Manaus inaugura primeira estação meteorológica municipal. — Foto: Divulgação
Manaus inaugurou no dia 11 de abril, sua primeira estação meteorológica municipal. O equipamento foi instalado na sede da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), no bairro Compensa, Zona Oeste da capital.
A estação é a primeira de uma rede planejada pela Prefeitura, que contará com nove unidades distribuídas em pontos estratégicos da cidade. O objetivo é implantar um sistema próprio de monitoramento climático, com mais autonomia e precisão, como parte das ações de enfrentamento às mudanças climáticas.
“Com essas estações, Manaus passará a ter autonomia e precisão na coleta de dados climáticos. Isso representa uma virada de chave na forma como vamos lidar com o clima, proteger a população e planejar as ações da prefeitura em diversas áreas”, destacou o prefeito David Almeida.
O equipamento instalado é capaz de coletar, a cada cinco minutos, nove variáveis meteorológicas essenciais: temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, radiação solar, velocidade e direção do vento, temperatura e umidade do solo, além da pluviometria.
As informações são transmitidas via satélite para o Centro de Cooperação da Cidade (CCC), onde são armazenadas, analisadas e utilizadas para subsidiar decisões estratégicas em tempo real.
Essa primeira estação cobre toda a Zona Oeste, beneficiando diretamente os bairros Compensa, Glória, Santo Antônio, São Jorge, Nova Esperança e os conjuntos Belvedere, Campos Elíseos, da Ilha, Flamanaus, Jardim Versalhes, entre outros.
Os dados gerados irão subsidiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil e as secretarias municipais de Saúde (Semsa), Infraestrutura (Seminf), Limpeza Urbana (Semulsp), além de outros setores envolvidos em ações de prevenção a alagamentos, controle de vetores, manutenção viária, coleta de resíduos e serviços ambientais.
Resultados da pesquisa evidenciam o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica. Foto: Siglia Souza
Estudo conduzido por cientistas brasileiros mostrou que microrganismos oriundos de rios amazônicos podem ser a chave para o controle biológico da bactéria do solo Ralstonia solanacearum, responsável pela murcha bacteriana em tomateiros. Os resultados são promissores para o desenvolvimento de soluções biológicas – a exemplo de inoculantes microbianos – eficazes para reduzir a ocorrência da doença, uma das maiores ameaças à produção de tomate na Amazônia e capaz de afetar também outras espécies vegetais.
O estudo, coordenado pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental Gilvan Ferreira da Silva, avaliou o potencial de bactérias isoladas dos sedimentos dos rios Solimões e Negro para combater a murcha bacteriana. Do total de 36 bactérias selecionadas, foram identificados três isolados bacterianos, o Priestia aryabhattai RN 11, o Streptomyces sp. RN 24 e o Kitasatospora sp. SOL 195, que demostraram uma notável capacidade de inibir o crescimento da Ralstonia solanacearum em 100%, 87,62% e 100%, respectivamente.
Quanto à ocorrência da doença, em ensaios durante as estações seca e chuvosa, P. aryabhattai RN 11 reduziu a incidência da murcha bacteriana em 40% e 90%, respectivamente, ao mesmo tempo em que promoveu o crescimento das plantas infectadas. Streptomyces sp. RN 24 e Kitasatospora sp. SOL 195 exibiram altas taxas de sobrevivência (85 a 90%) e supressão do patógeno no solo (maior que 90%), demonstrando seu potencial como agentes de biocontrole.O isolado P. aryabhattai RN 11, em particular, destacou-se por sua eficácia na supressão do fitopatógeno no solo, reduzindo a incidência de murcha bacteriana e promovendo o crescimento das plantas de tomate sob diversas condições climáticas. Além de sua ação de controle da doença no tomateiro, essas bactérias também demonstraram a habilidade de produzir enzimas extracelulares e compostos que promovem o crescimento das plantas
Foto: Jennifer Salgado
A descoberta de possíveis novas espécies de Streptomyces (RN 24) e Kitasatospora (SOL 195) reforça a importância da biodiversidade microbiana da Amazônia como fonte de compostos bioativos e agentes de biocontrole. Esses achados evidenciam, ainda, a necessidade de estudos futuros para explorar o potencial dessas novas espécies, avaliar a eficácia dos isolados em condições de campo e entender os mecanismos moleculares envolvidos na interação planta-microrganismo.
A pesquisa foi direcionada no sentido de contribuir para o manejo sustentável da murcha bacteriana em tomates, mas esse potencial de biocontrole da doença pode se estender a outras plantas. “A Ralstonia solanacearum é uma bactéria de solo que ataca dezenas de outras espécies vegetais como a batata, o pimentão, a pimenta, a berinjela, a banana, o amendoim, o feijão e a soja”, lembra Ferreira.
O estudo faz parte de pesquisas coordenadas pelo microbiologista Gilvan Ferreira da Silva, que tem estudado a microbiota da Amazônia com foco no desenvolvimento de soluções para a agricultura. Os trabalhos realizados por sua equipe de pesquisa têm como característica o aspecto multidisciplinar envolvendo diferentes abordagens, além da agrícola e microbiológica, incluindo a química de produtos naturais, a genômica e a bioinformática.
A identificação de microrganismos retirados de sedimentos de rios amazônicos vem sendo feita pela Embrapa Amazônia Ocidental a partir de coletas nos rios Madeira, Purus, Solimões, Juruá e Negro, realizadas entre 2018 e 2019. Na ocasião, as coletas de sedimentos foram feitas a cada 50 km, no percurso desses rios.
Foto: Jennifer Salgado
Após análises no Laboratório de Biologia Molecular do centro de pesquisa, foi identificada uma grande diversidade de microrganismos com potencial para o desenvolvimento biotecnológico voltado à produção de bioinsumos, ao controle de patógenos de interesse agrícola, à promoção do crescimento de plantas, a aplicações em atividades industriais, entre outras aplicações.
Os resultados dessa pesquisa também representam um avanço científico na pesquisa com microrganismos, destacando o potencial biotecnológico da diversidade microbiana amazônica.
Ferreira destaca que o resultado obtido com o biocontrole de Ralstonia solanacearum é um dos primeiros trabalhos reportando a aplicação agrícola dos microrganismos oriundos dos rios amazônicos. “Há outros em andamento, mostrando que microbiota do Bioma Amazônia, principalmente a dos rios, pode ter uma aplicação importante na agricultura, tanto na parte de controle de patógenos quanto na prospecção de novas moléculas. Então é um material muito rico que está sendo desdobrado em diversos trabalhos”.
O pesquisador costuma usar o termo “mineração genômica”, se referindo aos microrganismos como “minérios” ou “tesouros”. E afirma que sua prospecção pode ser mais rentável economicamente do que a de minérios tradicionais. Diante da diversidade existente na região amazônica, o pesquisador explica que é necessário selecionar, por meio de técnicas científicas, os microrganismos de acordo com a aplicação almejada, fazer o sequenciamento de genomas completos, para então fazer a mineração genômica daqueles de interesse, visando à prospecção de moléculas de substâncias que tenham alto valor agregado biotecnológico.
*Conteúdo publicado originalmente pela Agência Embrapa. Veja o conteúdo completo AQUI.
Efeitos da baixa nebulosidade, da radiação solar intensa e de queimadas prolongadas comprometeram a floração e a formação dos frutos da castanheira. Foto:Ronaldo Rosa
A produção de castanha-da-amazônia, também conhecida como castanha-do-brasil e castanha-do-pará, enfrenta uma forte redução na safra 2024/2025, afetando a economia regional. O evento extremo está relacionado à seca severa e ao aumento das temperaturas, agravados pelo fenômeno El Niño. Especialistas, no entanto, preveem uma recuperação na safra seguinte, mas alertam para a implementação de medidas de adaptação.
A Amazônia enfrentou um dos períodos de seca mais intensos dos últimos 40 anos, com destaque para o prolongado fenômeno El Niño que ocorreu entre agosto de 2023 e maio de 2024. A combinação de baixa nebulosidade, radiação solar intensa e queimadas prolongadas elevou as temperaturas e reduziu significativamente a umidade do solo. Como consequência, a floração e a formação dos frutos da castanheira foram comprometidas, resultando na quebra da safra atual.
“O ciclo reprodutivo da castanheira-da-amazônia é longo e sensível às variações climáticas. A floração ocorre anualmente, durando de quatro a seis meses, geralmente no fim da estação seca e início da chuvosa. Já a maturação dos frutos leva de nove a treze meses,” afirma Carolina Volkmer de Castilho, pesquisadora da Embrapa Roraima.
Conforme Lucieta Guerreiro Martorano, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), esse cenário lembra a crise de 2017, quando o El Niño de 2015/2016 elevou a temperaturas 2°C acima da média e gerou um verão amazônico excepcionalmente seco. “A falta de chuvas naquele período prejudicou a floração e formação dos frutos, além de reduzir a atividade de polinizadores como as abelhas, resultando em uma queda expressiva na produção de castanhas no ano seguinte”, lembra a cientista. “Foi a primeira vez na história em que se registrou redução significativa da produção de castanha em toda a bacia Amazônica”, frisa o pesquisador da Embrapa Raimundo Cosme de Oliveira Junior, que atua na mesma unidade de pesquisa de Martorano, em Belém do Pará.
Apesar do atual declínio, pesquisadores da Embrapa preveem uma possível superprodução na safra 2025/2026, um fenômeno já observado após a crise de 2017. “Esse aumento na produção ocorre porque as castanheiras tendem a compensar os períodos de baixa produtividade com maior frutificação nos anos seguintes, aliado aos efeitos climáticos do fenômeno La Niña”, esclarece Patrícia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.
No entanto, ela alerta que essa oscilação pode causar forte instabilidade nos preços do mercado. Costa conta que, em 2017, a lata de castanha (20 litros) atingiu R$ 180,00 devido à alta demanda e à escassez do produto. No ano seguinte, a combinação da superprodução com a diminuição demanda industrial, devido aos altos preços, resultou em um grande excedente, provocou uma queda acentuada nos preços, com a lata chegando a valer apenas R$ 25,00 ou menos.
Esse fenômeno, conhecido como “efeito ressaca”, gera perdas financeiras significativas, impactando negativamente os extrativistas e toda a cadeia produtiva. À época, a recuperação dos preços para um patamar mais estável, cerca de R$ 60,00 a lata, levou cinco anos.
Para evitar ciclos de prejuízos como esse, é essencial a implementação de medidas de regulação e suporte ao setor. Atualmente, em março de 2025, a castanha está escassa novamente, e os preços já atingem aproximadamente R$ 220,00 a lata.
Castanha-da-amazônia. Foto: Vítor Alberto de Matos Pereira
Soluções e medidas necessárias
O manejo e a renovação dos castanhais apresentam-se como medidas urgentes, uma vez que as castanheiras mais velhas estão morrendo, enquanto as mais jovens apresentam maior resiliência frente aos eventos climáticos extremos.
Pesquisas têm demonstrado que algumas medidas adotadas pelas comunidades extrativistas podem ajudar no aumento da produção de castanha. O corte de cipós, por exemplo, pode aumentar em até 30% a produção de castanheiras que estejam infestadas. Além disso, essa prática melhora as condições fisiológicas das árvores, contribuindo para garantir sua resiliência diante de eventos climáticos extremos. “Os extrativistas mais experientes já adotavam essa técnica, e conseguimos comprovar a partir de um estudo realizado ao longo de dez anos os seus benefícios tanto para a estrutura das árvores quanto para o aumento da produção”, afirma Lúcia Wadt, pesquisadora da Embrapa Rondônia.
O manejo dos castanhais, aliado às atividades agroextrativistas praticadas pelos castanheiros, pode favorecer a regeneração natural da espécie, que tem dificuldade de se estabelecer em áreas excessivamente sombreadas dentro da floresta. Uma das práticas positivas é a técnica de produção de mudas em miniestufas. O método, tema de um curso de educação à distância, é de baixo custo e pode ser aplicado em pequena escala. “A técnica permite que os produtores aproveitem melhor o potencial de suas áreas de plantio, enriquecendo florestas degradadas ou em Sistemas Agroflorestais”, frisa Wadt.
Outras pesquisas realizadas na Resex Cajari (AP) confirmam o sucesso do modelo de manejo chamado de “Castanha na Roça”, que concilia a agricultura com produção florestal. Os experimentos mostraram maior densidade de regenerantes de castanheiras nas áreas de capoeiras e roças da agricultura itinerante do que na floresta madura.
“O Castanha na Roça é um tipo de consórcio agroflorestal que faz parte da realidade local e é desenvolvida em duas vertentes: na capoeira abandonada e na roça. Esse sistema aproveita a regeneração natural das castanheiras em áreas de agricultura itinerante fora da floresta, promovendo a formação de novos castanhais. Essa estratégia, combinada ao plantio de árvores jovens mais resilientes às mudanças climáticas, pode garantir tanto a perpetuação da espécie quanto a produção sustentável de castanhas a longo prazo”, informa o pesquisador Marcelino Carneiro-Guedes, da Embrapa Amapá.
Com a previsão de aumento da produção na próxima safra (2025/2026), a adoção de medidas que garantam a qualidade do produto é importante, especialmente quando os extrativistas precisam armazenar a amêndoa, que assim como a etapa de secagem são essenciais para atender aos padrões exigidos pelo mercado. Um dos maiores desafios é evitar a contaminação por aflatoxinas, toxinas produzidas por fungos que se desenvolvem em condições inadequadas de armazenamento e são potencialmente cancerígenas quando ingeridas.
Medidas como secagem rápida e uniforme das amêndoas após a retirada do ouriço, o armazenamento em local seco e arejado, protegido da chuva e o transporte adequado ajudam a evitar a umidade no produto. “As boas práticas de coleta não apenas preservam a qualidade do produto, mas também fortalecem a comercialização da castanha, garantindo segurança alimentar e valor agregado para os produtores”, afirma Cleisa Brasil, pesquisadora da Embrapa Acre.
Outra ação importante é feita pela Embrapa que, por meio de seu Programa de Melhoramento Genético da Castanheira, tem selecionado matrizes com maior resistência às variações climáticas e maior potencial produtivo.
Castanha-da-amazônia. Foto: Vítor Alberto de Matos Pereira
Seguro extrativismo
A criação de um seguro-extrativismo também tem sido discutida pelos pesquisadores e membros da cadeia produtiva. Esse mecanismo garantiria compensação financeira aos extrativistas em anos de baixa produção devido a eventos climáticos extremos. Integrantes do Observatório da Castanha da Amazônia (OCA), rede de extrativistas e organizações comunitárias que realiza o monitoramento participativo de preços e troca informações sobre a cadeia de valor, pretendem apresentar a proposta aos parlamentares.
Napoleão Ferreira de Oliveira, diretor-presidente da Associação Apavio, na Resex Médio Purus, no Amazonas, enfatiza que a crise climática tem impactos sociais profundos. “Nossa economia depende do extrativismo, mas a falta de chuvas vem reduzindo drasticamente a produção de castanha e açaí. Precisamos construir mecanismos de segurança financeira para garantir a estabilidade das comunidades”, defende. Oliveira sugere a criação de um abono para os extrativistas, semelhante aos auxílios concedidos a outras atividades do setor primário. “Sem essa segurança, muitos serão forçados a abandonar a floresta e migrar para centros urbanos, impactando ainda mais a conservação da Amazônia”, conclui.
A castanha-da-amazônia é o produto florestal não-madeireiro mais estável em termos de geração de renda. O seguro-extrativismo ajudaria a evitar a migração dos extrativistas para atividades produtivas que, frequentemente, estão associadas ao desmatamento e à degradação da floresta. Além disso, essa medida contribuiria para a conservação da biodiversidade amazônica, incentivaria práticas sustentáveis e protegeria os ecossistemas naturais onde a castanheira é encontrada, ao mesmo tempo em que promoveria a segurança alimentar de povos e comunidades tradicionais, assegurando sua subsistência e preservação cultural.
*Conteúdo publicado originalmente pela Agência Embrapa. Leia a matéria completa AQUI.
Centro de Atendimento ao Turista. Foto – Thelson Souza/ManausCult
Um dos principais equipamentos voltados ao turismo da capital amazonense, o Centro de Atendimento ao Turista (CAT) é voltado para recepcionar, orientar e facilitar a experiência de turistas brasileiros e estrangeiros, promovendo os atrativos locais e reforçando a imagem de Manaus como uma cidade hospitaleira, rica em história, cultura e belezas naturais.
O principal posto do CAT funciona no Pavilhão Universal, localizado na praça Adalberto Vale, no centro histórico, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da cidade. Construído em ferro e vidro, o prédio é um ícone da arquitetura da Belle Époque em Manaus e fica próximo a locais de grande visitação, como o mercado municipal Adolpho Lisboa, o museu da Cidade e a catedral metropolitana.
Além desse, a cidade conta com mais dois pontos estratégicos de atendimento: um no porto de Manaus, dedicado especialmente aos turistas que chegam por cruzeiros, e outro dentro do mirante Lúcia Almeida, voltado ao receptivo fluvial de turistas.
Entre os serviços oferecidos estão informações sobre roteiros turísticos, mapas, dicas de transporte, gastronomia e cultura local, com atendimento e material bilíngue. Os atendentes são capacitados para garantir uma recepção cordial e eficiente, contribuindo para uma estadia mais segura e agradável.
Centro de Atendimento ao Turista. Foto – Thelson Souza/ManausCult
Para o diretor-presidente da Manauscult, Jender Lobato, o CAT cumpre um papel essencial na política de valorização do turismo.
“Mais do que fornecer informações, o CAT representa a porta de entrada da experiência turística em Manaus. É onde o visitante tem seu primeiro contato com a cidade e com a riqueza da nossa cultura. É um espaço de acolhimento, de cuidado e de promoção do que temos de melhor”, destacou.
O CAT também funciona como suporte a operadores de turismo, agências e guias, fortalecendo a conexão entre o setor público e a cadeia produtiva do turismo. O local promove ações culturais, como exposições, apresentações e distribuição de materiais informativos sobre eventos tradicionais como o Festival Folclórico de Parintins, o Boi Manaus e o Sou Manaus Passo a Paço.
Serviço
O centro funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Com essa iniciativa, a Prefeitura de Manaus, por meio da ManausCult, reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do turismo como uma importante ferramenta de geração de emprego, renda e valorização do patrimônio histórico-cultural da cidade.
Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista. Foto: Thelson Souza / Manauscult
Com mais de seis décadas de história e aproximadamente 36 mil exemplares em seu acervo, a Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista é considerada um dos mais importantes espaços de promoção da leitura, da pesquisa e da produção literária regional.
“A Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista é um dos pilares da cultura de Manaus. No Dia Nacional da Biblioteca, destacamos esse espaço que representa o nosso compromisso com a educação, a valorização da literatura e o acesso democrático ao conhecimento”, afirmou o diretor-presidente da ManausCult, Jender Lobato.
Fundada oficialmente pela Lei nº 971, de 2 de janeiro de 1964, a biblioteca ganhou sede definitiva em 1997. Seu nome é uma homenagem a João Bosco Pantoja Evangelista, professor, poeta, jornalista e um dos maiores intelectuais do Amazonas, que se destacou como fundador do movimento Clube da Madrugada e da União Brasileira de Escritores – Seção Amazonas (UBE/AM). Sua trajetória foi marcada pela defesa da literatura como instrumento de transformação social.
Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista. Foto: Thelson Souza / Manauscult
Prédio histórico
A atual sede da biblioteca também guarda importância histórica. Inaugurado em 1908 como sede da Liverpool School of Tropical Medicine – primeira instituição do mundo dedicada ao estudo da medicina tropical –, o imóvel foi transformado, nas décadas de 1970 e 1980, em um dos bares mais frequentados da cidade: a sorveteria e bar Pinguim.
Local de encontros de jovens e estudantes da época, a sorveteria marcou uma geração e permaneceu ativa até a desapropriação do prédio, em 1995. Após reformas, o espaço foi reaberto como biblioteca em 1997. Entre 2019 e 2020, o edifício passou por nova restauração e foi reinaugurado no dia 22 de dezembro de 2020, com reabertura definitiva ao público em julho de 2021.
Estrutura e serviços
Atualmente, a biblioteca oferece serviços como empréstimo de livros, consulta local, espaço infantil, salas para estudo individual e em grupo, acesso gratuito à internet, via Wi-Fi, sala de projeção e cabines com computadores. Também promove eventos como lançamentos de livros, saraus, palestras e oficinas culturais.
Com estrutura moderna, acessibilidade (elevador e piso tátil) e acervo diversificado com obras gerais, literatura infantojuvenil, multimeios e temáticas amazônicas. O espaço é voltado para atender leitores, estudantes, escritores e pesquisadores.
Localizada na rua Monsenhor Coutinho, nº 529, no centro de Manaus, em frente à tradicional praça do Congresso, a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O acesso ao espaço é gratuito, mediante cadastro na recepção.
Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (92) 3215-4615 ou pelo e-mail: bibliotecajoaobosco@gmail.com
Defesa civil durante remoção de vegetal após vendaval no bairro do Bengui, em Belém. Foto: agência Belém
AComissão de Defesa Civil (Comdec) exerce essa missão diariamente, monitorando áreas vulneráveis, orientando moradores e prestando assistência a famílias afetadas por eventos naturais.
Entre suas principais funções está a realização de vistorias técnicas em áreas públicas e privadas que apresentam riscos à população.
A Defesa Civil é acionada principalmente em casos de sinistros causados por fenômenos naturais, como vendavais, chuvas intensas e outros eventos que possam comprometer a segurança dos moradores.
Nesses momentos, a equipe atua de forma imediata, garantindo a avaliação dos danos e orientando os afetados. Esse suporte é essencial para que as vítimas se sintam amparadas pelo poder público na reconstrução de suas casas e na retomada de suas vidas.
A vistoria realizada pela equipe da Defesa Civil é fundamental para a emissão do laudo técnico, documento indispensável para a inscrição das famílias nos programas de assistência social e o acesso a recursos emergenciais. Além disso, a equipe realiza um trabalho humanizado, orientando os moradores sobre os procedimentos necessários para obter os benefícios sociais disponibilizados pela Prefeitura de Belém e pelo Governo do Pará.
Defesa civil durante remoção de vegetal após vendaval no bairro do Bengui, em Belém. Foto: agência Belém
Saiba como acionar a Defesa Civil em uma situação de emergência
A Defesa Civil orienta a população a entrar em contato imediatamente com o CIOP (Centro Integrado de Operações), pelo número190, ou com o Corpo de Bombeiros, pelo 193, em situações de desastres como quedas de árvores, incêndios, vendavais e risco de desabamento. Em casos de vítimas, o Samu deve ser acionado pelo número 192.
No subsolo das florestas tropicais e campos brasileiros, vive uma das sociedades mais organizadas e eficientes da natureza: o formigueiro da Saúva-limão (Atta sexdens). Conhecida como uma das maiores e mais complexas espécies de formigas do mundo, a saúva-limão chama atenção não apenas por sua estrutura hierárquica, mas pelo papel central e quase monárquico da sua rainha — um verdadeiro pilar da colônia.
E a origem do nome? A saúva-limão ganhou esse nome, pois quando é esmagada exala um forte cheiro de limão ou erva-cidreira. Foi através deste aroma que ela ganhou seu nome popular.
A rainha da Saúva-limão é, literalmente, a mãe de toda a colônia. Considerada a maior de todas as formigas, ela é a única responsável por colocar ovos, garantindo a continuidade da população do sauveiro. Em condições laboratoriais, essa rainha pode viver até impressionantes 20 anos. Na natureza, sua expectativa de vida gira em torno de 6 anos, ainda assim um feito notável para um inseto.
Tudo começa com o chamado ‘voo nupcial’, realizado em dias claros do início da estação chuvosa, entre setembro e dezembro. Durante esse ritual, fêmeas aladas — chamadas içás — revoam ao lado dos machos alados, conhecidos como bitus. Após a fecundação, a agora futura rainha pousa, arranca as próprias asas com as pernas medianas e escava um buraco no solo, com profundidade entre 8 e 25 cm. É ali que nascerá um novo império subterrâneo.
Para iniciar o novo formigueiro, a rainha carrega em sua cavidade infra-bucal uma pequena porção de fungo do ninho original. Ao chegar ao fundo da câmara escavada, a formiga regurgita esse material e o irriga com suas próprias fezes — um gesto vital para o cultivo do fungo que servirá de alimento para as futuras gerações.
Enquanto a rainha reina, o bitu tem um papel breve, porém fundamental. Seu único objetivo é fecundar as içás durante o voo nupcial. Após cumprir sua função, ele morre — incapaz de se alimentar sozinho na natureza. Durante toda a sua vida, é alimentado por suas irmãs por meio da trofalaxia, um processo em que o alimento líquido é transferido boca a boca.
Se a rainha é o cérebro do formigueiro, as operárias são seu corpo. Todas estéreis, elas vivem de 4 a 5 meses e se dividem em três castas com funções específicas:
Soldadas: as maiores entre as operárias, responsáveis pela defesa da colônia.
Cortadeiras: de tamanho médio, cortam e transportam folhas, matéria-prima essencial para o cultivo do fungo.
Jardineiras: as menores, dedicam-se ao cuidado com os ovos, larvas e com o próprio fungo que sustenta a colônia.
Cada casta atua com precisão quase militar, garantindo o funcionamento de uma sociedade onde cada indivíduo tem um propósito claro e essencial.
Buscando reivindicar a criação de uma cota exclusiva para povos e comunidades de territórios tradicionais na Universidade Federal do Pará (UFPA), o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), por meio da Comissão Estadual de Juventude Extrativista, lançou um abaixo-assinado.
Amparado pelo Decreto Federal n.º 6.040/2007, responsável por instituir a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, o documento visa embasar uma petição que será apresentada ao reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva.
“Muitas de nossas comunidades tradicionais ainda enfrentam severas dificuldades no acesso à educação superior, devido a uma série de fatores históricos e estruturais que marginalizam nossas condições de vida e dificultam nosso ingresso no ensino superior”, diz trecho do documento.
“A ausência de uma política de cotas específica para nosso grupo impede que muitas pessoas, com grande potencial acadêmico e de transformação social, tenham a oportunidade de desenvolver suas capacidades em uma instituição de ensino superior como a UFPA”, reforça Letícia Moraes, vice-presidente do CNS.
Além da criação das cotas, os povos e comunidades de territórios tradicionais solicitam que a UFPA se comprometa a estabelecer programas de apoio acadêmico, psicológico e financeiro para os cotistas, de modo a garantir a sua permanência e sucesso na universidade.
Fazem parte do público-alvo do abaixo-assinado: extrativistas, pescadores artesanais, lavradores, marisqueiros, benzedeiros, ribeirinhos, quebradeiras de coco babaçu, peconheiros, beiradeiros e agricultores familiares de territórios tradicionais, como Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE), Reserva Extrativista (RESEX) e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
Matheus Silva, membro da Comissão Estadual de Juventudes Extrativistas do CNS Pará. Divulgação – CNS
Universidade mais inclusiva
Matheus Silva, membro da Comissão Estadual de Juventudes Extrativistas do CNS Pará, destaca que a criação de cotas para povos e comunidades tradicionais é uma forma de contribuir para uma universidade mais plural e inclusiva.
“Nossas comunidades e povos tradicionais vêm há muito tempo numa situação de marginalização e invisibilização imposta pelo próprio poder público, ao nos negar políticas públicas básicas, como a Educação. Sabemos que um dos grandes desafios que temos hoje é que nossas crianças, adolescentes e jovens tenham uma Educação continuada. Do ensino fundamental ao superior”, afirma Matheus.
“A nossa educação básica é sucateada, mas quando se fala em comunidades tradicionais e periferias você percebe que esse sucateamento é ainda pior. Quando não se tem uma escola na própria comunidade, se busca deslocamento para outras cidades para ter acesso ao ensino básico, que quase nunca é de qualidade, a não ser em escolas particulares”, lembra o ativista socioambiental.
Estudante de Arquitetura e Urbanismo no campus de Belém da UFPA, Matheus conhece bem essa realidade. Eleito recentemente como delegado do CNS para a 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, evento de ocorre de 6 a 9 de maio, em Brasília (DF), ele mora na ilha do rio Campompema, em um Projeto de Assentamento Agroextrativista localizado no município de Abaetetuba (a 102 quilômetros da capital paraense).
Divulgação – CNS
“Entendo que foi um privilégio ter acessado a universidade, mas isso mostra que nossa luta continua. O que me faz estar na universidade parte de uma luta cotidiana das pessoas que continuam morando nos territórios”, observa o estudante.
Momento oportuno
Matheus acredita que esse é um momento oportuno para se reapresentar a petição à reitoria da UFPA. Ele lembra que uma petição nesse sentido já foi protocolizada na Universidade, em 2014, mas que o projeto não prosperou.
“Vivemos um momento importante, ano de COP 30 em Belém, retomamos a pauta. Além disso, com a eleição e posse do novo reitor vemos uma oportunidade de continuar esse processo. Queremos levar esse levantamento prévio à reitoria e, posteriormente, ao conselho superior da universidade com números concretos e os nomes dessas pessoas”, destaca.
Belém vai sediar, no mês de novembro, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). O evento internacional é visto como uma oportunidade para trazer à tona as demandas da população local, incluindo o acesso à educação gratuita e de qualidade para somar na luta pelo desenvolvimento sustentável na região.
“Falar de política de clima é falar de uma política essencial para que a gente continue tendo relação com o território, praticando nossas atividades dentro das nossas comunidades. Isso passa pela criação de políticas específicas para povos e comunidades tradicionais, incluindo a juventude. Estamos vivendo uma crise climática onde quem vai ter que lidar com isso daqui a alguns anos é a juventude”, destaca Matheus Silva.
Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento. Foto: Fernando Sette/divulgação
O Pará segue se consolidando como um dos entes federativos mais importantes na preservação da floresta amazônica. Em março de 2025, foi registrada uma área de 22 km² sob alertas de desmatamento, uma redução de 36% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Essa diminuição representa o menor valor já registrado para o mês de março na série histórica do Estado, desde 2019.
No acumulado entre agosto de 2024 e março de 2025, correspondente ao Ano Prodes 2025, o Pará alcançou uma queda de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, com menos 199 km² afetados, segundo os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O governador Helder Barbalho destacou que os resultados positivos são fruto de uma ação coordenada do governo. “Seguimos comprometidos em proteger a floresta e garantir um futuro sustentável para o nosso Estado”.
A atuação do Pará também se reflete no contexto da Amazônia Legal. Em março de 2025, a participação do Pará no desmatamento da região passou de 21% em 2024 para 16% em 2025.
Neste contexto, Belém se prepara para receber a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será sediada na capital, em novembro. O evento internacional reforça a importância da discussão global e fortalece o papel do Estado na mitigação do desmatamento e conservação da floresta amazônica.
Pará registra redução de 36% em área recoberta por alerta de desmatamento. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará
As iniciativas de comando e controle no âmbito do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN) e o Plano de Bioeconomia são estratégias que têm contribuído para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Raul Protazio, ressaltou o papel da Semas no impacto das políticas públicas. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho sério, focado na sustentabilidade e na valorização da floresta em pé. Esses resultados demonstram que é possível aliar conservação ambiental com desenvolvimento”, afirmou.
Os dados alcançados mensalmente reforçam que, com o avanço das políticas públicas bem estruturadas, o Pará segue sendo um exemplo em resultados positivos de preservação ambiental e proteção à Amazônia.
Produção de farinha de mandioca. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Os agricultores familiares de pequenos imóveis rurais dos municípios rondonienses de Porto Velho, Nova Mamoré, Candeias do Jamari, Machadinho do Oeste, Cujubim e Buritis, poderão receber pagamentos pela conservação de floresta nativa em seus lotes. A equipe do Projeto Floresta+ Amazônia em Rondônia apresentou ao Incra/RO a Chamada Pública nº 02/2024 que estabelece as regras de participação, na superintendência em Porto Velho (RO).
A iniciativa se destina a agricultores familiares de pequenos imóveis rurais, que receberão pagamento por conservarem áreas com mata nativa, por fases. A Fase 1 é dividida em duas parcelas de R$ 1.500,00, exclusiva para quem exerce suas atividades nos municípios prioritários. A primeira parcela é recebida no primeiro ano de adesão e a segunda após o agricultor conseguir a validação do CAR e apresentar o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).
A Fase 2 poderá beneficiar agricultores familiares de pequenos imóveis rurais de toda a Amazônia Legal. Para aderir a essa fase, os imóveis rurais devem estar com o CAR já validado pela Sedam-RO. Os pagamentos variam de acordo com a quantidade de vegetação nativa que cobre o imóvel, começando em R$ 200 por hectare para quem tem até 80% de vegetação nativa e passando para R$ 800 por hectare para quem tem mais de 80%. “Não é necessário passar pela Fase 1 para acessar a fase 2, ambas são independentes”, explicou a coordenadora em Rondônia, engenheira florestal Naelha Sarmento
Equipe do Floresta+ apresenta a chamada ao Incra. Foto: INCRA
O agricultor familiar poderá se inscrever gratuitamente, até 30/06/2025, nosite do Projeto Floresta+ Amazônia ou na página do MMA. Os interessados ainda poderão contar com apoio para fazer sua inscrição durante os mutirões realizados em Rondônia com o apoio do Incra.
O superintendente do Incra em Rondônia, Luís Flávio Carvalho Ribeiro, afirmou que a autarquia é parceira no projeto para difundir essas informações ao público da reforma agrária, o qual se soma a um conjunto de ações implementadas pelo Incra para o desenvolvimento das famílias agricultoras.
O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o apoio do Fundo Verde para o Clima (GCF).