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Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes para geração de energia, diz estudo

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Um estudo divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) revelou que Roraima é um dos estados com maior dependência de fontes poluentes para geração de energia elétrica no Brasil. Hoje, cerca de 89% da energia gerada no estado vem de termelétricas movidas a diesel — uma matriz cara, poluente e instável.

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Roraima é o único estado do país que ainda não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), e a expectativa é que essa conexão ocorra até 2026, com a conclusão do Linhão de Tucuruí. Para especialistas ouvidos no relatório, essa mudança deve marcar um novo capítulo na história energética do estado.

Os 715 km do Linhão de Tucuruí são apontados como o fim do isolamento elétrico e dos constantes blecautes. A energia de Roraima vem, em sua maioria, de termelétricas. As obras começaram em 2022 e devem ser entregues em setembro deste ano.

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Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Linhão de Tucuruí em Roraima. Foto: Divulgação/PAC

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O levantamento chama atenção para dados dos estados ao Norte do Brasil: cerca de 1 milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda não têm acesso formal à eletricidade, e outros 2,7 milhões enfrentam instabilidade e alto custo no consumo de energia.

A FNCE realizou o seminário Clima, sociedade e energia: oportunidades e desafios da transição energética no Brasil da COP30. O evento reuniu autoridades, especialistas e sociedade civil para o debate de temas críticos relacionados à transição energética brasileira. A diretora executiva da COP30, Ana Toni, participou do evento.

“Está mais do que na hora de a sociedade brasileira se concentrar no tema da energia. Já enfrentamos o desmatamento como principal fonte de emissão e amadurecemos esse debate. Agora, precisamos discutir que tipo de transição energética queremos como país”, disse Ana Toni durante a abertura do seminário.

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Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Diretora executiva da COP30, Ana Toni, participou do evento. — Foto: Reprodução

O evento trouxe à tona os paradoxos do setor, como o fato de o país possuir uma das matrizes mais renováveis do mundo, mas ainda enfrentar problemas estruturais como desperdício de energia, altos custos operacionais e dependência do carvão mineral em algumas regiões.

Entre os destaques, o painel sobre descarbonização dos sistemas isolados apresentou diagnósticos atualizados sobre comunidades que pagam as tarifas mais caras por um serviço instável, como ocorre na região Norte.

Representantes de entidades como WWFIdec e o Fórum de Energias Renováveis de Roraima debateram soluções para garantir justiça energética e inclusão social. Já o painel sobre o fim do carvão trouxe propostas de transição justa, levando em conta os impactos socioeconômicos nas regiões que ainda dependem dessa fonte.

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Custo alto, energia instável

A energia elétrica em Roraima também está entre as mais caras. Segundo o estudo, o custo médio de geração no estado é um dos mais altos do país. Em algumas comunidades remotas, o gasto com combustível para manter geradores a diesel chega a R$ 900 por mês por família — e o fornecimento é limitado a poucas horas por dia.

A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo subsidiado por todos os brasileiros, arcou com mais de R$ 11 bilhões para manter a energia nos sistemas isolados em 2024, dos quais uma parte significativa é direcionada a Roraima.

Interligação é a chave

O estudo destaca que a interligação de Roraima ao SIN deve reduzir drasticamente os custos com energia, além de ampliar o uso de fontes renováveis, como hidrelétricas, solares e eólicas. O impacto também será sentido nas contas de luz de todo o país, já que diminuirá a necessidade de subsídios para manter o fornecimento no estado.

Ainda assim, a transição deve considerar o cenário das comunidades mais afastadas, onde a chegada da rede elétrica convencional é inviável. Nesses casos, a recomendação é o investimento em sistemas off-grid, com geração solar associada a baterias e sistemas de armazenamento.

A projeção é que a interligação reduzirá custos com térmicas fósseis e subsídios da CCC, além de trazer maior eficiência econômica e sustentabilidade ao setor elétrico brasileiro. Conforme a projeção no gráfico abaixo.

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes

Isolamento energético

Durante anos, Roraima dependeu da energia fornecida pela Venezuela. No entanto, o país parou de enviar energia ao estado em março de 2019 e, desde então, o trabalho é feito por quatro termelétricas da Roraima Energia.

Roraima está entre os estados mais dependentes de fontes poluentes
Estrada que dá acesso a reserva indígena Waimiri-Atroari — Foto: Valéria Oliveira/G1 RR/Arquivo

O parque térmico do estado é formado pelas usinas termelétricas de Monte Cristo, na zona Rural de Boa Vista, Jardim Floresta e Distrito, ambas na zona Oeste, e Novo Paraíso, em Caracaraí, região Sul do estado.

Atualmente, duas turbinas da Usina Termoelétrica Jaguatirica II já estão em operação e ajudam a reduzir o consumo da usina termelétrica do Monte Cristo, que funciona a óleo diesel.

Sem a energia importada, o custo para fornecimento elétrico estado é de R$ 8 bilhões por ano, conta que é dividida entre todos os consumidores de energia elétrica do país. E, para reverter esta situação, a solução é construção do Linhão de Tucuruí.

Por Caíque Rodrigues, g1 RR — Boa Vista

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o maestro Luiz Fernando Malheiro

O responsável pela ópera no Amazonas Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) surgiu para impulsionar a cultura na Amazônia ao promover o teatro e a música clássica na região. Em 2025, na sua 26ª edição, o Festival Amazonas de Ópera mostra que se consolidou como um dos maiores festivais de ópera da América Latina.

