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Doença de Chagas: saiba identificar os sintomas e como se prevenir

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Inseto barbeiro, causador da Doença de Chagas. Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) confirmou seis casos de doença de Chagas em Macapá, no Amapá. Outros quatro casos estão em investigação. Todos estão relacionados ao consumo de açaí contaminado.

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Uma pessoa morreu em decorrência da doença, e outra morte ainda está sob análise das autoridades de saúde. O alerta reacende a preocupação com a doença, que pode ser silenciosa e evoluir para complicações graves. Conheça os sintomas e saiba como se prevenir:

Principais sintomas da fase aguda

  • Febre persistente por mais de 7 dias
  • Mal-estar intenso
  • Inchaço no rosto e no abdômem
  • Cansaço extremo
  • Dificuldade para realizar atividades simples

Sem tratamento, a doença pode evoluir para a fase crônica, que não tem cura, e provocar problemas graves no coração, rins e sistema digestivo. A professora e poeta Carla Nobre, que descobriu a doença em 2008 durante um surto no estado, reforça a importância de atenção aos sinais.

“Eu fiquei 30 dias com febre, rosto e abdômen inchados, sem conseguir sequer segurar um copo de água. Só depois, com a ajuda de uma infectologista, descobri que era Chagas e comecei o tratamento”, disse.

Leia também: Casos de Doença de Chagas mostram importância do manejo de alimentos à base de frutos amazônicos

Professora Carla Nobre contraiu doença de Chagas em 2008. Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Professora Carla Nobre contraiu doença de Chagas em 2008. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Como ocorre a transmissão?

Na Amazônia, a transmissão costuma ser oral, ligada ao consumo de açaí contaminado pelo inseto barbeiro.

“Os açaizeiros estão em regiões de mata, onde há barbeiros. Quando o fruto é triturado junto com o inseto, há uma carga parasitária muito grande, o que pode levar à infecção”, explicou a superintendente da SVS, Cláudia Pimentel.

A orientação é consumir açaí apenas de locais fiscalizados e com boas práticas de higiene.

Leia também: Doença de chagas: especialista responde principais dúvidas

Insetor vetor da Doença de Chagas. Foto: Reprodução/ Centro de Vigilância em Saúde

“É importante que os empresários sigam protocolos adequados de manejo do fruto, desde a colheita até o momento em que é batido na batedeira”, reforçou Cláudia.

A professora Carla acrescenta que o sistema de saúde precisa estar preparado para identificar rapidamente os casos:

“Não adianta só conscientizar quem produz o açaí. O Amapá precisa estimular exames preventivos para identificar casos antes que evoluam”.

*Por Isadora Pereira e Michele Ferreira, da Rede Amazônica AP

Alter do Chão: praias de areia branca e águas mornas no coração da floresta

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O espetáculo do Rio Tapajós, a cultura ribeirinha e uma gastronomia única transforma Alter do Chão em um destino inesquecível. Foto: Divulgação/ Ministério do Turismo

Quando as águas dos rios da região Norte do país baixam, no início do ano, e revelam cenários paradisíacos, Alter do Chão, um charmoso distrito de Santarém, no Pará, ganha o merecido apelido de Caribe Amazônico. Com dias de sol pleno, o destino oferece uma experiência única que substitui o oceano pela imensidão de águas doces, esverdeadas e mornas do Rio Tapajós.

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Alter do Chão mistura a energia das praias fluviais com o mistério e a riqueza da floresta amazônica. Longe do agito das metrópoles, o turista encontra ali um refúgio com um pôr do sol que é considerado um dos mais belos do país.

Leia também: 9 fatos curiosos sobre o “Caribe amazônico”: Alter do Chão

Praias e Natureza em Alter do Chão

As praias de Alter do Chão aparecem principalmente durante a vazante do rio, com extensas faixas de areia fina e branca cercadas pela floresta:

– Ilha do Amor: O cartão-postal bem em frente à vila. Para chegar, basta uma rápida travessia em pequenas canoas a remo (as catraias). Tem ótima estrutura de barracas onde você pode petiscar com os pés na água.

