Belém (PA) foi o palco de uma articulação inédita que une conhecimento ancestral das comunidades tradicionais e da agricultura familiar com conhecimentos de instituições de ensino e pesquisa entre os dias 30 de março e 1° de abril. O evento ‘Restaurando florestas que alimentam: 1º Encontro do Fórum Popular Agroflorestal da Amazônia’ reuniu, nas sedes da Embrapa e da UFPA, as lideranças que estão na linha de frente da recuperação de áreas degradadas na região do Nordeste Paraense.
O evento é uma iniciativa do Centro Avançado de Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) – um centro multi-institucional coordenado pela Embrapa – que atua na transformação de áreas degradadas e resilientes e dá continuidade a um processo que se consolidou no projeto Sustenta & Inova, financiado pela União Europeia. O objetivo central do encontro é consolidar a governança do Fórum, um coletivo que dá “nome e regra” ao trabalho de restauração que já acontece na prática por meio da agricultura familiar.
Esse processo é resultado da união de um grupo de pesquisa-ação denominado Refloramaz. Formado por agricultores, técnicos, estudantes, pesquisadores e professores desde 2017, se consolida a partir da especialização “Restauração ambiental e sistemas agroflorestais na Amazônia”, ofertada pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Essa instituição apoia a organização do Fórum junto com a Embrapa, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad).
Para Emilie Coudel, pesquisadora do Cirad e uma das articuladoras do Refloramaz, o Fórum nasce para preencher uma lacuna entre as políticas e o campo.
“Mesmo com as melhores intenções, é difícil que as políticas públicas alcancem as demandas reais dos agricultores. Precisamos de espaços onde as próprias comunidades proponham soluções a partir de suas dificuldades e iniciativas que já dão certo”, afirma.
Segundo ela, o momento é de transição: “Com a especialização Refloramaz, construímos muito conhecimento com os agricultores. Agora, é hora de chamar as instituições e os tomadores de decisão para definir uma agenda que realmente fortaleça a restauração ambiental a partir dos territórios”.
Diferente de modelos de conservação abstratos, o Fórum atua como uma rede estratégica de incidência política, focada em dar escala ao manejo das capoeiras (áreas de vegetação secundária) e aos Sistemas Agroflorestais (SAFs) com o objetivo de proteger a fauna e a flora, ao mesmo tempo em que geram renda e segurança alimentar para as comunidades locais e avança nos estudos sobre regeneração natural. Mais do que a execução técnica, o objetivo é consolidar uma articulação que garanta voz ativa e protagonismo aos guardiões da floresta, assegurando que o conhecimento tradicional oriente as políticas públicas e os investimentos para a região.
A pesquisadora Lívia Navegantes, do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF/UFPA) e uma das articuladoras do Refloramaz, afirma que a restauração das florestas na Amazônia só pode ocorrer a partir da iniciativa das pessoas que vivem nela, por isso é preciso ser feito um trabalho em cooperação em que elas sejam apoiadas e haja uma reflexão conjunta entre comunidade e ciência.
“A ciência sozinha, isolada, e muitas vezes descontextualizada das problemáticas específicas de cada local, não pode pretender responder às urgências ambientais e climáticas isoladamente. Somente juntos, através do diálogo de saberes, o respeito às diferentes visões, inclusive às visões institucionais, é que podemos achar alternativas concretas e viáveis para a recuperação ambiental da Amazônia. O Fórum pretende ser este espaço, dando espaço para a voz e reconhecendo o protagonismo dos povos locais, valorizando suas experiências, conhecimentos e organização coletiva. Através desse apoio mútuo e união de ideias e de forças é que pretendemos incidir nas políticas ambientais”, analisa Lívia.
Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do Centro Capoeira, a articulação do Fórum reforça que a restauração da Amazônia não se faz apenas em laboratórios, mas no diálogo com quem vive no território.
Duas bactérias identificadas melhoram o enraizamento das estacas de pimenta-do-reino.Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas, presentes naturalmente no interior das plantas, com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, especiaria de grande importância econômica e social no Brasil.
O estudo mostrou que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 são capazes de estimular o crescimento da planta e o enraizamento de estacas utilizadas na propagação da pimenteira-do-reino.
A estaquia é uma técnica de reprodução a partir da retirada de pequenos galhos das plantas, chamados estacas. Uma vez enraizadas, as estacas se tornam novas mudas de pimenteira-do-reino. Um dos gargalos da agricultura familiar, de acordo com os especialistas, é o baixo índice de “pegamento” dessas raízes, ou seja, elas não crescem o suficiente para promover o desenvolvimento da planta.
Arte: Vitor Lobo e Sabrina Morais
Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino foram submetidas a soluções com as bactérias. A Priestia sp. T2.2 se destacou ao promover um aumento de até 75% na altura das plantas e de 136% em sua massa seca (parte aérea) em comparação às plantas de controle.
Já a Lysinibacillus sp. C5.11 foi responsável por um salto ainda mais impressionante: 333% de crescimento da massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também apresentou efeitos positivos na parte aérea, mas em menor escala.
Os efeitos positivos das bactérias nas estacas foram atribuídos à capacidade dos microrganismos de produzir ácido indolacético (AIA) — um hormônio natural da planta que regula processos de crescimento vegetal — e sideróforos, compostos que capturam ferro no ambiente e tornam o nutriente mais disponível para as plantas. Os testes foram realizados em laboratório e em casas de vegetação, que simulam o ambiente natural. O próximo passo é realizar os testes em áreas de produtores e com outras variedades clonais de pimenteira-do-reino.
“Um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. E uma das dificuldades dos produtores é ter estacas que tenham um enraizamento efetivo para a produção das mudas. Há ainda muitas perdas nesse processo. Então, essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, afirma Alessandra Nakasone, pesquisadora da Embrapa Florestas.
A descoberta é estratégica para pequenos agricultores, principais responsáveis pela produção no País. Além disso, o uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva. “Isso ocorre porque as bactérias promovem a solubilização dos nutrientes que estão no solo, ou seja, tornam as substâncias mais disponíveis para a absorção pelas raízes”, explica a pesquisadora.
Produção brasileira
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com uma produção de quase 125 mil toneladas em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse período, o valor da produção nacional saltou de R$ 1,65 bilhão (2023) para mais de R$ 3,67 bilhões (2024) — um aumento de aproximadamente 122% em apenas um ano, refletindo a forte valorização do produto no mercado.
A produção brasileira é caracterizada pela sustentabilidade e qualidade da pimenta-do-reino. Os estados do Espírito Santo e do Pará detêm, juntos, mais de 90% da safra nacional. Com produção anual de 41 mil toneladas em 2024, a produção paraense se destaca pela agricultura familiar e por processos sustentáveis de produção.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Microrganismos aliados da agricultura
As bactérias endofíticas vivem nos tecidos internos das plantas sem causar doenças e podem ser benéficas ou neutras. As benéficas desempenham papéis fundamentais para a saúde vegetal, como a produção de fitormônios (hormônios vegetais), a fixação de nitrogênio, a solubilização de nutrientes e o aumento da resistência a estresses ambientais.
Esse tipo de interação já fora observado em outras culturas agrícolas, inclusive cítricas, milho e cana-de-açúcar. No caso da pimenta-do-reino, pesquisas anteriores com espécies dos gêneros Bacillus e Pseudomonas haviam demonstrado promoção do enraizamento e aumento da produtividade. O novo estudo, no entanto, detalhou os mecanismos fisiológicos de linhagens específicas e reforçou a importância de associar biotecnologia ao manejo sustentável.
A propagação da pimenta-do-reino pode ser feita por meio de sementes ou estacas enraizadas. O primeiro modo, como explica o pesquisador Oriel Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental, exige mais tempo para o desenvolvimento da planta e não garante a manutenção dos atributos da planta-mãe, como, por exemplo, a alta produtividade. Já as estacas garantem a manutenção das características genéticas das matrizes e reduzem o tempo até a frutificação. Entretanto, a dificuldade de enraizamento compromete o pegamento e a qualidade das mudas e, por consequência, a produtividade das lavouras.
Nesse cenário, a inoculação de microrganismos benéficos surge como alternativa viável para garantir estacas mais vigorosas e uniformes, reduzindo custos de produção e aumentando o retorno financeiro aos agricultores.
“Esses resultados apontam para plantas com raízes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso é fundamental para a absorção de nutrientes do solo e consequentemente maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotossíntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. É um ciclo benéfico de desenvolvimento”, ressalta Lemos.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Regulamentação de bioinsumos abre caminho
Outro ponto relevante é que a recente Lei Federal nº 15.070/2024 trouxe mais segurança jurídica ao setor de bioinsumos no Brasil. Pela nova norma, produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus não são classificados como pesticidas e estão liberados para uso agrícola, desde que comprovada a segurança.
Para Katia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, isso significa que as linhagens identificadas no estudo poderão futuramente se transformar em produtos viáveis e acessíveis para utilização no manejo da cultura.
“A expectativa é que, além de melhorar o crescimento das mudas, esses bioinsumos possam atuar no controle de doenças comuns à pimenta-do-reino, como as causadas por Fusarium, e assim reduzir perdas e fortalecer a cadeia produtiva”, acredita Nechet.
Caminhos futuros
Os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários testes em campo para confirmar o desempenho das cepas em diferentes condições de cultivo e em maior escala. Outro passo será a avaliação desses microrganismos em diferentes variedades de pimenta-do-reino e sistemas de cultivo, como o plantio em tutor vivo de gliricídia, que substitui os postesas estacas de madeira como suporte para o crescimento da planta.
O pesquisador Oriel Lemos reforça que a produção da pimenta-do-reino no Brasil é pautada pela sustentabilidade ambiental, econômica e social. Os resultados obtidos reforçam que a biotecnologia pode ser uma aliada poderosa na agricultura familiar e na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Equipe da pesquisa
Luana Cardoso de Oliveira, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa);
Alessandra Keiko Nakasone, da Embrapa Florestas;
Sílvia Mara Coelho do Nascimento, da Universidade Federal de Lavras (UFLA);
Deyse Ribeiro Silvino de Jesus, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE);
Walkymário de Paulo Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental;
Patrícia Santana Barbosa Marinho e Andrey Moacir do Rosário Marinho, da Universidade Federal do Pará (UFPA);
Kátia de Lima Nechet e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira, da Embrapa Meio Ambiente;
e Jorge Teodoro de Souza, da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Viajar é sempre uma alegria. Conhecer novos locais e culturas, comer algo diferente, experimentar passeios divertidos. E, é claro, muitas vezes o desejo é fotografar cada detalhe para guardar a experiência. Mas nem sempre é possível ter uma câmera profissional ou contratar alguém para fazer os registros, então a solução pode estar nas suas mãos…
Quando desejar adquirir um novo smartphone, pesquise bastante, principalmente nos pontos que você mais deseja, seja para fotos, vídeos, desempenho… Vale lembrar que hoje há muitos aparelhos que tem câmeras extras, sensibilidade a luz para fotos noturnas e câmeras com lentes mais abertas, mas também tem que se pensar na quantidade de megapixels e no processamento das fotos, se é rápido ou lento.
Vamos pensar o seguinte, você acaba escolhendo um aparelho pela aparência ou pelo espaço de memória para armazenamento, mas quando vai tirar fotos, a câmera é ruim, a qualidade da foto é baixa e não tem um bom processamento da imagem, ficando uma imagem sem tanta qualidade, cor e tamanho.
Logo, tente unir, qualidade de imagem da câmera e com um bom processamento de imagem. Quando falo processamento de imagem, é quando você pega a foto, após ser feita e você sente que a foto ficou boa ao vê-la. Tente pesquisar mais sobre a câmera do celular que irá comprar.
Imagina você viajar por 10 dias, como fiz para o Salto Angel, e não ter onde salvar seus arquivos por falta de espaço? Você começa a mexer na configuração, diminuir o tamanho das fotos, perder qualidade, e quando já não tem mais jeito, você começa a apagar fotos do começo da viagem para caber mais fotos.
Aí podem vir algumas ideias: “É só levar um notebook e ir salvando as fotos”, ou então, “é só ir subindo para a nuvem”. Bom, seria fácil se não fosse difícil, por alguns motivos: levar um notebook iria colocar mais peso nas duas mochilas que eu já levava e, como estávamos viajando muito de barco e em região de chuva, poderia acabar molhando e perdendo o equipamento, ou até mesmo o barco virar e eu perder o notebook.
Já sobre a nuvem, foram 10 dias viajando de comunidade indígena a comunidade indígena, lugares que a única comunicação que existia eram rádios entre as comunidades.
Assim, se faltar espaço no celular, como fará para fazer mais fotos? Além de escolher um celular com uma boa câmera, escolha um que tenha um bom espaço para armazenamento (falaremos mais à frente sobre isso). E sim, existem telefones que fazem boas fotos de todas as marcas disponíveis no mercado. Então vale a pena dar uma pesquisada mais a fundo.
Foto: Thiago Silva
2. Mochila mais leve
Quando você pensa em viajar, sempre vem à cabeça o que levar, e daí começam as perguntas: levo câmera fotográfica? Levo notebook para armazenamento das fotos/vídeos feitos diariamente? Um drone e uma gopro?Levo uns bastões, um dome (uma bolha transparente para fotografar metade dentro da água e metade fora)? Tripé, microfone…
Primeira coisa que temos que ter em mente é: o que iremos fazer na viagem? Curtir a viagem, produzir material para a internet, registrar tudo o que vemos… Será que tudo isso você já não tem no celular?
Bom, hoje em dia os celulares já tem bastante qualidade de imagem e já existem celulares até com o mais comum 4x de zoom, outros que ampliaram para 10x e há agora alguns com 100x ou mais de zoom. O que já diminuiria só aí, câmera, lente e até mesmo os tripés para estabilizar a câmera na hora da foto.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Outra situação é que há muitos aparelhos que já vem com bastante espaço em memória de armazenamento, o que já ajuda em guardar as fotos e vídeos que fez, e caso seja pouco, há celular com a opção de colocar um cartão de memória maior e há a opção da nuvem, onde poderá armazenar suas informações de forma virtual. Com isso, você já evitará de levar o notebook ou até mesmo HD’s externos (sempre levo pelo menos um de 1TB, e onde chego se tiver computador peço para utilizar e já salvo as fotos/vídeos), diminuindo ainda mais o peso da mochila.
Outra situação: os celulares hoje já tem aplicativos para filmes (inclusive download dos mesmos). Já tem aplicativos de música, que dependendo do seu pacote, você pode baixar as músicas e até mesmo aplicativos de livros, reduzindo a necessidade de levar mais coisas que podem ajudar à distrair durante a viagem.
Observe que só foram algumas coisas que colocamos aqui, por que hoje em dia você pode fazer praticamente tudo com o celular: como até mesmo o check-in de suas viagens, evitando a impressão e até mesmo a perda de seus bilhetes de passagens.
Jogos, aplicativos de edição de fotos e vídeos, aplicativos de bancos, de localização, de solicitação de transporte e de alimentos. Um único aparelho pode deixar a mochila mais leve na viagem.
3. Enquadramento e regra dos terços
O que faz uma foto ser atrativa ou interessante? Um bom enquadramento/composição pode fazer isso, então aqui vão algumas dicas para você começar a se diferenciar nas suas próximas fotos feitas de celular.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Estas dicas se baseiam no uso de três simples regras de composição:
Regra dos Terços
Consiste em você colocar os objetos de interesse (pessoas, objetos, arvores, etc) da sua foto em uma das quatro interseções das linhas, atraindo a atenção para o seu objeto. Também pode usar as linhas para administrar o espaço ocupado de cada coisa na sua foto.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Simetria
A simetria é uma das regras que acho mais fácil de usar, e rende fotos muito boas quando fizer fotos horizontais. Basicamente simetria é a divisão do plano em duas partes iguais, por exemplo: quando fotografar uma cachoeira na vertical use a simetria, deixando a queda de água exatamente no meio, ou também quando fotografar uma montanha, deixe o pico da mesma no meio, e verá como tudo fica em harmonia e visivelmente agradável.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Linhas Guias
Esta técnica é bem simples, mas que pode passar desapercebida por nossa falta de atenção na hora de fazer uma foto, direciona o olhar através das linhas para o seu objeto na foto, rende uma bela foto se tirarmos proveito dela.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Treine antes de viajar
Não espere chegar na viagem para pensar em que tipo de foto irá fazer, é sempre bom antes dar uma pesquisada em fotos feitas no local que você irá visitar, baixar algumas ideias para o celular, guardar numa pasta e usar nos testes, antes de viajar, porque com o treino você vai ficando melhor na pose e na hora que chegar lá, irá lembrar de várias.
4. Como pesquisar
Pesquise em sites de busca por locais que irá viajar, e assim irá aparecer várias fotos daquele determinado lugar, escolha as que mais te chamaram a atenção e as guarde, para seus ensaios.
Outra forma de achar também é em aplicativos com o Facebook e o Instagram, pelas # (hashtags), isso mesmo – #chapadadiamantina, #fernandodenoronha, #atacama. Nessas tags você irá encontrar muitas fotos do lugar pesquisado, inclusive muitas bem criativas, o que irá ajudar muito na sua escolha do que e como fotografar por lá.
Todas as vezes que viajo para qualquer lugar, eu pesquiso sobre aquela região, o que quero fazer e já aproveito para ver fotos de outros viajantes, poses, melhores horários para as fotos e aproveito também para construir as minhas e pensar em poses que poderei fazer ali.
5. Busque ângulos novos e diferentes
Geralmente as fotos mais chamativas, engraçadas ou que engajam mais nas redes sociais, são aquelas fotos diferentes, com outros ângulos, podem ser até no mesmo local que todos fazem, mas com outro olhar, o que fará que sua foto chame muito a atenção.
A exemplo da foto abaixo, onde fui numa lagoa aqui perto de Boa Vista (RR), e sempre via a galera fazendo fotos do mesmo tipo ali, a única coisa que fiz diferente foi colocar as botas distantes de mim, amarrei os cadarços e fiz de conta que estava caminhando por cima da linha, mas pra isso o celular tinha que ficar bem próximo à bota para dar uma impressão maior do cordão.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Já na foto abaixo, aparenta que estou subindo, ou me segurando para não cair, o que na verdade era que eu estava deitado no chão, segurando entre as frestas da ponte, depois virei a foto e pronto, deu este efeito.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Na foto abaixo, brincamos com silhuetas, fazendo a foto contra o sol, ao fazer isso o celular tentará deixar as pessoas mais claras, basta clicar na parte mais clara da foto, ou seja, no sol, que escurecerá bastante a foto criando este efeito de sombras. Já para pegar as pessoas pulando, segurei no botão de fotografar, até que foram feitas várias fotos e eu pude escolher a que mais gostei.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
A foto abaixo já é padrão de todos que viajam para lugares lindos e acampam ali. No caso, a pessoa que fez a foto (cedida pela Clube Native) apenas abriu a porta da barraca, e fotografou o Monte Kukenan, que convenhamos, é lindo demais. A foto pode ser feita por celular, câmera e GoPro.
Foto: Clube Native
E quem não gosta de brincar com a lua ou o sol em suas fotos? Bom, na foto abaixo, coloquei nossa amiga mochileira para beijar a lua em cima do Monte Roraima. Você pede para a pessoa ficar numa determinada posição, e vai mexendo com o celular até ver que a foto ficou na posição certa.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Uma das fotos que mais gosto de fazer são das botas ou sandálias, pois gosto de mostrar por onde andei, por onde passei com elas, o que enfrentei, e o quanto elas me ajudaram no percurso.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
A foto abaixo é de nossa amiga Dayana Souza, do blog Seguindo Viagem, que foi feita de forma de disparo contínuo. O que seria isso? Basta segurar o botão de foto e mandar a pessoas fazer uma determinada ação, seja pular, mergulhar, saltar, se jogar de algum modo, e fazer fotos como esta, onde ela coloca o cabelo todo dentro da água na frente dela, e na hora do ‘já’, ela puxa o cabelo sentido pras costas dela, e como você está segurando o botão de fotos, acaba fazendo várias fotos e assim, ao final, você escolhe a que melhor lhe agrada.
Foto: Dayana Souza/Seguindo Viagem
Colocar-se pequeno diante da natureza é outro tipo de foto que gosto de fazer, para isso peço para a pessoa ir o mais longe possível de mim e o mais próximo do que quero mostrar, no caso da foto abaixo, eu queria mostrar a imensidão do monte Kukenan, e o quanto somos pequenos.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
E por final, outra brincadeira que mais gosto de fazer, que é a foto panorâmica. A foto abaixo não é recorte, é uma só foto, onde o nosso guia pediu a primeira pose, ele movia um pouco a câmera, e nós corríamos em direção oposta ao que ele girava a câmera e fazíamos em seguida a próxima pose, até fazer todas as três poses e ele finalizar a foto.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
6. Acessórios que podem ajudar
Tripé, bastão/”pau de selfie”, ring light ou lanternas e microfone (direcional) e suporte. Esses são alguns acessórios possíveis de levar para produzir fotos e vídeos nas viagens, mas lembrando que depende do objetivo e do conhecimento.
Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
7. Na hora da foto
Primeira dica para você na hora da foto é: limpe a lente da câmera, seja do celular ou da GoPro, ou até mesmo da fotográfica, porque se ela estiver manchada, seja por respingos de água, seja por gordura do rosto ou das mãos, até por areia ou barro, irão deixar a foto embaçada.
Outra dica muito importante é você procurar um local com uma boa iluminação. A boa iluminação não é muita luz do sol, até uma sombra poderá fazer com que você faça uma foto sem careta, sem fechar os olhos por conta do sol que está muito forte.
Ao colocar seu celular num tripé, por exemplo, você poderá usar tanto o disparador temporal do celular (aquele que fica em contagem regressiva até disparar a foto), ou usar um controle bluetooth, que você pode tirar fotos à distância.
E, como você já praticou e tem os acessórios, agora é a hora do “vamos ver”. Coloque seu equipamento na posição e faça a foto que você tanto deseja. Mas não esqueça: procure sempre novos ângulos, tente sempre novos estilos de fotos!
8. Edição rápida pelo próprio celular e facilidade em compartilhar
Aplicativos para edição
⁃ LIGHTROOM: o mais comum e uns dos melhores sem dúvida é o Lightroom. Existe a versão gratuita para celular e também tem a paga que permite você usar uns ajustes a mais, como pincéis de correção localizada e remoções.
