Entremet de açaí e cupuaçu. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
De origem francesa, o “entremet” é um doce que tem ficado cada vez mais popular no Brasil e, também, na Amazônia. É basicamente uma mousse com camadas internas de recheios, uma base de bolo e geralmente finalizada com uma glaçagem brilhante e bem espelhada.
A sobremesa, apesar de ter nascido na Europa, ganha versões quando encontra outras culturas e, na Amazônia, sabores de frutas regionais tem sido incorporados ao doce por chefs da região. Aprenda a receita ensinada pelo padeiro artesanal no Acre, Ricardo Nery:
Primeiramente, reduza a acidez do cupuaçu com água e açúcar. Depois, aplique o cupuaçu reduzido em um recipiente com o chocolate (pode ser o de sua preferência) e adicione metade do creme de leite. Em seguida, misture com processador ou liquidificador. E o recheio do entremet está pronto.
Depois, coloque em uma forma de silicone o recheio de cupuaçu, por 8h/12h, dentro do congelador ou freezer.
Para fazer a base do entremet, reduza a acidez do açaí, aplique metade do creme de leite fresco e misture até ferver. Após esse procedimento, acrescente o chocolate na panela. Misture, coloque o restante do creme de leite fresco e espere esfriar um pouco.
Coloque em um recipiente e guarde no congelador, por um período de 12h. É preciso deixar bem gelado para endurecer o creme de leite.
Hora de montar o entremet: bata a base de açaí congelada em uma batedeira e espere a massa ficar um pouco mais densa. Pegue uma forma de silicone ou um pote de preferência. Coloque até a metade para depois aplicar o recheio de cupuaçu e em seguida complete com o resto.
Finalização:
Tire da forma de silicone e, em seguida, espete o doce em um palito e enrole o doce em uma ganache de sua preferência.
Ao longo do ano, o Amazonas contabilizou 4.545 focos, entre janeiro e dezembro. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace
Em 2025, o Amazonas registrou o menor número anual de focos de calor desde o início da série histórica do atual sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ao longo do ano, o estado contabilizou 4.545 focos, entre janeiro e dezembro.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) monitoram e analisam os dados diariamente para orientar políticas ambientais e ações de combate em campo.
Pela primeira vez em 23 anos de acompanhamento contínuo, iniciado em 2002, o total anual ficou abaixo de 5 mil registros, estabelecendo um recorde histórico de redução das queimadas no estado. O resultado também reflete a ampliação da presença permanente do Corpo de Bombeiros em áreas críticas.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, a redução expressiva resulta da combinação entre fatores climáticos e investimentos em estrutura, tecnologia e integração entre órgãos estaduais. Segundo ele, o apoio do Fundo Amazônia e de parceiros internacionais, como o KfW, foi decisivo para fortalecer a capacidade operacional do estado.
“Ampliamos a presença do Corpo de Bombeiros em mais de 90% dos municípios críticos. Essa atuação integrada tem permitido respostas rápidas, prevenção ao desmatamento ilegal e colocou o Amazonas entre os estados com menor participação nos focos de calor da Amazônia”, destacou o secretário.
Os dados mostram que os registros de 2025 representam uma redução de 82,18% em relação a 2024, quando o estado contabilizou 25.499 focos — a maior queda desde o início da série histórica.
Para o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o resultado reforça a importância do monitoramento contínuo e do uso de informação técnica na tomada de decisões.
“O acompanhamento diário dos dados do Inpe, aliado à análise das áreas mais suscetíveis e ao direcionamento das ações de fiscalização preventiva, permitiu reduzir ocorrências e evitar a formação de novos focos em regiões sensíveis. O trabalho integrado das instituições envolvidas tem sido fundamental para consolidar esse resultado”, afirmou.
Com esse desempenho, o Amazonas ocupou a 5ª posição no ranking de focos de calor entre os estados da Amazônia Legal, respondendo por apenas 6% do total registrado na região.
Do total de ocorrências em 2025:
704 focos (15,49%) ocorreram em áreas de gestão direta do estado;
2.788 focos (61,34%), em áreas federais;
1.053 focos (23,17%), em vazios cartográficos.
Avanços no Amazonas
Em 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) dobrou o número de municípios com presença da corporação, passando de 11 para 22 cidades.
Os novos municípios receberam viaturas Auto Bomba Tanque (ABT), com capacidade para 10 mil litros de água, além de equipamentos e efetivo militar, por meio dos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP), implantados em parceria com as prefeituras.
“A presença do Corpo de Bombeiros com estruturas novas, com Bombeiros Militares, em um trabalho coordenado com as prefeituras, dá ao poder público uma capacidade de resposta muito expressiva, o que resulta na redução dos números”, concluiu o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz.
“Amazônia a Olhos Vistos” apresenta registros de pesquisadores e fotógrafos sobre impactos ambientais e iniciativas de conservação. Banner: Kaylane Golvin/Ascom Inpa – Foto: Igor Souza/Ascom Inpa
Após integrar um intenso circuito de visitações durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro, em Belém (PA), a exposição fotográfica ‘Amazônia a Olhos Vistos’ chega a Manaus (AM) no dia 9 de janeiro, no Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).
A mostra propõe uma reflexão sobre as crescentes ameaças à Amazônia e as soluções voltadas à proteção desse importante bioma.
Desenvolvida pela Rede Bioamazonia – que reúne os principais institutos de pesquisa e inovação em Biodiversidade da Pan-Amazônia, a exposição reúne 20 imagens captadas por fotógrafos membros da Rede, com curadoria de João Valsecchi do Amaral e Miguel Monteiro, do Instituto Mamirauá.
As fotografias retratam os impactos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas, a biodiversidade e as comunidades tradicionais da região amazônica.
Imagem mostra uma floresta morta de igapó no rio Uatumã, em decorrência da barragem de Balbina, no Amazonas. Foto: Igor Souza- Ascom Inpa.
Para o diretor do Inpa, professor Henrique Pereira, a exposição vai além do aspecto visual e cumpre um papel fundamental de sensibilização científica.
“Esta exposição convida o público a sentir a Amazônia com os olhos e com a consciência, compreendendo que as ameaças à biodiversidade são reais, mas que a ciência oferece caminhos concretos para proteger o futuro da floresta”, destacou Pereira, que é vice-diretor da Rede Bioamazonia.
Entre os registros expostos está uma imagem do pesquisador Jochen Schöngart, do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP Maua), que mostra uma floresta morta de igapó no rio Uatumã, em decorrência da barragem de Balbina, no Amazonas. Outra fotografia é de autoria do jornalista Lucas Batista, ex-integrante da Assessoria de Comunicação do Inpa (Ascom/Inpa), e apresenta a Coleção Científica Biológica de Invertebrados do Instituto.
A imagem apresenta a Coleção Científica Biológica de Invertebrados do Instituto. Foto: Igor Souza- Ascom Inpa.
A mostra foi concebida especialmente para a COP30 e apresentada inicialmente ao público no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde registrou visitação expressiva nas duas semanas da programação paralela da Conferência do Clima. No Bosque, a mostra será instalada na Ilha da Tanimbuca e a expectativa é que fique disponível ao público durante um ano.
De acordo com o chefe do Bosque da Ciência, Jorge Lobato, a exposição marca a primeira programação de 2026 no espaço científico-cultural do Inpa, que registrou recorde de visitantes em 2025. “Por ser janeiro um mês de férias, preparamos uma programação especial para esse período. Iniciamos com esta exposição, que é um trabalho extremamente bonito e significativo, e que convida o público a refletir sobre as crescentes ameaças que a região amazônica vem sofrendo”, afirmou.
O Bosque da Ciência funciona de terça a domingo, das 9h às 16h30, com permanência permitida até às 17h. As visitas são gratuitas, mediante agendamento prévio pelo link disponível AQUI.
Rede Bioamazonia
A Rede Bioamazonia é um instrumento regional com a missão de fortalecer a cooperação transfronteiriça, integrar capacidades de pesquisa e inovação em biodiversidade e estimular a bioeconomia amazônica como alternativa ao modelo extrativista convencional.
Criada em 2024, a iniciativa surgiu diante de um contexto global marcado por múltiplas crises e mudanças aceleradas que vêm alterando drasticamente as condições de vida no planeta, em especial na Amazônia.
São institutos membros da Rede Bioamazonia:
Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander Von Humboldt (Humboldt) – Colômbia
Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI (SINCHI) – Colômbia
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Instituto Mamiraruá) – Brasil
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – Brasil
Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil
Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru
Instituto Nacional de Biodiversidade (InaBio) – Equador
Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (IE/UMSA) – Bolívia
Os trabalhos são coordenados pela SMEC, com base em levantamento técnico das equipes de engenharia e manutenção em cada escola. Foto: Diane Sampaio/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista deu início ao serviço de manutenção em mais de 80 unidades da Rede Municipal de Ensino, contemplando escolas das áreas urbana, do campo e indígenas. As ações são executadas durante o período de férias escolares e seguem até o dia 30 de janeiro de 2026.
A primeira unidade a receber os serviços foi a Escola Municipal Maria de Fátima Faria Andrade, localizada no bairro Centenário. O objetivo é garantir que todas as escolas estejam em condições estruturais adequadas para receber alunos, professores e equipes pedagógicas no início do ano letivo de 2026, previsto para o dia 2 de fevereiro.
O secretário municipal de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira, acompanha de perto os serviços de manutenção nas escolas de Boa Vista. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Planejamento técnico garante intervenções adequadas em cada unidade escolar
Os trabalhos são coordenados pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), a partir de um levantamento técnico feito pelas equipes de engenharia e manutenção, que identificaram as necessidades específicas de cada unidade escolar.
“Nas escolas do campo e indígenas, as intervenções respeitam as particularidades de cada comunidade, assegurando funcionalidade, segurança e conforto. As demais unidades da rede municipal passarão pelos serviços de manutenção ao longo do ano de 2026, reforçando o compromisso da Prefeitura de Boa Vista com a valorização da educação, a melhoria contínua da infraestrutura escolar e a oferta de ambientes adequados para o processo de ensino e aprendizagem”, disse o secretário municipal de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira.
As ações são executadas durante o período de férias escolares e seguem até o dia 30 de janeiro de 2026. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Adequações, acessibilidade e melhorias nos ambientes educacionais
Os serviços incluem manutenção e troca de telhados e coberturas, reformas e adequações em banheiros, reparos e modernização das instalações elétricas, além de reformas e ampliações de copas e refeitórios.
Também estão previstas a substituição de forros, portas, janelas e revestimentos, pintura interna e externa, impermeabilização de calhas e lajes, correções estruturais, melhorias no sistema de drenagem, manutenção de containers e áreas comuns, além de adequações em unidades de educação inclusiva e especializada.
Após o ataque à Venezuela ocorrido no sábado (3/01), o Ministério da Saúde enviou equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com o país.
A pasta também estrutura plano de contingência para resposta do SUS ao possível agravamento da crise internacional e avanço da demanda de migrantes na região fronteiriça. Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região.
“Nossa equipe do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que possuem vasta experiência em situações de tragédia, já estão presentes na região identificando, se necessário, estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação. Se preciso, montaremos hospitais de campanha ou expandiremos as estruturas existentes para reduzir os impactos no sistema público brasileiro”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, o MS mobilizou equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.
O Ministério também está à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) para o caso de ajuda humanitária. “Estamos nos preparando para apoiar, se necessário, com medicamentos e insumos para diálise, visto que o principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, foi destruído pelo ataque”, reforçou Padilha.
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/Rede Amazônica RR
Fortalecimento da saúde com a Operação Acolhida
A Operação Acolhida foi totalmente assumida pelo MS em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, o ministério mantém 40 profissionais permanentes que fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.
O projeto conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.
De setembro a novembro de 2025, foram realizados mais de 5 mil atendimentos, sendo 2 mil na capital Boa Vista e 3 mil em Pacaraima. Em 2024 e 2025, foram aplicadas cerca de 500 mil doses de vacina na Operação Acolhida. Em um cenário de emergência, o Ministério da Saúde está pronto para triplicar a capacidade de atendimentos no SUS, saltando de três para nove equipes itinerantes do Saúde nas Fronteiras.
O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou nacionalidade.
Você sabe qual é o Dia da Onça? Ou que Rondônia celebra dois aniversários anualmente? Pensando em datas que são importantes para a região amazônica, o Portal Amazônia preparou um calendário especial de 2026 com destaque para essas celebrações.
Ilha do Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério das Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) iniciam um novo programa de enfrentamento à violência de gênero e de qualificação da produção e do uso de dados em territórios prioritários do país. A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses, entre janeiro de 2026 e dezembro de 2028, com investimento total de R$ 6 milhões, e conta com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).
A iniciativa tem como objetivo fortalecer as capacidades institucionais do Ministério das Mulheres e das redes locais de atendimento para prevenir, enfrentar e responder à violência contra mulheres e meninas, com foco especial em contextos de alta vulnerabilidade social e territorial. A parceria prioriza dois territórios estratégicos: a Ilha do Marajó, no Pará, e o território Yanomami, nos estados do Amazonas e de Roraima.
A iniciativa aposta no aprimoramento da produção, sistematização e uso de dados desagregados sobre a situação de mulheres e meninas como ferramenta central para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências. Também prevê a adaptação de boas práticas internacionais ao contexto brasileiro, o fortalecimento de metodologias de trabalho culturalmente sensíveis e a ampliação da capacidade técnica de instituições públicas, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias.
A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses. Na foto, comunidade indígena na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Arquivo Casa de Governo
Iniciativa prioriza territórios com cenários críticos
Os territórios priorizados concentram alguns dos indicadores mais críticos do país. Na Ilha do Marajó, onde vivem cerca de 557 mil pessoas distribuídas em 17 municípios, quase 70% da população reside em comunidades ribeirinhas de difícil acesso e enfrenta graves vazios assistenciais. A região apresenta altas taxas de gravidez na adolescência, sub-registro civil, exploração sexual de crianças e adolescentes e escassez de serviços especializados para mulheres em situação de violência.
Já no território Yanomami, que abriga mais de 27 mil indígenas em 384 aldeias, a violência baseada em gênero se agrava em um contexto de crise humanitária, insegurança alimentar, impactos do garimpo ilegal e barreiras de acesso a serviços públicos culturalmente adequados.
Entre os resultados esperados da iniciativa estão:
o fortalecimento da capacidade decisória do Ministério das Mulheres para formular, implementar e monitorar políticas de enfrentamento à violência baseada em gênero;
o desenvolvimento de capacidades técnicas para a coleta, análise e disseminação segura de dados sociodemográficos;
o fortalecimento das redes locais de atendimento nos dois territórios;
e o apoio ao protagonismo e à organização de mulheres e lideranças comunitárias.
Ao unir o mandato e a expertise técnica do UNFPA à atuação do Ministério das Mulheres, a iniciativa busca contribuir para respostas mais articuladas, intersetoriais e culturalmente sensíveis, promovendo a redução das desigualdades de acesso a serviços, o fortalecimento da cidadania e a construção de políticas públicas que garantam a mulheres e meninas o direito de viver uma vida livre de violência.
No extremo Norte de Roraima, uma cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela tem sido o primeiro local do Brasil a sentir os reflexos da crise política, econômica e humanitária existente no país vizinho. Pacaraima.
Localizada na fronteira entre os dois países, a 215 quilômetros de Boa Vista, Pacaraima já conta com mais de 1,1 milhão de migrantes venezuelanos que entraram no país desde 2015, transformando a rotina da cidade. De acordo com estimativas do Censo 2022, o município possui cerca de 19 mil habitantes.
Fronteira do Brasil com a Venezuela. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
O estouro da crise na Venezuela mudou a rotina de Pacaraima. Só em 2025, a cidade recebeu mais de 96 mil novos migrantes venezuelanos introduzidos na rotina do município. Foram mais de 11 mil venezuelanos entrando por Pacaraima em outubro do ano passado, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).
A Prefeitura de Pacaraima informou que a cidade segue em tranquilidade, com comércio funcionando normalmente e sem alterações na rotina. A gestão municipal afirmou que “acompanha os desdobramentos e mantém diálogo com as forças de segurança”.
Parte do cotidiano da cidade
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/Rede Amazônica RR
Desde 2015, Pacaraima vivencia uma transformação sem precedentes com a crise econômica e social instalada no Venezuela, que ocasionou um grande fluxo de pessoas venezuelanas cruzando a fronteira em direção ao Brasil. Muitos chegam a pé, carregando mochilas, sacolas e trazendo crianças, em busca de alimentação, trabalho e atendimento básico de saúde.
José González, de 48 anos, natural de Maturín, no leste da Venezuela. Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR
É nesse contexto que chegaram recentemente migrantes como José González, de 48 anos, natural de Maturín, no leste da Venezuela. Trabalhador autônomo, ele entrou no Brasil três dias antes dos novos desdobramentos políticos no país vizinho. Ele afirma que a decisão de sair da Venezuela não está relacionada a rejeição ao país de origem, mas à dor de deixar um lugar que já não oferece segurança.
“O fato de estarmos aqui é porque a situação nos levou a esses extremos. Não é que a gente se sinta rejeitado pelo país, não. O que a gente sente é dor pelo nosso país. A Venezuela nos dói”, disse.
Segundo ele, a instabilidade não se restringe a uma região específica. Ao falar sobre a notícia do ataque e da captura de Maduro, José diz ter sentido medo e incerteza, mas também esperança de uma solução diplomática. “O que a gente espera agora é que tudo se resolva da melhor maneira, pelo diálogo. Quem sofre sempre é o povo inocente”, afirmou.
Em agosto de 2018, episódios de violência e confronto entre brasileiros e venezuelanos marcaram um dos momentos mais críticos da história recente da cidade. Ruas ficaram vazias, comércios fecharam as portas e Pacaraima ganhou projeção nacional como símbolo das dificuldades enfrentadas por municípios de fronteira diante de um fluxo migratório intenso.
À época, o município passou a ser descrito como um “território em tensão constante”.
Local onde antes havia acampamento de venezuelanos às margens da BR-174 agora tem só restos de objetos queimados — Foto: Jackson Félix/G1 RR
Operação Acolhida
Ainda em 2018, foi criada a Operação Acolhida. Comandada pelo Exército do Brasil, a iniciativa estruturou a triagem, a vacinação, a regularização de documentos e a interiorização de migrantes para outros estados do país.
Pacaraima passou a conviver de forma permanente com a presença de abrigos, equipes de saúde, militares e organizações humanitárias. Mesmo assim, muitos venezuelanos seguem vivendo fora das estruturas oficiais, alugando quartos, ocupando imóveis ou trabalhando no comércio local.
Cerca de 400 migrantes venezuelanos esperam em posto de triagem da Operação Acolhida em Pacaraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Fronteira fechada e ajuda humanitária
Em 2019, caminhões com ajuda humanitária partiram de Boa Vista em direção à fronteira, enquanto o fechamento temporário intensificou o uso de rotas ilegais, conhecidas como trochas.
Histórias de crianças venezuelanas que cruzavam a fronteira por caminhos alternativos para estudar em escolas brasileiras passaram a chamar atenção para a complexidade do fenômeno migratório.
Pacaraima passou por um processo de adaptação. A cidade foi a que mais cresceu proporcionalmente em Roraima na última década, impulsionada principalmente pela migração.
Com o trânsito de migrantes, a cidade atingiu uma taxa de adesão ao PIX de 550%, segundo o levantamento “Geografia do PIX”, da FGV, que mapeou em todo o país o uso desse meio de pagamento criado pelo Banco Central. São 106 mil pessoas usando a ferramenta, em média, a cada mês, para 19 mil habitantes.
Hoje, o espanhol é ouvido com frequência nas ruas, e venezuelanos trabalham em supermercados, restaurantes, oficinas, hotéis e no comércio informal.
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/G1 RR
Elizabeth Rincón, de 39 anos, é uma dessas migrantes. Ela chegou em Pacaraima há menos de um mês, deixou familiares na Venezuela e diz que os primeiros dias no Brasil foram marcados pela apreensão. Vivendo longe do país natal, ela afirma que o futuro da Venezuela segue incerto e que a saída de Maduro não traz, por si só, segurança.
“Não me sinto aliviada, porque não sabemos o que vai acontecer agora. Tiraram Maduro, e depois? A gente não sabe. Deixamos tudo nas mãos de Deus. Fiquei triste, porque me disseram que tinha acontecido uma explosão, que a situação estava grave. Minha mãe está lá”, disse.
Migrante venezuelana que vive em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela — Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica
Manoel Martins Vidal, fundador da cidade de Velha Serpa, hoje Itacoatiara (AM). Arquivo da família. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Esse português, como tantos outros que imigraram para a Amazônia, começou a desbravar vilas e cidades. Cidadão imigrante, homem quase desconhecido, mas que deram o seu melhor, criaram e recriaram seus espaços ajudando a emanar no tempo, na terra e no espaço que escolheram para fincar suas raízes.
Foi realmente nesses tempos difíceis, sem as possibilidades da modernidade da técnica e de utensílios capazes, que homens como Manoel Martins Vidal foram de tempera rígida, imigrantes chegados de seu país de origem, deixando tudo para trás, para embrenharem-se na floresta virgem quase inacessível e inabitável, levado aos lugares mais distantes do Amazonas, o espírito do construtor que vai preparar o seu novo habitat para seus filhos, uma nova terra de muitas promessas daquele embrião de cidade banhada pelo rio Amazonas.
Seus descendentes em Portugal na expectativa da descoberta de suas origens iniciaram a busca de elementos para registrar a passagem deles por aqui. O sentimento de seus familiares foi trazer a lume a comunhão entre eles com sentimento de que estiveram em terras onde ele pisou, como se aqui, eles estivem presentes nas suas próprias vidas.
Foi uma busca longa e de muito trabalho, porém, é a forma de contribuir para sociedade de hoje de tudo quanto ele aqui contribuiu para o desenvolvimento daquela pequena cidade que acabara de nascer.
Manoel Martins Vidal nasceu no Alto do Minho, mas, propriamente em São Pedro da Torre, Valença em Portugal. Filho de Pedro Martins Vidal, de ascendência alemã e de Maria Martins Vidal, de ascendência espanhola, imigrou muito novo para o Brasil, aventurando-se no coração da Amazônia, onde deixou marcas de sua passagem.
Nasceu no dia 24 de dezembro de 1832 e teria vindo para o lugar de Vila de Serpa, mais tarde Vila de Serpa e atual município de Itacoatiara onde instalou-se e dedicou-se a uma atividade comercial, especialmente a exploração e produção de cacau, exportação de borracha e outros manufaturados. Nessa região casou-se por volta de 1860 com a senhora Clara Coelho de Abreu natural do município de Barreirinha e filha de Pedro e Maria Coelho de Abreu, tendo nascido vários filhos deste casamento.
Trecho da ata de fundação da Vila de Serpa, 4 de junho de 1858. Arquivo da família. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Pelas suas virtudes de conceituado comerciante e professando a religião Católica e Apostólica Romana, segundo seus descendentes de Portugal, cooperou na construção da primitiva igreja como também em diversas construções de habitação e armazéns junto ao porto de embarque, dedicando-se a exportação de produtos regionais para a Europa pela importância que tinha e tem até os dias atuais o porto de Itacoatiara.
Ainda com informações de seus familiares ele foi possuidor de áreas de terras junto aos rios Madeira e Solimões. Entre essas áreas encontrava se a época a famosa Ilha do Monte Cristo, terras no Puraquequara e nos Igarapés de Santa Quitéria e de Sarapó, tendo possuído através de concessões outras propriedades de seringais.
Como fato relevante na nossa história, Manoel Martins Vidal participou no dia 24 do mês de junho de 1858 no ato solene da Constituição da Vila de Serpa, estando presente na primeira sessão da nova Câmara Municipal como testemunha do fato histórico e um dos principais comerciantes naquele lugar.
A primeira Ata da sessão solene relativa a inauguração e constituição da passagem deste lugar a Vila de Serpa foi assinada pelo presidente interino e pelo secretario da Câmara Municipal da Vila de Silves, respectivamente Salustiano de Oliveira e Fidelis Alves da Costa, pelos Vereadores eleitos para nova Câmara Municipal da Vila de Serpa nomeadamente Manuel Joaquim da Costa Pinheiro Presidente, Antonio José Serrudo Martins, Damaso de Souza Barriga, Agostinho Domingos de Carvalho, Raimundo Candido Ferraz, João da Cruz Pinheiro, Manoel Porfírio Delgado e tantos outros que assinam a Ata de fundação inclusive Manoel Martins Vidal.
Fulgêncio Martins Vidal, Manaus, junho de 1903. Fotografia – Portella/Bahia. Arquivo da família. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Era um comerciante extremamente estimado na cidade e com o era comum na época tornava-se padrinho dos filhos de seus fregueses.
Antônio José Serrudo Martins, o qual sucedeu pouco tempo depois Joaquim da Costa Pinheiro da Presidência da Câmara Municipal foi padrinho da filha Virginia de Manoel Martins Vidal. Damasio Souza Barriga que achava-se no exercício do cargo de Subdelegado de Polícia em 1861, também foi padrinho de batismo da filha Damasia.
Ainda como comenta a família Manoel Martins Vidal tinha um dos principais estabelecimentos comerciais da Vila de Serpa no período de 1866/1867. Manoel da Silva Vidal era extremamente generoso e procurava pagar bem aqueles que trabalhavam em suas terras. Ainda segundo seus familiares pelos seus relevantes serviços ao estado, a Igreja e a sociedade a qual lhe foi atribuído o titulo de Barão de Serpa e de Barão de Puraquequara.
Neste período trouxe ao mundo quatro filhos Virginia em 1861, Damasia em janeiro de 1863, Manuel em 1864 e Maria Virginia em maio de 1865. O primeiro e o terceiro faleceram pouco tempo depois de seu nascimento.
Entre 1866 e 1867, já com algumas economias amealhadas transferiu-se para Manaus com atividade comercial fornecendo produtos ao longo do Rio Amazonas cobrindo a Vila de Serpa, Codajás e Manaus.
Entre 1873 e 1874 manteve seu estabelecimento comercial na Rua Barés, Freguesia de Nossa Senhora da Conceição Bairro dos Remédios e outro na freguesia Nossa Senhora das Graças em Codajás.
Aqui em Manaus a família cresceu e vieram ao mundo outros filhos Ana em abril de 1867, Manoel em junho de 1868, Ines em maio de 1870, Rosa em março de 1872, Fugêncio em janeiro de 1874, Domingos em novembro de 1876, Adrião em março de 1879 e Felisbela em 1881.
Manoel Martins Vidal, fundador da cidade de Velha Serpa, hoje Itacoatiara (AM). Arquivo da família. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Dedicou-se também a Construção Civil de Imóveis sendo autor dos projetos dos prédios construídos nos arredores do Centro, junto ao Mercado e tornando-se proprietário de vários imóveis na Rua dos Barés, Mundurucus, Rua dos Andradas, Rua Dr. Moreira antiga Rua Oriental, Rua Pedro e no distante a época Bairro da Cachoeirinha. Foram cerca de dez anos de intensa construção.
Em meados de 1890 tomou a decisão de retornar a Portugal tendo passado uma procuração a seu filho Manoel Martins Vidal Júnior e ao seu genro Polidoro Rodrigues Pessoa, dando-lhes plenos poderes para representá-lo em todos os negócios inerentes ao seu patrimônio, tendo ficado em Manaus sua esposa Clara Coelho de Abreu Vidal que veio a falecer com 64 anos em Manaus no dia 16 de junho de 1907.
Em Portugal Manoel Martins Vidal fixa-se inicialmente em Vila Nova de Gaia e posteriormente na cidade do Porto, onde veio a falecer em 21 de outubro de 1908.
Da sua descendência a família orgulha-se, pois seus filhos deram nome e relevo a sociedade brasileira onde estudaram na Europa e em várias cidades tais como: Berlim, Londres, Geneve e Lisboa. Também constituíram família em diversos países: Argentina, Inglaterra, Portugal e no Brasil nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Manaus.
Informações fornecidas por Jorge Manuel de Macedo Martins Vidal.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Ao todo, são 2,6 km de extensão e aproximadamente 23 mil m² de área requalificada. A ação fez parte do festival de fim de ano de Macapá.
O local foi transformado em um verdadeiro bosque linear, com espaços voltados para esporte, lazer e convivência. O local oferece academia ao ar livre, áreas para calistenia, ciclovia, 265 postes com iluminação em LED, acessibilidade, pergolados e ampla arborização.
A estrutura do parque inclui sete pontos de academia ao ar livre, áreas para prática de calistenia, paisagismo com sistema de irrigação e aproximadamente 200 árvores transplantadas.
Além disso, o espaço conta com um monumento em homenagem aos corredores, criado pelas mãos do artista plástico J. Márcio.
Ed Gilson de Oliveira, de 57 anos, que trabalha com serviços gerais, caminhava pelo Parque Linear no momento da inauguração e comemorou a entrega do espaço.
“Esse parque foi maravilhoso pra gente. Dá mais ânimo pra caminhar todo dia e cuidar da saúde”, diz o trabalhador.
Foto: Jesiel Braga / PMM
Academia ao ar livre. Foto: Jesiel Braga/PMM
Monumento dos corredores. Foto: Jesiel Braga/PMM
Arborizaçãono parque
Na arborização, foram transplantadas mais de 200 árvores, entre palmeiras das espécies Veitchia, areca-bambu e manila. Além disso, foram plantados ipês, amapazeiro, sete-copas e árvores frutíferas.
“O Parque Linear da Zona Norte é um investimento em qualidade de vida. É um espaço pensado para as pessoas cuidarem da saúde, conviverem e ocuparem a cidade com dignidade”, disse o prefeito Dr. Furlan.
Dr. Furlan, prefeito de Macapá na inauguração. Foto: Emanuelle Gomes/PMM
Ponto de hidratação
O Parque Linear conta com dois totens publicitários que também oferecem pontos de hidratação tanto para as pessoas quanto para os animais, garantindo mais conforto e bem-estar para todos.
O investimento na construção do Parque Linear foi de R$6.208.358,39, com recursos oriundos do Tesouro Municipal.
Durante a caminhada, corredor aproveita o ponto de hidratação instalado no Parque . Foto: Jesiel Braga/PMM