– Ponta do Cururu: Uma imensa ponta de areia que entra pelo rio, ideal para contemplar o pôr do sol.

– Ponta de Pedras: Mistura areia branca com formações rochosas escuras, criando um contraste belíssimo, além de ser um ótimo ponto para provar os peixes assados da região.

– Canal do Jari: Um passeio de barco pelos igapós (floresta inundada) e vitórias-régias, onde o turista pode observar aves, preguiças, jacarés e macacos em seu habitat natural.

Diversão e Cultura

A imersão cultural e o ecoturismo são tão impressionantes quanto o banho de rio:

– Serra da Piraoca: Uma trilha curta, mas íngreme, leva ao ponto mais alto da região. Lá de cima, a vista de 360 graus permite ver a imensidão do Rio Tapajós, o Lago Verde e a copa das árvores da Amazônia.

– Floresta Nacional do Tapajós (Flona): Passeio obrigatório para quem quer entrar na selva. Com guias locais, caminha-se entre árvores centenárias gigantescas e visita-se comunidades ribeirinhas e indígenas que vivem de forma sustentável.

– Noites na Vila: O centro de Alter é charmoso e acolhedor. À noite, a praça principal ganha vida com feirinhas de artesanato e rodas de Carimbó.

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Alter do Chão, no Pará
Foto: Reprodução/Arquivo Agência Santarém

Culinária 

A gastronomia paraense é uma das mais ricas e originais do Brasil. Em Alter, o Tambaqui e o Pirarucu assados na brasa são os reis da mesa. É impossível visitar a região sem provar o Tacacá, um caldo quente servido na cuia feito com tucupi, camarão seco e jambu. Outra experiência é o Açaí em sua forma original: consumido puro, servido como acompanhamento para peixe frito e farinha de tapioca.

Como Chegar

A principal porta de entrada é o Aeroporto Internacional Maestro Wilson Fonseca, em Santarém (STM), que recebe voos diretos de grandes capitais como Belém, Manaus e Brasília.

Do aeroporto de Santarém até a vila de Alter do Chão, são cerca de 34 quilômetros percorridos em rodovia asfaltada (PA-457), um trajeto de aproximadamente 40 minutos que pode ser feito de táxi, transfer ou ônibus.

*Com informações do Ministério do Turismo

Órgãos federais instituem regulamento técnico para produtos do extrativismo sustentável

Foto: Divulgação/Embrapa Acre

Os Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o da Pesca e Aquicultura (MPA) instituíram o Regulamento Técnico para a Obtenção de Produtos Oriundos do Extrativismo Sustentável Orgânico. A Portaria Interministerial nº 41, publicada nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União, estabelece critérios para identificação, certificação e comercialização de produtos da sociobiodiversidade com reconhecimento orgânico no Brasil.

A regulamentação cria parâmetros técnicos para o manejo sustentável de espécies vegetais, fúngicas, animais e de organismos aquáticos coletados em ecossistemas naturais ou modificados. O objetivo da regulamento é assegurar que a exploração desses recursos ocorra de forma ambientalmente responsável, respeitando a biodiversidade, os ciclos naturais das espécies e os conhecimentos tradicionais das comunidades que dependem do extrativismo para a geração de renda.

Leia também: Atividades extrativistas promovem desenvolvimento sustentável em Resex de Rondônia

Aplicação do Regulamento

De acordo com a norma, o regulamento se aplica a produtos não madeireiros da sociobiodiversidade destinados à comercialização como orgânicos, conforme a legislação brasileira de produção orgânica. Entre esses produtos estão frutos, sementes, fibras, cogumelos, resinas e outros materiais biológicos extraídos da natureza. A portaria não se aplica a produtos provenientes de sistemas agroflorestais.

O regulamento estabelece que as atividades de extrativismo sustentável orgânico devem estar descritas em um Projeto Extrativista Sustentável Orgânico, garantindo medidas mitigadoras dos impactos socioambientais negativos. O documento reúne informações sobre as práticas de manejo, os métodos de coleta, as estimativas de produção, a análise de riscos e as medidas destinadas a reduzir impactos socioambientais.

A avaliação e a aprovação desses projetos serão realizadas por Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica (OAC) ou por Organizações de Controle Social (OCS) vinculadas ao Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica. O processo também considera aspectos como o histórico de uso da área, as características das espécies manejadas, a conservação do solo e da água e a prevenção de contaminações.

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Valorização

O regulamento estabelece princípios que orientam a atividade extrativista orgânica, entre eles a conservação da biodiversidade, a manutenção das funções ecológicas dos ecossistemas, o desenvolvimento socioeconômico local e o respeito aos saberes de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

O extrativismo sustentável orgânico poderá ser realizado em diferentes tipos de áreas, como unidades de conservação, territórios tradicionais, assentamentos agroextrativistas e propriedades públicas ou privadas, desde que sejam respeitadas as regras ambientais e os instrumentos de gestão dessas áreas.

A portaria também prevê que órgãos públicos de fomento, pesquisa, assistência técnica e extensão rural apoiem o desenvolvimento dessa atividade, incentivando práticas sustentáveis e a organização de cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade brasileira.

*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária

Ministério do Meio Ambiente defende debates globais sobre proteção de espécies migratórias

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) liderou na quarta-feira (25) debates sobre a importância de uma governança ambiental multinível. O encontro, realizado no Espaço Brasil durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês) focou na necessidade de maior integração entre as diferentes convenções das Nações Unidas para garantir a sobrevivência das espécies migratórias.

A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio) do MMA, Rita Mesquita, destacou que a sinergia entre os acordos internacionais é fundamental para a efetividade das políticas públicas.

“Temos trabalhado o conceito da sinergia entre as convenções, que deve ser pautada na ampliação do conhecimento compartilhado. É o investimento na construção de dados científicos e na troca de informações que estabelece a base para que os compromissos globais de clima e biodiversidade protejam, de fato, as espécies migratórias”, afirmou a secretária.

Leia também: COP15: conferência da proteção global das espécies migratórias é realizada no Brasil em 2026

Revoada de espécies Irerês (Dendrocygna viduata) cruza o céu em Bonito (MS). - Foto: Fernando Donasci/MMA
Revoada de Irerês (Dendrocygna viduata) cruza o céu em Bonito (MS). Foto: Fernando Donasci/MMA

Fortalecimento de conexões com foco nas espécies migratórias

O chefe de gabinete e secretário nacional substituto da SBio do MMA, Carlos Eduardo Marinello, disse que o fortalecimento das conexões institucionais é o caminho para a eficiência.

“A sinergia entre as convenções permite que ações estratégicas, como a criação de áreas protegidas e processos de restauração, contribuam simultaneamente para múltiplas metas internacionais. No Novo PAC, por exemplo, buscamos essa integração para que os esforços brasileiros em ações de restauração e criação de áreas protegidas contribuam simultaneamente para as diferentes metas globais”, explicou Marinello.

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O diretor do Departamento de Florestas do MMA, Thiago Belote Silva, reforçou que essa sinergia técnica precisa alcançar a população. “Uma comunicação estratégica que conecte o que é decidido nas convenções com a sociedade é vital. O cidadão precisa entender como essas agendas globais se traduzem na conservação dos biomas e se sentir parte responsável”, disse.

O debate reafirmou que o respeito aos conhecimentos tradicionais e a integração de setores são peças-chave para uma política pública de longo prazo. A programação no Espaço Brasil, coordenada pelo MMA, segue até o dia 29 de março.

*Com informações do MMA

5 mil ribeirinhos do Amazonas vão ser remunerados por manejo sustentável do pirarucu

Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Cerca de 5 mil ribeirinhos do Amazonas vão receber pagamento pelo manejo sustentável do pirarucu. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26), em Manaus, pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. O objetivo é apoiar comunidades que preservam a espécie e os rios da região.

Um cântico indígena realizado por Assis Siwa, da etnia Mayuruna, que atua no manejo do pirarucu no Vale do Javari, marcou a abertura da solenidade. 

Leia também: Cartilha reúne resultados do manejo sustentável do pirarucu no Amazonas

O Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu) vai atender mais de 40 organizações extrativistas em 41 áreas protegidas do Amazonas. Serão investidos cerca de R$ 15 milhões em dois anos, com recursos internacionais e apoio de organismos da Organização das Nações Unidas (ONU). As organizações já estão cadastradas junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela fiscalização.

O manejo sustentável do pirarucu é feito por comunidades que controlam a pesca e respeitam o período de reprodução da espécie, o que ajuda a recuperar estoques e manter o equilíbrio dos rios.

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Certificação orgânica no Amazonas

Além do pagamento direto, o governo também anunciou uma medida que pode aumentar a renda dos pescadores. Uma portaria assinada durante o evento permite a certificação orgânica do pirarucu manejado em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Com isso, o produto pode ser vendido por um valor até 30% maior, inclusive em compras públicas.

“O pagamento pelos serviços ambientais é um reconhecimento da forma como vocês vivem, pescam e cuidam dos lagos. Isso vai significar um acréscimo importante na renda dos manejadores, podendo chegar a 40% de aumento”, afirmou a ministra Marina Silva. Ela também destacou que a medida faz parte de uma estratégia para fortalecer a bioeconomia na Amazônia.

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Pirarucu manejado no Amazonas. Foto: Siglia Souza/Embrapa

Leia também: Ibama classifica pirarucu como invasor em trecho do rio Madeira e libera pesca em Rondônia

A pescadora Elcimar Ribeiro, da zona rural de Fonte Boa, disse que no início quase não havia peixes grandes nos lagos, mas que a realidade mudou com o manejo.

“Depois de cinco anos de manejo, vimos uma fartura enorme”, afirmou. Segundo ela, a certificação orgânica deve ajudar a valorizar o produto e melhorar a renda das famílias.

A secretária de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente, Carina Pimenta, afirmou que os recursos devem ampliar o alcance das ações junto a manejadores e cooperativas.

“Esse pagamento pelos serviços ambientais representa um incremento significativo na renda. É um reconhecimento de que esse tipo de manejo tem as características necessárias para ser valorizado como orgânico e sustentável”, destacou.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Entenda como reparos em redes de abastecimento impactam na rotina da população das grandes cidades

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Foto da capa: Marcelo Seabra/Agência Pará

Realizar reparos em redes de abastecimento nas grandes cidades é uma operação fundamental para a melhoria de serviços essenciais como água e esgoto, mas também envolve vários desafios complexos. Isso porque a execução das obras de manutenção impacta diretamente na rotina da população, além de exigir tempo e paciência dos cidadãos.

Por depender de acesso à, em sua maioria, espaços subterrâneos, os reparos acabam interferindo na mobilidade urbana como o tráfego de veículos, o ir e vir de pedestres e até mesmo o consumo. Para o engenheiro civil Rodrigo Souza, o principal desafio das equipes técnicas é a quantidade de problemas estruturantes encontrados no subsolo urbano.

“Do ponto de vista técnico, o maior desafio que a gente encontra é a alta densidade de interferências. Em cidades antigas como Belém, é comum encontrar rede de água e esgoto misturado com drenagem, fiação de energia, telecomunicações, tudo ocupando o mesmo espaço, muitas vezes com o cadastro técnico não confiável. Isso acaba dificultando bastante na hora da execução dos reparos”, explica Rodrigo, que atua na área de saneamento e infraestrutura em obras.

Obras para reparos no sistema de drenagem no Pará. Foto de 2018/Cosanpa
Obras para reparos no sistema de drenagem da Avenida Almirante Barroso, em Belém (2018). Foto: Divulgação/Acervo Cosanpa

O especialista conta que, na maioria das vezes, o cenário encontrado exige a interrupção no fornecimento dos serviços e a atuação conjunta das empresas prestadores para solucionar os problemas.

“Nem sempre essas interferências estão mapeadas e isso acaba exigindo paralisações pontuais. Por exemplo, quando se atinge uma rede, tem que parar, chamar a concessionária de água ou energia, para avaliar o rompimento e ajudar naquele momento de execução. No rompimento de uma adutora de água, por exemplo, é necessário desligar o abastecimento para solucionar o problema e isso, naturalmente, acaba impactando no prazo de conclusão dos reparos e na rotina dos clientes”, frisou o engenheiro, que é pós-graduado em engenharia ambiental e saneamento.

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Segurança para realizar os reparos

Outro ponto é a segurança dos funcionários que atuam nas obras. Segundo o Rodrigo, é fundamental avaliar primeiro o local para garantir a integridade física dos trabalhadores, para depois iniciar a execução dos trabalhos.

“É preciso garantir a segurança e condições adequadas para aqueles trabalhadores que estão no local, porque qualquer falha durante a etapa pode causar acidentes e a perda de vidas. Voltando ao exemplo da adutora, não tem como realizar o serviço com uma rede pressurizada, não é somente instalar uma tubulação e pronto, por isso, a segurança é fundamental, tanto para quem está trabalhando quanto para a qualidade da execução dos reparos”, reforçou o engenheiro.

Segurança dos trabalhadores é fundamental para a execução correta dos serviços. Foto: Divulgação/Águas do Pará

Soluções

Para minimizar a demora das obras de manutenção, o especialista reforça que as empresas utilizam estratégias para sanar os impactos no dia a dia da população.

“A mitigação desses impactos precisa ser feita com planejamento executivo e um controle rigoroso na execução das obras de reparos, onde precisa ter um engenheiro e um técnico acompanhando em tempo real. Geralmente, essas intervenções são divididas em trechos menores para poder reduzir o tempo de uma vala aberta, já que é um problema que afeta a população em termos de trânsito”, pontuou.

Águas que transformam

A entrevista com Rodrigo Souza faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 25 de março.

Águas que transformam, entrevista com especialista para falar sobre os impactos de obras de saneamento nas cidades
Participação de Rodrigo Souza, por telefone, no quadro Águas que Transformam, no Estação CBN Belém. Foto: Reprodução/CBN Amazônia

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:16):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’

Vestígios históricos de ocupação humana na Amazônia são encontrados no Amazonas

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Segundo o Instituto Mamirauá, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição realizada na Amazônia, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação no Amazonas. Foto: Divulgação/Instituo Mamirauá

Um grupo de pesquisadores encontrou 50 sítios arqueológicos durante uma expedição científica no oeste do Amazonas, ao longo do Rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia. Os achados revelam vestígios da ocupação humana na Amazônia e, para os arqueólogos, funcionam como uma ‘linha do tempo’ da história amazônica.

Entre 9 de fevereiro e 2 de março, pesquisadores do Instituto Mamirauá percorreram 200 km do Alto Japurá. Eles registraram gravuras rupestres, cerâmicas antigas, terra preta, fontes de matérias-primas e até objetos ligados ao Ciclo da Borracha.

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O Ciclo da Borracha foi um momento econômico na história do Brasil relacionado com a extração e comercialização da borracha. O seu auge ocorre entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Durante este período, cerca de 50% do Produto Interno Bruto do Amazonas era resultado da extração e comercialização da borracha.

O trabalho faz parte de uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A ideia é reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico.

“A identificação dos sítios e dessas informações históricas ajuda a pensar políticas públicas e estratégias de proteção para essas áreas de floresta que ainda não têm destinação definida”, afirmou o arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá.

Um relatório será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os primeiros resultados já foram apresentados em uma oficina em Manaus, nos dias 19 e 20 de março.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Vestígios históricos de ocupação humana na Amazônia são encontrados no Amazonas
Local onde foi encontrado os vestígios. Foto: Divulgação

Comunidades na Amazônia são protagonistas

Segundo o instituto, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação da região.

Segundo Amaral, essas populações são protagonistas na preservação da memória:

“Eles carregam relatos e conhecimentos que contribuem para a pesquisa. Nós somos como pontes, enquanto eles são as principais fontes desses espaços”.

Além do Instituto Mamirauá e do MMA, participam da iniciativa o Field Museum of Natural History (Chicago), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Amazon Conservation Team (ACT).

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Boa Vista monitora saúde e desenvolvimento de alunos da rede municipal

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Alunos passam por avaliação de peso, altura e IMC para acompanhar crescimento e nutrição. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

    Cuidar da saúde desde cedo também faz parte do processo de aprendizagem. Com esse objetivo, a Prefeitura de Boa Vista promove nas escolas da rede municipal a Avaliação Antropométrica com alunos matriculados nas unidades urbanas, rurais e indígenas. Nesta terça-feira, 24, a atividade ocorreu na Escola Municipal Hilda Franco.

    Os estudantes participaram da aferição de peso, altura e cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), indicadores que ajudam a acompanhar o crescimento e o estado nutricional das crianças.

    A avaliação antropométrica é um conjunto de medidas físicas utilizadas para analisar a composição corporal. O método é simples, não invasivo e contribui para o monitoramento da saúde, além de auxiliar na prevenção de doenças e no acompanhamento das atividades físicas desenvolvidas nas escolas.

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    Monitoramento da saúde dos alunos

    Nas unidades de ensino, as medições são conduzidas pelos professores de Educação Física. Após a conclusão das aferições, os dados coletados são encaminhados à Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), que consolida os resultados em toda a rede.

    De acordo com o gerente municipal de Educação Física, Admilson Nascimento, o levantamento é uma ferramenta importante para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e fortalecer ações de promoção da saúde no ambiente escolar.

    “Esse trabalho permite que a rede municipal acompanhe de perto o crescimento e o desenvolvimento das crianças. A partir desses dados, conseguimos incentivar hábitos saudáveis e orientar tanto os alunos quanto as famílias sobre a importância da alimentação equilibrada e da prática regular de atividades físicas”, destacou.

    Boa Vista monitora saúde e desenvolvimento de alunos da rede municipal
    As atividades incluem caminhadas, corridas e jogos, estimulando a prática de exercícios de forma lúdica. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

    Educação e conscientização

    Durante a coleta de dados, os professores também promovem atividades educativas que ajudam os alunos a compreender a importância de cuidar da saúde. Entre as ações estão a criação de murais com informações sobre alimentação saudável e atividade física, além de gincanas e dinâmicas voltadas ao bem-estar.

    As atividades incluem caminhadas, corridas e jogos, estimulando a prática de exercícios de forma lúdica. As escolas também incentivam o diálogo com os pais, reforçando a importância do acompanhamento familiar na construção de hábitos saudáveis entre as crianças.

    Segundo o professor de Educação Física Francisco Uberlanio, o processo ocorre em duas etapas, sendo uma nos primeiros meses do ano e, a outra, em novembro, permitindo comparar a evolução dos estudantes.

    “No início do ano, a gente recebe a planilha, faz a coleta dos dados das crianças e registra as informações. No final do ano, repetimos esse processo e conseguimos comparar a evolução delas durante todo o período, tanto na parte física quanto cognitiva e nutricional”, explicou.

    Leia também: Novos alunos iniciam curso de Robótica Educacional em Boa Vista

    Alimentação escolar reforça nutrição dos alunos

    O cuidado com a saúde dos estudantes também passa pela alimentação oferecida nas unidades de ensino. Em 2026, a merenda escolar da rede municipal ganhou um cardápio mais diversificado, elaborado por nutricionistas e alinhado às diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    Entre as novas preparações estão pratos como feijoadinha com arroz brasileirinho, arroz de horta, salpicão de frango, cuscuz nordestino e feijão tropeiro. As receitas foram planejadas para unir valor nutricional, identidade cultural e aceitação entre os alunos.

    Além disso, mais da metade dos alimentos distribuídos nas escolas são hortifrútis frescos, adquiridos de cooperativas locais, o que fortalece a economia da zona rural e garante refeições mais nutritivas para os estudantes.

    O professor Francisco destacou que o trabalho também envolve diálogo direto com a equipe de nutrição da rede municipal, fortalecendo as ações voltadas à saúde dos estudantes.

    “A gente passa esses dados para o pessoal da nutrição e eles utilizam essas informações no planejamento da merenda escolar. Esse diálogo entre o professor de educação física e a equipe de nutrição é muito importante para acompanhar a saúde das crianças”, ressaltou.

    Resultados orientam atividades físicas conforme a necessidade de cada aluno. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

    Atenção individual aos alunos

    A partir dos resultados obtidos, os professores também conseguem adaptar as atividades físicas de acordo com a necessidade de cada estudante.

    “Quando a gente identifica alguma situação, chama a família e ajusta as atividades. Se a criança precisa de mais intensidade nas atividades, a gente aumenta; se tem baixo peso, a gente reduz a carga. Tudo é feito pensando no desenvolvimento e na saúde do aluno”, explicou o professor Francisco.

    O profissional ainda ressalta que manter o peso adequado durante a infância influencia diretamente no aprendizado e na convivência escolar. “Quando a criança está no peso ideal, ela consegue estudar melhor, aprende mais e interage com os colegas sem constrangimento. Por isso é importante esse diálogo com a família para garantir que todos acompanhem esse processo”, completou.

    Ytallo Brilhante, de 9 anos, aluno do 4° ano, foi um dos estudantes atendidos. “Eu gosto muito de educação física, principalmente de futebol. A merenda da escola também é muito boa. O que eu mais gosto é arroz, feijão e carne”, contou.

    Quem também compartilha desse amor pelo esporte é a colega de turma, Fernanda Costa, de 9 anos. “Sem dúvida futebol é o que eu mais gosto. Aprendi aqui na escola. Sobre a merenda, minha preferida é o mingau de aveia e também o feijão preto, com arroz e carne”, revelou.

    Direito à Memória: exposição de artista amazonense estreia no Maranhão

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    Foto: Alonso Júnior

    Recontar as histórias de pessoas pretas e indígenas registradas de forma violenta, desrespeitosa e brutal, do período referente à expedição fotográfica de cunho racista denominada ‘Thayer’, realizada na Amazônia, no século XIX. Este é o foco central da exposição ‘Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA’, integrante do projeto artístico ‘Direito à Memória’, diretamente de Manaus (AM), que começou nesta quarta-feira (25), no Chão SLZ, em São Luís (MA).

    Contemplada na ‘PNAB 2024 – Fomento à Execução de Ações Culturais de Artes’ e realizada com o apoio do Governo do Estado do Amazonas/Conselho Estadual de Cultura/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Governo Federal, a exposição, idealizada e com direção artística assinada pela artista manauara Keila-Sankofa, surge de um incômodo legítimo de modificação da imagem pública das pessoas pretas e indígenas, apresentando um passado remodelado.

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    Com a mostra, o objetivo central é criar possibilidades para uma edição da memória pública e imagética destas pessoas fotografadas nesta expedição. Para Keila-Sankofa, as teorias racistas científicas criadas para justificar uma suposta superioridade racial nesse período, se perpetuam no imaginário até os tempos de agora.

    “Nosso trabalho é plantar e cultivar, recriar essas imagens e intervir na paisagem da cidade retratando esses indivíduos sociais por nome, cultura, origem, desejos e constituição familiar, tudo aquilo que o processo da história colonial propositalmente apagou”, destaca a artista.

    Exposição propõe revisitação histórica

    Na exposição ‘Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA’, a transmutação da imagem é utilizada para contar uma parte da história de pessoas pretas e indígenas, possibilitando através da poética, uma identidade para essas pessoas, utilizando da revisitação histórica para construir imaginários como uma ferramenta para transversão da história oficial.

    Assim, a mostra atua na ressignificação dos cativos presos nas fotografias em seres livres e com sua humanidade escrita, transformando-os em obras bandeiras que provam a existência desses indivíduos sociais e suas importâncias.

    A iniciativa já foi realizada em outros três lugares – todos em Manaus, como: Largo de São Sebastião, Trilha do Musa no Angelim de 500 anos e no Salão do Museu da Amazônia – MUSA. Keila-Sankofa destaca que a estreia no Maranhão é o primeiro lugar fora do estado do Amazonas em que a exposição circula.

    “Essa é uma satisfação enorme poder estar em terras maranhenses. Queremos ocupar a Amazônia inteira com a voz dessas pessoas contando suas próprias histórias”, celebra a artista.

    Leia também: Saiba quantos e quais municípios do Maranhão compõem a Amazônia Legal

    Exposição Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA
    Além de exposição, o projeto também conta com outras ações. Foto: Alonso Júnior

    Programação

    Além da mostra, a programação tem, também, outras duas ações culturais previstas no mesmo local, como minicurso e mesa de debate – sendo esta intitulada “Chão e Direito à Memória”, que contará com os artistas Keila-Sankofa e Dinho Araújo, e será nesta quinta-feira (26), às 19h, totalmente gratuita e aberta a todos os públicos.

    Já o minicurso, com o título “Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica”, ocorrerá nos dias 2 e 3 de abril, das 15h às 18h, ministrada por Patrícia Melo – responsável pela assessoria histórica da exposição. A ação, também gratuita, terá acesso livre nos dois dias de atividade.

    Para mais informações sobre a mostra, acesse as redes sociais do Chão SLZ, da artista Keila-Sankofa ou e do Projeto “Direito à Memória”.

    Direito à Memória

    Direito à Memória é um projeto artístico que, desde 2019, realiza um enfrentamento contra as combinações e projetos de apagamento que se perpetuam sistematicamente, além de propor através da arte, em parceria com a história, um olhar ampliado que narra e retifica referências negativas impostas às populações negras e indígenas no território Amazônico.

    O Direito à Memória é uma escrita poética de humanização da memória de vidas pretas e indígenas – um cavamento histórico, que além de uma pesquisa artística, é uma ação contracolonial.

    Mudo e em movimento: Rondônia pelas lentes de Thomaz Reis

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    Rondon e Major Reis. Foto: Benjamin Rondon

    Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

    O cinema ainda engatinhava no mundo quando as imagens da Amazônia começaram a falar de forma poderosa para o mundo. Sob o comando do Major Luiz Thomaz Reis (1878-1940), a imensidão dos sertões brasileiros deixou de ser apenas um relato de viajantes para se tornar um documento vivo. Reis, baiano de nascimento e genro do artista plástico italiano Giuseppe Boscagli — que também imortalizou os Nambiquaras de Vilhena em suas telas —, foi o olhar que transformou a marcha de Rondon em narrativa visual.

    Em 1912, foi de Reis a sugestão visionária de criar a Seção de Cinematografia e Fotografia da Comissão Rondon. Enquanto Charles Chaplin estreava nas telas americanas em 1914, o Major já cruzava os rios e matas da nossa região com equipamentos adquiridos na Europa, iniciando registros que se tornariam os primeiros filmes etnográficos do planeta.

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    A saga do rio da dúvida e o nacionalismo

    A contribuição de Reis não foi apenas técnica, mas cultural e política. Ele foi peça-chave na produção de “The River of Doubt”, documentando a célebre expedição Roosevelt-Rondon. Ao levar para os cinemas da elite urbana do Rio de Janeiro obras como “Ao Redor do Brasil” (1932) — que hoje podemos revisitar no YouTube —, ele apresentou o cotidiano de Porto Velho, o pulsar da Madeira-Mamoré e o majestoso Real Forte Príncipe da Beira, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

    Essas projeções não eram mero entretenimento. Elas fomentavam um sentimento de nacionalismo, transformando a figura do sertanista e a cultura indígena em símbolos de uma identidade brasileira em construção. As imagens serviam como prova do progresso e, simultaneamente, como uma defesa humanista dos povos originários, alinhada à filosofia de Rondon.

    Mudo e em movimento: Rondônia pelas lentes de Thomaz Reis
    Foto: Benjamin Rondon

    O patrimônio e o silêncio

    Apesar da importância monumental, o acervo desse período sofreu com o abandono ao longo das décadas. Pouco restou além dos registros salvos pela própria Comissão Rondon e por nomes como o cineasta italiano Mário Civelli e seus descendentes.

    A trajetória de Luiz Thomaz Reis nos lembra que Rondônia nasceu sob o signo do cinema. Mais do que registrar a instalação do telégrafo ou a demarcação de fronteiras, ele filmou o encontro do Brasil com suas próprias raízes, deixando um legado antropológico que ainda hoje pulsa em cada fotograma sobrevivente daquela Amazônia.

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    Sobre o autor

    Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

    *O conteúdo é de responsabilidade do colunista