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Cemitério indígena é encontrado em sítio arqueológico de Itacoatiara, no Amazonas, durante escavações

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Estudantes de uma escola municipal visitaram o local para aprender sobre preservação. Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Um estudo arqueológico realizado no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, confirmou que a área abriga um antigo cemitério indígena. Durante as escavações, pesquisadores identificaram quatro pontos com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos de materiais arqueológicos.

O local é um fragmento florestal marcado pela presença de seringueiras e também é reconhecido como sítio arqueológico, com vestígios que ajudam a contar a história dos povos indígenas que ocuparam a região antes da chegada dos europeus.

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O trabalho foi realizado depois que o proprietário de uma área dentro do sítio iniciou a construção de um muro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou o responsável e solicitou a realização de um estudo arqueológico antes de novas intervenções no terreno.

O proprietário contratou uma equipe especializada para realizar o projeto de salvamento arqueológico. A intenção é preservar a maior parte da área e fazer poucas intervenções no terreno. Os locais considerados de menor potencial arqueológico poderão ser utilizados futuramente, desde que respeitadas as orientações técnicas e legais.

“Ele praticamente será um guardião desse sítio. Então qualquer obra que ele irá fazer vai consultar sempre a parte arqueológica e a parte ambiental”, explicou a engenheira ambiental Kesia Maia.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Quatro urnas funerárias são encontradas

Durante cerca de uma semana de escavações, os arqueólogos identificaram quatro locais com urnas funerárias. A descoberta confirmou a hipótese de que a área funcionava como um cemitério indígena.

Segundo a arqueóloga Elaine Parintins, as urnas não serão retiradas. As escavações foram interrompidas justamente para preservar o contexto funerário.

“É de fato um sítio arqueológico muito complexo e que conta um pouco da história pré-colonial, antes do contato com os europeus”, afirmou.

A pesquisa também se conecta a um estudo realizado há 14 anos. Em 2012, pesquisadores encontraram uma urna funerária a cerca de 200 metros da área atualmente estudada.

Segundo o professor Carlos Augusto da Silva, a urna encontrada naquele período continha restos mortais de oito pessoas, sendo duas crianças.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Para os pesquisadores, os novos achados ajudam a confirmar a função funerária do local. A expectativa é que áreas de habitação, onde ficavam as moradias dos antigos habitantes, estejam nas proximidades do cemitério.

Além das urnas, a equipe retirou mais de 200 fragmentos arqueológicos durante os trabalhos. Entre os materiais estão peças de cerâmica, fragmentos com pinturas e decorações e um objeto que pode ter sido utilizado como ferramenta.

O material coletado será levado para Manaus, onde passará por higienização, catalogação e análise em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). As quatro urnas encontradas durante a pesquisa permanecerão preservadas no próprio local.

Alunos conhecem sítio arqueológico

Durante os trabalhos, estudantes da Escola Municipal Isaac Peres visitaram o Seringal do Jauari para conhecer a pesquisa e aprender sobre a importância da preservação do patrimônio arqueológico.

A professora Lucifran Lima da Silva acompanhou a visita. Segundo ela, a escola já trabalhava com o tema e tinha preocupação com a preservação da área.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

“É importante que essas crianças que estão crescendo saibam a sua história, o que aconteceu aqui, as urnas arqueológicas e o que elas significam”, disse.

A professora destacou ainda que o contato com o sítio ajuda a despertar a curiosidade dos estudantes sobre a história dos povos indígenas que viveram na região.

Itacoatiara tem 46 sítios arqueológicos

Itacoatiara possui atualmente 46 registros no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), em áreas urbanas e rurais do município.

O número é superior ao registrado em 2012. Naquele ano, o Iphan informava que havia 27 sítios arqueológicos cadastrados em Itacoatiara e realizava estudos para inventariar outras áreas.

O Sítio Jauari já era pesquisado naquele período. Uma reportagem do g1 publicada em agosto de 2012 registrou escavações realizadas por pesquisadores no local.

Na época, o Iphan informou que os estudos faziam parte de um trabalho de levantamento do patrimônio arqueológico do município. Entre os objetivos estava identificar quais sítios ainda resistiam à ação humana e quais outras áreas poderiam ser cadastradas.

Quatorze anos depois, novas pesquisas voltaram ao Jauari e ampliaram o conhecimento sobre a ocupação indígena antiga na região.

Leia também: Descubra por quê Itacoatiara é conhecida por ser a cidade da pedra pintada

Preservação

A realização do estudo está relacionada ao licenciamento ambiental e à proteção do patrimônio arqueológico. Quando uma obra ou intervenção pode afetar esse tipo de patrimônio, o Iphan participa do processo para garantir que os vestígios sejam identificados e preservados.

No Jauari, a pesquisa permitiu delimitar as áreas de maior concentração de vestígios e orientar possíveis intervenções futuras.

Para os pesquisadores, preservar o sítio significa manter parte da memória dos povos que viveram na região antes da colonização.

Além do valor arqueológico, o Seringal do Jauari mantém uma área de vegetação com presença de seringueiras, reunindo em um mesmo espaço elementos da história indígena e da ocupação mais recente da região.

O material coletado durante a pesquisa ainda será analisado pelos especialistas. Os estudos devem ajudar a identificar com mais detalhes como viviam os povos que ocuparam o local e ampliar o conhecimento sobre a história antiga de Itacoatiara e da Amazônia.

*Por Liam Cavalcante, da Rede Amazônica AM

‘Nova fronteira exploratória’, diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo na Foz do Amazonas

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A Petrobras identificou indícios de hidrocarbonetos na Foz do Amazonas na sexta-feira (14). O presidente do IBP avaliou a região como uma “nova fronteira exploratória”. Imagem: Reprodução

A indicação da presença de hidrocarbonetos, substâncias que podem ser petróleo ou gás natural, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, consolida a região como uma “nova fronteira exploratória” para o país. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian.

A declaração ocorre após a Petrobras identificar indícios de petróleo e gás natural na sexta-feira (14) durante a perfuração do poço Morpho, localizado em águas profundas a cerca de 175 km da costa amapaense.

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Segundo Furian, o principal marco do anúncio é a comprovação de uma teoria geológica na região.

“Nós estamos falando de uma nova fronteira exploratória brasileira, inclusive muito importante para garantir a segurança energética do Brasil”, disse o presidente do IBP à Rede Amazônica.

No entanto, o projeto entra agora em uma nova etapa de estudos. A Petrobras precisará perfurar outros poços para delimitar o tamanho do reservatório, verificar a profundidade e avaliar o volume, a qualidade e a pressão do material antes de comprovar se há viabilidade para exploração comercial.

“O mais importante do anúncio é exatamente a comprovação de uma teoria geológica. Até você fazer a perfuração, você não sabe exatamente o que tem no subsolo naquele momento. Só a perfuração vai te confirmar a existência ou não de petróleo”, afirmou o presidente do IBP.

Saiba mais: Indícios de petróleo são encontrados em poço na Foz do Amazonas no Amapá, anuncia Petrobras

Furian ressaltou que a confirmação de reservas na área pode ser fundamental para garantir a segurança energética do país a médio e longo prazo.

Isso porque os campos das bacias de Campos e de Santos, que integram o Pré-Sal, entrarão em fase de amadurecimento nos próximos anos, o que causará uma queda natural na produção dessas áreas.

Repercussão política e expectativas locais

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou o avanço nas pesquisas e destacou o potencial de desenvolvimento regional.

“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense”, disse Alcolumbre. O parlamentar também elogiou o trabalho técnico e ambiental da estatal.

'Nova fronteira exploratória', diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo na Foz do Amazonas
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

O governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), avaliou que a confirmação das reservas pode trazer impacto positivo na economia local com a atração de novas empresas e investimentos.

“O que precisa ser feito? Em especial, capacitar as pessoas para esses novos postos de trabalho e também revocacionar o estado ou parte dele para essa nova realidade econômica”, ressaltou Clécio, pontuando que uma eventual atividade industrial deve conviver com os programas locais de bioeconomia.

Potencial exploratório do petróleo no local

Os indícios de hidrocarbonetos , que podem indicar a presença de petróleo ou gás, foram identificados por meio de análises elétricas e exames nas rochas. As perfurações continuam para avaliar a viabilidade e o potencial do poço.

Estimativas do governo federal apontam que a Margem Equatorial possui reservas potenciais que podem permitir a exploração de até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a região pode abrigar até 10 bilhões de barris.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável estimado em 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

SEMA-AM, conquistas ambientais ou sonhos de uma noite de verão?

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Foto: Divulgação/SEMA-AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Quedei-me estupefato, surpreso e boquiaberto com o relatório de despedida do ex-secretário de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA-AM), Eduardo Taveira, publicado nas redes sociais. Ele começa afirmando: “Hoje encerro um ciclo à frente da SEMA-AM. E que aventura! Não tenho palavras para descrever o tamanho da minha gratidão por todas as experiências que vivi ao longo desses quase oito anos”.

E complementa: “Estava refletindo nos últimos meses sobre o fato de pertencer a uma primeira geração de gestores públicos da área
ambiental que precisou lidar diretamente com o agravamento e a concretude da crise climática mundial. Cheias e secas históricas, incêndios florestais rigorosos e a urgência do apoio assistencial às comunidades ribeirinhas, tornaram estes anos profundamente desafiadores”.

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Taveira, objetivo e orgulhoso, ressalta que, “como diz o ditado, é no mar agitado que se faz o bom marinheiro”, listando, mesmo diante desse cenário adverso, suas conquistas, dentre as quais: “Valorização das pessoas e das instituições: Fortalecemos o Sistema Estadual de Meio Ambiente com o PCCR dos servidores e com a realização do primeiro concurso público da história da SEMA e do IPAAM.

Comando, controle e preservação: Alcançamos em 2025 o menor índice de desmatamento dos últimos oito anos, zerando o desmatamento em quase 80% das nossas Unidades de Conservação (UCs) e estruturando a 5ª fase do PPCDQ-AM; Garantimos a segurança fundiária das associações de UCs por meio da concessão do CDRU coletivo; Instituímos um sistema jurisdicional moderno de Serviços Ambientais e REDD+, tornando o Amazonas pioneiro na assinatura de contratos de REDD+ em UCs Estaduais e na estruturação do Programa Amazonas 2030. Operacionalizamos o Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA), viabilizando milhões de reais em apoio a prefeituras e ONGs”.

Eduardo Taveira, ex-secretário da SEMA
Eduardo Taveira, ex-secretário da SEMA. Foto: Reprodução/Aleam

A listagem segue: “Bioeconomia e uso sustentável: Impulsionamos a geração de renda nas UCs com o manejo florestal, a consolidação de 25 novos acordos de pesca e um marco inédito: a primeira comercialização legalizada de quelônios manejados em Carauari, após a devolução de mais de 2,4 milhões de filhotes à natureza; Implantamos a maior rede de monitoramento da qualidade do ar do Brasil, com sensores em todos os 62 municípios; elaboramos o Inventário de Emissões do Estado; iniciamos o Plano de Bacia do Tarumã-Açu; e consolidamos o maior programa de reciclagem do Amazonas, o Recicla, Galera, no Festival de Parintins; Retomamos a liderança política e institucional do Amazonas nas maiores rodadas de negociação climáticas do Brasil e do mundo”.

Leia também: Terras Raras, o novo petróleo, elemento fundamental à inserção do Brasil no mundo da alta tecnologia do século XXI

Examinando a íntegra do documento, não seria interessante (e oportuno) relacionar, a título de esclarecimentos e prestação de contas à sociedade o que de fato pode-se considerar efetivas conquistas do trabalho de Taveira à frente da SEMA-AM, quais exatamente os benefícios sociais, econômicos e ambientais do povo amazonense auferidos até aqui? Quais os ganhos, mensurados, do Amazonas nesse período diante do desafio representado pela necessidade de consolidação do trinômio produzir, defender e conservar sustentavelmente o bioma?

Paralelamente, quais os avanços concretos relacionados à integração PIM/Bioeconomia como forma de construção de nova matriz econômica para o estado do Amazonas? Alguma razão para o silêncio do governo do Estado sobre questões de tamanha responsabilidade? Ou da Sedecti (que continua devendo o ZEE), da Sepror/Idam, isolados e apagados; da Sefaz, que, por essencialmente fiscalista, não se preocupa com o desenvolvimento?

Nessas circunstâncias, onde precisamente o Executivo, o ex-secretário Eduardo Taveira e suas ONGs pensam que vão chegar quanto à exploração integrada e sustentável dos recursos de nossa biodiversidade? A propósito, não se deve desprezar o dado estatístico de que o setor primário continua representando pouco mais de 3% do PIB do Amazonas. Realmente, nesses termos, muito preocupa o chegar a 2073.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

IIAP apresenta experiência imersiva que aproxima público do trabalho científico na Amazônia peruana

Foto: Reprodução/IIAP

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP ), órgão do Ministério do Meio Ambiente, apresentou uma produção audiovisual imersiva que permite ao público acompanhar seus pesquisadores durante o trabalho de campo na Reserva Nacional Allpahuayo Mishana. A visita guiada mostra como os especialistas instalam armadilhas fotográficas, dispositivos de monitoramento bioacústico (AudioMoth) e realizam levantamentos de aves para gerar dados científicos.

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A experiência transporta o usuário para o coração desse ecossistema amazônico e permite que ele observe, da perspectiva dos pesquisadores, as técnicas que utilizam para monitorar a vida selvagem sem alterar seu comportamento natural. O conteúdo combina imagens em 360° com depoimentos de especialistas, que explicam a importância de cada ferramenta e sua contribuição para a pesquisa científica.

As câmeras-armadilha capturam fotos e vídeos quando ativadas por um sensor de calor infravermelho ao detectar a passagem de animais.

“Antes de instalá-las, verificamos a configuração do equipamento, o estado da bateria e a capacidade de armazenamento. Em seguida, selecionamos pontos estratégicos para obter registros confiáveis ​​da presença e atividade da vida selvagem”, explicou Fredy Arévalo Dávila, chefe do Centro de Pesquisa Allpahuayo Mishana.

IIAP apresenta experiência imersiva que aproxima público do trabalho científico na Amazônia peruana
Foto: Reprodução/IIAP

Leia também: Ciência na Amazônia: apesar do potencial imenso, desigualdade de recursos persiste

Experimento também revela os sons da Amazônia

O monitoramento também incorpora dispositivos bioacústicos AudioMoth, que gravam continuamente os sons da floresta. Usando essas gravações, os pesquisadores identificam pássaros, anfíbios, mamíferos e insetos por suas vocalizações, mesmo quando não podem ser observados diretamente.

Para proteger o equipamento das chuvas intensas da Amazônia, o IIAP utiliza invólucros herméticos feitos de materiais reutilizáveis. Estes incorporam uma membrana acústica impermeável que impede a entrada de água sem afetar a qualidade das gravações, permitindo que o monitoramento continue mesmo em condições climáticas adversas.

O vídeo também inclui excursões de observação de aves, uma atividade fundamental para a compreensão da diversidade e do comportamento das espécies que habitam as florestas de areia branca da reserva. A esse respeito, o biólogo Francisco Vázquez Arévalo, especialista em ornitologia amazônica do IIAP, observou que, durante a estação chuvosa, as gravações de áudio permitem a identificação de espécies difíceis de observar diretamente, principalmente nessas florestas.

Foto: Reprodução/IIAP

A Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada a cerca de 20 quilômetros a sudoeste de Iquitos, protege uma amostra representativa das florestas de areia branca da Amazônia peruana. Este ecossistema abriga espécies de flora e fauna altamente especializadas, muitas delas endêmicas.

As informações obtidas por meio dessas investigações fortalecem o conhecimento científico e fornecem evidências para a conservação desse patrimônio natural.

*Com informações do Instituto de Pesquisas da Amazônia do Peru

Dia do Patrimônio Histórico: qual a importância de preservar a memória do transporte brasileiro?

A memória do transporte brasileiro também pode ser encarada como um patrimônio histórico. Foto: Divulgação/FuMTran

O dia 17 de agosto marca a celebração do Dia do Patrimônio Histórico e chama atenção para a necessidade de preservar não apenas edifícios, monumentos e documentos, mas também os bens ligados à evolução dos transportes no Brasil. Bondes, locomotivas, trilhos, estações, estradas, portos, embarcações, maquinários e registros históricos ajudam a revelar como os diferentes modais transformaram cidades, aproximaram regiões e acompanharam mudanças econômicas e sociais ao longo do tempo.

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Com a missão de preservar e divulgar a história e a cultura dos transportes brasileiros, a Fundação Memória do Transporte (FuMTran) iniciou, em 2018, a estruturação de um banco de dados e de um museu virtual, posteriormente disponibilizados por meio do Portal Memória do Transporte.

O projeto reuniu curadores com experiência nos principais modais, desenvolveu uma metodologia própria de catalogação e passou a utilizar o software Sophia Acervo para organizar os materiais. Atualmente, cerca de 20 mil objetos estão identificados e catalogados, entre fotografias, livros, publicações, artigos, entrevistas, depoimentos, documentários, vídeos e exposições.

A entidade destaca que a preservação desses registros ajuda a compreender não apenas a trajetória dos diferentes modais, mas também a influência dos transportes na formação das cidades e no desenvolvimento do país.

“Quando você sabe de onde vem, começa a descobrir para onde vai. Preservar essa memória é fundamental para compreender como os transportes ajudaram a estruturar cidades e regiões metropolitanas, conectaram pessoas e impulsionaram o desenvolvimento econômico e social. Além de proteger um patrimônio cultural, esse conhecimento oferece referências importantes para planejar os sistemas do futuro”, afirma Antonio Luiz Leite, presidente da fundação.

Leia também: Da carroça ao ‘busão’: veja a evolução histórica do transporte coletivo em Manaus

estrada rodovia Foto divulgação Ministerio dos transportes - patrimônio
Memória dos transportes também faz parte do patrimônio histórico do país. Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes

Memória dos transportes mantêm patrimônios

A conservação desse patrimônio permite compreender desde a expansão das ferrovias e das redes de transporte urbano até o desenvolvimento das rodovias, da aviação e da navegação no país. Essa dimensão pode ser observada em espaços como o Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, em São Paulo, que preserva sete veículos históricos, cerca de 1.500 fotografias e 1.500 livros, além de documentos, objetos e equipamentos ligados à mobilidade urbana.

Mais do que peças isoladas, esses bens registram técnicas de engenharia, relações de trabalho, modos de vida e soluções criadas em diferentes períodos para atender às necessidades de deslocamento, abastecimento e circulação de mercadorias. 

Entre os principais desafios para a preservação desses registros estão a deterioração provocada pelo tempo, o abandono de estruturas e acervos, a escassez de recursos financeiros e a ausência de políticas de conservação. Na avaliação da FuMTran, ampliar a conscientização de empresas, entidades, dirigentes e da sociedade é fundamental para impedir que documentos, fotografias, veículos e equipamentos desapareçam antes que sua relevância histórica seja reconhecida.

Nesse contexto, o apoio de diferentes agentes do setor torna-se essencial: “Os avanços conquistados pela fundação foram possíveis graças ao incentivo de empresas, ao apoio de entidades do setor e ao reconhecimento dos nossos projetos culturais”, destaca Leite.

Leia também: Livro que resgata a formação logística da Amazônia será lançado na TranspoAmazônia

Ao disponibilizar esse patrimônio ao público, a pesquisadores e às novas gerações, a instituição busca estimular estudos e ampliar o conhecimento sobre a influência dos transportes na integração territorial e no desenvolvimento econômico e social do país.

“Tornar essa memória acessível é uma maneira de preservar conhecimentos, valorizar aqueles que construíram a história do setor e oferecer à sociedade instrumentos para compreender melhor as transformações do Brasil”, ressalta o presidente da Fundação. É nessa conexão entre o que foi construído no passado e os caminhos que ainda precisam ser percorridos que o patrimônio dos transportes mantém sua relevância.

Transporte na Amazônia

A FuMTran, em maio, durante a 3ª edição da TranspoAmazônia, realizou o pré-lançamento do livro ‘A História do Transporte da Amazônia’. A obra escrita por Etelvina Garcia, reúne um amplo levantamento histórico sobre a evolução dos transportes na região amazônica, destacando o papel estratégico dos diferentes modais na integração territorial, na circulação de mercadorias e no desenvolvimento econômico da região Norte ao longo das últimas décadas.

A publicação apresenta um estudo aprofundado sobre o processo de desenvolvimento amazônico desde o período colonial português. Compreendida como uma região de dinâmica logística própria, a Amazônia é retratada como um território marcado por desafios operacionais, longas distâncias e condições geográficas que exigiram soluções específicas de mobilidade e abastecimento ao longo do tempo.

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Nesse contexto, o transporte surge como um dos principais vetores de estruturação regional, um tipo de patrimônio que influencia na formação de rotas comerciais, a conexão entre comunidades e a expansão das atividades econômicas. O modal fluvial ganha protagonismo na obra, com os rios assumindo função central na organização da circulação e no funcionamento logístico da região amazônica.

O livro também aborda a evolução da aviação regional, das conexões rodoviárias e da integração logística construída ao longo das décadas para aproximar comunidades muitas vezes isoladas e viabilizar atividades econômicas em uma das regiões mais complexas do planeta do ponto de vista operacional. Saiba mais AQUI.

FuMTran – Fundação Memória do Transporte

A FuMTran – Fundação Memória do Transporte nasceu em março de 1996, instituída pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), com a missão de preservar e divulgar a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em todas as modalidades. Seus objetivos envolvem organizar, preservar e tornar acessíveis os registros históricos da atividade dos transportes.

A entidade tem, ainda, a missão de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico-cultural do Brasil por meio da conservação da memória e da cultura do transporte brasileiro em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário –, seja de carga ou de passageiros, mais a infraestrutura e a logística, tornando-os acessíveis à população. O projeto de memória, acervo e portal é perene, um processo contínuo, um trabalho sem fim.

*Com informações da assessoria

Nova espécie de rã é registrada em florestas alagadas da Amazônia

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Além de ampliar o conhecimento científico, a identificação de novas espécies de anfíbios neotropicais traz impacto direto em estratégias de conservação. Foto: Divulgação/CBioClima

Cientistas descobriram uma nova espécie de rã nas florestas alagadas do oeste da Amazônia, nomeada Adenomera varcena. A descoberta representa um avanço importante para o conhecimento da biodiversidade amazônica e da chamada diversidade críptica – casos em que dois ou mais animais parecem idênticos a olho nu, mas na verdade são de espécies completamente diferentes. Para diferenciá-las, os pesquisadores precisaram analisar detalhes como o canto do anfíbio e o seu DNA.

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Os resultados foram publicados em maio na revista Ichthyology & Herpetology. Entre os autores do artigo estão o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Célio Haddad e o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Thiago Carvalho. Ambos integram a equipe do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP.

Cientistas descobrem nova espécie de rã em florestas alagadas da Amazônia
Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

Leia também: Oreobates shunkusacha: Nova espécie de rã é descoberta no Parque Nacional Cordillera Azul no Peru

A descoberta ocorreu a partir de expedições realizadas na região do Alto Rio Juruá, no oeste do Acre, especialmente em fragmentos florestais associados aos rios Moa e Crôa, nas proximidades de Cruzeiro do Sul. Para confirmar que se tratava de uma nova rã, os pesquisadores cruzaram diferentes informações: análises de DNA, o som do canto, o formato do corpo (morfologia), dados sobre o ambiente onde ela vive e comparações com animais já preservados em coleções científicas.

O nome varcena faz referência justamente às florestas de várzea amazônicas, ecossistemas que alagam em determinadas épocas do ano, ambiente onde a nova espécie de rã foi encontrada. O artigo destaca que o uso desse tipo de hábitat representa uma descoberta a respeito do gênero Adenomera, que costuma habitar florestas de terra firme.

Fisicamente, a Adenomera varcena se diferencia das outras espécies pela falta de uma mancha escura na parte de baixo do antebraço. Além disso, seu canto de acasalamento é único: trata-se de um som curto, com ritmo bem lento e características sonoras muito específicas.

A descoberta dessa nova espécie de rã reforça o quanto a biodiversidade amazônica ainda é desconhecida, principalmente em relação a grupos de espécies morfologicamente semelhantes (diversidade críptica). O estudo também destaca que muitas linhagens de Adenomera ainda aguardam descrição formal e que novas pesquisas serão fundamentais para compreender melhor a diversificação desse grupo de anfíbios na Amazônia.

“Como ainda não conhecemos em detalhe as exigências ecológicas dessa espécie de rã e a sua história natural [período e modo reprodutivo], é difícil prever os impactos frente às mudanças climáticas, que podem alterar os regimes de inundação sazonal do ecossistema de florestas de várzea nessa região da Amazônia”, afirma Carvalho.

Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

Identificação de nova rã apontam necessidade de mais estudos

“Como a espécie tem preferência por esse ecossistema específico, é possível sugerir que essas alterações na dinâmica das inundações possam influenciar, não sabemos até que ponto, o comportamento reprodutivo da espécie. Em um cenário de perda acelerada das áreas naturais, a descrição formal de uma nova espécie reforça o quanto ainda precisamos nos esforçar para avançar os estudos sobre a nossa biodiversidade. As espécies podem ser extintas localmente antes mesmo de se tornarem espécies formais, com a sua nomeação e descrição”.

Nesse sentido, o professor Haddad alerta que, embora a descoberta de novos anfíbios seja frequente, a ciência trava uma verdadeira corrida contra o tempo diante da degradação ambiental para catalogar a biota brasileira com precisão.

“Atualmente, o ritmo da destruição dos ecossistemas supera a capacidade de resposta dos estudos taxonômicos. Consequentemente, espécies ainda não descritas ficam de fora das listas de fauna ameaçada, permanecendo juridicamente e ambientalmente vulneráveis. Assim, o ato de descrever novas espécies atua como uma ferramenta que auxilia na proteção. Além disso, aprofundar o conhecimento sobre a real biodiversidade expande nossa compreensão sobre a evolução dos organismos, consolidando um pilar essencial tanto para a ciência pura quanto para as estratégias de conservação”, diz.

Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

Além de ampliar o conhecimento científico sobre anfíbios neotropicais, a identificação de novas espécies possui impacto direto em estratégias de conservação. Sem o reconhecimento taxonômico correto, espécies raras ou restritas a determinados ambientes podem permanecer invisíveis para políticas ambientais e avaliações de risco de extinção.

A pesquisa envolveu colaboração entre instituições brasileiras e internacionais, reunindo cientistas ligados à UFMG, Unesp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade do Equador (PUCE-Quito).

*Com informações do CBioClima e Agência Fapesp

Indícios de petróleo são encontrados em poço na Foz do Amazonas no Amapá, anuncia Petrobras

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Petrobras descobre petróleo em poço no Amapá, na Margem Equatorial. Foto: Divulgação/Petrobras

A Petrobras informou no dia 14 de agosto que identificou a presença de hidrocarbonetos, que podem ser petróleo ou gás natural, em um poço exploratório no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Foz do Amazonas, na costa do Amapá.

A descoberta ocorreu durante a perfuração do poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa amapaense, em uma profundidade de quase 2,9 km.

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“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse a presidente da estatal, Magda Chambriard.

A presença do combustível foi confirmada por meio de análises elétricas e exames nas rochas. As perfurações continuam para avaliar a viabilidade e o potencial do poço, segundo a empresa, de forma segura e com respeito ao meio ambiente.

Leia também: Margem Equatorial: estudo mapeia risco de derramamento de petróleo

Busca por petróleo

A exploração na região faz parte da estratégia da Petrobras para repor suas reservas de combustível e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas.

A Petrobras é a única dona da área e opera o local de forma exclusiva. O direito de exploração foi comprado em 2013, em um leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Esse é o Amapá gigante que a gente quer: protagonista de um Brasil que cresce com desenvolvimento, preservação e oportunidades para a nossa população”, disse o presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre.

Leia também: A foz do rio Amazonas é um delta ou estuário?

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Busca por petróleo é realizada na área. Imagem: Petrobras
Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Potencial exploratório

O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris, o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente.

A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Bolívia anuncia novo passo em direção à mudanças tecnológicas com lançamento do ‘BolivIA’

Foto: Reprodução/ Ministério de Planejamento do Desenvolvimento e Meio Ambiente da Bolívia

O Ministério de Planejamento do Desenvolvimento e Meio Ambiente da Bolívia, através do ministro Fernando Romero Pinto, apresentou no início de agosto a plataforma BolívIA, um modelo de inteligência artificial desenvolvido pelo Estado boliviano e orientado, nesta primeira etapa, para facilitar o acesso, consulta e análise do normativa nacional para fortalecer a eficiência e a transparência da administração pública.

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Durante a conferência de imprensa, o ministro Fernando Romero Pinto destacou que o lançamento constituiu um passo importante no processo de transformação digital que impulsiona o governo e representa o início de uma estratégia voltada para o desenvolvimento de capacidades próprias de inteligência artificial, aproveitando a tecnologia para responder às necessidades específicas do Estado e da população.

“Hoje damos um passo histórico na transformação digital do Estado boliviano”, afirmou o ministro, ao apresentar oficialmente ‘BolíviIA’ e explicou que se trata de um sistema construído sobre padrões abertos que busca incorporar ferramentas de inteligência artificial na gestão pública.

Um dos principais objetivos da ‘BolívIA’ é sistematizar, consultar e estruturar a normativa nacional, permitindo que os servidores públicos possam realizar consultas sobre leis, decretos, resoluções e outros instrumentos normativos de uma maneira mais rápida e ordenada.

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Bolívia dá passo em direção à soberania tecnológica com o lançamento da 'BolivIA'
Foto: Reprodução/Facebook-@Ministerio de Planificación del Desarrollo – Bolivia

De acordo com a explicação fornecida pelo ministro Romero Pinto, uma das características centrais do sistema é que suas respostas são respaldadas por citações exatas da normativa consultada, o que permite reduzir a incerteza nos processos de análise e contribuir para que as decisões da administração pública tenham como referência um marco legal claro e verificável.

“Com este sistema, reduzimos o tempo de investigação legal de horas a segundos, e algo fundamental: sem alucinações, sem invenções, apenas as normas vigentes”, sinalizou a autoridade ministerial, destacando a importância de contar com uma ferramenta tecnológica orientada para a precisão e confiabilidade da informação jurídica.

Da mesma maneira, o ministro explicou que ‘BolívIA’ se sustenta sobre três pilares fundamentais:

  • O primeiro é a soberania tecnológica, devido ao fato de o sistema funcionar em centros de computação do Estado, reduzindo a dependência de infraestrutura tecnológica estrangeira e permitindo que a informação seja processada dentro da infraestrutura estatal.
  • O segundo componente corresponde a uma arquitetura avançada de recuperação e inferência, que combina mecanismos de pesquisa semântica e léxica com técnicas informáticas destinadas a melhorar a precisão das respostas obtidas a partir das consultas realizadas.
  • O terceiro exemplo está relacionado à transformação da análise jurídica, por meio da padronização de critérios técnicos e jurídicos que podem facilitar o trabalho dos servidores públicos e contribuir para processos administrativos mais claros e eficientes.

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Nesse sentido, a autoridade ministerial observou que ‘BolívIA’ não deve ser entendida apenas como uma ferramenta tecnológica, mas também como parte de uma visão mais ampla de modernização do Estado.

“A BolívIA é mais que uma tecnologia, é um compromisso com a transparência e a eficiência”, defendeu o ministro, que enfatizou que o desenvolvimento de capacidades próprias em inteligência artificial também representa uma oportunidade para avançar para uma administração pública mais moderna e voltada para as necessidades da população.

Foto: Reprodução/Facebook-@Ministerio de Planificación del Desarrollo – Bolivia

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Em relação ao papel que a Bolívia pretende assumir em um contexto internacional marcado por uma competência crescente para o desenvolvimento de capacidades próprias em inteligência artificial, o ministro Fernando Romero Pinto afirmou que a Bolívia deve assumir a inteligência artificial não apenas como uma tecnologia do futuro, mas também como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento nacional.

O lançamento da ‘BolívIA’ representa o início de um processo que deverá desenvolver-se de forma progressiva e responsável, fortalecendo as capacidades nacionais em investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico. “Nosso objetivo é que a Bolívia não seja simplesmente um consumidor de tecnologias desenvolvidas em outros países, mas que possa gerar capacidades próprias, formar talentos, impulsionar a investigação e aplicar a inteligência artificial às necessidades concretas de nossa população e de nossa administração pública”, manifestou-se.

O lançamento constituiu um primeiro passo e sinalizou que o desenvolvimento da inteligência artificial deve continuar com a participação de universidades, investigadores, empresas, desenvolvedores e a sociedade em seu conjunto.

Foto: Reprodução/Facebook-@Ministerio de Planificación del Desarrollo – Bolivia

BolivIA busca evolução

A apresentação da ‘BolívIA’ se produz em um cenário mundial em que a inteligência artificial está transformando diferentes âmbitos da sociedade, desde a economia e a educação até os serviços públicos e a relação entre os cidadãos e o Estado.

Neste contexto, o governo planeja que a Bolívia faça parte dessa transformação tecnológica, desenvolvendo capacidades do próprio país e orientando-as para os objetivos nacionais. “Com este sistema, se obrigue à administração pública uma ferramenta que não só acelere seu trabalho, mas que seja mais seguro, mais claro e mais justo”, completou o ministro de Planejamento do Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Dessa perspectiva, Fernando Romero Pinto observou que a tecnologia deve se converter em um instrumento para o desenvolvimento e não ser um fim ao mesmo tempo. “A tecnologia, quando chega ao serviço da gente, se converte em um motor de justiça e desenvolvimento”, afirmou.

*Com informações do Ministério de Planejamento do Desenvolvimento e Meio Ambiente da Bolívia

Senado autoriza crédito externo de US$ 15 milhões à projeto de restauração ecológica no Pará

Foto: Reprodução/MPF

O Plenário do Senado aprovou no dia 13 de agosto autorização para uma operação de crédito externo no valor de US$ 15 milhões entre o governo do Pará e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O recurso (equivalente a cerca de R$ 77,8 milhões) busca assegurar o pagamento de contraprestações assumidas pelo estado dentro do projeto de concessão para restauração ecológica da unidade de recuperação Triunfo do Xingu, em Altamira (PA).

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A relatora da matéria (MSF 49/2026), senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), explicou que o projeto é uma concessão florestal de 40 anos, voltada à recomposição e à conservação de 10 mil hectares de áreas degradadas na Floresta Amazônica, no sudoeste do Pará.

Dra. Eudócia destacou caráter inovador do projeto de concessão florestal beneficiado pelos recursos na Amazônia. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Crédito foi estruturado para garantir viabilidade

De acordo com a senadora, a iniciativa tem como objetivos:

  • plantio de mais de 4 milhões de mudas nativas;
  • sequestro de 3,6 milhões de toneladas de carbono;
  • geração de até 4 mil empregos diretos e indiretos.

Para garantir a viabilidade financeira do empreendimento e atrair investidores privados, ressaltou Dra. Eudócia, o governo do Pará estruturou o empréstimo de US$ 15 milhões junto ao BID.

floresta amazõnica. Fundo Amazônia
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Essa operação financeira inovadora não prevê desembolso imediato de recursos, servindo como a garantia de retaguarda para cobrir obrigações pecuniárias contingentes do parceiro público frente à concessionária”, afirmou.

A matéria segue agora para promulgação.

*Com informações da Agência Senado

IIAP propõe restaurar varillales degradadas pela extração de areia através de “ilhas de fertilidade” na Amazônia peruana

Varillales são florestas tropicais únicas da Amazônia que crescem sobre solos de areia branca, muito ácidos e com poucos nutriente. Foto: Reprodução/Governo do Peru

A extração de areia branca afetou mais de 8.000 hectares de floresta varillal ao longo da rodovia Iquitos-Nauta, no Peru. Em resposta, o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente do país amazônico, está desenvolvendo alternativas para acelerar a recuperação desses ecossistemas.

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Estudos do IIAP mostram que pedreiras abandonadas não recuperam adequadamente sua cobertura vegetal, mesmo após quatro décadas. A extração remove a camada de solo orgânico e expõe a chamada “rocha negra”, um substrato duro que limita a regeneração natural e impede o retorno da vegetação.

As florestas varillais são ecossistemas únicos que prosperam em solos ácidos e pobres em nutrientes. Essas condições permitem o desenvolvimento de flora e fauna altamente especializadas. Portanto, a perturbação do solo gera impactos que vão além da perda da cobertura vegetal.

Diante desse cenário, os pesquisadores do IIAP propõem uma restauração baseada em “ilhas de fertilidade”, que consiste em aproveitar microambientes onde ainda existe matéria orgânica e condições favoráveis ​​ao estabelecimento da vegetação, em vez de aplicar o reflorestamento em larga escala em áreas com solos degradados.

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IIAP propõe restaurar varillales degradadas pela extração de areia através de “ilhas de fertilidade”
A perturbação do solo gera impactos que vão além da perda da cobertura vegetal. Foto: Reprodução/Governo do Peru

Extração de areia fragiliza floresta

Nas pedreiras estudadas, os microambientes com matéria orgânica contêm aproximadamente 7% desse componente, em comparação com menos de 1% nas áreas desprovidas de matéria orgânica. Essa diferença permite identificar espaços com melhores condições para iniciar a recuperação e promover gradualmente o estabelecimento de novas espécies.

A estratégia também inclui a incorporação de serapilheira, detritos lenhosos, matéria orgânica e cobertura herbácea com leguminosas para melhorar a qualidade do solo. Além disso, envolve a reintrodução de espécies florestais nativas nas florestas varillais, que formam “núcleos” ou “ilhas de diversidade”.

Essas áreas visam reativar processos ecológicos e facilitar a colonização gradual de outras espécies vegetais e animais. Assim, a restauração não se limita ao plantio de árvores, mas busca recuperar as condições que permitem o funcionamento do ecossistema.

Os pesquisadores enfatizam que qualquer intervenção deve começar de uma base que permita conhecer o nível de degradação e as características do substrato.

“Ilhas de fertilidade” consistem em aproveitar microambientes onde ainda existe matéria orgânica e condições favoráveis ​​ao estabelecimento da vegetação. Foto: Reprodução/Governo do Peru

As informações obtidas pelo IIAP confirmam que a qualidade do solo é um fator chave para determinar a velocidade de recuperação da vegetação e o retorno progressivo da fauna.

O IIAP também propõe um plano de transição para reduzir a pressão sobre as margens dos rios sem afetar a atividade econômica relacionada à construção. Para isso, sugere o fortalecimento da fiscalização ambiental com base nos impactos reais e a promoção da extração de areia dos rios como alternativa para diminuir a pressão sobre esses ecossistemas.

*Com informações do Governo do Peru e IIAP