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#Série – 8 festas religiosas para conhecer no Maranhão

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Grande parte dos municípios do Maranhão fazem parte da Amazônia Legal. Com isso, diversas manifestações culturais influenciam na região, como as festas religiosas.

No estado, essas festas misturam ritos católicos, tradições afro-brasileiras, manifestações populares, música, dança e saberes ancestrais.

As celebrações da fé, da memória e da resistência cultural, acontecem em diferentes épocas do ano, e passam por ruas, praças, igrejas, terreiros e comunidades inteiras. 

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Na quinta matéria da série sobre festas religiosas na Amazônia Legal, conheça oito festas religiosas do Maranhão:

Festa do Divino Espírito Santo

Realizada no município de Alcântara, localizado a 22km de São Luís, a Festa do Divino Espírito Santo acontece durante 12 dias do mês de maio, desde meados do século XIX. A festa, tradição rica de significados religiosos, percorre ruas, becos e casarões antigos do município. 

A celebração religiosa inclui missas, ladainhas, alvoradas das caixeiras, cortejos, visitas às casas de moradores, hasteamento de mastros e rituais tradicionais. Um dos pontos altos acontece no salão nobre do Palácio Imperial de Alcântara, onde é montado um altar para a apresentação da corte do Divino.

Festa religiosa no Maranhão
Caixeiras durante a celebração religiosa do Divino Espírito Santo em Alcântara. Foto: Handson Chagas

Leia também: Tradição religiosa: conheça o Festejo do Divino Espírito Santo de São Geraldo do Araguaia, no Pará

Durante a festa, as caixeiras possuem um papel central, entoando cânticos em louvor ao Espírito Santo e acompanhando todas as etapas da cerimônia. Além disso, a festa mobiliza toda a cidade durante o ano inteiro, com a organização e a preparação de alimentos, bebidas e recepção aos visitantes.

De acordo com o Governo do Maranhão, o culto ao Divino Espírito Santo chegou ao estado com colonos açorianos e portugueses no século XVII e se consolidou em Alcântara no século XIX, espalhando-se depois por todo o estado. 

Círio de Nazaré

O Círio de Nazaré, realizado em São Luís, teve início na capital maranhense há cerca de 30 anos, quando missionários levaram a imagem peregrina da santa às capitais brasileiras. Desde então, a procissão reúne mais de cem mil fiéis todos os anos.

A programação se estende por mais de 50 dias, composta por orações, missas, romarias, procissões, peregrinações da imagem a escolas, instituições, famílias e a igrejas de outros municípios. O Círio integra o calendário oficial de eventos do Maranhão, é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado e foi reconhecido como Manifestação da Cultura Nacional. 

Celebração religiosa do Cirío de Nazaré em São Luís. Foto: Brunno Carvalho

Além das romarias tradicionais, a celebração inclui o Círio Ecológico, Solidário, Esportivo e das Crianças, além de romarias terrestres, ciclísticas e marítimas. O encerramento acontece com uma grande procissão seguida de missa campal no Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

Bumba meu boi

Reunindo religiosidade, música, dança, teatro e tradição, o bumba meu boi mobiliza comunidades inteiras com a devoção a santos populares do catolicismo como São João, São Pedro e São Marçal. A narrativa central gira em torno de Catirina e Pai Francisco, personagens que protagonizam a morte e a ressurreição simbólica do boi. 

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o ciclo festivo se organiza em quatro etapas principais, como os ensaios, o batismo do boi, as apresentações e o ritual da morte. Cada fase carrega significados próprios. 

Leia também: Portal Amazônia responde: quais as diferenças entre o Boi Bumbá e o Bumba Meu Boi?

Apresentação do Boi de Santa Fé. Foto: Roberto Castro/ MTur

O aspecto religioso da festividade está presente desde a concepção do boi até o encerramento das festividades. Durante a celebração, muitos grupos são criados por promessas ou obrigações espirituais, em que o boi é batizado em cerimônias que combinam elementos do catolicismo e das religiões de matriz africana. 

O Bumba Meu Boi do Maranhão é Patrimônio Cultural do Brasil desde 2011 e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2019, como expressão de fé, identidade e resistência cultural.

Tambor de Crioula

O Tambor de Crioula é uma manifestação religiosa afro-brasileira praticada como forma de louvor a São Benedito, santo protetor dos negros. Considerado Patrimônio Imaterial Brasileiro desde 2007, o Tambor envolve dança circular, canto e percussão, com destaque para as coreiras, mulheres que dançam ao som dos tambores.

A prática acontece em praças, terreiros, festas populares e tem maior incidência durante o Carnaval e as festividades do Bumba Meu Boi. Embora muito conhecido em São Luís, o Tambor de Crioula apresenta variações em outros municípios, como Anajatuba, onde há diferenças no ritmo, na punga (um gesto de saudações e convite) e na participação masculina.

Leia também: Tambor de Crioula: conheça uma das manifestações religiosas mais populares do Maranhão

Manifestação religiosa do tambor de crioula. Foto: Reprodução/IPHAN

De acordo com o IPHAN, a apresentação do Tambor de Crioula costuma ser estruturada em três elementos principais, como o toque dos tambores, o canto das toadas e a dança das mulheres, tradicionalmente chamadas de coreiras, termo usado para designar aquelas que dançam no centro da roda, com saias rodadas e movimentos marcantes. 

O Tambor de Crioula é um ritual, com pagamentos de promessas e expressões de fé, e um forte elemento de identidade das comunidades negras maranhenses.

Festejo de São Benedito

O Festejo de São Benedito acontece tradicionalmente no mês de novembro em vários municípios do estado. A festa reúne fiéis em celebrações que combinam devoção e atividades culturais, durante cerca de dez noites, em que são realizadas missas, procissões e apresentações culturais com artistas locais.

Festa religiosa de São Benedito. Foto: Reprodução/Assembléia Legislativa do Maranhão

Leia também: Festividades de São Benedito são símbolo de fé da comunidade afrodescendente no Pará

De acordo com a Universidade Federal do Maranhão, em comunidades quilombolas, como Bacabal, em Anajatuba, a festa tem uma programação extensa, com início em setembro e terminando com o Tambor de Crioula na madrugada do dia 24 para o dia 25 de dezembro. A narrativa mais comum sobre o começo da festa, conta que uma senhora oriunda da Imbaúba iniciou uma batucada no dia de natal. 

Toda a organização envolve trabalho comunitário, preparo de alimentos, rituais religiosos e transmissão de saberes ancestrais.

Festejo de São José de Ribamar

São José do Ribamar, padroeiro do Maranhão, é homenageado em romarias pelo estado. De acordo com o Governo do Maranhão, essas celebações tiveram origem no século XVII e se intensificaram ao longo dos séculos, como a romaria registrada em 1821.

O festejo acontece no mês de setembro, e conta com missas, novenas, romarias terrestres e marítimas, procissões, caminhadas e atividades culturais.

Romaria religiosa em honra a São José do Ribamar. Foto: Reprodução/Arquidiocese de São Luís

Durante a celebração multidões se dirigem ao Santuário para agradecer bênçãos, rogar graças, renovar votos e venerar São José de Ribamar.

Em 2024, o Festejo de São José de Ribamar foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão, por sua importância histórica, religiosa e cultural.

Festejo de São Marçal

Celebrado no dia 30 de junho, em São Luís, o Festejo de São Marçal acontece há mais de 90 anos e é considerado um dos eventos mais importantes do calendário cultural maranhense. A festa, que reúne dezenas de grupos de Bumba Meu Boi e de sotaque de matraca, realiza um grande cortejo pela Avenida São Marçal.

Festa religiosa em honra a São Marçal. Foto: Fernando dos Anjos

Leia também: ‘Templos de fé’: as histórias de seis igrejas famosas em Manaus

A celebração marca simbolicamente o encerramento do período junino e mistura devoção, tradição e resistência cultural. Durante o festejo, milhares de pessoas acompanham as apresentações desde as primeiras horas da manhã, em homenagem ao santo e à cultura popular.

Festa da Imaculada Conceição

A festa de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de São Luís, é celebrada com um extenso festejo que termina no dia 8 de dezembro, feriado municipal. A programação das celebrações incluem novenas, romarias, missas, visitas da imagem peregrina e a tradicional missa campal seguida de grande procissão até o Santuário no Monte Castelo.

