‘HABEMUS PAPAM’. “Temos Papa“. Robert Francis Prevost, de Chicago (EUA), foi escolhido como sucessor do papa Francisco nesta quinta-feira (8). Aos 69 anos, é o primeiro papa norte-americano da história.
Após cerca de uma hora da liberação da fumaça branca na chaminé da Capela Sistina, que anuncia a escolha, a Igreja Católica elegeu o novo pontífice, que recebe o nome de Papa Leão XIV. A eleição seguiu a tendência das duas eleições anteriores, em 2005 e 2013, e ocorreu no segundo dia do Conclave (quando cardeais se reúnem para eleger o novo papa).
Apesar da origem norte-americana, o novo papa tem presença de destaque em sua trajetória religiosa na América Latina. Na vida religiosa desde os 22 anos, Prevost foi ordenado padre em 1982 e, dois anos depois, iniciou sua atuação missionária no Peru, país que compõe a Amazônia internacional.
A primeira atuação foi em Piura, depois em Trujillo, onde permaneceu por 10 anos. Já em 2014, foi nomeado administrador da Diocese de Chiclayo, cargo em que foi ordenado bispo e permaneceu por nove anos.
Com cidadania peruana desde 2015, em função da sua extensa atuação no país durante os anos 80, Prevost ocupou cargos de destaque na Conferência Episcopal local e foi nomeado para a Congregação do Clero e, depois, para a Congregação para os Bispos. Em 2023, recebeu o título de cardeal.
É visto como um reformista, alinhado à linha de abertura implementada por Francisco, e foi ele o responsável, durante a internação de Francisco, por liderar uma oração pública no Vaticano pela saúde do então pontífice.
Durante o discurso como chefe da Igreja Católica, enviou uma saudação em espanhol dirigida à sua “querida diocese de Chiclayo”.
A imensidão da Floresta Amazônica guarda segredos que despertam fascínio em cientistas, aventureiros e curiosos do mundo inteiro. Entre os locais criados para aproximar o público dessa biodiversidade única, os serpentários têm se destacado como centros de pesquisa, educação ambiental e turismo ecológico.
Dois dos mais importantes espaços dedicados a esses animais estão localizados em Manaus (AM) e Benevides (PA), oferecendo experiências inesquecíveis para quem deseja – e tem coragem – conhecer mais sobre a fauna amazônica.
O serpentário do Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus (AM), oferece ao visitante a oportunidade de observar de perto cobras das mais variadas espécies, como a temida jararaca, a cascavel, a imponente jiboia e a lendária surucucu. O serpentário é parte do museu, um espaço dedicado à divulgação científica, educação ambiental e pesquisa.
Localizado no Jardim Botânico do Museu da Amazônia, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, o serpentário é uma verdadeira imersão na vida selvagem. Além dos animais, o espaço conta com trilhas na floresta, uma torre de observação e exposições educativas. Um passeio ideal para toda a família e para quem deseja aprender mais sobre a biodiversidade da Amazônia de forma segura e educativa.
O MUSA está localizado na Avenida Margarita, n° 6305, no bairro Cidade de Deus. Informações: (92) 99280-4205. Veja o site oficial AQUI.
Foto: Reprodução/Tomaz Nascimento de Melo
Centro Amazônico de Herpetologia
Inaugurado em julho de 2022, o Centro Amazônico de Herpetologia, no distrito de Benfica, município de Benevides (PA), é hoje um dos mais completos serpentários da Região Norte. Com aproximadamente 2.500 animais, o local abriga não apenas serpentes, mas também jacarés, quelônios e outras espécies exóticas e nativas, em um ambiente estruturado para pesquisa e visitação.
O espaço tem como missão promover a conservação, o conhecimento e a valorização da herpetofauna amazônica. Com visitas guiadas e atividades educativas, o Centro Amazônico de Herpetologia se tornou um importante ponto de visitação científica e turística no Pará.
Está localizado na Rua Madressilva, n° 204, distrito de Benfica. Informações: (91) 99100-3349. Confira o canal oficial AQUI.
Dom Leonardo Steiner. Foto: Divulgação/Arquidiocese de Manaus
O cardeal da Amazônia e arcebispo de Manaus (AM), Dom Leonardo Steiner, citado pela Reuters como um dos favoritos para ser sucessor do papa, se encontrou com Francisco seis meses antes da morte do pontífice. Na ocasião, o Santo Padre recebeu de Steiner uma imagem da Nossa Senhora da Amazônia e proferiu bençãos para a região.
O religioso está entre os sete brasileiros que vão participar do conclave, processo para eleger o novo papa que começa nesta quarta-feira (7).
O encontro ocorreu no Vaticano, em outubro do ano passado, durante a assembleia do Sínodo dos Bispos, realizada na sede da Igreja Católica na Itália. Além do cardeal, o padre Adelson Araújo dos Santos, nascido em Manaus e professor da Universidade Gregoriana de Roma, participou como facilitador do encontro.
A imagem de Nossa Senhora da Amazônia, entregue por Steiner, foi enviada por uma comunidade da capital amazonense que tem a Virgem como padroeira.
Na época, o cardeal explicou a Francisco que a imagem retrata os traços caboclos e indígenas do povo da Amazônia e agradeceu, em nome de todos os católicos da região, pelo apoio e carinho do papa.
Em resposta, o papa Francisco enviou uma bênção para a comunidade que enviou a imagem e para todas as comunidades da Igreja na Amazônia.
“A Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam. Desde o início que a Igreja está presente na Amazônia com missionários, congregações religiosas, sacerdotes, leigos e bispos, e lá continua presente e determinante no futuro daquela área”, disse Francisco.
Natural de Forquilhinha, no interior de Santa Catarina, Leonardo Ulrich Steiner foi nomeado arcebispo metropolitano de Manaus em 2019. Três anos depois, em 2022, recebeu o título de cardeal da Amazônia, nomeado pelo próprio Papa Francisco.
Nascido em 6 de novembro de 1950, Steiner ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1972, ao ser admitido no Noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Foi ordenado padre por Dom Paulo Evaristo Arns em 1978. Cursou pedagogia e se tornou mestre de noviços.
Em 1995, mudou-se para Roma, onde concluiu o mestrado e doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum. Entre 1999 e 2003, atuou como secretário-geral da mesma universidade.
De volta ao Brasil, foi nomeado vigário da Paróquia Bom Jesus, em Curitiba, e passou a lecionar na Faculdade São Boaventura. Em 2005, tornou-se bispo da prelazia de São Félix, no Mato Grosso, e, em 2011, foi nomeado bispo auxiliar de Brasília, exercendo também o cargo de secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre 2011 e 2019.
Seu lema episcopal é “Verbum caro factum est“, que significa “O verbo se fez carne”.
Como funciona o Conclave
A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.
Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.
Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.
As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.
Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.
Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.
Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.
Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).
Por Olimpio Guarany, jornalista, documentarista e professor universitário
A cada batida do tambor da ciência, a floresta responde com um eco ancestral.
No coração da Amazônia, há séculos, folhas, raízes e resinas curam antes mesmo que existisse a palavra “medicamento”. Hoje, com o avanço das pesquisas, o mundo começa a ouvir essa voz verde — mas ainda não compreende sua profundidade.
No episódio dessa semana do programa Amazônia em Pauta, mergulhamos nesse universo com o professor e cientista José Carlos Tavares, referência internacional na pesquisa de biofármacos amazônicos. O tema foi direto ao ponto: como transformar o imenso patrimônio medicinal da floresta em conhecimento científico, saúde pública e desenvolvimento sustentável — sem repetir os erros da exploração predatória.
A floresta como farmácia viva
Durante a conversa, o professor Tavares nos mostrou que a Amazônia é mais do que paisagem. Ela é laboratório e farmácia ao mesmo tempo. Em sua trajetória como pesquisador e coordenador de redes internacionais de fitoterápicos e nanotecnologia, ele reuniu evidências que comprovam a eficácia de princípios ativos extraídos de espécies nativas.
