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Estudo aponta que Amazônia tem mais de 2,7 mil espécies de peixes

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Foto: Ricardo Oliveira/extraído do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia

A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região. Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

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“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional. A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.

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Peixes ajudam a manter a floresta

Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta. Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres. A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

Biodiversidade sob pressão

Floresta Nacional do Tapajós, Belterra (PA). Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as espécies amazônicas. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores do que os atualmente conhecidos.

As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.

As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões importantes, como as cabeceiras do Madeira. Secas prolongadas podem prejudicar a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas adaptadas a águas frias.

O garimpo acrescenta outra pressão. Segundo dados reunidos no estudo, a mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.

Peixe e segurança alimentar

Pesca também movimenta a economia regional e impacta segurança alimentar das populações. Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace

Leia também: Pesca na costa amazônica registra redução de grandes predadores e mais peixes pequenos, diz estudo da UFPA

A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa por dia. O peixe está entre as fontes de proteína animal mais acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento e a saúde.

A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes etapas da cadeia e em associações comunitárias.

Conhecimento indígena

O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.

“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, além de “respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”.

O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de espécies, além de benefícios econômicos e sociais.

Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.

Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero, a conservação traz benefícios para diferentes setores.

“O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”, afirmou.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Rafael Cardoso

MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre

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MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre. Foto: Welika Matos/Prefeitura de Boa Vista

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) e aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) Alto Rio Purus e Alto Rio Juruá que deixem de exigir documentação civil como condição para cadastro e deslocamento de indígenas de recente contato pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

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A recomendação aponta que as regras atualmente previstas no Manual de Regulação do TFD podem transformar a ausência de documentos em barreira para o acesso dos indígenas a serviços de média e alta complexidade.

O manual exige, para abertura do processo de TFD, documento de identificação civil com fotografia e CPF. Para pacientes indígenas que possuem Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (Rani), também determina a apresentação do documento, sem substituir a documentação civil comum.

MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre
MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre. Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

Leia também: Indígenas de recente contato são vistos em rio perto de cidade no AM; especialistas alertam para evitar proximidade

Para o MPF, essa exigência não encontra amparo normativo. O registro civil de nascimento de indígenas é facultativo, em respeito à autodeterminação dos povos, e a ausência de documentação não pode impedir o acesso à saúde. A própria Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde orienta que o atendimento de indígenas ocorra sem exigência de documentos como condição prévia.

Apresentação posterior

A recomendação estabelece que os DSEIs Alto Rio Purus e Alto Rio Juruá deverão, no prazo máximo de cinco dias corridos a contar do início do deslocamento do indígena pelo TFD, apresentar à regulação da Sesacre a documentação civil do paciente.

Quando isso não for possível porque o indígena não possui documentação ou não tem meios de acessá-la, deverá ser apresentado o Cartão Nacional de Saúde (CNS), permanente ou temporário.

MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre. Foto: Reprodução/Arquivo DSEI Purus

O MPF reforça que o prazo de cinco dias é destinado à apresentação posterior da documentação disponível ou do CNS à regulação estadual e não constitui prazo para o indígena obter documentos antes de ter acesso ao atendimento.

Mudança nas regras do TFD

A Sesacre deverá alterar o Manual de Regulação do TFD para retirar, nos casos de pacientes indígenas, especialmente os de recente contato, a exigência de documento de identificação civil com foto, CPF, boletim de ocorrência e Rani como requisitos para o acesso ao serviço.

O MPF também recomenda que a secretaria oriente formalmente as unidades de saúde sob gestão estadual e os setores responsáveis pelo TFD sobre a inexigibilidade de documentação civil para o atendimento de indígenas, respeitando as diferentes situações documentais e a autodeterminação desses povos.

MPF recomenda fim da exigência de documentos civis para atendimento de indígenas de recente contato no Acre. Foto: Divulgação/Instituto Kabu

Os Dseis deverão ainda comunicar à Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), à Frente de Proteção Etnoambiental responsável pela área e ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) a situação de pacientes indígenas atendidos sem documentação civil. Eventual providência para obtenção de documentos deverá respeitar a vontade do interessado e a facultatividade do registro civil.

A Sesacre, o Dsei Alto Rio Purus e o Dsei Alto Rio Juruá têm dez dias para informar ao MPF se acatam as medidas recomendadas. No mesmo prazo, deverão relatar as providências adotadas para cumprir a recomendação ou apresentar as razões para eventual não acatamento. O não acatamento poderá resultar na adoção das medidas judiciais cabíveis, inclusive em relação a eventos futuros decorrentes de eventual omissão dos destinatários.

*Com informações do MPF

Lévi-Strauss: uma obra planetária enraizada em Rondônia

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O trem da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré chegando à estação de Guajará-Mirim. Foto: Luiz de Castro Farias

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1938, o jovem antropólogo franco-belga Claude Lévi-Strauss, aos 29 anos, fez a que seria a última grande expedição etnográfica do século XX ao interior do Brasil. O destino era o futuro Território do Guaporé, hoje Rondônia. Foram 500 quilômetros de caminhão de Cuiabá a Utiariti e outros 340 quilômetros no lombo de animais até alcançar o Posto Telegráfico de Vilhena, no portal da Amazônia Ocidental.

Ligado à recém-criada USP, ele se tornaria uma das mentes mais brilhantes do século. Dessa travessia nasceria “Tristes Trópicos”, de 1955, marco da literatura mundial.

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Fundador do estruturalismo, Lévi-Strauss passou 14 dias em Vilhena, em setembro de 1938. Narrou com minúcia os Nambiquaras e a vida dos caboclos, seringueiros e garimpeiros, em todos os lugares por onde andou. Seguiu de trem da Madeira-Mamoré de Guajará-Mirim a Porto Velho.

Não se furtou às tragédias: registrou como os Sabanês quase foram dizimados por uma gripe em 1929. Ao descrever Vilhena, falou em “virgindade paisagística cuja monotonia despojava a natureza selvagem de qualquer significado”. Comparou os postes tortos do telégrafo e o arco dos fios ao surrealismo de Yves Tanguy, elementos estranhos flutuando na solidão. A tristeza daquela paisagem, hoje, deu lugar à soja, ao milho e ao algodão.

O que é estruturalismo?

Lévi-Strauss veio buscar em Rondônia a matéria-prima para sua grande tese: por trás de toda cultura – seja um mito indígena, uma língua, um modo de casar ou uma comida – existem estruturas invisíveis que se repetem.

A ideia é simples e genial: um Nambiquara e um francês parecem totalmente diferentes, mas quando contam um mito, organizam o parentesco ou dividem a aldeia, ambos usam a mesma lógica inconsciente do cérebro humano, sempre em pares opostos: cru e cozido, natureza e cultura, parente e inimigo.

Para ele, não importa o que o indígena conta, mas como ele organiza a história. Essa estrutura é universal. É o que nos faz humanos. Por isso “Tristes Trópicos” não é um livro de viagem. Ele usa o chão de Rondônia e seu povo para mostrar como toda a humanidade funciona por baixo.

Estruturalismo é a busca do que é igual em todos os povos, observando justamente aquilo que parece mais diferente.

Vislumbres de uma Chicago Tropical

Em 1938, Vilhena era um punhado de cabanas numa clareira. Rondon, que passou aqui pela primeira vez em 1909, sonhava em vê-la como uma Chicago nos trópicos. Sonho audacioso, mas alimentado pela esperança.

Só duas famílias viviam perto do posto, sem receber suprimentos havia oito anos, anotou Lévi-Strauss. Viviam de caça, criação de aves e pequenas roças. Eram 18 pessoas numa família e 34 na outra: Sabanê e Latundê, falantes de dialetos da família Nambiquara, que reúne pelo menos 15 línguas. Chamavam-se mutuamente de “cunhados”.

Rondon incluiu os Sabanês entre os Nambiquaras; Lévi-Strauss discordou. Foi Rondon quem, em 1914, primeiro registrou o termo Latundê. Hoje, os Sabanês estão na Reserva Aroeira, entre Vilhena e Comodoro (MT), e às margens do Rio Roosevelt. Os Latundês estão em Chupinguaia, antigo distrito vilhenense. Há ainda Mamaindês, Lakundês e Tarundês. Em 1938, os Tarundês eram só 12 homens.

Os Mamaindês viviam no Guaporé, ao longo do Rio Cabixi, então território de Vilhena. Muitos foram levados para a Aroeira pelo SPI, embrião da Funai, para trabalhar nos seringais.

Lévi-Strauss: uma obra planetária enraizada em Rondônia

Preparativos para uma viagem histórica

Antes de chegar a Rondônia, o cientista reuniu em Cuiabá 15 homens, 15 burros e 30 bois, com apoio do governo brasileiro e do francês Paul Rivet, etnólogo e político socialista que financiou a expedição. Escolheu para si um imponente burro branco, “o mais majestoso”.

O acompanhavam o carioca Luiz de Castro Faria, 25 anos, a serviço do Brasil, e o etnógrafo Jehan Albert Vellard, 37, além de peões, vaqueiros e um cozinheiro indicado pelo bispo de Cuiabá, a quem Strauss se referiu no diário com um termo pejorativo da época.

Oito dias depois, seguiu de caminhão com os mantimentos pela picada aberta por Rondon. A jornada era um suplício: atolamentos, risco de capotar, travessias em balsas improvisadas onde era preciso descarregar tudo e recarregar do outro lado.

O trecho final foi a lombo de muares. Três meses depois de sair de Cuiabá, em setembro, chegaram a Vilhena. Daqui, a equipe seguiu para Pimenta Bueno, visitou seringais do Rio Machado, chegaram a Guajará-Mirim e Porto Velho, rumo a Manaus.

A presença brasileira na expedição

Luiz de Castro Faria registrou tudo em diário, só publicado em 2001 como “Um outro olhar: Diário da Expedição à Serra do Norte”. São fotos e desenhos preciosos do cotidiano, quase 30 anos após a passagem da Comissão Rondon pela região.

Numa das imagens, indígenas jogam zicunati, o “head ball” citado por Theodore Roosevelt – ex-presidente dos EUA que esteve em VIlhena em 1914 – com bola de látex de mangaba. O jogo já havia aparecido nas comemorações do Centenário da Independência, em 1922, no Rio de Janeiro.

No Posto Vilhena, gerido por Manoel Lage, um Mamaindê, Faria anotou a visita, em 12 de setembro de 1938, de Mamaindês e Cabixis para uma apresentação de flauta: “Foi a maior emoção que já senti. Há algo verdadeiramente mágico naquela música, sombria e profunda”.

Em 1938, indígenas vilhenenses jogam zicunati – ou “head ball”. Foto: Luiz de Castro Faria

Cientistas rejeitados

Paul Rivet, patrocinador da viagem, defendia a polêmica tese de que os indígenas sul-americanos teriam vindo da Austrália e Melanésia há 6 mil anos. Nunca veio ao Brasil. Foi declarado ‘persona non grata’ por criticar costumes brasileiros na França.

Lévi-Strauss também teve atritos. O SPI quis impor um fiscal à expedição; ele recusou. No Estado Novo, teve o visto negado e se exilou nos EUA até o fim da guerra. Voltaria ao Brasil em 1985, por seis dias. Em 2005, a TV Cultura exibiu “Trópico da Saudade”, de Marcelo Fortaleza Flores, que conviveu com ele entre 2004 e 2008.

Era tudo deles

Rondon estimou 20 mil Nambiquaras; Roquette-Pinto, 15 mil em 1912. Rondon chamou a região de “País Nambiquara”. Um quarto de século depois, Lévi-Strauss apontou o extermínio por doenças de branco, escravidão nos seringais, fome e guerras. A dizimação foi mais forte entre 1907 e 1930.

O cientista observou ainda que não eram canibais e que praticavam poligamia entre chefes. Rondon, 26 anos antes, dissera o oposto: que eram canibais que valorizavam a carne do inimigo como troféu e escravizavam mulheres e crianças. Na canção “Fora da Ordem” (1991), Caetano Veloso cita Lévi-Strauss: “Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína”. Pessimismo ou retrato?

Leia também: Nharamaã e o grito pela memória de Rondônia

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudante do Amapá cria iogurte de açaí sem açúcar voltado para pessoas com diabetes

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Iogurte de açaí é produzido na Ueap. Foto: Reprodução

Uma estudante do curso de Engenharia Química da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) desenvolveu um protótipo de iogurte de açaí sem adição de açúcar. A proposta busca oferecer uma opção saudável e acessível para pessoas com diabetes, aproveitando um dos frutos mais populares da alimentação amazônica.

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O projeto nasceu na disciplina de Tecnologia em Alimentos. O desafio proposto em sala de aula era criar um novo produto alimentício a partir de uma matéria-prima regional.

“Nosso objetivo era criar um produto regional que atendesse a uma necessidade do mercado. Pensamos no açaí pela alta aceitação no nosso estado. Minha avó tem diabetes e gosta muito de doces e iogurtes. Temos dificuldade de encontrar produtos que ela possa comer sem riscos. Queríamos que as pessoas pudessem consumir sem preocupação”, explicou a acadêmica Elisa Viana, autora do projeto.

Formulação e testes de sabor

No lugar do açúcar tradicional, a receita utiliza xilitol, um adoçante natural extraído de fibras de plantas e frutas. A escolha do ingrediente busca atender a demanda do Amapá, estado que apresenta número expressivo de diagnósticos da doença.

Atualmente, o projeto está na fase de testes em laboratório. O produto está próprio para consumo, mas a equipe trabalha em ajustes na aparência e no sabor.

Desenvolvimento do iogurte de açaí

Etapas do projetoStatus atual
Segurança do produtoAprovado para testes de degustação
AdoçanteUso de Xilitol (em avaliação econômica)
Cor e AspectoAjustes com corantes naturais para evitar oxidação
Próximo PassoBusca por investidores e produção em escala

“Testamos cerca de cinco formulações e recebemos retornos positivos. A cor atual é fruto da oxidação natural do açaí, mas algumas pessoas acham estranho e pensam que é chocolate ou que o produto estragou. Por isso, queremos ajustar o tom usando corantes naturais […] Escolhemos o xilitol no início porque nosso objetivo era um produto 100% natural”, detalhou Elisa.

Leia também: Iogurte funcional com curcumina para pessoas com diabetes é criado por estudantes na Bolívia

Estudante do Amapá cria iogurte de açaí sem açúcar voltado para pessoas com diabetes
Projeto do iogurte de açaí é desenvolvido na Ueap. Foto: Reprodução

Do laboratório para as prateleiras

O iogurte integra uma lista crescente de novos produtos derivados do fruto no Amapá, que inclui café, tinto e sorvete de açaí. Para que o alimento chegue aos supermercados, a pesquisadora busca parcerias com a iniciativa privada.

Segundo o professor do curso de Engenharia Química da Ueap, João Antônio Pessoa, a universidade tem papel central em transformar pesquisas acadêmicas em negócios viáveis.

“O produto tem potencial de mercado, mas precisa de investimento para concluir as etapas de testes e garantir que seja 100% seguro para o consumidor. A universidade incentiva a criação de novos alimentos. Já temos casos de empresas que nasceram de pesquisas acadêmicas aqui”, destacou o docente.

Iogurte de açaí sem açúcar é produzido no Amapá. Foto: Reprodução

*Por Isadora Pereira e Gabriel Morais, da Rede Amazônica AP

Saiba quantas espécies de primatas existem no Peru e quais estão ameaçadas de extinção

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Com 47 espécies de primatas, o Peru concentra populações do animal nas regiões amazônica, andina e costeira. Foto: Divulgação/Agência Andina

Todo dia 1º de setembro é comemorado o Dia Internacional dos Primatas, o que lembra da importância de conservar um dos grupos de mamíferos mais inteligentes do planeta, mas cuja existência é ameaçada pelo desmatamento, tráfico ilegal, caça e mudanças climáticas.

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O Peru é um dos países mais importantes do mundo por sua biodiversidade e faz parte do Grupo das Nações Unidas dos Países Megadiversos com Ideias Semelhantes, composto por 19 países que concentram 70% da biodiversidade total do planeta. Parte dessa grande biodiversidade é composta por primatas, um grupo distribuído principalmente nas regiões tropicais da Ásia, África e América, que inclui algumas espécies-chave e emblemáticas para a conservação de seus ecossistemas.

Os primatas são um grupo diverso e altamente ameaçado globalmente. Das 504 espécies estimadas no planeta, aproximadamente 60% estão ameaçadas e 75% têm populações em declínio. Saiba quantas espécies de primatas existem no Peru e quais são consideradas emblemáticas:

Primatas no Peru

De acordo com o Plano Nacional para a Conservação de Primatas Ameaçados no Peru, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam), o país possui 47 espécies de primatas, incluídas em 15 gêneros e cinco famílias, distribuídas nas regiões amazônica, andina e costeira. Entre eles estão 11 táxons endêmicos que se desenvolveram em nosso território como resultado das condições de heterogeneidade ambiental geradas pela cordilheira dos Andes.

Considerando várias perspectivas, a importância dos primatas é bem vasta, pois eles:

Espécie de primata na região peruana.
Espécie de primata na região peruana. Foto: Divulgação/Agência Andina
  • Cumprem funções básicas nos ecossistemas, como polinização e dispersão de sementes, contribuindo para a estrutura e regeneração natural da floresta, promovendo o sequestro de carbono.
  • Desempenham um papel fundamental na composição de comunidades em diferentes níveis tróficos.
  • São consideradas espécies indicadoras, já que populações saudáveis desse grupo de espécies são um bom sinal do status de conservação dos ecossistemas selvagens.
  • São uma importante fonte de proteína para certas comunidades rurais na Amazônia.
  • Por serem espécies geneticamente próximas ao ser humano, são importantes para a pesquisa biomédica no desenvolvimento de vacinas, no estudo de várias doenças, entre outras. Para esse fim, são usados espécimes de centros de reprodução ou áreas de manejo.
  • Fazem parte da cultura das comunidades rurais e têm sido refletidos em lendas, arquitetura, cerâmicas, entre outras manifestações culturais.
  • Geram benefícios para as populações que realizam o ecoturismo como atividade econômica.
  • São usadas como espécies emblemáticas porque são impressionantes e carismáticas, o que lhes permite captar a atenção da população, recursos e apoio para sua conservação. Algumas espécies de primatas podem ser consideradas espécies guarda-chuva, pois quando são protegidas, um grande número de espécies com as quais coexistem em ecossistemas também é conservado.
  • São um grupo de interesse para modelos de pesquisa devido à sua mobilidade e capacidade de adaptação a diversas condições ecológicas.

Ameaças à existência dos primatas

As maiores ameaças às espécies de primatas são a perda, deterioração e fragmentação de seus habitats, principalmente devido à mudança no uso do solo para agricultura extensiva e pecuária, exploração madeireira, desenvolvimento de infraestrutura, bem como fatores econômicos como a demanda por florestas e produtos agrícolas, e fatores institucionais como políticas associadas.

Foto: Maribel Taco

Outra grande ameaça é a caça com o propósito de consumir sua carne, bem como para o comércio ilegal de seus espécimes ou partes deles. Doenças, mudanças climáticas e o estabelecimento de estradas e rodovias que fragmentam seus habitats são outros fatores que pressionam negativamente esse grupo de mamíferos. Frequentemente, essas pressões atuam de forma sinérgica, aumentando o declínio das populações.

Embora os efeitos das ameaças sejam medidos por variações em características específicas da espécie (raridade, níveis tróficos, modo de dispersão, biologia reprodutiva, ciclo de vida, dieta e comportamento), a resposta comum em primatas é o declínio populacional.

Desde a década de 1970, o Estado tem elaborado e implementado políticas para contribuir para a melhoria do status das populações das espécies primatas com o maior grau de ameaça. Atualmente, no âmbito da Lei nº 29763, Lei de Florestas e Vida Selvagem, são preparados, aprovados e implementados Planos Nacionais de Conservação, que são instrumentos de gestão para a conservação e gestão sustentável das espécies ameaçadas.

Leia também: 10 espécies em perigo de extinção no Peru

Foto: Gerson Ferrer

Espécies emblemáticas no Peru

As espécies de primatas consideradas emblemáticas no Peru são:

  • Macaco-de-toco de São Martinho (Plecturocebus oenanthe/Callicebus oenanthe).
  • Macaco-lanoso-de-cauda-amarela (Lagothrix flavicauda/Oreonax flavicauda).
  • Macaco preto, Macaco de Tumbes (Alouatta palliata aequatorialis)
  • Macaco-aranha-de-barriga-amarela (Ateles belzebuth).
  • Macaco-aranha-preto, maquisapa (Ateles chamek).
  • Macaco lanoso-cinzento (Lagothrix lagothricha tschudii/Lagothrix cana).
  • Macaco-lanoso-comum (Lagothrix lagothricha lagotricha).
  • Pichico de barriga laranja (Saguinus labiatus labiatus).
  • Macaco berrador vermelho (Alouatta seniculus).
  • Macaco noturno andino ou musmuqui (Aotus miconax).
  • Macaco Huapo vermelho (Cacajao calvu).
  • Macaco do Toco do Colar (Callicebus torquatus/Callicebus lucifer).
  • Macaco Pichico Falso de Goeldi (Callimico goeldii).
  • Macaco lanoso de Poeppigi (Lagothrix lagothricha poeppigii/Lagothrix poeppigii).
  • Macaco-Pichico de manto dourado (Leontocebus tripartitus/Saguinus tripartitus).

*Com informações da Agência Andina/Editora Perú

Bioinsumos movimentam R$ 6,2 bilhões e intensificam papel estratégico no campo

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Foto: Reprodução/IDARON

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Bioinsumos vêm ganhando protagonismo no agronegócio como alternativas sustentáveis, eficientes e alinhadas às novas exigências do mercado e da sociedade. Produzidos a partir de microrganismos, extratos vegetais ou substâncias naturais, esses insumos biológicos oferecem soluções para o controle de pragas, promoção do crescimento das plantas e regeneração do solo, com menor impacto ambiental. À medida que o setor agrícola busca equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade, os bioinsumos se consolidam como peça-chave dessa transformação, representando uma nova era na agricultura brasileira e mundial.

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Trata-se de insumos agrícolas desenvolvidos a partir do uso de um ingrediente ativo de origem vegetal, animal ou microbiológica (bactérias, fungos e vírus) ou estruturalmente similares e funcionalmente idênticas aos de origem natural. Destinam-se a prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações ou estimular processos fisiológicos da planta ou da rizosfera. Essa classe de produtos são de baixa toxicidade, vêm promovendo uma nova revolução no campo reconhecida como “agricultura verde” e, além de proteger as lavouras, auxilia no equilíbrio do ecossistema do ciclo produtivo.

Os bioinsumos são tecnologias renováveis, não poluentes e favorecem a regeneração da biodiversidade no meio ambiente, principalmente do solo. Isso acontece porque muitos desses produtos introduzem microrganismos que, além de fornecerem nutrientes para as plantas, também protegem as raízes, oferecendo uma barreira contra causadores de doenças causadores de pesados danos à cultura e prejuízos aos produtores. Dessa forma, os bioinsumos impactam positivamente a produção de alimentos, sem causar danos à saúde humana, de animais e ao meio ambiente. Eles atuam em sinergia com os defensivos químicos, auxiliando na redução do custo aos produtores, além de contribuir para a sustentabilidade da agricultura.

Oficina de bioinsumos em Rio Preto da Eva, no Amazonas
Foto: Sigrid Simão/Acervo IDAM

Movimentando R$6,2 bilhões no último ano (CropData/CropLife Brasil), o mercado brasileiro de bioinsumos enfrenta um momento marcado pela consolidação das tecnologias biológicas como ferramentas estratégicas de produção. O avanço do mercado e os fatores que vêm moldando sua evolução foram tema do III Fórum de Bioinsumos no Agro, marcado para o dia 18 de agosto, no Auditório da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), em São Paulo. A organização do evento esteve a cargo da Araiby Agropecuária e promoção da Sociedade Rural Brasileira, Sistema Ocesp e Embrapa.

A adoção de soluções biológicas atingiu a marca recorde de 194 milhões de hectares de área tratada no país, reforçando que, mesmo diante de desafios financeiros, o produtor rural tem intensificado o uso de ferramentas para a proteção e nutrição da lavoura. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a busca por práticas sustentáveis também são apontados como impulsionadores do segmento. O debate ocorre em um momento de expansão da oferta de tecnologias biológicas para diferentes culturas agrícolas e de crescente profissionalização do mercado, que vem ampliando sua participação nas estratégias de manejo adotadas pelos produtores rurais.

Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Mário Salvi, presidente da Araiby Agropecuária, o debate passou a girar em torno de como gerenciar a tecnologia em sua máxima capacidade estratégica, “há alguns anos, a discussão era se os biológicos conseguiriam demonstrar resultados em larga escala; hoje, o produtor já entende o valor dessas ferramentas e busca formas de integrá-las ao manejo para aumentar a eficiência produtiva e enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo. Esse amadurecimento do mercado, somado às dificuldades enfrentadas pelo setor de fertilizantes e ao cenário geopolítico internacional, reforça a importância estratégica dos bioinsumos e pode fazer com que as projeções de crescimento para os próximos anos sejam até superadas”, afirma.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Mais de 700 espécies: Parque Zoobotânico é ‘laboratório vivo’ no coração de Rio Branco

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Antes de ser incorporado à universidade, o terreno do parque abrigou um seringal e pastagem de gado. Pesquisas começaram em 1979 e a criação oficial ocorreu em 1983. Vista aérea. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Quem caminha pelas trilhas do Parque Zoobotânico (PZ) pode até esquecer que está dentro de uma capital. Localizado no campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, o espaço de 115 hectares de floresta tropical é a maior área verde dentro do perímetro urbano da cidade e funciona como um verdadeiro laboratório vivo para pesquisadores, estudantes e a comunidade.

No último sábado (5), data em que se comemora o Dia da Amazônia, o parque reforça que não é preciso ir longe para se conectar com a floresta e compreender a riqueza da maior floresta tropical do planeta.

A história de preservação da área começou antes mesmo da criação oficial do parque, em 1983. As primeiras pesquisas científicas no local tiveram início em 1979.

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O cenário atual, de floresta densa e preservada, contrasta com o passado do local. Antes de ser incorporado à universidade, o terreno já abrigou um seringal e chegou a ser utilizado como área de pastagem para gado.

Atualmente, o espaço é o lar de mais de 300 espécies de árvores e 400 de animais, que vivem soltos na reserva, servindo de abrigo para a biodiversidade e sendo referência em pesquisas ambientais.

“Pesquisadores levantaram pelo menos 345 espécies de árvores. Podemos destacar espécies ameaçadas de extinção, como o mogno e a ucuúba, e também árvores que foram muito importantes para o extrativismo no nosso estado, como a castanheira e a seringueira”, explicou Harley Silva, diretor do Parque Zoobotânico, em entrevista à Rede Amazônica Acre.

Mais de 700 espécies: Parque Zoobotânico é 'laboratório vivo' no coração de Rio Branco
Macaco-bigodeiro é uma das principais atrações do Parque Zoobotânico da Ufac. Foto: José de Ribamar Bandeira/Cartilha PZ/Arquivo

Na fauna, o destaque fica por conta do símbolo do parque: o macaco-bigodeiro, animal frequentemente avistado pelos visitantes durante as caminhadas guiadas. 

Ao todo, mais de 400 espécies de aves e mamíferos já foram descritas na área.

Descoberta científica e papel educador do parque

A importância do Parque Zoobotânico para a ciência vai além do monitoramento de espécies conhecidas.

Em 2012, pesquisadores encontraram na área uma nova espécie de rã, a Adenomera thomei, que foi descrita e apresentada à comunidade científica internacional. Ela habitava e se reproduzia ativamente.

“Nesse pequeno fragmento de 115 hectares, os pesquisadores conseguiram encontrar uma espécie nova de anfíbio para a ciência. Isso mostra a força e o potencial de pesquisa do PZ”, destacou Harley.

Parque Zoobotânico tem cerca de 115 hectares em Rio Branco. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

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O principal papel do espaço, no entanto, é o de educador. Diariamente, o espaço recebe turmas de escolas da rede básica de ensino, além de alunos de graduação e pós-graduação.

Embora o público principal seja formado por grupos escolares e acadêmicos, o parque é aberto a visitas de outros grupos da comunidade.

Para realizar visitas guiadas, os interessados devem enviar uma solicitação prévia para o e-mail oficial da instituição: parquezoobotanico@ufac.br.

*Por Pedro Marcelo e Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Açaí de Roraima pode ganhar selo de Indicação Geográfica; selo ajuda a valorizar produção

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O reconhecimento pode ampliar o espaço do açaí de Roraima no mercado. Foto: Lucas Almeida/Rede Amazônica RR

O açaí produzido em Roraima está entre cinco culturas que passam por um processo de estruturação para receber uma Indicação Geográfica (IG), selo que reconhece a relação de um produto com a região onde é produzido. O reconhecimento pode ampliar o espaço do produto no mercado.

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Na prática, a IG funciona como um “certificado de exclusividade”. O selo garante que um produto tem características únicas e qualidade superior por causa da região onde é feito e do modo como é produzido.

Além do açaí, a iniciativa contempla a paçoca de Roraima, o mel do lavrado, a soja e a banana de Caroebe. O trabalho é realizado pelo Sebrae Roraima em parceria com a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi).

Selo de Indicação Geográfica

A IG busca diferenciar produtos associados às características e à identidade de determinado território. Para o consultor de Indicações Geográficas Ton Lugarini, o reconhecimento também pode contribuir para o desenvolvimento de outras atividades ligadas à região.

“A indicação geográfica é quando a gente certifica uma região que é famosa ou tem atributos por produzir algo muito diferencial. Então, aqui em Roraima, vocês têm algumas IGs com potencial. Uma já reconhecida, que são as panelas de barro da Raposa. Mas aqui, especificamente hoje, nós estamos trabalhando o açaí de Roraima”, explicou.

Roraima já possui uma IG reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O registro das panelas de barro produzidas pela comunidade Raposa foi concedido em agosto de 2024.

Saiba mais: Selo reconhece qualidade de panelas de barro produzidas por mulheres Macuxi em Roraima

caroços de açaí
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

No caso do açaí, uma associação foi criada para organizar os produtores e estabelecer as regras que deverão ser seguidas para o uso da futura indicação. Também foi eleito um conselho regulador, responsável por deliberar sobre a utilização da IG.

A ideia é que, caso o reconhecimento seja concedido, o consumidor consiga identificar o produto por meio de um selo.

“Quando o consumidor vê lá no mercado um açaí com um selinho escrito ‘açaí de Roraima’, ele precisa saber que por trás daquele selo tem todo um capricho, tem todo um cuidado, tem todo um controle feito por essa associação que foi constituída hoje”, afirmou Ton.

Impacto para os produtores

Para os produtores, a possibilidade de ter o açaí associado à origem pode representar uma oportunidade de ampliar a visibilidade do produto e fortalecer a atividade. A indicação geográfica para os produtores rurais se torna um marco muito grande, afirma o produtor Paulo Serra.

“Assim como qualquer outro produto, o açaí vai ganhar essa força. É muito importante. Nós temos em Roraima um açaí de qualidade”, afirmou.

Produtores de açaí em Roraima têm indústria própria

Em diferentes regiões do estado, o açaí vem sendo adotado como alternativa de diversificação agrícola. A adaptação da cultura a áreas antes pouco exploradas para esse tipo de plantio fortalece a cadeia produtiva e abre novas possibilidades de negócio para pequenos e médios produtores.

O avanço do cultivo do açaí no lavrado roraimense reflete um processo de modernização da agricultura no estado, permitindo melhor aproveitamento da área produtiva e geração de renda contínua para as famílias do campo.

*Por Lucas Almeida e Melissa Lima, da Rede Amazônica RR

Patrimônios naturais: saiba quais são as principais espécies de árvores encontradas no Peru

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Foto: Divulgação/Agência Andina

As árvores são bandeiras do reino vegetal e fundamentais para o equilíbrio ambiental do nosso planeta. Eles são peças-chave contra as mudanças climáticas, o efeito estufa e a poluição, em que cada espécie oferece benefícios como purificação de água e ar, absorvendo gases poluentes.

Elas também retêm água da chuva e filtram aquíferos, regulam o clima, protegem as pessoas dos raios do sol, da chuva e do vento, além de serem ecossistemas ou refúgios vivos que abrigam diversas espécies. Da mesma forma, as árvores têm um valor econômico importante para a humanidade, pois nos fornecem alimento e espécies com propriedades terapêuticas.

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Nesse sentido, a gestão sustentável dessas empresas permite a implementação de empreendimentos ecológicos para melhorar a economia das comunidades locais. O Peru, por exemplo, é um país com uma diversidade de árvores e é considerado um das nações que mais contribui na composição da floresta que se estende por toda a Amazônia. Não é a toa que ocupa o segundo lugar em florestas amazônicas, quarto em florestas tropicais e o nono com a maior área florestal do planeta, com mais de 60% de seu território composto por elas.

A extensão total desses territórios é de 82.543.385 hectares, segundo informações do Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem (Serfor), distribuídas em florestas amazônicas (94,2%), costeiras (4,7%) e andinas (1,1%).

Como o país celebra o Dia da Árvore no dia 1º de setembro, conheça algumas espécies de árvores que são consideradas importantes para a região peruana:

Cinchona

É uma espécie florestal presente em nosso Brasão Nacional como emblema do reino vegetal. A Cinchona pertence ao gênero Cinchona, da família Rubiaceae, e é principalmente conhecida como uma “planta medicinal” devido à sua importância histórica em escala global na cura de doenças como malária ou malária.

No século passado, a árvore da quina salvou a vida de milhões de pacientes com malária no mundo, graças ao uso de sua casca que contém um alcaloide chamado quinino. O poder curativo dessa espécie para reduzir febre e dor era conhecido e utilizado pelos antigos peruanos.

Árvore molle

Molle (aroeira-salsa)

Espécie nativa que atinge de 8 a 10 metros de altura e cresce na costa a partir do nível do mar, e nos Andes até 3.500 metros de altitude. Seus frutos são usados desde a época pré-hispânica para fazer chicha, enquanto as sementes são usadas como condimento semelhante à pimenta.

Graças à folhagem da copa e à folhagem pendente, essa espécie também é usada para fornecer sombra e proteção contra o vento. Na província do Mariscal Nieto, na região de Moquegua, em 2015, foi localizado um molle centenário que foi reconhecido como árvore do patrimônio.

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Alfarroba

É uma espécie emblemática da costa norte do Peru, onde cresce de forma selvagem e em condições de escassez de água, em desertos onde outras plantas não prosperam. É caracterizado por sua altura variando de 8 a 20 metros, tronco grosso, galhos torcidos, coroa folhosa, folhas pequenas e pode se desenvolver até 1.500 metros acima do nível do mar.

Seus frutos são bainas com polpa doce e carnuda, que medem de 10 a 30 centímetros de comprimento, com os quais se produz um mel conhecido como alfãba, um adoçante natural com propriedades nutricionais.

Alder

Essa árvore nativa, conhecida como Ramrash na língua quéchua, cresce próxima aos rios dos Andes peruanos, entre 2.500 e 3.800 metros acima do nível do mar. Ele pode atingir até 30 metros de altura e seu tronco pode ter até um metro de espessura.

Sua presença é essencial como protetor das bacias hidrográficas, para prevenir a erosão e capturar dióxido de carbono. Suas folhas são usadas para obter ração para o gado e fertilizantes naturais para enriquecer o solo. Em seu dossel folhado, recebe uma grande variedade de aves selvagens.

Huarango

É uma árvore nativa do norte do Peru e pertence à família das leguminosas. Pode atingir em média 10 metros de altura. Graças às suas raízes grandes, sobrevive em áreas de grande seca. Possui flores verde-amareladas e longas leguminosas cheias de pequenas sementes marrons que são alimento de muitas aves.

Conhecida no Peru como “Cedro d’água” ou “Cedro de Huasca”, essa árvore representativa da floresta tropical cresce principalmente nas regiões amazônicas de Loreto, Ucayali, San Martín, Huánuco, Madre de Dios e Junín (província de Satipo) e pertence à família Meliáceae. Eles atingem até 40 metros de altura e um diâmetro médio de 2 metros. Elas têm uma copa larga e folhagem esparsa. Possui raízes extensas e superficiais.

Mogno

É uma das árvores mais emblemáticas da Amazônia peruana e altamente valorizada pela excelente qualidade de sua madeira. Cresce na floresta tropical úmida e sua altura ultrapassa 30 metros. Tende a formar agrupamentos e está localizada nos departamentos de Amazonas, Cusco, Huánuco, Junín, Loreto, Madre de Dios, Puno, San Martín e Ucayali.

O mogno está incluído no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES), da qual o Peru é membro desde 1975. Por isso, a extração de mogno requer uma licença chamada Opinião de Extração Não Prejudicial, para não ameaçar a sobrevivência da espécie ou do ecossistema onde ela vive.

Aguaje (buriti)

É uma das palmeiras mais importantes da Amazônia peruana, pois tem múltiplos usos como alimento, indústria, construção civil e artesanato. Sua fruta é considerada um superalimento devido ao seu grande valor nutricional.

Cresce em áreas pantanosas permanentemente inundadas, cobrindo mais de 6 milhões de hectares, com uma densidade que ultrapassa 250 palmeiras por hectare. O aguaje é tão importante para os habitantes amazônicos que tem uma conotação cultural completa. Os povos indígenas do grupo étnico Yagua a chamam de mãe da floresta e da árvore da vida, sendo um símbolo de imortalidade.

Shihuahuaco

O shihuahuaco (Dipteryx spp.) é uma árvore emblemática da Amazônia peruana. As árvores desse gênero crescem lentamente, atingindo 40 metros de altura e possuem um longo ciclo de vida. Elas estão emergindo na floresta e cumprem um importante papel ecológico; e fazem parte do habitat de várias espécies de flora e fauna selvagem.

De acordo com os estudos disponíveis, existem três espécies do gênero Dipteryx no Peru, que são Dipteryx micrantha, D. ferrea e D. charapilla, conhecidas como shihuahuaco e charapilla. No Peru, sua presença é registrada em florestas de produção permanente, terras de comunidades nativas, bem como em áreas sob diferentes modalidades de acesso à floresta. Da mesma forma, sua presença em áreas naturais protegidas é registrada.

Em novembro de 2022, foi aprovada a inclusão do shihuahuaco no Apêndice II da Convenção Internacional sobre Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES). A inclusão das espécies de shihuahuaco no Apêndice II da CITES contribui para fortalecer as regulamentações para garantir o comércio internacional que não afete sua sobrevivência, sob dois pilares fundamentais: sustentabilidade e legalidade.

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Importância do plantio e conservação das árvores

A importância do plantio, reflorestamento e conservação de árvores no território peruano e no planeta responde às seguintes razões: elas são essenciais para proteger as bacias hidrográficas e o solo, prevenindo sua erosão e desconforto. Eles também fornecem sombra, pois refrescam o ar e o umedecem.

Essas plantas fixam o dióxido de carbono (CO2) atmosférico e o transformam em oxigênio, sendo fundamentais para mitigar o efeito estufa e as mudanças climáticas. Além disso, retêm partículas de poeira que se acumulam no ar. Da mesma forma, as árvores funcionam como amortecedores de ruído, reduzindo a poluição sonora nas cidades.

Árvores históricas

Uma árvore histórica é um exemplar considerado excepcional por razões como sua longevidade, seu grande tamanho, sua beleza, originalidade de suas formas, sua ligação com uma paisagem ou sua importância cultural. Os critérios para reconhecer uma árvore patrimonial:

Monumentais: são árvores grandes que se destacam pelo tamanho, altura, largura da copa e largura do tronco. Eles se destacam entre os outros e são fáceis de reconhecer em seu ambiente.

Longevidade: são árvores que são biológica, ecológica, histórica e/ou culturalmente importantes devido à sua idade. Eles estão em estágios avançados de vida e podem ser centenários ou millennials.

Simbólico: são árvores representativas da tradição e história de uma localidade ou comunidade e são geradoras de identidade cultural.

Vulneráveis: são árvores encontradas em habitats limitados ou escassos. Eles possuem alto valor ecológico e destacam espécies endêmicas e nativas, portanto sua conservação é necessária.

Até o momento, o Peru possui 228 exemplares de nossa biodiversidade reconhecidos como Árvores do Patrimônio em várias regiões, graças à iniciativa promovida pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam) em escala nacional.

Desse total, 36 são espécies endêmicas e/ou nativas do Peru, como o huarango (Prosopis limensis), reconhecido pelo Município Distrital de Changuillo, na região de Nasca, Ica; o cedro (Cedrela angustifolia), reconhecido pelo Município Provincial de Víctor Fajardo, em Ayacucho; e a Lupuna (Ceiba pentandra), reconhecida pelo Município Provincial de Tahuamanu de Madre de Dios, entre outras e em diferentes jurisdições.

Em março de 2026, o Município Provincial de Huaraz declarou dois exemplares de sobreira ou sobreiro (Quercus suber) como árvores patrimoniais, na província de Huaraz, região de Ancash.

As duas árvores estão localizadas no campus da Direção Regional de Agricultura de Ancash, uma mede aproximadamente 12 metros e a segunda tem 14 metros de altura, destacando-se por ter uma copa larga e ter 49 anos. Além disso, segundo as investigações realizadas, esses seriam os únicos desse tipo na região.

Visualizador de Árvores do Patrimônio

Em abril de 2022, o Ministério do Meio Ambiente (Minam) implementou o Visualizador de Reconhecimento de Árvores Patrimoniais (VRAP), disponível para todos os cidadãos na plataforma do Sistema Nacional de Informação Ambiental (Sinia). Neste espaço virtual, você pode consultar informações sobre os 228 espécimes, em todo o país, que até o momento receberam esse reconhecimento oficial. Para acessar o VRAP, clique aqui.

No VRAP você pode encontrar dados sobre os resultados da iniciativa nacional; assim como a localização, espécie e família botânica; endemismo, portaria municipal e data de reconhecimento dos exemplares distinguidos como árvores patrimoniais.

Isso fortalece o conhecimento sobre o patrimônio florestal das cidades e seus arredores, bem como a promoção da conservação, gestão e valorização de árvores e florestas urbanas e periurbanas, além de valorizar a diversidade florística como um indicador da saúde ambiental em nossas cidades.

*Com informações da Agência Andina/Editora Perú

Você sabia que a Ufam mantém 700 hectares de floresta amazônica na área urbana de Manaus?

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Foto: Divulgação/Ufam

Quem passa pela Avenida Rodrigo Otávio, em Manaus (AM), consegue observar parte da área de floresta que integra o Campus Senador Arthur Virgílio Filho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Por trás das edificações e das vias que cercam a Ufam, está um fragmento florestal de cerca de 700 hectares, equivalente a aproximadamente 980 campos de futebol.

A área está completamente inserida na malha urbana da capital e reúne floresta amazônica, nascentes, igarapés e espécies da fauna e da flora nativas.

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O fragmento integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Manáos localizado entre áreas urbanizadas dos bairros Japiim, Coroado, São José e Distrito Industrial, além dos conjuntos Nova República e Eliza Miranda.

Uma APA é uma extensa área natural destinada à proteção e conservação dos atributos bióticos (fauna e flora), estéticos ou culturais ali existentes, importantes para a qualidade de vida da população local e para a proteção dos ecossistemas regionais. O gerenciamento do fragmento envolve tanto a administração da Ufam quanto o poder público municipal.

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De acordo com o diretor do Centro de Ciências do Meio Ambiente (CCA/Ufam), professor e engenheiro florestal André Mendonça, o principal objetivo de uma Área de Proteção Ambiental (APA) é conservar os processos naturais e a biodiversidade, conciliando a ocupação humana e o uso dos recursos naturais com as características ambientais do território.

“Essas unidades existem para conciliar a ocupação humana da área com o uso sustentável dos seus recursos naturais. O desenvolvimento sustentável orienta as atividades realizadas no território. A presença da floresta dentro do perímetro urbano também interfere nas condições ambientais da cidade. A cobertura vegetal contribui para a regulação do microclima, reduzindo as temperaturas e mantendo a umidade do ar. As nascentes e os igarapés presentes na área participam da formação de microbacias hidrográficas que atravessam Manaus. A manutenção da vegetação ajuda a reduzir processos como erosão e assoreamento e influencia o comportamento das águas nos cursos localizados no entorno”, explicou o engenheiro florestal.

O professor falou ainda que a área reúne trechos de floresta amazônica em terrenos baixos e sujeitos à maior umidade (floresta ombrófila de baixio), além de áreas de terra firme, que não são periodicamente alagadas.

“A área também participa do armazenamento de carbono por meio da biomassa florestal e contribui para a filtragem de poluentes atmosféricos. Esses processos estão relacionados à manutenção da qualidade ambiental em uma região submetida à circulação de veículos e à atividade industrial”, destacou.

Biodiversidade em meio à cidade: floresta como espaço de pesquisa

Mesmo isolado pela expansão urbana, o fragmento mantém populações de espécies da fauna amazônica. Entre os animais registrados estão preguiças, pacas, macacos e sauim-de-coleira, além de crustáceos de água doce encontrados nos igarapés, como camarões e caranguejos. Levantamentos realizados na área também registram diversidade de árvores, palmeiras e insetos ao longo das trilhas que conectam áreas próximas aos bairros ao interior da floresta. 

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fragmento de floresta amazônica na ufam em manaus
Foto: Reprodução/Google Maps

A biodiversidade existente no campus também é registrada em iniciativas de divulgação científica. A publicação Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas, editada pela Editora da Ufam (EDUA), reúne informações sobre espécies encontradas na área e contribui para a documentação do patrimônio biológico existente no campus. Na publicação, a docente da Ufam, professora Anete Leite Rubim, explica que as plantas aquáticas herbáceas, também chamadas de macrófitas aquáticas, são espécies que desenvolvem todo ou parte do seu ciclo de vida na água. 

“Na Amazônia Central, há registros de aproximadamente 400 espécies de macrófitas aquáticas. A maior diversidade ocorre em ambientes de água branca, como as várzeas, enquanto a menor é encontrada em ambientes de água preta. Essas plantas podem ser classificadas de acordo com a forma como vivem na água: há espécies livres ou fixas submersas, espécies fixas com folhas flutuantes ou emergentes e espécies livres flutuantes. Além da importância ecológica, as macrófitas são utilizadas em diferentes atividades, como o tratamento de efluentes, fins medicinais, aquariofilia e alimentação, além de contribuírem para a proteção e estabilização das margens dos rios e para a oferta de nutrientes a animais que se alimentam de plantas e matéria orgânica”, disse.

O diretor do CCA/Ufam, professor André Mendonça, informou também que o fragmento é utilizado como área de pesquisa e ensino por diferentes unidades da Ufam.

“Entre as áreas que desenvolvem atividades no local estão a Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) e o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), além de programas de pós-graduação vinculados a essas unidades. Projetos e pesquisas também envolvem áreas como Geografia, Geologia, Engenharias Civil e Ambiental, Antropologia, Ciências Sociais, Administração e Comunicação. O fragmento funciona, nesse contexto, como espaço de observação de espécies, processos ecológicos e relações entre ambiente urbano e floresta”, contou.

Riscos e Ameaças

Por estar cercado por cidade em todas as direções e sem corredores ecológicos remanescentes monitorados, o fragmento da Ufam é um caso extremo de isolamento genético e ecológico.

“Trata-se de um fragmento de floresta amazônica inserido em uma área urbana e cercado pela cidade, o que aumenta sua vulnerabilidade aos efeitos de borda e à perda de conectividade com outras áreas de vegetação. O fragmento também sofre pressão de ocupações irregulares no entorno, o que torna sua gestão um desafio tanto para o município quanto para a administração da Ufam”, finalizou o diretor do CCA.

*Com informações da Ufam