Casa Azul: o passado sombrio escondido às margens da Transamazônica

A Casa Azul também foi utilizada para fins de repressão, sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar.

A Casa Azul também foi utilizada para fins de repressão, sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Foto: Reprodução/Denise Costa

Durante a década de 1970, auge da ditadura militar, o imóvel foi utilizado como centro clandestino de detenção, tortura e execução de presos políticos. Guerrilheiros que atuavam na região do Araguaia e camponeses suspeitos de envolvimento com a resistência foram levados à força para o local, onde enfrentaram interrogatórios brutais e condições desumanas. Para mascarar sua verdadeira função, a Casa Azul abrigava, oficialmente, o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), numa tentativa de manter a fachada institucional.

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Segundo o livro Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal em 2001 identificaram quatro bases militares clandestinas na região sul e sudeste do Pará. Em Marabá, além da Casa Azul, também foram utilizados para fins de repressão a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Em São Domingos do Araguaia, o presídio da Bacaba era responsável pela triagem de camponeses suspeitos — muitos dos quais acabavam sendo levados para a Casa Azul.

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Em Marabá, além da Casa Azul, também foram utilizados para fins de repressão a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e um presídio militar. Foto: Reprodução/Agência Pará

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Além de serem brutalmente torturadas, algumas vítimas eram forçadas a colaborar com os militares, ajudando, sob ameaça, na rotina da Casa Azul. Os relatos, ainda hoje, são dolorosos e muitas vezes silenciados pelo medo e pela ausência de justiça plena.

A existência da Casa Azul permanece como um lembrete de que, por trás de prédios comuns e nomes inofensivos, se pode esconder uma história de sofrimento e resistência. Em tempos de negacionismo e revisionismo histórico, manter viva a memória desses lugares é um dever de todos que acreditam nos direitos humanos, na democracia e na verdade.

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