Home Blog Page 381

O Carnaval de ontem e de hoje: a evolução em Manaus

0

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Segundo alguns estudiosos como a professora Mary Del Priore, Professora de Pós-graduação da USP e autora da obra de Festas e utopias no Brasil Colonial, publicada em São Paulo pela Editora Brasiliense, assim destaca:

[…] Ao longo da Idade Média, os festejos com mascaradas eram mais definidas pelas estações do ano que por datas exatas. Entre Natal e Carnaval, multiplicavam-se as quermesses. O período de matança de porcos, para o preparo de embutidos a consumir na semana gorda, permitia aos jovens tingir o rosto com cinzas, encapuzar-se, vestir com sacos, roupas de mulher ou suas roupas ao avesso. Assim, vestidos, assustavam outras pessoas, entravam em casas, comiam, bebiam e beijavam as moças, que tentavam reconhecê-los. Na Quarta-Feira de Cinzas, um manequim figurando o carnaval fazia sua estrada no vilarejo seguido de um grande cortejo de mascarados. Ao fim do dia, era queimado num muro próximo à igreja, juntamente com as máscaras e, acompanhado de lamentos que anunciavam a chegada da Quaresma.

Em regiões do norte da Espanha, a festa permitia a inversão do papel das mulheres no dia 5 de fevereiro, dedicado a Santa Ágata, elas tomavam o poder em casa e nas ruas, desfilando com danças e cânticos. Na Grécia, a festa se celebrava no dia 8 de janeiro. As mulheres acorriam a casa da mais velhas parteiras, a babo, vestidas com suas mais belas roupas. Embaladas por músicas, confeccionavam um sexo masculino com legumes ou embutidos e, travestidos de homens, iam para as ruas onde perseguiam e maltratavam o sexo oposto. Para terminar, um banquete celebrava as concepções e os partos do novo ano.

Em outras regiões, as mulheres preparavam alimentos cujos restos eram usados numa grande batalha de comida na Quarta-Feira de Cinzas. Os homens, depois de comer exageradamente, imitavam a gestação das mulheres, dando a luz um bebê chorão (um dos membros do grupo). A brincadeira com a gravidez masculina retoma o tema da reprodução. A Festa dos loucos, representada na pintura do Renascimento, invertia a hierarquia clerical, com danças, sermões cômicos, cânticos religiosos com duplo sentido e padres fantasiados de mulheres. Ela desaparece no século XV.

Nas cidades, durante a Idade Moderna, marchavam mascaradas as chamadas “nações” de estudantes, as confrarias e irmandades de artesãos. As cidades multiplicavam a sociabilidade das confrarias, graças às Abadias de alegria que reuniam artesãos e seus aprendizes. Nelas sucediam-se cavalgadas e um rei dos bobos era puxado em seu carro, numa entrada triunfal às avessas.

O modelo ideal se exprime no Carnevale das cidades italianas, onde o jogo entre a mascarada e o teatro refletia a vida de corte. Na Toscana, jovens aristocratas cavalgavam pelas cidades, magnificamente adornados, enquanto em Veneza multiplicavam-se os mascareri, artesãos que amoldavam máscaras de papelão, veludo, couro ou linho encerado. Surgem as figuras do arlequim e do polichinelo. O Carnaval se apropria dos elementos de teatro, tanto que Catarina de Médicis (1519-1589) contratou trupes da commedia dell’arte para animar as comemorações que introduziu na corte francesa.

A partir do século XVIII o uso da bauta-máscara – se torna obrigatório durante as festas e nos lugares públicos. Alguns elementos sobrevivem até hoje: o confetti era feito em Veneza com grãos açucarados, depois substituídos por papel colorido. Já a palavra corso vem da rua do mesmo nome na capital italiana, onde se realizavam as festas públicas.

O Carnaval seguiu os navegadores europeus pelo resto do mundo. Ao longo do tempo, carnavais rurais e urbanos se complementaram. Com duração variável, eles apostaram no papel maior ou menor das máscaras, ligadas à Quaresma ou a ritos agrários, como se vê no México ou nos Andes, no Mardi Gras de Nova Orléans ou no Carnaval das irmandades haitianas, em que as máscaras de vodu se confundem com as do Carnaval. Tempo de inversão, de revolta admitida, o Carnaval conjura os medos e exalta a folia. Desde as suas origens, ele se apresenta como um espaço para a revolta ritualizada, que se faz presente na detração da autoridade, na festa de ponta-cabeça, mas também, e sobretudo, no riso. Riso que ri da morte, riso inseparável da tristeza que começa na Quarta-Feira de Cinzas.

Fonte: Professora Doutora Del Priore Mary. Nossa História. Ano 2, n.º 16. Fevereiro de 2005. Editada com o Conselho de Pesquisa da Biblioteca Nacional.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1915. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos bastante interessantes. Tais manifestações do carnaval transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus.

O pesquisador nos revela ainda que na época da Província do Amazonas esses acontecimentos de ruas eram feitos por brincadeiras como o “Entrudo e o Zé-Pereira”, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus, nesta época.

Por sua vez, o entrudo era uma prática proibida, por promover sujeira e imundície. O “Entrudo” foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses da Ilha de Açores.

A prática consistia em jogar nas pessoas “água de lama, tinta, lixo e tudo que fosse malcheiroso, até água podre e urina”. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus publicada no código De Postura do Município.

O fiscal do primeiro Distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo:

Art. 82-É proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou lançar alguma coisa sobre os transeuntes. Pena de dez mil – réis de multa ou três dias de prisão.

1º Permite-se as mascaradas danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e a tranquilidade pública e não contenham alusão às autoridades ou a religião.

2º Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitarão pessoas mascaradas depois do toque da Ave – Maria, Salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorreram na multa de cinco mil – réis ou dois dias de prisão.

Manaus, 28 de janeiro de 1874

Pedro Mendes Gonçalves Pinto

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Embora sob pena de pesar das multas e prisões, esse procedimento se estendeu até o início do século XX. Por sua vez, “O Zé-Pereira”, também trazido pelos portugueses, acaba por revolucionar o carnaval. Os brincantes transitavam pelas vias públicas tocando bumbas, zabumbas, esse costume perdurou até o ano de 1929.

As fantasias da época eram de palhaços, diabos, papas angus, etc. Por volta de 1855 eram publicados em jornais da época os bailes de máscaras, que aconteciam em residências dos barões da borracha e nos clubes, começa assim a prevalecer o carnaval de salão que eram frequentados por uma classe privilegiada e o de rua que contava com a participação popular.

Geraldo Xavier dos Anjos relata ainda que o comércio dessa época promovia vendas de artigos para a quadra momesca em especial na Rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro). Nessa artéria funcionava uma loja denominada “Bazar de Paris”, especializada em artigos para o carnaval. Os jornais da época promoviam anúncios de interesses dos foliões, como por exemplo, a presença de um “Coiffeur” francês que se chamava George Petrus. O estabelecimento atendia seus clientes com os mais modernos penteados que eram moda na Europa.

Em 1889, época do último Carnaval da Província, aconteceu a “Batalha de Confete” na Praça Dom Pedro II. Com a chegada da República e a urbanização da cidade promovida na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892-1896). Na principal artéria e a rua da Matriz (hoje Eduardo Ribeiro), o Carnaval toma conotação com o desfile do “Clube dos Coatyz”. Já em 1904, surgiram dois grupos importantes, “Cavalheiros Infernais” e o “Clube dos Terríveis”, que prolongaram sua participação até 1915.

Os Cavalheiros Infernais eram formados por foliões do Clube Internacional, cujas fantasias eram predominadas pela cor vermelha. O “Clube dos Terríveis”, porém, tinha como foliões algumas figuras de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e os superintendentes municipais Adolpho Lisboa e Arthur César Moreira de Araújo.

Mocidade fez história no carnaval amazonense

Aqui em Manaus quando os desfiles eram na Avenida Eduardo Ribeiro, me parece que neste período o carnaval era mais popular, que naturalmente ostentava grandes fantasias, algumas com máscaras, a descer e subir Avenida Eduardo Ribeiro proporcionando ao povo que se acotovelava nas calçadas e meio-fio na referida avenida para se divertir e assistir a festa do povo. Tudo começava muito cedo, as 4 horas da tarde, com a famosa batalha de confete.

Os carros da época, de capotas arriadas, com belas jovens a desfilar, jogando serpentinas e confetes na população ali reunidas. Havia uma expectativa da passagem dos carros alegóricos sempre esperado com muita curiosidade pela população presente, protegidas na época pela sombra dos benjaminzeiros, como tratava-se de uma avenida mesclada de comércio e residências algumas famílias sentavam-se a porta para apreciar o carnaval.

Outro destaque ficavam pelos carros alegóricos da fábrica de Cerveja Miranda Correa, destacando a tão famosa XPTO, e outros carros da fábrica de saltos de borracha JG. Araújo que tinha o nome de Coroa, a Fábrica de Guaraná Andrade participava distribuindo o seu delicioso Guaraná, o Luso Sporting Club marcava sua presença, sempre preocupado em superar a União Esportiva Portuguesa, o Atlético Rio Negro trazia suas fantasias o que eram uma festa.

Não podemos esquecer do Nacional Futebol Clube que também promovia um famoso baile infantil de domingo a tarde e naturalmente se fazia presente na Avenida Eduardo Ribeiro. Temos que admitir que na simplicidade daquela época o carnaval era mais divertido e do povo.

É importante destacar que a Mocidade permaneceu desfilando por vinte e cinco anos, tendo a sua primeira vez em 1953, com o tema Branca de Neve e os Sete anões, caracterizado pelo Dr. Luís Cabral, conhecido para os íntimos como Lulu. Todo material utilizado para as confecções das fantasias dos anões, era comprada no Rio de Janeiro. Alguns temas foram destaques durante o longo período, tais como: O Cangaceiro, Ciganos, Lavadeiras, Ai Maria, Donas da Pensão, TV não era, O Circo, Babuínos, Só deve quem compra, Maternidade e outros tantos títulos que deram origem ao carnaval.

Ideal Clube. Família Tadros e família Sabbá. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O desfile do Corso

Os foliões do passado jamais deixaram de se referir ao Corso quando recordavam os carnavais do seu tempo. E o fazem invariavelmente com um tom de saudade e lamentação “hoje não tem mais o corso”. Em nosso estado este desfiles começaram a acontecer no início do século e foram até anos 30. No ano de 1901, o primeiro carnaval do século XX, teve a participação do corso que foi comandado pelo Club dos Ceatys, numerosos grupos carnavalescos e mascarados avulsos percorriam as principais avenida de nossa cidade desde a tarde de domingo até o anoitecer.

Em 1904 é fundada a Sociedade Carnavalesca “Cavalheiros Infernais” e o Clube dos Terríveis que até 1905 passaram a comandar o Desfile do Corso no carnaval de Manaus. Os Cavalheiros Infernais era composto por um grupo de sócios do Club Internacional, tomaram como cor o Vermelho que era pintado pelo artista plástico Sílvio Centofanti. Para o desfile deste ano o clube organizou um desfile no qual os sócios iriam todos vestidos de cavalheiros e os seus familiares fantasiavam-se a gosto.

A organização da saída do desfile era a seguinte, na frente a bada de música, depois carruagem com as crianças levando o estandarte do clube e em seguida os carros dos demais familiares. Ao lado dos carros iam os sócios fechando desfile com a banda de música.

O Clube dos Terríveis considerado o mais animado era aguardado por todos. Tinha sua sede nos altos do Café dos Terríveis, pouco preferido da boemia elegante de Manaus, ficado na Praça 15 de novembro com a então rua de Demétrio Ribeiro (hoje Visconde de Mauá). Sua meta era comandar o carnaval, ora promovendo as folias de rua como o Entrudo ou Assustado e as batalhas de confete e serpentina ou promovendo bailes públicos. Deste clube faziam parte o Coronel José Cardoso Ramalho Júnior (ex-governador do Estado), o engenheiro Arthur César Moreira de Araújo, o Capitão dos Portos do Amazonas, Capitão de Fragatas Santos Lara e outros.

Para o desfile, os Terríveis contavam com 30 carruagens todas ornamentadas, cada carro com sua denominação. O carro Academia de Letras, por exemplo, era composto por membro desta Casa de Cultura e tinha como objetivo neste desfile distribuir extratos de seus anais para o público.

Este dois clubes e os demais grupos de mascarados seguiram o itinerário: Saiam da Praça de São Sebastião às 16 horas e percorriam as seguintes ruas: Rua de José Clemente, Av. Eduardo Ribeiro, Rua Municipal (atual Sete de Setembro), Praça da República (atual Praça Dom Pedro II), passavam frente ao Palácio do Governo (hoje sede da Prefeitura), Rua Municipal (Av. Eduardo Ribeiro), Rua Marquês de Santa Cruz, (hoje Praça de Adalberto Vale) Rua dos Remédios (atual Miranda Leão), Leovegildo Coelho, dos Andradas, Av. Silverio Nery, Praça São Sebastião, chegando em torno de 21 horas. Estes dois clubes fizeram grandes desfiles até o carnaval de 1915.

No carnaval de 1915 é fundado o Club Paladinos da Galhofa, composto de sócios do Ideal Club. Para o desfile do Corso compunham-se de onze carros, sete alegorias e quatro de críticas. Vinha em frente a guarda de honra, nos dorsos de belos cavalos seguido de carro precursor que apresentava enorme canhão 42, guarnecido por homens outros, dois carros alegorizando a Música, depois o carro japonês e fechando o desfile o carro Chave de Ouro.

João Bosco Fonseca (Arroz) e Antônio Lima de Souza (Mococa). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Os desfiles do Corso, a partir dessa data, passaram a ser feitos em automóveis de capotas conversíveis, onde as famílias usavam seus carros particulares ou de aluguel, todos desciam e subiam a Av. Eduardo Ribeiro, fantasiados e jogando confetes e serpentinas.

Esta brincadeira sem malícia e sem neurose do trânsito atual, veio a matar no final da década de trinta.

BAZE, Abrahim. Luso Sporting Club – A Sociedade Portuguesa no Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2007.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

ZFM 58 anos: galeria dos superintendentes responsáveis pelos primeiros passos do Polo Industrial de Manaus – Parte I

0

Foto: Alfredo Fernandes/Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Ao completar 58 anos desde sua instituição pelo DL 288/1967, a sexagenária Zona Franca de Manaus acumula muitas histórias. Nem sempre de sucesso, que refletem, porém, os ousados esforços do governo federal de implantar, ao lado da SUDAM e do BASA, um modelo de desenvolvimento econômico em pleno coração da selva amazônica. E desde então, gestores da SUFRAMA deixaram marcas, algumas indeléveis, outras que o tempo logo se encarregou de suprimir. Cada um ao seu modo fez o melhor que lhe pareceu no cumprimento da espinhosa missão. Ao seu lado, técnicos de alto nível desempenharam funções estratégicas, quase sempre de alta complexidade na busca dos objetivos projetados pela instituição. Sob o comando de executivos públicos que ocuparam a superintendência do órgão, no início deslocados de Brasília para Manaus, e que responderam, em última instância, pela posta em marcha dos primeiros movimentos da ópera manauara.

Comprometidos com uma administração técnica, os pioneiros Floriano Pacheco, Aloisio Campelo, Igrejas Lopes, Ozias Monteiro, Mauro Costa, Manoel Rodrigues, Flávia Grosso, Ruy Lins, Régis Guimarães, Delile Macedo, Hugo de Almeida, José Amado deixaram marcas importantes sobre o modelo industrial instalado. Ressalvo, porém, repetindo a gestão pública estadual, grave omissão de esforços para implantação do pólo agropecuário, igualmente previsto logo no Art.1º do DL 288/67. Dentre os nomes comprometidos com a implantação da ZFM, destaco:

Floriano Pacheco, o primeiro superintendente da Suframa, nomeado em 19 de abril de 1967 e empossado em 12 de maio seguinte pelo Ministro do Interior Affonso de Albuquerque Lima, em Manaus. Paulista e coronel da reserva do Exército brasileiro, permaneceu no cargo até 15 de agosto de 1972. Na sua gestão foi aprovado o primeiro projeto industrial, o da Beta S/A, e lançada a pedra fundamental do Distrito Industrial, em 30 de setembro de 1968. Quando deixou o cargo, as primeiras indústrias estavam se instalando no DI – a Companhia Industrial Amazonense (CIA) e a Springer, bem como a construção da sede da Suframa, projetada pelo arquiteto Severiano Porto.

Hugo de Almeida era chefe do Departamento Industrial da Sudene quando foi nomeado, em 15 de agosto de 1972, para assumir a Suframa. Durante a sua gestão foi inaugurada a primeira indústria no recém-criado Distrito Industrial de Manaus, local onde também foi inaugurada a nova sede da Suframa, projeto do arquiteto Severiano Mário Porto, premiado pela Associação dos Arquitetos do Brasil e que, até hoje, é citado como exemplo em cursos de arquitetura ao redor de todo o mundo. Face às mudanças promovidas pelo presidente Ernesto Geisel no Ministério do Interior, o novo ministro Maurício Rangel Reis indicou Hugo de Almeida para assumir a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), motivo pelo qual Almeida deixou a Suframa em 15 de março de 1974.

José Amado ocupava o cargo de secretário-executivo da Suframa (então número 2 no organograma do órgão) quando foi escolhido para substituir Hugo de Almeida. Permaneceu no cargo de 15 de março a 10 de dezembro de 1974. Durante a sua gestão o limite de compras para turistas na ZFM foi dobrado, de 100 para 200 dólares. Atuou junto ao governo federal para evitar que a Resolução 289 do Banco Central (taxação de bens supérfluos) atingisse os produtos da área de incentivos. No período à frente da Suframa, Amado recebeu uma homenagem da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) pelo apoio da Autarquia na implantação do cabo Submarino Bracan I (que ligou o Brasil à Europa, via Ilhas Canárias) e participou das discussões com o governo do Amazonas para viabilizar a implantação do Distrito Agropecuário da Suframa. Com sua saída, a Suframa foi comandada interinamente pelo procurador jurídico José Roberto de Souza Cavalcante até a posse do novo titular, Aloysio Campelo.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Escuta do povo Tenetehar avança na construção da 1ª universidade em território indígena do Brasil

0

Foto: Divulgação

O sonho da primeira universidade do Brasil em território indígena está cada vez mais próximo de se tornar realidade. Nos dias 21 e 22 de feveriero, o povo Tenetehar participou da segunda escuta pública, um momento importante para a construção do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) um passo importante para efetivação desta iniciativa pioneira.

A escuta é resultado da parceria entre o Governo do Maranhão e o Centro de Saberes Tenetehar, por meio Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

O evento ocorreu na Aldeia Zutiwa, localizada no território Arariboia, no município de Arame, cerca de 500 km de São Luís, com a participação de representação das regiões de indígenas Abraão, Angico Torto, Ponta D’água, Lago Branco e representantes do Governo do Estado, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da prefeitura de Arame.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“A educação é um direito de todos e o Governo do Estado está trabalhando para que os povos indígenas tenham acesso à formação acadêmica, dentro de seu próprio território, respeitando suas tradições e fortalecendo seus saberes ancestrais”, destacou chefe da Assessoria de Planejamento da Fapema, Adriana Carvalho.

A iniciativa representa um marco histórico para a educação superior no Brasil, garantindo aos povos indígenas um espaço de ensino e pesquisa, alinhado com suas realidades, saberes tradicionais e visões de mundo. Com essa escuta, lideranças, professores e jovens tenetehar tiveram a oportunidade de contribuir ativamente para o projeto, reforçando o compromisso com a autonomia e valorização de suas culturas.

O presidente do Instituto Tukàn, cacique Sílvio Santana da Silva, pontua que o projeto, idealizado há anos pelos caciques, ganhou impulso há uma década e, após apresentar a proposta ao governo, houve interesse e apoio, permitindo sua continuidade. “Entrou a Fapema, que passou a apoiar a iniciativa, fortalecendo esse movimento, garantindo a aproximação do governo e o incentivo às ações fundamentais, que estão sendo desenvolvidas dentro da comunidade. Recebemos essa iniciativa como grande alegria, vitória e a certeza que já demos um importante passo”, observou.

Para viabilizar essa construção, a Fapema firmou um acordo de cooperação com o Centro de Saberes Tenetehar, garantindo suporte para pesquisas, estruturação acadêmica e financiamento de iniciativas que fortaleçam o ensino e a produção de conhecimento dentro do território indígena. O governador Carlos Brandão tem demonstrado um compromisso sólido com essa política pública inovadora, reforçando o apoio do estado para garantir que esse sonho se torne realidade.

O professor Gustavo Pereira, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e coordenador do programa da universidade, ressaltou o grande desafio para o Maranhão, liderado pelo governador Carlos Brandão, que delegou a ele, a Fapema e outras instituições, incluindo o Instituto Tukán, a coordenação da iniciativa.

“Essa proposta busca integrar os saberes tradicionais dos povos indígenas com o conhecimento científico das universidades, permitindo que jovens e lideranças indígenas contribuam para a formatação acadêmica institucional do programa. Esperamos que esta escuta forneça elementos necessários para estruturar a proposta, que em breve será apresentada ao Governo do Estado e, com certeza, implementada para atender os jovens indígenas do Maranhão”, frisou.

Foto: Divulgação

A implantação da universidade indígena Tenetehar reforça a posição do Maranhão como um estado pioneiro na inclusão e no respeito à diversidade cultural. A construção dessa instituição representa um avanço significativo na democratização do ensino superior e na valorização das comunidades tradicionais, criando um ambiente acadêmico que une ciência, tecnologia e os conhecimentos milenares dos povos originários.

Para Fabiana Guajajara, diretora do Instituto Tukán e liderança indígena, este momento simbólico e participativo é muito importante por envolver toda a comunidade, incluindo professores, gestores e lideranças, para essa construção coletiva, que será estabelecida dentro do território Arariboia.

“O plano de desenvolvimento institucional da futura universidade indígena está sendo elaborado de forma participativa, considerando as visões de mundo e as demandas das comunidades indígenas. O objetivo é que essa universidade reflita os interesses desses povos, oferecendo cursos e pesquisas que realmente os beneficiem”, ponderou a diretora Jurídica do Instituto Tukán, Isabele Peace. “Esta instituição pretende ter os povos indígenas como seus alunos, e seu primeiro núcleo será implantado no território Arariboia, com possibilidade de expansão para outros territórios, no futuro”, acrescentou.

Para garantir essa construção coletiva já foi realizada a primeira escuta pública, há cerca de dois meses, e ainda estão previstas mais duas, totalizando quatro encontros de consulta. Esta segunda escuta para a elaboração do Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDDI) reúne as cinco regionais que compõem as macrorregiões do povo indígena local.

“As parcerias com a Fapema, Uema, Governo do Estado e parceiros institucionais, são fundamentais para garantir um maior volume de recursos e para ampliar a participação das comunidades no processo, conduzindo essa construção de forma colaborativa, ouvindo as vozes indígenas”, declarou Isabela Piece.

Na avaliação de Luís Carlos, membro da comunidade, essa iniciativa busca fortalecer a cultura do povo guajajara, oferecendo aos parentes a oportunidade de estudar, sem precisar deixar a comunidade, superando as dificuldades de acesso à educação. “A universidade será fundamental para o desenvolvimento educacional dentro das aldeias, promovendo conhecimento e sabedoria, permitindo que a liderança indígena e a comunidade expressem seus desejos e conduzam seu povo com autonomia”, avaliou.

*Com informações da Fapema

Nos últimos 5 anos, rios ficam mais secos no Amazonas durante temporada de queimadas

 Foto: Alex Pazuello/Secom AM

Entre 2020 e 2024, à medida que os focos de calor aumentavam no Amazonas, pelo menos cinco rios no estado enfrentaram secas, com baixa contínua em sete das 13 estações de monitoramento do nível das águas nos rios Amazonas, Purus, Solimões, Negro e Paraná do Careiro. É o que revela uma análise exclusiva da InfoAmazonia, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de estações hidrológicas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que monitoram os níveis na bacia amazônica.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Nos mesmos meses de secas nos rios, os dados do Inpe apontam uma tendência de aumento nos incêndios florestais também entre julho e outubro nos últimos cinco anos. Juntos, esses meses somaram 94% (90.998) dos focos de calor no estado na temporada. Nesse período, os boletins do SGB mostram queda contínua de água em cinco dos principais rios da bacia Amazônica. Todos registraram níveis de água abaixo do normal, o que causou escassez hídrica e prejudicou, principalmente, comunidades ribeirinhas.

Na avaliação do engenheiro ambiental e hidrólogo Ayan Fleischmann, que atua como pesquisador no Instituto Mamirauá, voltado para a conservação na Amazônia, a seca dos rios e o alto número de incêndios têm relação com um mesmo problema: a redução de chuvas por fenômenos associados às mudanças climáticas.

“Um ano mais seco, com menor quantidade de chuvas, tende a aumentar as queimadas e reduzir a umidade, criando condições favoráveis à propagação do fogo. Por isso, é comum que esses eventos ocorram simultaneamente”, explica.

Leia também: Número de queimadas na Amazônia em 2024 já é o maior para o período em quase duas

Impactos dos incêndios no volume de chuvas 

A relação entre o aumento no número de incêndios e a seca na Amazônia é complexa e ainda não foi totalmente explicada pela ciência. No entanto, há estudos que indicam que a queima de áreas florestais tem efeito direto na formação de nuvens de chuva.

Fumaça e grande faixa de areia marcaram a paisagem do porto de Tefé em meses de seca. Cidade fica às margens do Rio Tefé, afluente do Amazonas. Foto: Reprodução/YouTube-Ribeirinhas da Amazônia

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram em 2021 que as partículas de fumaça liberadas pelos incêndios propiciam uma atmosfera mais estável, o que pode limitar a ascensão das massas de ar e impedir que as nuvens atinjam a altura adequada para o resfriamento das gotas de água. A descoberta foi publicada em um artigo da revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, um dos mais importantes do mundo.

A pesquisa analisou imagens de satélites, dados de fotômetros solares, que são instrumentos utilizados para medir a radiação solar, e medições de partículas formadas pelas queimadas para mostrar como os resíduos de fumaça inibiam o desenvolvimento de nuvens de chuva.

“A fumaça de queimadas contém uma quantidade gigantesca de partículas de aerossol que, também estando presentes na atmosfera, podem influenciar como as gotas de nuvens são formadas e o processo de congelamento subsequente”, explica Alexandre Correia, um dos autores da pesquisa, em entrevista ao Jornal da USP.

Leia também: Secas e cheias devem tornar-se mais intensas e frequentes na Amazônia, aponta pesquisador

Conforme o estudo, a temperatura de glaciação (ponto em que a água começa a congelar) média em nuvens convectivas na Amazônia depende da umidade e quantidade de aerossol presente na atmosfera. Em ambientes com muitas partículas de aerossol, as gotículas formadas são menores e demoram mais para se congelar — esse atraso promove o crescimento de nuvens mais altas e profundas, mas pode diminuir a eficiência do processo de precipitação porque as gotas menores têm menos probabilidade de coalescer e formar gotas de chuva maiores.

Além de prejudicar a formação de chuva, um dos resíduos liberados durante a queima é o carbono negro, um poluente climático de curta duração que fica suspenso no ar por alguns dias ou semanas, mas com impacto até 1.500 vezes maior que o dióxido de carbono no aquecimento global. 

2024: o ano mais severo nos últimos cinco anos 

No período da análise, o ano de 2024 foi um dos mais severos no Amazonas. O estado enfrentou um conjunto de situações climáticas extremas: a seca histórica dos principais rios da região e o alto número de incêndios florestais. Entre julho e outubro, o estado acumulou 94% (24.005) focos de calor do ano, um recorde desde 1998, quando o Inpe iniciou a série histórica — à época, foram 737 focos no mesmo período.

Durante todo o ano passado, por exemplo, o Amazonas registrou 25.499 focos de calor. Três meses bateram o recorde histórico de toda temporada: julho (4.241), agosto (10.328), e até junho (258), que geralmente é um período com menor incidência de queimadas na Amazônia.

Os rios que mais perderam volume de água nos meses analisados foram: o Purus (queda de 1.407 cm, na estação de Beruri, equivale a 14 metros – aproximadamente a altura de um prédio de quatro andares), o Solimões (queda de 1.394 cm, em Manacapuru) e o Paraná do Careiro (queda de 1.306 cm).

O rio Solimões, responsável pelo abastecimento de água potável de metade das 72.283 pessoas que vivem em Tabatinga, também está entre os mais impactados e registrou seca nas quatro estações monitoradas pelo SGB (Fonte Boa, Itapeuá, Manacapuru e Tabatinga). Em Tabatinga, o Solimões perdeu 529 cm de água e ficou em -79 cm (117,5%) entre julho e outubro.

Antes mesmo de encerrar, 2024 demonstrava ser o ano de seca sem precedentes para os principais rios da bacia do Amazonas. Em outra análise exclusiva, feita em outubro, a InfoAmazonia revelou que em 11 das 16 estações de monitoramento nos seis rios registraram os níveis mais baixos dos últimos 122 anos, desde o início do monitoramento do SGB. Na época, a reportagem identificou uma mudança no padrão da seca: os rios secaram mais cedo do que o previsto, entre o final de setembro e o começo de outubro, quando o esperado seria seca no final de outubro.

Entre os rios com níveis de água extremamente baixos em relação ao número de focos de incêndio está o Paraná do Careiro, que perdeu 102% do volume de água em apenas cinco meses. A diminuição do nível começou em julho, quando o rio registrava 1.324 cm de água, e atingiu -25 cm no início de novembro. Em 2023, no mesmo período, o volume de água era positivo, com 47 cm. A seca severa de 2024 ocorreu alguns meses após o estado enfrentar o recorde de 24 mil focos de calor registrados entre julho e outubro.

Leia também: Fumaça de queimadas na Amazônia: uma crise que ameaça a saúde e o meio ambiente

A seca e o impacto na biodiversidade 

A falta de água impacta na vida da população e, principalmente, na sobrevivência dos peixes. O biólogo Guillermo Estupinan, que é especialista em recursos pesqueiros na Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil, organização que atua com a conservação ambiental, explica que a seca nos rios faz com que a temperatura da água fique mais quente e peixes morrem por falta de oxigênio. Além disso, há casos em que esses animais encalham em bancos de areia e até ficam presos em pequenos lagos.

“Os peixes morrem afogados pela falta de oxigênio, principalmente. Com o baixo nível de água, a alta temperatura e muitos peixes concentrados no mesmo local, o consumo de oxigênio é mais alto do que o que está disponível na água”, afirma o biólogo.

Ele também aponta que, em alguns casos, peixes podem morrer mesmo em lagos com grande volume de água devido à contaminação causada pelas queimadas. “Parte da vegetação queimada se decompõe, liberando sulfato e outros compostos químicos. Esses elementos se misturam à água, levando à intoxicação e asfixia de muitos peixes que permanecem na região.”

Em 2023, morreram 209 golfinhos amazônicos — 178 botos-vermelhos e 31 tucuxis — devido ao superaquecimento das águas no lago Tefé, localizado a 14,7 km do rio Tefé, um afluente do Solimões.

À época, o caso foi revelado pelo Instituto Mamirauá, que se dedica ao estudo de aspectos biológicos, ecológicos e demográficos relativos a cinco espécies de mamíferos aquáticos da região amazônica: peixe-boi, tucuxi, boto vermelho, ariranha e lontra. O lago Tefé alcançou mais de 40°C naquele ano, segundo o instituto.

Seca muda rotina de ribeirinhos 

Os impactos das mudanças climáticas nos rios e da degradação ambiental na Amazônia, agravados pelas queimadas, transformam a rotina das comunidades ribeirinhas. As irmãs Fabiane e Fabíola Pedrosa, moradoras da comunidade Santa Luzia do Baré, recordam que, em 2024, até mesmo a locomoção se tornou um desafio. A região fica localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, às margens do Lago Amanã, no médio rio Solimões, próximo à confluência com o rio Japurá, distante 527 km de Manaus.

Fabiane e Fabíola arrastam canoa por um pequeno rastro de água até o lago. Foto: Reprodução/YouTube-Ribeirinhas da Amazônia

As duas compartilham em um canal no YouTube, o “Ribeirinhas da Amazônia”, o dia a dia na comunidade, incluindo situações adversas como as causadas pela seca.

“A gente teve muita dificuldade para sair da nossa comunidade até a cidade mais próxima, Tefé, para comprar mantimentos. Muita gente nem conseguiu sair daqui até a cidade devido a ter ficado muito seco mesmo, muito difícil o acesso. Muitas passagens fecharam, ‘taparam’, como a gente diz aqui. Então, nem de canoa e de transporte menor estávamos conseguindo”, relata Fabíola.

Para Fabíola, a solução para diminuir as dificuldades nos meses de seca vai além de oferecer cestas básicas, como ocorreu em 2023, quando o governo do Amazonas distribuiu alimento e outros suprimentos a algumas regiões. Ela defende que o principal é garantir que as comunidades indígenas e ribeirinhas tenham acesso à água e energia:

“Para ligar a bomba d’água, tem que ter o gerador de luz. É uma coisa dependendo da outra. Se não tem diesel para abastecer o motor, para ligar a bomba d’água, não adianta de nada ter um poço. Então, o governo investir nisso, deixar bastante combustível para as comunidades, ou fazer a instalação de um painel solar só para usar no poço, para não ter esse gasto com diesel, com motor, seria mais prático”, pontua ela, que sugere também a perfuração de poços em comunidades que ainda não possuem água encanada.

Fabíola enfatiza, ainda, a necessidade de uma atenção maior à saúde, com doações de medicamentos, kits de primeiros socorros e a disponibilização de profissionais de modo contínuo para o atendimento básico.

Moradores de Santa Luzia do Baré, no lago Amanã, enfrentam jornada de até 2 dias para chegar à cidade mais próxima, Tefé. Foto: Google Earth/LandSat

Atualmente, os moradores de Santa Luzia do Baré contam com uma unidade básica de saúde em Boa Esperança, outra comunidade da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, onde os médicos ficam disponíveis para atender apenas metade do mês. Quando os profissionais não estão no local, a solução é se locomover até Tefé — caminho longo para alguém doente ou ferido, principalmente com os rios secos.

“Todos ficamos muito assustados com isso, deu muito medo, é uma situação muito difícil. Esse ano foi um dos anos que parei para refletir… A gente já tem consciência disso, mas esse foi um dos anos mais desafiadores para a gente que mora aqui dentro da reserva. Para sair tem que ter muita coragem”, desabafa a moradora que espera uma realidade diferente em 2025.

  • Esta reportagem contou com o apoio do Programa Vozes pela Ação Climática Justa (VAC), que atua para amplificar ações climáticas locais e busca desempenhar um papel central no debate climático global. A InfoAmazonia faz parte da coalizão “Fortalecimento do ecossistema de dados e inovação cívica na Amazônia Brasileira” com a Associação de Afro Envolvimento Casa Preta, o Coletivo Puraqué, PyLadies Manaus, PyData Manaus e a Open Knowledge Brasil.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Bárbara Aguiar

Startup cria máquina de descontaminação da castanha-do-Brasil

Foto: Reprodução/Arquivo Fapeam

Descontaminar toxinas e fungos da castanha-do-Brasil através da luz Ultra Violeta (UV) por intermédio de uma máquina criada especificamente para isso é o objetivo do projeto ‘PLUS – Gestão da Produção e Qualidade da castanha-do-Brasil’, apoiado pelo Governo do Amazonas, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

A iniciativa, fomentada pelo Programa Inova Amazônia-Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, tem como objetivo realizar a análise e inspeção de qualidade, descontaminação e banho biológico da castanha-do-Brasil para beneficiar o extrativismo amazônico e potencializar a venda do fruto para outros países.

Para o coordenador do projeto e CEO da startup de Inteligência Artificial, Rufo Paganini, a ideia para o projeto ocorreu após verificar que as comunidades têm grandes desafios de manter os padrões de qualidade na extração do fruto na floresta Amazônica.

“Nós estamos trazendo alta tecnologia para a floresta com o objetivo de mantê-la em pé, além de cuidar das pessoas que nela habitam”, comentou Rufo Paganini.

Segundo ele, a Bolívia é o país que domina as vendas da castanha-do-Brasil no mercado europeu (74%) e norte-americano (94%). Empresas bolivianas adquirem do Brasil a castanha com cascas, fazem o beneficiamento e comercializam para outros países com uma margem de lucro muito maior do que a feita no Amazonas.

A qualidade da castanha do Amazonas não tem atendido aos requisitos de países americanos e europeus por conta da existência das toxinas, Aspergillus Flavus e Aspergillus Parasiticus, que comprometem a qualidade do fruto.

Purificação

A plataforma criada pela startup faz o tratamento biológico da castanha, ou seja, é uma espécie de banho biológico de UV. Dentro da máquina, que está em desenvolvimento, há diversas luzes que auxiliam na purificação e protegem a castanha-do-Brasil biologicamente. A ação também evita futura contaminação do fruto.

Parte do desenvolvimento do projeto tem o financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), investimento próprio, além do suporte da Fapeam e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Após a conclusão da criação da máquina, a empresa pretende aplicar o ‘banho biológico’ em outros frutos do extrativismo amazônico.   Atualmente, a startup trabalha com uma usina de beneficiamento das castanhas no município de Tapauá (distante a 449 km de Manaus).

O projeto também realiza a validação da qualidade desse fruto, através de uma parceria com o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). Os laboratórios inspecionam, validam e geram dados para a certificação do fruto das usinas do Amazonas, habilitando-as para as necessidades do mercado internacional.

“Nosso projeto prevê produzir uma castanha de maior qualidade e certificá-la, habilitando os extrativistas amazonenses a exportarem para diversos países”, disse Rufo Paganini.

Ao ampliar a qualidade do produto, a empresa garante a sobrevivência de comunidades tradicionais ao gerar maior qualidade social e econômica dessas famílias. A perspectiva no longo prazo é expandir a descontaminação para outros biomas amazônicos e outras usinas.

*Com informações da Fapeam

Sabores da Amazônia: aprenda 6 receitas rápidas para aproveitar no Carnaval

0

Foto: Reprodução/Amazon Sat

O chef Manoel Brelaz abriu as portas da sua cozinha para preparar três pratos especiais inspirados na Amazônia para saborear com a família no Carnaval – ou sempre que quiser. Além disso, o barman José Augusto ensinou drinks com frutas regionais deliciosos para completar o menu carnavalesco.

Leia também: 5 drinks criados na Amazônia que unem o regional e o moderno

De entrada, o chef Brelaz preparou iscas de peixe crocante, uma mujica de peixe e, para finalizar, dedinhos de queijo. De opções de drinks: o Sidecar da Amazônia (se lê ‘sai de cá’), o Gin Amazônico e uma Piña colada de cupuaçu. 

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Receitas

Isca de peixe crocante

  • 250 g Tucunaré em tiras
  • 5 g Sal
  • 100 ml Limão
  • 3 g Pimenta do reino
  • 100 g Trigo
  • 200 g Farinha panko
  • 3 Ovos
  • 100 g Cheiro verde
  • 10 ml Cachaça
  • 150 g Banana pacovã

Chutney De Cupuaçu

  • 200 g Polpa de cupuaçu
  • 3 g Pimenta calabresa
  • 100 g Açúcar

Mujica de peixe

  • 250 g Tucunaré 
  • 80 ml Óleo
  • 30 g Sal
  • 30 g Cheiro verde
  • 5 g Pimenta de cheiro
  • 100 g Cebola
  • 100 g Tomate
  • 100 g Pimentão
  • 5 g Pimenta do reino
  • 5 g Colorau
  • 10 g Hondashi

Dedinho de queijo

  • 300 g Mussarela
  • 150 g Farinha panko
  • 10 ml Óleo
  • 4 Ovos
  • 120 g Trigo
  • 25 g Molho do chefe

DRINKS

Sidecar da Amazônia 

  • 50 ML de limão siciliano
  • 50 ML de cachaça de jambu
  • 25 ML de xarope de gengibre
  • Folhas de jambu
  • 50 ML de licor de laranja

Gin amazônico

  • 100 ML de suco de taperebá
  • 50 ML de gin
  • 50 ML de suco de abacaxi
  • 50 ML de xarope de maracujá
  • 25 ML de xarope de morango
  • Água tônica

Pina colada de cupuaçu

  • 100 ML de suco de cupuaçu
  • 50 ML de rum
  • 50 ML de leite de coco
  • Leite condensado a gosto

O Carnaval de rua em Manaus mudou muito? Convidados do projeto Carnaval Amazônico comentam

0

O Carnaval de Manaus tem sua história influenciada pelos costumes europeus e adaptada à cultura local. O historiador Abrahim Baze e a organizadora da Banda da Bica comentam como a festa carnavalesca evoluiu no decorrer dos últimos 50 anos.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Cidades do Acre devem ser realocadas para áreas mais altas em função de desastres ambientais

0

Cerca de 75% de Brasiléia ficou coberta por água durante a maior enchente da história da cidade. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

O Acre registrou 167 desastres ambientais entre 2000 e 2023, e deve considerar a realocação de cidades para áreas mais altas. Isto é o que aponta o Anuário das Mudanças Climáticas, do Centro Brasil no Clima (CBC) e Instituto Clima e Sociedade (ICS), elaborado por pesquisadores do meio ambiente.

A análise relata que a região Norte é vulnerável a catástrofes como inundações e alagamentos, e tem baixa capacidade de adaptação, justificada pela falta de planejamento urbano. Além disso, a região está com risco de aumento de até 8ºC na temperatura, o que pode intensificar os problemas.

O estudo cita o caso de Brasiléia, no interior do Acre, que teve a maior enchente de sua história em fevereiro de 2024.

O anuário ainda ressalta que o estado já possui mecanismos de alerta para possíveis desastres, e recomenda que os dispositivos sejam reforçados.

“O plano estadual de adaptação deve considerar o deslocamento de algumas cidades para áreas mais altas e os planos de contingência devem prever estratégias para a minimização dos danos com o aumento da frequência das inundações”, enfatiza.

O sistema de alerta da Bacia do Rio Acre e a plataforma SACE auxiliam no monitoramento em tempo real do nível do rio e Ruas ficam cobertas por enxurrada na região do Calafate, em Rio Branco.

De acordo com a pesquisa, baseada em números do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), os registros de desastres ambientais no estado, em 24 anos, se distribuem da seguinte maneira:

Fonte: Anuário das Mudanças Climáticas/MIDR

Brasiléia já discutiu projeto

Em meio a maior enchente da história do município, a prefeitura de Brasiléia afirmou que considerava um projeto para realocar moradores da parte baixa da cidade na parte alta, menos afetada pelas águas. A informação foi repassada pela então prefeita Fernanda Hassem (PT) após o Rio Acre chegar à marca de 15,56 metros no município.

Leia também: Bairro acreano quase foi parar em território da Bolívia durante enchente

À época, a gestora alertou que há moradores de alguns locais da cidade que se recusam a deixar as casas, mesmo com a enchente. É o caso do bairro Leandro Barbosa, onde cerca de 200 pessoas permaneceram durante a cheia.

O plano para o período pós-cheia, segundo a prefeita, incluiria construir novas residências e conjuntos habitacionais na parte mais alta do município e desocupar a parte baixa, que sempre é coberta por enchentes. Porém, até o início de 2025, ainda não há indicativo de que o plano tenha iniciado.

 Foto: Fernando Oliveira/Asscom Prefeitura de Brasiléia

“São cheias seguidas, então, posteriormente, vamos pensar um projeto ousado e tirar essa parte baixa daqui, construir novas casas, novos conjuntos habitacionais para a parte alta da cidade, porque não dá mais. Nós temos bairros como o Leonardo Barbosa, colocamos à disposição da população para retirada, mas teve pessoas que ainda ficaram. Nós temos 200 pessoas lá. Eu mesma fui lá, levamos médico, levamos a equipe de farmácia ambulante para fazer dispensação de remédios, para entregar comida para eles e para garantir o cuidado com a vida”, disse Hassem.

O Acre enfrentou uma cheia histórica em 2024. Em todo o estado, mais de 14.476 pessoas ficaram fora de casa, dentre desabrigados e desalojados. Além disto, 17 das 22 cidades acreanas ficaram em situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Ao menos 23 comunidades indígenas no interior do Acre também sofreram com os efeitos das enchentes.

O município superou a marca registrada em 2015, naquela que ficou conhecida como a pior cheia da história da cidade, quando as águas do manancial cobriram 100% da área urbana do local.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

Pesquisadores de Rondônia utilizam IA na prospecção de medicamentos

Foto: Reprodução/UNIR

A cada dia, a inteligência artificial (IA) está mais presente em pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. Em Porto Velho, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e da Fiocruz Rondônia utilizam o auxílio da IA na prospecção de novos fármacos para diversas doenças. O grupo já desenvolveu três softwares para auxiliar a comunidade acadêmica nessas investigações e uma quarta ferramenta está em fase de revisão para publicação.

Leia também: Software criado no Amazonas busca otimizar transição industrial para modelo de manufatura inteligente

As pesquisas são desenvolvidas no Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (CEBio), no Campus UNIR de Porto Velho, sob a coordenação do pesquisador Fernando Zanchi. Uma equipe multidisciplinar também  atua no projeto e reúne alunos, pesquisadores e voluntários das áreas de Física, Química, Biomedicina, Biologia, Farmácia, Ciências da Computação e Bioquímica.

Com o auxílio da inteligência artificial, os softwares desenvolvidos pelos pesquisadores aplicam os conhecimentos dessas diversas áreas para analisar as estruturas moleculares de compostos químicos e verificar sua eficácia para o tratamento de enfermidades.

A intenção é facilitar as etapas da investigação de novos fármacos (medicamentos) ou ainda novas aplicações de medicamentos já conhecidos para o tratamento de doenças e problemas de saúde, especialmente aqueles que afetam os moradores da região Amazônica, como malária, dengue e leishmaniose, por exemplo.

Acelerar a produtividade e reduzir custos

Foto: Reprodução/UNIR

Os estudos de viabilidade de potenciais medicamentos seguem etapas minuciosas, e muitas vezes demoradas. O objetivo das ferramentas desenvolvidas pelos pesquisadores da UNIR e Fiocruz é agilizar algumas dessas fases, otimizando o trabalho dos pesquisadores e gerando economia de tempo e de recursos financeiros.

Fernando Zanchi explica que para produzir um novo remédio é necessário conhecer tanto as estruturas moleculares dos patógenos, que são os microorganismos causadores de doenças, quanto a dos candidatos a fármacos. Depois, os pesquisadores fazem o cruzamento dessas informações, no chamado teste de interação no laboratório, até chegar a um potencial resultado.

Tudo isso leva bastante tempo, e o trabalho dos softwares é justamente armazenar e processar milhares de informações sobre a composição das estruturas moleculares dos patógenos, com o intuito de acelerar as etapas das pesquisas, poupando tempo de estudo e trabalho humano.

Os programas agilizam significativamente o trabalho dos pesquisadores:

“Já deixamos diversos alvos preparados no sistema, eliminando todo o processo de filtragem dos alvos enzimáticos dos patógenos, de inserção desses dados no programa e de execução das interações de muitas moléculas contra muitos alvos. Ele [o pesquisador] só vai precisar entrar com as moléculas candidatas a fármacos. Por exemplo, se algum pesquisador suspeitar que um fármaco, já utilizado como antibiótico, poderá também atuar contra o Plasmódio causador da Malária, então ele poderá testar sua hipótese usando nosso software. E tudo isso de forma ágil e acessível via web”, explica Fernando.

Sobre os programas

Cada um dos softwares desenvolvidos possui suas especificidades. O Visual Dynamics, por exemplo, permite simular qualquer estrutura proteica de qualquer patógeno, enquanto o software que segue em fase de teste será dedicado exclusivamente ao Plamódio causador da Malária.

Arte: Reprodução/UNIR

Visual Dynamics é uma ferramenta para simulação de dinâmica molecular. Disponibilizado desde 2022, é utilizado atualmente por mais de 50 países em todos os continentes. Esse programa permite que o usuário simule o comportamento e interação de qualquer proteína que tenha relação com alguma doença, como diversos tipos de câncer, malária, Aids e Covid-19. Seu objetivo é adiantar etapas de pesquisas que investigam novos medicamentos para essas doenças.

Além disso, os dados reunidos no programa também podem levar à criação de outros produtos, como inseticidas e larvicidas, e auxiliar pesquisas voltadas para a preservação do meio ambiente. “Há registros de estudos que utilizam o programa na técnica de bioremediação – que usa microrganismos como bactérias, fungos e plantas, para descontaminação de áreas afetadas pela poluição”, afirma Fernando.

A pesquisa sobre o Visual Dynamics foi publicada na revista BMC Bioinfomatics (acesse aqui), e a ferramenta está disponível no link https://visualdynamics.fiocruz.br.

Já o PlasmoIA é um software baseado em inteligência artificial que foi desenvolvido para identificar o plasmódio causador da malária em imagens de microscopia. De acordo com o professor Fernando, essa ferramenta possui uma taxa de acerto de 98% na detecção da presença ou ausência de malária em amostras de sangue coletadas na lâmina. Nesse caso, a análise é feita rapidamente por meio de uma foto da amostra de sangue, produzida com auxílio de um microscópio e enviada para o sistema.

Por outro lado, a análise das lâminas feita por humanos é um pouco mais demorada e requer muita habilidade dos profissionais para rastrear o plasmodium nas amostras de sangue.

“Além do número reduzido de profissionais capacitados nas instituições de saúde, são necessários muitos anos de treinamento para atingir a excelência na profissão. Por isso, treinar o algoritmo para reconhecer a doença nas lâminas é uma alternativa para abreviar o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento dos pacientes, o que pode reduzir a transmissão entre pessoas”, observa o pesquisador Fenando Zanchi.

O software ainda precisa de um refinamento no sistema de identificação de casos em que não há malária. Isso porque, embora ele apresente uma alta sensibilidade de 98% para identificar os casos positivos, sua especificidade para os casos negativos ainda é baixa, impedindo a determinação de outras possíveis enfermidades que possam estar afetando o paciente.

Apesar dessa limitação, a combinação do diagnóstico médico, dos exames clínicos e dos resultados fornecidos pelo software permite uma identificação mais precisa de outras eventuais doenças.

Mais detalhes sobre o PlasmoIA estão disponíveis na revista PLOS (acesse aqui) e a ferramenta online, ainda em fase de validação, pode ser acessada em https://www.plasmoia.labioquim.fiocruz.br. 

O terceiro programa, o PlasmoQSAR é uma ferramenta online para cálculo e predição de atividade anti-malária. Publicado na revista ACS OMEGA (acesse aqui) e disponibilizado no endereço www.qsar.labioquim.fiocruz.br,  o software está registrado no INPI sob o número  BR 51 2024 000346-0.

A “calculadora”, como é chamada por Fernando, é um modelo matemático utilizado para realizar testes de determinado composto químico no combate a uma cepa do plasmódio, parasita causador da malária. Nesse estudo, o modelo consegue prever a eficácia de compostos químicos análogos ao triclosan contra a cepa 3D7 do parasita Plasmodium falciparum.

Leia também: Trajetória de Marcus Lacerda, especialista em malária na Amazônia, é destaque em publicação médica internacional

O PlasmoQSAR é resultante de uma dissertação de mestrado orientada por Zanchi no Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental (PPGBIOExp), ofertado em cooperação entre a UNIR e a Fiocruz.

E o Plasmodocking, por sua vez, é uma ferramenta de prospecção de novos fármacos exclusivo contra malária, através de docking molecular. O programa oferece um aumento significativo na velocidade de cálculo do docking molecular, permitindo análises mais rápidas e triagem virtual de milhares de compostos, ideal para estudos de larga escala. Para isso, utiliza técnicas avançadas de busca e otimização, como algoritmos genéticos e busca local baseada em gradientes. O estudo está em fase de revisão para publicação, mas a ferramenta já pode ser acessada em: https://plasmodocking-unir.ecotechamazonia.com.br/.

*Com informações da UNIR

6 conquistas culturais do Carnailha que o tornam único

0

Você já ouviu falar no Carnailha? Um dos eventos mais esperados de Parintins, no Amazonas, é o momento em que o Carnaval toma conta da ilha da magia, famosa pela disputa dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

O evento é uma expressão da identidade cultural do povo parintinense, que mistura elementos do Carnaval e do boi-bumbá.

O evento é realizado tradicionalmente no domingo, segunda-feira e terça-feira de Carnaval com o objetivo de valorizar a cultura local e promover o turismo na região. Além de gerar emprego e renda para o município, o Carnailha movimenta a economia local.

Em 2025, a festa começou no dia 7 de fevereiro, com a chegada da Kamélia na ilha e acontece entre os dias 2, 3 e 4 de março, na Avenida Paraíba, na ilha da magia.

Confira algumas coisas que somente o Carnailha tem:

Confira as músicas:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.