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Imagem de microalga encontrada no Pará vence prêmio nacional de ilustração científica

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Foto: Reprodução/Acervo MPEG

Uma fotografia da diatomácea Polymyxus coronalis foi a vencedora na categoria de microscopia eletrônica do Prêmio Hermes Moreira Filho de Ilustração Científica no I Encontro Brasileiro de Diatomologia, realizado entre os dias 2 e 6 de dezembro. A imagem foi produzida pelo biólogo Leonardo Rocha no Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Leonardo Rocha produziu a imagem como parte de sua pesquisa de mestrado, em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Oceanografia da Universidade Federal do Pará, sob a orientação da paleontóloga Ana Paula Linhares (Museu Goeldi) e co-orientação da botânica Pryscylla Denise (Universidade Federal do Maranhão). O estudo de Rocha é o primeiro levantamento realizado por meio de biomonitoramento de comunidades de diatomáceas na Ilha de Cotijuba, parte da Região Metropolitana de Belém – Pará, que inclui 42 ilhas.

As diatomáceas são algas microscópicas unicelulares também denominadas de algas douradas e que pertencem à classe das Bacillariophytas. Elas possuem tamanhos que variam entre 5 μm–0,5 mm. São microrganismos adaptáveis, resistentes e sensíveis a variações ambientais, como mudanças de temperatura, pH, nutrientes, luminosidade, entre outras. As diferentes espécies de diatomáceas estão amplamente distribuídas ao redor do mundo e são as principais microalgas presentes nos estuários amazônicos.

A Polymyxus coronalis é uma das microalgas estudadas atualmente por Leonardo em seu mestrado. Com aparência semelhante a uma coroa, os pesquisadores descrevem a Polymyxus coronalis como “a reinante da Baía do Guajará” ou “a rainha das águas amazônicas”.

Essa diatomácea está presente em todo o Estuário Guajarino, que abarca a Ilha de Cotijuba e a cidade de Belém. Pryscilla Denise, especialista em diatomáceas, destaca dois fatos que tornam a Polymyxus coronalis muito interessante para a ciência: a espécie é capaz de indicar a água salobra da Amazônia e não há registros da Polymyxus coronalis fora da região amazônica.

Por sua vez, Ana Paula Linhares destaca a relevância científica deste biomonitoramento. “Cotijuba faz parte da porção insular do município de Belém e tem enfrentado um acelerado processo de urbanização nas últimas décadas. Dessa forma, este estudo pioneiro não apenas contribuirá com dados inéditos sobre a biodiversidade local, mas também fornecerá uma visão abrangente da qualidade dos ecossistemas aquáticos amazônicos”.

O biomonitoramento é uma técnica que avalia a qualidade ambiental de um local por meio da análise das respostas de organismos vivos. Essa técnica é utilizada para monitorar a qualidade da água, do ar, de áreas contaminadas, e para avaliar impactos ambientais. O biomonitoramento é uma ferramenta importante para a conservação da biodiversidade e proteção dos ecossistemas.

Além de contribuir para o entendimento da biodiversidade local, o registro da Polymyxus coronalis por meio de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) feita por Leonardo Rocha é inédito. Descrita no século XIX por naturalistas para o Rio Pará, é a primeira vez que se faz uma microscopia eletrônica desse material. Pryscilla Denise assinala: Na época [da sua descoberta e descrição científica] só era desenho. A fotografia é muito importante porque consegue caracterizar e avançar no conhecimento da Polymyxus coronalis”.

Leonardo Rocha explica que o uso do Microscópio Eletrônico de Varredura é possível ter uma imagem de alta resolução da microalga. “Diferente do microscópio de luz, o MEV dá uma resolução e ampliação da amostra muito maior e melhor [até 50 mil vezes mais], e a gente consegue ver vários detalhes. Ele utiliza feixe de elétrons que são lançados na mostra gerando uma imagem no monitor do aparelho”.

A fotografia produzida por Leonardo Rocha teve o apoio do pesquisador Hilton Tulio Costi, coordenador do Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura do MPEG. Essa premiação coloca mais uma vez em evidência a importância dos laboratórios multiusuários do Museu Goeldi.

Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura – O LME é parte do conjunto de laboratórios institucionais do Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG instalado na Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (COCTE), no Campus de Pesquisa da instituição. Criado no ano de 2000, com recursos dos fundos setoriais (CT-PETRO/MPEG), este laboratório tem como principal objetivo apoiar projetos de pesquisa do MPEG, mas também atende usuários de instituições que atuam em parceria com o MPEG, da comunidade científica nacional e como prestador de serviços a empresas públicas e privadas. Seu trabalho beneficia os programas de cursos de pós-graduação no Museu Goeldi, de instituições do Estado do Pará e de outros estados brasileiros.

Atualmente o LME do MPEG é apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.

I Encontro Brasileiro de Diatomologia

O objetivo do primeiro encontro, evento virtual que ocorreu entre os dias 2 e 6 de dezembro, foi reunir pesquisadores de todo o Brasil para fortalecer a comunidade científica que estuda as diatomáceas, a partir do compartilhamento de conhecimentos. A proposta visa estimular o desenvolvimento acadêmico e científico entre pesquisadores de diferentes níveis de experiência, além de promover discussões sobre metodologias avançadas e técnicas analíticas.

*Com informações do Museu Goeldi

Segurança ao homem do campo: proteção policial em comunidade rural de Xapuri, no Acre

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Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

No Acre, a comunidade rural de Xapuri tem vivido dias de tranquilidade com reforço da segurança há cerca de dois anos com a Patrulha Rural Comunitária, que tem realizado um “trabalho de excelência” segundo comunitários. O serviço conta com a participação da população e do Sindicato dos Produtores Rurais.

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

A patrulha acontece por meio de uma parceria entre o Sistema FAEAC, SENAR e sindicatos, que desempenham ações de assistência técnica e gerencial, formação profissional e promoção social, promovendo a capacitação e a melhoria da qualidade de vida do homem e da mulher do campo.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), Assuero Veronez, relata que, para que o homem do campo viva de forma segura em suas propriedades, é preciso que haja um olhar diferenciado do poder público.

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

O 1° Tenente e comandante da 2ª Companhia de Xapuri, Marcus Roberto, contou que apresentou à Federação da Agricultura os trabalhos realizados a frente do projeto da Patrulha Comunitária Rural. Foram apresentados, também, projetos sociais como o do ‘Guardiões da Paz’, além da entrega de algumas solicitações, como a capacitação para a equipe e doações.

O comandante contou ainda que a Patrulha Comunitária Rural do município de Xapuri é uma equipe que está trabalhando a cerca de 12 meses de forma efetiva. Inicialmente era formada por quatro policiais e, em dezembro 2024, houve o lançamento da segunda turma. 

Estrutura da Patrulha Comunitária Rural 

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

As equipes possuem uma viatura equipada com comunicação via satélite, para possibilitar consultas na área da floresta, uma parceria do sindicato dos trabalhadores dos produtores rurais e da cooperativa. O trabalho é realizado em regime de escala de 12 horas, atendendo 17 comunidades no patrulhamento, feito em ramais, com abordagens e visitas às comunidades e propriedades rurais para ouvir os produtores.

O patrulhamento que hoje atende cinco escolas, com 150 crianças, e a previsão é que deve aumentar para dez escolas, segundo o Comandante.

Projeto de lei que torna cerimônia do Kuarup manifestação da cultura nacional vai à sanção presidencial

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Foto: Mário Vilela/Funai

A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal aprovou no dia 17 de dezembro o Projeto de Lei (PL 6.177/2019) que torna a cerimônia do Kuarup, ritual indígena do Xingu, em Mato Grosso, manifestação da cultura nacional. Apresentado em 2019 pela deputada Professora Rosa Neide (MT), o projeto segue para sanção presidencial.

O Kuarup reúne diversas etnias do Alto Xingu e é realizado entre os meses de agosto e setembro no Parque Nacional do Xingu, no norte de Mato Grosso. No ritual, são abordados temas profundos e universais, como a morte e o luto, ao mesmo tempo em que se homenageia a memória de entes queridos.

Essa alternância entre momentos de luto e celebração da vida reflete a filosofia indígena de que a continuidade da existência e a convivência harmoniosa em comunidade são essenciais após a perda de entes queridos. O auge da cerimônia acontece quando troncos de árvore são lançados simbolicamente na água, representando a despedida, a transformação e a transcendência.

Prática religiosa

A celebração representa uma prática religiosa que destaca a figura de Mavutsinim, a divindade criadora, que, segundo a tradição, moldou o mundo e os primeiros homens a partir dos troncos da árvore Kuarup.

A narrativa, que foi documentada pelo indigenista Orlando Villas Bôas, revelou a tentativa de Mavutsinim de ressuscitar os mortos, transformando troncos de madeira em seres humanos por meio de um ritual complexo, que inclui cânticos, danças e celebrações comunitárias.

Elementos simbólicos, como os troncos ornamentados e a interação com a natureza ao redor, desempenham papel essencial nesse rito, que busca honrar os ancestrais e fortalecer os laços e a coesão social da comunidade.

Foto: Mário Vilela/Funai

*Com informações da Agência Senado

Chuvas no Acre: monitoramento dos rios inicia com o objetivo de prever inundações

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Foto: Dhárcules Pinheiro/Sejusp AC

Devido ao período chuvoso no Acre, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou a operação do Sistema de Alerta da Bacia do Rio Acre (SAH Acre). O objetivo é intensificar o monitoramento dos rios para informar sobre os níveis e alertar para possíveis inundações nos pontos monitorados, nos municípios de  Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Rio Branco. Desse modo, o SGB apoia as ações para prevenir desastres ou reduzir os impactos das cheias. 

As informações serão disponibilizadas em boletins divulgados semanalmente, com resumos sobre os níveis dos rios e acumulados de chuva. O primeiro já está disponível aqui. Além disso, é possível acompanhar os dados em tempo real, por meio da plataforma SACE. A operação segue até abril.

Segundo o pesquisador, uma das características do Rio Acre é o aumento expressivo nas vazões diárias ao longo do ano. “Esse comportamento impactou diversas vezes a população que vive nas margens, chegando a ter o risco de cheia dentro do período de dezembro a abril. Por isso, a operação do Sistema de Alerta Hidrológico do Acre é realizada nessa janela, para que estejamos preparados para as situações extremas que possam ocorrer”.

A Bacia Hidrográfica do Rio Acre, na porção Sul da Amazônia Ocidental, é uma sub-bacia do Rio Amazonas. Além de fazer fronteira com o Peru e a Bolívia (transfronteiriça), também está ao lado dos estados do Amazonas e de Rondônia. 

As previsões climatológicas indicam chuvas abaixo da média na região para os próximos meses. Apesar disso, Jordão explica que é preciso ter atenção durante esse período: “O Rio Acre, quando enche, tem a velocidade de escoamento mais lenta, criando uma cheia prolongada. Por isso, é possível que um evento concentrado, a depender de onde ocorra, possa ocasionar uma enchente”.

Cheias no Rio Acre

Em março de 2024, o Acre enfrentou uma cheia de grandes proporções após fortes chuvas concentradas em um curto período. Na capital do estado, Rio Branco, o rio chegou à cota de 17,89 m – a segunda maior, atrás do recorde de 18,53 m, registrado em 2015. No município de Brasiléia (AC), foi registrada a máxima histórica de 15,58 m. Em Xapuri (AC), foi registrado o pico de 17,08 m – segunda máxima histórica, atrás do recorde de 18,24 m, em 2015.

Parceria 

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações telemétricas e convencionais, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE.

*Com informações do SGB

Cumaru: a nova economia da biodiversidade dos Zo’é, no Pará

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Foto: Hugo Prudente/Acervo Iepé

Em novembro os Zo’é realizaram a primeira venda de cumaru da sua história: 188 quilos e meio da semente seca do cumaru embarcaram da Terra Indígena Zo’é em direção a Santarém (PA). Chegando na cidade paraense, a carga foi entregue à Coopaflora, que pagou cerca de R$15 mil à Tekohara, organização representativa do povo Zo’é. O valor obtido com a venda da carga será revertido na compra de insumos básicos que serão distribuídos igualmente entre as famílias Zo’é.

Os Zo’é vivem no norte do Pará, entre os Rios Erepecuru e Cuminapanema. Atualmente são cerca de 330 pessoas, organizadas em 19 grupos. Eles são considerados um povo indígena de “recente contato” pelo Estado brasileiro. E fundaram sua associação há dois anos, através da qual vendem seu artesanato. Agora os Zo’é estão muito animados com esta primeira experiência com o cumaru, que veio para fortalecer sua capacidade de produção e gestão de economias da sociobiodiversidade, alcançando mais autonomia na aquisição de itens de primeira necessidade que utilizam em seu dia a dia.

Cumaru: a baunilha da Amazônia

Apelidado de “baunilha brasileira”, o cumaru é a semente do cumaruzeiro, planta nativa da Amazônia que pode chegar a até 30 metros de altura na fase adulta. Cada fruto possui uma semente – para extraí-la é preciso que a casca lenhosa do fruto seja rompida. O cumaru é muito utilizado para culinária, além de perfumes e sabonetes.

Leia também: Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

Foto: Kamikia Kisedje/Nia Tero

Treinamento para o trabalho com o cumaru

Como parte do lançamento dessa nova economia da sociobiodiversidade dentro da Terra Indígena Zo’é, em setembro os indígenas haviam participado de um treinamento voltado às boas práticas sustentáveis da cadeia do cumaru. Realizado pelo Instituto Iepé, em parceria com Coopaflora e FPE-CPM/Funai (Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema), a atividade formativa contou com o envolvimento ativo da Tekohara Organização Zo’é. Criada em 2022, a Tekohara é uma associação fundada e gerida pelos próprios zo’é.

Parceira tanto do treinamento como da comercialização das sementes, a Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora) tem como objetivo fortalecer o extrativismo sustentável na região.

A formação aconteceu durante sete dias e envolveu diferentes aspectos das boas práticas na coleta de sementes de cumaru: reconhecimento das árvores, quebra adequada dos frutos, construção e uso do secador, pesagem das sementes, registro e rastreabilidade, além do armazenamento adequado das sementes.

Toda a produção de cumaru será creditada por família, nos moldes já acordados com os Zo’é na experiência bem sucedida do FAZ, o Fundo de Artesanato Zo’é. O registro dos valores foi feito pela diretoria da Tekohara com o apoio do Programa Zo’é do Instituto Iepé e da Frente de Proteção Cuminapanema, responsável pela gestão da conta bancária da organização.

Das 31 famílias extensas em que se dividem os Zo’é, apenas sete não se envolveram no processo de coleta, mas já afirmaram que pretendem participar da próxima leva. A Coopaflora já sinalizou interesse em adquirir um novo volume em janeiro de 2025 e os Zo’é se encontram mobilizados para isso.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Iepé

Cartilha une Lenda da Boiuna e a Educação Intergeracional na Amazônia

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Foto: Reprodução

A lenda da Boiuna, que representa uma cobra guardiã dos rios e da floresta na Amazônia, ganha vida de uma forma educativa em Palmas (TO), com o projeto intergeracional realizado no Centro Municipal de Educação Infantil João e Maria. Essa iniciativa, que reúne crianças da educação infantil e idosos da Universidade da Maturidade (UMA), utiliza histórias e brincadeiras para promover o fortalecimento de laços entre as gerações e o resgate de tradições culturais essenciais.

A mitologia da Boiuna é como uma metáfora para o cuidado com o meio ambiente e a proteção das riquezas naturais, ponto de encontro entre a sabedoria dos mais velhos e a criatividade dos mais novos. Por meio de atividades lúdicas como a contação de histórias, a construção de brinquedos com materiais reciclados e danças em grupo, o projeto preserva a tradição cultural local e promove uma conscientização ambiental de forma prática e acessível.

Esse tipo de ação é um exemplo de como lendas e mitos podem ser aproveitados como ferramentas pedagógicas para tratar de questões ambientais e sociais, ao mesmo tempo em que fortalece valores como união, respeito e cuidado. A Boiuna, como símbolo de proteção da natureza, inspira crianças e adultos a se conectarem de forma mais profunda com o meio ambiente, promovendo uma convivência mais harmoniosa entre diferentes gerações.

O impacto  vai além do aprendizado sobre a biodiversidade amazônica, pois oferece aos idosos um papel ativo e significativo na educação, enquanto as crianças têm a oportunidade de aprender de maneira mais interativa e afetiva. Este tipo de projeto pode facilmente ser replicado em outros contextos, criando espaços de aprendizado e troca que valorizam tanto as tradições culturais quanto a construção de um futuro mais sustentável.

A iniciativa, que pode ser replicada em outros contextos, demonstra como lendas podem ser usadas como ferramentas pedagógicas para abordar questões ambientais e promover valores como união e cuidado mútuo. Além disso, reforça o papel da educação lúdica na formação integral das crianças, enquanto oferece aos idosos um espaço de contribuição ativa e significativa.

Acesse o livro AQUI.

*Com informações da Universidade Federal do Tocantins

Pesquisa realizada em Mato Grosso diminui tempo de eliminação de poluentes na água

Foto: kalhh/Pixabay

Em 2024, a Comissão do Plano de Logística Sustentável (PLS) premiou durante o IV Seminário de Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) teses e dissertações através da Competição 3MT® Teses e Dissertações UFMT – Versão Temas ODS 2024. Os trabalhos receberam o reconhecimento dos estudos que estão em desenvolvimento em diferentes áreas. Este ano o evento abordou experiências voltadas para a construção de soluções sustentáveis para as cidades.

Douglas Lisboa Ramalho, do Programa de Pós-Graduação em Química, com a pesquisa ‘Avaliação neurotoxicológica do Paraquat e seus produtos de degradação em Drosophila melanogaster‘ ficou em terceiro lugar na competição.

Foto: Willian Gomes/UFMT

A inovação está justamente na ferramenta utilizada para a mineração para a eliminação dos resíduos. “Então, utilizando um modelo animal que é o Drosophus melanogaster, que é um tipo de mosca, conhecido como mosca das frutas, esses animais tem uma, a gente fala, uma ortologia genética, ou seja, uma semelhança genética dos seres humanos. Essa semelhança faz esses animais muito especiais para os nossos tipos de pesquisa, porque a gente procura, primeiramente, olhar o efeito tóxico dos produtos”, pontua Douglas Lisboa Ramalho.

Ele agradeceu pela oportunidade e explicou que o projeto foi baseado em procurar entender como o agronegócio tem impactos sobre a saúde pública.

“Existe uma linha muito tênue entre esses dois, entre a economia, no caso a parte lucrativa, e a saúde pública. Então, existem vários projetos hoje na literatura que estão descritos que os resíduos gerados pelos agronegócios vêm atrapalhando ou proporcionando doenças crônicas, doenças em seres humanos, devido à contaminação crônica das águas residuais. A problemática do trabalho está em que o tratamento de água potável hoje nos territórios na América não é o suficiente para eliminar esses resíduos”, relata o pesquisador.

*Com informações da UFMT

Startup amazonense desenvolve técnica para ampliar produção de mudas de bananas

Foto: Simone da Silva/Acervo pessoal

No Amazonas, a Startup Biofábrica Ananas, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolveu mudas de bananas micropropagadas, que são plantas clonadas em laboratório, usando a técnica de cultura de tecidos vegetais. O método permite a reprodução em larga escala, a partir de partes da planta-mãe, e assegura mudas com alta qualidade genética e fitossanitária, eliminando a variabilidade genética que ocorre em métodos tradicionais de propagação.

O projeto coordenado pela doutora em Biotecnologia Vegetal, Simone da Silva, é amparado pelo Programa Inova Amazônia Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, uma parceria entre a Fapeam e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A iniciativa trabalha com variedades de espécies desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental, entre as quais Pacovan, BRS Conquista, Maçã, BRS Princesa e Terra-Anã, além de matrizes selecionadas por produtores locais.

Simone destaca que a pesquisa foi motivada pela necessidade de oferecer mudas de alta qualidade para o setor produtivo do Amazonas, que enfrenta desafios como a perda frequente de matrizes devido aos longos períodos de seca e outras adversidades climáticas. “Essa situação força os produtores a adquirir mudas de biofábricas localizadas no Sudeste e Nordeste, o que aumenta os custos e o tempo de reposição”, explicou.

Com a aplicação da técnica de cultura de tecidos vegetais, o projeto fornece mudas selecionadas, geneticamente padronizadas e adaptadas às condições locais. Além de solucionar gargalos como a presença de pragas, doenças e a falta de padronização, essa abordagem promove maior controle fitossanitário.

Segundo a coordenadora, para os produtores rurais, os impactos incluem o acesso facilitado a mudas de alta qualidade, o que contribui para o aumento da produtividade das lavouras, a estabilidade na geração de renda familiar e a garantia de colheitas regulares. Além disso, essa iniciativa potencializa a competitividade dos produtos locais em mercados internos e externos, que demandam padrões rigorosos de qualidade e consistência.

A Biofábrica Ananas, responsável pelo projeto, possui o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para produção de mudas micropropagadas, o que facilita a expansão da cadeia produtiva local e contribui para a bioeconomia da região. Além disso, a técnica de cultura de tecidos vegetais pode ser expandida para outras culturas, fortalecendo a fruticultura e promovendo práticas sustentáveis no estado.

Resultados

Os principais resultados incluem:

  • otimização de protocolos para a micropropagação de variedades comerciais;
  • produção inicial de 30.000 mudas em laboratório, com meta de alcançar 300.000 mudas até 2027;
  • melhor acesso dos produtores a mudas padronizadas e de alta qualidade, adaptadas às condições locais;
  • desenvolvimento de uma infraestrutura local que reduz custos;
  • e, ainda, melhoramento da logística de distribuição no estado do Amazonas.

Apoio

Para Simone, o apoio da Fapeam foi essencial para viabilizar o projeto, especialmente, por meio do financiamento proporcionado pelo Programa Inova Amazônia. O fomento permitiu o desenvolvimento de protocolos inovadores para a produção de mudas de banana micropropagadas, apoiando a criação de uma infraestrutura local que atende às necessidades do setor produtivo no Amazonas.

“O investimento da Fapeam contribuiu diretamente para posicionar o estado na vanguarda da bioeconomia, ao impulsionar a aplicação de tecnologias modernas, como a cultura de tecidos vegetais”, acrescentou.

*Com informações da Fapeam

Papai Noel pela Amazônia: projeto supera desafios da seca para levar brinquedos às crianças ribeirinhas

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Em meio às dificuldades da seca e aos desafios para chegar a locais isolados da Amazônia, o técnico em eletrônica Jorge Alberto Barroso se transforma em Papai Noel para levar alegria a muitas pessoas da região. De barco, a pé, pegando carona pela lama e até remando, ele segue sua missão de entregar brinquedos para inúmeras crianças, mantendo uma tradição que já dura 26 anos.

Durante o mês de dezembro de 2024, mais de 5 mil brinquedos foram doados na ação ‘Amigos do Papai Noel’. Kits com diversas surpresas, como bolas e bonecas de pano, foram distribuídos às crianças.

Como o nome do projeto sugere, Barroso não está sozinho nessa missão. Com o apoio de dezenas de amigos, a ação é possível. Entre eles, está o programador Pedro Carvalho, que é um dos ‘Amigos do Papai Noel’ há 20 anos. “Não existe coisa melhor. Ver o sorriso de uma criança não tem preço”, afirmou Pedro Carvalho.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

A solidariedade se reflete em cada gesto, como o do artesão Laércio Valvassoura, que há 8 anos confecciona as bonecas de pano distribuídas às crianças nas ações do projeto.

“Já começamos a produção para 2025. Em Campinas, os colaboradores não param, estão a todo vapor na fabricação das naninhas e bonequinhas. Somos os duendes, amigos do Papai Noel de Manaus”, disse.

Para os voluntários no projeto, a maior doação de um ‘Amigo do Papai Noel’ é o tempo, que se transforma em disposição, amor e alegria. Com eles, qualquer espaço ganha vida, e as brincadeiras se tornam ainda mais divertidas, especialmente no meio da natureza.

Este Natal, marcado pela união e generosidade, trouxe mais do que presentes. Trouxe esperança para quem viu o bom velhinho pela primeira vez e a felicidade para quem recebeu uma visita especial.

“Eu ganhei uma bola, um livro, uma boneca e uma escova de dente. Gostei de tudo!”, disse a pequena Alexandra Feitoza, de 7 anos, com um sorriso no rosto.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Impactos à água do rio Tocantins após desabamento de ponte são monitorados

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Foto: Divulgação/Governo do Tocantins

O dia 22 de dezembro foi marcado pelo desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, situada sobre o rio Tocantins entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). Além de afetar a infraestrutura e a mobilidade da região, o incidente resultou na queda de três caminhões no rio, incluindo cargas perigosas como 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, um produto químico altamente corrosivo.

Diante da gravidade da situação, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) expressou solidariedade às famílias das vítimas e iniciou um trabalho conjunto com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA/MA) para avaliar os impactos ambientais. O principal foco das ações tem sido o monitoramento da qualidade da água no rio Tocantins, com a coleta de amostras em cinco pontos, desde a barragem da usina hidrelétrica de Estreito até o município de Imperatriz, localizado a jusante do ponto do desastre.

Equipes da SEMA/MA deslocaram-se ao local do desabamento para realizar coletas e verificar parâmetros básicos de qualidade da água. A ANA também solicitou o apoio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB/SP), uma referência em análises de qualidade da água no país, para avaliar parâmetros mais complexos relacionados ao derramamento de substâncias tóxicas.

Desde a notícia do desastre, os gestores da ANA têm promovido a comunicação com os usuários de recursos hídricos da região, onde existem mais de 150 outorgas que podem ser impactadas. A Agência também realizou o cálculo do tempo de chegada da água contaminada a diferentes municípios, compartilhando essas informações com órgãos federais e estaduais para orientar ações preventivas.

Prevenção e Orientações

Em medida de precaução, o governo do Maranhão orientou a suspensão da captação de água para abastecimento público nos municípios banhados pelo rio Tocantins a jusante do acidente. Essa orientação permanecerá até que as análises determinem que a pluma de contaminantes não apresenta riscos ao consumo humano.

O desastre afeta diretamente 19 municípios localizados a jusante do ponto do desabamento até a confluência do rio Tocantins com o rio Araguaia.

Destes, 11 estão em Tocantins:

  • Aguiarnópolis,
  • Carrasco Bonito,
  • Cidelândia,
  • Esperantina,
  • Itaguatins,
  • Maurilândia do Tocantins,
  • Praia Norte,
  • Sampaio,
  • São Miguel do Tocantins,
  • São Sebastião do Tocantins
  • e Tocantinópolis.

E oito no Maranhão:

  • Campestre do Maranhão,
  • Estreito,
  • Governador Edison Lobão,
  • Imperatriz,
  • Porto Franco,
  • Ribamar Fiquene,
  • São Pedro da Água Branca
  • e Vila Nova dos Martírios.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Estreito (MA)

Próximos Passos

A ANA segue trabalhando de forma integrada com órgãos estaduais e federais. Uma reunião realizada na segunda-feira, 23, contou com a participação da Defesa Civil e outras instituições para compartilhar informações sobre o monitoramento e as medidas de resposta.

Embora o impacto humano e ambiental ainda esteja sendo avaliado, as autoridades reafirmam seu compromisso com a transparência e a segurança da população. Mais informações serão divulgadas à medida que os dados das análises forem concluídos.

Rio Tocantins

Com aproximadamente 2400km de extensão, o rio Tocantins é o segundo maior curso d’água 100% brasileiro, ficando atrás somente dos cerca de 2800km do rio São Francisco. O Tocantins nasce entre os municípios goianos de Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. Ele também atravessa Tocantins, Maranhão e tem sua foz no Pará perto da capital Belém.

O rio pode ser chamado de Tocantins-Araguaia por se encontrar com o rio Araguaia entre Tocantins e Pará. Os dois cursos d’água também dão nome à Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, que é a maior do Brasil em área de drenagem 100% em território nacional. Por serem rios interestaduais, a gestão e regulação das águas do Tocantins e do Araguaia é de responsabilidade da ANA.

*Com informações da ANA