A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), realizou a nona videoaula do projeto Rede Educa com foco em ESG, indicadores de desempenho e comunicação responsável. O conteúdo foi conduzido pelo economista e pós-graduado em Gestão Financeira, Armando Ennes, e apresentou reflexões sobre a importância dos KPIs na gestão estratégica e no fortalecimento das práticas sustentáveis dentro das organizações.
Durante a videoaula, foram abordados conceitos relacionados à utilização de KPIs (Key Performance Indicators) como ferramentas fundamentais para mensurar resultados, acompanhar metas corporativas e apoiar processos de tomada de decisão alinhados às diretrizes ESG. A discussão também destacou o papel da comunicação responsável na construção da reputação institucional e no fortalecimento da relação entre empresas, sociedade e mercado.
ESG, desempenho corporativo e gestão estratégica
O conteúdo apresentou a relevância da integração entre desempenho operacional, responsabilidade socioambiental e governança corporativa como diferencial competitivo para empresas inseridas em um cenário econômico cada vez mais orientado por critérios sustentáveis, transparentes e estratégicos.
A aula reforçou ainda que o uso adequado de indicadores contribui para maior eficiência na gestão organizacional, além de ampliar a capacidade das empresas de atender às exigências contemporâneas relacionadas à sustentabilidade, à inovação e à credibilidade institucional.
“Os KPIs aliados às práticas ESG permitem que as organizações acompanhem resultados de forma estratégica e transparente, fortalecendo não apenas a gestão interna, mas também a credibilidade institucional diante do mercado e da sociedade”, destacou Armando Ennes.
Formação alinhada às demandas do mercado
A iniciativa integra a programação do projeto Rede Educa, que promove conteúdos voltados à qualificação profissional, inovação e desenvolvimento regional, conectando temas contemporâneos às necessidades do Polo Industrial de Manaus e aos desafios do setor produtivo amazônico.
A videoaula está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:
O projeto Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM).
Apesar do advento da borracha sintética, que encerrou definitivamente o ciclo de opulência que teve seu auge na Amazônia brasileira na virada do século 19 para o 20, a borracha natural das seringueiras continua insubstituível para vários usos, como a confecção de pneus para aeronaves e de equipamentos médicos.
A borracha natural distingue-se por combinar, de maneira única, flexibilidade e robustez, oferecendo aos objetos produzidos alta elasticidade e poder de recuperação da forma original e resistência à fadiga, ao aquecimento, ao rasgamento e à abrasão. Além disso, possui a virtude de ser uma matéria-prima de origem renovável e de as plantações poderem ajudar na captura de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.
No entanto, o Brasil perdeu a primazia na produção de borracha natural, hoje liderada por Tailândia (35%), Indonésia (25%) e Vietnã (8-10%), seguidos por China (6-7%) e Índia (5-6%). Com menos de 2% da produção mundial, o Brasil não consegue abastecer o mercado interno e precisa importar a matéria-prima.
Um dado surpreendente para os não especialistas é que o epicentro da produção brasileira se deslocou da Amazônia para o Estado de São Paulo. Como a seringueira leva cerca de dez anos para entrar em sua fase produtiva plena, alguns fazendeiros sediados no território paulista, que se dedicam a outros cultivares como atividade principal, reservam uma parte da propriedade para o plantio da seringueira, como uma espécie de poupança para o futuro.
O grande problema é que, na hora de começar a colher o látex, muitos se surpreendem com a baixa produtividade das árvores, apesar de terem introduzido na fazenda os melhores clones disponíveis no mercado. A explicação foi dada agora, com o rigor do método científico, por um estudo conduzido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e no Instituto Agronômico (IAC) e publicado no periódico The Plant Genome.
A pesquisa mostrou que o porta-enxerto – isto é, a planta que sustenta o clone enxertado – desempenha papel decisivo na produtividade da seringueira, podendo determinar diferenças expressivas na produção de látex.
As gemas de seringueira são coletadas de clones produtivos e enxertadas em mudas (porta-enxertos) germinadas a partir de sementes coletadas de plantações clonais. Esta combinação de enxerto e porta-enxerto é destinada ao plantio comercial. Foto: Wanderson Cunha/Acervo pessoal
“Investigamos, pela primeira vez, os mecanismos moleculares envolvidos na interação entre o enxerto e o porta-enxerto em seringueiras [Hevea brasiliensis], principal fonte mundial de borracha natural. Nossos achados evidenciam que os porta-enxertos não são apenas suportes para fixação dos clones, mas sim agentes ativos na regulação da expressão gênica do material enxertado, com impacto direto na produtividade e adaptabilidade da cultura”, afirma o pesquisador Wanderson Lima Cunha, primeiro autor do artigo.
O estudo sobre estas seringueiras foi coordenado por Anete Pereira de Souza, professora titular do Departamento de Biologia Vegetal da Unicamp e orientadora do doutorado de Cunha, apoiado pela FAPESP. Dentre vários colaboradores, contou com a participação do professor Paulo Gonçalves, pesquisador sênior do IAC e considerado uma das maiores autoridades mundiais em borracha natural.
“Na prática agrícola, a seringueira é propagada por enxertia, na qual a gema de um clone selecionado [como o RRIM 600, um dos mais utilizados no Brasil] é inserida sobre um porta-enxerto constituído por uma seringueira obtida a partir de sementes. Embora os programas de melhoramento tenham historicamente focado apenas no clone, descobrimos, no estudo, que o porta-enxerto pode alterar profundamente o desempenho da planta. Quando se planta o melhor clone sobre o porta-enxerto errado, a produção pode cair para apenas 25% do que seria esperado com a combinação correta”, afirma Souza.
Os resultados confirmaram essa influência: a combinação do clone RRIM 600 com o porta-enxerto PB 235 apresentou a maior produtividade média: 76,03 g de borracha seca por árvore em cada operação de sangria. Ao passo que, com porta-enxertos de sementes não selecionadas, a produtividade caiu para 43,29 g.
Principais resultados com as seringueiras
Para entender essa diferença tão marcante, os pesquisadores analisaram o transcriptoma – o conjunto de genes expressos – de árvores enxertadas em diferentes porta-enxertos. “Identificamos milhares de genes cuja expressão varia conforme a combinação enxerto-porta-enxerto, incluindo genes diretamente ligados à produção de látex”, informa Cunha.
Entre os achados mais relevantes, o estudo possibilitou a identificação de genes exclusivamente expressos (EEGs) e diferencialmente expressos (DEGs) associados a variações na produtividade; evidenciou a participação de vias metabólicas, como a do jasmonato (hormônio vegetal que atua principalmente na resposta a estresses e na regulação de processos metabólicos), na produção de látex; e apontou diferenças nas redes de coexpressão gênica, indicando maior ou menor sinergia entre genes envolvidos na biossíntese da borracha. Esses resultados mostram que o porta-enxerto não atua apenas como suporte físico, mas como um modulador ativo da fisiologia da planta.
Segundo os pesquisadores, o desconhecimento sobre a importância do porta-enxerto tem causado prejuízos significativos aos produtores.
“Quando o agricultor vai comprar a muda, ele pede o clone, mas não pede o porta-enxerto. E ninguém o informa sobre isso. Como a seringueira demora anos para entrar em produção, o erro só é percebido tarde demais. O fazendeiro espera mais de uma década para descobrir que está produzindo muito menos do que poderia”, sublinha Souza.
Além do avanço científico, o estudo tem forte aplicação prática. Com base nos resultados, o IAC está preparando uma cartilha para orientar viveiristas e produtores sobre as melhores combinações entre clones e porta-enxertos. Os autores defendem também a criação de políticas que exijam a identificação do porta-enxerto na comercialização de mudas.
Os resultados apontam para uma mudança de paradigma na cultura da seringueira. Até agora, os programas de melhoramento focavam quase exclusivamente nos clones enxertados. O estudo mostra que isso é insuficiente. Ao incorporar o porta-enxerto como componente ativo, abre-se a possibilidade de aumentar a produtividade, melhorar a adaptação a estresses (como seca), reduzir doenças e tornar a cultura mais competitiva.
Inseminação artificial em tempo fixo utiliza hormônios para sincronizar o ciclo reprodutivo das vacas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR
Uma produtora rural de Roraima encontrou na inseminação artificial em tempo fixo (IATF) uma alternativa para melhorar a qualidade genética do rebanho e aumentar a produtividade da fazenda. A técnica apresenta resultados positivos em uma propriedade localizada a 62 quilômetros de Boa Vista.
A inseminação artificial em tempo fixo utiliza hormônios para sincronizar o ciclo reprodutivo das vacas, permitindo que o produtor saiba exatamente o período em que os animais estarão prontos para a inseminação.
Com isso, não é necessário esperar ou identificar os sinais naturais do cio, o que facilita o manejo do rebanho, reduz falhas na reprodução e ajuda a organizar etapas como cruzamentos genéticos, previsão de partos e acompanhamento dos animais na fazenda.
Produtora investe em inseminação artificial em tempo fixo e amplia rebanho em Roraima. Foto: Divulgação
Inseminação artificial tem se mostrado eficaz
A fazenda Rancho Grande trabalha com pecuária desde 2016. A produtora Erôni Teles Bettanin passou a investir na IATF com uso de sêmen de touros europeus para acelerar o melhoramento genético do gado.
“Com esse método a gente tem o total controle entre uma gestação e outra, sem contar nas vantagens de poder ter mais bezerros em pouco tempo. Assim que a vaca tem o bezerro, a gente já faz o protocolo de inseminação pra próxima gestação”, conta a produtora.
Para aplicar a técnica na fazenda, há o acompanhamento com aplicação de medicamentos hormonais, seguindo um calendário definido conforme o tamanho do rebanho e a rotina da propriedade. Entre os benefícios apontados estão a melhora na reprodução das matrizes e a redução do tempo entre um parto e outro.
Com o investimento em tecnologia e manejo, a produtora afirma já perceber aumento da produtividade e melhora no desempenho dos animais.
“Comecei em 2016 com apenas 20 vacas. Depois aumentou para 80 e atualmente tenho mais de 1.200 vacas de raças de alto padrão genético. Não foi fácil, mas hoje colho os resultados de tudo isso”, explica.
Desde 2016, quando começou com 20 vacas, a produtora ampliou o rebanho para mais de 1,2 mil animais. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR
O veterinário Rafael Souza acompanha o processo na fazenda há quatro anos. Ele destaca a importância do acompanhamento profissional durante o protocolo. “É importante ressaltar que se deve usar medicamentos de forma correta”, alertou.
O melhoramento genético já pode ser observado na prática. Atualmente, a fazenda possui bezerros com idades entre dois e seis meses, resultado do uso de materiais genéticos das raças Nelore e Angus.
Durante o protocolo, os medicamentos estimulam um novo ciclo reprodutivo nas vacas e aumentam as chances de prenhez. O acompanhamento veterinário é considerado essencial para garantir que todo o processo aconteça no momento adequado. Cadastro de rebanhos é obrigatório em Roraima.
A abertura do 12º Festival Safra da Castanha Nova reuniu, no dia 17 de maio, cerca de 950 atletas indígenas na Aldeia Kupēkatê Kyikatejê, localizada na Terra Indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Pará. Com apoio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), o encontro segue até o dia 23 de maio, e marca o início da colheita da castanha-do-pará, além de fortalecer o intercâmbio cultural entre diferentes etnias.
A programação de abertura contou com a entrada das delegações indígenas, apresentações de cânticos, danças tradicionais e pinturas corporais, além de pronunciamentos de lideranças indígenas, autoridades e representantes institucionais. O momento também foi marcado por homenagens a parentes falecidos, com um minuto de silêncio.
Festival Safra da Castanha Nova reúne cerca de 950 atletas indígenas no sudeste do Pará. Foto: Divulgação
A secretária interina da Sepi, Roseli Cavalcante, destacou o papel do festival na valorização das culturas indígenas e no fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos originários.
“Este festival é um espaço de valorização das culturas indígenas e de fortalecimento das identidades. A presença da Sepi reafirma o compromisso do Estado em apoiar os povos indígenas, ouvindo suas demandas e incentivando o diálogo e a construção de políticas públicas que respeitem os territórios e os modos de vida”, afirmou.
Integração entre etnias e fortalecimento cultural
O festival reúne delegações de pelo menos sete etnias de outros estados, como Maranhão e Mato Grosso do Sul, além de cerca de 500 atletas da própria Terra Indígena Mãe Maria. Povos como Canela, Gavião do Maranhão e Terena participam das atividades, reforçando o caráter interestadual do encontro.
Festival Safra da Castanha Nova reúne cerca de 950 atletas indígenas no sudeste do Pará. Foto: Divulgação
Segundo o secretário adjunto da Sepi, Wiratan Sompré, o evento representa um importante espaço de integração entre os povos indígenas do sul e sudeste paraense.
“Este é um dos maiores momentos de integração dos povos indígenas do sul e sudeste do Pará. Além da celebração da colheita da castanha, o festival fortalece a cultura por meio da troca de saberes, cantos, tradições e da participação nos esportes tradicionais. Também é um espaço que movimenta a economia local, com artesãos expondo seus produtos em um evento aberto ao público”, destacou.
A estrutura do festival inclui praça de alimentação aberta aos visitantes, área de acampamento e um refeitório que serve mais de 600 refeições por dia.
As competições começaram na segunda-feira dia 18 de maio, em uma arena de terra preparada especialmente para os jogos tradicionais indígenas. Entre as modalidades disputadas estão corrida de tora, arco e flecha, cabo de força e arremesso de lança, práticas que unem esporte, ancestralidade e tradição cultural.
Festival Safra da Castanha Nova reúne cerca de 950 atletas indígenas no sudeste do Pará. Foto: Divulgação
A cofundadora da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e uma das organizadoras do Festival Safra da Castanha Nova, Concita Sompré, ressaltou o significado histórico e cultural do encontro.
“A safra da castanha celebra não apenas a colheita, mas também a resistência do povo. Este território já foi um dos maiores produtores de castanha e sofreu impactos de grandes empreendimentos. Hoje, o festival representa uma colheita de boas relações, de intercâmbio entre os povos e de fortalecimento da identidade cultural”, afirmou.
Programação cultural
A programação cultural também integra as atividades do festival, com apresentações da aparelhagem Tupinambá, do grupo Caferana e da cantora Keila, vocalista da Gangue do Eletro. A abertura contou ainda com apresentação do DJ Erik Terena.
A Polícia Civil de Roraima (PCRR) realizou visita técnica ao Complexo Barreira, localizado na região de Caracaraí, para acompanhar de perto as atividades de pesquisa mineral em uma das áreas com maior concentração de terras raras do Brasil.
Com mais de 36 hectares devidamente licenciados pelo órgão ambiental estadual, a área reúne 16 elementos de terras raras, minerais de alta complexidade de extração e considerados estratégicos para diversas cadeias produtivas e tecnológicas no cenário mundial.
A delegada-geral da Polícia Civil, Simone Arruda, participou da agenda acompanhada pela delegada titular da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DRCAP), Ana Paula Lima; pelo delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Julio Cesar da Rocha; além de uma equipe técnica formada pelos peritos Érica Veras, bióloga, especialista e mestre em Recursos Naturais e doutora em ciências ambientais; Teodoro Gauzzi, perito papiloscopista e doutor em Geologia; João Euclides, engenheiro agrônomo; bem como professores e acadêmicos da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
A visita teve como objetivo ampliar o conhecimento técnico sobre as trincheiras de pesquisa, os processos minerários, as metodologias de campo e os aspectos legais que envolvem a exploração mineral, permitindo à Polícia Civil compreender melhor a dinâmica da atividade e atuar de forma estratégica na prevenção e repressão de possíveis ilícitos em uma região de grande relevância para o desenvolvimento econômico de Roraima.
Segundo a delegada-geral Simone Arruda, a presença da instituição na área demonstra o compromisso da Polícia Civil com a fiscalização, a legalidade e a proteção dos recursos naturais do estado.
“Quando falamos em uma descoberta mineral de grande impacto econômico, como a das terras raras, também precisamos falar sobre responsabilidade, legalidade e segurança pública. Uma movimentação econômica dessa magnitude pode gerar disputas fundiárias, grilagem, ameaças, fraudes documentais a atuação de organizações criminosas interessadas na exploração ilegal dessas áreas”, destacou.
Simone Arruda ressaltou ainda que acompanhar de perto projetos estratégicos é essencial para que a Polícia Civil compreenda antecipadamente os desafios que podem surgir, contribuindo para a segurança da população e para a proteção do patrimônio público e ambiental.
“Nosso papel é estar atentos desde o início, compreendendo o cenário, prevenindo conflitos e garantindo que o desenvolvimento aconteça dentro da legalidade, com segurança para a população e proteção para o patrimônio do estado”, observou.
O chá de canela é bom para a digestão, enquanto o chá de cipó-alho funciona para melhorar sintomas gripais. Mas você sabia que, além de servirem à medicina tradicional, os óleos essenciais dessas plantas podem ter usos mais elaborados? A estudante de Biomedicina no Pará, Viviane Ribeiro Santos é responsável por uma pesquisa que investiga a utilização de óleos essenciais de cipó-alho e canela para tratar células cancerígenas no organismo humano.
O estudo buscou compreender se compostos naturais podem ajudar no combate ao câncer de forma mais seletiva, ou seja, atacando principalmente as células tumorais e preservando as células saudáveis. Esse é um dos grandes desafios dos tratamentos oncológicos atuais.
Segundo Viviane, a escolha por esse óleos se deu a partir do trabalho contínuo do Núcleo de Pesquisas em Oncologia com produtos naturais.
“Nosso laboratório recebe vários óleos essenciais por meio de colaborações. A gente faz uma triagem inicial e avalia quais apresentam resultados interessantes. A canela e o cipó-alho chamaram atenção logo nos primeiros testes”, explicou.
Além dos resultados preliminares, a orientadora da pesquisa, professora Ingryd Nayara de Farias Ramos, reforça que o uso popular dessas plantas também pesou na decisão.
“São produtos muito presentes no dia a dia da população, usados em chás, remédios caseiros e na medicina tradicional. A ideia é justamente verificar se esse uso empírico tem base científica”, complementou a docente.
Apesar de ainda estar em uma fase inicial, a pesquisa dialoga diretamente com um problema concreto: os efeitos colaterais dos tratamentos contra o câncer. A quimioterapia, por exemplo, não diferencia células tumorais de células saudáveis, o que causa diversos efeitos danosos aos pacientes.
“A principal lacuna dos tratamentos atuais é a falta de seletividade”, explicou Ingryd. “Eles funcionam, mas afetam todo o organismo. O que buscamos são moléculas que consigam agir mais especificamente nas células do câncer”, afirmou.
A pesquisadora reforça que os óleos essenciais podem, futuramente, ser incluídos como parte de terapias combinadas. “Se uma substância natural ajudar na redução da dose de um quimioterápico, por exemplo, já é um grande avanço para o paciente”, comentou Viviane.
Método simples e acessível com recorte regional
A pesquisa foi realizada totalmente em laboratório, por meio de testes in vitro, utilizando diferentes linhagens de células cancerígenas, como do câncer gástrico, melanoma e do câncer pulmonar. Também foi utilizada uma linhagem de células não tumorais, etapa fundamental para avaliar se os óleos são seletivos celulares.
Para medir a viabilidade celular, os pesquisadores utilizaram o ensaio de MTT, um teste bastante comum em pesquisas desse tipo. “É um método simples e acessível. As células metabolicamente ativas transformam o reagente em uma substância roxa. Quanto mais roxa a placa fica, mais células viáveis ainda existem”, explica a estudante.
Além disso, foi analisado como essas células morrem após o tratamento com os óleos. Para isso, se utilizou a citometria de fluxo, técnica que permite a identificação de células com precisão para, assim, distinguir o padrão de morte celular gerado pelos óleos.
A escolha das linhagens celulares a serem analisadas também teve um recorte regional. “A gente trabalha com câncer gástrico porque ele tem alta incidência aqui na região Norte. Inclusive, algumas linhagens que usamos foram estabelecidas a partir de tumores de pacientes da própria região”, destaca a orientadora da pesquisa.
Os resultados mostraram que o óleo essencial de canela teve um efeito interessante sobre as células de câncer gástrico. “A linhagem celular tumoral foi cerca de cinco vezes mais sensível ao óleo do que a linhagem não tumoral, o que indica um bom nível de seletividade deste ativo”, afirmou Viviane.
Já o óleo essencial de cipó-alho apresentou um efeito ainda mais amplo, reduzindo significativamente a viabilidade de várias linhagens cancerígenas. Em alguns casos, a redução aconteceu já nas menores concentrações testadas. “Isso indica que o óleo tem um potencial citotóxico forte contra células tumorais”, explica a pesquisadora.
Um dos pontos que mais chamou atenção na análise foi o tipo de morte celular observado experimentalmente. “Os trabalhos com produtos naturais normalmente indicam padrão de morte por apoptose (mecanismo biológico que resulta na morte controlada das células), porém, nos nossos estudos, achamos predominantemente necrose (forma patológica de morte celular)”, relatou a professora Ingryd.
Segundo a orientadora, esse resultado gerou novas perguntas dentro da pesquisa. “O teste que usamos não diferencia necrose de necroptose, que é uma forma de necrose programada. Então levantamos a hipótese de que esteja ocorrendo necroptose, que é uma via importante para contornar a resistência das células tumorais”, explicou a professora.
Apesar dos bons resultados já alcançados, as pesquisadoras reforçam que o estudo ainda está em fase inicial. “É uma pesquisa de base. Antes de pensar em qualquer aplicação clínica, a gente precisa entender melhor os mecanismos moleculares envolvidos”, afirmou Viviane.
Os próximos passos dos estudos incluem análises de biologia molecular para identificar quais genes e vias celulares estão sendo ativados, além de testes mais complexos, como culturas 3D e, futuramente, estudos in vivo. “É um caminho longo a ser percorrido, mas essencial para garantir a segurança e a eficácia do método”, destaca a orientadora.
Para a professora Ingryd, a pesquisa também evidencia o potencial da biodiversidade amazônica. “A nossa região é extremamente rica em compostos naturais. Estudar essas moléculas é uma forma de transformar a biodiversidade em conhecimento científico e, quem sabe, em soluções futuras para a saúde”, concluiu.
Sobre a pesquisa de óleos essenciais
A pesquisa intitulada “Avaliação do efeito de óleos essenciais em linhagens neoplásicas in vitro”, – premiada no XXXVI Seminário de Iniciação Científica da UFPA – foi desenvolvida por Viviane Ribeiro Santos, sob orientação da professora Ingryd Nayara de Farias Ramos, atuante no Laboratório de Citogenética Humana (UFPA) e no Núcleo de Pesquisas em Oncologia (NPO), do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB).
Sobre a pesquisadora
Viviane Ribeiro Santos, 22 anos, se interessou por pesquisa ainda como caloura de Biomedicina. Ela pretende seguir na carreira acadêmica, em cursos de mestrado e doutorado. No seu tempo livre, a jovem gosta de ler, assistir filmes e fazer crochê. Sua dica para quem deseja ingressar na área é: “Correr atrás da vontade mesmo com medo de tentar coisas novas. As recompensas são lindas”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 177, escrito por Luiza Amâncio
Durante pandemia, Brasil já registrou 191 mil mortes por covid-19 em 2020. Foto: Alex Pazuello/Semcom Manaus
Uma análise do Estudo Carga Global de Doenças, publicada na revista científica The Lancet, apontou que a expectativa de vida no Amazonas caiu 5,84 anos durante a pandemia de covid-19. A queda representa a segunda maior redução do país, atrás apenas de Rondônia, com redução de 6,01 anos.
O estudo mostra ainda que os três estados mais afetados do país ficam na Região Norte: além de Rondônia e Amazonas, Roraima registrou queda de 5,67 anos na expectativa de vida. De acordo com os pesquisadores, a mortalidade no Brasil aumentou 27,6% durante a pandemia, o que levou a uma redução média de 3,4 anos na expectativa de vida da população brasileira.
Para os autores do levantamento, o cenário foi agravado pela condução do governo federal na época, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As autoridades enfraqueceram as orientações científicas – rejeitando o distanciamento social, disseminando desinformação, promovendo medicamentos sem eficácia comprovada, atrasando a aquisição de vacinas, sob a justificativa de isso protegeria o país de um colapso econômico”, diz o trecho do estudo.
Cemitério do Tarumã recebia enterros em valas coletivas. Dezenas de covas tiveram de ser abertas para atender a demanda provocada pelas mortes na pandemia. Imagem de abril de 2020. Foto: Alex Pazuello/Semcom Manaus
Números e impactos da pandemia
O estudo avalia o impacto de doenças e fatores de risco em mais de 200 países e aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros. Enquanto a Região Norte concentrou as maiores perdas, estados do Nordeste tiveram os menores recuos na expectativa de vida: Maranhão com 1,86 anos; Alagoas com 2,01; e Rio Grande do Norte com 2,11 anos.
Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada às medidas adotadas pelos governos estaduais durante a crise sanitária. “Na ausência de coordenação nacional, os governos estaduais do Nordeste formaram um consórcio com um comitê científico independente que implementou estratégias”.
O documento cita ações como distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, obrigatoriedade do uso de máscaras, proteção a trabalhadores e monitoramento de dados em tempo real.
Os pesquisadores também afirmam que o impacto da pandemia poderia ter sido menor no país caso houvesse coordenação nacional alinhada às recomendações científicas.
O levantamento mostra ainda que o Brasil teve desempenho pior do que outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, além de integrantes do Brics, como China e Índia.
“Um país com histórico bem-sucedido de cobertura vacinal como o Brasil ficou atrás na vacinação contra a COVID-19 devido à falta de organização, à demora na aquisição de vacinas e ao foco em medicamentos para ‘tratamento precoce’ sem evidências científicas de benefício”.
Avanços
Apesar do impacto da pandemia, o estudo aponta melhora nos indicadores de saúde brasileiros nas últimas décadas. Entre 1990 e 2023, a expectativa de vida no país aumentou 7,18 anos. No mesmo período, a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%, enquanto o índice que mede anos saudáveis perdidos por morte ou doença teve redução de 29,5%.
Os pesquisadores relacionam os avanços a melhorias no saneamento básico, crescimento econômico e expansão de políticas públicas de saúde, como o Sistema Único de Saúde e o Programa Saúde da Família.
O levantamento também mostra que quase todas as principais causas de morte tiveram redução nas últimas décadas. As exceções foram Alzheimer e outras demências, com aumento de 1%, e doença renal crônica, que cresceu 9,6% entre 1990 e 2023.
Em 2023, a principal causa de morte no Brasil foi a doença isquêmica do coração, seguida pelo AVC e pelas infecções do trato respiratório inferior. Já a principal causa de mortes prematuras foi a violência interpessoal.
*Com informações da Rede Amazônica AM e da Agência Brasil
Inspeção na Resex Jaci-Paraná. Foto: Grupo REC/CPT Rondônia
Durante a última semana, uma equipe do Supremo Tribunal Federal (STF) esteve na Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná, em Rondônia, realizando uma inspeção judicial. A vistoria faz parte de uma ação que discute a constitucionalidade de uma lei estadual criada para regularizar ocupações irregulares dentro da reserva e “perdoar” multas aplicadas por crimes ambientais.
A Reserva Extrativista Jaci-Paraná é uma unidade de uso sustentável, com quase 200 mil hectares, administrada pelo governo de Rondônia. A ocupação da área é permitida, mas com restrições: apenas populações tradicionais podem morar no local, desde que respeitem o plano de manejo da unidade.
A lei em questão foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO). O texto chegou a ser vetado pelo governador Coronel Marcos Rocha, mas os deputados estaduais derrubaram o veto e mantiveram a medida, que entrou em vigor no fim de abril de 2025.
Inspeção do STF na Resex Jaci-Paraná. Foto: Reprodução/TJ-RO
Em maio de 2025, o Partido Verde (PV) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a norma, alegando que ela representa um grave retrocesso ambiental. Segundo o partido, ao retirar consequências legais de crimes ambientais sob a justificativa de anuência do Estado, a lei acaba incentivando a impunidade e a continuidade das irregularidades na reserva.
Foi a própria ALE-RO que pediu a realização da inspeção judicial durante o andamento da ação. A Assembleia argumenta que as ocupações na área não seriam invasões clandestinas, mas resultado de um processo histórico tolerado e incentivado pelo próprio Estado.
A equipe responsável pela inspeção é formada pela juíza instrutora Caroline Santos Lima, acompanhada de técnicos do gabinete do ministro Cristiano Zanin e com apoio do Tribunal de Justiça de Rondônia.
Área da Resex Jaci-Paraná, em Porto Velho. Foto: Marcio Isensee e Sá/Oeco
STF ouve envolvidos
Durante três dias, o grupo de representantes do STF percorreu áreas da reserva e ouviu cerca de 100 pessoas, entre moradores, representantes de associações de extrativistas, ONGs, integrantes do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e deputados estaduais.
O objetivo, segundo a decisão do ministro Zanin, é proporcionar uma melhor compreensão do conflito antes de decidir sobre a constitucionalidade da lei.
Em alguma sala de aula da Região Amazônica, neste momento, há um jovem que resolve problemas de forma diferente, conclui tarefas com rapidez e ainda encontra tempo para ajudar os colegas. Um estudante que sonha alto, mas que, muitas vezes, ainda não conhece os caminhos capazes de transformar potencial em oportunidade. É esse talento que o Ismart busca identificar, desenvolver e conectar a novas perspectivas de futuro.
O Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos) está com inscrições abertas para a Academia Digital 2027, programa gratuito e 100% online voltado a estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental. A iniciativa contempla jovens do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, ampliando o acesso à formação de excelência e ao desenvolvimento de competências alinhadas às demandas do futuro.
Formação que transforma potencial em trajetória
Há 26 anos, o Ismart atua na identificação e no desenvolvimento de jovens talentos em situação de vulnerabilidade social. Ao longo desse período, mais de 9.300 estudantes já foram apoiados pelo instituto.
Os resultados refletem o impacto da iniciativa: 90% dos alunos dos programas presenciais conquistam aprovação no vestibular, 83% dos graduados atuam atualmente em posições de destaque no mercado de trabalho e os estudantes formados pelo instituto chegam a multiplicar em sete vezes a renda familiar per capita em comparação ao momento de ingresso no programa.
Somente em 2026, mais de 1.100 novos alunos passaram a integrar a rede Ismart. Para 2027, a instituição projeta ampliar ainda mais esse alcance e fortalecer a presença do programa em diferentes regiões do país.
“O talento não tem endereço. Ele está em qualquer sala de aula do Brasil. E o Ismart existe para encontrá-lo, potencializá-lo e mostrar que o esforço tem destino certo”, destacou Mariana Rego Monteiro, diretora executiva do Ismart.
Academia Digital amplia oportunidades para jovens da Amazônia
A Academia Digital é o programa online do Ismart e está disponível para estudantes de todo o Brasil. Mais do que uma formação complementar, a iniciativa oferece uma jornada de desenvolvimento acadêmico, tecnológico e pessoal.
Durante o programa, os participantes têm acesso a conteúdos de tecnologia e programação, raciocínio lógico, matemática, português e redação, além de integrarem uma comunidade ativa formada por alunos, mentores, universitários e ex-alunos do instituto.
Para participar, é necessário estar regularmente matriculado no 7º, 8º ou 9º ano do ensino fundamental e pertencer a famílias com renda de até dois salários mínimos por pessoa.
Rede de apoio acompanha estudantes até o mercado de trabalho
Mais do que oferecer capacitação, o Ismart acompanha os estudantes em diferentes etapas da formação acadêmica e profissional, promovendo pertencimento, apoio contínuo e conexões que fortalecem trajetórias de longo prazo.
“Durante o programa, realizei projetos que jamais tinha imaginado, especialmente na área de tecnologia. Aprendi a programar, conheci pessoas incríveis e descobri muito mais sobre matemática, linguagens e olimpíadas. Essa experiência me deixou mais motivada e confiante para alcançar meus objetivos”, afirmou Giovana De Biagi, aluna da Academia Digital Ismart.
O impacto do acompanhamento promovido pelo instituto também pode ser observado na trajetória da ex-aluna Rafaela Herrera Silva.
“O Ismart foi muito mais do que um programa. Ele foi o contexto de responsabilidade que se cria desde cedo. Entrei no programa com 12 anos, determinada a ser engenheira. Fui aprovada em uma excelente universidade pública, me formei, empreendi e hoje trabalho para formar jovens para o futuro. O Ismart plantou em mim a semente de que era possível ir além”, ressaltou Rafaela Herrera Silva, engenheira e empreendedora reconhecida pela Forbes entre os Under 30 mais influentes do Brasil.
O Ismart – Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos – é uma organização sem fins lucrativos que, desde 1999, amplia o acesso de jovens de baixa renda e alto desempenho acadêmico a oportunidades educacionais de excelência.
Por meio de programas presenciais e digitais, o instituto oferece bolsas de estudo, orientação profissional, formação em competências socioemocionais e preparação para universidades de referência no Brasil e no exterior. Mais de 9 mil estudantes já passaram pelo Ismart, que acredita na educação como instrumento de transformação social e no talento como força capaz de impulsionar mudanças para o futuro do país.
Mostra que está em cartaz na Galeria Samaúma, em Macapá, integra as comemorações do mês do Artista Plástico. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP
Em comemoração ao mês do Artista Plástico, a exposição ‘Amazônia em Traços – Unindo Gerações nas Artes Visuais’ está em cartaz na Galeria Samaúma, no bairro Araxá, Zona Sul de Macapá. A mostra reúne mais de 60 artistas que retratam, por meio de telas e fotografias, a paixão pela Amazônia.
A programação acontece em diferentes espaços culturais de Macapá e Santana promovendo integração. O objetivo é promover o diálogo entre artistas consagrados e novos talentos, celebrando a diversidade dos traços e a força da produção artística local.
Jeriel Luz idealizador da Exposição — Foto: Divulgação
Idealizador do projeto, o artista plástico Jeriel Luz destacou que a exposição nasceu da necessidade de unir experiências e trajetórias diferentes em torno da arte amazônica.
“A exposição nasce da necessidade de unir experiências, talentos e trajetórias diferentes em torno da arte amazônica. Estamos criando pontes entre artistas veteranos e novos criadores, fortalecendo a identidade cultural do Amapá e mostrando que a arte transforma vidas, preserva memórias e projeta novos futuros para a nossa cultura”, afirmou Jeriel Luz.
Programação da exposição
Em Macapá, a mostra acontece em:
Galeria Samaúma — Praça do Araxá, próximo ao Ministério Público Estadual
Palácio das Artes Mestre Jansen — Avenida Professora Cora de Carvalho, nº 1842, Centro
Visitação: das 8h às 11h30 e das 14h às 18h, até 21 de maio
Já na cidade de Santana, o evento ocorre nos seguintes locais:
Hall do Cine Teatro Municipal Silvio Romero
Abertura: 22 de maio, às 18h
Visitação: das 8h às 11h30 e das 14h às 18h, até 29 de maio