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Lei que reconhece a Rede Amazônica como patrimônio histórico é sancionada em Macapá

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Phelippe Daou durante inauguração da primeira sede da TV Amapá, em 1975. Foto: Arquivo Museu da Rede Amazônica

O prefeito de Macapá, Dr Furlan (MDB-AP), sancionou nesta segunda-feira (26) a Lei nº 2.911/2025 que reconhece a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, como patrimônio histórico, cultural, social e jornalístico de Macapá. A cerimônia foi realizada no Palácio Laurindo Banha, no Centro da cidade.

Leia também: Rede Amazônica é reconhecida por lei como patrimônio histórico e cultural no Macapá

A medida reconhece a importância da emissora presente há 50 anos no estado. Chamada de ‘Lei Jornalista Phelippe Daou’, o texto homenageia o fundador da emissora e certifica a contribuição para a história e memória do povo amapaense.

“Vemos o resultado de uma boa comunicação por meio da TV aberta, que leva informação de qualidade e bem apurada. Nosso objetivo é servir à população com informação”, disse Phelippe Daou Neto, diretor de Relações Institucionais da Rede Amazônica.

A ‘Lei Jornalista Phelippe Daou’ foi sancionada nesta segunda-feira (26) no Palácio Laurindo Banha, no Centro da capital. Foto: Jesiel Braga/PMM

A Rede Amazônica está presente nos 16 municípios do estado, tanto na TV, rádio e web. O projeto de lei foi de autoria do presidente da Câmara, o vereador Pedro DaLua.

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“O papel da televisão é ser didática e social. A matéria deve chegar à casa das pessoas com apuração e responsabilidade, esse é o papel da Rede Amazônica”, disse o prefeito de Macapá.

Desde 1975, quando ainda se chamava TV Amapá, a emissora se tornou a protagonista na cobertura de eventos históricos, sociais, culturais e políticos, que marcaram a capital como um todo, levando estes acontecimentos aos lares de milhares de famílias.

*Com informações da Rede Amazônica AP

Paulo Onça: o sambista amazonense de sucesso nacional

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Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

Paulo Juvêncio de Melo Israel, ou ‘Paulo Onça‘ como é conhecido no mundo artístico, desde criança já tinha fascínio pelo mundo do samba. Quando menino já dava sinais do grande dom que o tornou reconhecido entre os grandes nomes do samba brasileiro. Tornou-se um compositor renomado e, desde os seus 16 anos, produzia músicas, a maioria valorizando o seu estado de origem: o Amazonas

O sambista morreu nesta segunda-feira (26), aos 63 anos, em Manaus (AM). Ele estava internado há mais de cinco meses depois de ter sido vítima de agressão após um acidente de trânsito em dezembro de 2024.

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Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

Sucessos de Paulo Onça 

O primeiro sucesso de Paulo Onça na capital amazonense foi com o enredo ‘Nem Verde e Nem Rosa’, para a Escola de Samba Vitória Régia, que levou o título de campeã no Carnaval em 1990.

Outro feito de grande reconhecimento nacional é a cançãoIvete do Rio ao Rio’, escrita por ele e seu parceiro Alan, em 2017. O sucesso foi tanto que Paulo foi convidado pela Escola de Samba Grande Rio, do Rio de Janeiro, para compor em outros anos.

Foto: Reprodução/ You Tube – Amazon Sat

Assim, agora com o reconhecimento nacional, criações exclusivas de Paulo Onça foram interpretadas por grandes vozes brasileiras, como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Exalta Samba, com quem Paulo construiu grande amizade.

Ele é autor ainda de sambas de sucesso como:

Foto: Reprodução/ You Tube – Amazon Sat
  • ‘Parintins, A Ilha do Boi-Bumbá – Garantido e Caprichoso, do Salgueiro, de 1998’ 
  • ‘Promessas’
  • ‘Boulevard 20 Anos, Mais um Século de Amor’
  • ‘Boi Valente’, do Boi Garantido
  • ‘Meu reino vem ai é bom se segurar’, do Reino Unido da Liberdade 

Curiosidades 

Em relato ao documentário ‘Paulo Onça: a composição da minha vida’, do canal Amazon Sat, o compositor contou um fato curioso: o pedido de um dos “donos da favela” na Baixada Fluminense (RJ) para que o artista compusesse uma música para ele valorizando a sua história de vida, nome, e o amor por sua mãe. Pedido atendido pelo compositor.

Paulo, por várias vezes, declarou em suas apresentações e entrevistas, o orgulho em ser caboclo e perreché. O artista, por anos, levava através da sua arte e talento os costumes e cultura do povo amazonense. 

Confira essas e outras curiosidades no documentário:

Mulher atribui gravidez a remédio com ervas da Amazônia feito pelo Mestre Sacaca

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Rejane Rodrigues. Foto: Rejane Rodrigues/Acervo pessoal

Dono de saberes ancestrais, o amapaense Raimundo dos Santos Souza, o “mestre Sacaca”, deixou marcas na história do Amapá. Por meio do curandeirismo, Sacaca é tido como uma ponte de cura para muitas pessoas.

O curandeiro morreu em 1999, aos 73 anos, e hoje dá nome ao Museu Sacaca, no Centro de Macapá. Sua trajetória é viva na memória de vários amapaenses que utilizaram seus métodos de tratamento.

O “doutor da floresta”, como ficou conhecido em diferentes cidades, utilizava seus conhecimentos na cura de doenças e no cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias.

Leia também: Doutor da floresta: saiba qual é o legado do Mestre Sacaca para a cultura amapaense

A amapaense Rejane Rodrigues, de 55 anos, relembra que na juventude o conhecimento ancestral de Sacaca foi uma esperança. Apesar da sede de ser mãe, Rejane viu esse processo se tornar cada vez mais difícil. Ela já havia tentado ovulação e inseminação artificial, mas sem sucesso.

“Tentei de tudo. Após três anos casada, minha labuta era muito grande para engravidar porque sempre foi meu sonho ser mãe. Apesar do investimento, dos estímulos, das tentativas, da sede de ser mãe, estava se tornando muito difícil. Daí foi que, conversando, me orientaram a procurar o Sacaca, ele já era muito conhecido como curandeiro na época, e tinha muitas alternativas de ervas, no qual as pessoas iam lá, conversavam com ele […] e ele mostrava os remédios”, relembrou Rejane.

Ao falar do tratamento prescrito por Sacaca, Rejane destaca a sensibilidade que o curandeiro tinha ao atender os pacientes. Aliado aos remédios, o curandeiro enfatizava a religiosidade. Com fé, a pessoa iria alcançar a cura esperada.

“Ele disse: olha, filha, sentou lá no banquinho dele, você vai engravidar , tenha calma, relaxa que vai dar tudo certo. E aí, o que aconteceu? Corri atrás. Justamente para alimentar essa esperança e a realização de um sonho […] ele falou que aquilo ali [a garrafada] ia fortalecer o meu útero. Era impressionante, quando eu fazia tudo o que ele falou, quando eu tomava, eu sentia assim uma coisa muito forte”, disse.

Rejane Rodrigues é mãe de duas meninas. Foto: Rejane Rodrigues/Acervo pessoal

Hoje, passados muitos anos do tratamento, a amapaense é mãe de duas filhas. O que para ela foi uma verdadeira realização.

Mestre Sacaca na Sapucaí

A ancestralidade de Sacaca será homenageada no enredo da Estação Primeira de Mangueira no carnaval de 2026, no Rio de Janeiro. A escola de samba carioca apresentou no último dia 16 o novo enredo: “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”.

Leia também: Mestre Sacaca, do Amapá, vai ser enredo da Mangueira no Carnaval de 2026

A Mangueira descreveu que Sacaca representa os encantos da região e é uma titulação xamânica. O tema, por sua vez, mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país.

O Guardião da Amazônia Negra

O curandeiro foi uma das personalidades mais tradicionais do Laguinho, bairro popular da capital. Em 2026, ele completaria 100 anos.

José Raimundo da Silva Costa, filho de Sacaca, destaca a importância de manter a memória do pai viva nas próximas gerações.

“É muito importante para as novas gerações conhecerem quem é essa pessoa de que tanto se fala e que muitos jovens não tiveram oportunidade de conhecer. Portanto, eles não têm muito conhecimento. A partir disso, a história dele vai ficar. Os jovens vão passar a conhecer melhor quem era ele”, disse.

Foto: Reprodução/Blog Porta Retrato-AP

De Doutor da floresta a carnavalesco

Sacaca participou do carnaval amapaense por mais de 20 anos seguidos como o Rei Momo e tinha a Boêmios do Laguinho, como escola de samba do coração.

Leia também: ‘Surpresa muito grande’, diz filho de Sacaca após anúncio do enredo da Mangueira para o carnaval 2026

No esporte, Sacaca destacou-se como técnico que revelou craques amapaenses e também como massagista. Atuou no Esporte Clube Macapá, quando o time foi campeão do primeiro Copão da Amazônia, em 1975.

Após a morte, recebeu a mais alta condecoração da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. A homenagem póstuma foi concedida em 2018 à família em uma cerimônia no Rio de Janeiro.

Sua trajetória foi enredo das agremiações Solidariedade, Piratas da Batucada, Boêmios do Laguinho e Império da Zona Norte, além de vários blocos carnavalescos.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Indígena acreana que foi capa de livro de Sebastião Salgado relembra visita do fotógrafo

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Yara Piyãko foi fotografada por Sebastião Salgado aos 12 anos. Foto: Sebastião Salgado

“Ele conviveu com o povo Ashaninka, foi um ato importante, um encontro de almas com a preservação da vida, da cultura. Para a gente a convivência foi profunda, transformadora e que deixou raízes para toda vida”.

É assim que a jovem Yara Piyãko, de 21 anos, descreve a passagem do fotógrafo Sebastião Salgado na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, interior do Acre, há nove anos. Ela tinha 12 anos quando foi fotografada pelo profissional e a imagem fez parte da Exposição Amazônia, um dos principais trabalhos do ícone da fotografia que morreu nesta sexta-feira (23) aos 81 anos.

Leia também: Relembre 3 trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado na Amazônia

Yara Piyanko guarda livro que recebeu de Sebastião Salgado que tem a foto dela na capa. Foto: Yara Piyanko/Arquivo pessoal

A foto de Yara, inclusive, é uma das capas de um dos livros que reúne as fotos da expedição de Salgado na Amazônia. Ao Grupo Rede Amazônica, na sexta-feira (23), a indígena relembrou, com exclusividade, a chegada do fotógrafo à comunidade e o momento da foto.

“Ele chegou e conversou com as lideranças. Foi montada uma espécie de expedição para fazer fotos da nossa cultura e arte. Ele montou um estúdio para as pessoas pousarem, tirarem fotos das famílias e foram feitos retratos das grandes famílias do nosso povo. Ele ficou mais ou menos um mês aqui, então, fez muita foto”, disse.

O fotógrafo esteve no Acre em 2016 visitando as terras indígenas e também para receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Acre (Ufac). Ele passou sete anos viajando pela Amazônia fotografando as florestas, rios, montanhas e os povos originários da região.

Após as fotos das famílias, Yara recorda que alguns indígenas foram chamados a posar para as lentes de Salgado.

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“Ele mandou eu olhar para a câmera. Estava olhando de um jeito e ele pediu para eu virar um pouco o rosto e olhar. Na época não sabia quem era ele, não sabia da importância. Não tínhamos muito acesso à internet, rede social e só descobri depois que cresci”, explicou.

Fotógrafa

A experiência de Yara com a fotografia vai muito além da experiência de ter o olhar captado por um dos maiores profissionais da história. Ela viu na arte de eternizar momentos uma oportunidade de ajudar seu povo e também se tornou uma fotógrafa.

Yara Piyãko é fotógrafa da Associação Ashaninka do Rio Amônia. Foto: Maria Fernanda Ribeiro/Arquivo pessoal

“Fizemos uma oficina com outro fotógrafo e sempre gostei de fotografia. Me tornei fotógrafa por necessidade do nosso povo. O pessoal tirava fotos do nosso povo e levava, então, não tínhamos acesso”, contou.

A jovem revelou que uma das inspirações dela é o trabalho de Sebastião Salgado.

“Todo mundo tem um olhar diferente, entendo a importância dele, foi um grande amigo do nosso povo. Admiro muito o trabalho dele. É um orgulho ter sido fotografada por ele”, relatou.

Exposição

Em 2021, Yara esteve em São Paulo com um grupo de indígenas visitando a Exposição Amazônia, no Sesc Pompeia. Lá, ela reencontrou o fotógrafo e recebeu das mãos dele um dos livros com fotos da exposição.

“Ficamos bastante conhecidos por conta dessas fotografias, admiramos muito ele. Foi uma grande perda, ninguém sabia que ele estava doente. Soubemos por meio do jornal”, destacou.

Yara Piyãko registra o dia a dia dos ashanikas em terra indígena do Acre. Foto: Yara Piyanko/Arquivo pessoal

A exposição Amazônia contou com mais de 200 fotos impressas e outras 200 projetadas em salas escuras sobre a floresta e os povos indígenas. Entre elas, estão retratadas imagens dos povos indígenas Ashaninkas do Rio Amônia e na Terra Indígena Rio Gregório.

Em 2022, o fotógrafo descreveu como foi a experiência na região em um texto em inglês nas redes sociais e publicou, dentre outros registros, a foto de Yara. (Relembre acima)

“Seja vista do céu ou do chão, a Amazônia sempre me encheu de admiração. Nem palavras nem fotografias conseguem transmitir plenamente a sensação de estar diante da força e majestade absolutas da natureza. Igualmente inesquecível foi o sentimento de intimidade que experimentei ao passar semanas seguidas com diferentes tribos. Senti-me privilegiado por poder compartilhar seu tempo e espaço, primeiro aprendendo pacientemente a ser aceito, depois registrando silenciosamente suas vidas cotidianas. Assim, pude sentir e transmitir sua gentileza”, disse.

Morte de Sebastião Salgado

Nesta sexta-feira (23), o mundo foi surpreendido com a notícia da morte de Sebastião Salgado. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização não-governamental fundada por ele.

Ele tinha um distúrbio sanguíneo causado por malária, contraída na Indonésia, e não conseguiu tratar apropriadamente. Por isso, se aposentou do trabalho de campo em 2024, dizendo que seu corpo estava sentindo “os impactos de anos de trabalho em ambientes hostis e desafiadores”.

Salgado ficou famoso por fazer registros documentais impressionantes, como o da Serra Pelada na década de 1980; “Trabalhadores”; e o ensaio “Êxodos” mostrando povos migrantes pelo mundo. Ao todo, percorreu mais de 120 países.

Ashaninka lamentam

Associação Ashaninka do Rio Amônia e a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) lamentaram a morte de Sebastião Salgado em nota de pesar.

A associação destacou que, com a câmera, ‘Salgado revelou ao mundo a força e a sabedoria dos povos indígenas, denunciou injustiças e defendeu a floresta com imagens que falam mais alto que palavras’.

“Sua experiência e vivência com o povo Ashaninka do Rio Amônia foi marcante — um encontro de almas comprometidas com a preservação da vida, da cultura e do território. Para nós, essa convivência foi profunda e transformadora, deixando sementes que continuarão a florescer por muitas gerações”, diz.

Leia também: Conheça o povo Ashaninka, os anfitriões dos indígenas Kayapó

Já a OPIRJ destacou que Salgado não foi apenas um dos maiores fotógrafos do mundo, mas também um incansável defensor dos povos indígenas, da Amazônia e dos direitos humanos.

“Suas lentes capturaram não só imagens, mas a dignidade, a beleza e a luta dos que vivem em harmonia com a floresta. Seu olhar comprometido levou o Brasil profundo ao mundo e inspirou gerações. Hoje, a terra perde um de seus grandes guardiões. Que sua memória siga viva na resistência dos povos originários e na luta por justiça socioambiental”, relata.

*Por Aline Nascimento, da Rede Amazônica AC

Imagens inéditas revelam marcas de civilizações antigas em geoglifos no Amazonas

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Foto: Diego Gurgel

Imagens inéditas de geoglifos – estruturas geométricas monumentais escavadas no solo – localizadas no município de Boca do Acre, no sul do Amazonas, foram reveladas nesta semana pelo Instituto Geoglifos da Amazônia, em Manaus.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Identificadas com o auxílio de tecnologia de ponta e registradas por uma equipe de pesquisadores e fotógrafos brasileiros, as imagens mostram vestígios de estruturas utilizadas por antigas civilizações da Amazônia.

Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em formato de quadrados, retângulos ou círculos, e que podem ser datados em até três mil anos. O Acre já tem o primeiro geoglifo oficialmente tombado pelo Iphan.

Leia também: Tombamento de geoglifo no Acre é reconhecido pelo Ministério da Cultura

As descobertas foram feitas entre 4 e 10 de maio deste ano e fazem parte do projeto ‘Desvelando o passado profundo’, conduzido pelo Instituto Geoglifos da Amazônia. Ao todo, foram identificados 124 pontos no Amazonas com possível presença de geoglifos.

“As datações que nós temos na região giram em torno de mil anos antes de Cristo até mil anos depois de Cristo, ou seja, durante dois mil anos esse povo viveu na região à margem direita do Rio Purus e à margem esquerda do Rio Madeira”, afirmou o presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia, Alceu Ranzi.

O principal achado na região é um geoglifo com cerca de mil metros de extensão. As formas registradas — círculos, quadrados e retângulos escavados no solo — revelam traços de civilizações com domínio técnico de geometria.

“Os geoglifos são estruturas gigantescas escavadas no solo, com aproximadamente cinco metros de largura por até seis metros de profundidade, dependendo do geoglifo, formando desenhos geométricos monumentais que contam a história de uma civilização antiga, que estamos tentando identificar”, explicou o diretor executivo do Instituto, Hudson Ferreira.

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Geoglifo localizado, através do LIDAR, no município de Boca do Acre, no Amazonas. A estrutura tem cerca de mil metros de extensão. Foto: Fábio de Novaes Filho

Descoberta

A identificação dos sítios arqueológicos só foi possível graças à tecnologia Light Detection and Ranging (LIDAR), que escaneia o terreno mesmo sob a densa cobertura vegetal, criando mapas de alta resolução que revelam o que está sob as árvores.

Leia também: Geoglifos escondidos na Amazônia são detectados por laser

Já as imagens foram captadas durante um sobrevoo que partiu de Porto Velho, com a participação de pesquisadores do Instituto e três fotógrafos: Valter Calheiros (Parintins-AM), Maurício de Paiva (SP) e Diego Gurgel (Rio Branco-AC).

“Levantávamos às 3h para estar prontos na pista de pouso às 4h30, com decolagem prevista para às 5h23”, relatou o pesquisador Alceu Ranzi. O momento do dia foi escolhido por favorecer o contraste entre sombra e luz, o que destaca os relevos no solo.

Além de surpreender pelo ineditismo, os pesquisadores destacam o valor científico, cultural e educativo dessas estruturas milenares.

“O estudo dos geoglifos reconta a história da nossa civilização. Na verdade, a gente precisa saber de onde nós viemos, o que estamos fazendo e pra onde vamos. Como são as nossas relações de sustentabilidade com a natureza, o que eles tinham de tecnologia, o que a gente pode aprender com eles”, declarou Hudson Ferreira.

Ranzi também apontou possíveis paralelos históricos da região. “A informação que eu tenho é que eles desaparecem ao mesmo tempo que os Maias no Yucatán, no México, na região florestada”, disse.

Educação, turismo e preservação

A divulgação das imagens inéditas não marca o fim da pesquisa, mas o início de uma nova fase, de acordo com o Instituto. A equipe já planeja atividades de educação patrimonial e expedições arqueológicas de escavação. As escolas de Boca do Acre e região serão incluídas no projeto.

“Elaborar um projeto para esse trabalho de campo, com foco em educação patrimonial: levar essas informações às escolas de Boca do Acre e região, aproximando professores e alunos do conhecimento sobre os geoglifos”, afirmou Alceu Ranzi.

As descobertas também podem transformar Boca do Acre em referência arqueológica nacional e até mesmo internacional. A equipe sonha com o reconhecimento dos geoglifos como Patrimônio Mundial da Humanidade, e defende que eles sejam incluídos nos materiais didáticos.

“Nós esperamos que num futuro breve as imagens estejam nas cartilhas. Que nos livros que se dão aula não tenham só as pirâmides do Egito, Mesopotâmia, tenhamos as nossas relíquias do nosso povo aqui da Amazônia”, afirmou Ranzi.

O Instituto Geoglifos da Amazônia pretende ainda solicitar o reconhecimento dos sítios como patrimônio cultural protegido por lei, o que impedirá intervenções e garantirá ações de preservação.

“É importante ter essa sensibilização da comunidade. Muitos dos sítios com características de geoglifos são conhecidos durante o processo de desmatamento, e a gente precisa promover um debate com a sociedade de que é possível viver em harmonia com o patrimônio cultural e o desenvolvimento, principalmente na nossa região amazônica”, destacou a superintendente do Iphan AM, Beatriz Calheiro.

Ela reforça a missão do órgão. “Para o Iphan, é fundamental garantir que, a partir desse interesse e mobilização, possamos conhecer mais a história da Amazônia e, portanto, a complexidade das sociedades que habitaram aqui antes do processo de invasão”, concluiu.

Veja abaixo as imagens inéditas dos geoglifos em Boca do Acre:

Foto: Valter Calheiros
Foto: Diego Gurgel

Foto: Valter Calheiros
Foto: Diego Gurgel
Foto: Valter Calheiros
Foto: Valter Calheiros
Foto: Valter Calheiros

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Você não quer ter uma vida mais ou menos, quer?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

“Olha, quando eu estudo aqui nas universidades americanas, os cursos tratam como ‘Ciência da Felicidade’, mas, quando vou para as empresas, tenho que falar em ‘bem-estar’ para elas aceitarem”.

A afirmação é de um conceituado psicólogo organizacional, cujo trabalho é ajudar as empresas a criarem condições para um trabalho mais enriquecedor para os colaboradores, o que também favorece os resultados das companhias. Faz parte do seu trabalho demonstrar a direta correlação entre a felicidade dos colaboradores e indicadores como: volume de vendas, satisfação dos clientes, rentabilidade, atração de talentos, diminuição da rotatividade de pessoas e até mesmo a valorização de suas ações nas bolsas de valores. Há estudos em mercados americanos, europeus e, até mesmo, aqui no Brasil, que demonstram essa correlação.

No entanto, há um grande paradoxo que não pode deixar de ser percebido. O mundo das empresas parece ter vergonha de falar em felicidade, como se fosse uma utopia. É como se, inconscientemente, se pensasse que o trabalho não é lugar para ser feliz, mas um local para produzir e ganhar dinheiro, e que o máximo que se pode objetivar para as pessoas é o chamado bem-estar.

A chegada da nova NR-01, que trata da prevenção da doença mental no trabalho, deixou várias empresas em verdadeiro pânico, só sendo acalmadas com a comunicação de que as punições pela não adequação só virão daqui a um ano. Entendo que as normas legais costumam vir acompanhadas de uma enxurrada de burocracia, de excessos que ferem o bom senso e da “síndrome do pequeno poder” dos agentes de fiscalização.

Mas aí é que está o problema. O assunto não deveria ser tratado como uma obrigação legal, mas como um conjunto de oportunidades que unem os interesses das empresas, dos seus líderes e dos colaboradores. Os interesses são comuns quando se fala em produtividade, saúde mental e felicidade.

Mas é preciso ir além do bem-estar. Bem-estar é o básico. Boas empresas já oferecem o básico — ou até mais. Cabe a elas oferecer boa remuneração e boas condições de trabalho, além de prepararem seus gestores para uma liderança eficaz, que desenvolva as pessoas e que considere o estágio de maturidade e comprometimento de cada um, em uma determinada circunstância (liderança situacional). Boas empresas cultivam um saudável clima organizacional. Excelentes empresas fazem mais: estimulam o estudo e a adoção de modelos mentais e práticas positivas.

Numa relação entre adultos, não cabem atitudes paternalistas ou tutelares. Cabe a cada um fazer a sua parte na direção do que se almeja. E o que as pessoas aspiram vai além do bem-estar: o que as pessoas querem é ser felizes.

Quando falo em felicidade, você sabe que não me refiro apenas à alegria ou ao prazer, mas também a outras dimensões, como o engajamento, o propósito, as relações saudáveis, a superação de resultados e o preparo para lidar com as dificuldades e frustrações que a vida impõe a todos, sem exceção.

Você sabe de tudo isso, mas será que todos sabem? Se não houver preparo por meio do estudo, a felicidade — sendo algo subjetivo — continuará sendo uma interpretação pessoal de cada um, restrita a momentos felizes, como alguns acreditam.

O ser humano não almeja apenas bem-estar: ele quer ser feliz. Você não quer comer somente arroz e feijão, beber apenas para matar a sede, morar em uma casa exclusivamente para abrigo, ter uma pessoa qualquer ao lado só para não estar só, um corpo que apenas funcione, uma roupa que apenas cubra o corpo, ou colocar seus filhos em uma escola qualquer. Você quer muito mais do que isso.

Quanto ao trabalho, você não quer ser apenas mão de obra. Quer exercer todo o seu potencial na atividade que consome a maior parte das suas horas do dia. Quer ser produtivo, respeitado e reconhecido. Quer sentir que está se desenvolvendo a cada dia. Mais do que isso, quer saber que está contribuindo com algo maior e se sentir pertencente a um grupo do bem. Quer ter orgulho da empresa em que trabalha, que, por sua vez, atende às aspirações de seus proprietários e investidores.

Você não quer uma vida mais ou menos, quer? Pessoas e empresas almejam a felicidade! Ela abrange o bem-estar, mas não se limita a ele. E isso não é utopia.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

10 cidades da Região Norte com nomes curiosos e engraçados

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A Região Norte do Brasil é conhecida por sua imensidão territorial, suas florestas exuberantes e sua diversidade cultural.

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Mas, além dessas riquezas naturais e culturais, há também algo que chama a atenção de quem visita ou estuda a região: os nomes curiosos e até engraçados de algumas cidades.

Entre palavras de origem indígena, referências inusitadas à fauna, acidentes geográficos ou mesmo escolhas improváveis dos primeiros colonizadores, essas cidades revelam muito mais do que um nome estranho, elas contam a identidade da região.

Leia também: Você conhece os municípios na Amazônia que receberam nomes de países ou cidades internacionais?

Curralinho (Pará)

Localizada na zona fisiográfica do Marajó, Curralinho é uma cidade paraense cuja origem remonta ao tempo das antigas fazendas que serviam de parada para embarcações que subiam os rios da região. No início, era apenas uma pequena propriedade rural com função de apoio logístico. Com o passar dos anos, a localidade cresceu em importância e foi elevada à categoria de freguesia em 1950, graças ao desenvolvimento de um núcleo populacional dedicado a São João Batista de Curralinho, o padroeiro que dá nome à cidade.

A cidade foi emancipada e transformada em município em 1970, e sua sede foi transferida para o local atual ainda em 1856, muito antes da emancipação oficial. Os moradores de Curralinho são chamados de curralinhenses ou curralenses, e a cidade mantém uma forte ligação com suas raízes ribeirinhas e agrícolas.

Cidades
Cidade de Curralinho. Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Curralinho

Carrasco Bonito (Tocantins)

Carrasco Bonito é um pequeno município do extremo norte do estado do Tocantins, situado na região conhecida como Bico do Papagaio. Fundada em 1965 por famílias migrantes vindas do Maranhão, Piauí e outros estados nordestinos, a cidade nasceu da luta pela sobrevivência em meio à caça, pesca e agricultura de subsistência.

Leia também: Conheça Bico do Papagaio: região turística do Tocantins que faz fronteira com Maranhão e Pará

De acordo com informações da prefeitura, a igreja do município, dedicada à Nossa Senhora de Fátima, foi construída de forma simples, com técnica tradicional de pau-a-pique. A pecuária tornou-se a principal atividade econômica, aproveitando as boas pastagens da região.

Cerca de 90% do território municipal está inserido dentro de uma reserva extrativista, que abriga pouco menos de 4 mil habitantes, conhecidos como carrascoenses.

Cidade de Carrasco Bonito. Foto: Reprodução/Câmara de Carrasco Bonito

Chupinguaia (Rondônia)

Localizada no estado de Rondônia, essa cidade passou a se chamar assim oficialmente em 1995. Antes, era conhecida como ‘Viradouro’, já que contava com apenas duas ruas.

A origem do nome ‘Chupinguaia’ é motivo de debate: enquanto alguns dizem que faz referência à ave ‘Chupim’, outros incluindo indígenas da região, afirmam que a palavra vem do tupi e significa ‘rio de sangue’, em alusão a conflitos históricos que marcaram a ocupação do território.

Atualmente, Chupinguaia é dividida em distritos como Guaporé, Boa Esperança, Novo Plano, Gorjão e Nova Andradina, e segue em crescimento tanto urbano quanto econômico.

Entrada da cidade de Chupinguaia. Foto: Reprodução/ Prefeitura Municipal de Chupinguaia

Xapuri (Acre)

Fundada em 1883, na confluência dos rios Xapuri e Acre, a cidade ganhou notoriedade histórica por ser o palco da Revolução Acreana e também o lar do ambientalista Chico Mendes, símbolo da luta pela preservação da floresta e dos direitos dos seringueiros. Durante o ciclo da borracha, foi um dos principais entrepostos comerciais da região.

O nome da cidade vem dos indígenas Xapurys, que habitavam a região. Hoje os xapurinenses preservam a herança cultural, histórica e ambiental da cidade.

Leia também: Xapuri, a ‘princesinha do Acre’, foi berço do início da Revolução Acreana

Cidade de Xapuri. Foto: Alice Leão/Agência Acre

Epitaciolândia (Acre)

Instalada oficialmente como município em 1993, Epitaciolândia surgiu de projetos de colonização implantados nos anos 80 pelo governo estadual. As primeiras famílias, em sua maioria agricultores migrantes do Sul do país, vieram em busca de terras férteis e melhores condições de vida.

De acordo com a prefeitura, Epitaciolândia possui forte presença de pequenas propriedades rurais, e seu nome é uma homenagem ao político Epitácio Pessoa, presidente do Brasil entre 1919 e 1922. Seus moradores são conhecidos como epitaciolandenses, e a cidade também se destaca por sua localização estratégica na fronteira com a Bolívia.

Cidade de Epitaciolândia. Foto: Reprodução/Prefeitura de Epitaciolândia

Cutias do Araguari (Amapá)

Com pouco mais de 5 mil habitantes, Cutias do Araguari é um município do Amapá cuja origem do nome é alvo de diferentes interpretações. Alguns dizem que a cidade recebeu esse nome por conta da grande quantidade de cutias que habitavam a área, já outros defendem que o nome tem origem em embarcações chamadas ‘cotias’, utilizadas pelos primeiros moradores para transporte fluvial.

Situada a 163 km de Macapá, a cidade vive da agricultura, com destaque para o cultivo de milho, mandioca e a tradicional produção de farinha de pacuí.

Cidade de Cutias. Foto: Reprodução/Governo do Amapá

Abaetetuba (Pará)

Abaetetuba é uma das cidades mais antigas do Pará, fundada em 1635 por padres capuchinhos que chegaram à região após navegar pelos rios amazônicos. O local era originalmente habitado por tribos nômades da etnia Sumaúma, que depois deram origem à aldeia de Beja, nome que antecedeu a atual nomenclatura.

O município foi desmembrado de Belém em 1880 e recebeu o nome de Abaetetuba oficialmente em 1943. Hoje, é um polo regional com forte presença do extrativismo, do comércio fluvial e de atividades religiosas tradicionais.

Cidade de Abaetetuba. Foto: Reprodução/Facebook-Biologia IFPA

São João da Baliza (Roraima)

Com nome que homenageia São João Batista, São João da Baliza é um município localizado ao sul de Roraima, criado oficialmente em 1982 após o processo de colonização impulsionado pela abertura da BR-210 na década de 1980. O termo ‘baliza’ refere-se ao ponto de referência geográfico usado pelos primeiros colonos que se instalaram na região.

A cidade tem hoje cerca de 8.500 habitantes, conhecidos como balizenses, e sua economia é baseada na agricultura e pecuária. É uma das cidades mais jovens do estado e continua em processo de crescimento populacional e estrutural.

Entrada da cidade de Abaetetuba. Foto: Yara Walker

Feijó (Acre)

Apelidada de ‘Terra do Açaí’, Feijó está situada na região central do Acre e possui uma população de mais de 31 mil habitantes. Seu nome é uma homenagem ao padre e político Diogo Feijó, e a cidade tem origens nos antigos seringais. Tribos indígenas como os Jina e os Chacallás foram os primeiros habitantes do território.

Entrada da cidade de Feijó. Foto: Reprodução/Portal Férias

Espigão do Oeste (Rondônia)

Espigão do Oeste recebeu esse nome por causa de uma colina elevada e de difícil acesso, conhecida localmente como ‘espigão’. A cidade foi criada em 1981, desmembrando-se do município de Pimenta Bueno. A colonização começou nos anos 60 com um projeto particular que não teve sucesso, mas que deu início ao povoamento definitivo da área.

A economia local se desenvolveu com a chegada das madeireiras, o que acelerou a ocupação e estruturação urbana. Hoje, com cerca de 32 mil habitantes, os espigoenses mantêm um estilo de vida que mistura ruralidade, tradição e progresso.

Entrada da cidade de espigão do Oeste. Foto: Reprodução/ Governo do Estado de Rondônia

*Com informações das prefeituras de cada cidade

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Altos índices de anemia em crianças Apinajé são detectados por pesquisa da UFNT

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Foto: Divulgação/UFNT

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) lança luz sobre a situação nutricional de crianças indígenas da etnia Apinajé, que vivem na região norte do estado. O estudo apontou uma preocupante prevalência de anemia infantil: 50% entre as crianças da aldeia Mariazinha e 31% na aldeia São José.

A dissertação, intitulada ‘Vulnerabilidade na Primeira Infância Indígena: Segurança Alimentar e Anemia em Crianças Apinajé’, foi desenvolvida pela mestranda Érika Larissa Poscidônio de Souza, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais (PPGDire), com orientação da professora doutora Thelma Pontes Borges, e contou com o financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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O estudo avaliou crianças de 6 meses a 5 anos, investigando não apenas os dados biomédicos como a dosagem de hemoglobina, mas também os aspectos culturais, sociais e alimentares que cercam a primeira infância nas comunidades indígenas.

“Mais do que números, a pesquisa busca compreender como os hábitos alimentares, as condições de saúde e as dinâmicas sociais impactam diretamente o desenvolvimento infantil entre os povos indígenas”, explica Érika, que foi acolhida de forma afetuosa pelas comunidades panhĩ durante o trabalho de campo.

Segundo o estudo, a alimentação nas aldeias estudadas tem se baseado cada vez mais em produtos industrializados, comprados em mercados, em detrimento dos alimentos cultivados ou provenientes da caça e pesca — uma mudança associada à perda de território ao longo do tempo e à intensificação do contato com o não indígena.

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“A insegurança alimentar, somada ao acesso limitado a políticas de saúde específicas para as crianças indígenas, perpetua um cenário de vulnerabilidade que afeta toda a comunidade”, reforça a pesquisadora.

Foto: Divulgação/UFNT

A iniciativa, além de sua importância científica, teve grande impacto social. Os resultados dos exames foram entregues às lideranças locais e ao Polo Base Indígena (PBI) de Tocantinópolis, contribuindo para a tomada de decisões em saúde.

Além disso, a pesquisadora levou os resultados para somar ao coletivo de evidências sobre o abandono na saúde em audiências públicas realizadas pela Procuradoria da República no Tocantins. O estudo foi aprovado pelos órgãos competentes, incluindo FUNAI, CNPq, DSEI, CONDISI, CEP e CONEP.

Durante a pesquisa, Érika foi batizada por membros da comunidade, recebendo nomes tradicionais Apinajé — um gesto que simboliza o vínculo afetivo e o respeito mútuo entre pesquisadora e comunidade.

De acordo com a UFNT, em breve a dissertação estará disponível para leitura no repositório institucional.

*Com informações da UFNT

Lindalva Cruz: um nome quase esquecido na musicalidade do Amazonas

Lindalva Cruz. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Somente com a música e com o piano, Lindalva Cruz desafiou a vida enfrentando todo os altos e baixos de uma sociedade genuinamente machista. Mas nada a intimidou. As decepções, as mágoas, foram afogadas nas teclas brancas e pretas do solidário Donner, bem como as inúmeras vitórias.

Assim, desde os nove anos até os noventa anos, ela lutou sempre por uma vida melhor. Amazonense de Manaus, nasceu em 29 de novembro de 1908. Um dado importante de Lindalva Cruz é que ela foi a única pianista compositora de músicas eruditas românticas do Estado do Amazonas, do século XX.

Seu primeiro trabalho profissional foi no cinema mudo. Lindalva, com orgulho, sempre relembrava sua estreia e o encanto de tocar na sessão de Cinema Mudo. Sua estreia foi num domingo de junho, com a plateia do Cinema Alcazar lotada.

Numa cidade carente de outras distrações, o cinema era o mundo revelador para todos, especialmente para ela, na necessária integração com os dramas e comédias projetados na tela.

Lindalva Cruz, aos 14 anos. Ao centro, Nini Jardim e o marido. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

O início da exibição cênica era procedido do toque de uma campainha, a qual era seguida de profundo silêncio. Seu pensamento naquele instante voltava-se rapidamente ao ensaio que havia feito, estando ainda com uniforme do Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Naquele momento permitiu que seus dedos corressem comandados pela fé e pelo coração. Eram seus companheiros de palco o flautista Jonathas Madeira e o violinista Armando Teixeira. Lembrava Lindalva de ouvir a voz forte do maestro: ‘Bravo! … Está ótima!’.

Seus avós e sua mãe aquela altura não concordavam com sua situação, mas compartilhavam a vitória, bem como os amigos preocupados com minha pouca idade e, talvez, a falta de experiência. O filme da época chamava-se ‘Vermelho e Preto’, estrelado por Mário Bonnard e Vitoria Lepanto.

Já a parte da adaptação ao aparelho mudo foi feita por João Antônio da Silva, seu avô, orientado por um folheto em língua inglesa que acompanhava o filme. Naturalmente ele usou motores de carros para imitar aviões, sirenes no horário de saída das fábricas, tambores, cornetas, pequenos foguetes de pólvora seca e tacos de madeira, que em batidas ritmadas davam a impressão de soldados marchando. Enfim, avô e neta davam sonoridade ao cinema mudo em Manaus.

Lindalva Cruz (ao centro) e suas alunas na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia). Manaus, dezembro de 1927. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

Mas os tempos mudaram. O tempo foi passando e certo dia, para surpresa de Lindalva e seu avô, um navio aportou em Manaus trazendo aparelhagem para o cinema sonoro e a partir daí o trabalho de Lindalva e seu avô passou a sofrer a concorrência natural da modernidade.

Meses após a instalação do novo sistema, chegou o momento ansiosamente esperado: a estreia do primeiro filme falado, musicado e colorido.

O veterano Cine Polytheama enfeitou-se para receber o enorme público que aplaudiria a empresa Paramount em grande gala. Foi um maravilhoso desfile de artistas famosos, naturalmente com sucesso retumbante, seguindo-se de novos filmes importante ali exibidos.

Começa o carma das dificuldades da menina Lindalva

Desde que abdicou dos direitos infantis para ajudar no sustento da família, literalmente, Lindalva começou a sentir o peso da responsabilidade numa luta diária de sobrevivência, tudo conseguido com muito sacrifício. Muitas vezes, encontrou quem aliviasse o peso, outras teve que carregá-lo sozinha.

Da esquerda para a direita: Francisca Serejo Ramos, Magnólia Vieira Brasil, Jandira Castro e Lindalva Cruz, diplomadas pelo Instituto Amazonense de Música. Turma de 1934. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

Na Manaus antiga vivida por ela, eram costumeiras as grandes reuniões musicais e naturalmente saraus. Era comum a época fazer pequenas reuniões, onde a música e a poesia reinavam espalhando seus encantos no salão. Uma das mais conhecidas frequentadoras era Ilcia Cardoso, uma jovem muito bonita que destacava-se na sociedade local e que naturalmente amava a arte e dedicava-se com afinco.

Esta jovem teve a oportunidade de viajar por quase toda a Europa tocando piano, violino, violão, compunha, cantava e declamava versos com muita graça e beleza. Seus saraus eram importantes e reuniam músicos, poetas e amigos da arte. Arnaldo Rebello, ainda de calças curtas, começava a despontar no cenário amazônico e em pouco tempo tornava-se um nome respeitadíssimo, cuja liderança era destaque.

Um fato importante e interessante nesta época era que Naíde Silva, mãe do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi amiga de infância de Lindalva Cruz, tendo estudado piano junto com ela, embora já existisse uma diferença de idade e que naturalmente ajudava Lindalva com seus conselhos a respeito de execuções musicais.

Segundo a própria Lindalva, tratava-se de uma pessoa doce, cuja bondade era enorme. Vale ressaltar que foi Lindalva sua confidente quando ela lhe comunicou que estava namorando o jovem Leônidas, Oficial do Exército do Vigésimo Sétimo Batalhão de Caçadores que havia chegado a Manaus e com quem se casou.

Lindalva Cruz. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

Lindalva, já mais madura, continuou trocando correspondência quando a mesma passou a morar no Rio de Janeiro, cuja visita a seu apartamento fez por várias vezes. Outro fato importante é que com o falecimento de seu esposo Leônidas ocorre uma coincidência: ela passou a morar na mesma rua de Lindalva, Barão de Ipanema, 102, e Lindalva morava no n° 105, em Copacabana, Rio de Janeiro.

O sonho de voar mais alto

Arrojada para os parâmetros machistas da época, Lindalva não se incomodou e resolveu partir em busca de novos conhecimentos. Começava a difícil caminhada. Sentia o desejo de voar mais alto, sonhando com o cume da montanha.

Por insistência das amigas que achavam impossível tal aventura, buscou o que era mais difícil: Instituto Nacional de Música, o que na ideia de sua mais velha amiga a palavra viria ‘é difícil, porém, não impossível’. O diretor da época, Júlio Verner, atendendo o pedido de sua filha apresentou projeto na Câmara dos Intendentes solicitando uma bolsa de estudos para Lindalva. Embora o projeto recebesse forte oposição, foi vencedor.

A senhora Ana Nunes de Mattos, esposa de Júlio Verner, e suas filhas Ana, Josephina e Isabel, suas íntimas amigas, imediatamente organizaram a Festa de Arte no Ideal Clube, a fim de angariar os recursos necessários para sua viagem. Naturalmente com a colaboração do meio artístico o auditório lotou.

Os olhos de Lindalva brilhavam. O clube mais chique da cidade estava lotado, o prefeito da época tentando ajudar ofereceu um cartão para acompanhar e facilitar a venda dos ingressos e designou um funcionário para receber as importâncias correspondentes.

Foi uma noite inesquecível! Aplausos calorosos e abraços sinceros dos amigos que repetiam emocionados: “Boa Viagem, Lindalva! Boa Viagem!”.

Curso ‘Ivete Freire Ibiapina’ homenageia Lindalva Cruz. Manaus, dezembro de 1996. Foto: Reprodução/’Lindalva Cruz – Vida e obra’, de Irinéia Coêlho

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Floresta Nacional do Jatuarana, no sul do Amazonas, é arrematada em leilão

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Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Em leilão promovido na sede B3 da Bolsa de Valores, em S. Paulo, na quarta-feira, 21, foi deferida concessão para manejo sustentável da Floresta Nacional do Jatuarana, localizada no sul do Amazonas. O resultado contempla a primeira concessão de exploração de floresta da região Norte. O edital outorga direitos de manejo sustentável por 37 anos de uma gleba de mais de 453 mil hectares divididos em quatro lotes, quase 80% dos 570 mil hectares da Flona. O projeto tem potencial para arrecadar até R$32,6 milhões anuais e prevê a exploração com preservação ambiental de recursos como madeira em tora, palmito, açaí, castanha-do-pará e óleo de copaíba. Segundo o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, as empresas vencedoras terão a obrigação de investir R$1,1 milhão por ano em projetos voltados à comunidade local e ao desenvolvimento social da região. A concessão obedece ao disposto na Lei nº 11.284/2006, que regulamenta a Gestão de Florestas Públicas.

O leilão configura passo fundamental para ampliação do uso de instrumentos econômicos aliados à conservação ambiental, desenvolvimento regional e geração de empregos na Amazônia. De acordo com informes do BNDES, o edital estabelece valor mínimo e máximo para o preço da madeira em tora por metro cúbico para cada UMF em leilão. E uma proposta de outorga fixa, caso a empresa interessada apresente valor máximo superior ao definido no edital. O resultado do leilão está assim distribuído: a) Concessão da UMF I, com 176 mil hectares, arrematada pela OC Prime Comércio e Industrialização de Madeiras, com oferta de R$ 244,98 e outorga fixa de R$ 4 milhões; b) A empresa E. Eduardo da Silva Ltda levou a UMF II, com área de 194,5 mil hectares, ao apresentar proposta no valor R$ 193,65 e outorga fixa de R$ 5 milhões, c) A Brasil Tropical Pisos Ltda arrematou a UMF III, com área de 39,2 mil hectares, com oferta de R$ 150,48 e outorga de R$ 2,2 milhões e d) E ainda a UMF IV, com área de 43,5 mil hectares, com oferta de R$ 152,86 e outorga fixa de R$ 2,2 milhões.

Os resultados do leilão elevam em 35% a área total sob concessão florestal da União. Atualmente, o Brasil possui cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas públicas federais sob concessão privada, distribuídos em 23 Unidades de Manejo Florestal localizadas em nove Flonas nos estados de Rondônia, Pará, Amapá, Amazonas e Paraná. A meta é alcançar 5 milhões de hectares concedidos até 2027, conforme previsto no Plano Plurianual (PPA). Ainda segundo o Plano Plurianual a Flona do Jatuarana integra a estratégia do Serviço Florestal Brasileiro de ampliar as concessões florestais em bases permanentes e sustentáveis. O manejo florestal, em síntese, assegura plena manutenção das reservas florestais em pé, geram renda e emprego para as populações e contribuem para a formalização da economia local. Além disso, “mantém a diversidade biológica e a oferta dos serviços ambientais, com destaque para o ciclo da água e captura de carbono, importantes para o equilíbrio climático do planeta”, explica o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.

A parceria do BNDES com o SFB prevê a estruturação de mais cinco florestas nacionais (Flonas) no estado do Amazonas: Pau Rosa, Iquiri, Balata Tufari e Gleba Castanho, juntamente com a Flona Jatuarana, além de mais 12 a serem selecionadas e definidas. A Flona Balata Tufari, por exemplo, encontra-se no interflúvio dos rios Madeira e Purus, próxima aos municípios de Humaitá, Tapauá, Lábrea e Canutama. A Flona Iquiri tem a maior área de manejo, no município de Lábrea. A Flona Pau-Rosa é localizada nos municípios de Maués e Nova Olinda do Norte. A Flona Jatuarana está localizada em Apuí. Segundo Robson Vieira, chefe da Unidade Regional Purus Madeira – UR-PM, do SFB, em Porto Velho, 18 contratos, abrangendo mais de um milhão de hectares, encontram-se sob regime de concessão, manejados por 40 anos.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

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