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A boneca Kamélia: 4 curiosidades sobre um dos principais símbolos do Carnaval de Manaus

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Foto: João Viana/Semcom Manaus

Como falar do Carnaval em Manaus (AM), e não lembrar dela, a boneca Kamélia, ícone das festividades carnavalescas? Mas você conhece a origem dela?

Conta a história que um dos dirigentes do Olímpico Clube levou uma boneca comprada na Bahia para o desfile de Carnaval em 1938. Com esse simples ato, incorporando um item carnavalesco nordestino, desde então ela abrilhanta anualmente a cidade.

O início

Segundo o presidente da diretoria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império da Kamélia, Almério Botelho, em 17 de outubro 1938 foi fundado o Olímpico Clube. Naquela época, a diretoria se reuniu no mês de dezembro para realizar sua ceia de Natal e confraternizar.

Foi nesse clima animado de fim de ano, já com as expectativas para o Carnaval do ano seguinte, que o então diretor Cândido Jeremias Cumaru, popularmente conhecido por ‘Candú’, inspirado na marchinha ‘Jardineira’, de Benedito Lacerda, comprou uma boneca e a colocou em um galho de ingazeira, criando assim a Kamélia.

O primeiro baile que celebrou a chegada da boneca à cidade foi realizado em janeiro de 1940, em um casarão alugado pela diretoria do clube, localizado na Praça da Saudade.

Mas a tradição de começar o Carnaval somente após a chegada da Kamélia começou mesmo em 1955, por um pedido do então prefeito Walter Rayol. E em 1958 a boneca recebeu, pela primeira vez, as chaves da cidade, em uma cerimônia das mãos do ex-prefeito Gilberto Mestrinho.

Leia também: Conheça a história da boneca Kamélia, símbolo do Carnaval em Manaus

Foto: Almério Botelho/Arquivo pessoal

“Para nós, mais importante do que o próprio baile é o reconhecimento da Kamélia enquanto símbolo do nosso Carnaval. É como fazer uma inauguração e chamar a boneca para cortar a faixa. É muito valioso, tanto que temos uma lei municipal reconhecendo essa solenidade. Apesar de simbólica, é a constatação que o maior símbolo do nosso Carnaval está vivo, mantendo uma tradição de mais de oito décadas”, relatou Almério.

Curiosidades

Você sabia que a primeira boneca da Kamélia tinha apenas 75 centímetros de altura? Ela foi comprada na Bahia em uma loja chamada ‘4 e 400’. Atualmente ela chega à impressionantes quase três metros.

Uma curiosidade que a aproxima da cultura amazonense é que o nome dado à quem manipula e dá vida à boneca também é ‘tripa’, igual aos bois-bumbás Caprichosos e Garantido. 

Todos que já atuaram como ‘tripa’ da Kamélia eram funcionários do Olímpico Clube. O atual é Arivaldo Menezes Canizo Filho, o ‘Arivaldinho’, filho do ex-tripa Arivaldo Canizo. Todos são voluntários.

A Kamélia é famosa não somente em Manaus, pois já participou de eventos carnavalescos em algumas cidades do interior do Amazonas como Presidente Figueiredo, Manacapuru e Iranduba.

Foto: Almério Botelho/Arquivo pessoal

E essa fama se estende também até ao Rio de Janeiro, pois a popular boneca manauara já participou de eventos do Cordão da Bola Preta.

Foto: Almério Botelho/Arquivo pessoal

Pra onde a Kamélia vai quando o Carnaval acaba?

Em 2025, a Kamélia abriu o Carnaval de Manaus no dia 4 de janeiro. Sua chegada no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é sempre uma festa, com o tradicional ‘Baile de Chegada’.

Foto: Almério Botelho/Arquivo pessoal

A chegada da boneca passou a ser oficial em 2013 por meio da Lei 1.722/2013 de autoria do vereador Arlindo Júnior.

No ano de 2015, ela foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas por meio de lei de autoria do então deputado estadual Bosco Saraiva.

Mas depois de tanto festejo e reconhecimento, pra onde a Kamélia vai quando o Carnaval em Manaus acaba? Almério Botelho revela que ela “não para”: 

“Diversos tem sido os locais onde a boneca tem se recolhido. Porém, ultimamente, devido a interação com o Cordão do Bola Preta, ela seguirá, após o Carnaval, para a cidade do Rio de Janeiro”.

Confira a série completa. Clique no banner:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

4 personagens que tornam o Carnaval de rua em Manaus inesquecível

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O Carnaval de rua de Manaus é muito aguardado pelos foliões amazonenses. Além das festas, shows e momentos de descanso, o período é marcado pela espera de diversos ícones históricos que o tornam inesquecível. Quer conhecer alguns deles?

Confira as histórias completas:

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Carnaval com boi-bumbá: os bois Caprichoso e Garantido mantém vivo o Carnaboi

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Carnaboi 2025 oferece segurança, conforto, acessibilidade e estrutura de qualidade

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Foto: Marcely Gomes/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O Carnaboi 2025, realizado pelo segundo ano consecutivo no Studio 5 – Centro de Convenções, conta com uma infraestrutura e capacidade de acomodar um grande público com conforto e segurança. O espaço tem mais de 20 anos de história e tradição em Manaus (AM).

