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‘Surpresa muito grande’, diz filho de Sacaca após anúncio do enredo da Mangueira para o carnaval 2026

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José Raimundo da Silva Costa, filho de Sacaca de 67 anos e conhecido como ‘Dô Sacaca’. Foto: Divulgação/Raimundo Costa

O Amapá vai ser representando no carnaval de 2026 do Rio de Janeiro pela Estação Primeira de Mangueira por meio da história de Raimundo dos Santos Souza, o ‘Mestre Sacaca’. A família do curandeiro, conhecido como ‘doutor da floresta’, disse que foi pega de surpresa com a homenagem.

A escola de samba carioca apresentou o novo enredo: “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”.

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José Raimundo da Silva Costa, filho de Sacaca de 67 anos e conhecido como ‘Dô Sacaca’, disse que não esperava pela homenagem e não suspeitou que aconteceria. Raimundo e a família receberam a notícia através de uma ligação de vídeo de um representante da Mangueira.

Leia também: Mestre Sacaca, do Amapá, vai ser enredo da Mangueira no Carnaval de 2026

Sacaca e a família — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

“O povo carnavalesco da Mangueira veio aqui, mas a gente conversou com eles durante um bom tempo sem saber o que, na verdade, seria. Eles estavam informando que era algo sobre a COP30. Então, atendi muito bem e depois fiquei sabendo que era o pessoal da Mangueira que estava aqui para fazer essa ponte para levar o nome do estado para apresentar para o mundo, na escola de samba que na minha opinião é a maior de todas”, disse Dô Sacaca.

O filho de Sacaca contou ainda que a família estava reunida no momento em que receberam a notícia. A reação foi de felicidade e gratidão, por ter a história da família contada em grande escala.

“Estava reunido com a minha irmã, com meu filho e minha mãe. Foi uma surpresa muito grande […] isso é muito bom para a família e para o estado. É muito importante porque a partir disso a história vai passar a ter um novo olhar. É o mundo todo que fica de olho no carnaval do Rio de Janeiro, então o mundo todo vai ter conhecimento dessa história”, contou.

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Em memória de Sacaca

Raimundo dos Santos Souza, conhecido como ‘Mestre Sacaca’ completaria 100 anos em 2026. O filho, também Raimundo, contou que o pai faleceu há cerca de 30 anos, e que a visibilidade da história mantém a importância de manter a memória de Sacaca viva nas próximas gerações.

Raimundo Costa, filho de sacaca conhecido como ‘Dô Sacaca’ — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

“É muito importante para as novas gerações conhecerem quem é essa pessoa que tanto se fala e que muitos jovens não tiveram oportunidade de conhecer. Portanto, eles não têm muito conhecimento. A partir disso aí, a história dele vai ficar. Os jovens vão passar a conhecer melhor quem era o Sacaca”, disse.

Sacaca morreu em 1999 aos 73 anos e hoje dá nome ao Museu Sacaca, no Centro de Macapá. Local repleto de histórias ribeirinhas e indígenas, diferentes plantas e remédios criados com o conhecimento de Sacaca.

Leia também: Linha do tempo: Museu Sacaca reúne acervo sobre modo de vida dos povos indígenas e ribeirinhos no Amapá

Temática inédita na Mangueira

A escola contou que busca por diferentes histórias brasileiras, e desta vez conta a de Sacaca, um grande representante da Amazônia como um todo. A Mangueira destacou os conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias.

Parte da exposição ‘Céu Aberto’ no Museu Sacaca — Foto: GEA/Divulgação

“Ele dedicou a vida à defesa da floresta e das tradições, práticas e culturas afro-indígenas. Por essa razão, a Mangueira, contadora de diferentes histórias brasileiras, celebra essa figura que é uma das caras do nosso país diverso e de dimensões continentais”, disse a escola de samba.

“Estamos falando de algo inédito na historiografia da Mangueira: tratar de costumes afro-indígenas. Mesmo no Brasil, muitas vezes ainda predomina uma visão monolítica sobre a Amazônia, com muitas narrativas e personagens ainda inexplorados ou sem ter a devida atenção”, descreveu Sidnei França, carnavalesco da Mangueira.

Após a morte, Sacaca recebeu a mais alta condecoração da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. A homenagem póstuma foi concedida em 2018 à família em uma cerimônia no Rio de Janeiro.

Sacaca era conhecido como doutor da floresta — Foto: Divulgação/Raimundo Costa

Sobre a escola

A Mangueira é marcada pela ancestralidade, com batuques, cantos, com uma mistura que representa a essência do brasileiro, com nações africanas, indígenas, brancos: afro-brasileiras, além de ter uma imersão na Candomblé e na Umbanda.

Mangueira em 2025 — Foto: reprodução JN

Considerada segunda maior campeã do carnaval no Rio de Janeiro, Mangueira coleciona 20 títulos. A escola fica atrás somente do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela que possui 22 títulos.

Em 2025, Mangueira levou para a avenida, o enredo ‘À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões’, contando sobre a herança dos povos ‘Bantus’, e a influência da cultura e vivência dos cariocas.

Ao final dos desfiles no ano passado, a escola terminou em 6º lugar, última posição do grupo especial, com 269,4 pontos.

Museu de Arte Sacra de Mato Grosso preserva mais de 300 peças históricas e conta com tour virtual

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Museu de Arte Sacra de Mato Grosso. Foto: João Felipe/ Secel-MT

Museus são ambientes que protegem fragmentos da história da humanidade. Desde peças cerâmicas à livros de única publicação, no mundo todo é possível encontrar museus dedicados aos mais diversos temas. Os museus de arte sacra, com teor religioso, são um exemplo da trajetória de fé dos seres humanos. Um deles está em Mato Grosso, estado que compõe a Amazônia Legal.

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O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, fundado em 10 de março de 1980, dentro do Seminário da Conceição, “tem uma rica história preservando peças do século XVIII, remanescentes da Antiga Catedral do Senhor Bom Jesus e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário”, segundo informações do site oficial.

De acordo com informações do museu, “em meados do mesmo ano, devido uma forte chuva, parte das instalações do seminário desmoronou, danificando as peças e forçando o acervo a ser transferido para a Fundação Cultural do Mato Grosso, na praça da república. Em 1984 voltou a ocupar o espaço inicial, contudo em 1992, o museu e o seminário fecharam devido a problemas nas instalações, reabrindo somente no ano de 2008 com uma reinauguração depois de um processo de restauração do espaço”.

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Acervo 

O museu abriga elementos da arquitetura clássica, medieval, renascentista, barroca e neoclássica, com um acervo composto por mais de 300 peças entre de alfaias, pratarias, imagens, paramentos, retábulos (estrutura que fica por trás ou acima do altar) e indumentárias dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX.

A maior parte das obras tem origem nas antigas igrejas da região, como a Catedral do Senhor Bom Jesus, demolida nos anos 1960, e outras capelas históricas que passaram por processos de renovação e descarte de acervos.

Leia também: Museu de História Natural e o Museu de Arte Sacra integram programação nacional

Um dos destaques do acervo é a reconstituição do quarto de Dom Francisco de Aquino Corrêa, arcebispo de Cuiabá no início do século XX, considerado uma das figuras mais importantes da história da Igreja Católica em Mato Grosso. Seus pertences pessoais, livros, móveis e vestimentas ajudam a contar a história da influência religiosa sobre a formação cultural da capital mato-grossense.

Além disso, o museu também abriga o sino de Nossa Senhora do Despacho, a Tacheira do Sino Pascal, uma cruz trevolada, uma pintura da chegada do bom senhor do Jesus de Cuiabá, crucifixos, livros, cruzes, pinturas e muitas obras relacionadas aos ritos e celebrações da igreja. 

Atividades promovidas pelo museu

O Museu de Arte Sacra também se destaca por suas atividades educativas. Visitas guiadas, oficinas, palestras e exposições permanentes e temporárias fazem parte de sua programação, aproximando a comunidade do patrimônio histórico e incentivando o olhar crítico e sensível sobre a cultura religiosa. 

Leia também: ‘Qual é a sua cruz?’: 79 cruzes compõem exposição no Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Além disso, o site oficial do museu apresenta uma visita virtual. Confira AQUI.

Conheça algumas obras expostas

Pintura da chegada da imagem de Senhor Bom Jesus do Cuiabá

Obra pintada por Fausto Furlan, pintor e cenógrafo, nascido em 1927 em Oderzzo (Itália).

Chegada da imagem de senhor bom Jesus do Cuiabá. Foto: Reprodução/ Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Imagem de São José

A imagem pertencia à antiga Catedral do Bom Jesus de Cuiabá. Escultura é de São José, descendente da casa real de Davi, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus Cristo. Na Bíblia é apresentado como um homem justo que dedicou sua vida aos cuidados de Jesus e Maria.

Foto: Reprodução/ Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Exposição Retábulos da antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá

Quatro retábulos dos século XVIII e XIX, remanescentes da Antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, demolida em 25 de setembro de 1968.

Foto: Ricardo P. Macedo

Exposição Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II, durante seu pontificado, um dos mais longos da história católica, proferiu mais de 20 mil discursos, fez mais de 100 viagens pastorais internacionais, além de ter sido assistido por mais de 18 milhões de pessoas nas audiências gerais. 

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

Foto: Ricardo P. Macedo

Exposição Ilustre morador: Dom Francisco de Aquino Corrêa

A exposição está montada nos cômodos que foram utilizados como aposentos de Dom Aquino Corrêa, durante o período em que ele fez do Seminário Nossa Senhora da Conceição sua residência e contém mobílias, pinturas, vestuário litúrgico e objetos que pertenceram a Dom Aquino.

Foto: Ricardo P. Macedo 


Cinema na Escola: ‘Pipoca em Cena’ retorna com oficinas criativas para alunos de Manaus

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Foto: Divulgação/FRAM

Democratizar o acesso à produção audiovisual, incentivar a expressão artística e promover o protagonismo juvenil por meio do cinema. Essa é a proposta do projeto “Pipoca em Cena”, uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com patrocínio via Lei Rouanet, que realiza oficinas de curtas-metragens em escolas públicas situadas em áreas socialmente vulneráveis.

“O impacto do Pipoca é enorme. A ideia é levar educação por meio da arte. Só o fato de essas crianças e adolescentes terem a oportunidade de retratar a própria realidade e comunidade, sob a perspectiva de quem realmente vive aqui, já faz toda a diferença”, destacou Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica.

Relembre: Pipoca em Cena: projeto que ensina importância do cinema chega à 10ª edição; assista o documentário

Nesta edição, as atividades ocorrem de 19 a 23 de maio, na Escola Estadual Profª Eliana de Freitas Morais – CMPM 7, localizada no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. As oficinas são realizadas nos turnos da manhã e da tarde, com participação de alunos do ensino fundamental e médio. O encerramento será marcado pela exibição pública dos filmes produzidos, no dia 30 de maio, reunindo familiares, professores e a comunidade escolar.

“Esses jovens estão trazendo cenas, por meio da curta-metragem, com histórias reais que impactam e deixam uma mensagem para a sociedade. Então, mais do que fazer arte e cultura, eles estão cumprindo um papel social, com filmes muito criativos, de ótima qualidade, e tudo pensado por eles mesmos”, afirmou Keylla Gomes, arte-educadora.

A proposta é que os próprios alunos atuem como roteiristas, diretores e atores de suas histórias, refletindo suas vivências e realidades locais. Os curtas-metragens terão como tema central o meio ambiente.

“A Amazônia é o coração do Brasil, e nós somos conhecidos por nossas florestas. Sentir que as pessoas estão destruindo o que temos de mais importante no nosso estado é muito doloroso. Por meio do curta, eu espero conseguir mostrar tudo isso”, declarou Eloah Gomes, estudante participante.

Com um time multidisciplinar à frente da produção, o projeto é conduzido por profissionais das áreas de audiovisual, produção cultural e comunicação, proporcionando aos estudantes uma vivência completa do universo cinematográfico.

“Durante esses dias, eles irão aprender todos os processos de produção audiovisual utilizando os celulares — desde a criação da ideia, passando pela escrita do roteiro. A partir daí, seguem para a fase de produção do filme, desenvolvendo figurino e realizando as gravações. Depois, ensinaremos a edição e, por fim, o material será exibido para toda a escola”, explicou Anderson Mendes, coordenador da oficina.

Além da formação técnica, o Pipoca em Cena também está comprometido com a acessibilidade e inclusão, promovendo conteúdos comunicacionais adaptados às diferentes realidades dos participantes, reforçando o papel da cultura como ferramenta de transformação social.

Professores e alunos mudam rotina após onça ser vista próxima de escola rural no Acre: ‘não andar sozinho’

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Alunos, professores e outros servidores da Escola Rural Antônio Simplício, em Feijó, no interior do Acre, tiveram que mudar a rotina para garantir a segurança no caminho até o colégio. A comunidade escolar tem medo de encontrar novamente a onça que apareceu no dia 7 de abril no Ramal Novo Berlim, que dá acesso à instituição.

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Os servidores do colégio estão andando sempre em grupos, os alunos foram orientados pelos professores a não andarem sozinhos no ramal e os pais a deixarem os filhos na escola diariamente.

A professora Edna Ferreira, por exemplo, precisa andar cerca de 1h pelo ramal até chegar à escola. Ela está preocupada com a presença da onça. “Mas, pouquíssimo pais estão fazendo isso [deixar os filhos]. Estamos indo e vindo em grupos maiores de pessoas, só vi [a onça] através do vídeo, tenho bastante medo de chegar a encontrá-la”, disse.

Leia também: Guardiões da Onça: conheça iniciativas que protegem um dos maiores felinos do mundo no Brasil

Professores e alunos mudam rotina após onça ser vista próxima de escola rural no Acre: 'não andar sozinho'
Onça foi vista ao atravessar ponte no Ramal Novo Berlim, que dá acesso a escola rural — Foto: Reprodução

As aulas no colégio retornaram no dia 12. Após a onça ser vista na localidade, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEE-AC) chegou a dizer que estava em contato com órgãos ambientais para garantir o afastamento da onça.

Contudo, na segunda, a pasta informou que as aulas foram retomadas apenas com a recomendação de que a comunidade tenha cuidado.

A professora Edna confirmou que nenhum representante da SEE-AC esteve no colégio e não foi tomada nenhuma medida para evitar ataques do animal.

Um morador da região do Projeto de Assentamento Berlim Recreio filmou o momento em que o animal atravessou uma ponte, rumo a uma área de mata próxima à passagem e deixou a comunidade escolar preocupada. 

Leia também: Como comunidades em 11 países estão prevenindo conflitos com onças-pintadas

Onça-pintada

As chuvas mais intensas e o crescimento desenfreado das cidades têm tornado cada vez comum a presença de animais silvestres nas áreas urbanas. Especialistas em conservação afirmam que o ataque do felino a seres humanos é raríssimo.

A bióloga Marinara Lusvardi, comentou que as onças são animais que estão no topo da cadeia alimentar e por isso elas precisam de uma área de território muito grande para caçar, para criar os filhotes e para viver. 

Professores e alunos mudam rotina após onça ser vista próxima de escola rural no Acre: 'não andar sozinho'
Aulas em escola rural, em Feijó, no interior do Acre, são retomadas após onça ser avistada — Foto: Arquivo/Escola Antônio Simplício

Ela explicou que a expansão urbana, as mudanças climáticas e o desmatamento são um dos fatores que estão forçando os animais a migrarem para áreas habitadas.

“E eles perdem o espaço tanto pra viver naturalmente quanto eles perdem os recursos que eles encontram nesse espaço, então eles perdem a diversidade de fauna, diversidade de presa, a gente acaba interferindo nos corpos d’agua, eles ficam encurralados”, disse ela.

Outro fator de risco é a interferência humana, como a prática oferecer comida que é chamado de prática da ceva pode aumentar o risco de ataques, ao fazer com que animais silvestres percam o medo natural do ser humano e passem a associá-lo à oferta de alimento. Manter cães por perto ou invadir o habitat do animal, podem romper o ciclo de comportamento.

De 1950 a 2018, foram apenas 64 ataques confirmados na Amazônia brasileira, por onças pintadas. O que reforça a baixa letalidade da espécie quando o assunto é convivência com os seres humanos, em comparação com outros felinos como tigre, leopardo e leão.

De acordo com a bióloga, é importante manter a preservação de espaço do animal. “Aí vem o trabalho das estações ecológicas, das unidades de conservação, das reservas ecológicas e a gente pensar em uma maneira sustentável de conviver com a natureza com esses animais”, comentou ela.

Leia também: Como identificar a onça-pintada: diferenças com outros felinos da Amazônia

Orientações ao visitar áreas com presença de onças:

  1. Evite caminhar sozinho: trilhas em grupo são mais seguras, pois o barulho e o número de pessoas tendem a afastar os animais;
  2. Faça barulho durante a trilha: converse, cante ou bata o bastão de caminhada nas pedras. O objetivo é não surpreender a onça — o maior risco é assustá-la;
  3. Evite trilhas à noite, ao amanhecer e ao entardecer: onças são mais ativas nesses horários (crepusculares e noturnas);
  4. Não corra: se avistar uma onça, mantenha a calma. Correr pode estimular o instinto de perseguição;
  5. Mantenha contato visual e recue devagar: tenha o animal no campo de visão, mas olhe sem desafiá-lo, sem demonstrar medo, e afaste-se devagar, sem virar as costas.
  6. Jamais se aproxime de filhotes: a mãe pode estar por perto e se tornar agressiva ao tentar protegê-los.
  7. Evite levar cães: cães podem provocar as onças, que os veem como ameaça ou presa, o que pode aumentar o risco de ataque.
  8. Preste atenção a sinais de presença: pegadas frescas, fezes, arranhões em árvores ou carcaças de animais são indícios de que a onça pode estar por perto.

O programa Amazônia Animal do canal Amazon Sat, o biólogo e especialista em onças, Rogério Fonseca, explica o comportamento da espécie e quais medidas devem ser adotadas em casos de encontros com onças-pintadas.

Por Hellen Monteiro, g1 AC — Rio Branco. Colaborou Júnior Andrade, repórter da Rede Amazônica Acre.

Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer em sua residência

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Mucura, conhecida como gambá. Foto: Fernanda Felisbino/Instituto Água e Terra

A Prefeitura de Palmas (TO) alerta a população para o aumento da presença de mucuras (conhecidas também como gambás) nas áreas urbanas. Esses animais silvestres, comuns em regiões de mata, têm sido vistos com mais frequência em quintais e vias públicas, especialmente com a mudança de estação, alteração nos habitats naturais e maior procura por alimento.

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Apesar da aparência pouco familiar, o animal não representa risco à população. Quando ameaçado, costuma fugir ou se fingir de morto como mecanismo de defesa. A orientação é para que, ao avistar uma mucura, a população evite qualquer tipo de agressão.

Leia também: 4 curiosidades sobre as mucuras, os gambás da Amazônia

Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer
Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

Leia também: Conheça a ‘Mucura’; animal importante na manutenção da biodiversidade e controle de pragas

Segundo a diretora de Fauna Silvestre da Prefeitura de Palmas, Bruna Almeida, a aproximação do período reprodutivo, que começa em julho, também contribui para esse comportamento.

No entanto, ela esclarece que os animais ainda não estão em busca de parceiros, de alimento e abrigo. “Esse aumento na circulação urbana ocorre principalmente por conta da escassez de recursos em seus habitats naturais”, explica.

Saiba o que fazer quando uma mucura aparecer
Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

Bruna Almeida também orienta que, caso o animal seja encontrado dentro de estabelecimentos, o ideal é acionar a Guarda Metropolitana pelo telefone 153, para que seja feito o manejo correto e seguro.

“Também é importante evitar que animais domésticos interajam com a mucura para prevenir acidentes. E, em caso de dúvidas ou necessidade de informações, a Diretoria de Fauna Silvestre está disponível para atender à população”, ressalta.

Leia também: “Muita água, xixica”: conheça espécie de marsupial que viralizou por conta de áudio

O animal 

Erroneamente com ratos e popularmente conhecidos na Amazônia pelo nome de “Mucura”, esses animais são na verdade uma espécie de gambá. Dependendo da região do país, os gambás também são chamados de Timbú, Saruê, Micurê, Sarigué. Na natureza existem seis espécies diferentes de gambá, mamíferos pertencentes à família Didelphidae. No Brasil são encontradas quatro: Gambá-de-orelha-preta (D. aurita), Gambá-de-orelha-branca (D. albiventris), Gambá-comum (D. marsupialis) e o Gambá-amazônico (D. imperfecta).

Apesar da aparência pouco familiar, a mucura não representa risco à população. Foto: divulgação

O nome originário vem do Tupi-guarani wa–ambá, que significa “mama oca” ou “seio oco”. Isso porque são marsupiais, ou seja, possuem o marsúpio, uma espécie de bolsa onde os filhotes ficam alojados e se alimentam até o final de seu desenvolvimento. Por aqui, as mucuras costumam ser confundidas com roedores, seja pela aparência, seja por possuir hábitos noturnos. Porém o que nem todo mundo sabe é que esses animais tem um importante papel biológico. Além de agirem como espalhadores de sementes, também são controladores de pragas.

Os gambás costumam ter uma dieta variada, que também inclui ovos, frutas, lagartos e aves. Embora possuam hábitos solitários, formam casais durante o período reprodutivo. As fêmeas reproduzem cerca de três vezes ao ano, com um período de gestação curto, que leva de 12 a 13 dias. Uma fêmea gera de 10 a 20 filhotes em cada gestação, mas nem todos os filhotes chegam à bolsa (marsúpio). Devido à disputa pela amamentação somente os que se aderem às tetas conseguem sobreviver.

