Você já imaginou plantar alguma coisa sem precisar de nenhum “tiquinho” de terra? Isso é possível com a hidroponia: uma técnica que utiliza apenas água e nutrientes para cultivar plantas, como as hortaliças. Ela é ensinada para agricultores e pessoas que querem ter uma horta dentro de casa, na Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr) 2024.
Coentro, cebolinha, alface, rúcula e tomate-cereja são alguns dos alimentos que podem ser cultivados na horta hidropônica. No modelo vertical, ela fica em uma estrutura toda composta por canos de PVC e ocupa pouco espaço.
Foto: Yara Ramalho/g1 RR
A sustentabilidade é o diferencial do modelo de plantação. Apesar de só ser mantida a base de água, além dos adubos necessários para o desenvolvimento das hortaliças, a produção hidropônica tem uma irrigação cíclica.
Colocadas em “cestinhas”, dentro dos canos de PVC, as hortaliças são regadas de 15 em 15 minutos. A água usada segue para uma caixa d’água e é bombeada novamente pelos canos, o que gera um reaproveitamento. O adubo é colocado dentro da caixa junto com a água, que leva os nutrientes.
Marcelino Neto, engenheiro agrônomo e chefe do setor de drenagem e irrigação do Iater. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Dessa forma, as plantas são cultivadas de forma mais sustentável, sem perder a eficiência do cultivo tradicional, de acordo com Marcelino Neto, engenheiro agrônomo e chefe do setor de drenagem e irrigação do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), responsável pelo ensino da técnica na Expoferr.
“A água é colocada num recipiente, pode ser uma caixa d’água, pode ser um tanque de criatório de peixe, você reaproveita a água do peixe, vai passando no ciclo da cultura e ela retorna paro o mesmo lugar, já tratada, com adubo, com tudo. A água passa pelas raízes com o adubo, ela absorve esse adubo, cresce, e você só repõe o adubo lá na água através de medições que a gente faz com o PH e a condutividade elétrica. É só água e os nutrientes necessários”, explica.
Os estudos sobre o sistema hidropônico em Roraima começaram em 2022, mas a técnica passou a ser aplicada no estado neste ano de 2024. A ideia é ensinar os agricultores familiares e a população comum que é possível cultivar alimentos de forma saudável, sustentável e econômica.
“É uma coisa nova para o Estado. Não é nova no mundo, já tem no mundo, mas aqui no Estado é a primeira vez que é colocada e é para mostrar para o agricultor familiar, principalmente, a importância de ter um plantio desse aqui de forma vertical que economiza espaço, água, tempo, dinheiro, e você produz do mesmo jeito que produzia no solo comum”, ressalta Marcelino.
A 43ª Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr) começou na terça-feira (5) e segue até o dia 9 de novembro no Parque de Exposição Dandãezinho, localizado no Monte Cristo, zona Rural de Boa Vista.
Chamada pelo governo de “Expoferr Show”, a feira agropecuária é organizada pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima (Faerr).
Este ano, o espaço da feira deve tem mais de 93 mil m² em infraestrutura montadas no Dandãezinho. A expectativa é receber 500 mil pessoas nos cinco dias de festa e movimentar R$ 600 milhões em negócios.
Instalado no Bloco C do Sambódromo, em Manaus, está a Biblioteca Braille do Amazonas, um espaço que tem o objetivo de integrar, promover e incluir pessoas com deficiência visual ao meio social, cultural, educacional e profissional, melhorando condições de vida, estudo e convivência para contribuir na elaboração de trabalhos e pesquisas.
O acervo da Biblioteca Braille do Amazonas possui mais de 50 mil obras, entre livros digitalizados, livros falados, obras em Braille e filmes com audiodescrição.
Além disso, é responsável pela audiodescrição de espetáculos no Teatro Amazonas desde o ano de 2009. O espaço também disponibiliza estúdios de gravação, máquinas de escrever em Braille, computadores especiais, impressoras em Braille, scanners de voz e lupas eletrônicas.
Além da disponibilização do material, a Biblioteca Braille também promove cursos para deficientes visuais abordando diversos temas. Devido aos serviços oferecidos no espaço, dezenas de pessoas com deficiência conseguiram aprovação em concursos e centenas delas foram aprovadas em vestibulares.
“É uma iniciativa importantíssima para garantir a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, oferecendo a oportunidade de adquirir conhecimento de forma acessível para elas”, afirma o Secretário em Exercício de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Candido Jeremias.
A Biblioteca Braille do Amazonas foi implantada em 1999, funcionando dentro da Biblioteca Pública do Amazonas, rua Barroso, 57, Centro até 2008, quando ganhou uma sede própria no Centro de Convenções de Manaus, o Sambódromo, avenida Pedro Teixeira, 2565, Flores, onde funciona até hoje.
Mudanças no uso do solo – categoria que inclui a derrubada de vegetação nativa, queimadas e criação de pastagens e lavouras, por exemplo – responderam pela emissão de 1,06 bilhões de toneladas de CO2 em 2023, 24% a menos do que em 2022. Apesar da redução, a categoria ainda responde pela maior parcela, cerca de 46% do total das emissões brasileiras. No mesmo período, o desmatamento, que equivale sozinho a 98% das emissões decorrentes dessas mudanças, emitiu 1,04 bilhão de toneladas de CO2.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (7) no relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que analisa os números de emissões do Brasil de 1970 a 2023 e suas implicações para as metas climáticas do país. O documento foi produzido pelo Observatório do Clima com a contribuição do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e outras entidades parceiras.
“A queda observada no setor de mudanças no uso do solo que, por sinal, é a única queda observada dentre todos os setores em 2023, se deu por conta da queda do desmatamento da Amazônia. Com seus enormes estoques de carbono armazenados, a preservação da floresta Amazônica foi em 2023, portanto, a única força motriz a pôr o Brasil na sua trajetória de mitigação. Precisaremos, ainda, ver resultados nos outros setores e também com relação à preservação dos outros biomas brasileiros”, destaca Bárbara Zimbres, pesquisadora do IPAM e responsável pelo cálculo de emissões de gases do efeito estufa por mudanças de uso da terra no Brasil do SEEG.
Apesar do desmatamento, áreas de vegetação nativa e secundária foram responsáveis por capturar 640 milhões de toneladas de CO2. Sozinhas, unidades de conservação e terras indígenas contribuíram para retirar 386 milhões de toneladas de dióxido de carbono do ar, cerca de 60% de tudo que foi absorvido em 2023. Pesquisadores do SEEG, no entanto, destacam que a capacidade de absorção dessas áreas se encontra ameaçada pela degradação dessas florestas, que também tem contribuído para perturbações no clima e no regime de chuvas.
Biomas
Com a redução do desmatamento na Amazônia, registrado em 2023, as emissões originadas no bioma caíram 37%, chegando a 678 milhões de toneladas, mas ainda correspondem a 65% das emissões brasileiras na categoria.
Por outro lado, o aumento do desmatamento nos outros biomas brasileiros tem dificultado o cumprimento das metas brasileiras. No Cerrado, segundo maior bioma do país, as emissões de CO2 saltaram 32% em 2023, atingindo 202 milhões de toneladas. Durante o período, mais de 1 milhão de hectares foram desmatados no bioma e, sozinha, a fronteira agrícola do Matopiba – que inclui áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 47% de toda a vegetação nativa suprimida no Brasil, uma área quase duas vezes maior do que o registrado em toda a Amazônia, que perdeu 454 mil hectares em 2023.
“O que parece ter havido entre 2022 e 2023 foi um ‘vazamento’ do desmatamento da Amazônia para o Cerrado. A preservação do Cerrado, portanto, se torna uma prioridade, tanto pelos altos níveis de desmatamento observados, quanto pelas enormes áreas queimadas que foram registradas no bioma nos últimos dois anos. Espera-se que o PPCerrado demonstre resultados a partir de 2024, para reverter essa tendência”, explica Bárbara Zimbres.
O maior aumento de emissões, no entanto, foi registrado no Pantanal, que liberou 86% mais dióxido de carbono na atmosfera após uma temporada de secas e queimadas extremas na região, alcançando a marca de 16 milhões de toneladas. Caatinga e Mata Atlântica, por sua vez, registraram aumentos de 11% e 4%, respectivamente.
Fogo
O inventário nacional brasileiro, elaborado pelo Governo Federal, ainda não mede os gases de efeito estufa liberados por fogo e outros processos emissores da degradação florestal, como a extração seletiva de madeira e a fragmentação de ecossistemas. O fenômeno, no entanto, se torna mais importante conforme os efeitos da crise climática se tornam mais severos. Na Amazônia, por exemplo, a extensão de floresta degradada já ultrapassa a de área desmatada.
Por essa razão, desde 2018, a equipe responsável pelas estimativas de emissões por mudança de uso da terra no SEEG tem feito um esforço de estimar a quantidade de gases de efeito estufa lançados anualmente na atmosfera por queimadas. Esse levantamento estima que, desde 1990, as queimadas não associadas ao desmatamento totalizaram 4,3 bilhões de toneladas de emissões líquidas de CO2 entre 1990 e 2020. A Amazônia foi o bioma que mais contribuiu com esta estimativa, com 54%, seguida pelo Cerrado, com 38%.
A série histórica do SEEG também aponta uma tendência de crescimento das emissões por fogo em relação à área desmatada, em parte por conta das estiagens severas mais frequentes. Dessa forma, com a queda do desmatamento na Amazônia, a proporção de emissões ligadas às queimadas dentro da categoria de mudança do uso do solo tende a disparar após os recordes de incêndios ocorridos em 2024.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Lucas Gauraldo
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informa que realiza um trabalho contínuo de monitoramento do povo indígena isolado, conhecido como Mashco Piro, na Terra Indígena Mamoadate, no estado do Acre. O grupo em isolamento voluntário compartilha o território com o povo indígena Manchineri e, em determinados períodos, deixa sinais de presença na região, o que deixa as equipes da Funai em alerta para manter a sua proteção. Por isso, reforça que não há iminência de conflito entre as etnias.
O povo Mashco Piro utiliza o território para desenvolver suas práticas culturais há anos. Os Manchineri, por sua vez, contribuem e são parceiros na proteção dos isolados da região.
Ao receber as primeiras informações sobre a aproximação dos indígenas isolados da aldeia Extrema, a autarquia indigenista alertou a equipe de servidores da Funai que atuam na Unidade Etnoambiental, localizada na aldeia, os quais são indígenas do povo Manchineri. Eles foram contratados por meio de Processo Seletivo Simplificado para atuar, especificamente, com a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas isolados da Terra Indígena Mamoadate.
Ao longo dos anos, os servidores indígenas recebem treinamento e capacitação para desempenharem suas atividades nos territórios aliando com o conhecimento que têm sobre a região e os modos de vida dos povos indígenas.
Assim que a Funai soube da presença do povo isolado na região, a equipe de servidores indígenas começou uma série de ações pautadas em conversas com a comunidade, com demais instâncias administrativas da Funai e com as organizações indigenistas parceiras.
Foram abertas, também, reuniões da sala de situação composta pela Funai, Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) com o objetivo de acompanhar e de monitorar as informações relacionadas aos vestígios dos indígenas isolados.
A Funai reafirma o seu compromisso com a promoção e proteção dos povos indígenas e informa que segue presente no território prestando assistência aos indígenas Manchineri e aos Mascho Piro, respeitando a política de não contato adotada pelo Estado brasileiro com relação aos indígenas em isolamento voluntário.
E, por isso, esclarece que não há histórico recente de conflito entre as etnias e que segue monitorando a presença dos indígenas isolados na região, por meio da Unidade Etnoambiental, localizada na aldeia Extrema, da Coordenação Regional em Alto Purus e da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, unidades descentralizadas da Funai.
Em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, comunidades indígenas como Waruá, Cewary e Yamado receberam no fim de outubro mais de 200 cestas de alimentos e água potável durante uma operação logística do Comando Conjunto Tucumã. A ação faz parte do esforço emergencial das Forças Armadas em apoio à Defesa Civil do Estado do Amazonas para mitigar os graves transtornos causados pela seca na região amazônica, uma das mais afetadas dos últimos anos.
A ação na área conhecida como Cabeça do Cachorro, ao noroeste do estado, acontece onde está localizada a 2ª Brigada de Infantaria de Selva. Ao mobilizar militares do 2º Batalhão Logístico de Selva em deslocamentos fluviais pelas calhas dos rios, que ainda são navegáveis, levou suprimentos básicos primordiais a comunidades indígenas ribeirinhas, onde a escassez de água potável e alimentos compromete o cotidiano e a segurança alimentar de diversas famílias.
Foto: Divulgação/CMA
A seca, que tem atingido níveis críticos, já afeta diretamente o acesso a itens básicos. O simples ato de ir ao comércio adquirir alimentos é um desafio para as áreas urbanas, e se agrava ainda mais nas comunidades ribeirinhas e indígenas.
Esse cenário eleva a necessidade de apoio da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira em ações subsidiárias junto às Agências, dadas as projeções de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Foto: Divulgação/CMA
A Operação TUCUMÃ é uma ação conjunta, coordenada entre órgãos de segurança pública, agências e Forças Armadas, com o emprego temporário e episódico em atividades de apoio às ações de combate a incêndios e aos efeitos da estiagem na Amazônia Legal, em cumprimento à Portaria GM-MD nº 4.454, de 17 de setembro de 2024.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o embaixador do Peru, Rómulo Acurio, assinaram no dia 5 de novembro um acordo que firma o compromisso da abertura de mercado de maçã do Brasil ao Peru e de citros do Peru ao Brasil.
Até o momento, o Peru importava maçã apenas do Chile, sendo o Brasil o segundo país acessar esse mercado promissor.
“A boa relação comercial, e o presidente Lula fala isso todos os dias, é aquela que a gente vende e que também compra. Então, esse ato hoje nos mostra isso, que estamos sim vendendo nossos produtos, mas também comprando produtos peruanos”, iniciou o ministro Fávaro.
O embaixador Rómulo classificou o dia como histórico. “Faz três anos que o Brasil e o Peru não conseguiam assinar um acordo para acesso de produtos. Estamos muito felizes e agradecidos”, disse.
Após o ato de assinatura, o ministro conversou com toda delegação peruana sobre as relações entre os dois países. Um dos assuntos foi sobre o Porto Chancay, construído pelo Governo Chinês no Peru e que também irá gerar oportunidades de escoação da produção brasileira.
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Atualmente, o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina. Entre os principais produtos exportados estão soja, milho, açúcar, carne bovina, carne de frango, celulose, algodão e carne suína in natura.
“O Brasil que tem um grande volume de exportação para a Ásia, em especial para China, usa a rota via atlântico, que é muito mais longe. Essa conexão direta com a China irá ser benéfica para agilizarmos as exportações de produtos do agro brasileiro”, pontuou Fávaro.
O embaixador peruano ainda relatou ao ministro Carlos Fávaro que os dados que ele teve é que, nos sete primeiros meses deste ano, o comércio pelo Porto de Tabatinga foram maiores que os últimos 6 anos, e que com o Porto Chancay essas exportações devem melhorar ainda mais.
*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária
Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (08/11) na revista Nature Geoscience desvenda uma importante peça do quebra-cabeça que busca explicar a formação de chuvas na Amazônia, uma das regiões mais influentes no clima global. Segundo o estudo, a floresta é capaz de produzir sozinha aerossóis que, induzidos pela própria chuva, desencadeiam um processo de novas formações de nuvens e precipitação, influenciando assim o ciclo de água, o clima e o balanço energético da Terra.
O trabalho mostra que, com a chuva, há um aumento na concentração de ozônio que oxida moléculas naturalmente liberadas por gases exalados pela floresta, os chamados compostos volatéis orgânicos, especialmente terpenos. A oxidação produz novas partículas muito pequenas logo acima do topo das árvores, em uma espécie de explosão de nanopartículas (menores que 40 nanômetros). Essas partículas, por sua vez, dão origem a núcleos de condensação que levam novamente à formação de nuvens mesmo em condições de ar puro na estação chuvosa.
A descoberta abre novas perspectivas nas complexas interações químico-atmosféricas, meteorológicas e dos ciclos de retroalimentação que os cientistas chamam de “oceano verde”, isto é, a capacidade da Amazônia de gerar seu próprio ciclo de nuvens e chuva de forma semelhante ao oceano. Até então, acreditava-se que a floresta não conseguia produzir esses aerossóis, e a hipótese era de que eles vinham de altitudes maiores.
Para que haja chuva, além de vapores d’água, são necessárias partículas atmosféricas que atuem como núcleos de condensação, ou seja, superfícies onde o vapor pode se transformar em gotículas. No entanto, a origem desse processo na Amazônia ainda era pouco compreendida, principalmente durante a estação chuvosa.
Agora, uma equipe internacional, com pesquisadores do Brasil, Alemanha e Suécia, analisou um extenso conjunto de vários tipos de dados do Observatório de Torre Alta da Amazônia, ATTO na sigla em inglês, para mostrar esse processo. Estão incluídas informações meteorológicas, de gases, entre outras.
“É uma simbiose que ocorre em todo o processo. A chuva por um lado limpa a atmosfera, reduzindo o número de partículas. Porém, ao mesmo tempo inicia um processo de formação de novas partículas que vão crescer e servir como núcleo de condensação para a próxima chuva”, explica à Agência FAPESP o professor Luiz Augusto Toledo Machado, autor correspondente do artigo, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck, na Alemanha.
Esquema descreve processos que ocorrem durante os eventos de chuva, mostrando concentrações de ozônio, compostos voláteis orgânicos e partículas antes e depois da taxa máxima de precipitação, durante a noite e no início da manhã do dia seguinte (crédito: Luiz Machado et al./Nature Geoscience)
A FAPESP apoia o trabalho por meio de dois Projetos Temáticos vinculados ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) – um deles liderado por Machado e outro pelo professor Paulo Artaxo, também do Instituto de Física da USP e coautor do artigo.
No estudo, os pesquisadores descobriram que, após a chuva, as concentrações de partículas são mais altas próximas ao topo das árvores (dossel), indicando que elas são formadas dentro da floresta. Esse processo persiste na estação chuvosa, que normalmente ocorre de dezembro a maio, indicando formação contínua de partículas dentro do dossel e de uma nova população de partículas.
“Nossas descobertas marcam uma mudança de paradigma no entendimento das interações entre partículas de aerossol, nuvens e precipitação na Amazônia. Essas interações são críticas para compreender alterações no balanço radiativo da Terra, especialmente à medida que as mudanças climáticas influenciam a circulação atmosférica, como os eventos de El Niño e La Niña”, diz Ulrich Pöschl, diretor do Departamento de Química do Instituto Max Planck, também coautor do trabalho, em comunicado da instituição.
Segundo os cientistas, esses resultados são essenciais para entender como mudanças nos padrões climáticos amazônicos podem afetar não só o clima global, mas a estabilidade ecológica.
Quadro atual
O Brasil vive neste ano uma das piores secas da história, atingindo vários Estados. Na Amazônia Legal, cerca de 69% dos municípios foram afetados em algum grau nos primeiros seis meses, superando o mesmo período de 2023. Foram 531 cidades das 772 da região, segundo levantamento do InfoAmazônia com base no Índice Integrado de Seca, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Impulsionada pelo El Niño, a crise climática também tem afetado os rios amazônicos, que vêm registrando os níveis mais baixos, deixando ilhadas populações ribeirinhas e afetando abastecimento e transporte. De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), a seca ainda pode agravar essa situação até dezembro – Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas aponta que a tendência é que o rio Negro tenha “repiquetes” até o último mês e volte a subir só em janeiro. Já o rio Acre, por exemplo, teve mínima histórica de 1,23 metro em Rio Branco no final de setembro.
Por outro lado, apesar de o desmatamento na Amazônia ter caído cerca de 30,6% entre agosto de 2023 e julho deste ano comparado a agosto de 2022 e julho de 2023 (ficou em 6.288 km² ante 9.064 km²), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a degradação da floresta, principalmente pelas queimadas, aumentou.
Segundo Machado, o desmatamento e a degradação têm impactos importantes no ciclo de chuvas da Amazônia. “Para haver os gases que formam as partículas, é preciso ter a floresta. Sem árvores e sem vapor na atmosfera, não há partículas, reduzindo ainda mais as chuvas.”
Com base nos dados do ATTO, o grupo conseguiu mostrar como a precipitação pode desencadear a formação de novas partículas no dossel da floresta. Localizado no meio da Amazônia, na Reserva Biológica de Uatumã, a cerca de 150 km ao norte de Manaus, o ATTO é administrado conjuntamente por cientistas do Brasil e da Alemanha. Tem uma torre com 325 metros de altura e outras duas de 80 metros.
Construção da ciência
Em 2016, o grupo já havia encontrado formação de novas partículas no topo da troposfera em torno de 14 km de altura, embora ainda não tivesse entendido o processo de formação e seu papel no clima. Um novo artigo está sendo preparado apresentando essas explicações.
Para descrever como essas partículas eram produzidas, os cientistas fizeram um experimento de campo, que chamaram de CAFE-Brazil, sigla em inglês para ‘Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil‘. “Em 2023, fizemos essas grandes quantidades de medida e chegamos a descrever todo o processo de como se formam as partículas lá em cima”, completa Machado.
Para as futuras pesquisas, apontam a necessidade de experimentos em câmaras no nível do dossel das árvores para controlar a concentração de ozônio e entender melhor sua influência na formação das partículas envolvidas na chuva.
A taxa oficial de desmatamento na Amazônia é de 6.288 km² para o período de agosto de 2023 a julho de 2024, segundo estimativa do sistema Prodes, do Inpe, divulgada no dia 06 de novembro. O resultado representa redução de 30,63% em relação ao período anterior, de agosto de 2022 a julho de 2023, e é a maior queda percentual em 15 anos.
Já no Cerrado, a taxa oficial de desmatamento para o período é de 8.174 km², a menor desde 2019. Houve queda de 25,7% em relação ao período de agosto de 2023 a julho de 2024, a primeira redução em cinco anos no bioma.
Os dados foram anunciados na última quarta-feira 6 de novembro, em ato no Palácio do Planalto, em que também foi assinado o pacto para para a prevenção e controle do desmatamento e de incêndios no Cerrado com os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba). A meta do governo federal é desmatamento zero em todos os biomas do país até 2030.
O Prodes usa imagens de satélites mais precisas (de 10 a 30 metros) do que as usadas em outro sistema do Inpe, o Deter, que emite alertas diários para apoiar a fiscalização em campo realizada por Ibama e ICMBio.
Com o resultado, houve uma redução nas emissões de gases de efeito estufa de 400,8 milhões de toneladas de CO2e por desmatamento na Amazônia e Cerrado em relação ao ciclo 2021/22.
Na Amazônia, o desmatamento caiu 45,7% nos últimos dois anos, após redução para 9.064 km² de agosto de 2022 a julho de 2023 — período que incluía cinco meses do governo anterior e sete da atual gestão. É a primeira vez desde o biênio 2004/2005 e 2005/2006 que há quedas consecutivas maiores que 25%.
De agosto de 2023 a julho de 2024, 78% dos 70 municípios considerados prioritários pelo MMA registraram queda do desmatamento. Em relação aos Estados, as maiores quedas foram em Rondônia (62,5%), no Mato Grosso (45,1%), no Amazonas (29%) e no Pará (28,4%). Apenas Roraima registrou aumento (53,5%).
No Cerrado, 76,4% do desmatamento ocorreu nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região, conhecida como Matopiba, concentra o desmatamento no bioma.
Os quatro estados registraram queda da área desmatada entre agosto de 2023 e julho de 2024, na comparação com o período imediatamente anterior. Na Bahia, a redução foi de 63,3%, seguida por 15,1% no Maranhão, 10,1% no Piauí e 9,6% no Tocantins.
Também nesta quinta, foi assinado um pacto entre o governo federal e os governadores do Matopiba para reforçar a ação conjunta na prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios no estado da região, resultado de trabalho iniciado em março com reunião liderada pelo ministro Rui Costa no Palácio do Planalto.
Entre outros objetivos, a parceria busca aumentar a atuação coletiva para identificar e aplicar sanções ao desmatamento ilegal em imóveis rurais da região, além de aprimorar as regras e processos para garantir transparência, compartilhamento de informações e formulação de estratégia para a conservação da água e dos ativos florestais de vegetação nativa nos diferentes ecossistemas do Cerrado no Matopiba.
A queda registrada pelo Prodes desde 2023 é resultado, dentre outras ações, da intensificação das ações de comando e controle nos dois biomas. De janeiro de 2023 a outubro de 2024, a média de autos de infração aplicadas pelo Ibama por infrações contra a flora na Amazônia foi 98% maior que a registrada de janeiro de 2019 a dezembro de 2022. No Cerrado, o aumento foi de 20% ao ano.
A redução reflete também a retomada da governança ambiental, com a retomada dos Planos de Ação Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, em junho do ano passado, e no Cerrado, em novembro.
Entre as ações no eixo de Atividades Produtivas Sustentáveis do plano destacam-se a adesão de 48 municípios prioritários ao Programa União com Municípios, que prevê investimentos de R$ 770 milhões para promover o desenvolvimento sustentável e combater o desmatamento e incêndios florestais; a criação da Estratégia Nacional de Bioeconomia; a ampliação de concessões florestais; a instituição do Programa de Aquisição de Alimentos e do Programa Cozinha Solidária; a retomada do Bolsa Verde, entre outras iniciativas.
No eixo de Monitoramento e Controle, além da retomada das ações de fiscalização do Ibama e do ICMBio, inclusive remotas, houve 73 ações civis públicas para reparação de danos ambientais na Amazônia; desintrusão das TIs Alto Rio Guamá (PA), Apyterewa (PA), Trincheira/Bacajá (PA), Yanomami (AM/RR) e Karipuna (RO); combate ao garimpo ilegal; e autorização de concurso público para Ibama, ICMBio, Funai, MMA e Inpe, entre outras medidas.
No eixo de Ordenamento Territorial e Fundiário, a Câmara Técnica de Destinação de Terras Públicas Federais Rurais foi reinstalada, e houve indicação de destinação de 13 milhões de hectares para a criação de unidades de conservação, concessões florestais e reconhecimento de territórios de povos e comunidades tradicionais.
Também foram homologados 810 mil hectares de terras indígenas e criados 304,4 mil hectares em unidades de conservação. Outras medidas incluem a criação de nova modalidade de reconhecimento de territórios de povos e comunidades tradicionais em áreas de florestas públicas federais não destinadas na Amazônia Legal e o lançamento do Programa Terra da Gente.
Já no eixo de Instrumentos Financeiros e Normativos foi retomado o Fundo Amazônia, com doações contratadas de R$ 1,4 bilhão, além de promessas que somam R$ 3,1 bilhões. Houve a retomada do Bolsa Verde; o Plano Safra como indutor de agricultura de baixo carbono (R$ 364 bilhões), com bônus de 1% na taxa de juros para CAR validado, a adoção de tecnologias sustentáveis e a restrição de crédito rural para CAR suspenso, com embargos e imóveis sobrepostos a TIs, UCs e Florestas Públicas Não Destinadas (Resolução nº 5081/23 do CMN). Também foi implementada a nota fiscal do ouro como ativo financeiro para combater o garimpo ilegal, entre outras medidas.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou os programas voltados ao apoio e desenvolvimento da agricultura familiar durante a Feira Agropecuária de Roraima, a Expoferr. A exposição é organizada pelo governo do estado de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação.
Um representante da Conab fez uma palestra sobre as Compras Institucionais, uma modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) utilizada para a aquisição de produtos da agricultura familiar, destinados ao atendimento de demandas de gêneros alimentícios e materiais de propagação vegetativa por órgãos compradores, além de possibilitar a doação aos beneficiário. A palestra foi realizada na tenda do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural de Roraima (Iater).
Os destaques apresentados durante a feira incluem o PAA, na modalidade de Compra com Doação Simultânea (CDS), que auxilia na comercialização de produtos da agricultura familiar. Por meio desse programa, o governo adquire a produção dos agricultores familiares com projetos aprovados, e esses entregam os alimentos diretamente para as entidades beneficiárias, como escolas, bancos de alimentos e cozinhas solidárias.
Foto: Reprodução/Governo de Roraima
Também foi divulgado o Programa de Venda em Balcão (ProVB), voltado a pequenos criadores de animais, que tem por objetivo viabilizar o acesso dos criadores rurais de pequeno porte aos estoques públicos de produtos agrícolas, por meio da venda direta, a preços compatíveis com os do mercado atacadista local. A Conab destacou ainda a atuação da estatal na Ação de Distribuição de Alimentos (ADA), na logística de armazenagem e nos levantamentos das safra de grãos, café e cana-de-açúcar, que contêm avaliações das principais culturas agrícolas em todo o país.
A Expoferr Show é considerada a maior exposição agropecuária de Roraima e traz as mais recentes inovações e tecnologias do setor agropecuário, com novidades em equipamentos, insumos e métodos de produção. Para esta edição, espera-se um público de cerca de 550 mil pessoas visitantes, com participação de mais de 300 expositores presentes. O evento tem como missão não apenas promover novos negócios, mas também contribuir para a economia regional, abrindo oportunidades e fortalecendo o desenvolvimento do estado.
O Governo Federal dará início, no dia 9 de novembro, à operação de desintrusão da Terra Indígena Munduruku (TIMU), localizada nos municípios de Jacareacanga e Itaituba, no estado do Pará. A ação visa remover invasores que realizam extração ilegal de ouro e garantir que o território permaneça exclusivamente com os 9.257 indígenas dos povos Munduruku, Isolados do Alto Tapajós e Apiaká.
Nos últimos anos, a área sofreu grandes danos devido ao garimpo ilegal. A TIMU foi priorizada para desintrusão por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709.
Coordenada pela Casa Civil, a operação envolve 20 órgãos federais, entre eles a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), demonstrando o amplo esforço do Governo Federal para proteger os direitos indígenas e o meio ambiente.
Entre os órgãos participantes estão: Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência da República, Secretaria de Comunicação Social (Secom), Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Defesa, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Ministério do Trabalho e Emprego, Estado-Maior das Forças Armadas, Funai, Ibama, Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Também haverá a participação de agências reguladoras federais que vão atuar na fiscalização.
O objetivo da desintrusão é garantir que os direitos da população indígena ao seu território sejam respeitados, preservando seus costumes, línguas, crenças e tradições. Além disso, a operação visa proteger as riquezas naturais da região, como fauna, flora, rios e minérios, fundamentais para a vida e cultura dos povos indígenas.
A força-tarefa atuará para garantir que a lei seja cumprida, removendo invasores e ocupações ilegais da Terra Munduruku, homologada em 25 de fevereiro de 2004. Essa ação reflete o compromisso do Governo Federal em proteger a Amazônia e os direitos dos povos originários.
*Com informações da Secretaria de Comunicação da Presidência da República