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Museu Goeldi e mais sete institutos de pesquisa avaliam conflitos e ameaças na Pan-Amazônia

Museu Goeldi. Foto: Divulgação/Acervo Museu Goeldi

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) participa da III Reunião Anual da Rede Bioamazônia, de 11 a 15 de maio, na cidade colombiana de Letícia, localizada na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru. Com o tema ‘Conflitos e ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma’, o encontro reúne gestores, pesquisadores e especialistas de oito institutos de pesquisa sediados em cinco países. O debate promete ser um avanço na construção de uma agenda de atuação estratégica e comum às instituições envolvidas.

“No Museu Goeldi, a instituição científica mais antiga da Amazônia, transformamos mais de um século e meio de pesquisa em conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a geodiversidade, salvaguardando acervos que preservam a memória amazônica. É essa capacidade de unir a ciência, as culturas amazônicas e o compromisso, sobretudo com o desenvolvimento do território, que nós levamos à Rede Bioamazônia”, afirmou o diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, resumindo a missão e a participação da instituição.

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Participação do Museu Goeldi

Participam do encontro pelo Museu Goeldi, além do diretor, os pesquisadores Alberto Akama, Marlúcia Bonifácio Martins, Diana Cruz Rodrigues e Sue Anne Regina Ferreira da Costa. Eles integram painéis e grupos de trabalho relacionados aos eixos temáticos da reunião, oferecendo contribuições técnicas.

A reunião

O terceiro encontro da Rede Bioamazônia acontece na sede do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI. De acordo com os organizadores, esta edição coloca no centro das discussões a contribuição da ciência para compreender e enfrentar as crescentes pressões sobre o bioma, a partir de uma perspectiva regional e colaborativa.

A cidade de Letícia está localizada em um ambiente significativo para o bioma: a bacia do rio Amazonas, um sistema fundamental para a regulação climática global, para a conservação da biodiversidade e para a conectividade ecológica do continente.

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A reunião retoma e aprofunda o caminho iniciado no encontro anterior, realizado em Iquitos, no Peru, consolidando um espaço de trabalho entre instituições científicas que compartilham agendas e desafios comuns. Ao longo da semana, além da abordagem técnica dos temas que atravessam a região, a Rede avança em sua agenda interna, revisando progressos, alinhando prioridades e definindo orientações estratégicas para fortalecer a cooperação entre seus membros.

O encontro conta com apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A temática 

A Rede Bioamazônia compartilha o entendimento de que a Amazônia atravessa um momento crítico de transformações socioambientais aceleradas, em que a convergência de múltiplas pressões — como o desmatamento, as mudanças climáticas, as atividades extrativistas e a degradação dos ecossistemas — pode levar a limiares ecológicos irreversíveis, a conflitos cada vez mais complexos e até mesmo a impactos em escala global, dada a relevância do ecossistema amazônico.

Por ameaças, a Rede entende aquelas atividades que geram mudanças ambientais negativas nos ecossistemas, seja por meio de processos formais, como a expansão da fronteira agrícola, seja por práticas ilegais, como a mineração informal.

Como conflitos, os membros do grupo compreendem as disputas ativas – frequentemente violentas – entre atores com interesses divergentes sobre o uso, o controle e a proteção dos recursos naturais. Ambas as dimensões se retroalimentam, criando espirais de degradação ambiental e vulnerabilidade social. As ameaças transformam as paisagens; os conflitos reconfiguram os territórios. Essa dupla crise desafia a capacidade de resposta dos Estados e coloca à prova os marcos existentes de governança socioambiental.

Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, ilustra biodiversidade do bioma amazônico. Foto: Janine Valente/MPEG

Nessa perspectiva, considerando a relevância da ação conjunta e integrada no território para compreender e propor caminhos diante de desafios de alta complexidade, a Rede Bioamazônia escolheu como tema central do encontro e como eixo de seu evento inaugural ‘Conflitos e Ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma’, reunindo diferentes vozes especialistas para compor um panorama amplo dos diversos conflitos e ameaças que afetam a região, abordando aspectos como: 

  • desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia e energia limpa,
  • impactos das mudanças climáticas,
  • contaminação por mercúrio,
  • espécies migratórias,
  • perda de conhecimentos tradicionais,
  • incêndios e manejo integrado do fogo
  • e comércio de espécies amazônicas (legal x ilegal).

Cada um dos temas será apresentado por pesquisadores especialistas, durante o painel técnico de inauguração, no qual serão compartilhadas uma visão geral, os principais aspectos e dados-chave que servirão de base para as discussões. 

A Rede Bioamazonia

A Rede Bioamazonia é um instrumento regional cuja missão é integrar e fortalecer as capacidades de seus institutos membros, promover a geração e o intercâmbio de conhecimentos sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, bem como o desenvolvimento e a transferência de soluções e tecnologias inovadoras para a bioeconomia amazônica. A Rede é integrada pelos principais institutos de pesquisa e inovação em biodiversidade de cinco países do bioma amazônico: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru, reunindo mais de mil pesquisadores especialistas na região.

Institutos integrantes:

  • Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/UMSA) – Bolívia
  • Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – Brasil
  • Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) – Brasil
  • Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil
  • Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt – Colômbia
  • Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI – Colômbia
  • Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio) – Equador
  • Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru

Painelistas na III Reunião Anual – Rede Bioamazônia

  • Alberto Akama (Museu Goeldi) – Pesquisador associado e docente do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE/MPEG);
  • David Veintimilla Yanez (Inabio, Equador) – Subdiretor técnico do Inabio;
  • Diego Inclán (Inabio, Equador) – Diretor-executivo do Inabio e diretor da Rede Bioamazônia;
  • Henrique Pereira (INPA, Brasil) – Diretor do INPA e vice-presidente da Rede Bioamazônia;
  • João Valsecchi (Instituto Mamirauá, Brasil) – Diretor-geral;
  • Jorge Eliécer Arias Rincón (Instituto SINCHI, Colômbia) – Pesquisador associado do Programa Modelos de Funcionamento – Laboratório SIG e SR;
  • José Manuel Ochoa (Instituto Humboldt, Colômbia) – Gerente do Centro de Estudos Sociológicos e Mudança Global, membro da Diretoria de Conhecimento;
  • Manuel Martin Brañas (IIAP, Peru) – Diretor de Pesquisa em Sociedades Amazônicas e diretor da Rede Bioamazônia;
  • Mónica Moraes (Instituto de Ecologia – UMSA, Bolívia) – Pesquisadora docente.

*Com informações da Assessoria de Comunicação da Rede Bioamazônia e do Museu Goeldi

Prêmio Almirante Álvaro Alberto reconhece contribuição da ciência amazônica para o Brasil

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Foto: Rodrigo Cabral/MCTI

A pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, uma das principais referências brasileiras nos estudos sobre os ecossistemas aquáticos da Amazônia, foi homenageada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais alta distinção científica do País. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ela construiu uma trajetória marcada por contribuições para a compreensão das áreas alagadas amazônicas e da importância da floresta para o equilíbrio climático e ambiental.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou da cerimônia na Escola Naval, fruto de parceria entre a pasta, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Marinha do Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Saiba mais: Com carreira dedicada à Amazônia, pesquisadora do Inpa vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

Luciana Santos destacou que a escolha da pesquisadora representa não apenas o reconhecimento de uma trajetória científica de excelência, mas também a importância estratégica da Amazônia para o futuro do País.

“Esta cerimônia simboliza também a vitória de um projeto de País que valoriza a ciência feita por brasileiras e brasileiros de todos os cantos”, disse.

Maria Fernandez destacou a importância da ciência para enfrentar os desafios ambientais e climáticos da atualidade. A pesquisadora destacou que as áreas úmidas amazônicas, foco de seus estudos, vêm sofrendo impactos crescentes provocados por incêndios, poluição e grandes empreendimentos.

“A ciência e a educação são o caminho para orientar decisões críticas que precisam ser tomadas”, afirmou.

O Prêmio Almirante Álvaro Alberto foi criado em 1981 e homenageia o criador e primeiro presidente do CNPq – Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, defensor do desenvolvimento científico e tecnológico. “O legado do Almirante Álvaro Alberto continua atual ao mostrar que o desenvolvimento do País depende do fortalecimento da ciência e da tecnologia”, afirmou o presidente do CNPq, Olival Freire Junior.

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Além da entrega do prêmio, a cerimônia contou com a diplomação de novos membros titulares e correspondentes da Academia Brasileira de Ciências, que celebra 110 anos em 2026. Também foram entregues os títulos de Pesquisador Emérito e Menções Especiais de Agradecimento do CNPq a pesquisadores e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento científico nacional.

Representando a Marinha do Brasil, o chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Corrêa, afirmou que investir em ciência, tecnologia e formação de pessoal é essencial para a soberania e o desenvolvimento do País. “Não há soberania robusta sem base científica consistente. Não há capacidade estratégica autônoma sem pesquisa, inovação, capacitação tecnológica e formação de recursos humanos de excelência”, declarou.

Com carreira dedicada à Amazônia, Maria Teresa Fernandez Piedade ganha Prêmio Almirante Álvaro Alberto, que reconhece contribuição da ciência amazônica para o Brasil
A pesquisadora do Inpa, Maria Teresa Fernandez Piedade, foi homenageada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto. Foto: Érico Xavier/Fapeam

ENCTI

Durante a solenidade do prêmio, a ministra apresentou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024–2034, documento que vai orientar as políticas públicas do setor ao longo da próxima década. Segundo Luciana Santos, a estratégia é “um compromisso de Estado com o futuro do Brasil”.

Leia também: Pesquisadores do Inpa alertam sobre risco de colapso climático na Amazônia

Construída a partir das diretrizes da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que mobilizou cerca de 100 mil pessoas em todo o País, a ENCTI reúne contribuições do Governo do Brasil, da academia, do setor produtivo e da sociedade. O documento estabelece como missão transformar conhecimento em soluções para a população, com foco em inclusão, sustentabilidade e soberania nacional.

A estratégia está organizada em quatro grandes eixos:

  1. expansão e integração do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação;
  2. reindustrialização em novas bases;
  3. projetos estratégicos para a soberania nacional;
  4. CT&I para o desenvolvimento social.

Entre os desafios previstos estão elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB até 2034, garantir previsibilidade orçamentária, especialmente via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), reduzir dependências tecnológicas críticas e ampliar a integração entre ciência e setor produtivo.

Luciana Santos também destacou os 110 anos da Academia Brasileira de Ciências. “Celebrar esses 110 anos é reconhecer esse legado e reafirmar a importância de instituições fortes, comprometidas com o futuro do Brasil”, finalizou.

A cerimônia do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026 reuniu representantes de instituições científicas e de fomento à pesquisa, entre eles a presidente da ABC, Helena Nader; o presidente do CNPq, Olival Freire Junior; a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia; o presidente da Finep, Luiz Antonio Rodrigues Elias; além de representantes da Marinha, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Conrado Wessel.

Agraciados Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

Prêmio Almirante Álvaro Alberto

Maria Teresa Fernandez Piedade

Título de Pesquisador (a) Emérito (a)

  • Aldina Maria Prado Barral
  • Alvaro Toubes Prata
  • Margarida Lopes Rodrigues de Aguiar-Perecin
  • Marilene Corrêa Da Silva Freitas
  • Silvio Roberto de Azevedo Salinas
  • Zelinda Margarida Andrade Nery Leão

Menção Especial de Agradecimentos

  • Embaixada da França no Brasil
  • Ministério das Mulheres
  • Márcio de Araújo Pereira
  • Mitzi Gurgel Valente da CostaCategoria
  • Ciência e Tecnologia

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Cinema é transformado em ferramenta de leitura, reflexão e descoberta para estudantes ribeirinhos de Codajás

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Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação

O segundo dia de programação do Amazônia das Palavras – Quarta Edição levou oficinas literárias e atividades culturais à Escola Estadual Indígena Professor Luiz Gonzaga de Souza Filho, em Codajás (AM). Conhecida como a “Terra do Açaí”, a cidade localizada às margens do Rio Solimões recebeu uma programação voltada a estudantes e educadores da rede pública, unindo literatura, cinema, música, oralidade e cultura amazônica.

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Com pouco mais de 29 mil habitantes, Codajás é um dos maiores produtores de açaí do Amazonas e possui forte tradição ribeirinha. Fundada em 1875, a cidade carrega, inclusive no próprio nome, derivado do Nheengatu, marcas da presença indígena e da relação histórica com os rios da Amazônia.

Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação

Ao longo do dia, estudantes participaram de oficinas de produção de textos, slam, música e literatura, moda e literatura, animação, Nheengatu e cinema em sala de aula. Entre elas, a oficina conduzida por Bete Bullara provocou reflexões sobre o papel do audiovisual no cotidiano e na formação crítica dos jovens.

Aprender a ler imagens

Formada em cinema pela UFF e integrante do CINEDUC desde 1975, Bete participa do Amazônia das Palavras desde a primeira edição e defende o cinema como linguagem fundamental para a educação contemporânea. Segundo ela, a proposta vai além do uso do filme como ferramenta complementar de ensino.

“O cinema é uma linguagem e, como toda linguagem, precisa ser aprendida. A função da escola é fazer com que as pessoas aprendam a decodificar essa linguagem”, afirma.

Leia também: Amazônia das Palavras: quarta edição realiza programação cultural e educativa em Coari

Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: divulgação

Durante a oficina, os estudantes tiveram contato com conceitos ligados à construção da imagem, iluminação, enquadramento e narrativa audiovisual, compreendendo como escolhas técnicas também carregam intenções e visões de mundo.

“A fotografia e o cinema não são cópias da realidade. Existe uma escolha por trás de cada enquadramento, de cada iluminação, de cada posição de câmera. Tudo isso comunica alguma coisa. É importante que as pessoas aprendam a perceber essas escolhas e entendam que existe uma intenção por trás de cada produto audiovisual”, explica a oficineira.

Para Bete Bullara, ensinar cinema dentro da escola também significa ampliar a capacidade de interpretação dos estudantes diante do excesso de informações visuais presentes no cotidiano contemporâneo.

“Hoje convivem muitas linguagens ao mesmo tempo dentro de uma tela. Texto, música, fotografia, vídeo, desenho. Quem não consegue perceber ou interpretar essas linguagens acaba ficando limitado na forma de compreender o mundo. O cinema na escola é importante justamente porque ajuda as pessoas a pensarem por si mesmas e a serem menos influenciáveis”, destaca.

Novos olhares

Entre os estudantes, a oficina despertou novas percepções sobre o universo audiovisual. A aluna Rayjha Geamylle, de 14 anos, contou que a experiência mudou a forma como enxerga o cinema. “A parte do cinema foi muito interessante porque mostrou como um filme é construído. Eu não imaginava tudo o que existe por trás. A gente pensa que é fácil, mas é totalmente diferente”, relata.

Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação

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Ela também destacou a importância de iniciativas culturais na cidade. “Poderia ter mais projetos assim aqui em Codajás. Não acontecem muitas coisas desse tipo, então acaba chamando muito a atenção da gente”, completa.

Para a direção da escola, a presença do Amazônia das Palavras fortalece o ambiente educacional ao aproximar os estudantes de novas experiências artísticas e literárias. Segundo a diretora Silvia Reis, além das oficinas, a doação de livros realizada pelo projeto amplia as possibilidades de leitura dentro da escola.

“Projetos como esse despertam nos alunos o interesse pela leitura, pela arte e pelo conhecimento. A doação dos livros também fortalece nosso acervo e cria novas oportunidades para que os estudantes tenham contato com diferentes histórias, autores e formas de pensar o mundo”, destaca.

Noite cultural mobiliza comunidade

As atividades noturnas também mobilizaram a comunidade de Codajás. A programação contou com exibição do documentário da terceira edição do projeto, homenagem à escritora Maria Firmina dos Reis, doação de livros à biblioteca escolar e o espetáculo circense “Silêncio Total – Vem Chegando um Palhaço”, com o ator Luiz Carlos Vasconcelos interpretando o Palhaço Xuxu.

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Entre os convidados da noite esteve Amanda Christine, Rainha do Açaí de Codajás, que destacou o impacto da programação cultural na cidade.

“Foi uma noite muito bonita. O espetáculo do Palhaço Xuxu trouxe alegria para as pessoas e deixou a cidade mais feliz. O projeto também é importante porque incentiva os jovens a se aproximarem mais da literatura, da cultura e da educação”, afirma.

Expedição segue pelo Amazonas

Após a passagem por Codajás, a expedição segue para os municípios de Anori, Anamã, Manacapuru, Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de promover atividades educativas e culturais gratuitas em escolas públicas e comunidades ribeirinhas.

O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é um projeto patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio: Cigás; promoção: Fundação Rede Amazônica. Realização: Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.

*Com informações da assessoria

SGB divulga mapas geológicos de 50 municípios mineradores; confira os da Amazônia

Foto: Divulgação/SGB

Em alusão ao Dia da Mineração, 6 de maio, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) deu visibilidade aos mapas do conhecimento geológico publicados para 50 municípios mineradores. Os produtos reúnem informações detalhadas sobre o território e servem de base para orientar pesquisas, reduzir riscos exploratórios e apoiar o planejamento do setor mineral no país.

Os mapas contemplam municípios de:

  • Minas Gerais (23),
  • Pará (10),
  • Goiás (5),
  • Bahia (5),
  • Mato Grosso (3),
  • Mato Grosso do Sul (1),
  • Amazonas (1),
  • Maranhão (1),
  • e Alagoas (1).

“A nossa atuação está baseada na geração de dados geológicos essenciais para identificar áreas com potencial mineral. Essa base técnica permite que empresas e investidores tomem decisões com mais segurança e também apoia o planejamento governamental, impulsionando o desenvolvimento sustentável desses municípios”, destacou o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões.

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O diretor-presidente ressaltou que a diversidade geológica do país é um diferencial estratégico. “Nossa atuação contribui para fortalecer toda a cadeia produtiva mineral, em alinhamento às diretrizes do Governo Federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o apoio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O objetivo é tornar o Brasil mais atrativo e gerar benefícios para a população”, afirmou.

Ao indicar áreas com potencial mineral, o SGB contribui para o desenvolvimento dos municípios, explicou o diretor de Geologia e Recursos Minerais, Valdir Silveira.

“Com mais essa linha de mapas, o SGB possibilita aos gestores municipais e comunidades locais conhecerem o nível de detalhe da cartografia geológica e as ocorrências minerais cadastradas em âmbito regional”, salientou. 

A análise deste cenário permitirá avaliar potencialidades e a necessidade de melhorias no conhecimento geológico de cada município produtor, visando aumentar a atratividade dos investimentos em pesquisa e produção mineral.

EstadoMunicípio
ALMapa do conhecimento do município de Craíbas – AL
AMMapa do conhecimento do município de Presidente Figueiredo – AM
BAMapa do conhecimento do município de Jacobina – BA
BAMapa do conhecimento do município de Jaguarari – BA
BAMapa do conhecimento do município de Itagibá – BA
BAMapa do conhecimento do município de Santa Luz – BA
BAMapa do conhecimento do município de Juazeiro – BA
GOMapa do conhecimento do município de Alto Horizonte – GO
GOMapa do conhecimento do município de Ouvidor – GO
GOMapa do conhecimento do município de Barro Alto – GO
GOMapa do conhecimento do município de Catalão – GO
GOMapa do conhecimento do município de Crixás – GO
MAMapa do conhecimento do município de Godofredo Viana – MA
MGMapa do conhecimento do município de Conceição do Mato Dentro – MG
MGMapa do conhecimento do município de Congonhas – MG
MGMapa do conhecimento do município de Nova Lima – MG
MGMapa do conhecimento do município de Mariana – MG
MGMapa do conhecimento do município de Itabira – MG
MGMapa do conhecimento do município de Itabirito – MG
MGMapa do conhecimento do município de São Gonçalo do Rio Abaixo – MG
MGMapa do conhecimento do município de Ouro Preto – MG
MGMapa do conhecimento do município de Paracatu – MG
MGMapa do conhecimento do município de Barão de Cocais – MG
MGMapa do conhecimento do município de Brumadinho – MG
MGMapa do conhecimento do município de Itatiaiaçu – MG
MGMapa do conhecimento do município de Santa Bárbara – MG
MGMapa do conhecimento do município de Belo Vale – MG
MGMapa do conhecimento do município de Sabará – MG
MGMapa do conhecimento do município de Antônio Dias – MG
MGMapa do conhecimento do município de Catas Altas – MG
MGMapa do conhecimento do município de Bela Vista de Minas – MG
MGMapa do conhecimento do município de Tapira – MG
MGMapa do conhecimento do município de Sarzedo – MG
MGMapa do conhecimento do município de Patrocínio – MG
MGMapa do conhecimento do município de Araxá – MG
MGMapa do conhecimento do município de Rio Acima – MG
MSMapa do conhecimento do município de Corumbá – MS
MTMapa do conhecimento do município de Aripuanã – MT
MTMapa do conhecimento do município de Nobres – MT
MTMapa do conhecimento do município de Peixoto de Azevedo – MT
PAMapa do conhecimento do município de Canaã dos Carajás – PA
PAMapa do conhecimento do município de Parauapebas – PA
PAMapa do conhecimento do município de Marabá – PA
PAMapa do conhecimento do município de Curionópolis – PA
PAMapa do conhecimento do município de Paragominas – PA
PAMapa do conhecimento do município de Itaituba – PA
PAMapa do conhecimento do município de Juruti – PA
PAMapa do conhecimento do município de Terra Santa – PA
PAMapa do conhecimento do município de Oriximiná – PA
PAMapa do conhecimento do município de Tucumã – PA

Leia também: Mina de Carajás: conheça a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo

SGB divulga mapas geológicos de 50 municípios mineradores; confira os da Amazônia
Mapa do conhecimento geológico de Oriximiná (PA). Imagem: Reprodução/SGB

Pesquisas do Serviço Geológico para o setor mineral

O SGB atua na geração de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos de caráter pré-competitivo, fundamentais para reduzir riscos e orientar investimentos. As ações seguem as diretrizes do Plano Nacional de Mineração 2030, do Programa Mineração Segura e Sustentável do Plano Plurianual 2024-2027 e do Plano Decenal de Mapeamento Geológico e de Recursos Minerais (PlanGeo).

Entre as iniciativas em curso, estão as pesquisas para ampliar o mapeamento geológico sistemático na escala 1:100.000, além do avanço em levantamentos geofísicos e geoquímicos prospectivos – uma tríade de informações fundamentais para o setor.

Nos últimos anos, a instituição também tem ampliado os estudos sobre minerais críticos e estratégicos, como nióbio, grafita, terras raras, níquel, manganês e lítio, essenciais para a transição energética e a economia de baixo carbono. Em 2026, o SGB lançou a publicação An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil, com um panorama nacional sobre o tema.

Acompanhe nas plataformas de Mapeamento Geológico e de Recursos Minerais os projetos em andamento e avanços.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB)

Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais, aponta pesquisa

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Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: Divulgação

Com o avanço da odontologia moderna e o impacto da cultura da imagem, notadamente impulsionada pelas redes sociais, procedimentos bucais com foco estético deixaram de ser vistos como um luxo para se tornarem um componente do autocuidado e da autoestima.

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Região Norte se sobressai

Considerando tratamentos realizados em diversas partes do país no ano de 2025, a região Norte se sobressai como a que mais procura por esses procedimentos estéticos bucais (44,3%). É o que mostra pesquisa realizada pela Odontoprev com base em seus mais de nove milhões de beneficiários. O estudo consolida dados de 2025.

Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais, aponta pesquisa
Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: divulgação

Na sequência, a região Sul aparece como a que mais realiza procedimentos (37%), seguida pelo Centro-Oeste (31,9%), e pelo Sudeste (18,9%). Em contraste, o Nordeste apresenta o menor índice (6,2%) de realização de procedimentos.

Leia também: Falta de água e banheiros são os principais problemas de escolas rurais na região Norte

Segundo o Dr. Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev, atualmente, esses tratamentosbuscam conciliar a saúde biológica do sorriso com uma aparência harmoniosa.

“São muitos tratamentos, como clareamento dental, facetas de porcelana ou lentes de contato; o foco vai além da perfeição. Buscamos oferecer um equilíbrio personalizado que respeite as características faciais de cada indivíduo, transformando o sorriso realmente em um cartão de visitas que alia funcionalidade e estética de forma integrada”, comenta.

Prevenção com a saúde bucal é o foco do Sudeste

Com um aumento notável de 38,9% em tratamentos preventivos, a região Sudeste assume a liderança no ranking das regiões que mais realizam este tipo de procedimentos, refletindo uma maior preocupação e conscientização sobre a saúde bucal, prevenção e autocuidado.

Em seguida vem o Sul (11,9%), o Norte (6,5%) e o Nordeste (6%). Já na região Centro-Oeste, apenas 3,1% da população demonstrou preocupação em prevenir possíveis problemas dentários.

Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: divulgação

“A sabedoria do cuidado com o sorriso reside na prevenção. Priorizar visitas regulares ao dentista e manter uma rotina de higiene rigorosa não é apenas uma questão de estética, mas um investimento na própria saúde, agindo muito antes do corpo precisar emitir o alerta da dor. Além disso, tratar problemas em estágio inicial é sempre mais simples, indolor e às vezes até econômico do que remediar intervenções complexas”, diz Dr. Nakao. 

Olhar para os tratamentos curativos

Uma maior preocupação com a prevenção resulta na redução dos procedimentos curativos. A região Sudeste lidera a queda nos procedimentos, registrando -4,3%. Em seguida, vêm o Centro-Oeste com -0,8% e o Norte com -0,4%. Por outro lado, as regiões Sul e Nordeste apresentaram aumento nos procedimentos curativos, com 2,5% e 1,2%, respectivamente. 

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“Quando escolhemos cuidar do sorriso pelo valor da saúde e não pela urgência do incômodo, evitamos o estresse de urgências e garantimos que a boca cumpra suas funções vitais com pleno bem-estar, preservando a integridade dos dentes de forma duradoura”, ressalta Dr. Nakao.

Sobre a Odontoprev

A Odontoprev, empresa de capital aberto desde 2006, é líder em planos odontológicos no Brasil, com mais de nove milhões de beneficiários. A rede de cirurgiões-dentistas da Odontoprev é especializada, com aproximadamente 27 mil credenciados. A Companhia é listada no Novo Mercado da B3, participa da carteira global do Bloomberg GEI 2023, neutraliza a emissão anual de Gases de Efeito Estufa e conta com acionistas de mais de 30 países. Fundada em 1987, a empresa conta com soluções para todos os perfis de clientes, desde grandes corporações, empresas PME e planos individuais, nas marcas Odontoprev, Bradesco Dental, BB Dental e Odonto System, Mogidonto entre outras.

*Com informações da assessoria

52 comunidades quilombolas são automapeadas no Pará

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Foto: Divulgação/Ipam

Um diagnóstico que sistematiza informações de 52 territórios foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém (PA), onde foram debatidas e encaminhadas demandas relacionadas à destinação de terras e à garantia de direitos territoriais. O espaço reuniu instituições como Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Ministério Público (MP), Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) e universidades.

Dados produzidos por comunidades quilombolas no Pará, a partir de uma articulação entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará) e a iniciativa “Tô no Mapa”, estão orientando o encaminhamento de demandas por acesso à terra e a políticas públicas no Estado.

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Os números foram organizados em dois documentos complementares:

  • o relatório “Cenário da segurança jurídica de comunidades quilombolas do estado do Pará: relatório analítico do automapeamento”, que apresenta uma análise estatística e jurídica da situação fundiária;
  • e o material “Automapeamento de comunidades quilombolas no estado do Pará”, que reúne de forma visual a metodologia, o processo e os principais achados do levantamento.

São informações de 52 comunidades quilombolas distribuídas em diferentes regionais do estado, abrangendo municípios como Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Moju, Oeiras do Pará, Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari, incluindo comunidades como São José, Trindade 1 e Trindade 3.

“Estamos identificando áreas que já são ocupadas por comunidades quilombolas, mas que ainda não entraram em nenhuma base oficial de cadastro e não possuem nenhuma camada de proteção, seja por certificação, processos fundiários ou mesmo cadastro ambiental”, explicou Raquel Poça, pesquisadora de Políticas Públicas do IPAM.

Tabela onstruída pelo Iterpa mostra as comunidades mapeadas no Pará. Divulgação/ Iterpa

“A partir da qualificação desses dados, conseguimos não só dar visibilidade a esses territórios, mas direcionar essas informações para espaços institucionais como a Mesa Quilombola, que encaminham as demandas por acesso à terra. Isso permite que comunidades que antes não eram identificadas pelo Estado passem a ser reconhecidas e possam integrar estratégias de garantia de direitos e de proteção territorial no estado do Pará”, finaliza a pesquisadora.

Análise da segurança jurídica

O diagnóstico aponta um cenário marcado por fragilidades no processo de regularização fundiária. Parte significativa das comunidades analisadas ainda não possui titulação ou não está inserida em instrumentos formais de reconhecimento territorial, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Em muitos casos, também foram identificadas situações de sobreposição de direitos, conflitos territoriais e ausência de informações consolidadas sobre a dominialidade das áreas.

Leia também: Estudo revela 632 territórios quilombolas na Amazônia Legal

Ao todo, 19 comunidades foram identificadas sem processo de regularização fundiária iniciado ou sem informações sobre sua tramitação, o que indica a necessidade de encaminhamentos prioritários junto aos órgãos responsáveis. Dessas, oito estão localizadas em áreas de competência estadual, três em áreas federais e outras oito ainda apresentam indefinição fundiária, o que exige etapas adicionais de verificação para definição do órgão responsável.

Situação Jurídico-Administrativa/Dados IPAM Amazônia

A análise também evidencia diferenças entre as regionais. Na região da Guajarina, comunidades como São José, Trindade 1 e Trindade 3 foram classificadas em situação de maior vulnerabilidade por não apresentarem certificação, titulação ou inscrição no CAR, o que indica ausência total de mecanismos formais de proteção territorial. Em outras regiões, como Nordeste e Marajó, foram identificados casos de conflitos, indefinição fundiária e processos de regularização ainda não iniciados.

“Os materiais demonstram que a pauta territorial quilombola é conduzida de forma compartilhada entre comunidades e instituições, com responsabilidades divididas para acelerar a regularização fundiária”, afirmou o presidente do Iterpa, Bruno Kono.

Construção de diagnóstico 

Situação Jurídico-Administrativa/Dados IPAM Amazônia

O processo que resultou no diagnóstico foi desenvolvido a partir da articulação entre o projeto de Governança Fundiária do IPAM e a iniciativa Tô no Mapa. As equipes da Malungu foram capacitadas para realizar o levantamento de informações diretamente nos territórios, utilizando ferramentas digitais para registro dos dados.

Para a Malungu, o processo iniciado em 2025 representou um avanço no fortalecimento institucional e na atuação junto aos territórios. A organização destacou que a execução do projeto permitiu ampliar a presença nas comunidades e apoiar o automapeamento a partir do conhecimento adquirido.

“Esse processo foi muito benéfico para a Malungu. Conseguimos chegar aos territórios, escutar as comunidades e realizar o automapeamento a partir do olhar de quem vive nesses espaços. Isso fortalece não só o reconhecimento dos territórios, mas também a autonomia das próprias comunidades, que passam a ter referências para dialogar com os órgãos fundiários e avançar na regularização. Além disso, os dados coletados ajudam a entender conflitos, áreas de uso e o perfil das comunidades, contribuindo para a nossa atuação enquanto instituição”, explicou Érika Thaís, Coordenadora de Juventude da Malungu.

O levantamento também incorporou informações sobre conflitos territoriais e situações específicas de cada comunidade, ampliando a capacidade de análise para além do reconhecimento formal dos territórios. Com isso, o material passa a apoiar não apenas processos de regularização, mas também a gestão territorial das comunidades quilombolas no estado.

A partir desse processo, foi realizando o cruzamento dos dados territoriais com informações sobre políticas públicas, situação fundiária e instrumentos de regularização. Esse trabalho permitiu transformar o conjunto de dados em um diagnóstico estruturado, capaz de subsidiar o encaminhamento de demandas de forma mais precisa.

Mapeamento independente

Foto: Divulgação/Ipam

O “Tô no Mapa” é uma iniciativa que permite que povos e comunidades tradicionais realizem o automapeamento de seus territórios, por meio da autodeclaração e da delimitação das áreas que ocupam, garantindo visibilidade e uma camada de proteção enquanto aguardam o reconhecimento formal pelo Estado.

Para Isabel Castro, pesquisadora do IPAM, o processo é essencial por reduzir a invisibilidade desses povos, mesmo estando há anos em seus territórios.

“O grande diferencial é que os próprios comunitários se autodeclaram como comunidades tradicionais e também delimitam os limites da sua terra. Isso traz uma camada a mais de proteção para as áreas ainda não tituladas”, explica. “Com essa ferramenta, o Estado precisa reconhecer essa autodeclaração, que é legítima, e isso gera repercussões jurídicas e extrajurídicas, garantindo proteção enquanto a titulação não acontece”, finaliza Castro.

A organização das informações permite identificar de forma objetiva quais comunidades precisam iniciar processos de regularização, as que possuem encaminhamentos em curso e as que enfrentam situações mais complexas, como conflitos ou indefinição fundiária. Dessa forma, o diagnóstico contribui para orientar a atuação dos órgãos responsáveis e qualificar o debate institucional.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Ipam Amazoônia, escrito por Suellen Nunes

Novo gênero de caranguejo é identificado no Parque Nacional do Pico da Neblina

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A descoberta do caranguejo Okothelphusa trefauti por pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo ocorreu durante uma expedição científica realizada em 2022, no Parna do Pico da Neblina. Foto: Divulgação

No extremo norte da Amazônia brasileira, o Parque Nacional do Pico da Neblina, sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reafirma seu papel central na proteção e revelação de uma biodiversidade ainda pouco conhecida pela ciência. O território de 2,3 milhões de hectares está sobreposto a uma área Yanomami, onde um novo gênero e uma nova espécie de caranguejo de água doce foram descobertos. O achado raro reforça a importância estratégica dos povos indígenas e da unidade de conservação na preservação da biodiversidade.  

O animal foi batizado de Okothelphusa trefauti. O nome do gênero combina “Oko”, que significa caranguejo na língua yanomami, com “thelphusa”, termo usado para caranguejos de água doce. Já a espécie homenageia o herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues, que liderou a expedição responsável pelo achado.

“A gente ainda não conhece toda a biodiversidade existente. Cada nova expedição descobre formas de vida novas e únicas e, devido à grande dimensão do parque, acreditamos que encontraremos muito mais”, conta o chefe do parque, Cassiano Gatto.   

Foto: Divulgação

O ambiente, protegido e monitorado pelo ICMBio, é um dos mais isolados do país, o que explica tanto a raridade de expedições quanto o surgimento de espécies únicas.  

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O chefe do parque, o biólogo Cassiano Gatto, reforça que, especialmente nas regiões mais altas das montanhas, a proporção de plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar do planeta podem chegar a 30% do total de espécies. Condições extremas das montanhas, como solo pouco fértil e extremos de umidade e temperaturas, permitem o desenvolvimento desta biodiversidade única, o que torna sua conservação um desafio diante das consequências da mudança do clima. 

“Ainda não exploramos as florestas de altitude, por exemplo. Há muito ainda a registrar para fazermos o monitoramento de fauna e flora nos próximos anos – contamos com a participação dos nossos parceiros Yanomami para nos ajudar nessa tarefa”, reforça a chefia da unidade.  

Descoberta do caranguejo foi a 1.730 m de altitude  

A descoberta, feita por pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), ocorreu durante uma expedição científica realizada em 2022 na Serra do Imeri, dentro dos limites do parque. Em um riacho de floresta de altitude, a cerca de 1.730 metros, os cientistas encontraram três indivíduos do crustáceo — um macho e duas fêmeas — enquanto realizavam coletas de girinos.  

Leia também: Serra da Neblina: o ponto mais alto do país é berçário de uma biodiversidade única

Mais do que uma nova espécie, o estudo — publicado na revista científica Zootaxa — confirmou algo ainda mais significativo: trata-se de um gênero completamente novo dentro da família Pseudothelphusidae, um grupo já conhecido de caranguejos de riachos montanhosos da América do Sul. Esse tipo de avanço taxonômico é considerado raro, especialmente em grupos relativamente estudados.  

A análise foi liderada pelo zoólogo Marcos Tavares, que identificou características morfológicas e genéticas distintas no material coletado. Inicialmente, o animal parecia pertencer ao gênero Microthelphusa, usado de forma provisória em classificações incertas. No entanto, o aprofundamento dos estudos revelou uma linhagem única, levando inclusive à reclassificação de espécies venezuelanas relacionadas.  

Segundo Tavares, o fato de a equipe ter encontrado um exemplar macho foi decisivo. Nos caranguejos dessa família, estruturas reprodutivas masculinas — chamadas gonópodos — são fundamentais para diferenciar espécies e gêneros. Essas características, altamente específicas, funcionam como uma “assinatura biológica” essencial para a taxonomia.  

O novo caranguejo apresenta hábitos predominantemente terrestres, deslocando-se por galerias e áreas úmidas próximas a cursos d’água, onde se alimenta de pequenos invertebrados. Como outros membros da família, possui desenvolvimento direto, sem fase larval, o que limita sua dispersão e favorece o surgimento de espécies endêmicas — muitas vezes restritas a um único topo de montanha. 

Novo gênero de caranguejo é identificado no Parque Nacional do Pico da Neblina AM
Grupo de pesquisadores e convidados que participaram da expedição de 2022 na Serra do Imeri liberada pelo professor Miguel Trefaut da USP. Foto: Divulgação

Ciência e conhecimento tradicional  

Fortalecer a integração entre a ciência e o saber tradicional dos indígenas Yanomami é a estratégia do ICMBio no Parque Nacional do Pico da Neblina para descobrir novas espécies, conservar o bioma, os modos de vida tradicionais e seu conhecimento associado.  

É desejo Yanomami fortalecer essa construção e integrar técnicas e ferramentas para o monitoramento e manejo dos recursos naturais: Urihi- a floresta-mãe, no idioma Yanomami. 

“Para isso, é fundamental inovar no ‘fazer pesquisa’, agregando valor ao conhecimento tradicional. É importante dialogar com os indígenas, consultá-los e envolvê-los nas pesquisas realizadas em seu território, revelando ainda mais saberes antes guardados”, conclui Gatto.  

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Desafios Futuros 

A mesma condição de isolamento também traz vulnerabilidades à unidade, que hoje enfrenta pressões externas, como o garimpo ilegal e o aumento da temperatura — ameaças concretas à conservação desse sistema ecológico, desenvolvido ao longo de milhares de anos. A mudança climática pode impactar diretamente esses ambientes sensíveis nos próximos anos, colocando em risco espécies que sequer foram completamente estudadas.  

A descoberta do Okothelphusa trefauti e de outras novas espécies no local evidenciam, portanto, mais do que a riqueza biológica da região: mostra como a atuação dos indígenas Yanomami e do ICMBio, por meio do Parque Nacional do Pico da Neblina, é decisiva para que ciência e conhecimentos tradicionais caminhem juntos, protegendo a rica biodiversidade da Amazônia. 

*Com informações do ICMBio

4 mapas georreferenciados das unidades de conservação do Tocantins são disponibilizados para dispositivos móveis

Foto: Maria Eduarda Torres/Governo de Tocantins

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) disponibilizou quatro mapas temáticos georreferenciados em PDF que permitem ao usuário verificar sua localização real em relação às Unidades de Conservação (UCs) do Tocantins.

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A tecnologia pode ser utilizada em smartphones ou tablets, sendo necessário um aplicativo compatível com o formato do arquivo.

Mapa de todas as Unidades de Conservação do Tocantins. Foto: Reprodução
Mapa de todas as Unidades de Conservação do Tocantins. Foto: Reprodução

Mapas representam avanço

Segundo o inspetor de recursos naturais, Deny Moreira, os mapas em PDF Geoespacial possibilitam que o usuário conheça sua posição geográfica real diante da imagem apresentada na tela.

“Esse recurso representa um avanço na prestação de serviços à população, ao permitir, por exemplo, que o usuário, em qualquer local do estado, saiba se determinada área está ou não dentro de uma Unidade de Conservação”, afirmou.

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Para aqueles que já possuem propriedades dentro de Unidades de Conservação com Plano de Manejo e Zoneamento Ambiental aprovados, o recurso também permite verificar em qual zona, ou quais zonas, sua propriedade está inserida.

Os mapas e as informações sobre instalação e uso dessa tecnologia podem ser acessados aqui.

*Com informações do Governo do Tocantins

Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul, mostra artigo

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Coleção de Mamíferos do Museu Goeldi é referência sobre espécies amazônicas e destaque internacional. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

O Museu Paraense Emílio Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos dentre os 141 acervos identificados na América do Sul. São 46.903 espécimes catalogadas de um total de 746.548 em todo o continente, ficando atrás apenas do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 89.726, e do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, no Peru, com 52.905.

A íntegra do estudo realizado por equipe internacional pode ser conferida no artigo ‘A comprehensive survey of mammal collections and genetic resources in South America: challenges and directions‘, publicado pelo Biological Journal of the Linnean Society, em setembro de 2025, tendo como autor principal Marcelo Weksler (Museu Nacional/UFRJ).

A equipe realizou a caracterização destes bancos biológicos tão essenciais em pesquisas básicas e pesquisas aplicadas e avaliou também os desafios e rumos destes recursos valiosos para diversas áreas do conhecimento.

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O artigo aponta o Brasil com o maior número de espécimes catalogadas na América do Sul, com 334.950 exemplares. Em seguida, vêm Argentina (104.801), Peru (76.185) e Colômbia (75.484). E o Museu Goeldi ganha destaque em outras duas escalas: detém a segunda maior coleção do Brasil e a quarta da América Latina.

Bióloga, pesquisadora bolsista no Museu Goeldi por meio do programa Conhecimento Brasil, do Governo Federal, e coautora do artigo, Alexandra Bezerra ressalta que um dos motivos para a posição de destaque da instituição é sua antiguidade e esforços de coleta. O Museu Nacional, por exemplo, começou a alimentar sua coleção zoológica em 1842, seguido pelo Museu Goeldi, em 1866, quando foi fundado.

Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul
Coleção de mamíferos do Museu Goeldi é a 2ª maior do Brasil, a 3ª da América do Sul e a 4ª da América Latina. Arte: Adrya Marinho/MPEG

A preciosa coleção amazônica do Museu Goeldi

O Museu Goeldi “começou a reunir, esporádica e principalmente, material do parque [Parque Zoobotânico, no bairro de São Brás, em Belém]: morria um animal, vinha para cá”, diz Alexandra, mencionando o espaço da coleção, no Campus de Pesquisa, que é também uma das bases físicas da instituição, na capital paraense, mas localizado no bairro da Terra Firme. Ela acrescenta: “Eu vi que tem muito material do século XX e da Taperinha”, fazenda localizada na cidade de Santarém, no Oeste do Pará, e região de ricas pesquisas de história natural realizadas por geólogos, zoólogos, botânicos e arqueólogos, sobretudo, nos séculos XIX e XX.

O material a que a bióloga se refere é constituído, em sua maioria, por mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas. Os mamíferos de pequeno porte passaram a integrar a coleção um pouco depois. Geograficamente, Alexandra aponta que “a maior representatividade é a Amazônia Oriental e áreas de transição, porque tem material de Rondônia, Tocantins, Maranhão…”.

A pesquisadora complementa informações sistematizadas no artigo, destacando que as coletas, na Amazônia, não são homogêneas ao longo do tempo e se dão no transcurso de grandes rios. “Então tem muito ´buraco´ de amostragem – não só na Amazônia, mas, no Brasil todo”, argumenta. Ainda assim, uma virtude da coleção goeldiana é inegável: “É uma das maiores coleções com tipos, com cerca de 70 tipos”, reafirma Alexandra sobre os exemplares que são testemunhos de uma nova espécie, sendo um dos grandes trunfos de qualquer coleção.

Para se ter ideia, a coleção do Museu Goeldi reúne muitos espécimes antigos de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca) e o peixe-boi (Trichechus inunguis).

Leia também: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi: conheça o primeiro parque do gênero no país

Desafios em comum e peculiaridades

O artigo descreve quatro desafios mais pungentes entre as coleções estudadas na América do Sul, sendo elas a escassez de pessoal; a falta de infraestrutura mínima de manutenção a baixas temperaturas; a digitalização incompleta; e as questões garantidoras de sustentabilidade.

A coleção de mamíferos do Museu Goeldi, por exemplo, está sem curador desde 2025, com a aposentadoria de José de Sousa e Silva Jr., mas, por outro lado, “é a única coleção, dentre as maiores, que tem todos os dados digitalizados e, em sua maior parte, disponível no SiBBr”, compara Alexandra.

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) é uma plataforma nacional de dados e informações em biodiversidade, responsável pela organização, indexação, armazenamento e disponibilização de dados e informações sobre a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros, fornecendo subsídios para a gestão governamental relacionada à conservação e ao uso sustentável.

A pesquisadora comenta ainda sobre o esforço curatorial para que o acervo de mamíferos da instituição se mantenha aberto à consulta de pesquisadores do Brasil e do exterior que estejam em dia com a coleção. Alexandra Bezerra ressalta, no entanto, que, diferente das coleções didáticas, a coleção científica é composta por elementos raros e delicados e, por isso, “têm de ser manipulados o mínimo possível e, quando manipulados, manipulados por quem sabe manipular e com objetivos claros”.

Educação que valoriza

Os autores do artigo enfatizam que “a iniciativa [da pesquisa] visa aumentar a conscientização sobre as coleções na América do Sul, planejar o crescimento estratégico e fortalecer a capacidade de pesquisa para abordar questões globais urgentes, como mudanças climáticas, transmissão de doenças zoonóticas e estratégias de conservação a longo prazo”.

Museu Goeldi tem a terceira maior coleção de mamíferos da América do Sul
Bióloga e pesquisadora bolsista do Museu Goeldi, Alexandra Bezerra é uma das autoras do artigo. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

Sensibilizar diferentes grupos sociais é uma tarefa crucial, defende Alexandra. “Por isso é importante o ‘Museu de Portas Abertas‘, porque você ensina o valor de se preservar e conhecer a biodiversidade, mostrar os exemplos, para que serve”, ilustra a pesquisadora, citando a iniciativa anual de educação do Museu Goeldi, que oferece ao público oportunidades de explorar espaços científicos de forma interativa, acessível e gratuita nas suas duas bases físicas da capital paraense – o Parque Zoobotânico e o Campus de Pesquisa.

Estimular os próprios especialistas de distintas áreas a preservar o espécime-testemunho é outro viés que merece atenção. Alexandra Bezerra faz referência às zoonoses: “o colega Marcelo Weksler faz parte de um grupo montado justamente para discutir a importância das coleções científicas, os espécimes-testemunho, em todos os estudos de patógenos [organismos capazes de provocar doenças] já realizados. No primeiro trabalho, eles viram que vários estudos de patógenos de origem zoonótica – ou seja, que ocorre entre os animais e podem se voltar para o homem – não preservam o ‘voucher’ [espécime-testemunho] do qual fora registrado o patógeno. Então a gente não sabe qual a espécie”.

Outra iniciativa recente do Museu Goeldi segue nesta direção, publicando uma série de cartilhas sobre esses bancos biológicos da instituição. O número sobre a coleção mastozoológica é assinada por Antônio Elielson Sousa da Rocha e Alexandra Bezerra, podendo ser acessada livremente.

*Com informações do Museu Goeldi

Análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

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Foto: Victor Moriyama/Rainforest Foundation

As regras do mercado global estão intensificando o foco em cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com conformidade legal. Apesar dos atrasos na sua implementação, a EUDR (regulação da União Europeia para produtos livres de desmatamento) levou muitas empresas a investirem em sistemas de devida diligência para cumprir com a proibição de comercializar no mercado europeu commodities cultivadas em terras desmatadas ou produzidas em desacordo com a legislação vigente no país de origem.

Enquanto isso, a China, a maior compradora de soja e carne bovina brasileira, começou a realizar pilotos de importação de cargas livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, o que aponta para uma procura crescente por cadeias de abastecimento com garantia de legalidade.

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No Brasil, os biomas Amazônia e Cerrado são os mais ameaçados pela expansão agropecuária. Embora o Código Florestal brasileiro forneça o quadro legal para o uso da terra, verificar a conformidade em escala continua a ser um desafio. Uma das principais informações necessárias para verificar a conformidade legal é a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), emitida por órgãos ambientais para permitir a conversão de vegetação nativa dentro dos limites permitidos.

No entanto, apesar dos esforços recentes visando aumentar a transparência e integração de dados, as informações destas autorizações são frequentemente descentralizadas e de difícil acesso, criando uma lacuna de dados significativa. Sem dados transparentes e consolidados sobre ASVs, é difícil para atores da cadeia e reguladores saberem se uma área específica de desmatamento foi autorizada ou não.

Para abordar esta lacuna de dados, o Instituto Centro de Vida (ICV) sistematizou e publicou uma base de dados de autorizações para supressão de vegetação nativa para todo Brasil. Esta iniciativa consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

Nova análise mostra evidências de não conformidade

A Trase está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o ICV e o Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (CIT-UFMG) usando esta nova base de dados para trazer maior clareza sobre como os mercados consumidores internacionais estão expostos ao desmatamento não autorizado por meio das importações de carne bovina e de soja do Brasil.

Na primeira fase deste projeto, comparamos dados oficiais de desmatamento do PRODES para o período 2009–2024 com ASVs válidas, a fim de estimar quanto desmatamento e conversão de vegetação natural recentes ocorreram com e sem autorização na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os resultados mostram uma falta significativa de autorizações, tanto na Amazônia quanto no Cerrado. O desmatamento totalizou 26,4 milhões de hectares (Mha) entre agosto de 2008 e julho de 2024 e, deste total, 22,8 Mha (86%) não possuíam autorização para a supressão da vegetação nativa, enquanto apenas 3,6 Mha (14%) se sobrepunham a áreas com ASV. Isto sugere que a maior parte do desmatamento nesses biomas ocorreu sem autorização registrada e divulgada publicamente.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase
O impacto foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

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Na Amazônia, a evidência de desmatamento não autorizado é significativa. O desmatamento totalizou 11,7 Mha entre 2009 e 2024, dos quais 11,2 Mha (96%) sem ASV sobrepostas. Além disso, o desmatamento não autorizado é altamente concentrado geograficamente. Apenas cinco municípios foram responsáveis por 20% de todo o desmatamento sem ASV. Três municípios — Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho — foram responsáveis por 13% do total de desmatamento não autorizado.

No Cerrado, o desmatamento total atingiu 14,7 Mha no período analisado. Embora a proporção seja menor do que na Amazônia, a área absoluta é elevada. Foram detectados 11,7 Mha (78%) de desmatamento sem ASV, enquanto apenas 3,2 Mha (22%) de áreas desmatadas estavam sobrepostas a uma autorização. A nossa análise mostra que 29 municípios foram responsáveis por 20% da área total desmatada sem ASV.

Fiscalização menos extensiva no Cerrado

A base de dados do ICV também sistematizou informações sobre áreas embargadas, que são sanções emitidas por agências ambientais federais e estaduais que servem como um indicador adicional de infrações ambientais. Para oferecer uma camada adicional de evidência de não conformidade, comparamos os dados oficiais de desmatamento do PRODES do mesmo período com os embargos ambientais.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

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A análise mostra que 46% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas sob embargos, o que significa que quase metade do desmatamento não autorizado foi fiscalizado.

Em contraste, apenas 8% do impacto no Cerrado se sobrepõe a embargos. Esta discrepância sugere que, embora a não conformidade seja generalizada em ambos os biomas, a fiscalização é mais ativa na Amazônia do que no Cerrado.

O desmatamento foi calculado com base em dados oficiais do PRODES. Foto: ICV, Trase

Gestão do risco nas cadeias de soja e carne bovina

Na próxima fase deste projeto, liderada pelo CIT-UFMG, adicionaremos à análise dados de produção de soja e de carne bovina nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal, avaliando a conformidade com o Código Florestal e identificando a extensão do desmatamento não autorizado e de autuações, usando dados sobre ASVs e áreas embargadas.

Estes dados permitirão às empresas ao longo da cadeia de fornecimento que utilizam soja e carne bovina nos seus produtos priorizarem a devida diligência e a gestão de risco, identificando regiões com taxas mais elevadas de desmatamento não autorizado. Para governos, produtores e consumidores, esses dados permitirão orientar o direcionamento de recursos de fiscalização e monitoramento onde são mais necessários. Dados transparentes sobre legalidade são essenciais para fortalecer a responsabilização e apoiar a transição para cadeias de suprimentos legais e livres.

Apesar do robusto quadro legal brasileiro que rege a transparência das informações, existem limitações quanto à integridade, ao formato e à acessibilidade dos dados sobre ASVs e áreas embargadas. Consequentemente, deve-se ter cautela no uso e na interpretação dos resultados desta análise. Informações detalhadas sobre a metodologia desta análise podem ser encontradas aqui.

*Com informações do Instituto Centro de Vida (ICV)