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Manual para identificação de doenças de café Robustas Amazônicos é criado por pesquisadores no Acre

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Foto: Divulgação/Embrapa Acre

Como forma de auxiliar cafeicultores do Acre, pesquisadores da Embrapa Acre produziram a circular técnica “Manual para identificação e manejo das doenças de Coffea canephora no Acre”. A publicação é um guia prático com ilustrações que permitem a identificação e manejo das doenças dos cultivos de cafés Robustas Amazônicos. Voltada para técnicos e agricultores,  contempla os principais agentes causadores de doenças nas raízes, galhos, folhas e frutos dos cafezais, bem como os sintomas para auxiliar no processo de identificação das patologias.

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre e um dos autores da publicação, Amauri Siviero, com a expansão da cafeicultura no estado, a tendência é que os cafezais sejam mais afetados por doenças, como consequência, aumenta a demanda para identificar, diagnosticar e fazer o manejo adequado dos cultivos. 

Desde a década de 1980, a Embrapa Acre trabalha com a cultura do café Arábica (Coffea arabica) e do café Canéfora (Coffea canephora) no Acre. As pesquisas incluem a avaliação do material genético em campo, como forma de disponibilizar aos agricultores variedades com boa produtividade e resistentes a pragas e doenças. Atualmente, a  espécie mais cultivada no Acre é a Coffea canephora, plantada por clones, os chamados cafés clonais, que incluem as variedades Robustas e Conilon, conhecidos como Robustas Amazônicos. O clima acreano favorece o desempenho dessa cultura.  

Doenças do café

O trabalho de pesquisa envolveu análises  realizadas em laboratório  e observações de campo em experimentos conduzidos na Embrapa Acre e em áreas de cultivo comercial no estado. De acordo com Siviero, duas doenças merecem destaque: a antracnose e a queima do fio. Ambas atacam de maneira agressiva e geram impactos econômicos. Já outras doenças como pequenas manchas ou defeitos que dão nas folhas ou no fruto,  não possuem a mesma importância econômica. 

Também estão descritas no manual doenças como o tombamento de mudas, mal de quatro anos, ferrugem do cafeeiro,  mancha de olho pardo, mal-rosado, seca dos ponteiros, mancha de phoma, mancha de ascochyta e mancha-aureolada.

O pesquisador explica que as medidas de controle variam de acordo com os agentes  que causam as doenças, que pode ser um fungo, uma bactéria ou um nematóide. Ele pontua ainda que, com o manual, os produtores terão orientação para tomar as medidas de controle necessárias.

Para o cafeicultor Vanderlei de Lara, um dos principais desafios como produtor de café é aumentar a qualidade da produção para, assim, conseguir um melhor preço. Segundo ele, a Embrapa auxilia com as melhorias através das pesquisas para o aumento da produção.

O agricultor explica que entre as principais medidas para o combate das doenças do café está a prevenção. “Eu busco sempre fazer a prevenção para essas doenças que atacam o café. Uma das medidas que tomo é fazer o controle na hora certa, para combater e evitar a propagação de qualquer praga ou doença”, destaca.  

Café no Acre

Com maior importância agronômica, econômica e social, a cafeicultura no Acre tem elevado a geração de empregos no campo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), através do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) realizado no mês de julho de 2024, a produção do grão no estado deve aumentar 1,3% em relação a 2023. 

A produção de café no Acre, na safra de julho/2024, é de 2.894 toneladas. Além disso, a área destinada à colheita nesta safra apresenta 1.091 hectares. A produtividade média no estado está prevista em 2.653 quilos por hectare.

O  “Manual para identificação e manejo das doenças de Coffea canephora no Acre” está de acordo com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável). Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma coleção de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas e contam com o apoio da Embrapa para que sejam atingidas. 

*Com informações da Embrapa Acre

Nove espécies de peixes entram em período de defeso no Amazonas; veja a lista

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Foto: Divulgação/Idam

O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) alerta aos pescadores artesanais amazonenses sobre o início do período de defeso de nove tipos de peixes amazônicos:

  • tambaqui,
  • capari,
  • surubim,
  • pirapitinga,
  • mapará,
  • sardinha,
  • pacu,
  • aruanã,
  • aruanã preta
  • e matrinxã.

A iniciativa visa resguardar a reprodução das espécies nos rios da Bacia Amazônica. A primeira espécie a entrar no defeso foi o tambaqui, na última terça-feira (1º/10), período que se estende até 31 de março de 2025. Já os demais têm pesca proibida entre 15 de novembro deste ano a 15 de março de 2025.

A gerente de Aquicultura e Pesca (Geape) do Idam, Karen Alves, explica que o defeso tem como objetivo a manutenção dos estoques pesqueiros, além de evitar a extinção de espécies. A gerente também informa que durante o período, tanto pescadores artesanais quanto aqueles que trabalham com a venda do produto, precisam estar atentos à legislação.

“Orientamos que os pescadores usem os apetrechos adequados e não capturem as espécies protegidas pelo defeso para reprodução, como garantia às próximas safras. No que diz respeito à comercialização desses pescados, reforçamos que os vendedores adquiram somente os peixes oriundos da piscicultura e estejam atentos, também, em relação à documentação do produto”, alertou a gerente.

Leia também: Entenda o que é e para quê serve o período de defeso

Além de chamar atenção do pescador para o período de defeso, o instituto orienta, ainda, que, no período, os trabalhadores busquem a Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura (SFA) para regularizar o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Já em relação ao seguro defeso, o instituto reforça que a solicitação pode ser realizada nas próprias colônias de pescadores.

*Com informações do IDAM

Tutóia

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Tutóia

Tutóia é um município maranhense localizado na região de encontro entre o Delta do Rio Parnaíba e os Pequenos Lençóis Maranheses, sendo muito procurado para o ecoturismo. Em 1727, a cidade foi edificada na margem esquerda do rio Tutóia, no lugar onde ele se lança no canal do mesmo nome, formado pelo braço ocidental do rio Parnaíba. Foi ocupada primeiramente pelos indígenas do povo Tremembé.

Com a primeira denominação de Viçosa, foi elevada à categoria de Vila em 1758, continuando a ser conhecida como Tutóia. Porém, pelo pouco desenvolvimento, a cidade foi anexada ao município vizinho de Barreirinhas. Somente em 1938, Tutóia foi elevada a sede do município.

Possui uma área territorial de 1.566,080km² e cerca de 53.356 habitantes, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022).

Fonte: Prefeitura de Tutóia e IBGE

Carta de Intenções é assinada para pesquisas sobre a doença da mandioca

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Foto: Divulgação/Embrapa

A Embrapa e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) assinaram em setembro uma Carta de Intenções para cooperação nas ações de pesquisa sobre o fungo patogênico Ceratobasidium theobroma, causador da doença vassoura de bruxa da mandioca.

Também serão reforçadas ações de métodos agroecológicos de gestão e controle da doença, por meio de projetos conjuntos de cooperação. O fungo Ceratobasidium theobroma, identificado recentemente, está causando danos de grande proporção na produção de mandioca no Estado do Amapá, e afetando em especial os sistemas alimentares dos povos originários de Oiapoque, município amapaense localizado na fronteira com a Guiana Francesa.

Leia também: Plantação de mandioca no Amapá registra praga inédita no país

O documento, assinado por Antonio Claudio Almeida de Carvalho, chefe-geral da Embrapa Amapá, e pela pesquisadora Margaux Llamas, do Cirad, detalha que, para combater esse fungo de forma eficaz e coordenada na região, são necessárias pesquisas para entender os fatores que causam sua disseminação, as práticas que podem ser usadas para limitar sua disseminação e impacto e a vulnerabilidade das plantas cultivadas a esse fungo.

Serão realizadas ações para elucidar aspectos epidemiológicos da doença no Brasil e na Guiana Francesa, testes de patogenicidade no Brasil, prospecção de possíveis hospedeiros alternativos do patógeno Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae); uso de boas práticas de manejo das roças de mandioca e, diversificação de culturas visando a segurança alimentar.

A Carta de Intenções é um encaminhamento da rodada de reuniões realizadas nos dias 4 e 5 de setembro de 2024, na sede da Embrapa Amapá, na qual Embrapa e Cirad discutiram uma proposta de ações conjuntas.

Participaram de forma presencial a equipe da Embrapa e do Cirad, e de forma remota Samuel Telhado, assessor da Diretoria de Pesquisa e Inovação; Susana Lena Lins de Gois, Paulo Roberto Galerani e Cesar Behling Miranda, da Assessoria de Relações Internacionais; Saulo Alves Santos de Oliveira e Helton Fleck da Silveira, da Embrapa Mandioca e Fruticultura; e Hermínio Souza da Rocha, da Pesca e Aquicultura.

O Cirad é uma instituição de pesquisa agronômica do Governo Francês. Está presente em todos os continentes, em cerca de cinquenta países, e na Guiana Francesa.

*Com informações da Embrapa

Coleta de sementes é essencial para restauração da floresta amazônica

Foto: Divulgação

Representantes da Aliança pela Restauração na Amazônia se reuniram com membros de diversas instituições para discutir a estratégia de coleta de sementes, uma iniciativa vinculada ao Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio), do Governo do Pará. Participaram da reunião representantes do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), Embrapa Amazônia Oriental, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Centro de Pesquisa Florestal Internacional (Cifor), Instituto Socioambiental (ISA) e Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).

No encontro, realizado na última semana, foram debatidos aspectos importantes para a implementação da estratégia, incluindo a legislação vigente que regulamenta a coleta de sementes na Amazônia, além de incentivos fiscais e tributários voltados para a comercialização dessas sementes. Outro ponto de destaque foi a análise da capacidade técnica para a avaliação da qualidade das sementes, que enfrenta desafios como a escassez de laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Os participantes também discutiram os recursos orçamentários e financeiros necessários para garantir o sucesso da estratégia de sementes, que visa potencializar a cadeia produtiva da restauração florestal na região amazônica. O Ideflor-Bio, por meio de sua diretoria de Gestão de Florestas Públicas de Produção (DGFLOP), reafirmou o compromisso com a continuidade da implementação, que já conta com a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

Parceria

Em 2023, o Ideflor-Bio firmou o ACT com o IEB para estruturar a criação do primeiro núcleo de coleta de sementes, localizado na região do Baixo Amazonas. Esta iniciativa é considerada um marco importante para o avanço do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), uma vez que a coleta de sementes nativas é a base da cadeia produtiva para a restauração florestal na região.

A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti, destacou a importância do projeto para a preservação ambiental e para a economia da Amazônia.

Para a gerente de Gestão de Contratos Florestais do Ideflor-Bio, Cintia Soares, “a expectativa é que, com a implementação do núcleo de coleta de sementes no Baixo Amazonas, o Pará se consolide como um dos principais estados brasileiros a integrar soluções baseadas na natureza à economia regional, contribuindo para a restauração florestal e a sustentabilidade de longo prazo na Amazônia”, enfatizou.

Desafios

Entre os principais desafios mencionados, está a necessidade de mais investimentos em infraestrutura de laboratórios para análise de sementes, especialmente em áreas estratégicas da Amazônia. Atualmente, a falta de laboratórios credenciados pelo MAPA dificulta o avanço do processo de validação e comercialização das sementes coletadas, o que pode comprometer a eficiência da cadeia produtiva da restauração.

O PlanBio, que tem como um de seus eixos a valorização das cadeias produtivas sustentáveis, foi citado durante a reunião como um dos motores para o avanço da bioeconomia no Pará. A estratégia está alinhada com o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa e busca criar soluções de baixo carbono para transformar o cenário econômico da região, sempre com a proteção e valorização do conhecimento tradicional amazônico.

*Com informações da Agência Pará

Somente um dos 17 destinos brasileiros que disputam TOP 100 Stories da Green Destinations é da Amazônia; saiba qual

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Gameleira, em Rio Branco (AC). Foto: Reprodução/Agência Acre

Dezessete destinos turísticos brasileiros estão concorrendo ao concurso TOP 100 Stories da Green Destinations. A competição reúne as melhores iniciativas de turismo responsável e sustentável, destacando o desenvolvimento de soluções inovadoras nas áreas de educação, preservação ambiental e inclusão social. Os destinos vencedores serão conhecidos durante evento online da Conferência Global Green Destinations 2024, no próximo dia 15 de outubro.

Na disputa pelo reconhecimento internacional somente uma cidade da Amazônia concorre: Rio Branco (AC). As demais são: Arabutã, Bom Jardim da Serra, Bombinhas, Itá, Penha, Rota do Enxaimel e Treze Tílias (Santa Catarina); Parnamirim, Santa Cruz, São Miguel do Gostoso e Tibau do Sul (Rio Grande do Norte); Fernando de Noronha, Sirinhaém e Tamandaré (Pernambuco); Barão de Cocais (Minas Gerais) e Bodoquena (Mato Grosso do Sul).

Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, iniciativas como o TOP 100 Stories reforçam a importância de se promover um turismo sustentável e que se preocupa com o meio ambiente, a cultura local e a geração de emprego e renda.

“O turista internacional está cada vez mais preocupado com o consumo que faz, preferindo destinos e produtos que geram impacto positivo na natureza e nas comunidades que visita. E nós queremos atrair mais turistas com esse perfil, pois eles vão nos ajudar a construir um Brasil cada vez melhor”, explica Freixo.

Diretor superintendente do Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL), que representa a Fundação Holandesa Green Destinations no Brasil, Rodrigo Cidade comemora a quantidade de representantes nacionais na disputa.

Além da visibilidade internacional, os destinos que integram o TOP 100 Stories irão concorrer ao Green Destinations Stories Awards. A premiação será na ITB Berlin 2025, a maior feira de turismo do mundo, em Berlim, na Alemanha.

Avaliação e critérios

Para participar do concurso, os municípios inscrevem suas histórias de boas práticas para o desenvolvimento de um turismo mais sustentável e responsável. Os destinos passam por uma avaliação onde são analisados de 15 a 30 critérios essenciais de sustentabilidade, seguindo as diretrizes do Conselho Global de Turismo Sustentável (GSTC), e devem alcançar uma conformidade mínima de 60% com os critérios. Após o concurso, os participantes recebem um relatório detalhado, destacando seus pontos fortes e áreas de melhoria.

A turismóloga e consultora do Programa DEL Turismo, do Instituto DEL, Beth Bauchwitz, explica que o concurso oferece um guia valioso para que os destinos se tornem cada vez mais sustentáveis: “A participação no concurso não é apenas uma busca por reconhecimento, mas também uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento contínuo para os destinos brasileiros”.

A cerimônia de premiação será virtual, no dia 15 de outubro de 2024, às 15h. Para acompanhar, inscreva-se AQUI.

*Com informações da Embratur

Pacote Manaus terá catalogação de espécies e expansão de bases de dados abertas de biodiversidade

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Foto: Luara Baggi/MCTI

Durante a reunião ministerial do Grupo de Pesquisa e Inovação do G20, foi aprovada, por consenso, a Declaração de Manaus. Compondo o denominado Pacote Manaus, nove entregas integram o documento. No segundo texto da série sobre as principais iniciativas aprovadas, o MCTI aborda as iniciativas voltadas à biodiversidade.

Por meio da Declaração de Manaus, o G20 e o Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF) estabeleceram um processo para facilitar a catalogação de espécies e expansão de bases de dados abertas de biodiversidade. “Tivemos um grande debate sobre como a gente consegue ligar a inovação à ciência aberta, sendo nesta última, como aumentar a quantidade de dados científicos disponíveis”, comentou o chefe da assessoria internacional do MCTI, Carlos Matsumoto.

De acordo com o diretor do GBIF, Joe Miller, a organização intergovernamental trabalha com governos nacionais para construir infraestruturas e capacidades para que os países possam mobilizar dados e instituições, governamentais, acadêmicas ou da sociedade civil.

O conhecimento acessível permite que seja utilizado na formulação de políticas, especialmente considerando a proteção da biodiversidade biológica. Uma das entregas é um programa de Informação sobre Biodiversidade para o Desenvolvimento, financiado pela União Europeia, que oferece bolsas para instituições como pequenos museus ou organizações da sociedade civil, para que organizem os dados disponíveis e os disponibilizem na plataforma aberta GBIF.

Outro programa é o mapeamento de museus. Estima-se que haja ao menos dez mil museus de história natural no mundo. “Os acervos que estão em museus sobre biodiversidade são valiosíssimos, então trazer essas ações ao centro dos trabalhos do G20 fortalecerá muito a catalogação e disponibilização ampla desses dados aos pesquisadores e outros usuários finais”, enfatizou Carlos Matsumoto.

Foto: Diego Galba/ Ascom MCTI

G20 Brasil

A presidência brasileira do G20 encerra em novembro após com a Cúpula de chefes de Estado e de Governo do grupo, no Rio de Janeiro. O lema do mandato brasileiro é “Construindo um mundo justo e um planeta sustentável”, que reforça os compromissos com a redução da fome, da pobreza e da desigualdade a nível mundial, bem como o desenvolvimento socioambiental com uma transição ecológica justa e inclusiva.

Saiba mais sobre as ações do país no G20 no site https://www.g20.org.

*Com informações da Agência Amazonas

Museu Paraense Emílio Goeldi recupera obras raras com ajuda de operação internacional

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Foto: Janine Valente/MPEG

Às vésperas de comemorar 158 anos de existência, celebrado no dia 6 de outubro, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), comemorou a devolução de duas obras raras do conjunto roubado em 2008. As obras ‘Reise in Chile, Peru und auf dem Amazonenstrome‘ e ‘Simiarum et vespertilionum Brasiliensium species novae‘ foram entregues ao diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, durante uma cerimônia realizada no dia 3 de outubro, em Belém (PA).

O Museu Paraense Emílio Goeldi é o primeiro parque zoobotânico do Brasil, a mais antiga instituição científica da Amazônia e o segundo museu de história natural brasileiro.

A Importância das Obras Recuperadas

A primeira obra, ‘Reise in Chile, Peru und auf dem Amazonenstrome‘ (Viagem no Chile, Peru e no Rio Amazonas), publicada em 1836, foi escrita pelo médico e botânico alemão Eduard Friedrich Poeppig. Este livro raro foi recuperado em dezembro de 2023 pela aduana argentina, em Buenos Aires, e documenta uma viagem científica por áreas inexploradas da Amazônia no século XIX.

A segunda obra devolvida ao Museu, ‘Simiarum et vespertilionum Brasiliensium species novae‘ (Novas espécies de macacos e morcegos do Brasil), publicada em 1823, é de autoria do naturalista alemão Johann Baptist von Spix, um dos mais influentes cientistas a estudar a fauna brasileira. Esta obra, ilustrada com 38 pranchas litográficas, também foi alvo de uma operação internacional e recuperada em 2024 pela Polícia Federal, com apoio da Scotland Yard.

Foto: Janine Valente/MPEG

Ambas as publicações devolvidas foram submetidas a perícia, que confirmou a procedência delas como pertencentes à coleção de obras raras e especiais do Museu Goeldi.

Segundo Nilson Gabas Júnior, diretor do MPEG, a recuperação das obras é uma vitória que reforça o compromisso com a preservação do património cultural do país.

O delegado da Polícia Federal, Cledson José da Silva explicou o papel da Polícia Federal na investigação sobre o rastreamento dos objetos furtados. A atuação da Polícia Federal foi crucial para a reintegração do patrimônio ao Museu Goeldi, visto que a instituição desenvolve tanto o trabalho de inquérito policial quanto de cooperação internacional estabelecendo redes de cooperação e troca de informações com equipes de investigação estrangeiras, o que possibilitou rastrear as obras furtadas.

“A Polícia Federal brasileira é a responsável por realizar a atividade de Interpol. Por meio dessa rede internacional de atuação policial, é que a gente consegue e obtém a recuperação desse ativo histórico e cultural do estado do Pará, do país e do mundo”, declarou o delegado Cledson.

Modernização e segurança: prioridades do MCTI

Em julho de 2024, o MCTI e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram o Edital Identidade Brasil, que aportará R$ 250 milhões, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), para recuperar e preservar o patrimônio científico e cultural do país. Um investimento recorde para essa finalidade.

O edital selecionou propostas para a concessão de apoio financeiro à execução de projetos institucionais de infraestrutura e de serviços que visem à preservação, divulgação, pesquisa e restauração em museus, bibliotecas, arquivos e demais instituições responsáveis pela guarda de patrimônio material relevante em acervos científicos, históricos e culturais.

Durante o lançamento do edital, a ministra Luciana Santos enfatizou que equipamentos como o Museu Goeldi são essenciais para a preservação do patrimônio científico e cultural do país. “Os museus e centros de ciência fortalecem os laços da sociedade com todas as áreas do conhecimento. Um povo sem memória será um povo sem história, e um povo sem futuro”, destacou.

*Com informações do MCTI

Documento orienta sobre impactos da seca na região do Médio Solimões

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Fotos: Caroline Reucker/IDSM

Para orientar gestores sobre a chegada antecipada da seca extrema em 2024 na região do Médio Solimões, interior do estado do Amazonas, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) lançou um documento com recomendações, produzido a partir das Oficinas Pré-Seca, realizadas pela unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, município de Maraã. O material foi elaborado em parceria com a Central das Associações de Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (CAMURA) e a Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (FEMAPAM).

O documento “Secas na Reserva Amanã: Soluções de comunitários para a crise climática no Médio Solimões – Orientações para gestores públicos” reúne 24 soluções para diminuir os impactos causados pela seca na região, abordando problemáticas como o acesso à água, infraestrutura, produção agrícola e pesqueira, saúde, alimentação e educação durante estiagens.

“A gente tem, nesse momento, centenas de milhares de pessoas afetadas em toda região amazônica em decorrência da estiagem severa e recorde”, pontuou o porta-voz em Mudanças Climáticas do IDSM, Ayan Fleischmann.

Fotos: Caroline Reucker/IDSM

Durante as oficinas, 51 lideranças comunitárias de seis setores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã se reuniram para apresentar soluções. Dentre as ações propostas pelos comunitários, estão capacitação para tratamento emergencial de água do rio, distribuição de uma bomba d’água tipo sapo para cada comunidade, perfuração de poços artesianos em comunidades de terra firme.

Também entre as recomendações está a disponibilização, com antecedência, da cota de combustível fornecido por órgãos da administração pública para o período da seca, para ser usado no gerador de luz, a disponibilização de canoas de alumínio de 9 a 10 metros de comprimento, a solicitação de apoio do Exército e/ou Marinha (helicóptero e/ou lancha) para deslocar pessoas em estado grave de saúde e adaptação do calendário escolar para o período da seca.

“O nosso intuito com essa ferramenta é que ela seja uma voz, que a gente dê voz para os ribeirinhos, para que eles, nesse processo de cocriação de soluções, consigam incidir em políticas públicas para melhorar e para enfrentar os impactos da crise climática, não só neste ano, mas nos próximos anos que virão, enfatizou Ayan Fleischmann.

A seca de 2023 na região do Médio Solimões acarretou em dificuldades ao acesso à água, alimentos e à saúde,  escoamento da produção, entre outros desafios para os locais.

*Com informações do MCTI

Mudanças climáticas e segurança alimentar: para onde caminha a Amazônia?

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Foto: Mauro Neto/Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Impactos climáticos, aponta a ciência, são, por natureza, interdisciplinares e estão associadas a questões atinentes a temperaturas extremas, chuvas intensas ou ausência delas, tempestades severas, enchentes, secas, aumento do nível do mar ou derretimento do gelo, queimadas e incêndios ao longo da história e nas mais diversas regiões do globo. Questões expostas e que aguardam respostas dos nossos sistemas biológicos (agricultura, pesca, ecossistemas, saúde humana), dos sistemas tecnológicos (edifícios, transportes, indústrias e outros) e dos sistemas sociais (deslocamentos de comunidades, mudanças no uso da terra, competições por recursos).

O cientista Alex Ruane, pesquisador no Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial norte-americana, onde codirige o Grupo de Impactos Climáticos, apresentou no final de agosto, na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a conferência “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar – dos Modelos às Avaliações e Soluções”. O Projeto de Intercomparação e Melhoria de Modelos Agrícolas foi criado para permitir o trabalho colaborativo que integre escalas e disciplinas com abordagens de profundidade, baseadas na força de uma rede coordenada de cientistas. Para ele, “grandes desafios resultantes das mudanças climáticas incluem a determinação de caminhos específicos para respostas aos impactos, em meio a riscos diversos. Por exemplo, entender como calor, seca, inundação e enriquecimento de CO2 afetam o milho, isoladamente e em combinação, o contraste entre os sistemas de milho e os aspectos únicos de outras culturas, como em relação à biodiversidade amazônica”.

Múltiplos estudos nos informam sobre os limites de tolerância, identificam pontos críticos de risco e fornecem metas e limites para a adaptação. Para Ruane, também precisamos entender como as comunidades responderão às mudanças climáticas: quantos anos ruins são necessários antes que ocorra uma mudança? Isso requer mais informações sobre valores, mecanismos para minimizar riscos (por exemplo, seguros, subsídios, cadeias de suprimentos diversificadas) e a psicologia da tomada de decisões sob incerteza. Quase todo tipo de aplicação climática resulta de um envolvimento antecipado e sustentado e da colaboração com as partes interessadas, assevera.

Para o cientista há, efetivamente, enorme necessidade de “mais pesquisas sobre como choques alimentares por exemplo, queda na produtividade devido à seca) surgem em uma determinada região e reverberam via mercados globais, afetando uma gama de consumidores vulneráveis”. E adverte: “há poucos modelos publicamente disponíveis de cadeias de suprimento do sistema alimentar, estoques e reservas de alimentos e estratégias de gerenciamento adaptativo, dado os alertas iniciais de choques alimentares, abrangendo intervenções de mitigação e adaptação climáticas que possam ser implementadas com sucesso, mantidas e apoiadas, para se tornarem aspectos permanentes de comunidades mais sustentáveis”.

Difícil, nas circunstâncias, obter respostas convincentes e pragmáticas sobre esses eventos sem estreita colaboração entre a comunidade de pesquisa, governos em múltiplos níveis, o setor privado e a sociedade civil. Problema que avulta na Amazônia pelo distanciamento, ausência de conectividade e de governança do sistema de ensino e pesquisa regional. Pesquisadores locais questionam se “o desenvolvimento social e econômico se sobrepõe ao ambiente, qual exatamente a explicação das mudanças climáticas ou se, a continuar o ritmo do desmatamento, caminhamos para um inevitável colapso?”. Evidentemente, as respostas a essas indagações cabem à própria ciência. E elas somente advirão vis-a-vis a capacidade de interconectividade e governança do próprio sistema, nas seguintes condições: coesos, agregados, confiantes no futuro, avançamos; dispersos, isolados, involuímos ou, no mínimo, estagnamos.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista