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Estudo faz análise científica dos custos financeiros para funcionamento das UBS Fluviais na Amazônia

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UBS Fluvial. Foto: Divulgação/Susam

Inserida há 12 anos na Política nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a estratégia de assistência à saúde por meio de Unidade Básica de Saúde Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas só existe no Brasil. Baseado nisso, o estudo de Mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde, desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, realizou uma análise científica sobre os custos financeiros para o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) na Amazônia, fornecendo subsídios para uma avaliação aprofundada acerca da estratégia visando o fortalecimento da política. 

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A pesquisa, intitulada ‘Custos da Atenção Primária à Saúde em um Contexto Ribeirinho e Rural da Amazônia Brasileira’, foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019, segundo descreve o autor, o administrador e contabilista Cláudio Pontes.

O estudo tomou como referência os custos de uma UBSF em funcionamento no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. A dissertação foi publicada na  coleção britânica Intechopen, de livros internacionais sobre economia da saúde em conteúdos específicos.

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UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. — Foto: Divulgação/Susam

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Na apresentação, o autor descreve a UBSF como uma estratégia inovadora para levar cuidados de saúde a populações ribeirinhas isoladas na Amazônia. Durante o período analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez áreas e 30 comunidades, com um custo total de R$ 761.705,87 (US$ 190.426,47). Os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de saúde (17,72%) e combustível (12,11%).

Os recursos estimados apresentam uma realidade de viagens nos períodos de cheia, onde o acesso fluvial até as comunidades é facilitado e expressa que nessa época do ano os repasses federal e municipal somados são considerados suficientes para as viagens das equipes da estratégia saúde da família, embora não se tenha feito estimativas no período da seca onde os leitos dos rios estão mais secos e os custos das expedições aumentam sobremaneira.

O autor recomenda que novas pesquisas sobre custo-efetividade e eficiência do serviço possam ser realizadas para aprimorar o modelo. Como fatores limitantes, ele aponta a falta de controle informatizado e a ausência de comparações com outras UBSFs.

A pesquisa aponta também os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas, entre os quais acesso limitado a serviços de saúde, sendo a principal dificuldade a distância e o tempo necessário para se chegar aos serviços de saúde, levando em média 4,2 horas para alcançar áreas urbanas.

Condições geográficas e climáticas, sobretudo relacionadas à sazonalidade dos rios e às condições climáticas que dificultam o transporte, a logística e o acesso às comunidades; altas taxas de doenças, com prevalência de hipertensão (26% da população adulta) e outras condições de saúde devido à falta de acesso regular a cuidados médicos; desigualdade histórica, uma vez que antes da criação das UBSFs, não havia um modelo institucionalizado de atendimento adequado para essas comunidades, e custos elevados de atendimento para levar serviços de saúde (transporte, combustível e manutenção de equipes).

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UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial — Foto: Secretaria de Saúde de Almeirim

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Claudio Pontes explica que esses desafios reforçam a necessidade de estratégias específicas, como as UBSFs, atendendo as demandas únicas dessas populações e reduzindo desigualdades. Além de recursos humanos, insumos de saúde e combustível, outros custos associados às UBSF apontados pelo estudo são alimentação (4,02%), materiais de escritório e TI (0,82%), Manutenção (0,34%), materiais de higiene e limpeza (0,24%) e gás de cozinha (0,13%).

O trabalho teve como orientador o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias de Sousa Lima. Para Tobias, a principal colaboração do estudo é o fato de ter dado uma contribuição científica inédita no campo da saúde coletiva, do ponto de vista dos custos da Atenção Primária à Saúde, que pode vir a se tornar referência para o Brasil e outros países.

“Com sua formação nas ciências gerenciais, Cláudio Pontes oferece uma contribuição estratégica ao estimar os custos das UBS Fluviais na Amazônia. Sua obra se torna referência indispensável para o planejamento e financiamento da saúde fluvial, além de fomentar e fortalecer uma linha de pesquisa no campo da gestão, do planejamento e das políticas de saúde voltadas à realidade amazônica”, comenta Tobias.

UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. Foto: Mais Médicos

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Diagnóstico

Claudio Pontes e Rodrigo Tobias destacam a importância da pesquisa como referencial de consulta sobre saúde fluvial, uma vez que realizam atualmente uma pesquisa com a finalidade de promover diagnóstico situacional das 54 UBSFs, de um total de 96 cadastradas pelo Ministério da Saúde na Amazônia.

UBS Fluviais na Amazônia
UBS Fluvial. Foto: Mais Médicos

“Esse indicador é essencial para se compreender as condições de financiamento dessa estratégia de Atenção Primária em Saúde em regiões fluviais e ribeirinhas – bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixação dos profissionais de saúde, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal à saúde em contextos tão desafiadores”, explica Tobias. A partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações da PNAB como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam na região amazônica.

A pesquisa

A dissertação de Mestrado é do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde (PPGVIDA), desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA). A pesquisa foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019 pelo administrador e contabilista Cláudio Pontes.

Rondônia reduz desmatamento em mais de 40% entre 2024 e 2025, aponta estudo do Inpe

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Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

Rondônia tem se destacado no combate ao desmatamento ao antecipar as ações preventivas do governo do estado. As operações Hileia, coordenadas pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), e Operação Verde Rondônia do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), atuam nas áreas mais críticas com três meses de antecedência ao período crítico de incêndios florestais. Esse período ocorre geralmente entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, devido ao regime de chuvas no bioma.

De acordo com a Coordenadoria de Geociências (Cogeo) da Sedam, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) – que emite alertas para suporte à fiscalização – o estado apresentou reduções expressivas de desmatamento no período entre agosto de 2024 e março de 2025, em comparação com os anos anteriores.

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Segundo o coordenador da Cogeo, Joselânio Ferreira, Rondônia demonstrou uma tendência de queda no desmatamento, com reduções de 69,5% entre agosto de 2023 e março de 2024, e de 43,3% entre agosto de 2024 e março de 2025. Justificou ainda, que, essa janela de análise corresponde ao ‘Ano Prodes’, ano-calendário do desmatamento, que vai de 1º de agosto do ano anterior a 31 de julho do seguinte ano – Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite -, metodologia amplamente divulgada pelo Inpe. Diferente do calendário civil, permitindo considerar integralmente as variações sazonais no desempenho ambiental.

Nos oito primeiros meses do ano Prodes, o estado de Rondônia liderou na redução na taxa do desmatamento na Amazônia Legal com 43,3%, foi seguido pelo estado do Tocantins com 36,8%. Em primeiro, o estado do Amapá que teve redução de 61,4%. Os únicos estados que tiveram incremento nas taxas para o período foram Acre com 83% e Mato Grosso com 6%.

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O coordenador observou que, ao contrário da simples quantificação em hectares — que evidencia apenas o volume do desmatamento — a análise da taxa de redução oferece um critério comparativo mais justo e sensível às particularidades de cada estado.

Esse indicador considera, tanto a extensão territorial quanto as especificidades ambientais e socioeconômicas locais, refletindo com maior precisão a eficácia das políticas de monitoramento, fiscalização e prevenção adotadas. Em outras palavras, enquanto os valores absolutos indicam “quanto” foi suprimido, a taxa percentual revela “quão bem” cada unidade federativa vem conseguindo conter o desmatamento em seu próprio contexto.

*Com informações do Governo do Estado de Rondônia

Cardeal da Amazônia que participou do conclave exalta escolha de Leão XIV: ‘Um homem missionário’

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Foto: Divulgação

O Cardeal da Amazônia e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, que participou do conclave, exaltou a escolha de Leão XIV como novo papa. O religioso, que chegou a ser apontado como um dos favoritos ao papado, afirmou que a eleição do cardeal Robert Francis Prevost representa uma igreja missionária e conectada com o mundo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9), um dia após o término do processo de escolha do novo líder da Igreja Católica.

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Prevost foi eleito papa na quinta-feira (8), com ao menos 89 dos 133 votos — número que representa dois terços dos cardeais eleitores. Ele sucede o papa Francisco, que liderou a Igreja Católica desde 2013 e faleceu em abril, e agora assume a Cátedra de São Pedro.

Em vídeo enviado à Rede Amazônica, Dom Leonardo destacou que espera que a igreja no Amazonas esteja em sintonia com o pontificado de Leão XIV e pediu orações dos fiéis pela vida do novo líder da Igreja Católica.

“Temos um novo papa. Nos vai ajudar agora na caminhada da igreja. Com saudades do papa Francisco, agora vamos nos deixar guiar pelo papa Leão XIV: um homem simples, um homem de muita escuta, um missionário. Nós todos queremos que a Arquidiocese de Manaus e do Amazonas acompanhe o papa Leão com nossas orações”, afirmou o cardeal.

Segundo a Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo deve retornar à capital amazonense após o dia 18 de maio, quando participará de uma missa com os cardeais que estiveram no conclave.

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Saiba quem é Robert Francis Prevost, o novo Papa Leão XIV

Foto: Reprodução/Vatican News

Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost tem 69 anos e se torna o primeiro papa norte-americano da história da Igreja. É também o primeiro pontífice vindo de um país de maioria protestante.

Apesar da origem norte-americana, Prevost construiu grande parte de sua trajetória religiosa na América Latina, especialmente no Peru. Foi lá que se destacou até alcançar os cargos mais altos da Cúria Romana.

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Ao ser eleito, ocupava duas funções importantes no Vaticano: prefeito do Dicastério para os Bispos — órgão responsável pela nomeação de bispos — e presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina.

De perfil discreto e voz tranquila, Prevost costuma evitar os holofotes e entrevistas. No entanto, é visto como um reformista, alinhado à linha de abertura implementada por Francisco. Tem formação sólida em teologia e é considerado um profundo conhecedor da lei canônica, que rege a Igreja Católica.

Entrou para a vida religiosa aos 22 anos. Formou-se em teologia na União Teológica Católica de Chicago e, aos 27, foi enviado a Roma para estudar direito canônico na Universidade de São Tomás de Aquino.

Foi ordenado padre em 1982 e, dois anos depois, iniciou sua atuação missionária no Peru — primeiro em Piura, depois em Trujillo, onde permaneceu por dez anos, inclusive durante o governo autoritário de Alberto Fujimori. Prevost chegou a cobrar desculpas públicas pelas injustiças cometidas no período.

Em 2014, foi nomeado administrador da Diocese de Chiclayo, cargo em que foi ordenado bispo e permaneceu por nove anos. Nesse período, enfrentou a principal crise de sua trajetória: em 2023, três mulheres acusaram Prevost de acobertar casos de abuso sexual cometidos por dois padres no Peru, quando elas ainda eram crianças.

Segundo as denúncias, uma das vítimas telefonou para Prevost em 2020. Dois anos depois, ele recebeu formalmente os relatos e encaminhou o caso ao Vaticano. Um dos padres foi afastado preventivamente e o outro já não exercia mais funções por questões de saúde. A diocese peruana nega qualquer acobertamento e afirma que Prevost seguiu os trâmites exigidos pela legislação da Igreja. O Vaticano ainda não concluiu a investigação.

Durante sua passagem pelo Peru, Prevost também ocupou cargos de destaque na Conferência Episcopal local e foi nomeado para a Congregação do Clero e, depois, para a Congregação para os Bispos. Em 2023, recebeu o título de cardeal — função que ocupou por menos de dois anos antes de se tornar papa, algo raro na Igreja moderna.

Durante a internação de Francisco, Prevost foi o responsável por liderar uma oração pública no Vaticano pela saúde do então pontífice.

Como foi o conclave

O conclave para a eleição do novo papa começou na quarta-feira (7), com a presença de 133 cardeais – sete deles brasileiros. Na primeira rodada da votação, na quartaà tarde, deu fumaça preta.

O mesmo ocorreu após a segunda e a terceira rodadas, na manhã desta quinta. Para a tarde, havia a previsão de uma quarta rodada de votação perto de 12h30 (no horário de Brasília) — a fumaça branca saiu por volta das 13h07 (de Brasília).

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Distribuição geográfica: você sabe onde é possível encontrar onça-pintada no Brasil?

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Foto: Reprodução/ICMBIO

A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como onça-preta (quando apresenta melanismo), é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão. Com até 158 kg e mais de 2 metros de comprimento, esse predador é símbolo de força e equilíbrio ecológico. No entanto, sua presença nas paisagens naturais tem diminuído drasticamente.

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De acordo com dados da WCS Brasil, historicamente, a onça-pintada ocupava uma vasta área que ia do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Com o avanço do desmatamento, da expansão agropecuária e da caça ilegal, essa distribuição se reduziu consideravelmente.

Hoje, a espécie é encontrada principalmente na América Central e em boa parte da América do Sul, sendo o Brasil o país com a maior população remanescente.

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Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Presença nos biomas brasileiros

Apesar de ainda ocorrer em quase todos os biomas brasileiros, com exceção dos Campos Sulinos, a distribuição da onça-pintada no país é bastante fragmentada. As maiores populações estão concentradas em áreas onde há continuidade de habitat natural, como a Amazônia e o Pantanal.

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Amazônia

É onde se encontra a maior população contínua da espécie. A onça-pintada habita regiões com vegetação nativa preservada, mas sofre pressão na região conhecida como “arco do desmatamento” — que inclui o leste e sul do Pará, oeste do Maranhão, norte do Mato Grosso e Rondônia.

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Pantanal

Cerca de 47% do bioma ainda abriga populações da espécie, em especial fora das áreas mais impactadas pelo assoreamento e alteração hidrológica, como o Leque Aluvial do Rio Taquari. O Pantanal é um dos melhores locais para a observação da onça na natureza.

Cerrado

Foram identificadas 11 subpopulações distribuídas em áreas ainda conservadas. A estimativa é que elas ocupem cerca de 582 mil km². Apesar disso, a fragmentação do habitat é uma ameaça constante.

Caatinga

A presença da onça-pintada nesse bioma semiárido é rara e ameaçada. Existem cerca de cinco subpopulações conhecidas, que juntas ocupam apenas 10% da área da Caatinga.

Mata Atlântica

É um dos biomas mais críticos para a conservação da espécie. As onças-pintadas estão praticamente restritas a unidades de conservação, em uma área estimada em 30 mil km², muito pouco considerando a extensão original da floresta.

Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal

Ameaças e conservação

A principal ameaça à onça-pintada é a perda de habitat, provocada pelo avanço do desmatamento e da agropecuária. Além disso, a caça retaliatória por parte de criadores de gado ainda é comum, especialmente em regiões onde o contato entre fauna silvestre e áreas rurais é frequente.

Diversas instituições, como o ICMBio e ONGs ambientais, desenvolvem ações de monitoramento, manejo e educação ambiental para garantir a sobrevivência da espécie. A criação de corredores ecológicos entre áreas protegidas é uma das estratégias mais eficazes para conectar populações isoladas.

Turismo de base comunitária contribui para manutenção da floresta em pé no Acre

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Foto: Marcos Rocha/Sete

“Trabalhar com o turismo vale muito a pena. Aqui não para de chegar gente, do Rio de Janeiro, de São Paulo, da equipe da gravação do filme Geni e o Zepelim. As pessoas que têm saído daqui têm voltado e com mais gente”.

A fala é de Jonathan Fernandes, filho e sócio de Cíntia Flores, proprietária da Pousada Canto e Encanto Janaína, localizada às margens do Rio Croa, em Cruzeiro do Sul.

No Dia Nacional do Turismo, celebrado em 8 de maio, o depoimento de Jonathan representa um número significativo de pessoas que atuam no setor e fazem parte do chamado trade turístico no Acre.

Em celebração à data, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), retrata o desenvolvimento do turismo de base comunitária (TBC) no estado, e as contribuições do conceito para a manutenção da floresta em pé.

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Jonathan Fernandes recebe turistas na Pousada Canto e Encanto Janaína, às margens do Rio Crôa, em Cruzeiro do Sul. Foto: Marcos Rocha/Sete

Entre os destinos acreanos em ascensão, há dois frequentemente reconhecidos por estudiosos e entusiastas do turismo: o Rio Croa, em Cruzeiro do Sul, e a Serra do Moa, no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima.

Em ambos os locais, o TBC desempenha um papel importante, e o governo do Acre, por meio Sete, impulsiona o segmento com apoio de diversos parceiros, entre eles, o Programa REDD+ Early Movers (REM) – Fase II.

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Mirante da Serra, no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima. Foto: Allan Kenned/Rio Branco Filmes

A tendência, segundo aponta o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, é de que um número maior de pessoas passem a investir no segmento e a integrar o trade turístico acreano.

“O estado do Acre é riquíssimo. As oportunidades são muitas. E o turismo de base comunitária é importante pra manter a floresta em pé, ao mesmo tempo que gera oportunidade de emprego e renda para as pessoas que vivem ali. Então, o nosso papel como secretaria é apoiar, incentivar, mostrar os caminhos, por meio do turismo, que tragam renda para as famílias e ajudem a manter a floresta em pé”, destaca.

Na Serra do Divisor, Agemiro Magalhães, o Miro, é referência quando se trata de turismo de base comunitária. Ele conta que nasceu e cresceu na região e está há 35 anos na margem direita de quem desce o Moa, onde há 21 trabalha com turismo. “Eu comecei a receber os pesquisadores que vinham fazer pesquisa quando foi criado o parque, daí fui desenvolvendo a pousada, porque precisava ter mais um espaço pras pessoas ficarem. E acabou que eu fui fazendo a primeira pousadinha cobertinha de palha. E daí começou o meu trabalho”, lembra.

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Figura conhecida na Serra do Divisor, Miro foi chefe e inspiração para Eva Maria Luz da Silva, proprietária da Pousada Caminho das Cachoeiras, em atividade há cerca de quatro anos. Para ela, ter o próprio negócio foi a realização de um sonho.

“Nasci e me criei aqui, construí família e hoje ainda moro aqui. Todo ser humano tem o sonho de ter o seu próprio negócio e, graças a Deus, consegui chegar aonde estou hoje. É uma profissão de que eu sempre gostei, de preparar comida. Eu amo esse trabalho. Por isso, hoje eu me sinto muito bem, realizada em trabalhar com comida e trocar ideias, conhecer pessoas diferentes. Para mim, é maravilhoso”, conta.

Ali próximo, na Pousada Canindé da Serra, Antônia Gracilândia Coelho de Lima, mais conhecida como “dona Graça”, é uma das anfitriãs conhecidas de quem visita a Serra.

Proprietária da Pousada Canindé da Serra, dona Graça mostra peixe frito que serve em seu estabelecimento. Foto: Marcos Rocha/Sete

Dona Graça e outras duas cozinheiras foram as responsáveis pelos pratos que alimentaram todos os participantes dos cursos realizados na pousada. Habituada a receber grupos com grande número de pessoas, Graça destaca: “Não é fácil, mas estamos todas acostumadas a preparar comida em grande quantidade. Graças a Deus, tudo acontece da melhor forma”.

Turismo para manutenção do homem e da floresta

Na floresta, subsistência é uma palavra significativa para os moradores, inclusive para Edmilson Cavalcante, guia turístico no Parque Nacional da Serra do Divisor, para quem o turismo contribui como fonte de renda para as famílias que vivem na região. “Isso a gente vê no dia a dia. As coisas estão melhorando cada vez mais”, diz.

Edmilson Cavalcante, guia turístico no Parque Nacional da Serra do Divisor, conta histórias que marcaram a região e são atrativos para turistas e visitantes até hoje. Foto: Marcos Rocha/Sete

“O turismo aqui é a fonte de subsistência. Antes as dificuldades eram muito maiores. Hoje, com o turismo, evoluiu muito, as famílias tiram boa parte do sustento do turismo, porque tudo o que a gente produz no parque, a banana, a melancia, a farinha, a goma pra fazer tapioca, a gente vende para as pousadas, para alimentação dos turistas. É uma fonte de renda. E uns ganham guiando, as pousadas ganham hospedando, os barqueiros também ganham, e forma uma rede de pessoas trabalhando, porque o turismo não é só um que faz, são vários”, enfatiza, descrevendo o conceito de trade.

Cachoeira do Amor, ao pé da subida para o Mirante da Serra. Foto: Marcos Rocha/Sete

O Parque da Serra do Divisor é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e responsável pela autorização de projetos de impacto, como a construção do Mirante da Serra.

Ali, as possibilidades são muitas para o turismo, desde a observação de aves, ao trekking, que é uma caminhada em maior contato com a natureza, até as aventuras da subida para o Mirante da Serra. Com diversas cachoeiras, histórias de busca por petróleo e aparições registradas pelos moradores, o parque é um tesouro de biodiversidade e potencial turístico ecológico na Amazônia.

Vista do Mirante da Serra do Divisor, na fronteira do Acre com o Peru. Foto: Allan Kenned/Rio Branco Filmes

Para incentivar o desenvolvimento local, o governo do Acre tem investido na promoção do turismo de base comunitária em feiras e eventos nacionais e internacionais do turismo. No 8º Salão do Turismo, realizado no Rio de Janeiro (RJ), no ano passado, por exemplo, as experiências da Serra do Divisor, do Caminho das Aldeias e da Biodiversidade, da Trilha Chico Mendes e do Croa agradaram o público. Além disso, os incentivos continuam com a qualificação de quem atua na área, com cursos oferecidos também para a comunidade do Rio Croa e em Cruzeiro do Sul.

Edmilson destaca que já levou muitas pessoas para o Mirante da Serra do Divisor, e que a experiência é diferente para cada um. “Eu já trouxe pessoas de todo canto do mundo aqui pro Mirante”, relata. “Muitos deles se emocionam. Eu achava aquilo diferente quando via. Mas depois que fui entender que, pra muitos deles, esse contato com a natureza é diferente. Muitos não têm o que a gente tem aqui”, explica.

Nesse sentido, o turismo de base comunitária exemplifica como o modelo pode contribuir para a manutenção da floresta em pé, como no Parque Nacional da Serra do Divisor, criado pelo Decreto nº 97.839, em 16 de junho de 1989, e que conserva o bioma amazônico em uma área que chega a 837.555 hectares, segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan).

Contatos para as pousadas da Serra do Divisor

– Pousada Caminho das Cachoeiras
Contato: 68 99967 5762
Instagram: @pousadacaminhodascachoeiras

– Pousada Canindé da Serra
Contato: 68 99603 8901
Instagram: @pousadacaninde

– Pousada do Miro
Contato: 68 99971 2127
Instagram: @pousadadomiro

*Com informações da Agência Acre

Maior astroblema da América do Sul: saiba onde fica o Domo de Araguainha

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Foto: Joana Sanchez/UFG

Você sabia que o maior astroblema — termo científico para cratera de impacto causada por meteorito — da América do Sul fica no Brasil? Localizado entre os estados de Mato Grosso e Goiás, o Domo de Araguainha é uma impressionante estrutura geológica de cerca de 40 quilômetros de diâmetro, formada há aproximadamente 250 milhões de anos.

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A colisão que o originou foi provocada por um corpo celeste que atingiu a Terra com uma força inimaginável. O impacto ocorreu numa época em que a região era coberta por uma plataforma marinha rasa. O resultado foi uma deformação massiva da crosta terrestre, cujas marcas ainda podem ser observadas nos afloramentos rochosos da região.

Rochas dobradas pelo impacto no Domo de Araguainha. Foto: Joana Sanchez/UFG

Leia também: VÍDEO: Você sabia que a queda de um meteoro foi registrada em 2011, na cidade de Tabatinga?

Sua área total é de aproximadamente 1,3 mil km². Isso torna a cratera maior até mesmo que algumas grandes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro. No total, 60% da cratera é dividida entre três cidades mato-grossenses: Ponte Branca, Araguainha, Alto Araguaia. Os demais são divididos entre Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia, em Goiás.

Os indícios de que essa estrutura foi causada por um impacto cósmico são claros para os geólogos: cones de estilhaçamento (shatter cones), brechas de impacto, feições planares em minerais como quartzo, feldspato e mica, e até bombas de impacto de hematita. Essas características são típicas de áreas que sofreram metamorfismo por impacto, fenômeno raro e poderoso.

A cratera de Araguainha vista por satélite. Imagem: Reprodução do Satélite Landsat/ETM+

Pesquisa

Todas essas informações fazem parte de estudos que buscam entender o que ocorreu na região. Um dos maiores especialistas no assunto é o geólogo brasileiro Álvaro Penteado Crósta, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Referência em sensoriamento remoto e geologia planetária, Crósta estudou o Domo de Araguainha e publicou artigos científicos que ajudaram a comprovar a origem da estrutura como uma cratera de impacto.

Além de sua relevância científica, o Domo de Araguainha é uma peça-chave para entender a história do planeta. Há hipóteses de que o impacto tenha contribuído para eventos ambientais extremos da época, possivelmente até influenciando a extinção em massa do Permiano-Triássico, a maior já registrada na Terra.

Um patrimônio científico e natural

Hoje, o Domo de Araguainha é reconhecido internacionalmente pela Union of Geological Sciences (IUGS), ligada à Unesco, e desperta o interesse de geólogos, astrônomos e curiosos de todo o mundo por ser um dos 100 principais sítios geológicos do mundo.

A cratera tem ainda o potencial de se tornar o 4° Geoparque do Brasil (território com um patrimônio geológico, associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável). No início de 2025, o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) faria um projeto para transformar o local em parque geológico.

Potencial turístico internacional do Festival de Parintins é destaque em sessão solene na Câmara dos Deputados

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Foto: Renato Vaz/Embratur

Autoridades, parlamentares e representantes dos bois-bumbás celebraram, em sessão solene na Câmara dos Deputados no dia 7 de maio, a força cultural e simbólica do Festival Folclórico de Parintins. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, participou da homenagem em reconhecimento a uma das manifestações populares mais emblemáticas do Brasil.

Leia também: Festival de Parintins: a ilha divida em azul e vermelho

Durante a solenidade idealizada pelo deputado federal licenciado Saullo Vianna (União-AM) e apresentada por Pauderney Avelino (União-AM), Marcelo Freixo destacou a importância do festival e reafirmou o compromisso da Embratur em ampliar a visibilidade internacional do evento.

“O Festival de Parintins é uma das coisas mais extraordinárias que eu já assisti: grandioso, potente, profundo, amazônico e brasileiro em sua essência. A paixão que ele desperta emociona. Vamos trabalhar para que o mundo conheça essa manifestação única da cultura brasileira”, afirmou.

O presidente ressaltou ainda que a Agência está investindo fortemente na visibilidade do evento: “A Embratur está sempre presente, divulgando Parintins para o mundo. O Brasil também é o Bumbódromo da Amazônia. Este ano, inclusive, vamos levar jornalistas britânicos para conhecerem de perto esse espetáculo”.

A press trip integra uma série de ações da Embratur para consolidar a Amazônia como destino turístico global. Entre elas, está a ampliação das conexões aéreas internacionais para Manaus. “Conseguimos avançar na conectividade aérea. Com voos diretos da Europa e da América do Sul, criamos as condições necessárias para apresentar Parintins ao mundo”, completou Freixo.

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De 26 de junho a 2 de julho, a Embratur realizará uma press trip com jornalistas do Reino Unido durante o festival. A ação busca posicionar a Amazônia como destino prioritário para o turismo internacional, integrando-se a outras iniciativas da Agência, como a presença na WTM Londres 2024 e em feiras globais de turismo.

Cultura e economia

Natural do Amazonas, o deputado federal licenciado Saullo Vianna celebrou as conquistas recentes do festival, como as parcerias com o Governo Federal e empresas privadas.

“Teremos um patrocínio recorde nesta edição do Festival de Parintins. Isso vai fortalecer as cadeias produtivas ligadas à festa, movimentar a economia local e gerar mais renda para o povo do Amazonas”, destacou.

Já o prefeito de Parintins, Mateus Assayag, evidenciou sua satisfação em representar a comunidade parintinense. “Representar a população neste evento é uma grande honra. O Festival ultrapassou as fronteiras do Amazonas e hoje está no Brasil e no mundo inteiro. Não é só cultura, é geração de renda, de empregos e de dignidade”, disse. 

Assayag também anunciou que o município foi o primeiro do estado a ter plano e inscrição aprovados no Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB), em 2025. “Isso mostra que levamos a cultura a sério, não só nos grandes espetáculos, mas com políticas públicas contínuas.”

Boi-bumbá

Fred Góes, representante do Boi Garantido, destacou o papel do festival na projeção internacional da Amazônia: “O Festival de Parintins tira a Amazônia da invisibilidade. Ele é farol de ideias sobre preservação, cultura e pertencimento”.

Já Róssy Amoedo, representante do Boi Caprichoso, celebrou o esforço coletivo dos envolvidos: “Estamos trabalhando para deixar uma grande marca. Que seja o maior festival de todos os tempos”.

Festival

Com data marcada para os dias 27, 28 e 29 de junho, o Festival de Parintins atrairá milhares de visitantes à ilha amazônica. O evento movimenta a economia local, fortalece o turismo e valoriza a rica diversidade cultural do estado.

Além do festival, Parintins oferece uma agenda turística variada, que inclui o Carnailha, festas religiosas como a de Nossa Senhora do Carmo, eventos evangélicos como a Marcha pra Jesus, além de atividades de turismo ecológico, rural e fluvial, consolidando a cidade como um dos principais destinos da Amazônia brasileira.

Artista de Rondônia expõe obras sobre a Amazônia em Nova York

Foto: Edina Costa/Acervo pessoal

A artista plástica Edina Costa, de Nova Mamoré (RO), foi a única brasileira convidada a expor na Galeria Perseus, em Nova York, nos Estados Unidos. Suas obras ficarão disponíveis de 9 a 12 de maio, no salão principal da galeria, localizada no World Trade Center, onde ficavam as Torres Gêmeas.

O convite veio em março, após curadores internacionais se encantarem com as “pinturas amazônicas em cores vibrantes”, como conta a artista. Ao Grupo Rede Amazônica, Edina contou que dividirá o espaço com nomes consagrados das artes visuais e vê a oportunidade como uma realização pessoal.

“Uma oportunidade única […] algo que jamais imaginei que minha arte me proporcionaria. E, para minha alegria, serei a única brasileira! É uma honra imensa. Estou sem palavras para expressar a felicidade que sinto!”, comemora.

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Foto: Edina Costa/Acervo pessoal

Para participar da exposição, Edina precisou pintar sete obras inéditas em menos de 45 dias. Ela buscou apoio financeiro, mas, sem conseguir patrocinadores, decidiu arcar com os custos por conta própria.

“Não desanimei, pois não poderia perder uma oportunidade incrível como essa. Consegui levantar fundos próprios para financiar a viagem, que para mim não é um gasto, mas um investimento no meu trabalho. A vida é para quem se atreve e tem coragem, e eu tenho isso de sobra!”, afirma.

Reconhecimento internacional

A trajetória de Edina com a arte começou aos 26 anos, quando, enfrentando dificuldades financeiras, ela passou a produzir artesanatos para complementar a renda. O reconhecimento internacional veio em 2022, quando expôs no Carrousel Du Louvre, em Paris, um dos maiores centros de arte do mundo.

Foto: Edina Costa/Acervo pessoal

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Desde então, a artista vem conquistando espaço fora do Brasil. Em 2023, foi premiada na categoria “Artistas – Destaques Internacionais”, no Top of Mind International, um dos mais prestigiados eventos de premiação da Europa.

Em novembro de 2024, suas obras também foram destaque na exposição “Olhares da Amazônia”, no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima, no Senado Federal, em Brasília (DF) e agora vai expor em Nova York.

“Esse reconhecimento é o resultado da minha paixão e dedicação à arte. Cada passo dado foi uma conquista, e ver minha arte sendo apreciada além das fronteiras é um sonho realizado”, comemora.

Arte com identidade amazônica

Edina segue uma missão clara: levar a Amazônia ao mundo através da arte. Suas pinturas, marcadas por cores vibrantes, retratam o cotidiano, os povos indígenas, a fauna e a flora da região. Mais do que estética, ela vê sua obra como um grito de preservação.

“Cada obra que crio é uma forma de expressar minha conexão com a natureza e de conscientizar as pessoas sobre a beleza e a fragilidade da nossa floresta”, afirma.

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Foto: Edina Costa/Acervo pessoal

Além de representar Rondônia, Edina acredita que sua arte simboliza o Brasil em sua essência natural e cultural.

“Quero explorar novas técnicas, me conectar ainda mais com a essência da Amazônia e transmitir mensagens importantes através da minha arte”, conclui.

*Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

BNDES ultrapassa R$ 650 milhões em investimentos para restauração de florestas

Foto: Reprodução/Arquivo/Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ultrapassou a marca de R$ 650 milhões em investimentos não reembolsáveis para projetos de restauração ecológica desde 2023. Esses recursos estão concentrados em três iniciativas: o Floresta Viva, com verbas do Fundo Socioambiental do BNDES, e o Restaura Amazônia e o Florestas do Bem-Estar, com montantes do Fundo Amazônia, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

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Na iniciativa Floresta Viva, o BNDES aprovou R$ 231 milhões em oito editais que envolvem a restauração de quase 15 mil hectares em ecossistemas como Manguezal, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga. Com o Florestas do Bem-estar, o edital no valor de R$ 23 milhões selecionará até dez projetos para restauração com espécies nativas em uma área de 1,5 mil hectares em toda a Amazônia Legal.

Restaura Amazônia

O BNDES e o MMA lançaram nove editais desde dezembro de 2024, em valores que somam R$ 400 milhões. O programa, de restauração ecológica com geração de emprego e renda na Amazônia Legal, contribui para a contenção do desmatamento e a conservação da biodiversidade em terras indígenas, territórios de povos e comunidades tradicionais, unidades de conservação, áreas públicas não destinadas a APPs e reservas legais de áreas de assentamento e de pequenas propriedades rurais. Foram três editais para Unidades de Conservação, três para assentamentos da reforma agrária e três para terras indígenas.

“A temperatura do planeta aumentou 1,5º nos últimos 20 meses, que era a meta para 2030. Não há nenhum estudo científico ou projeção, até agora, que garanta que essa temperatura volte a cair. E as emissões de gases do efeito estufa continuam a crescer”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

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“Nesse cenário desafiador, plantar árvores e restaurar o meio ambiente é um dos caminhos para enfrentarmos a crise climática. A marca de mais de R$ 650 milhões indica que o BNDES, que é a instituição que mais financiou energia renovável na história, tem avançado no caminho de ser um banco cada vez mais verde e comprometido com a preservação ambiental”, disse Mercadante.

Fundo Amazônia

De acordo com a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, “nos últimos anos, reconstruímos políticas, superamos os desafios de acelerar um setor completamente novo e, ao lado do MMA, investimos mais de R$ 500 milhões em florestas nativas só com o Fundo Amazônia. Essa ação contribui para consolidação de uma cadeia de atividades, como construção de viveiros, coleta de sementes, etc, além de geração de emprego e renda, com pessoas treinadas para o plantio de florestas. E tudo isso com recursos não reembolsáveis.”

O Fundo Amazônia, criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, e reativado em 2023, depois de quatro anos paralisado, capta recursos para combater o desmatamento, promover a conservação e o uso sustentável da Amazônia Legal, sob a coordenação do MMA.

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Fundo Clima

Além de recursos não reembolsáveis, o restauro florestal conta com a linha de crédito do Novo Fundo Clima, que já aprovou R$ 395 milhões. O Fundo Clima é um dos instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e se constitui em um fundo de natureza contábil, vinculado ao MMA, com a finalidade de garantir recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que tenham como objetivo a mitigação das mudanças climáticas.

*Com informações da Secretaria de Comunicação da Presidência da República

Javaporcos: entenda como Roraima está atuando no controle de espécie invasora

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Javaporcos, espécie invasora: Ascom/Aderr

Nos últimos anos, uma grande quantidade de javaporcos tem se espalhado por Roraima, especialmente na região central do Estado. Esses animais, uma mistura de javalis e porcos domésticos, estão causando muitos problemas para a agricultura, o meio ambiente e a saúde pública. O avanço tanto do javali como do javaporco em novos lugares causa danos a espécies nativas e por isso é considerado uma espécie exótica e invasora.

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A Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), vem trabalhando junto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos públicos para tentar controlar o crescimento da população desses animais, que hoje é considerada uma praga no Brasil e no mundo.

Lavrado de Alto Alegre, porta de entrada para os javaporcos.
Áreas devastadas por javalis em Roraima. Foto: Rogério Fonseca/Acervo Pessoal

Conforme ressalta o presidente da Aderr, Marcelo Parisi, para tentar resolver essa situação, as autoridades de Roraima estão buscando ações de controle e manejo para diminuir a quantidade de javaporcos no Estado. “A invasão de javaporcos é um problema sério que precisa de atenção para proteger nosso meio ambiente, a saúde de todos e nossa agricultura”, enfatizou Parisi.

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Relatos de javaporcos em Roraima datam de 2012

Desde 2012, relatos da presença do javaporco começaram a surgir em Alto Alegre, que acabou se tornando a porta de entrada em Roraima. O município está localizado à centro-oeste do estado, a 80 Km da capital, com uma população de mais de 20 mil habitantes. Atualmente, a situação se agravou, já tendo relatos em outros municípios como Bonfim, Cantá e até Boa Vista.

Lavrado de Alto Alegre, porta de entrada para os javaporcos.
Lavrado de Alto Alegre, porta de entrada para os javaporcos. Foto: Prefeitura de Alto Alegre

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Segundo dados do Sistema de Informação de Manejo de Fauna do Ibama, as autorizações de caça e os registros de abates aumentaram de forma alarmante: de seis autorizações e 32 abates em 2021, para 67 autorizações e mais de 250 animais abatidos em apenas sete meses de 2023. A cifra é um indício de que a invasão é exponencial. Isso mostra que a presença desses animais está crescendo rapidamente.

De acordo com o médico veterinário e fiscal agropecuário da Aderr e chefe do PNSS (Programa Nacional de Sanidade Suídea) em Roraima, Murilo Dias, a tendência, caso não haja uma ação eficaz contra esse avanço, é aumentar drasticamente.

Ele destacou que os javaporcos destroem plantações de milho, soja, algodão e cana-de-açúcar, causando prejuízos econômicos aos agricultores. Além disso, eles representam um risco à saúde, pois podem transmitir doenças como febre aftosa, peste suína, raiva e outras zoonoses que inclusive podem afetar as pessoas.

Javaporcos
Javaporcos, espécie invasora: Ascom/Aderr

“Outro problema é que muitos desses animais são híbridos, resultado do cruzamento entre javalis e porcos que vivem soltos em fazendas. Esses híbridos são maiores e se reproduzem mais rápido, dificultando o controle da população”, frisou.

Dias também ressaltou que a expansão agrícola na região, impulsionada por novas tecnologias e certificações ambientais, tem contribuído para a proliferação desses animais, que ameaçam a biodiversidade local, incluindo espécies nativas como as queixadas (Tayassu pecari) e os caititus (Dicotyles tajacu).

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Javaporcos e a transmissão da raiva

Conforme destaca o fiscal agropecuário e médico veterinário responsável pelo PNCRH (Programa Nacional Controle de Raiva dos Herbívoros), Joseney Lima, nos últimos anos os principais responsáveis pela transmissão da raiva aos humanos e animais foram os morcegos-vampiros (Desmodus rotundus), pois eles se alimentam preferencialmente de sangue de mamíferos.

“As populações de javalis e javaporcos aumentam a oferta de alimentos para os morcegos-vampiros, e consequentemente contribuem para o aumento populacional desses morcegos-vampiros, que são considerados praga em zonas rurais, pois é comum os ataques a humanos e animais”, frisou.

Javaporcos
Javaporcos, espécie invasora: Ascom/Aderr

Além dos riscos mencionados, os javalis e javaporcos podem desenvolver a raiva, disseminar a doença entre os animais, assim como transmitir a seres humanos. Lembrando que a raiva é uma doença infecciosa viral aguda e fatal, que afeta mamíferos, incluindo humanos, e é transmitida por mordidas, arranhaduras ou lambidas de animais infectados. Ela não possui cura.

Por meio do PNSS, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) concentra esforços nas doenças da lista da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Essas enfermidades se caracterizam pelo grande poder de difusão, consequências econômicas ou sanitárias graves e repercussão no comércio internacional.

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Controle e manejo da espécie

O controle deve ser feito com legalidade e eficiência. É necessário  obter autorização do Ibama através do Simaf (Sistema Integrado de Manejo de Fauna) e seguir o indicado na Instrução Normativa 12/2019 do órgão, que define o controle do javali como a “perseguição, o abate, a captura seguida de eliminação direta desses animais”.

*Com informações do Governo de Roraima.

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