Coletivo Ventos do Norte são os autores do livro “Visagens do Meio do Mundo”. Foto: Reprodução/Coletivo Ventos do Norte
Histórias de assombrações, mistérios e causos que atravessam gerações ganham forma no livro “Visagens no Meio do Mundo”, escrito pelo coletivo Ventos do Norte, formado por autores do Amapá. A obra é inspirada nos traços da cultura amazônica e no imaginário popular que resiste ao tempo. O lançamento é na sexta-feira (26), às 19h, no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, no Centro de Macapá.
O livro reúne narrativas de dez jovens autores nortistas que transformaram memórias da infância, relatos familiares e experiências pessoais em contos marcados por drama, suspense, terror e horror. O projeto valoriza a literatura feita na Amazônia e busca dar visibilidade às obras artesanais no cenário cultural amapaense.
Entre os autores estão Luana Tainá, Sarah Gantúss, Felipe Raiol, Elizama Costa, Matukuse Greice, Daniela R., Dauan Lopez, Raylane Benjó, Jaqueline P. e Maria E. As ilustrações ficaram a cargo de Yuri Miguel, Sarah Gantúss e Luana Góes.
A obra é um convite para mergulhar em histórias que atravessam gerações e fazem parte dos costumes amazônicos. É uma visita ao imaginário popular, guiada pelos saberes tradicionais.
A professora doutora Jeniffer Yara, coordenadora do coletivo, explica que o grupo nasceu para incentivar novos escritores a ocupar espaços literários com formatos acessíveis e independentes.
“O Coletivo Ventos do Norte nasceu do desejo de jovens escritores de fazer suas vozes circularem. Visagens no Meio do Mundo é mais que um livro artesanal: é um registro da memória afetiva amazônica, das histórias que atravessam gerações e ecoam no imaginário popular. Cada texto carrega a força autoral desses jovens e reafirma que a literatura produzida na Amazônia tem identidade própria, merece ser lida e difundida”, disse Jeniffer Yara.
Capital Social: Um golaço que fortalece as cooperativas e as comunidades. Arte: Sicredi
No futebol e no Sicredi, toda vitória vem com cooperativismo. E, no Sicredi, ele se traduz em participação ativa dos associados. Um dos principais instrumentos desse modelo é o Capital Social, que representa a contribuição dos cooperados para a formação do patrimônio da cooperativa e fortalece sua atuação no longo prazo.
Ao investir no Capital Social, o associado garante reforços importantes para a saúde da cooperativa. Isso porque esses recursos ajudam a ampliar a capacidade de investimento do Sicredi, garantem sustentabilidade financeira e ajudam a colocar em campo produtos e crédito com taxas justas.
Mas os impactos vão muito além da instituição. Cooperativas mais fortes se tornam verdadeiros vetores de prosperidade coletiva, cumprindo seu papel no desenvolvimento local, apoiando iniciativas que fomentam a economia, geram oportunidades e fortalecem as comunidades onde estão inseridas. Parte dos resultados retorna aos associados e outra parte é reinvestida em ações sociais, educacionais e culturais, que beneficiam adultos e crianças. Ou seja, toda a região sai ganhando.
E para valorizar quem joga junto e veste a camisa do Capital Social, as cooperativas que fazem parte da Central Sicredi Centro Norte estão realizando, em conjunto, a campanha Capital Social Premiado. A promoção convida seus associados a investirem no Capital Social, garantindo aos participantes um número da sorte a cada 50 reais aplicados. Assim, eles já estarão concorrendo a viagens dos sonhos pelo Brasil e a outros grandes prêmios ao longo de 2026, como o sorteio de 500 mil reais no fim do ano.
Tudo para reforçar a importância do engajamento no cooperativismo e do crescimento coletivo.
Certificado de autorização SPA/ME Nº 04.047765/2026
*Condição válida para investimentos realizados por meio de capital programado. Consulte regulamento e certificado de autorização no site: www.sicredi.com.br/promocao/capitalpremiado. Promoção válida durante o período de 10/02/2026 a 30/11/2026, para os associados da Central Sicredi Centro Norte e todas as suas cooperativas. Consulte regulamento completo da promoção, número de certificado da autorização e condições de contratações nas unidades de atendimento participantes no site www.sicredi.com.br/promocao/capitalpremiado. Imagens meramente ilustrativas. SAC – 0800 724 7220 / Deficientes Auditivos ou de Fala – 0800 724 0525. Ouvidoria – 0800 646 2519.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) analisou dois abalos sísmicos que atingiram o país vizinho que também faz parte da Amazônia internacional. Foto: Ronald Pena R.
Os dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados na noite de quarta-feira (24/06), por volta das 19h (horário de Brasília), na Venezuela, foram sentidos em diferentes cidades brasileiras, principalmente na Região Norte. O Serviço Geológico do Brasil (SGB), integrante da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), acompanhou e analisou os eventos sísmicos.
De acordo com a Rede, o epicentro dos tremores foi localizado nas proximidades da cidade de Morón, no estado venezuelano de Carabobo, na costa do Caribe, a cerca de 13 e 29 quilômetros de profundidade, respectivamente. A combinação de elevada magnitude e baixa profundidade aumenta o potencial de propagação das ondas sísmicas, fazendo com que os tremores sejam percebidos a grandes distâncias.
“As magnitudes de 7,2 e 7,5 são consideradas muito elevadas e indicam a liberação de uma enorme quantidade de energia. Além disso, quanto mais rasos os sismos, maior potencial e impacto, pois a energia chega de forma mais direta e rápida à superfície”, explica o geofísico e pesquisador do SGB Marcos Ferreira.
Os tremores foram sentidos nas capitais Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) , além de outros municípios da Região Norte. Apesar da intensidade dos eventos, não há registro de danos estruturais ou vítimas no território brasileiro.
Estados da Amazônia brasileira sentiram reflexo do terremoto. Imagem: Divulgação/SGB
Medidas de segurança na Amazônia
Embora terremotos dessa magnitude sejam raros no Brasil, o SGB reforça a importância de adotar medidas de autoproteção caso um tremor seja sentido.
Durante esses episódios é importante que a população tenha atenção e sempre pratique as ações de proteção necessárias como:
afastar-se de janelas, vidros e objetos que possam cair;
sair da edificação com calma, sem correr ou provocar tumulto, dirigindo-se para um local aberto e seguro;
caso não seja possível deixar o imóvel, proteger-se sob mesas resistentes, batentes estruturais ou móveis que possam oferecer alguma proteção contra a queda de objetos;
evitar o uso de elevadores durante e logo após o tremor.
A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) é responsável pelo monitoramento da atividade sísmica em todo o território nacional, fornecendo dados em tempo real para o acompanhamento de terremotos e estudos sobre a estrutura interna da Terra. A rede reúne especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), do Observatório Nacional (ON), da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), contribuindo para a mitigação de riscos, a disseminação de informações e o avanço da pesquisa sismológica no país.
No Festival de Parintins, a rivalidade entre o Garantido e o Caprichoso costuma dividir famílias, mas, para duas mães amigas, cada uma de um Mateus, a disputa ganhou um capítulo curioso e cheio de afeto. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM
A rivalidade entre Caprichoso e Garantido costuma atravessar gerações em Parintins, no Amazonas. Mas, para duas mães amigas da ilha, a tradição tomou um rumo inesperado. Os filhos delas, que compartilham o mesmo nome, escolheram defender justamente o boi rival da família.
Mateus Cavalcante, de 7 anos, virou “tripinha” do Garantido, enquanto Mateus Santos, de 9 anos, encontrou seu lugar no Caprichoso. A situação é tão inusitada que as mães brincam dizendo que os meninos foram “trocados na maternidade”.
O tripa do boi é o responsável por movimentar e dar vida ao boi de pano nas apresentações. No Caprichoso, o item é defendido por Alexandre Azevedo; no Garantido, por Denildo Piçanã.
Mateus Cavalcante: um Caprichoso de família, mas Garantido de coração
Filho da servidora pública Mayra da Costa Cavalcante, torcedora do Caprichoso criada na comunidade do Esconde, Mateus cresceu cercado pela tradição azulada. Ainda assim, desde pequeno, demonstrou que seguiria outro caminho.
De acordo com a mãe, ele se encantou pelo Garantido após ganhar um boizinho de presente da avó, que também é torcedora do Caprichoso. Desde então, passou a acompanhar tudo o que envolvia o boi vermelho.
Um dos momentos preferidos do menino era esperar na porta de casa a passagem dos caçauarés, como são conhecidos os trabalhadores responsáveis pelo transporte das alegorias do Garantido. A cada ano, a paixão pelo boi aumentava.
Hoje, Mateus sonha em ser tripa oficial do Garantido quando crescer e já desempenha o papel de mini tripinha nas apresentações.
“Só me restou aceitar o meu destino de ser uma mãe perreché, acolher, dar força, ser entusiasta e fazer com que ele se sinta feliz onde ele está”, diz Mayra
À Rede Amazônica, o menino resumiu a relação com o boi de forma simples: disse que o Garantido é seu amigo.
Do outro lado da disputa está Mateus Santos, de 9 anos. Filho da analista administrativa Thayana Santos, ele também contrariou as expectativas da família.
Thayana cresceu ligada ao Garantido e chegou a integrar tribos oficiais do boi vermelho e branco. Mesmo assim, o filho escolheu defender o Caprichoso.
Hoje, Mateus faz parte da Escolinha de Arte do Caprichoso e acumula funções. Ele toca repique, participa das apresentações com o cavalinho e também atua como tripinha nas encenações do boi azul.
A dedicação chamou atenção dentro da própria escola. Neste ano, o menino participou ativamente das atividades relacionadas ao tema apresentado pelo Caprichoso.
Para a mãe, acompanhar a realização do sonho do filho é mais importante do que qualquer rivalidade entre os bois.
“O amor de mãe é muito maior do que qualquer rivalidade, está acima de tudo. Eu tenho que acompanhar e apoiar”, afirma Thayana.
Mateus contou que o momento mais especial é quando consegue dar vida ao boi de pano durante as apresentações.
Quando o boi escolhe o torcedor
História dos pequenos ‘Mateus’: os mini tripinhas que inverteram as tradições das famílias em Parintins. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM
As histórias dos dois Mateus refletem uma crença popular bastante conhecida em Parintins: a de que, no fim das contas, não é o torcedor que escolhe o boi, mas o boi que escolhe o torcedor.
Para Mayra e Thayana, ver os filhos envolvidos com a cultura do festival é motivo de orgulho. Independentemente das cores que defendem, os meninos ajudam a manter viva uma tradição que atravessa gerações e faz parte da identidade da ilha.
Além dos debates sobre inovação, empreendedorismo e sustentabilidade, a Glocal Macapá 2026 também abrirá espaço para a valorização da cultura amazônica. No sábado (27), o evento contará com uma programação cultural gratuita reunindo artistas regionais, manifestações tradicionais e atrações musicais na área externa da OAB Amapá.
Realizada pela Fundação Rede Amazônica, a Glocal Macapá chega ao estado com a proposta de conectar inovação, cultura, tecnologia e desenvolvimento sustentável, promovendo o encontro entre diferentes saberes e fortalecendo o protagonismo amazônico.
A programação cultural integra a proposta do evento de valorizar a identidade regional e ampliar o acesso da população a experiências artísticas e culturais. Ao longo do sábado, o público poderá acompanhar apresentações de slam de poesia, roda de capoeira, break dance e a tradicional manifestação cultural Marabaixo Raízes da Favela, além de atividades voltadas à inovação, empreendedorismo e economia criativa.
Entre os destaques musicais está a cantora amapaense Letícia Auolly, um dos principais nomes da música regional na atualidade. Conhecida nacionalmente após participação em programas de televisão e dona de um repertório que ultrapassa as fronteiras do estado, a artista conquistou o público com sucessos como “Na Cara do Perigo” e promete levar ao palco da Glocal um show marcado pela mistura de ritmos amazônicos e música popular brasileira.
Outro nome aguardado pelo público é o cantor e compositor Ariel Moura, artista reconhecido por valorizar a identidade amazônica em suas composições e por sua forte atuação no cenário cultural amapaense. Já a cantora Bell Brandão levará ao palco sua versatilidade musical e repertório que dialoga com diferentes estilos, reforçando a diversidade artística presente no evento.
“O fortalecimento da cultura amazônica é um dos pilares da Glocal. Queremos criar espaços de encontro que valorizem os talentos locais e evidenciem a riqueza cultural do Amapá, conectando tradição, inovação e identidade regional”, destaca Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica.
Encerrando a programação da Glocal Macapá 2026, o Palco Fest receberá uma série de atrações musicais regionais a partir das 19h, na área externa da OAB Amapá.
A abertura será com o grupo Amazônia Fusion, às 19h. Em seguida, sobem ao palco Jhimmy Feiches, às 19h45; Salomão Monteiro, às 20h25; Letícia Auolly, às 21h35; Bell Brandão, às 22h45; e Ariel Moura, às 23h. O encerramento ficará novamente por conta da banda Amazônia Fusion, com o show especial Rock Doido, às 23h20.
Com entrada gratuita, a programação cultural busca aproximar a população das discussões promovidas pela Glocal, reforçando a importância da arte e da cultura como ferramentas de transformação social, pertencimento e desenvolvimento sustentável.
A Glocal Macapá é realizada pela Fundação Rede Amazônica, com idealização e operação da Dream Factory e apoio da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (Setec/AP), do Governo do Amapá e da Tratalyx.
Serviço
Evento: Programação cultural da Glocal Macapá 2026 Data: 27 de junho de 2026 (sábado) Horário: A partir das 19h Local: Área externa da OAB Amapá – Macapá (AP) Entrada: Gratuita
Deixar seu país de origem é uma mudança que altera a vida de uma pessoa e, a depender da situação, não é uma decisão, mas uma necessidade. É o caso dos refugiados. Desde 2010, o Acre passou a receber milhares de haitianos que fugiam dos impactos do terremoto que devastou o país.
Conforme o Relatório de Monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência, o estado acreano funciona como porta de entrada para pessoas que buscam trabalho e em 2025, por exemplo, registrou 828 pedidos de refúgio.
O acesso desses imigrantes é feito, principalmente, por Brasiléia e Assis Brasil, cidades do interior do Acre e na região de fronteira.
Em 16 anos, de acordo com o doutor em geografia pela Universidade Federal do Acre (Ufac) José Alves Bairral, o Acre recebeu imigrantes de mais de 45 nacionalidades. Diante deste cenário, o governo criou uma Política Estadual de Migração.
“Mas, recentemente tem se observado que o aumento da migração envolve principalmente países da América do Sul. O fator de migração são fatores extremamente complexos e a gente observa desde fatores de busca pela população por melhores condições de vida e de trabalho”, explicou.
Nesta quinta-feira (25) é celebrado o Dia do Imigrante. Já no último sábado (20), foi comemorado o Dia Mundial do Migrante. As datas reforçam o debate sobre o fluxo migratório no estado.
Segundo a gestora interina da Casa de Passagem para Migrantes de Rio Branco, Sabrina Ferreira, o local chegou a acolher mais de 500 venezuelanos.
“Aqui temos dois tipos de demandas com a chegada do migrante: tem por demanda espontânea, quando eles chegam aqui na frente da unidade pedindo acolhimento ou quando eles são encaminhados das demais casas”, detalhou.
Além do abrigo da capital, o estado conta com mais três casa de passagem para acolhimento emergencial de migrantes, sendo duas em Assis Brasil e uma em Epitaciolândia, no interior do Acre.
Foto: Melícia Moura/ Rede Amazônica AC
Mudanças no atendimento de refugiados
A região Norte é historicamente um importante corredor e polo de migração, porém a dinâmica mudou. No passado, a região atraía muitos nordestinos e sulistas. Hoje, o maior fluxo é de imigrantes internacionais, especialmente os venezuelanos.
“Isso exerce uma ação significativa do governo federal, do governo estadual e governos municipais, da sociedade civil, por exemplo, para que essa legislação possa ser exercida e esse migrante receber a acolhida devida nesse contexto”, afirmou Bairral.
Conforme a gestora de políticas públicas do estado, Maria da Luz, o Acre auxilia migrantes e refugiados oferecendo ajuda humanitária direta em áreas como Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Rio Branco. Além disso, mantém abrigos, disponibiliza assistência social e atua em parceria com órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir direitos, documentação, inclusão social e financeira.
“A vida do migrante não é uma vida fácil, as pessoas não migram por que querem. E para ver onde nós estamos situados, nesse processo de migração, para entender as pessoas que estão chegando hoje e precisam ser acolhidas com dignidade com garantias de direitos”, conclui.
Para Saint Charles, de 47 anos, recomeçar no Acre tem um significado importante. Ele nasceu Gonaïves, no Haiti, e chegou ao Acre em 2011, quando decidiu buscar uma nova oportunidade diante dos desastres que assolavam seu país de origem.
“Lá em 2010, teve um terremoto lá, muita gente morreu na capital, crianças também…. E também o Haiti estava passando muita fome e pensei em sair de lá para o Acre para ajudar meu pai, minha mãe, meus irmãos e parentes. Por isso também decidi vir para cá em busca de trabalho”, compartilhou.
Saint Charles, de 47 anos, chegou a Rio Branco para trabalhar em 2011 após deixar Gonaïves. Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica AC
Atualmente, Saint trabalha como auxiliar de perecíveis em um supermercado da capital acreana. De acordo com ele, a vinda para o Acre teve uma rota bastante extensa.
“Peguei um avião no Haiti. Do Panamá fui para o Equador e depois de lá não dava para pagar avião. Peguei um ônibus, passei pelo Peru e vim pra Assis Brasil. Então, fui pra Brasiléia, lá tirei o CPF e peguei um táxi e segui viagem até chegar aqui, em Rio Branco”, descreveu.
Além de Saint, a Natália Escobar também chegou ao estado com muitos anos. Ela saiu da Venezuela há dois meses e, atualmente, está na casa de passagem na capital acreana.
“Meu sonho é que meus filhos estudem e sejam alguém na vida, para que ninguém os trate mal, que sejam profissionais e que tenham um futuro para a família deles”, contou.
*Por Pâmela Celina e Júnior Andrade, da Rede Amazônica AC
Pesquisa sobre a leishmaniose foi desenvolvida em Sena Madureira. Foto: Divulgação/ Ufac
A Universidade Federal do Acre (Ufac) tem parceria em uma pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), que identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título ‘Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas’. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse Leandro Siqueira de Souza, autor do artigo como parte de sua tese de doutorado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
Em um momento em que mobilidade e geração de renda caminham lado a lado, programas de incentivo para renovação do seu automóvel ganham protagonismo.
É justamente nessa direção que surge o Move Brasil, iniciativa do Governo Federal que busca facilitar o acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos novos por meio de condições especiais de financiamento, conforme MP 1.362/2026 (Agência Senado), publicada no Diário Oficial da União.
O programa conta com até R$ 30 bilhões em crédito operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e a Fiat vem condições especiais alinhadas ao programa e uma seleção de veículos pensada para cada cenário.
Em Manaus (AM), quem conecta esses profissionais à oportunidade é a Murano Veículos, concessionária Fiat que faz parte do Grupo Simões e está presente em Manaus há mais de 30 anos.
Quem pode participar do programa?
O Move Brasil foi pensado para dois perfis de motorista profissional, cada um com requisitos específicos. Prevê financiamento com possibilidade de entrada zero e juros reduzidos. Porém, a aprovação do crédito e as condições finais da operação variam conforme a análise de cada instituição financeira e o perfil do cliente.
Para taxistas, a participação exige:
Licença ativa de taxista
Regularidade fiscal
Cadastro atualizado nos órgãos competentes
Para motoristas de aplicativo, os critérios incluem:
Cadastro ativo em uma plataforma há pelo menos 12 meses
Mínimo de 100 corridas realizadas nesse período
Permanência na mesma plataforma durante o histórico
O enquadramento nesses critérios é o primeiro passo para acessar as condições especiais de financiamento com juros reduzidos e prazos ampliados que o programa oferece.
Os modelos que mais despertam interesse entre motoristas profissionais
O Fiat Cronos é o sedan mais procurado por motoristas profissionais. Com porta-malas de 525 litros, espaço interno generoso e consumo eficiente, ele atende quem precisa de conforto para os passageiros e economia no dia a dia.
Para quem busca mais tecnologia e presença visual, o Fiat Pulse e o Fiat Fastback são as opções que combinam design atual com conectividade e desempenho. Ambos se destacam no trânsito e agregam percepção de valor ao serviço prestado.
Programa Move Brasil facilita o acesso a veículos novos com condições especiais, e a Murano conecta taxistas e motoristas de aplicativo às oportunidades da Fiat em Manaus. Fotos: Divulgação/Murano Veículos
Qual carro combina com cada perfil?
Cadastro aprovado? Veja como a Murano pode ajudar.
A Murano Veículos é revendedora oficial da Fiat em Manaus há 32 anos. A concessionária tem experiência consolidada em vendas diretas para taxistas, motoristas de aplicativo, autoescola e empresas com CNPJ, o que significa que a adesão ao Move Brasil passa por uma equipe que já conhece a documentação, os trâmites e as particularidades desse tipo de negociação.
O atendimento pode ser feito presencialmente na unidade do Aleixo ou no espaço do Manauara Shopping. Para quem prefere iniciar pelo digital, a equipe comercial atende peloWhatsApp com agilidade.
O momento é de oportunidade. O programa tem prazo, o estoque de veículos tem limite e as condições especiais da Fiat não vão durar indefinidamente. Se você cumpre os requisitos, o próximo passo é conversar com a Murano e entender como seguir com a venda direta.
Fale com a equipe da Murano através do contato (92) 98400-1422 ou site: www.fiatmurano.com.br.
Brincantes devem ficar atentos aos problemas de saúde antes e após o Festival de Parintins. Foto: Michael Dantas/Governo do Amazonas
Com a aproximação do Festival Folclórico de Parintins, especialistas do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), administrado pela Rede HU Brasil, reforçam orientações para que os brincantes aproveitem os dias de festa com saúde. A combinação de calor intenso, chuvas frequentes, grandes aglomerações e consumo de bebidas alcoólicas pode aumentar o risco de desidratação, queimaduras solares e infecções respiratórias.
O festival acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, em Parintins (a 369 km de Manaus), com a disputa dos bois Caprichoso e Garantido e a expectativa de receber 120 mil turistas, número que praticamente dobra a população da ilha.
Segundo o pneumologista do HUGV-Ufam, Mário Sérgio Fonseca, os quadros respiratórios frequentemente observados após o festival estão associados a diversos fatores.
“O que acontece é que a programação reúne milhares de pessoas em contato próximo, favorecendo a circulação de vírus respiratórios. Além disso, muitas pessoas passam dias enfrentando mudanças de temperatura e uma rotina muito diferente da habitual. Esse conjunto de fatores pode deixar o organismo mais vulnerável ao adoecimento”, explica.
De acordo com o especialista, vírus como influenza, covid-19 e outros agentes causadores de infecções respiratórias encontram condições favoráveis para circular em eventos com grande concentração de pessoas, hospedagens compartilhadas, embarcações e longas filas, como ocorre em Parintins.
Foto: Reprodução/Amazon Sat
Preparação começa antes da viagem
Os cuidados com a saúde devem começar antes mesmo do embarque para a ilha. Entre as recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente, hidratar-se regularmente, verificar se a vacinação está atualizada, especialmente contra influenza e covid-19, e não esquecer os medicamentos de uso contínuo durante a viagem.
O médico também alerta para a falsa expectativa em torno do uso indiscriminado de vitaminas e suplementos antes da festa. “A suplementação não costuma trazer benefícios para a prevenção de doenças quando não existe deficiência comprovada dessas vitaminas. Não há respaldo médico para isso. Então, o mais importante continua sendo manter hábitos saudáveis, vacinação em dia, alimentação adequada, hidratação e sono de qualidade”, ressalta.
Sol forte exige proteção redobrada
A exposição prolongada ao sol é uma das marcas do festival. Além do desconforto, a radiação ultravioleta pode provocar queimaduras, envelhecimento precoce da pele e aumentar o risco de câncer de pele.
A dermatologista Luciana Mendes recomenda o uso correto do protetor solar. “O produto deve ser aplicado cerca de 20 minutos antes da exposição ao sol em todas as áreas descobertas do corpo. A reaplicação deve ocorrer a cada duas horas ou sempre após suor excessivo ou contato com água. O ideal é utilizar protetor com FPS igual ou superior a 30”, orienta.
Além do protetor solar, outras medidas ajudam a reduzir os danos provocados pela exposição solar. “Chapéus de aba larga, óculos com proteção ultravioleta e roupas com proteção solar contribuem para uma exposição mais segura. Sempre que possível, é importante evitar a permanência sob sol intenso entre 10h e 14h”, acrescenta.
Hidratação vai além de matar a sede
As altas temperaturas registradas em Parintins aumentam a perda de líquidos e sais minerais pelo suor, favorecendo quadros de desidratação durante os dias de festa. Quando a reposição de água não ocorre de forma adequada, podem surgir sintomas como dor de cabeça, tontura, fraqueza, fadiga, câimbras e sensação de mal-estar.
O risco aumenta com o consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, os especialistas orientam alternar a ingestão de álcool com água durante a festa e evitar longos períodos sem consumir líquidos. A hidratação adequada também contribui para a manutenção da pressão arterial, melhora o desempenho físico e ajuda a preservar a voz, bastante exigida pelas torcidas durante as apresentações dos bois-bumbás.
Cuidados durante e após a festa
Embora seja impossível eliminar completamente os riscos em eventos de grande porte, algumas medidas ajudam a reduzir as chances de contaminação. Entre elas estão higienizar as mãos com frequência, utilizar álcool em gel, evitar compartilhar copos e garrafas, manter uma boa hidratação e respeitar os períodos de descanso.
Após o retorno para casa, alguns sintomas exigem atenção. “Febre persistente, falta de ar, dificuldade para respirar, queda do estado geral ou sintomas que se intensificam ao longo dos dias devem motivar uma avaliação médica”, afirma o pneumologista.
Para Mário Sérgio, embora o festival envolva situações que aumentam os riscos de adoecimento, a adoção de medidas preventivas pode contribuir para uma experiência mais segura e tranquila.
“A maioria das pessoas consegue aproveitar o festival sem intercorrências. O importante é adotar medidas preventivas para usufruir da festa com saúde e estar atento aos sinais do próprio corpo para buscar ajuda quando necessário”, conclui o especialista.
Além do fruto, tecnologia abre perspectiva para que produtores comercializem o produto caule do açaí com o setor industrial. Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa
Da floresta para a inovação: um resíduo do manejo do açaí, até então sem aproveitamento tecnológico em larga escala, acaba de se transformar em mais um ativo de propriedade intelectual da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A instituição conquistou nova carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com a invenção “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, tecnologia que converte o caule excedente do açaizeiro em um material de alta resistência com potencial de aplicação na construção civil, mobiliário e produção de objetos.
A invenção utiliza a porção mais densa e fibrosa do caule do açaizeiro para a produção de painéis colados de alta resistência mecânica, com características semelhantes às de madeiras de alta densidade e madeiras laminadas. Além de agregar valor a um resíduo que normalmente é descartado, a solução apresenta potencial para estimular cadeias produtivas ligadas à bioeconomia amazônica e ao uso sustentável dos recursos regionais.
Com depósito realizado em maio de 2020, a patente foi expedida em 16 de junho de 2026 e tem validade de 20 anos. O desenvolvimento é assinado pelos docentes e pesquisadores João Thiago Rodrigues de Sousa e Victor Hugo Pereira Moutinho, ambos vinculados ao Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef/Ufopa) e por Bruno Monteiro Balboni, docente da Universidade de São Paulo (USP).
Para um dos pesquisadores, João Thiago Rodrigues de Sousa, “a patente proposta representa inovação de imenso valor científico, ecológico e socioeconômico para a região amazônica. Para além do reconhecimento do nosso trabalho, ela consolida o trabalho das populações rurais que manejam o açaí para abastecer o mercado com os frutos. Agora podem obter um outro produto de altíssimo valor agregado, aumentar sua renda, dinamizar a cadeia e coloca a atividade no mapa de benefícios sociais importantes, como previdência, ergonomia, profissão, etc., a partir de um resíduo do manejo.”
O pesquisador Bruno Balboni reforça que “a madeira de açaí é uma forma de fornecer uma fonte de renda extra para o produtor de açaí, agregando valor ao resíduo do manejo do açaizeiro, estimulando a prática que possui o benefício de aumentar a produção dos frutos”.
Antes mesmo da concessão da carta-patente, a tecnologia já começou a ganhar visibilidade em espaços estratégicos de divulgação e inovação. O material desenvolvido foi apresentado durante a COP 30, realizada em Belém (PA), cidade-sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e na XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa) 2026, também realizada em Belém, ampliando o alcance da pesquisa e aproximando o projeto de potenciais conexões institucionais e de mercado.
A próxima etapa dos pesquisadores concentra-se no avanço dos estudos voltados à viabilidade de comercialização e inserção do produto no mercado, com potencial de abrir uma nova oportunidade econômica para produtores que atuam no cultivo do açaí, que poderão agregar valor ao manejo e comercializar também o caule excedente para o setor industrial, além da produção tradicional voltada ao fruto.
Com a nova carta-patente, a Ufopa passa a contabilizar 11 pedidos de patentes depositados, dos quais três já obtiveram concessão e uma quarta tecnologia aguarda a conclusão do processo para concessão definitiva.
Entre as invenções já protegidas pelo INPI estão:
“Sistemas líquidos cristalinos baseados em gordura vegetal de murumuru (Astrocaryum murumuru Mart.) para liberação sustentada de fármacos em pele e cavidades revestidas por mucosa”, primeira carta-patente da Universidade;
“Produto cosmético para colorir os lábios baseado em pigmento extraído das cascas do fruto do jambeiro-vermelho (Syzygium malaccense)”;
e agora os “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”.
Além das patentes de invenção, a Universidade também conquistou recentemente o registro da marca Afroteca, tecnologia educacional antirracista desenvolvida na instituição, ampliando seu portfólio de ativos de propriedade intelectual e de soluções geradas a partir da Amazônia.
Com a nova patente recém concedida, a Ufopa segue consolidando sua contribuição para o desenvolvimento de soluções científicas conectadas aos desafios amazônicos e para a valorização do conhecimento produzido na região.