O processo de limpeza prepara o ambiente para novos ciclos de cultivo de peixes. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Com ações que garantem mais qualidade e segurança alimentar, além de gerar emprego e renda nas comunidades indígenas de Boa Vista, a prefeitura tem atuado diretamente no incentivo à piscicultura, com o projeto Moro-Morí. Em nova etapa da atividade aquícola, o tanque da comunidade São Marcos, localizada na região Baixo São Marcos passa por processo de tratamento da água.
O processo de limpeza prepara o ambiente para novos ciclos de cultivo de peixes, evitando doenças e promovendo um manejo mais eficiente, sustentável e produtivo para os piscicultores. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, o apoio da prefeitura ao Moro-Morí nas comunidades indígenas representa mais do que um incentivo à produção.
Hoje, 14 comunidades indígenas contam com a iniciativa em andamento. Foto: Diane Sampaio/PMBV
“É uma ação de valorização cultural, geração de renda e sustentabilidade. Oferecemos suporte técnico, escavação do tanque, equipamentos, alevinos, rações e acompanhamento constante e capacitação para que os piscicultores indígenas possam desenvolver uma atividade produtiva, fortalecendo a economia local de forma sustentável, em cada comunidade atendida pelo município”, disse.
Durante todo processo de implantação e desenvolvimento da piscicultura nas comunidades indígenas, técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas apoiam os produtores com assistência técnica especializada. Segundo o Tuxaua da São Marcos, Cleidson Pereira, seis famílias da comunidade estão envolvidas diretamente no projeto, liderando as atividades.
“Nossa comunidade está muito feliz com o início dos trabalhos voltados para a criação de peixe”, disse o Tuxaua Cleidson Pereira. Foto: Diane Sampaio/PMBV
“Nossa comunidade está muito feliz com o início dos trabalhos voltados para a criação de peixe. Procuramos envolver toda a comunidade, inclusive as crianças para que elas possam dar seguimento a esse projeto e seja difundido cada vez mais na região. Sem o apoio da Prefeitura de Boa Vista, a gente não conseguiria implantar essa atividade, já que o investimento inicial é bem alto”, contou.
Capacitação das famílias
Famílias responsáveis pelo gerenciamento do projeto nas comunidades indígenas participam de curso sobre técnicas de manejo da piscicultura, voltados para a parte teórica e prática. Durante a capacitação, os piscicultores recebem treinamento para a preparação dos tanques, cuidados com a qualidade da água e controle de doenças, da alimentação dos alevinos, o acompanhamento biométrico (medição e pesagem) mensal até o momento da despesca.
No processo, os produtores retiraram cerca de 11 toneladas de peixes dos tanques. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Hoje, 14 comunidades indígenas contam com a iniciativa em andamento e mais três serão beneficiadas até o fim do ano. Até o momento, cinco já fizeram a despesca: Serra da Moça, Darora, Campo Alegre, Vista Alegre e Ilha. No processo, os produtores retiraram cerca de 11 toneladas de peixes dos tanques. Parte da produção é consumida na comunidade e a outra parcela é destinada à comercialização.
A Fiocruz Amazônia, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) e o Instituto Evandro Chagas (IEC-PA), está realizando um levantamento sorológico inédito ao longo de um trecho de aproximadamente 800 quilômetros da BR-319 – estrada federal que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) – visando identificar a presença de anticorpos contra patógenos causadores de doenças como leptospirose, hantavirose, febre Oropouche, dengue, febre Mayaro, chikungunya, entre outras.
O objetivo do estudo é avaliar, no contexto do conceito One Health (Uma Só Saúde), como a degradação ambiental pode influenciar a dinâmica de circulação de vírus emergentes e reemergentes na região amazônica. A abordagem considera a saúde humana, animal e ambiental de forma integrada, buscando compreender de que maneira o modo de vida local, a interação com a floresta e as transformações ambientais impactam o risco de doenças.
O trecho em estudo inclui comunidades como Igapó Açu e Realidade, além de diversos pequenos povoados ao longo da rodovia, onde são realizadas expedições periódicas do projeto. Cada expedição dura, em média, 20 dias, tempo suficiente para coletas de sangue, entrevistas com moradores e ações de educação em saúde. Denominado Rede Pampa-BR 319, o projeto começou há três anos e, ao final, pretende apresentar um diagnóstico integrado com dados ecológicos, demográficos e clínicos.
Fiocruz trabalha com parceiros para realizar diagnóstico
O trabalho é coordenado pelo pesquisador em Saúde Pública Pritesh Lalwani, da Fiocruz Amazônia, em parceria com os professores doutores José Luiz Modena (Unicamp-SP), que acompanha o trabalho no Amazonas, e Lívia Martins (IEC-PA), que desenvolve diagnóstico semelhante na região de mineração de Carajás, no sudeste do Pará. O projeto conta com financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM), de São Paulo (FAPESP) e do Pará (FAPESPA), no âmbito do edital Amazônia+10, do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).
Segundo Lalwani, a relevância do projeto está na possibilidade de subsidiar políticas públicas voltadas para a população dessas áreas, a partir do conhecimento direto sobre o estado de saúde das pessoas que vivem nelas.
“A ideia do projeto surgiu de um diálogo sobre o impacto histórico da abertura de estradas no Brasil, que em vários casos esteve associado ao aumento de doenças infecciosas. No caso da BR-319, parte da estrada já é asfaltada, mas há longos trechos sem pavimentação. Queremos entender como as pessoas vivem na região e quais os principais desafios de saúde existentes”, resume.
Foto: Divulgação/Projeto Rede Pampa BR-319
Das amostras humanas analisadas até o momento, mais de 50% das cerca de 300 pessoas testadas apresentaram resultado positivo para anticorpos IgM contra o vírus Oropouche (OROV), indicando infecção recente. O OROV é um arbovírus transmitido principalmente por pequenos insetos do gênero Culicoides (maruim ou mosquito-pólvora) e, até poucos anos atrás, sua ocorrência estava majoritariamente restrita ao bioma amazônico.
No entanto, após uma grande epidemia de OROV na Amazônia brasileira em 2023-2024, surtos passaram a ser registrados em diferentes estados do Brasil e até em outros países da América Latina, aumentando a preocupação com seu potencial de dispersão. Por apresentar sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como febre, dor de cabeça e dores musculares, o OROV pode ser facilmente subdiagnosticado.
O pesquisador ressalta que compreender o impacto das ações humanas sobre o meio ambiente é essencial para antecipar e mitigar riscos sanitários. Embora a relação causal entre degradação ambiental e o surgimento de novas doenças infecciosas ainda esteja sendo investigada, estudos sugerem que mudanças no uso da terra, desmatamento e proximidade maior entre pessoas, animais domésticos e fauna silvestre podem estar associadas ao aumento de doenças zoonóticas.
“Nosso projeto busca gerar evidências concretas para avaliar como esses fatores interagem. Alterações ambientais, como o desmatamento, podem modificar o habitat de vetores e reservatórios, criando condições que favorecem a transmissão de patógenos. Ao entender essas dinâmicas, podemos orientar medidas de prevenção mais eficazes”, explica.
Foto: Divulgação/Projeto Rede Pampa BR-319
O diagnóstico produzido pelo projeto da Fiocruz servirá como linha de base para comparações futuras, especialmente após o recapeamento da BR-319, permitindo avaliar se as mudanças na infraestrutura e no uso da terra vão influenciar o risco e a ocorrência dessas doenças.
“Com esses indicadores, poderemos propor estratégias e fortalecer o acesso do SUS a essas comunidades”, destaca.
Integração institucional
O ILMD/Fiocruz Amazônia vem atuando para ampliar a integração institucional entre grupos de pesquisa em saúde e meio ambiente na Amazônia. Para a vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri, um diagnóstico organizacional feito entre 2015 e 2016 já apontava a transversalidade dos temas saúde e ambiente nas pesquisas da instituição.
“A análise de vários projetos mostrou que saúde e ambiente eram temas conectados, mas essa conexão nem sempre era percebida de forma explícita. Hoje, essa relação é vivida de forma muito concreta”, avalia.
Para El Kadri, o estudo sobre o impacto causado pelas mudanças climáticas e a degradação ambiental na saúde é uma das oportunidades de alavancar recursos e dar visibilidade as ações desenvolvidas no ILMD no protagonismo da agenda saúde e ambiente na Amazônia.
“Temos uma diversidade muito potente de expertise nos nossos laboratórios que vai desde a pesquisa clínica ao diálogo com medicina indígena, ou desde o desenvolvimento de novos testes diagnósticos à educação ambiental com comunidades. Além disso, somos reconhecidos como instituição de formação de pessoas para o SUS. A questão é como converter nosso capital político e científico em ações concretas na agenda da saúde nos territórios amazônicos. Nossa capacidade de influenciar políticas públicas de alimentação, saúde, saneamento, cultura de paz, etc, passa necessariamente pela nossa capacidade de trabalhar com as pessoas no território”, avalia.
Área de floresta nativa amazônica. Foto: Eufran Amaral
A determinação política, fortalecida pela pressão da sociedade civil e pela diplomacia internacional, é fator decisivo para proteger as florestas na Amazônia brasileira e na Indonésia. A conclusão é de um estudo publicado na revista Conservation Letters, que analisou os aspectos responsáveis pelo sucesso na proteção florestal no Brasil e Indonésia, países que abrigam algumas das maiores áreas remanescentes de florestas tropicais do planeta.
A pesquisa, baseada na metodologia Delphi, buscou ir além das análises quantitativas tradicionais. O estudo envolveu 36 pesquisadores e outros profissionais dos dois países e investigou fatores estruturais e muitas vezes intangíveis – como vontade política, atuação da sociedade civil e pressão internacional – que foram determinantes para as quedas históricas no desmatamento.
Quedas expressivas do desmatamento em décadas recentes
O Brasil reduziu o desmatamento em 84% entre 2004 e 2012, enquanto a Indonésia alcançou uma redução de 78% no período entre 2016 e 2021.
“Nosso objetivo foi entender quais fatores colaboram para a manutenção das florestas – apesar do desmatamento desenfreado, ainda temos mais de dois terços das florestas tropicais do mundo. O Brasil e a Indonésia possuem as maiores áreas remanescentes de florestas tropicais e cada um deles reduziu significativamente o desmatamento em décadas recentes”, declara Joss Lyons-White, pesquisador da Universidade de Cambridge, Inglaterra, e um dos autores principais do artigo.
“O trabalho compara dois contextos distintos, Amazônia e Indonésia, identificando semelhanças, diferenças e combinações ideais de fatores de proteção florestal”, detalha o pesquisador da Embrapa Cerrados, Júlio César dos Reis, um dos coautores do artigo.
Área de floresta e de diversos usos da terra. Foto: Eufran Amaral
Como os especialistas chegaram a um consenso
Para chegar a essas conclusões, o estudo empregou a metodologia Delphi, que envolveu múltiplas consultas interativas com 17 especialistas do Brasil e os 21 na Indonésia (dois participantes têm expertise nos dois países). O processo incluiu rodadas de questionários anônimos e um workshop virtual, permitindo que o grupo refinasse suas visões sem a influência de indivíduos dominantes, comum em discussões presenciais. “Buscamos identificar toda a gama de fatores que mantêm as florestas em pé, a relativa importância de cada um e como eles mudaram ao longo do tempo”, conta uma das autoras, Rachael Garrett, também da Universidade de Cambridge.
A aplicação da metodologia envolveu, inicialmente, uma rodada de perguntas abertas para identificar fatores-chave, seguida da priorização dos cinco mais relevantes entre os 15 mais citados. Na sequência, foi realizado um workshop on-line para discussão e elaboração de modelos regionais. Depois, os participantes responderam a uma nova rodada de avaliação sobre a importância dos fatores nas décadas de 1990, 2000 e 2010. Por fim, foi feita a síntese dos resultados.
O estudo envolveu pesquisadores, agentes públicos e outros profissionais especialistas em conservação florestal na Amazônia Brasileira e na Indonésia com artigos publicados em revistas de alto impacto, participação em painéis ou membros de organizações que atuam na proteção das florestas.
Queimadas normalmente antecedem o desmatamento ilegal. Foto: Eufran Amaral
Pressão social e diplomacia: os motores da vontade política
Os participantes do estudo identificaram a vontade política para fazer cumprir as leis como o fator mais importante para o sucesso na proteção florestal. No entanto, essa determinação não surge no vácuo. “Esse processo é gerado pelos constantes esforços da sociedade civil ao longo do tempo, engajamento público e pressão internacional. Apesar de ser tentador seguir as últimas tendências de conservação, esforços contínuos nessas três áreas são o que fazem a real diferença”, declara um dos principais coautores do artigo: Matthew Spencer, do The Sustainable Trade Initiative (IDH).
Segundo Reis, a expansão agrícola historicamente impulsionou o desmatamento, especialmente entre as décadas de 1950 e 1980, quando o Estado brasileiro, sob o lema “integrar para não entregar”, incentivou a conversão de florestas, em especial na Amazônia, para fins agrícolas.
“Na Região Amazônica, a intensificação da agricultura e a demanda por commodities continuam associadas à perda florestal. Contudo, políticas públicas como o Código Florestal e o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) mostraram que, com vontade política e fiscalização, é possível reduzir a relação direta entre agricultura e desmatamento”, relata o cientista.
Área de floresta e de agricultura. Foto: Eufran Amaral
O cenário na Indonésia se mostrou mais complexo, com uma variedade maior de fatores influentes. Iniciativas do setor privado, como políticas de “desmatamento zero” em cadeias de commodities, somaram-se a ações governamentais, como uma moratória para novas licenças de cultivo de palma de óleo.
Segundo os autores, essa combinação diversa reflete um processo de descentralização e recentralização da governança florestal no país, contrastando com a ênfase mais direta em políticas públicas federais observada no caso brasileiro.
“Ao observar a importância relativa de diferentes fatores ao longo do tempo, a diplomacia internacional e a pressão da sociedade civil destacaram-se claramente como fatores importantes para gerar determinação política para a proteção das florestas. Na década de 2010, por exemplo, quando a Indonésia alcançou suas principais reduções no desmatamento, a vontade política foi percebida como o fator mais importante”, explica Spencer.
O papel vital das comunidades tradicionais e indígenas
O estudo destacou que, na Amazônia brasileira, o reconhecimento dos direitos e territórios tradicionais e indígenas foi considerado outro fator importante para a conservação desde a década de 1990, com sua relevância só aumentando ao longo dos anos.
“O reconhecimento desses direitos pelo estado brasileiro desempenhou um papel crucial no desenvolvimento das condições que culminaram com o sucesso da conservação das florestas entre 2004 e 2012 e formarão uma parte vital do quebra-cabeças para conservar as florestas no futuro”, afirma Rachael Garrett.
Os dados do Censo Demográfico (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, IBGE, 2022) ilustram a dimensão humana dessa realidade: 5,82% da população brasileira, ou 11,8 milhões de pessoas, residem em Unidades de Conservação (UCs).
Desse total, 282,3 mil são quilombolas e 132,8 mil são indígenas. Um desafio crítico: 40,34% dos domicílios nessas áreas apresentam pelo menos uma categoria de precariedade, como a ausência de saneamento básico. Para Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre e coautor do estudo, a conservação a longo prazo está intrinsecamente ligada ao bem-estar dessas populações.
“Para garantir a conservação das florestas, é importante que haja renda por meio da valorização dos produtos da sociobiodiversidade a fim de assegurar a qualidade de vida dessas populações, guardiãs desse formidável estoque de recursos naturais”, ressalta.
Foto: Ronaldo Rosa
Um alerta para a COP30
As constatações do estudo chegam às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025. Os pesquisadores acreditam que esse trabalho serve como alerta para diplomatas, políticos e líderes globais. Ele deixa a mensagem de que a conservação das florestas tropicais é possível, mas depende, fundamentalmente, de uma decisão política sustentada, que por sua vez é alimentada pela vigilância constante da sociedade e pela cooperação internacional.
“Políticos, diplomatas, representantes da sociedade civil organizada, profissionais e especialistas devem ter isso em mente e continuar com a luta pela conservação das florestas”, finaliza Garret.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Cunhã-poranga do Garantido Isabelle Nogueira. Foto: Michael Dantas/Acervo SEC AM
A Escola de Samba Presidente Vargas anunciou, na terça-feira (9), que a ex-BBB e influenciadora amazonense Isabelle Nogueira será homenageada no Carnaval 2026 em Manaus (AM). O enredo escolhido leva o título ‘Com Uma Flecha e Um Sonho: Isabelle Nogueira, a Força da Mulher Amazônica’.
O anúncio foi feito em tom de suspense nas redes sociais da agremiação. “O segredo está guardado… mas não por muito tempo. Uma filha da Matinha, do berço da Presidente Vargas para o mundo. Isabelle Nogueira é a nossa homenageada, símbolo da cultura do Amazonas, uma guerreira amazônica que levou a sua raiz, sua gente e sua história para o Brasil inteiro e para além das fronteiras”, destacou o post.
Isabelle, que nasceu e cresceu no bairro Presidente Vargas, antiga Matinha, território também da escola de samba, celebrou a homenagem em vídeos publicados nos stories do Instagram.
“Tô muito feliz mesmo com essa homenagem e carinho. É a escola do bairro em que morei muitos anos. A gente tem umas histórias juntos pra contar, um enredo bem forte, bem orgânico, bem verdadeiro. E também de poder mostrar pra todo mundo que no Amazonas, em Manaus, tem um carnaval muito lindo, com muitas escolas e muitos artistas competentes e maravilhosos. Só gratidão no meu coração”, disse.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
A escola também divulgou um vídeo em que Isabelle narra a sua ligação com o bairro. Nele, a manauara fala das memórias de infância no Presidente Vargas, ainda conhecido pelo antigo nome Matinha, da importância da comunidade e do samba.
“Foi aqui, na Matinha, que tudo aconteceu. Essa terra também é o coração da Presidente Vargas, meu berço, minha raiz, parte da minha história. Aqui aprendi que o samba é mais do que dança, é identidade, é resistência e muito amor. Esse chão que me viu nascer hoje me viu honrar minhas raízes. Tenho muito orgulho de dizer que sou parte dessa história”, narrou.
O anúncio da homenagem acontece em um momento especial para a Presidente Vargas. Em 2025, a escola foi campeã do Grupo de Acesso A, somando 268,20 pontos com o enredo “Águas e Florestas – Os Encantos do Sul de Roraima”. A apresentação, que conquistou jurados e público, garantiu o retorno da agremiação ao Grupo Especial do Carnaval de Manaus em 2026.
Além da ligação com a cultura popular do Amazonas, Isabelle também vem conquistando espaço no Carnaval brasileiro. Cunhã-poranga do Boi Garantido, ela estreou como musa da Acadêmicos do Grande Rio no desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, em março deste ano, quando desfilou na Marquês de Sapucaí com uma fantasia em homenagem a Jurema.
Em todo o Amazonas, 31,6% das mulheres já sofreram algum tipo de violência. Essa é uma das estatísticas reveladas pela mais recente atualização do banco de pesquisas do Observatório da Violência contra a Mulher, iniciativa da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O assunto veio à tona na Sessão Ordinária, desta terça-feira (02/09), quando a deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos) ocupou a tribuna da Casa Legislativa para apresentar dados inéditos levantados pelo Observatório da Violência contra a Mulher.
A pesquisa de opinião, que abrangeu mais de 63 mil pessoas de Manaus e dos municípios do interior, aponta que, em se tratando de violência, o “inimigo” mora em casa. A mostra aponta que 55,1% das mulheres que revelaram ter sofrido algum tipo de violência são casadas ou moram junto com seus companheiros.
De acordo com os números divulgados pelo Observatório, o sentimento de posse também é confirmado na pesquisa, pois 26,5% de mulheres separadas ou divorciadas revelaram ter sofrido algum tipo de violência.
“Antes dessa pesquisa do Observatório da Violência contra a Mulher, a gente não tinha esse dado de como a mulher se sente em relação à violência. Isso vai fazer com que a gente possa elaborar políticas públicas que realmente impactem essa mulher. O objetivo da Procuradoria da Mulher é aperfeiçoar o trabalho legislativo, aperfeiçoar a criação de políticas públicas por meio dessa vivência da realidade da mulher amazônica”, enfatizou a deputada Alessandra Campelo.
Alessandra Campelo informou que o Observatório da Violência contra a Mulher é uma ferramenta perene da Casa Legislativa, visto que foi instituído por meio da Resolução Legislativa nº 1.049, de 02 de julho de 2024.
“Isso é inédito no Amazonas, e preciso agradecer ao presidente Roberto Cidade e a todos os deputados e as deputadas que acreditaram neste trabalho, aprovando a Resolução Legislativa, onde qualquer órgão poderá usar estes dados para a promoção de políticas públicas de proteção às mulheres”, disse a deputada, por ocasião do lançamento do projeto, em agosto de 2024.
Para tornar a comunicação em espaços públicos e privados mais acessível às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o deputado estadual Roberto Cidade (UB), presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), apresentou o Projeto de Lei nº 673/2025, que altera a Lei nº 6.458/2023 e consolida a legislação relativa à pessoa com TEA, estabelecendo critérios mais específicos de atendimento para esse público.
“É importante que façamos as adaptações necessárias para que as pessoas com TEA e suas famílias sejam cada vez melhor acolhidas e pertencentes a todos os ambientes. Elas precisam ser inseridas na sociedade com respeito e empatia. O que nossa emenda propõe é a efetivação prática dos direitos já previstos em âmbito constitucional e legal, mas com uma linguagem mais apropriada, inibindo sobrecargas sensoriais, crises, desistência do atendimento e outras formas de violação de direitos”, destacou o parlamentar.
De acordo com a propositura, os estabelecimentos públicos e privados que prestem atendimento direto à população no Amazonas deverão adotar estratégias específicas de acolhimento e linguagem acessível voltadas às pessoas com TEA, observando parâmetros de comunicação clara, objetiva e literal, evitando ambiguidades, ironias ou figuras de linguagem.
As instruções devem ser diretas, indicando com precisão o que deve ser feito, quando e como, respeitando o tempo necessário para a resposta e compreensão da pessoa com TEA. O texto prevê também o acolhimento de comportamentos característicos do espectro, como repetições, desorganização na fala, desvios de assunto e movimentos repetitivos, sempre com redirecionamento gentil.
A proposta estabelece medidas relacionadas ao ambiente, para que ele seja inclusivo e respeitoso às particularidades das pessoas com TEA, além da formação e capacitação periódica de servidores e funcionários no atendimento, com foco na comunicação, sensibilização e empatia.
O presidente da Aleam também é autor do PL nº 726/2025, que acrescenta ao Art. 32-A da Lei nº 6.458/2023 a obrigatoriedade de que os planos de saúde privados garantam às pessoas com TEA a cobertura integral das sessões de equoterapia, musicoterapia e hidroterapia, sempre que prescritas por profissional de saúde especializado.
“Do ponto de vista regulatório, nosso PL não cria obrigação inédita, mas alinha o âmbito estadual às diretrizes federais e à jurisprudência, coibindo negativas administrativas frequentes e evitando judicialização desnecessária”, afirmou Cidade.
O projeto prevê que a cobertura não poderá ter limitações de quantidade de sessões, desde que haja laudo comprovando a necessidade de acompanhamento contínuo; deverá incluir profissionais e centros de terapias credenciados e regularizados; e seguirá sempre a prescrição individualizada constante em relatório técnico de profissional habilitado.
De acordo com levantamento amostral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao menos 2 milhões de brasileiros convivem com o espectro autista, número possivelmente subestimado devido à subnotificação e ao diagnóstico tardio.
O Colorau, especiaria de sabor intenso, terroso e até apimentado, é produzido a partir de um fruto conhecido como urucum. O fruto é uma semente de uma pequena árvore nativa das regiões tropicais da América do Sul, o urucuzeiro (Bixa orellana). Para a sua produção são utilizadas apenas as sementes do fruto, inteiras ou moídas.
Conheça o processo de produção do colorau, um dos temperos mais usados nas cozinhas brasileiras e um símbolo da cultura alimentar amazônica:
Origem do fruto
O urucum, do tupi uruku, que significa ‘vermelho’, é um fruto de uma árvore tropical que pode atingir até 6 metros de altura. A árvore produz frutos espinhosos em forma de cápsulas, que abrigam sementes cobertas por um pó vermelho intenso rico em bixina, e com propriedades corantes e antioxidantes.
Foto: Márcio Moia
Antes mesmo da colonização, os povos indígenas já utilizavam o urucum como corante para objetos de cerâmica, conservação de alimentos e corante natural, proteção contra picadas de mosquito e queimaduras de sol e para pintura corporal.
Atualmente, o fruto além de ser um remédio natural também é utilizado como corante em produtos cosméticos e como condimento alimentar.
Existem três formas principais de produzir o colorau a partir do urucum:
1. Extração do pigmento com fubá (sem uso das sementes no final)
Nesse método, as sementes do urucum são misturadas com óleo vegetal, que auxilia na remoção do pigmento das sementes, depois acontece a adição de farinha de fubá e a combinação é misturada até que o pigmento passe totalmente para o fubá. A proporção comum é de uma parte de sementes para três a cinco partes de fubá, dependendo da cor desejada.
Depois que o fubá adquire a cor desejada, coloca-se sal e a mistura é peneirada para tirar as sementes usadas. A partir daí, o colorau está pronto para ser embalado e vendido.
2. Trituração das sementes (sementes fazem parte do produto final)
Foto: Neri9
Dessa maneira, as sementes de ururcum são misturadas com óleo para soltar o pigmento e depois trituradas junto com sementes de milho e sal. A mistura final contém partes das sementes de urucum, e as proporções variam, mas geralmente são utilizadas uma parte de urucum para três a sete partes de milho. Após a moagem das sementes, a mistura é peneirada e está pronta para ser embalada e vendida.
3. Mistura com corante industrial
Nesse processo, usa-se um corante já extraído das sementes de urucum, misturado com óleo, e combinado com fubá e sal. Como o pigmento já vem pronto, é possível ter mais controle sobre a qualidade e a cor do colorau, e a quantidade de corante vai depender da sua concentração.
O colorau de urucum está presente em receitas típicas da Amazônia, como o tacacá (em algumas variações regionais), o pato no tucupi, moquecas de peixe ou camarão, arroz paraense e ensopados com jambu e camarão seco.
Além disso, é usado em temperos caseiros, marinadas e em preparos que exigem um ‘toque de cor’ sem alterar significativamente o sabor.
Colorau e páprica são a mesma coisa?
Embora ambos tenham coloração avermelhada e sejam usados como condimentos, o colorau é feito a partir do urucum e a páprica é feita com pimentão vermelho seco e moído.
Em sintonia com o ‘Setembro Azul‘, mês dedicado à conscientização e à visibilidade da comunidade surda, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) tem reforçado o apoio à causa por meio de diversas iniciativas.
Matérias legislativas e sessões de debate abordam temas cruciais para a inclusão, como o acesso à educação e a garantia de direitos. A Casa Legislativa reconhece a importância de leis que promovam a acessibilidade e a igualdade de oportunidades para todos, incluindo a regulamentação e o incentivo à profissão de tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Durante todo o mês, leis federais estabelecem datas significativas que reforçam a luta por um mundo mais inclusivo, como a Semana Internacional dos Surdos (20 a 26 de setembro), o Dia Internacional da Língua de Sinais (23/09), o Dia Nacional do Surdo (26/09) e o Dia Internacional do Tradutor e Intérprete (30/9).
No âmbito estadual, e buscando fortalecer a promoção da acessibilidade no Parlamento, a Aleam foi uma das primeiras Casas Legislativas do Brasil a contar com intérprete de Libras, ainda em 2002. O atual intérprete da Casa, Marlison Barral de Azevedo, relembra que somente após a Assembleia implantar o serviço, a língua foi oficializada no Brasil pela Câmara Federal.
“Na época, quando nem se falava em inclusão, a Assembleia deu o primeiro passo nesse sentido. A partir do momento em que a linguagem foi oficializada pela Câmara Federal, a Aleam apenas comunicou que já tinha um intérprete. Avançamos, ganhou a Casa e, claro, a comunidade surda”, recorda.
De acordo com o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, sendo aproximadamente 2 milhões surdas. No Amazonas, segundo o mesmo levantamento, há cerca de 140 mil pessoas com deficiência auditiva, das quais aproximadamente 28 mil são surdas.
Buscando ampliar a comunicação e o acesso à informação, a Aleam aprovou a Lei nº 7.321/2025, que tornou obrigatória a utilização de Libras em todas as propagandas institucionais veiculadas por órgãos públicos na televisão e nas redes sociais.
“Além de ampliar a inclusão social e o respeito à diversidade linguística das pessoas surdas ou com deficiência auditiva no Amazonas, queremos garantir o direito à informação e à comunicação nas propagandas institucionais realizadas pelos órgãos públicos”, afirma a deputada Mayra Dias (Avante), autora do projeto que deu origem à norma.
Outras iniciativas de valorização e propagação da Libras também foram aprovadas pelo Parlamento, como a Lei nº 6.254/2023, de autoria do deputado Mário César Filho (UB), que tornou obrigatório o atendimento nas repartições públicas, empresas concessionárias de serviços públicos e instituições financeiras por tradutores e intérpretes de Libras.
Já a Lei nº 6.923/2024, de autoria do deputado Rozenha (PMB), estabeleceu diretrizes para detecção precoce da deficiência auditiva infantil.
“É preciso assegurar que a perda auditiva possa ser identificada e tratada o mais cedo possível, conscientizando sobre a importância da prevenção nos cuidados com a audição”, destaca o parlamentar.
Reforçando o compromisso com a inclusão, a Aleam aprovou ainda a Lei nº 7.314/2025, oriunda de projeto da deputada Joana Darc (UB), que trata da utilização de tecnologia assistiva para atendimento a pessoas com deficiência auditiva em hospitais públicos.
A lei define como tecnologias assistivas o conjunto de recursos e serviços que promovem acessibilidade, autonomia e independência às pessoas com deficiência, assegurando maior inclusão.
O líder quilombola Raimundo Magno, do Pará. Foto: Raimundo Magno/Acervo pessoal
Entre indígenas e quilombolas, a saúde mental não é vista apenas como uma dimensão individual. Ela é compreendida como parte de um cuidado comunitário e espiritual. Práticas ancestrais — como rezas, rodas de escuta, rituais de passagem e benzimentos — seguem sendo estratégias de enfrentamento diante do adoecimento psíquico.
No caso dos povos Guarani, a casa de reza faz parte até mesmo do calendário escolar. Cânticos e rezas semanais são considerados tão importantes quanto as aulas formais. Além disso, práticas como o xondaro, uma dança e luta comunitária, fortalecem simultaneamente corpo e espírito.
Nos quilombos, benzedeiras, parteiras e puxadores de ervas continuam atuando no cuidado à saúde. São elas que transmitem saberes de cura e acolhimento, preparados com chás, ervas e rezas.
Como resume o quilombola Raimundo Magno Cardoso Nascimento, liderança do quilombo África, no Pará: “O que de fato é fundamental é o trabalho das parteiras, das benzedeiras, dos puxadores, das ervas, daquele que bebe, que cura, que faz o chá”.
Para Otto Payayá, indígena do povo Payayá e coletor de ervas medicinais e sementes da Chapada Diamantina (BA), a saúde mental está profundamente ligada aos saberes herdados dos ancestrais. “Quando alguém adoece, a gente não olha só para o sintoma. Primeiro vem a escuta, o diálogo, entender de onde começou aquele sofrimento. Depois vem o banho, o chá, a reza, até um abraço, um afago. É assim que se vai acalmando a mente e fortalecendo o espírito”.
Esses conhecimentos, transmitidos de geração em geração, orientam tanto o cuidado com o corpo quanto com a mente. “É histórico, secular. Vai do avô, bisavô, tataravô. Hoje a gente prepara os mais jovens para assumir essa responsabilidade, porque o cuidado exige zelo, espiritualidade, ligação com a terra, com as águas, com a floresta”. Otto destaca a prevenção como princípio, que inclui rituais de limpeza do corpo e do espírito com ervas como caçaú, quina, taraxaco, cúrcuma e carqueja, além de banhos, rezas e vomitórios. “Não é uma cura mágica. É um processo de paciência, cuidado e acompanhamento coletivo”.
Ele lembra que ataques históricos aos territórios indígenas — invasões, desmatamento e mudanças climáticas — também são fatores de adoecimento. “É como se alguém entrasse na sua casa e dissesse: isso não é mais seu. Essa pressão turva o sangue e afeta o pensamento, o comportamento perante a vida”. Ainda assim, Otto defende o diálogo entre saberes: “Quando a medicina acadêmica desce um pouco do seu patamar e procura conhecer as práticas indígenas, todo mundo ganha. A gente respeita os limites de cada lado, mas quer manter nossa forma de cuidar, porque ela dá resultado”.
O peso das violências e do racismo na saúde mental
Esse tecido comunitário, no entanto, sofre pressões permanentes. Em 2023 e 2024, duas mortes por suicídio — de uma adolescente de 15 anos e de um jovem — abalaram aldeias Guarani no Rio de Janeiro. O fenômeno, até então incomum, levou pajés e lideranças a promoverem encontros, buscando estratégias de prevenção junto a crianças e jovens.
No Pará, comunidades quilombolas também sentiram os efeitos dessa crise. No território Tijarapeiro Preto, formado por 14 comunidades, casos levaram à criação de um projeto de apoio psicossocial. A iniciativa mobilizou psicólogos, enfermeiros, advogados e comunicadores durante um ano inteiro. “A equipe acabou fazendo um trabalho muito denso, muito sólido, para identificar essas questões de adoecimento e trabalhar o processo de formação em comunicação da juventude e de quem quisesse participar”, explica Raimundo Magno.
Ainda que o trabalho tenha gerado frutos, ele reconhece a precariedade do sistema público: “Criamos meios de orientar as famílias a procurar os serviços de saúde. Depois, discutimos com os próprios serviços, mas vimos que infelizmente são cheios de deficiência, de necessidade de ajuste e investimento público”.
Para a pesquisadora Ana Paula da Silva, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e associada ao PROÍNDIO/UERJ, os fatores de violência estrutural são determinantes para a saúde mental.
“Essa violência do racismo afeta muito a vida dos indígenas”, observa.
O sofrimento psíquico, explica, não pode ser separado das condições de exclusão, precariedade e desrespeito que marcam historicamente esses povos.
Ela também aponta novas pressões que atravessam os territórios, como o impacto das redes sociais e da substituição de alimentos tradicionais por ultraprocessados. “Você fica o tempo todo nas redes, vai se isolando, se individualizando, e são povos extremamente coletivos”, analisa. Para Ana Paula, essa ruptura enfraquece vínculos comunitários que antes funcionavam como proteção simbólica e emocional. Já a mudança alimentar afeta tanto a saúde física quanto a cultural: “Vai comendo essas comidas congeladas, industrializadas, e isso enfraquece o corpo das pessoas”.
Deslocamentos e adoecimentos
No Quilombo Bitiua, em Bacuri, oeste do Maranhão, a rotina de Ana Cláudia Lisboa Mendes se divide entre o giz e a enxada. Aos 29 anos, formada em pedagogia, ela dá aulas para crianças quilombolas na escola local. Nos intervalos, ajuda a família na lavoura, cultivando os alimentos que garantem a sobrevivência da comunidade.
A história de Ana Cláudia aponta para uma questão central: a saúde mental, para quilombolas e indígenas, é indissociável de identidade, pertencimento e coletividade. O que aprendeu com o pai e a mãe — a soletrar à noite, a quebrar o coco babaçu, a preparar farinha e tapioca — ela chama de herança. “Esse conhecimento de origem a gente nunca perde”, resume. Mas sua trajetória também foi marcada por deslocamentos e episódios de violência simbólica. Em Belém, para onde se mudou em busca de trabalho, viveu experiências que revelam o peso do racismo cotidiano..
Foto: Ana Cláudia Lisboa Mendes/Acervo pessoal
Foi chamada de “Maria” por patrões que, de forma preconceituosa, insistiam em reduzir todas as empregadas negras a um nome genérico. A resposta foi firme: “Meu nome é Ana Cláudia. Se naminha identidade tivesse Maria, o senhor poderia me chamar de Maria. Mas meu nome é Ana Cláudia, então me chame assim”.
Hoje, de volta ao quilombo, sonha em unir pedagogia e psicologia. “Se me especializar, serei uma profissional dentro da minha sala. Aí consigo conversar melhor, controlar situações, apoiar meus alunos e a comunidade em situações traumáticas”.
Saberes tradicionais e acadêmicos
Em Alagoas, os saberes tradicionais quilombolas foram incorporados em um projeto da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O Mate Masie, termo da cultura de Gana que significa “eu guardo aquilo que eu ouço”, nasceu em 2023 a partir de uma demanda direta de comunidades quilombolas, que recusaram atendimentos médicos convencionais e pediram ações voltadas à saúde mental. “A gente parte do conceito ampliado de saúde mental. Terra é um determinante, o trabalho, a questão cultural, é da etnia”, explica Tereza Cristina, supervisora de atenção psicossocial da Secretaria.
Um dos pilares do programa é a valorização dos saberes tradicionais. “Quando a gente vai fazer esse levantamento inicial, já avaliamos o que eles têm de processos de cura no território: benzedeira, rezadeira, comunidades que produzem chás e rituais”, relata Wilzacler Rosa, psicóloga e coordenadora do Mate Masie.
Esses agentes locais são convidados a compartilhar práticas de cuidado junto aos profissionais, construindo um atendimento compartilhado.
Em pouco mais de um ano, o programa visitou 12 comunidades quilombolas em 7 municípios, alcançando 1.968 famílias por meio de 96 visitas domiciliares e realizando mais de 1.400 atendimentos diretos. Mobilizou especialmente as mulheres — 2.159 participaram de rodas de conversa e oficinas de geração de renda — e fortaleceu a rede de atenção psicossocial com a capacitação de centenas de profissionais em prevenção ao suicídio, redução de danos, rastreio de autismo e notificações. Também promoveu emissão de documentos, oficinas de tranças, culinária e artesanato sustentável, reforçando a geração de renda e o resgate cultural.
Entre os impactos, o Mate Masie contribuiu para a criação de um comitê específico para pautas quilombolas em um território e inspirou mudanças em formulários de notificação do Ministério da Saúde. “Nunca fomos a uma comunidade e mantivemos a programação que levamos. Sempre mudamos dentro do território. A gente não chega impondo, mas construindo junto”, resume Tereza.
Para a psiquiatra e ativista Laura Eiko Uyeno, os saberes tradicionais exercem papel fundamental no cuidado em saúde mental. “Grande parte das soluções de transtornos mentais mais leves que acontecem no dia a dia das aldeias, os aconselhamentos e os saberes tradicionais já ajudam muito”. Mesmo quando tratamentos biomédicos são sugeridos, muitos jovens continuam recorrendo aos pajés para orientação espiritual e emocional.
Ela destaca o uso de ervas e essências naturais como parte central desse cuidado. “Eles usam muito as próprias ervas e essências, como alecrim e lavanda, que ajudam em crises de ansiedade”. Nos encontros nacionais como o Acampamento Terra Livre, Laura observa a coexistência entre equipes médicas e setores de práticas tradicionais: “A gente só é chamado quando são situações muito urgentes, porque o tratamento menos invasivo já consegue resolver muito”.
Segundo Laura, esses saberes fazem parte de uma cosmologia que articula corpo, espírito, comunidade e território. “O bem-viver é uma relação do corpo com o próprio território. Se a comunidade não está saudável, não está em paz, cada indivíduo adoece também. É um adoecimento coletivo”.
Ela ressalta que o diálogo entre medicinas só acontece quando há reconhecimento dessa lógica. “Eles têm os próprios conhecimentos e nos trazem conhecimentos. Estamos trocando formas de cura e saberes. Antes de entrar no território, o branco precisa primeiro ser acolhido como igual. Só assim o tratamento é aceito”.
Por fim, Laura aponta que o fortalecimento das práticas tradicionais depende da ocupação de espaços acadêmicos e de saúde pelos próprios indígenas. “Acredito cada vez mais na criação de universidades indígenas, com saberes tradicionais em várias áreas. Isso será muito mais assertivo do que quando chegamos com uma caixinha de medicação impondo uma cura”.
Para enfrentar a crise de saúde mental em territórios indígenas e quilombolas, especialistas apontam que é preciso articular políticas públicas à valorização dos saberes tradicionais, reconhecendo que a cura não está apenas em medicamentos ou atendimentos clínicos, mas também em práticas coletivas, espirituais e no vínculo com a terra.
Como resume Ana Paula da Silva: “São conhecimentos diferentes, mas não são superiores ou inferiores. Eles são só diversos. Para muitos povos, riqueza é ter um território saudável, uma água limpa, animais e parentes ao redor. Isso é vida boa. A nossa visão capitalista não compreende, porque valoriza o dinheiro, mas para eles o sentido de bem-viver é outro”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Lucas Veloso
Rio Branco em Roraima. Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica RR
Quanto mais desnorteado o trajeto de um rio, com desvios aparentemente ilógicos, maior o interesse do geógrafo André Salgado, da Universidade Federal de Goiás (UFGO). Nos últimos 15 anos, com imagens de satélite, análises de solos e muitas horas de caminhadas e observação, ele identificou avanços e recuos em várias redes fluviais no Brasil, ampliando as áreas das pesquisas realizadas desde os anos 1950.
Seus trabalhos indicaram que o trajeto do rio São Francisco já foi 250 quilômetros (km) mais extenso, antes de seu trecho inicial ser tomado pelo rio Grande, o principal formador do rio Paraná. Inversamente, o percurso do Poti, o principal afluente do Parnaíba, entre os estados do Ceará e do Piauí, se estendeu com a tomada da maior parte do trecho inicial e médio do Acaraú. Em Rondônia, o Rio Branco incorporou afluentes do Essequibo, o maior da Guiana, e em Santa Catarina o Itajaí-Açu apossou-se dos afluentes dos rios Uruguai e Iguaçu. “As bacias hidrográficas mudam continuamente”, comenta Salgado.
Por meio da chamada captura fluvial, os rios agem como canibais, incorporando partes de outros, que encolherão ou desaparecerão. Em um artigo de maio de 2013 na Science, Sean Willett e outros geólogos do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Zurique, chamaram de agressores e vítimas os rios que participam, com papéis opostos, desse fenômeno de progressão lenta. O ritmo das mudanças superficiais ou subterrâneas do fluxo da água depende do tipo de solo, da natureza das rochas (quanto menos resistentes, mais fácil para a água escavar) e da inclinação do terreno, já que a água tende a fluir para as áreas mais baixas.
Pesam também o clima, com mais ou menos chuva, que determina o poder erosivo dos rios, e os movimentos tectônicos, como o soerguimento da camada de solos e rochas mais superficial da Terra.
“A captura fluvial é como um bolo devorado dos dois lados. Quem come mais rápido de um lado chega antes no outro lado”, compara Salgado.
Ao formarem desvios e fundirem parte de seus trajetos, os rios aumentam ou reduzem a quantidade de água que irriga uma região. Em consequência, o clima, os tipos de vegetação e de ocupação humana podem mudar. “O Parnaíba capturou o Poti, em algum momento entre 23 milhões e 2,5 milhões de anos atrás, deixando o atual estado do Ceará mais seco do que seria sem esse desvio de águas para o Piauí”, diz Salgado, um dos autores do artigo de maio de 2024 na Revista Brasileira de Geomorfologia que descreve esses episódio.
O geógrafo norte-americano William Morris Davis (1850-1934) começou a estudar esse fenômeno ao descrever, em 1896, a captura de um rio no nordeste da França. Outras análises explicaram os desvios dos rios Ohio e James, nos Estados Unidos, do Tâmisa, em Londres, do Nilo, no Egito, e do Amarelo, na China, entre outros. No Brasil, a partir dos anos 1950, os geógrafos Aziz Ab’Saber (1921-2012), da Universidade de São Paulo (USP), e Antonio Christofoletti (1936-1999), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, apresentaram algumas possibilidades de captura, embora ainda com argumentos limitados, em vista das técnicas de análises menos apuradas que as atuais.
O rio Branco (na foto maior), em Caracaraí (RR), avolumou-se ao ganhar as águas do Essequibo, deixando vestígios de um antigo rio nos limites das duas bacias (no destaque). Fotos: Tulio F /Wikimedia e André Salgado/UFG
Com o tempo, o redesenho dos rios ganhou dimensões políticas, na medida em que pode definir os limites de território, como aconteceu com o rio Branco. Seus principais afluentes faziam parte da bacia do rio Essequibo, que nasce em uma serra na divisa entre os estados de Roraima e Pará, corta a Guiana e deságua ao norte, no Atlântico. Em dezembro de 2021 na Journal of South American Earth Sciences, Salgado e seus colegas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde lecionou até 2022, argumentaram que, provavelmente por causa de um afundamento da crosta terrestre no sul de Roraima, o rio Branco capturou o Uraricoera, um dos afluentes do Essequibo, e depois o Tacutu, mudando sua direção e aumentando sua área de drenagem.
“Se o rio Branco continuasse a ir na direção nordeste em vez de mudar seu trajeto para sudoeste, o Brasil teria perdido para a Guiana toda a área central e norte de Roraima, porque as fronteiras entre os países nessa região eram definidas basicamente pelos limites das bacias hidrográficas”, comenta Salgado. “Como os colonizadores europeus entraram na Amazônia pelos rios, quem teria alcançado o interior de Roraima primeiro, se não tivesse ocorrido a captura, teriam sido os ingleses”.
Análises de sedimentos às margens dos rios indicaram que essa mudança deve ter ocorrido em período geológico relativamente recente, entre 18 mil e 10 mil anos atrás. Com outras metodologias, o também geógrafo Fábio Alves, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), estudou a região e confirmou os achados das equipes da UFG e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao ver que a captura do rio Branco deve ter começado há cerca de 18,7 mil anos.
“A bacia Amazônica se formou e se expandiu por meio de sucessivas capturas de rios”, diz Alves, com base em um artigo de outubro de 2018 na Neotropical Ichthyology.
Nesse trabalho, o biólogo James Albert, da Universidade de Louisiana em Lafayette, nos Estados Unidos, e os geólogos Carina Hoorn, da Universidade de Amsterdã, nos Países Baixos, e Pedro Val, da Universidade da Cidade de Nova York (Cuny), argumentam que a rede de rios que corta a floresta amazônica é o resultado de sequestros fluviais ocorridos entre 5,6 milhões e 4,9 milhões de anos atrás, acelerando a diversificação de espécies de animais e plantas da região (ver Pesquisa FAPESP no 334).
Perdas e desvios de rios
As pesquisas nessa área ampliam o interesse de alguns pontos turísticos. Os gestores do Parque Nacional do Itatiaia, por exemplo, poderiam colocar uma placa perto do filete de água que emerge a 1.980 metros de altitude, no município mineiro de Bocaina de Minas, do qual se origina o rio Grande, avisando que ali, há cerca de 5 milhões de anos, era a nascente outro rio, o São Francisco. Atualmente o Velho Chico começa na serra da Canastra, também em Minas, a 250 km dali.
Salgado despertou para esse sequestro aquático a partir de uma observação do geógrafo Éric Andrade Rezende, então no doutorado. “Em 2015, Éric estava em uma estrada para Pimenta, em Minas, e notou algo estranho”, conta. “Ali o rio Grande, o principal formador do rio Paraná, fazia uma curva, em uma área plana. Ele voltou e falou: ‘E se ali fosse o São Francisco e não o rio Grande, como hoje?’.” Salgado, que até então tinha estudado rios pequenos e menos relevantes, apostou na ideia.
Diz Rezende, atualmente na prefeitura de Contagem, em Minas Gerais: “Quanto mais antigo é o processo no tempo geológico, mais difícil é fazer essa reconstrução evolutiva, pois as evidências vão sendo apagadas pela erosão ou pela atividade tectônica”. Salgado, o então doutorando e seu orientador, o geólogo Paulo de Tarso Amorim Castro, lançaram a hipótese em um artigo de julho de 2018 na Revista Brasileira de Geomorfologia, com base na análise de sedimentos, das estruturas geológicas e dos movimentos da superfície da região.
Imagem: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP
José Cândido Stevaux, geólogo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que estuda as mudanças do rio Paraná nos últimos 10 mil anos, empolgou-se em um congresso no Ceará, em 2019, ao ouvir a palestra em que Salgado apresentou esses argumentos.
“Nos anos 1980, quando eu estava na Universidade de Maringá, no Paraná, meus colegas biólogos me perguntavam se não houve algum contato entre o Paraná e o São Francisco, porque havia muitas espécies de peixes em comum, e eu não sabia o que dizer”, conta.
Reforçando a hipótese, o grupo da UFG estudou a dispersão de espécies de peixes comuns às duas redes hidrográficas, como o dourado (Salminus brasiliensis) e o pintado (Pseudoplatystoma corruscans). As conclusões, detalhadas em janeiro na Geomorphology, indicaram que houve uma conexão momentânea entre os rios e a nascente do São Francisco se tornou gradualmente a do rio Grande entre 6 milhões e 5 milhões de anos atrás.
Como resultado, o rio Grande abocanhou mil km da extensão do São Francisco. Contando com os afluentes, o formador do Paraná teria incorporado cerca de 50 mil km2, um pouco mais do que a área do estado do Rio de Janeiro. “O São Francisco é um grande perdedor, porque perdeu água para o Paraná, para o Paraguaçu, que nasce na Chapada Diamantina, na Bahia, e para o Jequitinhonha, em Minas”, observa Salgado (ver infográfico).
Estudioso das transformações do Velho Chico nos últimos 90 mil anos (ver Pesquisa FAPESP no331), o geógrafo Genisson Panta, doutorando na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professor do ensino médio em uma escola pública estadual de Maceió, Alagoas, comenta: “Depois de o trecho inicial do São Francisco ser remodelado por meio das capturas, o rio entalhou rochas e aprofundou seu cânion, a 2 mil km de distância, entre 1,5 milhão e 3,5 milhões de anos atrás”.
Em Cabrobó, no sertão de Pernambuco, o São Francisco faz um desvio abrupto para leste, também chamado de cotovelo, um sinal clássico de captura fluvial, indicando que um rio menor e menos volumoso o incorporou. Panta comenta que um sinal desse sequestro é um canal abandonado, chamado vale seco, na divisa entre Bahia e Piauí, por onde deve ter corrido o rio, como proposto nos anos 1990 pelo geógrafo da UFPE Jannes Mabessone (1931-2007).
“O Parnaíba pode ter sido o ancestral do São Francisco”, cogita. O engenheiro civil e geólogo Luís Flores de Morais Rêgo (1896-1940), da Escola Politécnica da USP, já propunha, em um livro de 1945, que o São Francisco de milhões de anos atrás deveria correr para o norte e desaguar no mar entre o Maranhão e o Piauí.
Polens
“O enfoque estritamente geológico é limitante”, concluiu a geógrafa da USP Déborah de Oliveira, após trabalhar na serra do Mar. Tremores de terra reformataram o relevo e mudaram os rumos de dois rios da região, o Paraíba do Sul e o Tietê: o primeiro se voltou para o litoral e o segundo, que também desaguava no mar, virou-se para o interior paulista (ver Pesquisa FAPESP no 77).
Oliveira estudou os desvios bruscos do rio Guaratuba, na serra do Mar, que antes corria para o alto Tietê e hoje deságua em Bertioga, São Paulo. Em 2013, ela viu que o canal abandonado do rio capturado não formava um vale seco, mas pantanoso, com organossolos, que poderiam conter pólen ou restos de plantas. Três anos depois, caminhando para um congresso no parque de La Vilette, em Paris, ela pediu à geógrafa Natália Nunes Patucci, uma de suas estudantes de doutorado, que a acompanhava: “Investigue os vales secos. Ali tem algo importante”.
Patucci buscou ajuda de especialistas em pólen no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), em Piracicaba, e no Instituto de Geologia (IGc), ambos da USP. Aprendeu a fazer as análises e, por fim, encontrou polens de plantas típicas de clima frio e úmido, como Podocarpus sp., Ilex sp. e Symplocus sp. “Quando o clima mudou para quente e seco, há cerca de 25 mil anos, deve ter chovido mais e a erosão aumentou, facilitando a captura de rios da região”, comenta Oliveira. Seu plano é procurar polens também em outros rios que estuda, com sua equipe, no estado de São Paulo.
“Quando choveu mais, os rios e lagos se uniram”, concorda Salgado, que também fez pesquisas na região. “Como a erosão continua, outros rios serão capturados, reconfigurando novamente a paisagem que vemos hoje”. Como exemplo, ele cita a bacia amazônica, que está capturando pouco a pouco todo trecho inicial da bacia do rio Orinoco, na Venezuela, por meio do rio Casaquiare. Esse canibalismo aquático avançou, mas não terminou. Quando essa conexão se ampliar, o rio Amazonas, o maior do mundo, se apropriará de 40 mil km2 da área de drenagem do Orinoco, o quarto maior do mundo – o equivalente à área territorial da Suíça.
A reportagem acima foi publicada com o título “Canibalismo fluvial” na edição impressa nº 355 de setembro de 2025.
Projetos 1. Estudo das relações entre relevo / litologia / solo / drenagem em várias escalas de abordagem (no 12/19048-0); Modalidade Auxílio à Pesquisa ‒ Regular; Pesquisadoraresponsável Déborah de Oliveira (USP); Investimento R$ 47.985,52. 2. Geocronologia para avaliação dos processos de capturas fluviais: Aplicação em sedimentos dos vales secos do Guaratuba (SP) (no 16/06654-0); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadoraresponsável Déborah de Oliveira (USP); Bolsista Natália Nunes Patucci; Investimento R$ 155.123,41.