Você sabia que o Amazonas possui mais de um fuso horário?

No total, 11 municípios amazonenses possuem uma hora a menos em relação à Manaus. Saiba quais são: 

Imagine a cena: é véspera de ano novo e você viajou para Benjamin Constant, no interior do Amazonas, e todo o resto do país já comemorou a passagem de ano, mas você está “preso” no ano anterior. Calma! Você não congelou o tempo, apenas é um efeito do fuso horário diferente em regiões distintas. 

Os fusos horários surgiram com intuito de padronizar horários em várias partes do planeta e são determinados com base no Meridiano de Greenwich, na Inglaterra, e em função da incidência solar em cada localização.

Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil possui muitas variações ao longo de seu território. O Amazonas, devido sua grande extensão territorial, já passou por discussões em relação à quantos fusos possui, conflito que abrange também o Estado do Acre.

Atualmente, você sabe quantos fusos horários o estado possui e quais consequências isso acarreta para a população? O Portal Amazônia conversou com o professor de geografia Germano Vasconcelos em busca dessas respostas. 

Arte: Portal Amazônia

Evolução dos fusos

Inicialmente, apenas um fuso horário cobria o território brasileiro. A partir de 1913, com o decreto Lei  n°2.784, foram determinados  quatro fusos horários, o -2, -3, -4 e -5, onde o sinal de negativo se dá pelo fato do país estar à direita de Greenwich. Esse sistema permaneceu por 95 anos até que foi alterado em 2008.

“No ano de 2008 nós tivemos uma mudança para melhor padronizar os fusos horários. A ideia é ter a menor quantidade de fusos, porque isso ajuda na logística, no transporte, na comunicação, dentre outros”, explicou  o professor Germano.

Até então, o Pará tinha sua porção leste no fuso de -3 e a porção oeste no fuso do Amazonas, -4. Germano conta que em 2008, o Pará  foi encaixado completamente no fuso de -3. Grande porção do Amazonas está no fuso de -4. Já o Amazonas, que abrangia os fusos -4 e -5 passou a ter só o -4, o que afetou a vida dos moradores, principalmente pelo Estado ter uma enorme extensão territorial. O Acre também foi afetado nessa mudança. Essas referências são em relação ao Meridiano de Greenwich.

“Tanto o Acre quanto o sudoeste do Amazonas foram acoplados no fuso de -4. Ou seja, o Brasil passou a ter três fusos horários, o -2 que abrange a Ilha de Fernando de Noronha, o -3 que é o fuso oficial do Brasil e abrange sul, sudeste, parte do centro-oeste e nordeste do Brasil, mais o Tocantins, Pará e Amapá, e o fuso de -4 que abrange o Amazonas. Na época, o fuso de -5 foi extinto”,

comentou.

A mudança impactou a vida dos moradores que habitavam essa região: “Quando padronizou e colocou o fuso do sudoeste do Amazonas junto ao do Acre no fuso do Amazonas – acabando com o fuso de -5 -, seis horas da manhã em Manaus que é claro, e a mesma hora no sudoeste do Amazonas e Acre, era escuro ainda, então deu uma mexida no relógio biológico da população. Mudou a vida dos moradores”, comentou Vasconcelos.

Com a insatisfação da população, entidades públicas reivindicaram o retorno do fuso -5, alteração que ocorreu no ano de 2013 e permanece até hoje. É a quarta divisão de fusos no país. 

Assim, o fuso horário oficial do Brasil, de modo geral, tem como referência a hora em Brasília. O Pará, dentro de sua área territorial, segue o mesmo horário de Brasília. O Amazonas é uma hora à menos que a capital brasileira e o Acre, duas horas. Vamos à um exemplo prático? Se em Brasília é 12h, no Pará também é 12h, no Amazonas seria 11h e no Acre,10h.

Confira a divisão dos fusos:

Foto: Reprodução/

Municípios impactados

No entanto, com essa disposição de fusos, findou-se que nem todos os municípios amazonenses possuem o mesmo horário. Com dois fusos horários no mesmo Estado, 11 municípios possuem uma hora a menos em relação à Manaus. São eles: 


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