Com ampla praça de alimentação e estacionamento, o local oferece uma estrutura acessível para quem deseja aproveitar o evento. A Fábrica de Eventos, em parceria com o Grupo Rede Amazônica, trabalha na modernização do espaço, para proporcionar mais qualidade à estrutura.

O especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Matheus Aquino, conta que a escolha do local levou em conta o clima amazônico, cujo período chuvoso ocorre no início do ano, quando o evento é realizado.

“Tivemos cerca de 40 mil pessoas nas duas noites de espetáculo em 2024. A gente trouxe o Carnaboi para dentro do Studio 5, que é um ambiente coberto, porque a gente sabe que a questão da chuva influencia bastante, em especial por conta da comodidade do público e a transmissão na TV e portais”, destacou Aquino. 

Melhoria no Espaço

Em fevereiro deste ano, uma parceria entre o Grupo Rede Amazônica e a Fábrica de Eventos foi firmada para a melhoria do Studio 5. A parceria visa a modernização do espaço e melhoria dos eventos, além de ampliar as opções de entretenimento em Manaus.

“Estamos focando em três pilares: aumento significativo de conteúdos, parcerias que possam trazer conteúdos sociais para o local e, a terceira, é a geração de empregos”, destacou Bete Dezembro, empresária.

Com o contrato firmado, o Centro de Convenções vai integrar o fundo de investimentos responsável pela concessão de grandes espaços, como o estádio do Pacaembu, em São Paulo.

“Até do ponto de vista publicitário, empresas que vão estar presentes também no Studio 5, abre-se aí uma quantidade de possibilidades importantes e também permite que o Studio 5, o shopping, melhore e se modernize para atender também esse fluxo, certamente bastante grande, que vai ser gerado por essa operação”, destacou Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo Rede Amazônica.

Fachada de uma das entradas do evento em 2024. Foto: Roberto Carlos/Secom AM

Participação de crianças e adolescentes

Como parte das medidas de segurança e organização, o evento também terá regras específicas para a participação de crianças e adolescentes. Essas normas, determinadas pela Justiça do Amazonas, visam garantir a segurança e o bem-estar dos menores durante as festividades, com restrições quanto à idade e exigências quanto à presença de responsáveis.

Confira as regras:

  • Menores de 12 anos estão proibidos de participar do Carnaboi, mesmo acompanhados pelos responsáveis.
  • Adolescentes entre 12 e 15 anos poderão participar, mas apenas se acompanhados por responsáveis legais.
  • Adolescentes com 16 anos ou mais deverão apresentar documento oficial com foto para acesso ao evento.

“A equipe de proteção estará preparada para realizar uma abordagem pedagógica. Caso necessário, o Conselho Tutelar e as autoridades competentes farão a remoção da criança”, informou a secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Jussara Pedrosa.

As novas medidas visam proporcionar um ambiente mais seguro para os menores durante as festividades, equilibrando o direito à diversão com a proteção e o cuidado necessários.

Acessibilidade

O especialista contou ainda sobre a área preparada para receber Pessoas com Deficiências (PCD):

“Quanto a acessibilidade, a Fundação entende a importância de ter um espaço acessível para as pessoas que querem brincar. Dentro do Carnaboi a gente vai ter um espaço disponibilizado, separado, para as pessoas que têm algum tipo de deficiência aproveitarem com segurança. Então a gente vai ter um espaço para pessoas que têm deficiência visual, para cadeirantes, inclusive com TV dentro desse espaço para as pessoas conseguirem acompanhar a transmissão com conforto”, finalizou.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Pesquisa identifica espécies resilientes para restauração ecológica na Amazônia

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Região da Amazônia em Mato Grosso. Foto: Marcos Vergueiro

Estudos envolvendo pesquisadores de diversas instituições acadêmicas buscou integrar o conhecimento tradicional dos coletores de sementes da Amazônia com o conhecimento científico para promover a restauração ecológica da região, identificando as espécies vegetais mais adaptadas às mudanças climáticas previstas para as próximas décadas.

O projeto faz parte da iniciativa do Amazônia +10, que apoia projetos de pesquisa voltados à conservação da biodiversidade e adaptação às mudanças climáticas. Em Mato Grosso, o programa é fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), com parcerias nacional e internacional.

Leia também: Iniciativa Amazônia+10 divulga resultado final da chamada Expedições Científicas; veja a lista

O projeto se concentrou na Rede de Sementes do Portal da Amazônia (RSPA), investigando quais espécies utilizadas na restauração florestal são mais promissoras para o futuro. Para isso foram construídos modelos de distribuição de espécies permitindo verificar sua   adequabilidade ambiental em diferentes cenários climáticos, onde  foram analisados  a  caracterização  biométrica, atributos anatômicos, fisiológicos e ecológicos  das espécies para identificar aquelas com maior resiliência.

Os resultados dos estudos impactam diretamente na estratégia de restauração da floresta, fornecendo subsídios para a escolha eficiente de espécies e otimizando o processo de recomposição vegetal. Foram atualizados o mapeamento das matrizes de coleta, garantindo uma cadeia de produção de sementes mais eficiente e adaptada ao novo cenário climático.

 “A equipe de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), desempenhou o papel central nas partes fundamentais da execução do projeto, colaborando na modelagem da distribuição das espécies e na disseminação dos resultados por meio da plataforma WebAmbiente. Paralelamente a equipe do Rio de Janeiro, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) realizou os estudos morfoanatômicos e fisiológicos das espécies, enquanto a equipe do Distrito Federal, da Universidade de Brasília (UnB) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), investigaram técnicas de restauração ecológica, com ênfase na semeadura direta”, destacou o coordenador, professor doutor Pedro Vasconcellos Eisenlohr, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)

A integração entre cientistas e coletores de sementes foi um diferencial do projeto. Foram promovidas palestras e rodas de conversa para validar e compartilhar o conhecimento gerado. Como produto final, cartilhas foram desenvolvidas para facilitar o acesso às informações sobre as espécies mais indicadas para a restauração ecológica da região.

“Esperamos que os resultados da pesquisa contribuam significativamente para a preservação da Amazônia, tornando-se uma referência na seleção de espécies resilientes e na formulação de políticas ambientais voltadas à restauração florestal”, enfatizou Eisenlohr.

*Com informações da Fapemat

Tecnologia de controle e estabilidade para microrredes elétricas é desenvolvida no Amazonas

Foto: Renan Landau Paiva de Medeiros/Acervo pessoal

Proporcionar um futuro mais sustentável e eficiente com a geração de energia em regiões isoladas da Amazônia, usando novas tecnologias e treinando estudantes de Engenharia Elétrica, sãos os objetivos da pesquisa ‘Estabilização robusta e tolerante a falhas em Microrredes com Inserção de Geração Distribuída usando Estratégias de Controle baseada em dados’.

A pesquisa foi coordenada pelo doutor em Engenharia Elétrica, Renan Landau Paiva de Medeiros, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Amparada via Programa de Apoio à Pesquisa–Universal Amazonas da Fapeam, edital Nº 006/2019 a pesquisa consta no Portfólio de Investimentos e Resultados de Pesquisas do Amazonas – Vol.04, organizado pela Fapeam.

O projeto estudou como as microrredes (pequenas redes de energia elétrica) funcionam em lugares com energia solar e geradores com sistemas de energia elétrica de Corrente Alternada (CA) para Corrente Contínua (CC). Durante a pesquisa, foram realizadas simulações de como essas redes se comportam, o que possibilitou o desenvolvimento de ‘modelos matemáticos’ para garantir o funcionamento estável do sistema, mesmo quando há falhas ou imprevistos.

Segundo o pesquisador, uma microrrede consiste em um sistema que integra diversos geradores distribuídos de energia e cargas elétricas operando autonomamente como rede única, seja isolada ou conectada à rede de distribuição externa. O conceito de microrrede é antigo, mas o seu desenvolvimento passou a ser estimulado na última década devido à crise econômica e a consciência ambiental promovida pelo aquecimento global que motivou o investimento em fontes alternativas de energia.

Imagem: Renan Landau Paiva de Medeiros/Acervo pessoal

Estabilização de microrredes  

A pesquisa devolveu dois modelos matemáticos para sistemas de microredes, sendo um modelo para a microrrede CA e um para  microrrede  CC.  Além  disso, desenvolveram-se  simuladores  em  ambiente  computacional  que  conseguem  descrever  adequadamente  o comportamento dinâmico de cada um dos sistemas.

O projeto desenvolveu um controle de malha suplementar robusto baseado em conceitos de Desigualdades Matriciais Lineares para garantir estabilidade do sistema dinâmico frente a oscilações eletromecânicas. Esses dois sistemas experimentais foram testados e desenvolvidos pelos alunos de graduação e pós-graduação.

No decorrer da pesquisa, também foram criados dispositivos para melhorar o controle e a operação dessas, além de conversores para justar a energia gerada.

Renan Landau, coordenador da pesquisa, ressalta que há poucas localidades no mundo que possuem um sistema de emulação de um sistema de hidrogeração, e que o estudo abre um leque de oportunidades para o desenvolvimento de pesquisas, treinamentos e uma melhor capacitação de profissionais para o mercado de trabalho.

O resultado da pesquisa foi apresentado em um trabalho de conclusão de curso, duas orientações de mestrado e quatro publicações em conferências e periódico internacional.

A expectativa de longo prazo para o projeto é pavimentar a construção e desenvolvimento de arquiteturas sustentáveis de microrredes que possam ser aplicadas para proporcionar uma solução tecnológica longínqua e sustentável em comunidades isoladas de todo o Amazonas, de modo que estas localidades carecem de uma fonte confiável de abastecimento de energia elétrica, impactando diretamente na qualidade de vida das pessoas que ali residem.

O estudo teve o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

*Com informações da Fapeam

Carnaval Amapá 2025: veja em FOTOS como foi o desfile das escolas de samba

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Perdeu o desfile das escolas de samba dos grupos de Acesso e Especial do Amapá? Os desfiles aconteceram na sexta-feira (28) e no sábado (1º), no Sambódromo de Macapá.

Confira alguns dos melhores momentos:

Grupo de acesso

Embaixada de Samba Cidade de Macapá

Solidariedade

Emissários da Cegonha

Unidos do Buritizal

Grupo Especial

Império da Zona Norte

Piratas Estilizados

Império do Povo

Boêmios do Laguinho

Maracatu da Favela

Piratas da Batucada

*As fotos são de Mariana Ferreira, Isadora Pereira e Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Carnaboi 2025: saiba quais ações educativas e socioambientais são realizadas durante a festa

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Foto: Patrick Marques/g1 Amazonas

O Carnaboi já virou uma das datas mais aguardadas do calendário manauara e, em 2025, o evento acontece nos dias 7 e 8 de março, no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus (AM). Uma festa que tem como objetivo preservar a cultura e tradição amazonense, e faz parte do Carnaval Amazônico, uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

E que também mantém o compromisso social com uma série de ações no âmbito educativo e socioambiental.  Matheus Aquino, especialista de projetos da FRAM, relata que o Carnaboi é uma manifestação cultural gigantesca no Amazonas e que as ações realizadas pela Fundação, além de promoverem a cultura amazonense, também ajudam a conscientizar a população sobre sua responsabilidade em grandes eventos como este.

“A gente vai ter campanhas educativas na temática do combate a infecções sexualmente transmissíveis e também a questão da ingestão do álcool e atenção na direção, que a gente sabe que nesse período de carnaval, infelizmente, os acidentes acabam aumentando”, relatou. 

No campo socioambiental, Aquino explicou que as ações irão compensar ambientalmente todos os gases de efeito estufa que serão emitidos durante o projeto Carnaval Amazônico. Será feito o inventário do que foi feito de emissões em relação a questão de eletricidade, gasolina e o uso de papel. 

“O inventário será feito e, posteriormente, a gente vai fazer essa compensação através do plantio de mudas em áreas desagradadas, aqui próximo da capital”, informou.

Cerca de 40 mil pessoas participaram ano passado nas duas noites de espetáculo. Segundo o especialista, a expectativa para esse ano é entregar melhor qualidade de transmissão e receber o público com uma “festa que só as galeras dos bois Caprichoso e Garantido sabem fazer”.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Conversão de florestas em pastos e cidades afeta o clima na Amazônia

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Foto: Divulgação/Embrapa

Áreas da Floresta Amazônica convertidas em pastos e cidades têm maior amplitude térmica, menor umidade, maior reflexão da luz solar e perda de eficiência na regulação do clima. Essas são algumas das conclusões obtidas pelo estudo ‘Microclima no Cenário de Floresta, Pastagem e Cidade no Sudoeste da Amazônia’, publicado no dia 21 de fevereiro na ‘Revista Brasileira de Meteorologia’.

O trabalho, realizado em colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), indica que é preciso equilibrar os efeitos das atividades humanas para reduzir os impactos negativos dessas transformações. 

Para avaliar se mudanças no uso e na cobertura do solo podem afetar as variáveis micrometeorológicas em florestas, os pesquisadores coletaram dados sobre temperatura, radiação solar, chuva e umidade do ar em três ambientes distintos: florestas, pastagens e cidades. As medições ocorreram em Rondônia, sudoeste da Amazônia, em 2017. Com base nas informações amostrais e em estudos anteriores, a equipe calculou possíveis diferenças nos parâmetros entre os tipos de cobertura e comparou os resultados por meio de análises estatísticas.

Entre os principais resultados, destacam-se a redução da umidade nos ambientes antropizados e uma diferença de 2°C na amplitude térmica diária, ou seja, na diferença entre as temperaturas máximas e mínimas do dia. Pastagens e cidades apresentaram uma variação térmica maior.

“O processo de remoção das florestas em Rondônia vem sucedido por pastagens e cidades, que são paisagens homogêneas e modificam toda a dinâmica local; elas acabam contribuindo menos com a evapotranspiração e aquecendo mais, tornando o local mais seco e mais quente”, alerta Bárbara Antonucci, primeira autora do estudo. O conceito de evapotranspiração abrange tanto a evaporação de água do solo e a transpiração das plantas

A conversão de florestas em pastagens e áreas urbanas também elevou a capacidade de reflexão da luz solar, um fenômeno conhecido como albedo. A maior variação foi observada na substituição da floresta pela cidade, resultando em um aumento de 264%. “O albedo indica o quanto de luz é refletida, como em um espelho”, diz a pesquisadora.

Ela explica que, nas florestas, a luz solar é absorvida e utilizada, principalmente, em três processos: aquecimento do ar, fotossíntese e evapotranspiração. No entanto, nas áreas urbanas analisadas, apenas uma pequena fração é aproveitada na fotossíntese e o restante se converte em calor. “Vimos que as cidades e pastagens, superfícies com maior albedo, refletem mais luz, acumulam menos energia e tendem a ser mais quentes”, complementa.

Segundo Antonucci, além de alterar o microclima, as mudanças identificadas podem ter impactos importantes na biodiversidade local e nas atividades econômicas que dependem do clima e do solo, por exemplo. “A interrupção dos serviços ecossistêmicos fornecidos pelas florestas, como evapotranspiração, regulação térmica e sombreamento, pode levar ao agravamento de extremos climáticos”, diz a autora.

“Ainda, a maior vulnerabilidade dessas áreas pode comprometer a agricultura, tornando as atividades produtivas mais suscetíveis a secas, ondas de calor e mudanças nos regimes de chuvas, o que também afetaria a segurança alimentar e a economia local”, acrescenta.

Para ela, ações de mitigação e preparo são urgentes para lidar com os possíveis impactos da conversão florestal em ambientes antropizados. “Uma medida essencial é a adoção de estratégias para cidades mais resilientes, como a arborização, e o reconhecimento dos serviços ambientais prestados historicamente por populações tradicionais — como ribeirinhos, extrativistas e comunidades indígenas”, sugere Antonucci. 

A autora argumenta que políticas públicas devem priorizar incentivos à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais e defende que é imprescindível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e os saberes locais. Nesse sentido, a equipe de pesquisadores visa, agora, aprofundar as análises micrometeorológicas da região, identificar padrões e tendências e integrar os estudos com as comunidades locais, visando contribuir para mudanças de paradigmas.

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0102-778640230038

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Bloco homenageia dama da cultura e educação de Rondônia

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Maria Nazaré em momento festivo na avenida. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O bloco ‘Us Dy Phora’, de Porto Velho, homenageia a veterana professora Maria Nazaré Figueiredo da Silva no Carnaval de 2025. O samba apresentado destacou o amor e a dedicação da educadora às causas da educação e cultura ao longo de 53 anos.

O sambista Edgley Queiroz cantou: “Este ano, o Carnaval é na Pinheiro. Mas ‘Us Dy Phora’ vem mantendo a tradição. Vem sacudindo esta avenida, com Nazaré, rainha da educação”, diz parte da letra do samba, cujo lema é: “Nazaré, Nazaré, o nosso bloco homenageia esta guerreira”.

Com espírito festeiro, aos 75 anos, Nazaré não perdeu a oportunidade de subir no trio elétrico e cair no samba na avenida Pinheiro Machado durante a homenagem. “Eu me sinto muito emocionada e agradecida pela lembrança”, destacou ela no sábado.

Conhecida como a dama da cultura rondoniense, Nazaré nasceu em 1949 na Ilha de Marajó (PA). Sua história está intimamente ligada a Rondônia, onde atua como educadora, ativista cultural e memorialista, desempenhando papéis fundamentais na construção da identidade local.

Após uma temporada em Belém, onde estudou e se formou em magistério no Instituto Estadual de Educação do Pará, Nazaré casou-se em 1968 com Miguel e mudou-se para Porto Velho em 1972. Ela lecionou língua portuguesa na Escola Murilo Braga, onde também foi diretora, e na Escola Araújo Lima.

Foto: Divulgação

Posteriormente, contribuiu em várias frentes: foi gerente de educação infantil na antiga Divisão de Educação e Cultura do Território de Rondônia, ajudou a implantar escolas no interior e ministrou treinamentos para professores na época do Território Federal de Rondônia, quando ainda não havia curso superior no estado.

Por volta de 1974, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul desenvolveu um projeto de formação em Rondônia. Nazaré aproveitou e cursou Letras; depois, fez Pedagogia pela Universidade do Pará, que também manteve uma extensão em Porto Velho.

Além de sua atuação exemplar na educação, Nazaré ajudou a fundar o Arraial Flor do Maracujá, o maior evento folclórico do estado. “Desde antes do Flor do Maracujá, que começou em 1982, fazíamos os arraiais e festas do folclore, os bois-bumbás, as quadrilhas, nas escolas Barão de Solimões, Carmela Dutra e Rio Branco. Sempre apreciei o folclore e depois começou o Arraial Flor do Maracujá, incorporado oficialmente à cultura rondoniense desde a década de 1980”, conta.

Ela também atuou no Centro de Documentação Histórica de Rondônia (CDH-RO), na Biblioteca Pontes Pinto e em todas as atividades para as quais foi chamada a contribuir ao longo de décadas de trabalho e dedicação, ao lado de colegas devotados à causa da preservação e da difusão da literatura, cultura popular, conhecimento científico, memória e história de Rondônia.

Dona Maria Nazaré articulou e coordenou diversos projetos voltados a bibliotecas e museologia, ministrando cursos e oficinas patrocinadas pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) e pela Biblioteca Nacional. Garantiu a doação de milhares de livros, além de móveis e kits multimídia para bibliotecas do estado, que ela pleiteava das instâncias de governo para ampliar a rede bibliotecária estadual.

Apesar do extenso conhecimento, disciplina, assertividade, empreendedorismo e honestidade que sempre a caracterizaram, a dama da memória, educação e cultura nem sempre ocupou posições de destaque na gestão pública. Trabalhou com muito esforço e foi movida pelo idealismo e boa vontade. O reconhecimento veio de seus alunos, colegas de trabalho e da sociedade que admiram a professora e a consideram uma personalidade notável e incontestável; uma dama a serviço das áreas mais importantes da administração pública: educação e cultura.

Foto: Divulgação

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

O Carnaval de ontem e de hoje: a evolução em Manaus

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Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Segundo alguns estudiosos como a professora Mary Del Priore, Professora de Pós-graduação da USP e autora da obra de Festas e utopias no Brasil Colonial, publicada em São Paulo pela Editora Brasiliense, assim destaca:

[…] Ao longo da Idade Média, os festejos com mascaradas eram mais definidas pelas estações do ano que por datas exatas. Entre Natal e Carnaval, multiplicavam-se as quermesses. O período de matança de porcos, para o preparo de embutidos a consumir na semana gorda, permitia aos jovens tingir o rosto com cinzas, encapuzar-se, vestir com sacos, roupas de mulher ou suas roupas ao avesso. Assim, vestidos, assustavam outras pessoas, entravam em casas, comiam, bebiam e beijavam as moças, que tentavam reconhecê-los. Na Quarta-Feira de Cinzas, um manequim figurando o carnaval fazia sua estrada no vilarejo seguido de um grande cortejo de mascarados. Ao fim do dia, era queimado num muro próximo à igreja, juntamente com as máscaras e, acompanhado de lamentos que anunciavam a chegada da Quaresma.

Em regiões do norte da Espanha, a festa permitia a inversão do papel das mulheres no dia 5 de fevereiro, dedicado a Santa Ágata, elas tomavam o poder em casa e nas ruas, desfilando com danças e cânticos. Na Grécia, a festa se celebrava no dia 8 de janeiro. As mulheres acorriam a casa da mais velhas parteiras, a babo, vestidas com suas mais belas roupas. Embaladas por músicas, confeccionavam um sexo masculino com legumes ou embutidos e, travestidos de homens, iam para as ruas onde perseguiam e maltratavam o sexo oposto. Para terminar, um banquete celebrava as concepções e os partos do novo ano.

Em outras regiões, as mulheres preparavam alimentos cujos restos eram usados numa grande batalha de comida na Quarta-Feira de Cinzas. Os homens, depois de comer exageradamente, imitavam a gestação das mulheres, dando a luz um bebê chorão (um dos membros do grupo). A brincadeira com a gravidez masculina retoma o tema da reprodução. A Festa dos loucos, representada na pintura do Renascimento, invertia a hierarquia clerical, com danças, sermões cômicos, cânticos religiosos com duplo sentido e padres fantasiados de mulheres. Ela desaparece no século XV.

Nas cidades, durante a Idade Moderna, marchavam mascaradas as chamadas “nações” de estudantes, as confrarias e irmandades de artesãos. As cidades multiplicavam a sociabilidade das confrarias, graças às Abadias de alegria que reuniam artesãos e seus aprendizes. Nelas sucediam-se cavalgadas e um rei dos bobos era puxado em seu carro, numa entrada triunfal às avessas.

O modelo ideal se exprime no Carnevale das cidades italianas, onde o jogo entre a mascarada e o teatro refletia a vida de corte. Na Toscana, jovens aristocratas cavalgavam pelas cidades, magnificamente adornados, enquanto em Veneza multiplicavam-se os mascareri, artesãos que amoldavam máscaras de papelão, veludo, couro ou linho encerado. Surgem as figuras do arlequim e do polichinelo. O Carnaval se apropria dos elementos de teatro, tanto que Catarina de Médicis (1519-1589) contratou trupes da commedia dell’arte para animar as comemorações que introduziu na corte francesa.

A partir do século XVIII o uso da bauta-máscara – se torna obrigatório durante as festas e nos lugares públicos. Alguns elementos sobrevivem até hoje: o confetti era feito em Veneza com grãos açucarados, depois substituídos por papel colorido. Já a palavra corso vem da rua do mesmo nome na capital italiana, onde se realizavam as festas públicas.

O Carnaval seguiu os navegadores europeus pelo resto do mundo. Ao longo do tempo, carnavais rurais e urbanos se complementaram. Com duração variável, eles apostaram no papel maior ou menor das máscaras, ligadas à Quaresma ou a ritos agrários, como se vê no México ou nos Andes, no Mardi Gras de Nova Orléans ou no Carnaval das irmandades haitianas, em que as máscaras de vodu se confundem com as do Carnaval. Tempo de inversão, de revolta admitida, o Carnaval conjura os medos e exalta a folia. Desde as suas origens, ele se apresenta como um espaço para a revolta ritualizada, que se faz presente na detração da autoridade, na festa de ponta-cabeça, mas também, e sobretudo, no riso. Riso que ri da morte, riso inseparável da tristeza que começa na Quarta-Feira de Cinzas.

Fonte: Professora Doutora Del Priore Mary. Nossa História. Ano 2, n.º 16. Fevereiro de 2005. Editada com o Conselho de Pesquisa da Biblioteca Nacional.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1915. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos bastante interessantes. Tais manifestações do carnaval transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus.

O pesquisador nos revela ainda que na época da Província do Amazonas esses acontecimentos de ruas eram feitos por brincadeiras como o “Entrudo e o Zé-Pereira”, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus, nesta época.

Por sua vez, o entrudo era uma prática proibida, por promover sujeira e imundície. O “Entrudo” foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses da Ilha de Açores.

A prática consistia em jogar nas pessoas “água de lama, tinta, lixo e tudo que fosse malcheiroso, até água podre e urina”. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus publicada no código De Postura do Município.

O fiscal do primeiro Distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo:

Art. 82-É proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou lançar alguma coisa sobre os transeuntes. Pena de dez mil – réis de multa ou três dias de prisão.

1º Permite-se as mascaradas danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e a tranquilidade pública e não contenham alusão às autoridades ou a religião.

2º Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitarão pessoas mascaradas depois do toque da Ave – Maria, Salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorreram na multa de cinco mil – réis ou dois dias de prisão.

Manaus, 28 de janeiro de 1874

Pedro Mendes Gonçalves Pinto

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Embora sob pena de pesar das multas e prisões, esse procedimento se estendeu até o início do século XX. Por sua vez, “O Zé-Pereira”, também trazido pelos portugueses, acaba por revolucionar o carnaval. Os brincantes transitavam pelas vias públicas tocando bumbas, zabumbas, esse costume perdurou até o ano de 1929.

As fantasias da época eram de palhaços, diabos, papas angus, etc. Por volta de 1855 eram publicados em jornais da época os bailes de máscaras, que aconteciam em residências dos barões da borracha e nos clubes, começa assim a prevalecer o carnaval de salão que eram frequentados por uma classe privilegiada e o de rua que contava com a participação popular.

Geraldo Xavier dos Anjos relata ainda que o comércio dessa época promovia vendas de artigos para a quadra momesca em especial na Rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro). Nessa artéria funcionava uma loja denominada “Bazar de Paris”, especializada em artigos para o carnaval. Os jornais da época promoviam anúncios de interesses dos foliões, como por exemplo, a presença de um “Coiffeur” francês que se chamava George Petrus. O estabelecimento atendia seus clientes com os mais modernos penteados que eram moda na Europa.

Em 1889, época do último Carnaval da Província, aconteceu a “Batalha de Confete” na Praça Dom Pedro II. Com a chegada da República e a urbanização da cidade promovida na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892-1896). Na principal artéria e a rua da Matriz (hoje Eduardo Ribeiro), o Carnaval toma conotação com o desfile do “Clube dos Coatyz”. Já em 1904, surgiram dois grupos importantes, “Cavalheiros Infernais” e o “Clube dos Terríveis”, que prolongaram sua participação até 1915.

Os Cavalheiros Infernais eram formados por foliões do Clube Internacional, cujas fantasias eram predominadas pela cor vermelha. O “Clube dos Terríveis”, porém, tinha como foliões algumas figuras de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e os superintendentes municipais Adolpho Lisboa e Arthur César Moreira de Araújo.

Mocidade fez história no carnaval amazonense

Aqui em Manaus quando os desfiles eram na Avenida Eduardo Ribeiro, me parece que neste período o carnaval era mais popular, que naturalmente ostentava grandes fantasias, algumas com máscaras, a descer e subir Avenida Eduardo Ribeiro proporcionando ao povo que se acotovelava nas calçadas e meio-fio na referida avenida para se divertir e assistir a festa do povo. Tudo começava muito cedo, as 4 horas da tarde, com a famosa batalha de confete.

Os carros da época, de capotas arriadas, com belas jovens a desfilar, jogando serpentinas e confetes na população ali reunidas. Havia uma expectativa da passagem dos carros alegóricos sempre esperado com muita curiosidade pela população presente, protegidas na época pela sombra dos benjaminzeiros, como tratava-se de uma avenida mesclada de comércio e residências algumas famílias sentavam-se a porta para apreciar o carnaval.

Outro destaque ficavam pelos carros alegóricos da fábrica de Cerveja Miranda Correa, destacando a tão famosa XPTO, e outros carros da fábrica de saltos de borracha JG. Araújo que tinha o nome de Coroa, a Fábrica de Guaraná Andrade participava distribuindo o seu delicioso Guaraná, o Luso Sporting Club marcava sua presença, sempre preocupado em superar a União Esportiva Portuguesa, o Atlético Rio Negro trazia suas fantasias o que eram uma festa.

Não podemos esquecer do Nacional Futebol Clube que também promovia um famoso baile infantil de domingo a tarde e naturalmente se fazia presente na Avenida Eduardo Ribeiro. Temos que admitir que na simplicidade daquela época o carnaval era mais divertido e do povo.

É importante destacar que a Mocidade permaneceu desfilando por vinte e cinco anos, tendo a sua primeira vez em 1953, com o tema Branca de Neve e os Sete anões, caracterizado pelo Dr. Luís Cabral, conhecido para os íntimos como Lulu. Todo material utilizado para as confecções das fantasias dos anões, era comprada no Rio de Janeiro. Alguns temas foram destaques durante o longo período, tais como: O Cangaceiro, Ciganos, Lavadeiras, Ai Maria, Donas da Pensão, TV não era, O Circo, Babuínos, Só deve quem compra, Maternidade e outros tantos títulos que deram origem ao carnaval.

Ideal Clube. Família Tadros e família Sabbá. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O desfile do Corso

Os foliões do passado jamais deixaram de se referir ao Corso quando recordavam os carnavais do seu tempo. E o fazem invariavelmente com um tom de saudade e lamentação “hoje não tem mais o corso”. Em nosso estado este desfiles começaram a acontecer no início do século e foram até anos 30. No ano de 1901, o primeiro carnaval do século XX, teve a participação do corso que foi comandado pelo Club dos Ceatys, numerosos grupos carnavalescos e mascarados avulsos percorriam as principais avenida de nossa cidade desde a tarde de domingo até o anoitecer.

Em 1904 é fundada a Sociedade Carnavalesca “Cavalheiros Infernais” e o Clube dos Terríveis que até 1905 passaram a comandar o Desfile do Corso no carnaval de Manaus. Os Cavalheiros Infernais era composto por um grupo de sócios do Club Internacional, tomaram como cor o Vermelho que era pintado pelo artista plástico Sílvio Centofanti. Para o desfile deste ano o clube organizou um desfile no qual os sócios iriam todos vestidos de cavalheiros e os seus familiares fantasiavam-se a gosto.

A organização da saída do desfile era a seguinte, na frente a bada de música, depois carruagem com as crianças levando o estandarte do clube e em seguida os carros dos demais familiares. Ao lado dos carros iam os sócios fechando desfile com a banda de música.

O Clube dos Terríveis considerado o mais animado era aguardado por todos. Tinha sua sede nos altos do Café dos Terríveis, pouco preferido da boemia elegante de Manaus, ficado na Praça 15 de novembro com a então rua de Demétrio Ribeiro (hoje Visconde de Mauá). Sua meta era comandar o carnaval, ora promovendo as folias de rua como o Entrudo ou Assustado e as batalhas de confete e serpentina ou promovendo bailes públicos. Deste clube faziam parte o Coronel José Cardoso Ramalho Júnior (ex-governador do Estado), o engenheiro Arthur César Moreira de Araújo, o Capitão dos Portos do Amazonas, Capitão de Fragatas Santos Lara e outros.

Para o desfile, os Terríveis contavam com 30 carruagens todas ornamentadas, cada carro com sua denominação. O carro Academia de Letras, por exemplo, era composto por membro desta Casa de Cultura e tinha como objetivo neste desfile distribuir extratos de seus anais para o público.

Este dois clubes e os demais grupos de mascarados seguiram o itinerário: Saiam da Praça de São Sebastião às 16 horas e percorriam as seguintes ruas: Rua de José Clemente, Av. Eduardo Ribeiro, Rua Municipal (atual Sete de Setembro), Praça da República (atual Praça Dom Pedro II), passavam frente ao Palácio do Governo (hoje sede da Prefeitura), Rua Municipal (Av. Eduardo Ribeiro), Rua Marquês de Santa Cruz, (hoje Praça de Adalberto Vale) Rua dos Remédios (atual Miranda Leão), Leovegildo Coelho, dos Andradas, Av. Silverio Nery, Praça São Sebastião, chegando em torno de 21 horas. Estes dois clubes fizeram grandes desfiles até o carnaval de 1915.

No carnaval de 1915 é fundado o Club Paladinos da Galhofa, composto de sócios do Ideal Club. Para o desfile do Corso compunham-se de onze carros, sete alegorias e quatro de críticas. Vinha em frente a guarda de honra, nos dorsos de belos cavalos seguido de carro precursor que apresentava enorme canhão 42, guarnecido por homens outros, dois carros alegorizando a Música, depois o carro japonês e fechando o desfile o carro Chave de Ouro.

João Bosco Fonseca (Arroz) e Antônio Lima de Souza (Mococa). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Os desfiles do Corso, a partir dessa data, passaram a ser feitos em automóveis de capotas conversíveis, onde as famílias usavam seus carros particulares ou de aluguel, todos desciam e subiam a Av. Eduardo Ribeiro, fantasiados e jogando confetes e serpentinas.

Esta brincadeira sem malícia e sem neurose do trânsito atual, veio a matar no final da década de trinta.

BAZE, Abrahim. Luso Sporting Club – A Sociedade Portuguesa no Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2007.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista