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“Pagamos um preço caro por preservar nossas florestas”, afirma senador do Acre

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O senador da República pelo estado do Acre, Sérgio Petecão (PSD), afirmou, em relação ao alto custo do preço de passagens aéreas na Amazônia, que os amazônidas pagam um “preço caro” por preservar as florestas. O parlamentar explica que, por não abrir estradas que ligam os estados da Amazônia ao restante do Brasil, as pessoas que vivem na Amazônia tem pagado preços altos em passagens aéreas.

“Nós pagamos um preço caro por preservar as nossas florestas. Nós temos muitas família que moram ao longo dos rios, dos igarapés, que não tem oportunidade nenhuma. E um cara que tá doente em Cruzeiro do Sul, por exemplo, como é que ele vai pagar uma passagem aérea? Nós temos a BR-364 que essa época está intrafegável, quando estamos no inverno amazônico. Então não temos que fazer uma conta, é algo tão simples. Chega a nos irritar porque não estamos falando de uma coisa que surgiu nessa semana e que tá todo mundo estudando. Isso é o básico. As pessoas querem ter o direito de ir e vir que a nossa constituição já garante isso”, afirma.

O parlamentar é um dos convidados do programa Entrevistas, do canal Amazon Sat. O programa reuniu ainda o professor de Sistemas de Transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Augusto Rocha, e o deputado federal pelo Amazonas Sidney Leite (PSD).

“Nós ficamos sempre em último lugar”, afirma Sidney Leite

O deputado federal Sidney Leite também aproveitou o momento e criticou a atenção do executivo para com assuntos relacionados a Amazônia. Para Leite, quando se fala em Amazônia é algo de orgulho mas ao seu ver o poder público sempre deixa os assuntos da região no que ele classificou como “em último lugar”.

“Todo mundo enche a boca para falar de Amazônia. Mas na hora de cuidar e de garantir investimentos a história é outra. Nós ficamos sempre em último lugar, inclusive em pesquisas. Porque a pesquisa no Brasil, cerca de 80% é financiada pelo poder público e nós estamos lá no final da fila. Nós temos grandes desafios na Amazônia mas enquanto o governo central não olhar e não enfrentar essa desigualdade, respeitando inclusive o custo amazônico, da logística, pelas dificuldades e pela distância, nós vamos continuar padecendo”, declarou. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

“Há uma necessidade urgente de ampliar os investimentos nos aeródromos da região”, afirma Sidney Leite

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) afirmou que os aeródromos de cidades na Amazônia precisam de mais infraestrutura. A afirmação vem diante de uma pauta sobre um conjunto de projetos de leis de parlamentares de estados da Amazônia que desenvolveram um único texto que propõe a mudança da legislação sobre a concessão de tráfego aéreo a fim de aumentar a quantidade de voos e diminuir o custo das passagens aéreas na região Amazônica.

O parlamentar foi um dos que contribuíram ao debate no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat. Além de Sidney Leite, também participou o senador Sérgio Petecão (PSD-ACRE) e o professor de sistemas de transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Augusto Rocha.

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“A gente carece muito de infraestrutura portuária. Vou dar um exemplo: O estado do Amazonas é o maior estado da Federação e tirando Manaus nós só temos três aeroportos com balizamento noturno. Isso é um absurdo! Porque isso inviabiliza e só permite operar dez, onze horas, durante o dia. Tem que poder operar vinte e quatro horas. E esse aeroportos não funcionam integralmente a noite, tem toda uma burocracia, dependendo da concessionária, que administra esse aeroporto, de autorizar ou não. Até recentemente esse foi um pleito da bancada do norte”, disse Leite.

“Você pega por exemplo a cidade de Cruzeiro do Sul, no estado do senador Petecão, que é uma cidade importante, tendo um aeroporto importante para toda a região da calha do Juruá, onde não se conseguia pousar por instrumento. Então há uma necessidade urgente de ampliar os investimentos nos aeródromos, em toda a região, para tirar a nossa população do isolamento”, completou.

Sugestão de mudança de gestão

Sidney Leite afirmou ainda que também tem um projeto de lei que autoriza a mudança da gestão dos aeroportos pelos estados da Federação, para as prefeituras. Segundo o parlamentar isso facilitaria a gestão de aeroportos de cidades do interior.

“A gestão desses aeroportos está sobre a competência do estado. Mas os estados não vivem o cotidiano da população na grande maioria dos municípios da Amazônia. E esse projeto permite que o município que tiver interesse possa fazer a gestão. Porque muitos desses aeroportos são deficitários”.

Leia também: “Nós pagamos um preço altíssimo por morar na Amazônia”, afirma Sérgio Petecão sobre preço das passagens aéreas

Ainda segundo o deputado federal, cidades do Amazonas tem sofrido com uma gestão mais afínqua nos seus aeroportos. Ele cita cidades como Parintins e Carauari como municípios que tem sofrido danos econômicos por conta da falta de infraestrutura aeroportuária.

“O Governo Federal através do Ministério de Portos e Aeroportos lançou um programa que até agora não vimos o resultado, infelizmente. Nós tinhamos aprovado aqui um PL de uma concessão patrocinada para a gente resolver gargalos e isso influencia diretamente na economia. Por exemplo, o município de Parintins no Baixo Amazonas, estamos prejudicados quanto ao Festival de Parintins porque o aeroporto de lá não tem condições de receber grandes aeronaves”, exemplificou. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

El Niño 2026: boletim conjunto aponta potenciais impactos e orientações sobre o fenômeno climático

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Documento foi feito em conjunto com diversos órgãos e entidades para recomendar ações, prevenções e medidas sobre eventuais impactos do El Niño. Foto: Divulgação Ascom/Cemaden

Em atuação conjunta, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) lançaram o primeiro boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027.

Boletim el nino
Boletim El Niño

O objetivo do documento é apresentar o monitoramento e previsões sobre o fenômeno El Niño em 2026 e 2027, bem como informar sobre possíveis impactos.

Em junho de 2026 foi confirmada a configuração do El Niño. Os modelos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno até, pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, quando as anomalias/desvios de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial ficam acima de 2,0°C, entre a primavera e o verão de 2026.

Com isso, a previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 indica, de forma geral, chuvas acima da média em áreas da Região Sul do Sul e, chuvas abaixo da média no centro-norte do País.

Diante desse cenário, a colheita do milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar na Região Centro-Oeste e as culturas de inverno na Região Sul podem ser beneficiadas. Por outro lado, o aumento das temperaturas pode afetar as pastagens e a preparação da próxima safra na Região Centro-Oeste. Ainda, as condições indicam alta probabilidade de temperaturas acima de média no segundo semestre que, podem aumentar os eventos de onda de calor e a ocorrência de incêndios florestais.

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Análise – Situação Atual El Niño

No dia 11 de junho de 2026, a agência norte-americana NOAA decretou o estabelecimento de condições de El Niño no Pacífico equatorial. Observa-se, no oceano Pacífico equatorial (Figura 1) um progressivo aquecimento com a ocorrência de anomalias positivas da TSM (superiores a 0,5 °C), nas últimas semanas.

Destaca-se o aquecimento nas regiões Niño 1+2 (nas proximidades da costa oeste da América do Sul) com desvios superiores a 2°C, e nas regiões Niño 3 e Niño 4 (na porção central e oeste do Pacífico equatorial), com desvios superiores a 1,0°C. A circulação atmosférica observada sobre Pacífico equatorial com anomalias de ventos de oeste em baixos níveis e de leste em altos e a diminuição da radiação de onda longa emitida no pacífico central também são condizentes com condições de El Niño.

Prognóstico Climático Sazonal

A previsão elaborada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pela Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME) para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 indica maior probabilidade de que a precipitação fique abaixo da média em boa parte do centro-norte do Brasil com destaque para a maior parte do Nordeste e pontos do oeste e sul da Região Norte.

Por outro lado, na maior parte da Região Sul, é maior a probabilidade de que os acumulados de chuva no próximo trimestre se concentrem acima da faixa normal de precipitação.

A respeito da temperatura, na maior parte do Brasil, é maior a probabilidade de que as temperaturas fiquem acima da normal climatológica no próximo trimestre o que indica maior potencial para episódios de ondas de calor na faixa central do país. Além disso, a combinação de temperaturas acima da média e precipitações abaixo da média em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste aumenta o potencial para queimadas nos próximos meses.

