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ECA Ambiental prioriza direito de acesso de jovens a áreas verdes no Brasil

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Legislação prioriza crianças e jovens em áreas verdes e emergências. Foto: Eliton Santos/Semed Manaus

Crianças e adolescentes de todo o país passam a ter garantido por lei o direito de acesso prioritário a praças, parques e áreas verdes próximos de onde moram e estudam. A nova legislação, sancionada e publicada nesta semana, ficou conhecida como ECA Ambiental.

A Lei nº 15.512/2026 (de 22 de setembro de 2026) altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e reforça a prioridade absoluta de crianças e adolescentes no acesso a áreas verdes e em ações de adaptação climática.

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A medida, que amplia o ECA, estabelece que governos federal, estaduais e municipais devem atuar em conjunto para incluir o direito à natureza nas políticas de educação, meio ambiente e planejamento urbano.

Na prática, a lei reconhece que crianças e adolescentes têm direito a conviver em ambientes saudáveis, brincar ao ar livre, manter contato com a natureza e participar de atividades de educação ambiental.

ECA Ambiental garante direito de acesso de jovens a áreas verdes
Foto: Valdo Leão/Semcom Manaus

A legislação garante ainda que, em caso de deslocamentos provocados por eventos climáticos extremos, crianças e adolescentes permaneçam junto de suas famílias, evitando separações e reduzindo riscos de violência, exploração e discriminação.

Para assegurar o cumprimento das medidas, a lei prevê a criação de uma política nacional integrada e o reforço dos canais de denúncias, que poderão ser encaminhadas ao Disque 100, aos conselhos tutelares, ao Ministério Público e às autoridades policiais.

Leia também: Saiba o que fazer para proteger crianças do calor, fumaça e estiagem em Manaus

ECA Ambiental prioriza planejamento urbano e escolar

O ECA Ambiental possui diretrizes específicas para a gestão das cidades e a organização dos sistemas de ensino. Dentre as prioridades, estão:

Desenvolvimento e mobilidade urbana: o planejamento das cidades deve incentivar a criação de rotas seguras e caminhos lúdicos para a circulação a pé ou por bicicleta, praças e pátios naturalizados com equipamentos para brincar, priorizando a escala do bairro e o entorno escolar. Devem ser estruturados, ainda, sistemas de alerta e rotas de fuga acessíveis e de fácil compreensão para crianças e adolescentes em caso de eventos climáticos extremos.

Educação baseada na natureza: redes de ensino são estimuladas a integrar a educação ambiental e climática a estratégias pedagógicas e à infraestrutura escolar. A norma orienta a valorização da vegetação nativa nos pátios, a criação de áreas de sombra, hortas, manejo integrado de águas e a garantia de acessibilidade às pessoas com deficiência.

Proteção em deslocamentos climáticos: em casos de deslocamentos populacionais causados por mudanças no clima, a lei assegura o direito de crianças e adolescentes permanecerem com suas famílias ou responsáveis legais, prevenindo a separação e garantindo proteção contra exploração, abusos e discriminação.

*Com informações da Agência Brasil e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Wili Garcéz

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Wili Garcéz é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. À frente do Grupo Tapajós, o empresário acompanha uma trajetória construída dentro da empresa da família, onde começou ainda na infância e passou por diferentes setores até assumir o cargo de CEO, em 2018.

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Para Wili, estar no Norte vai além de ter uma empresa instalada em Manaus (AM). A identidade regional faz parte da maneira como o grupo se apresenta ao mercado e busca levar a imagem de uma empresa amazônica para outras regiões do país.

Da infância na empresa à formação em Economia

Antes de seguir carreira no mundo dos negócios, Wili iniciou a graduação em Direito. Durante o curso, teve contato com uma disciplina relacionada à Economia e decidiu mudar de área.

A aproximação com o empreendedorismo, porém, começou ainda na infância. Filho do fundador do Grupo Tapajós, ele acompanhava o pai no trabalho e passava parte do tempo dentro da empresa.

“Eu já frequentava a empresa quando criança, meu pai ia trabalhar e às vezes eu ficava por ali, com 10 anos de idade, ficava brincando no estoque, ficava ali do lado dele enquanto ele atendia em algumas reuniões”, contou.

Wili Garcéz, CEO do grupo Tapajós
Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Com o passar dos anos, Wili começou a assumir diferentes funções dentro da companhia. Trabalhou na área de compras, quando os processos ainda eram realizados manualmente, e depois passou pelo setor financeiro, onde atuou como gestor.

Durante um período deixou a empresa para empreender por conta própria e criou uma agência de publicidade chamada ‘Links’. Durante esse período, também prestou serviços para a Santo Remédio, marca que já fazia parte do grupo.

A experiência em diferentes áreas contribuiu para a formação profissional do empresário e, em outubro de 2018, Wili assumiu o comando do grupo como CEO.

O desafio de assumir o comando

A chegada à principal posição de liderança do grupo aconteceu de forma gradual. Segundo Wili, a preparação para assumir uma empresa não acontece de uma hora para outra e é construída a partir das experiências do cotidiano.

O empresário conta que chegou a ser questionado pelo próprio pai sobre estar preparado para comandar o negócio. “Na verdade, a gente nunca se sente preparado, e aí o que prepara a gente é o dia a dia”, afirmou.

Com a saída do pai da gestão mais direta, Wili passou a assumir de maneira integral as decisões do grupo, e a experiência acumulada em diferentes setores ajudou na transição para a liderança.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Durante a trajetória profissional, Wili também buscou conhecer modelos de negócios adotados em outras regiões do Brasil. Viagens para cidades como São Paulo, Belém, Rio de Janeiro e diferentes estados do Nordeste serviram como oportunidade para observar o funcionamento do mercado farmacêutico.

“Eu sempre trabalhei muito observando o que o restante do mercado fazia. Então, viajava muito para outras cidades, e aí começava a pesquisar sobre o mercado de farmácia. Ia em farmácia, via como era feita a organização de produtos, especificação, atendimento, layout, comunicação, marketing”, explicou Wili. 

Uma das decisões que considera marcantes foi a criação da Santo Remédio Flagship Store, localizada no bairro Ponta Negra, em Manaus. O projeto recebeu um investimento superior a R$ 3 milhões e foi pensado para fugir do modelo tradicional de farmácia.

Uma farmácia inspirada na Amazônia

A Santo Remédio Flagship Store foi projetada com referências à identidade amazônica. O design da unidade foi inspirado na vitória-régia, planta característica da região.

Com mais de 12 mil produtos, a unidade reúne setores de medicamentos, perfumaria, beleza, dermocosméticos e serviços farmacêuticos. Entre os serviços oferecidos estão aplicação de vacinas e injetáveis, testes laboratoriais rápidos e bioimpedância.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

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A unidade também conta com um Espaço Beleza, onde são oferecidos serviços como hidratação, mechas e aplicação de maquiagem, além de produtos para cabelos e outros itens de beleza.

“Foi um projeto completamente inovador para a época e eu vi muito que a gente deveria construir uma loja mais simples, não deveria investir tanto e a gente fez ao contrário. Eu tinha essa autonomia, esse poder e eu falei, não, a gente vai fazer uma loja conceito”, destacou o empresário. 

Para Wili, a loja representa uma aposta em inovação e em uma experiência diferente para os clientes. A unidade se tornou a farmácia com maior faturamento de Manaus entre as redes acompanhadas pelo grupo.

Marcas próprias e inovação

Além da operação das drogarias, o Grupo Tapajós trabalha com marcas exclusivas encontradas nas unidades Santo Remédio. Entre elas está a Voycare, que reúne produtos da linha infantil e itens como lenços umedecidos e algodão.

A segunda marca apresentada pelo empresário é a Kiffer, voltada para cosméticos, cuidados faciais e produtos dermocosméticos, incluindo protetores solares e hidratantes. Enquanto a Animative é dedicada ao segmento de vitaminas. 

“São marcas que são fabricadas com a mesma qualidade de qualquer marca conhecida, feita por grandes indústrias. Então, são marcas que têm um custo-benefício muito bom, porque ela vem num preço um pouco mais baixo”, explica o empresário. 

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A inovação também está presente na estrutura interna do Grupo Tapajós, já que a empresa mantém uma equipe dedicada a dados, projetos, automação e Business Intelligence (BI). O setor também passou a trabalhar de maneira mais intensa com inteligência artificial.

A estrutura faz parte de uma estratégia de aproximar tecnologia e gestão para apoiar as diferentes áreas da companhia. Para Wili, a presença de profissionais mais jovens em posições de liderança também contribui para esse processo.

“A questão da juventude acaba sendo uma vantagem muito mais por conta da geração. Então, a minha geração mais jovem é mais ligada à questão de tecnologia, à questão de inovação do mercado, e como o mundo está hoje, vou dizer assim. Então, hoje a empresa, na verdade, é uma empresa muito jovem”, destaca Wili.

Regionalidade como identidade

Para Wili, um dos diferenciais do Grupo Tapajós está na capacidade de mostrar ao restante do Brasil que uma empresa criada na Amazônia pode alcançar destaque nacional. A regionalidade, segundo ele, aparece na utilização de elementos ligados à sustentabilidade, à Amazônia e à identidade local.

“Quando eu falo regionalidade, eu falo tudo o que envolve os elementos culturais do Grupo Tapajós dentro do local onde ele está, que é aqui em Manaus”, explicou.

Para o empresário, levar essa identidade para os negócios é motivo de orgulho e uma forma de apresentar ao país uma empresa que nasceu e cresceu no Amazonas.

Wili Garcéz é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista: 

Pirarucu capturado em Rondônia impressiona: mais de 2 metros e 137 kg

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Pirarucu de mais de 2 metros é capturado em Rondônia. Foto: Divulgação/Sedam RO

Um pirarucu de 2,46 metros de comprimento e quase 138 quilos foi capturado na Reserva Extrativista Estadual Rio Cautário, em Costa Marques (RO), no dia 23 de setembro. Segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), este é o maior exemplar já registrado em uma Unidade de Conservação (UC) de Rondônia.

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A captura faz parte das ações de manejo voltadas ao controle e à erradicação da espécie, considerada invasora na bacia do Rio Cautário, dentro da unidade de conservação. O projeto é realizado pela Sedam em parceria com a associação de extrativistas da região.

De acordo com a Sedam, os extrativistas participam de todas as etapas do manejo, desde a captura dos peixes até a limpeza do pescado. Após o processo, os peixes são vendidos a um frigorífico parceiro, que fornece caixas térmicas, gelo e transporte.

O valor arrecadado com a venda é dividido entre os moradores da reserva. Em 2025, cada extrativista envolvido na captura dos peixes recebeu, em média, cerca de R$ 5 mil.

O biólogo da Sedam, Rodrigo Rios, explicou que a retirada de um peixe desse porte exige um grande esforço das equipes envolvidas.

“Normalmente é um desafio gigantesco capturar um peixe com essa proporção. Envolve o trabalho dos comunitários desde a captura até a retirada do lago e o transporte para o acampamento, onde realizamos o processo de evisceração”, afirmou.

Leia também: Gigantes do Rio Madeira: peixes que surpreendem pelo tamanho

Pirarucu capturado em Rondônia impressiona: mais de 2 metros e 137 kg
Foto: Divulgação/Sedam RO

Pirarucu capturado em Costa Marques é um dos maiores

De acordo com o biólogo, o exemplar superou os maiores registros anteriores catalogados no estado.

“Acreditamos que este seja o maior registro de pirarucu capturado dentro de uma Unidade de Conservação em Rondônia. Até então, havia o registro de um exemplar capturado no Rio Machado, próximo a Ji-Paraná, que alcançou 2,44 metros e cerca de 120 quilos. O peixe que capturamos agora superou essas marcas tanto em comprimento quanto em peso”, disse.

Leia também: Pirarucu de manejo sustentável consolida presença na alimentação escolar pública do Amazonas

Apesar de ser nativo da Amazônia, o pirarucu é considerado uma espécie invasora na bacia do Rio Cautário. Segundo Rodrigo Rios, sua presença ameaça o equilíbrio ambiental da região por competir com espécies nativas.

“O trabalho é feito para retirá-lo da unidade porque ele consome espécies nativas. A erradicação busca remover todos os exemplares, desde os juvenis até os adultos”, explicou.

*Por Davi Pinheiro, da Rede Amazônica RO

Onça-pintada do Amazonas entra para o Guinness como a mais velha do mundo em cativeiro

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Foto: Reprodução/CIGS

A onça-pintada Guardião, felino que está aos cuidados do zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), instituição pertencente ao Exército Brasileiro em Manaus (AM), conquistou o título mundial do Guinness World Records de onça-pintada mais velha em cativeiro. O recorde foi oficialmente verificado em 9 de junho de 2026, quando o animal atingiu 25 anos e 90 dias de idade.

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A conquista é considerada uma façanha para a espécie, pois a expectativa de vida normal de uma onça-pintada varia entre 10 a 15 anos. Nascido em março de 2001 no município de Tabatinga, também no Amazonas, Guardião chegou ao zoológico do CIGS em 7 e agosto de 2007 e desde então permanece sob os cuidados da equipe técnica da instituição.

Macho de onça-pintada nascido em março de 2001 no município de Tabatinga (AM), o felino chegou ao zoológico do CIGS em 7 de agosto de 2007, e permanece sob os cuidados da equipe técnica da instituição desde então.

Leia também: Veterinária explica se as onças que vivem no CIGS podem voltar para a floresta

Onça vive rotina de cuidados diários

A longevidade do Guardião está associada a uma rotina de manejo e cuidados individualizados, considerando as características próprias de um animal idoso. A alimentação do animal é cuidadosamente planejada e adaptada às suas necessidades, inclusive em razão do desgaste natural da dentição.

O animal também recebe suplementação voltada à proteção das articulações, e o acompanhamento veterinário é realizado de forma periódica.

De acordo com a bióloga do CIGS, Primeiro-Tenente Eliane Carvalho, a manutenção da saúde e do bem-estar do felino envolve uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais veterinários, bióloga e tratadores responsáveis pelo manejo, alimentação, cuidados, enriquecimento ambiental e acompanhamento diário do animal.

guardião, do amazonas, onça mais velha do mundo

Leia também: Maior felino das Américas, ótima nadadora e de família? Descubra 6 curiosidades sobre a onça-pintada

Guardião também recebe suplementação voltada à proteção das articulações, e o acompanhamento veterinário é realizado de forma periódica. Em razão da idade avançada, a equipe procura minimizar procedimentos que possam representar riscos desnecessários, realizando parte das avaliações sem a necessidade de contenção química.

Guardião, símbolo de força e longevidade

Mesmo aos 25 anos, Guardião é saudável e mantém comportamentos característicos da espécie, como caminhar pelo recinto, nadar e utilizar estruturas elevadas. Tal longevidade, inclusive, foi crucial para a conquista do reconhecimento internacional do animal como o mais saudável em cativeiro no planeta.

*Com informações do CIGS

Amazônia costeira: Atlântico avança sobre a costa e muda a vida na foz do Amazonas

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A praia do Goiabal, no Amapá, sofre os impactos das marés altas. Foto: Luis Ushirobira/InfoAmazonia

A foz. Estamos no palco de um encontro de duas grandes forças da natureza: o rio Amazonas e o Oceano Atlântico. Na estação chuvosa, é o rio quem avança mais para dentro do mar. Depois, na seca, é “o salgado” que começa a ganhar a batalha.

O rastro do maior rio do planeta alcança, em seu período de máximo deságue, entre fevereiro e abril, até 1000 km dentro do Atlântico. Quando esta pluma do rio chega ao mar, leva grande quantidade de nutrientes. Influenciada pela Corrente Marítima Norte Brasileira, ela se desloca em direção ao Caribe levando alimento para a profusa biodiversidade dos ambientes coralinos desta parte do Atlântico.

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Neste banquete de micro-organismos e sedimentos que carrega o rio Amazonas vivem milhares de espécies e delas dependem toda uma sociedade e economia. A mistura das águas do Amazonas e do Atlântico gestou uma das mais belas regiões do planeta e uma cultura costeira que é pouco conhecida pelo mundo. Quando se fala de Amazônia, pensamos na floresta, mas não na diversidade de paisagens de seu litoral. Muito menos em seu mar de águas lamacentas.

Nesta sociedade ligada aos peixes, aos mangues e ao ritmo da maré, os pescadores, os catadores de crustáceos e a indústria da pesca são protagonistas. Mais próximos à costa estão os pescadores artesanais e aqueles que atuam na captura de camarões e caranguejos de água salobra. Um pouco mais avançadas no mar estão as embarcações industriais, que arrastam as redes para buscar o camarão rosa, a pescada amarela e os bagres migradores.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Foz do Amazonas?

Entretanto, este balanço entre o rio, o mar, o homem e a natureza está em rápida transformação. O aquecimento global intensifica o ciclo hidrológico na Amazônia, causando chuvas e secas mais extremas. O momento e a quantidade de água do Amazonas chegando ao Atlântico já não são tão regulares.

Arte: Reprodução/InfoAmazonia

Onde a Amazônia encontra o Atlântico

Pescador na praia do Goiabal, Osiel Barbosa Balieiro, o Bicudinho, sabe que, quando encontra na rede a pescada amarela, a sarda, a tainha e outros peixes do mar, a água salgada, de cor mais clara, está ganhando terreno. Mas quando ele e seus colegas voltam da pescaria com peixes de água doce, aqueles que se reproduzem na foz do Amazonas, como a gurijuba, a dourada ou a piramutaba, é sinal de que o rio está prevalecendo com sua coloração barrenta.

Bicudinho tem 49 anos e vive há 32 no Goiabal, uma praia no Amapá, o estado mais ao Norte do Brasil. Ele conta ter testemunhado grandes transformações ao longo desses anos: a principal foi o avanço das marés. A partir de 2013, diz, começaram, com maior frequência, as “marés lançantes”. São as marés de “água grande” que avançam sobre a costa. Casas, pousadas e outros atrativos para os turistas foram destruídos pelo mar. Muitos moradores já deixaram Goiabal, e sobraram quase só pescadores.

“O salgado vai empurrando”, diz Bicudinho.

Neste ponto da costa, os pescadores não precisam de barco para lançar redes no mar. O terreno é tão plano, que a maré faz o trabalho. Estacas de madeira com uma rede presa são fixadas na areia em pontos bem distantes da praia. Os peixes trazidos pela maré são enredados quando o mar começa a vazar. 

A maré pode recuar e avançar, diariamente, de três a quatro quilômetros no Goiabal. Com 40 km de extensão, a praia é uma das poucas faixas de areia em todo Amapá. O resto da costa está praticamente coberto por manguezais.

Exatamente por sua topografia extremamente plana e por estar na foz do Amazonas, a costa do Amapá é uma das mais afetadas pelo aumento do nível do mar no Brasil. Na média global, de acordo com dados do Serviço do Ambiente Marinho Copernicus, da União Européia, o mar já se encontra cerca de 20 cm mais alto do que no início do século XX e até o final deste século as projeções indicam que pode estar até 1 metro mais alto. Na região da desembocadura do grande rio, uma análise inédita realizada para esta reportagem revela que apenas em três décadas o aumento foi de 12,4 cm.

As principais razões para a elevação, segundo o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), são o aumento da temperatura do mar e o derretimento das calotas polares, fenômenos ligados às mudanças climáticas em curso.

A erosão acelerada é um dos sinais mais visíveis da subida do mar, mas a salinização de terrenos e igarapés próximos à costa também é sentida pelos ribeirinhos e pescadores. Áreas alagadas por mais tempo e mais sal na água alteram a economia local baseada na pesca e no extrativismo.

No Goiabal vivem apenas sete famílias, 18 pessoas, a maioria homens. As esposas e filhos estão na cidade mais próxima — Calçoene —, onde há escolas e postos de saúde. Enquanto isso, os pescadores vivem em casas simples e pequenas, equipadas apenas com o suficiente para trabalhar, comer e dormir.

Dormir, na verdade, nem tanto. Como observou uma das moradoras, Elita Santos, que nos hospedou em sua pousada no Goiabal: “esse pessoal mal dorme pois acompanha as marés”. Se começar a vazar a maré no meio da madrugada, os homens saem caminhando acompanhando o mar baixando até as estacas. Chegando a elas, recolhem os peixes enredados e caminham de volta com o mar subindo no encalço.

Nas primeiras horas de uma manhã de maio, um grupo de pescadores surgia no horizonte, suas silhuetas negras quase imperceptíveis. Assim como em qualquer outro dia, eles tinham acompanhado o vai-vem da maré e caminhado seis quilômetros. O filho de Bicudinho, Antônio, e um colega, Pedro, tinham saído às quatro horas da manhã enquanto a maré recuava. Voltaram principalmente com peixes do rio: gurijuba e piramutaba.

Além da pousada de Dona Elita, um dos poucos comércios que ainda funciona na praia do Goiabal é o restaurante da família de Thiago Monteiro de Lima, 34 anos. Ele e seus pais se mudaram do garimpo do Lourenço, em Calçoene, há 12 anos com a esperança de aproveitar o turismo em uma das poucas praias do Amapá. Mas a esperança no novo negócio não se confirmou. Na frente do terraço onde são servidas as refeições, ele nos mostra o piso de sua casa. “Esse aqui nós refizemos há um ano!”. Logo à frente do pavimento de cimento estão os escombros do terraço anterior que foi destruído pelo mar .

Para esta reportagem, elaborada pela InfoAmazonia para a investigação “Águas Partidas”, coordenada pelo Centro Latino Americano de Investigación Periodística (CLIP) em parceria com o Instituto Serrapilheira e oito veículos da região, visitamos comunidades pesqueiras ao longo da costa do Pará e do Amapá. Escutamos como estas transformações são registradas pelo olhar do conhecimento tradicional. Também entrevistamos pesquisadores que estão dedicados a entender como estas mudanças em grande escala estão alterando a foz do rio com a maior vazão no mundo. (…)

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Gustavo Faleiros. Para ler o material completo, clique AQUI.

Atriz Christiane Torloni apresenta documentário sobre Amazônia e mudanças climáticas na USP

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O futuro da Amazônia é discutido em filme e debates no Cinusp. Foto: Luiza Caires/USP Imagens

Com a sucessão de desastres ambientais decorrentes das mudanças climáticas e de usos da terra e diante das inequívocas evidências científicas de que várias regiões do planeta se aproximam de pontos de não retorno, a discussão sobre o modelo de existência do ser humano como espécie é essencial e urgente. Como avaliarmos e transformarmos nossas formas e práticas de comportamento perante a nossa “casa comum”?

A partir do documentário ‘Amazônia – O Despertar da Florestania‘ (2018/2019, 1h51 min) — produzido e co-dirigido por Christiane Torloni e Miguel Przewodowski —, a série Cinema & Debate propõe o conceito de florestania como caminho de convergência entre práticas e ensinamentos plurais e ancestrais para “reflorestar mentes”.

documentário sobre Amazônia e mudanças climáticas na USP
Imagem: Divulgação

Organizado pela Cátedra Clima & Sustentabilidade do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e pelo Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS-USP), o evento inclui a exibição do filme seguida de um debate. 

Leia também: Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

O filme nos envolve em uma reflexão que tenta resgatar o código genético de nossa identidade, provocando-nos: “Quando foi que nós esquecemos que o Brasil tem o nome de uma árvore? Que o que corre em nossas veias não é sangue, é seiva?”.

Reunindo depoimentos marcantes de personalidades como Ailton Krenak, André Trigueiro, Benki Piyãko, Fernando Henrique Cardoso, Frans Krajcberg, Juca de Oliveira, Lucélia Santos, Marina Silva, Milton Nascimento, Miriam Leitão, Paulo Adário, Sérgio Abranches e Victor Fasano, entre outros, a obra demonstra que a florestania é o DNA de uma nova identidade planetária.

O encontro busca entender e difundir esse mecanismo para enfrentar os desafios socioambientais, econômicos e culturais da Amazônia, resgatando a esperança em mentes que almejam um futuro com, cada vez mais, melhores horizontes.

A transmissão on-line cobrirá a mesa de abertura e a apresentação inicial do filme por Christiane Torloni. Durante a exibição presencial da obra na sala do Cinusp, os participantes virtuais podem acessar o filme pelas plataformas de streaming Globoplay e Apple TV. Após a exibição, a transmissão ao vivo será retomada para a mesa-redonda, debate, encaminhamentos e encerramento com os convidados.

Exibição e debate do documentário ‘Amazônia – O Despertar da Florestania’

A exibição acontece no dia 29 de setembro, das 9h às 13h, no Cinusp, localizado na Rua do Anfiteatro, n.° 109, Cidade Universitária, Butantã, em São Paulo, mas com transmissão on-line no canal do YouTube do IEA/USP. Inscrições gratuitas neste link.

9h – Mesa de Abertura:
Roseli de Deus Lopes (diretora do IEA-USP)
Amâncio Jorge de Oliveira (pró-reitor da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP)
Clotilde Perez (diretora da Escola de Comunicações e Artes da USP)
Sílvia Teixeira Penteado (reitora da UniSanta)
Henrique dos Santos Pereira (diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Arlindo Philippi Junior (coordenador acadêmico da Cátedra Clima & Sustentabilidade do IEA/USP)

Apresentação do documentário:
Christiane Torloni (produtora e co-diretora do documentário)

Exibição do documentário: presencial na sala do Cinusp
Transmissão on-line pausada durante o filme (para assisti-lo utilize os streamings Globoplay ou Apple TV)

Mesa-Redonda e Debate: (retomada da transmissão online)
Mediação: Marcos Buckeridge (vice-diretor do IEA-USP)
Debatedores: Carlos Nobre (titular da Cátedra Clima & Sustentabilidade do IEA-USP)
Paulo Artaxo (coordenador do CEAS-USP)
Patrícia Gorisch (PPGD-UniSanta)
Maritta Koch-Weser (coordenadora do Grupo de Pesquisa Amazônia em Transformação IEA/USP)
Relatoria: Luciana Rizzo (Instituto de Física da USP) e Nathalia Nascimento (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP)

Encaminhamentos finais e Encerramento:
Luciana Rizzo (IF-USP)
Nathalia Nascimento (Esalq-USP)
Carlos Alberto Cioce Sampaio (CACiAmb-Capes)
Christiane Torloni (produtora e co-diretora do documentário)
Arlindo Philippi Junior (Cátedra Clima & Sustentabilidade do IEA/USP)

*Com informações do IEA/USP e Jornal da USP

Das montanhas amazônicas para os laboratórios: expedição à Serra do Aracá inicia fase de análises

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Miguel Trefaut Rodrigues, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, líder da expedição (no centro da foto): “Os resultados foram muito além do que a gente esperava. Todos os grupos se ajudaram e isso gerou num resultado espetacular”. Foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP

Quando o helicóptero Black Hawk do Exército Brasileiro decolou dos acampamentos principal e secundário da expedição científica à Serra do Aracá, no Amazonas, na manhã do dia 12 de setembro, os cientistas deixaram para trás os nevoeiros das montanhas, trazendo na bagagem diversos espécimes de plantas e animais, além de amostras de solo, água e parasitas, e uma certeza: a etapa de campo terminou, mas as verdadeiras descobertas científicas estão apenas começando.

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Após 19 dias de amostragem divididos em duas bases – uma em um platô de uma montanha a 1.265 metros de altitude e outra a 850 metros, em uma elevação desgarrada do maciço principal do Aracá, batizada de Aracazinho –, a equipe multidisciplinar recolheu todas as armadilhas e encerrou as atividades com um saldo espetacular de coletas.

“A expedição foi sensacional. Os resultados foram muito além do que a gente esperava. Não imaginávamos ter uma coleta tão rica em diversidade. Todos os grupos se ajudaram e isso gerou num resultado espetacular”, disse à Agência FAPESP Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e líder da expedição.

Ao todo, foram amostradas nove espécies de lagartos (sendo cinco provavelmente novas para a ciência, incluindo um possível gênero novo), 18 espécies de anfíbios (das quais dez têm potencial de ser inéditas), cerca de 20 espécies de mamíferos (80 exemplares), 80 espécies de aves (200 exemplares), mais de 300 amostras de invertebrados e 2 mil exsicatas (partes prensadas para herbário) de plantas – das quais dezenas são possivelmente novas – referentes a 400 números (espécimes dos quais foram coletadas várias amostras).

O inventário incluiu ainda cem amostras de parasitas sanguíneos, material de solo e água para estudo de DNA ambiental (eDNA), além de perfurações de solo para estudos paleopolínicos, que pretendem reconstruir a evolução da vegetação regional nos últimos 30 mil anos.

“Até o último dia rendeu resultados. Pegamos uma cobra, talvez uma nova espécie, após uma noite de muita chuva”, relatou Trefaut.

Legado da expedição na Serra do Aracá

Com o regresso dos pesquisadores, o material biológico começa a ser processado para integrar coleções científicas permanentes. A maior parte dos acervos zoológicos – como répteis, anfíbios e aves – será depositada no Museu de Zoologia (MZ), enquanto os mamíferos seguirão para a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ambas instituições da USP.

As plantas passarão por secagem e catalogação no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, antes de serem distribuídas entre o Herbário do IB-USP, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Jardim Botânico do Missouri (Estados Unidos). Já as amostras de solo para estudos paleopolínicos seguirão para o Instituto de Geociências (IGc) da USP.

Para o pesquisador Alexandre Percequillo, especialista em mamíferos e professor da Esalq-USP, a consolidação desses acervos representa o legado mais duradouro da missão para a ciência brasileira.

“Essas coleções estão abertas ao estudo de vários colegas do Brasil e do exterior. Elas são para todos e estarão disponíveis para gerações de cientistas daqui a dez, 20 ou 50 anos. O importante é que deixamos um testemunho de áreas que podem mudar drasticamente diante das mudanças climáticas. Essas coleções vão permitir entender o impacto real na biota ao longo do tempo”, avaliou.

Leia também: Expedição científica estuda fauna e flora na Serra do Aracá, no norte do Amazonas

Das montanhas amazônicas para os laboratórios: expedição à Serra do Aracá inicia fase de análises
Vania Yoshikawa e Jenifer Lopes trabalham com material botânico coletado em campo. Foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP

Vania Yoshikawa e Jenifer Lopes trabalham com material botânico coletado em campo (foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP)

O tempo da ciência

Para além da identificação taxonômica tradicional, o trabalho nos laboratórios de biologia molecular será crucial para desvendar conexões biogeográficas e confirmar se os animais coletados correspondem de fato a novas espécies. O herpetólogo Ivan Prates, pesquisador associado do Museu de História Natural de Oslo, na Noruega, explica que as investigações vão focar na variação morfológica e, principalmente, no sequenciamento genético dos exemplares. Especialista no estudo de lagartos, Prates utilizará ferramentas genômicas para reconstruir a história evolutiva das populações.

“Uma das coisas que a gente consegue fazer com base no sequenciamento de DNA, uma vez que chega ao laboratório da universidade, é pegar um pedacinho de tecido, uma amostra do animal, e fazer uma série de reações e de análises também no computador para caracterizar a sequência do DNA. Com isso, conseguimos inferir a história das espécies e a relação entre elas”, detalhou.

O parasitólogo Bruno Fermino, pesquisador do Instituto Federal da Amazônia (Ifam), explica que as amostras de tecidos biológicos foram divididas em três partes ainda no acampamento de campo. “Coletamos em torno de 50 amostras de mamíferos, cem de aves e cem de répteis. Uma parte foi destinada para análise morfológica imediata no Ifam, a parte mantida em etanol foi para a análise de material genético e a cultura in vivo de parasitas seguiu para o Instituto de Ciências Biomédicas da USP”, detalhou.

A determinação taxonômica precisa e a publicação dos resultados em revistas científicas demandarão anos de dedicação em laboratório.

“Como vimos nas expedições anteriores ao Pico da Neblina e à Serra do Imeri, os primeiros trabalhos mais consistentes costumam levar, em média, de quatro a cinco anos para serem publicados. Ciência de qualidade exige estudo detalhado de coleções e análises de laboratório; nada é imediato”, sublinhou Trefaut.

A expedição foi financiada pela FAPESP e realizada com o apoio do Exército Brasileiro, responsável pelas operações logísticas e de segurança.

A equipe foi composta por cientistas de diversas instituições, incluindo a USP, o Inpa, o Ifam, as universidades Federal de São Carlos (UFSCar), de Toulouse (França) e Autônoma de Madri (Espanha), além do Jardim Botânico do Missouri e do Museu de História Natural de Oslo – todos com formação no Brasil, em sua maioria com apoio da FAPESP, e larga experiência em trabalhos de campo na Amazônia. Entre eles estão especialistas em répteis, anfíbios, mamíferos, aves, insetos, plantas e parasitas.

Um relato completo da expedição será publicado na edição de novembro da revista Pesquisa FAPESP. Para ler os textos originais, acesse AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Elton Alisson

Do interior do Maranhão para o mundo: tiquira de Guaribas conquista Indicação Geográfica

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Foto: Divulgação

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou no dia 22 de setembro o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), para a bebida tiquira, do Maranhão. Com mais esse registro, o Instituto chega a 181 IGs reconhecidas, sendo 137 IPs (136 nacionais e uma estrangeira) e 44 Denominações de Origem (34 nacionais e 10 estrangeiras).

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De acordo com a documentação apresentada ao INPI, a tiquira é uma bebida destilada obtida a partir da mandioca, produzida por meio da fermentação alcoólica e posterior destilação de beijus. O termo tiquira tem origem na língua tupi, derivando da palavra “tykir“, que significa cair gota a gota, em alusão ao processo de destilação artesanal, no qual ocorre a condensação do líquido.

O estado do Maranhão concentra a produção contínua desse destilado, possuindo registros de fabricação desde o período colonial, associados ao desenvolvimento da atividade agrícola local.

A delimitação geográfica elaborada para a IP abrange os municípios de Santo Amaro do Maranhão, Barreirinhas, Urbano Santos, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão, conforme documentação emitida pelos órgãos estaduais competentes.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

Tiquira de Guaribas conquista Indicação Geográfica
Foto: Divulgação

A notoriedade do nome geográfico vincula-se à distribuição histórica e à reputação do produto no território. Por sua vez, o processo de fabricação baseia-se no processamento da mandioca para a elaboração de beijus, os quais passam por fermentação natural promovida por microorganismos ambientais. Após essa etapa, a massa é submetida à destilação em alambiques de cobre, gerando o destilado final. A singularidade desse processo é aspecto relevante na cultura gastronômica do Maranhão.

O Caderno de Especificações Técnicas (CET) regulamenta as etapas de produção, os padrões físico-químicos e os mecanismos de controle, assegurando que o direito de uso da IP seja garantido a todos os produtores estabelecidos na área delimitada que sigam as normas prescritas, independentemente de sua associação à entidade requerente.

Dessa forma, a tiquira é uma bebida reconhecidamente maranhense com um alto teor alcoólico, produzida em diversas casas de alambiques nos pequenos povoados de alguns municípios do estado. Ela está presente na vida de inúmeras famílias, fazendo parte das atividades do cotidiano e trazendo contribuições para a renda e cultura, conforme demonstrado na documentação apresentada ao Instituto.

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Foto: Reprodução/ Agência Sebrae

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, destaca que o reconhecimento do INPI é a chancela que garante a proteção legal do nome geográfico vinculado ao produto, resguardando os produtores delimitados no território contra imitações ou uso indevido desse nome.

“Além do aspecto protetivo, a IG atua como um potente motor de desenvolvimento econômico regional. O selo agrega valor de mercado, impulsiona o turismo gastronômico nas regiões produtoras e facilita a inserção do produto em mercados consumidores exigentes em todo o Brasil e no exterior”.

Tradição colonial e identidade territorial

A presença da tiquira na história maranhense remonta ao período colonial. Registros históricos associam a sua fabricação contínua à consolidação da agricultura familiar e ao processamento da mandioca, raiz-símbolo da segurança alimentar e da cultura local.

Diferentemente de destilados à base de cana-de-açúcar ou cereais, a tiquira exige um domínio técnico diferenciado: desde o ponto correto de torra dos beijus para permitir a conversão dos amidos até o rigoroso controle térmico nos alambiques.

A região produtora que impulsionou o reconhecimento pelo INPI envolve municípios emblemáticos da zona rural maranhense, com destaque para Urbano Santos — notoriamente a comunidade de Guaribas, considerada um dos polos seculares da bebida —, além de municípios vizinhos como Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão. Nessas localidades, a feitura da tiquira representa o sustento direto de dezenas de famílias de agricultores rurais.

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Da produção familiar ao mercado de alto valor

Historicamente comercializada em circuitos locais e informais, a tiquira passou por uma profunda transformação nos últimos anos, por meio do apoio técnico do Sebrae MA, em parceria com gestores locais e a Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF).

Foto: Reprodução/Facebook- @Tiquira Guaribas

A criação de cooperativas permitiu a transição do feitio artesanal para agroindústrias regulamentadas junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Com a adequação sanitária, o controle de qualidade sensorial e a padronização do teor alcoólico, o produto ganhou escala sem perder sua matriz ancestral.

O trabalho conjunto envolveu mapeamento geográfico, diagnósticos de representatividade coletiva e elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, garantindo que a bebida respeite critérios rigorosos de procedência e sustentabilidade.

*Com informações do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da Agência Sebrae de Notícias

Projetos indígenas do Amazonas podem receber até R$ 250 mil para fortalecer a sociobioeconomia, anuncia FAS

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Foto: Lucas Bonny

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) está com inscrições abertas para o edital “Soluções que Vêm do Território”, voltado ao apoio a projetos construídos por povos e organizações indígenas a partir de suas próprias realidades, conhecimentos e prioridades.

A iniciativa integra o Projeto Prospera na Floresta, executado pela FAS, com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e contempla territórios indígenas do Amazonas. As inscrições seguem até 28 de setembro de 2026 e podem ser realizadas AQUI, onde estão disponíveis o edital completo, os anexos, comunicados e demais informações sobre o processo seletivo.

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Serão selecionados até cinco projetos, com apoio de até R$ 250 mil por proposta e prazo de execução de até 12 meses. As iniciativas poderão contemplar práticas produtivas sustentáveis, valorização da sociobiodiversidade, governança comunitária e gestão sustentável dos territórios, respeitando os modos de vida e as formas próprias de organização dos povos indígenas.

Podem participar organizações indígenas formalizadas e grupos ou coletivos indígenas que atendam aos requisitos do edital e desenvolvam suas propostas em Terras e territórios indígenas elegíveis no âmbito da iniciativa.

Projetos indígenas do Amazonas podem receber até R$ 250 mil para fortalecer a sociobioeconomia, anuncia FAS
Foto: Ronaldo Rosa/VALE

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Reconhecimento dos territórios indígenas

O edital parte do reconhecimento de que os territórios já produzem conhecimentos, práticas e soluções. Por isso, busca apoiar iniciativas definidas pelos próprios povos indígenas, valorizando sua autonomia e protagonismo, com atenção também à participação de mulheres e jovens indígenas.

“O edital ‘Soluções que Vêm do Território’ nasce para reconhecer e apoiar iniciativas que já existem e são construídas pelos próprios povos indígenas. São soluções que partem dos conhecimentos, das práticas e das prioridades de cada território, valorizando a sociobioeconomia, a autonomia, a cultura e o protagonismo indígena. Queremos que esse apoio contribua para que mulheres, jovens, aldeias e comunidades indígenas continuem conduzindo seus próprios caminhos, respeitando seus modos de vida e promovendo o bem viver em seus territórios, porque é onde a vida acontece que as soluções nascem”, destaca Rosa dos Anjos, indígena do povo Mura e coordenadora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS.

As propostas selecionadas poderão transformar prioridades identificadas nos próprios territórios em ações concretas, respeitando as formas de organização, os conhecimentos e as decisões dos povos indígenas.

Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, apoiar iniciativas concebidas nos próprios territórios é essencial para fortalecer a autonomia e o desenvolvimento sustentável das comunidades.

“Apoiar soluções criadas e lideradas pelos próprios povos indígenas é fundamental porque são eles que conhecem profundamente seus territórios, seus modos de vida e as potencialidades da sociobiodiversidade. Ao investir nessas iniciativas, fortalecemos a autonomia das comunidades, a geração de renda sustentável, a governança territorial e o protagonismo de mulheres e jovens, ao mesmo tempo em que contribuímos para a conservação da floresta e para um modelo de desenvolvimento construído a partir das realidades e prioridades de quem vive na Amazônia”, afirma.

O edital é uma das iniciativas desenvolvidas no âmbito do Prospera na Floresta e contribui para ampliar as condições para que aldeias, comunidades e organizações de povos originários coloquem em prática suas próprias estratégias, mantendo no centro a relação entre território, cultura, floresta e futuro.

*Com informações da FAS

Procurador-geral explica como o MPT investiga os casos de assédio eleitoral no local do trabalho

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Arte: Reprodução/Amazon Sat

A investigação do Ministério Público do Trabalho nos casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho foi tema do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, que aborda assuntos debatidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, a edição recebeu o Procurador-geral do Trabalho, Dr. Gláucio Araújo de Oliveira, que explicou como são apuradas as condutas ilegais que se caracterizam nas práticas de coação, ameaça ou promessa de benefício por parte do empregadores ou superiores no intuito de influenciar o voto ou posição política dos trabalhadores ou servidores públicos.

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Segundo o Dr. Gláucio, o processo investigativo começa após análise inicial das denúncias, que podem chegar MPT de forma sigilosa, quando o denunciante se identifica e exige segredo sobre seu nome, ou anônima, quando não há fornecimento de nenhum dado pessoal. As denúncias podem ser feitas por meio do canal oficial do MPT no link, telefone, e-mail e até de forma presencial na sede da Procuradoria Regional do Trabalho do Estado ou do Município.

“Nós recebemos essas denúncias, a anônima há o indicio de irregularidade e o promotor natural, que é aquele lá da base, vai iniciar uma investigação. Aquela primeira informação, ele toma outras medidas para que ele forme o seu convencimento. A sigilosa já fica mais fácil porque você já tem uma precisão maior, mas é importante que a denúncia venha com elementos básicos que possam nortear a convicção do procurador”, explicou o procurador.

Início das investigações

Araújo frisa que a maioria dos empregadores recebem com surpresa a atuação do MPT durante o processo investigativo, no entanto, os casos são encerrados de forma consensual após a celebração de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), instrumento jurídico em que a empresa privada ou gestor público assume compromissos para cessar as práticas do assédio eleitoral e reparar eventuais danos causados. O objetivo do TAC é justamente evitar a judicialização do caso.

“Muitas das vezes, o empresário, o patrão alega que não tinha noção de que estava cometendo assédio eleitoral, então ele firma um TAC e assume o compromisso de promover mais reuniões, que não vai dar mais camisas, ou mandar aquela mensagem que ele não achou inofensivo. Firma o TAC, uma obrigação de não fazer sob pena de multa e o Ministério Público monitora essas movimentações na empresa ou na administração pública”, detalhou o procurador.

Ainda sobre as investigações, Araújo comentou sobre os casos em que o empregador não firma o instrumento jurídico.

Ao longo da conversa, Gláucio destacou quais direitos o trabalhador pode buscar na justiça e pontuou algumas condenações obtidas após atuação do MPT nos casos de assédio eleitoral. Por fim, o procurador-geral comentou a diferença dos casos na natureza privada e pública, mas frisou que o objetivo do órgão é garantir a livre manifestação da vontade do cidadão em escolher o seu representante nas eleições, sem interferência externa, garantindo assim, a democracia.

Leia também: ‘Entrevistas’ levanta debate sobre assédio eleitoral no ambiente de trabalho

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Dr. Gláucio Araújo, procurador-geral do MPT, explicou como são feitas as investigações dos casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho
Dr. Gláucio Araújo, procurador-geral do MPT, explicou como são feitas as investigações dos casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).