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Com mais de 100 doações de sangue, servidor público se torna recordista em Rondônia

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Foto: Divulgação/Fhemeron

Quando se trata de solidariedade e generosidade, Roberto Redondo Souza é uma inspiração para muitos. O servidor público é recordista em doações de sangue registradas na Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), com 93 doações documentadas.

A primeira doação de Roberto foi feita em 1994, mas o sistema eletrônico da Fhemeron só começou a contabilizar os dados em 2008. De acordo com a Fundação, o recordista acumula mais de 100 doações ao longo dos anos, considerando também os registros feitos anteriormente em fichas manuais.

Leia também: Mitos e verdades sobre a doação de sangue: você sabe o que é necessário para ser doador?

Ao Grupo Rede Amazônica, Roberto informou que é doador de plaquetas e faz de 8 a 10 doações por ano. A decisão de se tornar doador foi tomada com o objetivo de ajudar o próximo.

“Resolvi ser doador pra fazer o bem ao próximo, e por saber que mesmo com o avanço tecnológico não inventaram nada que substitua o sangue. Há muita gente precisando de sangue, quer seja para realizar uma cirurgia ou para repor as plaquetas, no caso da câncer por exemplo”, disse.

O espírito solidário de Roberto já ajudou a salvar várias vidas. Ao relembrar o início de sua trajetória como voluntário, ele ressaltou a importância de incentivar novas pessoas a se tornarem doadoras.

“Que elas se sintam inspiradas com meu exemplo e que passem a doar, pois é um ato de amor ao próximo e muito gratificante saber que um simples gesto como esse podem salvar muitas vidas”, disse.

Estoque baixo de sangue O+

De acordo com a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), o estoque de sangue do tipo sanguíneo O+ é considerado abaixo da média e pra reverter a situação, a instituição convida a população para fazer doações.

A Fhemeron fornece bolsas de sangue para hospitais de toda a rede pública de saúde, garantindo a realização de cirurgias e o tratamento adequado para pacientes com doenças crônicas.

Leia também: Caminhos do sangue: da doação à transfusão

Quem pode doar?

De acordo com a Fhemeron, para ser um doador é necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar acima de 50 quilos, estar em boas condições de saúde e apresentar um documento oficial com foto. A recomendação é estar bem alimentado e evitar alimentos gordurosos antes da doação.

Impedimentos temporários:

  • Estar gripado ou com febre;
  • Estar grávida ou amamentando;
  • Estar em tratamento médico;
  • Ter ingerido bebida alcoólica no dia da doação (12 horas);
  • Ter tatuagem feita há menos de um ano;
  • Ter feito endoscopia digestiva nos últimos seis meses; e
  • Ter tido malária nos últimos 12 meses.
  • Impedimentos definitivos
  • Ter tido doença de Chagas;
  • Ter tido hepatite após os 11 anos de idade;
  • Ter sido exposto à situação ou comportamentos que levem a risco, acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Onde doar?

Os hemocentros estaduais estão em funcionamento em seis municípios do estado: Porto Velho, Ariquemes, Cacoal, Ji-Paraná, Rolim de Moura e Vilhena.

Em Porto Velho, a unidade de coordenação de coleta funciona de segunda a sexta-feira, das 7h15 às 18h, e aos sábados, das 7h15 às 12h, localizada na Avenida Jorge Teixeira, nº 3.766, Bairro Industrial. Os endereços dos demais municípios estão disponíveis no Portal da Fhemeron.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Governo Federal autoriza uso da Força Nacional na TI Tenharim Marmelos, no Amazonas

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Foto: Lohana Chaves/Funai 

A Portaria MJSP nº 889/2025, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 28 de fevereiro, autoriza o uso da Força Nacional de Segurança Pública, em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), na Terra Indígena Tenharim Marmelos, no estado do Amazonas. A medida tem como objetivo a preservação da ordem pública e da segurança das pessoas e do patrimônio.

O texto assinado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, prevê ainda que o contingente disponibilizado obedecerá ao planejamento definido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério. A operação terá apoio logístico da Funai, a quem compete oferecer parte da infraestrutura necessária ao trabalho da Força Nacional de Segurança Pública.

O trabalho ocorrerá em articulação com os órgãos de segurança pública do estado, sob coordenação da Polícia Federal, no escopo do Plano Amazônia: Segurança e Soberania – Plano Amas, uma das principais estratégias de implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Terra Indígena Tenharim Marmelos

Tenharim é o nome pelo qual são conhecidos três grupos indígenas que vivem hoje na região do curso médio do rio Madeira, no sul do Estado do Amazonas, pertencentes a um conjunto mais amplo de povos que chamam a si mesmos de Kagwahiva.

Existem hoje poucos remanescentes destes grupos Kagwahiva: os Tenharim do rio Marmelos, os Tenharim do Igarapé Preto e os Tenharim do rio Sepoti, os Parintintin e os Jiahui. De acordo com informações recentes, 741 pessoas vivem nesta TI, localizada à beira do rio Marmelos, um dos afluentes do rio Madeira.

A aldeia é dividida pela BR-230, a rodovia Transamazônica, que se constitui, para os Tenharim, no principal meio de escoamento de alguns de seus produtos como a castanha, a copaíba e a farinha de mandioca, bem como de entrada de alguns produtos manufaturados como o sal, o óleo e o sabão.

*Com informações da Secom/PR

Roraima bate recorde histórico de focos de calor e área atingida pelo fogo cresce 66% em 2024

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Fogo em floresta no município de Amajari, no interior de Roraima, em 2024. Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica RR

Sob o efeito do fenômeno El Niño, em 2024, Roraima registrou um recorde histórico no número de focos de calor: 5.358, o maior número para o estado desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar as queimadas na Amazônia. Focos de calor são zonas que há ressecamento e elevação de temperatura, que podem ocasionar incêndios.

O número supera o registrado cinco anos antes, em 2019, quando o estado teve 4.784 focos de calor. Os outros três anos com mais focos de calor foram:

  • 2003: 3.987
  • 2016: 3.870
  • 2007: 3.244

Em 2024, o mês com mais registros de focos de calor foi fevereiro, quando o estado atingiu a maior marca para o período na série histórica, com 2.057. O número começou a cair em abril, mês em que inicia o período de chuvas, mas chegou a menor marca em julho do ano passado, quando foram apenas três.

Os focos atingiram áreas de assentamento rural, propriedades privadas, terras indígenas, florestas e áreas de proteção ambiental no estado.

Em 2024, a população enfrentou uma estiagem severa, que aumenta as possibilidades de incêndio, a seca do Rio Branco, o principal do estado,  e às chamas. Com o solo e a vegetação seca, as temperaturas altas e a falta de chuva, o fogo se espalhou pelo estado e consumiu casas, animais e vegetação.

Resultado dos incêndios que atingiram Roraima, por vários dias a fumaça “tomou” o céu da capital Boa Vista e de municípios do interior do estado. A “cortina cinzenta” até fechou salas de aula, medida para evitar a exposição.

A seca severa também reduziu a vazão dos principais rios e levou 14 dos 15 municípios a decretarem emergência. Desses, pelo menos quatro tiveram o fornecimento de água encanada interrompido naquele ano e a população só teve acesso a água para beber e tomar banho por meio de caminhões-pipa.

Mais chuvas, menos focos em 2025

Do dia 1° de janeiro de 2025 até esse domingo (23), Roraima teve uma redução de 81% no número de focos de calor, em comparação com o mesmo período do ano passado. Até agora, foram 456 focos, já em 2024 o número era de 2.495 — ou seja, 2.039 focos a menos.

A queda é causada pelas mudanças climáticas, de acordo com o chefe do Programa Queimadas do Inpe, Fabiano Morelli. Diferente do ano passado, em 2025 o Brasil é impactado pelo fenômeno climático La Niña, que diminui as temperaturas e causa mais chuvas no Norte do país, onde Roraima está.

Com isso, a previsão é de que o estado tenha chuvas mais intensas.

“Isso se deve a mudança das condições climáticas. Saindo de um ano de El Niño com aquecimento no Atlântico Norte que favorece a ocorrência de fogo na região Norte do Brasil, para um período de La Niña onde as chuvas estão mais intensas em Roraima”, Fabiano Morelli, chefe do Programa Queimadas do Inpe.

O La Niña ocorre quando há o resfriamento da faixa Equatorial Central e Centro-Leste do Oceano Pacífico. Ele é estabelecido quando há uma diminuição igual ou maior a 0,5°C nas águas do oceano. O fenômeno acontece a cada 3 ou 5 anos.

No Brasil, os efeitos clássicos do La Niña são:

  • Aumento de chuvas no Norte e no Nordeste;
  • Tempo seco no Centro-Sul, com chuvas mais irregulares;
  • Tendência de tempo mais seco no Sul;
  • Condição mais favorável para a entrada de massas de ar frio no Brasil, gerando maior variação térmica.

Apesar disso, Roraima já figura entre os estados com os maiores números de focos desde o início de 2025. Com 456 focos registrados até essa segunda-feira (24), o estado é o terceiro com mais focos de calor. Ele está atrás do Maranhão, que tem 534, e do Mato Grosso, que já contabiliza 479.

Além disso, dos dez municípios brasileiros com mais focos de calor, sete são roraimenses. Pacaraima e Normandia, localizados ao Norte, e Caroebe, que está ao Sul, estão no topo do ranking com 72, 69 e 43 focos, respectivamente.

Para Fabiano, no entanto, o estado não deve registrar novos recordes em 2025 devido as chuvas causadas pelo La Niña. O pico de queimadas deve ocorrer no mês de março, conforme os dados históricos registrados em anos anteriores.

Área queimada

Incêndio atinge Amajari, Norte de Roraima. Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR

Em 2024, o fogo queimou 2.517.096 milhões de hectares em Roraima, a maior degradação dos últimos seis anos, de acordo com dados do Monitor do Fogo, plataforma do MapBiomas, que monitora áreas afetadas por queimadas.

O número representa um crescimento de 66% em comparação com o ano de 2023, quando o estado teve 1.511.154 milhões de hectares atingidos pelas chamadas. O Monitor também mostrou que Roraima liderou o ranking dos estados com mais áreas devastadas de janeiro a abril de 2024.

O estado foi um dos que mais queimou no ano passado, ocupando o quarto lugar. O pódio é liderado pelo Pará, com 7,3 milhões de hectares, Mato Grosso que teve 6,8 milhões e o Tocantins, com 2,7 milhões de hectares.

Em todo o Brasil, mais de 30,8 milhões de hectares foram queimados entre janeiro e dezembro de 2024. A Amazônia, que Roraima também integra, foi o bioma mais afetado: 60% de tudo o que foi destruído pelo fogo, foram 17.904.407 milhões de hectares consumidos pelo fogo no ano passado.

Com base em números como esse, em janeiro deste ano o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que o governo de Roraima, federal e outros nove governos da Amazônia e do Pantanal apresentem quais são os planos emergenciais contra queimadas.

Em nota, à época, o governo informou que apresentaria “formalmente, no prazo legal, os planos emergenciais relativos à conscientização e manejo integrado do fogo, que incluem campanhas educativas, publicidade e mobilização social.” Disse ainda que “dispõe de vários mecanismos e políticas públicas de controle e de combate contra queimadas ilegais”.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

“Primeiro registro na Amazônia”: cachalote-pigmeu é encontrado encalhado no Amapá

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Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) confirmou no dia 27 de fevereiro que o encalhe do cachalote-pigmeu na praia do Goiabalinho, em Calçoene, foi o primeiro registro de encalhe dessa espécie na costa Amazônica. O mamífero, que apareceu morto, pertence à família dos golfinhos, mas geralmente é confundido como baleia, por conta do tamanho.

Leia também: Carcaças de 4 animais marinhos são encontradas em praia no Amapá

O animal media 3 metros de comprimento e já estava em estado avançado de decomposição quando foi encontrado por um morador da região.

Claudia Funi, coordenadora do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC), explicou que os cachalotes-pigmeus vivem em águas profundas e o encalhe na costa amapaense fornecerá ao projeto mais detalhes sobre a espécie, que é considerada rara.

“Para a ciência, a importância é gigante. É um animal raro, que é difícil até em outros locais do mundo terem acesso a um espécime desse encalhado. Ele vive em águas profundas e é o primeiro para a região Amazônica. A gente vai pegar o material osteológico dele, material genético, que pode ajudar a gente a entender melhor essa espécie, inclusive a distribuição dela”, informou a pesquisadora.

Corpo de cachalote-pigmeu na praia do Goiabalinho, em Calçoene — Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP
Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

De acordo com relatório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), até 2023, o Brasil havia registrado apenas 5 encalhes de cachalote-pigmeu.

Para a coordenadora do projeto, que monitora encalhes de animais como baleias, botos e golfinhos, as características do encalhe indicam que o animal já chegou morto ao litoral.

Pesquisadores coletam amostras de cachalote-pigmeu — Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP
Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

“Ele, possivelmente, já chegou morto aqui, pois vive em águas profundas. Ele já está sob o impacto da maré e do sol há pelo menos três dias. Então, identificar a causa morte dele é algo que a gente não vai conseguir. Por exemplo, retirar a bula timpânica, a gente não consegue ver escoriações e o que a gente vai tentar é ver conteúdo estomacal também, porque pode trazer informações pra gente”, descreveu Funi.

O cahalote-pigmeu vai passar por vários processos no Iepa para limpeza e retirada de materiais para integrar a coleção científica do Amapá.

Diferença dos cachalotes

O cientista ambiental Roginey Silva destacou que umas das maiores diferenças entre os cachalotes-pigmeus e cachalotes comuns são o tamanho e a expectativa de vida.

“Quando adultos, os cachalotes comuns podem chegar até 20 metros de comprimento e viverem até cerca de 40 anos. Já os pigmeus podem ter até 4 metros e vivem por volta de 23 a 25 anos”, disse.

Cachalote-pigmeu

Segundo o ICMBio, a espécie Cachalote-pigmeu pertence à ordem dos cetáceos (baleias, botos e golfinhos) e possui características como presença dentes e apenas um orifício respiratório. Os animais habitam águas costeiras e oceânicas.

A espécie ocorre preferencialmente ao largo da plataforma continental em águas tropicais e temperadas, podendo ser avistada solitária ou em pequenos grupos de até 6 indivíduos. Existem muito poucas informações sobre a espécie, fazendo com que ela seja classificada como contendo dados insuficientes (DD) para categorização de seu status de conservação.

Sobre o projeto PCMC

Filhote de cachalote morto encalha na praia do Goiabal, em Calçoene. Realizado deste o ano passado, o projeto foi uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabelecida no processo de licenciamento ambiental da pesquisa marítima para levantamento de dados geológicos da TGS nas bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.

As atividades incluem o monitoramento de praias – para atuar e analisar encalhes de baleias, botos e golfinhos – e ações de educação ambiental em comunidades locais.

O projeto disponibiliza números para acionamento em casos de encalhe de animais marinhos: (96) 99206-3344 e (96) 99116-3712.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

“Ilíada”, ou como trazer o clássico para um novo público

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Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Como manter os clássicos vivos em um mundo dominado por telas? Um mundo em que até a literatura mais contemporânea disputa atenção com o Tik Tok?

Quando me convidaram para assistir à montagem teatral feita por Daniel Dantas e Letícia Sabatella de “A Ilíada”, no dia 15 de fevereiro, eu aceitei sem pensar muito. Entenda: o primeiro livro que li inteiro foi uma edição para crianças de “A Odisseia” e sempre fui apaixonado pelas histórias que o poeta Homero – tão mítico quanto seu próprio trabalho – traz em seus versos épicos.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

De coração aberto, não pesquisei muito sobre como os dois atores interpretaram as aventuras de Aquiles e o ataque dos gregos à cidade de Troia, apenas fui. Afinal, assistir a um espetáculo no Teatro Amazonas é sempre um programa bem-vindo. Acontece que, de início, me peguei confuso, pois não esperava que Dantas e Sabatella começassem de forma tão… não teatral. A impressão que tive era de que estava assistindo a uma aula de Literatura, uma que eu mesmo já dei vez ou outra, explicando sobre o enredo e os cantos que trariam ao palco: apenas o 1 e o 20, além de um breve glossário de palavras em grego que cruzariam suas falas.

Durante essa introdução, falaram que a tradução que adotaram foi a de Manoel Odorico Mendes, em um “português difícil” feito para funcionar quase exclusivamente no contexto do poema de Homero. Dizer que sua apresentação será “difícil” de entender, para mim, é um tiro no pé, uma vez que, de antemão, criamos uma barreira entre espectador e aquilo que ele espera ver, o que fez com que meu estranhamento só aumentasse…

Até que Dantas começou a interpretar os versos iniciais de um dos textos mais icônicos do Ocidente.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Imagino que Cristo, quando confrontou o homem possuído por uma Legião, tenha tido a mesma sensação que eu: em um escuro quase ritualístico, vi Dantas encarnar uma pluralidade de vozes com uma velocidade assustadora, e ia de um personagem a outro com a mesma facilidade com que tomamos fôlego. Sim, o português era desafiador. Sim, não foi um linguajar feito para ser compreendido sem uma introdução e um glossário a tiracolo.

Quando me dei conta, o jogo de luzes que brilhava de forma dinâmica sobre o ator ajudava a diferenciar suas personagens em uma sincronia automática. Beto Bruel é o gênio por trás da linguagem construída com sua iluminação e a performance de Dantas, que, embora só, deixa bem claro que não se trata de um monólogo. Vi uma dúzia de vozes naquele homem, uma dúzia de almas em um único corpo, e senti arrepios a cada instante.

Dantas se responsabiliza pelo Canto I, no qual são descritas as desavenças internas entre os gregos que planejavam invadir Troia, e ao fim de um pandemônio entre deuses perfeitamente executado, foi a vez de Sabatella trazer uma magia diferente ao palco no momento em que interpretou o consideravelmente mais violento Canto 20.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

A linguagem de mil luzes, vozes e gelo seco se consolida na interpretação de Letícia, que adiciona graciosos movimentos de dança e um estudo curioso de sotaques brasileiros à performance, dando tanto continuidade à atmosfera inquietante quanto um encantamento especial ao ritual que ela e Dantas trouxeram ao Teatro Amazonas. Sem fazer concessões à dificuldade do idioma que decidiram trazer ao palco, é a combinação dos fatores cênicos que torna a peça compreensível, uma vez que o espectador entende que é a experiência artística, acima de qualquer facilidade que um português adaptado e popular possa trazer, que eleva a obra ao nível de espetáculo. 

Ao final, me senti completamente dividido.

Por um lado, por ser professor, sempre defendo que o lúdico deve criar estratégias para que a arte seja acessível (e compreensível) a todos – o que, por meio da palavra, a obra não faz – ; por outro, fiquei chocado em como a composição feita no palco assume esse papel, apostando sim em um “português difícil”, mas também em todo um conjunto cênico, para criar um idioma próprio para os palcos, uma linguagem que vai além da compreensão simples e afeta diretamente sentidos que não sabemos ter.

O que foi feito naquela noite foi uma verdadeira experiência sensorial que, mesmo dispensando as facilidades do português atual, garante compreensão por recursos alternativos que por vezes esqueço que – erro meu, que também sou humano – só o teatro pode oferecer.

Eu, que sou tão investido em uma literatura acessível apenas por meio da leitura, esqueço que o teatro também proporciona uma experiência literária potente, imensamente assustadora, que encontra formas diferentes de falar, formas em que a palavra assume papel secundário: eu posso não ter “ouvido” Poseidon naquele palco, mas senti toda a sua força e imponência na luz azul que banhava Sabatella, enquanto imitava um tridente com os dedos e proferia suas falas com um forte sotaque carioca. E com certeza eu vou me lembrar da deusa Hera fumando à la Clarice Lispector.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Em tempos em que a leitura é um ato ameaçado pela emergência das novas tecnologias, é apaixonante ter a certeza de que as artes ainda encontram formas diversas de celebrar a linguagem. A peça, ao mesmo tempo que destaca o clássico, encontra uma forma poderosa de torná-lo apresentável a um público contemporâneo, usando cada um dos recursos cênicos que dispõe de maneira simples e absolutamente efetiva.

Durante os três dias em que a peça ficou em cartaz em Manaus, acredito que os espectadores tiveram uma experiência religiosa: às vezes incompreensível a princípio, mas com certeza divina.

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Saiba qual a ordem dos desfiles das escolas de samba do Carnaval no Amapá em 2025

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Foto: Nayana Magalhães/GEA

Em 2025, o Carnaval no Amapá conta com desfiles das 10 escolas de samba nos dias 28 de fevereiro e 1º de março. Os desfiles acontecem no Sambódromo, zona sul de Macapá, e ordem é de acordo com a colocação da agremiação no Carnaval de 2024.

As escolas terão no mínimo 50 e no máximo 80 minutos para passar na avenida, conforme prevê o regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (LIESAP).

Quem não cumprir o tempo mínimo será desclassificado. Haverá um intervalo de 15 minutos entre cada escola para que seja organizada a avenida para o desfile seguinte.

Sexta-feira (28 de fevereiro)

Grupo de Acesso

  • Embaixada de Samba Cidade de Macapá (21h às 22h)
  • Solidariedade (22h35 às 23h55)

Grupo Especial

  • Império da Zona Norte (0h10 à 1h30)
  • Piratas Estilizados (1h45 às 3h05)
  • Império do Povo (3h20 às 4h40)

Sábado (1º de março)

Grupo de Acesso

  • Emissários da Cegonha (21h às 22h20)
  • Unidos do Buritizal (22h35 às 23h55)

Grupo Especial

  • Boêmios do Laguinho (00h10 à 1h30)
  • Maracatu da Favela (1h45 às 3h05)
  • Piratas da Batucada (3h20 às 4h40)

Transmissão ao vivo

O Carnaval Amapaense busca evidenciar a fusão de tradições e expressões culturais locais, reforçando a importância histórica dessas celebrações para a identidade regional. Além de entreter, a cobertura pretende impulsionar a economia criativa, fomentar o turismo e promover ações socioeducativas.

Por isso, para quem não puder participar da festa carnavalesca, os desfiles das escolas de samba de Macapá, do grupo especial, serão exibidos em TV aberta pelo canal Amazon Sat.  Saiba onde assistir AQUI.

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Armadilha fotográfica: uma forma eficaz de observar a floresta (e algumas surpresas)

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Foto: Reprodução/Youtube-Ticksman

Neste vídeo mostro o momento em que montei uma armadilha fotográfica na selva amazônica e capturei imagens incríveis de uma anta e porcos do mato! Acompanhe-me enquanto explico o processo de instalação da armadilha e revejo as imagens capturadas.

Descubra a diversidade da vida selvagem da Amazônia e a importância de monitorar esses animais em seu habitat natural.

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaval Amazônico acontece pela 1ª vez no Amapá com transmissão ao vivo e programação especial

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Escola Maracatu da Favela durante o desfile das escolas de samba do Amapá em 2024. Foto: Isadora Pereira/g1 Amapá

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) traz uma novidade especial para os amapaenses nesta sexta-feira (28): a primeira edição presencial do Carnaval Amazônico chega ao estado, prometendo muita alegria, tradição e uma cobertura completa para toda a Região Norte.

“Com os ajustes na empresa e mais profissionais dedicados ao projeto, a edição deste ano será ainda mais grandiosa e efetiva. A cobertura será regional, com destaque para o Amapá, com a maior manifestação carnavalesca do estado”, afirmou o CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

A programação inclui transmissões ao vivo dos desfiles das escolas de samba de Macapá, a partir de sexta-feira, e dos blocos carnavalescos de Santana, a partir de sábado. Os eventos serão exibidos em TV aberta pelo Amazon Sat.

“Nós já transmitimos tanto o Carnaval de Santana quanto o desfile das escolas de samba de Macapá — e, este ano, não será diferente. A emissora fará a cobertura completa dos dois eventos, com transmissões ao vivo do desfile do grupo especial de Macapá e dos blocos de Carnaval de Santana. A expectativa para esta edição é alta, com a promessa de levar toda a energia e a alegria das festividades para os telespectadores de toda a região Norte”, destacou o coordenador do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro.

A Rede Amazônica também reforça seu compromisso com a sustentabilidade: campanhas educativas e iniciativas para reduzir os impactos ambientais do evento serão implementadas durante todo o circuito de carnaval.

“Os projetos da Fundação Rede Amazônica sempre incluem ações socioambientais. Neste carnaval, haverá compensação ambiental para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela execução do projeto, como o uso de gasolina, energia elétrica e geradores durante as transmissões”, destacou Matheus Aquino, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica.

Com muita música, cores e alegria, o Carnaval Amazônico promete ser uma celebração inesquecível para todos os cantos do Amapá e do Norte do Brasil.

Carnaval AmazônicoAmapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

O risco da autocorrupção

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Os pais não sabiam explicar de onde surgiu a ideia de Olavo. Lá pelos 5 ou 6 anos de idade, ele começou a dizer que queria ser padre. Com 7 ou 8 anos, nos almoços de domingo, abençoava toda a família. Todos riam, mas não entendiam bem. A família não era católica e nem os convidados, na sua maioria. De onde Olavo havia tirado estas ideias?

Na adolescência, Olavo ganhou um apelido. Era o profeta. Aquele que sempre tinha um bom conselho para os amigos. Parecia o mais maduro da turma e tinha um interesse genuíno em ajudar os colegas. Na escola, conseguiu desviar alguns do uso de drogas, fazendo uma verdadeira catequese quando descobria que alguém estava querendo experimentar ou tinha experimentado entorpecentes. Contava histórias, supostamente reais, de pessoas que caíram na desgraça, por irem por este caminho. Não se sabe como, na época, Olavo tinha acesso a estes casos. Não havia internet e nem tantas informações disponíveis. Com as meninas, Olavo era gentil e até romântico. Fazia poesias e música, quando se apaixonava.

Adulto, Olavo não se tornou padre, mas criou uma igreja. Era chamado de Mestre. O que mais surpreendeu era que Olavo costumava estudar religiões orientais, especialmente o budismo e o xintoísmo, além de adotar práticas místicas de diversos tipos. A igreja criada por Olavo, no entanto, era genuinamente ocidental e, pode-se dizer, no estilo mais ortodoxo e radical. Contra as expectativas do que seria um bom marketing, em uma sociedade mais contemporânea, a igreja de Olavo, de estilo mais antigo, começou a atrair adeptos aos poucos, por um boca-a-boca, entre os que se sentiam acolhidos. Olavo não parecia preocupado com quantidade. Seu objetivo era ajudar as pessoas que o procuravam. Ele mesmo levava uma vida simples e voltada para os fiéis.

Em algum momento, porém, algo aconteceu. Olavo e sua equipe de auxiliares mais próximos, todos agora graduados como sacerdotes, desviaram o foco das pessoas para a organização. A pauta agora era o número de seguidores, as doações recebidas e os diversos eventos que precisariam ser organizados, envolvendo grandes operações. Olavo parecia mais vaidoso, tinha poder e o seu padrão de vida elevou-se consideravelmente. Segundo ele, era necessário tornar a igreja grande, a fim de levar a mensagem para todos os quatro cantos do mundo. O empreendimento ia bem, mas o próprio Olavo não estava feliz.

O que aconteceu com Olavo é mais comum do que parece e pode ocorrer com qualquer um de nós. Na origem, somos idealistas e queremos fazer o bem. Quando isto ocorre, nossa alma e nossa mente sentem-se realizadas, pois esta é a missão comum de todos nós. Acredito que seja por isto que nos sentimos tão felizes quando fazemos alguém feliz. Como seres humanos, somos capazes de grandes sacrifícios para cuidar de uma única criança ou de contribuir com causas que beneficiem muita gente. Mas temos dentro de nós a dualidade. Mais uma vez me vem à mente as forças Yang e Yin. Elas se complementam, se juntam e produzem movimentos, em parte, contrários.

Somos vulneráveis pelo poder, pela vaidade e pelo dinheiro, para citar apenas alguns. É fácil os fins se confundirem com os meios e, se não estivermos atentos, seremos vítimas do pior tipo de corrupção: a autocorrupção. Se pensarmos bem, todas as corrupções começam por aí.

O autoconhecimento, as reflexões contínuas e o criar uma segunda pessoa, que nos observe e nos critique, podem ser bons antídotos para nos manter vigilantes e atuantes na construção da felicidade, para os outros e para nós mesmos.

Todos corremos algum risco de autocorrupção, que é quando nos afastamos de nossa essência. Talvez ninguém o perceba, nem nós mesmos. Você já pensou o que o colocaria neste tipo de risco? Fica o alerta para o Olavo e para cada um de nós. E fica também a esperança de que sempre haverá tempo para retornarmos ao nosso verdadeiro caminho.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

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Mapeamento de castanhais no Pará é ampliado por meio de parceria

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Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) realizaram, durante uma semana entre o fim de janeiro e início de fevereiro, o mapeamento de populações naturais de castanheira (Bertholletia excelsa Bonpl.) no mosaico das unidades de conservação de Carajás, na região Sul do Pará.

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Essa atividade marcou a primeira etapa de execução do projeto de pesquisa ‘Estrutura e dinâmica populacional da castanheira no mosaico de unidades de conservação de Carajás’, coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Scoles (Ufopa) e executado em campo pelo engenheiro florestal e doutor em Botânica Marcos Vinicius Batista Soares, bolsista de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em parceria com o NGI Carajás do ICMBio e financiamento da Fundação Tecnologia Florestal e Geoprocessamento (Funtec/DF).

“O objetivo principal desta pesquisa é avaliar o estado de conservação das populações de castanheiras no mosaico de áreas protegidas de Carajás, pressionadas há décadas pelo avanço da agropecuária e mineração”, explicou Scoles.

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“Durante esse mapeamento dos castanhais da região da Serra dos Carajás, a equipe de pesquisa contou com a inestimável participação do cacique Roiri Xikrin. O principal resultado deste trabalho foi a seleção e delimitação de castanhais com histórico de extrativismo tradicional para elaboração de parcelas de estudo e monitoramento das populações de B. excelsa”, completou o coordenador da pesquisa. Xikrin é uma das lideranças indígenas responsável pela coordenação das coletas na região do Carajás.

Ricardo Scoles (Ufopa) e cacique Roiri Xikrin, parceiro do mapeamento. Janeiro de 2025. Foto: Acervo do projeto

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre a região das áreas protegidas de Carajás, visando à melhor gestão do território; para isso, objetiva estudar a estrutura e dinâmica populacional da castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa Bonpl.) em três unidades de conservação do Mosaico de Áreas Protegidas de Carajás (MAPC), Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri (Flonata) e Reserva Biológica de Tapirapé (Rebiota).

“Para uma melhor compreensão da dinâmica populacional de uma espécie arbórea de longa vida como a castanheira, é relevante desenvolver estudos demográficos das populações de castanheira-do-brasil nas suas áreas de ocorrência que garantam uma gestão sustentável mediante um efetivo monitoramento que permita a elaboração de indicadores de manejo e aplicação de modelagem florestal com predições futuras e incertezas associadas. Com isso, pode-se avaliar as tendências demográficas das suas populações ao longo do tempo. Poucas experiências de monitoramento das populações de castanheira a médio ou longo prazo há na Amazônia, a exceção da região de Trombetas”, alertou Scoles, que desde o ano 2021 vem chamando a atenção para essa situação.

Para os pesquisadores, a principal ameaça ambiental dentro do território do mosaico é a mineração, que extrai, de forma intensiva, ferro e outros minerais (cobre, manganês, ouro e níquel) na Flonaca e na Flonata, principalmente. Já no entorno das UCs do Mosaico de Carajás, destaca-se a pressão das atividades agropecuárias e garimpeiras, além do desmatamento.

O pesquisador esclarece ainda que os castanhais ocupavam extensas áreas por toda a região de Carajás e Marabá (Polígonos dos Castanhais), até a chegada da frente agropecuária e mineral. Atualmente, as populações de castanheiras do Sudeste paraense concentram-se principalmente no mosaico de áreas protegidas. Os principais coletores de castanhas nessas áreas são os indígenas Xikrin (principalmente na Flonaca e Flonata) e os agroextrativistas que residem nos projetos de assentamento e na vila Lindoeste, em São Felix do Xingu (PA), no entorno da Flonata. Contudo, o estudo e o monitoramento da dinâmica das populações naturais de B. excelsa na região de Carajás são muito relevantes em termos técnico-científicos para a consolidação do programa de conservação dos castanhais em Carajás. “Ainda que a espécie esteja protegida pela lei do corte, é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), e sua situação na região do Sudeste do Pará é altamente preocupante devido ao desmatamento acumulado”, destaca Scoles.

Expedições

Serão realizadas quatro expedições de campo com uma duração entre duas e três semanas cada uma. Para a Flonaca, estão previstas duas expedições no primeiro semestre de 2025: a primeira missão está prevista para ocorrer durante o período da safra (entre janeiro e março) para mapear os castanhais coletados em parceria e consentimento com os indígenas Xikrin; já a segunda missão está prevista para ocorrer após a finalização da safra, no mês de maio, e objetivará inventariar populações de castanheiras previamente selecionadas em parcelas.

As outras duas expedições seguirão cronograma definido e devem ocorrer até o mês de setembro de 2025. A finalidade é sempre medir e remedir as castanheiras monitoradas cinco anos atrás para cada uma das duas unidades de conservação e instalar parcelas permanentes para estudo e monitoramento dos castanhais do mosaico nos próximos anos.

Confira mais informações sobre a parceria da Ufopa com o ICMbio:

Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

*Com informações da Ufopa