para discutir os impactos das secas recordes na Amazônia, Cerrado e Pantanal, além de verificar ajustes nos mapas e redes de observação do fenômeno climático.

Os dados apresentados pelo Amazonas no evento foram utilizados para mostrar o histórico do monitoramento de secas e os registros de secas intensas dos últimos anos, com exemplificação das cinco maiores secas do estado, suas ações de mitigação e níveis de impacto.

“Os eventos de secas estão cada vez mais intensos, e o Monitor de Secas é uma das principais ferramentas para entendermos a dinâmica da seca em escala nacional e estadual, porque permite uma análise mais regionalizada através de uma rede de observação composta por colaboradores de diferentes órgãos”, finalizou o gestor da Sema.

*Com informações da SEMA-AM

Ciência e conhecimento tradicional: aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia

Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

Uma parceria estratégica entre o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está impulsionando o cenário da conservação de quelônios na região do médio curso do Rio Solimões, Amazônia.

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Com foco na Floresta Nacional de Tefé (FLONA Tefé) e na Reserva Extrativista (RESEX) do Baixo Juruá, a iniciativa promove ações integradas de proteção, pesquisa e geração de renda junto às comunidades tradicionais com foco em quelônios amazônicos.

As tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), tracajás (P. unifilis), iaçás (P.sextuberculata) e outras espécies de quelônios têm papel vital tanto para a ecologia dos rios quanto para a segurança alimentar das comunidades locais. Porém, décadas de caça ilegal e coleta de ovos colocaram essas espécies em situação crítica, o que mobilizou os esforços comunitários e institucionais pela conservação desses animais.

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Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

Leia também: 5 projetos de soltura de quelônios que preservam a espécie na Região Norte  

Sistemas comunitários ganham novo fôlego

Desde 2009, comunidades da FLONA de Tefé vêm se organizando para proteger os ninhos de quelônios, por meio da vigilância das praias e da translocação de ninhos para locais seguros. Em 2023, o Instituto Mamirauá, por meio de seu Programa de Manejo da Fauna, iniciou uma colaboração mais estreita com o ICMBio e a UEA, visando apoiar essas práticas com base técnica, organizacional e científica.

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

Diogo Lima, coordenador do Programa de Manejo da Fauna do Instituto Mamirauá, explica que essas atividades têm raízes profundas na região. “Desde os anos 90, o Instituto já atua na conservação de quelônios, em projetos que começaram na Reserva Mamirauá e se expandiram por outras regiões da Amazônia. Agora,
queremos fortalecer ainda mais esses sistemas, respeitando o saber tradicional e integrando a ciência e a legislação.”

Segundo Lima, a atuação conjunta visa não apenas aumentar o número de animais devolvidos à natureza, mas também apoiar a autonomia comunitária. “Estamos ajudando desde o mapeamento participativo até a capacitação em boas práticas de criação e soltura. E o mais importante: tudo parte da demanda das próprias comunidades.”

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A escuta comunitária como base da ação

Uma das ferramentas utilizadas para entender melhor as realidades locais foi a aplicação da matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) em encontros com cinco comunidades da FLONA de Tefé: Cacautuba, Itaúba, Boa Vista, Tauary e Bom Jesus. Os levantamentos revelaram um total de 50 citações, com
destaque para as fraquezas, que representaram 33% a mais que os outros elementos, evidenciando os desafios enfrentados pelas comunidades.

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

Entre os pontos fortes, os participantes destacaram a riqueza dos ambientes disponíveis para a conservação, o aumento perceptível das populações de quelônios e a ampla participação comunitária. Por outro lado, questões como falta de apoio externo contínuo, consumo excessivo de ovos e invasões ilegais das áreas protegidas
foram apontadas como obstáculos significativos.

Afonso José Cruz Gonçalves Pereira, biólogo do ICMBio, vê na mobilização comunitária o caminho para reverter esse cenário. “Nesse programa, a ideia geral é trabalhar a conservação desse grupo animal junto aos comunitários da FLONA Tefé e RESEX do Baixo Juruá, tentando empoderá-los e capacitá-los para atuarem na
proteção dos bichos e, consequentemente, do território”.

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Solturas e geração de renda: um ciclo de sustentabilidade

Em janeiro e março de 2025, foram realizadas importantes solturas de quelônios nas comunidades Cumaru (RESEX Baixo Juruá) e Bom Jesus (FLONA de Tefé), com a devolução de mais de 3 mil animais à natureza. Essas ações se somam às capacitações em translocação de ninhos e boas práticas de manutenção em berçários.

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

A geração de renda, aliás, é uma preocupação central para garantir a sustentabilidade dos projetos. “Essas ações demandam recursos. Temos custos com combustível, alimentação, infraestrutura”, explica Diogo Lima. “Por isso, buscamos viabilizar alternativas como o turismo de base comunitária e, no longo prazo, o manejo legal para comercialização.”

Algumas comunidades da FLONA de Tefé já começaram a explorar o turismo como alternativa econômica. “Elas têm buscado parcerias com agências locais para oferecer experiências de soltura aos visitantes. Isso gera receita e aumenta o engajamento na conservação”, acrescenta Lima.

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A educação como aliada da proteção

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

O programa também prevê a realização de atividades de educação ambiental voltadas ao público infantojuvenil das comunidades. Em 2025, o ICMBio planeja capacitações sobre práticas de conservação comunitária a serem realizadas na FLONA Tefé, com oficinas de organização comunitária, vigilância, educação ambiental e soltura de filhotes.

“Paralelamente, durante a mesma atividade, estamos pretendendo trabalhar ações de educação ambiental voltadas ao público infanto-juvenil dentro da temática de preservação e proteção comunitária (atividades lúdicas e minipalestras)”, informa Afonso Pereira, do ICMBio.

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Conhecimento tradicional, ciência e legislação: um tripé eficaz

A colaboração com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) reforça o elo entre o conhecimento acadêmico e o saber tradicional. Para o professor e biólogo Rafael Bernhard, da UEA, a união entre comunidade, ciência e órgãos públicos é essencial.

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Aliança de ciência e conhecimentos tradicionais fortalece a conservação de quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

“A Amazônia é um bioma gigantesco, continental. Dentro dele os quelônios sofrem intensamente com a pressão de caça e coleta dos ovos. Eles só não se encontram num nível maior de ameaça graças às ações para a sua proteção realizadas há décadas pelos órgãos de proteção ambiental federais, estaduais e municipais. A eles
somam-se iniciativas de pessoas que vivem no interior e que estão dispostas a colaborar na proteção dos quelônios. Algumas são anteriores à chegada dos órgãos ambientais. Iniciativas que unem o conhecimento tradicional, científico e da legislação através da parceria dos comunitários com órgãos públicos e ONGs tendem a produzir um efeito sinérgico que aumenta a eficiência das ações de conservação”, afirma Bernhard.

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O futuro da conservação comunitária de quelônios

Aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia
Quelônios na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro

A consolidação desse esforço coletivo caminha para a formalização de um projeto estruturado, com previsão de submissão a editais de financiamento para projetos complementares. A perspectiva é expandir o modelo para outras áreas da Amazônia, respeitando a especificidade de cada comunidade e promovendo a cogestão das
Unidades de Conservação.

Diogo Lima reforça que o protagonismo comunitário é a chave para o sucesso de qualquer iniciativa de conservação. “Os projetos que deram certo são aqueles que nasceram da própria comunidade. Nosso papel é apoiar, orientar, mas sempre reconhecendo que o maior conhecimento sobre o território está com quem vive ali.”

Com base em uma atuação integrada, adaptada às realidades locais e voltada ao empoderamento das populações tradicionais, a parceria entre o Instituto Mamirauá, ICMBio e UEA aponta caminhos promissores para a conservação de quelônios na Amazônia. Em um bioma onde os desafios são tão vastos quanto os rios que o cortam e alimentam, a união entre saberes e forças se mostra não apenas eficaz, mas
indispensável.

*Com informações do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Pará regulamenta Cota de Proteção Ambiental e fortalece gestão de Unidades de Conservação

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Unidade de Conservação no estado do Pará. Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 23 de abril, o Decreto nº 4.613, que regulamenta a implantação da Cota de Proteção Ambiental (CPA). O instrumento jurídico visa fortalecer o financiamento das Unidades de Conservação (UCs) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), por meio da captação de recursos junto a pessoas físicas e jurídicas interessadas em contribuir com a preservação da biodiversidade paraense.

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A CPA corresponde a um título representativo de 1 hectare de UC de Proteção Integral e poderá ser adquirida tanto para fins compensatórios quanto não compensatórios. A medida representa uma nova frente de sustentabilidade financeira para as áreas protegidas que integram o Sistema Estadual de Unidades de Conservação da Natureza (Seuc), gerido pelo Ideflor-Bio.

“O DOE [dia 23] publica o decreto 4.613 que regulamenta o artigo 18 da Lei Estadual 6.745/2005 e dispõe sobre a Cota de Proteção Ambiental. Esse decreto é muito importante para a manutenção das nossas UCs e para o fortalecimento institucional do Ideflor-Bio”, afirmou o presidente do Instituto, Nilson Pinto. Ele destacou, ainda, o trabalho técnico realizado.

“Parabéns a todos os que contribuíram para a formulação dessa medida, com destaque para as equipes do Ideflor-Bio, Semas [Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade] e PGE [Procuradoria Geral do Estado], que estiveram envolvidos na sua elaboração”, enfatizou.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Aquisição

As CPAs poderão ser adquiridas em duas modalidades: a compensatória permite que a compensação do passivo de reserva legal, prevista no Código Florestal Brasileiro (CFB), seja feita nas UCs paraenses. Já a Não Compensatória, que tem caráter exclusivamente voluntário e não poderá ser usada para fins de compensação de Reserva Legal. O preço unitário será estabelecido em ato específico do Ideflor-Bio, com a modalidade não compensatória custando 60% do valor da compensatória.

Unidades de Conservação
Unidade de Conservação no Pará. Foto: Reprodução/Agência Pará

A aquisição da CPA também envolverá um contrato com validade de 15 anos, podendo ser renovado. O decreto assegura ao adquirente a regularidade ambiental durante o período de vigência contratual, desde que esteja adimplente. Os recursos arrecadados serão depositados no Fundo Estadual de Desenvolvimento Florestal (Fundeflor) e utilizados para ações de criação, manutenção e restauração das UCs.

Além disso, o Ideflor-Bio será responsável por desenvolver e gerir um sistema informatizado para monitorar as operações envolvendo CPAs. Esse sistema deverá ser integrado aos demais sistemas estaduais de meio ambiente, assegurando transparência, rastreabilidade e controle público de todas as etapas do processo.

Leia também: Saiba quantas Unidades de Conservação possuem cada Estado da Amazônia

Marco

Unidades de Conservação
Unidades de conservação. Foto: Reprodução/ICMbio

Entre os principais objetivos da iniciativa estão o estímulo à recuperação da vegetação nativa, o fortalecimento do financiamento ambiental descentralizado e a ampliação das alternativas legais de compensação ambiental. A norma também veda o uso das CPAs para compensação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e não permite sua transferência entre terceiros.

Para o presidente do Ideflor-Bio, a criação da CPA é um marco na política ambiental do Pará. “Com esse decreto, a produção econômica torna-se aliada direta da proteção 
ambiental”, afirmou Nilson Pinto. Com a regulamentação, o Estado passa a contar com uma ferramenta moderna e eficaz para conciliar desenvolvimento rural e conservação ambiental em um dos biomas mais estratégicos do planeta.

Leia também: Floresta Viva: parceria promove recuperação em 4 unidades de conservação no Amazonas 

Mas o que são as Unidades de Conservação (UCs)

As Unidades de Conservação (UCs) são áreas naturais criadas e protegidas pelos poderes públicos municipais, estaduais ou federais. Elas são regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), estabelecido pela Lei nº 9.985/2000.

Por definição, essas unidades são espaços do território nacional e das águas jurisdicionais que possuem características relevantes do ponto de vista natural, com o objetivo principal de conservar os recursos naturais e a diversidade biológica.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Os objetivos das UCs

  • Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos;
  • Proteger espécies ameaçadas de extinção;
  • Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
  • Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
  • Proteger recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando sua cultura e promovendo seu desenvolvimento social e econômico.

As UCs podem ser classificadas em duas categorias: Proteção Integral e Uso Sustentável. As UCs de Proteção Integral têm como principal finalidade a preservação da natureza, restringindo atividades de exploração dos recursos naturais, permitindo apenas turismo ecológico, pesquisa e educação ambiental. Já as UCs de Uso Sustentável buscam equilibrar a conservação ambiental com o uso dos recursos naturais de forma controlada.

Atualmente no Brasil, há 336 Unidades de Conservação federais, das quais 149 estão localizadas na Amazônia Legal. Estas, somadas a mais 202 unidades estaduais, compõe uma extensa rede formada por 126 unidades de proteção integral e 225 unidades de uso sustentável. Essas 351 federais e estaduais na Amazônia Legal se localizam em um total de 343 municípios, diretamente beneficiados pelo reconhecimento e destinação desses territórios para áreas de conservação, uso sustentável, repartição de benefícios, turismo de base comunitária e ecoturismo. São 150 municípios com incidência de Unidades de Conservação de Proteção Integral e 287 com UCs de Uso Sustentável na região amazônica.

Leia também: Ufopa e povo Borari lançam Relatório de Autodemarcação da Terra Indígena de Alter do Chão

*Com informações da Agência Pará

Estudo apontou contaminação da água em Ariquemes: ‘imprópria para consumo’

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Foto: Divulgação

A Universidade Federal de Rondônia (Unir) divulgou um estudo que mostra que os poços amazônicos utilizados pela população de Ariquemes estão contaminados. O levantamento avaliou a qualidade da água de abastecimento público e de poços amazônicos em diferentes pontos de coleta, abrangendo toda a área de Ariquemes. Para analisar os parâmetros de potabilidade, o estudo usou como base os padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde através da Portaria 888/2021.

Dentre as 12 amostras de poços amazônicos avaliados, todas indicaram presença de coliformes totais e 10 tiveram confirmação de contaminação pela bactéria Escherichia coli. O estudo afirma que, considerando os resultados, “as águas de poços amazônicos de Ariquemes são consideradas impróprias para consumo”.

Ainda de acordo com o estudo, em relação às amostras de água do abastecimento público, todas apresentaram padrões microbiológicos compatíveis com a legislação para água potável, com ausência de contaminação por coliformes totais e E. coli.

Usar água de poços é uma cultura da região. A água é retirada do lençol freático subterrâneo, acessado através de escavações manuais ou mecanizadas. O estudo aponta que “os resultados dessa pesquisa corroboram com a hipótese de que o lençol freático de Ariquemes esteja contaminado, possivelmente pelo uso de fossas como destino final de esgoto doméstico na maior parte da cidade”.

O estudo foi solicitado pelo Ministério Público de Rondônia, através da Promotoria de Justiça de Ariquemes, e realizado pelo campus da Unir na cidade, através da profª. doutora Gisele Teixeira de Souza, do curso de engenharia de alimentos.

“De acordo com os resultados obtidos e considerando que boa parte da população de Ariquemes ainda utiliza água de poço para suas necessidades, como escovar os dentes, lavar vegetais, frutos, utensílios e até mesmo para o consumo, muitos habitantes estão expostos a doenças causadas por água que não está própria para o uso e consumo”, explica Gisele sobre o estudo.

O estudo aponta ainda que Ariquemes possui um problema de saúde pública em relação à utilização de água de poços. Segundo a professora, os dados auxiliam o poder público a tomar medidas que melhorem a qualidade de vida da população.

“Um dos principais objetivos de expor esses dados desta forma é mostrar para as autoridades que algo precisa ser feito para conscientizar a população e facilitar a aquisição de água de qualidade”, aponta Gisele.

Água turva

O estudo se dedicou ainda a um tema que tem gerado debate na cidade: a água turva, situação pontual, ocasionada por paralisação no sistema ou após a realização de reparos no sistema de abastecimento da cidade.

De acordo com a publicação, os dados de turbidez junto aos microbiológicos indicam que a coloração da água da rede pública de abastecimento de Ariquemes não tem relação com contaminação microbiológica.

“A turbidez na água não indica necessariamente contaminação por agentes patogênicos. Pode-se ter altos índices de turbidez sem contaminação microbiológica”, explica Gisele no estudo.

Os resultados atingidos pela Unir concluíram ainda que a água de abastecimento público atingiu o padrão de potabilidade em todos os pontos analisados. Em contrapartida, as amostras de águas de poços amazônicos são consideradas impróprias para consumo, considerando o padrão microbiológico.

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Outros estudos

Essa não é a primeira vez que o campus da Unir realiza um estudo como esse. Em um estudo divulgado em 2024, pesquisadores da Unir analisaram amostras de água de 40 poços em Buritis, também no Vale do Jamari de Rondônia. O resultado revelou contaminação fecal em 98% dos poços analisados. Todos os bairros da cidade possuem poços contaminados. As amostras foram colhidas em outubro e novembro de 2023.

A pesquisa revelou que a água distribuída pela rede pública estava de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, mas quase toda a água dos poços é imprópria para consumo.

Primeira da Amazônia, a Fonoteca Satyro de Mello é a segunda mais antiga do Brasil

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Foto: Valéria Ramos/FCP

Inaugurada em 26 de junho de 1987, a Fonoteca Satyro de Mello, localizada em Belém (PA), na Biblioteca Pública Arthur Vianna (BPAV), é a segunda mais antiga do Brasil, perdendo apenas para a Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard, de São Paulo (SP), segundo dados da BPAV.

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A fonoteca paraense foi criada a partir da aquisição do acervo fonográfico do colecionador Ricardo Pereira, do Rio de Janeiro. “A coleção de discos foi vendida por Pereira pelo valor simbólico de 600 mil cruzados para a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves”, informa a BPAV. 

O nome ‘Satyro de Melo’, trata-se de uma homenagem ao músico paraense Raimundo Satyro de Mello, considerado por estudiosos o primeiro arranjador de músicas para discos do Brasil. Atualmente ela possui possui mais de 30 mil exemplares.

Leia também: Com quase 800 mil livros, acervo da Biblioteca Arthur Vianna atrai amantes da literatura em Belém

Os conteúdos disponíveis vão desde obras eruditas (concertos musicais, recitais e clássicos do Jazz) à músicas infantis (Xuxa, Trem da Alegria e Turma do Balão Mágico). Para ter acesso, o visitante deve escolher o que deseja escutar no catálogo e informar para o funcionário o Disco ou CD selecionado para ser escutado de forma individual em fones no local.

Além de disponibilizar parte do acervo para consulta e audição local, a fonoteca também promove atividades de workshops e palestras de forma gratuita. 

Um exemplo é o projeto ‘Audição de Vinil’, criado em 2024. Em abril deste ano, houve a audição do álbum ‘Exagerado’, de Cazuza, lançado em 1985, com a mediação de Alexandre Roseno, servidor da Fundação Cultural do Pará (FCP). “O projeto é um sucesso, desde a realização da audição do trabalho de Maria Bethânia”, lembra.

Roseno refere-se à primeira edição do projeto, realizada em junho de 2024, em comemoração aos 78 anos da cantora Maria Bethânia, com a audição de vinil do álbum ‘Álibi’, que faz parte do acervo da fonoteca. Ele também foi o mediador da edição.

Outra atividade realizada pela fonoteca é a ‘Ouvir e Conhecer’. No Carnaval deste ano, por exemplo, a audição especial de vinil foi do LP das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, de 1989, mergulhando nos sambas-enredo.

Guiada por Wander Nunes, carnavalesco que tem forte ligação tanto com as escolas de samba do Rio quanto de Belém, o público participou de uma imersão no processo de gravação e no contexto cultural da obra. A atividade visa engajar o público a conhecer mais sobre o vinil, além de fazer uma reflexão sobre a importância da preservação dos discos e o papel da música na cultura popular.

Foto: Reprodução/FCP

Para quem quiser conhecer a Fonoteca Satyro de Melo, ela está localizada no 3º andar na Biblioteca Pública Arthur Vianna, na Avenida Gentil Bittencourt, n° 650, no bairro Nazaré (Belém/PA).

*Com informações da Fundação Cultural do Pará (FCP) e Biblioteca Pública Arthur Vianna (BPAV)

Como seria o imaginário popular sobre o Amazonas retratado no chatGPT?

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Certamente, quem mora no Amazonas, já ouviu perguntas como: “aí só tem bicho?” ou “vocês andam de onça-pintada?”. Para quem vive fora da Amazônia, a região parece ser apenas de floresta, pois muitos desconhecem a realidade dos estados amazônicos.

Pensando nisso, o Portal Amazônia foi buscar no ChatGPT a resposta para como seria o Amazonas, por exemplo, se realmente fosse como o imaginário popular de outras regiões do país pensa que ele é.

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“Moram nas árvores”

Será? Em alguns locais existem sim casas nas árvores, mas voltadas ao turismo. Na verdade, as cidades podem ser tão complexas e modernas que até casas inusitadas podem ser encontradas, como a casa borboleta em Manaus. Além disso, existem áreas que as casas são “suspensas” em função dos ciclos de seca e cheia e os famosos flutuantes.

“Só tem floresta e rio”

Essa aqui muita gente até queria que fosse verdade, pois a temperatura na região seria mais amena. Mas mesmo que muitos imaginem as cidades tal como o ChatGPT recriou, está longe de ser verdade. Quer ver como é mais complexo? Dá uma olhada nessa matéria feita com fotógrafos do Amazonas.

“Vocês andam de onça-pintada?”

Essa pergunta aí quem mora na região e ainda não ouviu, com certeza ainda vai ouvir. A onça-pintada é um dos felinos mais conhecidos – e até temidos – no país. Porém, ainda tem quem ache que elas são o “transporte” dos amazônidas, tal como seriam os cavalos em outras regiões (mesmo que seja apenas para fazer piada).

Leia também: Descubra o que fazer quando encontrar uma onça-pintada

“Tenho medo da anaconda”

Seja nas lendas da cobra grande (a Boiúna) ou nas produções de filmes internacionais, as cobras são animais que causam arrepios em muitas pessoas. Na Amazônia, uma das maiores do mundo é encontrada: a sucuri. Por conta de sua fama, tem quem realmente tema encontrar com uma dessas, por isso acaba imaginando que elas podem ser encontradas em toda parte.

Leia também: De jiboia à ‘anaconda’, conheça as cinco maiores cobras da região amazônica

Essas são algumas frases que certamente até quem não é do Amazonas especificamente, mas de outros estados da região amazônica, já deve ter ouvindo. E aí? Que outras frases poderiam entrar pra essa lista?

Óleo extraído de árvore típica de Tepequém tem potencial para combater mosquito da malária

Foto: Naamã Mourão/Rede Amazônica RR

Um grupo de pesquisadores de universidades da Amazônia e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram no óleo essencial extraído da Trattinnickia burserifolia espécie típica de Tepequém, região de serra que é o principal ponto turístico de Roraima — um alto poder larvicida contra o Anopheles, mosquito transmissor da malária.

Leia também: A intervenção humana na floresta favorece e impulsiona a malária na Amazônia

A pesquisa integra a tese da doutoranda em biotecnologia pela Universidade Federal de Rondônia (UFRO) Gisele de Oliveira e contou com apoio de instituições como a Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) do Amazonas e a Fiocruz Rondônia.

O estudo foi publicado recentemente na revista internacional Pharmaceuticals, da editora suíça MDPI, uma das mais conceituadas do meio científico, com classificação Qualis A1 — o mais alto nível de avaliação acadêmica no Brasil. Antes de ser publicado, o estudo passou por um extenso processo de validação científica.

“Publicar o resultado de uma pesquisa exige rigor: são muitos revisores, exigências e correções antes da aceitação”, afirmou a doutoranda Gisele.

A Serra do Tepequém, localizada no município de Amajarí, ao Norte de Roraima, é considerada o destino mais procurado pelos turistas locais e de outros lugares do Brasil, segundo o Departamento de Turismo do Estado (Detur). Fica distante cerca de 210 km de Boa Vista. O local é um dos mais visitados por apresentar atrações como cachoeiras, um platô que chega a quase 1.022 m de altura e pelo clima ameno durante a noite, proporcionado pelas serras.

Ajuda para inibir a malária na Amazônia

A pesquisa começou a partir da coleta de amostras da Trattinnickia burserifolia, planta pouco estudada da flora amazônica, conhecida entre populações locais pelas propriedades aromáticas.

As cascas do caule são retiradas para garantir a recuperação natural da árvore e enviadas a laboratórios especializados.

O óleo essencial é extraído por meio de um processo de hidrodestilação — técnica que utiliza a ação do vapor para liberar compostos voláteis presentes nas plantas. Em seguida, os pesquisadores realizaram a caracterização química do óleo, identificando cerca de 40 substâncias distintas.

Três compostos, em especial, chamaram atenção: limoneno, triciclênio e betapineno.

“Esses três componentes majoritários mostraram forte ação larvicida, mas há indícios de que outros constituintes também contribuam para a eliminação das larvas”, explicou Gisele de Oliveira.

Foto: Naamã Mourão/Rede Amazônica RR

Os testes de eficácia foram conduzidos no Laboratório de Malária do Inpa, em Manaus. Amostras de larvas do mosquito Anopheles foram expostas ao óleo essencial, e os resultados foram “surpreendentes”.

“As larvas apresentaram lentidão significativa e, em até 48 horas, observamos a morte da maioria delas”, relatou a pesquisadora.

Reconhecimento científico

A escolha da revista Pharmaceuticals se deu não apenas pelo prestígio da publicação, mas também pela linha editorial voltada a novas descobertas farmacológicas e produtos naturais com potencial terapêutico ou biológico.

“Quando você vê que uma pesquisa como essa, que trabalha no óleo essencial de uma planta, que é uma árvore, que você consegue ver que ela tem um potencial biotecnológico, aplicações que podem trazer benefícios à saúde, não só à saúde humana, mas também ao óleo digital, ou seja, dentro do conceito de saúde humana, você vê que essas pesquisas científicas se tornam cada vez mais relevantes para a sociedade”, avalia Andreimar Martins Soares, orientador da pesquisa pela Universidade Federal de Rondônia e Fiocruz Rondônia.

Para o professor Antonio Alves, da UFRR, que atuou como coorientador do projeto, a pesquisa reforça a importância de valorizar a biodiversidade amazônica.

“Estamos trabalhando com plantas da nossa região. E [essa descoberta] pode inibir essa questão da malária dentro da Amazônia, no Brasil, e até no mundo”, disse.

Foto: Naamã Mourão/Rede Amazônica RR

Malária

Segundo o Ministério da Saúde, a malária é endêmica nos estados da Amazônia Legal, que concentra quase a totalidade dos casos da doença no Brasil.

O Anopheles darlingi, principal vetor da malária na região, encontra no ambiente amazônico condições ideais para reprodução.

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O próximo passo, de acordo com os pesquisadores, é aprofundar a análise da ação dos componentes isolados através da pesquisa com a Trattinnickia burserifolia. Gisele de Oliveira reforça como ponto positivo fundamental a seleção de alternativas dentro da natureza e da biodiversidade.

“É na natureza que está a grande riqueza. Toda variedade que nós precisamos preservar, pois dela podem surgir respostas para muitos desafios do nosso cotidiano”.

*Por Naamã Mourão, da Rede Amazônica RR