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Altamira, no Pará, sedia 5ª edição do Chocolat Xingu

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Foto: Divulgação

Altamira, no sudoeste do Pará, sedia o Chocolat Xingu, no Centro de Eventos Vilmar Soares entre 11 e 14 de junho. Essa será a quinta passagem do evento – que é considerado o maior do setor na América Latina – pela Região Transamazônica, importante rota turística e econômica do estado e principal polo cacaueiro do Brasil. A programação será gratuita e aberta para o público geral.

Produtores rurais, agricultores familiares, lideranças setoriais, empreendedores e chefs de cozinha paraenses participarão do evento defendendo a força produtiva e a culinária local, com exposição, degustação e comercialização de uma variedade de produtos de origem do cacau, como chocolate artesanal, nibs, geleias, manteiga e mel de cacau.

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Para o Chocolat Xingu são esperados mais de 100 expositores de Altamira e de outros municípios do estado, como a capital, Belém, Medicilândia, maior produtor nacional de cacau, Brasil Novo, Placas, Vitória do Xingu, Anapu, Uruará, Novo Repartimento, Barcarena e Santarém.

Programação do Chocolat Xingu 2026  

O Chocolat Xingu 2026 contará com diversas atrações gastronômicas, culturais e formativas. Para essa edição já estão confirmadas a Cozinha Show e Cozinha Kids, com aulas técnicas de preparação de receitas e experiências degustativas para o público adulto e infantil. A grade contará com grandes chefs regionais e nacionais, entre eles Katyana Xipaya, líder indígena, defensora da culinária tradicional e empreendedora. Os chefs André Cabral, Carlos Motta, Léo Modesto, Bárbara Luanny, Rita Aguiar e Luíza Tabosa também integram a atividade. 

O Ateliê do Chocolate retorna para a 5ª edição do Chocolat Xingu, valorizando os símbolos culturais da região através da confeitaria artística. Esculturas gigantescas, feitas 100% de chocolate, serão construídas durante o evento pelo chocolatier Léo Vilela e o público poderá acompanhar o processo em tempo real.

Altamira, no Pará, sedia 5ª edição do Chocolat Xingu
Foto: Divulgação

Leia também: Região do Médio Xingu ganha novo chocolate indígena: Kunhã Arã

Outras atividades previstas são o “Concurso de Melhor Chocolate Paraense e de Produtos Derivados de Cacau e Chocolate do Chocolat Xingu 2026”, com premiação para os agricultores e produtores que trabalham com o cacau fino de alta qualidade, e o Túnel Sensorial, experiência imersiva que, através de um sistema de paisagismo, reproduz os sons, aromas e texturas de uma plantação de cacau.

O Chocolat Xingu também conta com rodadas de negócios B2B e programação técnica, com uma série de palestras com temas como inovação, sustentabilidade e o futuro da cacauicultura brasileira, a exemplo do Fórum Origem e Origem Day, que trarão painéis de debates com especialistas e autoridades do setor.

De acordo com Marco Lessa, idealizador do Chocolat Festival e CEO da MVU Empreendimentos, a expectativa é de que a feira receba milhares de pessoas e movimente milhões em negócios diretos e futuros. Para o empresário, o evento se estabelece como um grande vetor econômico para o Norte do país, alavancando setores como agronegócio, turismo e bioeconomia.

“O Chocolat Festival chega à sua 5a  edição em Altamira, consolidado como a principal vitrine do cacau e do chocolate de origem na Região de Integração do Xingu. O festival fortalece a bioeconomia amazônica ao valorizar o cacau sustentável, gerar renda local e ajudar a manter a floresta viva. Reúne produtores, marcas autorais e compradores, ampliando acesso a mercados nacionais e internacionais. Atraindo dezenas de milhares de visitantes, movimenta turismo, hotelaria e gastronomia na capital paraense. As rodadas de negócios e a programação técnica impulsionam milhões em vendas e parcerias futuras. Assim, o Chocolat Xingu se afirma como instrumento estratégico de desenvolvimento e projeção da região Norte no mapa mundial do chocolate de origem”, disse Lessa.

Foto: Divulgação

Altamira, potência na produção de cacau 

Maior município brasileiro em extensão territorial (159.533 km²), Altamira está localizada na Rota de Integração do Xingu, na região da Transamazônica, que engloba outras 

cidades que juntas detém o título de maior polo cacaueiro do país. 

Atualmente o estado do Pará responde por mais da metade da safra nacional do cacau, que produz cerca de 150 mil toneladas por ano. Deste montante, Altamira é responsável por 7 mil toneladas, colocando a cidade no ranking dos 10 maiores produtores do Brasil. 

Com o objetivo de transformar a cadeia produtiva do cacau em um polo de inovação, turismo e economia criativa, o Chocolat Xingu se consolidou no calendário de eventos da Amazônia. Só no Pará, o festival conta com edições em Belém e Altamira, totalizando quase 50 edições no Brasil e no exterior.

O Chocolat Xingu 2026 é uma realização da Prefeitura de Altamira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) e da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), em parceria com o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap) e com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau). A organização é da MVU Promoções e Eventos, idealizadora do Chocolat Festival.

Entrada é gratuita, mediante a doação de 1 Kg de alimento não perecível para instituições filantrópicas.

*Com informações da assessoria

Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos de R$ 150 milhões para fortalecer pesquisa e inovação

Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos na Amazônia. Foto: MME – Ministério de Minas e Energia

Representando Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas participou, no dia 27 de maio, da assinatura da carta de investimentos do programa “Desafios da Amazônia” para impulsionar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à solução de desafios concretos das cadeias socioprodutivas da Amazônia Legal. O programa será coordenado pela Iniciativa Amazônia+10.

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A ação será viabilizada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O documento de aprovação foi assinado durante cerimônia de realizada no Estaleiro Juruá em Iranduba (distante a 27 km de Manaus).

Participaram da cerimônia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o Governador do Amazonas, Roberto Maia Cidade Filho; a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales Mendes Silva; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; além da diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciana Costa.

Com um aporte de R$ 150 milhões, o programa visa financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), com foco na solução de desafios concretos das cadeias socioprodutivas da Amazônia Legal.

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Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos de R$ 150 milhões para fortalecer a pesquisa e inovação na Amazônia
Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos de R$ 150 milhões para fortalecer a pesquisa e inovação na Amazônia. Foto: Ricardo Oliveira/BNDES

A diretora-presidente da Fapeam ressaltou que a assinatura do acordo representa um avanço estratégico para a consolidação da Iniciativa Amazônia+10 e para o fortalecimento das políticas de ciência, tecnologia e inovação voltadas à Amazônia Legal.