Festa religiosa da Imaculada Conceição. Foto: Pascom Diocese de Zé Doca

A novena marca o inicio das celebrações campais, que precedem a grande celebração a céu aberto no dia da Padroeira.

De acordo com o Santúario da Conceição, o primeiro altar dedicado à Imaculada Conceição, em São Luís, foi erguido pela irmandade de Nossa Senhora da Conceição dos Mulatos, na lateral da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Lá, foi depositada a imagem esculpida em madeira vinda de Portugal, a mesma que ainda hoje é venerada no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no Monte Castelo.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

#Série – 4 festas religiosas para conhecer em Mato Grosso 

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Celebrações religiosas são realizadas em todo mundo como uma manifestação da fé e da crença de diversos povos. Na Amazônia a mistura de religiões revela uma forte ligação dos povos com tradições e expressões culturais.

Em Mato Grosso, as celebrações de religiosidade popular são construídas a partir desses encontros de diferentes povos, saberes e tradições, que ao longo do tempo foram se consolidando, reunindo comunidades em torno de santos, rituais, músicas, danças e até comidas típicas que fortalecem a religiosidade dos fiéis. 

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Na quarta matéria da série sobre festas religiosas na Amazônia Legal, seguimos para o Mato Grosso com quatro festas religiosas populares no estado. Confira:

Festa de São Benedito

A festa de São Benedito, realizada pela comunidade da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, em Cuiabá, possui mais de 300 anos de história e reúne, ao longo de três dias, diversos fiéis. A programação da festividade inclui missas solenes, novenas, procissões, almoços e jantares com comidas típicas, além do tradicional ‘tchá cô bolo cuiabano’.

De acordo com o Museu de Arte Sacra do Mato Grosso, a devoção a São Benedito em Cuiabá remonta ao século XVIII, quando foi introduzido por escravos africanos. A primeira igreja construída em homenagem a São Benedito foi erguida em 1722, mas desmoronou em menos de uma década devido à fragilidade da obra. 

A devoção ao santo se fortaleceu e a atual Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito foi construida no topo de um morro onde funcionam as antigas minas de Cuiabá. Embora o santo seja padroeiro oficial da capital, é amplamente revereciado como ‘protetor da cidade’. 

Festa de São Bendito, uma das celebrações religiosas de Cuiabá
Festa de São Benedito, uma das celebrações religiosas mais relevante de Cuiabá. Foto: Reprodução/Gcom-MT

Leia também: Práticas de cura presentes nas religiões afro-amazônicas são estudadas no Pará

Inicialmente a festa era uma manifestação de grupos socialmente marginalizados, que encontravam na celebração um espaço de expressão da fé e da resistência. Com o passar do tempo, a festa passou a atrair fiéis de diversos lugares e se tornou um patrimônio cultural da região. 

Entre os elementos mais marcantes da festa estão a exposição da relíquia da pele de São Sebastião, trazida de Roma em 1983, e a ‘sala dos milagres’, onde os devotos deixam objetos em agradecimento às graças alcançadas. Além disso, a presença de uma imagem do santo no largo da igreja também se destaca, representando a união entre a fé, a história e a identidade do povo cuiabano. 

Festa de São Francisco de Assis

A Festa de São Francisco de Assis, realizada na comunidade rural de Ponta Alto, em Chapada dos Guimarães, é uma das mais antigas celebrações religiosas de Mato Grosso. De acordo com a Prefeitura de Chapada do Guimarães, a festividade foi criada em 1900 por famílias migrantes do Ceará, e chegou a sua 111ª edição, tornando-se referência no calendário religioso do estado.

A festa, organizada pela Irmandade de São Francisco de Assis e realizada pelo Instituto Realize, tem como um dos principais símbolos da celebração a oferta gratuita de café da manhã, almoço e jantar a todos os participantes. Esse gesto representa o espírito franciscano de acolhimento, solidariedade e partilha. 

Igreja de São Francisco de Assis, onde é realizada as celebrações religiosas de São Francisco. Foto: Reprodução/Governo do Mato Grosso

Leia também: Reflexões e conceitos sobre crenças, religiões e espiritualidade

A programação da festa é diversificada e combina religiosidade com cultura popular, como missas solenes, procissões, levantamento de mastros, cavalgadas, leilões, gincanas, apresentações culturais, shows regionais e bailes festivos. A entrada do evento é gratuita e atrai devotos e turistas interessados na fé e na hospitalidade franciscana.

Além do aspecto religioso, a Festa de São Francisco beneficia comerciantes, artesãos, produtores rurais e prestadores de serviços. Além disso, a festa é reconhecida como patrimônio imaterial da comunidade, promovendo inclusão social, preservação e desenvolvimento cultural.  

Festa do Senhor Bom Jesus de Cuiabá

A Festa do Senhor Bom Jesus de Cuiabá reúne fé, história e tradição, entre os dias 5 e 8 de abril, com uma programação intensa de atividades religiosas, culturais e históricas realizadas em diversos pontos urbanos e rurais da região. 

De acordo com a Arquidiocese de Cuiabá, a Cavalgada do Senhor Bom Jesus, a Rota do Ouro e a Missão, que relembra o percurso das bandeiras paulistas na descoberta do ouro no Arraial da Forquilha, atual Coxipó do Ouro, estão entre os destaques da festividade.

Devotos das celebrações religiosas em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Foto: Luiz Alves/Secom Cuiabá

Além disso, a programação também conta com carreatas de carros antigos, pedal ciclístico, encontro de motos, romaria fluvial e uma caminhada da fé acompanhada de momentos de reflexão espiritual.

O encerramento ocorre com celebrações religiosas, feira gastronômica e artesanal, apresentações culturais e um culto macro ecumênico. A programação busca reviver a rica história da fé cuiabana e envolver a comunidade em celebrações que unem tradição e religiosidade.

Cururu e Siriri

O festival religioso e cultural de Siriri e Cururu, realizado em Cuiabá, reúne grupos que expressam as raízes indígenas, afro-brasileiras e religiosas de fiéis mato-grossenses.

A festa possui entrada gratuita e acontece no Ginásio Aecim Tocantins e conta com apresentações de grupos tradicionais de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger. 

Apresentação de um grupo de dança do Festival de Siriri e Cururu, uma das celebrações religiosas da religião. Foto: Reprodução/Governo do mato Grosso

De acordo com Governo do Mato Grosso, ao todo, 12 grupos participam do festival, apresentando espetáculos que preservam e renovam essas expressões culturais. O protagonismo dos mestres e artistas é um dos principais destaques, fortalecendo a cultura regional.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

Dicas para Parintins 2026: como se preparar para viver o maior festival folclórico da Amazônia

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Arena do Bumbodrómo. Foto: Divulgação/Prefeitura de Parintins

A tradicional disputa entre os bois Caprichoso e Garantido transforma o município de Parintins, no Amazonas, em um grande palco a céu aberto e um dos destinos mais concorridos da região no fim de junho. Por isso, viajar até a ilha tupinambarana para conhecer o Festival Folclórico de Parintins requer um planejamento, que quanto mais cedo começar, melhor será a experiência.

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O Festival Folclórico de Parintins acontece no último final de semana do mês de junho, mas a cidade começa a sentir o impacto da festa dias antes, já que o fluxo de turistas, artistas e brincantes aumenta de forma intensa, afetando principalmente o preço de passagens, hospedagens e serviços.

Em 2026, o festival vai acontecer nos dias 26, 27 e 28 de junho, e por isso, o Portal Amazônia procurou algumas dicas de como se preparar para viver essa experiência. Confira:  

Monitorar o preço das passagens e comprar com antecedência 

Para chegar a Parintins, o caminho mais comum é via Manaus (AM) ou Santarém (PA), que é de onde partem os voos e os transportes fluviais, por isso é importante sempre ficar de olho nos preços.

De acordo com Vitória Mascarenhas, frequentadora assídua do festival, como não existem voos diários para Parintins é importante acompanhar as informações das companhias aéreas para saber quando e quantos voos serão disponibilizados. 

Leia também: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Barco do movimento marujada chegando em Parintins
Foto: Lucas Silva/ Amazonastur

Além do avião, o transporte fluvial também é uma alternativa bastante utilizada. As lanchas rápidas, por exemplo, fazem o trajeto Manaus-Parintins em cerca de oito horas, já os barcos de linha possuem viagens que podem durar até 24 horas, dependendo da embarcação.

Além disso, durante o período do festival, esses barcos ficam ancorados na orla da cidade e muitos passageiros utilizam redes ou camarotes para pernoitar, economizando em hospedagem na cidade.

As passagens de ambos os transportes costumam iniciar as vendas meses antes do festival. 

“Caso vá por meio fluvial, a venda de passagens de lanchas a jato, navio motor e ferry boat se iniciam logo após o Carnaval. É possível comprar diretamente no Porto de Manaus, Balsa Amarela ou via WhatsApp, pois certos barcos e lanchas possuem redes sociais e divulgam”, comentou Vitória.

Foto: Lucas Silva/ Amazonastur

Hospedagem: o maior desafio do Festival

A hospedagem é apontada como o maior desafio para quem pretende ir a Parintins, já que a cidade  praticamente dobra de população durante o Festival, e a oferta de hotéis é limitada. Por isso, garantir um lugar para ficar com antecedência é fundamental.

O Amazon River Resort, localizado no bairro Santa Rita, é considerado o maior hotel da cidade, mas há ainda hotéis como Avenida, Palace, Amazonas, Brito e Pérola. A maioria trabalha com pacotes fechados para o período do festival, vendidos com mais de seis meses de antecedência.

Leia também: Conheça os 21 itens avaliados nas apresentações do Festival Folclórico de Parintins

Foto: Alex Pazuello e Euzivaldo Queiroz

Para atender à demanda, alguns moradores alugam quartos ou casas inteiras, por meio do projeto ‘Cama e Café da Manhã’, e plataformas de aluguel online ajudam a identificar opções disponíveis, mas o contato direto com anfitriões costuma ser fundamental para negociar valores, inclusive com bastante antecedência.

Isso porque, de acordo com Vitória Mascarenhas, muitos lugares já ficam reservados desde o ano anterior, e várias pousadas da ilha não possuem redes sociais. Porém também é possível encontrar contatos por meio do Google Maps ou por indicações de influenciadores locais que divulgam acomodações durante o período do festival.

Ingressos para o Bumbódromo

Quando o assunto são os ingressos para acompanhar o Festival no Bumbódromo, a orientação é ficar atento às redes sociais da empresa responsável pela venda, a Amazon Best.

As vendas costumam começar entre dezembro e janeiro, os ingressos se esgotam em pouco tempo e não há como antecipar a compra antes da abertura oficial.

Isso exige atenção redobrada e organização prévia, para não perder a oportunidade de assistir ao espetáculo dentro da arena.

Mas vale lembrar que a parte da arquibancada em que as Galeras, torcidas dos bois, ficam, é gratuita, no entanto há a necessidade de esperar na fila, com algumas horas de antecedência, para conseguir entrar e curtir o espetáculo.

O que não pode faltar na mala para Parintins 

Outro ponto essencial para quem vai a Parintins é a preparação da mala, já que calor intenso e a programação extensa exigem cuidados específicos.

De acordo com Vitória, é importante levar itens como boné, óculos de sol, protetor solar, sapato confortável e roupas leves, já que segundo ela, o sol é constante durante o dia e, quando dá trégua, geralmente vem acompanhado de chuvas fortes, típicas do período na região.

“Óbvio que não pode faltar os looks das noites, indo de galera ou arquibancada/camarote, é sempre bom levar um look leve porque de noite o calor persiste também. Além disso, é legal levar acessórios da cor do seu boi, para usar tanto andando pela ilha, quanto para usar nas três noites”, sugeriu. 

Leia também: Festival de Parintins e o impacto da rivalidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido

Fotos: Reprodução/Secom AM

Itens como capa de chuva, água, frutas e dinheiro em espécie também são indispensáveis, uma vez que com o aumento do número de visitantes, é comum que o sinal de internet apresente instabilidade, o que dificulta pagamentos por pix ou mesmo cartão.

Além disso, manter a hidratação é fundamental para enfrentar as altas temperaturas e aproveitar os dias de festa com disposição. Em alguns dias, água é disponibilizada de graça para os visitantes por meio de ações realizadas durante a festa.

Parintins não é uma viagem barata, avisa Vitória, mas é considerada por muitos visitantes como uma experiência única no mundo. Por isso, ela reforça que com planejamento, informação e antecedência, quem pretende ir em 2026 pode transformar a viagem em uma vivência inesquecível.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

#Série – 9 festas religiosas para conhecer no Amazonas 

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As festas religiosas ultrapassam a fé individual e se consolidam ao reunir dezenas ou até milhares de fiéis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

Essas expressões populares guiam populações e demonstram parte de suas culturas. O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma série destacando as principais festas religiosas de casa estado.

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Na terceira matéria da série, seguimos para o Amazonas, estado que abriga algumas das maiores expressões de fé do país, pois em diferentes municípios festas religiosas mobilizam populações inteiras, movimentam a economia local e preservam tradições centenárias.

Procissões terrestres e fluviais, novenários, missas campais, arraiais e promessas fazem parte do calendário religioso do Estado.

Conheça sete festas religiosas tradicionais no Amazonas

Festa de Nossa Senhora do Carmo 

A festa em honra à Nossa Senhora do Carmo, padroeira do município de Parintins, é uma das celebrações religiosas mais populares e importantes do Amazonas. Com fé e devoção à santa, a festa dura 10 dias com celebrações que acontecem entre 6 e 16 de julho, logo após o Festival Folclórico de Parintins. 

As celebrações da festa incluem procissões com a imagem da santa e bandeiras, para aqueles que pagam promessas, missas e o tradicional arraial com com as comidas da barraca da santa e os brinquedos do parque.

Considerada como patrimônio cultural de Parintins, a festa recebe muitos romeiros que se deslocam de outros municípios do Estado do Amazonas para participarem. 

Festejo em honra à Nossa Senhora do Carmo. Foto: Pitter Freitas

Leia também: Você sabe como a Catedral de Nossa Senhora do Carmo influenciou o Festival de Parintins?

A festa do começa no dia 6 de julho, com o Círio de Nossa Senhora do Carmo e finaliza no dia 16 com a celebração da procissão e da santa missa solene, que conforme dados da Secretaria de Turismo do Município, cerca de 35 mil pessoas participam.

festa de Nossa senhora do Carmo
Foto: Eder Repolho

Durante os festejos na praça da Catedral são realizados os bingos, shows de bandas, apresentações de bonecas vivas e das associações folclóricas de bumbás, batismos de crianças, casamentos, jornadas apostólicas e leilões organizados pelos comerciantes e pecuaristas locais.

Além disso, durante os meses de maio e julho acontece a peregrinação da santa entre os municípios próximos, como Barreirinha, Boa Vista do Ramos e a capital Manaus.

O percurso do Círio sai da Paróquia de São José Operário e passa pelas ruas Nações Unidas, Álvaro Maia e Avenida Amazonas com destino à Catedral. Durante o trajeto pelas ruas da cidade a imagem da santa é reverenciada pelos moradores que ornamentam suas casas com flores e estendem tapetes de folhagem. 

Em 2009 a Romaria das Águas foi implementada nos festejos, quando os fiéis vão até o porto da cidade para prestar homenagens à santa. Navegando pelo Rio Amazonas, o trajeto é guiado por uma imagem gigante de Nossa Senhora do Carmo que mede cerca de 16 metros de altura. 

Foto: Reprodução/Facebook-@Catedral de Parintins

A festa da Padroeira de Ordem Carmelita era, inicialmente, a festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. No entanto, entre 1376 e 1386, surgiu o costume de celebrar uma festa especial em homenagem a Nossa Senhora, foi então que a data do dia 16 de julho foi fixada, que é também a data em que, segundo a tradição carmelita, Nossa Senhora apareceu para S. Simão e lhe entregou o escapulário.

A santa é padroeira de Parintins e a Catedral em sua homenagem foi tombada por sua importância cultural pela Lei Nº 618/2004. 

Festa de Santo Antônio de Borba

De acordo com a tradição, no local onde se construía a sede do município de Borba, uma imagem de Santo Antônio foi encontrada por pescadores. A imagem, porém, começou a desaparecer e a ser encontrada sempre no mesmo lugar, e após sucessivas ocorrências foi entendido que eram manifestações da vontade do santo.

No local onde a imagem sempre aparecia foi construída a igreja, e ao redor da igreja, o município de Borba nasceu.

Festa em honra a Santo Antônio de Borba. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AM

Leia também: Borba, no Amazonas, atrai turistas com piscinas naturais e festa religiosa

Iniciada por padres jesuítas em 1756, a festa foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado em 2022. 

A procissão fluvial da Canoa de Saída é o primeiro grande evento dos festejos antoninos de Borba e a imagem de Santo Antônio é levada a uma capela da comunidade de Acará, para depois ser devolvida pelo mesmo percurso.

Também chamada de Grande Procissão Fluvial no rio Madeira, a Canoa de entrada acontece no último dia do mês de maio, e milhares de fiéis vão em embarcações para buscar o santo de Acará e levá-lo de volta à sede em Borba. 

Procissão de Santo Antônio de Borba. Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

Durante a procissão fluvial dezenas de barcos, lanchas, embarcações e uma balsa disponibilizada pela prefeitura acompanham o trajeto entoando cânticos. Durante a Canoa de Entrada, ao entardecer cerca de duas mil luminárias, com bases feitas de laranjas nativas, são colocadas sobre o rio para iluminar a frente da cidade.

A programação da festa inclui alvoradas, trezenários, missas, arraiais, procissão e momentos culturais. A festa movimenta a economia da cidade e atrai visitantes em busca das belezas naturais da região, como o Balneário do Lira e o Balneário do Rio Mapi. 

Procissão Fluvial de São Pedro

Realizada nas águas do Rio Negro, no dia 29 de junho, a procissão fluvial de São Pedro reúne pescadores e embarcações decoradas que navegam pelas águas do Rio, como forma de homenagear e festejar o dia do padroeiro dos pescadores. Além disso, a procissão é uma das celebrações mais tradicionais de Manaus.

Procissão Fluvial em homenagem a São Pedro. Foto: Reprodução/ Arquidiocese de Manaus

Celebrada em Manaus desde 1949, a festa de São Pedro inclui uma procissão fluvial e uma missa terrestre. Ao desembarcar no porto, os fiéis seguem em procissão terrestre até a Catedral Metropolitana de Manaus onde acontece a missa solene em honra a São Pedro. 

Festa de Nossa Senhora da Conceição 

A festa de Nossa Senhora da Conceição, considerada padroeira de Manaus e do Amazonas, inicia no dia 29 de novembro com um novenário voltado à santa. Durante o novenário acontecem celebrações eucarísticas, procissões, missas e adorações, além de uma feira da solidariedade e uma ciclo procissão em alusão à data. 

Foto: Reprodução/Catedral Metropolitana de Manaus

Leia também: ‘Templos de fé’: as histórias de seis igrejas famosas em Manaus

Celebrada no dia 8 de dezembro, com mais de 369 anos de história, a devoção à Nossa Senhora da Conceição no Amazonas data de 1659, quando foi trazida pelos missionários Carmelitas.

Inscrita no calendário Litúrgico da igreja católica em 1477, pelo Papa Sisto IV, a festa da imaculada Conceição foi proclamada como dogma em 8 de dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX. 

Santa Teresa D’Ávila 

Durante os dias 6 e 15 de outubro, no município de Tefé, no Médio Solimões, acontece a festa de Santa Teresa d’Ávila, padroeira do município.

Considerado o maior evento católico da região, milhares de fiéis, romeiros e visitantes se reúnem na Catedral de Santa Teresa para participar de dez noites de devoção, celebração e homenagens a santa. 

Foto: Reprodução/Facebook-SantaTeresad’ávila

A devoção à santa Teresa remonta a 1689, quando o Padre jesuíta Samuel Fritz fundou a missão de Tefé com o propósito de evangelizar os povos indígenas do rio Solimões. A missão foi consagrada a Santa Teresa d’Ávila, por sua vida mística e pelas reformas no Carmelo. 

Com o passar dos séculos, a devoção se fortaleceu entre os moradores de Tefé e em 1759, o local foi elevado à categoria de paróquia sob a proteção da santa.

O reconhecimento oficial veio no dia 4 de janeiro de 2004, quando Dom Sérgio Eduardo Castriani proclamou Santa Teresa d’Ávila como padroeira da Prelazia de Tefé, por meio de um decreto lido durante a celebração da Festa da Epifania do Senhor.

Foto: Reprodução/Facebook-SantaTeresad’ávila

Além das missas solenes, novenas e procissões, o arraial conta com quiosques de comidas típicas, bingos, leilões, apresentações culturais e a presença dos comerciantes ambulantes, conhecidos como marreteiros. Alguns dos fiéis pagam suas promessas, em silêncio ou descalços, enquanto outros participam com gestos de gratidão e fé.

No dia 15 de outubro, dia litúrgico de Santa Teresa d’Ávila, acontece uma procissão pelas ruas da cidade e uma missa campal na catedral reunindo muitos fiéis. 

Festa do Divino Espírito Santo

A festa do Divino Espírito Santo, uma das mais antigas tradições do catolicismo no Brasil, teve origem em Portugal, no século XIV, e foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses, após uma promessa feita pela Rainha Isabel Aragão ao Espírito Santo. 

O município de Alvarães, localizado no Amazonas, celebra no dia 31 de maio, a Festa do Divino Espírito Santo e se transforma em um espetáculo de fé, cultura e natureza. A programação inclui missas, procissões, apresentações folclóricas e grandes atrações musicais.

Foto: Reprodução/Facebook-@Festejo do Divino E.S. Alvarães

Leia também: As velas do Divino: tradição, fé e sustentabilidade nas águas do município de Alvarães no Amazonas

Foto: Reprodução/Facebook-@Festejo do Divino E.S. Alvarães

Entre os diversos símbolos do festejo, as velas do Divino, luzes flutuantes que iluminam o lago de Alvarães, posta sobre ‘barquinhas’ rodeadas de papel colorido, destacam-se entre os fiéis. 

A festa começa com a tradicional elevação do mastro, quando os fiéis o carregam em procissão até o local onde será levantado e fixado durante os 10 dias de celebração. A programação inclui também novenas, cortejos, celebrações e culmina com uma missa campal, ao ar livre, quando fogos de artifício anunciam o encerramento da festa.

É nesse momento que o Lago de Alvarães e milhares de velinhas coloridas e flamejantes formam uma cidade iluminada, que mistura fé, arte e natureza.

Velas do Divino
Foto: Reprodução/Instagram-miguelmonteirowild

Festa de São Sebastião 

De 11 a 19 de janeiro, os fiéis de São Sebastião participam de noites de novenário em honra ao santo católico, padroeiro que intercede contra as epidemias, pestes e guerras. No dia 20, dia litúrgico do santo, acontece a tradicional procissão pelas ruas do centro histórico de Manaus, com a imagem do santo, e uma missa campal na Igreja de São Sebastião. 

São Sebastião teve uma vida cercada de desafios e provações, conquistando o posto de comandante da Guarda Pretoriana e converteu-se ao cristianiamo de forma secreta, já que na época o império romano era governado por Diocleciano e por Maximiano. 

Procissão em homenagem a São Sebastião. Foto: Reprodução/Arquidiocese de Manaus

Suas boas ações não passavam despercebidas, como visitar os cristãos presos e ajudar os necessitados e doentes. O santo não participava dos martírios nem das manifestações de idolatria dos romanos, e por essa razão foi denunciado por um soldado. 

O imperador Diocleciano, ao saber que Sebastião era cristão, sentiu-se traído e mandou que ele abandonasse a sua fé e ao se negar, foi alvejado por flechas e apesar de ter sobrevivido, ele foi novamente condenado e morto. Graças a sua vida de defensor da fé cristã e martírio, Sebastião foi canonizado e declarado padroeiro da contra a peste e a guerra. 

Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus 

Santa Teresinha do Menino Jesus nasceu em Alençon, na França, no dia 2 de janeiro de 1873, e faleceu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Teresinha viveu sua vida em missão pelo amor de Jesus Cristo e em 1923, foi beatificada pelo Papa Pio XI, e canonizada em 1925. 

Foto: Reprodução/Instagram-@stateresinhaalvorada

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Aos 15 anos, Teresinha quis ingressar para o convento, mas devido a pouca idade foi negada. Recorrendo ao bispo e ao Papa, Teresinha insistiu por três meses até ter a autorização do bispo para ingressar. 

A programação em honra à santa inclui adoração ao Santíssimo Sacramento, novena das rosas, unção dos enfermos, terço da misericórdia e uma procissão seguida de missa campal.

Festejo em Honra a Nossa Senhora das Dores

Realizado entre os dias 6 e 15 de setembro, no município de Manicoré, o Festejo de Nossa Senhora das Dores é um evento religioso que movimenta o interior do estado, movimenta a economia local e atrai milhares de visitantes ao Município. 

Declarado como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas a partir do Projeto de Lei (PL) no 189/2022, o festejo em honra a Nossa Senhora das Dores foi instituído e celebrado pela primeira vez em 1865.

Andor de Nossa Senhora das Dores em Manicoré. Foto: Reprodução/ Rede Amazônica

A sede administrativa e religiosa da região do Médio Rio Madeira era, originalmente, a Freguesia dos Baetas. No entanto, o crescimento acelerado do povoado de Manicoré mudou esse cenário e com o desenvolvimento econômico e o aumento populacional, Manicoré tornou-se mais influente que Baetas. 

Por conta do avanço, no dia 6 de julho de 1868, com o apoio do Tenente-Coronel da Guarda Nacional Manoel Pereira de Sá, a administração provincial do Amazonas oficializou a transferência da sede da freguesia para Manicoré.

A partir desse decreto, o povoado passou a ser reconhecido como Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Manicoré, começando a devoção da santa na região. 

*Com informações da Arquidiocese de Manaus, Universidade de Caxias do Sul, Universidade Federal do Amazonas e Prelázia de Tefé

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

#Série – 7 festas religiosas para conhecer no Amapá

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As festas religiosas são expressões populares que ultrapassam a fé individual e se consolidam reunindo diversos fieis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma série destacando as principais festas religiosas de casa estado.

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Após cinco festas religiosas celebradas no Acre, a série segue para o Amapá, estado com tradições religiosas profundamente conectadas à ancestralidade africana e à cultura ribeirinha.

O Amapá possui em seus municípios e comunidades quilombolas, manifestações religiosas centenárias que reúnem música, teatro, dança e rituais. 

Conheça sete festas religiosas tradicionais no Amapá

Festa de São José

A festa de São José, padroeiro do Amapá, é celebrada de 16 à 19 de março, e reúne romarias, um tríduo, uma missa solene, uma carreata e uma festa social. São José era carpinteiro na Galiléia e marido da Virgem Maria, protetor da Sagrada Família, foi escolhido por Deus para ser o patrono de toda a Igreja de Cristo.

A tradição dessa celebração acontece desde a fundação da Vila em Macapá, em 1758. No entanto, a construção da catedral dedicada ao santo só começou três anos depois.

Foto: Alexandra Flexa/GEA

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Além disso, no ano de 1870, São José foi declarado oficialmente como o Patrono Universal da Igreja pelo Papa Pio IX e declarado o Patrono da Justiça Social pelo Papa Bento XV. 

Durante os dias 16 a 18, acontece a romaria das crianças, a romaria dos jovens, a missa campal no monumento, o tríduo na catedral e a missa solene.

No dia 19 de março, dia de São José e feriado estadual, a missa solene é realizada na catedral de São José, além de uma procissão, uma festa social e um bingo, uma carreata e a missa de encerramento. 

Marabaixo

O Marabaixo, celebrado oficialmente no dia 16 de junho, por meio da Lei Estadual nº 1521/2010, é uma das principais celebrações do Amapá. Realizado dentro das comunidades quilombolas, especialmente nos bairros do Laguinho, Santa Rita, Favela e na Vila de Mazagão Velho, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2018. 

As rodas de Marabaixo acontecem em um barracão ao som das caixas e tambores feitos de madeira e couro, e versos cantados pelo público que misturam devoção, memória e resistência. Além disso, as danças são marcadas por passos curtos e saias rodadas que dão movimento à roda. 

festas religiosas
Dançadeiras na roda de marabaixo, no centro cultural, Julião Ramos. Foto: Reprodução/IPHAN

Apesar de ser uma celebração com raízes profundas nas religiões de matriz africana, o Marabaixo segue o calendário do catolicismo popular, especialmente as festas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade.

A gengibirra, bebida tradicional feita com gengibre e cachaça, e as mulheres, responsáveis por conduzir os cantos e transmitir os saberes, são pilares dessa manifestação. 

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Festa de São Tiago

A festa de São Tiago, realizada anualmente em Mazagão Velho, é considerada uma das mais ricas manifestações de fé e cultura. Com mais de 246 anos de tradição, a celebração é realizada por 13 dias e conta com missas, transladações, arraiais e apresentações principais nos dias 24 e 25 de julho, que reúnem devoção católica, heranças africanas e uma encenação teatral que mobiliza toda a comunidade. 

A festa tem origem no século XVIII, quando famílias que viviam na colônia portuguesa de Mazagão, na África, foram transferidas para a Amazônia e trouxeram consigo a devoção a São Tiago e o teatro das batalha. O teatro conta a aparição de Tiago como um soldado anônimo que lutou bravamente ao lado do povo cristão contra os mouros e garantiu sua vitória.

Festa de São Tiago. Reprodução/Arquivo GEA

Leia também: Festa de São Tiago 246 anos: conheça a batalha entre mouros e cristãos

A encenação envolve momentos marcantes, como o baile das máscaras, que representa o engano dos mouros ao tentar envenenar os cristãos, a cena do ‘bobo velho’, em que um espião mouro é recebido com bagaços de laranja jogados pela comunidade, o confronto teatral entre os exércitos e o vominê, dança da vitória dos cristãos.

As encenações teatrais são os momentos mais esperados dos festejos, sendo celebrado então o dia santo de São Tiago.

Festividade de Nossa Senhora da Luz 

A festividade de Nossa Senhora da Luz, também celebrada em Mazagão Velho, integra sete comunidades tradicionais e um ritual que ultrapassa mais de um século. A devoção foi trazida por Maria Nogueira da Fonseca, carioca que se mudou para o Amapá com o marido no fim do século XIX.

A festa dura oito dias e reúne folias, fogos de artifício, alvoradas, um novenário, batuques tradicionais e visitas às casas das famílias devotas. O ápice da festa acontece no dia 8 de setembro, data em que a comunidade recebe os visitantes, os grupos musicais e os romeiros.

Festa de Nossa Senhora de Nazaré

Inspirada na tradição do Círio paraense, a festa de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá reúne mais de três décadas de tradição. Realizada pela primeira vez em 1934, a primeira procissão do Círio de Nazaré, segundo a Diocese de Macapá, aconteceu graças à religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria que resolveram organizar uma festa em homenagem a padroeira dos paraense. 

Círio de Nazaré no Amapá. Foto: Marcelo Loureiro

A programação, realizada anualmente em outubro, inclui a missa da troca do manto e procissão de transladação, romaria, romaria fluvial, romaria dos motociclistas, missa e procissão do Círio de Nazaré, sete dias com Maria, romaria dos jovens, romaria das crianças, missa e procissão do recírio, festas dos devotos e uma programação musical com um Círio Musical. 

O ritual das barracas foi incorporado no evento, vindo das tradições de Belém. Em Macapá, as barracas eram construídas rudimentarmente em frente à igreja de São José, no local onde hoje é o Teatro das Bacabeiras. Até a década de 60 havia a ‘Barraca da Santa’ em frente à Igreja, onde eram realizadas as festividades da administração paroquial, acompanhadas de retretas da Guarda Territorial.

Leia também: 5 curiosidades sobre o Círio de Nazaré no Amapá

Festa de Nossa Senhora da Piedade

A festa de Nossa Senhora da Piedade, realizada na comunidade quilombola do Igarapé, também em Santana, reúne mais de 150 anos de tradição. Em 2024, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Amapá.

Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

A festividade ocorre entre junho e julho, e conta com a peregrinação da imagem, novenas, folias, batuques, uma procissão fluvial, bailes populares e a tradicional Procissão da Meia Lua, realizada com barcas pelos rios da comunidade.

Durante as festividades, os romeiros pagam promessas com velas, rezas e fogos no ritual da ‘pedra do castigo’, um dos rituais mais conhecidos da celebração.

Festa de São Gonçalo

A festa de São Gonçalo, realizada no dia 10 de janeiro, em Mazagão Velho, reúne moradores e visitantes em celebrações de devoção, cultura popular e identidade histórica da comunidade. Vestidos com trajes nas cores amarelo, branco e verde e símbolos do santo, os foliões percorreram as ruas da vila entoando cânticos, tocando violões e balançando sinos.

Considerado padroeiro dos violeiros e conhecido também como santo casamenteiro, São Gonçalo de Amarante viveu em Portugal entre os séculos XII e XIII. Protetor dos humildes, sua história é cercada por relatos de milagres e por sua forma singular de evangelizar.

Foto: Aog Rocha/ GEA

Após a missa em honra a São Gonçalo, a programação segue uma procissão e tradicional cortejo cultural ao redor do quarteirão. O cortejo tem início na casa do juiz do mastro, pessoa responsável por guardar a imagem do santo e conduzi-la à igreja matriz. 

Além disso, a programação também inclui momentos de confraternização, almoço comunitário, música ao vivo e atividades típicas, como o leilão e a derrubada do mastro.

*Com informações da Diocese de Macapá, do IPHAN e do Governo do Amapá

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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#Série – 5 festas religiosas para conhecer no Acre 

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As festas religiosas ultrapassam a fé individual e se consolidam como expressões coletivas que reúnem diversos fieis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

Essas celebrações de devoção estão profundamente ligadas às origens da região e ultrapassam os muros dos locais dedicados às celebrações, ocupando ruas, praças e avenidas, reunindo famílias e mobilizando comunidades.

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O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma nova série, destacando as principais festas religiosas de casa estado. Nesta primeira matéria, conheça cinco festas religiosas celebradas no Acre.  

Festa de Nossa Senhora da Glória 

A festa de Nossa Senhora da Glória, considerada uma das maiores manifestações religiosas da região Norte, é celebrada tradicionalmente no dia 15 de agosto e reúne anualmente milhares de devotos em Cruzeiro do Sul, no Acre. A festividade conta com um novenário da padroeira em que o encerramento é celebrado na data da Assunção de Nossa Senhora, o dia 15 de agosto, conforme a tradição católica. 

Em 2025, a celebração religiosa do novenário foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Estado. Aprovado pelo Conselho Estadual de Patrimônio, o festejo foi o primeiro do estado a receber o reconhecimento.

festa religiosa no acre
Nossa Senhora da Glória. Foto: Ítalo Souza

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Durante os 11 dias do novenário, os fiéis participam de uma programação que inclui novenas, missas, procissões com crianças e uma tradicional feira do empreendedor. Além disso, os fiéis também participam de eventos como a corrida da Glória, a caminhada da juventude com Maria e a missa para idosos e doentes. 

A Catedral de Nossa Senhora da Glória, um dos cartões-postais de Cruzeiro do Sul, serve como ponto de partida para as romarias reunindo diversos fiéis em torno da padroeira.

Procissão de São Sebastião em Xapuri

Procissão religiosa de São Sebastião em Xapuri. Foto: Caio Fulgêncio/Acervo Rede Amazônica AC

A procissão de São Sebastião, uma tradição religiosa centenária, é celebrada no dia 20 de janeiro e é a segunda maior manifestação religiosa do Acre, possuindo mais de 123 anos de importância para os devotos.

A tradição antecede até mesmo a anexação do Acre ao Brasil, tendo a sua primeira procissão antes de janeiro de 1902, quando Xapuri ainda era chamada Vila Mariscal Sucre e estava sob domínio boliviano. 

A fé dos devotos já se manifestava e marcava presença muito antes das disputas que resultaram na Revolução Acreana. A imagem do santo foi instalada em 1912 às margens do Rio Acre e se tornou um símbolo de proteção e devoção na região. 

No novenário, iniciado no dia 11 de janeiro e com encerramento no dia 20, os devotos participam de novenas, missas e da grande procissão que percorre as ruas da cidade.

Círio de Nazaré no Rio Branco

O Círio de Nazaré no Rio Branco, inspirado na tradicional celebração paraense, é realizado no segundo domingo de outubro e reúne diversos devotos na capital acreana.

A celebração religiosa é marcada por diversos rituais, como a troca do manto da Imagem Peregrina, realizado no dia anterior ao Círio, e que simboliza a realeza de Maria e a renovação espiritual do ciclo da fé.

Leia também: Círio de Nazaré reúnem milhares de fiéis nas ruas de Rio Branco

Círio de Nazaré no Acre. Foto: Val Fernandes/Secom AC

No dia da celebração, às margens da Gameleira, na capital acreana, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré chega em uma procissão fluvial, ao encontro com a imagem de Jesus de Nazaré que a espera em terra, simbolizando a proteção e a esperança dos devotos. 

Após a procissão fluvial, a imagem segue em uma procissão terrestre até a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. Os fiéis realizam o percurso com velas, cantos e orações, pagando promessas e agradecendo as graças recebidas. 

Festejo de Nossa Senhora da Seringueira

Imagem de Nossa da Seringueira do Acre. Foto: Reprodução/Facebook-@arepublicabrasileira

A festa religiosa de Nossa Senhora da Seringueira, também chamada de Nossa Senhora do Acre, é celebrada em duas datas importantes: no dia 27 de janeiro e no dia 17 de novembro. A imagem, uma pintura representando a Virgem Maria com o Menino Jesus em um braço e um ramo de seringueira no outro, pintada por um indígena boliviano que acreditava ter visto uma aparição da santa, simboliza a ligação entre a fé, o trabalho e a resistência.  

Os devotos da imagem acreditam que a tela teria sido usada como tentativa de emboscada por tropas bolivianas durante a Revolução Acreana e, apesar de não haver registros documentais, a fé permanece entre os devotos e marcas de bala realmente podem ser vistas na pintura. 

Atualmente, a imagem restaurada encontra-se na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, Rio Branco, construída entre 1948 e 1958 pelo bispo Dom Júlio Mattioli. 

Leia também: Nossa Senhora da Seringueira: a devoção mariana que atravessa a história do Acre

Festa de São João do Guarani em Xapuri

A festa de São João do Guarani em Xapuri, celebrada no dia 24 de junho, na Reserva Extrativista Chico Mendes, a 42 km da área urbana de Xapuri, expressa a relação espiritual entre o povo da floresta e o território em que vive.

A festa reúne diversos devotos que percorrem estradas de terra e trilhas na mata para homenagear o santo considerado protetor da comunidade, mesmo sem ser canonizado pela Igreja Católica.

Celebração em homenagem a São João do Guarani. Foto: Murilo Lima/Acervo Rede Amazônica AC

São João do Guarani está ligado à vida de um seringueiro que viveu mais de 100 anos atrás na Colocação Guarani e, que depois de adoecer e tentar buscar ajuda na cidade, morreu no caminho. Seu corpo foi encontrado dias depois e foi sepultado onde atualmente está localizado o santuário e a imagem, que recebe centenas de promessas todos os anos.

A devoção religiosa a João do Guarani teve origem com relatos de caçadores e trabalhadores da floresta que afirmavam ter sido salvos pela intercessão do ‘santo’, o que aumentou a crença popular, e a fama de suas graças se espalhou pela região. Atualmente, a festa conta com a realização de um missa, uma procissão pela floresta, quermesses e bingos. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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Matamatás: saiba as diferenças entre as duas espécies reconhecidas pela ciência

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Matamatá. Foto: Luis F. C. Lima

A Amazônia, lar de uma grande diversidade de quelônios, abriga uma espécie que chama a atenção pela aparência, comportamento e importância científica: o matamatá. Porém, o que antes era considerado uma espécie única, surpreendeu os pesquisadores. 

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Descrita em 1783, pelo naturalista alemão Johann Schneider, a Chelus fimbriata era considerada a única espécie dessa tartaruga de água doce, que ocupa as bacias dos rios amazônicos no Brasil no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia.

No entanto, em 2020, uma nova espécie foi descoberta nas bacias do Orinoco, que corta a Colômbia e a Venezuela, e do alto rio Negro, no Brasil.

De acordo com a Revista Fapesp, a nova espécie, Chelus orinocensis, foi descrita com base em análises morfológicas e genéticas realizadas por pesquisadores do Brasil, da Colômbia, da Alemanha e do Reino Unido e pode ajudar no combate ao tráfico internacional desses animais. 

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Ao Portal Amazônia, o doutor em ecologia aquática e pesca e membro do grupo de especialistas em quelônios de água doce da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Fábio Cunha, explicou as principais diferenças entre as espécies.

Duas espécies e territórios diferentes

Os matamatás pertencem à ordem Testudines, reunindo todos os quelônios marinhos, terrestres e de água doce que, dentro desse desse grupo diverso, destacam-se por sua morfologia incomum. As diferenças físicas entre as duas espécies são sutis, o que caracteriza o grupo como espécies crípticas.

“Nós usamos um termo na ciência que a gente chama de espécies crípticas, ou seja, espécies que são quase impossíveis de distinguir só a olho nu, do ponto de vista morfológico, com as características e estruturas anatômicas”, explica Cunha.

De acordo com o especialista, para a descrição da nova espécie, foram usadas além das características morfológicas, como formato e tamanho, as proporções da carapaça, e informações e resultados moleculares.

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Segundo a Fapesp, o C. orinocensis apresenta carapaça mais clara e ovalada, enquanto o C. fimbriata tende a ter casco mais escuro e com formato mais retangular.

Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Além disso, a parte inferior do casco também varia, já que na espécie do Orinoco ele é mais amarelado e com menos pigmentação escura.

As análises genéticas das espécies indicam que as linhagens se separaram há cerca de 13 milhões de anos, quando as bacias dos rios Amazonas e Orinoco passaram a evoluir de forma independente.

Comportamento do matamatá

Além da aparência peculiar, os matamatás impressionam pela estratégia de alimentação. Predominantemente carnívoro, o animal se alimenta exclusivamente de peixes. 

“Eles não mastigam, dão um bote e engolem a presa inteira por sucção. Esse movimento pode durar cerca de 44 milissegundos, quase como um piscar de olhos”, revela Cunha.

Adaptados a ambientes de águas calmas como lagos, igarapés e rios de corrente lenta, os matamatás não são bons nadadores. Em vez disso, caminham pelo leito do rio, camuflados entre folhas e galhos, já que a coloração do casco e as projeções na carapaça ajudam a imitar troncos submersos.

Ele fica ali parado, ele não nada muito bem, mas se desloca por entre os galhos e troncos, e quando o peixe está passando perto, imaginando que é um tronco, ele dá o bote e se alimenta. Ele não consegue tirar em pedaços, ele não mastiga, ele ingere com muita quantidade de água e depois a presa cai diretamente no trato digestivo, que faz o processo de digestão e absorção de nutrientes”, detalha.

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Matamatás
Matamatás. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Quando jovens, os matamatás podem ser predados por peixes grandes ou jacarés, enquanto na fase adulta, praticamente não possuem predadores naturais conhecidos.

“É um animal grande, robusto e com casco muito rígido. O fato de ele existir até hoje mostra que essa linhagem teve sucesso evolutivo”, afirma o pesquisador.

Importância da descoberta para a conservação

A descrição de uma nova espécie vai além da curiosidade científica, segundo o especialista. Ela tem impacto direto nas estratégias de conservação.

“Toda vez que se descreve um novo táxon, a gente avança no conhecimento da biodiversidade. Estamos dizendo que aquela região abriga mais linhagens evolutivas do que se imaginava. Isso exige um olhar mais cuidadoso para a conservação”, reforça.

A Amazônia é considerada um ‘hotspot de biodiversidade’ (termo aplicado para designar áreas geográficas de alta biodiversidade e risco de destruição), com altas taxas de diversidade e endemismo. Isso significa que muitas espécies só existem ali e, caso sejam extintas localmente, podem desaparecer do planeta.

Ameaças atuais aos matamatás

Apesar de não estarem, até o momento, classificados como ameaçados de extinção, os matamatás enfrentam diversos riscos. Um dos principais é a retirada ilegal de filhotes da natureza para o comércio de animais de estimação.

“Por serem exuberantes, muitos criadores e colecionadores têm interesse nesses animais. O problema é que, na maioria das vezes, essa retirada é feita de forma criminosa e sem controle”, alerta o especialista.

De acordo com Fábio Cunha, a caça do animal acaba sendo um risco, visto que eles são retirados da natureza sem um controle, quase sempre de forma criminosa.

Além disso, há ameaças mais amplas que afetam todos os quelônios amazônicos: desmatamento, poluição, construção de hidrelétricas, dragagem de rios, mineração e aquecimento global.

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Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

“O aquecimento global, por exemplo, pode estar afetando e alterando a determinação sexual, então, de repente, uma população que tem poucas fêmeas pode estar comprometendo o recrutamento populacional dessa espécie”, explica.

De acordo com Cunha, são muitas as pressões ambientais e “não é algo exclusivo do matamatá, mas de todos os quelônios da amazônia”.

Bioindicadores da saúde ambiental

Assim, por conta dessas características do ambiente, de acordo com o especialista, os matamatás são mais abundantes em ambientes preservados. Regiões como o Alto Rio Negro, uma das áreas mais conservadas da Amazônia, apresentam boas populações da espécie.

“Isso nos permite dizer que o matamatá pode funcionar como um bioindicador da qualidade ambiental. Onde tem matamatá, o ambiente ainda está equilibrado, com poucas pressões antrópicas”, conclui Fábio.

Por isso, os matamatás são animais vistos como peças-chave para entender a saúde dos ecossistemas amazônicos. Conhecer suas diferenças, hábitos e ameaças é um passo fundamental para garantir que essas espécies singulares continuem fazendo parte da maior floresta tropical do mundo.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Mulheres que lutam contra a violência no Amazonas: compromisso social e proteção com dignidade

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Ronda Maria da Penha. Foto: Antônio Lima/Secom AM

O combate à violência contra a mulher tem duas datas para conscientização: o Dia Internacional, celebrado em 25 de novembro (instituído pela ONU em memória das irmãs Mirabal) e o Dia Nacional, celebrado em 10 de outubro, em alusão aos protestos históricos contra crimes de gênero.

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As duas datas nasceram com o propósito de combater agressões físicas, sexuais e psicológicas contra mulheres. Mas o combate requer ações, uma boa rede de apoio e, claro, atenção. E algumas mulheres tem exercido todas essas funções no Amazonas, liderando profissionais para fortalecer o acolhimento e também salvar vidas.

Conheça duas mulheres que tem lutado contra a violência no Amazonas

Foto: Carol Vaz/Arquivo pessoal

Carol Vaz

  • Defensora pública
  • Coordenadora do Projeto Órfãos do feminicídio
  • Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem)

A defensora pública do Amazonas, Carol Vaz, coordena um projeto voltado para os órfãos do feminicídio, uma iniciativa que nasceu da compreensão de que a violência não termina com a morte da mulher e se estende às crianças e às famílias que ficam desamparadas após o crime.

O projeto oferece acompanhamento jurídico e psicossocial contínuo, garantindo que essas crianças tenham seus direitos preservados e não sejam invisibilizadas pelo sistema de justiça.

“Esse projeto ganhou o prêmio Inovari, que é um prêmio nacional, em 2021. Nós fazemos o acompanhamento jurídico e psicossocial dessas famílias que ficam depois de um feminicídio, principalmente das crianças menores”, explicou. 

Atuação no tribunal do júri 

Carol atua na definição da guarda das crianças, nos pedidos de pensão e em todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade e a proteção das vítimas indiretas do feminicídio.

Atendimento integrado 

No Núcleo de Defesa da Mulher (NUDEM), Carol Vaz coordena uma equipe formada por defensoras públicas, assessores jurídicos, assistentes sociais e psicólogos. 

“A gente prioriza fazer esse atendimento conjunto para que as crianças e as mulheres não sejam revitimizadas, e para que elas contêm a história apenas uma vez para todas as profissionais”, explicou. 

Além das ações criminais e das medidas protetivas, o NUDEM, junto com a assistência social encaminha para vagas em creches e escolas, fornece auxílio-aluguel e, quando necessário, casas-abrigo. 

Histórias que inspiram outras mulheres

Além do atendimento jurídico, Carol Vaz também coordena uma exposição que reúne histórias e fotografias de dez mulheres atendidas pela Defensoria Pública. O projeto mostra que a violência deixa marcas, mas que é possível seguir vivendo.

Leia também: Conheça mulheres que atuam na linha de frente contra o feminicídio em Roraima

Foto: Débora Mafra/Arquivo pessoal

Débora Mafra

Delegada especializada em crimes contra a mulher no Amazonas

Durante o período em que esteve à frente da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, a delegada aposentada Débora Mafra construiu um modelo de atendimento baseado no acolhimento humanizado. Para ela, a mulher vítima de violência não deve ser questionada ou julgada, mas acolhida com respeito, empatia e segurança desde o primeiro atendimento.

 “Nós temos que acolher a mulher porque ela foi vítima de violência doméstica e não questionar o porquê. Se foi vítima, já merece todo carinho e todo acolhimento”, explicou. 

Rede de apoio

Enquanto exercia a função, Débora conta que as vítimas eram encaminhadas para serviços psicológicos e assistenciais, casas-abrigo, programas de proteção e iniciativas que garantiam a segurança imediata e a autonomia das vitimas.

Denúncia salva vidas 

Para Débora Mafra, a denúncia é um instrumento de sobrevivência e proteção, não apenas para a mulher, mas para toda a família:

“A maioria das vítimas de feminicídio nunca denunciou. Quanto mais denúncia, menos mulheres morrem”.

Ferramentas de combate à violência contra a mulher

Alguns recursos foram criados e implementados para garantir a fiscalização das medidas protetivas e segurança às mulheres que decidem denunciar:

  • Sistema De Apoio Emergencial A Mulher (SAPEM)
  • Aplicativo Alerta Mulher 
  • Ronda Maria da Penha 
  • Delegacias especializadas 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

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Paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Uma árvore capaz de andar pela floresta? A ideia pode parecer uma lenda ou até mesmo um exagero contado por guias de turismo, mas na Amazônia, esse fenômeno realmente existe, ainda que de uma forma muito diferente do que se possa imaginar. A árvore em questão é paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). 

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No Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus (AM), os visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto essa espécie de árvore que chama a atenção por possuir raízes aéreas que dão a impressão de movimento, e uma altura que pode ultrapassar os 20 metros.

paxiúba, a árvore andante
Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Leia também: Conheça cinco espécies de árvores que são encontradas somente na Amazônia

Apesar do nome popular, a árvore não caminha como um ser animado. O que acontece, na verdade, é um processo lento de migração das raízes, motivado principalmente pela busca por luminosidade e estabilidade do solo

De acordo com o professo Deivison Molinari, doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o fenômeno das árvores andantes já é algo conhecido pelo meio acadêmico e científico. Inclusive, na Amazônia, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), já utilizaram a árvore como objeto de estudo. 

“Na verdade é um mecanismo de deslocamento das raízes. Ela não é algo tão grande, é algo centimétrico por ano, por uma busca de maior luminosidade. Então, o mecanismo que a própria árvore tenta se ajustar, porque ela não está recebendo luz e ela busca a luminosidade, então ela acaba se deslocando do sistema de raízes”, explicou Molinari. 

Paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Leia também: Estudo aponta que um sexto da diversidade de árvores da Amazônia depende de áreas de várzea

Segundo o professor, a paxiúba possui longas raízes que se assemelham a “pernas”, e quando uma parte do solo se torna instável ou deixa de receber luz suficiente, novas raízes crescem em direção a um local mais favorável.

Além disso, de forma gradual, o tronco passa a se apoiar nas raízes mais recentes, enquanto as antigas perdem a função, gerando um deslocamento real, porém extremamente lento, geralmente em poucos centímetros por ano. 

Características da paxiúba

Frutos da paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

A árvore costuma nascer em locais alagados e pode ser encontrada por toda a América Central. No Brasil, a espécie pode ser localizada na bacia do Amazonas, em Mato Grosso, no Acre, no Amapá, no Maranhão e no Pará, sendo identificada por conta de suas raízes que permitem a sustentação e a locomoção.

Além disso, os frutos da paxiúba adquirem uma coloração vermelho-acastanhada quando maduros e servem de alimento para diversas espécies de aves. Para os povos indígenas da região, a árvore é uma espécie importante que serve como alimento, além de ser utilizada para fins de construção.

A semente do fruto é grande, parecida com a de uma noz-moscada, com veios bem marcados. A árvore tem um tronco único, reto e fino, que mede cerca de 10 a 20 centímetros de diâmetro, mas que pode crescer muito, chegando a até 20 metros de altura, o que muitas vezes faz com que o tronco nem chegue a encostar no chão, ficando levemente suspenso.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Sete curiosidades sobre a Cúpula do Teatro Amazonas 

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Cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

O Teatro Amazonas, inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, é um monumento dedicado à arte e à ambição da elite da época, que sonhava em colocar a capital amazonense no centro do mundo. Reconhecido como um dos principais cartões-postais da Amazônia, a construção em Manaus foi tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1966. 

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A cúpula do Teatro, entre todos os elementos luxuosos da construção, tornou-se um emblema da cidade incorporando-se à floresta. A cúpula chama a atenção pela exuberância, composta por 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França.

O perfil no Instagram manaus_memoria_e_patrimonio, do turismólogo Julio Sales, reuniu curiosidades sobre a construção. Confira algumas:

A construção foi rejeitada por alguns moradores

A cúpula do Teatro Amazonas nem sempre despertou a admiração dos moradores de Manaus. De acordo com o Patrimônio Belga do Brasil, quando ela foi inaugurada, no final do século XIX, sua instalação foi combatida por monarquistas que consideraram uma homenagem à República, estampado nos jornais palavras como “feia”, “uma aberração”, “de mau gosto”, e outras depreciações para criticar a construção.

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Cúpula do Teatro Amazonas vista de cima
Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Além disso, de acordo com a Associação Nacional de História e os memorialistas da cidade, em abril de 1896, Lourenço Machado, cidadão da região, foi contratado para executar a pintura da construção. No entanto, em 1898, o governador Fileto Pires encaminhou um ofício autorizando a colocação de calhas e retirando a cúpula do Teatro Amazonas, o chamado ficou aberto algumas semanas, mas não foi para frente. 

O projeto original não previa a cúpula 

O teatro foi inaugurado durante o auge do ciclo da borracha, período em que Manaus vivia a intensa transformação econômica e urbana, inspirado nos modelos europeus da Belle Époque.

Estrutura interna da cúpula do Teatro Amazonas
(Foto: Frank Cunha/Acervo Rede Amazônica AM)

De acordo com Lena Brito, guia de turismo do teatro, o projeto original não previa a construção da cúpula, sendo inserida posteriormente como símbolo de modernidade e prosperidade, além de representar a bandeira do Brasil.

É oca e apenas decorativa

A cúpula é uma estrutura de ferro fundido, sem qualquer finalidade acústica para o funcionamento do teatro, diferente do que acontece em cúpulas de igrejas ou salas de concerto, sua função é exclusivamente estética. Além disso, ela é totalmente oca por dentro, sem pintura e decoração.

Origem belga 

A estrutura metálica foi adquirida na Bélgica, transportada em partes até Manaus e montada diretamente sobre o telhado do teatro. Tendo as obras concluídas em 1895, a cúpula foi fabricada pela empresa Compagnie Centrale de Construction de Haine-Saint-Pierre.

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Construção da cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Reprodução/Patrimônio Belga no Brasil

Além disso, de acordo com o arquiteto Bernard Pirson, em sua dissertação de mestrado ‘Architecture métallique démontable au XIXe siècle exportée d’Europe vers les pays d’Outre-mer: une contribution belge : Les Forges d’Aisea, muitas estruturas de cobertura e elementos decorativos foram realizadas na América Latina por empresas belgas, sendo a cúpula do teatro um dos destaques no Norte.

Telhas importadas da França

Um dos elementos mais marcantes da construção são suas 36 mil telhas esmaltadas e vitrificadas, importadas da região francesa da Alsácia, segundo dados da secretaria de economia e cultura criativa.

A cúpula foi adquirida na Casa Koch Frères, em Paris, sendo o colorido original em verde, azul e amarelo uma analogia à bandeira brasileira.

Além disso, a presença da cor vermelha indica a forte influência francesa em Manaus naquele período, marcada pela importação de costumes, materiais e referências culturais da Europa.

Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Iluminada em noite de espetáculo

Durante muito tempo o Teatro Amazonas foi a maior construção da cidade, e por conta disso, a cúpula era vista de todos os cantos de Manaus. Em noite de espetáculos os vitrais eram iluminados como forma de atrair e avisar o público que a casa de óperas receberia apresentações naquela noite. A tradição é mantida até hoje. 

É possível conhecer a cúpula? 

Por razões de segurança, a cúpula não é aberta à visitação pública. Segundo Lena Brito, o acesso é restrito.

“Por ser de difícil acesso, perigoso e muito quente, só é possível entrar com autorização especial e acompanhado de bombeiros, com todos os equipamentos de segurança”, explica.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar