Crenças antigas associam o som das cigarras como um aviso da chegada das chuvas. Foto: Celso Silvério/Acervo Pessoal
Não é de agora que crenças populares associam o canto das cigarras com a chegada das chuvas. Reza a lenda o som emitido pelos insetos servia como uma espécie de “aviso de toró” aos povos antigos. Mas será que realmente existe essa ligação do comportamento desses insetos com a condição climática?
A equipe do Portal Amazônia conversou com biólogo Riuler Corrêa Acosta, mestre em Ciências com ênfase em Entomologia e especialista em bioacústica, comportamento e taxonomia de grilos e cigarras, para saber se isso é possível.
De acordo com Riuler, o canto das cigarras tem uma certa ligação com este fenômeno meteorológico, mas voltada para o período reprodutivo dos insetos.
Insetos possuem uma fisiologia que se regula conforme a temperatura ambiente. Foto: Divulgação/Universidade Estadual de Goiás
“A associação da chegada das chuvas e o som dessas espécies está ligada às temperaturas mais altas, totalmente necessárias para que esses insetos iniciem seu período reprodutivo. Ocorre que cigarras comuns, que geralmente emitiam sinais de dezembro até março, agora estão emitindo os sons de outubro e novembro até abril e maio, por conta do aumento da temperatura”, explicou o biólogo.
No entanto, o especialista conta que o período chuvoso contribui na transição dos insetos para a fase adulta.
“Como elas vivem enterradas próximas às raízes das plantas, a chegada das chuvas tornaria o solo menos firme, facilitando a formação de galerias para a saída das cigarras do solo, para que estes animais cheguem na fase adulta”, frisa Acosta.
Segundo o cientista, a fisiologia desses animais também está relacionada às condições abióticas como temperatura e umidade.
“As cigarras, assim como outros insetos, são fisiologicamente chamados de termoconformadores, isto é, seu metabolismo segue as condições externas. O metabolismo fica mais alto em temperaturas mais altas, enquanto que o metabolismo fica baixo em temperaturas mais baixas, portanto, estes insetos não regulam seus sistemas internamente”, pontua o biólogo, que completa:
“Pensando nisso e nas alterações climáticas, provavelmente em breve haverão estudos que relacionam a mudança dos sinais dessas espécies, mas até o momento, não existem estudos que falem sobre a relação entre o som e o clima, apenas sobre elas estarem iniciando o seu período reprodutivo mais cedo”.
Existem algumas doenças que, além da preocupação, causam um certo constrangimento em função da construção social em torno da por sua localização no corpo. A coceira no ânus, por exemplo, pode ser causada por vários motivos: má higiene no local, hemorroidas, fissuras, mas um deles é conhecido por um termo bem popular: tuxina.
Mas… o que é a tuxina? Quais são seus sintomas? Porque recebe esse nome?
Na quinta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ‘oxiurose’, infecção parasitária comum no Brasil, cujo principal sintoma é a coceira intensa na região perianal.
O que é tuxina?
Também chamada de enterobiose, a oxiurose é uma infecção comum causada pelos oxiúros (Enterobius vermicularis), que são pequenos vermes de forma cilíndrica e cor branca, que medem cerca de 1 centímetro.
Parasita Enterobius vermicularis é o causador da oxiuríase ou enterobíase, popularmente conhecida como “tuxina”. Foto: Reprodução/Site MD Saúde
Os oxiúros vivem no intestino dos humanos, seus únicos hospedeiros naturais, e ficam instalados na região do ceco (início do intestino grosso) e do apêndice. Após o acasalamento, o macho morre e sai do corpo através das fezes, enquanto que as fêmeas grávidas permanecem no ceco.
À noite, as fêmeas migram para o ânus onde depositam seus ovos. Esse é o motivo daquela coceira intensa conhecida como “tuxina”, pois é no período noturno que acontece a eclosão dos ovos. Uma larva pode depositar até 10 mil ovos na região perianal. Depois dessa fase, as fêmeas tentam retornar para dentro do ânus, algumas conseguem, outras acabam sendo eliminadas nas fezes.
Ciclo ilustrativo da reprodução evolutiva da “tuxina”. Imagem: Reprodução/Guia de Parasitologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Transmissão
A tuxina pode ser transmitida de três formas: direta, indireta e através da retroinfestação. A primeira é a via fecal-oral, em que o indivíduo, após coçar a área, não lava as mãos adequadamente e acaba comendo alimentos contaminados e ingerindo, praticamente “levando o parasita do ânus pra boca”. Geralmente, esse contágio é comum em crianças.
Já na forma indireta, a contaminação ocorre através dos ovos encontrados nos alimentos, roupas e até locais como assentos de privadas, brinquedos e demais objetos. Isso porque os óvulos conseguem sobreviver nesses locais por até três semanas, em temperaturas ambiente.
A retroinfestação é quando as larvas eclodem no ânus e conseguem “voltar” ao ceco, onde se tornam indivíduos adultos e acasalam novamente.
A “tuxina” geralmente acomete mais crianças. Foto: UFMG
Apesar de algumas pessoas serem assintomáticas, o principal sintoma da tuxina é coceira anal, principalmente à noite. A presença de sangue no papel higiênico, dor e dificuldade para defecar e a presença de pequenos pontos brancos nas fezes também são indícios da enterobiose.
Em alguns casos, sinais como dores abdominais, insônia e diarreia também podem estar ligados aos sintomas da tuxina. No caso de meninas, podem ocorrer infecções genitais como vulvovaginite e corrimento vaginal e, em raras situações, o quadro de apendicite aguda em alguns pacientes.
Diagnóstico
A tuxina pode ser diagnosticada de forma clínica, através da realização do teste de Graham, que consiste numa fita adesiva aplicada na região perianal para depois ser examinada no microscópio. O exame pode revelar óvulos ou vermes da oxiurose. Geralmente, o exame é feito no início da manhã e, se der negativo por cinco manhãs consecutivas, o diagnóstico está descartado.
O médico também poderá indicar a realização de um exame parasitológico de fezes que, ainda que não defina o diagnóstico da oxiurose, pode apontar outras patologias como fissura anal, hemorroida, dermatite atópica, vaginose, entre outros problemas que colaborem para a ocorrência da doença.
O teste de Graham é um exame parasitológico usado para detectar ovos de parasitas como o Enterobius vermicularis, causador da tuxina. Foto: Reprodução/Durviz Ciência
Tratamento
O tratamento mais adequado para cada fase da tuxina deve ser orientado por um médico, que prescreve medicamentos vermífugos, pomadas anti-helmínicas ou outras indicações.
Seja qual for o medicamento utilizado, é recomendado que seja feito o exame novamente, para verificar se ainda há sinais de infecção e, em caso positivo, realizar novamente o tratamento.
Prevenção
Ao Portal Amazônia, a médica generalista Júlia Edwirges reforça que boas práticas de higiene são essenciais para a prevenção da tuxina, assim como de outras doenças.
“A prevenção é baseada em higiene: lavar sempre as mãos antes de comer e após ir ao banheiro, manter as unhas curtas, evitar roer unhas, trocar e lavar lençóis e roupas íntimas com frequência, e reforçar o hábito do banho diário. Com esses cuidados, o ciclo do verme é interrompido e a transmissão diminui consideravelmente”, assegura.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
– Nossa, estou me coçando todo. – Vixi, deve tá bem com curuba...
Quem é da região amazônica certamente, em algum momento, já se deparou com algo parecido com esse diálogo quando o assunto envolve uma coceira constante na pele, seguida de algumas pequenas bolhas avermelhadas e muita irritação.
É a chamada curuba, termo popular associado à escabiose, doença de pele comum no Brasil e que acomete pessoas de todas as faixas etárias e classe sociais.
Mas, o que é curuba? Como se pega essa doença? Quais os sintomas? Porque esse nome? Na quarta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, em busca da explicação sobre essa dermatose infecciosa altamente contagiosa entre humanos.
Representação do ácaro Sarcoptes scabiei, causador da curuba. Foto: Reprodução/Sociedade Brasileira de Dermatologia
Popularmente conhecido como curuba, sarna ou pira, a escabiose é uma doença infecciosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
Dependentes da queratina, tais parasitas se instalam na camada superficial da pele para se alimentarem e também reproduzirem.
Durante o acasalamento, a fêmea penetra na parte superior da epiderme e sua movimentação forma pequenos túneis (tocas), que são micro lesões semelhantes a fios na camada superficial, causando a coceira, a principal sintoma da escabiose, também chamada de pereba, apesar desse termo ser mais usado para ferimentos.
Transmissão
A médica generalista Júlia Magalhães, explica que o contágio da curuba se dá somente entre humanos, através do contato direto com a pessoa contaminada no uso compartilhado de objetos.
“A escabiose, ou curuba, é transmitida principalmente pelo contato direto e prolongado de pele com pele com uma pessoa infectada, podendo também ocorrer pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama contaminadas. Animais domésticos como cães e gatos não transmitem curuba para os humanos”, explica médica.
A sarna não se transmite apenas no simples toque, é necessário ter um contato prolongado para que ocorra a contaminação. Na primeira vez que a pessoa é infestada, o sistema imunitário demora até quatro semanas para gerar sintomas. Neste período, é possível contagiar outras pessoas.
No entanto, em caso de reinfestação, a coceira aparece de três a quatro dias depois, devido já ter ocorrido o contato anterior com o ácaro.
Sintomas
Escabiose entre os dedos. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas
A coceira é o principal sintoma da curuba, que costuma ficar intensa durante a noite, que é o período em que o parasita costuma depositar seus ovos e se movimentar na pele humana. Além disso, a presença de pequenas bolhas, chamadas de pápulas, também podem surgir na pele, provocadas pelo ato constante de coçar.
Foto de uma curuba que virou infecção, devido à intensa coceira. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas
O aparecimento da doença geralmente ocorre nos locais mais quentes do corpo: as dobras (entre os dedos, axilas, dobras dos braços), atrás dos joelhos, orelhas, cintura (em volta do umbigo principalmente), nádegas, genitais, pescoço, pés e embaixo das mamas (também ao redor dos mamilos). Nas crianças, é comum aparecer lesões nos tornozelos e, em raros casos, no couro cabeludo.
O ato de coçar pode levar bactérias para as lesões, resultando em infecção, o que piora o quadro em alguns casos.
Diagnóstico e tratamento
Geralmente, o diagnóstico da escabiose acontece de maneira clínica, ou seja, feito por meio do atendimento presencial do médico com paciente, através da observação visual das lesões características da doença e o histórico de saúde da pessoa.
Em alguns casos, a avaliação das lesões pode ser feita por meio da dermatoscopia, exame que permite observar a estrutura interna da pele. Outra forma também consiste no exame parasitório, no qual o médico pode solicitar a raspagem da lesão, um tipo de biópsia, para identificar o ácaro causador da curuba.
O tratamento da escabiose é realizado através de medicamentos tópicos, aplicados na pele, ou orais, de acordo com as condições do paciente e a extensão da curuba. Comumente, entre as indicações, o médico pode recomendar uso de inseticidas, antiparasitários ou escabicidas.
Vale lembrar que, mesmo quando a pessoa com escabiose não apresenta sintomas, a doença pode ser transmitida para outras pessoas, por isso, é importante que todas as pessoas que estiveram em contato direto com alguém diagnosticado também façam o tratamento, inclusive parceiros sexuais.
Prevenção
É importante ficar atento ao uso de objetos compartilhados, como toalhas, roupas e lençóis de pessoas com higiene precária ou que estão sabidamente infectadas. Também é fundamental que, em ambientes coletivos como creches, escolas e asilos, todos tenham conhecimento e sejam avisados caso exista algum caso. Assim, podem estar atentos aos sintomas ou serem atendidos por um médico e tratados, se necessário.
“Para prevenir, é importante evitar contato próximo com quem apresenta coceira intensa e lesões suspeitas, não compartilhar itens pessoais, lavar roupas e lençóis em água quente, secar bem ao sol ou em alta temperatura e, quando houver um caso na casa, tratar todas as pessoas do convívio ao mesmo tempo para evitar reinfecção”, recomenda a profissional
Objetos como toalhas de banho não devem ser compartilhadas, pois são ambientes propícios para a contaminação da curuba. Foto: Pixabay
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Com a garra e determinação da mulher amazônida, a artista até que tentou, mas depois de enfrentar 96 horas de confinamento no Quarto Branco e três dias na Casa de Vidro, ela optou por aceitar um prêmio alternativo, de R$ 50 mil, e desistiu de entrar na casa mais vigiada do Brasil.
Uma semana depois de apertar o botão, a Rainha do Folclore conversou com o Portal Amazônia sobre a experiência vivida durante as dinâmicas do reality e revelou alguns detalhes curiosos.
Confira a entrevista exclusiva com Lívia Christina:
Portal Amazônia: Foram três dias na Casa de Vidro e depois mais quatro no Quarto Branco. O que te fez apertar o botão de desistência?
Lívia Christina: Acredito que foi a empatia. Foi pelo emocional. Ali no Quarto Branco tinha uma história mais linda que a outra, são pessoas maravilhosas, pensei nas meninas. Já estava no meu limite e de qualquer forma, eu ia continuar o meu trabalho de volta, ser item de Parintins, trabalhar com publicidade e poder dá uma vida financeira estável pra minha família. Então, eu entendi que naquele momento a proposta ia abrir as portas para mim e hoje eu estou feliz pela decisão, vou poder ajudar na casa da minha mãe, pagar as contas e limpar meu nome sujo (risos).
Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia
Portal Amazônia: Durante o período de confinamento do Quarto Branco, o que te ajudou a se manter lá dentro?
Lívia Christina: Me apeguei na fé e no meu silêncio, porque eram muitos pensamentos aleatórios. Pensava na minha mãe, nela rezando para que eu não sentisse fome nem sede, então ficava muito quieta, no meu silêncio, pensando nas estratégias para seguir firme dentro do Quarto Branco.
Portal Amazônia: E como foi a experiência no quarto? Perguntaram muito sobre a Amazônia?
Lívia Christina: Por conta da minha característica indígena, eles perguntaram de qual região eu era e falei que sou do Amazonas, de Parintins. Conversamos sobre a nossa cultura, nossa gastronomia, falei sobre o nosso tambaqui, o tucumã, x-caboquinho, expliquei tudo para eles, inclusive do nosso festival, que é o maior evento folclórico do Brasil.
Portal Amazônia: Teve um infeliz caso de xenofobia envolvendo o termo “índio”, quando um participante se referiu às pessoas que moram na região Norte. Muitas vezes você já se viu nessa situação, com a necessidade de corrigir o tempo e explicar?
Lívia Christina: O Norte, por ser distante das outras regiões do Brasil, muita gente não entende que esse termo é pejorativo, quem colocou isso foram os primeiros colonizadores ao se referirem à Índia (à época os colonizadores confundiram, acreditando que tinham chegado no outro país). Expliquei sobre isso, que agora o termo indígena conta mais sobre a nossa história, nossa essência e identidade.
Portal Amazônia: Se você entrasse no BBB, o que não iria faltar na sua mala? O que levaria da nossa culinária?
Lívia Christina: Com certeza, não iria faltar roupa vermelha, meus acessórios, o meu amuleto, farinha. Eu amo tucumã, ia levar uma saca de tucumã (risos).
Portal Amazônia: E qual remédio amazônico você não deixaria de levar para o BBB?
Portal Amazônia: Qual seria o tema da festa da líder Lívia Christina na casa?
Lívia Christina: Festival Folclórico de Parintins, sem dúvida, para falar da nossa cultura. Ia tocar muita toada de boi-bumbá, do Garantido, do Caprichoso, muito tic-tic-tac, para gente curtir bastante e poder contar um pouco sobre nossa história de Parintins.
Portal Amazônia: Quem do Quarto Branco você levaria para o seu quarto do líder?
Lívia Christina: Eu levaria as meninas, o Boneco (Leandro) também levaria, talvez não o Matheus porque ele poderia me decepcionar no decorrer do jogo, assim como aconteceu lá no quarto branco quando ele me colocou como líder ali do grupo. Então, o único que eu não levaria seria ele.
Portal Amazônia: Existe muita comparação entre você e as outras itens do festival ligadas ao BBB (Isabelle Nogueira e, agora, a Marciele Albuquerque). Como você recebe isso?
Lívia Christina: Eu acho que é preciso ter respeito com as identidades de cada uma. A gente carrega a mesma cultura, a mesma história, o mesmo povo, mas com personalidades diferentes. É preciso que respeitem a história de cada uma de nós, como nos vestimos, o que usamos. Isso é triste e penso que é preciso entender e respeitar cada uma com sua personalidade.
Portal Amazônia: E falando em Marciele, qual o recado que você deixa para ela?
Lívia Christina: Minha mana, você está brilhando, está representando muito bem a nossa história e cultura, que Deus te abençoe muito aí, pode ter certeza que tanto Garantido quanto Caprichoso vão se unir para que a gente eleve o nosso festival. Tenha uma história muito linda e segure firme aí que aqui fora estamos fazendo nosso papel.
“Barriga d’água” é o termo popular da ascite, condição que indica estágio avançado de doenças. Foto: site Cuidados pela vida
Você sabia que a expressão “barriga d’água”, termo popularmente associado à doença da Esquistossomose, na verdade é um sintoma grave que envolve essa e outras patologias? Mas porque recebe esse nome? Tem mesmo como a barriga ficar cheia de água?
Na terceira reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ascite, condição médica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido no abdômen e que indica estágio avançado de algumas doenças.
Conhecida popularmente como barriga d’água, a ascite é o acúmulo de líquido livre dentro da cavidade abdominal, resultando no inchaço da região.
Apesar do nome popular, o líquido não é propriamente água, e sim um fluido cuja composição pode ser diversa: proteínas, bile, suco pancreático, entre outras substâncias.
Popularmente, a doença é associada à Esquistossomose, uma infecção parasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma e transmitida pelo contato da pele com rios, lagos e água contaminados. Mas assim como as outras doenças, a ascite é um sintoma que indica o estágio avançado da patologia.
Causas
A “barriga d’água” é um sintoma relacionado à várias doenças do sistema humano e um indicador grave daquela enfermidade. Insuficiências renal, cardíaca e hepática, pancreatite, alguns tipos de câncer e infecções como tuberculose e esquistossomose são algumas das doenças que podem causar ascite, no entanto, a causa mais comum é a cirrose hepática, uma doença crônica do fígado.
Fatores como células cancerígenas espalhadas no revestimento do abdômen (peritônio), bloqueio do sistema linfático, aumento de pressão nos vasos sanguíneos e doenças inflamatórias que afetam a cavidade abdominal são os principais causadores da ascite.
O inchaço e o crescimento injustificado da barriga é o principal sintoma da “barriga d’água”, porém, o acúmulo anormal do líquido é precedido de outros sinais como desconforto abdominal, dificuldade respiratória, náuseas e vômitos, falta de apetite e sensação de plenitude após consumo de pequenas quantidades de comida.
Conhecida como “Barriga d’água”, a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido. Foto: Reprodução/Cuidados pela vida
Por conta disso, a ascite é considerada um indício de algo grave, uma vez que seu principal sintoma só se desenvolve após dias ou semanas, dependendo da doença e a evolução do quadro do paciente.
Inchaço nas pernas, aumento no tamanho das mamas, diarreia, peles e olhos amarelados também são outros sintomas que podem surgir antes da “barriga d’água”.
Diagnóstico
A identificação da “barriga d´água” consiste em diversas avaliações clínicas, dependendo da causa. Inicialmente, os médicos observam, claro, o aumento anormal do abdômen e realizam um teste físico, que consiste em leves batidas para detectar a presença de líquido acumulado.
Para confirmação de ascite, o paciente é encaminhado para exames de sangue e de imagem. Ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são alguns dos métodos usados para o diagnóstico de “barriga d’água”, sempre realizados com acompanhamento médico.
Tratamento
O tratamento da “barriga d’água” consiste, primeiramente, na redução do líquido ascítico na cavidade abdominal, através de medicamentos conforme prescrição médica, além de outras medidas como até mesmo a restrição do sal na dieta (contribui para a diminuir a retenção de líquidos) e a proibição no consumo de bebidas alcóolicas.
A parancetese, que é a punção para a retirada dos líquidos, só é indicada quando as outras formas de tratamento não surtirem efeitos ou forem insuficientes.
Mas o principal tratamento da “barriga d’água” é na doença causadora da condição médica. A remoção do líquido é uma fase paliativa, ou seja, visa primeiramente diminuir ou aliviar os sintomas relacionados à ascite.
Prevenção
Por ser um sintoma grave de várias doenças, não existe uma fórmula certa para prevenir o aparecimento da ascite, já que ela é uma consequência de alguma patologia recorrente no corpo humano.
Portanto, é importante adotar medidas para evitar o avanço das doenças associadas à “barriga d’água”, prevenindo a evolução a ascite e outras complicações.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Sabe aquela ferida de uma cor escura, de bordas endurecidas e, em alguns casos, sem dor aparente? É bom ficar em alerta, pois esses ferimentos indicam a possibilidade de infecções bacterianas ou má circulação sanguínea. Essas manchas têm até um nome popular: “feridas Maria preta”.
Mas, o que é a “ferida Maria preta”? Porque recebe esse nome popular? Na segunda reportagem da série ‘Nomes populares de doenças na Amazônia’, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre esse termo e porquê esses ferimentos são motivos de tanta preocupação.
“Maria preta” é o nome popular de uma doença que aponta um forte sinal de infecção. Ela é conhecida por descrever ferimentos que apresentam coloração muito escura. Tais ferimentos podem até mesmo indicar a presença de necrose, quando há morte de células ou tecidos.
Isso ocorre, principalmente, quando os tecidos deixam de receber fluxo sanguíneo adequado, o que acaba resultando na morte celular, deixando a pele necrosada.
Foto: Reprodução/MD Saúde
A origem do nome popular não tem um registro específico. Este nome está muito mais relacionado com o dia a dia das populações, por isso contos populares é que relatam que esse tipo de ferimento recebe o nome de “Maria preta” devido à sua aparência bem escura.
Sintomas
Os principais sinais de uma ferida desse tipo é o escurecimento da pele ao redor do ferimento e o aparecimento de bordas endurecidas e inflamadas.
A presença de pus, dor intensa, inchaço e até febre, em casos graves, são alguns dos sintomas característicos causados pela ferida.
Em algumas situações, pode ocorrer até a ausência de dor por conta dos nervos da região já estarem comprometidos, o que indica um estágio mais avançado do ferimento.
Para que uma ferida evolua para “Maria preta”, as causas são diversas, no entanto todas ligam o sinal de alerta para buscar atendimento médico. São elas:
Descuido – geralmente quando a limpeza da ferida não é feita corretamente, facilitando a entrada de fungos e bactérias
Doenças crônicas – Diabetes, hipertensão arterial e arterosclerose são alguns dos exemplos dessas patologias.
Traumas ou queimaduras – Lesões profundas que danificam os tecidos da pele.
Má circulação – quando problemas de fluxo sanguíneo impedem a oxigenação dos tecidos.
Pacientes do pé diabético geralmente apresentam feridas “Maria preta”. Foto: Divulgação/Saefe
Tratamento
O principal passo para tratar uma ferida “Maria preta” é buscar atendimento médico especializado, que vai avaliar uma série de fatores para o início do processo de tratamento. A prescrição de medicamentos antibióticos, por exemplo, pode ser necessária.
Tratamento da ferida “Maria preta” deve ser feito de maneira correta para evitar complicações: Foto:
Em caso de pacientes com histórico das doenças relacionadas ao ferimento, como diabetes e insuficiência arterial, é fundamental o controle das patologias por meio de medicamentos específicos e acompanhamento médico.
Em casos mais graves, dependendo do grau da lesão, o médico especialista ainda pode sugerir o desbridamento da ferida: um procedimento que consiste na remoção do tecido morto para promover a cicatrização, podendo ser feito de forma clínica ou cirúrgica.
Complicações
O tratamento não adequado da “ferida Maria preta” pode evoluir para o agravamento da lesão, ocasionando consequências graves para o paciente como:
Ampliação da necrose
Infecção generalizada
Dor crônica
Deformidades
Amputação do membro (em casos extremos)
Prevenção
Para que um ferimento não evolua para “Maria preta”, é fundamental tomar algumas medidas de cuidado como manter a pele limpa e higienizada, especialmente em feridas ou lesões. É importante, também, observar se algum machucado não está escurecendo ou com cicatrização mais lenta que o esperado conforme as orientações médicas.
O controle das doenças associadas às questões vasculares precisa ter atenção continuada para evitar problemas de fluxo sanguíneo. Evitar pressão prolongada sobre partes do corpo, com uso de almofadas ou colchões para prevenir úlceras por pressão e alternar as posições de pacientes acamados também são alguns dos cuidados para evitar a progressão de uma ferida.
A hidratação diária da pele e o uso de roupas e calçados apropriados também são medidas preventivas para evitar que ferimentos evoluam para feridas “Maria preta”.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Uma mancha avermelhada na pele, em formato de anel, é um sintoma característico da doença conhecida como impinge. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde
O Brasil possui um leque de variações linguísticas, em que cada estado usa palavras ou termos característicos daquele local. É o chamado ‘regionalismo linguístico’, no qual o vocabulário e o sotaque carregam as peculiaridades culturais de uma determinada localidade.
Na área médica não é diferente. As doenças, por exemplo, são conhecidas por nomes ou expressões diferentes em vários estados brasileiros, o que obriga profissionais de saúde a conhecerem bem sobre as particularidades de cada região.
O Portal Amazônia preparou uma série especial sobre nomes populares de doenças que ocorrem na região amazônica, com apoio da médica generalista Júlia Edwirges, para explicar como alguns deles podem causar confusão. A primeira delas é a ‘impinge‘, condição dermatológica que afeta milhões de pessoas no mundo.
O que é impinge?
Conhecida popularmente como impinge, tinea ou micose, a dermatofitose é uma infecção fúngica que afeta a camada superficial da pele. Ela se desenvolve em qualquer lugar do corpo humano, mas costuma aparecer em regiões úmidas como pés, mãos, virilhas e também no couro cabeludo. Apesar de aparecer em qualquer idade, a doença é mais frequente em crianças.
A impinge é causada pelos fungos dermatóficos, que se alimentam e sobrevivem de queratina, a vitamina presente na pele. A médica generalista Júlia Edwirges explica que a transmissão da impinge se dá através do contato humano ou com animais infectados com a doença.
“A impinge é transmitida por fungos que passam de pessoa para pessoa, de animais para pessoas, ou pelo contato com objetos e superfícies contaminadas. Você pode pegar ao tocar diretamente na pele de alguém com micose, ao usar toalhas, roupas, bonés ou equipamentos compartilhados, ou andando descalço em lugares úmidos como vestiários e piscinas. Animais com falhas no pelo também podem transmitir”, explicou Julia ao Portal Amazônia.
Pessoas de baixa imunidade ou que possuem hábitos de higiene inadequados também são mais vulneráveis a doença, já que o sistema imunológico enfraquecido dificulta a defesa natural da pele contra os fungos dermatófitos.
A impinge causa uma coceira intensa, o que acaba deixando o local vermelho e causando irritabilidade. Foto: Reprodução/Site Dermatologista Especialista
O aparecimento de manchas avermelhadas e a coceira intensa são os principais sintomas da impinge. As lesões geralmente possuem formato de círculo, com as bordas elevadas e uma região central mais clara, além de leve descamação. No couro cabeludo, a infecção pode causar queda dos cabelos na região contaminada.
Andar descalço em locais públicos é cenário propício para a proliferação da impinge. Foto: site Dermatologista Especialista
Tratamento
Após o aparecimento dos sintomas, o ideal é procurar um médico para iniciar a identificação das lesões corretamente e, dependendo do caso e da orientação médica, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos antifúngicos como pomadas, loções ou cremes.
Pomadas específicas são os principais medicamentos utilizados para o tratamento da impinge. Foto: Reprodução/Site Tua Saúde
Em quadros mais graves, pode haver a necessidade da realização de exames complementares e a prescrição de medicamentos para uso oral.
De forma geral, o tratamento da impinge feito de forma eficaz dura alguns dias ou semanas, porém, caso os sintomas persistirem ou piorarem, é importante retornar ao atendimento especializado.
Prevenção
Apesar do verão ser considerado uma época favorável para a propagação da impinge, algumas dicas de higiene ajudam a evitar a contaminação dessa doença. Segundo Julia, a principal delas é evitar o compartilhamento de objetos pessoais como toalhas e roupas íntimas.
“Mantenha a pele sempre seca, especialmente entre os dedos, axilas e virilhas. Evite compartilhar toalhas e roupas, troque peças suadas rapidamente e não ande descalço em locais públicos úmidos. No caso de manchas aparecerem, o melhor é buscar ajuda médica para uma melhor avaliação”, finalizou.
Por ser quente e úmido, o verão é considerado clima favorável para a proliferação da impinge. Foto: Rebeca Beatriz/acervo G1 Amazonas
E a origem do nome?
O termo comumente usado, ‘impinge’, não tem uma origem exata registrada, ela é comumente usada oralmente na região amazônica. Assim, entre os relatos mais populares, a explicação mais usada é a que conta que ‘impinge’ deriva do latim “impetere” (atacar ou invadir).
Outras explicações apontam que a palavra vem do verbo impingir, que é “aplicar, forçar” algo à alguém. Portanto, o termo impinge se refere a uma infecção que aparece de forma forçada e invasora na pele.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Passadas três semanas da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no dia 3 de janeiro, o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil não teve grandes movimentações. Apesar da tensão instalada no país vizinho com a captura do presidente Nicolás Maduro pelo exército norte-americano, o cenário se manteve calmo na fronteira entre as duas nações.
Para entender a situação, o Portal Amazônia conversou com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski, que explicou os motivos da operação americana não ter grandes reflexos no fluxo migratório venezuelano para o território brasileiro.
O especialista conta que a ação norte-americana focou somente na captura de Nicolás Maduro, com isso, não impactou diretamente no regime de governo e no cotidiano do país. Com isso, o fluxo migratório não chegou a ser afetado.
“A intervenção foi muito pontual, teve a extração do Maduro e não aconteceram outras ações. Então, do ponto de vista do funcionamento cotidiano do país, foi um cenário de continuidade, o mesmo grupo que já dominava o país vinculado ao Maduro permanece no poder, portanto não houve nenhuma alteração drástica de governo”, pontuou o professor.
Operação Acolhida. Foto: Organização Internacional para as Migrações (OMI)
De acordo com Jarochinski, a ausência de atos violentos ou conflitos internos que gerassem violência no país venezuelano também contribuiu para a baixa movimentação no fluxo migratório, mesmo em meio a crise humanitária, social e econômica que afeta o país.
“Não houve elementos como explosões de violência ou conflitos internos violentos, que geraria um fator de saída muito significativo, ou algum tipo de piora na qualidade de vida como a falta de acesso a alimentos de forma abrupta. Tem reclamações do processo inflacionário, mas nada que seja algo que influencie na saída forçada do país”, comentou Jarochinski.
No entanto, o clima de instabilidade que paira sob a Venezuela ainda causa apreensão tanto para os venezuelanos quanto para os países vizinhos. Para o professor, a repressão no país tem sido um das maiores preocupações.
“A repressão tem sido um fator crucial para uma análise sobre o fluxo migratório. Ao mesmo tempo que você tem um número de presos políticos sendo libertados, há o aumento da repressão no espaço urbano, tem a imprensa que vem sendo perseguida pelas autoridades. As pessoas estão se sentindo inseguras de circular na cidade, há relatos de gente dizendo que parece a época da pandemia, ou seja, há um certo medo no ar gerado pela instabilidade”, destacou.
Por fim, João Carlos Jarochinski enfatiza que, em caso de eventuais casos extremos vierem a acontecer, o Brasil manterá a sua política de receptividade em relação aos venezuelanos, diante da possibilidade do aumento do fluxo migratório.
“Há de se destacar que essa recepção aos venezuelanos pode ser chamada de política de Estado, porque já tivemos diferentes governos que acabaram mantendo ações como a Operação Acolhida. O Brasil reconhece a situação social complexa que vive a Venezuela, mas em caso de uma instabilidade em virtude de violência ou dificuldade econômica, o Brasil sem dúvida deve manter sua prática de regularização migratória”, finalizou.
A Operação Acolhida, citada pelo professor, é a força-tarefa do Exército Brasileiro criada em 2018 pelo Governo Federal para o acolhimento e interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil, bem como o ordenamento da fronteira. De lá para cá, mais de 150 mil venezuelanos foram interiorizados em meio a 1.100 municípios brasileiros.
Operação Acolhida, do Governo Federal. Foto: Alexandre Manfrim/Governo Federal
O Portal Amazônia entrou em contato com o Exército Brasileiro para obter mais informações acerca dos números relativos ao fluxo migratório dos venezuelanos para o Brasil, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto para atualizações.
A exposição ‘Les Gens du Nord’, do fotógrafo Jacques Menassa, marca a abertura da programação cultural do espaço em 2026 nesta segunda-feira (5). Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus
Abrindo a programação cultural de 2026, o Museu da Cidade de Manaus, que fica no paço da Liberdade, no Centro Histórico, inicia nesta segunda-feira (5) as suas atividades com a inauguração da exposição ‘Les Gens du Nord‘, do fotógrafo internacional Jacques Menassa.
A mostra reúne uma coleção de fotografias em preto e branco que retratam “a alma da Amazônia” a partir de uma estética sensível, profunda e humanista, segundo o fotógrafo.
Por meio de um domínio técnico de luz e da sombra, Menassa, que retorna à capital amazonense, transforma cenas do cotidiano em “poesia visual”, transitando entre as texturas da floresta, os traços urbanos e, principalmente, a força humana do povo nortista.
Exposição de Menassa retrata a alma da Amazônia a partir de uma estética sensível, profunda e humanista. Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus
A exposição é aberta ao público e pode ser conferida a partir desta segunda-feira (5), no horário das 9h às 17h, no Museu da Cidade de Manaus. A entrada é gratuita.
A mostra ‘Les Gens du Nord‘ tem como ideia principal mostrar o povo da região Norte. Jacques Menassa trabalha imagens do cotidiano em composições preto e branco, técnica que transformou os registros visuais num retrato da identidade local, revelando a resistência, alegria e dignidade de quem vive na Amazônia.
“A exposição é composta de 36 fotos em preto e branco, que mostram a vivência desse povo maravilhoso. O nome da exposição, inclusive, é uma homenagem minha, ‘Le gens du Nord’ é uma canção de Enrico Macias dedicada ao norte da França que eu escolhi para nomear a exposição e homenagear o povo do Norte do Brasil que eu amo muito”, explicou Menassa.
Mulher indígena amamentando seu filho. Foto cedida pelo fotógrafo Jacques Menassa
Além disso, o trabalho propõe uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade cultural, algo que o fotógrafo faz questão de mostrar para o mundo.
Natural do Líbano, Menassa possui vasta contribuição artística entre o país de origem e o Brasil, através de trabalhos de divulgação entre as nações.
“Só no Líbano, eu já realizei mais de dez exposições sobre a Amazônia e seus temas, já publiquei mais de 50 materiais sobre a região amazônica nos principais jornais de lá. Eu gosto de fazer esse intercâmbio com o Brasil, que esse ano completa 80 anos de relacionamento diplomático com o Líbano”, frisou o artista ao Portal Amazônia.
Historiador Abrahim Baze entrevistando fotógrafo Jacques Menassa no programa Literatura em Foco, do canal Amazon Sat. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat
Para o historiador Abrahim Baze, as obras de Jacques Menassa traduzem a história e preservação da vida amazônida para o mundo.
“Menassa é um pedaço da nossa cultura. Um artista plástico e fotógrafo de uma inteligência fenomenal, suas exposições têm uma marca importantíssima que são os registros pessoais do povo amazônida. Você analisar a Amazônia para o Brasil tem um referencial, mas para o Oriente Médio, especialmente o Líbano, Jacques é a nossa maior referência para os árabes, que foram fundamentais para a economia da nossa região. Este é Jacques Menassa, o árabe-brasileiro, ou melhor, o árabe amazônida”, afirmou Baze.
Assista a entrevista:
Quem é Jacques Menassa?
Fotógrafo libanês Jacques Menassa. Foto: Divulgação/Jacques Menassa
Jacques Menassa nasceu em Ghosta, Líbano, em 1956. Formado em Ciências Políticas e Administrativas, o artista contou ao Portal Amazônia que a paixão pela fotografia vem desde a infância.
“Gosto da fotografia desde criança, os meus amigos no Líbano compravam revistas artísticas de cantores e atores e eu gostava de recortar as fotos bonitas. Desde essa época, eu já gostava de fotografia, cheguei até a ir pra Paris aprender tudo sobre essa área”, contou Menassa, que aprendeu técnicas fotográficas na Universidade Saint-Esprit de Kaslik, no Líbano.
Com família instalada em Manaus, ele desembarcou na capital amazonense em 1990, onde ficou encantado com a vivência e passou a fazer registros fotográficos do cotidiano amazônida.
“Visitei Manaus pela primeira vez em 1984, porque a família do meu tio paterno vieram morar aqui no Amazonas. Meu avô e irmãos vieram em 1985 e eu cheguei depois, em 1990, onde fiquei por oito anos. Depois disso, voltou para o Líbano e desde 2016 eu volto aqui a cada ano e fico por três meses”, conta o fotógrafo.
Desde então, Jacques coleciona diversas exposições e oficinais de fotografias, obras que tornaram o artística como um dos maiores expoentes do cenário artístico nacional e internacional.
Na última semana, um vídeo que mostra a importância das árvores para o equilíbrio ecológico do planeta viralizou nas redes sociais. As imagens mostram uma Sumaúma, espécie nativa da Amazônia, como se estivesse “jorrando” uma grande quantidade de água do seu caule em direção ao solo. Assista:
A cena impressionou internautas, gerou debates e despertou curiosidades acerca da veracidade do fato, que chamou a atenção desde sua publicação.
Diante disso, o Portal Amazônia conversou com a engenheira florestal Dra. Fabiana Rocha, que afirmou a autenticidade do vídeo e explicou os motivos deste fenômeno ocorrer com a sumaúma, árvore de grande porte da Amazônia.
“Esse vídeo é um pouco antigo, e sim, as imagens são verdadeiras e mostram basicamente a água saindo de dentro da sumaúma para o ambiente natural e realmente corresponde a uma condição que acontece não só com ela, mas com outras árvores de grande porte. É um processo hidrológico, endógeno que está ligado com a absorção e transporte hídrico da planta de uma forma geral”, afirmou Fabiana.
A engenheira explicou que o fenômeno faz parte do ciclo hidrológico dos mecanismos fisiológicos existentes nas árvores de grande porte.
“A sumaúma possui um sistema de raízes tabulares, que são essas grandes massas laterais, e apresentam uma alta capacidade de absorção, comuns em árvores de grande porte. Nesses casos, o movimento é mais intenso e aí acaba resultando no acúmulo de água. Quando a capacidade interna é excedida, seja por saturação do solo ou pela redução da transpiração, ela acaba redistribuindo essa água em direção ao solo e ao seu entorno. Portanto, esses processos são visualizados nessa liberação intensa, ou seja, é uma expressão extrema do ciclo hidrológico”, explicou a doutora.
Quanto à liberação excessiva da água, Fabiana pontua que a saturação da árvore e o tamanho da fissura traduzem a quantidade de água direcionada para o ambiente externo.
“Qualquer tipo de fissura aberta em maior tamanho pode ocasionar este tipo de situação. No vídeo, ela está jorrando água, mas isso só acontece quando a árvore estiver realmente saturada ou em processo de saturação. Então, acaba acontecendo esse processo que parece uma torneira aberta, elas liberam água de forma abundante e que corresponde com os mecanismos fisiológicos que normalmente a gente tem dentro dessas espécies vegetais”, relatou.
Ação humana ou processo natural?
Por fim, Fabiana Rocha frisou que o fenômeno registrado no vídeo, por ora, não tem indícios de que foi provocada por uma ação humana, e reforçou que se trata de um processo natural da espécie.
“É preciso ter um pouco de interpretação cuidadosa, não tem basicamente uma evidência de corte induzido observada no vídeo, até o momento não tem provas que tenha sido provocada por uma ação humana direta. O que se documenta fisiologicamente em árvore de grande porte é a capacidade de redistribuir e exsudar (sair em forma de gotas ou de suor) a água quando as condições ambientais e internas têm necessidade de provocar isso. Então, na minha opinião técnica, entendo que esse fenômeno deve ser entendido como uma expressão da dinâmica hídrica vegetal e pode ter sido amplificada pelo porte da planta e características do ambiente”, finalizou.
Sobre a sumaúma
A sumaúma (Ceiba pentandra) é uma árvore nativa presente na região Amazônica, mas que também pode ser encontrada nas florestas das Américas Sul e Central, além da África ocidental e o sudeste asiático. A espécie pode alcançar entre 60 e 70 metros de altura, com alguns exemplares chegando a 90 metros, tornando-se uma das maiores árvores do planeta.
A sumaúma possui grandes raízes, chamadas sapopemas, que são capazes de absorver grandes volumes de água do subsolo, onde funcionam como um sistema de armazenamento natural do líquido. Em períodos específicos, quando as raízes atingem um determinado nível de umidade, a árvore solta esse excesso e irriga todo o seu entorno, exatamente esse processo natural que aparece no vídeo viral.
As bases das sapopemas podem chegar a 3 metros de altura e são responsáveis pela formação de “compartimentos” naturais, capaz lançar diariamente mais de mil litros de água no ar, contribuindo para os chamados “rios voadores”, massas de vapor d’água que se deslocam pela atmosfera e regulam o clima em todo o território brasileiro.
Além do papel vital na ecologia mundial, a sumaúma também é considerada sagrada para as comunidades tradicionais, além de representar uma conexão entre o mundo físico e espiritual e um local de proteção, fertilidade e continuidade da vida, segundo relatos orais.