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Pesquisadores da USP analisam cerca de 100 amostras de argila em área com terras raras em RR

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Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP. Foto: Complexo Barreira/Reprodução

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisam amostras de argila coletadas no Complexo Barreira, em Caracaraí, no Sul de Roraima, para identificar quais elementos de terras raras existem na área, em que quantidade e onde estão concentrados.

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As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos estratégicos para a indústria de alta tecnologia. Eles usados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Entenda mais abaixo.

As amostras foram coletadas na mesma área onde pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram, em 2025, rochas e argilas com altas concentrações de terras raras. Agora, a equipe da USP analisa as argilas para avaliar o potencial da ocorrência mineral.

Nas áreas analisadas até agora pela USP, as concentrações variam entre cerca de 0,3% e 0,6%, enquanto depósitos desse tipo costumam registrar índices entre 0,01% e 0,3%, segundo os pesquisadores.

Leia também: Mineração urbana pode reduzir impactos ambientais da produção das terras-raras

Complexo Barreira em Caracaraí, no Sul de Roraima. Foto: Complexo Barreira/Reprodução

Cerca de 100 amostras passam por análises químicas da equipe da USP. O trabalho começou em janeiro de 2026 e inclui a extração das terras raras das argilas, a medição da concentração dos elementos e a separação deles.

Segundo o professor e doutor em Química da USP, Henrique Eisi Toma, o estudo está na fase de prospecção (investigação). Além de mapear a área, a equipe analisa cada amostra de argila para identificar os elementos presentes, medir concentrações e confirmar os resultados por meio de técnicas laboratoriais.

“Não é só um mapeamento, é um trabalho analítico muito cuidadoso, muito trabalhoso que é necessário para saber realmente se tem terra rara. Então, tem muito trabalho químico envolvido nesse processo. É um trabalho exaustivo, mas necessário”, explicou Toma.

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas, e sim difíceis de separar e processar por terem propriedades químicas quase idênticas.

Análise da argila inclui tecnologia

Depois da etapa inicial de análise, os pesquisadores pretendem aplicar uma tecnologia de separação das terras raras desenvolvida pela USP e baseada em nanotecnologia.

A nanotecnologia é a criação e manipulação de materiais (nesse caso as terras raras de Roraima) em uma escala extremamente pequena, chamada nanométrica, que não pode ser observada a olho nu.

“Dominamos uma técnica de separação de terras raras que é única no mundo, ninguém mais sabe fazer isso. Ela é baseada em nanotecnologia. Então, a gente usando nanopartículas projetadas, trabalhadas para reconhecer terras raras, elas pegam as terras raras, separam, extraem e fazem um trabalho que, na ausência das nanopartículas, seria uma coisa quase que impossível de ser feita”, explicou.

O que são terras raras?

Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP.
Amostras de argila de área em Roraima são analisadas por pesquisadores da USP. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

As terras raras receberam esse nome no final do século XVIII e no início do XIX. Não é exatamente uma terminologia precisa: elas não são “terras” e nem tão “raras” assim na crosta terrestre. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos da Tabela Periódica. Fazem parte deste grupo:

  • Os 15 lantanídeos: elementos que vão do lantânio ao lutécio. Eles são “quimicamente pegajosos”: onde está um, geralmente estão todos os outros, o que torna a separação deles um dos maiores desafios da engenharia moderna.

O nome “lantanídeo” vem do primeiro elemento da fila, o Lantânio (do grego lanthanein, que significa ‘escondido’). É um nome muito apropriado, porque são elementos que ficam “escondidos” uns dentro dos outros nas rochas.

  • Escândio e ítrio: costumam aparecer associados aos lantanídeos e, por isso, também recebem o rótulo de “terras raras”.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. São 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

*Por Rede Amazônica Roraima.

Super El Niño amplia pressão sobre a segurança hídrica e reforça necessidade de ampliar soluções preventivas

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Usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo. Foto: Acervo Secom

O fortalecimento do El Niño recolocou a segurança hídrica no centro das discussões climáticas. Segundo os últimos monitoramentos, há 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início do outono de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade muito forte (“super El Niño”) entre outubro e dezembro deste ano. O cenário aumenta o risco de eventos climáticos extremos e amplia a pressão sobre rios, mananciais e reservatórios em diferentes regiões do país.

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Embora os impactos do El Niño variem regionalmente, com previsão de chuvas mais intensas no Sul e condições mais secas em parte do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, especialistas destacam que o momento também representa uma oportunidade para acelerar medidas capazes de tornar o país mais resiliente aos efeitos das mudanças climáticas.

Imagem colorida mostra formação de El Niño
Foto: NOAA

Para Márcio José, CEO da Aquapolo Ambiental e especialista em segurança hídrica, o desafio não é apenas enfrentar um possível Super El Niño, mas ampliar soluções que já demonstraram ser eficazes para reduzir os impactos da escassez hídrica.

“Fenômenos climáticos não podem ser evitados. O risco de faltar água, porém, pode ser reduzido com preparação, tecnologia e resiliência. Uma crise hídrica não começa quando falta água na torneira. Os sinais aparecem muito antes, e é nesse momento que as decisões fazem diferença”, afirma.

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Segundo o executivo, monitoramento, redução de perdas nas redes de distribuição, diversificação das fontes de abastecimento, investimentos em infraestrutura, recarga de aquíferos e reúso de água já fazem parte da estratégia de adaptação adotada por empresas e gestores públicos em diferentes regiões do país. O desafio, agora, é ampliar essas iniciativas antes que o El Niño e outros eventos extremos pressionem os sistemas de abastecimento.

Super El Niño amplia pressão sobre a segurança hídrica e reforça necessidade de ampliar soluções preventivas
Márcio José – CEO da Aquapolo. Foto: imagem de arquivo

“O Brasil já dispõe de tecnologias e experiências bem-sucedidas para fortalecer sua segurança hídrica. A questão é transformar essas iniciativas em uma estratégia cada vez mais abrangente de adaptação às mudanças climáticas”, acrescenta.

Entre essas soluções está o reúso de água para fins industriais, que reduz a retirada de água potável dos mananciais e ajuda a preservar esse recurso para o abastecimento da população. A Aquapolo produz até 1.000 litros por segundo de água de reúso para uso industrial e foi apontada em estudo do Banco Mundial como uma iniciativa que contribuiu para aumentar a resiliência hídrica durante as crises de 2014-2015 e 2021, permitindo que empresas mantivessem suas operações sem ampliar a captação de água dos reservatórios.

*Por Fernanda Casemiro, Press à Poter.

Selo Fiscal de Controle da água potável pode ser implementado no Amazonas

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Segundo a proposta, selo pretende dar maior transparência às informações relacionadas à qualidade e procedência da água mineral, natural ou potável de mesa. Foto: Divulgação/Assessoria

Essencial para a vida saudável, a qualidade da água potável consumida pelo ser humano é sempre um fator importante para a manutenção da saúde coletiva. Em alguns estados do país, como São Paulo, já existe uma legislação que regula o setor de água mineral, natural e potável, com a implantação de um Selo Fiscal e de Controle para regular a origem da água comercializada ao consumidor final.

No Amazonas, uma indicação prevê a criação do Selo Fiscal de Controle e Procedência para água mineral, natural e potável de mesa e foi enviada ao Poder Executivo como uma indicação. A proposta foi enviada para análise do governo estadual. A implementação do selo atende a uma demanda do setor produtivo e da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), que defende a regulação do setor.

Para o presidente da Fieam, Antônio Silva, o debate ultrapassa a questão arrecadatória e está diretamente relacionado à competitividade da indústria instalada no Amazonas. Segundo ele, a implantação do selo é uma pauta construída ao longo dos últimos cinco anos e representa uma resposta à necessidade de assegurar isonomia entre empresas que cumprem suas obrigações legais e aquelas que atuam à margem das exigências fiscais e regulatórias.

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“Os argumentos são sólidos e estão baseados em experiências concretas de outros estados. Precisamos dar uma resposta definitiva, porque a concorrência precisa acontecer em igualdade de condições”, afirmou Silva.

O consumo de água imprópria, contaminada e sem qualidade comprovada é uma das principais causas de doenças diarreicas agudas, leptospirose e hepatite A em todo o estado. Só em 2025, por exemplo, foram registrados mais de 300 mil casos dessas doenças no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). Ninguém está imune: sejam populações ribeirinhas, periferias e grandes centros urbanos.

Selo pode garantir mais segurança e procedência no consumo de água potável no estado.
Selo pode garantir mais segurança e procedência no consumo de água potável no estado. Foto: Ferwer.pt

Selo já existe em outros estados

Em alguns estados do país, como São Paulo, já existe uma legislação que regula o setor de água mineral, natural e potável, com a implantação de um Selo Fiscal e de Controle para regular a origem da água comercializada ao consumidor final. Nesta semana, a indicação da proposta já teve uma rodada de discussões nesta semana na Fieam, em reunião que contou com representantes do Executivo, do Legislativo e do setor produtivo.

Leia também: Selo passa a ser utilizado para identificar origem de produtos indígenas

Na ocasião, o governo apresentou instrumentos normativos do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), como o Convênio ICMS nº 119/2021, que autoriza a concessão de crédito presumido de ICMS correspondente ao valor pago pelos selos fiscais efetivamente utilizados pelas empresas, reduzindo os impactos financeiros da implantação do sistema.

Ao final da reunião, os participantes reforçaram a importância de ampliar o diálogo entre o setor produtivo e o poder público para avaliar os caminhos necessários à implementação do selo fiscal no Amazonas, alinhando o estado às boas práticas já adotadas em outras unidades da Federação.

Da Amazônia para a Coreia do Sul: artista visual amazonense participa de exposição em Gwangju

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Artista visual Manauara Clandestina. Foto: Raffaelle Oliveira

Em um momento de forte projeção global, impulsionado por passagens marcantes pela Bienal de Veneza (2024) e pela 36ª Bienal de São Paulo (2025), a artista visual Manauara Clandestina é um dos nomes confirmados na 16ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul. Ela integra a exposição “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento”, primeiro Pavilhão do Brasil na história do evento, em cartaz de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026 no Gwangju History & Folk Museum.

Na mostra, Manauara apresenta “A COBRA GRANDE” (2026), instalação têxtil monumental concebida em colaboração com seu irmão, o psicólogo e educador Henrique de Farias. O trabalho nasce do encontro entre a lenda ancestral amazônica e a experiência viva da migração e do trabalho.

“Desenvolver ‘A Cobra Grande’ ao lado do meu irmão, o Henrique, transformou a nossa própria experiência de deslocamento em matéria artística. Usamos uniformes, tecidos e marcas de uso para construir esse corpo em movimento, mostrando que a migração e o trabalho também são lugares de criação, resistência e reexistência”, explicou a artista.

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A poética do devir-serpente e a força amazônida

Artista Manauara apresenta “A COBRA GRANDE” (2026), instalação têxtil monumental concebida em colaboração com seu irmão, o psicólogo e educador Henrique de Farias.
Foto: Gonzalo Gaudenzi/Divulgação Assessoria

Estruturada a partir de vestimentas funcionais, uniformes de trabalho e tecidos carregados de memórias de travessia, a obra evoca a entidade da Cobra Grande, mitologia que habita as águas dos rios amazônicos, altera escalas e refaz mundos.

Para a artista, a serpente funciona como uma metáfora da própria experiência migratória e da identidade amazônida, representando um corpo que se desloca, troca de pele, contorna fronteiras e se refaz continuamente sem jamais perder o vínculo com seu território de origem.

A obra foi desenvolvida ao longo de um percurso itinerante que conecta a residência AiR 351 (Cascais, Portugal), a residência Tropismo (Seul) e a Bienal em Gwangju.

Leia também: Documentário inédito retrata trajetória de artistas visuais do Amazonas

Foto: Reprodução/Instagram-manauaraclandestina

Sobre a artista

Manauara Clandestina é artista visual e estudante de cinema. Sua formação foi marcada pela vivência em missões evangélicas no interior do Amazonas, onde iniciou seu contato com a arte por meio do teatro e da música na igreja. Desde cedo cantava na igreja e ajudava na organização do teatro e outras expressões que cabiam no culto evangélico pentencostal.

No retorno a Manaus, durante a adolescência, teve seu primeiro contato comum grupo de teatro amador, na qual semeou a sede de conhecer mais sobre performance. A vida clandestina a trouxe até a maior capital do país, e, no meio de uma transição e da necessidade de ser ouvida, nasce a Manauara Clandestina, como uma performer da noite.

Sua produção emerge como expressão da vida noturna urbana e se desenvolve em performances que exploram a experiência travesti, atravessada por processos de transição e afetividade. Propõe reflexões sobre as subjetividades de corpos dissidentes por meio de construções poéticas ligadas ao universo da moda. Acumula obras exibidas no Instituto de Arquitetos do Brasil e MASP, ambos em São Paulo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, na 1ª Bienal das Amazônias (Belém) e na 60ª Bienal de Veneza.

MPF processa Facebook por permitir conteúdos que incentivam garimpo ilegal na Amazônia

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Danos provocados pelo garimpo ilegal na região do rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. Foto: Funai/Via BBC

O Ministério Público Federal (MPF) em Roraima moveu uma ação contra o Facebook para que a empresa adote medidas que impeçam o uso da plataforma para promover o garimpo ilegal. O processo pede que plataforma previna e bloqueie a divulgação de postagens que façam apologia ou incentivem a atividade na Amazônia. A ação foi divulgada nesta quinta-feira (6).

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A ação abrange ainda o Instagram. O pedido à Justiça cita que essas plataformas são usadas, repetidas vezes, para incentivar o garimpo ilegal, o que causa problemas na região amazônica, aos povos indígenas e à saúde das populações expostas ao mercúrio. Em Roraima, ao menos dois territórios indígenas são impactados por garimpos: a Yanomami e a Raposa Serra do Sol.

A empresa foi procurada, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

Leia também: Secas extremas e garimpo ilegal são as principais ameaças do Amazonas, aponta relatório da Amazônia 2030

MPF processa Facebook por permitir conteúdos que incentivam garimpo ilegal na Amazônia
MPF processa Facebook por permitir conteúdos que incentivam garimpo ilegal na Amazônia. Foto: Ascom PRF

O processo tramita na 1ª Vara Federal Cível da Justiça Federal em Boa Vista. O MPF também pediu que a aplicação de multa diária de R$ 10 mil caso o Facebook seja condenado e descumpra a decisão.

Um inquérito, segundo o MPF, revelou o uso frequente do Facebook para incentivar a exploração ilegal de ouro em Roraima, embora o estado não tenha garimpos legalmente autorizados, o que torna ilícita toda atividade desse tipo desenvolvida na região. O pedido é assinado pelo procurador federal André Porreca.

Conteúdos incentivam garimpo

O órgão identificou diversos perfis e grupos públicos que promoviam ou incentivavam o garimpo ilegal. Após ser notificada, a empresa Facebook informou ter feito a remoção dos conteúdos apontados e forneceu esclarecimentos sobre parte das providências adotadas.

Entretanto, novas pesquisas do MPF constataram que, mesmo após a retirada das postagens denunciadas, outros conteúdos semelhantes continuavam sendo publicados.

MPF processa Facebook por permitir conteúdos que incentivam garimpo ilegal na Amazônia. Foto: Gustavo Basso

Leia também: Área degradada pelo garimpo cai, mas atividade muda estratégia e segue na Terra Indígena Yanomami

Então, a instituição solicitou esclarecimentos sobre a existência de tecnologias capazes de impedir, de forma preventiva, a publicação de conteúdo desse tipo. Inclusive, com o monitoramento de palavras-chave e da origem geográfica das postagens.

De acordo com o procurador Porreca, que atua no enfrentamento da mineração ilegal, a empresa não cumpriu as obrigações que o órgão determinou.

“O histórico evidencia um ciclo que se repete há mais de dois anos, no qual o MPF identifica e notifica os conteúdos ilícitos. A empresa os remove e, em curto intervalo, novas publicações de idêntico teor reaparecem nas mesmas plataformas, por vezes nos mesmos perfis, sem que a empresa institua mecanismos preventivos minimamente eficazes ou assuma, em instrumento vinculante, as obrigações estruturais que lhe foram propostas”, afirmou.

Falta de prevenção

Embora a empresa tenha removido grande parte das publicações notificadas, a atuação permaneceu limitada à exclusão dos conteúdos após denúncia. Contudo, de acordo com o MPF, sem a adoção de mecanismos preventivos considerados eficazes.

Como alternativa ao ajuizamento da ação, o MPF chegou a propor outras medidas, como, por exemplo, o uso de ferramentas de inteligência artificial para impedir a divulgação de conteúdos relacionados ao garimpo ilegal.

Além disso, a inclusão de proibição expressa desse tipo de publicação nos termos de uso das plataformas, o fornecimento célere de dados cadastrais às autoridades e regras para advertência e bloqueio de usuários reincidentes. As propostas, porém, não resultaram em acordo.

Pedidos

Na ação, o MPF pede, no prazo de 60 dias, a implantação de avisos preventivos aos usuários quando forem publicados conteúdos relacionados à mineração ou ao garimpo, informando que é proibida a divulgação de material que incentive a extração ilegal de recursos minerais.

Também requer que a empresa apresente, em até 90 dias, um plano de aprimoramento dos sistemas de detecção de conteúdos relacionados ao garimpo ilegal, incluindo o treinamento de ferramentas de inteligência artificial, monitoramento de palavras-chave e reconhecimento de imagens características da atividade, como dragas, balsas de extração e pistas de pouso clandestinas.

MPF processa Facebook por permitir conteúdos que incentivam garimpo ilegal na Amazônia. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Em caso de descumprimento, o órgão pede a aplicação de multa diária de R$ 10 mil por obrigação não cumprida. A medida solicita que a empresa seja obrigada a prevenir e coibir conteúdos de incitação ou apologia ao garimpo ilegal, aperfeiçoando continuamente seus mecanismos tecnológicos e de moderação.

Entre os pedidos estão a inclusão expressa da proibição desse tipo de conteúdo nos termos de uso das plataformas, a aplicação de advertências, suspensão e desativação de contas de usuários reincidentes.

Além disso, solicita a remoção de conteúdos ilícitos após notificação das autoridades, o fornecimento de dados cadastrais dos responsáveis pelas publicações, a preservação de registros de acesso e geolocalização quando houver determinação judicial e a proibição da veiculação de anúncios pagos que promovam ou incentivem o garimpo ilegal.

*Por Rede Amazônica Roraima.

Indígenas protestam contra a lei do marco temporal na BR-174 em Roraima

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Indígenas de Roraima em protesto contra a lei do marco temporal. Foto: CIR/Divulgação

Indígenas de Roraima iniciariam nesta quinta-feira (6) uma mobilização contra a lei do marco temporal. Pela manhã, o grupo ocupou um trecho da BR-174, na altura do km 676, ponte do Rio Surumu, Pacaraima, ao Norte do estado.

O ato ocorre em razão do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de recursos relacionados à Lei 14.701/2023. A análise está prevista para ser feita em plenário virtual entre os dias 7 e 18 de agosto. O movimento indígena pede que o caso seja julgado presencialmente pelos ministros.

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O que é a lei do marco temporal? 

O marco temporal é uma tese que estabelece que os povos indígenas só teriam direito à demarcação de terras se comprovassem que ocupavam ou disputavam a área em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

Os povos indígenas são contrários à tese. Eles argumentam que a data não é um critério adequado para definir o direito às terras tradicionais, pois muitas comunidades foram expulsas de seus territórios antes de 1988, especialmente durante a ditadura militar, e há povos com formas de ocupação que não envolvem permanência contínua em uma mesma área.

Leia também: Portal Amazônia responde: Entenda o que é o ‘marco temporal’ para terras indígenas

Indígenas protestam contra a lei do marco temporal na BR-174 em Roraima
Indígenas em mobilização contra a lei do marco temporal em Roraima. Foto: CIR/Divulgação

Participam da mobilização contra a lei do marco temoral indígenas das regiões Serras, Surumu, Serra da Lua, Raposa, Alto Cauamé, Amajarí, Itacutú e São Marcos.

Durante o ato desta quinta, em Roraima, a BR-174 ficou interditada nos dois sentidos entre 13h e 15h —após esse horário, o acesso à rodovia foi liberado. A manifestação foi acompanhada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O principal ponto de concentração dos indígenas é o Centro Makunaima, na terra indígena São Marcos, em Pacaraima.

*Por Rede Amazônica Roraima.

Acervo de memórias: colecionador reúne mais de 7 mil chaveiros no Amapá

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Colecionador de chaveiros em Macapá. Foto: Michele Ferreira/Rede Amazônica

O que começou como um passatempo nos anos 80, transformou o quarto da casa do policial civil Nelson Julião em um verdadeiro museu particular. Aos 68 anos, ele reúne décadas de histórias no bairro do Cabralzinho, na Zona Oeste de Macapá.

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Ao todo, o acervo principal conta com 7.151 chaveiros organizados por temas, que incluem desde times de futebol e miniaturas de veículos até réplicas de armas e símbolos das forças de segurança pública.

‘Museu do vovô’ e apoio da família

A neta de Nelson, Ana Alice Alencar, de 9 anos, é frequentadora assídua do local e chama o espaço de “museu do vovô”. O acervo também presta homenagem à esposa de Nelson, dona Nazaré, falecida recentemente, que sempre apoiou o hábito do marido.

Além dos chaveiros, o espaço abriga coleções de moedas, selos, discos de vinil e aparelhos celulares antigos.

Leia também: Amazonenses revelam o que os faz manter a paixão pelo hobby de colecionar

colecionador reúne mais de 7 mil chaveiros no Amapá
Nelson amplia a coleção com outros itens. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica

Sem intenção de parar, Nelson continua adquirindo novos itens em feiras, viagens e trocas com outros colecionadores pela internet.

Parte das peças ainda aguarda espaço nos quadros para ser exposta, garantindo a continuidade desse acervo de memórias.

Acervo de memórias tem mais de 7 mil chaveiros em Macapá. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica

7,1 mil itens e acervo numerado

Para não perder o controle de quantidade, Nelson catalogou todos os objetos manualmente em uma lista numerada.

O cuidado com as peças é rigoroso. O colecionador faz a limpeza de cada quadro e item individualmente com pincéis pequenos e não permite a entrada de pessoas estranhas no cômodo.

“Apenas minhas netas podem entrar aqui. Eu tiro quadro por quadro para limpar”, conta o aposentado.

caderno colecionador de chaveiros. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica

Lembranças pelo mundo

A paixão mobilizou amigos e familiares, que costumam trazer lembranças de viagens pelo Brasil e pelo exterior.

Entre os itens da coleção estão peças vindas do Paraguai e de países do continente africano, além de miniaturas com elementos regionais, como sacos de farinha e potes de açaí.

Resgate da memória local

Além do valor afetivo, a coleção preserva a história comercial do Amapá. Um dos quadros reúne marcas de antigas empresas de transporte, lojas de departamento e estabelecimentos locais que já encerraram as atividades.

O acervo também inclui representações de pontos turísticos, como a Fortaleza de São José de Macapá.

Fortaleza de São José de Macapá em chaveiro. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica

O hábito de guardar os objetos começou no início da década de 1980, quando Nelson trabalhava no setor de cobrança de uma empresa local.

“Quando chegava o fim do ano, eu sempre pedia chaveiros aos clientes. Foi assim que a coleção começou a crescer”, lembra.

*Por Isadora Pereira e Michele Ferreira, Rede Amazônica Amapá.

Revolução Acreana 124 anos: Relembre fatos que levaram à anexação do Acre ao Brasil

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Mapa mostra locais onde os revolucionários enfrentaram o exército boliviano. Foto: Acervo Digital: Dept° de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

O Acre celebro na quinta-feira (6) os 124 anos do início da Revolução Acreana, conflito que mudou os rumos da história da região e abriu caminho para a incorporação do território ao Brasil.

A data faz referência ao ataque comandado por Plácido de Castro contra a Intendência Boliviana, em Xapuri, considerado o marco da fase decisiva da guerra que terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

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Embora o confronto tenha começado oficialmente em 6 de agosto de 1902, a disputa pelo território vinha se desenhando havia décadas. Até o fim do século XIX, a área pertencia à Bolívia, mas passou a ser ocupada por milhares de migrantes nordestinos que fugiam da seca e encontraram na extração do látex uma oportunidade de trabalho durante o auge do ciclo da borracha.

A intensa presença de brasileiros em uma área oficialmente boliviana aumentou as tensões entre os dois países. Em 1899, ocorreu a primeira grande insurreição, liderada pelo jornalista e diplomata espanhol Luís Gálvez Rodríguez de Arias, que proclamou a República Independente do Acre.

O governo, porém, durou pouco mais de três meses, já que o Exército Brasileiro interveio para cumprir o Tratado de Ayacucho, firmado em 1867, que reconhecia a soberania boliviana sobre a região.

Nos anos seguintes, outras tentativas de resistência foram organizadas até que, em 1902, os seringalistas decidiram convocar o ex-militar gaúcho Plácido de Castro para liderar uma nova ofensiva.

O objetivo era impedir o fortalecimento da administração boliviana e barrar a instalação do Bolivian Syndicate, empresa anglo-americana que havia recebido do governo da Bolívia o direito de explorar economicamente a região.

Leia também: Festa da Revolução Acreana do bairro 6 de Agosto é patrimônio imaterial de Rio Branco

Plácido de Castro, líder da Revolução Acreana. Foto: Acervo Digital: Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural - FEM
Plácido de Castro, líder da Revolução Acreana. Foto: Acervo Digital: Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

‘Não é guerra, é revolução!’

Na madrugada de 6 de agosto de 1902, Plácido de Castro e um pequeno grupo de revolucionários invadiram a Intendência Boliviana em Xapuri, prenderam militares e deram início à quarta e última fase da Guerra do Acre.

A escolha da data não foi por acaso. Segundo historiadores, o ataque estava inicialmente previsto para julho, mas precisou ser adiado devido ao atraso na chegada das armas. A nova data coincidiu com as comemorações da Independência da Bolívia, estratégia que ajudou a surpreender as tropas bolivianas durante a ofensiva.

Os combates se estenderam por cerca de seis meses e terminaram, militarmente, em janeiro de 1903, após a vitória das forças acreanas. A incorporação definitiva do território ao Brasil, no entanto, só foi oficializada meses depois, em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis.

O acordo foi negociado pelo Barão do Rio Branco e garantiu ao Brasil a posse do Acre mediante compensações financeiras e territoriais à Bolívia. Até hoje, não há consenso sobre o número de mortos no conflito, mas estimativas apontam que ao menos 500 pessoas perderam a vida durante a guerra.

Revolução acreana completa 124 anos. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Legado e debates

Passados 124 anos, a Revolução Acreana continua sendo um dos principais marcos da identidade do estado. A data é celebrada anualmente com programação no bairro Seis de Agosto, em Rio Branco, um dos mais antigos da capital e que recebeu esse nome justamente em homenagem ao início do conflito.

Em 2025, a festa passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município, garantindo proteção às manifestações culturais, desfiles cívicos, jogos tradicionais e demais expressões que preservam a memória da revolução e da formação da comunidade local.

Além das comemorações, a história da Revolução Acreana segue despertando debates entre pesquisadores.

Casa Memória preserva história da Revolução Acreana. Foto: Alex Machado/FEM

Novos estudos propõem revisões da narrativa tradicional e questionam, por exemplo, o uso da própria expressão “Revolução Acreana”, defendendo que o processo de nacionalização do território foi mais complexo do que a versão heroica difundida ao longo do século XX.

Ainda assim, o movimento liderado por Plácido de Castro permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história do Acre e um símbolo da formação do estado brasileiro.

*Por Rede Amazônica Acre.

Portal Amazônia responde: o que é transição verde?

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Transição verde é o processo de transformação da economia e da sociedade para reduzir os impactos ambientais, substituindo práticas poluentes por alternativas mais sustentáveis. Foto: Reprodução/Blog Assine Bem

Já pensou em trocar o seu carro antigo, aquele que gasta muita gasolina e polui bastante com o ar (isso sem falar das peças caras) por um modelo mais eficiente e menos poluente? Essa é a comparação mais prática para exemplificar a transição verde, que é o processo de transformação da economia e da sociedade para reduzir os impactos ambientais e enfrentar as mudanças climáticas, substituindo práticas poluentes por alternativas mais sustentáveis.

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O objetivo da transição verde é promover um futuro urbano sustentável conciliando o crescimento econômico e o desenvolvimento das cidades com a preservação ambiental e inclusão social. De forma prática, esse modelo envolve mudanças na produção de energia, fabricação de alimentos, cultivo de alimentos, transporte de pessoas e mercadorias e até no uso consciente dos recursos naturais.

No entanto, a transição verde só funciona de uma forma: por meio de uma estratégia integradora e colaborativa entre todas as partes que compõem a sociedade. Ou seja, cidadãos, empresas e o poder público precisam estar interligados para que a mudança transformadora se consolide para a criação e um futuro mais sustentável.

Transição verde
Objetivo da transição verde é promover um futuro urbano sustentável aliando preservação ambiental e inclusão social. Foto: Reprodução/CNBB

Principais pilares da transição verde

A transição verde necessita de uma série de medidas para que ela atinja o seu principal objetivo. As principais são:

  • Energia limpa: substituição de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) por fontes renováveis, como energia solar, eólica, hidrelétrica e biomassa.
  • Descarbonização: redução das emissões de gases de efeito estufa por empresas, governos e cidadãos.
  • Economia circular: reaproveitamento, reciclagem e reutilização de materiais para diminuir o desperdício e a extração de recursos naturais.
  • Uso sustentável dos recursos naturais: manejo responsável de florestas, água, solo e biodiversidade.
  • Agricultura de baixo carbono: adoção de técnicas que aumentem a produtividade reduzindo as emissões e preservando os ecossistemas.
  • Mobilidade sustentável: incentivo ao transporte coletivo, veículos elétricos, bicicletas e combustíveis menos poluentes.
  • Inovação e tecnologia: desenvolvimento de soluções para tornar processos produtivos mais eficientes e sustentáveis.

Leia também: Brasil pode liderar transição verde e gerar empregos e crescimento econômico no país, aponta estudo

Qual a posição do Brasil no tema

Amazônia. Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

O Brasil possui vantagens estratégicas para liderar o processo de transição verde. Além de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, o país possui grande potencial para produção de energia solar e eólica e a capacidade de produzir biocombustíveis como etanol e biodiesel.

A abundância dos recursos hídricos e a Amazônia, que desempenha papel fundamental na regulação do clima global, colocam o território brasileiro em destaque para a estratégia sustentável. Porém, o país ainda enfrenta desafios ambientais como o desmatamento ilegal, precariedade do saneamento básico e alta emissão de carbono na industrialização e agropecuária.

Transição verde “justa”

Um conceito cada vez mais utilizado é o de transição justa, que se refere ao enfrentamento das mudanças climáticas de maneira equitativa, justa e inclusiva. Isso significa criar oportunidades de trabalho decentes para todos, evitar riscos como o desemprego e o deslocamento de pessoas, e sim adotar uma abordagem inclusiva para lidar com os desafios associados à transição para uma economia de baixo carbono.

A transição justa não se limita à criação de novos empregos para aqueles que têm seus meios de vida ligados aos combustíveis fósseis, embora esse seja um aspecto importante. Ela também pode envolver a reparação de desigualdades históricas, como a exposição desigual à poluição.

Pode envolver a garantia de que benefícios sociais – como transporte limpo ou novas oportunidades no mercado de trabalho – estejam disponíveis para todos. E pode incluir a priorização do bem-estar social como um indicador-chave do progresso nacional.

*Com informações do Santander Open Academy

APA Triunfo do Xingu lidera pressão por desmatamento pelo quinto ano consecutivo na Amazônia

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Estradas e maquinário ilegais em terras indígenas Yanomami na Amazônia. Foto: Valentina Ricardo/Greenpeace

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre do ano, entre abril e junho de 2026. A unidade de conservação estadual, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa a primeira posição no período há cinco anos consecutivos.

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O Pará também se destacou por concentrar o maior número de áreas protegidas entre as mais afetadas pelo desmatamento no segundo trimestre de 2026. Além da APA Triunfo do Xingu, outras três unidades localizadas no estado estão entre as mais pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas protegidas, e Mato Grosso, com duas.

Áreas Protegidas com mais pressão (abril a junho de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1APA Triunfo do Xingu UCE PA 
2Resex Chico Mendes UCF AC 
3APA do Tapajós UCF PA
4APA do Lago de Tucuruí UCE PA 
5TI Yanomami TI AM/RR 
6Resex Guariba-Roosevelt UCE MT 
7FES do Antimary UCE AC 
8FES do Mogno UCE AC 
9PI Xingu TI MT 
10APA Arquipélago do Marajó UCE PA 

Os dados fazem parte do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, elaborado pelo Imazon. O estudo monitora o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal, distinguindo os territórios sob ameaça, quando a perda de floresta ocorre no entorno, dos territórios sob pressão, quando o desmatamento ocorre dentro de seus limites. Os resultados de 2026 já indicavam a APA Triunfo do Xingu entre as áreas protegidas mais pressionadas desde o início do ano.

“A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Leia também: APA Triunfo do Xingu é a área protegida mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2026

APA Triunfo do Xingu
Foto: Reprodução/IDEFLOR-Bio

O Pará também lidera o ranking dos estados com mais territórios ameaçados pelo desmatamento. Ao todo, cinco áreas protegidas paraenses estão entre as mais ameaçadas no segundo trimestre de 2026.

Apesar desse cenário no Pará, foi no Acre que o levantamento identificou a área protegida mais ameaçada: a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, que enfrenta um histórico de problemas ambientais e, no segundo trimestre de 2026, também ocupou a segunda posição entre as áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento.

Áreas Protegidas com mais ameaça (abril a junho de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1Resex Chico Mendes UCF AC 
2Flona do Iquiri UCF AM 
3APA do Tapajós UCF PA 
4APA do Lago de Tucuruí UCE PA 
5Parna Mapinguari UCF AM/RO 
6TI Baú TI PA 
7TI Araribóia TI MA 
8Flona do Trairão UCF PA 
9TI Trincheira/Bacajá TI PA 
10FES do Antimary UCE AC 

“A situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno. Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas, a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos para a floresta e para as populações locais”, observa a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Terras Indígenas seguem sob risco de avanço do desmatamento

Entre as terras indígenas, a Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, e o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, tiveram mais alertas de desmatamento registrados. Entre as dez terras indígenas mais pressionadas, quatro também apareciam no levantamento anterior, indicando a continuidade das perdas florestais.

Além de abrigar parte da TI Yanomami, que lidera o ranking das mais pressionadas pelo desmatamento desde o primeiro trimestre de 2026, o Amazonas reúne outras três áreas entre as dez mais pressionadas no segundo trimestre, se consolidando como o estado com o maior número de TI’s com pressão.

“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta Bianca.

Terras indígenas com mais Pressão (abril a junho de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Yanomami AM/RR 
2PI Xingu MT 
3TI Cachoeira Seca do Iriri PA 
4TI Aripuanã MT 
5TI Mundurucu PA 
6TI Pirahã AM 
7TI Rio Biá AM 
8TI Araribóia MA 
9TI Coatá-Laranjal AM 
10TI Krikati MA 

Já entre as terras indígenas mais ameaçadas, ou seja, com mais ocorrências de desmatamento em seu entorno, estão a Baú, no Pará, e a Araribóia, no Maranhão. Em seguida, aparece a TI Trincheira/Bacajá, também no Pará, que foi a mais ameaçada em 2025. O levantamento destaca a persistência desse cenário: metade das dez terras indígenas mais ameaçadas no período já havia aparecido no mesmo trimestre do ano passado.

Terras indígenas com mais Ameaça (abril a junho de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Baú PA 
2TI Araribóia MA 
3TI Trincheira/Bacajá PA 
4TI Parakanã PA 
5TI Caititu AM 
6TI Cana Brava MA 
7TI Jacareúba/Katawixi AM 
8TI Peneri/Tacaquiri AM 
9TI Água Preta/Inari AM 
10TI Igarapé do Caucho AC 

Metodologia do estudo permite antecipar avanço do desmatamento

Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de desmatamento nos territórios amazônicos, o relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma metodologia específica. A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificam quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.

Imagem de 2020 já mostrava área de garimpo ilegal na APA Triunfo do Xingu em 2020. Foto: Semas/PA

A partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon.