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Concurso de Merendeiras Quilombolas em Oriximiná elege receitas que ressaltam a cultura e os saberes tradicionais

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Merendeiras de Oriximiná. Foto: Reprodução/Imaflora

O projeto ‘Capacitação de Merendeiras em áreas rurais da Amazônia‘, uma iniciativa do Programa Florestas de Valor do Imaflora, em colaboração com a Secretaria Municipal de Educação de Oriximiná (Semed), no Pará, e o apoio financeiro da Fundação Carrefour, concluiu sua última etapa com o I Concurso de Agentes da Alimentação Escolar Quilombola.

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O presidente da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO), Rogério Pereira, ressaltou a importância, tanto do ponto de vista do fortalecimento da cultura, quanto do resgate ancestral da cultura alimentar quilombola. 

“Este projeto tem uma importância muito grande para nós porque ele tem a valorização da cultura local da alimentação, na qual a gente tem uma tradição nas nossas comunidades e que ela acaba deixando de ser aplicada nas nossas comunidades e esse projeto que o Imaflora traz fortalece o nosso processo de alimentação”, Rogério Pereira.

Impacto e legado na educação e economia local de Oriximiná

A valorização das merendeiras tem um impacto social profundo, pois elas ocupam um papel central na comunidade escolar, sendo fundamentais para a promoção da segurança alimentar e nutricional. Seu reconhecimento gera uma série de benefícios: incentiva hábitos alimentares saudáveis, contribui para o melhor desempenho acadêmico dos estudantes, fortalece o empoderamento profissional e social, promove a geração de emprego e renda na comunidade e estimula práticas sustentáveis, como o apoio à agricultura familiar e à conservação da floresta em pé. 

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Oriximiná
Da esquerda para a direita: Rogério Oliveira – Presidente da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO); Maria Farias – Coordenadora do escritório regional do Imaflora em Alter do Chão; Ivana Maria Pereira de Souza – Secretaria Municipal de Educação de Oriximiná (Semed); Domênica Falcão – Consultora de Impacto Social do Grupo Carrefour Brasil; Patrícia Cota- Diretora Executiva Adjunta do Imaflora; Maria Daiana Silva – Presidente da Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora); Kethellen de Paula Santos Alves – Nutricionista da Semed de Oriximiná; e Mateus Feitosa, analista técnico do Programa Florestas de Valor do Imaflora. Foto: Reprodução/Imaflora

“Essa é uma oportunidade única da gente mobilizar os diferentes atores, para juntos estimular uma produção tradicional quilombola, que conserva a floresta em pé e, ao mesmo tempo, estimula uma alimentação mais saudável nas escolas, gerando renda para a população que vive aqui”, ressaltou Patrícia Cota, diretora adjunta do Imaflora.

A valorização das merendeiras não é apenas uma questão de justiça social e reconhecimento do trabalho essencial, mas uma estratégia que causa impacto positivo na saúde, educação, bem-estar humano e desenvolvimento econômico de toda uma comunidade.

A partir deste projeto, é possível contribuir para o fortalecimento de toda uma cadeia, que vai desde o pequeno agricultor, que produz e comercializa dentro do município para o Programa de Alimentação Escolar (PNAE), acessado pela Secretaria de Educação local, que retorna para a mesa do estudante como um alimento aprimorado em um ambiente acolhedor. 

“Acreditamos que combater a fome e as desigualdades passa, também, por investir em educação alimentar e nutricional. A formação de merendeiras e merendeiros contribui para a oferta de uma alimentação escolar mais saudável, acessível e conectada com a cultura local, fortalecendo os vínculos entre alimentação escolar, desenvolvimento infantil e agricultura familiar”, frisou Domênica Falcão, Impacto Social do Grupo Carrefour Brasil.

Se de um lado há o legado na geração de renda, do outro há o desenvolvimento acadêmico e o bem-estar dos alunos que passam a ter melhora no desempenho escolar e em muitos casos, redução da evasão escolar, uma vez que a qualidade do alimento pode ser um fator decisivo para a permanência e aproveitamento no aprendizado.

“Tivemos a conclusão de um momento muito significativo, que trouxe inúmeros benefícios para a educação em nosso município, especialmente para as nossas merendeiras. São elas que preparam e organizam todo ambiente escolar para os nossos alunos e estão saindo com amplo conhecimento em uma nova visão de mundo. Os alunos que terão uma alimentação ainda mais saborosa e rica em nutrientes”. Enfatizou a secretária de Educação de Oriximiná Ivana Maria. 

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Do planejamento à realização do concurso

Mateus Feitosa, analista sênior do Imaflora, falou que foram cinco meses de projeto dividido em duas etapas, que foram desde as formações até a seleção das receitas nas comunidades, além do concurso.

“Nós desenvolvemos duas ações onde trabalhamos toda a parte de treinamento destas agentes, com temas como reaproveitamento de alimentos, a importância da diversidade cultural e alimentar dos quilombos de Oriximiná, e sobre a Política de Alimentação Escolar, que é esse programa que faz toda essa engrenagem acontecer. A gente tratou dessa formação, e podemos testar receitas e trazer um olhar para a alimentação saudável nesta mescla de saberes”.

Oriximiná
Exposição dos pratos. Foto: Reprodução/Imaflora

Na segunda e decisiva fase, na sede do município, na Escola Professor Assunção, em Oriximiná, quatro receitas disputaram a atenção dos jurados. Na grande final os pratos apresentados foram: Tucunaré a Leite de Castanha, Comunidade Jamari; Galinha Caipira Ensopada com Legumes, Comunidade Tapagem; Peixe Moqueado Quilombola, Comunidade Poço Fundo; e Torta Salgada de Macaxeira, Comunidade Serrinha.

As premiações seguiram critérios rigorosos: cada receita precisava ser preparada com ingredientes da agricultura familiar local, ter potencial para ser incorporada ao cardápio da merenda escolar do município, além de ser nutritiva e visualmente atrativa. O prato escolhido pelo corpo de jurados foi o Peixe Moqueado Quilombola, uma receita enraizada na ancestralidade e nos saberes tradicionais da comunidade. 

“Esse prato é da minha autoria, eu pensei que fosse difícil porque eu nunca fiz um prato desse, mas foi fácil e gostoso. O concurso serviu para resgatar a cultura e buscar lá nas raízes dos nossos antepassados, comidas ricas, que tem no nosso território e as crianças gostam porque são acostumados com as coisas da terra, e do seu território”, comentou orgulhosa dona Marilda Otília Oliveira, que trabalha como agente de alimentação escolar na Escola São Francisco de Assis na comunidade quilombola de Poço Fundo.

O Futuro do projeto: um livro de receitas para a soberania alimentar

Para a terceira etapa deste projeto, o Imaflora planeja a confecção de um livro de receitas com ingredientes da agricultura familiar e quilombolas, que reunirá as receitas levantadas tanto no Norte do Pará, em Oriximiná, quanto em São Félix do Xingu, onde o projeto também foi desenvolvido.

O principal objetivo é sistematizar todo o aprendizado e as receitas, criando um produto que não só promova a soberania alimentar, mas também valorize essas ricas tradições culinárias amazônicas. O livro servirá como um guia essencial para as agentes de alimentação, incentivando a oferta de uma alimentação saudável e culturalmente relevante nas escolas, além de gerar novas oportunidades de renda para os produtores locais.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

Região da Amazônia peruana recebe investimento na gestão ambiental com foco na sustentabilidade

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O curso buscou fortalecer as capacidades de avaliação, monitoramento e participação cidadã nos processos de gestão ambiental. Foto: Divulgação/GRL

O Escritório Regional de Gestão Ambiental de Loreto, na Amazônia peruana — por meio da Comissão Regional de Meio Ambiente e com o apoio da Wildlife Conservation Society (WCS) — organizou o curso ‘Gestão Ambiental na Amazônia‘ para especialistas e representantes de organizações públicas, privadas e da sociedade civil.

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O curso teve duração de cinco dias e foi concluído no dia 22 de agosto, informou o Governo Regional de Loreto em um comunicado à imprensa.

O programa teve como objetivo fortalecer as capacidades de avaliação, monitoramento e participação cidadã nos processos de gestão ambiental, “gerando um espaço de aprendizagem e compartilhamento de experiências sobre os desafios da Amazônia em termos de sustentabilidade”.

Com o tema “Avaliação e Monitoramento de Impactos Ambientais de Projetos de Infraestrutura na Amazônia”, a sessão de encerramento abordou o papel dos atores sociais na aplicação de Instrumentos de Gestão Ambiental (IGA) em projetos de investimento.

Entre os palestrantes estava o antropólogo Humberto Alzamora, consultor social, que compartilhou experiências e estudos de caso, como o da Usina Hidrelétrica de Chaglla, destacando as lições aprendidas com a implementação de programas sociais e comunitários. 

loreto amazônia peruana recebe curso sobre gestão ambiental
Foto: Divulgação/GRL

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Espaço para reflexão sobre gestão da Amazônia internacional

Além disso, “foram realizados trabalhos em grupo e oportunidades de reflexão conjunta, o que facilitou a troca de lições aprendidas e melhores práticas”, acrescentou o Governo Regional.

O evento contou com a participação do Engenheiro Mirko Doza Saboya, Gerente Regional Adjunto de Gestão Ambiental, que fez a abertura e o encerramento, destacando a importância da coordenação de esforços entre Estado, academia, organizações sociais e agências de cooperação.

Da mesma forma, o economista Rafael Rojas, representante da Iniciativa Águas Amazônicas da WCS, enfatizou a importância da pesquisa científica e do compromisso institucional com a proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos da região.

*Com informações da Agência Andina

Preguiças morrem com o calor na Amazônia, revela artigo

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Baixa capacidade de regulação da temperatura corporal desfavorece preguiças em épocas mais quentes. Foto: NTCO/Getty Images

As ondas de calor e a seca extrema no fim de 2023 e início de 2024 não deixaram apenas peixes, golfinhos (Sotalia fluviatilis) e botos (Inia geoffrensis) mortos às margens dos rios da Amazônia. De outubro a dezembro de 2023, biólogos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) encontraram 19 animais mortos em um fragmento florestal próximo a Manaus, monitorado desde 1998, sem nunca ter registrado um total tão alto de mortes em apenas três meses.

Dez eram preguiças-de-três-dedos (Bradypus variegatus), quatro cutias (Dasyprocta sp.), duas jiboias (Boa constrictor), dois araçaris (Pteroglossus sp.) e um tamanduaí (Cyclopes sp.).

Leia também: 4 curiosidades peculiares sobre os bichos-preguiça

preguiças
Foto: Reprodução/MUSA

Preguiças morrem por causa da lentidão

A alta mortalidade das preguiças se explica pela lentidão dos movimentos, dificultando a busca por lugares com temperaturas mais amenas, e pela baixa capacidade de regulação da temperatura corporal, mais alta que a do ambiente.

A mortalidade foi estimada em 1,3 preguiça por hectare (ha), mais da metade da densidade de animais vivos registrada na mesma área, de 2,2 indivíduos por ha. Episódios similares podem voltar a ocorrer, já que as ondas de calor tendem a se tornar mais intensas e frequentes.

O artigo foi publicado na revista Acta Amazonica, de 9 de junho.

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*O conteúdo foi originalmente publicado na Revista Pesquisa Fapesp, Edição 354

Patrulhamento comunitário reduz crimes ambientais na Amazônia, mostra estudo

Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Foto: Daniel Marques (ASCOM/SEAPC/MCTI) via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Um estudo realizado na Amazônia brasileira descobriu que iniciativas voluntárias de patrulhamento comunitário em duas áreas protegidas estiveram associadas a uma redução de 80% nos crimes ambientais registrados ao longo de dez anos.

No mesmo período, não houve queda significativa nas violações ambientais detectadas fora dessas áreas, sugerindo que as patrulhas comunitárias foram mais eficazes. Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados coletados entre 2003 e 2013 por agentes comunitários em 12 unidades territoriais de duas reservas de desenvolvimento sustentável no estado do Amazonas: Mamirauá e Amanã.

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Os registros fazem parte do programa Agentes Ambientais Voluntários (AAV), criado em 1995 pelo governo do Amazonas, que envolve moradores locais no patrulhamento voluntário de seus territórios para complementar o sistema federal de fiscalização e monitoramento. Nos anos analisados, os agentes do AAV realizaram 19.957 patrulhas, registrando um total de 1.260 crimes ambientais, a maioria relacionada a infrações de pesca e caça.

Como efeito de comparação, os autores do estudo analisaram operações de fiscalização feitas pelo governo fora das reservas, entre 2002 e 2012. Nesse período, as autoridades realizaram 69 operações, detectando 917 crimes.

Uma década de patrulhamento comunitário

A década de patrulhas comunitárias coincidiu com uma queda de 80% nos crimes ambientais registrados em 11 das 12 áreas analisadas. Em contraste, as operações lideradas pelo governo não apresentaram redução clara nos crimes detectados ao longo do tempo. Essa diferença “destaca a importância de defender intervenções lideradas por comunidades”, mesmo fora de áreas protegidas, escreveram os autores.

“Precisamos colocar as comunidades no centro desse processo de conservação e entender que é por meio de seu empoderamento que elas se tornam protagonistas na conservação e no desenvolvimento da Amazônia. Porque, na verdade, elas já são”, disse Caetano Franco, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto Mamirauá de Desenvolvimento Sustentável, à Mongabay.

Leia também: Plataforma potencializa combate a crimes ambientais na Amazônia

Felipe Nunes, do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, que pesquisa a aplicação de leis ambientais na Amazônia, mas não participou do estudo, ressaltou que ações comunitárias e federais não podem ser comparadas diretamente, pois ocorreram em tipos diferentes de uso do solo. Ainda assim, o estudo é válido e reforça a importância de iniciativas conjuntas, disse ele.

Franco destacou a necessidade de apoio financeiro para iniciativas comunitárias e de políticas públicas de segurança para as comunidades envolvidas no patrulhamento. No entanto, alertou que o aumento da responsabilidade das comunidades em ações de conservação e vigilância pode levar governos a assumir que elas conseguem se autogerir, reduzindo o apoio oficial.

“O primeiro passo é entender que as comunidades não são responsáveis por esse tipo de atividade, nem deveriam ser. Elas devem ser vistas como parceiras em uma responsabilidade que cabe principalmente aos governos estaduais e federal”, afirmou Franco.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Fernanda Biasoli

Arqueologia no Coração da Amazônia: pesquisa destaca a contribuição de comunidades tradicionais para a arqueologia

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Urnas descobertas por Késia Silva, 28 anos, no quintal de seu pai, o agricultor Ciriaco Silva, após dias intensos de chuva, no sítio “Fazendinha”, em Alvarães. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Arqueólogos colaboradores e do Instituto Mamirauá produziram artigo sobre a contribuição e atuação das comunidades ribeirinhas na arqueologia e na conservação de objetos arqueológicos encontrados na região do Médio Solimões, no Amazonas.

Intitulado ‘Os ‘Ajuntadores de Memória’ e a manutenção do patrimônio arqueológico e cultural em comunidades do Médio Solimões – Amazonas’, o artigo foi publicado na edição 43, volume XII, do periódico semestral Cadernos do LEPPAARQ, administrado pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas (LEPAARQ/UFPEL), no Rio Grande do Sul, cujas publicações são focadas em artigos de antropologia, arqueologia e patrimônio cultural.

O trabalho foi assinado por cinco arqueólogos do Grupo de Pesquisa ‘Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia’, do Instituto Mamirauá.

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O artigo teve início pela arqueóloga e preservadora patrimonial Geórgea Holanda, e contou com a colaboração do arqueólogo Anderson Márcio Amaral, após uma experiência em visita a sítios arqueológicos do Médio Solimões, no Amazonas, em 2019. Na ocasião, os dois arqueólogos passaram um mês em campo, período onde identificaram mais de 40 sítios arqueológicos, dando início ao primeiro artigo intitulado “Narrativas Sobre o Modo de Vida dos Povos Amazônicos do Passado e do Presente em Comunidades do Médio Solimões”, publicado pela revista Arqueologia Pública, em 2023.

Posteriormente, com o objetivo de narrar a forma como os ribeirinhos e indígenas veem, guardam e preservam “cacos” e peças arqueológicas, até que elas sejam pesquisadas, surgiu o artigo “Os Ajuntadores de Memória’ e a manutenção do patrimônio arqueológico e cultural em comunidades do Médio Solimões – Amazonas”, que contou com a colaboração de mais três arqueólogos vinculados ao Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá: o historiador e educador Maurício André da Silva; a arqueóloga Erêndira Oliveira; e o historiador e coordenador do grupo de pesquisa, Eduardo Kazuo Tamanaha.

“Durante minhas idas em campo, pude notar que os moradores da região juntam ´cacos`, guardam e nos apresentam com bastante curiosidade, perguntando sobre as peças e a quem pertenciam. Dizem que ´são dos antigos`, de seus parentes e antepassados. Inclusive é bem comum, nos avisarem quando encontram algo, e é a partir desse contato conosco que passa a existir um trabalho colaborativo de grande importância para nós, arqueólogos. Além disso, elas sempre trazem uma narrativa de onde e como encontram as peças, nos ajudando bastante em nosso trabalho”, relatou a arqueóloga, Geórgea Holanda.

Valorização da arqueologia

A Amazônia é um lugar de mistérios e histórias, muitos ainda escondidos embaixo dos pés de quem mora na região. E para desvendar essas histórias, pesquisadores e arqueólogos do Instituto Mamirauá têm trabalhado cada vez mais junto das comunidades ribeirinhas e territórios indígenas, ao mesmo tempo em que dão protagonismo e reconhecimento a essas populações que inspiram o artigo, sendo elas peças fundamentais para novas descobertas.

“Das comunidades que escavamos aqui na região, muitas já sabiam da importância desses achados, sabem que ali viveram seus avós, bisavós, tataravós, enfim seus ancestrais. Então essas pessoas acabam sendo as protagonistas de suas próprias histórias, porque são elas que encontram esses materiais, nos informam e é nossa obrigação acolhê-las e valorizar o material encontrado nos sítios arqueológicos que elas chamam de lar”, destacou Márcio Amaral, arqueólogo no Instituto Mamirauá.

Com as experiências, reconhecimento e envolvimento por meio do Instituto, as comunidades tradicionais passaram a atuar de modo efetivo perante os estudos arqueológicos na Amazônia, assumindo papel de destaque na chamada “arqueologia colaborativa” e contribuindo com a história de modo geral.

Vale destacar que, nas últimas décadas, as pesquisas arqueológicas com colaboração de  comunidades têm sido peças-chave para provar que a região amazônica é habitada há milhares de anos por populações indígenas, bem antes da chegada dos colonizadores, fato este de grande importância para a história da Amazônia e do Brasil.

“Cada sítio arqueológico conta a história de um lugar e das pessoas que moraram ali há milhares de anos. No entanto, os vestígios possuem uma limitação de alcance dessa linha temporal, sendo essencial a memória e a história contada pelos moradores. Dessa maneira, conseguimos reconstruir uma longa história de ocupação de uma região”, explicou o coordenador do grupo de pesquisa, Eduardo Kazuo Tamanaha.

Arqueólogos Márcio Amaral e Geórgea Holanda no sítio “Fazendinha”, em Alvarães. Foto: Miguel Monteiro/instituto Mamirauá

A arqueologia pelo Instituto Mamirauá

A atuação do Instituto Mamirauá na arqueologia do Médio Solimões começou em 2001, após moradores da comunidade Boa Esperança revelarem à comunidade acadêmica a existência de urnas funerárias. A partir disso, o antropólogo Glen Sheppard alertou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o que resultou nas primeiras escavações realizadas por arqueólogos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Com base nessa experiência, o Instituto elaborou seu primeiro projeto voltado à gestão do patrimônio arqueológico da Reserva Amanã, em 2006. Dois anos depois, foi oficialmente reconhecido pelo IPHAN como Instituição de Guarda e Pesquisa (IGP), tornando-se a única IGP localizada no interior do Amazonas, um passo importante para descentralizar a conservação de vestígios históricos na região.

Desde então, o acervo do Mamirauá reúne milhares de fragmentos cerâmicos, líticos, ossos, carvões, e mais de 20 urnas funerárias de diferentes culturas indígenas. Muitas dessas peças foram doadas por moradores que convivem, há gerações, com vestígios arqueológicos e reconhecem no Instituto um parceiro para preservá-los.

Leia também: Quintais amazônicos: fragmentos de cerâmica compõem empreitada coletiva na busca de entender passado da Amazônia

As descobertas mais marcantes incluem a escavação de urnas na comunidade Tauary e a identificação de ilhas artificiais em áreas de várzea no sítio arqueológico identificado como Lago do Cochila, no município de Fonte Boa, revelando estratégias de ocupação até então inéditas na Amazônia.

A pesquisa arqueológica do Mamirauá tem como diferencial o envolvimento direto das comunidades locais. Moradores participam da logística, escavações e registro das memórias orais, contribuindo para reconstruir a história da região a partir de múltiplas perspectivas.

Atualmente, o Instituto Mamirauá conta com o grupo de pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia, sendo composto por seis arqueólogos que atuam em sete projetos voltados para pesquisas em laboratório, arqueologia, história e antropologia.

Orientações para achados arqueológicos

Os pesquisadores do Instituto Mamirauá orientam que qualquer achado arqueológico encontrado na região do Médio Solimões seja comunicado ao Instituto.

A comunicação pode ser feita por meio do grupo de pesquisa “Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia”, via contato telefônico pelos números (97) 3343-9745 e (97) 3343-9801.

Para achados arqueológicos encontrados nas demais regiões do Amazonas, deve-se entrar em contato com a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Manaus pelos telefones (92) 3633-2822 ou (92) 3633-1532, ou ainda pelo e-mail 1sr@iphan.gov.br.

Para saber mais sobre o tema, os resultados e conhecer os profissionais que atuaram nesse projeto, acesse o link:  https://x.gd/7xFzQ.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

54ª Expofeira tem aplicativo oficial com foco em segurança, inclusão e negócios

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Foto: Iago Fonseca/GEA

O Governo do Amapá lançou no dia 25 de agosto o aplicativo oficial da 54ª Expofeira do Amapá, que acontece de 30 de agosto a 7 de setembro no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá. Gratuito e disponível em português, inglês e francês, o app reúne informações sobre o evento e oferece recursos de segurança, inclusão e alertas em tempo real.

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Com o tema ‘Amazônia Sustentável e Desenvolvida’, a feira é considerada a maior vitrine de negócios da região Norte. A expectativa é gerar entre 12 mil e 14 mil empregos e movimentar até R$ 625 milhões em setores como agronegócio, energia limpa e empreendedorismo popular.

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Aplicativo funciona como guia virtual e vitrine de negócios

O aplicativo foi desenvolvido pelo Centro de Gestão da Tecnologia da Informação (Prodap) e é atualizado pela Secretaria de Estado da Comunicação (Secom). Compatível com Android (versão 11 ou superior) e iOS (a partir da versão 13), a ferramenta funciona como um guia virtual da feira.

Entre os recursos disponíveis estão mapa interativo, agenda cultural, notícias atualizadas, playlist oficial no Spotify com músicas de artistas nacionais, cupons de desconto e avaliações de eventos e produtos.

Clique aqui para baixar Android iOS

Expositores e empreendedores também têm acesso a um painel administrativo com métricas de desempenho, além da possibilidade de criar vitrines virtuais e realizar sorteios dentro da plataforma.

“O aplicativo busca proporcionar uma ferramenta digital para a população acompanhar em tempo real, com transparência e dinamismo, as informações da Expofeira. Os expositores poderão mostrar seus produtos e interagir com os clientes”, explicou o diretor de Transformação Digital do Prodap, Célio Conrado.

Cadastro de dependentes

O app oferece um sistema de cadastro para dependentes — como crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais — com identificação por QR Code. A funcionalidade segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e tem como objetivo facilitar a localização durante o evento.

“Para você que vem com criança, aproveita pra cadastrar o seu filho por uma questão de segurança. No app você vai encontrar todas as informações da Expofeira, notícias atualizadas e o calendário de shows”, destacou a secretária de Estado da Comunicação, Ana Girlene.

Além disso, o efetivo de segurança foi ampliado em 35% e estratégias de atendimento de urgência e emergência foram reforçadas.

*Com informações de Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Dia do Carimbó: ritmo paraense ecoa nos palcos de festivais nacionais como o Psica

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À direita, a Batucada Misteriosa; à esquerda, o Toró Açu. Coletivos fortalecem o carimbó em festivais como o Psica. Foto: Duda Santana

O Dia do Carimbó é celebrado em 26 de agosto e a data que homenageia o nascimento de Mestre Verequete, considerado o ‘Rei do Carimbó’ e um dos maiores nomes da música popular amazônica. Desde 2014, o ritmo é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um marco que reforça a importância da tradição afro-indígena paraense que segue se reinventando a cada geração.

Leia também: Carimbó e siriá: as principais diferenças entre dois ritmos paraenses

É nesse contexto que o Festival Psica, realizado em Belém (PA), reforça o papel do gênero como parte essencial da música pan-amazônica. Na edição de 2025, o destaque vai para o Toró Açu, coletivo originário do território quilombola de Abacatal, em Ananindeua (PA), que mistura carimbó, guitarrada e ritmos afro-brasileiros em uma estética urbana e experimental.

Em um encontro inédito, o grupo se apresenta ao lado da Batucada Misteriosa, formada por jovens da periferia de Icoaraci, que exploram a potência da percussão em diálogos com batuques afro-amazônicos, sanfona e ritmos latinos. Juntos, representam a vitalidade do carimbó dentro de uma cena plural, que conecta tradição, periferia e inovação musical.

“A ideia desse encontro no Psica nasceu da certeza de que o carimbó precisa estar presente nos nossos line-ups. É uma forma de valorizar e reconhecer uma das expressões culturais mais importantes da nossa cidade. O Psica não existiria se não abrisse espaço para o carimbó. Hoje, o festival é um palco de alcance nacional, e abrir esses slots é essencial para que novos artistas, jovens que tocam carimbó, tenham visibilidade. É assim que nossa cultura ganha força e ecoa em todo o Brasil”, afirma Gerson Dias, sócio-fundador do Psica.

festivais paraenses- psica
Foto: Vitória Leona

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“A Batucada Misteriosa surgiu em 11 de dezembro de 2016, no espaço cultural Coisas de Negro, e fomos abençoados naquele dia pelo nosso mestre Nego Ray. Carregamos o título de conjunto mais jovem do nosso distrito, mas não o de mais novo, porque depois de nós outros grupos também surgiram. Cada um traz sua linguagem, sua poética e a nossa é essa… essa paixão como sujeitos de Icoaraci, respirando o carimbó urbano”, conta Yuri Moreno, que faz parte do conjunto musical.

Guardiões do Carimbó

Mestre Nego Ray é um dos grandes guardiões do carimbó no Pará, especialmente em Icoaraci, onde sua atuação se tornou referência. Reconhecido como líder comunitário e formador cultural, ele criou espaços de acolhimento e troca, como o Coisas de Negro, que se transformou em um verdadeiro berço de novos grupos e manifestações.

Mais do que memória, o carimbó se consolidou como identidade e pertencimento. Antes associado principalmente ao turismo e às apresentações folclóricas, hoje ocupa ruas, praças, casas culturais e palcos de grandes festivais, representando um movimento urbano, periférico e contemporâneo.

Leia também: Dia do Carimbó é marcado pela perda de Mestre Damasceno

O carimbó é uma das manifestações culturais mais emblemáticas do Pará. Nascido do encontro de matrizes afro-indígenas e populares que moldaram a identidade da região, vai além da música e da dança: é também linguagem que expressa território, comunidade e pertencimento, conectando gerações e dando voz ao espírito da Amazônia.

“O Toró Açu nasceu como uma comunidade de resistência. Nossa música é a voz do lugar onde vivemos e da luta dos mais velhos que abriram caminho antes de nós. Cada composição é também uma memória coletiva, uma forma de manter viva a história do nosso território e afirmar nossa identidade no carimbó”, comenta Dawidh Maia, integrante da banda.

Esse é outro aspecto importante do carimbó, comentado por Toró Açu: a maneira como as letras das músicas costumam localizar sua origem. É comum que as canções façam referência direta a lugares, pessoas ou acontecimentos específicos, o que reforça a relação do gênero com o território e com a memória coletiva da Amazônia.

Festival Psica 2025

O Festival Psica 2025 celebra o Retorno da Dourada e acontece nos dias 12, 13 e 14 de dezembro, na Cidade Velha e no Mangueirão, em Belém (PA). Veja as atrações AQUI.

Mudanças do clima: Amazônia reúne pesquisadores do Brasil e França em Belém

Encontro vai até o dia 29 de agosto no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. Foto: Divulgação/Museu Goeldi

O desafio global de fazer frente às mudanças climáticas reforçou os laços entre o Brasil e França, em um esforço científico pela Amazônia. Pesquisadores dos dois países estão reunidos em Belém, no Pará, para dar início a mais uma temporada de projetos que pensam o futuro do planeta a partir da ciência, cultura e política.

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O Seminário Conexões Amazônicas – Pesquisas Colaborativas entre Brasil e França, inaugurou nesta terça-feira (26) as atividades científicas da Temporada Brasil-França 2025. O encontro vai até o próximo dia 29, no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, como parte da agenda bilateral realizada a cada ano em duas temporadas – uma em cada país.

Segundo a representante da Embaixada da França no Brasil, Sophie Jacquel, a Temporada França-Brasil 2025 traz este ano um foco especial na cooperação científica que tem laços históricos e muito fortes através dos séculos, com um olhar ambiental reforçado pela realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

“Estamos em um momento em que a Amazônia se aproxima de um ponto de não retorno pela mudança climática e isso é uma preocupação muito forte de ambos os governos e também dos pesquisadores brasileiros e franceses. Por isso, precisamos estruturar ainda mais esse compartilhamento de conhecimento e a interdisciplinaridade dos eixos de pesquisa”, destaca.

Leia também: Portal Amazônia responde: a maior fronteira da França é com o Brasil?

Relação bilateral de combate às mudanças do clima

Criada em 2023, a temporada é fruto de um novo impulso da relação bilateral, que celebra agora 200 anos. Do mesmo esforço, nasceu ainda o Centro Franco-Brasileiro de Biodiversidade Amazônica (CFBBA), inaugurado em novembro de 2024, na Guiana Francesa, que também aproxima o trabalho de cientistas dos dois países.

“As universidades, tanto aqui da Amazônia brasileira, quanto da Guiana Francesa, são enraizadas em um território que tem desafios enormes sociais e ambientais, mas também tem a capacidade de pensar quais são as soluções e nos futuros compartilhados”, afirma Nadège Mézié, assessora internacional do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica.

Ao longo de três dias, as comunidades científicas dos dois países apresentarão os avanços recentes das pesquisas sobre sociobiodiversidade, meio ambiente e enfrentamento da mudanças do clima para que possam trabalhar na apresentação de soluções e novas perspectivas a serem levadas aos tomadores de decisões na COP30. “Vamos ter antropólogos, arqueólogos, cientistas da saúde, da biodiversidade e meteorologistas que podem ser capazes de juntos encontrarem soluções concretas”.

Construção de conhecimento

Nesta terça-feira, o dia é dedicado a jovens pesquisadores que compartilham seus estudos com cientistas experientes, em um esforço conjunto na construção de conhecimento. “São eles que vão fazer a ciência de amanhã, que têm ideias disruptivas, que têm novas soluções, especialmente os jovens cientistas da Amazônia, que trabalham pela Amazônia”, afirma Sophie.

Para ela, o documento construído ao final do seminário vai percorrer os próximos eventos científicos para coletar inovações que podem se transformar em soluções ambientais em um processo de construção coletiva até a conferência climática.

“É o papel da ciência servir de base às decisões de governos e dos tomadores de decisões e construtores de políticas públicas”, afirma.

Programação

A programação foi estruturada em três eixos: clima e transição ecológica, diversidade das sociedades e democracia e globalização equitativa e terá a participação de pesquisadores como Stéphan Rostein, Laure Emperaire, Pascale de Robert, da ex-ministra da Justiça na Holanda, Christiane Taubira, Bepunu Kayapó, Lúcia Hussak van Velthem e Loudes Furtado.

O seminário é promovido pela Embaixada da França no Brasil, Museu Emilio Goeldi, com CFBBA e a Associação Comercial do Pará.

A programação completa pode ser conferida no site oficial da Temporada Brasil-França 2025.

*Fabíola Sinimbú, enviada especial da Agência Brasil a convite do Institut Français

Países amazônicos aprovam criação de Fundo Florestas Tropicais para Sempre

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os nove países alcançados pela Floresta Amazônica na América do Sul divulgaram no dia 22 de agosto um comunicado oficial em que apoiam a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

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O mecanismo é complementar a outras formas já existentes de apoio e financiamento a ações de preservação, conservação e recuperação ambiental na região.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a porcentagem que os países da Amazônia Internacional possuem do bioma?

Além disso, será lançado em Belém (PA), durante a Cúpula de Líderes da COP 30, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Quais são os países Amazônicos?

• Brasil
• Peru
• Colômbia
• Bolívia
• Equador
• Venezuela
• Guiana
• Guiana Francesa
• Suriname

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

Comunicado conjunto

Os Presidentes e Chefes de Delegação dos Estados Parte do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), reunidos na cidade de Bogotá, Colômbia, em 22 de agosto de 2025,

ACOLHENDO os princípios e orientações da Declaração de Belém, adotada durante a IV Reunião de Presidentes dos Estados Parte do TCA, em particular no que se refere ao fortalecimento de mecanismos financeiros regionais e à consolidação de soluções compartilhadas e sustentáveis;

RECONHECENDO o trabalho conjunto dos governos do Brasil e da Colômbia no âmbito do Comitê Diretor Interino do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (“Tropical Forest Forever Facility “, TFFF) no seu desenho e promoção como uma iniciativa concreta de países do Sul Global, para mobilizar recursos financeiros voltados à conservação, restauração e gestão sustentável das florestas tropicais; e destacando os espaços de diálogo sobre o TFFF no marco da V Reunião de Presidentes dos Estados Parte do TCA, como o café da manhã dos países membros da OTCA e o workshop de nivelamento conceitual, realizados em 20 de agosto , em Bogotá;

SALIENTANDO que o TFFF representa um instrumento inovador e complementar para a conservação, que busca responder às particularidades técnicas, institucionais e sociais dos países com florestas tropicais, destacando os Estados Parte do TCA, especialmente no que se refere aos Povos Indígenas e Comunidades Locais, respeitando a soberania sobre os recursos naturais;

CONSCIENTES da importância do TFFF como um novo mecanismo financeiro que mobilizará investimentos para a conservação e restauração das florestas tropicais;

  1. APOIAM com determinação a criação e consolidação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) como um mecanismo para o financiamento de longo prazo, previsível e baseado em resultados, voltado à conservação, restauração e uso sustentável das florestas tropicais, incluindo a região amazônica.
  1. RESPALDAM o TFFF como um instrumento financeiro pragmático, concebido para proporcionar pagamentos por desempenho aos países com florestas tropicais que consigam reduzir o desmatamento, impulsionar a restauração para manter e ampliar a cobertura florestal, reconhecendo os serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas em pé.
  1. DESTACAM que o TFFF é complementar, e não excludente, a outras iniciativas existentes e permite avançar no cumprimento dos compromissos assumidos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e no Acordo de Paris, adotado em seu âmbito, na Convenção sobre Diversidade Biológica e seu Marco Global de Biodiversidade de Kunming -Montreal, na Agenda 2030, bem como em outros instrumentos multilaterais pertinentes.
  1. APOIAM o lançamento do TFFF na cidade de Belém, Brasil, durante a Cúpula de Líderes da Trigésima Conferência das Partes (COP 30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
  1. INCENTIVAM os potenciais países investidores, organismos multilaterais, bancos de desenvolvimento, fundos climáticos, agências de cooperação internacional, filantropia e setor privado a anunciarem contribuições ambiciosas e concretas para a capitalização do TFFF, a fim de garantir sua pronta operacionalização.
  1. DESTACAM que o desenho do TFFF incorpora, como princípio fundamental, o reconhecimento e a valorização do papel desempenhado pelos Povos Indígenas e Comunidades Locais na conservação das florestas tropicais, o que se reflete, entre outras medidas, em uma alocação apropriada de recursos, em retribuição às suas ações de conservação e de desenvolvimento sustentável, reconhecendo as especificidades de cada país.
  1. REITERAM seu compromisso de continuar cooperando de forma solidária, coordenada e ambiciosa para a consolidação do TFFF como uma ferramenta transformadora para os países com florestas tropicais, incluindo os Estados Parte do TCA, que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das gerações presentes e futuras.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores

Dia do Carimbó é marcado pela perda de Mestre Damasceno

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Carimbó do Pará perdeu uma das suas referências da cultura popular, Mestre Damasceno, nesta terça-feira (26). Damasceno Gregório dos Santos faleceu nesta madrugada, aos 71 anos, em Belém. Sua morte no dia que se comemora um dos ritmos tradicionais paraenses é simbólica, pois ele foi um dos grandes detentores do saber dessa manifestação cultural.

Mestre Damasceno se tratava de complicações de um câncer em estado de metástase no pulmão, fígado e rins desde o dia 22 de junho, quando foi internado. 

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A 28ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro o homenageou este ano, no Centro de Convenções de Belém, no início de agosto. Ainda no dia 16 deste mês foi realizada a primeira exibição do documentário ‘Mestre Damasceno: a trajetória de um afromarajoara’. 

No mesmo evento, Mestre Robledo, Mestre Eliezer e os Nativos Marajoaras, grupo fundado por Damasceno, celebraram a obra do artista. Durante a Feira, também foi lançado o livro ‘Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó’, obra organizada pelo jornalista Antônio Carlos Pimentel Jr. e ilustrada por Mandy Modesto, que fala da obra e da vida do artista, que possui mais de 400 composições, seis álbuns lançados e dois documentários.

Quem é Mestre Damasceno

Cria da comunidade quilombola Salvá, na Ilha de Marajó, Mestre Damasceno nasceu em 1954 e é fundador do grupo Nativos do Marajó e do Cortejo Cultural Carimbúfalo. Em 2023, teve sua obra declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. 

Em 2023, o cantor, compositor, diretor, escritor de autos juninos e pescador completou 50 anos de carreira. É o criador do Búfalo-Bumbá, a brincadeira junina que iniciou como boi-bumbá, e em homenagem à força e a tradição de criação de búfalos em terras marajoaras, ganhou o atual nome.

No mesmo ano, sua trajetória foi celebrada no templo sagrado do samba, a Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com a homenagem na Paraíso do Tuiutí; e, neste ano, pela Grande Rio. 

Leia também: Do quilombo paraense para a Sapucaí: quem é Mestre Damasceno, o criador do Búfalo-Bumbá

mestre damasceno Foto: Camila Lima/Divulgação
Foto: Camila Lima/Divulgação

Por meio de nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte do Mestre Damasceno, destacando que ele era uma liderança inquestionável da cultura marajoara e lembrando que, em maio passado, ele recebeu a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta condecoração pública concedida pelo Ministério da Cultura para personalidades e instituições que contribuem de forma significativa para a cultura brasileira. 

O Governo do Pará decretou luto oficial de três dias. O velório será aberto ao público em Belém, no Museu do Estado do Pará, na Praça D.Pedro II, na Cidade Velha, bairro da capital paraense. Após o velório em Belém, ele deve ser levado para Salvaterra, sua cidade natal, onde será velado e sepultado.

*Com informações da Agência Brasil e Agência Pará