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Saiba quais lendas, mitos e rituais foram para o Bumbódromo na terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A última noite do 59º Festival Folclórico de Parintins encerrou o espetáculo com narrativas que exaltam a ancestralidade, a espiritualidade e a força dos povos da Amazônia.

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Na arena do Bumbódromo, os bois Caprichoso e Garantido apresentaram histórias inspiradas em lendas amazônicas, rituais indígenas e figuras típicas que ajudam a preservar memórias, crenças e modos de vida transmitidos de geração em geração.

Caprichoso

3ª noite – 28 de junho

Lenda Amazônica: Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente

O Boi Caprichoso leva para a arena o tema Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente, uma lenda ligada à região da Ilha do Bananal. A narrativa conta a história do jovem guerreiro Maricá, que decide enfrentar criaturas gigantescas e ferozes que aterrorizavam seu povo ao devorar os homens que se aventuravam pela mata.

Com a ajuda encantada de duas guardiãs da floresta, a Cobra e o Sapo, Maricá recebe flechas fortalecidas pela magia e descobre o ponto fraco dos monstros. Sua coragem e inteligência permitem derrotar as criaturas e devolver a paz à comunidade.

 Conheça as lendas, mitos e rituais da terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins
Lenda Amazônica: Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Saiba quais lendas, mitos e rituais foram para o Bumbódromo na terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Leia também: Conheça as lendas da Amazônia que mexem com imaginário popular

Figura Típica Regional: As Farinheiras da Amazônia

Na figura típica regional, o Caprichoso homenageia As Farinheiras da Amazônia, mulheres que mantêm viva uma das tradições mais importantes da cultura alimentar amazônica. Presentes em aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombos e territórios caboclos, elas são responsáveis por preservar os conhecimentos sobre o cultivo da mandioca e a produção da farinha, alimento que ocupa papel central na identidade dos povos da região.

A apresentação destaca a casa de farinha como espaço de convivência, transmissão de saberes e fortalecimento comunitário. Entre tipitis, paneiros, fornos e o tradicional puxirum, sistema de trabalho coletivo baseado na cooperação, as farinheiras representam a força feminina que garante a continuidade de práticas ancestrais.

As Farinheiras da Amazônia. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin

O ritual acompanha a formação do pajé, que precisa atravessar o portal Inhum-djêk, descrito como uma gigantesca teia de aranha suspensa entre o céu e a terra.

A travessia representa uma prova espiritual, já que apenas aqueles considerados preparados conseguem alcançar o plano celestial, onde encontram Okti, o Grande Gavião-Real, reconhecido como o primeiro grande xamã. Ao concluir a iniciação, o pajé recebe o dom de transitar entre diferentes dimensões espirituais, dialogar com as forças da natureza, recuperar almas, curar enfermidades e proteger seu povo.

A apresentação evidencia a profunda relação entre espiritualidade, natureza e conhecimento tradicional existente nas cosmologias indígenas, reforçando a importância dos pajés como mediadores entre o mundo visível e o invisível.

Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Garantido

3ª noite – 28 de junho

Lenda Amazônica: Templo do Sol

O Boi Garantido apresenta a lenda Templo do Sol, inspirada na tradição do povo Konduri. Segundo a narrativa, Kwaracy, o Sol, caminhava pela Terra em forma humana, espalhando vida por onde passava.

Seu brilho intenso, porém, assustou os homens, que se esconderam na floresta. Diante do medo, o Sol retornou ao céu, mergulhando o mundo na escuridão.

Foi então que Yacy, a Lua, convenceu o irmão a retornar. Ao tocar as urnas cerâmicas produzidas pelos Konduri, Kwaracy lhes concedeu vida e fez delas o abrigo do fogo da criação, e com o passar do tempo, surgiu a Rainha do Sol, filha da união entre Kwaracy e uma mulher encantada das águas, responsável por ensinar o respeito à floresta, aos rios e aos elementos sagrados da natureza.

A lenda une elementos da cosmologia indígena com a rica tradição ceramista do povo Konduri, ressaltando a importância da arqueologia amazônica e da preservação de sua memória ancestral.

Lenda Amazônica: Templo do Sol. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Leia também: Rituais indígenas: descubra 6 personalidades que já vivenciaram experiências com povos originários

Figura Típica Regional: Festeiro de Santo

Na figura típica regional, o Garantido prestou homenagem ao Festeiro de Santo, personagem tradicional das comunidades amazônicas que mantém viva a devoção popular. Também chamado de promesseiro, ele organiza as festas religiosas em agradecimento às graças alcançadas, reunindo moradores em celebrações marcadas por procissões, ladainhas, mastros, fogueiras, comidas típicas, música e dança.

A apresentação também faz referência ao poeta e fundador do Boi Garantido, Lindolfo Monteverde, conhecido por sua forte devoção a São João Batista e pelo compromisso de manter viva essa tradição religiosa. Dessa forma, o item destaca a mistura entre fé, cultura popular e identidade amazônica que marca as festividades do interior da região Norte.

Festeiro de Santo. Foto: Reprodução/ Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: A Travessia das Cinzas

O Garantido levou para a arena o Ritual da Travessia das Cinzas, baseado nos costumes funerários da civilização Konduri, povo que habitou as margens dos rios Amazonas, Trombetas, Tapajós e Nhamundá.

Na tradição apresentada, a morte representa uma passagem para outro plano de existência. Após o falecimento, o corpo era colocado sobre uma pira para ser purificado pelo fogo, símbolo de transformação e libertação do espírito.

O pajé conduzia a cerimônia em uma canoa que lembrava um grande jacaré, animal associado ao poder de conduzir a alma durante a travessia para o mundo espiritual. O ritual também ressalta a presença das figuras zoomorfas encontradas nas cerâmicas Konduri, representações que evidenciam a relação de equilíbrio entre seres humanos, animais e natureza.

Ritual Indígena: A Travessia das Cinzas. Foto: Reprodução/Revista Oficial Boi Garantido 2026
Foto: Reprodução/Secom AM

“Nós pagamos um preço altíssimo por morar na Amazônia”, afirma Sérgio Petecão sobre preço das passagens aéreas

Arte: Reprodução/Amazon Sat

Em uma conversa no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, o senador pelo estado do Acre, Sérgio Petecão (PSD), afirmou que as empresas que realizam que vendem passagens aéreas para voos entre cidades da Amazônia tem tratamentos diferentes com as pessoas que vivem na região em comparação com as pessoas que vivem no restante do país.

O argumento é voltado à discutir o alto preço praticado em voos entre cidades dentro da Amazônia. Para Petecão é “totalmente desproporcional” quando se fala dos valores encontrados nas passagens aéreas vendidas para a região amazônica.

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“É um absurdo! Totalmente desproporcional. Isso é uma agressão para nós que moramos na Amazônia. Nós pagamos um preço altíssimo por morar na Amazônia. Temos que preservar, cuidar da floresta e em contrapartida sofrer um absurdo como esse. Então nós não vamos nos calar. Nós já aprovamos na Câmara, vamos levar ao Senado, unir forças. Agora nós temos que resolver esse problema de uma vez por todas. Nós que moramos na Amazônia não merecemos esse tratamento fora do padrão que é dado a outros estados”, afirmou Petecão.

Projetos de lei apensados para nova legislação

Conduzido pelo jornalista Welliton Lopes, da Rede Amazônica em Brasília, o programa Entrevistas também ouviu o deputado federal pelo Amazonas Sidney Leite (PSD) que explicou a proposta dos parlamentares da Amazônia para mudar a legislação sobre o fornecimento de transporte aéreo e a permissão do Governo Federal para a exploração de empresas nesse setor.

Leia também: “Existe um lobby pesado das empresas de aviação aérea para não abrir concorrência”, afirma Sérgio Petecão sobre oferta de voos na Amazônia

De acordo com Sidney Leite, a Câmara Federal já aprovou um texto que foi feito a partir de diversos projetos de lei de parlamentares que propõe mudanças nesse setor. O deputado federal pelo Amazonas foi o relator desse texto na Câmara Federal que agora segue para o Senado.

“Nosso objetivo é ter a oferta do voo, mas também ter um preço acessível para a população. Então nós deputados tivemos essa preocupação e o texto do senador Petecão contempla isso. E o nosso objetivo é esse: aumentar a oferta de voos, diminuir o preço das passagens, diminuir o preço das tarifas para carga e que a gente possa com isso melhorar não só a mobilidade interna na Amazônia pra quem deseja ir ou deseja sair de Manaus, de Rio Branco, ou de qualquer outra cidade, para qualquer outra região do país. O que nós não podemos é ser tratados como brasileiros de segunda categoria e passar por essa humilhação”, afirmou Leite.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Conheça as lendas, mitos e rituais apresentadas na segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins 

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins mergulha ainda mais na riqueza da cultura amazônica. Em suas apresentações, Caprichoso e Garantido levaram ao Bumbódromo narrativas que uniram espiritualidade, ancestralidade e a relação dos povos originários com a floresta.

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Os bumbás realizam pesquisas na Amazônia e apresentam lendas, rituais indígenas e figuras típicas que ajudam a preservar saberes transmitidos há gerações na região.

Leia também: Quais lendas inspiraram as toadas dos bois no Festival de Parintins 2026?

Caprichoso

2ª Noite – 27 de junho 

Lenda Amazônica: Curupira – O Guardião da Vida

Na lenda amazônica da noite, o Boi Caprichoso apresentou ‘Curupira- O Guardião da Vida’, um dos seres mais conhecidos do imaginário amazônico. Muito além da figura folclórica dos pés virados para trás, o Curupira foi retratado como uma força ancestral responsável por proteger a floresta, seus animais e seus povos. 

Segundo a lenda, ele representa o pensamento vivo da mata, observando os movimentos humanos e zelando pelo equilíbrio da vida. Na concepção apresentada pelo boi azul, o Curupira representa a força e a resistência regeneradora da floresta, diante das ameaças aos territórios amazônicos, seus povos e seus modos de vida. 

No imaginário, sua imagem sintetiza as forças fundamentais da natureza amazônica, em que fogo manifesta-se em seus cabelos avermelhados; o vento acompanha seus movimentos velozes; a terra sustenta sua missão de guardião dos caminhos da mata; e a água conecta sua existência aos rios que alimentam a vida.

Lenda do Curupira – O Guardião da Vida. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Figura Típica Regional: Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia

A Figura Típica Regional do Caprichoso homenageia os pescadores e pescadoras da Amazônia, personagens que fazem dos rios seu território de vida e trabalho.

Guiados pelos conhecimentos transmitidos entre gerações, esses trabalhadores conhecem o comportamento das águas, dos peixes, dos ventos e da floresta. Além de garantirem o sustento de milhares de famílias, carregam uma forte espiritualidade, conciliando a devoção a São Pedro com respeito aos encantados das águas, como o Boto, a Yara e a Cobra Grande.

Na retratação do boi na arena, o pescador ergueu-se como reflexo da Amazônia, que entre redes e remos celebra a fé, a fartura e a dignidade de quem vive na beira do rio, mantendo viva a tradição. 

Figura Típica Regional: Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de Transcendência Asurini – Maraká

O ritual indígena da segunda noite é o Maraká, cerimônia xamanística do povo Asurini do Xingu, que representa a busca pela cura e pelo equilíbrio espiritual. Durante a cerimônia, o xamã estabelece contato com os espíritos ancestrais por meio de cantos sagrados, do maracá e da dança, tornando-se um elo entre o mundo humano e o espiritual.

A representação também destaca a participação das mulheres Asurini, responsáveis pelos cantos e pela preparação do mingau ritual. Sua presença é fundamental para o desenvolvimento do Maraká, revelando o papel das mulheres na manutenção da memória, da espiritualidade e dos ciclos de vida da comunidade.

Na arena do Boi Caprichoso, o Maraká surgiu como expressão da sabedoria ancestral dos povos originários e da profunda relação entre a floresta, a espiritualidade e a coletividade.

Lenda Amazônica: Curupira - O Guardião da Vida
Ritual do Maraká. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Garantido

2ª noite- 27 de junho

Lenda Amazônica: Kamara

O Boi Garantido  apresentou como lenda amazônica da segunda noite, a Kamara, inspirada na cosmologia do povo Hexkaryana, que vive nas regiões dos rios Nhamundá e Jatapu.

Segundo a tradição, antes da existência da luz e do tempo havia apenas o sopro primordial chamado Yuxibu. Foi dele que surgiu Kamara, a onça mãe, considerada a origem da floresta, da vida e dos primeiros tempos do mundo.

A narrativa conta que Kamara moldou montanhas, rios, árvores e o céu, ensinando aos primeiros seres humanos que toda forma de vida possui espírito, memória e voz. Ainda hoje, a onça ancestral permanece como guardiã da natureza, protegendo aqueles que vivem em harmonia com a floresta.

Lenda Kamara. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Figura Típica regional: Coletores da Amazônia- Povo do Jamaxi

Na Figura Típica Regional, o boi Garantido prestou homenagem aos Coletores da Amazônia- Povo do Jamaxi, representando homens e mulheres que vivem do extrativismo sustentável.

São seringueiros, castanheiros, peconheiros, erveiras, artesãos e outros trabalhadores tradicionais que coletam frutos, sementes, óleos, cipós e plantas medicinais sem destruir a floresta, preservando conhecimentos passados por gerações e contribuindo para a conservação da biodiversidade amazônica.

Coletores da Amazônia- Povo do Jamaxi. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Espíritos Guardiões- Ritual Hehkaryana

O Garantido apresentou o Ritual Hehkaryana- Espíritos Guardiões, retratando a jornada espiritual dos pajés durante os rituais de cura. Na narrativa, o espírito do pajé deixa o corpo e percorre caminhos encobertos pela neblina, onde enfrenta forças ligadas à inveja, à enfermidade e pelo desequilíbrio da comunidade.

No momento mais difícil da batalha surgem os Kaxwana, espíritos guardiões que assumem a forma de animais sagrados da floresta para proteger o curador, e sob sua proteção, o curador ergue o maracá e entoa os cânticos sagrados que restabelecem a ordem. Ao retornar da jornada espiritual, o pajé traz consigo a cura, restaurando o equilíbrio entre os seres humanos, os encantados e a natureza.

Espíritos Guardiões- Ritual Hehkaryana. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Quais lendas, mitos e rituais os bois levaram ao Bumbódromo na 1ª noite do 59º Festival Folclórico de Parintins?

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, o Festival Folclórico de Parintins é um grande palco de valorização da cultura amazônica.

A cada apresentação, lendas, mitos, rituais indígenas e figuras típicas ganham vida em espetáculos que unem pesquisa, arte e ancestralidade, levando ao Bumbódromo narrativas que atravessam gerações dos povos da Amazônia.

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Na 59ª edição do festival, realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho, os bois levam para a arena histórias ancestrais em grandes alegorias, coreografias e encenações. As apresentações exaltam povos originários, seres encantados, ritos de passagem e personagens que fazem parte da identidade amazônica.

Leia também: Quem é quem? Conheça os 21 itens que defendem Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins 2026

Caprichoso

1ª noite – 26 de junho

Lenda Amazônica: Cobra Grande – A Deusa da Encantaria

O Boi-Bumbá Caprichoso aposta na força da encantaria amazônica com a lenda ‘Cobra Grande- A Deusa da Encantaria’. A narrativa apresenta a Cobra Grande como uma poderosa entidade feminina que existia antes mesmo da ocupação humana da ilha de Parintins.

Segundo a tradição, seu corpo sustenta toda a ilha, em que a cabeça repousa sob a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, enquanto seu dorso acompanha a orla da cidade. Ela representa a guardiã dos rios, dos encantados e da memória ancestral, simbolizando a relação entre natureza, espiritualidade e território.

Lenda da Cobra Grande – A Deusa da Encantaria. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de iniciação WAT-AMÃ

O ritual indígena apresentado pelo boi Caprichoso foi o Wat-amã, conhecido como Ritual da Tucandeira, uma das manifestações culturais mais importantes do povo Sateré-Mawé. 

O ritual marca a passagem dos jovens para a vida adulta, em que, durante a cerimônia, os iniciados utilizam luvas confeccionadas com palha de arumã contendo tucandeiras, formigas conhecidas pela ferroada extremamente dolorosa. Enquanto suportam a dor, os participantes executam danças e cantos sagrados, demonstrando coragem, disciplina, resistência e compromisso.

Mais do que um teste físico, o ritual simboliza o fortalecimento dos vínculos com a ancestralidade e a preparação para assumir responsabilidades dentro da comunidade.

Ritual da Tucandeira. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Figura típica regional: O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins

A figura típica regional do Caprichoso homenageia o Brincador de Boi, personagem que representa os moradores dos bairros tradicionais de Parintins, como Francesa, Santa Clara e Palmares. São homens e mulheres que mantêm viva a tradição do boi-bumbá confeccionando fantasias, preparando os festejos, decorando os currais e transmitindo, de geração em geração, o sentimento de pertencimento ao boi negro.

Brincador de boi. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Leia também: Boi de Rua do Caprichoso: o tradicional cortejo que desfila a paixão azul pelas ruas de Parintins

Garantido

1ª noite- 26 de junho

Lenda Amazônica: Parintintin – O Povo que Veio do Céu

Na primeira noite, o Boi Garantido destaca a ancestralidade do poovo Parintintin, com a lenda ‘Parintintin – O Povo que Veio do Céu’, inspirada na narrativa de origem do povo Parintintin, pertencente ao tronco Tupi-Guarani. Segundo a tradição, o herói criador e pajé ancestral Pindova’Umi’ga percorreu os céus, as águas e o mundo subterrâneo até encontrar o lugar ideal para seu povo viver.

A narrativa explica a autodenominação dos Parintintin como ‘o povo que veio do céu’ e reforça a importância desse povo indígena na história da ilha de Parintins, cuja própria cidade herdou seu nome e parte de sua herança cultural.

Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu
Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Sonho de Ipají

O ritual indígena ‘Sonho de Ipají’ retrata o processo espiritual de formação de um novo pajé entre os Parintintin. Na tradição, o escolhido permanece isolado na Tocaia Sagrada enquanto, por meio dos sonhos, recebe os ensinamentos do espírito Rupigwara, entidade responsável por conceder os dons da cura, da sabedoria e da condução espiritual do povo.

Na sabedoria ancestral do povo Parintintin, os sonhos são os caminhos do espírito que permitem o pajé atravessar o mundo ancestral invisível pra encontrar respostas sobre o destino do seu povo.

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026

Leia também: De ‘cunhã-poranga’ a ‘brincante’: conheça as expressões mais usadas no Festival de Parintins

Figura típica regional: Mães da Floresta

A figura típica regional escolhida pelo Garantido é ‘Mães da Floresta’, uma homenagem às mulheres indígenas, caboclas e quilombolas que preservam os conhecimentos tradicionais da Amazônia. Parteiras, benzedeiras, pescadoras, agricultoras, artesãs e curandeiras representam a força feminina responsável por transmitir saberes ancestrais e proteger os recursos naturais.

Projeto:

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Estudantes vivenciam na prática o potencial da energia solar em exposição interativa na Glocal Macapá

Glocal Macapá acontece entre 26 e 27 de junho. Foto: Divulgação

A quadra da Escola Estadual Professora Nancy Nina da Costa, no bairro Zerão, em Macapá, se transformou em um espaço de experimentação científica nessa sexta-feira (26) com a realização da exposição do Kit Solar Castanheiro. A atividade reuniu estudantes em uma experiência interativa sobre energia solar e sustentabilidade e fez parte da programação da Glocal Macapá 2026, promovida pela Fundação Rede Amazônica.

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Durante a exposição, os alunos acompanharam demonstrações do funcionamento de painéis solares fotovoltaicos, sistemas portáteis de armazenamento de energia e equipamentos capazes de gerar eletricidade a partir da luz do sol. A proposta foi aproximar os estudantes da ciência por meio de atividades práticas, mostrando como as energias renováveis podem contribuir para um futuro mais sustentável.

A ação foi conduzida pelo professor Diego Armando, que apresentou os equipamentos, respondeu aos questionamentos dos estudantes e explicou, de forma didática, os princípios da geração de energia solar e suas aplicações no cotidiano.

Estudantes vivenciam na prática o potencial da energia solar em exposição interativa na Glocal Macapá

“Quando o estudante consegue visualizar a tecnologia funcionando diante dele, o aprendizado acontece de forma muito mais significativa. Nossa intenção é despertar a curiosidade científica e mostrar que a energia solar é uma alternativa limpa, eficiente e cada vez mais presente na sociedade”, destacou Diego Armando.

Além de apresentar o funcionamento das tecnologias, a atividade promoveu reflexões sobre preservação ambiental, uso consciente dos recursos naturais e a importância das fontes renováveis de energia. Ao longo da programação, os estudantes participaram de demonstrações, fizeram perguntas e conheceram soluções que podem ser aplicadas em diferentes realidades, ampliando a compreensão sobre inovação e sustentabilidade.

Leia também: Açaí, ciência e inovação: especialistas apontam caminhos para o desenvolvimento sustentável do Amapá

“A Glocal foi criada para conectar inovação às necessidades da Amazônia e mostrar que o conhecimento transforma realidades. Levar iniciativas como o Kit Solar Castanheiro para dentro das escolas é incentivar a formação de jovens mais conscientes, preparados e protagonistas na construção de soluções sustentáveis para o futuro”, afirmou Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica.

A exposição do Kit Solar Castanheiro integrou a agenda de atividades da Glocal Macapá 2026, que reúne iniciativas voltadas à inovação, empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento sustentável.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

‘Passaporte’ proporciona passeio na história de Parintins: conheça atrativos que fazem parte da rota em 2026

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Quem visita Parintins durante o Festival Folclórico tem um incentivo a mais para conhecer alguns dos principais cartões-postais da cidade, com a iniciativa Passaporte Parintins, promovida pela Amazonastur na Estação do Turismo, o popular turistódromo. O projeto convida moradores e turistas a percorrerem os atrativos históricos e culturais do município amazonense, em que a cada visita, o participante recebe um carimbo no passaporte e, ao completar o circuito, ganha um brinde exclusivo.

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A ação começa na Praça da Catedral Nossa Senhora do Carmo, um espaço que também reúne atendimento ao turista em português, inglês e espanhol, intérprete de Libras e informações sobre o destino.

O roteiro do passaporte em 2026, conta com seis locais históricos distribuídos pela cidade. Confira:

Casa da Cultura Mestre Jair Mendes

Um dos atrativos mais recentes do roteiro é a Casa da Cultura Mestre Jair Mendes. O prédio permaneceu durante décadas inacabado, após funcionar como a antiga biblioteca municipal Vera Lúcia Simplício, e foi revitalizado e entregue à população em outubro de 2025.

O espaço reúne salas de exposições, pinacoteca, auditório, setor audiovisual, áreas para manifestações culturais e diversas atividades voltadas à valorização da arte e da identidade parintinense. Localizada próxima ao Bumbódromo, a Casa da Cultura tornou-se um dos novos cartões-postais da cidade.

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Casa da Cultura, atrativo do passaporte do turismo.
Casa da Cultura, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Mercado Municipal Luiz Gonzaga

O Mercado Municipal Luiz Gonzaga funcionou durante décadas como uma fábrica de juta, atividade que impulsionou a economia de Parintins a partir da década de 1940.

Após anos desativado, o espaço foi revitalizado e transformado em mercado municipal, preservando parte da arquitetura original e até máquinas utilizadas no antigo processo industrial. Atualmente, o atrativo abriga feira de produtos regionais, artesanato, gastronomia e áreas de convivência, além de homenagear Luiz Gonzaga, um dos fundadores do Boi Caprichoso.

Mercado Municipal Luiz Gonzaga, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Catedral de Nossa Senhora do Carmo

Símbolo religioso e histórico de Parintins, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo também ocupa lugar de destaque na história do Festival Folclórico.

A atual construção começou em 1961, com projeto do engenheiro italiano Giovanni Butori, e foi concluída em 1981 com a finalização da torre de 42 metros de altura e 162 degraus. O interior reúne altar de mármore e vitrais trazidos da Itália, além de pinturas realizadas pelo religioso Miguel Pascale em parceria com artistas locais.

Foi na quadra da paróquia que aconteceu, em 1965, o primeiro Festival Folclórico de Parintins, cuja renda foi destinada à construção da igreja. Tombada como Patrimônio Cultural do Amazonas desde 2004, a Catedral também oferece visitação à torre durante o Festival e a Festa da Padroeira, proporcionando uma das vistas mais conhecidas da cidade.

Catedral do Carmo, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/ Amazon Sat

Mercado Municipal Leopoldo Neves

Inaugurado em 1937, o Mercado Municipal Leopoldo Neves faz parte do conjunto das construções históricas de Parintins. O atrativo foi reformado e modernizado em 2019, tendo preservado parte da arquitetura original enquanto ganhou novos espaços comerciais.

Atualmente, o mercado reúne restaurantes, cafés, peixarias, açougues, artesanato, ervas medicinais e produtos regionais, em uma área de aproximadamente 1.218,96m². Além disso, o espaço também conta com uma proposta que inclui movimentar a vida noturna da cidade com apresentações musicais e atividades culturais.

Leia também: Ponto Alto em Parintins: veja como é a popular ilha da magia

Mercado Municipal Leopoldo Neves, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Porto de Parintins

Principal porta de entrada para milhares de visitantes durante o Festival, o Porto de Parintins é o segundo maior porto do Amazonas em movimentação de passageiros e o maior do interior do estado.

Além da intensa ligação entre Manaus e Parintins, o terminal recebe embarcações com destino ao Pará e outros municípios da região, desempenhando papel fundamental tanto para o turismo quanto para o transporte de cargas e passageiros.

Porto de Parintins, atrativo do passaporte do turismo. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Bumbódromo

Fechando o roteiro do passaporte está o maior símbolo da cultura parintinense: o Bumbódromo.

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural de Parintins foi construído especialmente para receber o Festival Folclórico, que até então era realizado em diferentes espaços da cidade, como a quadra da Catedral e o Estádio Tupy Cantanhede.

Projetado pelo engenheiro Simão Assayag, o atrativo possui formato que remete à cabeça de um boi e divide suas arquibancadas entre as torcidas dos bois Caprichoso e Garantido. O local consolidou o crescimento do festival, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), tornando-se um dos principais palcos da cultura popular amazônica.

Bumbódromo, atrativo do roteiro do turismno. Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Roteiro atrai moradores e turistas que aprovam a iniciativa

Moradora de Parintins, Maria Paula conta que sempre quis participar da experiência.

“É a primeira vez fazendo o Passaporte do Turismo. Inclusive, fiquei na fila porque esse ano eu falei que queria esse passaporte. Além de estimular o turismo para quem vem de fora conhecer os pontos turísticos da cidade, também faz com que a gente, que mora aqui, conheça melhor esses lugares”, declarou.

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Quem visita Parintins pela primeira vez também vê na ação uma oportunidade de explorar a cidade, como foi o caso do turista Vitor dos Santos Queiroz:

“Essa iniciativa do Passaporte eu achei bem interessante. Serve até como um guia turístico. Além de ficar como uma lembrança da viagem, ajuda a conhecer os pontos turísticos da cidade”.

Foto: Uriel Vasconcelos/ Amazon Sat

Segundo a vice-presidente da Amazonastur, Laena Porto, os atrativos são escolhidos após estudos realizados pela equipe técnica do órgão e podem mudar a cada edição.

“Nós temos uma equipe técnica que faz todo esse estudo, todos os anos a gente tenta mudar os atrativos para incentivar as pessoas a conhecerem a cidade. E esse ano nós temos seis pontos, e em cada um desses pontos tem uma pessoa carimbando, você faz o circuito e retorna aqui para a estação do turismo que a gente dá um brinde, os nossos famosos bonés”, explicou.

Foto: Uriel Vasconcelos/Amazon Sat

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Estudantes participam de oficinas de bioeconomia e inovação na Glocal Macapá 2026

Foto: Divulgação

As oficinas e os workshops práticos voltados à sustentabilidade e à inovação ganharam destaque nesta sexta-feira (26) na programação da Glocal Macapá 2026. Realizadas na sede da OAB Amapá e em sua área externa, as atividades promoveram uma imersão direta em soluções para a região, conectando o conhecimento científico e tecnológico à valorização das riquezas locais.

O evento recebeu uma visita especial de alunos da Escola Estadual Deusolina Salles Farias, que puderam acompanhar de perto a aplicação real dos temas debatidos. Mais do que teoria, o público encontrou um espaço de exposição com mostras de bioeconomia que destacaram o potencial de mercado da floresta em pé, apresentando desde o tradicional açaí até vinhos diversificados e derivados produzidos na região.

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Para o coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, Matheus Aquino, o envolvimento prático do público reforça a importância de aproximar tecnologia e a realidade da região:

“A inteligência artificial aplicada à realidade amazônica representa uma oportunidade concreta de transformação. Quando conectamos tecnologia, conhecimento e território, conseguimos acelerar soluções inovadoras que dialogam diretamente com os desafios da nossa região”, destacou Matheus Aquino.

Foto: Divulgação

Leia também: “O Amapá pode se tornar referência nacional em inovação amazônica”, afirma Lindomar Ferreira, convidado da Glocal Macapá 2026

Para os estudantes, o contato direto com os produtos, as novas formas de processamento e a tecnologia abriu perspectivas sobre o futuro da produção local. Paola, aluna do segundo ano do ensino médio da Escola Deusolina Salles Farias, destacou o impacto de vivenciar o evento:

“Achei a temática muito interessante. Foi muito legal ver a ideia de trazer essas amostras de produtos regionais, como o açaí e os vinhos diversificados. Ver na prática como a nossa realidade e o meio ambiente podem se aliar com a inovação faz a gente perceber o valor do que é nosso”, afirmou a estudante.

Além da exposição de produtos da sociobiodiversidade, a programação do dia contou com dinâmicas voltadas ao empreendedorismo, robótica e à economia criativa. Os organizadores ressaltaram que a presença ativa das escolas cumpre o propósito central da Glocal: aproximar as novas gerações das demandas reais do ecossistema de inovação e desenvolvimento sustentável no estado.

A programação da Glocal Macapá segue até este sábado (27), com atividades gratuitas que incluem rodadas de negócios (B2B), apresentações culturais no Palco Fest e painéis de debate sobre o futuro da tecnologia e da sustentabilidade no território amazônico.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Glocal e da Fundação Rede Amazônica: www.instagram.com/glocalexp e www.instagram.com/fundacaoredeamazonica

Glocal Amazônia – Macapá

A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.

Estudo mostra realidade de mulheres trans no sistema prisional paraense

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Foto: Acervo/ Agência Brasil

O estudo “Saúde mental de mulheres trans em situação carcerária no estado do Pará“, denuncia a necessidade de acolhimento e promoção de bem-estar para essa população no sistema prisional paraense. Desenvolvido pelos psicólogos Alessandro Carneiro da Silva e Eric Campos Alvarenga, o trabalho destaca a precariedade no tratamento de pessoas trans dentro desse contexto social.

A pesquisa, de natureza qualitativa e descritiva, utilizou entrevistas semiestruturadas com duas mulheres trans ex-apenadas no estado do Pará. A técnica de amostragem utilizada lida com temas sensíveis e foi crucial para alcançar o público pesquisado.

Segundo o autor Alessandro Carneiro, o processo de coleta de informações foi difícil devido ao medo e ao trauma vivenciados pelas entrevistadas. Os resultados do estudo são alarmantes, demonstrando que as mulheres trans não são tratadas com a atenção e o cuidado devidos pelos agentes institucionais.

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Um dos achados mais contundentes da pesquisa é a constante violação de direitos básicos garantidos por lei, como o uso do nome social e a continuidade de tratamentos hormonais.

“Verificamos que é negado a essas mulheres a utilização do nome social, pelo próprio Estado, quando os representantes do Estado, no caso, os próprios carcereiros, os próprios delegados, não as chamam pelos seus nomes sociais, mesmo que tenham documentação”, pontua o pesquisador.

A pesquisa também aborda a imposição do binarismo sexual dentro do cárcere. Uma das entrevistadas relata, por exemplo, situação em que precisou se descaracterizar para que visitantes de outros presos não estranhassem sua presença no local, considerando que as outras pessoas que estavam no processo de cárcere não eram mulheres trans.

“Elas tiveram que ‘respeitar’ essas visitas e, nesse contexto, ‘respeitar’ significava se caracterizar como homem, porque não faz sentido uma mulher estar presa ali no meio daqueles homens”, explica Alessandro.

Leia também: Mulheres trans relatam desafios profissionais e luta por direitos em Belém

A pauta sobre a existência de ala carcerária específica para a população LGBTQIAPN+ no Pará apresenta nuances complexas. “A questão da ala específica também não é necessariamente uma garantia de direito”, afirma Alessandro.

Estudo mostra realidade de mulheres trans no sistema prisional paraense
Foto: Divulgação

Situação das mulheres trans

Ele destaca a dualidade dessa prerrogativa, no próprio discurso das entrevistadas. Se para uma delas, “a área específica serve como um lugar de exclusão muito maior, o que acarreta em muito mais sofrimento”, para a outra, “a área específica a salvou de muitas situações que seriam muito mais complicadas em outros lugares”.

Um outro aspecto preocupante revelado pelo estudo diz respeito à naturalização da violência contra a comunidade LGBTQIAPN+. Conforme o pesquisador, uma das entrevistadas, mesmo fora da ala específica, trazia relatos de violência por parte de outros detentos como se fossem naturais.

“Ela fala de forma a compreender que fosse realmente necessário que ela precisasse se descaracterizar quando as esposas desses homens fossem visitá-los, como se isso fosse realmente uma forma de respeito. Querendo ou não, houve essa naturalização da violência por parte dela, como uma forma de se proteger”, pontua Alessandro. Acontece que essa naturalização e os traumas psicológicos sofridos perduram mesmo após a saída do cárcere.

Comportamentos que têm consequências

Apesar do cenário desolador, Alessandro destaca a importância da formação de redes de apoio e da humanização do tratamento de pessoas trans nesses ambientes. As entrevistadas se emocionaram ao falar das experiências afetivas que construíram quando estiveram encarceradas. Por isso, o trabalho de profissionais comprometidos dentro da Central de Triagem Metropolitana é fundamental, daí a urgência de capacitar os agentes do sistema carcerário sobre identidade de gênero e sexualidade, “para que compreendam a gravidade de comportamentos repressivos e violentos”.

Alessandro Carneiro, que se identifica como um homem preto e gay, explica que sua motivação para a pesquisa surgiu de sua própria vivência de vulnerabilidade social e de seu contato com estudos da psicologia social e sanitária.

“Eu sou forjado por esse processo de vulnerabilidade social a partir da minha condição financeira, a partir de onde eu venho”, afirma. Ele sentiu o desejo de aprofundar a escuta dessas pessoas e entender as questões das políticas institucionais envolvendo o cenário LGBTQIAPN+ no cárcere paraense e conclui: “o Estado pode e deve produzir saúde mental nesses ambientes a partir de um tratamento humanizado, respeitando o nome social e garantindo direitos básicos. São coisas que são muito simples, mas que produzem uma violência absurda se não forem levadas em consideração”.

Sobre a pesquisa

Publicado em 2024 na revista Saúde em Redes, o artigo intitulado Saúde mental de mulheres trans em situação carcerária no estado do Pará conta com a autoria de Alessandro Carneiro da Silva. O pesquisador é psicólogo pela Universidade Federal do Pará e mestrando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP/UFPA).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, escrito por Kauã Ramalho

Monitoramento de pré-seca na Amazônia em 2026 ganha reforço e alerta do SGB

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Pesquisadores fazem medidas em rio madeiro, no município de Porto Velho (Rondônia). Foto: Reprodução/Arquivo SGB

A antecipação de cenários hidroclimatológicos severos desempenha uma função estratégica na mitigação de impactos socioeconômicos e na manutenção da segurança logística e ambiental na Região Amazônica. Com o objetivo de aprimorar o planejamento e a preparação para o período de estiagem, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) consolidou o diagnóstico técnico do comportamento das águas em 2026 e traçou as projeções para a vazante deste ano.
 
Dados do acompanhamento contínuo da Bacia do Amazonas mostram que as cheias operam na normalidade na maior parte da região. No entanto, o comportamento recente de sub-bacias específicas e as semelhanças estatísticas com períodos históricos críticos acendem o sinal de alerta para as autoridades e a sociedade civil.

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As análises do SGB são operacionalizadas por meio do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) e disponibilizadas em tempo real na plataforma SACE. O sistema categoriza as condições dos rios em níveis que variam desde a normalidade até a seca extrema e a inundação severa, servindo como base científica para tomada de decisões governamentais em estados como Amazonas, Rondônia e Acre.

Para o ciclo operacional de 2026, novas tecnologias foram incorporadas. A partir de julho, passam a ser realizados os testes operacionais dos boletins semanais SARDIM (em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – IPH/UFRGS), além da implementação de modelos preditivos baseados em Inteligência Artificial, desenvolvidos em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A unificação dessas ferramentas provê maior celeridade ao fluxo de informações e otimiza o planejamento.

Leia também: SGB e o Inpa firmam acordo para fortalecer monitoramento dos rios na Amazônia

Os registros da SGB apontam que a Bacia do Amazonas encontra-se em um período de transição, com o encerramento do pico da cheia nas calhas centrais e o início do processo de recessão nas cabeceiras:

  • Rio Solimões/Amazonas: A estação de Tabatinga já deu início ao processo de descida de suas cotas. No entanto, o reflexo do pico ainda mantém duas estações acima do nível de inundação e quatro em cota de alerta ao longo do curso d’água.
  • Rios Negro e Branco: Em Manaus, o Rio Negro atingiu a estabilização em torno de 28,50 m, alcançando a cota de inundação. Paralelamente, a bacia do Rio Branco registrou acumulados significativos de chuva (88 mm entre segunda e terça-feira da última semana), o que amenizou o ritmo de queda em Caracaraí.
  • Rios Madeira e Acre: Permanecem como os cenários de maior vulnerabilidade. O volume elevado do primeiro trimestre resultou em decretos de situação de emergência em municípios como Porto Velho em abril de 2026.

Prognósticos e Cenários Comparativos de Vazante

A partir do histórico de dados coletados pelo SGB entre os anos de 1903 e 2025, foram elaboradas projeções estatísticas para estimar os níveis mínimos que o Rio Negro poderá atingir em Manaus a partir da cota máxima atual de 28,50 m, considerando a descida mediana histórica de 11,08 m:

Cenário de Recessão ProjetadoAmplitude da Descida (m)Cota Mínima Estimada (m)
Descida Mediana Histórica11,0817,42
Tendência Linear de Vazante12,0116,49
Análogo Crítico de Recessão (Ano 2015)13,74
 
14,76
Percentil de 85% (Estiagem Severa)14,5413,96
Descida Máxima Histórica Registrada15,6012,90


O ponto de maior atenção técnica reside no fato de que o comportamento inicial da curva de recessão de 2026 apresenta forte paralelismo com a do ano de 2023, período em que ocorreu a segunda pior seca registrada na história de Manaus (atingindo a cota mínima de 12,70 m). Embora os modelos climáticos sazonais para os trimestres JJA (Junho-Julho-Agosto) e JAS (Julho-Agosto-Setembro) ainda não apontem para a severidade extrema de 2023, o SGB mantém o estado de monitoramento contínuo.

el niño pode ocasionar secas mais severas na amazônia
Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

Diretrizes e impactos esperados pela SGB

A consolidação dos dados reforça a necessidade de preparação ativa das defesas civis e setores regulados. Caso o início da próxima estação chuvosa atrase no Hemisfério Sul, o período de vazante poderá ser prolongado, agravando as seguintes vulnerabilidades operacionais:

  • Navegação Comercial: Restrições severas de calado para o escoamento logístico e transporte de insumos, com atenção especial à calha do Rio Madeira.
  • Abastecimento Público: Risco potencial de isolamento de comunidades ribeirinhas e escassez de captação de água potável.
  • Gestão Ambiental: Aumento substancial do risco de incêndios florestais em áreas severamente desidratadas ao longo da bacia.

Com a estruturação dessas notas informativas e boletins, o Serviço Geológico do Brasil reafirma seu compromisso em subsidiar órgãos gestores e instituições de pesquisa com informações científicas robustas, fortalecendo a autoridade técnica da rede de monitoramento nacional.

*Com informações do SGB

Um pedaço de Parintins na bagagem: artesão que produz ‘boizinhos’ abre loja própria após 34 anos de trabalho

Parte da matéria-prima dos ‘boizinhos’ vem do interior do Amazonas, como o cipó e o molongó, usados principalmente na confecção dos chifres. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, inspira turistas a levar lembranças para casa. Entre os itens mais procurados estão as miniaturas dos bois Caprichoso e Garantido, conhecidas carinhosamente de “boizinhos”. Elas são feitas em barracões improvisados, quintais e oficinas por artesãos locais, como Júlio César Costa da Silva, que há 34 anos transforma o amor pelo boi-bumbá em fonte de renda.

Neste ano, Júlio abriu pela primeira vez uma loja própria para vender diretamente ao público as peças que produz. Durante décadas, o artesão confeccionou os tradicionais boizinhos para revendedores que os vendiam a preços mais altos.

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Segundo Júlio, muitos visitantes se surpreendem ao descobrir que as miniaturas são feitas manualmente por moradores da ilha.

“Esse ano a gente resolveu abrir a lojinha para mostrar mesmo o artesanato aqui da cidade para o povo que vem de fora. São próprios parintinenses que confeccionam. É artesão de fundo de quintal. A gente trabalha em barracãozinho, cada um fazendo a sua parte”, disse.

Um pedaço de Parintins na bagagem: artesão que produz ‘boizinhos’ abre loja própria após 34 anos de trabalho
A trajetória de Júlio no Festival começou nos anos 1980. Em 1987, ele entrou para a equipe do Boi Caprichoso como escultor e ficou por oito anos, período marcado por conquistas do boi azul e branco. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Dos galpões dos bois ao negócio próprio

A trajetória de Júlio no Festival começou nos anos 1980. Em 1987, ele entrou para a equipe do Boi Caprichoso como escultor e ficou por oito anos, período marcado por conquistas do boi azul e branco.

Leia também: Ruas de Parintins unem cores de Caprichoso, Garantido e Seleção Brasileira em decoração especial

Depois, trabalhou por 19 anos no Boi Garantido, na produção artística do boi vermelho e branco. Em 2017, após sofrer um infarto, deixou a rotina intensa dos galpões e passou a produzir peças para terceiros. A mudança trouxe desânimo.

“Eu só estava trabalhando para os outros e vendo os outros terem condições de vida melhores, enquanto eu ia ficando para trás”, relembrou.

O incentivo para recomeçar veio do filho, Rodrigo Amazonas, que o encorajou a investir novamente no próprio trabalho.

“Ele me deu força. Perguntou se eu não queria trabalhar com os boizinhos, porque é um material mais leve, que não exige tanto esforço. Aí a gente começou”, contou.

Neste festival, após alguns anos de produção independente, a família conseguiu um ponto comercial para vender diretamente ao público. “Já demos o primeiro passo. Agora vamos lutar para manter”, afirmou.

Como nascem os boizinhos

Miniaturas de Caprichoso e Garantido que turistas levam na mala após o Festival de Parintins têm origem em barracões improvisados, quintais e oficinas espalhadas pela ilha. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Cada boizinho é feito de forma artesanal, em várias etapas que não podem ser interrompidas. Parte da matéria-prima vem do interior do Amazonas, como o cipó e o molongó, usados nos chifres.

Molongó é uma árvore amazônica com madeira leve utilizada em artesanato. A planta tem tronco fino, alto e leve e é encontrada em florestas alagadas da região amazônica.

A produção começa pela armação, que funciona como o esqueleto do boizinho. Depois, são feitas a cabeça e os chifres. As peças são encaixadas, recebem espuma, revestimento em tecido, passam pela costura, pintura e acabamento final.

“É uma linha de produção. Se você começa, tem que ir até o fim. Se interromper, aquelas peças que ficaram no caminho já não seguem mais”, explicou.

Leia também: Portal Amazônia responde: é possível usar a marca dos bois-bumbás de Parintins?

Um pedaço de Parintins na bagagem

Durante o Festival de Parintins, ver turistas do Brasil e do exterior encantados com os boizinhos é uma das maiores recompensas para Júlio.

“Para mim, é gratificante ver a pessoa feliz, elogiando o trabalho. Não adianta ter muita coisa e ser mal feita. Tem que ser uma coisa bem feita, para a pessoa olhar e se impactar”, disse.

Mais que lembranças, as miniaturas representam a dedicação de artesãos que mantêm viva a cultura do boi-bumbá fora da arena. “É um orgulho só. Uma gratificação muito grande. Primeiro a Deus, e tocar a bola para frente”, concluiu.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM