O projeto Bella Causa deu o ponto de partida nesta segunda-feira (26) em Boa Vista (RR). Realizado na Casa da Mulher Brasileira, o evento segue até o fim de janeiro com palestras, atividades educativas e diversas ações com foco no combate à violência contra a mulher.
Na abertura, autoridades do Estado e representantes de entidades que defendem a causa participaram e contribuíram para a construção do projeto. E o principal: um grupo de mulheres engajadas em aprender e contar suas histórias.
“Eu acredito que hoje, com destaque, o projeto Bella Causa é onde a gente sabe que vai ter uma transformação na vida cotidiana, através da conscientização, através da capacitação”, comenta Denis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do Bella Causa.
Para ele, o encontro representa um ponto de partida que revelou a força das mulheres: “Nós tivemos alguns depoimentos de mulheres que venceram, mulheres que estão em processo de superação. Eu acredito que o projeto Bela Causa vem com esse impacto com a sociedade de dar minimamente o poder de soltar a voz, de dar o seu grito de liberdade, e pode até ser um grito tímido, mas é um grito que vai dar o passo para a sua transformação como pessoa, como cidadã, como mulher”, principalmente como mulher, como mãe, como filha. Então, eu acredito que o Bela Causa, ele vai ser transformador e um lugar de acolhimento para essas mulheres”.
Confira alguns momentos do primeiro dia de encontros:
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
Comunidade Quilombola Pedras Negras é um poucos povos do Brasil autorizados a comer tartarugas e tracajás. Foto: Divulgação/WCS
Na Comunidade Quilombola Pedras Negras, às margens do rio Guaporé, em Rondônia, a tradição alimentar resiste ao tempo: o consumo de tracajá e tartarugas-da-Amazônia segue como parte da identidade cultural local. Os quilombolas estão entre os poucos povos autorizados por lei a consumir esses animais silvestres para subsistência.
Reconhecida como uma das mais importantes populações tradicionais do estado, a comunidade integra a região de São Francisco do Guaporé (RO). Sua história se estende por mais de dois séculos e está ligada à formação do estado. De acordo com a professora e moradora da região, Erineide Rodrigues, o território é ocupado por descendentes de pessoas escravizadas.
A legislação ambiental permite que comunidades tradicionais — como quilombolas, indígenas e ribeirinhos — consumam carne de alguns animais silvestres para subsistência. Mas há regras: o consumo deve ocorrer apenas dentro dos territórios e não pode haver comercialização. Os limites existem para evitar que a prática ameace a sobrevivência das espécies.
O tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) são quelônios aquáticos muito populares na Amazônia. A segunda é considerada a maior espécie de água doce do mundo, podendo ultrapassar 50 quilos. Já o tracajá, de porte menor, se destaca pela resistência: pode alcançar até 90 anos de vida, sendo um dos quelônios de água doce mais longevos da Amazônia.
A Comunidade Pedras Negras é uma das sete quilombolas reconhecidas em Rondônia. Com aproximadamente 30 famílias, vive principalmente do extrativismo, da coleta de castanha, do turismo comunitário e da pesca.
Os moradores contam que, embora o tracajá e as tartarugas estejam bastante presentes na alimentação cotidiana, eles evitam consumir a carne desses animais quando recebem visitantes.
Segundo o presidente da associação de moradores, Francisco Edivaldo Mendes, a medida serve para evitar que pessoas que não pertencem às comunidades tradicionais consumam o animal. Isso porque o consumo dos animais silvestres é considerado crime ambiental para quem não depende dela.
Conunidade de Pedras Negras. Foto: Jonatas Boni/Acervo Rede Amazônica RO
Na culinária local, a tartaruga é preparada de diferentes formas: assada, cozida ou frita. Mas o aproveitamento do animal vai além da carne. Os moradores mais antigos utilizam também a banha. Ela é processada e transformada em um creme, usado de forma caseira para cuidados na pele.
Outro produto utilizado pela comunidade são os ovos. Eles servem para o preparo de gemada e bolos. Já o uso do casco, era tradicionalmente destinado à confecção de artesanato, mas práticas como essas vem sendo deixada de lado ao longo dos anos.
Fiscalização e mudança de comportamento
De acordo com o superintendente do Ibama, César Guimarães, a legislação ambiental permite o consumo de quelônios por comunidades tradicionais quando a prática ocorre de forma cultural, tradicional e para subsistência. No entanto, a prática tem diminuído muito.
Guimarães ressalta que, mesmo nos casos permitidos por lei, é fundamental respeitar limites, para que o consumo ocorra de forma ordenada, sem colocar a espécie em risco de extinção. “Não é porque a lei permite que a pessoa possa sair matando 100 tartarugas”, destacou.
Caso uma pessoa não autorizada seja flagrada com partes do animal, pode ser multada em R$ 5 mil por cada exemplar, além de responder criminalmente.
Segundo o superintendente, as ocorrências desse tipo vêm diminuindo ao longo dos anos. Por muito tempo, o consumo de tartarugas era comum no estado e chegou a ser considerado símbolo de status — cenário que, segundo ele, mudou com o avanço da fiscalização e conscientização ambiental.
Conservação e risco de extinção
Ao longo da vida, os quelônios enfrentam uma luta constante pela sobrevivência, principalmente na fase de filhote, quando sofrem ataques de aves, jacarés e grandes felinos. Segundo o biólogo Flávio Terassini, de centenas de ovos, apenas poucos indivíduos conseguem chegar à idade adulta.
Para contribuir com a conservação da espécie, foi criado em 1979 o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Ibama. A iniciativa atua na preservação das tartarugas de água doce da Amazônia por meio do manejo de ninhos, soltura de filhotes e ações de educação ambiental.
No sul de Rondônia, especialmente no Vale do Guaporé, na fronteira com a Bolívia, o projeto ganha destaque durante o período de desova, transformando a soltura de filhotes em um evento anual voltado à recuperação das populações ameaçadas e ao uso sustentável pelas comunidades locais.
No último balanço divulgado, referente a 2024, cerca de 1,5 milhão de tartarugas foram devolvidas à natureza. A estimativa é que, neste ano, o número seja semelhante.
Apesar do volume expressivo, levantamentos científicos apontam que, naturalmente, apenas cerca de 1,5% dos filhotes chegam à fase adulta. Com o manejo do projeto, essa taxa foi praticamente dobrada, alcançando aproximadamente 3% de indivíduos que atingem a idade reprodutiva.
Um ecossistema que contribui para minimizar os impactos da crise climática, retém carbono e é fundamental para a subsistência das comunidades ribeirinhas. Assim é a várzea, ecossistema presente em toda a região amazônica.
O tema é a base do livro ‘Amazônia: as várzeas e as novas dialéticas’, lançado na quinta-feira (22) no auditório da biblioteca Lourenço José Tavares Vieira da Silva, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém, no Pará. O livro está disponível na versão impressa e digital, para aquisição na Editora Paka-Tatu.
A publicação é a junção de vários estudos desenvolvidos dentro do “Projeto Várzea”, fundado em 1994, ainda na antiga Faculdade de ciências agrárias do Pará (FCAP).
O projeto foi fundado pelo professor Manoel Malheiros Tourinho e desenvolvia estudos a partir do ecossistema de várzea, presente em toda a região amazônica.
“A várzea é um ambiente inundado que abriga diversas espécies vegetais e animais , e que funciona como um berçário de muitas dessas espécies. É de lá que muitas comunidades ribeirinhas retiram seu sustento. É um ecossistema importantíssimo na contribuição para estoque de carbono e para enfrentamento da crise climática”, explica o pesquisador Silvio Roberto Miranda dos Santos, organizador do livro e membro do Projeto Várzea.
A obra foi construída por meio de colaboração entre pesquisadores e antigos colaboradores que passaram pelo projeto desde a sua fundação, sendo dividido em três partes e com onze capítulos onde cada um dos parceiros descreve os conhecimentos das pesquisas desenvolvidas por eles.
No livro é possível ter acesso a estudos sobre gênese da formação da várzeas; a importância da várzea para retenção de carbono na vegetação e solo; a importância na fauna silvestre na composição do carbono desse ecossistema entre outros.
O pesquisador diz que a ideia do livro surgiu a partir da publicação de um artigo em uma revista científica.
“Percebemos que nosso material era muito mais do que apenas um artigo. De imediato pensamos que poderíamos fazer uma cartilha, mas ele era bastante diverso, havia tanta coisa que partimos para a ideia de publicar tudo isso em um livro”, disse o pesquisador.
O livro também é uma homenagem ao fundador e professor emérito da Ufra, professor Manoel Malheiros Tourinho.
“Ele é o fundador do projeto Várzea, atravessou décadas à frente do projeto e, até o hoje, no auge dos seus 85 anos, sempre se faz presente. Ele sempre contribui muito nas pesquisas e nesse livro não foi diferente, ele se faz presente em três, quatro capítulos, inclusive no capítulo do final. Por isso o lançamento do livro vai ser um momento para muitos pesquisadores que estão aqui, muitos que foram formados a partir das orientações do professor Tourinho, de fazerem também uma homenagem ao grande mestre”, diz.
O Projeto Várzea
O projeto surgiu com inspiração nos estudos desenvolvidos pelo professor Rubens Rodrigues de Lima na Escola de Agronomia da Amazônia (EAA) sobre as várzeas amazônicas e a riqueza presente nesses territórios. Atualmente o projeto é formado por um grupo de pesquisadores que criam estudos sobre esse ecossistema na amazônia.
O projeto ainda se mantém ativo na produção de conhecimento científico sobre a região, agora como Grupo de Pesquisa, fortalecendo os estudos amazônicos e contribuindo para a compreensão da riqueza e complexidade desses territórios.
Extrativismo na Amazônia: floresta em pé também é economia. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria
Olímpio Guarany*
A COP passou e a bioeconomia virou palavra de ordem. No pós-COP, porém, a Amazônia precisa de resultados: dinheiro chegando na ponta, valor agregado no território e respeito ao conhecimento ancestral. Sem isso, repetiremos o velho modelo — matéria-prima barata saindo daqui e “Amazônia” vendida caro lá fora.
A palavra da vez — repetida em palcos, painéis e documentos — foi “bioeconomia”. Os holofotes se apagaram e a pergunta que realmente importa aqui no território é simples e direta: bioeconomia vai virar renda, dignidade e permanência para quem mora e vive da floresta — ou será apenas mais um slogan bem embalado?
Se a resposta for a segunda opção, estaremos diante de um velho roteiro com roupa nova: a Amazônia segue exportando matéria-prima barata e importando produto pronto caro; segue fornecendo insumos e recebendo migalhas; segue sendo celebrada como “salvação do planeta”, mas tratada como periferia econômica.
A bioeconomia que interessa à Amazônia não é a do discurso bonito. É a da vida real.
O pós-COP precisa dar nome ao risco mais antigo: a captura de valor fora do território. A cena é conhecida. Uma empresa chega, compra a andiroba barata, leva embora o valor — e depois devolve ao mundo um produto premium com uma história “amazônica” no rótulo. Um pingo no creme, uma gota no perfume, um selo verde na embalagem. E pronto: vende-se “Amazônia” em prateleiras distantes, enquanto quem produziu continua preso à instabilidade, ao atravessador e à falta de infraestrutura.
Isso não é bioeconomia. Isso é extrativismo comercial disfarçado.
Bioeconomia de verdade é quando a floresta em pé gera riqueza no território, com mais etapas da cadeia produtiva acontecendo aqui: beneficiamento, controle de qualidade, rastreabilidade, marca, logística, acesso a mercado, inovação e industrialização leve. E, acima de tudo, com regras claras de repartição de benefícios quando houver uso de patrimônio genético e conhecimento tradicional associado.
No pós-COP, duas Amazônias disputam espaço. A primeira é a do marketing: bonita, fotogênica. A segunda é a Amazônia real: a do produtor, do extrativista, do ribeirinho, do indígena, da comunidade tradicional — os donos de conhecimentos ancestrais e os guardiões do território, que sustentam, na prática, a floresta em pé. Quando esses atores ficam no fim da fila do financiamento e do mercado, a bioeconomia vira uma promessa vazia.
E é por isso que o pós-COP precisa cobrar uma mudança de rota: financiamento direto e desburocratizado para quem está na base, e não apenas para grandes estruturas que “representam” a Amazônia sem necessariamente viver dela.
Bioeconomia com gente no centro: mulheres fortalecendo cadeias extrativistas. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria
O que precisa acontecer agora?
De forma objetiva, a Amazônia precisa ver pelo menos cinco movimentos:
1) Dinheiro chegando na ponta Linhas de crédito e fundos voltados a organizações comunitárias, cooperativas e negócios da sociobiodiversidade, com assistência técnica e capacidade de elaboração de projetos — para que o recurso não fique concentrado.
2) Cadeias produtivas com valor agregado e mercado Apoio real a cooperativas, beneficiamento local, rastreabilidade e acesso a compradores — para transformar o “produto da floresta” em produto competitivo.
3) Economia circular como regra, não exceção Resíduo não pode ser lixo. Resíduo é matéria-prima. A bioeconomia moderna exige aproveitar subprodutos e reduzir perdas, aumentando renda e diminuindo impacto ambiental.
4) Proteção do conhecimento tradicional e repartição de benefícios Sem isso, o discurso de bioeconomia pode virar uma nova forma de apropriação. É indispensável garantir respeito, consentimento e repartição justa de ganhos sempre que a biodiversidade e os saberes tradicionais entrarem em cadeias produtivas e inovação.
5) Governança com as pessoas no centro A floresta não é cenário: é território habitado. Bioeconomia não pode ser construída “sobre” as comunidades; tem que ser construída “com” elas — com protagonismo, transparência e justiça.
A Amazônia não precisa de mais promessas; precisa de uma régua simples para medir o que está sendo feito. Se, nos próximos meses, não for possível responder “sim” a estas perguntas, algo está errado:
O extrativista e o produtor estão ganhando mais?
A comunidade está vendendo com menos atravessador e mais valor?
O beneficiamento está acontecendo aqui ou fora?
O conhecimento tradicional está protegido e remunerado?
O financiamento chegou direto na ponta?
A floresta em pé está valendo mais do que a floresta derrubada?
Manejo comunitário da andiroba: renda no território e valor agregado. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria
Conclusão: o pós-COP começa na dignidade
A bioeconomia que o mundo diz querer da Amazônia só faz sentido se produzir um resultado básico: dignidade e renda para quem mora e vive na floresta e da floresta. Sem isso, a Amazônia vira apenas uma marca — e o território, um fornecedor barato de riqueza alheia.
A COP passou. Agora é a hora do essencial: menos palco, mais entrega. Menos narrativa, mais cadeia produtiva. Menos “pingo no creme”, mais valor no território.
Porque a Amazônia real não pode ser coadjuvante da própria riqueza.
Cadeias produtivas: o desafio é capturar valor aqui — não só exportar matéria-prima. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.
Cubiu foi a fruta escolhida para os estudos. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar
Inscritas na 3ª edição do programa Futuras Cientistas com projeto voltado à valorização de matérias-primas regionais, as estudantes Maria Gabriela Porto, do Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Professor Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo, e Ana Luiza Neri, da Escola Estadual Cívico-Militar Ângelo Ramazzotti, em Manaus (AM), desenvolveram produtos como iogurte natural, sorvetes, caldas e frutas cristalizadas, a partir do cubiu, fruta típica da Amazônia.
Coordenado e idealizado pela professora titular da faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Eyde Bonatto, o projeto “Futuras Cientistas no Desenvolvimento de Produtos Alimentícios na Amazônia” foi colocado em prática pelas estudantes Maria Gabriela e Ana Luiza, sob orientação da professora de Química da rede estadual de ensino, Alyne Ribeiro.
A partir do projeto, além do desenvolvimento de produtos alimentícios a partir do Cubiu, foram realizadas análises sensoriais, avaliando características sobre o sabor, aroma, textura, cor e aceitação dos alimentos, aplicando conceitos científicos e metodologias utilizadas na área de tecnologia de alimentos.
Para a orientadora Alyne Ribeiro, a iniciativa fortalece o protagonismo feminino na ciência, além de promover a integração entre escola e pesquisa, utilizando a biodiversidade amazônica como ferramenta de educação e desenvolvimento sustentável.
“Esse projeto vem justamente para gerar nas meninas a vontade de fazer ciência. Elas precisam saber que tem essa escolha. O ideal é que elas escolham participar desse projeto para gerar nelas ainda mais inspiração e interesse”, afirmou a professora.
Experimentos com o cubiu, fruta amazônica, geraram novos produtos. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar
Desenvolvimento do projeto
Com atividades teóricas diárias, captação de dados para pesquisa em laboratório e diversas visitas à universidade, as estudantes tiveram a chance de aflorar o interesse pela pesquisa científica e o desejo de optar por um curso superior em uma das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
“Com todas as pesquisas que fizemos, fui criando um interesse maior por Agronomia e Engenharia de Alimentos. Eu, particularmente, iria para uma área mais artesanal. Nunca pensei que meu sonho pudesse ser cursar algo nessa área, aqui na Ufam, mas agora é uma vontade que tenho”, compartilhou a aluna Ana Luiza, de 17 anos.
Segundo a estudante Maria Gabriela, 16, participar do projeto foi a porta de entrada para conhecer melhor áreas de estudo que são pouco ocupadas por mulheres no mercado de trabalho.
“É uma experiência totalmente nova porque não costumamos ter amplas possibilidades de participar de um projeto com essa temática, ainda mais sendo mulheres. Então, pra mim, é uma sensação completamente diferente”, declarou a aluna.
Estudantes seguem com a pesquisa com cubiu. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar
Futuras Cientistas
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa Futuras Cientistas começou a ser realizado em 2012 pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene). Desde 2023, acontece com abrangência nacional. A iniciativa busca estimular o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de STEM, a fim de contribuir com a equidade de gênero.
A apresentação dos resultados finais dos projetos inscritos nesta edição do programa ocorre no dia 28 de janeiro. Ainda este ano, as alunas amazonenses serão convidadas a apresentar seu projeto na Semana Acadêmica de Agronomia da Ufam, realizada pela faculdade de Ciências Agrárias.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Soa como um renomado desaforo para o cidadão amazônida de boa fé e comprometido com o desenvolvimento da região as advertências do pesquisador Carlos Nobre, ao prever, no artigo “Pavimentar a BR-319 pode causar danos irreversíveis à Amazônia”, no qual alerta “que o desmatamento a ser causado pelo asfaltamento da estrada Manaus-Porto Velho poderá levar à perda de um milhão de hectares de florestas, com o desaparecimento de 550 árvores e palmeiras por hectare”.
Para ele, “num cálculo simplista e conservador, se isso ocorrer, sem a mudança do modo de ocupar a Amazônia, provocará prejuízo de mais de 100 bilhões de reais”. Nada mais falso e alarmante por uma simples razão: a rodovia existe desde 1978. Pode-se perfeitamente implementar medidas protetivas em relação aos entornos compartilhando projetos ambientais sustentáveis de produção de alimentos, incluindo da agricultura familiar, incentivados por recursos do Fundo Amazônia, de fundos multilaterais não comprometidos com pirotecnias ambientais ou com recursos orçamentários da União e estaduais.
As conclusões de Nobre e seu grupo são no mínimo insultuosas, depreciativas e distanciadas da realidade geopolítica e econômica da região, além de perdidas em obviedades sob qualquer ângulo que se examine a questão. Estradas, seja na Polinésia, na Europa, no Japão, na Malásia, no Vietnam, na China, na Austrália ou no continente americano implicam e haverão de implicar sempre em perdas de florestas do leito do sistema. Há como construí-las de outra forma? Haveria alternativas? Talvez em Marte ou na Lua, quem sabe.
No planeta Terra, no mundo real, rodovias e ferrovias são essenciais para o desenvolvimento socioeconômico, atuando como principais modais de transporte para cargas e passageiros na maioria dos países, conectando regiões remotas a centros urbanos, além de facilitar o comércio internacional e a circulação interna, promovendo a integração regional. E para implantá-las, haverá sempre algum prejuízo ao meio ambiente no Brasil, na Amazônia ou em qualquer outro bioma. “No pain, no gain”.
Para os “salvadores” da Amazônia, a COP30 realizada em Belém do Pará em novembro passado representou uma oportunidade crucial para debater e encaminhar soluções capazes de proteger todos os ecossistemas do planeta, especialmente no que diz respeito à preservação dos limites ecológicos que sustentam a integridade da floresta amazônica e o bem viver de seus povos. Caminhões de propostas foram apresentadas por órgãos de diversas procedências e grau de interesse, aberto ou escuso. O mais importante, contudo, não se consumou: a formulação de planos, programas e projetos ancorados em recursos permitindo a implementação de intervenções públicas.
Ambientalistas são exímios críticos da questão ambiental, mas paupérrimos na formulação de propostas concretas de solução. A natureza, entretanto, os pune ao demonstrar que não, a terra não corre risco de destruição catastrófica decorrente da atividade humana. Os glaciais se recuperam, como neste rigorosíssimo inverno; as chuvas e tormentas se avolumam neutralizando a alegada desertificação das florestas tropicais, dentre as quais a amazônica eleita o principal alvo. Evidentemente, há fortes interesses por detrás dessas ondas alarmantes, e não são de comprometimento com a preservação da natureza, mas, sobretudo, conectados a fortes interesses econômicos internacionais relacionados às reservas minerais espalhadas pelo mundo, que se exaurem sugadas pelos grandes capitais, como na África e em outras pequenas repúblicas sul-americanas espoliadas até os ossos.
O problema em si não se resume às áreas subtraídas ou degradadas sem projeto de recuperação. Mas à ausência de políticas públicas de proteção do ecossistema ambiental desses espaços. De fato, nem o Ministério do Meio Ambiente (MMA), nem ONGs ambientalistas radicais, nem pesquisadores a elas vinculadas estão minimamente preocupados com as reivindicações do governo do Estado e da própria sociedade sobre exploração sustentável da biodiversidade, Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) ou regularização fundiária.
O que vale, efetivamente, são os interesses econômicos, no geral inconfessáveis, que defendem. Enquanto isso, ignora-se que o Amazonas detém cerca de 97% de seu território absolutamente preservado e que, conforme dados da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – SDS), 54,73% (85.531.519,5 ha) do seu território de 1.559.146,876 km2 (155,9 milhões de hectares) configuram áreas protegidas, assim distribuídas:
Unidade de Conservação Federal (23.351.646,32 ha) – 14,97%;
Unidade de Conservação Estadual (18.808.342,39 ha) – 12,06%;
e Terra Indígena (43.195.986,77 ha) – 27,7%.
Há de se considerar, adicionalmente, que a BR-319 é cercada por verdadeira “barreira verde” interposta pelos governos federal e do Amazonas através de Unidades de Conservação (UCs) situadas ao longo de toda sua extensão de 875 km, no interflúvio Purus-Madeira, uma das regiões mais biodiversas e intocadas da Amazônia. De acordo com normas do MMA, as UCs visam oferecer garantias segundo os princípios de ordenamento territorial e conservação ambiental em relação ao Sul do Amazonas, abrangendo os municípios de Canutama, Humaitá, Lábrea e Manicoré, e de Porto Velho, capital de Rondônia. No total, são 28 unidades, sendo 11 federais, 9 do Amazonas e 8 de Rondônia, suficientes para assegurar a proteção do bioma em toda sua extensão. Basta que o poder público use de sua autoridade para fazer cumprir os dispositivos legais.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Fruto de uma articulação técnica e política liderada pelo governo do Pará, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codec), o Estado alcançou um marco histórico para sua economia com a publicação do Decreto nº 12.823, de 22 de janeiro de 2026. A medida, assinada pelo governo federal, oficializa a criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena.
O projeto, estruturado pela Codec em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e o setor produtivo, posiciona o Pará como um player estratégico nas cadeias globais de valor.
Localizada no Distrito Industrial de Barcarena, a ZPE compreende 271 hectares destinados a indústrias voltadas à exportação. O modelo operará sob regime aduaneiro especial, oferecendo incentivos fiscais, cambiais e administrativos.
A localização estratégica, integrada aos corredores logísticos da Amazônia, é um dos diferenciais competitivos assegurados pelo planejamento do Estado.
A consolidação da ZPE é resultado de um trabalho coordenado pelo governo do Pará, envolvendo a prefeitura de Barcarena, a Federação das Indústrias (Fiepa) e a empresa-âncora Bravo Metals.
A Codec atuou na linha de frente, reformulando o projeto para adequá-lo às normas atuais de energia e infraestrutura, além de conduzir o diálogo direto com investidores internacionais.
Segundo o diretor de Estratégia e Relações Institucionais da Codec, Pádua Rodrigues, o decreto consolida um processo construído com base técnica e cooperação federativa.
“A criação da ZPE de Barcarena decorre de um trabalho consistente, que envolveu revisão do projeto, diálogo com o setor produtivo e alinhamento entre os entes federativos. Trata-se de um instrumento estratégico para inserir o Pará de forma mais qualificada na agenda da industrialização voltada à exportação”, afirmou.
Para o presidente da Codec, Lutfala Bitar, a iniciativa é um divisor de águas. “A ZPE de Barcarena cria um ambiente favorável para que a produção do Estado avance para etapas de maior valor agregado. É uma oportunidade concreta de transformar potencial econômico em desenvolvimento real”, afirmou.
Com o marco legal estabelecido, o Estado agora avança para as fases de licenciamento ambiental e execução das obras de infraestrutura.
Com a consolidação do marco legal, o empreendimento avança para as fases de atualização do projeto executivo, licenciamento ambiental, reforma de pórtico, construção da infraestrutura e edificações administrativas, além do alfandegamento, além de outras providências técnicas e institucionais necessárias e a preparação das condições para o início das obras de infraestrutura, fundamentais para a futura operação da ZPE sob o regime aduaneiro especial.
O projeto Bella Causa chega, pela primeira vez, em Roraima como uma iniciativa voltada ao desenvolvimento social e à sustentabilidade. São ações que combinam formação, comunicação, campanhas educativas e práticas socioambientais, com foco na conscientização dos direitos das mulheres e no fortalecimento de redes de apoio.
A proposta do projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM) surge em resposta a uma realidade social que ainda demanda atenção e mobilização. Dados nacionais apontam que os índices de violência contra mulheres na Região Amazônica estão acima da média brasileira, o que reforça a importância de iniciativas que promovam informação, orientação e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.
Entre as ações previstas estão trilhas formativas presenciais, com oficinas, palestras e mentorias voltadas ao autoconhecimento, empreendedorismo e desenvolvimento de liderança, além da produção de videoaulas educativas que ampliam o alcance do projeto por meio da televisão.
Foto: Willame Sousa
O conteúdo formativo será exibido no canal Amazon Sat e também reforçado pelas plataformas digitais da Fundação.
O projeto também contempla campanhas educativas que serão veiculadas entre janeiro e fevereiro nos veículos do Grupo Rede Amazônica e nas redes sociais da Fundação, com mensagens de conscientização, orientação e incentivo à busca por ajuda, fortalecendo o papel da comunicação como ferramenta de transformação social.
Segundo a diretora institucional da FRAM, Mariane Cavalcante, o projeto reflete o compromisso contínuo da instituição com pautas sociais relevantes.
“O Bella Causa nasce do propósito de informar, educar e apoiar. Acreditamos que o acesso à informação e à conscientização é fundamental para promover mudanças reais e duradouras na sociedade”, afirma.
Responsável pelo projeto, o especialista em projetos da Fundação, Denis Carvalho, destaca que a iniciativa foi estruturada a partir das realidades locais:
“As ações foram pensadas para dialogar diretamente com o contexto de Roraima, integrando desenvolvimento social, comunicação e sustentabilidade em uma estratégia única e consistente”, explica.
Além do eixo social e educativo, o Bella Causa incorpora práticas sustentáveis, como o plantio de mudas e ações de compensação de carbono, reforçando o compromisso socioambiental presente em todos os projetos da Fundação Rede Amazônica.
Programação do Bella Causa
As ações programas ocorrem entre os dias 26 e 31 de janeiro na Casa da Mulher Brasileira, em Boa Vista, e devem beneficiar 50 mulheres acolhidas pelo local.
De acordo com a diretora-geral da unidade, a programação contará com diversas atividades voltadas à reconstrução de trajetórias das participantes: “São mulheres sobreviventes de violência e que são prioritárias para a parte presencial do projeto. É um projeto voltado à prevenção, educação e qualificação das mulheres”.
26 a 30 de janeiro
8h – 12h: Trilha do conhecimento;
10h15: Conteúdo formativo audiovisual com cinco vídeo-aulas, transmitidas no canal Amazon Sat e Youtube FRAM.
31 de janeiro
Plantio de mudas/compensação de carbono.
Bella Causa
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
O fomento do esporte e à tecnologia em Roraima agora é de responsabilidade do Instituto de Desporto, Juventude e Lazer do Estado (IDJuv). O novo órgão, criado pelo governo estadual, prevê o incentivo a jogos eletrônicos como parte das políticas públicas voltadas ao esporte e à tecnologia no estado.
A inclusão aparece entre os objetivos da nova autarqueia, que passa a responder também por ações voltadas à juventude e ao lazer.
O IDJuv, que é presidido pelo vereador Marcelo Nunes (PDT), substitui o atual Instituto do Desporto de Roraima (IDR) e terá como uma de suas atribuições “fomentar o esporte e a tecnologia através dos jogos eletrônicos”.
Governador de Roraima, Antônio Denarium. Foto: Arthur Farias/Secom Roraima
O governador de Roraima, Antônio Denarium, que sancionou o Projeto de Lei nº 290/2025 que cria o novo órgão, destacou a importância do instituto para fortalecimento do esporte roraimense.
“O Instituto de Desporto do Estado de Roraima nasce forte, com orçamento anual de R$ 10 milhões, e também estará apto a receber emendas parlamentares. Nosso objetivo é fortalecer o esporte em todas as categorias, ampliando oportunidades para atletas em todo o Estado. Agradeço à Assembleia Legislativa pela aprovação deste importante projeto, que reforça as políticas públicas do Governo de Roraima”, afirmou o governador Denarium.
O IDJuv poderá planejar e executar ações voltadas ao esporte comunitário, desporto escolar, esporte de alto rendimento, paradesporto, lazer, além de programas específicos direcionados à juventude.
O órgão funciona em uma estrutura de cargos comissionados. Ao todo, estão previstos 98 cargos, com custo mensal de R$ 457.045,11. Entre os maiores salários está o do presidente Marcelo Nunes, com subsídio mensal de R$ 29.211. Há também três cargos de diretor, cada um com remuneração de R$ 24.829 por mês.
A estrutura inclui funções de assessoramento, chefia e apoio administrativo, como assessoria jurídica, comunicação, controle interno, chefias de divisão, núcleos administrativos e membros da Comissão Permanente de Licitação (CPL), com salários que variam entre R$ 2.696,16 e R$ 8.987,17.
Segundo o governo, a criação do IDJuv tem como finalidade promover, coordenar e executar políticas públicas de desporto, lazer e juventude, com atuação em todo o estado. O instituto também será responsável pela gestão do Programa Estadual de Incentivo ao Esporte (ProEsporte).
O órgão passa a administrar equipamentos esportivos estaduais, como o Estádio Canarinho, Estádio Ribeirão, Ginásio Hélio Campos, Ginásio Totozão (em reforma), Piscina Olímpica, parques aquáticos e ginásios poliesportivos localizados na capital e no interior. O parque aquático do bairro Caranã, reinaugurado no dia 17 de janeiro após 20 anos fechado, é um dos pontos administrados pelo instituto.
Novo órgão passará a administrar os principais ginásios poliesportivos localizados na capital e interior de Roraima. Foto: Ascom/Seed
O instituto deverá funcionar com uma estrutura administrativa própria, com diretorias voltadas ao esporte e à juventude, além de setores responsáveis por gestão financeira, recursos humanos, comunicação e tecnologia da informação.
A sede do IDJuv deverá funcionar no Parque Anauá, em Boa Vista, conforme informado pelo governo.
Investimentos no esporte escolar
A criação do instituto ocorre em meio a investimentos estaduais em infraestrutura esportiva e desporto escolar. Segundo dados do governo, foram reformados dez espaços esportivos na capital e no interior, com investimentos que somam cerca de R$ 29 milhões.
Também foram adquiridos materiais esportivos para escolas da rede estadual e custeadas passagens aéreas para estudantes que representaram Roraima em competições nacionais em 2025, com investimento aproximado de R$ 1,7 milhão.
*Com informações do Governo de Roraima e Rede Amazônica RR
Dados do Atlas da Violência de 2025, produzido em parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), revelam uma realidade preocupante em Roraima: a alta taxa de homicídios femininos. Em 2023, as maiores taxas foram encontradas em estados da região amazônica, sendo de 10,4 por 100 mil mulheres em Roraima, seguido de 5,9 por 100 mil no Amazonas e em Rondônia.
O Projeto Bella Causa é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) com o objetivo de unir conscientização, desenvolvimento social e sustentabilidade que surgiu da necessidade de oferecer suporte àquelas que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
Em 2026, o projeto chega em Boa Vista (RR) com atividades pensadas para o desenvolvimento de mulheres mobilizadas pela Casa da Mulher Brasileira, um dos eixos do Programa Mulher Viver sem Violência, retomado pelo Ministério das Mulheres em março de 2023. As ações do Bella Causa dialogam diretamente com a rede de proteção às mulheres em Roraima.
Conheça a Casa da Mulher Brasileira em Roraima:
Bella Causa
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.