 “A assinatura de hoje é mais um passo importante em direção à consolidação da Iniciativa Amazônia+10, cujo principal objetivo é, por meio da ciência, tecnologia e inovação, fomentar pesquisas no âmbito da Amazônia Legal em parceria com outros estados e países para o fortalecimento da área e para a busca de respostas às questões vistas como problemáticas, aos óbices que a gente encontra aqui e que queremos superar. A pesquisa efetivamente, é uma forma imprescindível na busca dessa superação. O Confap agradece aos ministérios envolvidos e reitera o seu compromisso com este que é um dos seus programas mais relevantes no combate às assimetrias regionais”, comentou a diretora-presidente da Fapeam.

O programa, implementado também em parceria com a Fundação Arthur Bernardes, prevê o lançamento de até duas chamadas públicas para apoiar pelo menos 18 projetos colaborativos, com investimento médio de R$ 7 milhões por projeto. As iniciativas deverão reunir, no mínimo, duas Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e uma Organização Socioprodutiva (OSP), todas sediadas na Amazônia Legal, podendo contar ainda com a participação de ICTs de todo o território nacional.

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Em seu primeiro edital, os recursos destinados ao Programa apoiarão o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas às cadeias do açaí, cacau, castanha, cupuaçu e pescado, com foco na agregação de valor, desenvolvimento sustentável, fortalecimento da bioeconomia e geração de renda para populações amazônicas. O programa também prevê apoio à implementação das soluções nos territórios, fortalecimento institucional e concessão de bolsas de pesquisa, incluindo bolsas comunitárias.

Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos de R$ 150 milhões para fortalecer a pesquisa e inovação na Amazônia. Foto: Reprodução/Agência BNDES

Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de cerca de 36 soluções tecnológicas para gargalos das cadeias produtivas amazônicas, a participação direta de pelo menos 72 instituições científicas e tecnológicas da região e o envolvimento de cerca de 630 pesquisadores da Amazônia Legal.

Os projetos devem ser liderados por instituições de ciência e tecnologia da Amazônia Legal, mas podem reunir instituições de pesquisa de todo o Brasil.  São elegíveis para compor os projetos universidades públicas e privadas sem fins lucrativos, instituições de pesquisa, institutos federais, em parceria com associações comunitárias e cooperativas.

Sociobioeconomia

Criado em 2008, o Fundo Amazônia financia ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de iniciativas de conservação e uso sustentável da Amazônia Legal. Desde 2023, após quatro anos paralisado, o Fundo Amazônia ampliou o apoio a projetos voltados à bioeconomia, povos indígenas, ciência, inovação, restauração florestal e desenvolvimento sustentável na região amazônica.

Desde 2023, já foram destinados mais de R$ 1,6 bilhão do Fundo a atividades produtivas sustentáveis, com expectativa de beneficiar mais de 100 mil pessoas e apoiar cerca de 300 organizações locais em todos os estados da Amazônia Legal. Em sua trajetória, o instrumento acumula 287 mil pessoas beneficiadas, R$ 364 milhões em receitas geradas e apoio a 600 instituições, consolidando-se como um dos principais mecanismos de financiamento à bioeconomia e à conservação florestal no país.

Em compromisso com a transparência, o site do Fundo Amazônia disponibiliza informações sobre todos os projetos apoiados.

Iniciativa Amazônia+10

A Iniciativa Amazônia+10 é um Programa de fomento à pesquisa, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No Amazonas, a chamada é executada pelo Governo do Amazonas, via Fapeam.

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Iniciativa Amazônia+10 assina carta de investimentos de R$ 150 milhões para fortalecer a pesquisa e inovação na Amazônia. Foto: Divulgação

O Programa tem o objetivo de apoiar pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico em instituições de ensino e pesquisa e em empresas sobre os problemas atuais da Amazônia, que tenham como foco o estreitamento das interações natureza-sociedade para um desenvolvimento sustentável e inclusivo da região amazônica.

Entre as linhas temáticas, estão: Territórios como infraestrutura e logísticas que facilitam o desenvolvimento sustentável em dimensão multiescalar; Povos da Amazônia como protagonistas do conhecimento e da valorização da biodiversidade e adaptação às mudanças climáticas; e Fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis pelos amazônidas.

*Com informações da Fapeam (e dados do MMA, MCTI, BNDES E  MME)

Caldeirão de ritmos: como gêneros musicais diferentes se misturam na Tríplice Fronteira Amazônica

Foto: Divulgação/Governo do Acre

Depois de um dia intenso de trabalho no seringal, um seringueiro chega em um bar em Assis Brasil, limite entre Acre com ‘os peruanos’, na cidade de Inãpari. Aquele homem, que veio do nordeste, chegou na Amazônia atrás do “ouro branco”, a borracha. Com saudades de casa e desiludido com tanta exploração, ele vai atrás de ouvir uma música que lembre de casa. “Mulher Rendeira”, era sua favorita. Até que, cerca de 200 metros de onde está, ele ouve alguns acordes familiares. Era “Mulher Rendeira”, a mesma melodia, mas cantada em espanhol peruano.

O seringueiro chega no bar e ouve o som, que dizem ter sido composta pelo próprio Lampião, o cangaceiro mais famoso do Brasil. Dizem que foi dedicada a Maria Bonita. Na tríplice fronteira acreana, que junta Brasil, Bolívia e Peru, Juaneco López misturou com seu som tradicional local, como a cumbia amazônica. Ritmo sincopado que vem dos povos originários, que serve como uma base melódica. Sobre essa base, foram se inserindo outros gêneros: a cumbia original da Colômbia, o chachachá e o rock, que traz sua influência a partir do uso da guitarra elétrica.

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Enquanto do lado de cá, os seringueiros, sob lideranças como Valdiza Alencar, Wilson Pinheiro e Chico Mendes se levantavam contra os proprietários de terras que queriam desmatar a Floresta, no Peru, a história também é sangrenta. Um dos maiores genocídios documentados aconteceu no território peruano, na época da borracha.

Os barões da borracha, donos de extensos territórios ou se apoderavam deles, e escravizavam povos originários entres as árvores de seringa. Indígenas e outros países também eram sequestrados e levados para lá. Por lá também chegaram brasileiros e, dessa proximidade cultural que existiu nesse encontro, também chegou essa sonoridade.

Tríplice fronteira sonora

“Os ritmos caribenhos também entraram nessa mistura. Tudo isso é uma confluência feliz que faz com que se crie, justamente, a cumbia amazônica”, explica o produtor cultural peruano Carlos Marin, que é cineasta, nascido na Amazônia Peruana.

Vindo da cena alternativa, ele está produzindo um longa-metragem que retrata a história dos criadores da cumbia psicodélica, gênero criado em Pucallpa, acompanhando grupos como Juaneco y su Combo.

“A música deles soava em algumas festas como, por exemplo, na festa de San Juan, em 24 de junho. O tema da festa de San Juan aqui é Juaneco y su Combo. Também na semana jubilar de Pucallpa, que é a data em que se recorda a criação da cidade,Juaneco volta a tocar. No entanto, o grupo nunca era levado em consideração”, diz Marin.

Festival Varadouro. Foto: Hannah Lydia

Não existe muita documentação sobre toda a história do coletivo, mas nos últimos anos, eles se mantêm presentes em festivais e bares, como no Festival Varadouro, um festival de música independente do Acre.

“Sinto que essa cumbia psicodélica está presente neste pedaço da fronteira. Há uma relação próxima entre o Juruá, a região de Cruzeiro do Sul e Pucallpa, porque muita gente fez esse movimento de ir e vir antigamente, quando havia menos pressão de tráfico”, defende Karla Martins, produtora do evento.

Para ela, os acreanos se identificam com o repertório, como as produções de Juaneco, porque tem esse som fronteiriço, “que mexe com a gente e faz requebrar”. Karla continua falando que essa identidade sempre aconteceu na região amazônica como um todo.  “Do contrário, a lambada não seria um sucesso, nem a guitarrada [ritmo presente, principalmente, em Belém do Pará], que também chega para nós”.

No lado boliviano e peruano, a cumbia amazônica (ou chicha) mistura a psicodelia das guitarras elétricas dos anos 70 com cadências tropicais e influências andinas. Na Bolívia, a cumbia contemporânea, ou “cumbia boliviana”, caracteriza-se pelo uso de sintetizadores e por ser acelerado, dominando as festas populares e as mixagens de DJs em Cobija, cidade boliviana que também faz fronteira com o Acre. Ritmos brasileiros, como o forró e o samba, também acabam entrando no caldeirão de ritmos.

Leia também: Você conhece a Cumbia Amazônica?

Carlos Oliveira, mais conhecido como Carlão, é um sambista na faixa de fronteira do Acre com a Bolívia, no município de Epitaciolândia. Com quase 20 anos de carreira, desde pequeno é compositor. Atualmente, ele é gestor na escola em que trabalha. Mas, nas noites de Cobija, ele canta samba e pagode em bares, aniversários (durante a entrevista, ele parou para marcar sua presença em um, inclusive) e outros eventos.

“O meu gênero preferido é o samba […] Onde a gente toca, os amigos da Bolívia vêm, já conhecem o nosso trabalho, tanto que a gente vai até lá e faz o nosso pagode também”, explica. Pensando nesta adesão do público boliviano, Carlão conduz algumas melodias em espanhol para o pagode e o samba e sua banda canta sucessos brasileiros na língua espanhola.

Na fronteira da Bolívia, o músico Carlão Oliveira toca samba em espanhol para o público. Foto: Carlos Oliveira/Acervo pessoal

Bases para a melodia do presente

As sonoridades desta zona trinacional estão enraizadas em cosmologias milenares. Som e imagem estão interligados para povos como os Shipibo, que desenham cantos, literalmente, por meio de seus kenês, ensinados pela Anaconda, em um de seus contos. Os rituais de cura de povos como Pano, Nukini e Huni Kuin, também reverberam esta expressão artística em sua concepção. 

Projetos contemporâneos de artivismo, como o podcast “Vozes da Floresta”, organizado pela Rede de Comunicadores Indígenas do Acre, fortalecem essas narrativas frente à pressão da criminalidade e do apagamento social-histórico. E o conjunto musical Shane Yamã Keneya do povo Shanenawa e os Manchineru também reinventam a cena com a ancestralidade de sua cultura. 

Outra característica desta sonoridade fronteiriça é que ela é poliglota. O “portunhol” une faixas de reggaeton com samba e com outros gêneros amazônicos que ganham espaço em lugares de festa por toda a região. 

“Essas fluências do ir e vir, esses ritmos populares, eles se concentram e se encontram na medida que as pessoas fazem as cruzes de fronteira. Eu diria que esse intercâmbio sempre aconteceu, sempre esteve próximo e que faz todo sentido entre essas cidades fronteiriças”, diz Karla Martins.

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Esta circulação é marcadamente informal por meio da venda de CDs e pendrives em comércios populares em Cobija e Inãpari, divulgando os DJs que ainda não chegaram nas plataformas digitais, pelas rádios locais e, claro, pelo Youtube e também por grupos de WhatsApp, que funcionam como repositórios de mixes. 

Se na “Belle Époque”, a ocupação pela extração da borracha, na segunda metade do século 19, gerou um processo de urbanização, depois do Tratado de Petrópolis, em 1903, o Acre viveu marcos diplomáticos, como a fundação da cidade de Assis Brasil, em 1976, que antes era o seringal Paraguaçu. Nesse período, as cidades de fronteira viraram “cidades gêmeas”, por conta da linha divisória pequena. Era Assis Brasil-Inãpari, era Epitaciolândia-Brasiléia-Cobija. 

“Assim, chegamos mais ou menos aos anos 2000, 2005, quando se pode encontrar em mercadinhos da América Latina e até da Europa algumas coletâneas em fita cassete de música peruana dos anos 70. Nelas, há grupos de rock emblemáticos como Los Saicos e Los Belkings. Também se encontram Los Destellos, considerados os fundadores da cumbia peruana, que surgiu quase ao mesmo tempo que a cumbia amazônica”, esclarece Marin.

O programa de rádio “Correspondente Difusora”, da Rádio Difusora, permitia que moradores de seringais distantes e comunidades de difícil acesso recebessem notícias de familiares e ouvissem dedicatórias. Nessas coletâneas radiofônicas também havia o Grupo Celeste, embrião de uma cumbia mais limenha, ligada à Lima, capital do Peru, que depois se consolidou com Los Shapis. 

Nos anos 80, com o advento da violência urbana, muitos artistas peruanos de cumbia viajaram para a Argentina e estabeleceram os pilares da bailanta argentina. No caso do Brasil, Juaneco também seguiu pelos rios e chegou a zonas bastante afastadas. “Eu diria que a música brasileira chegou primeiro ao lado peruano e, depois, o resultado desse encontro retornou pelos rios para estados como o Pará, onde se pode escutar músicas com influências da cumbia peruana”, explica.

Contudo, poucos restam hoje em dia, por conta da morte, idade avançada e doenças. Um exemplo são os Los Wembler’s de Iquitos, que misturaram sons tradicionais da selva peruana com batidas tropicais brasileiras. Depois da construção da Ponte de Integração, em 2010, uma nova camada de interculturalidade se iniciou, motivada, principalmente, pelo boom da internet no território, tendo como exemplos mais atual, a banda L4.

Carlão conta que, mesmo em 2026, o samba raiz ainda é o que levanta seu público na Bolívia, como os clássicos dos anos 90, como Raça Negra, Só pra Contrariar, Negritude Júnior. Mas nomes atuais, como o cantor Ferrugem também fazem sucesso. Um dos motores para esta mistura são as universidades de medicina, que possuem muitos estudantes brasileiros. 

“Quando você canta um repertório de pagode dos anos 90 agrada bem mais, assim como o pagode atual […] A gente tem que unir uns três gêneros para tentar agradar a todos. Além disso, também pegamos aquele sertanejo mais tocado e transformamos em pagode, e aí a galera vai junto com a gente também”.

Harmonias interrompidas pelo preconceito

A produtora cultural Karla Martins. Foto: Hannah Lydia

Programas de incentivo à cultura estão presentes na Tríplice Fronteira Amazônica. Contudo, o acesso continua limitado, por questões financeiras, como aponta Karla. Para a entrevistada, o desafio é arcar com despesas como passagens aéreas que dificultam a chegada desses artistas em regiões mais afastadas do país. Além disso, ela avalia que o Brasil precisa entender sua real intensidade.

“Às vezes, a gente acaba se embatendo na ideia de que o agro ganhou força por ser uma narrativa estética e política, enquanto essas outras narrativas parecem se perder por não estarem na grande mídia. Mas eu acho que, na hora em que o Brasil olhar para essa foto real, ele vai se entender, porque a cultura conversa entre si independentemente de qualquer língua”.

Quando a cumbia surgiu nos anos 70, havia muita marginalização, sobretudo das produções musicais que eram criadas para fazer o povo dançar. Carlos Marin relembra que  termos como “serrano, provinciano, colonheiro” eram empregados de forma pejorativa para quem escutava. “Agora, o fato é que você pode ouvir cumbia em uma festa de brancos, entre aspas, em festas de classes sociais altas; já é algo aceito. Antes se duvidava da qualidade, mas agora não. Hoje existem estudos e, além disso, tem o fato de essa música ter viajado sozinha para o exterior”, explica o cineasta.

Este processo se deu, justamente, pela aglutinação de todo este histórico cultural em festas de pessoas mais ricas. Mas o entrevistado afirma que esta conversa se encontra em melodias mais calmas.

“Pertence a todos. Agora mesmo, se você for ao centro de uma cidade como Pucallpa, a música é mais roqueira, mais hegemônica; você vai ouvir mais gente escutando reggaeton e tudo mais. Mas, se você for um pouquinho além, nas periferias, o pessoal continua escutando sua cumbia dos anos 70, dançando e aproveitando”.

Uma só voz (amazônida)

No Brasil, festivais com o Varadouro e o Jovens do Futuro estão dispostos a abraçar essa característica fronteiriça em seus artistas convidados. “Aqui a gente vai nos baques acreanos, a guitarrada e o carimbó, nos ritmos que têm ali na Venezuela e os caribenhos das Guianas”, evidencia Karla Martins.

Para o Marins, você escuta o carimbó, por exemplo, e a primeira coisa que te dá vontade de dançar. Escuta a cumbia e a primeira coisa que quer é dançar. Mas é preciso que existam “varadouros” (nome do festival, mas também nome dos caminhos que os seringueiros usavam para coletar seringa) tanto no Brasil quanto no Peru, que possibilita a chegada de expressões, como as toadas de Parintins. O produtor até cita que já existem alguns concursos de toada em terras peruanas, embora poucos. 

Felipe Cordeiro, artista paraense e atração do Festival Varadouro de 2025, também mistura estes sons em sua “cozinha musical”, como diz Carlos Marin. A organizadora do Varadouro, porém, tem uma análise mais profunda sobre o papel do nosso país nessa discussão. “Falta o Brasil olhar para si de forma menos colonizada, com menos complexo de vira-lata; olhar para si mesmo em vez de estar olhando para o que está longe, para o que está fora. Se enxergar. Eu acho que isso é o mais importante e é o que faz a Tríplice Fronteira se entender.”

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Victor Manoel

Hidromel, bebida milenar dos vikings, ganha versão produzida em Rondônia

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Foto: Quetlen Caetano/ Rede Amazônica RO

Um hidromel inspirado na bebida “consumida pelos vikings” e um mel premium produzido a partir da florada de cipó-uva do cerrado de Rondônia estão entre os produtos apresentados pela agroindústria Mel do Cerrado de Rondônia durante a 13ª Rondônia Rural Show.

O projeto reúne pequenos produtores da agricultura familiar de municípios como Colorado do Oeste (RO), Cabixi (RO), Cerejeiras (RO) e Pimenteiras (RO). Segundo Sérgio Assu, responsável pela agroindústria, o projeto surgiu para regularizar produtores que antes trabalhavam sem selo e não conseguiam comercializar os produtos nos mercados.

“Eles trabalhavam de forma irregular, faziam tudo manualmente e não tinham condições de colocar os produtos no mercado”, explicou.

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Ao todo, 15 produtores se uniram para montar a agroindústria, onde o mel passa por processamento, envase, rotulagem e embalagem com fiscalização, boas práticas de fabricação e responsável técnico.

O grupo utiliza selo compartilhado, o que permite comercializar os produtos em 23 municípios do estado. Entre os destaques apresentados está o hidromel, bebida fermentada considerada uma das mais antigas do mundo.

“Os vikings tomavam, os celtas também. Pela mitologia, era considerada a bebida dos deuses”, contou Sérgio.

casa do mel em rondônia foto prefeitura de porto velho
Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Mel além do doce

A bebida passa por um processo de fermentação de 90 dias e possui teor alcoólico entre 14% e 20%. Neste ano, o grupo levou um barril de 50 litros para degustação do público durante a feira. “O pessoal adorou. Ano que vem a ideia é trazer já com rótulo, certificação e pronta para comercialização”, disse.

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Outro diferencial apresentado foi a separação do mel por floradas. Segundo Sérgio, a maior parte dos produtores mistura todos os méis, enquanto eles, decidiram separar os produtos de acordo com a origem da florada.

Um dos méis apresentados é produzido a partir do cipó-uva, florada encontrada na região do cerrado de Rondônia. “O pessoal está gostando muito porque ele é mais claro, muito denso e não tem um sabor tão forte”, afirmou.

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Segundo o produtor, dependendo da época da colheita, a região pode produzir até quatro tipos diferentes de floradas.

A agroindústria faz parte de uma associação com mais de 60 integrantes entre agroindústrias e artesãos. Dentro do grupo, foi criada a Casa do Mel, reunindo os produtores que trabalham exclusivamente com apicultura.

*por Quetlen Caetano, Bruno Erpidio – da Rede Amazônica Rondônia

Kwati Club combina descanso com diversão sob medida às margens do Lago Macurany, em Parintins

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Durante quatro dias, o público que estiver na Ilha da Magia poderá desfrutar de música, gastronomia e conforto em perfeita harmonia no Kwati Club durante o Festival Folclórico. Foto: Divulgação

Com uma proposta diferente do que vem apresentando desde sua estreia, em 2018, o Kwati Club abre suas portas, em 2026, dando espaço ao ‘descanso’, mas em perfeita harmonia com a diversão sob medida, reunindo gastronomia, música e uma infraestrutura especial. Entre os dias 25 e 28 de junho, das 11h às 19h, no espaço localizado às margens do Lago Macurany, no bairro Santa Rita, em Parintins (AM), o público poderá desfrutar das belezas naturais que o local oferece no melhor estilo day use, adquirindo lounges para duas e quatro pessoas ou bangalôs para até 15 pessoas.

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De acordo com Egreen Baranda, uma das organizadoras do evento, o Kwati precisava passar por essa reformulação levando em consideração uma tendência mundial que é a junção da diversão, mas aliada a uma estrutura que também proporcione tranquilidade.

“Hoje, muito se fala do universo wellness, né, e nós entendemos que esse movimento também se tornou uma realidade para nós. Curtir as três noites do Bumbódromo exige muita energia, e nada melhor do que repor essa energia, ouvindo uma música boa, comendo pratos saborosos, tomando aquele drinque geladinho e com muito conforto”, detalha ela.

Leia também: Gente do Norte Empresas: Egreen Baranda revela nova estrutura do Kwati Club

novidades kwati club parintins 2026
Foto: Divulgação

Mais novidades do Kwati Club para 2026

Por isso, uma das novidades deste ano, por exemplo, é a reativação da piscina, que servirá para relaxar e apreciar o pôr do sol deslumbrante. Outro destaque são os espaços reservados divididos em duas categorias: lounge para duas ou quatro pessoas e o bangalô para até 15 pessoas. O Lounge Deck, que abriga quatro pessoas, conta com mesa de apoio, sofá, puffs e guarda-sol, além de 40% do valor investido revertido em consumação.

Já o Lounge Piscina, que abriga duas pessoas, conta com atendimento personalizado e localização estratégica, além dos 40% do valor investido revertido em consumação. E o Bangalô, que pode abrigar até 15 pessoas, conta com piscina privativa, área de descanso, serviço diferenciado e com 40% do valor investido revertido em consumação.

novidades kwati club parintins 2026
Foto: Divulgação

“É bom salientar que todos esses espaços podem ser comprados por dia ou então para todos os dias de Kwati Club, mas dependendo da necessidade de cada grupo, é muito melhor adquirir os pacotes para os quatro dias, pois a economia é maior do que comprar separadamente”, comenta Egreen, lembrando ainda que o Day Use também pode ser adquirido por dia ou em pacote, mas não conta com consumação como os demais espaços reservados.

Entre as atrações já anunciadas para a temporada 2026 do Kwati Club estão: Cateto da Toada (dia 25), Normandinho e Kboclos (dia 26), Pontifexx e Uendel Pinheiro (dia 27), e Cat Dealers e Aya da Amazônia (dia 28).

“E para quem chegar antes na Ilha da Magia, o Kwati também terá uma área especial para conferir os jogos da Copa do Mundo que irão acontecer nos dias 13, 19 e 26 de junho”, finaliza Egreen Baranda.

Mais informações podem ser obtidas via Instagram (@kwaticlub) ou no WhatsApp (92) 99331-6007.

*Com informações da assessoria

Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins

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Foto: Reprodução/Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da superintendência do Iphan em Tocantins, realizou no dia 1° de junho, na Praça Leopoldo de Bulhões, em Natividade (TO), a cerimônia oficial de entrega do título de Patrimônio Cultural do Brasil aos detentores da Ourivesaria de Natividade, bem cultural inscrito no Livro de Registro dos Saberes.

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A solenidade estava incluída na programação comemorativa do aniversário do município, celebrado também em 1º de junho, e representa um momento histórico para Natividade, para o Tocantins e para o patrimônio cultural brasileiro.

O reconhecimento nacional consagra uma tradição transmitida entre gerações de artesãos que mantêm vivos conhecimentos, técnicas e práticas associadas à produção artesanal de joias em ouro e prata, reconhecidas por sua singularidade, beleza e profundo vínculo com a identidade cultural da região.

O título foi entregue coletivamente, em reconhecimento a todos que detêm ou estão diretamente vinculados à produção e transmissão desse saber tradicional.

Saiba mais: Ourivesaria de Natividade, no Tocantins, é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil

Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins
Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins. Foto: Reprodução/ Dossiê de registro do Bem Cultural

A inscrição da Ourivesaria de Natividade como Patrimônio Cultural do Brasil foi aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Ipha em novembro de 2025, após processo de pesquisa e documentação desenvolvido em articulação com a comunidade detentora, pesquisadores, instituições de ensino e parceiros locais. O reconhecimento reafirma a relevância da tradição ourivesareira nativitana como referência cultural de alcance nacional.

“A entrega deste reconhecimento nacional é, sobretudo, uma homenagem aos mestres, às famílias e à comunidade que mantiveram viva essa tradição ao longo das gerações. Convidamos toda a população de Natividade, da região sudeste do Tocantins e demais interessados a participarem deste momento histórico de valorização de um patrimônio cultural tocantinense reconhecido pelo Brasil”, afirma o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado.

Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins. Foto: Reprodução/Iphan

Leia também: 5 curiosidades sobre Natividade, o berço histórico de Tocantins

O reconhecimento da Ourivesaria de Natividade como Patrimônio Cultural do Brasil inaugura uma nova etapa voltada ao fortalecimento das ações de salvaguarda do patrimônio cultural.

Ourivesaria é Patrimônio Cultural

Foto: Reprodução/Iphan

Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro em novembro de 2025, a ourivesaria de Natividade (TO) é um bem cultural definido pela produção e uso de um conjunto de joias artesanais, feitas com ouro e prata extraídos da própria região, como crucifixos, colares, cordões, gargantilhas, brincos, pingentes, pulseiras e anéis.

A ourivesaria da cidade tocantinense emerge como um bem cultural que vai além da simples confecção de joias de ouro e prata. Seu valor reside na sua capacidade de sintetizar técnicas artesanais, história e identidade local, refletindo as complexas relações entre tradição, fé, arte e memória elaboradas historicamente em território tocantinense.

As joias nativitanas, em especial aquelas com inspiração nas formas e símbolos da natureza brasileira (como a flor do maracujá) e nas manifestações religiosas (como os corações nativos e os diversos símbolos cristãos) são peças carregadas de significados, não apenas no plano material, mas também no simbólico e no social. Elas permeiam o cotidiano e as festividades religiosas, sendo um dos pilares da identidade cultural da comunidade nativitana e de outros municípios do sudeste tocantinense.

*Com informações do Iphan

Inovação impulsiona sustentabilidade e eficiência na indústria amazônica

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Foto: Divulgação

A inovação como vetor de transformação industrial e desenvolvimento sustentável foi o tema central da décima videoaula do projeto Rede Educa, realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). Com o tema “Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade Industrial”, o episódio promoveu uma reflexão sobre como soluções tecnológicas e práticas sustentáveis vêm redefinindo processos produtivos, ampliando a eficiência operacional e fortalecendo a competitividade da indústria amazônica.

A aula foi ministrada por Juliana Teixeira, doutora em Conservação da Biodiversidade e gerente de operações da Ecodots, que apresentou perspectivas sobre o papel estratégico da inovação na construção de modelos produtivos mais inteligentes, sustentáveis e alinhados às novas exigências do mercado global.

Durante o encontro, foram discutidas soluções voltadas à gestão eficiente de recursos, rastreabilidade, monitoramento ambiental, economia circular e otimização de processos industriais, evidenciando como a integração entre tecnologia e sustentabilidade se tornou essencial para o fortalecimento das cadeias produtivas e para a consolidação de práticas empresariais mais responsáveis.

Inovação e sustentabilidade como diferenciais competitivos

Ao longo da videoaula, Juliana Teixeira destacou que inovação e sustentabilidade deixaram de ocupar posições paralelas dentro das estratégias corporativas e passaram a atuar como pilares complementares para o desenvolvimento industrial contemporâneo. Segundo ela, a adoção de tecnologias aplicadas à gestão ambiental e à eficiência produtiva representa não apenas um compromisso socioambiental, mas também uma oportunidade de geração de valor e competitividade.

“A inovação aplicada à sustentabilidade permite que a indústria avance em produtividade, eficiência e competitividade sem perder de vista a responsabilidade ambiental. Hoje, tecnologias voltadas à rastreabilidade, gestão inteligente de recursos e monitoramento de impactos são fundamentais para construir soluções compatíveis com os desafios e potencialidades da Amazônia”, destacou Juliana Teixeira.

A discussão também reforçou a importância da formação técnica e da disseminação de conhecimento qualificado para preparar estudantes e profissionais diante das novas demandas do setor industrial, especialmente em áreas relacionadas à ESG, transformação tecnológica e desenvolvimento sustentável.

Formação conectada às demandas da indústria

O projeto Rede Educa segue promovendo conteúdos voltados à qualificação profissional e à formação cidadã, aproximando estudantes, especialistas e profissionais de debates estratégicos para o desenvolvimento econômico e social da região amazônica. A iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento técnico e fortalecer a conexão entre educação, inovação e indústria.

A videoaula completa está disponível nas plataformas digitais da Fundação Rede Amazônica. Assista:

O Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).

Cinco lagos amazônicos impactados pelas mudanças climáticas são monitorados no Amazonas e no Pará

Lago de Serpa, Itacoatiara, Amazonas. Foto: Rogério Marinho

Desde 2025, o projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia” desenvolve oficinas e ações de monitoramento ambiental e climático, aliadas à construção de soluções socioambientais para comunidades de cinco lagos da Amazônia brasileira impactados por eventos extremos climáticos registrados nos últimos anos. Entre eles está o Lago de Tefé, que ganhou repercussão internacional ao se tornar o epicentro da mortandade de botos decorrente da seca extrema de 2023. 

Além das oficinas realizadas com moradores dos cinco territórios, o projeto instalou quatro estações meteorológicas no Amazonas e uma no Pará. A iniciativa também implantou sensores para monitoramento do nível da água, oxigênio dissolvido e temperatura nos cinco lagos, além de realizar o acompanhamento contínuo da qualidade da água. 

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Cinco lagos amazônicos impactados pelas mudanças climáticas são monitorados no Amazonas
Estação meteorológica no Lago de Tefé. Foto: Maria Vicenza

Ao todo, 69 pesquisadores e 200 comunitários participam das atividades do projeto, que realiza oficinas e ações socioambientais e monitoramento ambiental em quatro lagos do Amazonas e um do Pará: Lago de Tefé, em Tefé; Lago de Coari, em Coari; Lago de Janauacá, em Manaquiri; Lago de Serpa, em Itacoatiara; e Lago Grande de Monte Alegre, em Monte Alegre (PA). 

Viabilizado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, o projeto tem como principais apoiadores o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de reunir 15 instituições nacionais e internacionais parceiras. 

Oficinas fortalecem participação comunitária e ampliam alcance do projeto 

Entre outubro de 2025 e março de 2026, o projeto realizou oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. As atividades foram coordenadas por pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Oeste do Pará. 

As oficinas colaborativas tiveram como principal objetivo envolver os moradores para um diagnóstico socioambiental a partir das próprias percepções das comunidades. Por meio de rodas de conversa, escuta ativa e construção coletiva do conhecimento, comunitários e pesquisadores compartilharam experiências relacionadas ao saneamento, saúde, mudanças climáticas, governança local e monitoramento ambiental. 

Leia também: Lagos Sentinelas da Amazônia: projeto investe no monitoramento e diagnóstico socioambiental

Segundo Heloísa Pereira, pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora das oficinas, a proposta é aproximar a pesquisa científica da realidade vivida pelas populações amazônicas. “A meta principal foi identificar percepções sobre mudanças ambientais, desafios relacionados ao saneamento, uso da água, recursos naturais e condições de vida, além de fortalecer o engajamento comunitário nas etapas iniciais do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia”, afirmou. 

Participantes reconhecendo a região de toda extensão de um dos lagos, durante uma das oficinas. Foto: Milena Barbosa

Os encontros também evidenciaram os impactos das mudanças climáticas no cotidiano das comunidades. Moradores relataram dificuldades enfrentadas durante as secas extremas dos últimos anos, como escassez de água, mortalidade de peixes e dificuldades no transporte e na produção local. 

Durante as oficinas, os comunitários desenvolveram um documento de diagnóstico socioambiental. Mediado pelo projeto, o material reúne demandas, propostas de soluções e melhorias voltadas à construção de novas políticas públicas para seus territórios. 

No Lago de Tefé, o morador Sr. Ediney, da comunidade São Raimundo de Cima, relembrou os impactos da estiagem extrema registrada em 2024. “Esses anos que morei aqui, o lago seca, mas nunca tinha ficado como ficou no ano passado. Então isso pra mim não foi motivo nem de alegria, foi de tristeza de ver tantos peixes morrendo”, contou. O comunitário também destacou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter a produção e o deslocamento na região durante a seca. 

Para os pesquisadores envolvidos, um dos principais resultados das oficinas foi a construção conjunta entre ciência e conhecimento tradicional. 

“As oficinas tiveram um forte envolvimento dos comunitários. A preocupação das lideranças comunitárias do Lago de Tefé sobre a crise ambiental atual é bastante clara, e ressalta a relevância do nosso projeto em construir junto a eles propostas de soluções concretas para os desafios vigentes”, destacou o pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto, Ayan Fleischmann. 

Além de elaborar documentos específicos para cada lago, o material produzido durante as oficinas deverá orientar futuras ações do projeto e fortalecer a capacidade das comunidades de reivindicar políticas públicas adequadas às realidades locais. 

Sentinelas das mudanças climáticas: unindo conhecimento científico local e acadêmico 

A realização das oficinas busca aproximar os ribeirinhos das estratégias do projeto para que, posteriormente, passem a integrar o monitoramento ao lado dos pesquisadores parceiros. A proposta é transformá-los em “sentinelas”, vigilantes dos lagos, por meio de treinamentos previstos para ocorrer ainda em 2026. A atuação operacional deve começar em 2027, com acompanhamento contínuo dos pesquisadores. 

Entre fevereiro e maio de 2026, cinco estações meteorológicas foram instaladas no Amazonas e no Pará: na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, no Lago de Tefé; na comunidade São Thomé do Patoá, no Lago de Coari; na comunidade Trilheiro, em Manaquiri, no Lago de Janauacá; e na comunidade Sagrado Coração de Jesus, no Lago de Serpa. No Pará, a instalação ocorreu no Lago Grande de Monte Alegre, na comunidade Aldeia, em abril de 2026. 

As estações irão coletar dados essenciais para a compreensão das condições climáticas em cada lago, como temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e volume de chuvas. A iniciativa deve transformar os grandes lagos monitorados em importantes “termômetros” dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia. 

Alguns participantes do projeto no Lago de Serpa, no município de Itacoatiara (AM). Foto: Milena Barbosa

Desde o início do ano, os pesquisadores do projeto já monitoram os níveis dos cinco lagos por meio de sensores e realizam coletas de água para verificar a qualidade e a temperatura em cada um deles. 

Sobre o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia 

O projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas” é uma iniciativa que reúne pesquisadores, gestores públicos e comunidades ribeirinhas com o objetivo de compreender e monitorar, de forma colaborativa, os impactos das mudanças climáticas nos lagos da Amazônia Central e possíveis soluções, especialmente para comunidades que vivem no entorno. 

A iniciativa teve início diante dos cenários alarmantes enfrentados pela população e pelos ecossistemas amazônicos nos últimos anos. Lagos da região se mostraram particularmente sensíveis às mudanças climáticas, sendo impactados por secas extremas que ocasionaram a morte de diversas espécies, entre elas centenas de botos nos lagos de Tefé e Coari, no Amazonas, além de afetar a população que vive nessas regiões. Nesse contexto, devido ao fato de os lagos estarem em posições mais baixas na paisagem, eles funcionam como “sentinelas” porque recebem, abrigam, acumulam e refletem tudo o que está em seu entorno. 

Leia também: Pesquisadores instalam estação meteorológica em Alvarães para monitorar clima na Amazônia

O projeto é coordenado pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann e é financiado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, voltada à criação de Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore e WCS por meio da parceria com a Aliança Águas Amazônicas, da Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de 15 instituições nacionais e internacionais. 

Entre as instituições parceiras do projeto, estão: Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de Brasília (UnB), Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Instituto Cary e Universidade Bangor e Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB). 

*Com informações do Instituto Mamirauá

Entre Schumann e a música brasileira, Orquestra Sinfônica da Amazônia abre temporada com concerto gratuito no Teatro ICBEU, em Manaus

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Foto: Divulgação/Acervo OSA

A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) inicia a temporada de concertos de 2026 na próxima quarta-feira (3/6), às 20h, no Teatro ICBEU, em Manaus (AM). A apresentação terá entrada gratuita e reunirá obras de compositores consagrados da música clássica internacional, além de um representante da música contemporânea brasileira, sob a regência do maestro Rubens Cláudio, idealizador e fundador da OSA.

A programação marca o início de uma nova fase da OSA, que busca fortalecer a produção musical amazônica sem deixar de lado referências históricas da música erudita. Segundo o diretor executivo da Orquestra Sinfônica da Amazônia, Nikolay Sapoundjiev, a proposta da instituição é unir tradição e identidade regional.

“Estamos pretendendo desenvolver uma orquestra genuinamente brasileira e amazônica e, é claro, sem deixar de lado a grande história da música que contém este organismo sinfônico […] Então, por isso, o nosso primeiro concerto da temporada será mais clássico neste sentido”, afirmou.

Nikolay Sapoundjiev enfatizou ainda que grande parte da apresentação será dedicada a compositores clássicos, mas também contará com música contemporânea brasileira.

Entre Schumann e a música brasileira, Orquestra Sinfônica da Amazônia abre temporada com concerto gratuito no Teatro ICBEU, em Manaus
Foto: Divulgação/Acervo OSA

Programação reúne clássicos e música brasileira

A abertura da noite será com “Abertura Brasil 2012”, do compositor, pianista e regente brasileiro Dimitri Cervo, professor titular de Composição Musical da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O artista ganhou projeção internacional após ser indicado ao Grammy Latino de Melhor Composição Clássica Contemporânea, em 2022.

Na sequência, o público acompanhará o solo da violinista Paola Archila, que interpretará “Introdução e Rondo Caprichoso”, de Camille Saint-Saëns, um dos principais nomes da Era Romântica francesa. Segundo a musicista, a apresentação da obra tem um significado especial.

“É uma peça que tem um significado especial para mim, pois fez parte do meu recital de formatura em 2017. Retomá-la agora tem sido uma nova experiência, com um olhar mais maduro, que me permite aprofundar aspectos musicais e técnicos […] Sou muito grata ao maestro Rubens Cláudio pela oportunidade e espero conseguir transmitir ao público toda a energia, sensibilidade e intensidade que essa obra carrega”, contou.

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O repertório será encerrado com a Sinfonia nº 3 ‘Renana’, de Robert Schumann, compositor alemão reconhecido pela influência na música romântica e pelo incentivo a jovens talentos da época.

Parcerias fortalecem projeto cultural

Foto: Divulgação/Acervo OSA

Desde sua fundação, a Orquestra Sinfônica da Amazônia é a orquestra residente do ICBEU Manaus, instituição que incentiva iniciativas voltadas à formação artística e à valorização de talentos locais. Para o diretor do Teatro ICBEU, Baldoino Leite, a parceria fortalece a democratização da cultura em Manaus.

“Manter a Orquestra Sinfônica da Amazônia como residente do Teatro ICBEU é um privilégio. A orquestra vem realizando um trabalho brilhante, dando espaço à educação e fortalecendo o nosso ecossistema cultural. Essa parceria democratiza o acesso à música de concerto, à música erudita e à música como um todo, além de consolidar o ICBEU como referência cultural em Manaus”, disse.

O maestro Rubens Cláudio destacou a importância das novas parcerias para ampliar a visibilidade da orquestra na capital amazonense.

“A orquestra tem avançado nesse quesito de parcerias e isso prova o quanto o projeto tem sido aceito pela sociedade e pelo empresariado de Manaus”, ressaltou.

A temporada 2026 da Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) conta com patrocínio Amazônia da Manaus Airport, patrocínio Rio Solimões da Bemol e patrocínio Rio Negro da Samel. A OSA conta também com o apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, deputado estadual Dan Câmara, Caua e Hotel Casa dos Frades, reforçando o compromisso de instituições públicas e privadas com o fortalecimento da cultura e da música de concerto na região amazônica.

História da OSA

A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) nasceu em janeiro de 2024. Seu primeiro concerto oficial ocorreu em 5 de maio de 2024, no palco histórico do Teatro Amazonas, em Manaus.

O espetáculo de estreia teve entrada gratuita e foi regido pelo maestro Rubens Cláudio, idealizador e fundador da orquestra. Desde então, a OSA vem consolidando sua atuação como um dos principais projetos sinfônicos da região Norte, promovendo a democratização do acesso à música de concerto e valorizando talentos locais.

A diretora administrativa da OSA, Jessilda Furtado, acredita que a Orquestra Sinfônica da Amazônia representa uma rede viva de afetos, oportunidades e cooperação, na qual as conexões humanas possuem mais força do que interesses particulares.

“Construir uma orquestra verdadeiramente inclusiva significa, antes de tudo, acolher profundamente as pessoas, reconhecer seus talentos e criar oportunidades para que todos possam fazer parte dessa grande jornada de transformação cultural e social”, concluiu a diretora.

Brasil e Suriname ampliam cooperação em ciência, tecnologia e inovação com foco na Amazônia

Foto: Luara Baggi/MCTI

Biodiversidade amazônica, bioeconomia, segurança alimentar, tecnologias espaciais e transformação digital estão entre os temas centrais do memorando de entendimento assinado no dia 28 de maio entre o Brasil e o Suriname para ampliar a cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação.

O acordo foi firmado durante a visita oficial da presidente da República do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, ao Brasil, em cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos.

A assinatura do documento estabelece uma base institucional para ações conjuntas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério de Assuntos Econômicos, Empreendedorismo e Inovação Tecnológica do Suriname em áreas estratégicas para os dois países, especialmente no contexto da integração amazônica e do desenvolvimento sustentável.

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A ministra Luciana Santos destacou o papel da cooperação científica e tecnológica para o fortalecimento das relações bilaterais e para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

“Nosso memorando dará institucionalidade à colaboração em pesquisa e inovação em setores prioritários para os dois países, por meio de projetos conjuntos, mobilidade de pesquisadores, missões científicas e participação em redes de pesquisa”, afirmou a ministra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons , em cerimônia oficial de boas-vindas, no Palácio do Planalto.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Cooperação Brasil-Suriname

A titular da pasta também ressaltou o potencial de cooperação em monitoramento ambiental e tecnologias espaciais, com o compartilhamento de dados gerados pelos satélites brasileiros CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, que já cobrem o território surinamês.

“O bioma amazônico é de grande relevância para nossos países. Vamos aliar ciência, tecnologia e inovação aos conhecimentos tradicionais para desenvolver soluções que impactem positivamente comunidades locais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas”, acrescentou.

Para o presidente Lula, Brasil e Suriname são parceiros diplomáticos naturais.

“Os dois são países amazônicos, democracias que acreditam na cooperação, no multilateralismo. Nesta visita, assinamos 13 acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável”, comemorou.

Leia também: Suriname: um país amazônico pouco conhecido, mas ameaçado

Segundo a presidente surinamesa, a parceria entre os países representa oportunidades de crescimento e avanço tecnológico para ambos os países. “Buscamos, em conjunto com o Brasil, soluções e cooperações que transformem nossas sociedades, que aumentem a nossa efetividade e que garantam um futuro melhor”, afirmou Jennifer Geerlings-Simons.

A assinatura do acordo reforça o compromisso brasileiro com a integração regional e com o fortalecimento da cooperação científica na Amazônia, incluindo iniciativas multilaterais desenvolvidas no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e da Rede Bioamazônia.

O memorando tem caráter não vinculante e prevê que cada país seja responsável pelo custeio de suas próprias atividades e grupos de pesquisa. O documento terá vigência inicial de 5 anos, com renovação automática.

*Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação