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Real Forte Príncipe da Beira completa 75 anos de tombamento pelo Iphan

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Foto: Reprodução/Iphan

No coração de Rondônia, à margem do rio Guaporé, que separa o Brasil da Bolívia, uma fortaleza circundada por uma muralha de sete metros guarda um pedaço importante da história do País há quase 250 anos. Construído em 1776, o Real Forte Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques, já ficou por muito tempo esquecido, sendo encontrado abandonado e coberto de vegetação em 1914 pela expedição do marechal Cândido Rondon na região Norte do País.

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Desde 1950, porém, o Forte conta com a proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que o reconheceu como Patrimônio Cultural Brasileiro. Além de tombado, o lugar também já foi oficialmente cadastrado como Sítio Arqueológico, o que é mais um motivo pelo qual o Estado brasileiro vem nesses 75 anos empreendendo diversas ações de preservação e promoção deste bem cultural junto à sociedade.

Entre as ações realizadas pelo Iphan a partir do tombamento do Forte, podem ser citadas a restauração parcial do conjunto formado pela poterna (como é chamada uma porta ou passagem secreta de uma fortificação) e latrinas, a estabilização emergencial da guarita leste e uma série de pesquisas arqueológicas conduzidas ao longo de anos, com resgate e salvamento de diversos vestígios que integram nosso patrimônio cultural.

Sítios arqueológicos: um bem de todos os brasileiros

As pesquisas arqueológicas no Real Forte Príncipe da Beira foram iniciadas em 2008, após a criação da superintendência do Iphan em Rondônia, em 2004. A partir dessas atividades, foram revelados achados históricos que incluem estruturas de edificações associadas à fortaleza, como paiol e estábulo; materiais variados, como louças portuguesas, vidros, metais e cerâmicas indígenas; e evidências de ocupação pré-colonial e afro-brasileira.

“Para que possamos ter acesso a esse patrimônio e a todo conhecimento que pode ser alcançado a partir dos estudos arqueológicos, é importante que as intervenções em sítios, como o do Real Forte Príncipe da Beira, só ocorram com a devida autorização”, pontua a arqueóloga do Iphan Ana Izabela Bertolo.

Ela lembra que apenas profissionais da arqueologia legalmente habilitados (conforme a Lei nº 13.653/2018, que regulamenta a profissão no Brasil) podem explorar e fazer pesquisa nos sítios, sendo necessária autorização prévia do Iphan, sem a qual toda intervenção será considerada crime contra o patrimônio cultural da União. O que não significa que o Iphan seja o único responsável pela preservação de um bem como este. 

“O Iphan é responsável pela gestão do patrimônio arqueológico, mas sua preservação é um direito e um dever de todos, sendo competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”, diz a superintendente do Iphan em Rondônia, Alyne Mayra Rufino dos Santos.

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Segundo ela, mesmo o cidadão comum compartilha essa responsabilidade de proteção de bens arqueológicos, podendo dar contribuições fundamentais para o Instituto. “O cidadão pode entrar em contato conosco sempre que encontrar vestígios arqueológicos, garantindo que eles permaneçam no mesmo local onde foram encontrados, além de realizar denúncias quando houver destruição de sítios”, diz a superintendente. Ela ainda sugere “visitar instituições de guarda e museus, conhecer culturas diferentes e seus artefatos. Isso também é um importante passo para preservação”.

Foto: Reprodução/Iphan

Real Forte Príncipe da Beira

O Forte foi construído no século XVIII como estratégia defensiva das fronteiras entre Brasil e Bolívia, durante o período colonial, no contexto do Tratado de Madrid de 1750, firmado entre as coroas de Portugal e Espanha, para definir os limites entre as colônias sul-americanas pertencentes aos dois impérios.

As obras iniciaram em 20 de junho de 1775, com o lançamento da pedra fundamental de autoria inicial do engenheiro Domingos Sambucetti, que morreu de malária durante a obra, sendo substituído pelo Capitão José Pinheiro de Lacerda, que promoveu algumas modificações no plano original. A partir de 1782, o capitão engenheiro Ricardo Franco de Almeida e Serra assumiu a construção. Embora ainda incompleto, o Príncipe da Beira viria a ser inaugurado em agosto de 1783, pelo governador D. Luiz de Albuquerque de Meio Pereira e Cárceres.

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Parcialmente construído com pedras do rio Guaporé, o Forte é considerado a maior edificação militar portuguesa fora da Europa e é o mais antigo bem cultural de Rondônia reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro.

Além da relevância histórica, o Forte também é parte importante da cultura local. Em 2024, a edificação sediou os festejos finais de Pentecostes, que fazem parte da Festa do Divino Espírito Santo, manifestação em processo de Registro como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan. A festa ocorre há mais de 130 anos no Vale do Guaporé, cumprindo um trajeto fluvial de cerca de 50 dias de visitação a dezenas de comunidades ribeirinhas, entre elas a comunidade quilombola do Forte Príncipe da Beira.

*Com informações do Iphan

Nanopartículas: café verde possui potencial nas indústrias cosmética e alimentícia, aponta pesquisa de Mato Grosso

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Grão de café verde no município de Colniza. Foto: Christiano Antonucci/Secom MT

Pesquisadores em Mato Grosso estão desenvolvendo nanopartículas a partir de coprodutos da cafeicultura, como fruto inteiro do café verde, a casca e película prateada, ricos em compostos fenólicos, minerais e antioxidantes, visando a utilização na indústria farmacêutica e alimentícia.

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A nanotecnologia é considerada a forma mais estável, eficaz e segura para essa aplicação, garantindo maior permeação cutânea e conservação das propriedades bioativas do composto.

A iniciativa permitirá a realização de testes para a produção massiva, além do desenvolvimento de formulações lipossomas, que são pequenas vesículas esféricas compostas por uma ou mais camadas de lipídios, semelhantes. Os lipossomas funcionam como transportadores de ingredientes ativos, melhorando sua permeação e eficácia na produção de cosméticos, sabonete líquido, água micelar, hidratante facial e hidratante para a área dos olhos.

Essa tecnologia visa potencializar a eficácia terapêutica e a segurança biológica do extrato, o que é essencial para sua utilização na indústria cosmética.

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O projeto recebeu incentivo financeiro do Edital 001/2019/Centelha Bolsa Desenvolvimento Tecnológico e Industrial, do Governo do Estado, gerido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e está sendo conduzido pela empresa Cafenólicos, coordenada pela pesquisadora farmacêutica doutora Wanessa Costa Silva Faria, com participação do discente em doutorado Luciano Carlos de Arruda.

Os resultados esperados incluem a padronização do processo de extração em larga escala, garantindo reprodutibilidade no rendimento e no teor de substâncias ativas. Além disso, busca-se encontrar fornecedores que atendam aos padrões de qualidade e ofereçam um preço acessível, possibilitando a produção industrial de um produto de alta qualidade.

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O impacto esperado desse estudo vai além da indústria cosmética. O café verde, muitas vezes considerado um subproduto da cafeicultura, pode se tornar uma base para novos ingredientes farmacêuticos e alimentícios. Espera-se que a iniciativa também incentive a produção de cafés orgânicos, agregando valor à cadeia produtiva e facilitando a obtenção de selos de qualidade para os produtos derivados.

“A indústria farmacêutica tem demonstrado crescente interesse em compostos bioativos extraídos de vegetais, devido aos seus diversos benefícios à saúde, como ação antioxidante, antiobesogênica, anti-hipertensiva e anticancerígena. Estudos indicam que o café verde possui maior concentração desses compostos em comparação ao café maduro, tornando sua extração em larga escala um projeto promissor”, acrescentou Arruda.

Entre os principais objetivos do projeto, estão a prestação de serviços técnicos no desenvolvimento de nanoestruturas com extrato do café verde, a busca por orçamentos, a qualificação de fornecedores e a produção em larga escala dos extratos vegetais.

“Dessa forma, o projeto se posiciona como uma inovação estratégica para os setores cosmético e farmacêutico, promovendo sustentabilidade e aproveitamento integral do café verde”, destacou a coordenadora do projeto, doutora Wanessa Faria.

*Com informações da Fapemat

Professora vence prêmio de Geografia por tese sobre metropolização do Amazonas

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Foto: Divulgação

A docente do curso de Geografia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Prof.ª Dra. Susane Patrícia Melo de Lima, venceu o Prêmio José Aldemir de Oliveira, que reconhece as melhores teses defendidas na área da Geografia no Amazonas. A premiação é realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Amazonas (PPGEOG/Ufam). A tese foi defendida em 25 de janeiro de 2024.

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Na obra, intitulada ‘A metropolização regional periférica aquém da metrópole: a região metropolitana de Manaus vista do lado de lá’, a docente evidencia questões fundamentais sobre a dinâmica metropolitana e as desigualdades socioespaciais que permeiam a cidade de Manaus.

Susane Melo sintetiza o desenvolvimento de serviços públicos, economia, novos estudos sobre urbanização, metropolização, além de enriquecer o campo acadêmico com novas práticas para o planejamento urbano. Susane organizou a tese sob orientação do Prof. Dr. Ricardo José Batista Nogueira.

“É uma honra que transcende a simples conquista acadêmica. É um momento de profunda gratidão e reflexão sobre a jornada percorrida até aqui, marcada por desafios, aprendizados e um compromisso sério com o rigor científico, com a pesquisa e a produção do conhecimento na Amazônia, sobre a Amazônia, por uma amazônida. Dou este destaque porque considero importante termos cada vez mais amazônidas falando sobre si, quando as leituras sobre nós partem de todas as direções, até por quem nunca pisou nosso chão”, disse a professora.

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A tese evidencia, ainda, o caráter singular do processo de metropolização dos 13 municípios que compõe Manaus, com destaque sobre regiões periféricas, que traduzem as características metropolitanas a partir de relações globais, sem desconsiderar a regionalização.

Confira a obra: tede.ufam.edu.br/handle/tede/10019.

*Com informações da UEA

Solar Community Hub: projeto une tecnologia e sustentabilidade em comunidade no Amazonas

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Foto: Rodolfo Pongelupe

As mudanças climáticas já são uma realidade no mundo. Entre agosto de 2023 a julho do ano passado, o desmatamento na Amazônia teve uma queda de 30,63% em relação ao período anterior (2022/2023), o que representa a maior em 15 anos, segundo monitoramento do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (PRODES), projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que fiscaliza os noves estados amazônicos. Porém, mesmo com a queda, 6.288 km² foram afetados. A preocupação aumenta ainda mais com os focos de calor (queimadas) no bioma.

Com base em preocupações ambientais e na necessidade de adaptação às mudanças climáticas, será realizada, através do Projeto Solar Community Hub (SCH), a iniciativa ‘Quintais de Floresta: uma alternativa para adaptação e mitigação às mudanças climáticas’, pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Dell Technologies, Intel e Computer Aid, que será implementada na comunidade Boa Esperança, situada no município de Manicoré (a 332 quilômetros de Manaus), ao entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá. 

Os “Quintais de Floresta” são nomes populares para os sistemas agroflorestais (SAFs), áreas estabelecidas nas comunidades para garantir a segurança alimentar, mas que integram o contexto de bioeconomia local. Além disso, os quintais estão ligados diretamente ao processo de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, pois garantem a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono, melhoria na qualidade do solo e regulação do ciclo hídrico.

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De acordo com Fabiana Cunha, gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS, trabalhar o tema de mudanças climáticas entre os comunitários é uma iniciativa que parte do princípio de que o desenvolvimento de práticas ambientalmente responsáveis fortalece a sensibilização ambiental e promove qualidade de vida para as pessoas do campo, da floresta e das águas. 

“É um trabalho que destaca a importância da biodiversidade na conservação da Amazônia e na sustentação das comunidades locais, possibilitando assegurar um futuro mais sustentável para as atuais e futuras gerações”, explica Fabiana.

Como vai funcionar

O projeto Solar Community Hub, situado na comunidade Boa Esperança, atua em quatro eixos, desde 2022: monitoramento socioambiental, educação, infraestrutura e saúde. O espaço é movido totalmente por meio de energia solar, fornecendo acesso a internet e tecnologia. O projeto beneficia não só a comunidade de Boa Esperança (AM), como também outras dez comunidades ribeirinhas, incluindo uma comunidade indígena formada pelos povos Mura, Tenharim e Apurinã.

O SCH oferece acesso a conectividade, educação digital e cursos de formação complementar voltados à profissionalização para as comunidades ribeirinhas e indígenas locais; atividades de sensibilização ambiental voltadas ao público infantil, a partir de materiais pedagógicos sobre a conservação da biodiversidade; atenção à saúde por meio de telemedicina e formação de agentes comunitários de saúde; e sistema de coleta e filtragem de água da chuva para fornecer acesso à água potável para a comunidade.

Neste novo ciclo dentro da proposta “Quintais de Floresta”, na área de educação, o projeto vai atuar na capacitação de professores para a temática de mudanças climáticas, incluindo ensino sobre suas causas, consequências e possíveis soluções. A partir disso, espera-se que os educadores consigam informar e motivar os estudantes a se tornarem agentes de mudança.

“Durante a formação de professores, será discutida a conexão entre tecnologia e educação ambiental, enfatizando a relevância de metodologias que promovam a reflexão e a autonomia dos alunos. O objetivo é capacitar os educadores a desenvolver projetos que envolvam a participação ativa dos alunos, levando em conta, por exemplo, a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF) coletivos na comunidade,” explica Iarima Lopes, educadora ambiental da FAS.

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Em relação à saúde, serão realizadas várias atividades, como o mapeamento sobre hábitos alimentares e socioambientais da comunidade, webpalestras e teleorientações aos profissionais de saúde, bem como atendimentos psicológicos aos comunitários. 

No eixo de infraestrutura, será instalado um sistema que envolve a adoção do processo de captação, armazenamento e reutilização da água da chuva, utilizando calhas e filtros. Esta proposta será direcionada para o ambiente escolar, pois já possui uma estrutura adequada para ser implementada. A partir disso, será possível o acesso à água potável, não apenas para uso comunitário, mas também para garantir a irrigação de espécies que serão introduzidas nos quintais.

De acordo com a proposta, dessa forma, será garantida a sustentabilidade do projeto, possibilitando o alcance de uma  consciência ambiental através da experiência e incentivando a prática da agricultura sustentável.

Inteligência Artificial na conservação da biodiversidade

No eixo de monitoramento socioambiental, a proposta é capacitar jovens da comunidade para coletar dados locais usando tecnologia. O monitoramento visa validar dados de satélite sobre uso do solo, incentivar a participação ativa com treinamentos em gestão territorial e uso de drones, e implementar medidas para entender os impactos do desmatamento e focos de calor.

Como produto, será elaborado um painel Power Bi para demonstração e acompanhamento dos resultados e disseminação da informação. O painel permitirá uma análise mais aprofundada dos dados coletados, possibilitando uma melhor tomada de decisão por parte da equipe técnica. 

Um importante aliado ao projeto, dentro do eixo de monitoramento, será o projeto “Curupira”, inovação de cientistas do Laboratório de Sistemas Embarcados (LSE), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Criada em 2023, a tecnologia usa Inteligência Artificial (IA) para fazer um monitoramento ambiental mais preciso. Com o intuito de transversalizar a tecnologia para o eixo de educação, o sistema será nomeado como “Uirapuru’’.

A FAS irá utilizar informações captadas pelo sensor, que deverá identificar as espécies da fauna presentes nessa área. A identificação das espécies será essencial para compreender a biodiversidade local, bem como, sensibilizar os comunitários a respeito da importância dessas espécies para a manutenção e equilíbrio do ecossistema ali presente.

*Com informações da FAS

ICMBio tem 5 meses para montar plano e delimitar áreas em Resex no Acre

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Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil

Uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF-AC) determina que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) faça o georreferenciamento das áreas ocupadas pelas famílias extrativistas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. O órgão federal ajuizou a ação civil com pedido de liminar. Ao Grupo Rede Amazônica, o ICMBio informou que foi notificado e analisa o pedido.

O MPF pede que o ICMBio elabore, no prazo de cinco meses, um plano de delimitação das colocações com participação das associações comunitárias, núcleos de base e moradores, com a previsão do material necessário para a execução das atividades. Em caso de descumprimento, o MPF pede a aplicação de multa diária no valor de R$ 50 mil.

De acordo com o MPF, essas áreas são chamadas “colocações” e caracterizam-se pelo uso coletivo da floresta pelas famílias extrativistas que moram na unidade de conservação.

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Ainda segundo o órgão federal, a ausência de delimitação precisa dos territórios ocupados contribui para conflitos entre moradores, dificulta a responsabilização por infrações ambientais e compromete o cadastramento correto das famílias beneficiárias.

A Resex Chico Mendes abriga cerca de 4.500 famílias e o MPF-AC destaca que o local enfrenta graves problemas de desmatamento, uso irregular da terra e fracionamento indevido das colocações, o que afeta diretamente os objetivos de conservação e sustentabilidade da unidade.

A ação ressalta também que a falta de georreferenciamento impede a aplicação das regras previstas no Plano de Utilização da Resex, como os limites para atividades agropecuárias e o uso sustentável dos recursos naturais.

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Além disso, compromete a fiscalização e dificulta a implementação de políticas públicas, como a recuperação de áreas degradadas e a atribuição de responsabilidade por embargos ambientais.

Após a apresentação do planejamento, o instituto deverá concluir o georreferenciamento no prazo de até 24 meses e disponibilizar todas as informações em banco de dados público pela internet, sob pena de multa de diária de R$ 50 mil.

O órgão federal ressaltou que a delimitação georreferenciada é essencial para a efetiva gestão compartilhada da Resex, prevista em lei e que desde 2017 já havia feito a recomendação ao ICMBio, porém o conselho não foi acatado à época.

Combate pecuária de corte na Resex

Por conta do aumento no desmatamento na Resex, em Rio Branco, agentes do ICMBio deflagraram em abril deste ano, com o apoio da Polícia Federal (PF-AC), a Operação “Boi Fantasma”. A Rede Amazônica Acre acompanhou com exclusividade a ação que tinha como objetivo o combate a pecuária de corte irregular na reserva.

Os agentes detectaram inconsistências na declaração de rebanhos bovinos por imóveis rurais da unidade de conservação no Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf), que regula a criação de gado.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Ópera nas escolas: quando a música lírica conquista a juventude; assista

Projeto ‘Ópera em Rede’. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

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Ópera nas escolas
Projeto ópera das escolas visitou a Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann. Foto: Divulgação

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A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.

A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”. Veja como foi:

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

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Dominó em braille é lançado por projeto de universidade no Acre

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Fotos: Reprodução/Ufac

O Núcleo Avançado de Empreendedorismo e Tecnologia do Acre (NaveTech-AC), da Universidade Federal do Acre (Ufac), lançou o projeto de dominó em braille com figuras geométricas no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre, em Rio Branco, com a realização do primeiro campeonato desse jogo.

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A iniciativa foi desenvolvida em um módulo do projeto IOT (Internet das Coisas), ministrado pelo professor Rodrigo S. Sousa, do Instituto Federal do Acre (Ifac) e realizado no NaveTech-AC, coordenado pela professora Catarina Costa e pelo analista de tecnologia da informação Jair Figueirêdo.

A equipe que desenvolveu o jogo foi composta por Ana Maria B. Souza, José N.C. Neto, Luis Pedro M. Plese, Samuel C. Dias, Sérgio Brazil Júnior e Sthefany S. Ferreira.

O dominó em braille é uma adaptação do dominó padrão, consistindo em 24 peças produzidas em impressora 3D, com acrilonitrila butadieno estireno (ABS, na sigla em inglês).

As peças pesam cerca de 13 gramas e, no lugar dos pontinhos pretos cavados, que representam os números de 1 a 6, estão os símbolos em braille, os quais estão dispostos na horizontal, acompanhados de uma figura geométrica com o número de lados correspondente ao numeral representado. Em cada peça existe uma cavidade para indicar a posição de leitura dos símbolos.

*Com informações da Ufac

O Robert e o Papa

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Parecia um gol de final de copa do mundo, só que muito mais forte, pois não havia um dos lados para chorar. Choros havia muitos, mas de emoções incontroláveis. Era como se no último minuto do jogo, os dois times fizessem um gol e os dois lados vencessem. “É penta! É penta! É penta!”, gritou Galvão Bueno, pulando abraçado com Pelé, em uma cena que ficou marcada na história do futebol brasileiro. Agora não era o futebol e nem o Brasil. Era algo bem maior, divino, talvez. E não se limitava a um país. O alcance era os quatro cantos do mundo.

Quando a fumaça branca aparece, pessoas já olhavam fixamente para a chaminé, numa expectativa de que poderia ocorrer a qualquer momento. A fumaça trouxe a explosão. Gente de todos os lados correm a pé, de bicicleta, se arrastando, gritando ou sussurrando consigo mesmo, falando línguas inelegíveis entre si, mas que todos entendiam o sentido. Repórteres de todo o mundo, falando sem parar, também eles emocionados, com suas câmeras e microfones. Homens, mulheres, trans, pessoas brancas, negras, amarelas, pobres, ricas, de direita, de esquerda, de centro, com rótulos e sem rótulos. É um momento histórico e todos sabem disso. Mas é mais do que algo sabido, é sentido. A energia que percorre a praça e invade as telas do mundo é contagiante. Em vários países, igrejas batem os sinos. Breaking news. Habemus Papam! Nasceu um papa.

Robert era um homem comum. Não tão comum, porque era padre e se tornou cardeal. Mas os padres não são pessoas comuns, de carne e osso? Não possuem suas virtudes e defeitos? Não lidam com as suas tentações? Não convivem com os seus anjos e demônios? Robert era um homem comum quando entrou no conclave. De lá, saiu Leão XIV. Pela crença dos católicos, o Espírito Santo o fez Papa. Ou teria o Espírito Santo assentado no corpo de Robert? Quem dirigirá a igreja católica e os seus mais de um bilhão e quatrocentos milhões de fiéis no planeta Terra? Acredita-se que não será Robert, um homem comum, mas Leão XIV, o Papa.

Um repórter perguntou uma vez a Pelé se não era um tipo de arrogância se referir a si mesmo na terceira pessoa. A resposta foi de que, ao contrário, arrogância seria se ele se confundisse com o Pelé. Ele era apenas o Edson. O gênio, o rei do futebol era o Pelé. Quem entrava em campo e fazia os gols e as jogadas incomparáveis era o Pelé. Edson tinha a consciência de que era um homem comum, mas sabia da grandiosidade de Pelé, que utilizava seu corpo, especialmente suas pernas.

É o mesmo o que acontece com os artistas quando pintam. Com os escritores quando escrevem. Com os músicos quando compõem. Com as mães quando se tornam mães. Com os pais também, nem sempre quando os filhos nascem, mas quando se tornam pais de verdade. Um presidente de um país ou de uma empresa ocupa uma posição que não é ele. O cargo é temporário. Por mais óbvio que pareça, quantos não misturam sua pessoa com a posição que ocupam?

Acredito que, para cumprir algumas destas missões precisamos, muitas vezes, de mais recursos do que possuímos. É como se fizéssemos uso, temporariamente, de forças e inspirações extras, um poder que vai além de nós mesmos, nos fazendo instrumentos de algo maior. Os japoneses usam a expressão Jishoi (Ji-tempo, Sho-lugar e I-posição) para definir a dualidade entre o que somos e a posição que ocupamos, em um lugar em um determinado tempo.

Pode ser que no caso de um Papa, esta energia maior, seja o que os católicos chamam de Espírito Santo. Podemos chamar de Força Cósmica, Inteligência Superior, Energia Divina, ou simplesmente de Universo. Alguns dirão que é o próprio Supremo Deus atuando. Outros rejeitarão completamente a ideia, atribuindo tudo ao acaso e afirmando que Robert Francis Prevost e Leão XIV são a mesma pessoa.

E você, acredita na diferenciação entre a pessoa e o cargo que ocupa? No seu caso, em que momentos você se sente instrumento de algo além de você mesmo? Ficarei feliz em saber o que você pensa a respeito.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Você sabia que o Teatro da Instalação já foi uma tabacaria?

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Foto: Reprodução/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O charmoso sobrado de azulejos azuis chama atenção de quem passa pela rua Frei José dos Inocentes, no centro histórico de Manaus (AM). Trata-se do Teatro da Instalação, administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, desde 2001.

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O local é um dos prédios emblemáticos da Belle Époque e passou a ser um espaço de difusão cultural a partir do dia 6 de maio de 2001, quando recebeu a ‘Ópera dos Três Vinténs’, de Kurt Weill e Bertholt Brecht, no Festival Amazonas de Ópera (FAO). Antes, o prédio abrigava a antiga loja Casa Havaneza.

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Imagem: Reprodução/Blog do Durango

A loja, que tratava inicialmente de uma tabacaria em 1888, era de propriedade dos comerciantes J. Vaz da Costa e Soares. O nome foi uma referência à capital cubana, Havana. Porém, a loja expandiu seguindo a demanda e passou a comercializar roupas e outros itens. Além disso, o casarão já foi drogaria e abrigou a sede do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA).

Atualmente, o espaço que foi transformado em ambiente cultural em 2001, contempla 214 lugares e recebe espetáculos de teatro e de dança, concertos, shows, ensaios cênicos de dança e cinema. Também foi adaptado para ser acessível para deficientes físicos.

Amazonas Band e o maestro Rui Carvalho. Foto: Heloisa Gomes

O Teatro da Instalação é também a base de dois corpos artísticos estatais: Amazonas Band e do Corpo de Dança do Amazonas (CDA). Os ensaios acontecem de segunda à quarta-feira, das 9h às 15h, com o CDA e, das 19h às 22h, com a Amazonas Band.

O Teatro da Instalação está localizado na Rua Frei José dos Inocentes, s/nº, no Centro de Manaus. Para mais informações: dcculturais@cultura.am.gov.br ou (92) 3090-6802

Onça-pintada é classificada como ‘em perigo’ de extinção no Maranhão

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Foto: Reprodução/ICMBio

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) do Maranhão publicou no dia 7 de maio, no Diário Oficial, a ‘Lista Oficial de Espécies da Fauna de Vertebrados Ameaçadas de Extinção do Maranhão‘.

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A lista apresenta 184 espécies classificadas nas categorias Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), conforme anexo da Resolução Consema nº 82, de 5/05/2025, disponibilizado no site da Sema (veja no fim da matéria).

“É um marco histórico para nosso estado, é a primeira vez que o Maranhão publica a lista, um instrumento essencial para proteção da fauna e para orientar o planejamento de ações de conservação da biodiversidade e de gestão das unidades de conservação, mais uma conquista do Governador Carlos Brandão”, ressaltou o secretário do Meio Ambiente, Pedro Chagas.

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A Lista foi elaborada no processo de avaliação participativo que envolveu 93 pesquisadores e 40 instituições de pesquisa. Aparecem na lista espécies como:

  • Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla),
  • Gato-do-mato pequeno (Leopardus tigrinus),
  • Onça-pintada (Panthera onca),
  • Tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum),
  • Boto cinza (Sotalia guianensis),
  • Gavião real (Harpia harpyja),
  • Ararajuba (Guaruba guarouba),
  • Maçarico rasteirinho (Calidris pusilla),
  • e Tartaruga cabeçuda (Caretta caretta).

Com essa relação, as espécies classificadas ficam protegidas de modo integral, incluindo a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda manejo, beneficiamento e comercialização, podendo apenas servir para fins de pesquisa ou para conservação da espécie mediante autorização da Sema.

Para a Superintendente de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema, Laís Morais Rêgo, a lista de espécies ameaçadas de extinção é um instrumento de gestão de fundamental importância para a Biodiversidade.

“Ela serve como um indutor de outras políticas públicas como educação ambiental, áreas protegidas, licenciamento e monitoramento ambiental, na priorização de ações e de áreas para a conservação da biodiversidade”, destacou.

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A lista poderá ser atualizada a partir de dados de monitoramento ou aporte de conhecimento científico sobre o estado de conservação da espécie, seguindo a metodologia utilizada.

O projeto faz parte do Plano de Ação Territorial de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio Norte (PAT Meio Norte), no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção.

A elaboração da lista segue as diretrizes da Lei Complementar nº 140/2011, que determina a cooperação entre União, estados, DF e municípios na proteção do meio ambiente e preservação das florestas, da fauna e da flora, da Portaria MMA Nº 162/2016, que estabelece os procedimentos e publicação das Listas Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção, e da Instrução Normativa GABIN/ICMBio Nº 9/2020, que disciplina as diretrizes e procedimentos para a avaliação do risco de extinção das espécies da fauna brasileira, a utilização do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE, a política de dados e a publicação dos resultados.