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5 das 7 capitais da Região Norte figuram nas últimas posições do Ranking do Saneamento 2025

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A Região Norte do Brasil, que abriga quase 18 milhões de habitantes, enfrenta como problema estrutural a precariedade do saneamento básico. A maioria de suas capitais destacam-se negativamente nas últimas posições do Ranking do Saneamento 2025, um estudo do Instituto Trata Brasil baseado em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) com ano-base 2023.

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As cinco capitais que figuram nas últimas posições do Ranking 2025 são: Manaus (AM) na 87ª posição; Belém (PA) na 95ª; Rio Branco (AC) na 97ª; Macapá (AP) na 98ª; e Porto Velho (RO) na 99ª.

Indicadores de saneamento nas capitais da Região Norte. Fonte: SINISA 2023. Elaboração: GO Associados.

Leia também: Santarém tem o pior saneamento entre as 100 maiores cidades do país

Nessas capitais, a média de atendimento de água é de 64,2%, índice significativamente inferior à média nacional de 83,1%. Em relação ao serviço de coleta de esgoto, o cenário é ainda mais alarmante, no qual, a média dessas cinco capitais é de apenas 17%, muito aquém da média nacional de 55,2%. Os índices de tratamento de esgoto são igualmente preocupantes, com uma média de apenas 23,4% do esgoto coletado sendo tratado – a média nacional é de 51,8%.

Esses indicadores precários têm um efeito direto na saúde e na qualidade de vida dos habitantes. A ausência de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto fomenta a proliferação de doenças de veiculação hídrica, que afetam as atividades cotidianas da população, comprometendo tanto o estudo das crianças quanto a produtividade dos trabalhadores.

5 capitais da Região Norte figuram nas últimas posições em Saneamento
A Região Norte do Brasil, que abriga quase 18 milhões de habitantes. Foto: Divulgação

Há um longo caminho para que a Região Norte alcance as metas de universalização do saneamento até 2033, que envolvem atingir 99% de atendimento de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Para isso, será imprescindível a estruturação de políticas públicas robustas e maiores investimentos na infraestrutura básica. A universalização do saneamento tem o potencial de melhorar a qualidade de vida, como também impulsionar todos os pilares da região nos âmbitos social, econômico e ambiental.

*Com informações do Trata Brasil

Veja: Realidade Amazônica: Igarapés de Manaus 2025

Apesar da queda de 18%, Amazonas lidera desmatamento da Amazônia em junho 

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Amazonas lidera desmatamento da Amazônia em junho. Foto: Divulgação

Mesmo com uma leve redução no desmatamento da Amazônia em junho de 2025, os dados revelam um cenário preocupante no estado do Amazonas, que liderou a destruição da floresta no período. De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), foram perdidos 326 km² de floresta em toda a região amazônica no mês — 18% a menos do que em junho de 2024. No entanto, o ciclo anual do desmatamento, que vai de agosto de 2024 a julho de 2025, já acumula aumento de 11% em comparação ao ano anterior.

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desmatamento da Amazônia
Imagem aérea de desmatamento registrada pelo Greenpeace durante sobrevoo no estado de Roraima em abril de 2021. Foto: Greenpeace Brazil

A pesquisadora do Imazon Larissa Amorim alertou que, apesar da queda momentânea, a área devastada ainda equivale a mais de mil campos de futebol derrubados por dia. “Essa baixa pode refletir os resultados das ações de prevenção e fiscalização, mas os números elevados indicam que a vegetação nativa segue sendo destruída em ritmo preocupante e reforçam a necessidade de intensificar essas medidas”, declarou.

O estado do Amazonas foi responsável por 28% da área desmatada na Amazônia em junho, à frente de Mato Grosso (26%) e Pará (25%). Juntos, os três estados concentraram 79% da destruição registrada no mês. No recorte por municípios, três dos dez mais impactados estão em território amazonense, com destaque para Apuí, que lidera o ranking pela terceira vez consecutiva desde fevereiro de 2025.

Além disso, o Amazonas concentra cinco dos dez assentamentos rurais mais afetados pelo desmatamento e cinco das dez terras indígenas com maior perda de cobertura florestal. Esses dados revelam a crescente pressão sobre áreas que, por definição legal, deveriam ser protegidas ou utilizadas de forma sustentável.

Leia também: Pará registra menor área de desmatamento da década, aponta Deter

Desmatamento em Lábrea, Amazonas. Foto: Greenpeace Brazil

A pesquisadora do Imazon Manoela Athaíde chamou a atenção para a recorrência de áreas protegidas entre as mais desmatadas. “É preocupante a recorrência de algumas áreas protegidas no ranking, já que são destinadas ao uso sustentável. Isso significa a ocorrência de crimes ambientais dentro desses territórios. Por isso, eles devem ser o foco das ações de monitoramento e fiscalização, garantindo a proteção dos ecossistemas e das comunidades”, afirmou.

O desmatamento acumulado nos últimos meses também evidencia um agravamento nas dinâmicas de degradação florestal. No período entre agosto de 2024 e junho de 2025, a Amazônia perdeu 34.924 km² de vegetação degradada, uma área superior à da cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. Isso representa um aumento de quatro vezes em relação ao mesmo intervalo anterior, impulsionado especialmente pelas queimadas ocorridas em setembro e outubro de 2024.

Em junho de 2025, a degradação atingiu 207 km², um aumento de 86% em comparação a junho do ano passado. Esse processo inclui tanto os danos provocados pelas queimadas quanto os causados pela exploração madeireira. Segundo Larissa Amorim, “essa época do ano, historicamente, não corresponde à fase mais crítica de queimadas na Amazônia. Então, a elevação que observamos representa um sinal de alerta”.

Leia também: Incêndios criminosos podem estar por trás de novo ‘boom’ de desmatamento na Amazônia

Desmatamento na Amazônia. Foto: Agência Brasil

Embora o Pará tenha liderado em degradação no mês (com 57% do total registrado), os dados revelam que o Amazonas enfrenta uma combinação complexa e crescente de ameaças à integridade de suas florestas. A presença recorrente de municípios como Apuí nos rankings mensais, a devastação em terras indígenas e assentamentos, e a pressão contínua sobre áreas protegidas evidenciam a urgência de estratégias mais eficazes de combate aos crimes ambientais no estado.

A tragédia da expedição do padre Calleri: missão se transforma em massacre

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Foto: Reprodução/ISA

“Ainda não posso acreditar como saí vivo desta aventura”

Com essas palavras, o mateiro Álvaro Paulo da Silva, conhecido como Mineiro Alto, resumiu o desfecho da tragédia que se tornou a expedição liderada pelo padre João Calleri em outubro de 1968, na floresta amazônica. Álvaro foi o único sobrevivente da missão que visava o contato pacífico com os indígenas Atroaris, grupo indígena isolado que ocupava as terras entre o rio Branco e os limites com a então Guiana Inglesa, hoje República da Guiana.

A jornada, embalada pela promessa da integração nacional e pelo avanço da BR-174, envolveu órgãos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), o Ministério da Aeronáutica e a Prelazia de Roraima.

Inspirada por Altamiro Veríssimo da Silveira, então chefe do 1º Distrito Rodoviário Federal, a expedição contava com nove integrantes,entre mateiros, técnicos e missionários, e partiu com o objetivo de conquistar a confiança dos silvícolas e afastá-los da área de influência da rodovia.

No entanto, a promessa de aproximação se transformou em uma das maiores tragédias envolvendo o contato entre indígenas e não indígenas na Amazônia brasileira.

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O plano e os primeiros encontros

De acordo com um texto publicado no Instituto Durango Duardo (IDD), a expedição de Calleri foi cuidadosamente planejada. Além de armamentos e mantimentos, o grupo levava presentes como facões, fósforos, anzóis e utensílios domésticos, objetos destinados a estabelecer relações amistosas com os atroaris.

Dois grupos foram formados no trajeto: um permaneceu na chamada Maloca Queimada, enquanto outro, liderado pelo próprio padre, seguiu adentrando a floresta.

Nos primeiros dias de contato, os sinais eram positivos. As trocas culturais aconteciam, os indígenas colaboravam com a montagem do acampamento, e o cacique Maruaga demonstrava abertura ao diálogo. Mas a cordialidade inicial cedeu espaço a tensões crescentes. Gesticulações agressivas, silêncio desconfiado e o recuo dos indígenas deram início ao clima de hostilidade.

Um incidente pontual pode ter acirrado os ânimos: Calleri teria advertido um índio por remexer em utensílios do acampamento, utilizando o termo “maripanã”, que os indígenas associam a “arma de fogo”. O gesto foi interpretado como uma ameaça.

Confira uma matéria sobre a tragédia na época:

A ruptura e o silêncio da mata

Sentindo que o ambiente se tornava cada vez mais perigoso, o mateiro Álvaro pediu permissão para deixar o acampamento. O padre autorizou sua saída no dia 31 de outubro. Segundo o relato de Álvaro, ele partiu levando uma espingarda, um cachorro, algumas conservas e farinha.

Dias depois, ao passar pelas proximidades da Maloca da Esperança, avistou dois corpos. Fugiu pela mata, construiu uma jangada e foi resgatado por caçadores e geólogos. Suas declarações à Força Aérea Brasileira impulsionaram as buscas.

No entanto, seu testemunho foi inicialmente recebido com desconfiança. Um rádio entregue anteriormente por Calleri a um colega de missão relatava que o mateiro havia fugido no dia 28, três dias antes do que ele afirmava. Havia ainda dúvidas sobre como ele teria construído sozinho uma jangada e conseguido sobreviver à selva por tantos dias.

Leia também: Jonestown: relembre a história de um dos maiores massacres na Amazônia Internacional

As dúvidas começaram a se dissipar no final de novembro, quando equipes encontraram vestígios do acampamento: objetos pessoais, remédios, ferramentas e alimentação deteriorada. Dias depois, os primeiros ossos foram encontrados. Restos mortais de oito pessoas, entre eles o crânio do padre Calleri, estavam espalhados em diferentes pontos da clareira.

A análise dos corpos revelou as cenas brutais da tragédia: crânios esmagados por trás, mãos amarradas com cipós, perfurações por flechas e costelas fraturadas. Tudo indicava que os membros da expedição haviam sido mortos a golpes de borduna, facão e flechas. A estratégia dos atroaris teria sido eliminar o grupo aos poucos, com calma e método.

A tragédia da expedição do padre Calleri: missão se transforma em massacre
Equipe encontra as ossadas. E na outra imagem, um dos possíveis assassinos. Foto: Reprodução/ISA

Lições e omissões

A tragédia gerou uma onda de comoção nacional e debate sobre a política indigenista da época. Muitos apontaram falhas graves na condução da expedição: desde a ausência de apoio militar na floresta até a estratégia de lidar com os indígenas.

O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) foram criticados por delegar ao padre Calleri plenos poderes sem prever mecanismos de apoio ou segurança.

Especialistas argumentam que o padre, embora experiente e idealista, falhou ao lidar com a complexidade cultural dos atroaris. Acostumados a receber presentes sem contrapartidas, os indígenas teriam se revoltado diante da política de “troca justa” imposta pela missão.

A BR-174, cuja construção foi suspensa durante a expedição, já avançava na região com 180 km desmatados e 300 operários atuando. O avanço da estrada, sem um plano de proteção aos povos isolados, foi visto como uma ameaça direta ao modo de vida dos atroaris.

Imagens de algumas vítimas. Foto: Reprodução/IDD

O legado de Calleri

O padre João Calleri era uma figura respeitada na Igreja e na Comissão Pró-Índio da Prelazia de Roraima. Tinha como princípio que “índio não se pacifica, apenas se aproxima para evitar choques”. Sonhava ser missionário na África, mas encontrou na Amazônia seu destino final. Na contracapa de um de seus livros de cabeceira, ‘Canto do Amor na Floresta’, anotou: “Este é um homem que deve ser seguido até o fim”.

A última mensagem enviada por ele resume a tensão vivida nos últimos dias da expedição:

“Com extrema facilidade passam do sorriso aos gestos mais violentos para nos perturbar… A realidade é muito difícil. Aqui a boa vontade, a união e serenidade de toda a equipe é maravilhosa. Saudações, Pe. Calleri”.

O massacre da expedição do padre Calleri é um marco na história da política indigenista brasileira, um alerta sobre os perigos da arrogância civilizatória e da ausência de diálogo intercultural. Nas palavras do antropólogo Darci Ribeiro: “Na perspectiva de um índio, nós somos a tribo feroz.”

*Com informações do Instituto Durango Duarte

Roraima celebra colheita recorde de grãos com evento em Alto Alegre

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Roraima celebra colheita recorde de grãos. Foto: Nelo Figueiredo

A Fazenda Ouro Verde, localizada na Gleba Cauamé, em Alto Alegre, foi o palco da Abertura Oficial da Colheita de Soja 2025, um dos eventos mais aguardados do calendário do agronegócio roraimense. A cerimônia reuniu centenas de pessoas, entre produtores, autoridades, técnicos, empreendedores e visitantes, em uma programação que celebrou os avanços da produção agrícola no estado, neste sábado, 9.

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Roraima atingiu 132.421 hectares de área plantada, vivenciando hoje um crescimento expressivo no setor de grãos. Foto: Nelo Figueiredo

Realizado em conjunto pela Aprosoja-RR (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Roraima), Faerr (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima) e Governo de Roraima, o evento teve como destaque a colheita simbólica da soja, visita aos 31 estandes de empresas patrocinadoras e um almoço coletivo.

Com o tema alusivo ao início da colheita no lavrado roraimense, a programação contou com 57 patrocinadores de diversas áreas: agronegócio, insumos agrícolas, nutrição animal, venda de calcário, tecnologia com drones, maquinários, caminhões e combustíveis, refletindo o dinamismo e a diversidade do setor produtivo do estado.

O governador Antonio Denarium destacou os números da produção de soja em 2025. “A produção da soja em Roraima tem sido impulsionada por investimentos em pesquisa, infraestrutura e regularização fundiária. Em parceria com diversas instituições, o governo estadual tem oferecido assistência técnica e apoio aos produtores, incluindo a entrega de títulos rurais. A soja é o principal produto da pauta de exportação do estado, e a expectativa é de uma safra de cerca de 500 mil toneladas em 2025, impulsionando ainda mais o desenvolvimento e atraindo novos investidores e produtores de todo o Brasil”, pontuou.

Roraima celebra colheita recorde de grãos
A cerimônia reuniu centenas de pessoas, entre produtores, autoridades, técnicos, empreendedores e visitantes. Foto: Nelo Figueiredo

Roraima atingiu 132.421 hectares de área plantada, vivenciando hoje um crescimento expressivo no setor de grãos. Em apenas sete anos, entre 2018 e 2025, a área total plantada saltou de 56.887 ha para 163.251 hectares, um aumento de quase 200%.

O secretário Marcio Grangeiro reforça: “A soja é o carro-chefe do agronegócio local. Em 2018, eram 37.670 hectares cultivados; hoje são mais de 132 mil. A produtividade também subiu: de 47,9 sacas por hectare em 2020 para uma expectativa de 62,9 sacas por hectare em 2025. Esses números refletem o investimento em tecnologia, capacitação e manejo inteligente”, explicou o titular da Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação).

“Estamos hoje com a maior área plantada de soja da história de Roraima. Superamos 132 mil hectares plantados, com uma expectativa de superarmos 500 mil toneladas de produção. Isso é um grande feito, fruto de um trabalho realizado pelo Governo do Estado com todos os produtores rurais, conhecimento e investimento em tecnologias”, complementou Grangeiro.

Integração, sustentabilidade e expansão

De acordo com estudo realizado pelo Governo de Roraima, via Seadi, em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além da soja, a produção de milho e arroz também vêm crescendo no estado. O milho passou de 9.155 hectares (2018) para 17.770 hectares (2025); o arroz, de 10.062 hectares para 13.310 hectares no mesmo período.

Na edição 2025, foram visitadas 222 propriedades e 201 produtores foram entrevistados. Foto: Nelo Figueiredo

Na edição 2025, foram visitadas 222 propriedades e 201 produtores foram entrevistados. O levantamento apurou dados sobre área de plantio, produção, produtividade, previsão de safra e uso de tecnologias.

O estudo também revelou a existência de 31 silos em Roraima, sendo que 27 estão em operação, 2 desativados e 5 em construção. Os silos estão distribuídos nos municípios de Alto Alegre, Boa Vista, Bonfim, Cantá, Mucajaí, Rorainópolis e São João da Baliza.

*Com informações da Secom Roraima

Cadeira inspirada em saberes indígenas auxilia partos em Rondônia

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Cadeira ‘Elisa’. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

Uma cadeira. Um equipamento simples, sem motores ou tecnologia embarcada, está mudando a forma como mulheres vivenciam o parto na rede pública de saúde de Porto Velho (RO). Criada pela psicóloga Sônia Marini, a cadeira ‘Elisa’ permite que gestantes adotem posições mais naturais e confortáveis durante o trabalho de parto, favorecendo a gravidade e respeitando os ritmos do corpo.

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A inspiração para a criação da cadeira veio de uma combinação de vivências pessoais e referências culturais indígenas. Sônia via nos corredores da maternidade de Porto Velho a dificuldade de algumas mulheres em trabalho de parto e relembrava também o sofrimento envolvendo os partos da própria mãe.

“Percebi que faltava alguma coisa, daí eu lembrei da minha história, que a minha mãe teve os filhos de cócoras, mas também dos povos originários daqui, daí eu fui pesquisando os povos originários. Ela surge dessa necessidade. Eu queria deixar a mulher mais confortável”, explica a psicóloga.

A cadeira é construída com estrutura de ferro e alças de tecido impermeável, pensada para oferecer segurança e liberdade de movimento. Sem motores ou botões eletrônicos, ela permite que a mulher fique com os pés firmes no chão, podendo se levantar ou mudar de posição conforme a necessidade. O equipamento recebeu esse nome em homenagem ao primeiro bebê que nasceu através dele.

Leia também: Dom e experiência: o saber-fazer das parteiras no Nordeste do Pará

Mas como a cadeira funciona?

Ao permitir que a gestante adote posições verticalizadas, como a de cócoras, a cadeira ajuda a ampliar o canal pélvico e facilita a descida do bebê. Essa postura reduz a pressão sobre a região lombar, melhora a oxigenação e acelera a dilatação do colo do útero. Além disso, a liberdade de movimento ajuda a aliviar a dor e diminui a necessidade de intervenções médicas.

Cadeira 'Elisa'. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

“Com a Elisa, o tempo [de parto] abreviou a ponto de, por exemplo, algumas pacientes, de segundo filho, estando com três ou quatro centímetros, irem à ‘expulsão’ em uma hora ou 40 minutos, sem lacerações importantes, sem aparecimento de edemas importantes e sem uso de qualquer medicamento para ajudar”, exemplifica a médica obstetra e ginecologista, Márcia Rocha.

A cadeira Elisa também é utilizada em sessões de fisioterapia pélvica durante o pré-natal, auxiliando gestantes na preparação corporal para o parto. Seu formato permite trabalhar posturas, respiração e consciência muscular, fundamentais para fortalecer a região pélvica e reduzir tensões que podem dificultar a passagem do bebê.

“O colo do útero, ele dilata em até 10 centímetros, mas quando o bebezinho passa pelo colo do útero, ele ainda passa por toda a estrutura muscular. Se essa estrutura tiver vulnerável, tiver enfraquecida e tensionada, esse bebezinho ele vai passar lacerando ali a musculatura. A gente precisa trabalhar toda essa parte muscular e estrutural. Na vivência com a cadeira Elisa, a gente vê assim já um cenário totalmente diferente de trabalho de parto. Esse trabalho de parto, ele tem sido muito mais confortável”, comenta a fisioterapeuta Rebeca Meira.

Adesão da rede municipal

A cadeira ‘Elisa’ passou a ser usada na Maternidade Municipal Mãe Esperança de Porto Velho este ano, como parte da política de humanização do parto. A estrutura foi aprovada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (Crea), garantindo segurança para uso na rede pública.

Segundo a direção da unidade, de janeiro a abril deste ano foram realizados mais de 400 partos normais, número 62% maior que o de cesarianas no mesmo período.

O equipamento também é utilizado na rede particular de saúde. Em uma das unidades, estima-se que cerca de 80 crianças tenham nascido com auxílio dele, nos primeiros seis meses de 2025.

*Por Beatriz Maciel, da Rede Amazônica RO

Acordo prevê ações de educação e saúde para povos indígenas e comunidades tradicionais em Apuí

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Foto: Divulgação/MPF-AM

Por meio de um acordo, o Ministério Público Federal (MPF) coordenou a formalização de um Termo de Cooperação e Compromisso para responder às demandas de educação, saúde e o atendimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no município de Apuí e região, no Amazonas. As propostas foram apresentadas por lideranças indígenas e comunidades tradicionais da região.

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Além do MPF, assinaram o documento representantes da gestão pública e lideranças locais, incluindo a Secretaria de Educação, a Coordenação Geral Pedagógica, a Secretaria de Saúde, o Conselho municipal de Saúde, Funai, o Conselho Distrital de Saúde Indígena/Distrito Sanitário Especial Indígena, a Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira e a Organização Indígena Quatro Penas.

Acordo prevê ações conjuntas

Durante a reunião que formalizou o acordo, realizada nos dias 16 e 17 de julho, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Apuí se comprometeu a iniciar a implementação da educação escolar indígena e ribeirinha nas comunidades e aldeias do Rio Aripuanã em 2026.

A secretaria ainda se responsabilizou pela instalação de uma escola indígena na aldeia do Rio Sucunduri, após diálogo com Icmbio e Funai, com previsão para o início das aulas no próximo ano.

Além do compromisso com a parte de infraestrutura da escola, a Semed garantiu que realizará um processo seletivo simplificado para regularizar a contratação de professores indígenas e ribeirinhos da região, a fim de acabar com contratos temporários e precários.

Para as refeições escolares, a Secretaria vai disponibilizar uma chamada pública para compra de produtos tradicionais de ribeirinhos e indígenas até o final deste ano

acordo foi assinado pelo mpf com foco em educação e saúde em apuí
Apuí. Foto: Reprodução/Prefeitura de Apuí

Na área da saúde, as demandas sobre saúde indígena e ribeirinha levantadas durante a Assembleia serão encaminhadas ao 15° ofício do MPF, especializado em populações indígenas e comunidades tradicionais. Além disso, uma atuação coordenada do atendimento médico na região dos rios Aripuanã e Sucunduri será objeto de articulação no acordo.

Leia também: Vacinação contra raiva se torna obrigatória em Apuí após um caso confirmado; entenda

Ainda será proposto uma assinatura de Termo de Cooperação entre os municípios de Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré e a Sesai, visando atendimento de saúde integrado aos povos Indígenas e ribeirinhos. Apesar de algumas aldeias e comunidades pertencerem aos territórios de Novo Aripuanã e Manicoré, elas estão mais próximas da sede de Apuí, o que facilitaria a assistência.

A Funai explicou que já está em andamento a criação de um plano de atendimento e etnodesenvolvimento emergencial para os povos de Apuí e região neste ano.

O MPF assumiu a responsabilidade de acompanhar a execução do Termo de Cooperação e Compromisso em todas as suas áreas de atuação. Em caso de descumprimento dos compromissos estabelecidos, poderão ser adotadas medidas extrajudiciais e judiciais para assegurar o cumprimento do acordo.

*Com informações do MPF

Farinha de peixe é desenvolvida no Amazonas para substituir trigo em receitas saudáveis

Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica AM

Estudantes do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) criaram alimentos inovadores à base de tambaqui, peixe de água doce típico da Amazônia. Um dos destaques é a farinha de peixe, que substitui a farinha de trigo em bolinhos e salgadinhos.

A iniciativa busca oferecer opções mais saudáveis e ricas em nutrientes, como salgados e doces proteicos, voltadas especialmente para públicos que precisam de alimentação reforçada, como atletas.

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Os projetos são realizados em Presidente Figueiredo, na Região Metropolitana de Manaus, e têm como foco o uso de tecnologias que aumentem o valor nutricional dos alimentos, substituindo ingredientes tradicionais por alternativas mais saudáveis.

A estudante de Engenharia de Aquicultura, Karolina Flores Nascimento, desenvolveu um salgadinho proteico que já foi apresentado em outros estados e até fora do país.

“Eu fiz um salgadinho proteico à base de pescado. A gente fez a introdução de mais proteína. Já foi para vários lugares do Brasil, eu levei para Colômbia e ele é muito saboroso e proteico também”, afirmou.

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Segundo os alunos, os produtos têm apelo nutricional e podem contribuir para a saúde da população, além de valorizar ingredientes da região amazônica.

Agna Belai, mestranda em Biotecnologia, disse que os resultados serão publicados em artigos científicos. “A gente vai lançar nossos artigos comprovando que esses produtos elaborados com pescado da nossa região amazônica têm qualidade suficiente para trazer benefício à saúde da população”, contou

Farinha de peixe passou por diversos testes

Um dos alimentos desenvolvidos contém até 80% mais proteína do que os salgados comuns, de acordo com as estudantes. A farinha de peixe é o principal ingrediente e passou por diversos testes até chegar à fórmula atual. Ingrid Chayanne, do curso de Aquicultura, explicou o processo.

Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica AM

“A partir dele a gente faz as misturas com os adicionais. A gente fez vários testes até chegar a esse ponto que nós temos agora, a mistura para o bolinho instantâneo à base de farinha de peixe que é a nossa proteína principal”.

Além da parte técnica, os alunos também são incentivados a desenvolver habilidades empreendedoras. O projeto busca prepará-los para criar negócios próprios e atender às demandas do mercado com produtos inovadores e saudáveis.

Leia também: Produção de tambaqui cresce 20% em dois anos em Roraima

A coordenadora do curso de Nutrição do Ifam em Presidente Figueiredo, Thyssia Bonfim, afirma que a substituição da farinha de trigo pela farinha de pescado representa um avanço importante.

“Um público que está na academia e precisa de um alimento com maior fonte de nutrientes, com maior concentração de proteína, ele vai obter aqui porque a gente conseguiu inclusive substituir 100% a farinha de trigo, que é um ingrediente quase sem nutrientes, pela farinha de pescado”, esclareceu.

*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM

Investimento em obras da rodovia BR-364 no Acre são de mais de R$ 800 milhões, anuncia Lula

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Foto: Ítala Batista/Rede Amazônica AC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na sexta-feira (8), o investimento de mais de R$ 800 milhões para recuperação da BR-364, rodovia que corta o estado e está em péssimas condições de conservação.

As obras vão acontecer nos lotes 1, 2, 7 e 8 da rodovia. Ao todo, serão mais de 318 km de estrada. O governo federal vai investir cerca de R$ 870,9 milhões nesse projeto.

“Sabemos o que significa pro estado ter uma estrada ruim. Estamos aqui hoje para dizer ao povo acreano que depois de [fazerem] obras sem respeitar as técnicas, porque o dinheiro não dava, estamos aqui para dizer que faremos uma estrada que suporte o inverno amazônico”, disse Renan Filho, ministro dos Transportes, em evento no Acre.

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Durante a solenidade, foi assinada a ordem de serviço que autoriza o começo das manutenções. As obras na BR-364 são importantes para ajudar no transporte da produção local, melhorar a mobilidade das pessoas e fortalecer a ligação do Acre com outros estados.

Lula desembarcou em Rio Branco com uma comitiva de ministros por volta das 9h45 (horário local). Esta é a primeira vez do presidente no Acre neste mandato. Ele foi recebido pelo governador Gladson Camelí no Aeroporto Plácido de Castro, na capital.

Os ministros da Educação, Camilo Santana; do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; de Transporte, Renan Filho; de Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e de Desenvolvimento e Assistência Social, Welington Dias; além do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, acompanharam o presidente.

Do aeroporto, o presidente seguiu de helicóptero com o governador Gladson Camelí para a Casa de Acolhida Souza Araújo, que atende ex-hansenianos na capital, e depois para Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), empresa referência nacional na produção de castanhas.

A primeira programação da cerimônia foi a entrega de títulos definitivos. Cerca de 1,4 mil famílias vão receber os títulos e autorizações de uso da terra, segundo o ministro Paulo Teixeira.

Os documentos garantem o direito de morar e produzir em áreas rurais de vários municípios do Acre. Também serão criados três novos assentamentos:

  • PA São Pedro do Icó, em Sena Madureira
  • PA Edileuza Menezes, entre Bujari e Rio Branco
  • PDS Assis, entre Porto Walter e Cruzeiro do Sul

Leia também: ‘Rodovia da morte’: futuro da BR-364 gera preocupação em caminhoneiros rondonienses

Trechos recuperados da rodovia

As obras vão acontecer em dois trechos principais da rodovia:

Lotes 1 e 2 – Esse trecho vai da divisa do Acre com Rondônia, passa por Rio Branco e chega até Bujari.

  • São 156,4 km no total.
  • Consórcio MSM/CSM V será responsável pelas obras.
  • Lote 1 tem 98,6 km e vai custar R$ 196,2 milhões.
  • Lote 2 tem 57,8 km e o valor é de R$ 170,9 milhões.

Lotes 7 e 8 – Ficam no Vale do Juruá, entre Feijó e Rio Gregório.

  • A empresa LCM Construção e Comércio vai cuidar dessa parte.
  • Lote 7 terá 69,9 km recuperados, com investimento de R$ 264,6 milhões.
  • Lote 8 cobre mais 60,4 km e vai custar R$ 239 milhões.
lula anuncia investimentos em rodovia no acre foto Ítala Batista Rede Amazônica Acre
Lula anuncia investimentos em rodovia no Acre. Foto: Ítala Batista/Rede Amazônica AC

Histórico de visitas ao Acre

Lula não esteve no estado durante os primeiros quase três anos de governo. Durante seus dois mandatos como presidente da República (2003 – 2010), o político esteve no estado em poucas ocasiões, sempre relacionadas a agendas de infraestrutura e programas sociais.

Entre as visitas oficiais, destacam-se:

  • Janeiro de 2006: Lula inaugurou a ponte binacional sobre o Rio Acre, que liga o Brasil ao Peru, e anunciou convênios para assentamentos rurais em todos os municípios do estado.
  • Julho de 2008: Fez uma escala técnica de cerca de 15 minutos no Aeroporto Internacional de Rio Branco durante uma viagem oficial à Bolívia, quando tratou do andamento das obras da BR-364.
  • Agosto de 2009: Visitou Rio Branco para entrega de unidades habitacionais do programa Minha Morada.

Após o fim do mandato em 2010, Lula retornou ao Acre como ex-presidente em algumas ocasiões, como em novembro de 2015, quando participou de eventos em Brasiléia, Assis Brasil e Rio Branco, incluindo inaugurações e encontros sobre cadeias produtivas sustentáveis. Contudo, essas visitas não tinham caráter oficial do governo federal.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônia AC

Amazon On 2025 discute futuro digital da Amazônia com foco em inclusão e sustentabilidade em Manaus

Foto: Diego Oliveira/Acervo Portal Amazônia

Com foco em soluções tecnológicas, inovação e sustentabilidade, o Amazon On 2025 reunirá, nos dias 20 e 21 de agosto, em Manaus (AM), representantes do poder público, setor privado e sociedade civil para debater o futuro digital da Amazônia.

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Segundo o presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, o evento vai detalhar os caminhos para levar conectividade significativa a uma das regiões mais desafiadoras — e estratégicas — do Brasil.

“Nosso papel será o de articular e catalisar esforços, mas também de promover o diálogo entre o setor público, o privado e a sociedade civil”, afirmou.

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Segundo ele, a Anatel já vem incorporando a agenda de sustentabilidade à sua estratégia. Para além do acesso à internet, a conectividade é vista como um motor de preservação ambiental e inclusão social. A atuação da Agência tem buscado estimular projetos de infraestrutura com baixa pegada ambiental, incentivando o uso de tecnologias que respeitam o ecossistema amazônico.

Para Baigorri, o principal desafio ainda é a infraestrutura. Soluções como o uso do FUST, o compartilhamento de estruturas e projetos como o Norte Conectado estão entre as estratégias adotadas para mitigar os gargalos.

Amazon on 2024 Foto: Diego Oliveira/Acervo Portal Amazônia
Foto: Diego Oliveira/Acervo Portal Amazônia

Tecnologia também é foco do Amazon On 2025

A expansão do 5G, da Internet das Coisas (IoT) e da inteligência artificial também surge como aliada da inclusão e da sustentabilidade. Segundo Baigorri, essas tecnologias podem conectar comunidades remotas a serviços essenciais, como educação e saúde, e fortalecer redes de monitoramento e fiscalização ambiental.

Com metas que preveem 95% da população com acesso à internet até 2027, a Anatel tem intensificado parcerias e ações que resultaram na expansão da banda larga em localidades da região Norte, inclusive com fibra ótica implantada por meio do leilão do 5G.

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“Estamos simplificando normas, promovendo a regulação responsiva e incentivando o uso eficiente do espectro. Porque a conectividade significativa empodera as comunidades com ferramentas que ampliam o acesso à informação e a repercussão de suas demandas”.

O legado do Amazon On 2025, na visão da Anatel, será a consolidação de compromissos e parcerias concretas que viabilizem redes ativas e comunidades realmente conectadas. “A região precisa ser protagonista na agenda digital do país”, defendeu Baigorri.

E essa transformação, segundo ele, já é percebida no dia a dia de quem vive na Amazônia: seja em uma escola conectada, no acesso ao comércio digital ou em uma videochamada entre avós e netos separados pela distância.

Construção de ponte binacional entre Brasil e Bolívia é autorizada pelo Governo Federal

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Projeto da ponte entre Brasil e Bolívia. Foto: Divulgação/Ministério dos Transporte

O Governo Federal autorizou o início das obras da Ponte Binacional entre Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayaramerín, na Bolívia. A ordem de serviço foi assinada em uma cerimônia realizada no Teatro Estadual Palácio das Artes, em Porto Velho, no dia 8 de agosto, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro dos transportes, Renan Filho.

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“O tempo da espera acabou. E a espera nesse caso foi muito longa. Porque desde 1903, quando o Brasil assinou um tratado de anexação do Acre, estado aqui vizinho, nós assumimos com a Bolívia o compromisso de fazer a integração dos nossos povos, da nossa infraestrutura”, discursou Renan Filho.

Construção da ponte binacional

A estrutura será construída sobre o rio Mamoré e terá 1,22 km de extensão. A travessia, atualmente feita por balsas, será substituída por uma ligação rodoviária permanente entre os dois países.

O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e será executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em parceria com o governo boliviano.

O investimento total é de R$ 421,398 milhões e inclui os projetos básico e executivo, acessos terrestres e o complexo de fronteira. A empresa responsável pela obra será o Consórcio Mamoré, vencedor da licitação anunciada em julho. O prazo estimado para conclusão é de dois anos e meio a três anos.

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ponte binacional

O presidente Lula e a comitiva presidencial chegaram ao Teatro Estadual Palácio das Artes por volta de 17h (horário local). No evento também estava o presidente da Bolívia, Luis Arce, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes e o vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves. O governador do estado, Coronel Marcos Rocha, não esteve presente na cerimônia.

“Hoje é um dia muito especial para o povo boliviano, porque torna-se realidade um sonho desejado, que é a construção da ponte que liga Guajará-Mirim a Guayaramerín. Essa obra vai além da infraestrutura, é um símbolo da irmandade entre os nossos povos [tradução livre]”, comemorou o presidente Luis Arce.

Em sua fala, o presidente Lula defendeu investimentos em educação, ciência, livros e formação profissional como prioridade para o país. Esta é a primeira vez que o presidente visitar Rondônia no atual mandato. Em sua fala, ele afirma que deve voltar em breve.

“Eu queria também agradecer as pessoas que estão lá fora e dizer para vocês que eu demorei dois anos e meio para vir aqui. Dois anos e meio, porque a gente estava tentando reconstruir o desmantelamento que tinha sido feito nesse país. [..] E eu vou voltar aqui se Deus quiser para inaugurar o hospital universitário” , prometeu.