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De Manaus: Dom Leonardo Steiner pode ser um dos possíveis substitutos do Papa; entenda

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Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: Alberto Pizzoli/AFP

O cardeal e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, está na lista do Vaticano para participar do Conclave, que é a eleição que definirá o novo pontífice. Com a morte do Papa Francisco, nesta segunda (21), o processo deve começar em até 20 dias.

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Pelas regras da Igreja Católica, apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar. Entre os oito cardeais brasileiros, sete atendem a esse critério. Confira a lista:

  • Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, 74 anos.
  • Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, 65 anos.
  • Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, 64 anos.
  • Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, 75 anos.
  • Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, 74 anos.
  • Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos.
  • João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, 77 anos.
Arcebispo de Manaus está entre os são brasileiros que vão participar do Conclave. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

O único cardeal brasileiro que não poderá participar do Conclave é Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida, de 87 anos. Ainda assim, ele será convidado a integrar o Colégio dos Cardeais, que discutirá assuntos inadiáveis da Igreja até a escolha do novo papa.

No total, segundo o Vaticano, 138 cardeais estão aptos a participar da votação.

Segundo o padre Amarildo Luciano, pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, a igreja passa a viver o período de Sé Vacante, quando o trono de São Pedro está vago.

Leia também: O Cardeal da Amazônia é nomeado pelo Papa Francisco

“Primeiramente temos aa constatação da morte, depois o governo da igreja passa a ser executado pelo cardeal Camerlengo, que atualmente é o cardeal Farrell, e é ele quem vai conduzir o funeral e convocar o próximo conclave”, explicou.

Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: divulgação

Leia também: Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

Como funciona o Conclave

A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.

Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.

Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.

As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.

Para Francisco e Cardeais: Foto/Vatican News

Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.

Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.

Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.

Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).

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Por g1 AM

Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

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Papa recebeu a carta das mãos do Cacique Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Um encontro movimentou o Vaticano no dia 16 de maio de 2024. O Cacique Raoni, umas das lideranças indígenas mais importantes do Brasil, entregou para o Papa Francisco uma carta com o pedido de ajuda no trabalho de conscientizar os políticos brasileiros sobre a importância da preservação do meio ambiente e dos povos originários.

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Na época, o líder indígena foi para a sede da igreja católica para participar do seminário “Da crise climática à resiliência climática”, promovido pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais e realizado de 14 a 17 de maio na Casina Pio IV.

Em seu discurso, o Papa sublinhou que “os dados sobre as mudanças climáticas pioram a cada ano e portanto, é urgente proteger as pessoas e a natureza”. Francisco parabenizou “as duas Academias por liderarem este esforço e produzirem um protocolo de resiliência universal. As populações mais pobres, que pouco têm a ver com as emissões poluentes, precisarão receber maior apoio e proteção”.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: quem é o Cacique Raoni?

O abraço de Francisco a Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Os pobres são os que mais sofrem com as mudanças climáticas

“A destruição do ambiente é uma ofensa a Deus, um pecado que não é apenas pessoal, mas também estrutural, que coloca seriamente em perigo todos os seres humanos, especialmente os mais vulneráveis, e ameaça desencadear um conflito entre gerações”, disse o Papa, que perguntou: “Estamos trabalhando em prol de uma cultura da vida ou de uma cultura da morte?”

Francisco recebeu em audiência o cacique brasileiro, Raoni Metuktire, no Vaticano / Foto: VaticanMedia

Estamos diante de desafios sistêmicos distintos, mas interligados: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a degradação ambiental, as desigualdades globais, a insegurança alimentar e uma ameaça à dignidade das populações envolvidas. Se não forem abordados de forma coletiva e urgente, esses problemas representam ameaças existenciais para a humanidade, para outros seres vivos e os ecossistemas.

“Mas que seja claro: são os pobres da Terra que mais sofrem, apesar de serem os que menos contribuem para o problema. As nações mais ricas, cerca de um bilhão de pessoas, produzem mais da metade dos poluentes que retêm o calor. Contrariamente, os três bilhões de pessoas mais pobres contribuem com menos de 10%, mas arcam com 75% das perdas resultantes. Os 46 países menos desenvolvidos, em sua maioria africanos, são responsáveis por apenas 1% das emissões globais de CO2. Ao invés disso, as nações do G20 são responsáveis por 80% dessas emissões”.

Saiba mais: Cacique Raoni

Cacique Raoni

Cacique Raoni, como é conhecido, talvez seja o líder indígena mais famoso do país. Nascido em 1930, no Mato Grosso, na vila Krajmopyjakare, hoje conhecida como Kapôt, ele pertence ao povo Kayapó e aprendeu português com os irmãos Villas-Bôas. Raoni conquistou fama internacional por sua luta pela preservação da Amazônia. A marca registrada é o adorno em forma de disco que usa no lábio inferior.

Cacique Raoni. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Na Internet, são comuns imagens dele ao lado de personalidades internacionais como o cantor Sting e o ex-presidente francês Jacques Chirac. O cacique também é figura comum em protestos e mobilizações indígenas em todo o Brasil, seja em pequenos municípios ou na capital federal. Seu nome já foi cotado mais de uma vez para candidato ao prêmio Nobel da Paz, mas a iniciativa ainda não se concretizou.

Uma das características culturais que chama bastante atenção quando se observa o cacique é um grande alargador em sua boca, cuja simbologia representa um guerreiro disposto a morrer pela sua tribo. O cacique também costuma usar um cocar de penas amarelas.

No site do Instituto Raoni, que reúne informações sobre sua história, descrevem: “Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988. Em 1989, conseguiu mobilizar a imprensa mundial para a cobertura do “Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu”, em Altamira (PA), contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu (que incluía a usina Kararaô, que retornaria anos depois como Usina Hidrelétrica de Belo Monte), resultando no abandono do projeto”. 

*Com informações do Vatican News

Cercado por fazendas, povo Rikbaktsa luta para manter modo de vida

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente nunca irá deixar de ser indígena”. É com essa frase que o cacique Ademir Rikbakta, da aldeia Beira Rio, da Terra Indígena (TI) Erikpatsa, fala sobre a importância da preservação da cultura do povo Rikbaktsa.

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“A gente conversa muito com a comunidade. Aprendi assim com meu pai. A gente conversa muito na língua. Temos dança tradicional e a chicha é nossa bebida. Nunca vamos deixar de fazer cultura. Hoje, estou com meu povo lutando”.

A luta da qual fala o cacique Ademir Rikbakta fica clara quando se sobrevoa a região. Os trechos de Floresta Amazônica disputam espaço com as fazendas de cultivo de soja e milho e de criação de gado. A Terra Indígena, cercada por lavoura, sente os impactos de ter cada vez menos caça e menos peixes nos rios, além de contar menos polinizadores para manter as plantas da região.

Os Rikbaktsa, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), vivem na bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, nas TI Erikpatsa, Japuíra e Escondido. São 34 aldeias distribuídas pelos territórios, e o povo tem um histórico de luta em defesa de suas terras: até 1962, os Rikbaktsa resistiram contra os seringueiros que avançavam na região para a extrair borracha. 

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na década de 1960, os jesuítas, financiados pelos seringueiros, foram os responsáveis pela chamada “pacificação” do povo. O processo levou à dificuldade do ensino da língua materna, uma vez que as crianças, em internatos, eram punidas ao falarem o próprio idioma e obrigadas a se comunicar em português. Com isso, a língua Rikbaktsa passou a ser a segunda mais falada, principalmente entre a população mais jovem. A dita pacificação também levou ao adoecimento e morte de 75% da população e à perda de território.

Hoje, a população voltou a crescer, mas as disputas fundiárias na região permanecem, de acordo com o ISA, principalmente contra madeireiros e garimpeiros.

“O que a gente tem aqui dentro da nossa comunidade é cultura. A nossa cultura é o povo”, diz o cacique Ademir Rikbakta. “É isso que a gente quer passar também para essas novas gerações, esses ensinamentos. Desde os anciãos até hoje, a gente veio aprendendo também”.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A esposa do cacique, Angélica Zokdo, também luta pela resistência da cultura. “Eu, como mãe, sempre eu falo: vocês têm que aprender a fazer. A gente, como mãe, está ensinando a essas crianças que estão vindo agora também, para, depois, eles mostrarem [a cultura], como a gente está mostrando. No dia em que a gente não estiver mais, vai ficar para eles”, diz.

Os Rikbaktsa dividem-se em clãs, sendo os principais Makwaraktsa, que significa arara amarela, e Hazobiktsa, ou arara cabeçuda, que é vermelha. Cada clã e sub grupo da etnia tem a sua pintura corporal específica, com pinturas, artesanato, dança e música.

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Avanço das lavouras

Embora a busca seja por manter os costumes, os indígenas não encontram mais no território tudo que precisam para sobreviver. Na aldeia Pé De Mutum, na TI Japuíra, o cacique Francisco Rikbaktsa chamou atenção para o avanço das lavouras.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente era grande e tinha fartura de peixe e carne de animais. Vocês estão vendo que as coisas estão diminuindo para nós. Nosso costume é comer esses alimentos tradicionais. Hoje, estamos cercados. Em volta, é lavoura, e tem a questão de contaminação da água por agrotóxico. Vocês estão vendo, estão pisando aqui dentro da nossa aldeia, dentro da área indígena. Eu falo isso para vocês, porque a gente também sofre que nem um de vocês”, discursou para os visitantes. 

Na aldeia Barranco Vermelho, na TI Erikpatsa, Lauro Ruwai Rikbakta foi um dos responsáveis pela refeição servida à reportagem, com caça e peixes. Ele contou que está cada vez mais difícil encontrar os animais.

“A gente fez o impossível. Esta aqui é anta, e este aqui é peixe”, disse, apontando para cada um dos alimentos servidos. “Aqui perto, começaram a plantar milho e soja. Então, o animal vai para o lugar mais fácil de buscar alimento para ele, em vez de estar aqui dentro do mato”.

A caça, que era encontrada com uma caminhada de um quilômetro (km), agora está a cerca de 15 km. Para encontrar alguns animais específicos, é preciso andar ainda mais, cerca de 60 km. Os alimentos colhidos também estão mais escassos. “A nossa roça [plantação] é a cidade, eu vou falar a verdade”.

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cultura na educação

Nas aldeias, o desafio é fazer com que os mais jovens se interessem pelas tradições e conheçam a cultura da qual fazem parte. Uma das estratégias é incorporar o ensino nas escolas do território. Pelo menos uma vez por semana, os estudantes têm aulas sobre práticas culturais, aprendem a língua rikbaktsa, as danças e os costumes.

O professor Givanildo Bismy, da Escola Estadual Myhyinymykyta, em Barranco Vermelho, está terminando o mestrado, no qual estuda literatura indígena. Ele busca trazer para as salas de aula esses ensinamentos.

“É transformar para que as crianças possam ter o conhecimento das histórias. Isso é uma coisa muito importante para nós. A gente já começa a fluir, já começa a ser o protagonista da nossa própria história, do próprio nosso povo. Nós, indígenas, do próprio povo, estamos escrevendo a nossa história, que não tem ninguém que escreveu assim. E a gente começou agora”, diz o professor.

Uma das dificuldades para o ensino da cultura é justamente a falta de materiais específicos. “A gente tem muito pouco esse material próprio que é do nosso povo Rikbaktsa. A gente recebe os materiais de fora, que às vezes não servem para nosso povo. Não é de acordo com o que a gente quer”, diz a professora Gesilene Aikdopa, da mesma escola.  

Na Escola EstaduaI Indígena Pé de Mutum, o professor André Apyton, responsável pelo ensino da língua, diz que a falta de materiais impacta no ensino. Até mesmo porque, lá, os alunos não conseguem praticar em casa, pois muitas famílias têm o português como primeiro idioma.

“A ideia é que eles aprendam com as famílias a fala na língua materna e, na escola, eles aprenderiam mais a escrita. Mas isso não vem acontecendo. As famílias não falam. Só os mais idosos que têm domínio da língua. Aí, em casa, geralmente os pais também já não falam mais”, diz.

Retorno para a comunidade

Para Gesilene Aikdopa, a intenção do ensino da cultura não é manter os jovens nas aldeias necessariamente, mas que eles conheçam, defendam o povo e possam, caso sigam os estudos fora, voltar e trazer os conhecimentos para a comunidade.

“Da mesma forma que eles cresceram, nasceram aqui, a gente tenta formá-los em cada profissão para que eles defendam a gente também. Porque têm muitos vindo para a aldeia tirar coisas nossas. Então, a gente também forma para trazer retorno para a comunidade”.

Cumprir essa expectativa é o sonho de Rogerderson Natsitsabui, da aldeia Pé de Mutum. Hoje, aos 30 anos, ele segue na aldeia participando de projetos e se aprimorando, com o sonho de cursar direito para advogar pelo próprio povo.

“Eu acredito que, futuramente, eu vou, se Deus quiser, ingressar numa faculdade. Para mim, isso é um avanço, mas eu nunca vou deixar o que eu aprendi aqui”, diz. “Meu foco, desde quando eu comecei a participar de mobilizações, sempre foi direito. Eu nunca desisti disso”.

Assim como diz o cacique Ademir Rikbakta, para Rogerderson Natsitsabui, algumas coisas podem mudar, mas ele nunca deixará de ser indígena.

“No mundo afora, têm pessoas que têm uma visão dos povos indígenas em que, se eu estou com um iPhone meu, eu perdi a minha cultura, eu não falo mais a minha língua materna. A gente precisa mostrar [que não é assim], levar [nossa cultura] daqui para fora, mostrar quem somos. Isso eu acredito que nos fortalece”.

*Com informações da Agência Brasil



Expedição científica é feita na Reserva Biológica do Parazinho no Arquipélago do Bailique para conservação

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A primeira expedição científica multidisciplinar de 2025 foi feita na Reserva Biológica do Parazinho (Rebio), localizada na Foz do Rio Amazonas, no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, neste mês de abril. O material e informações coletados durante a passagem vão servir para o plano de estratégias de conservação da região.

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Euryandro Costa, que é coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), disse que o local é restrito à pesquisas e ao turismo ecológico, sendo única unidade de proteção integral sob gestão estadual na foz.

“A Rebio do Parazinho é uma das áreas mais sensíveis e estratégicas para a conservação da biodiversidade costeira no estado […] ela tem um papel fundamental na manutenção dos processos ecológicos naturais e na proteção de espécies da fauna e flora. Portanto, o conhecimento gerado pelas expedições científicas é essencial para fundamentar decisões de gestão mais eficazes, que assegurem a integridade ecológica da reserva”, disse.

Saiba mais: Arquipélago do Bailique

Estiveram presentes pesquisadores e técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Pesquisas do Amapá (Iepa) e Universidade do Estado do Amapá (UEAP), que realizaram procedimentos como:

  • Atuação nas frentes de monitoramento territorial;
  • Qualidade da água;
  • Ictioplâncton;
  • Fitoplâncton;
  • Fauna;
  • Vegetação;
  • Lixo antropogênico fluviomarinho.
Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

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Sobre a Reserva:

A Reserva Biológica do Parazinho é uma das importantes áreas de proteção integral da região amazônica, desempenhando um papel fundamental para a conversação da biodiversidade da foz do maior rio Amazonas. Esta é a sexta jornada realizada contando com as de 2024 e a primeira de 2025.

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A reserva criada em 1985 está sob jurisdição legal da Sema, ela abrange um sistema costeiro no sudeste do Amapá, que inclui diversos processos devido aos sedimentos espalhados na extensão e demais além dos atmosféricos, oceanográficos e amazônicos.

“As equipes que trabalham nas pesquisas, são profissionais especializados e altamente capacitados que enriquecem o trabalho de elaboração de planos e programas voltados para a reserva. Além disso, o trabalho desenvolvido em conjunto entre as instituições norteiam iniciativas promissoras no campo de pesquisas e na proteção do bioma desta importante área costeira”, contou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça.

Por Isadora Pereira, g1 AP — Macapá

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Fazenda Experimental em Mato Grosso adota coleira para detecção de doenças

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A Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é o espaço para o desenvolvimento de uma iniciativa que pode facilitar a detecção de doenças antes do agravamento de sintomas. O trabalho desenvolvido por pesquisadores russos será aplicado com a coleta de dados a partir de inteligência artificial em que uma coleira reúne dados dos animais e envia por meio de Wi-Fi para a nuvem, com acesso possível para pesquisadores em formato remoto.

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Os indicadores medem doenças como mastite, brucelose, endometrite e leucose. “A coleira avalia parâmetros dos animais para detectar de forma precoce algumas doenças de cunho produtivo e infeccioso. Mato Grosso é o primeiro lugar no Brasil onde será testado com as vagas da fazenda experimental. Com a implantação será desenvolvida uma pesquisa para validação das informações com o acessório que será inserido nas vacas”, pontua o professor Emílio Azevedo, diretor da Fazenda Experimental. Ao todo serão implantadas 10 coleiras em vacas da Fazenda Experimental.

A mastite bovina consiste em uma patologia que reduz a produção e a qualidade do leite da vaca, enquanto a endometrite é uma inflamação uterina que pode ocorrer de forma aguda ou crônica, frequentemente associada a infecções bacterianas. Já a leucose bovina é uma doença infectocontagiosa causada por vírus também afetando a produção de leite. Por sua vez a brucelose é uma infecção provocada por bactérias que é transmitida de animais infectados para o ser humano. “Vai tanto nos ajudar como método diagnóstico a partir do funcionamento de forma efetiva, para os alunos pelo contato com a tecnologia, como também para a universidade porque vai dar uma repercussão”, analisa o docente.

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Das 10 coleiras a serem implantadas, com sensores e colares. O equipamento fica ao redor do pescoço das vacas para uma avaliação contínua. “É uma ferramenta a mais para o diagnóstico, lembrando que ela não substitui o médico veterinário. É uma ferramenta para detectar de forma precoce. A coleira promete a proposta e eles entraram em contato com a gente para testar”, relata o professor Emílio Azevedo. O funcionamento será com o envio de dados da coleira para a nuvem.

“No momento em que a vaca passa na ordenha há a leitura pela internet dos dados do animal, que encaminha para a nuvem que reúne os dados para a interpretação por meio de inteligência artificial. É um software que eu consigo controlar aqui da minha sala para interpretação e predizer qual a patologia que o animal tem”, finaliza o diretor da Fazenda Experimental sobre o projeto que tem indicadores para alertar sobre saúde e doenças das vacas em monitoramento.

*Com informações da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena

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Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Projeto inovador que integra ciência, tradição e desenvolvimento sustentável foi selecionado pela chamada Expedições Científicas da Iniciativa Amazônia+10, conforme divulgado em 2 de dezembro de 2024. Intitulado “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso”, a proposta está entre as 22 aprovadas (de um total de 191 submetidas), com apoio financeiro de aproximadamente R$ 76 milhões para todo o conjunto de projetos.

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“Trata-se de uma iniciativa que enxerga os povos originários não como beneficiários, mas como protagonistas do desenvolvimento sustentável, respeitando sua autonomia, saberes e formas de organização”, ressaltou a coordenadora Maressa Morzelle. 

O foco do projeto está no aproveitamento integral de frutos e tubérculos nativos da Amazônia Legal, com ênfase em espécies ainda pouco exploradas pela cadeia produtiva convencional. “Ao valorizar os conhecimentos alimentares dos povos originários de Mato Grosso, o projeto busca resgatar práticas tradicionais, fomentar cadeias produtivas locais e, sobretudo, reduzir a insegurança alimentar em territórios indígenas, promovendo soluções de base comunitária e a bioeconomia sustentável”, explicou Morzelle.

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Moacir Haverroth, a aprovação do projeto representa um avanço para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. “Estamos valorizando recursos naturais e culturais, ao mesmo tempo em que contribuímos com a segurança alimentar e a preservação dos costumes dos originários de Mato Grosso” enfatizou Haverroth.

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Sobre o Projeto 

O projeto será implementado na Terra Indígena (TI) Tirecatinga, território multiétnico composto pelas etnias Terena, Paresí, Nambikwara, Manoki e Rikbaktsa, localizado no município de Sapezal, Noroeste de Mato Grosso. A escolha desse território visa não apenas potencializar os impactos do projeto, como também fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na construção de tecnologias sociais e no uso sustentável dos recursos florestais. 

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Além disso, no decorrer do projeto, serão realizadas expedições científicas às terras indígenas selecionadas voltadas à ampliação do conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a biodiversidade amazônica. A pesquisa está organizada em quatro frentes principais: 

  • Levantamento das espécies alimentares utilizadas pelos indígenas;
  • Análise da composição química de frutos;
  • Raízes e tubérculos consumidos localmente;
  • Estudo das propriedades tecnológicas de amidos e farinhas;
  • E a promoção do aproveitamento integral desses ingredientes em preparações típicas.

Entre as atividades previstas, segundo a coordenadora do projeto, destaca-se as oficinas e treinamentos com as comunidades, com o objetivo de incentivar práticas alimentares saudáveis, sustentáveis e conectadas aos saberes tradicionais. “Com isso, pretendemos contribuir para a redução da insegurança alimentar e fortalecer a identidade cultural das populações indígenas da Terra Indígena Tirecatinga”, ressaltou.

Além do trabalho de campo, o projeto também conta com um plano de comunicação que prevê ações de divulgação científica, comunicação participativa e presença na mídia. “Os resultados esperados vão ampliar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade local e estimular o desenvolvimento territorial e tecnológico, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida dos povos originários e na preservação dos recursos naturais”, destacou Irene Lôbo, coordenadora de comunicação da pesquisa e analista da Embrapa Alimentos e Territórios.

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Todo o trabalho será realizado em diálogo direto com as comunidades, com oficinas participativas, formação técnica local e estratégias para fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O projeto também prevê a inclusão dos seguintes representantes de povos indígenas na equipe de pesquisa: Cleide Adriana da Silva Terena, presidente da Associação Thuthalinansu, voltada para mulheres, Silmara Correia da Silva Terena e Suyani Katikitalosu Nambikwara Terena, todas integrantes da associação.

A aprovação do projeto reforça o papel estratégico da UFMT, UFG e Embrapa na promoção da bioeconomia, tema prioritário nas recentes agendas políticas da Amazônia Legal. “É um passo importante na consolidação de um modelo de desenvolvimento que respeita o bioma, valoriza a cultura local e promove segurança alimentar com soberania e justiça”, conclui a coordenadora.

Com duração prevista de 36 meses, o Projeto “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso” contará com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). 

Os responsáveis

Projeto é da da UFMT, UFG e Embrapa, sob coordenação da Professora Dra. Maressa Caldeira Morzelle, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o projeto conta com a parceria do Pesquisador Dr. Moacir Haverroth, da Embrapa Alimentos e Territórios, e da Professora Dr. Tatianne Ferreira de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG). A equipe multidisciplinar reúne profissionais das áreas de ciência dos alimentos, etnociência, agroecologia, comunicação e políticas públicas, compondo uma frente de pesquisa robusta e sensível aos contextos socioculturais da região. A coordenadora do Projeto destaca que o projeto valoriza os conhecimentos tradicionais e ancestrais, que compõem os saberes dos povos indígenas ainda preservados.

*Com informações da UFMT.

Aplicativo ajuda produtores rurais a gerenciar propriedades em Roraima

Sistema Faerr/Senar apresenta aplicativo que facilita o gerenciamento de propriedades rurais — Foto: Divulgação/Senar

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou um aplicativo exclusivo para produtores que recebem Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) da entidade. Com a ferramenta, intitulada “Conecta Produtor”, é possível registrar gastos, acompanhar o desenvolvimento das lavouras, planejar ações futuras e manter um histórico completo da propriedade.

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Vanilza dos Reis é uma das produtoras que utilizam o aplicativo. Na propriedade no PA Nova Amazônia, ela cultiva macaxeira, feijão e batata.

Além da macaxeira e do feijão, ela também cultiva milho verde, melancia, batata-doce e quiabo. Parte da produção é comercializada no município de Boa Vista, por meio de cooperativas e comércios locais. Ela disse sentir um aumento na produtividade, com a chegada da plataforma.

“Antes era mais trabalhoso, porque a gente fazia as anotações tudo no papel. Com o aplicativo, ele já me dá planilha, gráfico, todo o demonstrativo. É muito fácil”, diz Vanilza.

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O Sistema Faerr/Senar lançou, nesta segunda-feira (14), em Roraima, o aplicativo Conecta Produtor — Foto: Divulgação/Senar

No aplicativo Conecta Produtor, o usuário tem acesso direto ao consultor técnico, ao planejamento da safra, às recomendações e aos dados financeiros.

Segundo o Senar, o aplicativo também foi pensado para facilitar a sucessão familiar, ou seja, a continuidade da atividade rural pelas próximas gerações.

“Se o pai e a mãe estão na propriedade hoje, o filho que assumir no futuro vai encontrar todo o histórico no aplicativo, de forma fácil, ágil e sem erros”, explica Amanda Torquato, superintendente do Senar em Roraima.

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Em todo o Brasil, mais de 100 mil produtores rurais já utilizam o Conecta Produtor, segundo o Senar. Em Roraima, são quase 200 usuários.

Apesar de gratuito, o acesso ao aplicativo é restrito a produtores que participam da ATeG. Para isso, é preciso solicitar o acompanhamento junto ao Senar.

“A aceitação foi muito boa. É rápido, ágil, está na palma da mão e é uma tecnologia que não tem mais volta”, afirma Amanda Torquato.

Por Naamã Mourão, Rede Amazônica — Boa Vista

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex sem patrões e respeitando a mata

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Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No noroeste do estado de Mato Grosso, o povo indígena Rikbaktsa se organiza para retomar a produção de borracha, abandonada há pouco mais de uma década. A atividade é considerada uma alternativa para gerar renda para as aldeias e também para ajudar na preservação das seringueiras, consideradas as mães da floresta. 

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Os Rikbaktsa pretendem que os territórios indígenas voltem a fornecer a matéria-prima à empresa francesa Michelin, que realiza compras de borracha na Amazônia.  

Para os Rikbaktsa, a natureza deve ser cuidada, pois a floresta será deixada para os netos, bisnetos e todas as próximas gerações. Esse é o diferencial na hora da extração do látex, matéria-prima para a produção da borracha, das seringueiras. Nas terras indígenas, os ciclos da planta são respeitados, os cortes não são profundos e são feitas pausas na extração, para garantir que a planta se recupere.

Abundantes na região, as seringueiras, que podem viver mais de 200 anos, já foram motivo de disputa de território. Nas décadas de 1940, 1950 e 1960, o povo Rikbaktsa e os seringueiros viveram diversos conflitos. Mais recentemente, os indígenas passaram, eles mesmos, a produzir a borracha como forma de gerar renda. No entanto, os preços pouco atrativos, que chegavam a R$ 0,50 o quilo (kg), e a dificuldade de escoamento da produção fizeram com que abandonassem a prática.

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Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Amazônia vive um novo ciclo da borracha para os povos extrativistas, com um novo olhar para o comércio, agora sem atravessadores ou “patrões”, e com foco na sustentabilidade. Um dos propulsores é o projeto Juntos pela Amazônia – Revitalização da Cadeia Extrativista da Borracha, composto por organizações nacionais, como a organização não governamental (ONG) Memorial Chico Mendes, por organizações internacionais e por empresas interessadas nesse comércio, como a Michelin, uma das líderes mundiais em produção de pneus. 

Nas terras indígenas do povo Rikbaktsa, é o projeto Biodiverso que presta apoio e faz a ponte com o Memorial Chico Mendes, que, por sua vez, conecta os territórios aos compradores. O projeto, patrocinado pela Petrobras, oferece também formação, educação ambiental e equipamentos, além de cuidar da logística do escoamento do produto.  

Os territórios chegaram a comercializar com a Michelin em 2008, produzindo 17 toneladas de borracha, de acordo com o Biodiverso. Agora, esses acordos estão sendo retomados e a intenção é que se tornem mais duradouros.  

Segundo o Biodiverso, a expectativa é que sejam comercializadas 90 toneladas de borracha nativa até 2027, considerando toda a área atendida pelo projeto, que engloba as TIs Erikpatsa, Japuíra, Escondido, Arara do Rio Branco, Aripuanã e Reserva Extrativista Guariba Roosevelt.

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Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Retomada da produção

Nas aldeias, a retomada dos contratos está chamando a atenção dos indígenas. Antigos produtores e também jovens estão interessados em garantir uma renda com a extração do látex.

Na aldeia Pé de Mutum, na TI Japuíra, Donato Bibitata, de 67 anos, é um dos indígenas que voltou a extrair o látex das seringueiras. Ele trabalhou com a produção da borracha há cerca de 15 anos e a deixou por conta dos baixos preços. Agora, diz que a produção ficou mais atraente.

Experiente, Donato Bibitata explica que é preciso cuidar das árvores, dar o tempo necessário para que se recuperem e não cortar muito fundo, para não “machucar” as plantas e reduzir o volume da produção.

“Tem que ter paciência, tem que ter dó também, não pode machucar muito. Se não, ela morre”, diz.

A ideia é que a atividade passe a atrair também os mais jovens, dando uma perspectiva de renda e futuro. “Tem muita seringueira aqui na nossa região. Nosso território aqui é rico de seringa, para tirar a borracha. Nós estamos intensificando [a produção], com mais gente, para que gere mais para os jovens, né?”, diz.

Perguntado sobre quantos anos vive uma seringueira, ele perde as contas.

“Cuidando bem, a seringueira vive mais que uma pessoa. Você cuidando bem, é uma coisa que faz a diferença. Seus netos continuam trabalhando. A gente fala para esses jovens de agora: a gente começa e, depois, vocês que vão terminar. São os jovens que estão crescendo e trabalhando. Se não machucar a seringueira, ela dura muito, vixe, mas dura”.

Donato Bibitata conta que teve uma infância dura. Foi uma das crianças indígenas que foram levadas para internatos católicos na década de 1960. Lá, ele conta que não podia falar na língua Rikbaktsa, apenas o português. “A gente aprendeu muita coisa boa e muita coisa ruim. A gente não tinha direito visitar mãe nem pai. Você tinha que falar só português. Se falasse a língua, a cultura, você apanhava”.

Quando terminou os estudos, o seringueiro voltou para o território indígena. Chegou também a ser professor municipal e, agora, aposentado, voltou a extrair o látex para garantir uma renda extra. 

Ao contrário de Donato Bibitata, Rogerderson Natsitsabui, 30 anos, é novato na atividade e está interessado em aprender. “Isso chamou nossa atenção, né?”, diz. “[Essa atividade] já vinha com meus pais, meus avós e isso também me motivou. Vou trabalhar para mim, estou necessitando e acredito que muitos jovens estão no mesmo barco, então isso vai fortalecer muito”, diz.

Rogerderson Natsitsabui conta, no entanto, que a extração do látex servirá apenas para complementar a renda, porque ele deseja cursar o ensino superior. O sonho é formar-se em direito, para advogar para a aldeia.

“Eu acredito que futuramente eu vou, se Deus quiser, ingressar numa faculdade. Para mim, isso é um avanço, mas eu nunca vou deixar o que eu aprendi aqui”, diz. “Meu foco desde quando eu comecei a participar de mobilizações sempre foi o direito. Eu nunca desisti disso”.

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Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Oportunidades

Segundo o assessor de Mercados do Biodiverso, Renato Pereira, a extração de látex tem como objetivo “garantir que essas famílias de extrativistas indígenas permaneçam nas suas áreas, protegendo seus territórios, sendo guardiões dos seus territórios, trabalhando com a floresta de pé, agregando o valor produto”. Ele acrescenta:

“Aquilo que é extraído de uma maneira sustentável, tem mais valor”.

O projeto Biodiverso atua também na Reserva Extrativista (Resex) Guariba Roosevelt, onde também é feita a extração do látex. O principal comprador ali é a empresa francesa Veja, de calçados. Em 2024, nessa região, a produção chegou a 8,2 toneladas, comercializadas a R$ 15 por kg, chegando a um total de R$ R$ 123 mil para a Resex.

A intenção é que as TIs do noroeste do Mato Grosso sejam também beneficiadas e tenham comprador garantido. A partir de 2025, foi negociado inclusive um reajuste e o látex será comercializado a R$ 13 por kg para a Michelin, segundo o analista de sustentabilidade da ONG Memorial Chico Mendes Jhassem Siqueira. 

“Antes, a produção de borracha era uma produção explorada, associada a trabalho escravo, por conta de figuras como atravessadores e do próprio patrão. Então, esse novo paradigma que essas empresas estabeleceram é eliminar a figura do patrão e ter contato direto com as associações [das terras indígenas e extrativistas]. Retomaram com o que a gente chama de um preço justo, que elimina a figura do patrão”, diz Siqueira. 

A parceria entre o Biodiverso e o coletivo Juntos pela Amazônia deverá ser firmada ainda este ano, o que permitirá a formalização das vendas.

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Biodiverso

O projeto Biodiverso é desenvolvido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Pacto das Águas e tem como objetivo promover o uso sustentável da sociobiodiversidade, com povos indígenas e comunidades tradicionais no noroeste do estado de Mato Grosso, como estratégia para mitigar o aquecimento global e as mudanças climáticas pela defesa da conservação da floresta em pé.

O objetivo do Biodiverso é que o projeto possa dar suporte, ao todo, a 300 extrativistas na produção de 800 toneladas de castanha, 90 toneladas de borracha e 15 toneladas de óleo de copaíba com boas práticas de produção padronizadas e com assistência técnica periódica, até 2027. Com isso, espera-se garantir a conservação de 1,4 milhão de hectares no bioma amazônico.

O projeto é patrocinado pela Petrobras, como parte do Programa Petrobras Socioambiental. Segundo o gerente de projetos ambientais na área de responsabilidade social da Petrobras, Gregório Araújo, o programa apoia atualmente 170 projetos distribuídos em quatro eixos: florestas, oceano, educação e desenvolvimento econômico sustentável. As organizações da sociedade civil patrocinadas são selecionadas por meio de seleções públicas. 

“O projeto [Biodiverso] dialoga e dá uma resposta muito contundente em relação a soluções baseadas na natureza para o enfrentamento da mudança climática. Mostra que o a fala da Petrobrás não é descontextualizada, ela não é vazia, tem ações concretas, tanto do ponto de vista da operação, do ponto de vista da diversificação produtiva, quanto do ponto de vista dessas soluções mais difusas, é, que a gente faz com os projetos”, diz Araújo.  

*Com informações da Agência Brasil

Juruti vai receber trilha ecológica e turismo de base comunitária

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Juruti vai receber trilha ecológica e turismo de base comunitária. Foto: Armando Leandro Ribeiro da Silva/divulgação

Os cinco mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) Jará, localizada em Juruti, no oeste do Pará, terão uma trilha ecológica e um projeto de turismo de base comunitária. Um dos objetivos da iniciativa é gerar renda de forma sustentável para as comunidades locais.

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O projeto Promoção do uso público da APA Jará, realizado pelo instituto de pesquisa Imazon em parceria com a prefeitura de Juruti, prevê também ações de educação ambiental e um curso de comunicação para jovens difundirem informações sobre a APA Jará nas redes sociais.

Para o pesquisador do Imazon, Jeferson Figueira, as áreas protegidas são importantes ferramentas para a promoção da educação ambiental no município. “Além disso, a APA Jará promove serviços ecossistêmicos como a captura de carbono da atmosfera, guarda grande biodiversidade de fauna e flora e ainda pode ser um espaço de recreação e lazer para a população jurutiense, promovendo saúde e bem-estar”, explicou, em nota.

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Juruti fica no Oeste do Pará. Foto: Divulgação/Ascom PMJ

Figueira e a pesquisadora Jarine Reis, também do Imazon, apresentaram o projeto durante a reunião do conselho gestor da unidade de conservação, realizada no final de março. Na ocasião, foi estabelecido um cronograma das atividades que serão realizadas, incluindo a sensibilização das comunidades locais sobre o potencial do turismo de base comunitária, a abertura da trilha, a capacitação para os condutores da trilha e o curso de comunicação.

A previsão é que a trilha esteja concluída no fim de maio deste ano e que os cursos de capacitação de condutores ocorram em junho, para depois receber os turistas.

“Buscamos não apenas abrir as portas da APA Jará para visitantes, mas também fortalecer o vínculo entre nossa população e a riqueza natural que nos cerca”, disse a Secretária de Meio Ambiente de Juruti, Nayme Couto, em nota. A expectativa é que isso ajude a mobilizar as pessoas na defesa da APA frente a crimes ambientais como o desmatamento e a degradação florestal.

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Segundo a secretária, com a promoção do turismo sustentável, cria-se oportunidades para que a comunidade local compartilhe histórias, tradições e conhecimentos, ao mesmo tempo em que ocorre a proteção e valorização do patrimônio ambiental, além da geração de renda. “É um passo significativo para unir conservação e desenvolvimento comunitário, trazendo benefícios reais para todos nós”, acrescentou.

“Com a APA Jará, Juruti se destaca como um modelo de equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. O projeto reforça a importância de parcerias entre sociedade civil, setor privado e poder público na construção de soluções eficazes para a proteção da Amazônia”, disse a pesquisadora Jarine, do Imazon. O projeto tem financiamento da Alcoa Foundation.

Confeitaria mineira cria ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira

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Ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira — Foto: Cacau Mídia

O clássico ovo de Páscoa ganhou um toque amazônico e cheio de significado em uma confeitaria de Belo Horizonte (MG). Inspirada nas cores e nos sabores do rio Madeira, a criação mistura ingredientes típicos da região Norte com o tradicional chocolate.

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Segundo a empresária Luiza Santiago, a ideia surgiu a partir da escolha de quatro rios brasileiros impactados pelas mudanças climáticas. O rio Madeira chamou atenção especialmente após o relato emocionante de um artista de Rondônia, que descreveu a seca histórica no rio.

“[O artista] contou emocionado sobre a seca no rio, relatando como o Madeira é vigoroso e como o fato de ter chegado a 19 cm foi espantoso e triste”, contou Luiza.

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Ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira: Foto: Leandro Morais/Secom-RO

O ovo feito em homenagem ao Madeira carrega ingredientes que representam a riqueza da bacia amazônica: açaí, cupuaçu e cacau. O visual também fala por si: o verde vem do chocolate feito com folha de cacau, o lilás do açaí e o marrom do premiado chocolate 70% cacau.

“Junto desses três chocolates há pedacinhos de cupuaçu desidratado e de nibs de cacau [pedaços de amêndoas de cacau]. É um ovo bem complexo, com textura densa, assim como o rio Madeira”, completou Luiza.

De acordo com Luiza, ações como essa vão além do sabor e da estética. Para ela, a iniciativa pode despertar um olhar mais atento para a importância da natureza e da cultura local.

“Podemos inspirar outros negócios e pessoas a valorizar as riquezas da nossa sociobiodiversidade e não há como rastrear este impacto, mas este certamente existe”, disse.

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Por que ovos e coelhos são símbolos da Páscoa?

Você já se perguntou o que o coelho e os ovos têm a ver com a Páscoa e a ressurreição de Jesus? A origem desses símbolos mistura lendas e tradições antigas.

Uma dessas versões, que tem sido disseminada ao longo dos séculos é a de que, Maria Madalena teria ido antes do amanhecer de domingo ao sepulcro de Jesus de Nazaré – crucificado, na sexta-feira – levando consigo material para ungir o corpo dele. Ao chegar ao local, teria visto a sepultura entreaberta.

Um coelho, que teria ficado preso no túmulo aberto na rocha, seria o primeiro ser vivo a testemunhar a ressurreição de Jesus. Por essa razão, ganhou o privilégio de anunciar a boa nova às crianças do mundo inteiro na manhã da Páscoa. É ele, portanto, o suposto portador do ovo de chocolate.

O ovo, por sua vez, é um símbolo de vida e renascimento. Povos da Antiguidade, como os romanos, propagavam a ideia de que o Universo teria a sugestiva forma oval. Na Idade Média, houve quem acreditasse que o mundo teria surgido dentro da casca de um ovo.

Logo, estabeleceu-se o hábito de presentear uns aos outros com ovos de galinha. Alguns historiadores especulam que essa tradição teria surgido entre os persas. Outros atribuem sua origem aos chineses.

“Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no equinócio da primavera, comemorado no dia 21 de março no hemisfério Norte, era um costume que celebrava o fim do inverno”, explica o monsenhor André Sampaio Oliveira, doutor em Direito Canônico.

“Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, o rito pagão de festejar a primavera foi integrado à Semana Santa. Os cristãos, então, passaram a ver no ovo um símbolo da ressurreição de Jesus.”

*Por Amanda Oliveira, g1 RO