⁃ SNAPSEED: este app te permite fazer as mesmas coisas que no Lightroom, mas a sua interface é bem diferente, é bem fácil de usar, e o melhor é que proporciona uma ferramenta chamada band-aid, com ela você pode fazer pequenos ajustes na sua pele em casos de editar uma selfie por exemplo, remover coisas que distraem na sua foto (mas coisas bem pequenas). Não é 100%, mas ajuda muito. Aprendendo a usar, você vai tirar muito proveito, com certeza.
E o que é a edição?
Edição em termos básicos é a correção de cores e alguns detalhes que a câmera do seu celular (ou câmera DSLR, por exemplo) não consegue capturar com tanta perfeição, por isso faz-se necessário dar um “tapinha” na foto para deixá-la ainda mais impactante e bonita.
⁃ Ajuste a temperatura: aqui você deve encontrar o equilíbrio entre o preto e o branco, ambos devem ficar com suas cores autênticas, não podendo ser um branco que tende para amarelo, ou azul, rosa por exemplo, da mesma forma com o preto que deve ficar preto autêntico.
⁃ Ajuste a luz: Contraste básico é a parte onde você corrige áreas de sombra, diminui iluminação onde tem muita. Isto combinado traz contraste para sua foto e equilíbrio na luz, revelando também aquilo que estava escondido na sombra, pois as câmeras, seja de celular ou DSLR, não têm a capacidade de capturar uma cena como a vemos com os nossos olhos.
⁃ Vibração: acho que esta é a parte que mais vai gostar, pois é a parte onde você agrega cor na foto, mas exige cuidado para não exagerar. Aqui a dica é usar o bom senso já que isto em vez de melhorar pode acabar estragando a foto, por isso use valores de 25 a 45, no máximo.
⁃ Nitidez: por último aplique nitidez e cuidado para não extrapolar, use valores até 20 e o raio até 12.
Formas de compartilhar
Depois de editar a foto, você pode exportá-la para sua galeria. Agora está tudo pronto para postar em sua rede social favorita, tendo atenção ao formato, vertical ou horizontal, para melhor expor.
9. Onde salvar
Agora, depois que você tirou sua foto, precisa saber onde irá guardar. Pelo básico, o celular já guarda automaticamente na memória interna. Mas você pode salvar em outros lugares as fotos que estiver tirando durante a viagem.
Há celulares que possibilitam o uso de um cartão de memória para aumentar o armazenamento interno, o que já ajuda bastante, principalmente em viagens longas. Eu, sempre antes de viajar, salvo todas as fotos para o computador, formato ele, deixando ele com o máximo de espaço livre para poder aproveitar ao máximo tirando novas fotos e fazendo novos vídeos.
Mas e se seu celular não permitir que você coloque um cartão de memória para ajudar no armazenamento você pode optar por fazer backups diários na nuvem ou levar um notebook junto para ir passando as fotos que fez durante o dia e, assim, liberar mais espaço para o próximo dia. Ah, não esqueça de conferir se as fotos/vídeos estão mesmo salvas no notebook ou da nuvem antes de apagar de seu celular!
Conheço algumas pessoas que acabam criando várias contas gratuitas a cada necessidade de exportar as fotos e os vídeos para a nuvem, podendo adicionar em todos a mesma senha e anotar os endereços das suas contas no celular ou num caderninho para lembrar depois. Mas isso vai de pessoa pra pessoa. Eu preferi optar por um plano pago, pois supre as minhas necessidades e não corre o risco de eu acabar esquecendo o login ou a senha que criei.
10. Teste, teste, teste
Segure o celular com as duas mãos na hora de tirar a foto, para evitar uma foto tremida, caso você tenha pouca iluminação;
Busque utilizar o foco manual, ao clicar na tela, para ajustar o foco no objeto ou pessoa que deseja fotografar;
Só use o zoom do celular quando não tiver lentes de aproximação, pois ele deixa a foto pixelada e distorce a imagem (caso seu celular não seja dos novos com um bom zoom ou uma grande quantidade de megapixel). Você deve se aproximar ou se afastar ao objeto;
Teste o modo HDR (alta resolução), pois este modo tira três fotos com diferentes níveis de exposição. Ah, vale lembrar que esse tipo de foto demora alguns milésimos de segundos, então realmente é testar e ver se servem para o que você deseja;
Faça testes em aumentar ou diminuir a entrada de luz na sua câmera: toque no foco e arraste o desenho (sol ou lâmpada) que aparece, se for pra baixo vai escurecer, se for pra cima, irá clarear.
Gildo Júnior é fotógrafo, videomaker, aventureiro e colecionador de roteiros no Bora de Trip e colunista no Portal Amazônia. Para o servidor público federal, “o mundo é imenso, repleto de lugares para conhecer, de coisas para fazer, de culturas para admirar, comidas para provar e pessoas para conhecer”.
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá oferece serviços para a cadeia produtiva do cacau, com certificação da qualidade do produto a partir de características como sabor, aroma, cor e textura. O atendimento é feito pelo Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), da Universidade Federal do Pará (UFPA), que é residente do complexo.
O Pará é o maior produtor de cacau do País, sendo responsável por mais de 51% do total de amêndoas produzidas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário reforça a importância dos serviços e do suporte técnico e científico oferecidos no PCT Guamá. O Cvacba recebe amêndoas de produtores de diversas localidades paraenses para avaliações que determinam se a matéria-prima é segura para a produção de chocolate.
O pesquisador do centro, Hervé Rogez, destaca que o laboratório atua em parceria com empresas, associações e produtores na resolução de problemas.
“A gente traz o problema para o laboratório e desenvolve uma solução. É um desafio, por exemplo, lidar com diferentes graus de fermentação das amêndoas de cacau. Como é impossível, a olho humano, identificar se uma amêndoa é bem fermentada ou não, desenvolvemos um método rápido que, com um tipo de câmera especial, permite visualizar o interior das amêndoas sem precisar abri-las e já saber se foram corretamente fermentadas, mal fermentadas ou não fermentadas. Esses são exemplos do desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas ao setor privado”, explica.
Foto: Divulgação/PCT Guamá
Análises do cacau e outros serviços
Além das análises em cacau, o residente do PCT Guamá atua com serviços que possibilitam o controle de qualidade de produtos de origem vegetal nas áreas de ciência e tecnologia de alimentos, farmacêutica, química, biotecnologia e cosmetologia, entre outras. Também desenvolve conhecimento tecnológico no setor de ingredientes nutricionais e bioativos.
O laboratório desenvolve pesquisas para auxiliar produtores do Estado. Um dos trabalhos é o de Giulia Lima, que avaliou a quantidade de compostos benéficos presentes no cacau e em seus subprodutos, como chocolate, manteiga e chás, entre outros. A pesquisadora destaca que o fruto possui diversos compostos bioativos com benefícios para o organismo e que, para produzir, por exemplo, um chocolate que ajude a prevenir o envelhecimento precoce, é importante escolher amêndoas de maior qualidade e com maior concentração desses compostos.
“Nessa época em que todos falam de chocolate, é importante lembrar que, aqui no PCT Guamá, temos um laboratório especialista em cacau. Trabalhamos avaliando as amêndoas provenientes dos produtores e conseguimos analisar características de qualidade, como a quantidade de manteiga de cacau. Também desenvolvemos pesquisas inovadoras que permitem avaliar os compostos bioativos do cacau, que podem trazer benefícios à saúde, como atividades anti-inflamatórias e antioxidantes”, diz.
“O papel do Cvacba é apoiar os produtores nas análises e contribuir para a geração de novos produtos a partir do cacau e de seus subprodutos. Também trabalhamos com a casca do fruto, a casca da amêndoa e outros tipos de resíduos, estimulando a bioeconomia do nosso Estado e valorizando a biodiversidade”, complementa.
Para conhecer os serviços ou visitar o Cvacba, entre em contato com a equipe técnica da Fundação Guamá, instituição responsável pela gestão do PCT Guamá. O atendimento é feito por meio do e-mail: servicos@fundacaoguama.org.br ou pelo telefone (91) 3321-8900.
O recheio do ovo de Páscoa é de pistache, sabor que se tornou o carro-chefe da confeitaria. Foto: Reprodução/Flakes Brazil
Um empresário de Rondônia ganhou destaque nas redes sociais ao produzir um ovo de Páscoa gigante de 52 quilos. Avaliado em cerca de R$ 35 mil, o doce leva aproximadamente quatro dias para ser concluído.
O recheio é de pistache, sabor que se tornou o carro-chefe da confeitaria Flakes. A casca utiliza cerca de 20 quilos de chocolate, enquanto o interior soma 30 quilos de brigadeiro e creme de pistache, além de camadas crocantes.
Além do ovo de Páscoa, confeitaria aposta em produtos gigantes
A criação é de Leonardo Borges, que possui confeitarias em Porto Velho e São Paulo. A ideia de investir em produtos de grande porte surgiu no Natal de 2023, quando a confeitaria lançou panetones gigantes e percebeu a procura por itens exclusivos e de alto valor agregado.
Desde então, a proposta foi expandida para outras datas comemorativas, como a Páscoa. Segundo Borges, os doces gigantes são pensados para consumo coletivo, especialmente entre famílias e empresas.
Apesar da repercussão, esses produtos representam uma parcela menor das vendas. Os ovos tradicionais custam a partir de R$ 140, enquanto versões maiores, com cerca de 8 quilos, podem chegar a R$ 5 mil.
O processo de produção é totalmente artesanal e envolve etapas como a preparação do molde, a temperagem do chocolate e o descanso entre as camadas, motivo pelo qual os itens são feitos apenas sob encomenda.
Investigação envolveu a colaboração de pesquisadores da Unesp, da Embrapa e das universidades federais de Rondônia e do Amazonas. Fotos: Edilaine Istéfani Franklin Traspadini
O chocolate produzido na Amazônia é reconhecido internacionalmente por seu sabor único. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que ele pode ganhar ainda mais valor. A análise indica que práticas de pós-colheita, como a fermentação das amêndoas da fruta, aliadas à escolha adequada do cultivar podem unir qualidade nutricional e sabor ao chocolate, ampliando o potencial de mercado do produto.
“Diferente da soja, do milho e do trigo, que são pagos pela quantidade, o cacau é um dos poucos produtos agrícolas que é muito mais remunerado pela qualidade. Nesse estudo vimos que é possível que o cacau amazônico ganhe nessas duas vertentes. Por isso, no estudo, selecionamos o melhor cultivar e as melhores formas de pós-produção para obter qualidade nutricional e de sabor”, afirma Renato de Mello Prado, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal, que coordenou a pesquisa.
O estudo, apoiado pela FAPESP, foi realizado na Estação Experimental Frederico Afonso, pertencente à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Rondônia, onde os pesquisadores avaliaram nove clones de cacau sob dois sistemas de pós-colheita: grãos fermentados, como no processo tradicional de chocolate, e grãos pré-secos, sem fermentação.
A investigação envolveu a colaboração de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa de Porto Velho), Universidade Federal de Rondônia (Unir, campus Rolim de Moura) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam, campus Humaitá).
“A fermentação é um processo importante na produção do chocolate. Sem ela, a amêndoa não desenvolve a cor e o aroma que conhecemos, mas há um custo nutricional importante nesse processo”, conta Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, bolsista de pós-doutorado da FAPESP.
“Por isso, sugerimos a criação de blends que combinem grãos fermentados e não fermentados, como uma estratégia para equilibrar o sabor e o valor nutricional. Essa estratégia pode aumentar o valor do cacau amazônico no mercado de chocolates, seguindo uma abordagem bem parecida com o que tem sido feito no setor de café”, diz.
Os resultados mostraram que a fermentação das amêndoas de cacau reduz mais de 95% dos açúcares e quase 50% dos taninos (responsáveis pelo sabor adstringente), além de diminuir compostos fenólicos e antocianinas (antioxidantes naturais), enquanto aumenta aminoácidos, atividade de enzimas antioxidantes e minerais como potássio e magnésio. Já o cacau não fermentado retém níveis significativamente maiores de minerais como o fósforo e o cálcio, elementos fundamentais para a saúde óssea e cardiovascular.
“Por isso defendemos a necessidade de uma combinação entre uma base fermentada para dar a cor marrom e a textura aveludada, enquanto uma porcentagem de amêndoas não fermentadas entraria como uma injeção de antioxidantes e minerais, criando o equilíbrio entre sabor e saúde”, conta.
Pela primeira vez, foi identificada a presença de glicina betaína e prolina nas amêndoas. Essas moléculas têm o papel de defender a planta contra o estresse oxidativo no campo e servem como um antioxidante poderoso para o corpo humano. “Elas funcionam como verdadeiros protetores celulares, o que pode transformar o cacau amazônico em um superalimento”, destaca Mello.
A análise também mostrou variação entre os cultivares estudados. O clone CCN 51 apresentou um perfil equilibrado, independente se fermentado ou não fermentado. Já o clone EEOP 63 se destacou pela maior produtividade, e o EEOP 96 manteve altos teores de fenólicos e antocianinas quando os grãos não eram fermentados, sugerindo maior vocação para produtos alternativos ao chocolate tradicional, como nibs, ingredientes de bebidas e snacks saudáveis.
“Não é que exista um único clone ideal que deve ser difundido na região. Pelo contrário, o interesse está em combinar diferentes blends para cada finalidade. Por isso a importância desse estudo sobre seleção genética e manejo pós-colheita entre produtores amazônidas de cacau”, finaliza Traspadini.
O artigo Fermentation and clone selection modulate the biochemical and nutritional profile of cocoa beans grown in the southwestern Amazon pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-025-27795-z.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Maria Fernanda Ziegler
O registro da onça foi feito no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho. Foto: Reprodução/Instagram-fabio_baca
Essa é mais uma daquelas histórias de pescador que parecem invenção, mas dessa vez tem prova em vídeo. O pescador Fábio Baca registrou uma cena surpreendente: uma onça-pintada aparece bem de perto nas imagens, mexendo e até mordendo a câmera instalada no caminho da pescaria. O registro foi feito no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho, e chamou atenção nas redes sociais:
Ao Grupo Rede Amazônica, Fábio contou que colocou a câmera para observar os animais que circulam perto do lago onde costuma pescar. O que ele não esperava era descobrir que uma onça-pintada também passava por ali. Quando voltou, percebeu algo estranho: o pote onde a câmera estava guardada aparecia mordido e arranhado. A confirmação só veio depois, ao assistir às imagens já em casa.
“Quando fui buscar, o potinho da câmera estava mordido, mas eu não tinha percebido na hora. Eu fui para casa e quando eu olhei as imagens que eu vi. Que a onça tinha visto tinha mordido a câmera enfim ela fica dentro de um pote de sorvete para evitar que a água da chuva caia diretamente sobre ela e aí esse pote de sorvete estava todo arranhado tinha marca de unha e marca de dente”, explicou.
Segundo ele, a onça provavelmente sentiu o cheiro e ficou curiosa com aquele objeto diferente em seu território, se aproximando para investigar. O que mais impressionou o pescador foi o fato de o local não ser tão isolado quanto se imagina.
“O ponto curioso é que é um não é um local desabitado assim é um fragmento florestal pequeno bem pequeno, eu não imaginava que teria uma onça ali numa um fragmento tão pequeno e tão próximo de casos de fazendas. Então é uma mensagem de que tem muito mais do que a gente imagina em locais é que a gente sequer pensa que poderia ter não”, disse.
Foto: Reprodução/Instagram-fabio_baca
Não foi a primeira onça no caminho do pescador
Essa não foi a primeira surpresa do tipo. Fábio já havia registrado, anteriormente, uma onça-parda na mesma região, que também demonstrou incômodo com a presença da câmera. Agora, ao retornar ao local, acabou tendo um encontro ainda mais raro, mesmo que só pelas imagens.
“A reação foi uma reação de entusiasmo, porque é uma filmagem muito difícil de ser vista, tenho conhecidos que tem mais de dez câmeras que filmam há muitos anos e ainda não conseguiram fazer o registro da onça, e eu ali era a terceira vez que ela armava a câmera e a segunda onça que eu registro”, disse.
Mesmo depois de encontrar duas onças, ele diz que vai continuar frequentando o local.
“Se eu vou ter coragem de voltar lá? Sim, inclusive já voltei e já armei a câmera lá de novo, mas não consegui registrar a onça de novo, mas enquanto a gente estava lá retirando a câmera que a gente armou, quando a gente foi retirar a câmera a gente escutou ela esturrando, então a gente pegou a câmera, tava eu e um amigo, a gente pegou a câmera e saiu embora”, afirmou.
O Palacete Provincial, em Manaus (AM), recebeu o ato que formalizou a entrega do pedido de registro do Beiradão como patrimônio cultural imaterial brasileiro ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no dia 31 de março. A ação foi realizada pelo Instituto Beiradão do Amazonas e reuniu artistas, representantes do poder público e apoiadores da cultura popular amazônica.
A iniciativa dialoga com ações já desenvolvidas pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, que apoia o fortalecimento do Beiradão enquanto expressão cultural viva no estado.
Durante o evento, também foi lançado o DVD do 1º Festival do Beiradão do Amazonas, reunindo registros de apresentações e manifestações que evidenciam a força do movimento cultural no estado. A programação marcou um momento simbólico para os chamados “beiradeiros” e para a consolidação de políticas públicas de valorização da cultura ribeirinha.
Mais do que um gênero musical, o Beiradão foi destacado ao longo do encontro como um complexo cultural que envolve práticas como dança, religiosidade, festejos comunitários, futebol, culinária e saberes tradicionais, presentes no cotidiano das populações ribeirinhas.
Foto: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa
Beiradão é símbolo da cultura regional
Presidente de honra do Instituto, Hadail Mesquita ressaltou o caráter histórico do momento e a construção coletiva que levou à formalização do pedido.
“Hoje é um dia histórico, não só para o Beiradão, mas para a cultura do nosso estado. A gente já vem nessa construção há anos. Agora, com esse trabalho, a gente dá entrada no inventário para que o Beiradão se torne patrimônio nacional. É uma vitória dos beiradeiros e dos amazonenses”, afirmou Hadail Mesquita.
O processo de solicitação foi acompanhado da entrega de listas de assinaturas reunidas ao longo de diferentes ações, como o Festival do Beiradão e atividades realizadas em parceria com instituições como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O material será encaminhado para análise técnica, dando início à construção do dossiê de registro.
A superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiros, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento de políticas públicas culturais.
“Esse é um processo importante porque, além do reconhecimento, ele contribui para a construção de políticas públicas, com orçamento e direcionamento, garantindo que esse bem continue existindo para as próximas gerações”, explicou.
O evento também relembrou avanços já conquistados, como o reconhecimento da manifestação cultural como patrimônio cultural imaterial do Amazonas e a criação do Dia Estadual do Beiradão, celebrado em 3 de outubro.
Com a mobilização de artistas, instituições e do público, o movimento agora avança para uma nova etapa, buscando ampliar o reconhecimento e a preservação de uma das manifestações mais representativas da identidade cultural amazônica.
O Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira, localizado no final da Avenida Prefeito Francisco Chiquilito Erse (antiga Rio Madeira), a cerca de 15 quilômetros do centro de Porto Velho, em Rondônia, é um espaço de natureza preservada que reúne mais de 390 hectares de floresta amazônica. O parque oferece contato direto com a biodiversidade e atividades para todas as idades, com opções de lazer e educação ambiental.
Criado pelo Decreto Municipal nº 3.816, em 1989, na área do antigo Projeto Fundiário Alto Madeira, o espaço passou a receber oficialmente o nome atual em 2019, após aprovação da Lei nº 2.623 pela Câmara Municipal.
O parque é administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) e desempenha papel fundamental na conservação ambiental e na promoção de práticas sustentáveis.
Contato com a natureza e atividades ao ar livre
Entre os principais atrativos do parque natural estão as trilhas ecológicas, como a trilha a pé e a trilha suspensa, que permitem uma imersão na floresta amazônica. Além disso, o espaço conta com áreas de convivência que incluem playground coberto, espaço para piqueniques, tirolesa, internet gratuita e pontos de água potável.
De acordo com a prefeitura de Porto Velho, a trilha a pé possui cerca de 3 quilômetros de extensão, e é realizada aos finais de semana e feriados, com acompanhamento de agentes ambientais, em grupos limitados de 30 pessoas, que recebem orientações e equipamentos de segurança antes do percurso.
Já a trilha suspensa, possui aproximadamente 900 metros de extensão, e é elevada em meio à vegetação, proporcionando uma caminhada segura e uma visão diferenciada da floresta.
Safari ecológico
O Safari Ecológico também é uma das principais atividades realizadas dentro do parque natural. O passeio é feito em veículos UTV (Utility Task Vehicle), e oferece uma experiência de contato direto com a biodiversidade local.
Realizada de forma gratuita, a trilha acontece normalmente aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h, com passeios de 15 à 20 minutos conduzidos por guias treinados que repassam informações sobre o ambiente natural. É necessário confirmar se o serviço está disponível de acordo com a temporada.
Foto: Jhon Silva/Prefeitura de Porto Velho
Educação ambiental e acervo biológico
Ainda de acordo com a prefeitura de Porto Velho, o Museu do Acervo Biológico se destaca por seu viés educativo, reunindo mais de 150 itens entre espécies da fauna amazônica preservadas por técnicas de taxidermia e conservação úmida.
Viveiro municipal incentiva preservação
Outro destaque é o viveiro municipal, que abriga cerca de 26 mil mudas de mais de 70 espécies nativas e frutíferas da Amazônia, como o açaí, a acerola, o cupuaçu e o jambo.
Os visitantes podem retirar gratuitamente até 50 mudas por CPF, mediante cadastro, como forma de incentivar o plantio e a preservação ambiental dentro e fora do parque, segundo a gestão municipal.
Viveiro do Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira. Foto: Jhon Silva/Prefeitura de Porto Velho
Funcionamento e acesso ao parque
O parque está aberto para visitação pública de terça-feira a domingo, das 8h às 17h, incluindo feriados, e a entrada é gratuita. Segundo a prefeitura da cidade, o Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira é um dos principais patrimônios naturais de Porto Velho.
Fotos: Reprodução/Spotify Boi Bumbá Caprichoso e Boi Bumbá Garantido
Com ‘Brinquedo que canta seu chão’ e ‘Parintins: Portal do Encantamento’, os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, respectivamente, começam a temporada bovina de 2026 lançando as toadas que vão embalar a competição do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.
O boi Caprichoso já lançou sete músicas do álbum desde o início de março e, agora, tem lançado as coreografias para elas.
Já o boi Garantido lançou o álbum completo, com 18 músicas. Além do recém-lançado álbum, o boi realiza um evento na Cidade Garantido, em Parintins, para a divulgação das toadas, além do anúncio da nova Sinhazinha da Fazenda.