*Com informações da Prefeitura de Palmas

Leia também: Mucura: alimento exótico nas comunidades da Amazônia

‘Raio que o parta’? Estilo arquitetônico é parte da história do patrimônio de Belém

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Foto: Reprodução/Rede Raio que o Parta

A expressão ‘Raio que o parta‘ é do arquiteto carioca Donato de Melo Junior, que não tinha uma resposta técnica para explicar o uso de painéis de azulejos coloridos usados pelas famílias de baixa renda de Belém (PA) para embelezar as fachadas de residências nas áreas de expansão da capital paraense, por volta das décadas de 1940 e 1960. 

É um capítulo do movimento modernista na arquitetura de Belém que a prefeitura, por meio de projeto da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/Pará), está buscando popularizar.

O  ‘Raio que o parta’ tem movimento forte em Belém, incluindo um perfil (@rederaioqueoparta) nas plataformas digitais e muitos simpatizantes.

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O coletivo foi criado em 2020 pelas amigas Elis Almeida, Elisa Malcher e Gabrielle Arnour, graduadas em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA), dando início ao mapeamento e catalogação dos exemplares em Belém e no Pará. O coletivo tem página colaborativa na internet, incluindo uma cartilha e detalhes sobre a importância da preservação.

Para Gabrielle Arnour, que atualmente está no Departamento de Turismo da Semcult, o projeto da prefeitura em ampliar a divulgação do patrimônio histórico, seja da arquitetura, das artes e cultura em geral, é muito importante e joga luz num momento da história que a maioria do público desconhece a influência do modernismo nas criações da arquitetura, abandonando os modelos dos casarios clássicos portugueses e seguindo as tendências criadas pelos painéis do mestre Portinari e do arquiteto paraense Alcyr Meira.

Leia também: Conheça 7 lugares tombados como Patrimônios Históricos da Região Norte

Segundo Jorge Pina, arquiteto do Departamento de Patrimônio Histórico da Semcult, o patrimônio histórico segue o ritmo da evolução social e começou em Belém com influência portuguesa, retratado no quadro de Teodoro Braga sobre a fundação da cidade e estilos diversos como colonial, barroco, neoclássico, eclético e modernista e segue até os dias atuais com o legado da urbanização da COP30.

Foto: Reprodução/Rede Raio que o Parta

Para se obter licenciamento para obras no ambiente do patrimônio histórico é necessário procurar a sede da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, na avenida governador José Malcher, 295, bairro de Nazaré e preencher a documentação necessária.

Os procedimentos estão previstos na lei municipal na Lei nº 7.709, de 18 de maio de 1994, que dispõe a preservação e proteção do Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural do Município e estabelece as regras para o licenciamento de obras em bens tombados e no Centro Histórico de Belém, incluindo seu entorno.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o visagista Eugênio Lima

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

No teatro, cada elemento visual carrega uma função essencial para a narrativa. E quando se trata de ópera, a estética ganha camadas ainda mais profundas. O visagismo, arte de criar a imagem de um personagem por meio da maquiagem e do penteado, assume papel central nesse processo.

No Festival Amazonas de Ópera (FAO), criado em 1997, essa técnica tem se tornado protagonista, contribuindo diretamente para a imersão do público e a autenticidade das histórias encenadas.

Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o visagista Eugênio Lima
O visagista do Festival Amazonas de Ópera, Eugênio Lima. Foto: Divulgação

Em 2025, o responsável por essa arte no FAO é o amazonense Eugênio Lima, visagista que descobriu sua paixão pela caracterização após uma trajetória que já era ligada à arte e à performance.

“Minha primeira formação foi em dança. A partir daí comecei a me interessar por maquiagem, por estar inserida no processo artístico. Acabei investindo nessa área e me vi trabalhando na caracterização de personagens em espetáculos como concertos de Natal”, relembra.

Leia também: FAO 2025: Como é o processo de criação do figurino em uma ópera?

Da maquiagem à ópera

Bailarino, coreógrafo, maquiador. E visagista. O ponto de virada na carreira de Eugênio aconteceu quando ele foi convidado a assinar sua primeira ópera: ‘Dessana, Dessana’, de Márcio Souza. A partir dali, mergulhou profundamente no universo operístico. “Em 2019, assinei três óperas. Foi quando tive contato com outras áreas como figurino, direção e iluminação”, conta.

Mas afinal, o que é visagismo? Segundo Eugênio, se trata da personificação visual do personagem. “Cada personagem tem uma história, um conteúdo específico, e o visagismo agrega isso. A imagem do personagem – se é bondoso, maldoso, machucado, calvo, se tem um penteado de época – é construída em diálogo com o figurino e a direção. A partir disso, nasce a identidade visual dele”, explica.

Leia também: Galeria: Jovens e adultos se emocionam e se divertem ao assistir ópera pela primeira vez

Bastidores de grandes produções

Com anos de experiência e dezenas de produções no currículo, Eugênio coleciona histórias marcantes. Uma delas aconteceu justamente em sua estreia no FAO, quando precisou assumir a caracterização de várias óperas ao mesmo tempo.

“Eu maquiava quase todos os personagens. Na época, cada um se preparava em seu camarim, então eu circulava por todos com uma logística própria, levando os materiais, montando e desmontando a mala de maquiagem”, lembra.

O visagista do Festival Amazonas de Ópera, Eugênio Lima. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Hoje, o festival conta com um camarim exclusivo para os personagens principais, facilitando o trabalho da equipe de visagismo. Ainda assim, desafios persistem – especialmente os impostos pelo clima amazônico.

“Trabalhar na Amazônia exige pensar em maquiagens com alta durabilidade, oil-free, que resistam até o final do espetáculo”, explica Eugênio. Sua equipe prioriza o conforto dos artistas e a segurança dos produtos utilizados. “Temos que considerar alergias e preferimos produtos veganos, hipoalergênicos. A ideia é que os atores se sintam confortáveis para performar”, completa.

Visagismo é importante para a imersão na história de uma ópera. Foto: Divulgação/Julia Harlley

A busca por excelência inclui testes constantes, pesquisas de produtos e atualização contínua. “Estamos sempre estudando e fazendo cursos para trazer o melhor para a ópera”, afirma o visagista.

Leia também: Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Mais que um trabalho, uma missão

O FAO não só impulsionou a carreira de Eugênio, como também abriu caminhos para outras descobertas. Hoje, ele lidera uma equipe integrada, capaz de acompanhar todo o processo criativo e técnico de uma produção teatral.

“Descobrimos profissionais incríveis nos bastidores, que geram uma grande repercussão para o conteúdo artístico do Norte, especialmente aqui na Amazônia”, assegura.

Para ele, a ópera se tornou um campo de estudo e evolução, impulsionando-o a buscar sempre por inovação. “Mais do que me descobrir profissionalmente, a ópera me fez entender o valor de estudar cada processo, cada época, cada personagem. Não é só executar – é viver esse momento e crescer com ele, ano após ano, para oferecer sempre o melhor ao público”, conclui.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

“A magia do teatro é muito potente”, afirma cenógrafa do FAO

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Considerada um gênero artístico teatral que consiste em um drama acompanhado de música clássica, a ópera foi criada no final do século XVI e combina vários elementos como: teatro, canto e artes visuais.

E, nas artes visuais, encontra-se um aspecto essencial para a montagem de uma ópera: a cenografia. No Festival Amazonas de Ópera (FAO), considerado um dos maiores da América Latina, cerca de 60 pessoas são responsáveis pela construção cenográfica do espetáculo.

E quem assina a cenografia deste imponente evento, que já faz parte do calendário de programação cultural do Amazonas, é a cenógrafa ítalo-brasileira Giorgia Massetani. Apesar de não ser natural da região amazônica, Giorgia possui relação com a arte local há mais de uma década. 

Trajetória: do universo infantil ao lírico

Formada em Cenografia pela Accademia di Belle Arti di Firenze, na Itália, Massetani se especializou em técnicas plásticas para cenografia teatral. 

O início de sua carreira como cenógrafa foi no teatro infantil, com a companhia Vieni Tela Racconto. Ainda na Itália, trabalhou no ABC Festival.

Seus primeiros contatos com a ópera de fato ocorrem no Musicale Fiorentino, um evento musical que ocorre anualmente em Florença, na Itália; e no Festival Pucciniano de Torre del Lago, dedicado exclusivamente à obra de Giacomo Puccini.

Referências “físicas”

Para a produção de cenários para grandes festivais, como o FAO, Giorgia conta que gosta de mesclar referências de cunho acadêmico, literário e de imagens.

“Eu gosto tanto de procurar e pesquisar no digital, quanto poder ter uma proximidade com uma pesquisa mais bibliográfica, com livros físicos. Para mim, é muito importante ter a possibilidade de fazer pesquisa através de um acervo físico, não somente o digital, que é, sim, interessante, mas também poder ir numa biblioteca, pesquisar na minha própria biblioteca pessoal e poder encontrar as imagens que vão formando os cenários, faz parte do meu processo de pesquisa”, pontua Massetani.

Chegada à Amazônia 

Mas como ela chegou à Amazônia? A vinda de Giorgia para Manaus, como cenógrafa, aconteceu no ano de 2012, quando participou pela primeira vez do Festival Amazonas de Ópera. Na época, ela atuava como assistente de cenografia para o Atelier La Tintona, na Ópera ‘Lulu’.

Desde então, segue contribuindo para a realização do festival e, em 2025, assina como cenógrafa principal. Além disso, também é coordenadora da Central Técnica do Theatro São Pedro, em São Paulo (SP).

Um dos cenários montados para o espetáculo ‘As bodas de Fígaro’, na 26ª edição do FAO. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

Trabalho em conjunto

A cenografia da ópera tem o objetivo de criar um ambiente visual e simbólico da narrativa, situar o público que assiste ao espetáculo o tempo e espaço da história, aspectos como a época, localidade e cultura.

Tudo isso é montado por meio de iluminação, elementos móveis, painéis e estruturas cênicas de modo geral que conectam a música com a dramaturgia do FAO.

Giorgia ressalta a importância do trabalho em equipe e como todas as áreas responsáveis pela cenografia precisam estar em harmonia:

“São muitas [pessoas] e importantíssimas. Cada um dos profissionais tem uma função essencial no nosso processo de confecção. Ao todo, são cerca de 60 profissionais. Isso porque temos diferentes áreas que são fundamentais para a confecção do cenário e também que depois elas irão estar num processo da montagem nos dias em que haverá o espetáculo”, explica.

Detalhe do cenário de ‘As bodas de Fígaro’, na 26ª edição do FAO. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

E acrescenta, pontuando quais são os profissionais que fazem parte dessa construção. 

“São profissionais que estão desde a confecção até a ópera em si. Temos pintores, escultores, aderecistas, tapeceiros, costureiros, que não são somente costureiros da parte da área de figurino, mas na confecção de cortinas, tapeçaria dos objetos cênicos. Temos também pintores, serralheiros e marceneiros. Todos eles são pessoas que, ao longo desses 26 anos, foram sendo capacitados e geraram um profissionalismo muito potente ao Festival”, afirmou.

Os desafios de criação, técnicos e logísticos também existem. Giorgia relata que frequentemente auxilia a equipe na busca de soluções ou para desenvolver alternativas para problemas encontrados em alguma parte do processo.

“Desenvolver, criar e relacionar todos os processos é um trabalho complexo porque somos pessoas todas muito diferentes. Cada uma tem seu processo, então temos que ter muita delicadeza, paciência, para conseguir trabalhar em harmonia. Isso é um desafio muito grande, às vezes não é fácil, porque também tem o cansaço, para que esse espetáculo surja e fique bonito e funcional. Mas a magia do teatro é muito potente, então na maioria das vezes dá muito certo e o Festival acontece da melhor forma possível”, finaliza.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça a figurinista Melissa Maia

A figurinista do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Os figurinos são elementos que auxiliam na construção dos personagens e do contexto histórico da ópera, como por exemplo a época em que se passa a obra ou o status social dos personagens, promovendo uma imersão na narrativa.

Neste ano, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) apresenta ‘As bodas de Fígaro’, ópera em quatro atos composta por Mozart, que estreou em 1º de maio de 1786. A ópera-bufa (comédia) se inspira em eventos e locais de Sevilha, na Espanha, e satiriza hábitos da nobreza.

Para representar o que se vestia nessa época na ambientação da história, a responsável por assinar os figurinos do festival é a amazonense Melissa Maia, que atua há 15 anos como figurinista.

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Trajetória

“A minha história com o festival, na verdade, é muito interessante, porque eu cresci no festival. Eu assisto o festival desde 2001, então eu tinha 11 anos e hoje em dia eu trabalho já há 15 anos como figurinista”, revela.

Figurista da ópera
A figurinista do Festival de Ópera, Melissa Maia. Foto: Portal Amazônia

Melissa conta que a primeira ópera que assistiu no festival a fez descobrir que “queria realmente ser figurinista”. E foi assim, desde a infância, que construiu sua carreira, “crescendo ao mesmo tempo” com o FAO. “Para mim é um privilégio poder estar trabalhando aqui”, celebra.

Leia também: “Superou minhas expectativas”: estudante conta como foi assistir uma ópera pela primeira vez; assista

Processo de aprendizado e muito estudo

Para desenvolver os figurinos de uma ópera exige tempo, estudo e muita parceria. Melissa explica que o processo de criação começa com uma profunda pesquisa histórica e dramatúrgica: “A gente faz a decupagem da ópera, lê o libreto, estuda os personagens. Tudo isso em sintonia com o cenário e a direção”.

A ópera no geral exige um cuidado mais especial com tecidos, acabamento e até o contexto. Contudo, na montagem de ‘As bodas de Fígaro’ este ano, Melissa utilizou uma abordagem mais contemporânea, ainda que preservasse o espírito do século XVIII, época da composição original.

Festival de Ópera
Durante o Festival de Ópera. Foto: Layanna Coelho/Amazon Sat

“Nessa montagem a gente tem uma licença poética de ser uma montagem mais contemporânea. Então são roupas mais próximas do dia a dia, mas que eu brinco que a gente tem um perfume do século XVIII, que foi o ano que foi composta essa ópera”, descreve.

Isso trouxe desafios específicos, especialmente na escolha dos tecidos. “Figurino de época costuma ser quente e aqui temos que considerar o clima. Pensamos em tecidos mais leves, mas que ainda entreguem a estética necessária”.

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Nos bastidores

O glamour do palco esconde uma coreografia de bastidores igualmente impressionante. Melissa ressalta que o figurino não é obra de uma só pessoa: “Tem produtor, costureiras, camareiras, aderecistas, contrarregras… É uma grande engrenagem”.

Com oito camareiras atuando nesta produção, as trocas rápidas de roupa são cronometradas.

“A gente tem uma equipe que faz toda essa logística de troca. Obviamente temos ensaios para fazer esses testes e ver o que funciona mais. Mas, no geral, tudo depende da equipe e do momento do espetáculo. Tem o stage manager [gerente de palco] que dá o sinal e sabemos quanto tempo a troca terá: dois, cinco minutos. A gente sabe mais ou menos o tempo e faz uma coreografia nos bastidores para organizar essa montagem”, revela.

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Detalhes que fazem a diferença

Um dos diferenciais é a atenção aos detalhes técnicos. No Teatro Amazonas, um dos maiores desafios é adaptar o figurino à iluminação intensa e ao calor, segundo a estilista. Ela conta que o figurino de cena precisa ter textura, volume e camadas. “A luz exige acabamento, senão a gente perde toda a riqueza visual”, conta.

Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Mesmo com a experiência acumulada, os imprevistos fazem parte da rotina. “Perrengue sempre tem. A ópera é uma obra viva, em constante transformação. Até a pré-estreia, ajustes acontecem. Durante os ensaios, fico na plateia anotando tudo que ainda podemos melhorar”, expõe.

Para Melissa, o figurino mais marcante é sempre o mais recente. “Os figurinos do Conde e da Condessa têm um lugar especial. Me dediquei muito a eles”, revela.

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Reconhecimento

Antes de assinar como figurinista oficial do festival — o que já faz há cinco anos — Melissa trilhou um caminho longo e dedicado. Ela começou fazendo figuração, depois estágio em figurino, e hoje assina como figurinista. Por isso ela diz que foi “crescendo dentro do próprio festival”.

Seu trabalho no evento a projetou para outros palcos. Um dos pontos altos da carreira foi quando um de seus figurinos apareceu no programa ‘Fantástico’, da TV Globo. Na época, Melissa havia ganhado prêmios, mas ali teve projeção nacional. Depois disso, ela contou que teve novas oportunidades, além de reconhecimento no meio artístico.

Melissa carrega com orgulho o fato de representar sua terra em um festival de alcance internacional. “Ser daqui e conquistar esse espaço é uma realização. Mas também exige constante aperfeiçoamento, porque disputamos com profissionais do Brasil todo e de fora também”, diz.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

#Especial – Quem faz a ópera no Amazonas? Conheça o cantor Josenor Rocha

O cantor de ópera Josenor Rocha. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

Quando o Festival Amazonas de Ópera (FAO) estreou, no ano de 1997, grande parte dos músicos e dos profissionais responsáveis pela realização do evento eram de fora do Amazonas.

Com o decorrer das edições, projeção do festival para o resto do mundo e um intenso processo de capacitação profissional, através, por exemplo, do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro – uma das primeiras escolas públicas da região Norte do país – em 2025, cerca de 85% da mão de obra do Festival é local.

Uma das áreas mais essenciais na realização da ópera é, claro, a musical. E um dos pioneiros na ópera do Amazonas é o cantor de ópera e decano Josenor Rocha, que há 40 anos faz parte do Coral do Amazonas. 

Hoje, além de ser um dos membros mais antigos do Coral – por isso o termo decano – Rocha é o fundador e atual presidente da Academia Amazonense de Música.

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Paixão pelo canto lírico

Tudo começou a 523 quilômetros de distância da capital amazonense, pois Josenor é natural de Tefé. Ele conta que teve seu primeiro contato com o canto lírico na igreja da cidade, mais especificamente na Paróquia Santa Teresa.

“Quando eu ia à missa, tinha um padre, Antônio Maria Jansen, hoje já falecido, ele era holandês e cantava bastante, tinha uma voz muito bonita, era um cantor lírico. Ele foi para Tefé ainda jovem e eu tinha 6 anos de idade. Ia para a missa com minha família e ficava ouvindo as missas dele e os cânticos. Na minha mente, ainda com 6 anos, pensava, um dia vou cantar que nem esse padre. E ali surgiu minha paixão”, relembra.

Durante o festival de Ópera
Durante o Festival de Ópera. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

Em 1978, Josenor se mudou para Manaus, estudou na então Escola Técnica Federal do Amazonas (ETFAM) e foi descoberto pelo Maestro Nelson Eddy de Menezes no início dos anos 80. “Foi ele quem me convidou para cantar no Teatro Amazonas, depois fui para São Sebastião [São Paulo] e conheci o Frei Fulgêncio, que me mandou para Bolonha, na Itália, estudar canto lírico”, complementa.

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Estreia na ópera

Depois dos estudos de canto lírico na Europa, Josenor teve sua estreia em uma ópera na segunda edição do Festival Amazonas de Ópera. 

“Minha estreia mundial no Festival de Ópera foi em 1998, já no segundo festival. Minha primeira ópera foi ‘Alma’, uma ópera extremamente difícil e que depois eu repeti, no ano de 2019 cantei novamente”, conta.

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Conexão com o Festival

Outro elo com o FAO é que, em 2025, Josenor interpreta o mesmo personagem que fez há 20 anos: Antônio, o jardineiro, em ‘As bodas de Fígaro’. Ele ressalta a importância da junção do teatro com a música para dar vida a um personagem.

Durante o festival de Ópera
Durante o festival de Ópera. Foto: Layana Coelho/Amazon Sat

“É personagem que tem que ter uma expressividade e tem que ter também uma parte teatral que exige muito. E, como eu sou ator também, minha carteira é registrada como ator, isso facilita muito quando você é um cantor de ópera, porque ser cantor de ópera não é só cantar, é representar. Todo mundo aqui [de ‘As bodas de Fígaro’] fez curso de Teatro. Isso conta muito”, acrescenta.

Dificuldades no caminho

Com emoção, ele também lembra dos momentos de dificuldade e confessa: no início da carreira, pagou diversas vezes para poder cantar.

“A ópera faz parte da minha vida. A música está em mim. Eu tenho 58 anos e são mais de 40 anos que eu faço isso. Sou do coro do teatro e falar disso é difícil porque eu tive que largar muita coisa na minha vida, passei por muitas dificuldades e eu digo: hoje eu sou um cantor de ópera, sou um artista. Mas para chegar a isso eu paguei para cantar. Muitas vezes eu vinha pra cá pro teatro, minha mãe não tinha dinheiro, eu vinha caminhando lá do São Lázaro [bairro de Manaus] a pé para cantar no Teatro Amazonas”, revela.

Ele ressalta a importância da educação no processo de formação artística, com cursos nas universidades estadual e federal do Amazonas, o Liceu Cláudio Santoro e diversas outras ‘portas’ que foram abertas com o decorrer do tempo.

“O Amazonas hoje é o celeiro da ópera no Brasil, ouso dizia na América do Sul, porque o festival de ópera é conhecido mundialmente. E nós estamos, inclusive, fazendo um fórum também, eu gostaria que fosse um fórum de ópera que estamos programando, porque a gente não quer só ficar no festival de ópera, os cantores de ópera precisam também ter, não só o festival, mas criar outros meios onde eles possam também aparecer, porque você tem que aparecer, o artista tem que aparecer, tem que ser visto. Como diz aquele ditado: “quem não é visto não é lembrado””, finalizou.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.