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Conheça a ‘Sumaúma Vovozona’, patrimônio natural da Flona do Tapajós

Foto: Reprodução/Instagram-@roseeeloisee

No interior da Floresta Nacional do Tapajós (Flona), no Pará, uma árvore se destaca não apenas pelo tamanho, mas pela história, simbologia e conexão com a comunidade local. Conhecida como Sumaúma ‘Vovozona’, essa gigante da Amazônia se tornou um dos principais símbolos da comunidade de Maguari, no município de Belterra, onde está localizada.

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A grandiosidade da vovozona impressiona, segundo o coordenador dos guias locais da comunidade, Raimundo Vasconcelos, são necessárias cerca de 25 a 28 pessoas de mãos dadas para abraçar completamente o seu tronco. No entanto, ao longo da trilha que leva até ela, existem outras sumaúmas, como uma localizada na Serra do Gato, que precisa de cerca de 19 pessoas para abraçá-la, e a sumaúma ‘baby’, que precisa de cerca de 12 pessoas.

A caminhada até a vovozona não é simples, são cerca de 7 quilômetros mata adentro, em uma trilha que já prepara o visitante para o encontro com a grandiosidade da árvore. Além disso, as raízes tabulares, típicas da espécie, se espalham pelo solo como paredes naturais, o que cria um cenário surpreendente.

Uma árvore milenar 

A idade da Vovozona é um dos aspectos mais intrigantes, visto que não há um número exato, mas um consenso sobre sua grandiosidade temporal. De acordo com Raimundo Vasconcelos, a estimativa foi construída coletivamente na comunidade. 

“A gente fez um levantamento junto com o ICMBio e a comunidade, e ela é considerada uma árvore milenar. Pode ter mil anos, pode ter mais, pode ter menos. É uma estimativa, a gente não tem como saber a idade certinha dela”, explicou.

Sumaúma vovozona
Foto: Arquivo pessoal/Raimundo Vasconccelos

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A falta de precisão científica não diminui a sua importância, e abre espaço para interpretações populares grandiosas. De acordo com o guia local, Joacir Pedroso, @guia.joacirodrigues, os antigos habitantes da região acreditavam que a árvore poderia ter até 100 mil anos. 

Independente da idade real, a Vovozona é uma árvore extremamente antiga, que atravessa gerações e as transformações da floresta amazônica.

Origem do nome e simbologia

Foto: Reprodução/Instagram-@Rotarybrasiljapao

O nome não se trata apenas de uma árvore velha, mas de uma figura ancestral, quase familiar. “É porque é uma árvore antiga, maior que todas. Por isso foi escolhido o nome Vovozona sumaúma”, explicou Joacir.

Além disso, a árvore também possui um valor espiritual significativo. De acordo com Joacir, ela é associada à presença da ‘mãe da floresta’, conhecida como Curupira, entidade protetora das matas no imaginário amazônico. 

Outro aspecto atribuído a sumaúma vovozona é o seu uso medicinal, já que, segundo Joacir, suas raízes armazenam água potável, considerada boa para consumo em situações específicas. 

Um santuário natural protegido pela distância

A localização da Vovozona contribui para sua preservação. Situada a cerca de 7 quilômetros de caminhada dentro da floresta, ela está distante de áreas de desmatamento ou atividades humanas intensas, como roçados.

“Ela não tem ameaça de queimadas porque fica muito distante. As pessoas não chegam lá para fazer esse tipo de coisa”, destacou Raimundo Vasconcelos.

Esse isolamento natural funciona como uma barreira protetora, permitindo que a árvore se mantenha relativamente segura em meio às pressões ambientais que afetam outras regiões da Amazônia. No entanto, isso não significa que a árvore esteja livre de riscos, já que eventos naturais já deixaram marcas.

Leia também: É verdade que árvore Sumaúma “jorra” água no meio ambiente?

Foto: Arquivo pessoal/Raimundo Vasconccelos

Um dos episódios mais marcantes foi um forte temporal que atingiu a região. “Ela sofreu uma rachadura por causa de um vento forte. A gente acredita que tinha uma cicatriz antiga, e isso abriu. Mas ela está se regenerando”, contou Raimundo.

“Com pouco mais de um ano, a rachadura cicatrizou. Foi uma conquista para a gente ver a recuperação da Vovozona”, completou Joacir. 

Esse processo de regeneração evidencia a resiliência da árvore, mas também revela sua vulnerabilidade. De acordo com Raimundo Vasconcelos, por ser uma das mais altas da floresta e possuir grande quantidade de água em sua estrutura, a sumaúma pode ser mais suscetível a ventos intensos.

Entre os principais desafios para sua preservação, estão os incêndios florestais, os danos às raízes e os eventos climáticos extremos.“Os principais desafios são prevenir incêndios e não deixar danificarem as raízes. A gente precisa zelar sempre”, destacou Joacir.

Turismo de base comunitária: conservação e renda

A Vovozona é também o principal atrativo do turismo de base comunitária na região, e a visita à árvore integra o roteiro oficial das trilhas da Flona do Tapajós, conduzida por guias locais. Atualmente, há um grupo de 22 condutores locais, que atuam sob orientação do ICMBio, além de uma associação comunitária que auxilia na organização e proteção da área.

De acordo com o guia Joacir, o passeio, de 14 km (ida e volta), segue regras rigorosas para garantir segurança e preservação:

  • Cada guia leva no máximo 5 visitantes
  • É obrigatório o uso de roupas e calçados adequados (tênis ou bota)
  • A Flona não oferece calçados e o vistante deve levar
  • A trilha só pode ser feita com guia e não é permitido entrar sozinho na floresta

Essas medidas ajudam a minimizar os impactos ambientais e proporcionam uma experiência mais rica e educativa para os visitantes. O valor médio da experiência é de R$200 por grupo, o que ajuda a gerar renda para a comunidade e incentiva a preservação da floresta.

Uma experiência transforma

Mais do que um atrativo turístico, a Vovozona proporciona uma experiência emocional profunda, já que muitos visitantes relatam sentimentos intensos ao chegar até a árvore.

Leia também: Portal Amazônia responde: Sumaúma ou Samaúma? Saiba qual o nome correto de uma das maiores árvores da Amazônia

“Eles falam que a árvore representa uma bíblia, e muitos choram quando chegam lá”, contou Joacir.

A imponência da árvore, somada ao silêncio da floresta e à conexão com a natureza, cria um ambiente quase espiritual. 

Um símbolo de resistência e memória

Sem registros científicos aprofundados, a Vovozona segue sendo conhecida principalmente pela tradição oral e pelo cuidado da comunidade. 

“A sumaúma é muito importante para o ecossistema da flona e também para nossa comunidade”, afirmou Joacir.

A ausência de projetos específicos de proteção é compensada pelo esforço coletivo.“A gente preserva, cuida, porque quer que ela dure por muito tempo”, disse Raimundo.

Em meio às ameaças que rondam a Amazônia, a vovozona permanece de pé, firme, silenciosa e imponente,como uma verdadeira guardiã da floresta.

307 anos de Cuiabá: conheça 8 curiosidades sobre a capital mato-grossense

Cuiabá. Foto: Reprodução/IPHAN

No dia 8 de abril de 2026, Cuiabá celebra 307 anos. Fundada por bandeirantes em 1719, a capital de Mato Grosso possui uma área territorial de 4.327,22 km², segundo dados do IBGE, e é conhecida como ‘Cidade Verde’.

Saiba mais: Por que Cuiabá é conhecida como “cidade verde”?

Para comemorar a data, o Portal Amazônia reuniu oito curiosidades sobre a cidade. Confira:

1. Nome em homenagem ao rio

Existem diversas controvérsias em relação à origem do nome da cidade, no entanto, a versão mais aceita é de que o local recebeu o nome de Cuiabá, termo de origem indígena, em homenagem ao rio que banha a cidade.

Rio Cuiabá. Foto: Reprodução/ SEC-MT
Rio Cuiabá. Foto: Reprodução/ SEC-MT

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2. Encontro de três biomas

A cidade está localizada em uma região de transição entre três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Pantanal. A poucos quilômetros da área urbana, é possível encontrar paisagens típicas desses ecossistemas, como a Chapada dos Guimarães e áreas alagadas do Pantanal.

3. Banhada por quatro rios importantes

A cidade é cruzada por quatro rios importantes, que sediam as bacias hidrográficas, sendo eles os rios Paraguai, Xingu, Cuiabá e Araguaia. Além disso, o enorme volume de seus rios, resulta ainda em uma das maiores reservas de água doce de toda a América do Sul.

Leia também: Cuiabanos que inspiram: cinco personalidades que ajudaram a escrever a história da cidade

4. Cidade mais populosa do estado

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2022, Cuiabá é a cidade mais populosa de Mato Grosso. Segundo o censo, de 3.658.649 de pessoas, 650.877 de pessoas vivem em Cuiabá. 

5. Localização Central

A cidade está situada exatamente na área central que divide o continente sul- americano, o chamado centro geodésico, e como forma de marcar o local, foi construído no ano de 1909, pelo artesão Júlio Caetano, um marco simbólico de alvenaria, onde foram gravadas as coordenadas geográficas do local.

Centro Geodésico. Foto: Reprodução/Prefeitura de Cuiabá

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Mais tarde foi erguido por sobre o marco original um obelisco de aproximadamente 20 metros de altura todo revestido em mármore branco, como forma de preservar o marco original.

6. A tradicional Corrida de Reis

Realizada pela primeira vez em 1984, todos os anos a cidade recebe em suas ruas, a corrida de Reis, a maior prova de rua do Centro-Oeste. A corrida, realizada no primeiro domingo após o dia de Reis, possui 10 quilômetros, é homologada pela Confederação Brasileira de Atletismo e em 2026 será realizada no Parque Novo Mato Grosso, com mais de 15000 corredores. 

7. Cidade verde

Também conhecida como cidade verde, Cuiabá já foi a capital mais arborizada do país, famosa pelos quintais com mangueiras e cajueiros. Atualmente, segundo dados do Censo IBGE 2022, o índice de arborização da cidade é de aproximadamente 74,5%, ocupando a 8ª posição entre as capitais brasileiras.

8. Museu de bonecas e brinquedos

Inspirado nas crianças dos anos 50 e 60 que não tinham brinquedos, e contruído com recursos próprios, o museu de bonecas e brinquedos de Cuiabá foi idealizado pela colecionadora de bonecas Terezinha Barros e é o único do gênero no país.

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Foto: Josi Pettengill/ Prefeitura de Cuiabá

No museu estão expostas bonecas, como a Shirley Temple, atriz mirim que fez muito sucesso em filmes musicais da década de 40, a boneca da Yeda Maria Vargas, a brasileira eleita primeira Miss Universo, bonecas consideradas raras e de diferentes épocas, entre elas, da Carmem Miranda e o primeiro modelo da Barbie, lançado em 1959.

Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com o início da programação da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, no centro de Brasília, líderes indígenas esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visite o evento que tem presença prevista de mais de 6 mil pessoas procedentes de todas as regiões brasileiras. Eles devem conversar com Lula e com outras autoridades sobre a necessidade de celeridade na demarcação de terras indígenas no país. 

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Coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o militante e pesquisador Kleber Karipuna confirmou que há um diálogo com o governo para receber Lula durante a semana. 

“Para que a gente possa ouvir o que podemos esperar do governo ainda neste ano, em todas as ações e pautas possíveis para o movimento indígena”.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

As lideranças têm esperança também que o governo anuncie novidades, principalmente com relação a celeridade em demarcações e ações de proteção às comunidades em todo o país. Karipuna explica que, antes da COP30 do ano passado, foi apresentado um documento para o governo federal com embasamentos técnico, jurídico e administrativo de 107 terras indígenas que estariam aptas a serem regularizadas.

A liderança indígena entende que o Brasil tem que assumir o compromisso em 58 milhões de hectares para os próximos 5 anos, seja na posse de terra ou na proteção territorial. Karipuna pondera que, nos últimos quatro anos, houve um “pequeno avanço” de 20 terras homologadas.

“Mas não é o suficiente diante do passivo histórico que nós temos”, afirmou o coordenador da Apib. 

Violência

A liderança indígena Luana Kayngang, que é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul), afirmou que a violência contra as mulheres indígenas assusta as comunidades.

“Não tem sido tão fácil esse cenário que a gente vem vivenciando”, afirmou. Isso ocorre, segundo Luana, porque as mulheres estão mais vulneráveis em ataques externos às aldeias. 

Coordenador da articulação dos povos e organizações indígenas do Nordeste e Minas Gerais do Espírito Santo, Paulo Tupinambá disse que todas as delegações viabilizaram transporte a Brasília por conta própria, sem recursos públicos de qualquer ordem.

Marchas 

Durante a semana, estão programadas pelo menos duas marchas dos indígenas do acampamento até a Praça dos Três Poderes a partir do Acampamento Terra Livre, que foi montado no Eixo Monumental (avenida que separa a Asa Sul e a Asa Norte).

A primeira marcha aconteceu no dia 7 de abril de 2026. Eles devem encontrar representantes do governo e parlamentares, entre eles a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).  

Leia também: No STF, Funai defende celeridade nos processos de demarcação como forma de reduzir violência contra os povos indígenas

Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações
Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Kleber Karipuna acrescenta que o protesto dos indígenas tem como finalidade colaborar com o próprio governo federal para avançar com as pautas.

“Nós precisamos, ainda neste ano, alguns avanços, tanto de desintrusões como para o pleno usufruto exclusivo de cada povo nas suas regiões”, diz.

A segunda marcha será na quinta-feira (9), às 14h. Com o tema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, a APIB defende que, até março deste ano, pelo menos 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação e aguardam apenas a assinatura do presidente Lula, enquanto outras 34 dependem de portaria do Ministério da Justiça.

Nova política

Em nota à Agência Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas lembrou que a instalação da pasta, em 2023, fez com que indígenas ocupassem cargos estratégicos  e decisórios.  “A criação do MPI foi uma ruptura da visão tutelar que há décadas orientou a política indigenista”.

Segundo a nota, as decisões sobre os direitos e as necessidades dos mais de 391 povos indígenas brasileiros foram tomadas por pessoas que entenderam as demandas e os desafios. “As ações do MPI nos últimos três anos foram relevantes para recuperar direitos e políticas desmanteladas na década anterior à atual gestão”.

Segundo pondera o governo, uma das principais ações foi a garantia dos povos com a homologação de 20 territórios indígenas, o que somou 2,2 milhões de hectares.

*Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.

Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Milhares de indígenas de todo o Brasil marcham, nesta terça-feira (7), pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato integra a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), evento que começou no domingo (5) e é considerado a maior e mais importante mobilização do movimento no país.

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Os tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati, gavião e representantes de parte dos 391 povos originários remanescentes deixaram o palco principal do ATL, no Eixo Cultural Ibero-Americano, por volta das 9h30.

Sob sol forte, o grupo percorreu os 6 quilômetros até o Congresso Nacional, principal alvo das críticas do movimento, que acusa a maioria dos deputados federais e senadores de propor e aprovar leis contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários, colocando em risco seus territórios e modos de vida.

Os povos orinários também acusam parlamentares e os governos federal e estaduais de cederem à pressão do agronegócio, da mineração e de grandes empreendimentos, permitindo a exploração econômica de territórios tradicionais por não indígenas.

Pintados e usando os adereços característicos de suas etnias, os indígenas carregavam seis grandes faixas com os dizeres Congresso Inimigo Dos Povos; Nosso Território Não Está À Venda; O Futuro É Indígena; Marco Temporal É Golpe; Demarcação É Futuro e Marco Temporal Não.

Para cumprir um acordo com os órgãos de segurança do Distrito Federal, os indígenas deixaram seus arcos, flechas, bordunas, lanças e zarabatanas no acampamento e ocuparam três das seis faixas e parte do gramado do Eixo Monumental, avenida que corta o Plano Piloto no sentido leste-oeste.

“Nossa marcha é pacífica, rumo a um Congresso que não é pacífico, é inimigo dos povos indígenas”, criticou um dos membros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade organizadora do ATL.

Leia também: STF deixa votação do Marco Temporal para 2026

Principal crítica dos indígenas no Acampamento Terra Livre é dirigida ao Congresso.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Viemos pintar Brasília do vermelho do urucum e da resistência do jenipapo, trazendo a força, a resistência e a ressurgência indígena”, acrescentou o mesmo representante da Apib antes do início da marcha.

Marco Temporal

Outro alvo recorrente das críticas indígenas é o Marco Temporal, tese jurídica que estabelece que os indígenas só têm direito aos territórios que ocupavam em outubro de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Marco Temporal inconstitucional. Mesmo assim, em 2025, o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que impõe o limite temporal às reivindicações indígenas por demarcações. 

Como os senadores modificaram o texto que a Câmara dos Deputados aprovara em 2023, a PEC foi devolvida para os deputados federais reanalisarem a proposta, o que ainda não aconteceu.

Os manifestantes também reivindicam que o governo federal reconheça mais terras indígenas. 

Segundo as lideranças do movimento, após um período de quatro anos (2019-2022) no qual nenhuma nova área de ocupação tradicional foi homologada, o governo federal validou, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, 20 novos territórios. 

Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os novos territórios equivalem a cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 unidades federativas. “Mas seguimos nessa luta, nesse pleito pela garantia territorial”, explicou o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá. 

“Temos um passivo de demarcação muito alto e um cenário de muita violência e vulnerabilidade nas terras indígenas que governo algum conseguiu superar. Isso tem sido um fator motivador para os povos indígenas virem a Brasília apresentar nossas pautas”, disse Dinamam.

Ele informou que há, em análise, cerca de 110 novas áreas reivindicadas como terras da União de usufruto indígena.

Convidada a falar do alto do caminhão de som, a ex-presidente da Funai e primeira mulher indígena eleita deputada federal Joenia Wapichana destacou a importância dos indígenas “aldearem a política”, conforme propõe as lideranças do movimento.

“Estamos aqui para dizer que os povos indígenas têm capacidade para serem o que quiserem: parlamentares, autoridades públicas, representantes políticos. E essas ferramentas estão à nossa disposição”, afirmou. 

“Os povos indígenas estão atentos, sabem dos seus direitos”, acrecentou Joenia, destacando a necessidade de mais orçamento para os órgãos públicos de proteção indígena, como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. 

*Por Alex Rodrigues, Agência Brasil.

A história de Hilda Freire: a parteira de uma geração inteira em Iranduba

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Hilda Freire ajudou mais de 2.800 crianças a nascerem em Iranduba (AM). Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

Antigamente, no interior do Amazonas, em uma época em que o acesso à saúde era limitado, muitas comunidades dependiam do conhecimento tradicional e das pessoas que dedicavam a vida ao cuidado dos outros. Por conta disso, em Iranduba, Hilda Freire ficou conhecida por ajudar a trazer ao mundo mais de 2.800 crianças.

Hilda Freire. Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

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Hilda nasceu na comunidade de Jacurutu e cresceu em contato direto com a natureza e com os saberes tradicionais da floresta. Criada em uma comunidade indígena da região, ela aprendeu sobre ervas medicinais e práticas de cura, conhecimentos que foram fundamentais no seu trabalho como parteira, em um período em que muitos partos aconteciam em casa, longe de hospitais ou médicos.

Foi com esse aprendizado que ela começou a ajudar mulheres em trabalho de parto, e o que iniciou como um gesto de solidariedade se transformou em uma verdadeira missão de vida.

Com habilidade, experiência e sensibilidade, Hilda acompanhou centenas de gestantes e participou do nascimento de milhares de crianças em comunidades de Iranduba e arredores.

De acordo com Zenaide Freire de Sousa, filha de Hilda Freire, ela mantinha um caderno no qual registrava os nomes dos bebês que ajudava a nascer e reunia centenas de histórias de vida que começaram pelas mãos da parteira. Infelizmente, após sua morte, o caderno acabou se perdendo. 

Leia também: Dom e experiência: o saber-fazer das parteiras no Nordeste do Pará

“Naquele tempo não tinha telefone. Quando uma mulher estava para ganhar bebê, o marido ia até a nossa casa bater na porta. A qualquer hora do dia ou da noite. Minha mãe se levantava, pegava a bolsinha com os materiais dela, colocava uma toalha na cabeça e ia”, recorda a filha.

De acordo com Zenaide, muitas mulheres procuravam Dona Hilda ainda durante a gestação, confiando em sua experiência, já que ela tinha grande habilidade para identificar o sexo do bebê apenas ao tocar a barriga da mãe.

Hilda Freire. Foto: Zenaide Freire/Acervo pessoal

“Minha mãe rezava, minha mãe tirava a desmentidura, ensinava remédio caseiro pras pessoas, tudo ela fazia”, explicou Zenaide ao Portal Amazônia

Zenaide relembra que a dedicação da parteira era total e não importava a distância, a hora ou as condições, sempre que alguém precisava, ela estava pronta para ajudar.

Hilda Freire: muito mais que uma parteira

Além de realizar partos em casa, Hilda também atuou em um centro de saúde de Iranduba, localizado na região do Lourenço Bop, onde continuou exercendo sua vocação, auxiliando gestantes e contribuindo com o cuidado à saúde da comunidade.

Zenaide revela que Hilda nunca cobrava pelo serviço, já que para ela ajudar a trazer uma criança ao mundo, para ela, “era um dom”, não um trabalho que deveria ser pago. 

Hilda conciliou esse trabalho comunitário com outras responsabilidades, pois durante cerca de 30 anos também atuou como servidora da prefeitura de Iranduba.

Em casa, criou 17 filhos, sempre com dedicação e carinho. Com o tempo, a saúde começou a enfraquecer e ela precisou deixar as atividades, e mesmo após sua partida, sua história continuou presente na memória da cidade.

“Aí foi o tempo que ela adoeceu, e pronto, ela deixou, não trabalhou mais, e a gente cuidou dela. Aí foi o tempo que o senhor levou ela, mas a minha mãe era uma guerreira”, recorda Zenaide. 

Leia também: “Partejar”: prática milenar ajuda mulheres em locais de difícil acesso na Amazônia

Hospital Hilda Freire em Iranduba
Hospital da cidade de Iranduba. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O reconhecimento pelo trabalho de Hilda Freire veio em forma de homenagem pública, e hoje, o hospital de Iranduba leva seu nome, uma maneira de eternizar a contribuição de uma mulher que ajudou a construir a história do município.

Nas famílias dos moradores de Iranduba, existe sempre alguém, um filho, um sobrinho ou um neto, que veio ao mundo pelas mãos da parteira.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Cuias amazônicas de chocolate? Restaurante do Pará inova na Páscoa com sabores regionais

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Cuias de chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

Em meio à tradição dos ovos de Páscoa, uma confeitaria do Pará decidiu inovar e apostar na identidade regional para conquistar o público. A proposta, criada pelo restaurante Amazônia na Cuia, transforma a cuia amazônica, um dos símbolos mais tradicionais da cultura nortista, em chocolates para presentear. 

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Segundo Rafael Barros, CEO do restaurante, a ideia nasceu a partir do desejo de fazer algo diferente, com  autenticidade e identidade. 

“A gente sempre teve vontade de criar algo próprio, sem terceirizar. Já produzimos nossos bombons regionais, com sabores como cupuaçu, bacuri, açaí e castanha. O que todo mundo está fazendo é o ovo da Páscoa, né? Obviamente, cada um com seus diferenciais. Então pensamos: o que podemos fazer para tenha a essência da Amazônia na Cuia?”, contou ao Portal Amazônia.

Leia também: Como são feitas as cuias amazônicas e porquê elas são parte essencial da cultura da região?

Rafael Barros, CEO do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

De acordo com Barros, foi assim que surgiu a ‘cuia de chocolate‘, inspirada no utensílio ancestral amplamente utilizado na região Norte para servir alimentos e bebidas.

“O que tem a essência da Amazônia na Cuia é justamente a cuia. Então por que não transformar isso em um produto de Páscoa?”, questionou o empresário.

A criação foi desenvolvida em conjunto com o gerente de marketing Mauricio Matheus e a chef confeiteira Antônia Leiciane, e rapidamente ganhou forma. No ano passado, a proposta foi lançada como um teste, com a meta inicial de vender 50 unidades, mas o resultado foi surpreendente, e 250 cuias foram vendidas em apenas dois dias, consolidando a ideia como um novo produto da marca.

Cuia de chocolate e sabores amazônicos

Ao todo, são quatro opções de cuias recheadas, todas com ingredientes típicos da Amazônia:

  • Creme de bacuri com geleia de bacuri
  • Creme de queijo do Marajó com doce de leite de cumaru
  • Creme de castanha-do-Pará com geleia de cupuaçu
  • Monteiro Lopes, com creme de queijo do Marajó, bolacha amanteigada de cupuaçu e cacau
Cuias de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia.
Cuias de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

Leia também: Tendência de 2026, ovo de Páscoa em fatias ganha sabores regionais em Rondônia

Segundo Rafael Barros, o maior objetivo da empresa é enaltecer e valorizar a cultura e os insumos amazônicos:

“A gente também consegue se diferenciar com recheios que, normalmente, você só vai encontrar com a gente. Então é por isso que a gente brinca que o paraense, de verdade, não pede ovo da Páscoa, ele pede cuia da Páscoa”. 

De acordo com o CEO, as cuias são produzidas artesanalmente com chocolate meio amargo (50% cacau) e recebem detalhes inspirados na arte marajoara, aplicados por meio de carimbos desenvolvidos especialmente para o produto.

Processo de produção das cuias

O processo de produção não é simples. Um dos principais desafios enfrentados pela equipe é o controle da temperatura, essencial para manter a integridade do chocolate em um clima naturalmente quente como o da região Norte. “Precisamos garantir que as cuias não derretam ou percam o acabamento. Isso exige muito cuidado e planejamento”, explica Barros.

Ele destaca que, em 2026, a meta do restaurante é vender até mil unidades e, para otimizar o processo, a equipe conta com o apoio de fornecedores na produção das embalagens, que agora chegam prontas no formato ideal. 

“No ano passado as embalagens foram impressas e montadas especificamente pela gente, esse ano como a nossa meta é audaciosa, a gente contou com o apoio de fornecedores de embalagem que já fizeram no formato exato que a gente gostaria, fazendo a montagem ser mais rápida”, explicou. 

Leia também: Mulheres mantém tradição da fabricação de chocolate a partir da produção orgânica do cacau em Tefé

Cuia de Chocolate do restaurante Amazônia na Cuia. Foto: Divulgação/Amazônia na Cuia

A intenção do restaurante é ir além da Páscoa e explorar novas possibilidades com o conceito. Entre os planos futuros está o registro da ‘cuia da Páscoa’ como marca e a criação de versões adaptadas para outras ocasiões, como aniversários.

“Nós pretendemos todo o ano fortalecer e colocar mais sabores, além de melhorar ainda mais as nossas vendas, não só no período da Páscoa, a gente também pretende fazer algo diferente para o nosso cliente nesse sentido do dia do aniversariante”, concluiu. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Saiba quais são os diferentes tipos de relevos que compõem a Amazônia

Pico da Neblina. Foto: Reprodução/Força Aérea Brasileira

Na escola é comum estudar na Geografia sobre os relevos. Eles são um conjunto de formas da superfície terrestre: montanhas, planaltos, planícies e depressões. Sua existência é possível em função da ação de vulcões, placas tectônicas, além da erosão e outros fatores externos. Os relevos é que moldam a paisagem e podem influenciar no clima e na vegetação.

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A Amazônia está inserida dentro da plataforma Sul-Americana que é formada por quatro grandes estruturas afetadas pelos desgastes do processo de transformação do tempo: 

  • Cordilheira dos Andes e o Sistema Montanhoso do Caribe;
  • Plataforma Patagônica;
  • Escudos Cristalinos;
  • Bacias sedimentares.

O Amazonas, por exemplo, reúne as duas grandes estruturas chamadas de bacias sedimentares e escudos cristalinos, compostos por rochas de idades e resistências distintas. 

O doutor em geografia Fábio Sabbá explica que os escudos cristalinos, onde prevalecem rochas metamórficas e magmáticas, tiveram a sua formação iniciada por volta de 2 a 4,5 bilhões de anos.

No entanto, podem ser encontradas também rochas intrusivas de 1 a 2 bilhões de anos ou até mesmo rochas sedimentares oriundas do período pré-cambriano, com mais de 545 milhões de anos. 

monte roraima é um dos relevos na amazônia
Foto: Jorge Macedo

Leia também: Mineração, degradação e conflitos: 20% das águas da Bacia Amazônica sofrem altos níveis de impactos pela ação humana

Segundo o geógrafo, as bacias sedimentares, constituídas em sua maioria por rochas sedimentares, iniciaram sua formação por volta de 545 milhões de anos atrás, se estendendo até os dias de hoje. 

“A existência de rochas de diferentes idades e constituições, resulta em diferenças no processo de desgaste e esculturação destas, propiciando assim, diferentes formas de relevo”, explicou Sabbá ao Portal Amazônia.

A mudança dos rios na formação do relevo  

Há cerca de 70 milhões de anos, quando a Cordilheira dos Andes ainda não existia, a drenagem dos rios amazônicos corria em direção ao Pacífico. No entanto, com o surgimento e o crescimento da cadeia montanhosa, o sistema de drenagem se transformou lentamente e os rios passaram a correr para o Atlântico, como acontece hoje. 

Essa mudança causou um impacto na paisagem amazônica, de modo que ao norte e ao sul do Amazonas são encontradas as formações cristalinas que remontam à bilhões de anos, constituídas das rochas mais resistentes.

Localizada na borda da bacia, a cidade de Presidente Figueiredo se encontra sobre essas estruturas mais antigas que formam a bacia sedimentar amazônica, onde Manaus também está assentada. 

“Em linhas gerais, uma boa parte do Estado do Amazonas está numa grande depressão e apenas ao norte e ao sul do rio Amazonas é que vamos encontrar as maiores altitudes, como o pico da Neblina com 2.995,32 mm e o 31 de Março com 2.974,3 m, os pontos mais altos do Brasil”, afirmou o geógrafo. 

Leia também: Conheça as diferentes cores de águas em rios da Amazônia e entenda suas mudanças

relevo
Bacia sedimentar na Amazônia. Foto: André Dib/Aquazônia

De acordo com Sabbá, nas margens da grande depressão amazônica encontram-se as várzeas, estreitas faixas de terra planas que inundam periodicamente. 

Terras firmes e o planalto dissecado 

As várzeas, formadas por sedimentos recentes com idades que variam de 11.700 anos e os dias atuais, se diferenciam das porções mais elevadas pouco atingidas pelas cheias dos grandes rios, chamadas de ‘Terras Firmes’. 

“As terras firmes são na verdade porções de planaltos rebaixados/desgastados por intensos processos erosivos ao longo da sua formação e que ainda estão sendo esculpidos no presente dia”, explicou Sabbá. 

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Área de Terra firma na Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe

Análise de Manaus

Manaus está inserida no ‘Planalto Dissecado Rio Negro-Uatumã’, um relevo caracterizado por altitudes médias de 150 metros e por interflúvios tabulares (platôs), áreas elevadas entre dois rios, cortados por inúmeros igarapés, que variam entre 250 e 1.750 metros de extensão.

“Especificamente sobre a área urbana de Manaus, nota-se colinas que não alcançam as altitudes das áreas elevadas entre os rios, ficando em torno de 120 metros, porção mais elevada na área urbana de Manaus”, afirmou o geógrafo. 

Os rios entorno da cidade  

A cidade é atravessada por inúmeros igarapés que drenam água e sedimentos em direção ao rio Negro. Entre eles, destacam-se:

  • O Igarapé do Mindu, com cerca de 13,5 km, que deságua no Igarapé do São Raimundo;
  • O Igarapé do Quarenta, com cerca de 9,5 km, que deságua no Igarapé de Educandos.
Igarapé do Mindu. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

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De acordo com Sabbá, “ambos funcionam como receptores de esgoto ao longo de seus cursos, apresentando elevada contaminação por resíduos domésticos e industriais”. Além disso, durante a estiagem, influenciados pela oscilação anual do nível do rio Negro, esses igarapés se transformam em pequenos canais rasos e arenosos, seguindo de forma sinuosa até o rio.

Falésias fluviais e praias de areia branca

Ao longo das margens do rio Negro, o relevo inclui praias de areia branca formadas pelo material proveniente das falésias fluviais, que possuem entre 20 e 50 metros de altitude. Essas falésias, denominadas localmente como barrancos, apresentam um relevo que vai diminuindo de forma suave em direção à área urbanizada.

‘Barranco’ Fluvial em Barueri. Foto: Reprodução/Prefeitura de Barueri

Em Manaus, destacam-se as falésias dos bairros de São Raimundo, com cerca de 50 metros, e a do Educandos, com cerca de 30 metros. 

Assim, de acordo com Sabbá, as formas de relevo que compõem a paisagem de Manaus são essencialmente fluviais, esculpidas nas litologias da formação de rochas sedimentares, predominantes no município.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Tabuleiro do Embaubal: um dos maiores sítios de desova de tartarugas da América do Sul

Tartaruga no Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Você sabia que no meio da Amazônia existe um território que representa um dos maiores fenômenos naturais de reprodução de quelônios de água doce?

Esse território é o Refúgio da Vida Silvestre (REVIS) Tabuleiro do Embaubal, localizado no município de Senador José Porfírio, no estado do Pará, considerado um dos mais importantes sítios de desova de tartarugas da América do Sul. 

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A área, situada na calha do Rio Xingu e inserida na Bacia do Xingu, desempenha um papel essencial na conservação da biodiversidade amazônica.

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio), a unidade de conservação foi criada oficialmente pelo Decreto nº 1.566, de 17 de junho de 2016, e possui uma área aproximada de 4.033,94 hectares. 

Criada com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais da região, garantir a proteção da fauna e da flora nativas, e manter a integridade dos processos ecológicos que sustentam a biodiversidade da unidade, a unidade reúne condições ambientais únicas que favorecem a reprodução de diversas espécies de quelônios. Além disso, o refúgio permite que durante o período reprodutivo, milhares de fêmeas depositem seus ovos nas praias de areia formadas durante a estação seca. 

Proteção da biodiversidade

O Tabuleiro do Embaubal faz parte do grupo de unidades de conservação classificadas como proteção integral, categoria que prioriza a preservação da natureza e limita a interferência humana nos ambientes naturais.

De acordo com o doutor em geografia Deivison Molinari, a classificação como Refúgio de Vida Silvestre dentro da categoria de proteção integral garante que o local seja preservado principalmente para a conservação da fauna e para a reprodução e a desova de tartarugas na Amazônia. 

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“O Sistema Nacional de Unidades de Conservação divide dois tipos de categorias. Aquelas de proteção integral, que não pode ter gente morando no seu interior, comunidades, e as de uso sustentável, que permitem presença humana e atividades exploratórias”, afirma.

Segundo ele, essa característica é essencial para garantir a preservação das espécies que dependem diretamente desse ambiente.

Quelônios na REVIS Tabuleiro do Embaubal
Quelônios na REVIS Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Berçário de tartarugas

A principal característica da unidade é a enorme concentração de tartarugas que utilizam a região para reprodução. Entre as espécies presentes está a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), considerada uma das maiores tartarugas de água doce do mundo e uma espécie emblemática da fauna amazônica.

Além dela, outras espécies também utilizam as praias da região para desova, como o tracajá (Podocnemis unifilis) e o pitiú ou iaçá (Podocnemis sextuberculata). De acordo com a bióloga e doutora em ecologia Daniely Félix-Silva, a região do Tabuleiro do Embaubal possui grande relevância para a conservação dessas espécies no estado do Pará, ficando atrás apenas do tabuleiro de Monte Cristo, no rio Tapajós.

Quelônios do Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

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“Essa região já teve a maior produção de toda a bacia amazônica, mas por diversas razões perdeu esse status ao longo dos últimos anos. O título de maior tabuleiro de desova está ligado à produção total de filhotes ao final dos ciclos reprodutivos, que são anuais”, afirma.

Segundo Daniely, atualmente, considerando toda a Amazônia, a maior produção de filhotes ocorre no rio Guaporé, no estado de Rondônia. Mesmo assim, o Embaubal continua sendo uma das áreas mais importantes para a reprodução de quelônios amazônicos.

Maior população de pitiú da Amazônia

Além da importância para a tartaruga-da-amazônia e para o tracajá, o Tabuleiro do Embaubal também abriga uma das maiores populações de pitiú de toda a bacia amazônica. A espécie Podocnemis sextuberculata já foi extremamente abundante em diversos tabuleiros espalhados pela Amazônia, mas suas populações diminuíram significativamente ao longo do tempo.

Podocnemis sextuberculata. Foto: William W Lamar

De acordo com a doutora em ecologia, isso torna o baixo rio Xingu ainda mais importante para a conservação da espécie. Além disso, a pesquisadora destaca que esse cenário reforça a importância da região para a conservação dos quelônios amazônicos.

Ciclo de reprodução das tartarugas

A reprodução das tartarugas amazônicas está diretamente ligada ao chamado pulso de inundação, fenômeno natural que caracteriza o ciclo de cheia e seca dos rios da Amazônia. Durante o período de seca, o nível da água diminui e surgem praias e bancos de areia que servem como locais ideais para a desova.

Segundo Daniely, cada espécie apresenta um período reprodutivo específico. “De forma geral podemos dizer que a maior parte das desovas ocorre entre agosto e setembro, mas cada espécie tem sua dinâmica”, explica.

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Desova de tartarugas. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

A desova do tracajá ocorre principalmente entre agosto e outubro, enquanto a tartaruga-da-amazônia pode desovar entre agosto e dezembro. O pitiú, no entanto, apresenta uma dinâmica ainda mais complexa.

“Essa espécie pode desovar ainda no inverno amazônico, aproveitando as marés de sizígia. As desovas podem começar entre maio e junho e se estender até outubro, sendo a espécie com o período de desova mais longo”, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, mesmo com essas diferenças, é comum que as três espécies utilizem as mesmas praias, resultando em sobreposição de períodos e locais de desova.

Grande biodiversidade

Embora seja conhecido principalmente pelas tartarugas, o Tabuleiro do Embaubal abriga uma enorme diversidade de espécies. De acordo com o IDEFLOR-Bio, entre os animais encontrados na região está o boto-vermelho (Inia geoffrensis), um dos mamíferos aquáticos mais conhecidos da Amazônia.

Outro animal importante é o peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis), espécie ameaçada de extinção que depende de ambientes aquáticos preservados. A região também abriga diversas espécies de jacarés, incluindo o jacaré-tinga (Caiman crocodilus). 

Além da fauna aquática, o Tabuleiro do Embaubal também é um importante local para aves migratórias, que percorrem grandes distâncias utilizando a região como ponto de descanso e alimentação durante suas rotas. 

Entre essas aves está a águia-pescadora (Pandion haliaetus), conhecida por suas habilidades de caça. Também são comuns na região o biguá (Phalacrocorax brasilianus) e diversas espécies de maçaricos pertencentes às famílias Scolopacidae e Charadriidae.

Pressões sobre os quelônios

Ao longo da história, as tartarugas amazônicas sofreram intensa exploração. Segundo Daniely, a pressão sobre essas espécies começou ainda no período colonial. “Historicamente essas espécies tiveram como principal pressão a exploração direta, quando seus ovos e carne eram usados para a exploração da gordura e utilizados para diversos fins, incluindo iluminação pública”, explica.

Esse modelo de exploração comercial provocou uma redução significativa nas populações de tartarugas, especialmente da tartaruga-da-amazônia.

“Hoje a exploração direta para consumo de ovos e adultos permanece, mas associada a isso as mudanças na paisagem também têm contribuído para aumentar a pressão sobre essas populações”, afirma a bióloga.

Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Ela destaca, que a exploração direta de quelônios amazônicos, refere-se ao uso insustentável, sem controle, com comercialização ilegal em diversas escalas dos animais e seus ovos. 

“O uso histórico de quelônios amazônicos pelos povos tradicionais não se enquadra nesta análise, por considerarmos que este tipo de uso pode ser um aliado para a conservação dos quelônios e para a manutenção de traços culturais importantes destes povos, além de contribuir para a sua segurança alimentar”, explicou a pesquisadora. 

Além da exploração direta, mudanças ambientais também representam ameaças para os quelônios amazônicos, como a expansão da agropecuária, a mineração, a construção de rodovias e os grandes projetos de infraestrutura, como hidrelétricas.

Segundo a doutora em ecologia, grandes empreendimentos hidrelétricos podem provocar alterações profundas na dinâmica dos rios.

“Projetos hidrelétricos podem provocar mudanças na dinâmica dos corpos d’água, alterar o sistema de vazão dos rios e modificar a dinâmica social das regiões, o que afeta diretamente o uso dos quelônios”, explica.

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Hidrelétrica Belo Monte. Foto: Reprodução/ Advocacia-Geral da união

Segundo a pesquisadora, os barramentos podem interferir no transporte natural de sedimentos pelos rios, reduzindo a formação de bancos de areia, utilizados para a desova.

A região possui a área do reservatório principal, o reservatório intermediário, da Volta Grande e a região Jusante, onde ocorre o Tabuleiro do Embaubal e as duas unidades de conservação, o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel. 

De acordo com Daniely, na região do reservatório principal, existe uma perda de ambientes historicamente utilizados pelos quelônios, tanto para a reprodução, quanto para abrigo e alimentação. 

“Com o enchimento do reservatório, áreas que ficavam disponíveis durante a estação seca ficaram definitivamente submersas, afetando os ambientes que são utilizados por estes animais”, afirmou. 

Além disso, as características físicas dos ambientes de desova são importantes para a determinação sexual e para a sobrevivência dos embriões, comprometendo os parâmetros reprodutivos em ambientes alterados. 

Segundo a bióloga, na região da Volta Grande do Xingu, os impactos ambientais apresentam características particulares, já que devido ao funcionamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, parte significativa do fluxo natural do rio é desviada para a geração de energia, o que altera o regime hídrico local e cria uma espécie de ‘verão permanente’.

“Seria excelente se a única necessidade dos quelônios fosse a disponibilidade de áreas de desova. No entanto, estes animais utilizam a floresta alagada, no inverno amazônico, para se alimentar de frutos, talos, folhas e outros produtos de origem vegetal”, explicou.

De acordo com a pesquisadora, a alimentação inadequada afeta todo o ciclo de vida desses animais, impactando no crescimento, na reprodução e na sobrevivência. Além disso, esse desequilíbrio também atinge as populações humanas que dependem dos quelônios e de seus ovos como fonte de alimento.

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Foto: Reprodução/WWF

Na área jusante (vazante da maré) da usina, os impactos seguem uma lógica diferente, mas igualmente preocupante. O barramento do rio Xingu interfere no transporte natural de sedimentos, reduzindo a formação de bancos de areia, ambientes fundamentais para a desova dos quelônios e para a sobrevivência de diversas espécies, como aves aquáticas.

“Além disso, a conformação da granulometria também pode ser alterada, com aumento na deposição de silte nos bancos de areia, o que potencialmente interfere na temperatura dos microambientes de desova, podendo afetar a taxa de sobrevivência e a proporção entre machos e fêmeas produzidos”, explicou a pesquisadora.

O papel das unidades de conservação

Diante desses desafios, a existência de áreas protegidas torna-se fundamental para garantir a sobrevivência das espécies. O Tabuleiro do Embaubal foi criado justamente para preservar ambientes essenciais para a reprodução dos quelônios amazônicos.

De acordo com o doutor em geografia Deivison Molinari, a criação da unidade de conservação está relacionada também ao contexto econômico do estado do Pará.

“O Pará tem muitas atividades extrativistas, mineração, exploração madeireira e cidades com grande população. Por isso, a presença de uma unidade de conservação como o Tabuleiro do Embaubal é fundamental para proteger a reprodução das tartarugas”, afirma.

A existência do refúgio garante que parte do território permaneça protegida das pressões econômicas que ocorrem em outras regiões do estado.

Segundo Daniely Félix, o envolvimento das comunidades é essencial para o sucesso das iniciativas de conservação.

“A criação de unidades de conservação, por si só, não garante a conservação das espécies. O envolvimento da população local em todas as etapas do monitoramento e manejo é fundamental”, explica.

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Educação ambiental com soltura de quelônios no Tabuleiro do Embaubal. Foto: Reprodução/ Ideflor-Bio

Ela ressalta que muitos projetos envolvem as comunidades apenas em momentos específicos, como na soltura de filhotes. Segundo ela, essas ações são importantes, mas o envolvimento real precisa acontecer ao longo de todo o processo de gestão e conservação.

Proteger o Tabuleiro do Embaubal significa preservar um dos maiores berçários naturais de tartarugas da América do Sul e garantir que os ciclos naturais da Amazônia continuem ocorrendo de forma equilibrada, conclui a bióloga.

O canal Amazon Sat já acompanhou uma soltura no local. Confira:

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Vinhos de açaí e cupuaçu: inovação transforma sabores da Amazônia na famosa bebida fermentada

Foto: Imagem gerada por IA

Vinhos com frutas tradicionais da Amazônia podem parecer um tanto quanto inusitados, no entanto, essa ideia tem ganhado espaço entre produtores que buscam inovar e valorizar ingredientes regionais. É o caso da Florisa Vinhos da Amazônia, de Rio Branco, no Acre, que a partir de experimentos com fermentação, surgiu com a proposta de criar bebidas inspiradas no vinho tradicional, mas feitas com frutas como o açaí e o cupuaçu, dois símbolos da biodiversidade amazônica. 

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A iniciativa começou em 2020, quando a empresa passou a realizar diferentes testes com bebidas fermentadas. Além disso, a experiência anterior com produção de cerveja artesanal ajudou no desenvolvimento das primeiras receitas.

“Em 2020 fizemos vários testes de bebidas fermentadas: hidromel, kombucha, fruit beers, entre outras. Usamos nossa experiência prévia com a fermentação de cerveja artesanal. No teste com o açaí, vislumbramos o potencial para desenvolver uma bebida semelhante ao vinho tradicional da uva, porém com identidade própria”, explica Marcos Vieira, proprietário e produtor da Florisa Vinhos da Amazônia.

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Vinho de cupuaçu da Florisa Vinhos
Vinho de cupuaçu. Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

Uma bebida com identidade amazônica

Embora muitas pessoas associem o vinho exclusivamente à uva, tecnicamente a bebida é apenas o resultado da fermentação de uma fruta. Por isso, ao redor do mundo existem vinhos produzidos com diferentes ingredientes.

Marcos destaca que a produção de fermentados com frutas já é comum em vários países.

“Sempre se produziu vinho com frutas diversas ao redor do mundo, como a pêra, a maçã, o morango e o mirtilo. A jabuticaba, por exemplo, é muito utilizada na produção de vinhos no sudeste do Brasil”, afirma.

De acordo com Marcos, a proposta do vinho amazônico é justamente aproveitar ingredientes locais, que contribuam para expor o potencial das frutas da região e produzir bebidas com identidade amazônica. 

Como funciona a produção? 

Apesar de se inspirar no vinho de uva, o processo de produção apresenta algumas diferenças importantes. No caso das frutas amazônicas, é necessário criar o chamado ‘mosto’, líquido que será fermentado.

“A principal diferença em relação ao processo da uva é que nós ‘criamos’ o nosso mosto (suco) com a adição da polpa, água e uma fonte de açúcar para a fermentação, enquanto com a uva o mosto/suco é extraído simplesmente ao prensá-la”, explica Marcos ao Portal Amazônia.  

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Vinho de açaí. Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

De acordo com ele, o vinho de açaí, por exemplo, nasce a partir de três elementos principais: açaí, água e uma fonte de açúcar. Diferente da uva, que já possui água e açúcares naturais em quantidade suficiente para a fermentação, o açaí, o cupuaçu e outras frutas amazônicas funcionam quase como um concentrado de sabor.

“A praticamente ausência de água e açúcares nas frutas amazônicas poderia ser considerada uma desvantagem em relação à uva, mas na verdade contribui para o desenvolvimento de bebidas”, explicou o produtor.  

Segundo Vieira, um dos principais desafios do processo está justamente na preparação do mosto. Já que enquanto no vinho de uva o líquido é extraído simplesmente ao prensar a fruta, no caso do vinho amazônico é preciso desenvolver a mistura ideal.

Depois que a mistura está pronta, inicia-se o processo de fermentação, que dura em média cerca de 15 dias até que a bebida esteja pronta para as próximas etapas de produção. Na emrpesa acreana, a produção ainda acontece em pequena escala, de forma artesanal, com quantidade limitada de garrafas por mês.

Harmonização dos vinhos 

De acordo com Marcos, para quem experimenta pela primeira vez, a reação costuma ser de surpresa, já que muitas pessoas não imaginam que seja possível produzir vinho sem utilizar uvas.

“O público sempre se surpreende quando descobre que é possível fazer vinho sem uvas. Na degustação, também chama atenção a semelhança com o vinho tradicional”, conta.

Foto: Reprodução/Instagram-florisavinhos

De acordo com a sommelière Christianne Rosas, de Belém (PA), o vinho de açaí pode harmonizar muito bem com pratos típicos da culinária brasileira, especialmente aqueles com sabores marcantes.

Entre as sugestões estão peixe frito, carne de sol e carnes mais gordurosas, combinações que ajudam a equilibrar o perfil da bebida.

Valorização regional

Mais do que uma inovação gastronômica, o vinho feito com frutas amazônicas também representa uma forma de valorizar a produção regional. Para Marcos, trabalhar com ingredientes como o açaí e o cupuaçu significa contribuir para toda a cadeia produtiva da região.

“As frutas amazônicas são, antes de tudo, fonte de alimento e sustento para muitos ribeirinhos e para nós da cidade também. Poder contribuir de alguma forma com a cadeia econômica desses recursos nos dá muito orgulho”, afirma.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Amazonas passa a integrar Rede Sem Fronteiras e fortalece intercâmbio cultural internacional

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Foto: Kátia Colares/Arquivo pessoal

O Amazonas ganha um novo espaço de projeção internacional da cultura, com a homologação do Núcleo Cultural Regional da Rede Sem Fronteiras no estado. A cerimônia marca a entrada oficial do estado na organização cultural internacional e acontece nesta quinta-feira, 19 de março, às 18h, no auditório da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). 

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Segundo Kátia Colares, presidente da Rede Sem Fronteiras Núcleo Amazonas, a cerimônia representa um momento simbólico e estratégico para a cultura regional.

“A cerimônia marca a entrada oficial do Amazonas na Rede Sem Fronteiras, uma organização cultural internacional presente em mais de 30 países. Também abre um novo ciclo de cooperação cultural, permitindo que talentos amazônicos se conectem a uma rede global dedicada à promoção da cultura e da língua portuguesa”, destacou.

De acordo com Kátia, a criação do núcleo no estado surge da necessidade de ampliar a presença da produção cultural amazônica no cenário nacional e internacional.

Além disso, o núcleo também possui o propósito de aproximar artistas, escritores e produtores culturais locais de uma plataforma internacional de intercâmbio e visibilidade cultural, para que possam ter acesso a novas oportunidades de circulação e divulgação de suas obras.

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Nominata diretora do rede sem fronteiras núcleo Amazonas
Imagem: Kátia Colares/Arquivo pessoal

“Por meio da Rede Sem Fronteiras, artistas e escritores passam a ter acesso a projetos editoriais, eventos culturais internacionais, coletâneas literárias e intercâmbios culturais. Isso amplia oportunidades de publicação, circulação de obras e participação em eventos culturais da lusofonia”, afirmou.

Visibilidade para o Amazonas

Assim, segundo a presidente, a chegada da organização ao Amazonas tem o intuito de fortalecer o intercâmbio cultural com outros países lusófonos, criando uma ponte direta entre a produção cultural da região e outros países que compartilham a língua portuguesa.

Além disso, a organização permite a realização de projetos colaborativos, participação em coletâneas internacionais, intercâmbio entre autores e eventos culturais conjuntos. 

“A fundação do núcleo regional no Amazonas é um convite para que escritores, artistas e agentes culturais participem dessa construção coletiva e levem a cultura amazônica para além das fronteiras geográficas”, concluiu Kátia.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar