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Exploração ilegal de madeira dispara e ameaça florestas e comunidades na Bacia do Xingu

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Caminhão carregado de madeira na Aldeia Nasepotiti, na Terra Indígena Panará, Pará, em registro de abril de 2024. Foto: Loiro Cunha

A exploração ilegal de madeira se consolidou como uma das principais ameaças à integridade socioambiental da Bacia do Xingu, especialmente nas Terras Indígenas e Unidades de Conservação que compõem o Corredor de Áreas Protegidas, revela relatório Desafios de Proteção na Bacia do Xingu – panorama 2025, da Rede Xingu+. Elaborado pelo Observatório De Olho no Xingu, o estudo analisa os dois primeiros anos do atual governo federal.

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Somente em 2024, mais de 620 km de estradas clandestinas foram abertos para escoar toras de alto valor comercial como ipê, jatobá e cedro, facilitando também a entrada de outros crimes ambientais como o garimpo e a grilagem. O impacto é devastador: florestas empobrecidas, igarapés represados, peixes mortos e comunidades ameaçadas.

Os dados levantados têm como base o Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento (Sirad X), da Rede Xingu+, o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o projeto MapBiomas.

Os dados levantados têm como base o Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento (Sirad X), da Rede Xingu+, o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o projeto MapBiomas.

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O documento detalha os efeitos do roubo de madeira nos territórios mais afetados — como o Território Indígena do Xingu (TIX), a Terra Indígena Baú e a Resex Riozinho do Anfrísio — e avalia as ações de combate e fiscalização nos dois primeiros anos do atual governo federal.

Segundo o relatório, as atividades criminosas têm causado impactos na prestação de serviços públicos essenciais de saúde e educação, prejudicando o combate ao fogo e contribuindo para a entrada de armamentos pesados nos territórios indígenas.

A Bacia do Rio Xingu possui cerca de 51 milhões de hectares, entre os estados do Pará e Mato Grosso, numa área composta por florestas densas, várzeas amazônicas e de Cerrado. Nela, está localizado o Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, com 26,7 milhões de hectares, e que abriga 26 povos indígenas e centenas de comunidades ribeirinhas que desempenham um papel crucial na conservação da Amazônia e na regulação do clima global.

De acordo com a Rede Xingu+, articulação de 53 organizações, sendo 43 indígenas, 5 ribeirinhas e 5 da sociedade civil, o território vem sofrendo nos últimos anos com o desmatamento provocado por roubo de madeira, incêndios florestais, grilagem de terras e garimpo.

O documento também traz os avanços no combate a esses crimes nos últimos dois anos, graças à retomada de políticas como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e operações de fiscalização, que resultaram na queda de 30,6% no desmatamento na Amazônia Legal e, sobretudo, na Bacia do Xingu, com uma redução de 46% em relação ao período anterior — o menor índice registrado na última década. 

Também houve avanços na queda do desmatamento ocasionado pela grilagem de terras, entre 2022 e 2024, por causa do processo de desintrusão das Terras Indígenas Apyterewa e Trincheira Bacajá, em 2023. Outro dado positivo foi a queda de 40% no desmatamento causado pelo garimpo nas Áreas Protegidas.

Leia também: Extração ilegal de madeira aumentou 19% na Amazônia

Onde acontece o roubo de madeira?

O TIX, formado por quatro Terras Indígenas e lar de 16 povos, é o epicentro do problema de roubo de madeira na Bacia do Xingu. As denúncias, formalizadas desde 2019 por associações indígenas e organizações socioambientais, alertam para a gravidade da situação. Entre 2023 e 2024, foram abertos 404 km de ramais ilegais — 68% do total dos últimos cinco anos.

Já a Resex Riozinho do Anfrísio, criada em 2004, enfrenta grave pressão do roubo de madeira, especialmente por grupos do Assentamento Areia, em Trairão (PA). Desde 2017, mais de 1.500 km de ramais ilegais foram abertos na área, afetando comunidades como Boi Morreu e Paulo Afonso. A atividade causa conflitos sociais, com intimidação e coação por parte dos criminosos.

A TI Baú do povo Kayapó, localizada no sudoeste do município de Altamira, é outro alvo prioritário dos criminosos em busca de madeira, que invadem o território, abrem estradas, derrubam árvores e promovem um cenário de destruição e conflito.

A estratégia dos madeireiros se repete com a abertura de ramais ilegais para o roubo e escoamento das madeiras. De acordo com o monitoramento da Rede Xingu +, em sete anos foram abertas 544 km de estradas ilegais para facilitar a exploração da madeira na TI Baú. Esse escoamento geralmente é feito pelo distrito de Castelo dos Sonhos, através de uma ponte sobre o rio Curuá, construída irregularmente. 

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Problema antigo: Transporte de desmatamento ilegal na estrada que liga Uruará ao porto Maribel, no rio Iriri (PA), muito utilizada para escoamento de madeira retirada ilegalmente, especialmente da Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri, em registro de 2017. Foto: Lilo Clareto/ISA

O que pode ser feito?

De acordo com o documento, as ações coordenadas entre órgãos governamentais, a sociedade civil e as comunidades locais podem desarticular as redes que legalizam a madeira extraída ilegalmente. As fiscalizações precisam ser mais frequentes e urgentes, pois mesmo após operações do IBAMA, a extração de madeira persiste. Além disso, a instalação de bases de fiscalização no território e a continuidade dos inquéritos policiais são cruciais para identificar e responsabilizar os grupos criminosos que atuam na região. 

Simultaneamente, o fomento às atividades extrativistas como a coleta de castanha, borracha e óleo de copaíba é uma medida importante para combater o aliciamento das populações locais e garantir a subsistência das comunidades tradicionais. 

Garimpo ilegal

A exploração garimpeira ilegal também tem se intensificado nos últimos anos na Amazônia brasileira. De acordo com dados do MapBiomas, até 2023, a área de exploração garimpeira atingiu 283,8 mil hectares, com cerca de 90% dessa atividade no bioma amazônico. No ano passado, 1.643 hectares de floresta foram derrubadas para dar espaço à atividade garimpeira.

De acordo com o sistema de monitoramento Sirad X, entre 2018 e 2023, houve uma perda de mais de 9,9 mil hectares de floresta dentro das Áreas Protegidas da Bacia do Xingu devido ao garimpo ilegal. Desse montante, 85% somente na Terra Indígena Kayapó, o equivalente a 8,4 mil hectares, e que vem ocupando o primeiro lugar no ranking de área invadida por garimpo na região.

Incêndios florestais 

Em tempos de mudanças climáticas, o fogo é outro grande desafio no Corredor do Xingu e que vem causando a destruição de florestas, a perda de biodiversidade, a emissão de gases de efeito estufa e a deterioração da qualidade do ar, segundo o monitoramento realizado entre 2010 e 2024. 

Somente no ano passado, foram queimados 2.8 milhões de hectares, representando uma média mensal de 215.302 ha, conforme o registro do Mapbiomas Fire Monitor. Essa extensão corresponde a quase a mesma área queimada em 14 anos de monitoramento, de 2010 a 2023, que foi de 2,7 milhões de hectares. 

O novo cenário surge como um desafio para as práticas ancestrais de muitas comunidades indígenas do Xingu, já que o fogo sempre foi considerado como um elemento cultural e utilizado para a limpeza de roças, caça e rituais. Com o clima mais seco, o fogo que antes era controlado pode escapar com facilidade e invadir grandes áreas de florestas. Uma das soluções apresentadas e que busca conciliar o conhecimento tradicional com as práticas ancestrais é o desenvolvimento de estratégias de manejo do fogo, por exemplo.

Zonas econômicas especiais como instrumento do desenvolvimento

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com estudo da Câmara dos Deputados sobre “Zonas de Livre Comércio no Mundo”, Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), em inglês SEZ – Special Economic Zone são áreas geográficas delimitadas (enclaves) dentro das fronteiras nacionais de um país nas quais as regras aplicadas às atividades econômicas – em termos de investimentos, comércio exterior, tributação e regulação – são diferentes das vigentes no restante do território, de modo a permitir um ambiente de negócios mais liberal e uma perspectiva administrativa mais eficiente. As ZEEs configuram, assim, uma categoria geral à qual pertencem várias modalidades específicas, com diferentes objetivos e particularidades de funcionamento.

A definição de uma ZEE, assim como padrões e diretrizes sugeridas para elas, encontram-se na Convenção de Quioto Revista da Organização Aduaneira Mundial (WCO, na sigla em inglês). O Anexo D da Convenção Internacional sobre a Harmonização e a Simplificação das Aduanas, revista em 1999, define uma Zona Livre como “parte do território de uma Parte Contratante onde todos os bens internalizados são geralmente considerados como estando fora do território aduaneiro, no que se refere a tarifas e impostos de importação (…) e não sujeitos ao controle aduaneiro normal”. O mesmo Anexo D inclui recomendações para o tratamento das importações e das exportações efetuadas, compreendendo presença de limites territoriais, burocracia tão reduzida quanto possível e o papel das legislações nacionais.

ZEEs são basicamente planejadas para funcionar como um instrumento de comércio exterior, de investimento e de política industrial, com os objetivos de atrair investimentos, criar empregos e facilitar a manifestação de efeitos positivos dinâmicos, superando, assim, obstáculos ao crescimento da economia como um todo.Especificamente, a maior parte das ZEEs oferece aos investidores três vantagens principais: (i) um regime aduaneiro especial, com acesso a insumos importados – bens básicos, intermediários e, em muitos casos, de capital – livres de tributação; (ii) infraestrutura mais confiável que a do restante do país; e (iii) incentivos fiscais, compreendendo a isenção e redução de impostos.

O documento observa que esses territórios remontam à antiguidade, desde os fenícios. Mais recentemente, entrepostos e as chamadas “cidades livres” – a exemplo de Gibraltar (a partir de 1704), Cingapura (1819), Hong Kong (1848), Hamburgo (1888) e Copenhague (1891) – garantiam armazenamento e mercados ao longo de rotas comerciais. A primeira ZEE industrial moderna foi implantada no Aeroporto de Shannon, na Irlanda, em 1959. Presentemente, encontram-se na capital Dublin, e nas cidades de Cork, Limerick e Galway, onde se localizam as principais companhias internacionais e, certamente, um número maior de oportunidades de emprego. Ao longo do tempo, atravessaram fronteiras e estão disseminadas, principalmente, pelo Leste da Ásia e América Latina. Sem exceção, com o objetivo de atrair investimentos de empresas multinacionais em indústrias intensivas em mão de obra.

As ZEEs tornaram-se a pedra de toque das políticas comerciais e de investimentos dos países que procuravam afastar-se das estratégias de substituição de importações e integrar-se aos mercados globais mediante políticas de crescimento baseadas nas exportações. Seu grande impulso ocorreu na década de 80, após serem adotadas pela China no Governo Deng Xiaoping (1982-1987). São consideradas como o principal marco da transição chinesa do comunismo para o “capitalismo de Economia de Mercado”, sendo seus principais objetivos alavancar a produção industrial do país – que se encontrava em crise desde a década de 1960 – e fortalecer o volume das exportações. Tais metas foram cumpridas com elevado sucesso e podem ser consideradas um dos principais meios pelos quais o modelo chinês alcançou grande sucesso em termos econômicos, tornando o Produto Interno Bruto (PIB) do país o segundo maior do planeta.

As primeiras quatro ZEEs chinesas (Shenzhen, Zhuhai, Shantou e Xiamen) foram instaladas em áreas costeiras, escolhidas por sua proximidade com Hong Kong, Macau e Taiwan, visando a atração de investimento estrangeiro e exportações. Shenzhen, em particular, foi uma das mais bem-sucedidas, transformando uma pequena vila em um dos maiores centros financeiros e industriais do mundo. A transformação da aldeia de pescadores em uma cidade de 14 milhões de habitantes passou a ser conhecida como o “Milagre de Shenzhen”.

Em 1988, Hainan se tornou a quinta ZEE; em 1990, o distrito de Pudong em Xangai a sexta ZEE e em 2009, o distrito de Binhai em Tianjin tornou-se a sétima ZEE.

Hoje, as ZEE são cada vez mais populares no mundo todo. Em 2008, estimava-se que elas empregavam 68 milhões de pessoas e geraram mais de US$200 bilhões em exportações. Seu número saltou de 176 zonas em 49 países, em 1986, para cerca de 4.300 ZEE atualmente no mundo. Três quartos dos países têm pelo menos uma dessas áreas. Não obstante sua disseminação, os postos de trabalho e o volume de exportações estão relativamente concentrados na China, na América Latina, na Europa Central, na Europa Oriental e na Ásia Central. A maior parte dos empreendimentos estabelecidos em ZEE dedica-se a atividades de montagem, intensivas em mão de obra, como as indústrias de vestuário, têxtil e eletroeletrônica.

Conquanto até a década de 80 quase todas as zonas econômicas especiais fossem empreendimentos públicos, a partir dos anos 90 aumentou substancialmente a parcela das ZEE implantadas e operadas pelo setor privado. Por sua vez, parcerias público-privadas (PPP) têm-se tornado mais frequentes, empregando diversos arranjos: (i) Provisão pública de infraestrutura no entorno da ZEE; (ii) Arranjos dos tipos build-operate-transfer2 e build-ownoperate3 para as instalações e a infraestrutura, tanto no entorno quanto no interior da ZEE, com garantias ou apoio financeiro do governo; (iii) Contratação de administradoras privadas para ZEE públicas; ou (iv) Administração privada de ZEE pública, com opção de compra vinculada a metas de desempenho.

Na Coreia do Sul as ZEEs concentram importantes indústrias, como têxtil, aço, automobilística, construção naval e eletrônica. O país hoje é o maior produtor mundial de semicondutores. O Vietnã tem 18 zonas econômicas costeiras, que incluem 325 parques industriais. A partir dessa infraestrutura o país vem atraindo importantes investimentos estrangeiros de empresas de vários países, como China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, destacando-se a planta da Intel Products Vietnam (IPV), a maior fábrica de montagem e teste da rede de fabricação do grupo líder em tecnologia do setor. Com mais de 2,8 mil funcionários e um investimento total de US$1,5 bilhão, é o maior investimento de alta tecnologia dos EUA no Vietnã.De acordo com artigo do economista Paulo Yokota, o Japão implantou sete ZEEs ajustadas às vocações econômicas e tecnológicas de cada região beneficiada. A de Hokkaido, no extremo norte do Japão, visa atrair complexos relacionados com alimentos, pesquisas voltadas para a sua segurança. Na região da cidade científica de Tsukuba, na província de Ibaraki, o objetivo é a produção e comercialização de tecnologias de ponta no tratamento do câncer, utilizando robôs. A de Tóquio, incluindo a área litorânea de Kanagawa, Yokohama e
Kawasaki, tem como centro motor a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos. Em Aiichi, Gifu e Nagoya, o foco é a produção de componentes. A região de Kansai, incluindo Osaka, Kyoto e Hyogo, tem como eixo a indústria farmacêutica, de equipamentos médicos e tecnologias de ponta na área médica. A região de Fukuoka e Kitakyushu, as ZEEs locais visam o desenvolvimento de células de combustíveis, reciclagem de materiais destinados aos mercados asiáticos

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Terras Indígenas contra a crise climática: veja quais celebridades abraçaram a campanha “Brasil Indígena, Terra Demarcada”

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Deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) puxa marcha no penúltimo dia de ATL, que terminou com repressão policial. Foto: @scarlettrocha

Demarcar as Terras Indígenas é proteger o futuro do país. Com essa mensagem, Anitta, Juliette, Glória Pires, Dira Paes, Marcos Palmeira, Klebber Toledo, Xamã e Alejandro Claveaux, entre outros artistas, se uniram à campanha “Brasil Indígena, Terra Demarcada”, lançada pela Mídia Indígena, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e o Instituto Socioambiental (ISA). 

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A iniciativa busca sensibilizar a sociedade sobre a importância dos povos indígenas e de suas terras para a preservação das florestas e o enfrentamento à crise climática. Para isso, os artistas cederam gratuitamente suas imagens e vozes, contribuindo com vídeos que, apoiados em dados concretos, destacam o papel essencial das Terras Indígenas no combate às mudanças climáticas.

A campanha ganha ainda mais relevância neste mês de abril, quando milhares de lideranças de todo o país se reúnem em Brasília para o Acampamento Terra Livre (ATL) 2025 – a maior mobilização indígena do mundo. O lançamento da campanha, com a divulgação dos vídeos de Anitta, Glória Pires e Kléber Toledo nesta semana, faz parte da programação do evento. Os vídeos dos demais serão divulgados ao longo das próximas semanas.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que é Acampamento Terra Livre?

Sob o lema “Apib somos todos nós: em defesa da Constituição e da vida”, o ATL denuncia as ameaças aos direitos constitucionais dos povos indígenas, em especial o avanço do marco temporal.

A tese ruralista que limita a demarcação de Terras Indígenas apenas às ocupadas na data da promulgação da Constituição, em 1988, foi validada pelo Congresso Nacional e transformada em lei mesmo após ser considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento indígena e as organizações da sociedade civil alertam que a tese legaliza invasões, amplia a insegurança nos territórios e ameaça a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas.

Mais do que uma dívida histórica, a demarcação das Terras Indígenas é uma estratégia urgente de enfrentamento à crise climática. Estudos revelam que esses territórios são os que mais conservam a biodiversidade e ajudam a conter o avanço do desmatamento. Garantir os direitos territoriais dos povos indígenas é, portanto, garantir o futuro do país.

Leia também: Saiba o que é a Marcha das Mulheres Indígenas

Veja dados que comprovam a importância das Terras Indígenas

Proteção ambiental: As Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, com apenas 1,6% de desmatamento entre 1985 e 2022, enquanto terras privadas lideram a devastação. Os territórios indígenas estão em média 16 vezes mais preservados que áreas em seu entorno.

Combate às mudanças climáticas: A preservação das florestas indígenas é vital para a redução de emissões de CO2 e para a mitigação do aquecimento global, de acordo com estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Sobrevoo no Rio Xingu, nas proximidades da aldeia Moygu, no Território Indígena do Xingu (TIX). Foto: Fernanda Ligabue/ISA

Chuvas que sustentam a economia: Terras Indígenas da Amazônia influenciam as chuvas que abastecem 80% da área das atividades agropecuárias no país, evidenciando o papel central desses territórios na segurança hídrica e econômica do país. Em 2021, o setor agropecuário gerou R$ 338 bilhões em estados que dependem da regulação dos ciclos de chuvas das Terras Indígenas. Isso é 57% de toda a produção do setor no país.

Riqueza cultural: O Brasil abriga 305 povos indígenas que falam mais de 274 línguas (IBGE), guardando um patrimônio cultural único e conhecimentos tradicionais fundamentais para a ciência e a sustentabilidade.

Direitos garantidos: A Constituição Federal de 1988 reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre suas terras, e a demarcação é um dever legal do Estado brasileiro.

Com informações do Instituto Socioambiental. Leia a matéria original AQUI.

No ATL, governo federal lança a Comissão Internacional Indígena dentro da COP 30

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Governo federal lança a Comissão Internacional Indígena. Foto: João Alfredo de Melo I Ascom MPI

Durante o quarto dia do Acampamento Terra Livre (ATL), dia (10), uma comitiva do governo federal realizou o lançamento da Comissão Internacional Indígena da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30. A Comissão fará parte de um dos quatro círculos temáticos da Conferência, o Círculo de Povos, e ambos serão presididos pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. A Comissão será composta por 16 membros que ainda serão definidos, porém ao menos dois serão de organizações indígenas brasileiras e os demais do exterior. 

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No discurso de anúncio da Comissão, a ministra Sonia Guajajara comemorou a criação do mecanismo e afirmou que o MPI vinha lutando para que os povos indígenas tivessem protagonismo dos debates da COP 30, uma vez que os territórios indígenas funcionam como barreira de avanço da mineração, do garimpo, das monoculturas, do agronegócio e de atividades que degradam o meio ambiente como um todo. 

“Trata-se de uma comissão que está dentro de um círculo criado pela presidência da COP em que estão as maiores instâncias representativas dos povos indígenas. Teremos representações do Fórum Permanente das Nações Unidas de Questões Indígenas, da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, da Aliança Global de Comunidades Territoriais, da Bacia Amazônica, entre outros, e do movimento indígena brasileiro por meio da APIB, da ANMIGA e da COIAB, que é a anfitriã indígena da COP que acontece na Amazônia”, especificou a ministra ao enfatizar que a mensagem principal é evidenciar Terras Indígenas como a maior frente de combate à crise climática.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: O que é Acampamento Terra Livre?

Governo federal lança a Comissão Internacional Indígena. Foto: João Alfredo de Melo I Ascom MPI

Além de citar a Comissão como um espaço no centro das tomadas de decisões, a ministra mencionou o “Programa Kuntari Katu: Líderes Indígenas na Política Global”, edital que selecionou 30 indígenas para um curso de desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para atuar em pautas de interesse dos povos indígenas do Brasil ao participarem de fóruns internacionais. Ela também comentou sobre uma iniciativa de mobilização do MPI que vai discutir com os estados brasileiros a preparação para a COP 30, que será lançada na semana que vem, em Belém, no Pará, mesmo estado em que será realizada a Conferência. 

COP abraça povos indígenas

“Vocês inspiram o mundo, essa COP vai abraçar vocês e vocês tem que abraçar essa COP”, disse o presidente da COP 30, o embaixador André Corrêa do Lago, aos indígenas.

A primeira reunião oficial da Comissão será durante o Fórum Permanente da ONU, em Nova York, ainda em abril. O objetivo da Comissão será garantir diálogo prioritário aos pleitos do movimento indígena, desde questões de credenciamento às agendas de negociação e ações. A presidência da COP 30 reconhece a efetiva contribuição dos territórios e conhecimentos tradicionais indígenas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e nos melhores projetos de adaptação. 

A Presidência da COP está criando o círculo dos povos e mais três círculos. Um é o de Balanço Ético Global, com presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do secretário-geral da Presidência da República, Márcio Macêdo; e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. O segundo é de Finanças, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e um terceiro com ex-presidentes das COPs. 

Já a ministra Marina Silva destacou o compromisso do governo com a questão ambiental e indígena em sua fala. “Fizemos um esforço para que a COP 30 aconteça em um ambiente que seja compatível com o compromisso que temos com o desmatamento zero até 2030, de que vamos ter uma redução de 67% de redução de emissão de CO2 para todos os setores, agricultura, indústria, transporte e energia, mas isso não é feito só pelo governo, mas pela força transformadora de um povo.”

“O círculo dos Povos é fundamental para ter uma ligação direta com a presidência da COP e os indígenas. As portas da COP e do governo brasileiro estão absolutamente abertas para os indígenas para fazer dessa COP a primeira em que os povos indígenas têm o papel principal em liderar o combate à mudança do clima”, afirmou a diretora executiva da COP 30 e secretária de Mudança do Clima no Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni. 

O evento contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo; do secretário executivo do MPI, Eloy Terena; da secretária nacional de Gestão Ambiental e Territorial do MPI, Ceiça Pitaguary; do secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do MPI, Marcos Kaingang; das deputadas Célia Xakriabá, Juliana Cardoso e Érika Hilton e lideranças indígenas nacionais e da América Latina.

Após a solenidade, as ministras Sonia Guajajara e Marina Silva seguiram com a marcha realizada pelo ATL, batizada de “A Resposta Somos Nós”, que seguiu até o Supremo Tribunal Federal para protestar contra o marco temporal e a Comissão Especial em torno do marco temporal.

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas

Como imaginamos os povos indígenas?

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Casa comunitária dos Moxihatëtë — Foto: Guilherme Gnipper/Hutukara/Divulgação

Provavelmente, cada um de nós compartilha determinadas representações, ora positivas, ora negativas, a respeito dos chamados “indígenas” ou “índios”, termo considerado pela maioria dos povos e suas organizações como pejorativo, sobretudo quando pronunciado por aqueles que não pertencem a esses grupos. Através das instituições que nos forjam como seres sociais (como a família e a escola), nós aprendemos, inculcamos e incorporamos práticas, ideias, valores e visões de mundo. Isso inclui a maneira pela qual imaginamos os povos indígenas ou povos originários, isto é, aqueles que estavam pelas bandas de cá antes de Colombo, Cabral ou Hernández. Façamos um exercício. Fechemos os olhos. Quais são as imagens que passam pela sua cabeça quando ouvem a palavra “indígena”?

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Para alguns, saltará aos olhos a figura de Peri, cujos amores foram narrados pelo escritor José de Alencar (1829-1877) em um livro amplamente lido nas escolas brasileiras: O Guarani (1857). Posteriormente, em 1870, a imagem desse índio heroico e idealizado inspiraria uma ópera do compositor Antônio Carlos Gomes. No século XX, Peri chegaria às salas de cinema três vezes:  em um filme mudo de 1912; um filme de 1979 dirigido por Fauzi Mansur; e um filme dirigido por Norma Bengell em 1996.

Assim como Peri, vocês devem lembrar como as violências e os abusos sexuais perpetrados pelos colonizadores europeus contra mulheres indígenas apareceram de maneira jocosa, apimentada e sacana no filme Caramuru – a invenção do Brasil (2001), dirigida por Guel Arraes, que narra as supostas relações amorosas entre o náufrago português Diogo Álvares Correia (1475-1557), que viveu entre indígenas da costa brasileira. A nudez aqui seria sinônimo de “pureza” ou “volúpia”? A suposta “disponibilidade” das mulheres indígenas, assim como das mulheres negras escravizadas, permeiam as páginas de Casa-grande & senzala (1933), livro do sociólogo Gilberto Freyre, defensor da “democracia racial”, mito segundo o qual as relações étnico-raciais no Brasil seriam amistosas e harmoniosas.

Mas continuemos o nosso exercício. Os cinéfilos também devem se lembrar do filme The Mission (1986), dirigidos por Roland Joffé. A missão implementada pelo padre jesuíta Gabriel e pelo colonizador e comerciante de escravos Rodrigo Mendoza, interpretados por Jeremy Irons e Robert De Niro respectivamente, é um bom exemplo das violências que foram perpetradas contra os indígenas durante as colonizações das Américas. Naquele período, esses povos eram concebidos como “sem alma”, razão pela qual deveriam ser evangelizados. Para que deixassem de ser “selvagens”, deveriam ser “civilizados”, tornando-se, assim, súditos da Coroas.

Leia também: Expressões pejorativas associadas à indígenas para não usar mais

No sobrevoo realizado em setembro de 2016, aproximadamente 15 índios foram vistos na comunidade, segundo a Hutukara — Foto: Guilherme Gnipper/Hutukara/Divulgação

No século XX, não haverá tantas modificações nesse imaginário, sempre orientado por uma pretensão de superioridade moral e material. A memória de alguns não deixará escapar a minissérie Mad Maria, baseada no romance de Márcio Souza. Trata-se da história da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, na Amazônia. Para a minha avó, aqueles índios que estavam atravancando o caminho do “progresso” e do “desenvolvimento” eram, de fato, muito “preguiçosos” e deveriam trabalhar, ao invés de se rebelarem.

Ultrapassando as páginas dos livros e as telas, essas imagens orientaram as políticas indigenistas de diferentes países latino-americanos, isto é, as ações que foram desenhadas e executadas pelos Estados nacionais para “proteger” os povos indígenas. No Brasil, durante o governo de Nilo Peçanha (1867-1924), foi criado o Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais (SPILTN), em 1910 – depois, seria reduzido para SPI. Esse nome é bastante sugestivo. Cabia ao órgão indigenista localizar e atrair os “silvícolas” para que o contato (forçado) fosse realizado. Atraía-se por meio de presentes e bugigangas. Vistos como “bravos”, os indígenas precisavam ser “pacificados”. No entanto, a célebre frase do marechal Cândido Rondon, patrono da política indigenista brasileira – “morrer, se preciso for; matar, nunca” –, não impediu que milhares de indígenas fossem dizimados por epidemias e balas.

Mas como isso era feito? Na verdade, adotava-se praticamente o mesmo procedimento do período colonial: os indígenas eram retirados de suas terras e eram confinados em determinadas porções territoriais (na colônia, permaneciam nas missões ou aldeamentos; no período republicano, nos postos de atrações ou fazendas agrícolas). Essa prática continuou sendo adotada após a extinção do SPI e a criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em 1967, em plena ditadura militar. Assim, enquanto os estados expandiam suas fronteiras, liberando as terras indígenas para a exploração econômica, os indígenas eram sedentarizados, de modo que, gradativamente, fossem “abandonando” suas identidades étnicas e transformando-se em cidadãos nacionais. O indígena era visto, portanto, como um ser transitório, isto é, era aceito como um elemento constituidor da nação, mas deveria ser integrado e assimilado à sociedade nacional.

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As noções de assimilação e integração – atenção com as palavras! – estavam presentes na Convenção 107 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1957. Entenderam a relação entre a OIT e a população indígenas? Sim, eles eram vistos como potenciais trabalhadores, uma vez que, ao serem assimilados e “aculturados”, seriam proletarizados. Essa orientação somente seria modificada no dia 27 de junho de 1989, quando a OIT promulgou a Convenção 169, fruto das lutas dos povos indígenas pela garantia de seus direitos. Esse documento, do qual o Brasil é signatário, tem como base a diferença e a autodeterminação. Parafraseando meu amigo Lévi-Strauss, os povos indígenas têm o direito “de ser o que se é”, mantendo e reproduzindo suas línguas, culturas, costumes, crenças, configurações familiares, laços de parentesco, organizações políticas e tomando as rédeas de suas vidas.

Paralelamente à aprovação da Convenção 169, promulgada pelo governo brasileiro em 2004, o ordenamento jurídico do país passou a contar com uma dimensão pluriétnica a partir da Constituição de 1988, que incorporou os direitos dos povos indígenas nos artigos 231 e 232. Quem tiver curiosidade, vale procurar o vídeo do discurso de Ailton Krenak – que se tornou ‘imortal’ da Academia Brasileira (leiam os livros dele!) –, na assembleia constituinte. Esse registro ajuda a ilustrar que, apesar das atrocidades, os povos indígenas se organizaram politicamente e resistiram (e resistem) às investidas de fazendeiros, garimpeiros, missionários e agentes estatais. Conseguiram, assim, participar dos debates que balançaram a Praça dos Três Poderes durante o período de redemocratização.

Em seu artigo 3º, inciso IV, a Constituição explicita que um dos objetivos fundamentais da República brasileira consiste em “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Eis aí o direito à diferença. Nos artigos 215 e 216 do texto constitucional, encontram-se os direitos culturais aos grupos formadores da nação, como indígenas e afro-brasileiros, de modo que “cultura”, nesses dispositivos, corresponde à perspectiva antropológica, ou seja, aos modos de ver o mundo, sentir e agir – embora o artigo 216-A refira-se à “cultura” enquanto “manifestações artísticas”.

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Assim como a Convenção 169, a Constituição de 1988 também rompeu com a lógica da tutela. Em outras palavras, rompeu com a ideia segundo a qual os indígenas seriam “incapazes”, “infantis”, “ingênuos”, “bravos” ou “bons selvagens”. A ideia dos colonizadores, missionários e indigenistas segundo a qual os indígenas precisavam e deveriam ser “guiados”, não foi contemplada nessas legislações. Não obstante, como tenho argumentado em minhas pesquisas, me parece que o colonialismo está a todo vapor. Isso porque algumas práticas e discursos sobre os povos indígenas continuam se perpetuando cotidianamente. As imagens que vimos acima ainda são reproduzidas; muitas vezes, por nós mesmos. Penso que são imagens de controle, termo cunhado pela socióloga Patricia Hill Collins para se referir às imagens estereotipadas que fazem parte de uma ideologia de dominação. A depender dessas imagens exotizantes, os indígenas deveriam estar presos em um tempo específico (a colonização) e em um espaço delimitado (a floresta). Daí o curto-circuito nas cabeças do senso comum quando se deparam com indígenas em contexto urbano ou em situação de deslocamento forçado. Seriam “nômades”?

Para contribuirmos para que essa engrenagem seja rompida, a proteção dos povos indígenas não pode estar apartada da promoção da autonomia e do respeito à autodeterminação. Tampouco se deve esquecer do direito à consulta prévia, livre e informada. Se a Antropologia tem alguma coisa a nos ensinar é que a minha visão de mundo, as minhas formas de sentir, agir e pensar são apenas algumas entre tantas outras possibilidades de ser estar no mundo. O trabalho com povos indígenas deveria nos ensinar que, ao nos abrimos para diferentes alteridades (os Outros), constatamos o óbvio: o mundo é plural e culturalmente diverso. Temos muito a aprender com as populações com as quais trabalhamos. Mas, para que o caminho do aprendizado esteja aberto, precisamos nos desvencilhar de velhas imagens mofadas e carcomidas. 

*Conteúdo publicado originalmente pela ACNUR Brasil. Leia o conteúdo AQUI.

Ministro da Agricultura anuncia criação da Câmara Setorial para Agropecuária Indígena

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Reunião no Mapa debateu programas para incremento da produção indígena. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Após participar do encontro do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com o cacique Raoni Mepuktire e lideranças do Xingu, na Aldeia Piarauçu, em Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu a presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Eliane Xunakalo e representantes de diversas terras indígenas para tratar das demandas de aprimoramento da agricultura indígena.

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Como forma de dar mais agilidade, após um estudo realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Fávaro autorizou, durante a reunião (7), a criação da Câmara Setorial de Agropecuária Indígena.

As Câmaras Setoriais e Temáticas do Mapa são importantes fóruns de discussão entre os diversos elos das cadeias produtivas, reunindo entidades representativas de produtores, empresários, instituições bancárias e de outros parceiros no setor, além de representantes de órgãos públicos e de técnicos governamentais para discutir questões de interesse da cadeia produtiva, tais como manejo, processo produtivo, comercialização, entre outros.

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“É o jeito mais rápido de atender”, ressaltou o ministro. Isso porque, com a representação direta de agricultores indígenas em debates regulares envolvendo todo o setor, as demandas da agricultura indígena chegam diretamente para atender aquilo que realmente é necessário para o desenvolvimento da produção.

A Fepoimt representa cerca de 60 mil indígenas de 46 povos que vivem em Mato Grosso. Participaram da reunião 20 representantes de diferentes regiões e segmentos.

No encontro, foram discutidas medidas para auxiliar a produção agrícola dos povos indígenas e o incremento de programas do Mapa.

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Reunião no Mapa debateu programas para incremento da produção indígena. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Segurança Alimentar

O Mapa realiza o Programa de Segurança Alimentar para Etnias Indígenas que, em Mato Grosso, é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT) para os Xavantes, que representam aproximadamente metade dos indígenas que vivem no estado, com investimento de R$ 12 milhões; e com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) para os Tapirapé, no qual são aplicados R$ 2 milhões.

Além de promover a geração de renda com capacitação de agricultores indígenas, desenvolvimento de áreas produtivas, agregação de valor à cadeia produtiva e manutenção de banco de germoplasma de alimentos tradicionais, o programa prevê a aquisição de tratores e maquinário para que as ações sejam efetivadas.

Ainda, o Mapa vai investir mais R$ 1,5 milhão para o incremento da produção e ampliação da comercialização de alimentos indígenas, a exemplo do mel produzido pelos índios do Xingu, comercializado em todo o país em uma rede de supermercados nacional, que foi o primeiro produto indígena do Brasil a receber o Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Outros alimentos reconhecidos que são produzidos pelos indígenas de Mato Grosso são o óleo de pequi e a pimenta em pó. O Mapa vem trabalhando em ações para a ampliação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) e irá atuar junto aos povos indígenas para agregação de valor também por meio do Selo Arte.

*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária

HQ debate impactos da exploração de petróleo na costa do Amapá

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HQ “A Voz da Foz – O lucro é deles, o prejuízo é nosso” — Foto: Reprodução/Instituto Mapinguari

Durante a Semana do Quadrinho Nacional, realizada de 4 a 6 deste mês em Manaus (AM), foi lançada a HQ “A Voz da Foz – O lucro é deles, o prejuízo é nosso”. A obra é uma iniciativa do Coletivo Iukytáias, Instituto Mapinguari e o Grupo Norte em Quadrinhos.

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A ideia surgiu em meio ao debate da exploração do petróleo na Margem Equatorial. Inicialmente o projeto era de fazer uma versão mais caseira, como um fanzine, um quadrinho um pouco menor, mas durante o processo de criação o coletivo se animou com a ideia e iniciou as tratativas para a produção da HQ.

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HQ debate impactos da exploração de petróleo na costa do Amapá — Foto: Divulgação/Instituto Mapinguari

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“Inicialmente, a ideia era produzir um fanzine, que é um material produzido de maneira mais caseira, então é possível xerocar, desenhar a mão, grampear em casa. Quando eu percebi que as pessoas estavam empolgadas, e aí eu falei que conhecia um instituto aqui no Amapá, que poderia nos ajudar com mais informações, e procurei o Yuri do Mapinguari.”, disse Thai Rodrigues, ilustradora do Amapá, e participante do coletivo Iukytaias.

O livro possui 9 histórias todas produzidas por artistas da região Norte, além da questão da exploração do petróleo são abordadas questões climáticas. O Instituto Mapinguari, uma ONG amapaense que atua apoiando e executando ações de defesa, preservação e conservação do meio ambiente, forneceu pesquisas e ideias de possíveis personagens para o quadrinho.

“ O processo de criação foi muito ágil. A gente disponibilizou pesquisas, que envolvem esse tema do petróleo, também mostramos dados de escutas que fizemos nas comunidades, discutindo esse assunto. E os artistas tiveram total liberdade para produzir o material. E a gente também orientou que as discussões também fossem sobre esse contexto do debate climático”, disse Yuri Silva, diretor técnico do Instituto Mapinguari.

No Amapá, o quadrinho estará disponível na Semana Nacional do Quadrinho, que acontece nos dias 19 e 20 de abril, no shopping Amapá Garden.

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*Por Luan Coutinho, g1 AP — Macapá

Plataforma identifica áreas prioritárias para restauração florestal

Áreas prioritárias para restauração florestal. Foto: Symbiosis/divulgação

Uma ferramenta desenvolvida pela organização não governamental (ONG) Conservação Internacional (CI) faz uso de inteligência artificial para identificar áreas prioritárias para restauração de vegetação nativa em todo o país. A plataforma recebeu o nome de Ciera (sigla em inglês para Assistente de Restauração de Ecossistemas da Conservação Internacional) e será disponibilizada de forma gratuita no segundo semestre deste ano.

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Segundo a diretora de Restauração de Paisagens e Florestas da CI Brasil, Luciana Pugliese, a plataforma surge para atender a demanda por uma ferramenta capaz de integrar informações sobre o tema, como custo por bioma, incentivos e exigências legais. 

“A Ciera tem como objetivo tornar a restauração mais pública, mais compartilhada, para que todo mundo possa se apropriar dessa tomada de decisão do melhor local para restaurar”, diz.

A iniciativa é resultado da colaboração internacional entre brasileiros e norte-americanos da CI, em parceria com universidades e empresas de tecnologia. A plataforma inova na interpretação automática de dados e informações disponíveis em múltiplas fontes e formatos.

Durante o desenvolvimento do Ciera, a equipe de cientistas integrou dados geoespaciais e informações contidas em políticas públicas e legislações brasileiras como, por exemplo, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado em outubro do ano passado, durante a 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas para a Biodiversidade (COP16), em Cali, na Colômbia.

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A política reforça o objetivo pactuado pelo Brasil em acordos multilaterais de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

Floresta amazônica. Foto: Fernando Sette

Dados do Observatório da Restauração e Reflorestamento revelam que o Brasil tem atualmente 153,14 mil hectares da cobertura vegetal original recuperada e 8,76 milhões de hectares reflorestados. Conforme estimativa do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), apenas para cumprir o Código Florestal (Lei 12.651/2012), o Brasil tem um passivo ambiental de 25 milhões de hectares de vegetação nativa que precisa ser recuperada.

De acordo com Luciana, o Ciera é capaz de buscar entre documentos oficiais e informações qualificadas disponíveis na internet tudo que é necessário para criar uma base de conhecimentos para orientar o usuário, seja um proprietário de área rural ou um gestor público.

“Por exemplo, se um governo estadual tem interesse em fazer restauração de áreas onde há maior número de proprietários com déficit de APP [área de preservação permanente], reserva legal e descumprimento do Código Florestal, o Ciera permite que a gente faça essa análise e indique, então, onde estão as bacias ou os territórios mais viáveis para que se tenha o máximo de resultado em restauração”, explica.

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Além de identificar a área, a ferramenta aponta metodologia, as melhores espécies a serem plantadas, informações sobre custos e ajuda a esclarecer dúvidas que possam surgir ao longo da execução de um projeto.

Foto: Reprodução/Governo do Brasil

“É aquele processo de machine learning, no qual a máquina vai aprendendo conforme se trazem mais possibilidades, mais informações e modelos que alimentem a ferramenta. Então, a ideia é continuar apoiando esse processo de aprendizado da máquina e que, conforme formos usando nos nossos próprios projetos e outras pessoas acessem, ela vai ficando cada vez mais precisa”, detalha Luciana.

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Recentemente, essa etapa de aperfeiçoamento ganhou um reforço após a plataforma ter vencido o desafio global Hack4Good 3.0, anunciado em março, na cidade de Seattle, nos Estados Unidos. O Ciera se destacou entre outras inovações de impacto positivo para o mundo.

“Em pelo menos mais de três meses, a gente estará com isso tudo consolidado e disponível para ser aplicado por proprietários de terra ou tomadores de decisão, de uma forma geral”, reforça Luciana Pugliese.

*Com informações da Agência Brasil

Crianças indígenas entregam manifesto pelo meio ambiente a ministras

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Um grupo de crianças de diferentes etnias e regiões do país entregou a representantes do governo federal uma carta cobrando medidas efetivas de proteção ao meio ambiente e de enfrentamento às mudanças climáticas. O documento foi entregue durante o último dia da 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), maior mobilização dos povos originários do Brasil.

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“Nossas florestas estão sendo desmatadas e feridas e nossos rios estão ficando secos e poluídos. Estão acabando com tudo o que a gente conhece, ama e respeita”, lamentam as crianças no manifesto entregue às ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

O texto do documento foi escrito com a colaboração de crianças não-indígenas e o auxílio de alguns adultos que acompanhavam as crianças no Cafi Parentinho, um espaço especialmente dedicado ao público infantil presente no Acampamento Terra Livre, que, este ano, reuniu entre 6 mil e 8 mil indígenas de 135 etnias de todo o país.

“Estamos aqui para cuidar do nosso mundo, da nossa floresta e, principalmente, do nosso direito de existir”, afirmam as crianças, na carta. “Sempre falam que somos o futuro, mas somos o presente e o agora! Os ancestrais nos ensinaram a ouvir a natureza e agora pedimos que os outros adultos nos ouçam. Estamos ouvindo o som do mundo de vocês desmoronando. E vocês? Conseguem ouvir? Escutem nosso chamado: somos parte da solução. Sabemos que existe um jeito de salvar o nosso mundo e estamos prontos para caminhar juntos, unidos para proteger nossas terras, nossos rios e nossas culturas”, acrescentaram as crianças, cobrando “de quem governa e toma decisões” a devida proteção às florestas e ao planeta.

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“Defendemos todos os seres vivos”, diz a carta – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“Queremos água limpa, sem poluição e sem minério. Não queremos que nossos rios e igarapés sejam sujos com petróleo. Defendemos todos os seres vivos. Se não cuidarem do nosso mundo, não vai haver futuro para nós, crianças. E a luta não é só nossa, é de todo mundo”, concluíram os autores do manifesto.

Yará Santos da Costa, de 9 anos de idade, e Luana Katariru, 8, leram para os presentes a íntegra da carta que entregaram às ministras.

Moradora de Manaus, Yará é parte do povo sateré-mawé e viajou para a capital junto com os responsáveis e uma delegação da Região Norte. Já Luana é da etnia manchineri, que também se concentra na Região Norte, mas a menina, atualmente, mora em Brasília, com a família.

“Entregaram [o esboço da] carta e a gente fez as correções, colocando [a palavra] mundo em vários pontos porque não são só as crianças da Amazônia que estão sofrendo com o desmatamento, com a fumaça. São as crianças do mundo inteiro”, comentou Luana.

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“Os animais estão morrendo e está tendo muita fumaça. Não estamos mais respirando o ar puro que respirávamos antes. O ar está poluído pela fumaça. As árvores estão sendo cortadas. E se não há árvores, como vamos respirar?”, acrescentou Yará.

Visivelmente emocionada, a ministra Marina Silva desabafou.“Em todos os períodos da história, são os adultos que se colocam na frente das suas crianças para protegê-las. Por não olharmos para os povos indígenas, para aqueles que têm conhecimentos ancestrais, nós fizemos algo tão terrível com o planeta que, pela primeira vez, são as crianças que estão se colocando na nossa frente para nos defender. Algo está errado. Não são as crianças que tem que fazer o que os adultos deveriam ter feito”, disse a ministra.

Marina destaca que mundo já dispõe de respostas técnicas para conter o aquecimento global. Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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Para Marina, o mundo já dispõe de “respostas técnicas” para conter o aquecimento global. “Para resolver o problema do clima, falta o compromisso ético de fazermos a transição [energética] para termos um novo ciclo de prosperidade que não deixe ninguém para trás.”

A ministra Sonia Guajajara afirmou que ir ao ATL e ouvir as crianças é parte dos esforços para ampliar a participação indígena em todas as esferas do governo federal.

“Recebo este manifesto não como um ato simbólico, mas como um compromisso que deve ser firmado por todos os tomadores de decisão. Pensar o futuro é agir agora. E estar com as crianças, escutá-las, é firmar este compromisso com o futuro das próximas gerações.”

*Com informações da Agência Brasil

Manaus inaugura primeira estação meteorológica municipal

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Manaus inaugura primeira estação meteorológica municipal. — Foto: Divulgação

Manaus inaugurou no dia 11 de abril, sua primeira estação meteorológica municipal. O equipamento foi instalado na sede da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), no bairro Compensa, Zona Oeste da capital.

A estação é a primeira de uma rede planejada pela Prefeitura, que contará com nove unidades distribuídas em pontos estratégicos da cidade. O objetivo é implantar um sistema próprio de monitoramento climático, com mais autonomia e precisão, como parte das ações de enfrentamento às mudanças climáticas.

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“Com essas estações, Manaus passará a ter autonomia e precisão na coleta de dados climáticos. Isso representa uma virada de chave na forma como vamos lidar com o clima, proteger a população e planejar as ações da prefeitura em diversas áreas”, destacou o prefeito David Almeida.

O equipamento instalado é capaz de coletar, a cada cinco minutos, nove variáveis meteorológicas essenciais: temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, radiação solar, velocidade e direção do vento, temperatura e umidade do solo, além da pluviometria.

As informações são transmitidas via satélite para o Centro de Cooperação da Cidade (CCC), onde são armazenadas, analisadas e utilizadas para subsidiar decisões estratégicas em tempo real.

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Essa primeira estação cobre toda a Zona Oeste, beneficiando diretamente os bairros Compensa, Glória, Santo Antônio, São Jorge, Nova Esperança e os conjuntos Belvedere, Campos Elíseos, da Ilha, Flamanaus, Jardim Versalhes, entre outros.

Os dados gerados irão subsidiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil e as secretarias municipais de Saúde (Semsa), Infraestrutura (Seminf), Limpeza Urbana (Semulsp), além de outros setores envolvidos em ações de prevenção a alagamentos, controle de vetores, manutenção viária, coleta de resíduos e serviços ambientais.