Mas o desafio vai além da ciência: é também político e social. Como garantir que o conhecimento tradicional dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos seja respeitado e valorizado nesse processo? Como evitar que a bioprospecção se transforme em biopirataria?
Conhecimento tradicional e ciência de ponta
O diálogo entre saberes é a chave. Tavares defende um modelo que una tecnologia, universidades e comunidades locais. A ciência precisa deixar de olhar a floresta apenas como “matéria-prima” e reconhecê-la como inteligência ecológica. Nesse ponto, ele é claro: “A Amazônia não precisa de salvadores, precisa de aliados”.
Projetos que envolvem cooperativas, arranjos produtivos e formação científica local já mostram resultados promissores. Mas é preciso escala, políticas públicas e, sobretudo, vontade política para tirar o debate da retórica e transformá-lo em investimento.
Amazônia, soberania e saúde global
Além da riqueza biológica, a Amazônia representa uma fronteira estratégica para o Brasil: na geopolítica da saúde, no enfrentamento de pandemias e no futuro dos biofármacos. Ao mesmo tempo, a soberania sobre esses recursos está em risco diante de interesses internacionais e da fragilidade regulatória.
José Carlos Tavares faz um alerta: sem uma política séria de repartição de benefícios, sem marcos legais robustos e sem protagonismo amazônida, o potencial medicinal da floresta pode acabar exportado — como tantos outros bens da região.
O futuro é curativo
O episódio deixou claro: proteger a Amazônia não é apenas um gesto ambiental. É um ato de cuidado com o presente e com o futuro da vida no planeta.
Transformar folhas em ciência, raízes em tratamento e saberes em políticas públicas é uma das missões mais nobres que a floresta nos entrega. E, talvez, a mais urgente.
Na Amazônia, curar não é só tratar doenças. É reconhecer a floresta como sujeito — e não como recurso.
Acompanhe o programa “Amazônia em Pauta” todas as terças, às 21h, na TV Amazon Sat e no canal YouTube/ oguarany.
Este texto faz parte da série de artigos que compõem o livro ‘Amazônia em Pauta: Diálogos sobre o Clima e o Futuro da Vida’, em produção.
Sobre o autor
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista, economista e professor universitário. Realizou a expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru) por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes e depois subiu a Quito, Equador (2020-2022), refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639).
Cultura amazônica do município de Maués, Amazonas. Foto: Divulgação
Fortalecer a cena cultural amazônica a partir dos próprios territórios, valorizando seus criadores e conectando suas linguagens com o Brasil e o mundo, essa é a base do Festival Povos da Floresta. A iniciativa serve como ferramenta estratégica de fomento, e também um poderoso instrumento de descentralização cultural, que permite que iniciativas, nascidas na Amazônia e com protagonismo regional, ocupem um lugar de destaque na cena nacional.
O projeto irá percorrer cinco capitais da Amazônia Legal e do Brasil, iniciando por Porto Velho (RO), entre os dias 29 de maio e 8 de junho de 2025. Também haverá edições em Boa Vista (RR), Macapá (AP), Belém (PA) e Brasília (DF), levando ao público uma programação que inclui artes visuais, audiovisual, música e experiências imersivas.
O projeto irá percorrer cinco capitais da Amazônia Legal. Foto: Assessoria Festival Povos da Floresta
“Nosso sonho é que o Festival dos Povos da Floresta vá ainda mais longe — que no futuro possa alcançar, além das capitais, os polos culturais do interior da Amazônia, conectando ainda mais profundamente os territórios, suas expressões e seus públicos”, conta a diretora.
O Festival busca fortalecer a cena cultural amazônica a partir dos próprios territórios, valorizando seus criadores e conectando suas linguagens com o Brasil e o mundo.
“Quando falamos em Povos da Floresta, entendemos que este é um lugar de compreensão e de troca, onde todas as pessoas que estão sob esse imenso ‘guarda-chuva verde’ — o pulmão do mundo — integram e devem ter a devida visibilidade e protagonismo de suas próprias histórias e narrativas. Nesse sentido, ao reunir os diferentes povos que compõem esse universo, promovemos o diálogo e fomentamos o intercâmbio entre tecnologias ancestrais e contemporâneas”, destaca.
A programação do evento oferecerá uma experiência ampla, combinando exposições de arte, mostras audiovisuais, apresentações musicais, oficinas, rodas de conversa e performances. O objetivo é valorizar as expressões culturais dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades urbanas da região.
A exposição leva o nome da semente amazônica da castanheira e marcará a abertura do projeto. “A iniciativa foi pensada como um território de encontro entre diferentes linguagens, territórios e experiências da Amazônia, criando pontes entre artistas, públicos e narrativas que muitas vezes não se cruzam no circuito tradicional das artes”, explica Aline Moraes.
Recentemente, o Festival abriu chamamento público para selecionar artistas visuais, fotógrafos, artesãos e criadores amazônidas que desejem compor o acervo itinerante. As obras expressam as identidades, vivências e visões de mundo dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, urbanos e comunidades tradicionais, com total liberdade estética e poética.
Cultura amazônica do município de Maués, Amazonas. Foto: divulgação
Segundo a curadora Rosely Nakagawa, a exposição desempenha um papel essencial no intercâmbio cultural entre as diversas regiões da Amazônia e o restante do Brasil.
“Por meio dessas linguagens, artistas da Amazônia podem compartilhar suas vivências, identidades e questões sociais, ambientais e políticas com públicos de outras regiões, gerando empatia, reconhecimento e respeito pela diversidade cultural brasileira. Ao mesmo tempo, essa troca possibilita que influências externas também dialoguem com as tradições amazônicas, enriquecendo o cenário cultural local e fomentando a criação de novas formas de expressão em toda sua plenitude.”
Ao lado dos novos nomes que serão selecionados, a Juvia reúne ainda artistas convidados como Paula Sampaio e Gustavo Caboco, além de obras do acervo da Rioterra e de artistas indígenas que integram o projeto.
De acordo com a organização, o perfil dos participantes chama atenção pela representatividade: 60,71% mulheres, 7,14% pessoas trans e 32,14% homens. Além disso, 85,71% se autodeclaram pretas, pardas, indígenas ou oriundas de comunidades tradicionais, reforçando o caráter plural da exposição.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia Rioterra e apresentado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Cultural, o festival foi autorizado a captar R$ 5,83 milhões via Lei Rouanet. Até o momento, já arrecadou R$ 3,47 milhões, o equivalente a 59,5% do valor autorizado.
Um estudo inédito aponta que a cobertura vegetal amazônica total no estado de Rondônia ao longo de 34 anos passou de 90% para 62%. O trabalho demonstra que, de maneira geral, houve uma explosão no número de fragmentos florestais em Rondônia, que estão sendo progressivamente reduzidos, degradados e isolados, principalmente em relação a grandes remanescentes de vegetação e a áreas protegidas.
As descobertas estão em artigo publicado na revista científica Environmental Conservation na quarta (7) por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e de parceiros de instituições brasileiras e estrangeiras.
O estudo baseia-se em dados do MapBiomas, com imagens de satélite de alta resolução de oito recortes temporais de 1986 a 2020, combinados com métricas da ecologia da paisagem.
A vegetação natural do estado, que inclui floresta e outras formações, como savanas e áreas campestres, caiu de 91% para 62,7%. A perda total chega a quase 7 milhões de hectares. Já a vegetação florestal, que se refere exclusivamente a áreas de floresta, teve redução de um terço – de 85,3% para 57,1%.
A pesquisa identificou aumento nos fragmentos de vegetação ao longo do tempo. O total em 2020 era de aproximadamente 100 mil fragmentos de vegetação natural, sendo 78 mil deles apenas de floresta. Essas mudanças afetam diretamente a conservação da biodiversidade. Mais da metade dos fragmentos está a pelo menos um quilômetro da borda da floresta mais próxima, o que reduz a qualidade do habitat para as espécies da região.
Apesar da importância das áreas protegidas, a pesquisa comprovou que, em 2020, apenas 20,4% da área de floresta e 21,8% da vegetação natural estavam em unidades de conservação. Terras indígenas somavam 33,6% e 32,2% dessas áreas, respectivamente. Já a maior parte da cobertura vegetal fora de terras indígenas ou unidades de conservação ficava a mais de 10 km da área conservada mais próxima.
Na visão dos pesquisadores, todas as terras indígenas e unidades de conservação, estaduais e federais, devem ser mantidas no estado de Rondônia. Por conta da pressão política sobre essas áreas, é importante também ampliar a fiscalização e responsabilizar quem pratica atividades ilegais, como a grilagem.
“Enquanto em fragmentos desprotegidos a biodiversidade tem sido reduzida, as unidades de conservação e terras indígenas são os principais refúgios”, afirma Luan Goebel, primeiro autor do estudo, doutor pela UNEMAT e atualmente pesquisador de pós-doutorado. Os autores defendem a criação de corredores ecológicos para conectar remanescentes e reduzir os impactos da fragmentação.
O trabalho é parte de um esforço maior para entender os impactos da fragmentação na fauna local. Um segundo estudo, já concluído, analisou como aves e mamíferos bioindicadores são afetados pela perda de habitat. Os resultados indicaram que o estado de Rondônia sofre com um rápido declínio de biodiversidade, especialmente de mamíferos de médio e grande porte, como queixadas, veados, onças-pintadas e lontras.
“O próximo passo será integrar dados ecológicos e biológicos para elaborar uma lista de espécies ameaçadas de extinção em Rondônia”, adianta o biólogo Philip M. Fearnside, pesquisador do Inpa e orientador do estudo.
Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”.
“É a primeira vez”, revelou Liane Mota, aluna do segundo ano do ensino médio. “Eu espero que seja incrível, porque nunca vi. A minha expectativa é muito alta”.
A reação positiva também veio da estudante Sarah Lima, que demonstrou entusiasmo ao final da apresentação: “Fiquei impressionada, entendi a história. Achei os cantores incríveis, foi maravilhoso. É um dom lindo cantar ópera”.
Dos palcos para a escola
Os alunos foram surpreendidos por um espetáculo repleto de música. O cantor Marden Guedes falou sobre a experiência de sair dos palcos e cantar em uma escola.
“É incrível, porque comecei lá no Cláudio Santoro, integrando o Coral Juvenil. Aos poucos, fui tendo aulas de canto, até chegar à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). E hoje estamos aqui, apresentando esse trabalho para essas crianças e retomando todo aquele processo que começou lá no Cláudio Santoro”, destacou o artista.
Para Guedes, o ‘Ópera nas Escolas’ pode despertar novos talentos e aguçar a curiosidade dos alunos para novos estilos de arte. Mas ele alerta, aqueles que desejam entrar para o cenário da ópera é necessário esforço e dedicação. “Estamos realizando um sonho, depois de muito esforço e meses de preparação, entendendo o que é realmente cantar aquele repertório. Compreender o personagem, aprender a cantar em alemão, em italiano… Isso é algo riquíssimo. E, principalmente, poder levar isso às crianças é maravilhoso”, afirmou.
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Democratização da cultura
Segundo a diretora-presidente da Fundação Rede Amazônica, Claudia Daou Paixão, o objetivo central do projeto é democratizar o acesso à cultura.
“É emocionante ver essas crianças e adolescentes entrando em contato com essa arte. Muitos deles nunca foram ao Teatro Amazonas. A gente traz a ópera para dentro das escolas e desperta o interesse e o talento que já existem nesses jovens”, afirmou.
Já para a diretora da Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, Gessiana Paiva Costa, a experiência foi única. “É um evento rico, pois está proporcionando aos nossos alunos o contato com um amplo repertório artístico. Com certeza, as demais escolas conseguirão compreender, neste momento, a grande emoção que estamos sentindo por oferecer uma vivência tão única e especial na vida dos nossos estudantes. Eles merecem”, destacou.
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
O projeto ‘Ópera em Rede’ está em sua segunda edição, tendo sido lançado em 2023, quando o Festival Amazonas de Ópera completou 25 anos. Em 2025, o projeto retorna junto à 26ª edição do festival, com ações tanto em escolas quanto dentro do próprio Teatro Amazonas.
De acordo com Matheus Aquino, especialista em projetos da FRAM, também estão previstas transmissões ao vivo de espetáculos e atividades socioambientais, como o plantio de mudas e oficinas educativas sobre sustentabilidade.
Saiba mais: Veja a galeria com alguns dos momentos marcantes da ação AQUI.
Com a transformação em patrimônio imaterial, ambas as manifestações culturais são reconhecidas oficialmente por suas importâncias como expressões culturais e contribuição para a formação da identidade e pertencimento da comunidade onde estão inseridas. Além da proteção, valorização e divulgação, com as leis fica autorizado o Poder Público a celebrar convênios com entidades ligadas à cultura, ao turismo e ao lazer, com a finalidade de assegurar a história e de fomentar o conhecimento e a apreciação das manifestações.
O Zimba é a manifestação cultural mais marcante da vila do Cunani. Dança folclórica de origem africana presente unicamente naquela comunidade, é dançada em honra aos santos da Igreja Católica, em especial São Benedito e Santa Maria. Em coro e com instrumentos diferenciados, os zimbeiros respondem aos “jogados” dos cantores, enquanto volteiam entre si ou ao redor dos tambores e pandeiros em sentido anti-horário e constitui uma das manifestações da cultura afro-amapaense.
Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo/GEA
Já a Festa de São Benedito acontece na região há pelo menos 200 anos, reunindo festeiros, moradores e promesseiros, no período de 12 a 26 de dezembro. É realizada com uma extensa programação, que inicia com o levantamento do mastro, além de cortejos e celebrações religiosas.
“Com esse reconhecimento, o Governo do Estado passa a reforçar as políticas de apoio e fortalecimento para a cultura e identidade da vila do Cunani, tanto para o Zimba quanto para a Festa de São Benedito. Celebramos essa conquista junto com a comunidade”, destaca a diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos.
Já a representante do grupo Zimba e líder comunitária em Cunani, Rosimeire Ramos, reforça a necessidade de manter tradições vivas.
“São as nossas principais manifestações religiosa e cultural e também marcas da cultura e do legado deixados pelos nossos antepassados. Hoje, a comunidade luta para manter viva essas tradições e esse reconhecimento vem para oficializar e reconhecer nossa identidade, cultura, pertencimento e resistência”, diz Rosimere.
A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, foi palco da primeira ação do projeto Ópera em Rede. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.
Uma obra que conta diferentes histórias sobre Mazagão será lançada no dia 9 de maio no Senac Amapá, em Macapá. O livro conta com 11 histórias isoladas, que juntas formam uma só, em um romance. A obra tem como autor o professor de jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap) Ivan Carlo Andrade com o pseudônimo Gian Danton.
O livro reúne momentos histórico e lendas de Mazagão brasileira e também da africana. Ele destacou que o local possuí uma riqueza histórica e cultural única.
“É o único caso de uma cidade que foi transportada de um continente para outro. São séculos de histórias e fatos e até lendas que exploro no meu livro”, disse Gian.
O autor contou que no final do livro, as 11 obras se conectam, mas fica a critério do leitor descobrir o fator que as reúne: “O livro é um desafio para o leitor: descobrir o que une as várias histórias, algo que só revelo no último capítulo, nas últimas páginas”.
A obra conta com ilustrações de desenhistas de Macapá (AP), Manaus (AM) e Curitiba (PR), que dão formato às histórias.
Ilustrações dão vida à história contada por Gian. Imagem: Divulgação/Ivan Carlo, Natália Muniz
Ivan Carlo Andrade, que atende pelo pseudônimo Gian Danton é roteirista de quadrinhos desde 1989 e tem mais três romances intrigantes, entre eles: O uivo da górgona, Galeão e Cabanagem.