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Pesquisa mostra potencial biotecnológico da folha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração

Folha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração. Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Marta Regina Silva Pereira

Mostrar o potencial biotecnológico da folha da árvore de pau-de-balsa (Ochroma pyramidale) como substituto do mercúrio na mineração de ouro é objetivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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O estudo aponta a eficácia do extrato aquoso das folhas de Ochroma pyramidale, conhecida popularmente como pau-de-balsa, com eficiência em torno de 80% no processo de separação de ouro de outros minerais em concentrados de sedimentos, tornando-o eficiente para substituir o uso de mercúrio na mineração artesanal e de pequena escala.

A pesquisa demostrou que o uso do extrato é eficiente, simples, mais barato e ecologicamente correto do que os métodos tradicionais. Além disso, o manejo do extrato vegetal em substituição do mercúrio pode contribuir significativamente para a saúde e segurança das comunidades envolvidas na atividade, além de proteger o meio ambiente da contaminação química causada pelo mercúrio. O projeto foi desenvolvido em colaboração com a UEA, com a Universidade Federal de Rondônia (UFRO), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Militar de Engenharia.

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Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora MartFolha de pau-de-balsa como substituto do mercúrio na mineração. Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Marta Regina Silva Pereira

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Reflorestamento

O estudo buscou ainda promover reflorestamento e práticas agroecológicas para recuperar áreas degradadas e fortalecer a soberania alimentar das comunidades ribeirinhas do município de Manicoré (distante a 332 km de Manaus). No decorrer da pesquisa foram realizadas ações de educação ambiental e assessoria técnica para 490 famílias das associações agroextrativistas na região do Médio Madeira.  Ao todo, o projeto implantou 14 viveiros florestais, contribuindo para o reflorestamento e a recuperação de áreas degradadas.

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Apoio

Para a coordenadora do projeto, o apoio da Fapeam foi fundamental por incentivar a colaboração científica e crucial para explorar o potencial biotecnológico da espécie.

“Sem o apoio da Fapeam, o alcance social e ambiental da pesquisa seria bem mais limitado. O financiamento permitiu que o projeto impactasse diretamente 490 famílias, com a criação de viveiros comunitários e a conscientização sobre práticas sustentáveis. Com o fomento da Fundação tivemos a integração entre diversas instituições de ensino e pesquisa unindo conhecimento técnico e científico em prol do sucesso do projeto”, explicou Marta Regina .

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Pap-Intec/Mineração

O Pap-Intec/Mineração Sustentável teve como objetivo fomentar projetos de ciência, tecnologia e/ou inovação que apontassem soluções para a redução dos impactos ambientais decorrentes do extrativismo mineral e oferecessem alternativas viáveis em substituição ao uso do mercúrio na cadeia de extração do ouro.

Além disso, o programa visou a programação  de atividades voltadas à temática educação ambiental e inclusão social, para dar continuidade aos processos de formação e capacitação científica e tecnológica, com ênfase na população ligada direta ou indiretamente à cadeia de produção mineral.

A iniciativa é uma parceria entre a Fapeam e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas, Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), e buscou estimular a pesquisa colaborativa entre pesquisadores doutores do Amazonas e de Rondônia

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A pesquisa

A pesquisa será realizada no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa de Inovação Tecnológica – Redes de Pesquisa em Mineração Sustentável (PAP-INTEC/Mineração), edital nº 002/2022, coordenada pela Doutora em Botânica e professora da UEA, Marta Regina Silva Pereira, intitulado de ‘Potencial biotecnológico de ochroma pyramidale (cav. Ex lam.) Urb. (malvaceae)’,

*Com informações da FAPEAM

Pesquisa vai analisar influência das abelhas sem ferrão no aumento da produção de açaí na Amazônia

As abelhas têm o papel fundamental na polinização de alimentos — Foto: Jesiel Braga/PMM

Pesquisadores vão mapear, ao longo de três anos, organismos como insetos e fungos importantes nas cadeias produtivas do açaí e de oleoginosas na região da foz do rio Amazonas, em áreas do Amapá, do Pará e parte da Guiana Francesa. No total, 40 pesquisadores de instituições brasileiras e uma alemã vão participar do trabalho, que iniciou este mês.

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Em uma das frentes do estudo, serão trabalhadas a identificação e a criação de abelhas sem ferrão dentro dos açaizais, como forma de aumentar a produção do açaí, além de ter o mel como subproduto. De acordo com outra pesquisa da Embrapa, a meliponicultora pode aumentar a produtividade dos açaizais entre 30% e 70%.

No Brasil, há cerca de 1.500 espécies diferentes, das quais 300 são meliponini, ou seja, naturalmente sem ferrão ou com ferrão atrofiado.

O projeto é coordenado pela Embrapa Amapá e tem financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Entre as instituições participantes estão o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Universidade de Bonn, na Alemanha.

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Açaí coletado no Arquipélago do Bailique, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1

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O trabalho terá ainda a participação das comunidades locais, que participarão das atividades técnicas.

“A importância do projeto está relacionada com o fato de que iremos estudar organismos incógnitos (epífitas, fungos e insetos), pequenos, pouco conhecidos, normalmente ignorados, mas que são importantes nas cadeias produtivas do açaí e das oleaginosas da floresta de várzea e, consequentemente, para as famílias e comunidades ribeirinhas”, descreveu Marcelino Guedes, pesquisador da Embrapa Amapá e coordenador do projeto.

Guedes explicou que um dos insetos que a serem analisados será o barbeiro, que possui mais de 150 espécies diferentes e que podem transmitir a doença de chagas junto com o açaí. Na mira dos cientistas também estão os insetos brocadores de sementes, que prejudicam a produção do óleo de andiroba e pracaxi.

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Sobre a pesquisa

Pesquisadores da Embrapa Amapá durante pesquisa de campo na Amazônia — Foto: Marcelino Guedes/Arquivo Pessoal

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O projeto “Revelando os incógnitos: epífitas, insetos e fungos associados à flora arbórea de várzea na Amazônia Oriental” foi uma das 24 propostas aprovadas de 191 que concorreram na chamada do programa “Expedições Científicas – Iniciativa Amazônia + 10”.

A iniciativa lidera pela Embrapa Amapá tem a participação de instituições como as universidades Estadual (Ueap) e Federal do Amapá (Unifap), além do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Agrobiologia (RJ).

Por Rafael Aleixo, g1 AP — Macapá

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Momentos de tensão: sogro e genro ficam perdidos na mata por dois dias ao saírem para caçar no interior do Acre

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Sogro e genro(os dois de camisa azul ao centro) foram resgatados por bombeiros, com ajuda de mateiros da região — Foto: Asscom/CBMAC

O senhor Manoel Sebastião Gomes, 50 anos, e o genro Gilvan Moura da Costa, 35 anos, viveram momentos de tensão até serem resgatados pelo Corpo de Bombeiros do Acre, no dia 11 de abril. Isso porque os dois saíram na última no dia 9 para caçar e acabaram se perdendo na mata densa da região da comunidade Havre no Baixo Rio Gregório, no interior do Acre.

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Os dois saíram no período da manhã e ao passar dois dias e não retornarem, os familiares decidiram acionar os bombeiros para procurá-los. Os militares do 7º Batalhão de Educação, Proteção e Combate a Incêndio Florestal (BEPCIF), do Juruá, montaram uma equipe e iniciaram as buscas logo quando souberam do caso.

Os bombeiros receberam ajuda de mateiros [pessoa que, por sua grande vivência em matas fechadas, trabalha como guia para outras pessoas] da região e após horas de navegação no rio e longa caminhada em região de mata densa, os caçadores foram encontrados.

O sargento do CBMAC, José Hangell Farrapo, que participou do resgate, explicou que a localidade era de difícil acesso e foi necessário percorrer uma estrada, depois navegar pelo rio para poder chegar na floresta. “A maior dificuldade foi a caminhada por grandes quantidades de terras altas até local onde foram encontrados”, disse.

Por Hellen Monteiro, g1 AC — Rio Branco

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Agricultora indígena cultiva melancias gigantes debaixo de ‘sombra e água fresca’ em Roraima

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Melancia gigante, ainda em desenvolvimento. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Comprida ou redonda como uma bola, verde por fora, vermelha por dentro, suculenta e “graúda”. Assim são as melancias cultivadas pela agricultora indígena Kátia Maria Pinho da Silva, de 49 anos, no município de Normandia, no interior de Roraima. Cultivados na sombra e com água fresca, em “casinhas” de madeira e palha, os frutos colhidos são gigantes, com pesos de mais de 40 kg — quase três vezes mais pesadas que a maioria deles, que costumam ter 15 kg.

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Os frutos são cultivados no sítio Fonte Formosa, localizado na comunidade indígena de mesmo nome, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. A lavoura de melancia é uma das principais fonte de renda da família de Kátia, do povo Macuxi, que vive da agricultura e pecuária há 32 anos.

Fruta do verão, que se desenvolve quando o tempo está quente e seco, a melancia é uma das mais consumidas pelos brasileiros: no café da manhã, almoço, lanche da tarde e até no jantar. Composta por 90% de água, a fruta ajuda a manter a hidratação do corpo em dias de calor e tem ação diurética.

O plantio das melancias produzidas pela agricultora indígena começa com a preparação do solo, onde as covas — espaço do plantio — são abertas. Com isso, as sementes são plantadas, adubadas com esterco de carneiro e irrigadas até o dia da colheita, o que acontece diariamente na lavoura dela. Os pés de melancia dividem espaço com outras frutas, como maracujá, macaxeira e açaí.

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Melancias gigantes são cultivados debaixo de ‘casinhas’ no município de Normandia, em Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Para se desenvolverem bem, as frutas também precisam do sol. No entanto, ao atingirem um tamanho já considerado grande para os padrões da fruta e perto da fase de colheita, as melancias ganham uma casa feita com pedaços de madeira e coberta por telhas e outras plantas. A “cama” delas é uma ripa, que evita que o fruto fique em contato direto com um solo quente.

“As casinhas são para proteger do sol! Eu tenho que proteger com as casinha e deixar as ramas em cima, é uma sombra para elas ficarem mais à vontade e onde elas conseguem se desenvolver mais. No solo, [a madeira usada] é devido ao fungo também porque a gente não usa um remédio para combater, os cuidados tudo vem com adubo natural mesmo”, explicou ela.

Roberto Dantas de Medeiros, engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e pesquisador da Embrapa Roraima explica que a proteção com as casinhas são principalmente um fator estético na hora da comercialização, para evitar manchas, já que a fruta precisa de calor para crescer.

Agricultora indígena Kátia Maria Pinho da Silva, de 49 anos, com uma das melancias ainda em desenvolvimento. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

“O excedente do sol realmente interfere negativamente. No entanto, a melancia precisa de bastante de calor, de um calor em torno de de 30 graus mais ou menos diariamente. Isso realmente ajuda, é favorável a melancia, [para] ter boa qualidade. Ele [calor] favorece a melancia fazendo que tenha um crescimento superior àquelas plantas que realmente são plantadas numa época de menos de insolação”, explicou.

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‘A agricultura familiar é a nossa vida’

A plantação tem melancias da espécie Jubilee, que tem um formato mais alongado e uma casca com listras verde escuras. Além de uma variedade mais redonda, resultado de um cruzamento natural de sementes dentro do próprio plantio por meio da polinização — o processo de transferência de grãos de pólen de uma planta para outra —, de acordo com a agricultora.

O cultivo delas dura cerca de 65 dias e guarda um segredo de plantação que Kátia Maria não revela para ninguém. O fato é: tudo é administrado por ela.

O trabalho é feito por toda a família: o marido Erronias de Jesus da Silva, de 59 anos, os filhos, as noras e os netos, que ainda são crianças mas já ajudam com as atividades. Eles dividem os cuidados com a lavoura de melancia, que envolve o preparo braçal da terra, atenção a temperatura, irrigação diária e a proteção contra as pragas, que eles combatem sem o uso de agrotóxico.

“É tudo manual, tudo é na enxada. No momento que a gente vem para a roça, a gente convoca toda família e aí vem os filhos, vem os netos, vem o esposo, todo mundo vai para a enxada, faz os berços [local de plantação], faz a correção do solo e coloca o material. E daí a gente vai fazer a plantação e eu acredito que está o resultado do nosso trabalho, os frutos na roça”, afirmou a agricultora.

Melancias redondas são cultivadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

“A agricultura familiar é a nossa vida, é no que nós acreditamos e onde colhemos bom frutos”, completou Kátia Maria.

Para o secretário de agricultura de Normandia, João Menezes da Silva Neto, as melancias cultivadas por Kátia são resultado de um conhecimento prático, passado de geração em geração, combinado com uma área propícia para o cultivo de frutas e um clima favorável para o desenvolvimento delas.

“Nós estamos numa área de lavrado e há muito tempo se tinha como paradigma que no lavrado não se produzia nada, [isso] foi quebrado e é provado que no lavrado se produz de tudo. Então, aqui nada é infértil, todos os solos podem se tornar altamente férteis e é o que acontece com essas áreas. Corrigindo a parte química do solo a gente consegue bons resultados”, disse.

Ainda de acordo com o secretário, o brix da melancia de Normandia – indicador do grau de doçura do fruto é mais alto em comparações a outras regiões. “Aqui nós conseguimos chegar até 14,16 [grau brix]. Está altíssimo”.

Segundo o pesquisador do Embrapa, o caso de Normandia é uma exceção no estado. “O normal é na faixa de entre 10 e 12 graus, no caso da melancia dessa produção aí, que realmente de um modo geral realmente é um pouquinho mais mais maior do que em produções daqui do Sul de Boa Vista, por exemplo”, disse.

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Competição anual

Apesar dos frutos gigantes, nem todas as melancias cultivadas pela família roraimense atingem pesos e tamanhos fora do comum. As grandes e, principalmente, as de tamanho normal são comercializadas pela família.

Anualmente, eles colhem cerca de 30 toneladas do fruto, que são enviados para compradores de outros municípios do estado e de diversos estados do Brasil. As frutas também são enviadas para programas do governo federal e estadual, que compram frutas de agricultores familiares e organizações.

“[Ela] vai para os programas do governo federal, do governo do estado, vai para o PA, vai para Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Com o benefício, a gente já investe em um novo trabalho, na roça”, contou a agricultora.

Melancia redonda, colhida em Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Todo o ano, uma parte das gigantes melancias já tem um destino definido: o Festival da Melancia, tradicional evento de Normandia, município conhecido como o maior produtor da fruta em Roraima. Na festa, as frutas são expostas em várias competições, entre elas a de melancia mais pesada e a mais doce.

Kátia participa da competição de fruto mais pesado há cerca de 16 anos e garante que sempre ocupa um lugar do pódio. Em 2025, ela ficou nele sozinha e venceu por WO — do termo “walkover”, que significa “vitória fácil, pois não haviam competidores com melancias grandes o suficiente para disputar com as dela. Uma das frutas pesou mais de 43 kg.

Com o prêmio desse ano, ela planejar investir na plantação das melancias e outros frutos da roça para “garantir a qualidade” das frutas da Fonte Formosa.

Por Yara Ramalho, g1 RR — Normandia

Inteligência artificial reduz ação de fungo causador de toxinas na castanha-da-amazônia

Castanha-da-amazônia sofre ação de fungos em contato com o solo ou no transporte que compromete qualidade do fruto. Foto: Robervaldo Rocha/CBA

Pesquisadores do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), com apoio da Finep, estão utilizando inteligência artificial para combater a contaminação por Aspergillus flavus, fungo causador de aflatoxinas na castanha-da-amazônia. A iniciativa visa tornar o produto mais seguro e competitivo, reduzindo os riscos à saúde e perdas econômicas na cadeia produtiva.

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A tecnologia envolve processos de inativação de microrganismos e validação com luz UV, em parceria com a startup Getter S.A e a agroindústria Abufari. O Amazonas, maior produtor nacional, é referência na qualidade das sementes, e o projeto busca beneficiar as comunidades extrativistas com inovação e rastreabilidade do produto.

O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em parceria com a Finep, está conduzindo um projeto inovador que utiliza inteligência artificial para identificar e combater o fungo Aspergillus flavus, responsável pela produção de aflatoxinas – toxinas com efeitos cancerígenos que afetam a qualidade da castanha-do-brasil. O problema, que compromete diretamente a segurança alimentar, também causa prejuízos econômicos significativos a todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde extrativistas até processadores e exportadores.

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A coleta da castanha-da-amazônia. Foto: Maurício de Paiva

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A contaminação ocorre frequentemente logo após a queda do ouriço, quando as amêndoas entram em contato com o solo úmido, favorecendo a proliferação do fungo. Mercados nacionais e internacionais possuem regulamentações rigorosas quanto aos limites de aflatoxinas permitidos nos alimentos, o que inviabiliza a comercialização de lotes contaminados e afeta a renda de pequenos produtores e outros atores da cadeia.

Para enfrentar esse desafio, o CBA está desenvolvendo uma solução tecnológica que vai além da detecção de amêndoas contaminadas. Os estudos buscam não apenas identificar a presença do fungo de forma rápida e precisa, mas também reduzir os níveis de toxinas em sementes contaminadas por meio de métodos de inativação de microrganismos ou de quebra molecular para neutralizar as aflatoxinas. Essa abordagem promete salvar parte da produção que seria descartada, ampliando a segurança alimentar e o potencial de mercado do produto.

A iniciativa conta com o apoio da startup Getter S.A., que atua na aplicação de inteligência artificial para gestão de processos e controle de qualidade. Esta é a primeira experiência da Getter no setor de bioeconomia, marcando sua contribuição para o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis. A empresa destaca que a tecnologia pode ser uma aliada importante na redução de perdas e na melhoria dos processos logísticos e de armazenamento, áreas críticas para a qualidade final da castanha.

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A iniciativa reflete o propósito do novo CBA de agregar valor e fortalecer a cadeia produtiva das castanha, fomentando a geração de bionegócios e promovendo a bioeconomia na Amazônia Foto: CBA

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Os pesquisadores envolvidos no projeto acreditam que essa solução inovadora poderá transformar a realidade da cadeia produtiva da castanha-do-brasil, beneficiando diretamente as comunidades extrativistas. Ao mesmo tempo, a tecnologia reforça o papel da ciência e da inovação na promoção da sustentabilidade econômica e ambiental da Amazônia, aumentando a competitividade da castanha em mercados globais e garantindo melhores condições de vida para os povos da floresta.

Atualmente, o projeto está na fase 1 em que os pesquisadores estão atuando na caracterização do produto, ajuste das metodologias e na construção do equipamento que vai auxiliar na redução da atuação do fungo.

*Informações extraídas no site da Finep:

‘Bizarrices’ no mundo animal: relembre casos de animais geneticamente modificados na Amazônia; o último vai te surpreender (vídeo)

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Na cultura amazônica, existem vários seres e animais místicos e de aparência inusitada que são vistos como monstros ou até protetores da Floresta.

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Em alguns estados da Amazônia, existem registros de casos reais – e documentados – de animais, no mínimo, peculiares. Os fenômeno podem ser explicados por anomalias genéticas, que ocorrem devido a erros na formação, herança genética ou até exposição a fatores ambientais.

Confira três casos “bizarros” no mundo animal na região amazônica:

Galinhola

No município de Jaru, zona rural de Rondônia, uma família se surpreendeu com o nascimento de uma ave com traços de galinha (Gallus-gallus) e galinha d’angola (Numida-meleagris). No início, os donos acreditavam ser uma galinha mas, com o passar do tempo, o animal foi se modificando e mudando a penugem, com características únicas.

Segundo pesquisadores, o cruzamento entre as aves não é possível do ponto de vista genético, tornando o desenvolvimento inviável. Portanto, não se trata de um cruzamento entre diferentes espécies, mas sim de aves de diferentes raças.

Saiba mais: ‘Fenômeno genético?’: Galinha com características de duas espécies nasce em sítio de Rondônia

Galinhola’: animal com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais.

Boi com três chifres

Na mitologia grega, o Cérbero é um cão monstruoso com três cabeças que atua como um guarda. Na Amazônia, um boi com três chifres chama a atenção de visitantes da Fazenda Piracema, em Rio Branco, no Acre. O local funciona como um complexo de diversão.

Com três chifres simétricos – um do lado esquerdo, um do direito e um no meio – o animal batizado de Meia Noite representa um caso raro de mutação genética. Por ser identificado com essa anomalia, ele não é destinado para reprodução e se tornou uma atração para o público que passa no local.

Saiba mais: Boi com três chifres vira atração em fazenda no Acre; caso é raríssimo

Animal com três chifres. Foto: G1 Acre/Reprodução

Cobra com duas cabeças 

Em 2018, moradores da comunidade rural Bonito do Apurema, no município de Tartarugalzinho, no Amapá, se depararam com um animal um tanto quanto inusitado: uma cobra com duas cabeças. O ineditismo foi tão grande que o animal foi levado para a capital para ser estudado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá.

Saiba mais: Cobra com duas cabeças assusta moradores no Amapá

Comunidade indígena Beija-Flor, em Rio Preto da Eva, recebe Plano de Ordenamento Turístico

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Comunidade indígena Beija-Flor. Foto: Valéria Saturnino/Amazonastur

Aldeia Beija-Flor, no município de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus) pretende integrar o Plano de Ordenamento Turístico (POT), implementado pela Amazonastur para estruturar e organizar a atividade turística em comunidades tradicionais do estado.

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De acordo com a chefa do Departamento de Produtos e Projetos da Amazonastur, Raíssa Tavares, a iniciativa busca contribuir com o desenvolvimento do turismo de forma responsável e participativa.

“Nosso objetivo é estimular a criação de experiências que valorizem a cultura local, promovam a geração de renda e respeitem o modo de vida das comunidades. O turismo de base comunitária permite que os próprios moradores conduzam a atividade turística, o que garante mais autenticidade aos roteiros e fortalece a autonomia das comunidades”, afirmou a gestora.

Rio Preto da Eva. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Durante uma oficina com os moradores da comunidade, foram trabalhados modelos de roteiros turísticos sustentáveis e autênticos, elaborados com a participação da comunidade. As propostas foram desenvolvidas com base nas características locais, nos saberes tradicionais e no modo de vida da aldeia.

Presente na atividade, a cacica Solange Moreira Colares, da Aldeia Beija-Flor 4, ressaltou que a ação contribui para o fortalecimento das tradições e a preparação da comunidade para o turismo.

“Estamos muito felizes com a presença da Amazonastur. Essa iniciativa vai nos ajudar a receber melhor os turistas, apresentando nossos costumes, danças, comidas típicas e a natureza que nos cerca. Queremos que os visitantes conheçam de verdade a nossa cultura e valorizem a vida nas comunidades indígenas”, disse a cacica.

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Plano de Ordenamento Turístico

O POT inclui ações voltadas para a formação do produto turístico, sensibilização ambiental e qualificação aplicada ao turismo. O projeto piloto começou a ser executado em 2022, nas comunidades indígenas Cipiá e Tatuyo, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, e em Tuyuka e Diakuru, na RDS do Tupé.

Rio Preto da Eva. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Na Aldeia Beija-Flor, a primeira visita foi realizada em 2024, com objetivo de elaborar um diagnóstico turístico. Na ocasião, foram realizadas duas oficinas, uma para levantamento das potencialidades da comunidade e outra para mapeamento do território local. A ação desta quinta, representou a devolutiva do diagnóstico, com orientações técnicas e a realização de oficinas para construção de experiências turísticas.

O próximo passo será a realização de uma nova visita técnica para validar as experiências criadas em conjunto com a comunidade. Com a validação da Amazonastur, será possível mensurar se os roteiros estão prontos para serem inseridos no mercado turístico. Esta etapa também prevê a realização de qualificações e mentorias para o aperfeiçoamento do produto turístico.

*Com informações da AmazonAS Tur

Projeto implanta tecnologia social que garante água potável em comunidades amazônicas

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

Mais de cinco mil famílias de comunidades tradicionais estão tendo suas vidas transformadas pelo projeto “Sanear Amazônia”. Por meio de tecnologias sociais e capacitações junto aos comunitários, a iniciativa promove abastecimento de água, saneamento básico e bem-estar para populações locais.

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Coordenado pelo Memorial Chico Mendes (MCM), desde 2014, o programa promove o acesso à água para consumo e para a produção em comunidades extrativistas e de baixa renda na zona rural, especialmente nas regiões afetadas pela seca ou pela falta de fornecimento regular de água. A principal estratégia é a implementação de sistemas pluviais multiusos, que possibilitam o armazenamento de água da chuva e captação de outras fontes como rios, açudes e igarapés, entre outros, oferecendo uma solução sustentável para a escassez hídrica.

O programa é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e atualmente é executado em parceria com a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Instituto Vitória Régia, Instituto Desenvolver e a Associação de Mulheres do Baixo Cajari (AMBAC). 

Há dois modelos de sistema. O primeiro é o Familiar Autônomo, no qual cada família tem um reservatório individual elevado de mil litros e um reservatório adicional de cinco mil litros. A água é captada do telhado e passa por um dispositivo de descarte da primeira água da chuva. Este sistema fornece três pontos de água no banheiro e uma pia de cozinha externa, beneficiando diretamente cada lar.

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

O segundo é o Sistema Comunitário, que usa fontes de água adicionais, como rios ou poços artesianos, com tratamento simplificado e um reservatório comunitário de 15 mil litros, além de reservatórios familiares de mil litros que captam água da chuva. A rede de distribuição leva água às residências, que também recebem pontos de uso no banheiro e na cozinha. 

Willians Santos, engenheiro civil do MCM e coordenador do projeto, reitera a importância da iniciativa. “O programa contribui para um aumento na capacidade de armazenamento de água, garantindo recursos hídricos durante períodos de escassez pluviométrica. Com isso, os beneficiários se tornam mais conscientes sobre a gestão da água, não apenas favorecendo o consumo seguro, mas também adotando práticas de conservação e uso eficiente desse recurso. Esse aumento de consciência é resultado dos processos formativos implementados no programa, que incluem treinamentos e capacitações em gestão da água”, declara. 

Segundo ele, essas ações formativas são parte essencial da implementação, promovendo o entendimento das comunidades sobre a importância da preservação hídrica e as melhores formas de gerenciar esse recurso de maneira sustentável, contribuindo para a melhoria contínua da qualidade de vida e do meio ambiente.

Em outubro do ano passado, em meio à severa estiagem dos rios no Amazonas, o projeto implementou 25 tecnologias sociais, distribuídas em sistemas autônomos e comunitários, nas comunidades São Raimundo e Igarapé Grande, localizadas no município de Manicoré (a 390 quilômetros da capital).

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

Uma das beneficiadas é Suely de Oliveira Trindade, moradora da comunidade Igarapé Grande. “Íamos buscar água de noite lá no rio. Era perigoso. Teve uma vez aqui em casa que eu ri, mas depois chorei, porque a água só pingava na caixa. Dormíamos sem tomar banho e só tínhamos um pouquinho para beber. Já pensou? Pouca água para tanta gente”, compartilha.

Sônia Santos, beneficiária da comunidade São Raimundo, também celebra a conquista. “A tecnologia contribui muito, oferecendo a comodidade de utilizá-la em casa, o que beneficia o bem-estar e a saúde”, pontua.

Em janeiro deste ano, mais 166 tecnologias sociais foram implementadas na Reserva Extrativista (RESEX) Auati-Paraná, situada na cidade de Fonte Boa (a 602 km de Manaus), beneficiando comunidades como São Raimundo, Monte das Oliveiras, Nova Esperança, Boa Vista do Pema, Barreirinha de Cima, Murizal, Miriti e Barreirinha de Baixo.

Além das tecnologias, o “Sanear Amazônia” promove ações educativas sobre higiene, manejo de resíduos e a importância do saneamento, incentivando mudanças sustentáveis no comportamento das famílias atendidas. Também realiza capacitações em gestão da água e saúde ambiental, além de treinamentos técnicos para manutenção das tecnologias implantadas.

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

O Sanear Amazônia

O programa tem o objetivo de promover acesso à água para o consumo humano em comunidades extrativistas da Amazônia, por meio da disponibilidade das tecnologias sociais “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”.

É uma proposta que assegura o abastecimento de água potável para famílias extrativistas de forma direta. O impacto indireto é reverberado por meio da replicação das melhores práticas adotadas para a totalidade da população nas áreas consideradas.

A implantação da tecnologia social no Projeto Sanear Amazônia segue um processo estruturado que envolve diversas etapas. A primeira fase é de mobilização, seleção e cadastramento das famílias beneficiadas, feita por meio de assembleias, reuniões e visitas.

Em seguida, os beneficiários passam por uma etapa de capacitação em duas áreas fundamentais. Na área de saneamento e saúde ambiental, eles aprendem sobre o uso adequado da tecnologia social, a gestão da água, cuidados com o meio ambiente e práticas de saúde que serão impactadas positivamente pelo novo sistema. 

Já na área de construção dos componentes físicos da tecnologia social, as equipes responsáveis pelas obras recebem instruções sobre a construção de placas e pilares pré-moldados, montagem de banheiros, fossas e a instalação do sistema hidráulico, além de orientações sobre a manutenção da tecnologia para garantir sua durabilidade.

A última etapa envolve a construção dos componentes físicos e a instalação do sistema. Nesse momento, é feita a instalação da caixa d’água sobre um tablado de madeira elevado, a construção do banheiro e seus acessórios, e a construção da fossa sanitária e dos sistemas de distribuição de água.

Em ações recentes, o programa realizou entregas importantes em duas Reservas Extrativistas localizadas no estado do Amazonas: a Resex Auatí-Paraná, no município de Fonte Boa, e a Resex Capanã Grande, no município de Manicoré. Na Resex Auatí-Paraná, foram consideradas aptas 128 tecnologias sociais, distribuídas entre os modelos comunitário, autônomo de várzea e comunitário de várzea, respeitando as especificidades de cada contexto local. Já na Resex Capanã Grande, foram identificadas 184 tecnologias sociais aptas, contemplando os modelos comunitário, autônomo, autônomo de várzea e comunitário de várzea

Solo perde mais carbono virando monocultura do que pegando fogo

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Monoculturas submetidas a práticas insustentáveis armazenam menos carbono do solo do que florestas queimadas periodicamente. É o que mostra pesquisa publicada na revista científica Catena, com colaboração de pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

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Realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, o estudo mostra que solos usados para plantio de uma única cultura por mais de uma década perdem 38% dos seus estoques de carbono. Nas florestas, há 16% de perda em solos queimados anualmente e 19% de perda em solos que sofreram incêndios a cada três anos. Ou seja, o solo perde o dobro de carbono quando é transformado em monocultura em comparação a florestas que sofrem queimadas recorrentes. Ao comparar com o carbono presente no solo de florestas conservadas, a concentração é três vezes menor.

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“A perda de carbono em sistemas agrícolas varia conforme as práticas de manejo e o tipo de cultivo. Agroflorestas, que integram árvores e produção agropecuária, geralmente aumentam ou mantêm os estoques de carbono devido à capacidade das árvores de sequestrar carbono e melhorar a qualidade do solo. Já as monoculturas, mesmo sem queimadas, podem perder carbono por outros fatores, tais como erosão do solo e uso intensivo de maquinário”, explica Maracahipes-Santos.

O pesquisador aponta ainda que a inserção de práticas da agricultura regenerativa em monoculturas reduz a perda de carbono do solo, diminuindo, consequentemente, as emissões de gás carbônico e mitigando a emergência climática. Entre essas práticas estão a cobertura vegetal, a restauração de florestas ao redor de lavouras e o plantio direto.

“A Amazônia tem enfrentado queimadas florestais frequentes e conversão de floresta para agricultura. Grande parte das pesquisas focaram em quantificar os impactos desses usos sobre a biomassa acima do solo. Nosso estudo mostra o legado e a magnitude de queimas frequentes e conversão de floresta para agricultura sobre a matéria orgânica do solo e outros atributos de saúde do solo no Arco do Desmatamento Amazônico”, indica Mário Medeiros-Naval, pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) e primeiro autor do artigo.

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Saúde do solo

As análises também identificaram uma correlação entre o aumento de estoque de carbono e a maior fertilidade do solo. Isso indica que adotar práticas mais sustentáveis em monoculturas, que favoreçam o acúmulo de carbono, pode gerar solos mais férteis e reduzir a necessidade de fertilizantes.

A pesquisa atesta que a saúde do solo em monoculturas é pior do que em florestas queimadas anualmente. O solo presente nas lavouras é mais compactado, com menor teor de nitrogênio e matéria orgânica, o que reduz a capacidade de armazenar nutrientes e dificulta o crescimento de plantas, aumentando a dependência de fertilizantes.

A área de monocultura estudada já adotava o plantio direto e aplicação de calcário, práticas mais sustentáveis, desde 2008, o que reduziu a acidez do solo e aumentou a disponibilidade de alguns nutrientes. No entanto, a redução de matéria orgânica levou a características incompatíveis com solos saudáveis.

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Como a pesquisa foi feita

Para determinar o nível de carbono e saúde do solo, os pesquisadores selecionaram quatro áreas na mesma região: uma floresta queimada experimentalmente anualmente, uma queimada a cada três anos e uma área de floresta intacta.

Amostras de solo foram coletadas em 11 pontos em cada área, foram analisadas tanto partes mais superficiais do solo (10 a 20 centímetros), quanto mais profundas (20 a 30 centímetros).

Os pesquisadores avaliaram, em laboratório, a presença de carbono, nitrogênio, matéria orgânica, densidade e outros nutrientes. Permitindo determinar a qualidade dos solos examinados.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM. Escrito por Karina Custódio.

Haru Kuntanawa: filho de um povo sobrevivente que exige reparação

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Idealizador de três álbuns, quatro festivais indígenas e um campeonato de futebol, Haru Kuntanawa é líder mundial do seu povo e se apresenta antes de tudo como um sobrevivente.

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Haru Kuntanawa. foto: acervo pessoal

Ele lembra que seu povo, nativo da fronteira entre o Brasil e o Peru, no Estado do Acre, sofreu um genocídio em 1911. Durante o primeiro ciclo da borracha, [1877 a 1910], as dezenas de aldeias do povo Kuntanawa foram reduzidas a somente uma em processo de captura, escravização e extermínio, relata.

Haru é neto de anciões que testemunharam a violência. Ele conta que por muito tempo seu povo não foi sequer reconhecido como indígena e só saiu do domínio dos seringalistas cerca de 80 anos depois do genocídio, com a criação da Reserva Extrativista do Juruá. Mas o sonho de resgatar sua língua e cultura ainda enfrenta um empecilho: a falta de demarcação do território indígena.

Sem sua terra demarcada, o povo Kuntanawa não tem acesso à educação e nem saúde diferenciada, o que dificulta o resgate da língua e expõe à discriminação: Crianças e adolescentes indígenas já relataram situações de preconceito no ambiente escolar, vindo de professores e colegas.

Haru narra que a luta pelo território já ocorre há 25 anos. Mesmo após decisão do MPF (Ministério do Público Federal) determinando a demarcação, em 2018, o processo não foi concluído.

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Mais que território: reparação

Por meio da ASCAK (Associação Sócio Cultural e Ambiental) e da OPIRJ (Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá) as comunidades Kuntanawa procuram não só demarcar seu território, mas também conseguir reparação pela violência sofrida no genocídio.

Lideradas por Haru, as organizações estão estruturando uma comissão de justiça que registre e diagnostique os danos causados pelo genocídio e epistemicídio.

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“Queremos envolver todo o Estado brasileiro, para que possamos medir todos os impactos da violência, transformar isso em um relatório e demandar uma reparação que consiga recompor nossas comunidades. Eu acredito que esse processo vai ser um marco no Brasil, na política brasileira, porque queremos mais do que o nosso território de volta, a gente quer toda a cultura que nos foi retirada”, enfatiza Haru.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM. Escrito por Karina Custódio.