O Amazonas registrou uma redução de 70% nos focos de calor em janeiro de 2026. De acordo com dados do Programa Queimadas (BD Queimadas), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram contabilizados 18 focos no período, enquanto em janeiro de 2025 foram 60 registros. Os dados são monitorados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Na comparação com janeiro de 2025, a redução corresponde a 42 focos de calor a menos. O resultado reforça o cenário de queda observado no início de 2026, e indica menor incidência de alertas no território amazonense no recorte analisado.
A última vez em que o Amazonas registrou, em janeiro, um número inferior a 18 focos de calor foi em 2012, quando o estado contabilizou oito registros, segundo a série histórica do BD Queimadas.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, explicou que os dados do Inpe são acompanhados diariamente e subsidiam ações de prevenção, fiscalização ambiental e resposta às ocorrências em todo o estado.
Ainda segundo o gestor do Ipaam, a redução dos registros reflete o acompanhamento contínuo dos dados técnicos e o direcionamento das ações preventivas para áreas mais suscetíveis à ocorrência de queimadas.
“O monitoramento diário das informações do Inpe permite identificar os municípios com maior risco e orientar ações de prevenção e fiscalização. Esse trabalho técnico, aliado à integração entre os órgãos, tem sido fundamental para reduzir os focos de calor logo no início do ano”, destacou.
Redução de focos de calor é resultado de estratégias
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, ressaltou que o resultado registrado em janeiro é reflexo do trabalho estratégico que vem sendo estruturado pelo Governo do Amazonas, com foco na prevenção e na atuação integrada entre os órgãos ambientais.
“O Governo do Amazonas já iniciou 2026 com planejamento e articulação institucional. Estamos atuando de forma antecipada, com foco no combate ao desmatamento e na redução dos riscos ambientais para o período mais crítico, que costuma ser a partir do segundo semestre”, destacou o secretário da Sema.
No ranking dos municípios com maior número de focos de calor em janeiro de 2026, Autazes, Barcelos e Lábrea (respectivamente, a 113, 399 e 702 quilômetros de Manaus) aparecem com dois registros cada. Em janeiro de 2025, o cenário era diferente: São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros da capital) liderou o ranking, com 16 focos, seguido por Guajará (a 1.476 quilômetros de Manaus) com oito, e Barcelos com seis registros.
Foto: Reprodução/Universidade Federal do Mato Grosso
Com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o documentário ‘A Fala da Liberdade da Mulher Moçambicana’, que retrata a escritora Paulina Chiziane, foi lançado em 27 de janeiro, em Maputo (Moçambique).
A produção intercontinental é dirigida pelo professor da UFMT Celso Luiz Prudente e tem lançamento previsto para novembro de 2026 no Brasil, durante a 22ª Mostra Internacional do Cinema Negro (MICINE).
Segundo Prudente, o filme parte de uma reflexão sobre a presença e a voz das mulheres em um país marcado por processos históricos de ruptura.
“O tema central do filme é a mulher moçambicana. Moçambique passou por uma revolução anticolonizadora e, ao mesmo tempo, soube se atualizar como uma referência no respeito à questão de gênero”, afirma.
Foto: Reprodução/ Universidade Federal do Mato Grosso
Documentário une países
Para o diretor, registrar essa trajetória no audiovisual também amplia possibilidades de formação e diálogo: “A revolução tecnológica, que dá mais espaço ao cinema e ao audiovisual, permite relações pedagógicas que podem ser muito bem adotadas”.
Além do recorte social, o documentário destaca a relevância cultural de Paulina Chiziane, primeira romancista de Moçambique vencedora do Prêmio Camões, um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. “Quando uma mulher africana integra essa galeria, isso reforça a emergência do respeito à questão de gênero”, avalia Prudente.
*Com informações da Universidade Federal do Mato Grosso
Os povos indígenas são responsáveis por diversos costumes e tradições que preservam suas identidades e histórias. Uma dessas práticas é a pintura corporal, utilizada por várias etnias como uma forma de expressão cultural, espiritual e de pertencimento desses grupos originários.
Essas pinturas são feitas a partir de tinturas obtidas de elementos naturais como plantas, frutas, sementes e minerais. A preparação dos pigmentos é realizada de forma artesanal e cada tintura é utilizada conforme os costumes da etnia da região.
Saiba mais sobre como são feitas as colorações e quais tipos de elementos naturais são utilizados:
Urucum: vermelho
Obtida através da polpa do urucuzeiro, a semente de urucum é responsável pela cor vermelha. A extração consiste na mistura da semente amassada com óleo, como andiroba, que ajuda na fixação da cor na pele.
Cor vermelha é extraída da semente de urucum. Foto: Reprodução/Acervo Funai
Jenipapo: preto
Uma das tinturas mais utilizadas, o preto é extraído do fruto verde do jenipapo e o sumo é misturado com carvão para garantir uma tonalidade escura. Essa “tinta” é bem popular, pois a duração da fixação na pele é de aproximadamente 15 dias.
Corante natural da cor preta é retirado do fruto verde do jenipapo. Foto: Gustavo Giacon
Tabatinga: branco
Encontrada nas margens ou no fundo de rios, a tabatinga é uma argila clara, de alta viscosidade, que é bastante utilizada para a extração de pigmentos natural da cor branca voltada para pinturas artísticas.
Tabatinga é encontrada nas margens ou no fundo dos rios. Foto: Ulisses Pascarelli
Açafrão-da-terra: amarelo
A planta da mesma família do gengibre é utilizada para extração de tons amarelados, por meio de sua raiz seca e moída.
Raiz do Açafrão-da-terra. Foto:Divulgação/Instagram-emporiolitoral
Estudo sobre os elementos usados para as pinturas corporais
No artigo intitulado ‘O Uso de Corantes Naturais por Algumas Comunidades Indígenas Brasileiras: Uma Possibilidade para o Ensino de Química Articulado com a Lei 11.645/2008’, as pesquisadoras Vania da Costa Ferreira Vanuchi e Mara Elisa Fortes Braibante, apresentaram a descrição química de alguns corantes naturais e quais comunidades indígenas utilizam as colorações para as pinturas corporais:
Quadro explicativo dos corantes naturais utilizadas pelas respectivas comunidades indígenas. Imagem: Reprodução/O Uso de Corantes Naturais por Algumas Comunidades Indígenas Brasileiras: Uma Possibilidade para o Ensino de Química Articulado com a Lei 11.645/2008Indígena realiza pintura corporal com tinta de urucum para o ritual do Kuarup, no Parque do Xingu (MT). Foto: David Ribas/Funai
Além disso, as pesquisadoras também descreveram o modo como determinadas comunidades indígenas realização a extração dos pigmentos como, por exemplo, o urucum.
“Os Asurini do Trocará (TO), os Xikirin (PA) e os Karajá (MT) amassam as sementes com as mãos e espalham pelo corpo. Já os Xerentes (TO) obtêm a tintura por meio da fervura prolongada da semente de urucum e após esfriar, espalham pelo corpo. Por outro lado, os indígenas do Alto Xingú ralam as sementes, peneiram e fervem em água até formar uma pasta”, especificam.
Flor-de-carajás (Ipomoea cavalcantei), que é restrita ao Pará e está ameaçada de extinção
Ameaçada de extinção e com ocorrência restrita ao Pará, a flor-de-Carajás (Ipomoea cavalcantei) ajusta suas taxas de crescimento e fecundidade de acordo com as condições microclimáticas do ambiente. É o que aponta um estudo publicado na revista New Phytologist nesta quinta-feira (12).
O achado, que é fruto de uma colaboração entre o Instituto Tecnológico Vale e diversas instituições brasileiras, como a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), pode orientar planos de conservação para essa e outras espécies endêmicas.
A equipe acompanhou populações naturais da flor-de-Carajás em duas áreas distintas de cangas (afloramentos de rochas ferruginosas) na Floresta Nacional de Carajás, no sudeste do Pará: a canga aberta, marcada por altos níveis de radiação, alta incidência de luz e temperaturas elevadas, e a canga arbustiva, com condições climáticas mais amenas.
Centenas de plantas foram marcadas e medidas entre 2022 e 2024 para avaliar crescimento, sobrevivência, recrutamento e produção de sementes, enquanto sensores instalados no solo registraram as variações de temperatura e luz.
Paralelamente, os pesquisadores realizaram experimentos controlados de germinação, quebra de dormência e estabelecimento de plântulas (embriões vegetais já desenvolvidos que emergem da semente), expondo sementes e plantas jovens a diferentes regimes que simulam as condições naturais de seus habitats. O desempenho das populações foi comparado a partir dos resultados.
Na canga arbustiva, as plantas apresentaram maiores taxas de crescimento e produção de sementes, embora apenas um número reduzido de sementes tenha conseguido germinar e se estabelecer. Já na canga aberta, as sementes da flor-de-Carajás exibiram maior proporção de germinação e, consequentemente, maior número de plântulas, mas atingiram menores tamanhos na fase adulta.
“O estudo mostra que populações em ambientes contrastantes apresentam crescimento populacional semelhante, mas sustentado por conjuntos diferentes de taxas vitais”, diz Talita Zupo, autora do estudo.
Na prática, isso indica que ambientes mais “estressantes”, como a canga aberta, não devem ser automaticamente descartados como prioritários para a conservação, pois podem sustentar populações viáveis por meio de estratégias distintas.
“Em cangas abertas, ações que favoreçam recrutamento e estabelecimento inicial podem ser mais eficazes, enquanto a manutenção da sobrevivência e do crescimento de indivíduos adultos pode ser mais crítica em cangas arbustivas”, exemplifica a pesquisadora.
Fotos: Júlia Ramos/Prefeitura de Parauapebas
Desafios da espécie no Pará
O mecanismo identificado no estudo, conhecido como compensação demográfica, pode aumentar a resiliência da espécie diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. “A compensação demográfica pode permitir que a espécie mantenha seu crescimento populacional semelhante mesmo quando condições ambientais mudam, desde que as mudanças afetem diferentes taxas vitais de forma assimétrica, como reduzindo o crescimento, mas favorecendo o recrutamento, por exemplo”, aponta Carolina Carvalho, também autora do trabalho.
No entanto, o trabalho indica que essa estratégia também tem limites. “Temperaturas muito elevadas ou condições fora dos limiares fisiológicos podem comprometer várias taxas vitais simultaneamente e reduzir a capacidade de sobrevivência”, diz.
Para as autoras, a principal lição deixada pelo estudo é a de que os detalhes importam quando o tema é a conservação de espécies endêmicas. “Vimos que diferenças de poucos graus na temperatura do solo ou variações na incidência de luz alteram a quebra de dormência, modificam taxas de germinação e influenciam no crescimento e no desempenho fotossintético”, destacam.
“Abordagens baseadas apenas em clima regional ou médias ambientais podem mascarar mecanismos-chave que operam em escalas finas”, ressaltam.
Os achados da pesquisa podem ser essenciais para a otimização de planos de conservação focados nas necessidades das populações de cada habitat. “Para espécies ameaçadas e endêmicas, como a Ipomoea cavalcantei, incorporar o microclima nas estratégias pode nos ajudar a melhorar previsões sobre a vulnerabilidade da espécie frente mudanças ambientais e informar ações de restauração mais eficazes”, pontua Carvalho, reforçando a necessidade de conservar mosaicos ambientais, não apenas alguns tipos de habitat.
“Políticas de conservação devem buscar preservar a heterogeneidade ambiental, pois é justamente essa variação que permite a compensação entre taxas vitais e sustenta a persistência da espécie”, conclui.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
O prédio administrativo da UNIR, onde funcionou um hotel, é tido como mal-assombrado. Foto: Arquivo Público
Sexta-Feira 13. O dia sempre desperta mais do que apenas superstições em Porto Velho. A cidade está inserida no folclore amazônico, rico em figuras como o Mapinguari, Matinta-Perera, Saci-Pererê e Lobisomem. Mas a capital rondoniense também nutre um folclore próprio: as lendas urbanas. Descritos pela gíria local como ‘cabulosos’ — termo que evoca mistério e perigo —, esses causos de arrepiar atravessam gerações, habitando o limite entre a ficção e os registros históricos da cidade.
O Mistério do Major Amarante
O Cemitério dos Inocentes é um dos cenários das visagens locais. O relato mais emblemático envolve o túmulo do major Emanoel Silvestre do Amarante, genro do marechal Rondon. Amarante, morto de febre tifoide em 1929, teria se transformado em uma cobra imensa que aparecia em noites de lua cheia. O militar, vaidoso e poliglota, delirou no leito de morte dizendo que não queria partir para o além — e sua recusa o manteve “vivo”.
Desde então, corre a lenda de que uma cobra imensa habita sua sepultura, que frequentemente amanhecia trincada em noites de lua cheia e tempestades. Popularmente, dizia-se que a serpente era a transfiguração do próprio major, que em vida fora um poliglota e inventor brilhante.
Outro ponto de assombro é o Cemitério da Candelária, onde repousariam os restos de uma mulher que, segundo a tradição oral, tirou a própria vida após uma desilusão amorosa com um engenheiro da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A lenda diz que, como “castigo”, uma castanheira brotou de seu túmulo, fundindo-se ao cadáver e transformando-se na temida Mulher-Árvore.
A historiadora Yêdda Borzacovi, nascida em 1939 e testemunha ocular da era de ouro da ferrovia – que é o epicentro da cidade –, recorda que os sussurros e o arrastar de correntes eram relatos comuns. Com cerca de seis mil mortes registradas durante a construção da EFMM, entre 1907 e 1912, a crença popular é de que muitos trabalhadores, vindos de mais de 50 países, nunca deixaram os trilhos, permanecendo em busca de um caminho de volta para casa.
Muitas aparições foram registradas ao longo dos anos: de ferroviários caminhantes a navios-fantasmas navegando o Madeirão.
Na região do Baixo Madeira, especialmente na comunidade Nazaré, há incontáveis histórias.
Prédios que falam
A arquitetura histórica de Porto Velho também guarda seus segredos. No prédio da Universidade Federal de Rondônia, no Centro Histórico, antigos vigilantes noturnos relatam lamentos e o som de portas batendo nos corredores onde outrora funcionou um hotel. Já um casarão, onde viveu uma tradicional família, é alvo de temor por quem transita pela rua José Bonifácio durante a madrugada, com relatos de vozes que emanam de seu gradil centenário.
A escritora Sandra Castiel compartilha memórias pessoais de um casarão já demolido na Rua Campos Salles. Ela morou no local com pais e irmãos, no início da década de 1960. E recorda o susto da cozinheira da família ao ouvir crianças brincando na cozinha vazia e no pomar. e a sensação nítida de uma presença andando pelos corredores.
O capiroto da casa de shows
As lendas não ficaram presas ao passado. Em 2011, as redes sociais de Porto Velho foram tomadas pelo relato de uma aparição em uma casa de shows local. Um homem elegantemente trajado, com terno e chapéu brancos, teria derretido durante uma dança, revelando chifres e rabo antes de desaparecer no banheiro, deixando apenas as roupas para trás. O episódio, que remete à estética da boemia antiga da cidade, dos tempos do Ciclo da Borracha, com homens vestidos de roupas de linho, chegou a causar desmaios e se tornou um dos primeiros fenômenos virais de terror na internet rondoniense.
Por que o medo da Sexta-Feira 13?
A mística em torno da data é uma construção que une religião e cultura pop. No cristianismo, o número 13 é associado à Última Ceia (Jesus e os 12 apóstolos, sendo o 13º o traidor Judas) e a sexta-feira é o dia da crucificação.
Na matemática simbólica, o 13 rompe a perfeição do número 12 (meses do ano, signos do zodíaco). O medo é tão real para alguns que possui nome científico: parascevedecatriafobia. O cinema, com franquias como “Sexta Feira 13”, apenas selou o destino da data no imaginário coletivo como o dia oficial do terror.
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Localizada na Galeria de Arte Juvenal Antunes, em frente ao Calçadão da Gameleira, em Rio Branco (AC), a Casa do Artesanato Acreano registrou movimentação superior a R$ 443,5 mil em 2025 com a venda de peças produzidas por 130 artesãos que expõem no espaço. O ponto reúne trabalhadores de diferentes regiões do estado e tem ampliado a circulação de produtos ligados à cultura tradicional acreana.
Os dados são da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), responsável pela coordenação do espaço. Além do volume financeiro alcançado neste ano, a estrutura contribuiu para manter 2.356 artesãos com cadastro ativo e regular no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), abrangendo profissionais de todas as regionais do Acre.
Segundo a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano e coordenadora estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Risoleta Queiroz, com o registro em dia, os artesãos passam a ter acesso a políticas públicas e de incentivo para a comercialização de suas peças. O apoio é oferecido pela Sete, por meio da coordenação estadual do PAB, do governo federal.
“[A casa do] Artesanato Acreano incentiva os artesãos a participarem de capacitações e consultorias, criando oportunidades de desenvolver novos produtos para o mercado”, destaca a coordenadora.
A coordenadora Risoleta Queiroz. Foto: Dharcules Pinheiro/Secom ACAcessórios para celular são novidade na Casa. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom AC
A Casa também apoia a participação em feiras regionais, nacionais e internacionais. “Nosso estado é um dos que mais vendem nas feiras nacionais. O artesanato tem se destacado muito, tanto local quanto nacionalmente, e até internacionalmente”, ressalta.
Trajetória empreendedora
Expondo na Casa desde a fundação, Márcia Silvia de Lima é uma artesã que saiu da falência de uma empresa para se tornar uma empreendedora de sucesso.
“Eu já gostava de fazer artesanato, mas foi depois da falência da minha empresa que precisei viver exclusivamente desse trabalho. A primeira experiência foi no antigo Mira Shopping [em Rio Branco], onde fui convidada a expor meus produtos, e dali surgiram novas oportunidades”, relata.
Artesã começou aos poucos e chegou a firmar parcerias internacionais. Foto: Márcia Lima/Acervo pessoalBolsa feita de sementes, da artesã Márcia Silvia. Foto: Márcia Lima/Acervo pessoal
Apesar dos desafios, a artesã não desistiu e, com o início da exposição de seus trabalhos na Casa do Artesanato, passou a ser reconhecida pelas instituições públicas e privadas. Márcia chega a atuar em feiras como instrutora, por meio do PAB Acre e Nacional.
“Meu carro-chefe são os colares feitos com a semente da jarina lapidada e torneada. Também produzo pulseiras, brincos, colares decorativos, chaveiros e bolsas confeccionadas com a semente, que têm boa aceitação do público”, explica.
Recentemente, a empreendedora expôs na COP30, no espaço Green Zone e no Espaço Chico Mendes. Além disso, suas peças já compuseram o figurino de desfiles de moda no Brasil, como a São Paulo Fashion Week, e em Paris, além de receber menções na revista Vogue, por meio de parcerias com lojistas conceituados do país.
Apesar dos avanços, Márcia aponta que ainda existem desafios a serem enfrentados, especialmente em relação ao consumo local.
“O maior desafio é a conscientização do próprio acreano em valorizar e comprar o artesanato do Acre. Falta incentivo ao comércio justo, mas seguimos firmes, pois contamos com o apoio do governo”, afirma.
Sobre a presença na Casa do Artesanato Acreano, Márcia enfatiza: “É um espaço fundamental de divulgação e comercialização. Através dela, conquistei novos clientes e recebi pedidos de lojistas de outros estados”.
Cerca de 130 artesãos expõem peças na Casa do Artesanato Acreano. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom ACPeças de madeira de manejo também são destaques na Casa do Artesanato. Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom AC
Avanços
Em 2025, além da participação em feiras nacionais e capacitações, a Casa do Artesanato promoveu o cadastramento de artesãos em diversos municípios do Acre. Como resultado, 420 novos artesãos foram registrados no Sicab.
Casa do Artesanato Acreano dedica espaço para arte indígena. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom ACSuvenires do Acre são destaque na Casa do Artesanato. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom
Como expectativa para 2026, o artesanato acreano prossegue avançando. Neste ano, em reconhecimento pela atuação para o fortalecimento das políticas públicas do artesanato, o PAB irá entregar, ao Estado do Acre, novos equipamentos, que irão fortalecer a estrutura e a logística do setor.
Entre os investimentos estão um caminhão-baú, que irá contribuir no transporte de peças maiores, especialmente de madeira, para feiras nacionais; e uma caminhonete S-10, que facilitará o acesso aos municípios do interior.
O Estado ainda irá receber dois tablets, dois computadores, um celular e uma impressora, possibilitando a emissão da Carteira do Artesão em formato de cartão, que substituirá o modelo impresso em papel.
Cadastro de expositor na Casa do Artesanato Acreano
Para expor peças na Casa do Artesanato Acreano, os artesãos interessados devem estar cadastrados no Sicab, apresentar documentos pessoais e duas peças de sua autoria que tenham passado por curadoria para emissão da Carteira do Artesão.
Inaugurada em 2023, no Parque da Maternidade, a Casa do Artesanato Acreano foi reinaugurada em 2024 na Galeria de Arte Juvenal Antunes.
Artesãos de todo o estado podem expor na Casa do Artesanato Acreano. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom
Roraima registrou crescimento de 231,9% nas exportações de bovinos em 2025, segundo a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr). Ao todo foram enviadas 70.931 cabeças de gado para outros Estados brasileiros, frente a 21.367 em 2024. Os animais foram destinados para abate, engorda, esporte, exposição e recria.
O principal destino das remessas foi o Amazonas. O Estado liderou o ranking de importações com 62.188 cabeças de gado de Roraima, um aumento de 209,8% em relação a 2024, quando foram adquiridos 20.069 animais.
Outro destaque foi Rondônia, que não havia recebido bovinos roraimenses em 2024 e passou a importar 3.867 cabeças em 2025. Além disso, houve crescimento das exportações para Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, que juntos adquiriram quase 6 mil animais no período analisado.
De acordo com a Aderr, o avanço é resultado de fatores como o aumento das exportações brasileiras de carne para o mercado internacional e a redução da oferta de animais em outras praças pecuárias, o que levou compradores a buscarem reposição de rebanho em regiões mais distantes.
presidente da Aderr, Marcelo Parisi, explicou que a diminuição da oferta de outros mercados para o pecuarista de recria e engorda fez com que criadores buscassem reposição fora de seus Estados de origem.
“Temos observado que, nos últimos anos, o pecuarista de Roraima tem investido bastante em melhoria da qualidade genética do rebanho. Isso representa uma carcaça melhor, um animal mais precoce entrega de uma carne melhor para o frigorífico”, comentou o presidente da Aderr.
Foto: Divulgação/Aderr e Secom-RR
Parisi acrescenta que frigoríficos do Amazonas têm priorizado a compra de animais vivos no estado justamente por essa evolução do rebanho: “Então, esses são os principais fatores que permeiam esse aumento, além do preço atrativo do animal aqui do Estado”.
Ainda segundo Parisi, as políticas sanitárias também tem protagonismo no resultado alcançado. Em maio de 2025, Roraima recebeu o certificado de livre da aftosa sem vacinação, concedido pela OMSA (Organização Mundial da Saúde Animal).
“Isso traz condições favoráveis para o nosso produtor, que poder exportar e buscar um mercado melhor para o seu rebanho. Então, isso gera receita para o estado e para as propriedades rurais que também voltam a reinvestir esses valores para que tenhamos uma pecuária cada vez mais forte em Roraima e possamos entregar cada vez mais qualidade para o consumidor”, afirmou o presidente da Aderr.
Sabe aquele plástico que utilizamos para embalar alimentos? Seu tempo de decomposição é de 400 a 1000 anos. O descarte irregular desse filme é preocupante, pois, além de acentuar a poluição ambiental, também é um problema de saúde pública para quem vive nos arredores de onde ele é descartado.
Como alternativa sustentável, surgem os bioplásticos com propriedades físicas e químicas semelhantes, ou até superiores aos plásticos comuns, por serem renováveis e abundantes. Podendo ser feitos com matérias-primas como a celulose e proteínas naturais, os plásticos biodegradáveis feitos com o amido de mandioca também seriam grandes aliados para uma produção sustentável.
É o que explica a pesquisa intitulada ‘Filme de Amido de Mandioca Reforçado com Compostos Amazônicos e Vanadato de Bismuto’, conduzida pela aluna de graduação Manuelly Cassila Castro Sousa, vinculada à Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (Facet/Campus Abaetetuba) da UFPA.
O relatório compõe o Plano de Trabalho Síntese de Compostos utilizando os Polímeros Naturais da Amazônia, coordenado pela professora e orientadora da pesquisa, Cleidilane Sena Costa.
“Estimativas indicam que já foram produzidos oito bilhões de toneladas de plástico convencional e apenas 9% desse total foram reciclados. Isso prejudica vidas como a minha, de ribeirinhos que veem seus rios poluídos. Então, procuramos uma alternativa econômica, com elementos plastificantes, alguns presentes na natureza, para diminuir os impactos ambientais”, ressalta Manuelly Sousa, autora da pesquisa.
Foto: Alexandre de Moraes/Jornal Beira do Rio
A estudante construiu sua pesquisa em duas etapas: uma com revisão bibliográfica sobre compostos favoráveis para produzir filmes biodegradáveis e outra com testes de aparência e concentração desses elementos.]
Produzindo e caracterizando o bioplástico no laboratório
Para construir o bioplástico, Manuelly Castro Sousa utilizou o amido de mandioca por ser um polímero natural e apresentar estrutura química passível de modificação, o que permite ajustar suas propriedades físico-químicas e ampliar sua durabilidade.
Para aprimorar a flexibilidade e resistência do filme, ela adicionou o extrato alcoólico da Vismia guianensis (Extrato Alcoólico de Vismia Guianenis, do inglês, Vismia Guianensis Alcoholic Extract), popularmente chamada de “lacre”, uma seiva vegetal amazônica que age como plastificante natural por sua alta eficiência e boa compatibilidade com amido. Para finalizar, Manuelly utilizou o vanadato de bismuto (BiVO₄), composto inorgânico sólido de coloração amarela vívida.
Exemplo de bioplástico feito com amido de milho. Foto: Crystofher Andradeg
Ela dissolveu o pó do amido de mandioca e manteve em agitação constante, à temperatura ambiente, por alguns minutos. Após deixar a solução homogênea, adicionou 0,2% de Vismia guianensis diluída em álcool isopropílico. Em seguida, adicionou glicerol e, por fim, inseriu o vanadato de bismuto, diluído em álcool isopropílico. As diluições servem para evitar aglomerados do composto no produto final.
A mistura esteve em agitação e depois se aumentou a temperatura até atingir 70º C, quando atingiu aspecto gelatinoso. Após isso, a solução foi centrifugada e dispersada, por cisalhamento, em substrato, secando naturalmente. O resultado gerou duas amostras, uma com baixa e outra com alta concentração de vanadato de bismuto, nomeadas como F1 e F2, respectivamente.
“Para caracterizar cada amostra, usamos a Difração de Raio-X (DRX), para analisar a cristalinidade; a Transmitância Óptica, que fornece a quantidade de luz que as amostras transmitem; a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), para analisar os detalhes da superfície e espessura do filme; e o Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR, do inglês, Fourier Transform Infrared Spectroscopy), técnica para investigar as interações químicas por meio da absorção da radiação infravermelha”, explicou Manuelly.
A pesquisadora percebeu que a amostra F1 era pouco cristalina, apresentava transparência parcial e com maior interação com o vanadato de bismuto, resultando em maior transmitância e homogeneidade química. Já a F2 era mais cristalina, opaca e porosa, sendo mais rígida. “Essas diferenças ajudam no ajuste das propriedades do bioplástico com a aplicação desejada, sendo a amostra F1 mais promissora para embalagens que demandam mais inspeção visual e a amostra F2 para embalagens protetoras de produtos sensíveis à luz”, finalizou ela.
Polímero: é uma molécula grande (macromolécula), formada pela união de moléculas menores (monômeros). O polímero do amido é formado pelas macromoléculas amilose e amilopectina e por monômeros de glicose. O polímero seria a estrutura química do amido, o que forma a molécula. Eles podem ser naturais (formados por reações naturais), como o amido, que pode ser encontrado em alimentos como o trigo e o polvilho doce (amido de mandioca), ou sintéticos (reações realizadas pelo ser humano), como o policloreto de vinila (PVC), utilizado em tubos e revestimentos.
Foto: Crystofher Andrade
Sobre a pesquisa
A pesquisa intitulada “Filme de Amido de Mandioca Reforçado com Compostos Amazônicos e Vanadato de Bismuto”, de autoria de Manuelly Cassila Castro Sousa (Facet UFPA/Campus Abaetetuba) e orientada pela professora Cleidilane Sena Costa, foi apresentada no Seminário de Iniciação Científica da UFPA (Seminic), em 2025.
Manuelly Cassila Castro Sousa, 21 anos, cursa o 6o semestre de Licenciatura em Física pela UFPA/Campus Abaetetuba. Com interesse nos estudos da produção de filmes finos biodegradáveis e outros polímeros da Amazônia, planeja realizar pós-graduação na mesma área. Fora da pesquisa, a leitura e o violão são suas paixões.
Para quem deseja entrar na pesquisa, ela aconselha a persistência: “Não desista nas primeiras dificuldades. Muita gente vê nossos trabalhos e pensa que é algo internacional, mas fazemos com o pouco que temos aqui. Na pesquisa, às vezes, pensamos: ‘Será que todo esse trabalho vai gerar algum resultado favorável?’ Mas nada é perda de tempo, cada parte é importante ali”, afirma.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, escrito por Karina Mendes
A Bemol é uma empresa tradicional reconhecida pelas transformações e adaptações que tem passado para colaborar com o crescimento do Amazonas e da região Norte. Foi fundada em 1942 pelos irmãos Samuel, Israel e Saul Benchimol.
Agora, na terceira geração, a empresa é liderada pelo diretor-presidente Denis Minev e o vice-presidente e diretor financeiro Marcelo Forma.
Nascido em São Paulo, Forma conta sobre sua trajetória em uma das principais empresas da região e sua experiência em áreas como varejo, e-commerce e serviços financeiros do Grupo Bemol.
Marcelo Forma enfatiza a cultura de inovação da empresa, o apoio ao empreendedorismo local através de iniciativas como o crediário parceiro e o marketplace. Ele também comenta sobre a expansão da Bemol nos estados da Amazônia e o foco em crescimento regional.
“Em quatro estados, temos 37 lojas, 45 farmácias, quatro mercados, 22 loterias, 23 agências da Conta Bemol. E agora um novo experimento, uma novidade: estamos testando uma clínica de saúde Bemol”, revela.
Ele destaca ainda, diante de todo este cenário, a alegria que sente em contribuir para o desenvolvimento regional através da Bemol:
“Eu acordo todo dia feliz, animado, sabendo que eu estou contribuindo para o desenvolvimento, primeiro, da região, para o desenvolvimento do setor. A gente diz, aqui na Bemol, que a gente tem um propósito: que ser a empresa mais confiável da Amazônia e estar presente na vida dos nossos clientes todos os dias”.
O empresário é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo Amazon Sat. Assista:
Apesar de abrigar a maior floresta tropical do planeta, a biodiversidade da Amazôniaainda é pouco conhecida do ponto de vista científico, especialmente em suas áreas mais remotas. Um novo estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B mostra que essa lacuna de conhecimento não apenas se limita a grandes animais ou plantas, mas também afeta grupos menos visíveis e igualmente essenciais.
Moscas sarcosaprófagas. Foto: Divulgação
A pesquisa identifica onde estão e quais fatores direcionam os vazios sobre o conhecimento das moscas sarcosaprófagas, insetos associados à matéria orgânica animal e essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.
O estudo revela que o esforço científico dedicado a esse grupo é desigual no território amazônico, concentrando-se principalmente em áreas mais acessíveis, próximas aos grandes rios da região. Regiões remotas, muitas delas com alto valor de conservação, ainda permanecem pouco estudadas.
Intitulado Accessibility drives research efforts on Amazonian sarcosaprophagous flies, o estudo foi conduzido por Bruna Façanha (Unifap/UFPA), Raquel Carvalho (USP), Rony Almeida (UFS), Filipe França (University of Bristol/UFPA), José Roberto Sousa (Uema), Maria C. Esposito (UFPA) e Leandro Juen (UFPA). Os pesquisadores compilaram e analisaram mais de 8 mil registros de ocorrência de moscas decompositoras das famílias Calliphoridae, Mesembrinellidae e Sarcophagidae em toda a Amazônia brasileira.
Divulgação / INCT-SinBiAm
As moscas sarcosaprófagas são insetos importantes para a decomposição da matéria orgânica, para a saúde pública e para a ciência forense. A pesquisa investigou como o conhecimento sobre esses insetos está distribuído no espaço e quais fatores explicam os vieses de coleta observados. Para isso, os autores comparam os dados reais com um modelo nulo, que simula uma “Amazônia idealmente amostrada”, na qual todas as áreas teriam a mesma probabilidade de serem estudadas.
Os resultados revelam um padrão preocupante: cerca de 40% das áreas florestais apresentam probabilidade de conhecimento científico inferior a 10%. Em contraste, regiões mais acessíveis, muitas vezes já degradadas, concentram a maior parte dos registros disponíveis. Esse padrão se repete tanto na análise das famílias quanto na das espécies mais bem representadas nos bancos de dados, indicando que as lacunas de conhecimento não se restringem a um recorte taxonômico, por exemplo.
“Essas moscas respondem rapidamente às mudanças ambientais e prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como a decomposição da matéria orgânica. Ignorá-las significa perder informações valiosas sobre a saúde das nossas florestas”, explica a primeira autora do estudo, Bruna Façanha, pesquisadora da UFPA.
O estudo indica que a acessibilidade é um dos principais fatores que orientam o esforço de pesquisa na Amazônia. Estradas, rios, cidades e a proximidade de centros de pesquisa, onde estão concentrados os especialistas de diferentes grupos, facilitam a coleta de dados. Em contraste, regiões isoladas, mesmo quando altamente preservadas, permanecem praticamente desconhecidas para a ciência. Isso indica que a ciência não apenas deixa de alcançar essas áreas, mas também investe de forma desproporcional aonde já é mais fácil de chegar e realizar as coletas de biodiversidade.
O estudo reforça que não basta intensificar o esforço de pesquisa nos mesmos locais. Para reduzir efetivamente as lacunas de conhecimento, é fundamental investir em expedições direcionadas a áreas distantes e historicamente negligenciadas, aliadas a parcerias sólidas com comunidades locais e tradicionais, que conhecem profundamente o território, seus ciclos naturais e suas transformações.
“Para compreender de fato esses organismos, precisamos levar a pesquisa para regiões distantes e ainda pouco conhecidas, onde grande parte da biodiversidade permanece invisível para a ciência. Trata-se de uma ciência feita com e para as pessoas que vivem na Amazônia”, completa Bruna Façanha.
Todos os autores participam de redes científicas como o INCT-SinBiAm, o Capacream e a Rede Amazônia Oriental (AmOr), iniciativas que integram diferentes projetos, instituições e setores da sociedade para a produção e integração de dados, formação de pesquisadores e geração de conhecimentos para informar a recuperação e conservação da Amazônia.
“A ciência em rede permite somar esforços, compartilhar infraestrutura e conduzir pesquisas mais justas e representativas. Sem parcerias locais, é impossível avançar de forma ética e eficiente na Amazônia”, reforça o professor Leandro Juen, coordenador do INCT-SinBiAm e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).