Mapa de Previsão climática sazonal. Fonte: CPTEC-INPE, INMET e FUNCEME

Panorama dos Recursos Hídricos – Monitor de Secas

Observando as cinco regiões geopolíticas acompanhadas pelo Monitor de Secas, o Sudeste teve, em maio, o quadro mais severo do fenômeno no País com seca grave em 2% da região.

Situação dos Sistemas Hídricos e Reservatórios Prioritários

As análises apresentadas nesta seção abrangem as regiões com maior suscetibilidade aos impactos do fenômeno El Niño, considerando sua influência sobre os padrões de precipitação e disponibilidade hídrica nas principais bacias hidrográficas do país.

Dessa forma, serão abordadas as Regiões Sul, Norte e Nordeste, com destaque para os rios Madeira, Tocantins, Xingu e São Francisco, cujas dinâmicas hidrológicas apresentam maior sensibilidade às anomalias climáticas associadas ao evento

Análise e Previsão das Bacias Hidrológicas Monitoradas

A figura abaixo mostra a condição, no final de junho de 2026, dos níveis dos rios no Brasil em relação às médias históricas por meio de percentis: cores quentes (ou frias) representam quanto o rio está abaixo (ou acima) da média para esta época do ano.

Nível dos rios – junho de 2026 (fonte SGB)

Potenciais impactos na agricultura

As previsões climáticas para o trimestre julho-agosto-setembro (JAS) de 2026 indicam a persistência de um El Niño forte, com impactos distintos sobre as regiões produtoras do Brasil:

Região Norte: previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, aumentam a evaporação, reduzindo a umidade do solo e elevando o risco de deficiência hídrica, com possíveis prejuízos às pastagens, culturas perenes e agricultura familiar.

Região Nordeste: cenário de menores volumes de chuva e temperaturas acima da média, podem favorecer a colheita do feijão de terceira safra em áreas mais avançadas, comprometendo os cultivos em desenvolvimento e reduzindo a disponibilidade hídrica para pastagens e pecuária.

Região Centro-Oeste: condições favoráveis à colheita do milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar. Contudo, o aumento das temperaturas pode intensificar a deficiência hídrica no final do período seco, afetando pastagens, recursos hídricos para a pecuária e a preparação da próxima safra.

Região Sudeste: chuvas próximas à média tendem a beneficiar as culturas de inverno. Para o café, o cenário favorece a colheita e futuras floradas, desde que as chuvas retornem adequadamente após o período seco. As temperaturas mais elevadas exigem atenção ao aumento de doenças e à aceleração do ciclo das culturas.

Região Sul: previsão de chuvas acima da média, podem favorecer as culturas de inverno. Entretanto, o excesso de umidade poderá aumentar a incidência de doenças fúngicas. Por outro lado, a maior nebulosidade e as temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas tardias.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

Potenciais impactos para desastres

De acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS-3) de maio de 2026, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), as condições de seca moderada e severa concentram-se no oeste do Tocantins, no centro-sul do Pará, no norte do Amazonas, no leste do Mato Grosso, no sul de Goiás e no oeste de Minas Gerais.

Entre abril e maio de 2026, 66 municípios registraram transição para a condição de seca severa, com maior incidência nos estados de Minas Gerais e Goiás, que concentraram mais da metade dessas ocorrências.

Em relação às condições de seca em áreas indígenas, a análise de maio de 2026 mostra uma pequena redução no número total de territórios classificados em nível de seca severa em relação ao mês anterior. Entretanto, observa-se a persistência de déficit hídrico nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).

Recomendações e demais orientações

Diante dos prognósticos que indicam a possível intensificação do fenômeno El Niño em 2026/2027, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), em articulação com os órgãos federais de monitoramento e com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), vem adotando medidas antecipatórias de preparação, coordenação e fortalecimento da capacidade de resposta dos entes federativos, tanto aos municípios monitorados como à população.

*Com informações do Cemaden/MCTI

Benedito Ruy Barbosa: a conexão entre a ficção e a história de Rondônia

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Cena de ‘Mad Maria’. Foto: Divulgação/Memória Globo

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Benedito Ruy Barbosa, que faleceu nesta terça-feira, 7, em São Paulo, deixa um legado inestimável para a teledramaturgia brasileira. Com uma trajetória iniciada há 60 anos na TV Tupi, consolidou-se como um dos maiores nomes da televisão nacional, acumulando uma obra que soma 31 novelas, cinco filmes e uma minissérie. Entre seus maiores sucessos — aclamados por público e crítica —, destacam-se produções como Pantanal, Renascer e Terra Nostra, marcadas por sua essência rural e um olhar profundo sobre o interior do Brasil.

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A obra de Benedito Ruy Barbosa possui laços com a história de Rondônia, manifestados de duas formas distintas:

A epopeia de Mad Maria

Em 2005, o autor assinou a minissérie Mad Maria, produzida pela TV Globo e baseada no livro homônimo do escritor amazonense Márcio Souza. Em 35 capítulos, a produção retratou a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, trecho que liga Porto Velho a Guajará-Mirim.

A narrativa, com elenco estelar, destacou a grandiosidade de uma obra que, entre 1907 e 1912, reuniu mais de 20 mil trabalhadores de 50 nacionalidades diferentes, enfrentando desafios extremos em plena floresta amazônica.

Meu Pedacinho de Chão: do sucesso na TV ao mapa de Porto Velho

A relação do autor com a capital rondoniense também se deu por meio da trama Meu Pedacinho de Chão. Lançada originalmente em 1971 — e revisitada em um remake de 2014 —, a novela foi tão impactante que, em 1976, seu título tornou-se o nome de um bairro em Porto Velho.

A escolha do nome ocorreu após uma cheia do Rio Madeira, que deixou inúmeras famílias ribeirinhas desabrigadas. Gilsa Auvray Guedes, então primeira-dama do território e esposa do coronel Humberto da Silva Guedes, contribuiu com o projeto de reassentamento dessas famílias em áreas de terra firme.

O nome “Meu Pedacinho de Chão” foi escolhido como um símbolo de esperança e garantia: a promessa de um lar legalizado, documentado e seguro para cada uma daquelas famílias.

Leia também: O sueco-americano e a fundação da Igreja Batista em Porto Velho

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

MPF pede reforço à atenção à saúde mental do povo indígena Madiha Kulina, no Amazonas

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Órgão federal enviou recomendações para evitar violação de direitos humanos contra o povo Madiha Kulina. Foto: Divulgação/Cimi

O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação a órgãos das esferas municipal, estadual e federal com o objetivo de conter a situação de vulnerabilidade social e as violações de direitos humanos que atingem o povo indígena Madiha Kulina, em Ipixuna, no Amazonas.

A recomendação com uma lista de medidas foi enviada à Prefeitura de Ipixuna, à Secretaria de Estado de Saúde (Ses), ao Ministério da Saúde e à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Também receberam o documento a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Ministério da Previdência Social e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

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Entre os pedidos está a instalação de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Ipixuna, em 180 dias, com a finalidade de combater os altos índices de suicídio, alcoolismo e agravos de saúde mental que assolam a população indígena e local. O MPF destaca que o centro deve oferecer atendimento culturalmente adequado, incluindo obrigatoriamente tradutores da língua Madiha Kulina para acolher os indígenas em contexto de deslocamentos sazonais.

recomendação do MPF  para reforçar atenção à saúde mental do povo Madiha Kulina
Recomendação visa reforçar apoio à saúde mental do povo indígena. Foto: Divulgação/MS

Além disso, a recomendação pede a construção e o pleno funcionamento de uma casa de passagem indígena no município, visando reduzir a extrema vulnerabilidade social do grupo, que tem resultado em mortes, abandono de roçados e sérios problemas de saúde infantil.

Outras medidas

Em relação à previdência, o órgão solicita que o INSS e o Ministério da Previdência viabilizem a teleperícia e o atendimento virtual tanto na sede do município quanto nas aldeias e comunidades de Ipixuna. A medida busca evitar o deslocamento forçado de indígenas que, devido à extrema dificuldade logística da Amazônia, viajam por dias em condições médicas precárias apenas para realizar exames periciais necessários à manutenção de benefícios assistenciais.

A recomendação também reforça a necessidade de fortalecimento da presença institucional da Funai na região, com a efetiva implementação da Coordenação Regional Médio Juruá e de unidades locais em Ipixuna e Envira, visando interromper o cenário de abandono e omissão estatal.

O MPF estabeleceu um prazo de dez dias para que os destinatários informem se acatarão a recomendação e para a apresentação das primeiras medidas concretas adotadas.

Leia também: Saúde mental é foco de projeto com povo indígena Mura em Itacoatiara

Atendimentos têm finalidade de combater os altos índices de suicídio, alcoolismo e agravos de saúde mental que assolam a população indígena e local. Foto: Divulgação

Povo Madiha Kulina

Os Kulina são pertencentes à família lingüística Arawá e, até a chegada dos brancos, foram um dos grupos mais numerosos no estado do Acre e sul do Amazonas. Sua autodenominação é madija (pronuncia-se madirrá) que significa “os que são gente”, sendo os brancos tratados genericamente por cariás.

Vivendo nas margens dos rios Juruá e Purus, os Kulina destacam-se pelo vigor com que mantêm suas instituições culturais, entre elas a música e o xamanismo. Um exemplo disso é que, apesar do antigo contato com brancos e da proximidade de algumas aldeias com centros urbanos, não se tem conhecimento de nenhum Kulina vivendo fora de suas terras.

Grande parte da população kulina encontra-se na fronteira do Brasil com o Peru. No Brasil vivem em aldeias às margens dos rios Juruá e Purus (Acre) e, em 2002, somavam em torno de 2.500 indivíduos  segundo a OPAN (Ong Operação Amazônia Nativa). Já os Kulina do lado peruano somavam aproximadamente 500 pessoas em 1998 (SIL – Summer Institute of Linguistics).

Vivem em várias Terras Indígenas que compartilham com outros povos, como os Kaxinawa, Yaminawá e Ashaninka. Para mais informações sobre as terras kulina veja ao lado em “Terras habitadas”.

Segundo dados da Funai obtidos em 2002, os Kulina do Acre totalizavam 1.737 indivíduos, distribuídos em 15 aldeias, sendo Canamari a de maior densidade, com 680 pessoas. No sul do Amazonas eram em torno de 800, distribuídos em 19 aldeias.

*Com informações do MPF e do site Povos Indígenas do Brasil.

Boa Vista 136 anos: agricultores ajudam a construir a história da capital

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Enquanto Boa Vista crescia, o campo seguiu cultivando o futuro e alimentando a cidade. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Enquanto Boa Vista completa 136 anos de história, homens e mulheres ajudam a escrever essa trajetória longe da área urbana da cidade. São agricultores que, há décadas, encontraram no campo o sustento de suas famílias e construíram um legado de trabalho e dedicação à terra, fortalecendo o desenvolvimento do setor produtivo do município.

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Ao mesmo tempo em que Boa Vista crescia, ganhando novas avenidas, bairros e infraestrutura, os agricultores seguiram cultivando a terra e garantindo alimentos para a mesa da população. É o caso de Aldette da Silva, de 68 anos, e Francisco Moreira, de 75 anos, que há mais de duas décadas se dedicam à produção agrícola no Projeto de Assentamento Nova Amazônia I, região do Truaru.

“Quando mudamos para Boa Vista, vindos do município de Pacaraima, não havia ninguém nesta região. Ou seja, nós fomos os primeiros moradores daqui. Depois, os vizinhos foram chegando aos poucos, e o P.A. foi ganhando forma. À medida que os anos passaram e continuamos trabalhando, nossos sítios se tornaram terras produtivas, garantindo o sustento da família”, contou Aldette da Silva.

Boa Vista 136 anos: agricultores ajudam a construir a história da capital
A terra é cultivada com dedicação. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Há 20 anos, o trabalho no campo dependia exclusivamente da força dos braços, do suor e das mãos calejadas de quem fazia da terra o próprio sustento. Hoje, com o apoio da Prefeitura de Boa Vista, esse cenário mudou. Agricultores familiares passaram a contar com maquinários agrícolas para a mecanização das áreas de cultivo, reduzindo custos operacionais e aumentando a produção.

“No início, a gente plantava melancia e precisava puxar água do poço para irrigar a plantação. Todo o trabalho era feito no braço, desde a limpeza da terra com a enxada até o carregamento da produção. Hoje, graças à prefeitura, temos sistema de irrigação com energia fotovoltaica, assistência técnica e apoio com máquinas. Conseguimos comprar um tratorito e as coisas melhoraram muito”, relatou Francisco Moreira.

De geração em geração

Após décadas enfrentando o sol, o esforço físico e os desafios de cada plantio, os agricultores mais experientes compartilham o conhecimento acumulado ao longo da vida, enquanto os mais jovens contribuem com novas técnicas e tecnologias. Trabalhador rural desde a juventude, Geraldo Leite sustentou a família com o cultivo da terra e hoje atua ao lado da filha e do genro, vizinhos de sítio.

Leia também: Boa Vista celebra 136 anos com espaços que fortalecem a cultura

Cada colheita de pimenta é resultado do trabalho de uma família inteira. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“Trabalhar em conjunto tem sido ótimo e traz um grande resultado, porque ir para a lida sozinho é muito difícil. Estamos com essa parceria há três anos. Hoje plantamos melancia, melão, pimenta, macaxeira, abóbora, maxixe e feijão. Agora iniciamos alguns testes com o cultivo de amendoim e cacau. Tenho certeza de que, quando eu não puder mais trabalhar, eles darão continuidade”, destacou.

Na família de Geraldo, o trabalho no campo atravessa gerações. Os filhos cresceram acompanhando a rotina dos pais e aprendendo, desde cedo, o valor do trabalho. Hoje, a filha, Raíssa Kadoshy, dá continuidade a esse legado. Casada, ela mora ao lado do pai, com o esposo e o filho, dividindo as atividades da propriedade e conciliando a experiência herdada da família com novas ideias e desafios.

“Meu esposo e eu somos técnicos agrícolas, e nosso trabalho aqui é voltado para a construção de uma agrofloresta, integrando árvores e culturas agrícolas na mesma área. Cresci vendo meus pais trabalharem na roça. Depois de adulta, morei por um tempo na cidade, mas hoje estamos vivendo novamente no campo. Percebo que este é o lugar da minha família”, afirmou.

Valorizar quem planta é garantir uma colheita de crescimento para o município. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Crescendo junto com o campo

A Prefeitura de Boa Vista tem atuado como parceira do produtor rural, investindo em ações que fortalecem a agricultura familiar e incentivam o desenvolvimento no campo. Com assistência técnica especializada, mecanização agrícola, acesso a novas tecnologias e incentivo à comercialização, o município tem contribuído para aumentar a produtividade, gerar renda e reduzir custos operacionais.

“Nosso objetivo é garantir que o agricultor tenha as condições necessárias para produzir com mais qualidade. Quando a prefeitura investe no trabalhador do campo, fortalece a agricultura familiar, gera renda, promove o desenvolvimento das comunidades rurais e assegura alimentos de qualidade para a população”, destacou o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.

Mais de 4,5 mil famílias vivem na zona rural, e 2.165 delas são atendidas pelo Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA). Desde a implantação do programa, já foram preparados 5.591,2 hectares para cultivo. Atualmente, 150 máquinas e implementos agrícolas estão à disposição dos trabalhadores do campo, entre tratores, drones agrícolas, caminhões, escavadeiras, entre outros equipamentos.

Para garantir o fornecimento de água às lavouras, a gestão municipal instalou 156 sistemas de irrigação fotovoltaica, dos quais 26 estão em comunidades indígenas. O uso de energia limpa e renovável reduz significativamente os custos de produção durante o verão, permitindo que as famílias mantenham a produção agrícola ao longo de todo o ano.

Projeto leva ciência dos insetos para estudantes de escolas municipais de Mato Grosso

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Projeto de extensão ‘Fantástico Mundo dos Insetos’ é promovido por acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foto: Alexsandro Fama/Projeto Memória e Comunicação – SECOMM

Acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop promoveram uma ação de divulgação científica voltada a alunos da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Alvorada, com atividades lúdicas e educativas sobre insetos. A iniciativa integra o projeto de extensão Fantástico Mundo dos Insetos, que busca aproximar a ciência do cotidiano escolar e incentivar a conscientização ambiental desde a infância.

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Realizada no último dia 30 de junho, a programação contou com peça teatral, estações interativas e espaços de observação de insetos, permitindo que as crianças conhecessem a diversidade desses animais e sua importância para os ecossistemas.

Coordenado pela professora do curso de Ciências Biológicas, Talita Künast, o projeto é desenvolvido por estudantes das disciplinas de Prática, Instrumentação e Ensino, em parceria com o Projeto Arborescer e outras iniciativas extensionistas da UFMT.

Segundo a docente, a proposta é contribuir para a popularização da ciência e ampliar a compreensão sobre os benefícios proporcionados pelos insetos à natureza e à sociedade.

Projeto fantástico mundo dos insetos - ufmt
As atividades foram organizadas em estações temáticas com linguagem acessível e foco na participação das crianças. Foto: Alexsandro Fama/Projeto Memória e Comunicação – SECOMM

Importância dos insetos

As atividades foram organizadas em estações temáticas com linguagem acessível e foco na participação das crianças. Em uma delas, personagens representando grupos como borboletas, abelhas e o mosquito Aedes aegypti apresentaram tanto os riscos associados a algumas espécies quanto os serviços ecológicos desempenhados pelos insetos.

Outra estação permitiu a observação de exemplares preservados em caixas entomológicas e de modelos em borracha que reproduzem características morfológicas dos insetos. Durante a atividade, estudantes de graduação explicaram aspectos relacionados à anatomia, às funções ecológicas e à importância desses organismos para os ambientes naturais.

A programação incluiu ainda uma dinâmica sobre a metamorfose das borboletas, atividades artísticas com tinta guache e um espaço para registros fotográficos com asas de borboleta, reforçando o caráter educativo e lúdico da ação.

Leia também: Projeto amazonense populariza acervo zoológico de insetos do INPA

Projeto Fantástico Mundo dos Insetos terá caráter itinerante e será levado a outras instituições de ensino interessadas, segundo a coordenação. Foto: Alexsandro Fama/Projeto Memória e Comunicação – SECOMM

De acordo com a coordenação, o projeto possui caráter itinerante e será levado a outras instituições de ensino interessadas. Além da aproximação entre universidade e escolas, a iniciativa promove a integração entre estudantes de Ciências Biológicas, Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária, Engenharia Florestal e outras áreas, fortalecendo a interdisciplinaridade entre ensino, pesquisa e extensão.

A professora da EMEI Alvorada, Azenilda Cebalho, destacou a relevância da parceria para o aprendizado das crianças, ressaltando que as atividades possibilitam experiências práticas e ampliam o conhecimento dos estudantes sobre temas presentes em seu cotidiano.

*Com informações da UFMT

No hospital, cacique Raoni pensa no futuro da luta por direitos indígenas e espera demarcação da terra natal

Foto: Reprodução/Instituto Raoni

Uma das lideranças mais importantes do século, Raoni Mẽtyktire é cacique do povo Mebêngôkre, também chamado Kayapó. Seu povo vive em terras indígenas localizadas entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará, formando um dos maiores corredores contínuos de floresta protegida da Amazônia brasileira.

Estima-se que Raoni tenha 93 anos, embora não se saiba ao certo a data do seu nascimento. Desde 19 de junho, o líder indígena está internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob os cuidados intensivos de uma equipe médica especializada em saúde indígena. O mundo torce por sua recuperação.

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A editora Mônica Tarantino, da equipe do The Conversation Brasil, entrevistou o neto de Raoni, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, 33 anos, integrante de uma nova geração de lideranças. Pedagogo, intérprete do avô e assessor político-institucional do Instituto Raoni, organização fundada pelo cacique, Takakpe participou da elaboração do livro ‘Memórias do Cacique’ (Companhia das Letras, 2025), escrito a partir de entrevistas dadas por Raoni em língua Mebêngôkre a seus sobrinhos e netos entre 2020 e 2023.

Os relatos do cacique, vertidos para o português por tradutores indígenas e organizados com a ajuda do antropólogo Fernando Niemeyer, apresentam em primeira pessoa a infância de Raoni, a cosmologia e a organização social de seu povo, o registro de sua atuação política e as transformações vividas pelos Mebêngôkre. Nesta entrevista, Takakpe fala das preocupações antigas e atuais de Raoni e sobre o legado do avô.

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Como está a saúde do seu avô, o grande líder Raoni?

Takakpe – Conforme está passando pela idade, meu avô está sofrendo muita fragilidade. Ele tem o cuidado dos médicos e nós estamos acompanhando a saúde física e mental dele. Tem as horas para fazer fisioterapia e há momentos em que ele tem que conversar, né? Conversar com as pessoas da idade dele ou com idade mais próxima. Precisa sentir essa interação, o cotidiano tradicional. Na idade em que ele está, os anciãos sempre relembram as memórias dos antepassados. Isso faz se sentirem bem e em segurança espiritualmente.

Foi preciso convencer Raoni a diminuir o ritmo?

Takakpe – Antes de adoecer, quando ele começou a sentir algumas coisas espiritualmente, já comunicou a gente. “Não estou me sentindo firme para poder atender os convites.” Disse que tínhamos de juntar os primos e falar com nosso tio, Megaron Txucahamãe, para poder suceder a luta, sensibilizar as pessoas a respeito da nossa cultura, território e atender as autoridades. Ele começou a sentir alguma coisa e a ter essa consciência de que os nossos tios começassem a dar continuidade à luta. Vovô também cancelou um encontro com o Papa Leão XIV e depois de alguns dias adoeceu e foi para o hospital. Voltou para casa, passou mal e foi de novo para o hospital. Mas teve um alerta espiritual antes de adoecer e alertou a gente.

Raoni e o neto Takakpe conversam sobre a autobiografia Memórias do Cacique (Cia. das Letras, 2025). Foto: Reprodução/Acervo Instituto Raoni

O que mais preocupa o cacique hoje?

Takakpe – Uma das preocupações principais do vovô é se a nova geração não continuar com a luta dele. É conosco, com a luta pelos avanços na nossa organização social e política dentro do nosso território e institucionalmente. Hoje, o Instituto Raoni, fundado por ele, defende os interesses do povo Kaiapó. Temos essa coletividade e uma governança de lideranças dentro da instituição para poder ter essa força.

Mais uma preocupação dele é não deixar que os não indígenas com dinheiro convençam alguns dos nossos parentes e consigam tomar nossas terras. Nós não pensamos no dinheiro, pensamos na vida. O que nos sustenta é a terra, o que nos sustenta é o rio, o que nos sustenta é a natureza, os recursos que temos dentro do nosso território. Para os não indígenas, a riqueza é o dinheiro. Para os indígenas, riqueza é ter um território cheio de recursos naturais para o sustento. A linha de raciocínio do meu avô é dar continuidade a esse pensamento. Vamos levar adiante o legado dele.

Seu avô continuará na linha de frente?

Takakpe – Enquanto ele se sentir fisicamente e espiritualmente preparado, vai para a frente. Mas agora está priorizando o tratamento de saúde. Enquanto está se tratando, nosso tio Megaron Txukarramãe, filho do irmão dele, está na linha de frente.

Raoni diz no livro que a luta não termina com uma pessoa. Ele preparou lideranças?

Takakpe – Sim, temos as pessoas que acompanham nosso avô. Dentro do nosso território, ele tem essa visão com o nosso tio Megaron. Meu avô, que não é estudado, também dá muita importância para que os netos estudem. Reforça isso com a gente e costuma dizer:

Vocês mesmos têm que escrever as ideias de vocês, para defender o povo de vocês. Vocês são protagonistas nisso. Estudem, mas não percam a nossa cultura. Tem que sustentar a nossa cultura tradicional. Desse jeito vocês terão força para enfrentar qualquer ataque, também desses que vêm atacando juridicamente os direitos dos povos indígenas. Então, se preparem. Não sejam corrompidos, porque os não indígenas se corrompem com dinheiro. Confiem somente no não indígena que realmente abraça a causa indígena.”

O que você estudou?

Takakpe – Fui estudar Enfermagem porque queria ajudar a cuidar da saúde do nosso povo. Depois conheci o curso de Pedagogia Intercultural Indígena da Universidade Federal de Goiás, voltado para a formação de professores indígenas. É uma universidade de referência que recebe indígenas de muitos povos. Achei mais interessante preparar as crianças por meio da educação, fortalecer a nossa cultura tradicional e manter viva a nossa língua. Foi esse o caminho que segui. Hoje faço parte do Instituto Raoni como intérprete e assessor político-institucional.

Também atuo como professor e acompanho as lideranças nos assuntos ligados às políticas públicas do território, como saúde, educação, meio ambiente, demarcação de terras e monitoramento territorial. Faço a tradução das conversas e dos documentos para a nossa língua, para que os anciãos possam entender e conduzir as decisões. A gente faz esse papel de intermediar e transmitir as mensagens. Quem decide são sempre as lideranças. Agora estou me preparando para fazer o mestrado em Antropologia.

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Cacique Megaron Txucarramãe (camisa vermelha), Raoni e membros de uma comitiva de lideranças Kaiapó em reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), no Congresso Nacional em 2019. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Seu avô passou a vida explicando que proteger a floresta é fundamental para a sobrevivência do planeta. Hoje há maior entendimento sobre isso?

Takakpe – As mudanças climáticas são uma pauta mundial. Estamos no mesmo planeta, respirando o mesmo ar. Como a gente faz parte da natureza, temos a visão que o rio não está secando no período certo, a chuva e o frio aparecem fora de hora, mudou tudo. Algumas pessoas entenderam que precisam proteger o clima, principalmente quem estuda a natureza, a temperatura, a chuva, os recursos naturais dentro da floresta. Mas também estamos diante de empresários que pensam pelo dinheiro, desmatam muito, querem produzir mais, ganhar mais, e isso prejudica mais e mais o planeta.

Você acredita que um dia a produção será mais sustentável e os direitos indígenas respeitados?

Takakpe – É muito complicado, porque cada ser humano já vem sendo ensinado conforme a tradição do seu povo. Por exemplo, a economia movimenta a sociedade, as pessoas na cidade. O agro é gigante economicamente e tem deputados e senadores. Esse setor precisa seguir as leis criadas pelo seu próprio povo, mas não segue. O Congresso fez legislações que protegem o meio ambiente, mas isso não está sendo respeitado. O garimpo e o desmatamento continuam. Isso prejudica a população, a floresta, os rios. São visões muito diferentes. Nós, indígenas, vamos ficar na natureza. Mas acho que o livro contando a história do meu avô e do nosso povo pode ajudar as pessoas a entenderem mais da nossa cultura para poder nos apoiar e abraçar a nossa causa.

Qual capítulo do livro ‘Memórias do Cacique’ você considera mais importante para os não indígenas?

Takakpe – Tem uma parte do livro que conta que a família de Raoni não esteve no primeiro contato com os irmãos Villas-Bôas, em 1954. Mais ou menos nessa época, no período pós-contato, teve um conflito e os vizinhos não indígenas, que eram fazendeiros, mataram o irmão do meu avô. Raoni tinha 23 ou 24 anos e era um jovem guerreiro. Naquele tempo, ele começou a aprender português e a se comunicar com os não indígenas. Passou então a facilitar a comunicação com os irmãos Villas-Bôas. Os irmãos entenderam que o meu avô tinha boa visão das coisas e começaram a falar com ele sobre o conhecimento das pessoas não indígenas, do cuidado que tinha que ter com os brancos.

É importante para nós e para o Raoni que as pessoas leiam o livro para entender a terra tradicional onde o cacique nasceu, cresceu, passou a infância. Depois que mataram o irmão do meu avô, os Kaiapó saíram de lá e os não indígenas tomaram o território. Mas é um território sagrado e tradicional para nós e hoje estamos lutando pela sua demarcação. É a Terra Indígena (TI) Kapoto-Nhĩnore, lugar de origem do grupo Mẽtyktire, ao qual pertence o cacique Raoni. A área é ligada à TI Kapoto-Jarina e teve os estudos de identificação e delimitação aprovados pela Funai em 2023.

Cacique Raoni Mẽtyktire (cocar amarelo), seu neto e intérprete Takakpe (ao meio) e o cacique Yabuti (cocar vermelho), todos do povo Kaiapó. Foto: Reprodução/Acervo Instituto Raoni

Já viu seu avô desanimado com os rumos do país?

Takakpe – Sim, ele fica muito desanimado com a demarcação demorada. Os estudos antropológicos e o ritmo processual do Estado brasileiro são muito lentos. Também ficou muito chateado porque o governo anterior desrespeitou muito ele, disse que não era uma liderança. Este governo demarcou terras. Um dos sonhos do meu avô é ver demarcado o território onde ele nasceu, Kapoto-Nhĩnore, mas o processo anda devagar demais, mesmo a gente conversando com o presidente da Funai e com o Ministério dos Povos Indígenas. Ele quer muito ver isso acontecer. Podiam dar essa alegria e fazer essa homenagem a ele.

AUTOR

Monica Tarantino – Editora do The Conversation Brasil

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, com a colaboração de seis pesquisadores. Leia o original AQUI.

O que fazer em Macapá? Dicas de visitas históricas, exposições, parques e atividades gratuitas

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Foto: João Pantoja/Rede Amazônica AP

Julho marca as férias escolares e o verão amazônico. Em Macapá (AP), museus, parques e o evento do ‘Macapá Verão’ oferecem programação especial, com atividades gratuitas para crianças, jovens e famílias.

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O roteiro de férias inclui visitas a espaços históricos, shows, pontos turísticos e atividades que unem diversão, aprendizado e cultura. É uma oportunidade para sair da rotina, ocupar a cidade e transformar o tempo livre em boas memórias.

Preparamos um guia de férias com os principais espaços de visitação de Macapá. A lista reúne locais históricos e opções de passeios turísticos, além da programação de verão da capital:

O que fazer em Macapá? Dicas de visitas históricas, exposições, parques e atividades gratuitas
O que fazer no Amapá nas férias — Foto: Mariana Ferreira/Isadora Pereira/Gea/João Pantoja/Albert Soares

Espaços históricos

Fortaleza de São José de Macapá

Localizada no centro de Macapá, na rua Cândido Mendes, 1611, no bairro Central, às margens do Rio Amazonas, a Fortaleza de São José de Macapá é um dos fortes mais famosos do Brasil. Construída entre 1764 e 1782, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 22 de março de 1950 e se tornou patrimônio histórico nacional.

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A Fortaleza de São José passa por obras de requalificação. A primeira etapa já foi entregue e inclui um restaurante dentro da construção histórica. O espaço foi montado preservando as características originais do monumento.

O espaço preserva memórias da ancestralidade amapaense. A visitação de férias acontece de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada gratuita.

Fortaleza de São José de Macapá. Foto: Divulgação/GEA

Museu Sacaca

O Museu Sacaca, localizado na avenida Feliciano Coelho, nº 1509, bairro do Trem, apresenta a história da medicina ancestral amapaense e mostra o modo de vida dos ribeirinhos do Estado. Durante o período de férias, aos fins de semana, o museu costuma contar com programações especiais.

O espaço homenageia o mestre Sacaca, conhecido pela prática do curandeirismo. A visitação acontecve de terça a domingo, das 8h30 às 17h30, com entrada gratuita.

Estudantes exploraram riquezas do Museu Sacaca. Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica AP

Exposição com acervo de jornais históricos do Amapá

O Parque Residência, na orla de Macapá, passou a abrigar o maior acervo digitalizado de jornais históricos da região. A exposição reúne edições antigas e maquinários usados pela imprensa oficial, com o objetivo de preservar a memória administrativa, política e social do estado.

Entre os itens expostos estão exemplares originais de jornais que registram marcos históricos, como a primeira Expofeira realizada no Estado.

Acervo de jornais do Parque Residência, em Macapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A exposição faz parte do complexo turístico do Parque, reinaugurado recentemente. O espaço reúne opções de lazer com área gastronômica, parque de diversões e salas que destacam o acervo cultural do Amapá.

A visitação de férias acontece de terça a domingo nas salas de exposições, das 9h às 17h, nos restaurantes, de 9h até 1h, e no Parque, das 9h às 22h, com entrada gratuita.

Avião Bandeirante está estacionado no Parque Residência. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

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Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras

O Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras, localizado na rua Eliezer Levy, esquina com Avenida Mendonça Furtado, foi inaugurado em junho de 2025, em Macapá. O espaço é coordenado pelo Instituto Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Improir).

O acervo valoriza os costumes da população negra do Amapá, com esculturas africanas, fotografias, objetos do dia a dia, cerâmicas quilombolas, arte contemporânea e livros. A visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada gratuita.

Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras. Foto: Emanuelle Gomes/PMM

Parques e praças em Macapá

Praça Jacy Barata Jucá

A praça fica localizada no coração do Centro de Macapá, às margens do rio Amazonas. O espaço abriga quadras para a prática de esportes, parques de diversão e área para prática de atividades ao ar livre.

Praça Jacy Barata Jucá, em Macapá – monumento em homenagem as lavadeiras do Igarapé das Mulheres. Foto: Giovanni Maciel/PMM

Parque Urbano Horto Municipal

O espaço, localizado na avenida Carlos Almeida de Souza, 246, no bairro do Jardim 1, conta com playground, restaurantes, decks de contemplação, anfiteatro ao ar livre, jardins e estacionamento. A área total é de 15.757,40 metros quadrados, mais 600 metros quadrados de área coberta.

O horto promove turismo ecológico e preservação ambiental, além de servir para estudos sobre espécies da flora amazônica. Entre os principais atrativos estão o orquidário e as trilhas que proporcionam imersão na floresta.

As visitações de férias acontecem de terça a domingo, das 9h às 20h, com entrada gratuita.

Parque Urbano Horto Municipal. Foto: Jesiel Braga/PMM

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Parque Meio do Mundo

O Parque Meio do Mundo possui um amplo espaço de lazer e interação social em Macapá. Com uma área de 69 mil metros quadrados, o parque oferece uma ampla variedade de atrações para todas as idades, incluindo áreas de academia, espaço selvinha e muito mais, proporcionando, assim, diversão, entretenimento, cultura e o turismo na capital.

O Parque fica localizado às margens da Rodovia Josmar Chaves Pinto, ao lado do Monumento Marco Zero do Equador.

Parque Meio do Mundo em Macapá, opção para as férias de julho. Foto: João Pantoja/Rede Amazônica AP

Bioparque da Amazônia

O Bioparque da Amazônia, localizado na rodovia Josmar Chaves Pinto, sem número, é o maior espaço urbano de área verde no Amapá, que oferece para contemplação, três ecossistemas com variedades de animais e vegetais.

Para os amantes de aventura, o parque oferece as atividades que fazem parte desse circuito, como a tirolesa, a trilha suspensa, a trilha do guarda-parque (circuito de ciclismo), entre outras. Todas essas atividades são acompanhadas por profissionais qualificados.

As visitações de férias acontecem de quarta a domingo, das 9h às 17h, com entrada a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Trilha suspensa no Bioparque da Amazônia, em Macapá, opção para as férias de julho. Foto: Adevaldo Cunha/PMM

Balneários e complexos turísticos

Orla do Perpétuo Socorro

O espaço tem três arcos de chuveiros, restaurantes, monumento do pescador, área para calistenia, homenagem ao empreendedor Maguila e estacionamento para veículos.

O espaço ganhou também uma praia artificial, que pode ser usada quando a maré do Rio Amazonas está calma. À tarde, a orla se transforma em ponto de caminhadas e prática de esportes ao ar livre.

Nova orla do Perpétuo Socorro em Macapá, opção para as férias de julho. Foto: Albert Soares/PMM

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Trapiche Eliezer Levy

O Trapiche Eliezer Levy conta com sorveteria, restaurante e o ‘bondinho’, que funciona de forma elétrica. O local fica às margens do rio Amazonas.

O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945. O local era um destaque devido aos 4 pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.

Trapiche Eliezer Levy Revitalizado, opção para as férias de julho. Foto: Jesiel Braga/PMM

Complexo da Praia da Fazendinha

O complexo é dividido por áreas. São 11 quiosques, três banheiros, jardins, bancos, decks, píer de contemplação, estacionamento e espaço com paisagismo.

Balneário da Fazendinha, em Macapá, opção para as férias de julho. Foto: Rafael Aleixo/Arquivo/Rede Amazônica AP

Balneário do Curiaú

Símbolo de regionalidade, o balneário do Curiaú fica localizado em um dos quilombos mais famosos do Estado. Cortado pelo rio Curiaú, a região é uma das 13 Unidades de Conservação Ambiental (UC) do Amapá.

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Balneário do Curiaú, na Zona Norte de Macapá, opção para as férias de julho. Foto: Israel Cardoso/GEA

Programação de férias do Macapá Verão

Show de pagode, sertanejo, rock e tecnomelody fazem parte da programação do Macapá Verão 2026. O evento reúne música, esporte e cultura em diferentes pontos da capital.

Entre os destaques estão os shows de Péricles, no dia 10 de julho, e de Simone Mendes, no dia 17. As apresentações acontecem na Praça Jacy Barata Jucá, no centro de Macapá.

Confira a programação

Sábado (4 de julho)

  • Corrida de 10 km e shows da Banda AR-15 e Carol Lyne

Domingo (5 de julho)

  • Programação infantil com 3 Palavrinhas (Praça Jacy Barata Jucá)

Sexta-feira (10 de julho)

  • Péricles (Praça Jacy Barata Jucá)

Segunda-feira (13 de julho)

  • Samuel Rosa, em celebração ao Dia Mundial do Rock (Praça Jacy Barata Jucá)

Sexta-feira (17 de julho)

  • Simone Mendes (Praça Jacy Barata Jucá)

Sábado (18 de julho)

  • Show gospel com Juliany Souza (Praça Jacy Barata Jucá)

Domingo (19 de julho)

  • Domingueira da Fazendinha com Fruto Sensual

Sexta-feira (24 de julho)

  • Juh Marques e Matheus Fernandes (Praça Jacy Barata Jucá)

Sábado (25 de julho)

  • Dennis DJ (Praça Jacy Barata Jucá)

Domingo (26 de julho)

  • Programação com show surpresa na Jacy Barata e final da Musa do Macapá Verão com show de Wanderley Andrade

Sexta-feira (31 de julho)

  • Encerramento com o Macapá Verão Folia e show de Filho do Piseiro, na Orla de Macapá.

* Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

As irmãs de “Sant’Anna” e a Beneficente Portuguesa em Manaus

Irmã Maxila recebendo uma homenagem do comendador José Cruz. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A comissão de Exame de Contas sugere a admissão de uma ordem religiosa para a direção e orientação do hospital, com grande veemência, conforme fica exposto neste tópico.

Era intuito nosso apresentar novamente à apreciação da ilustrada Assembleia Geral, a ideia da admissão, no nosso hospital das Irmãs Hospitaleiras, ideia já sugerida pela comissão nossa antecessora. E não desistiríamos do nosso propósito, se porventura a esta hora, se não achasse essa ideia convertida já em um fato prestes a realizar-se.

Consideramos esta como uma das mais acertadas medidas que a digna assembleia podia ter adotado e, por isso nos congratulamos com ela. A adoção desta medida devem propiciar para a nossa sociedade vantagens de incalculável valor, atentos os inúmeros benefícios que essas heroínas do bem, da abnegação e da caridade têm prestado a instituições congêneres.

Cremos que num futuro muito próximo os relatórios dessa sociedade testemunharão essa grande verdade eliminando por completo desse espírito sistematicamente retrógrado as opressões que já tem salvado uma prevenção erroneamente adversa, injusta e, inconscientemente contrários aos princípios professados por aquela classe de criaturas que, uma santa fé e acrisolada crença impele para os hospitais, para os campos de trabalhos, para toda parte onde há dor e mísera que elas possam combater ou suavizar.

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As irmãs de “Sant’Anna” e a Beneficente Portuguesa em Manaus
Da esquerda para a direita: Irmã Maxila, Irmã Miquelina, Irmã Celestina, Irmã Helena, Irmã aria Auxiliadora e Irmã Domitila. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

1904 Marca a chegada das “filhas de Sant’Anna”

No Brasil e em outros países elas já vinham prestando preciosa assistência aos estabelecimentos hospitalares e educacionais.

O historiador da Ordem, segundo a tradição o Padre Argentino Crescou, em língua italiana, assim se manifesta sobre a chegada e o início das atividades das religiosas.

Era o dia 29 de novembro de 1904, quando os primeiros “Filhas de Sant’Anna”, vestidas com seus veneráveis hábitos pretos desembarcavam na Baía do Rio Negro, para tomar conta da Beneficente Portuguesa.

A presença das religiosas, chegadas em Manaus, despertou uma mística alegria em toda a cidade e, a imprensa interprete dos sentimentos comuns externou a comum satisfação dando as boas-vindas às Beneméritas Irmãs e alegrando-se com as autoridades públicas.

Manaus, a bonita rainha, do Rio Negro, a terra dos antigos índios Barés e Manaus, capital do Amazonas, o maior Estado da Confederação Brasileira, chama-se na metade do século passado, Cidade da Barra e começou sua vida, em 1853, com a navegação a vapor. Com a abertura do Amazonas à navegação internacional, em 1886, começou a ascensão aquele fantástico desenvolvimento que em 1910 chegou no máximo e deu-lhe o título, de Capital do Caucho.

Em 1904, quando chegaram os primeiros “Filhas de Sant’Anna” era Manaus só uma cidade em formação, com um aglomerado de povos heterogêneos, em raças, civilização e religião, por conseguinte o campo que se apresentou às abnegadas irmãs era imensamente vasto, pois havia apenas uma única casa de cura e, logo com todo o ardor e entusiasmo de mulheres jovens jogaram-se na árdua da ação da caridade, em todo o fecundo apostolado das obras de misericórdia.

Bem cedo as autoridades e os cidadãos todos apreciavam a ação que em silêncio operavam as humildes heroínas, verdadeiros anjos de bem não só nos corredores do público hospital aos doentes infelizes, inábeis, mas, também nos grandes solos e nas escolas, no meio dos humildes e desamparados.

De fato, em 1904, encontramos as beneméritas religiosas a assistir as duas principais casas de caridade públicas, dependentes do Governo do Estado. Quanto à colônia portuguesa, sua situação privilegiada e seus propósitos comunitários, assim se expressa o historiador Italiano Padre Crescou:

Atualmente em Manaus, existem poucas casas de saúde, mas as principais são a Santa Casa de Misericórdia, isto é, o hospital civil e seu semelhante, o hospital Beneficente Portuguesa, que pertence a uma sociedade cujos componentes são todos portugueses.

Estes em Manaus, foram a colônia mais importante que muito honra a terra deles.

Os portugueses, embora muitos estão bem unidos entre si e otimamente organizados. Podemos dizer que a indústria e comércio estão nas mãos deles. Desde 1870 os ricos e mais inteligentes das colônias, querendo imitar os outros cidadãos das demais cidades das demais cidades do Brasil e das colônias, projetaram a construção de um hospital modelo que pudesse socorrer doentes da importante colônia, ou mesmo nacionais e estrangeiros.

As primeiras irmãs

Depois de muitas gestões de diretorias sucessivas, coube ao presidente Comendador José Cláudio Mesquita, o privilégio de ultimar o convento com os superiores da Ordem para que a Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas recebesse os serviços e a assistência hospitalar da Irmãs “Filhas de Sant’Anna”, conforme esclarece a ata:

“Esta honra é dívida, à direção em exercício do ano de 1904, cujo, presidente, Comendador José Cláudio Mesquita, comunicou que aos 30 de julho estavam concluídos os acordos e os compromissos com as Venerandas “Filhas de Sant’ Anna” e que 3 irmãs da Santa Casa de Misericórdia, sob a obediência da superiora daquela casa, tinham assumido a administração interna do hospital. A direção, em seguida comunicou-se com a Madre Geral do Instituto em Roma para conseguir as religiosas. Estas aos 29 de novembro de 1904 chegaram em Manaus e, no dia seguinte as irmãs, isto é, uma superiora a farmacêutica e sete enfermeiras tomavam posse do hospital.

A irmã Superiora chamava-se Ana Aureliana Fanelli que dirigia a seguinte equipe: Farmacêutica Irmã Ana Clemente Maggioni e as enfermeiras Ana Gregória Villa, Ana Simplícia Levallo, Anna Maria Garilli, Anna Rebaldina Valsechi, Ana Veridiana Artuso, Ana Eufrásia Allegri e Ana Amália Gaglio”. 1 Pág., 222

Irmãs de “Sant’Anna”. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Benefícios da Presença das Filhas de Sant’Anna

O aspecto, o funcionamento, a atmosfera hospitalar sofreram grande e benéfica transformação com a presença e as atividades solícitas das irmas “Filhas de Sant’Anna”, conforme o insuspeito testemunho do cronista:

Revelaram-se logo verdadeiros anjos de candura, de paz e de caridade, Verdadeiras apóstolas do bem, converteram os corredores, as salas, os ambientes todos numa atmosfera nova, mística onde reinava a ordem, o asseio, a exatidão, a economia, o amor, a virtude e o sacrifício.

Deste momento a permanência das “Filhas de Sant’Anna” confunde-se com os contínuos progressos da “Beneficente Portuguesa” e na história é uma verdadeira epopeia de amor e de sacrifício ao bem da humanidade sofredora e de apego ao hospital ao qual as abnegadas religiosas assistiram e ao qual procuraram sempre a honra e a glória.

Desde 1904 até hoje caem espontâneos como chuva, atestados de estima, gratidão e simpatia às religiosas deste hospital, não só por parte das autoridades dirigentes da casa, mas também por parte mesmo dos internados que recuperavam a saúde do corpo e muitos, através do zelo das religiosas, também aquela mais preciosa, saúde da alma.

Se pegarmos o álbum dos visitantes e dos doentes que se encontra na portaria à disposição de todos poderemos constatar e examinar as belíssimas impressões que deixaram registradas, mentes inteligentes e cultas de nacionais e estrangeiros que visitaram o hospital, mas principalmente os números atestados por um considerável número de doentes que, ao ficarem bons, quiseram testemunhar a gratidão, o reconhecimento, a estima, a veneração deles às dedicadas abnegadas religiosas do hospital da Colônia Portuguesa.

O heroísmo e a consagração das “Filhas de Sant’Anna” no exercício das suas beneméritas funções de obreiras do bem, estão bem delineadas e registradas nos seguintes tópicos da cronica já referida do historiador da Ordem.

O primeiro relatório da Diretoria de 1905 que se refere às religiosas, declara que pela morte de uma das irmãs, de acordo com o respectivo contrato, foi obrigada enviar a Roma a importância, a vista, para a passagem completa de uma outra irmã, que devia substituir a falecida.

As “Filhas de Sant’Anna” das outras casas de Manaus já tinham pago o tributo ao clima insalubre do Amazonas. Já várias sepulturas tinham se aberto no Cemitério Público de São João para recolher os restos mortais de várias religiosas, tombadas no cumprimento do dever e na flor da idade. A mesma Capital, Manaus, não foge das epidemias comuns aos afluentes e confluentes do grande Rio.

O clima quente úmido, os grandes e muitos lagos, lamaçais e lugares baixos são causas de muitas doenças, especialmente a febre amarela.

Quem mais sofre, são mesmo os estrangeiros, que depois de pouco tempo de permanência no Amazonas percebem o fígado inchado e a vesícula inchada, sintomas de péssimas consequências. A mulher mais facilmente que o homem, neste clima ruim envelhece precocemente sob o peso de inúmeros sofrimentos. As religiosas da Beneficente Portuguesa poucos meses, após a chegada delas, viram falecer a jovem irmã Veridiana.

A doença de febre amarela, para nada valeram os diligentes cuidados das colegas, para nada a dedicação dos médicos e as descobertas científicas. Em dezembro de 1906, irmã Veridiana confortada com os santos Sacramentos entre as lágrimas das irmãs inconsoláveis entregava sua virgem alma a seu divino esposo. Como são diferentes os desígnios de Deus dos seus escolhidos.

Irmã Veridiana com todo o entusiasmo de um coração jovem tinha saído da Itália, atravessou os mares com o desejo de dedicar toda a sua vida à caridade para consolar infelizes, enxugar lágrimas. Mas, Deus bem cedo veio buscar esta flor bonita para transplantá-la no seu celestial jardim, o Paraíso.

As irmãs muito sentiram a perda irreparável, mas, gostaram bastante em ver as homenagens, a estima, o afeto, a gratidão que a direção, o corpo médico, os funcionários todos do hospital e todos os amazonenses prestaram a saudosa falecida.

Para substituir a irmã falecida chegou da Itália irmã Evarista.

Irmã manuseando o aparelho de raio-x. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Outras beneméritas irmãs adoeceram de graves doenças, por exemplo, irmã Elísea, que em 13 de julho de 1907 foi transferida para o Ceará, em tratamento de saúde. Depois de alguns dias faleceu.

Apesar das inúmeras benemerências das “Filhas de Sant’Anna”, no Hospital Beneficente Portuguesa e o respeito e a simpatia que elas gozam da direção e da colônia, as irmãs em 1910, tiveram que sofrer um bocado por causa de uns espíritos Jacobinos que participavam da diretoria. Estes achavam demasiada a religiosidade das irmãs entre os doentes. Chegou-se a atos muito hostis contra a consciência religiosa das irmãs e talvez sem saber se chegou a prejudicar a sua ação sacerdotal.

Mas, deve-se dizer pelo amor à verdade que estes desentendimentos eram infundados.

E a pequena luta não saiu do hospital. As irmãs, porém, cientes da retidão delas reagiram enérgicas e dignamente logo triunfaram diante da luz meridiana dos fatos. Estas divergências, muitas vezes necessárias e benéficas, serviram para confirmar o espírito de sacrifícios das “Filhas de Sant’Anna”, verdadeiros anjos de consolo, de modo que a diretoria e os sócios do hospital Beneficente Portuguesa sentiram-se mais presos às queridas irmãs:

Tal afirmação não é gratuita nem exagerada.

Em seguida à Proclamação da República Portuguesa, 05 de outubro de 1910, acende-se no ânimo de muitos portugueses o espírito liberal exagerado e por isso não só em Portugal houve uma perseguição religiosa, mas também nas colônias portuguesas.

Os portugueses de Manaus, não ficaram isentos deste espírito republicano, nem entre os componentes da direção do Hospital da Colonia, que em Manaus formava a elite da sociedade. No meio de tal fanatismo de republicanos, franco-maçônicos, o primeiro deles foi a completa laicização do hospital. A primeira coisa, naturalmente era afastar as irmãs e depois tirar todos os símbolos da religião católica. Conforme o programa dos mais fanáticos, muita coisa deviam-se modernizar no Hospital Beneficente Portuguesa.

Mas, perante a realidade do fato e depois de razões econômicas e considerando a virtude, a abnegação, o sacrifício e depois a estima, a afeição da maior parte dos sócios pelas beneméritas irmãs, o fanatismo republicano de uns entre os mais exaustados foi completamente apagado. E a direção naquele ano, deixou arquivado um documento para “Filhas de Sant’Anna”, vale o maior dos elogios, que, honra não só a casa Beneficente Portuguesa, mas, toda a família religiosa, das “Filhas de Sant’Anna”. Eis, por inteiro o celebre documento.

“… Era nosso desejo que o serviço do Hospital fosse tirado às irmãs correspondendo desta maneira não só o espírito liberal da maior parte de nossos sócios, como de fato demonstraram em várias assembleias, mas, ainda teria se tirado aquele caráter religioso que muitos pensam que o nosso tenha, pelo fato de ser seu serviço entregue aos cuidados de membros de congregação religiosa.

Mas, podemos garantir que a finalidade exclusiva das irmãs é somente a assistência aos doentes, não tendo nenhuma influência ou culto religioso. Emfim, a impossibilidade de conseguir uma outra turma de enfermeiras para substituí-las nos impediu de fazer, continuando, portanto, com as religiosas.

Mas, já que nós nos referimos as irmãs, aproveitamos da oportunidade para ressaltar com quanto afeto e amor continuam a ser afeiçoadas à sociedade se mostrando desinteressadas e cheias de boa vontade em nos auxiliar para equilíbrio financeiro da administração, fazendo concessões favoráveis sobre certos direitos peculiares que por direito do contrato vencido a sociedade se encontra devedora.”2 Pág., 226

E ainda para confirmar em consideração as venerandas “Filhas de Sant’Anna”, eram tidas na direção, eis que lê na relação anual de 1910.

“… A administração interna do hospital continua sob os cuidados das irmãs “Filhas de Sant’Anna”. Esta direção cumpre com seu dever registrando nestas páginas a admirável abnegação com que as irmãs prestam os serviços delas nesta casa. O espírito de caridade que as anima no desempenho das próprias missões, nunca foi visto ofuscado de mínima sombra, Missionárias do bem, são inspiradas somente a beneficiar e embora nesta época a administração fosse agitada de mil problemas econômicos, para a remuneração que lhe era devida, as irmãs com sublime desinteresse, eliminaram as dificuldades.” 3 Pág., 226

Estes atos tão nobres que revelam a grandeza de ânimo devem ser apresentados, como magnânimo exemplo para o aperfeiçoamento de todos. Foi a primeira irmã superiora irmã Ilária. Se não aqui seria bom e necessário nomeá-la, mas, também fazer um pequeno esboço de vida dizendo quanto tempo permaneceu suas especiais atitudes, suas virtudes civis, religiosas e assim por diante.

Beneficente Portuguesa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Irmã Ilária, uma figura clássica de “Filhas de Sant’Anna” que em Manaus honrou muitíssimo seu Santo Instituto, foi a irmã a Segaline, que por doze anos foi superiora no Hospital Beneficente Portuguesa. De reconhecida virtude e austeridade, a digna superiora não só era amada por suas queridas irmãs, mas, muito que se sucederam no tempo de seu mandato. De palavra simples e leal, era verdadeira apóstola do bem em vários ambientes do Hospital, conforme o coração da Santa Heroína fundadora Rosa Gattorno, ela recomendava as irmãs, que deveriam fazer brilhar a mais sólida virtude e a fecundidade da obra humana.

Em seus anos, os inúmeros serviços feitos ao hospital atraíram-lhe a estima e simpatia de todos, não só no ambiente hospitalar, mas, também com as principais famílias da cidade, relacionadas com a importante casa de saúde.

As queridas irmãs da congregação “Filhas de Sant’Anna” representam para o Amazonas, um testemunho verdadeiro dos poderes de Deus, pois foram no passado e são no presente esta vela votiva de esperança, de amor ao próximo, de caridade e principalmente de muito trabalho hospitalar. Registramos as irmãs:

  • Ana Sabina (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Domitila Rodrigues (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Marília (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Nazarena (farmácia),
  • Ana Fedele Guimarães (superiora e secretária),
  • Ana Rinalda Duarte,
  • Ana Esmerentina Montenegro (cozinheira nutrição),
  • Ana Marcelina Medeiros (prática de farmácia),
  • Ana Dionísia Pires Castro,
  • Ana Maria Lúcia Lucena Iene,
  • Ana Inês Moreira (professora supervisora),
  • Ana Alessia Barbosa,
  • Ana Gertrudes Romeiro (secretária),
  • Ana Joliva Araújo Iene,
  • Ana Silva Araújo (secretaria),
  • Ana Maria de Lourdes Rodrigues (prática de farmácia),
  • Ana Paula Vasconcelos (nutrição),
  • Ana Cleonice M. Silva,
  • Ana Adriana Fernandes (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Aurora A. Costa (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Lauretana C. Araújo (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Tarcisa Tavares (auxiliar 3 grau),
  • Ana Biagia L. Nascimento (nutrição),
  • Ana Fausta P. da Silva,
  • Ana Bertila Silva (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Ivete Andrade (auxiliar de enfermagem),
  • Ana da Cruz dos Santos (secretária),
  • Ana Odiléia da Silva (nutrição),
  • Ana Elisa Griffante (farmacêutica),
  • Ana Yara Maria Jorge Passos,
  • Ana Celestina Alves Manço (auxiliar de enfermagem supervisora),
  • Ana Amália dos Santos (enfermagem),
  • Ana Dulce de Almada (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Ducinéia Furtado,
  • Ana Imaculada S. Ferreira,
  • Ana Justina de Menezes de Souza (enfermeira padrão),
  • Ana Istella Valente (assistente social e nutrição),
  • Ana Miquelina Casiraghi (auxilar de enfermagem),
  • Ana Clotilde Medeiros (material e saúde),
  • Ana Maria do Carmo Mendes (enfermeira padrão),
  • Ana Elena da Silva (administração),
  • Ana Maria do Socorro Rocha (superiora),
  • Ana Androzina S. Viana (prática de enfermagem),
  • Ana Paula da Costa (auxiliar de enfermagem),
  • Ana Maria Auxiliadora de P. Rodrigues (enfermagem padrão),
  • Ana Amaclina,
  • Ana Carmélia,
  • Ana Mazimila Marinho de Carvalho (enfermeira e administradora hospitalar).

Fonte

BAZE, Abrahim. 125 anos de história (1873-1998). Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas. 2 ed. Editora Valer, 2001. Págs., 222 e 226.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista