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Museu de Arte Sacra preserva história e fé no Centro Histórico de Santarém

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Uma verdadeira imersão na história da Igreja Católica, o Museu de Arte Sacra abriga um dos mais importantes acervos religiosos de Santarém (PA). O espaço reúne peças dos séculos XVIII e XIX, recebe visitantes de diferentes estados do Brasil e do exterior e está localizado ao lado da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, no Centro Histórico da cidade.

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Com arquitetura marcante, o museu conta com exposições organizadas em cinco setores, seguindo um percurso de visitação no sentido horário:

  • o primeiro setor é dedicado às imagens sacras;
  • o segundo apresenta a história da congregação;
  • o terceiro reúne indumentárias e vestimentas episcopais;
  • o quarto é voltado aos objetos metálicos;
  • e o quinto abriga quadros e pinturas religiosas.

Mantido pela Fundação Cultural Dom Tiago, o Museu de Arte Sacra recebe principalmente estudantes de escolas, universidades e instituições técnicas, além de turistas provenientes de estados como Amazonas, Mato Grosso e São Paulo.

Leia também: Conheça a Amazônia através de cinco museus da região Norte

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Museu é ferramenta de educação

Responsável pelo espaço há 20 anos, Werner Amazonas ressalta o papel educativo da instituição.

“O museu tem como objetivo principal a educação. Nosso trabalho se baseia em um tripé: comunicação, pesquisa e preservação da história da Igreja Católica, desde a sua fundação, em 22 de junho de 1661. As informações são didáticas e acessíveis, permitindo que o visitante adquira conhecimento ao longo da visita”, explica.

Inaugurado em 22 de junho de 2003, por iniciativa de Dom Lino Vombommel, então bispo de Santarém, o Museu de Arte Sacra tem passado por constantes melhorias ao longo dos anos. O espaço mantém-se alinhado aos princípios museológicos e reafirma seu compromisso com a preservação da memória religiosa e histórica do município.

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Para o secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, o espaço desempenha papel fundamental na valorização do patrimônio cultural de Santarém.

“O Museu de História e Arte Sacra é um patrimônio fundamental da nossa cidade, pois preserva a memória, a fé e a identidade cultural de Santarém. Além de valorizar a história da Igreja Católica na região, o espaço fortalece o turismo cultural e educativo, atraindo estudantes e visitantes de várias partes do Brasil e do exterior. Nosso compromisso, enquanto gestão, é apoiar iniciativas como essa, que enriquecem a experiência do turista e reforçam Santarém como um destino de cultura, história e turismo ao longo de todo o ano”, pontua.

A entrada tem valor simbólico de R$ 5,00 por pessoa, e a visitação é limitada a grupos de até 20 pessoas, garantindo uma experiência mais organizada e qualificada ao público. A visitação ocorre de terça a sábado, das 8h às 11h30. Somente nos meses de janeiro e fevereiro, o museu recebeu mais de 300 visitantes.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Saiba quem foi Lauro Chibé, o construtor de 100 bois bumbás no Amazonas

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Lauro Chibé, o artista que construiu mais de 100 bois bumbás no Amazonas. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Considerada uma das principais manifestações folclóricas do Brasil, o boi-bumbá faz parte da história cultural do Amazonas. O Festival Folclórico de Parintins, por exemplo, é o maior evento cultural à céu aberto do mundo protagonizado pelos bois bumbás Caprichoso e Garantido no estado.

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Trazido pelos imigrantes nordestinos durante o ciclo da borracha, entre os séculos XIX e XX, o boi bumbá passou por muitas mãos de talento antes de se tornar a maior celebração cultural do estado. Duas delas foi de Lauro Chibé, um dos nomes de destaque do folclore popular manauara, responsável pela construção de 100 bois bumbás no Amazonas.

Poucos registros históricos contam a trajetória do artista, que teve vasta contribuição no cenário cultural amazonense.

Quem foi Lauro Chibé?

Raro registro de Lauro Chibé. Foto: Instituto Durango Duarte

Natural de Bezerros (PE), Lauro Queiroz de Souza desembarcou em Manaus em 1916, junto com a sua mãe. Com pai ausente, ele e sua mãe se instalaram no bairro dos Tocos, atual Nossa Senhora Aparecida, na zona Sul da capital.

Com prováveis cinco anos de idade (não há registro preciso de nascimento de Lauro), ele passava o dia inteiro em casa enquanto a mãe vendia doces pelas redondezas do bairro.

Munido de papel e lápis, Lauro começou a rabiscar os primeiros traços do seu talento. Sozinho em casa, aprendeu a desenhar e ler através de gibis e revistas que o cercavam. Aos fins de semana, aproveitava a presença da mãe na residência para brincar na rua com as crianças do bairro.

Inclusive, foi numa dessas interações com os colegas da vizinhança que ele ganhou o apelido que ficaria marcado na sua vida. Sua aparência pálida e magra lhe renderam o codinome de Chibé, em alusão ao pirão de farinha com água, sal e pimenta, alimento de famílias que viviam em extrema pobreza. A partir de então, passou a ser chamado como Lauro Chibé.

Saiba mais: O chibé como marcador das identidades caboclas da Amazônia paraense

Primeiro contato com boi-bumbá

Aos sete anos de idade, Lauro Chibé assistiu uma apresentação de boi-bumbá pela primeira vez. Durante um arraial na Praça Bandeira Branca, o pequeno ficou encantado com o folguedo, espécie de festa popular que envolve manifestações culturais e folclóricas brasileiras.

Praça Bandeira Branca, localizada no bairro Aparecida, em Manaus. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Na ocasião, teve seu primeiro contato com o bumba-meu-boi, manifestação predominante no Nordeste que celebra a morte e ressureição de um boi através da dança, música e teatro, sob influências indígenas, africanas e europeias.

Sua mãe, enquanto trabalhava numa barraca de doces, criou um origami (arte de dobrar papel japonesa para criar figuras de animais, plantas, objetos e formas geométricas) em formato de boi-bumbá, tornando-se o seu principal brinquedo desde então.

Ali já se desenhava uma grande paixão de Lauro com a arte. Prova disso era sua presença constante na Biblioteca Pública, onde dividia seu tempo para concluir os estudos e a leitura de livros sobre artistas plásticos da Idade Média. Ao que se sabe, Michelangelo, um dos maiores nomes do Renascimento Italiano, era o grande ídolo e referência de Chibé.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais as diferenças entre o Boi Bumbá e o Bumba Meu Boi?

Início da carreira

Aos 20 anos, Lauro já era considerado à época um dos melhores artesãos de Manaus. Era constantemente procurado para esculpir o que lhe fosse pedido em madeira, desde miniaturas de barcos regionais à máscaras indígenas, animais e até escudos personalizados de clubes de futebol.

E por falar no esporte mais popular do mundo, Chibé, além das mãos, era bom com a bola nos pés. Ligeiro e com potências nas duas pernas, destacou-se como jogador do Luso Sporting Clube, agremiação portuguesa que se instalou em Manaus. Também defendeu as camisas da União Esportiva Portuguesa e General Osório, antes de largar definitivamente as quatro linhas para se dedicar somente à carreira de artesão, artista plástico e escultor.

Nos anos 1930, Lauro também já produzia obras retratando a rotina dos ribeirinhos amazônicos, até ficar encantado com ‘Presépio Maravilha’, do artista amazonense Leovigildo Ferreira, que continha movimentos atráves de bonecos.

Tal criatividade estimulou Chibé a estudar e preparar por quase dois anos uma obra com a mesma técnica: montou um sistema de roldanas com ligas de borrachas e carreteis que simulavam ribeirinhos produzindo farinha. A peça em miniatura foi tão elogiada e inovadora à época que se tornou atração fixa no seu quiosque para vendas de artesanato na Praça da Matriz. Apesar da obra pioneira, Chibé nunca quis colocá-la à venda para o público.

Veludinho, o 1º bumbá construído

O primeiro boi bumbá construído por Lauro Chibé que se teve conhecimento foi Veludinho, em 1946, informação essa que constava numa série de anotações pessoais que o artista registrada num pequeno bloquinho de papel. Segundo o registro manuscrito, que se perdeu no tempo, Veludinho media 150 centímetros e custou em torno de 1 mil réis.

Veludinho se tornou o pontapé para a construção de centenas de bumbás pelas mãos de Chibé. No ano seguinte, construiu mais três bumbás: Estrela D’Alva, Caprichoso e Coringa, este último dedicado ao bairro da Aparecida e considerado o primeiro boi articulado do folclore amazonense. Tinha dois miolos, balançava a cabeça e o rabo, comia capim e “fazia as suas necessidades”, uma revolução que transformou a brincadeira do boi-bumbá no estado.

Daí, Chibé desandou a fabricar bumbás: Galante, Corre Campo, Dois de Ouro, Guanabara, Flor do Campo, Mineirinho, Brinquedinho e Prenda Fina, Prenda do Areal, Tira Prosa, Treme Terra, Mina de Prata, Canarinho, Rica Prenda, Dominante, Malhado, Pai do Campo e Teimosinho, além de uma versão mais “turbinada do Veludinho.

Referência do folclore amazonense

Além dos bumbás, Lauro começou a fazer parte das produções de quadrilhas caipiras dos bairros. No bairro Morro da Liberdade, ajudou na tradicional festival das Pastorinhas do Oriente, colaborou na criação das Tribos dos Iurupixunas e foi dirigente por dois anos do bumbá Tira Prosa.

Lauro Chibé e uma amiga, em bar no bairro Educandos. Foto: Blog do Simão
Lauro Chibé e uma amiga frequentando um bar, no bairro Educandos. Foto: Blog do Simão

Nos anos 80, foi o criador de outra inovação que mudou a história do carnaval amazonense: a pedido do empresário Paulo Eugênio, confeccionou para a escola de samba GRES Uirapuru uma alegoria de um pássaro, com três metros de comprimento, que abria o bico, batia as asas, mexia os olhos e levantava as penas do rabo. Relatos contam que foi a primeira alegoria com movimentos reais feita no Amazonas.

Mesmo com tais trabalhos, Chibé continuou fabricando bumbás: Ponta de Ouro, Leão, Sete Estrelas, Raio de Sol, Raio de Sol, Diamante Negro, Pena de Ouro, Campineiro, Gitano, entre outros.

Ainda segundo relatos, sua vasta contribuição em prol da arte levou Chibé a ganhar o troféu “Jubilei de Prata”, criada pelo fundador do Festival Folclórico do Amazonas, o ex-vereador Bianor Garcia, no ano de 1961. Um reconhecimento pela atuação na cultura popular amazonense.

Morte

No dia 29 de dezembro de 1987, Lauro Chibé foi encontrado morto dentro de sua própria residência, no Morro da Liberdade, onde morava sozinho. O mau cheiro motivou os vizinhos a chamarem os bombeiros e, quando a corporação chegou ao local, encontraram Lauro caído no chão, sem vida.

As especulações da época apontam que nesse mesmo dia 29, o boi Gitano, um dos últimos feitos de Lauro, foi incendiado na Vila Mamão, comunidade localizada no bairro São Francisco, zona sul de Manaus, e também teve sua história interrompida.

Provavelmente aos 76 anos, Lauro Chibé deixava este plano para se tornar um dos maiores nomes do folclore amazonense e um dos precursores do boi bumbá no estado.

*As informações foram extraídas de registros do Instituto Durango Duarte e do Blog do Simão.

Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional

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RDS do Rio Iratapuru recebe certificação Internacional do Lista Verde. Foto: Israel Cardoso/GEA

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, localizada no município de Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, conquistou um marco inédito para o estado e para o país ao ser certificada no Programa Lista Verde da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O Governo do Estado destaca que esta é a primeira unidade de conservação de gestão estadual do Brasil a integrar a lista internacional, reconhecida por elevados padrões de qualidade socioambiental e governança participativa.

Leia também: Governo do Amapá busca certificação da RDS do Rio Iratapuru em programa de conservação internacional

O reconhecimento celebra a excelência da gestão da RDS, que alia conservação da biodiversidade, transparência, participação comunitária e geração de benefícios socioeconômicos. Para receber a certificação, a unidade passou por uma rigorosa avaliação de indicadores, análise de evidências e validação por um grupo independente de especialistas.

No Amapá, o processo foi conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), por meio da Coordenadoria de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade (CGUCBio), em parceria com comunidades locais, organizações sociais, como a Comaru e a Bio-Rio e instituições públicas e privadas. O percurso envolveu sistematização de documentos, visitas técnicas e diálogo permanente com o Grupo de Especialistas EAGL Brasil e com a UICN.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Taisa Mendonça, destaca que a certificação é um reconhecimento valoroso que enaltece o potencial do estado em sustentabilidade.

“Este reconhecimento nos coloca num patamar de alto nível, o Amapá está na vitrine global de modelo econômico sustentável, que alia desenvolvimento e proteção ambiental com uso responsável dos recursos naturais. Encerramos o ano de 2025 com mais uma grande conquista para o nosso estado”, comemorou Taisa.

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Reconhecimento internacional

A conquista posiciona o Amapá como referência internacional em conservação da Amazônia, destacando o modelo estadual que combina proteção da floresta, uso sustentável dos recursos naturais e valorização da sociobiodiversidade. Também amplia o potencial de atrair investimentos, parcerias e cooperações técnicas, além de orientar outras áreas protegidas do país a buscar a certificação.

Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional
Foto: Israel Cardoso/GEA

Reconhecida pela forte integração entre conservação ambiental e economia local, a RDS tem no manejo da castanha-do-Brasil sua principal atividade produtiva e um exemplo de desenvolvimento sustentável. A certificação reforça essa trajetória, ao valorizar o protagonismo das comunidades, fortalecer a governança interna e ampliar a capacidade de enfrentar desafios como mudanças climáticas, pressões territoriais e necessidades de infraestrutura.

Para o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade da Sema, Euryandro Costa, o processo de certificação foi também um momento de aprimoramento técnico e político.

“O processo da Lista Verde foi uma oportunidade de olhar com mais profundidade para a gestão da RDS, reconhecendo fortalezas e organizando melhor desafios. O principal ganho é o fortalecimento da governança com as comunidades, valorizando o protagonismo local na proteção de um território que é referência em manejo da castanha-do-Brasil e em resistência da sociobiodiversidade amazônica”, destacou Costa.

A certificação inaugura uma nova etapa para a RDS do Rio Iratapuru, marcada pelo compromisso de manter e avançar nos padrões reconhecidos. Para o Amapá, reafirma a liderança ambiental do Estado; para a Amazônia, demonstra que é possível conciliar conservação, justiça social e desenvolvimento sustentável.

RDS do Rio Iratapuru no Amapá

Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional
Foto: Israel Cardoso/GEA

Criada em 1997, a RDS do Rio Iratapuru possui cerca de 806 mil hectares e abrange os municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Mazagão. Gerida pela Sema e por um conselho gestor paritário, a unidade tem como missão conservar a biodiversidade e promover o uso sustentável dos recursos naturais, com orientação de seu Plano de Manejo.

Localizada no sudoeste do Amapá, integra um mosaico de áreas protegidas que inclui a FLOTA do Amapá, a ESEC do Jari e a Terra Indígena Wajãpi. É uma área de forte tradição extrativista, com destaque para a castanha-do-Brasil e o breu-branco, este último, envolvido em um contrato pioneiro de repartição de benefícios com a empresa Natura.

Desde 2012, faz parte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e, desde 2019, realiza monitoramento da fauna e da flora por meio do Programa Monitora, acompanhando borboletas frugívoras, mamíferos de médio e grande porte, aves cinegéticas e espécies arbóreas, integrando ciência e participação comunitária na gestão da biodiversidade.

*Com informações da SEMA AP

Trilha das Preguiças e Jardim de Vitórias-Régias: atrativos de Turismo de Base Comunitária em Santarém

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Turismo de base comunitária marca os locais. Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

Entre casas de palafitas, vegetação exuberante e o canto constante dos pássaros, o Canal do Jari revela um modo de vida que transforma a floresta de várzea em oportunidade para experiências amazônicas autênticas. A Trilha das Preguiças, na comunidade Jari do Socorro, conduzida por Rosângela Siqueira, e o Jardim de Vitórias-Régias, no Alto Jari, liderado por Dulce Oliveira, expressam a força do turismo comunitário e vêm atraindo visitantes de diferentes partes do Brasil e do exterior para Santarém (PA).

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Com o objetivo de dialogar com os empreendedores, conhecer de perto as vivências oferecidas e desenvolver estratégias para reduzir os impactos da sazonalidade, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), realiza visitas técnicas dentro do projeto ‘Santarém: Turismo o Ano Inteiro’.

A iniciativa busca manter o fluxo de visitantes, fortalecendo o destino em todas as estações, com produção de conteúdo digital, divulgação promocional e capacitações por meio do FormaTur.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Trilha das Preguiças: imersão na floresta de várzea

A cerca de 35 minutos de lancha do centro de urbano, no distrito de Arapixuna, a comunidade Jari do Socorro guarda um refúgio onde a natureza dita o tempo. É ali que Dona Rosângela Siqueira Pinto, há mais de 30 anos recebe visitantes com o mesmo cuidado de quem acolhe amigos antigos. O acesso é apenas pelo rio e já na chegada o som da mata e o balanço das águas anunciam a experiência.

A casa de palafita, simples e cheia de personalidade, revela detalhes que contam histórias: placas e pinturas rústicas, ornamentos feitos à mão e, na sala, a imponente cabeça de jacaré que desperta curiosidade. Ao lado, a loja de artesanato expõe talentos locais. Na cozinha, entre café passado na hora e boas risadas, a equipe de visitantes se prepara para aventura: a Trilha das Preguiças.

Trilha das Preguiças e Jardim de Vitórias-Régias: atrativos de Turismo de Base Comunitária em Santarém
Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

Depois da acolhida, a trilha se inicia. São 20 a 30 minutos de imersão na várzea, em um percurso que muda conforme o ciclo do rio. Na cheia, a canoa desliza entre árvores alagadas. Na seca, a caminhada em terra firme permite observar com calma cada detalhe da floresta. A recomendação é simples: roupas confortáveis, sapatos fechados e disposição para desacelerar.

Pelo caminho, surgem árvores centenárias, como a imponente castanheira-sapucaia, com cerca de 400 anos. As preguiças nem sempre se mostram de imediato e isso faz parte do encanto. Já os macacos-de-mão-amarela costumam aparecer em grupos, agitando os galhos e arrancando sorrisos. Dependendo do clima, biguatingas, garças, socós, urutaus, gaviões, coruja-jacurutu, ciganas, canarinhos, andorinhas e até jacarés completam o cenário.

“Eu amo estar aqui, cercada pelos animais. Abro a janela e tenho a vista mais bela possível. Sou rica, e não é de dinheiro. Faço amigos e compartilho experiências. É muito prazeroso trabalhar com turismo”, afirma Dona Rosângela.

Entre março e julho, com o rio cheio, o passeio ganha contornos ainda mais marcantes. A trilha sai no valor de 30 reais por pessoa. A comunidade também oferece café da manhã, almoço e café da tarde mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (93) 99141-1729 ou pelo Instagram @rosangela_trilha_das_preguicas.

Jardim de Vitórias-Régias: inovação e gastronomia sustentável

Seguindo pelo rio Amazonas, chega-se à comunidade do Alto Jari, onde Dulcecléia Oliveira cultiva vitórias-régias. O trabalho pioneiro começou como um jardim ornamental, mas logo ganhou novos contornos e chegou à cozinha. A planta aquática deixou de ser apenas um símbolo da Amazônia para se transformar em ingrediente, uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) reinventada pelas mãos da anfitriã.

Flor, folha, caule e semente são utilizados de forma criativa em preparações que surpreendem o paladar: vinagrete, picles, batatinha-régia, tempurá, geleia, conserva, pizza, brownie, espaguete, paçoca, rabanada, quiche, moqueca, salada de flores, tapioca, licor, bombons, pudim, gelatina, pão e até pipoca. Ao todo, são 21 receitas desenvolvidas com foco no aproveitamento  integral, unindo sabor, inovação e sustentabilidade.

Dulce trabalha com turismo há 12 anos e  recebe cada visitante com brilho nos olhos, explica o cultivo, conta sua trajetória e abre espaço para fotos e memórias.

“Aqui acontece de tudo, porque eu moro no tudo”, diz, sorrindo. Essa frase resume o espírito do lugar.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

O espaço funciona com energia solar e dispõe de três quartos para hospedagem. A diária para casal é de R$ 300, com jantar e café da manhã inclusos. Passeios extras podem ser contratados à parte.

Foi a busca por qualidade de vida que trouxe Dulce ao Canal do Jari. Após se afastar da Marinha do Brasil por questões de saúde, mudou-se para a comunidade em 2013. No ano seguinte, começou a cultivar as vitórias-régias e a construir a casa que hoje recebe visitantes do Brasil e do exterior. Desde o início do projeto, mais de 10 mil pessoas já passaram pelo jardim.

A alta temporada vai de maio ao início de outubro, quando o nível do rio permite receber até 120 visitantes por dia. O passeio pode incluir ainda observação de aves e jacarés.

Em 2024, a maior seca dos últimos 50 anos afetou o cultivo. Atualmente, Dulce já trabalha na germinação das sementes e no replantio, determinada a ver o jardim florescer novamente.

As visitas acontecem de terça a sábado, das 10h às 14h, com duração média de uma hora por grupo. A taxa de visitação é de R$ 40, destinada à sustentabilidade e à manutenção do espaço, e inclui chá e degustação dos “belisquetes”. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp (93) 99182-9492 ou pelo Instagram @dulce_jardimvitoriaregia.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Água parada e lixo ampliam risco de doenças após chuvas; veja dicas de como se proteger

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Alagamentos podem provocar contaminação e transmissão de doenças. Foto: Dalton Pacheco

As chuvas intensas e os alagamentos em Macapá (AP) e outras cidades aumentam o risco de doenças como leptospirose e hepatite A. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Amapá orienta a população sobre medidas de prevenção e informa que a rede pública está preparada para atender casos suspeitos.

Os alagamentos registrados nos últimos dias provocaram acúmulo de água e lixo em vários pontos da capital, o que eleva a possibilidade de contaminação. Equipes de saúde, assistência social e defesa civil foram mobilizadas para apoiar as famílias atingidas.

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Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis neste período. O contato com água contaminada pode transmitir doenças graves que, sem tratamento rápido, podem levar à morte.

Segundo o médico Rinaldo Júnior, coordenador do Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), o maior risco está no que não é visível.

“Toda atenção com a saúde nesse período de alagamentos é importante para evitar, por exemplo, a leptospirose, transmitida pela urina de ratos presente em água suja. A doença causa febre, dor no corpo, dor de cabeça, vômitos e, em casos graves, pode afetar rins e fígado. O tratamento é feito com antibióticos prescritos por médico e, nos casos graves, é necessária internação”, explica o especialista.

Leia também: Autoridades reforçam cuidados para prevenir doenças típicas do inverno amazônico

alamentos podem causar doenças no inverno amazonico
Foto: Odair Leal/Acervo Secom AC

Sintomas de doenças que exigem atenção durante as chuvas

O acúmulo de água e a umidade aumentam o risco de várias doenças. Segundo autoridades de saúde, a população deve observar:

  • Diarreia e vômitos: podem indicar doenças transmitidas por água ou alimentos contaminados.
  • Hepatite A: provoca cansaço, náuseas e pele amarelada. A vacinação é a principal forma de prevenção.
  • Leptospirose: transmitida pela urina de ratos presente em água contaminada. Os sintomas incluem febre, dor no corpo, dor de cabeça e vômitos. Em casos graves, pode afetar rins e fígado.
  • Dengue, Zika e Chikungunya: causam febre, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas. Nunca se automedique.
  • Infecções de pele: contato com água suja pode gerar feridas e coceira.
  • Problemas respiratórios: frio e umidade favorecem gripes e pneumonias.

Como se proteger em casa

A Secretaria de Saúde recomenda cuidados simples para reduzir os riscos: Evite contato direto com água de alagamento. Use botas ou luvas.

  • Beba apenas água tratada, filtrada ou fervida.
  • Lave bem os alimentos e mantenha a casa arejada.
  • Elimine recipientes que possam acumular água e virar criadouros do mosquito da dengue.

As dicas podem ser aplicadas em outras regiões que também sofrem com alagamentos neste período.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Fofão: personagem fortalece tradição carnavalesca maranhense

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Foto: Dalton Chagas

Uma tradição carnavalesca no Maranhão é a máscara de Fofão. A personagem emblemática é representada por uma máscara artesanal, macacão em chitão colorido, guizos e vareta, com traços e cores vibrantes, símbolos de alegria e irreverência.

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A inspiração nasceu do Carnaval europeu e se mistura à tradições como a dos Clovis, no carnaval carioca, e também ao colorido do Bumba Meu Boi. Mas, apesar da tradição na época mais animada do ano, a personagem também é capaz de assustar.

Isso porque as máscaras feitas à mão tradicionalmente são consideradas “feias”, feitas das mais variadas formas, como a técnica de ‘papel machê’.

Leia também: Saiba quantos e quais municípios do Maranhão compõem a Amazônia Legal

fofão do maranhão
Foto: Emanuely Luz

Fofão como manifestação cultural

No trabalho de conclusão de curso (TCC) de Dalton Chagas, ‘A dinâmica do fofão maranhense: historicidade, celebrações e composições estéticas’ (UFMA, 2022), a tradição do fofão na cultura popular maranhense “é imprescindível como identificação artístico-cultural”.

“A sua trajetória artística-social requer reflexões a partir de um universo simbólico que vai desde as influências da Antiguidade por meio de atuações e encenações do encanto mágico do teatro de rua, de rituais com o uso de máscaras e das inovações que ocorrem no seu figurino a partir de tecnologias resultantes de uma indústria transnacional que busca por outras matérias-primas como consumo alienado desses produtos”, destaca o autor.

Chagas aponta essa relação uma vez que o fofão, “na condição de símbolo emblemático do carnaval maranhense”, possui “recursos de interpretação e improvisação com uma parentela artística semelhante de um bufão medieval ou de um bobo das pantomímicas das comédias do passado”.

Ainda segundo o autor, o fofão é uma forma divertida de expressão cultural, uma vez que aquele que se propõe a se tornar um deles durante o carnaval, transforma-se em uma manifestação viva da história.

“Por entre ritos e celebrações envolvem-se agentes, atores e personagens míticos, fantasiosos, fantasiados, mascarados, desmistificados, personificados, espirituosos. Nessa perspectiva, de realidade embaraçosa, de contrapontos entre seres reais, sociais ou misteriosos, podemos concentrar essa mítica sociológica em pessoas que se relacionam com o fofão, ou que se camuflam com as vestes deste personagem, o que elas fazem por trás do seu figurino multifacetado de planos e formas, e o porquê de se fantasiar dessa forma toda colorida e mascarada”, frisa.

Dalton Chagas faz uma análise extensa sobre a ação histórica, formas e uso do fofão como expressão maranhense. Confira o trabalho completo AQUI.

Em 2025, o fofão ganhou uma exposição especial em São Luís. Confira os detalhes:

Desmatamento no Amazonas cai 56% em janeiro de 2026, aponta Inpe

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Foto: Reprodução/Imazon

área desmatada no Amazonas caiu 56,4% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número de alertas de desmatamento também diminuiu 42,8% no período.

De acordo com o sistema Deter, do Inpe, foram registrados 722 hectares desmatados em janeiro deste ano, contra 1.656 hectares no mesmo mês de 2025. Já os alertas passaram de 77 para 44.

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Segundo a série histórica recente, é um dos menores índices para o mês de janeiro. A última vez que o estado registrou área inferior a 722 hectares foi em 2021, quando somou 586 hectares. Em relação aos alertas, o número foi menor em 2023, com 30 registros.

Em janeiro de 2026, Humaitá, no sul do estado, concentrou a maior área, com 265 hectares. Em seguida aparecem Canutama, com 79 hectares, e Apuí, com 69.

No número de alertas, Borba liderou com seis registros. Canutama e Humaitá tiveram cinco alertas cada.

Leia também: Amazonas concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, aponta PrevisIA

Desmatamento Amazônia Greenpeace
Foto: Reprodução/Greenpeace

Deter monitora desmatamento

O Deter é um sistema de monitoramento criado pelo Inpe em 2004 para identificar, quase em tempo real, áreas com indícios de desmatamento e degradação na Amazônia. As informações são obtidas por meio de imagens de satélite e servem de base para ações de fiscalização ambiental.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Comercialização de borracha de Unidades de Conservação impulsiona extrativismo sustentável em Rondônia

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Foto: Divulgação/Arquivo Sedam RO

Com o objetivo de fortalecer o extrativismo sustentável e assegurar maior transparência e valorização dos trabalhos executados pelos extrativistas, o governo de Rondônia acompanhou, no dia 6 de fevereiro, a primeira pesagem referente ao processo de compra de borracha natural oriunda das Unidades de Conservação dos municípios de Machadinho d’Oeste e Vale do Anari, obedecendo os parâmetros ambientais e legais.

A ação foi acompanhada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), através do Escritório Regional de Gestão Ambiental (ERGA) de Machadinho d’Oeste, em conjunto com a Gestão Integrada do Machado, vinculada à Coordenadoria de Unidades de Conservação (CUC). A comercialização foi viabilizada por meio da intermediação da WWF-Brasil junto à empresa compradora. 

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O procedimento ocorreu na sede da Associação dos Seringueiros de Machadinho d’Oeste (ASM) e contou com a participação da Associação dos Extrativistas do Vale do Anari (Aseva), além de representante da Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR).

A iniciativa representa um avanço para a valorização do trabalho tradicional das famílias seringueiras inseridas nas Unidades de Conservação da região, contribuindo para a geração de renda, o fortalecimento da economia local e a permanência dessas comunidades na floresta, de forma sustentável e alinhada à conservação ambiental.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o fortalecimento do extrativismo sustentável é fundamental e reforça o compromisso da gestão com a preservação das Unidades de Conservação e com a economia da floresta em pé.

“A ação alia preservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social, iniciativas que valorizam o trabalho das famílias seringueiras e garantem renda no campo”, enfatizou. 

Comercialização de borracha de Unidades de Conservação impulsiona extrativismo sustentável em Rondônia
A iniciativa contribui para a geração de renda e o fortalecimento da economia local. Foto: Divulgação/Arquivo Sedam RO

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Extrativismo sustentável de borracha em Rondônia

Segundo o coordenador da CUC, Daniel Santos de Souza, as parcerias são fundamentais para o fortalecimento da cadeia produtiva da borracha natural.

“Esse acompanhamento é estratégico para o fomento da cadeia produtiva da borracha natural, pois fortalece a atuação das associações e organizações envolvidas, amplia a segurança nos processos de comercialização e contribui diretamente para a permanência das famílias nesses espaços territoriais protegidos. Além disso, a iniciativa proporciona maior rentabilidade à comunidade extrativista, valorizando o trabalho tradicional e consolidando um modelo de desenvolvimento sustentável baseado na floresta em pé”, destacou. 

O secretário adjunto da Sedam, Gilmar Oliveira de Souza, avaliou como positiva a iniciativa realizada.

“A comercialização direta da borracha natural com a indústria, realizada com transparência e conformidade, demonstra que é possível promover o desenvolvimento sustentável a partir do uso responsável dos recursos naturais. Essa ação reconhece o conhecimento tradicional das comunidades extrativistas, fortalece a organização social e contribui para a proteção das Unidades de Conservação, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos para a região”, salientou. 

Já para a gerente do Erga, Michele da Silva, além dos impactos econômicos e sociais, a ação reafirma o compromisso com o uso sustentável dos recursos naturais.

“Ao incentivar práticas que conciliam conservação ambiental, desenvolvimento social e valorização dos conhecimentos tradicionais, estamos fortalecendo aspectos fundamentais para a proteção das Unidades de Conservação e para o desenvolvimento sustentável de Rondônia”, afirmou. 

*Com informações da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia

Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira

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O enredo da Mangueira este ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra’. Foto: Leo Franco/AgNews

A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira (16), com um enredo sobre ervas medicinais e ancestralidade. A escola homenageou Mestre Sacaca, ícone da cultura afro-amapaense 

O enredo deste ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra‘. A proposta foi mostrar a cultura afro-amapaense, com seus costumes, plantas e rituais do extremo Norte do Brasil.

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O desfile destacou desde as garrafadas criadas pelo mestre até práticas afro-indígenas. A comissão de frente representou os pretos velhos como guardiões dos saberes amazônicos. A escola também encenou a dança Turé, ritual sagrado dos povos indígenas do Amapá, como Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur, evocando a memória de Sacaca.

A União dos Negros do Amapá (UNA) também foi destaque no desfile. O ‘doutor da floresta’ foi um dos fundadores da instituição, que atua em políticas públicas no Amapá.

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Marabaixo na Sapucaí

Um dos destaques foi a mistura do samba com o batuque do Marabaixo, dança reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2018.

Uma ala representou o ritmo que relembra os povos escravizados trazidos ao Brasil nos navios negreiros. Com saias rodadas e flores no cabelo, as marabaixeiras percorreram a avenida cantando a resistência negra do Amapá.

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Músicos do Amapá reforçaram a bateria da Mangueira com caixas de Marabaixo. Os instrumentos deram ritmo ao tambor negro na avenida.

Entre os músicos estavam Arthur e Eloisa Sacaca, netos do homenageado. A cantora amapaense Patrícia Bastos deu voz ao esquenta da Mangueira.

Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira
Foto: Reprodução/TV Globo

Salve Sacaca

Em um dos carros alegóricos, a imagem de Sacaca apareceu sorridente, abrindo os caminhos para a celebração de seu centenário.

Madalena Sacaca, viúva do mestre, foi destaque na alegoria. Com sorriso no rosto, reforçou a importância da homenagem.

“Muita alegria! Aqui estão meus netos, bisnetos, parentes e vizinhos. Ele sempre gostou de carnaval e iria gostar desta homenagem”, disse emocionada.

De acordo com a comissão da Mangueira, cerca de 50 familiares de Sacaca viajaram ao Rio para participar do desfile.

Essa é a segunda vez que o Amapá é destaque na Sapucaí: em 2008 a Beija-flor de Nilópolis levou o enredo ‘Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas do Meio do Mundo’ para a Avenida. Com o enredo deste ano, a escola busca o 21° título do grupo especial do Rio de Janeiro.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Clones de batata-doce são desenvolvidos com maior qualidade nutricional em Roraima

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Batata-doce biofortificada pela Embrapa em Boa Vista. Foto: Cássia Pedroza/Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) testa 15 variedades de batatas-doces clonadas da comum em Boa Vista (RR). O tubérculo é cultivado em um campo experimental na zona Rural da capital.

As batatas-doces clonadas foram biofortificadas para terem maior valor nutricional. Na prática, são variedades desenvolvidas com melhor genética, resultando em alimentos mais ricos em vitaminas e minerais.

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A biofortificação é a técnica de melhorar plantas por meio de cruzamentos naturais e seleção das mais nutritivas. No caso da batata‑doce, pesquisadores cruzam diferentes variedades e escolhem as “filhas” que apresentam maior concentração de nutrientes importantes.

O trabalho integra um programa nacional de melhoramento do tubérculo. A iniciativa busca oferecer aos produtores variedades mais produtivas, adaptadas ao clima local e com maior valor nutricional, como os materiais biofortificados de polpa alaranjada, que têm altos níveis de betacaroteno (que dá cor aos frutos amarelos e vermelhos), responsável pela produção de vitamina A no organismo.

Uma das pesquisadoras a frente do experimento, Cássia Pedroza, da Embrapa, explicou que das 15 batatas clonadas, três foram validadas e podem ser comercializadas. Ela disse ainda que a batata-doce é considerada uma cultura que se adapta a diferentes condições de clima e solo.

O plantio não é exigente e pode ser realizado até mesmo em áreas com pouca fertilidade e baixa incidência de chuvas, embora apresente maior produtividade quando recebe irrigação adequada e adubação equilibrada.

“A gente também tem os clones biofortificados. Então o que são esses clones? São materiais genéticos que tem um diferencial nutricional em vitaminas e antioxidantes. Então, a gente tem aqui a batata de polpa alaranjada, por exemplo. Que tem um alto teor de betacaroteno, que dentro do nosso organismo se converte em vitamina A”, explicou a pesquisadora.

Batata-doce, com polpa creme, e a biofortificada com polpa laranja — Foto: Cássia Pedroza/Embrapa/Divulgação
Batata-doce, com polpa creme, e a biofortificada com polpa laranja. Foto: Cássia Pedroza/Embrapa

O processo de cruzamento e clonagem é realizado na Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal. Depois, os materiais são distribuídos para outras regiões do país para avaliação em campo.

Em Roraima, o estudo está em fase final de desenvolvimento. Os resultados foram apresentados a produtores rurais durante uma visita técnica ao campo experimental em Boa Vista.

Um dos produtores que que participou do encontrado foi Adir de Brito. Ele cultiva batata-doce há 10 anos e planeja trabalha com os clones da Embrapa.

“Agora nós temos conhecimentos aqui que são relevantes a essa área técnica e está com uma variedade ótima. Quando for liberado a licença para plantarmos dela, vamos ter uma boa produtividade”, afirmou.

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Cenário do comércio de batata-doce

No estado, a batata-doce está presente principalmente em áreas de agricultura familiar. Apenas na zona rural de Boa Vista, a produção chegou a 40 hectares em 2025, segundo dados do município. A média é de 50 toneladas por hectares, com duas safras ao ano.

O cultivo tem atraído cada vez mais produtores profissionais. É o caso de Mohamed Hamdy, que se mudou do Egito para o Brasil há um ano e trabalha na fazenda que cultiva batata-doce há oito anos. Ele afirma que, apesar das oportunidades, ainda existem desafios no manejo.

“Nós queremos entregar a batata entre 110 e 120 dias, como o clima aqui é mais quente, ele não ajuda a entregar a batata mais cedo. Outra coisa, é que, quando cai muita chuva, ela influencia muito na produção de batata”, destacou o produtor. Mesmo assim, ele demonstra otimismo com os resultados do plantio experimental desenvolvido pela Embrapa.

*Por Paulo Henrique Rangel, da Rede Amazônica RR