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Um dos responsáveis pela projeção do festival para o mundo também é o responsável por conduzir a orquestra: o maestro. De origem italiana, a palavra maestro significa “mestre” ou “professor”. 

Com mais de 40 anos de experiência com óperas pelo mundo todo, Luiz Fernando Malheiro é modesto ao se referir a si mesmo como maestro: “aqui a gente usa o termo maestro, mas no resto do mundo, ‘maestro’ quer dizer professor. Não me sinto professor”.

Malheiro recebeu título de Cidadão Amazonense pela ALEAM. Foto: Marcio James/SEC-AM

Natural de São Paulo, Malheiro é um dos mais importantes nomes do Festival Amazonas de Ópera. Residente há mais de 20 anos da cidade de Manaus (AM) – o que inclusive lhe concedeu o título de Cidadão Amazonense pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) – é diretor artístico e regente da Orquestra Amazonas Filarmônica, além de atuar na produção e execução de grandes espetáculos da música clássica.

Contudo, sua história com a música iniciou anos antes de vir parar na “Paris dos Trópicos”.

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A trajetória do maestro

Luiz Malheiro conta que seu primeiro contato com a ópera foi ainda na infância.

“Eu comecei a conhecer ópera quando eu tinha 12 anos, quando um primo do meu pai, que nem gostava de ópera me levou ao teatro para assistir uma ópera e dali pra frente eu fiquei fanático. Depois eu fui para a Europa estudar, consegui uma bolsa de estudos para Polônia, fui estudar na Academia de Música de Cracóvia”, relata.

Depois da Polônia, passou três anos na Itália e retornou ao Brasil. “Tive chances de ficar lá trabalhando, mas não adianta: Brasil é Brasil e eu não tive vontade de ficar morando fora”, acrescentou.

Estreou como Regente no Theatro Municipal de São Paulo em 1983 e, em 1993, quando retornou ao Brasil, continuou lá até 1997.

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O primeiro contato com Manaus

Em 1997, Malheiro regeu uma ópera em Sófia, na capital da Bulgária. A ópera era ‘Fosca’, de Carlos Gomes. Essa produção veio para o Brasil e, mais especificamente para o Teatro Amazonas. O ano de 1998 representou a primeira vez que o maestro regeu na capital amazonense. 

“Quando eu entrei aqui [Teatro Amazonas] fiquei completamente maravilhado e pensei “Meu Deus! Que legal seria reger aqui mais frequentemente!”. Mal sabia eu, que viria para cá anos depois e ficaria até hoje. Isso foi em 1998 e o Festival Amazonas de Ópera havia sido fundado em 97. E a Orquestra Amazonas Filarmônica também foi criada em 1997”, comenta de maneira saudosista.

Em 1992, o maestro foi convidado por Robério Braga, então secretário de cultura do estado, para ser diretor artístico do FAO. 

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Evolução do Festival

Malheiro pontua que houve uma evolução muito significativa do Festival e até a maneira como se consolidou mundo afora. Segundo ele, o FAO começou com “uma coisa um tanto quanto exótica”, mas se consolidou no calendário de eventos do estado como um dos principais eventos culturais devido a qualidade do que é produzido na região.

Regendo a ópera
Maestro e um dos responsáveis pela ópera, Luiz Fernando Malheiro. Foto: Michael Dantas/SEC AM

“Hoje, na sua 26º edição, ele é o maior festival de ópera da américa latina, é reconhecido no mundo todo como um evento super importante culturalmente pela qualidade do que é feito aqui. Nós temos a melhor orquestra de ópera do país, coral profissional e nós trazemos cantores excelentes, maestros, diretores de cena”, afirma.

O regente separa a história do Festival em dois momentos: antes e depois de 2005. Para ele, nesse ano, ocorreu o que para ele foi o momento mais marcante para a história do festival:

“O momento mais marcante até hoje foi em 2005 quando a gente fez o ciclo completo do Anel do Nibelungo de Richard Wagner, que é um ciclo de quatro óperas com mais de 16 horas de música. Poucos teatros fazem e no Brasil nunca tinha sido feito e nós fizemos aqui em 2005, atraindo público do mundo inteiro. Wagner é um compositor que desperta um certo fanatismo e tem grupos de apaixonados por Wagner no mundo todo, na Alemanha, Estados Unidos, Áustria e vários grupos desses vieram ao Brasil assistir esse ciclo. Nós fomos capa do The New York Times por causa desse ciclo. E esse ciclo do anel pra mim foi o grande divisor de águas”, relembra. A matéria pode ser lida AQUI mediante inscrição no site do jornal internacional.

Capacitação local 

Outro ponto ressaltado pelo maestro foi a capacitação, ao longo dos anos, de músicos e profissionais que “fazem o Festival acontecer”. Atualmente, cerca de 85% de quem trabalha no FAO é amazonense, tanto no aspecto artístico – músicos, cantores, diretores – quando do lado da cenotécnica, costureiras, figurino, maquiagem, visagismo e iluminação.

“Quando a Filarmônica foi criada, vieram muitos músicos do exterior, do leste europeu pra formar essa orquestra, porque o governo entendeu que precisava ter essa orquestra de nível internacional. E esse pessoal que veio, começou a dar aula imediatamente. Então, quando a orquestra foi formada, tínhamos apenas dois músicos amazonenses. Hoje temos mais de 20. Jovens que começaram a estudar e que se profissionalizaram, todos fizeram universidade e aprenderam com esses músicos professores que vieram da Europa. Muitos até tocam em outras orquestras pelo Brasil e mundo afora”, pontua.

O Festival Amazonas de Ópera, em 2019, começou com ‘Ernani’, de Verdi, com a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica. Foto: Michael Dantas/SEC AM

Segundo ele, em 2025 foi o primeiro ano que não houve a necessidade de trazer cenotécnicos: “Estamos usando a turma do Jander Lobato, que é quem ‘faz’ Parintins, o carnaval, que constrói aqueles maravilhosos carros alegóricos”.

Relação com Parintins

Para ele, o Festival Amazonas de Ópera e o Festival de Parintins são dois eixos culturais de extrema importância para o Brasil, de maneiras diferentes. O Boi-bumbá, para ele, representa a figura do folclore; e a ópera, a música erudita. Malheiro afirma com convicção que esses dois eventos projetaram o Amazonas internacionalmente de maneira positiva.

Ele acrescenta que isso também ocasiona em uma promoção do turismo, pelo fato das pessoas buscarem conhecer o estado também com outros interesses: por passeios, pela culinária, pela natureza. E conclui: “não há outro lugar melhor para reger que o Amazonas”.

“Eu continuo regendo em outros teatros, não só no mundo, mas no Brasil, como Rio e São Paulo. E eu digo com a maior clareza: jamais teríamos feito o que fizemos aqui em qualquer outro teatro brasileiro. Os funcionários do teatro, os técnicos, os maquinistas, os cenógrafos, o pessoal que trabalha na CTP [Central Técnica de Produção], todos vestem a camisa do festival, não tem hora, não tem sindicato, todo mundo se entrega, veste a camisa e trabalha com amor. É fácil você andar pelos bastidores e ver o pessoal cantarolando os temas da ópera e isso é muito diferente do que acontece nos outros teatros brasileiros. Essa energia que vem da natureza, eu acredito, essa energia do amazonense é muito importante e continua sendo um diferencial para o Festival ter se tornado o que se tornou”, finalizou.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

PIM: drama da absorção de mão-de-obra técnica local

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Imagem: Thomas1311 via Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Discutindo a questão da absorção de engenheiros e outros profissionais pelo PIM durante reunião da Câmara da Indústria, no CIEAM, levantei a questão do aproveitamento da mão de obra técnica formada pela Universidade e ICTs. Esboça-se, penso eu, grave contradição do discurso oficial, da própria universidade e das entidades de classe acerca da necessidade de mais investimentos na formação de mão de obra de alta qualificação com vistas ao suprimento da demanda de nosso parque fabril. A Universidade, em tese, produz esses profissionais, que, entretanto, não conseguem emprego, ou quando são chamados para uma entrevista esbarram na exigência de pelo menos três anos de experiência. Ora, como o jovem que saiu da Universidade, e se encontra em processo de formação complementar por meio de estágios pode atender a esse pré-requisito?

De acordo com análise do economista Gustavo Igrejas, secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), “nem o governo do Estado nem a Suframa têm dados concretos tabulados por não haver obrigatoriedade das empresas em informar a respeito aos órgãos gestores da política de incentivos”. De todo modo, acrescenta, “a maioria dos bons engenheiros tanto mecânicos quanto elétricos saem da faculdade já empregados”. Na Fundação Matias Machline, especializada em ensino técnico de nível médio nas áreas de robótica, mecânica e eletrônica, citou como exemplo, “90% dos alunos da Fundação, muito bem formados, já saem empregados”.

Ocorre, segundo Igrejas, que grande parte dos técnicos formados pelas universidades não têm plena noção de suas áreas. Portanto, “engenheiros eletrônicos egressos da faculdade sem conhecer os fundamentos de uma placa de circuito impresso multicamadas, cinco camadas, o que é um sistema SMD, um flyback, um radial, um canhões de elétrons, estes, de fato, estão fora do mercado”. Entretanto, ao que afirma “os que concluem o curso com nível razoável de qualificação têm praticamente seus empregos garantidos. Alguns, não conseguem, exatamente por falta de qualificação”. Uma questão bastante controversa, admite, a ser avaliada pela universidade de forma consistente e ajustada ao chão de fábrica.

Segundo o professor aposentado de engenharia da UFAM, Vladimir Paixão e Silva, “uma boa política seria a de que as empresas contratantes investissem também na formação dessa mão de obra, como ocorria nos velhos tempos da Petrobras e Eletrobras”. Além disso, “as universidades deveriam fazer uma pesquisa de mercado para saber qual o tipo de profissional que está sendo demandado e ter flexibilidade para adequar sua grade curricular, de formas a atender a essas necessidades. É uma utopia pensar que só a Universidade pode resolver essa questão”, afirmou.

Para o engenheiro Roberto Garcia, “nossa garotada deveria ser formada pela academia, desde o início, em empreendedorismo e só entrar na faculdade com um diploma de técnico em alguma área com a qual demonstra afinidade e atratividade de mercado. A partir de uma boa base técnica, o passo seguinte seria aprofundar estes conhecimentos e buscar ofertas de estágio buscando implementar e vivenciar estes ensinamentos na realidade empresarial. Uma solução ganha-ganha, empresas e novos talentos sendo preparados para o mercado. Infelizmente nossos formandos saem da faculdade sem estas competências”.

De acordo com o presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Lúcio Flávio Oliveira, a entidade está profundamente envolvida com a questão. Tanto que vem firmando parcerias efetivamente comprometidas com a aproximação e integração da academia à indústria visando a alocação da mão de obra técnica produzida em Manaus. Nesse sentido, promoveu reunião conjunta no Auditório da Suframa quando foram apresentadas as necessidades de engenheiros e técnicos qualificados do PIM e discutidas não só a formação, mas, e sobretudo, a qualificação desses profissionais”.

A questão está aberta.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n°2: Francisco Públio Ribeiro Bittencourt, fundador e 1° Venerável Mestre

Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.°2: Francisco Públio Ribeiro Bittencourt, fundador e 1.° Venerável Mestre

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Francisco Públio Ribeiro Bittencourt nasceu na cidade de Belém do Pará, em 12 de fevereiro de 1848. Muito criança ainda, veio para Manaus, no Amazonas, na companhia do seu genitor José Ferreira Ribeiro Bittencourt – o qual era maçom – e, como Oficial do Exército, assinou o auto de instalação da Província do Amazonas. Adquiriu uma boa cultura, dedicando-se ao magistério, política, jornalismo e serviço público.

Foi Secretário dos Negócios do Interior, no regime provincial, preocupando-se seriamente com o problema da instrução pública.

Afeiçoou-se muito ao ensino, adquirindo a necessária experiência para avaliar o alcance do desenvolvimento intelectual.

Por isso mesmo, podia afirmar com a sua notável autoridade:

A escola é qual fecho luminoso, radiante acesso no meio das trevas para iluminar a inteligência embrionária da criança, aclarando-lhe o caminho que conduz ao conhecimento das faculdades da alma: é o início do aperfeiçoamento da espécie que conduz a criatura ao vasto acertamento da ciência; daí o incomparável progresso dos países manifestado em todos os ramos da atividade humana.

O derramamento da instrução no espírito das camadas populares que se levantaram constitui o mais alevantado de quantos benefícios e serviços os governos prodigalizam aos governados e traduz a soma de patriotismo que anima aos primeiros.

Abrir escolas importa em fechar as portas do crime, do vício da superstição do fanatismo e de tantos outros adversários do adiantamento moral da sociedade.

O homem instruído, salvo aberrações isoladas é um ente útil a comunhão nacional, ao contrário do selvagem: aquele compenetra-se dos seus deveres cívicos e sociais: compreende e aceita, sem relutância, os encargos que o país impõe aos bons cidadãos; auxilia e encaminha o governo, na administração, prestando assim assinalado serviço ao estado. Este, desconhecendo por completo a razão e o fim de sua existência, vive materialmente na mais densa treva da ignorância.

Ao passo que o primeiro conhece suas prerrogativas, como cidadão de um país livre e bem construído, conhece que deve cooperar para o progresso moral, material e intelectual do estado, disseminando a instrução, elevando, pelo aperfeiçoamento, o valor das artes, das indústrias, etc.; o segundo, que a máquina automática, não passa de inconsciente e perigoso instrumento nas mãos de perversos e ambiciosos: são verdadeiros inimigos do sossego público, das instituições nacionais e o flagelo dos governos.

O homem instruído encontra o desforço da injustiça na Lei, esse apanágio sublime dos povos constituídos em nação: o ignorante desconhecendo tal meio de reparação, só encontra o desforço pessoal no crime.

É enorme a diferença entre a criatura que sabe aproveitar a inteligência, o raciocínio, esse dom com que o bondoso Nazareno distinguiu a criatura do irracional e do rústico, cuja vida é toda material.

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

Em 1888, era designado para exercer o cargo de Provedor da Santa Casa de Misericórdia.

Em 20 de julho de 1900, numa circular com o timbre da Secretaria de Negócios do Interior, já no regime republicano, convidava a Maçonaria Amazonense para assistir a solenidade de posse do Governador e Vice-Governador do Estado, para o quatriênio de 1900 a 1904, Coronel Silvério José Nery e Monsenhor Francisco Benedito da Fonseca Coutinho, cujo ato terá lograr no dia 23 do corrente mês, a uma hora da tarde, no Paço do Congresso dos Senhores Representantes do estado.

Iniciou-se na Loja Esperança e Porvir, em 21 de julho de 1873.

Foto: Paulo Pereira/Acervo pessoal

No dia 4 de março de 1877, participou da fundação da Loja Amazonas, sendo eleito seu primeiro Venerável Mestre, havendo exercido esse em diversos períodos de administração maçônica. Também tomou parte na fundação da Loja Conciliação Amazonense, a 30 de novembro de 1894; e na Loja Rio Negro, a 5 de novembro de 1896, dessa Oficina recebendo o título de Remido.

Possuía o título de Membro Honorário da Soberana Assembleia Geral do Grande Oriente do Brasil e fora Membro Instalador do Consistório de Sublimes Príncipes de Real Sagrado do Amazonas, a 1° de setembro de 1900.

Era o Venerável da Loja Amazonas, quando essa oficina se regularizou com bastante solenidade, a 29 de julho de 1877, por intermédio de uma ilustre comissão integrada pelos Maçons Padre Eutíquio Pereira da Rocha, Padre Torquato Antônio de Souza, Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães, Bernardo José de Bessa e Silvério José Nery.

Ao assumir a Venerança, ainda da Loja Amazonas, a 28 de março de 1881, em breve discurso cheio de erudição e verdade, produziu belos corolários sobre os fins gerais da Maçonaria e demonstrou o quanto podem a vontade e esforços reunidos, valioso auxílio que esperava ter dos Obreiros ativos da Oficina a fim de dotá-la com uma estabilidade segura e desenvolver seus meios, vencendo os obstáculos que se têm anteposto a sua prosperidade, manifestando-se profundamente agradecido à Oficina pela sua eleição ao posto de Venerável, honrosa confiança a que estava a corresponder.

Recebeu, nessa sua gestão a 21 de julho de 1882, uma comunicação do muito poderoso Irmão Conselheiro Dr. Saldanha Marinho, dando conhecimento à Oficina de que tinha resignado o Grão-mestrado da Ordem, os motivos que a isso o conduziram, a forma circunstanciada porque efetuou essa resignação agradecendo finalmente a esta Loja a confiança que nele sempre depositou.

Quando, nesse mesmo ano, entregou o primeiro Malhete ao seu sucessor, o irmão Jônatas de Freitas Pedrosa, pode, sob os mais vivos aplausos, prestar contas de sua gestão e agradecer o apoio que seus irmãos sempre lhe dispensaram.

Ao retornar à Venerança, em 1884, presidiu a sessão magna extraordinária, realizada em 29 de março, que tinha o objetivo humanitário de solenizar a entrega de cartas de alforria a escravos residentes na Província do Amazonas.

A festa fora abrilhantada pela presença do maçom Theodoreto Carlos de Faria Souto, então Presidente da Província, que via naquelas cartas o contentamento e a liberdade dos beneficiados, não parando aí a luta a favor da abolição, pois a Loja Amazonas, sob o Comandamento do irmão Francisco Públio Ribeiro Bittencourt desencadearia uma inolvidável campanha, que somente terminaria com a extinção da escravatura, a 10 de julho de 1884.

Foi Venerável da Loja Rio Negro, no princípio deste século, sempre presente aos encargos que lhe eram atribuídos, assistindo ou presidindo aos trabalhos maçônicos com a serenidade dos grandes construtores sociais.

A 19 de dezembro de 1913, discutia matéria em pauta na Assembleia Geral do Grande Oriente Estadual do Amazonas, representando, nesse Alto Corpo, a Loja Arkbal, no período de 1913 a 1914.

Pertenceu a Associação Beneficente do Asilo de Mendicidade de Manaus.

Como cidadão, foi o homem que nunca se desviou do caminho do dever, palmilhando-o estritamente com a devoção dos sacerdotes do bem, que marcham serenos, indiferentes ao turbilhão dos egoísmos, alheios ao tumultuar das terrenas paixões.

Um outro registro encomiástico define muito bem a sua existência: No seu passado está a verdadeira epopeia de sua legenda de honestidade: ele honra e enaltece qualquer homem público. Não se encontra em todo o seu percurso uma falha imperceptível que de leve o desdobre, um declive sinuoso e vago que não seja em linha reta de integridade cívica condizendo perfeitamente com as suas abnegações patrióticas.

Como Obreiro da Arte Real, começou muito cedo a peregrinar pelos salutares caminhos da grandeza espiritual, dando à Ordem Maçônica, durante toda a sua existência, os mais belos e ouros exemplos de comportamento fraternal.

Faleceu em 5 de abril de 1921.

Fonte: VALLE, Rodolpho. Efeméride Maçônica. Impressa Oficial. Manaus, 1975.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré vai voltar a andar? Veja o que se sabe

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Trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) em Porto Velho — Foto: Leandro Morais

O tradicional trem locomotiva 18, da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Porto Velho (RO), está prestes a ganhar vida novamente. Segundo a Prefeitura da capital, o plano é que ela volte a circular dentro do pátio da ferrovia ainda neste ano.

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A reativação da máquina faz parte de um projeto da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que iniciou uma nova fase de vistoria técnica no local. O engenheiro mecânico Marlon Ilg, que também é presidente da ABPF, a locomotiva passará por ajustes para funcionar com segurança, ainda sem levar passageiros.

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Trem da Estrada de Ferro Madeira
Trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Yann Gustavo/Prefeitura de Porto Velho

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“A locomotiva vai ser restaurada apenas para ela poder andar no pátio sem passageiro, não é um teste mas é uma demonstração. Ela precisa passar por uma adequação de sistema de freio e outras coisas para que ela se torne segura para operar com passageiros”, explicou.

De acordo com Marlon Ilg, a locomotiva 18 está em “estado razoável”, mas precisa de reparos importantes, especialmente na caldeira, que é a parte que gera o vapor responsável pelo funcionamento da máquina, parecida com uma panela de pressão gigante.

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Trem da Estrada de Ferro Madeira
Pátio da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em 1910 — Foto: Luiz Brito/Divulgação

“A gente vai restaurar a caldeira e vai fazer ela poder andar para frente e para trás apenas a locomotiva sem vagões. A parte mecânica será de forma parcial apenas para poder já demonstrar o funcionamento dela com segurança, mas não terá segurança ainda operacional para puxar vagões”, disse.

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A circulação completa vai demorar?

Segundo Marlon, enquanto a locomotiva 18 será restaurada para operar de forma limitada, a locomotiva 50 será enviada para uma oficina especializada em Santa Catarina. O objetivo é que ela seja totalmente recuperada e volte a puxar vagões com passageiros pelos trilhos históricos da ferrovia.

Esse plano, no entanto, depende de várias autorizações, como licença ambiental e liberação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que o trecho até Santo Antônio também precisará ser restaurado.

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Trem da Estrada de Ferro Madeira
Trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho

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O retorno da locomotiva é visto como uma forma de valorizar o patrimônio histórico da capital e também como uma aposta no turismo cultural, um setor que pode ganhar fôlego com o charme das antigas ferrovias.

Trilhos da EFMM

Os trilhos da EFMM tinham mais de 360 km de extensão e ligavam os portos de Santo Antônio do rio Madeira, em Porto Velho, ao de Guajará-Mirim, no rio Mamoré, na fronteira com a Bolívia. Eles praticamente não existem mais.

Trem da Estrada de Ferro Madeira
Complexo da EFMM em Porto Velho — Foto: Arte g1

Após ser inaugurada, em 1912, a EFMM deu lucro por somente dois anos. Depois disso, ela entrou em declínio devido à queda vertiginosa da participação brasileira no mercado da borracha. Isso porque a borracha asiática entrou na concorrência e afetou consideravelmente a exportação brasileira.

Após 54 anos de funcionamento, a estrada de ferro foi completamente desativada e o escoamento da produção passou a ser feito por uma rodovia, a BR-364 (os trilhos e a rodovia ficam em trechos distintos).

Segundo o historiado Célio Leandro, após a desativação da EFMM na década de 1970, cerca de nove locomotivas foram deixadas nos trilhos que ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, próximo do atual cemitério da Candelária. O local é conhecido como “Cemitério das Locomotivas”.

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Trem da Estrada de Ferro Madeira
Trem da locomotiva abandonada em Porto Velho — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

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Desde 2006, o complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é protegido como Patrimônio Cultural Brasileiro por meio do seu tombamento pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Ali pessoas morreram, pessoas trabalharam, pessoas constituíram o que somos hoje. A sociedade portovelhense é um reflexo de tudo aquilo ali. Hoje, Porto Velho é uma cidade muito heterogênea, há uma mistura muito grande que nos cerca. A origem do que somos está ali naquele complexo”, aponta Célio.

A história da construção da EFMM se tornou enredo para a minissérie “Mad Maria” produzida e exibida pela Rede Globo, baseada no romance homônimo do escritor e cientista social amazonense Márcio Souza.

A minissérie mostrou o cotidiano dramático dos homens que trabalharam duro para finalizar a ferrovia, contrastando-o com o glamour e a efervescência da vida dos políticos e empresários da capital, como o americano Percival Farquhar.

Por Amanda Oliveira, g1 RO

26° FAO e Ópera em Rede: confira um resumo das ações de 2025

Em 2025, o Teatro Amazonas mergulhou no universo da música lírica na 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera – FAO. E a segunda edição do projeto Ópera em Rede, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), buscou democratizar o acesso a música e gerar visibilidade para a cultura amazônica.

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Com uma proposta ousada e inclusiva, o projeto levou apresentações e ações educativas a estudantes da rede pública e comunidades de Manaus, aproximando o universo da ópera a um novo público.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

As bodas de Fígaro: ópera de Mozart proporciona encontros e descobertas no Amazonas

A ópera ‘As bodas de Fígaro’, criada por Mozart em 1786, encerra a programação do 26° Festival Amazonas de Ópera. A apresentação reuniu diversos públicos: dos que nunca tiveram contato com esse tipo de música aos apaixonados pelo universo lírico.

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A história

Criada com libreto de Lorenzo da Ponte, a obra se baseia na peça de teatro de mesmo nome de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais. Estreou em Viena, na Itália, mas se ambienta em Sevilha, na Espanha. A obra gira em torno do casamento entre os criados Fígaro e Susanna, que enfrentam diversos obstáculos impostos por seu patrão, o Conde Almaviva.

No primeiro ato, Fígaro descobre que o Conde está tentando seduzir Susanna, reavivando o antigo “direito do senhor” de dormir com a criada antes do casamento. Paralelamente, Marcellina tenta obrigar Fígaro a se casar com ela com base em uma dívida não paga, e Cherubino, o pajem, é enviado ao exército após ser flagrado com a filha do jardineiro.

ópera as bodas de fígaro
Ópera as bodas de fígaro. Foto: Divulgação

No segundo ato, a Condessa, triste com a infidelidade do marido, se une a Fígaro e Susanna para desmascarar o Conde. O plano envolve enganar o Conde com um encontro fingido com Susanna, usando Cherubino disfarçado. A farsa é interrompida e o Conde confronta a esposa. No meio da confusão, Marcellina reaparece com o contrato que obriga Fígaro a casar-se com ela, colocando em risco sua união com Susanna.

No terceiro ato, a Condessa e Susanna elaboram um novo plano: trocarão de roupas para enganar o Conde em um encontro noturno. Susanna entrega a carta com instruções ao Conde e, durante uma audiência sobre o contrato de Marcellina, é revelado que Fígaro é filho dela com Bartolo. O impasse se desfaz com a reunião familiar e os preparativos para um casamento duplo.

O quarto ato se passa no jardim, onde ocorrem os encontros planejados. Fígaro, sem saber do disfarce, acredita que Susanna o trai e prepara uma vingança. A confusão se intensifica com os disfarces e mal-entendidos, até que tudo é esclarecido com a revelação da verdadeira identidade da Condessa. O Conde, ao perceber que foi enganado, pede perdão à esposa, encerrando a ópera com reconciliação e a celebração dos casamentos.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Ópera é inspiração para formação de novos artistas no Amazonas

Um festival de ópera precisa da força dos cantores e músicos para transformar a música em uma ferramenta poderosa de transformação. O FAO é um desses projetos musicais que revelam histórias inspiradoras e admiráveis.

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem 21% em 2024, aponta Ministério da Saúde

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Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem em 2024. Foto: divulgação

O número de mortes de indígenas na Terra Indígena Yanomami caiu 21% em 2024 na comparação com o ano de 2023, quando o governo federal reconheceu a crise sanitária no território. A região registrou 337 óbitos de janeiro a dezembro do ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde (MS).

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Em 2023, o número de mortes era de 428 — ou seja, 91 mortes a mais. Os dados são novo boletim do Centro de Operações de Emergências (COE) Yanomami, publicado no dia 5 de maio. A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, onde está a maior parte. Cerca de 32 mil indígenas vivem na região, em 392 comunidades.

Leia também: Mais da metade das crianças em 2 municípios na Terra Yanomami não tem registro de nascimento, aponta o Censo

Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem
Construção do Hospital em Surucucu, na Terra Yanomami — Foto: Oséias Martins/Rede Amazônica

Leia também: Garimpo ilegal provoca aumento nos casos de malária na Amazônia em quatro anos, afirma estudo

Contexto: o território está em emergência de saúde pública desde janeiro de 2023. Nos anos anteriores, os indígenas da região enfrentaram graves casos de desnutrição e malária devido ao avanço do garimpo ilegal. Essa atividade impacta diretamente a vida dos indígenas, causando desmatamento, contaminação dos rios pelo uso de mercúrio e danos à caça e pesca.

De acordo com o boletim, a principal causa dos óbitos no ano passado foram por agressões: 79. Ela é seguida por “outras causas”, com 60 óbitos, e infecções respiratórias agudas, que causaram 47 mortes.

Apesar de ser a terceira maior causa de mortes, a infecção respiratória aguda (IRA) foi uma das causas com maior redução em 2024, passando de 89 óbitos em 2023 para 47 no ano passado. O número representa uma queda de 47%.

Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem

Os óbitos relacionados a malária e desnutrição também tiveram redução de 42% e 20%, respectivamente. Durante todo o ano de 2023, foram registrados 26 óbitos por malária, número que caiu para 15 em 2024.

Já no caso da desnutrição, em números absolutos, a diminuição foi de 44 óbitos em 2023 para 15 mortes no ano passado.

Segundo o Ministério da Saúde, “com o restabelecimento da assistência em saúde, foi possível reduzir os vazios assistenciais, ampliar ações preventivas e obter dados mais fidedignos sobre a situação epidemiológica local”.

Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem
Terra Indígena Yanomami. Foto: Lohana Chaves

“Tais esforços resultaram na queda significativa dos óbitos pelas principais causas relacionadas às condições de vulnerabilidade dessa população”, ressaltou no documento.

Leia também: Estudo aponta que invasão do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami cresceu mais de 20 mil vezes em 37 anos

Redução de óbitos evitáveis

O documento também mostra uma redução de 26% do número de óbitos evitáveis. Em 2023, a Terra Indígena Yanomami registrou 179 mortes classificadas desta forma. Já em 2024 foram 132, são 47 casos a menos.

O Ministério da Saúde considera como evitáveis as mortes que poderiam ser prevenidas por ações eficazes, como a promoção, prevenção, diagnóstico precoce ou tratamento oportuno, incluindo causas que podem ser reduzidas por imunização, atenção adequada à gestação, parto e puerpério, controle de doenças infecciosas e condições sensíveis à atenção primária no território.

Os dados do COE Yanomami não eram atualizados desde agosto de 2024, quando os números apontaram que 74 indígenas morreram só no primeiro trimestre do ano. À época, houve um apagão de dados.

Em fevereiro de 2025, o número de profissionais na Terra Indígena Yanomami quase triplicou em dois anos de emergência. Agora, o território conta com 1.781 servidores, 158% a mais que os 690 profissionais que tinham em janeiro de 2023, quando a emergência de saúde foi decretada.

Um Centro de Referência de Surucucu, região referência em saúde no território, deve ser inaugurado em setembro deste ano. A unidade vai ser o primeiro hospital de atenção especializada em território indígena do Brasil. A previsão inicial de entrega era para o mês de agosto.

Terra Yanomami

Mortes de indígenas na Terra Yanomami caem
Dois anos do decreto de emergência na Terra Yanomami. — Foto: Arte g1

Com 9,6 milhões de hectares, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial. Localizado no Amazonas e em Roraima, o território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades. O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

O território stá em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, a partir da posse de Lula (PT), começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas. Além de enviar forças de segurança a região para frear a atuação de garimpeiros.

Por Redação g1 RR — Boa Vista

Produtores de Roraima podem voltar a comercializar frutas após nova portaria do Ministério da Agricultura; entenda

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Cristóvão Rodrigues da Silva, 59 anos, um dos produtores de manga de Roraima — Foto: Lucas Willame/Rede Amazônica

Depois de anos de prejuízo por causa da mosca-da-carambola, produtores rurais de Roraima voltam a ter esperança com a flexibilização das regras para comercialização de frutas. A nova portaria do Ministério da Agricultura permite que áreas livres da praga possam exportar, desde que sigam uma série de exigências sanitárias.

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“A esperança que nós temos, agora, chegou. Agora a gente pode exportar nossa produção e de repente abrir [mercado] até pra Guiana Inglesa, vai melhorar muito para os produtores”

O relato acima é do fruticultor, Cristóvão Rodrigues da Silva, de 59 anos, mas o sobrenome dele também poderia ter persistência. Foi o que manteve ele na produção de manga, durante 15 anos de prejuízo por causa das restrições comerciais, provocadas pela praga mosca-da-carambola, em Roraima.

O primeiro “pé de manga” ele cultivou em 2010, no ano em que o inseto foi identificado pela primeira no estado. Era o começo das perdas que o produtor enfrentaria na plantação de 20 hectares, na região do Monte Cristo, zona rural de Boa Vista

A mosca ataca mais de 100 espécies de frutas. Durante a reprodução, a fêmea se alimenta e coloca ovos na polpa, os frutos não conseguem se desenvolver e caem precocemente.

Se há presença da mosca, o Ministério da Agricultura, define regiões de quarentena: locais de onde o transporte e comercialização para outros estados e países fica proibido. Em abril de 2023, Roraima inteiro foi declarado como área sob quarentena.

A determinação afetou todos os produtores. Mesmo aqueles de regiões sem a presença do inseto, ficaram proibidos de comercializar, inclusive Cristóvão. Ele afirma que a praga nunca foi encontrada na plantação, no entanto, somente em 2024, perdeu cerca de 30 toneladas de manga, metade da produção, que já vinha caindo, anos após ano.

Leia também: Roraima é declarada área de quarentena para mosca da carambola

A mosca-da-carambola ataca mais de 30 espécies. Foto: divulgação

“Eu trabalho aqui há 20 anos aqui, nunca tive mosca-da-carambola” afirma Cristóvão Rodrigues da Silva.

Em todo estado, segundo a Agência de Defesa Agropecuária (Aderr), pelo menos 90 produtores foram afetados, entre 2017 e 2025. Somando laranja e limão e por exemplo, as perdas são de mais de R$ 230 mil reais.

Leia também: Adaf reforça ações preventivas contra a mosca-da-carambola

O que muda com a nova portaria?

A esperança agora, de acordo com os produtores, é voltar a ter lucro com a flexibilização das regras, determinadas pela portaria do Mapa. O documento estabelece medidas a serem adotadas pelos órgãos de fiscalização, e também produtores rurais, para vigilância, contenção, supressão e erradicação da praga quarentenária Bactrocera carambolae, conhecida como mosca-da-carambola.

A comercialização dos frutos não foi liberada de forma irrestrita. Os fruticultores de áreas livres da praga, precisam seguir normas de segurança para produzir, transportar e comercializar os frutos.

Leia também: Pará avança rumo à erradicação da mosca-da-carambola

Produtores de Roraima podem voltar a comercializar frutas
Ilson Ferreira, 42, produtor na zona rural de Rorainópolis, sul de Roraima. — Foto: Lucas Willame/Rede Amazônica

As medidas incluem ações como levantamentos fitossanitários de detecção, delimitação e monitoramento dos insetos, coleta e destruição de frutos de hospedeiros, lacre das cargas de produtos enviados para outros estados, também a presença obrigatória de responsável técnico em cada região, para acompanhar processos como pré e pós-colheita.

A liberação para vender os frutos deve impulsionar o crescimento da fruticultura. A projeção da Aderr, com nova portaria, é que o número de produtores registrados aumente 40%, e ultrapasse os 150.

Para Cristóvão é tempo de retomada e otimismo. Ele fala de novos horizontes e que vai voltar a investir pesado em manejo e maquinário para produção de mangas.

Leia também: Aplicativo ajuda produtores rurais a gerenciar propriedades em Roraima

Mas nem todos estão otimistas

Armadilha para mosca-da-carambola — Foto: Lucas Willame/Rede Amazônica

“Por enquanto, a portaria não é boa pra gente que é pequeno produtor”.

A reclamação é de Ilson Ferreira, de 42 anos, produtor na zona Rural de Rorainópolis, sul de Roraima. Ele afirma que não vai conseguir vender a goiaba e o mamão que produz, mesmo com a liberação.

Como a produção é pequena, em média 20 caixas a cada três dias, lacrar a carga para transportar os frutos para Manaus, no Amazonas, sairá muito caro para o produtor. Além disso, há pouca disponibilidade de caminhões para frete de tão pouca carga.

O agricultor acredita que, por enquanto, vai continuar no prejuízo.