Documento disponível na exposição virtual. Foto: Reprodução/ Agência Pará.
O Arquivo Público do Estado abre a exposição ‘A Adesão do Pará à Independência do Brasil: Registros do Arquivo Público’. A mostra, que acontece de forma virtual, apresenta documentos produzidos antes e depois da adesão, permitindo ao público conhecer os bastidores de um dos momentos mais marcantes da história regional.
Essa é a segunda vez que o Arquivo realiza uma exposição virtual. A primeira aconteceu em junho deste ano. A ideia de promover uma exposição virtual surgiu com o objetivo de incentivar o acesso aos documentos presentes no Arquivo, que no momento se encontra fechado devido a obras no espaço.
No site da Secult, o público poderá conferir os documentos digitalizados e as suas respectivas transcrições para facilitar a leitura dos mesmos. A mostra ficará disponível até dia 31 de agosto.
Segundo o diretor do Arquivo, Leonardo Torii, a proposta é “contextualizar esse evento tão importante para a história da nossa região para um público muito variado”. Ele explica que, por meio dos registros, presentes no Arquivo, será possível “visualizar todas as tramas, as negociações, os dramas de diversas autoridades, com outras autoridades do reino de Portugal e autoridades do reino do Brasil”.
A iniciativa também busca ampliar o acesso à informação, já que a exposição ocorre de forma online. “A ideia é democratizar a informação através dessa exposição virtual, já que o arquivo encontra-se fechado”, acrescenta Torii.
Em 2025, o Arquivo Público do Pará completou 124 anos de história, com um acervo de 4 milhões de documentos datados de diferentes períodos históricos do estado e do Brasil. Entre iconografias, dados estáticos, inquéritos policiais, entre outros, o equipamento, administrado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), representa a história e o legado de uma civilização.
*O conteúdo foi originalmente publicado na Agência Pará e escrito por Painah Silva.
O Tocantins possui uma fauna bastante rica e diversificada, já que possui espécies de animais encontrados em dois biomas, o Cerrado e a Amazônia.
“O Tocantins, por estar na encruzilhada entre Cerrado, floresta e áreas de transição, representa uma zona de grande biodiversidade, mas também de alta vulnerabilidade ambiental, com impactos crescentes causados pela expansão agropecuária e hidrelétricas”, declarou o biólogo João Pedro Costa Gomes.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo João Pedro Costa Gomes para destacar alguns animais que são a cara de Tocantins e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Lobo guará
O lobo-guará, maior canídeo da América do Sul, possui pelagem avermelhada, patas longas e aparência esguia. É um animal solitário e onívoro, que se alimenta de pequenos animais e frutos, incluindo a famosa fruta do lobo, a lobeira.
Por sua presença simbólica e vulnerabilidade, tornou-se um dos ícones da conservação no Cerrado. No entanto, a perda de habitat, a caça, a expansão da agricultura e atropelamentos são as principais ameaças a espécies, que, conforme a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), é uma espécie ‘quase ameaçada’. Esse fator também acabou levando alguns exemplares da espécie a serem encontrados na região amazônica do estado.
“Apesar de adaptável, sofre com a fragmentação de habitat, atropelamentos e doenças transmitidas por cães domésticos”, afirmou o biólogo.
O tatu-canastra, maior tatu do mundo, possui uma carapaça robusta e garras enormes que o animal utiliza para escavar túneis profundos para se refugiar do calor e dos predadores. Além disso, o tatu é animal noturno e discreto, essencial para o ecossistema, pois suas tocas são utilizadas por animais de outras espécies.
As principais ameaças para a espécie são incêndios, agricultura, desmatamento, aumento da matriz rodoviária e caça. De acordo com Costa Gomes, a espécie está cada vez mais rara devido à caça e à degradação ambiental do seu habitat.
Tatu-canastra. Foto: Bradley Davis
Tamanduá-mirim
O tamanduá-mirim é menor que o tamanduá-bandeira, mas é igualmente importante no controle de cupins e formigas. O animal possui pelagem amarelada e espécie de ‘colete’ preto ao redor do peito.
A espécie, que pode ser vista escalando árvores em busca de ninhos de insetos, possui como principais ameaças a perda de hábitat, a conversão de terra para atividade agrária, a predação por espécie exótica, o desmatamento e a caça.
“A espécie vive solitária e tem hábitos tanto diurnos quanto noturnos, sendo relativamente comum, mas vulnerável ao desmatamento e atropelamentos”, afirmou o biólogo.
Tamanduá-mirim. Foto: Frederico Acaz Sonntag
Arara canindé
Além das indicações do professor, de acordo com dados do Instituto Arara Azul, também se pode destacar a arara-canindé, animal símbolo do Estado do Tocantins. A arara, pertencente à família dos psitacídeos, possui coloração azulada em seu dorso e amarelo em seu ventre, além de possuir o rosto branco com penas faciais pretas junto ao seu pescoço.
Por estar situada nas cidades, os impactos urbanos, como atropelamentos e conflitos com seres humanos, são considerados grandes ameaças à espécie. Além disso, a destruição, a poluição, o desmatamento de seu habitat natural e a caça para tráfico de animais também são ameaças à sobrevivência da espécie.
Dados do ICMBio também destacam o pato-mergulhão como um destaque no Tocantins. Isso porque a ave é considerada uma das espécies mais raras do mundo, e já foi considerada extinta entre 1940 e 1950. Atualmente estima-se que a população total da espécie seja de aproximadamente 250 indivíduos.
A ave é monogâmica, sedentária e interage com outros animais apenas em um determinado trecho do rio. Além disso, suas principais ameaças são a expansão de atividades agropecuárias e o barramento dos rios, causando a perda e a degradação do habitat natural da espécie, que é considerada pouco tolerante a impactos e à presença humana em seu habitat.
pato mergulhão. Foto: Claudia Brasileiro
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
O estado do Pará, pertencente ao bioma amazônico, conta cerca de 300 espécies de mamíferos e 1,3 variedades de espécies de aves. Grande parte desses animais são endêmicos, ou seja, só ocorrem na floresta amazônica ou no estado paraense.
“O Pará possui um contraste marcante entre áreas ainda preservadas, como na região do Tapajós e Calha Norte, e zonas fortemente impactadas pelo desmatamento, como no chamado ‘Arco do Desmatamento’, na parte sudeste do estado. Apesar disso, iniciativas de conservação, reservas extrativistas e áreas indígenas vêm mantendo grandes blocos de floresta em pé, assegurando a continuidade de ciclos ecológicos vitais”, declarou o mestre em Ciências Biológicas, João Pedro Costa Gomes, ao Portal Amazônia.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo para destacar cinco animais que são a cara do Pará e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Guará
O guará é uma ave de plumagem intensamente vermelha que vive em manguezais e estuários costeiros. A ave se alimenta de crustáceos e moluscos, cuja pigmentação rica em caroteno influencia diretamente na coloração de suas penas.
“Apesar de sua beleza, já esteve ameaçado pela caça e pela destruição de seus habitats, principalmente os manguezais costeiros da região nordeste do estado”, afirmou o biólogo.
De acordo com Costa Gomes, o animal vive em grandes bandos e costuma construir ninhos em árvores sobre as marés.
A jaguatirica é um felino ágil e solitário, de pelagem marcada por rosetas e listras que lhe garantem camuflagem entre sombras e folhagens. O animal é predador oportunista, que se alimenta de roedores, aves e pequenos répteis.
Além disso, o felino possui hábitos noturnos e é conhecido por sua adaptabilidade a diferentes tipos de floresta, inclusive áreas alteradas. O animal foi classificado como “pouco preocupante” pela lista nacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em ingês).
Mas, segundo Costa Gomes, a fragmentação florestal, a caça e os atropelamentos têm colocado pressão sobre suas populações.
O comércio de peles foi, nas décadas de 1960 e 1970, a maior ameaça à vida do animal, visto que estima-se que 200 mil animais foram mortos. No entanto, com a proibição da caça e importação de peles em vários países, o número foi reduzido consideravelmente.
Jaguatirica. Foto: Reprodução/Onçafari
Jacaré-açu
O jacaré-açu, maior réptil da América do Sul, pode chegar a mais de 5 metros de comprimento. O animal é um predador imponente que regula populações de peixes e outros animais aquáticos.
“Já foi muito caçado por sua pele, o que levou à sua quase extinção, mas programas de conservação e proteção de habitats vêm permitindo uma lenta recuperação populacional”, afirmou o biólogo.
De acordo com Costa Gomes, o comportamento do réptil é geralmente discreto, mas pode se tornar agressivo quando ameaçado ou durante a época de reprodução.
Jacaré-açu. Foto: Sebastián Vizcarra
Gavião-real
O ggavião-real é uma das maiores e mais fortes aves de rapina do mundo, alimentando-se de preguiças, macacos e aves de médio porte.
Sua capacidade de atacar animais grandes se dá por causa de suas patas enormes e garras gigantes, que podem perfurar e matar a vítima no momento da captura. O animal também utiliza sua força e visão aguçada para caçar.
Além disso, o gavião precisa de áreas florestais extensas para sobreviver e é considerado uma espécie bioindicadora, já que sua presença indica ecossistemas preservados. Segundo Costa Gomes, é uma das aves mais ameaçadas do Brasil, devido à destruição de seu habitat e à caça ilegal.
O acari-zebra é um pequeno peixe ornamental, podendo medir de 80 milímetros a 10 centímetros, com listras brancas e pretas que lembram o padrão de uma zebra. Apresentando crescimento acelerado e alta taxa de mortalidade, o animal se alimenta de de invertebrados aquáticos, principalmente larvas de insetos, como algas e detritos orgânicos.
“O acari-zebra é muito valorizado no comércio de aquarismo e, por isso, também sofre com a coleta ilegal. Sua sobrevivência depende da conservação de seu habitat específico: as corredeiras de águas oxigenadas e fundo rochoso do médio Xingu”, afirmou o biólogo.
Endêmico da região de Altamira, o peixe tornou-se símbolo da biodiversidade ameaçada pelo alagamento causado pela construção da Usina de Belo Monte.
Área do município de Gilbués (PI) afetada pela erosão hídrica. Foto: Reprodução/Embrapa.
A Embrapa lançou uma nova versão do mapa de erodibilidade dos solos do Brasil, que expressa a capacidade do terreno de resistir ao desgaste provocado pela água da chuva. A erosão hídrica é um dos principais fatores de degradação das terras em escala global. Estimar a sua ocorrência permite ao País, entre outras aplicações, apoiar a implementação de políticas públicas de controle do problema, com foco no desenvolvimento econômico sustentável no meio rural, por meio do fomento e da adoção de práticas de conservação de solo e água.
A erodibilidade dos solos é influenciada, exclusivamente, pelos chamados atributos intrínsecos do solo, como a composição granulométrica, estrutura, conteúdo de carbono orgânico na camada superficial, permeabilidade, profundidade efetiva do solo e a presença ou ausência de camada compactada e pedregosidade. Portanto, para a elaboração do mapa de erodibilidade dos solos do Brasil não foram considerados os fatores extrínsecos aos solos, como clima, relevo e cobertura vegetal.
O novo mapa está na escala 1:500.000, compatível para usos em nível estadual ou de grandes bacias hidrográficas. Nele, os solos de todo o País foram classificados, a partir de uma avaliação semiquantitativa, quanto à sua erodibilidade em seis classes: muito baixa, baixa, média, alta, muito alta e extremamente alta, sendo que cada classe está relacionada a um intervalo de valores correspondentes ao índice de erodibilidade do solo, o chamado de fator K.
“O novo mapa nacional de erodibilidade dos solos tem potencial para ser utilizado em diversos estudos pela comunidade acadêmica, além de apoiar a implementação de políticas públicas, especialmente na seleção de microbacias hidrográficas em nível estadual ou regional. Muitos programas estaduais de conservação de solo desenvolvidos no País levaram em consideração a suscetibilidade do solo à erosão hídrica a fim de selecionar áreas prioritárias para ações de conservação e recuperação dos solos”, explica Maurício Rizzato, pesquisador da Embrapa Solos (RJ), que coordenou os trabalhos.
De acordo com ele, os dados que deram suporte à elaboração do mapa são oriundos de levantamentos pedológicos publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na escala 1:250.000.
Foto: Claudio Capeche (voçoroca em área do estado do Mato Grosso)
O mapa de erodibilidade e suas respectivas informações técnicas estão disponíveis para consulta pública na plataforma da Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa (GeoInfo) – veja links no quadro 1. Os dados são apresentados por meio de um sistema de informações geográficas (SigWeb).
Uma publicação editada pela Embrapa também traz todos os detalhes técnicos sobre a metodologia e os resultados alcançados pela equipe que desenvolveu o novo mapa de erodibilidade dos solos do Brasil.
Metodologia utilizada para construção do mapeamento
A equipe utilizou para o estudo a interpretação especialista das 8.143 unidades de mapeamento de solos (UMs) do Mapa de Solos do Brasil do IBGE, publicado na escala 1:250.000 e lançado em 2018, atribuindo valores de 1 a 6 para cada componente das UMs.
“Esses valores representam a suscetibilidade dos solos à erosão hídrica, sendo que o valor 1 corresponde à classe de suscetibilidade muito baixa, e os demais valores às classes, baixa, média, alta, muito alta e extremamente alta, respectivamente. Foram avaliados até o quarto componente de cada ‘UM’, quando presentes, calculando-se a média ponderada de seus valores”, detalha Rizzato.
Para esse cálculo, segundo o pesquisador, a equipe utilizou uma estimativa de porcentagem de ocorrência de cada componente da ‘UM’.
“Por exemplo, para uma ‘UM’ com apenas dois elementos, considerou-se que o primeiro ocupava 60% de sua área e o segundo, 40%. Após se efetuar os cálculos da média ponderada dos valores semiquantitativos de erodibilidade de cada unidade de mapeamento, os valores obtidos foram convertidos em um índice de erodibilidade – o chamado fator K da equação universal de perda de solo, baseando-se em dados de literatura que relacionam classes de solos com os seus respectivos valores de fator K”, explica.
“Por meio desse procedimento, concluímos que os solos do Brasil se enquadram na classe de erodibilidade média, e que as maiores áreas contínuas dominadas por solos mais suscetíveis à erosão ocorrem, sobretudo, na Região Nordeste. Isso coincide com as áreas afetadas pelo processo da desertificação, atualmente um dos maiores problemas de degradação das terras do País”, revela Gustavo Vasques, também pesquisador da Embrapa Solos.
Foto: Reprodução/Embrapa.
A equipe aponta, ainda, que áreas expressivas de solos de elevada erodibilidade também ocorrem no Acre, estendendo-se para as cercanias do estado do Amazonas, em solos com elevados conteúdos de silte.
Vasques explica que, para validar o mapa produzido, a equipe comparou os seus valores de erodibilidade com medidas diretas do fator K obtidas em campo e existentes na literatura, com chuva natural e simulada. Dessa forma, chegou-se à conclusão de que as medidas do fator K do novo mapa desenvolvido possuem valores centrais próximos àqueles medidos em campo.
O mapa lançado pela Embrapa Solos é o segundo a disponibilizar o fator K para todo o território nacional. O primeiro, que utiliza outra metodologia, foi o mapa de erodibilidade do solo em alta resolução do Brasil, lançado em 2021 por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Joint Research Centre, órgão da Comissão Europeia.
“A conversão dos valores semiquantitativos, de 1 a 6, em valores do fator K que utilizamos foi uma estratégia simples e experimental para estimar a erodibilidade do solo para todo o território brasileiro. Assim, recomendamos aos interessados que desejam utilizar o fator K para os mais diversos fins condensar as seis classes de erodibilidade – muito baixa, baixa, média, alta, muito alta e extremamente alta – em três classes: baixa, média e alta. Esse procedimento irá facilitar as interpretações para as quais os valores do fator K forem destinados, bem como possibilitar um aumento de qualidade das modelagens, dados ou informações obtidas”, pondera Rizzato.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta que a erosão causada pela água, pelo vento ou pelo preparo inadequado do terreno é a maior ameaça à saúde do solo e aos seus serviços ecossistêmicos em diversas regiões do mundo, prejudicando a produção de alimentos, a disponibilidade futura de terras para a agricultura e a qualidade da água. Dessa maneira, a erosão afeta diretamente a saúde humana, a biodiversidade do planeta e a subsistência do meio rural.
Foto: Claudio Capeche (erosão em área do estado do Rio de Janeiro)
Vários estudos apontam que em áreas agrícolas a erosão do solo reduz sua capacidade de infiltração, disponibilidade e drenagem da água, prejudica a profundidade de enraizamento das plantas e favorece a perda de água, solo, matéria orgânica, fertilizantes e nutrientes.
Além disso, as partículas deslocadas dos locais erodidos levam à sedimentação e poluição de águas superficiais, bloqueio de cursos d’água e destruição de infraestruturas, causando perdas econômicas significativas para produtores e toda a sociedade.
A diversidade de ecossistemas em Roraima é um dos principais fatores que contribuem para a riqueza de espécies de animais no estado, refletindo a variedade de biomas da região, como as florestas tropicais e o cerrado, conhecido como Lavrado Roraimense.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo João Pedro Costa Gomes para destacar cinco animais que são a cara de Roraima e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Galo-da-serra
O galo-da-serra, considerado ave símbolo do Estado de Roraima, é um pássaro difícil de ser avistado e possui uma plumagem marcante, de coloração alaranjada, que o destaca na paisagem amazônica. O animal recebeu esse nome devido à crista que cobre toda a cabeça e o bico.
A ave chama a atenção tanto pela beleza quanto pelo comportamento, já que vive em ambientes rochosos e em matas próximas a serras, onde os machos se reúnem em arenas para realizar exibições coletivas de dança e vocalização para atrair as fêmeas.
“A presença da ave é considerada um indicador de ecossistemas saudáveis e bem preservados”, afirmou o mestre em Ciências Biológicas, João Pedro Costa Gomes, ao Portal Amazônia.
Galo-da-serra. Foto: Reprodução/eBird
Sapo-do-Monte-Roraima
O sapo de pele rugosa e comportamento curioso é endêmico do Monte Roraima, ou seja, só pode ser encontrado na região. O animal vive entre fendas úmidas e ambientes rochosos, e possui uma defesa única, já que em vez de saltar, ele se joga e rola morro abaixo, confiando na elasticidade de seu corpo para absorver o impacto.
De acordo com Costa Gomes, sua existência delicada é ameaçada pelas mudanças climáticas e pela alta sensibilidade aos impactos ambientais no cume dos tepuis.
Sapo-do-monte-roraima. Foto: Morten Ross
Camaleão-da-Amazônia
O camaleão-da-Amazônia é um lagarto arborícola que vive em troncos de árvores e se alimenta de insetos. A pele do animal é escamosa e a capacidade de mudar ligeiramente a tonalidade o ajudam a se camuflar entre as sombras da floresta.
“Apesar do nome, não é um verdadeiro camaleão, mas apresenta comportamentos parecidos, como o movimento lento e a habilidade de se manter imóvel por longos períodos”, afirmou o biólogo.
O macaco-barrigudo é um primata grande, de cauda preênsil e comportamento social complexo, já que vive em grupos coesos e percorre longas distâncias diariamente em busca de frutos. Seu nome, ‘macaco-barrigudo’, se dá devido à sua pelagem longa e escura no ventre, o que dá a impressão de elevação na barriga.
Considerado um grande dispersor chave de sementes, o animal é fundamental para a regeneração da floresta. Além disso, o macaco também é conhecido por dar saltos acrobáticos entre as árvores.
Segundo Costa Gomes, a caça e a perda de habitat colocam em risco suas populações, principalmente nas zonas de transição entre floresta e savana.
Macaco-barrigudo. Foto: Reprodução/ Animalia.
Garça
A garça, figura presente no brasão do Estado de Roraima, representa a beleza e a importância da fauna local. A espécie vive à beira dos rios, lagos e praias em grupos de vários animais, mas realiza migrações para pequenos locais ou para além dos Andes durante o período de enchentes.
Os principais predadores são o gavião pato e o socó dorminhoco. Além dos predadores naturais, a garça também enfrenta ameaças como a destruição do habitat; a conversão de manguezais, rios e áreas úmidas para agricultura, mineração e outras atividades humanas; a poluição da água com plástico e outros poluentes; e a caça que, embora ainda seja incomum, ocorre em algumas regiões para consumo e obtenção de penas ou outras partes do corpo.
Garça. Foto: João Neto
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
A fauna de Rondônia reflete a diversidade de ecossistemas presentes no estado, abrigando uma ampla variedade de animais: aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes que estão adaptadas a diferentes ambientes.
A conservação da fauna rondoniense é essencial para a preservação da biodiversidade e para o equilíbrio dos ecossistemas, garantindo a estabilidade ambiental da região.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo João Pedro Costa Gomes para destacar alguns animais que são a cara de Rondônia e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Macaco-prego-de-cara-branca
O macaco-prego-de-cara-branca, primata comum nas florestas do oeste amazônico, possui hábitos onívoros, e alimenta-se de frutos, sementes, pequenos vertebrados e insetos. O animal é considerado como uma espécie com estado de conservação pouco preocupante, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês).
“Ele é conhecido pelo uso de ferramentas rudimentares, como pedras para quebrar frutos duros. Sua alta capacidade de adaptação também o torna vulnerável ao tráfico de animais silvestres”, afirmou o Mestre em biologia, João Pedro Costa Gomes, ao Portal Amazônia.
Apesar de ser considerado como pouco preocupante, as populações da espécie são impactadas principalmente pelo comércio de animais de estimação e pela desflorestação. No entanto, a desflorestação também é a principal ameaça do maior predador do primata, a harpia, o que pode reduzir as chances do primata ser predado.
Macaco-prego-da-cara-branca. Foto: Zweer de Bruin.
Urubu-rei
O urubu-rei, uma das maiores aves carniceiras do continente, possui coloração branca com penas pretas nas asas e uma cabeça nua multicolorida. O animal desempenha papel ecológico essencial na limpeza da floresta, consumindo carcaças e impedindo a proliferação de doenças.
De acordo com Costa Gomes, apesar de ser menos abundante que outros urubus, é um importante indicador de equilíbrio ambiental.
O jacu-de-barriga-castanha é uma ave de médio porte com corpo escuro e barriga castanho-avermelhada, é comum nas matas densas de Rondônia. Vive em casais ou pequenos bandos, alimentando-se de frutas, brotos e sementes.
“Ele atua como importante dispersora de sementes na floresta. No entanto, a caça de subsistência e o desmatamento têm reduzido suas populações em algumas regiões”, afirmou o biólogo.
Além disso, outros fatores que colocam a espécie em posição de risco de extinção são a invasão e exploração humana do habitat natural do animal para fins de agricultura e pecuária, e as mudanças ambientais.
Jacu-de-barriga-castanha. Foto: paul donahue
Mico Rondônia
Além das indicações do professor, de acordo com dados do ICMBIO, também se pode destacar o Mico Rondônia ou mico rondoni é um animal endêmico do Estado de Rondônia, o que deu nome ao animal, e habita a floresta ombrófila aberta da região. A coloração cinza de sua pelagem é o que diferencia a espécie de outros primatas.
De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), o animal corre risco de extinção devido à ameaças como a expansão urbana, a redução de habitat, os assentamentos rurais, a agricultura, a pecuária e principalmente a competição com o Saguinus weddelli, que vem dominando a sua área. Apesar de todas essas ameaças, a espécie ainda se mantém firme, pois tem tolerado modificações e perturbações no habitat.
Mico Rondoni. Foto: Paulo Henrique Bonavigo
Rã pimenta
Os dados do ICMBio também apontam a rã-pimenta como característica do estado. Trata-se de um anfíbio de grande porte, medindo cerca de 18 centímetros e possui um grande par de tímpanos localizados logo abaixo dos olhos.
Além disso, quando jovem, o animal possui uma coloração que vai do verde escuro ao marrom e quando adulto possui uma coloração quase totalmente vermelho alaranjado.
Encontrado nas margens dos rios, riachos, lagos, lagoas e várzeas, costuma habitar florestas abertas e se alimentar de insetos e artrópodes.
Rã pimenta. Foto: Pedro Reis
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
A Floresta Amazônica, bioma predominante no estado do Amazonas, abriga a maior diversidade de fauna do Brasil, com mais de 73% das espécies de mamíferos e 80% das aves do país. Além disso, estima-se que existam cerca de 30 milhões de espécies de animais, sem contar as ainda não catalogadas, incluindo mais de 1.300 aves, 311 mamíferos, 273 répteis, 232 anfíbios e 1.800 peixes continentais.
Além da riqueza natural, a fauna amazônica tem papel essencial na cultura e nos modos de vida dos povos locais, já que práticas sustentáveis como caça, pesca e o uso medicinal de animais são comuns há gerações.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo João Pedro Costa Gomes para destacar cinco animais que são a cara do Amazonas e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Boto-cor-de-rosa
Animal considerado símbolo do Amazonas, o boto-cor-de-rosa é um cetáceo exclusivo da bacia amazônica. Vive em águas calmas, principalmente nas várzeas durante a cheia, onde se alimenta de peixes e crustáceos. É uma espécie extremamente sensível à degradação dos rios, sendo ameaçada por redes de pesca, poluição e alterações ambientais.
As principais ameaças à espécie são os atropelamentos por barcos, as capturas acidentais por redes de pesca, o risco da poluição química nos rios amazônicos por estarem no topo da cadeia alimentar e a caça que, mesmo proibida desde 1967, ainda é comum.
“Inteligente, brincalhão e cercado de lendas, sua figura está na cultura popular amazônica, como protagonista de histórias que misturam sedução, encantamento e respeito pelas águas”, afirmou o mestre em Ciências Biológicas, João Pedro Costa Gomes, ao Portal Amazônia.
O sauim-de-coleira é um pequeno e ágil primata exclusivo da região metropolitana de Manaus. Com pelagem bicolor, o corpo branco e os membros escuros, ele é carismático, sociável e vive em grupos familiares.
Infelizmente, é uma das espécies mais ameaçadas de extinção do Brasil, pois seu habitat vem sendo substituído por expansão urbana, estradas e queimadas, uma vez que sem vegetação adequada, a espécie não consegue sobreviver.
Quando combinada com fatores como a caça, o tráfico de animais, doenças, a competição com espécies invasoras e eventos climáticos extremos, a situação se agrava ainda mais.
De acordo com Costa Gomes, a sobrevivência do animal depende da conexão entre fragmentos florestais e da conservação das matas urbanas remanescentes.
Foto: Reprodução/Agência Brasil
Anta-amazônica
A anta, considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul, é herbívora e percorre grandes distâncias em busca de frutos e brotos, ajudando na dispersão de sementes de inúmeras espécies arbóreas.
Além disso, sua aparência robusta esconde uma natureza tímida e pacífica, já que ela vive solitária e prefere áreas densas e com água abundante.
“Apesar de ser uma espécie resistente, a anta sofre com atropelamentos em estradas que cruzam seu habitat e com a caça ilegal’, afirmou Costa Gomes.
O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, pode ultrapassar os 2 metros de comprimento. O animal é um predador de topo nos ambientes aquáticos amazônicos, e seu nome vem de dois termos indígenas: pira, “peixe”, e urucum, “vermelho”, devido à cor de sua cauda.
O peixe possui como característica especial a necessidade de subir à superfície para respirar, já que sua bexiga natatória modificada funciona como pulmão.
De acordo com Costa Gomes, a carne do peixe é saborosa e valorizada, e o animal é uma espécie-alvo da pesca, mas também da conservação, já que várias reservas manejadas no Amazonas estão recuperando suas populações por meio de manejo sustentável, mostrando que é possível conservar e explorar de forma equilibrada.
Pirarucu. Foto: Stephen Álvarez.
Aranha-golias-comedora-de-pássaros
A aranha-golias-comedora-de-pássaros é uma das maiores caranguejeiras do mundo, podendo chegar a 30cm de tamanho corporal, incluindo as pernas. As aranhas dessa espécie são predadoras vorazes que se alimentam desde pequenos invertebrados até mesmo pássaros e roedores.
A dieta da espécie é composta por pássaros, cobras, insetos e pequenos vertebrados, como ratos e sapos.
“São aranhas que não oferecem riscos a seres humanos por não possuírem peçonha ativa e por seu comportamento defensivo ser a utilização de cerdas urticantes”, afirmou o biólogo.
Aranha-golias-comedora-de-pássaros. Foto: João Pedro Costa Gomes
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
O encontro entre a águia e o condor selará a libertação de Abya Yala, de acordo com uma antiga profecia presente na cultura de diversos povos indígenas americanos. A águia representa o norte, enquanto o condor simboliza o sul, e esse voo simbólico significa a união de todos os povos originários de Abya Yala, como é chamado o continente americano.
A pesquisadora Bárbara Flores Borum-Kren acredita que “a profecia se cumpre sempre que os povos indígenas atravessam fronteiras geográficas impostas para construir coletivamente o bem viver”.
É o que Bárbara busca fazer com seu trabalho de pesquisa, que defende a reocupação de áreas degradadas pelos seus povos originários como a melhor maneira de promover recuperação ambiental e revitalizar práticas culturais, dando origem a “socioecossistemas resilientes e prósperos.”
Atualmente, Bárbara está nos Estados Unidos fazendo pós-doutorado na Universidade do Colorado, onde investiga a situação de territórios dos povos Ute, Walatowa, Navajo, Lakota, Odibwe e Yurokcomo em cinco estados norte-americanos.
Terra indígena degradada. Foto: Felipe Werneck.
“Eu estou buscando fazer uma troca de conhecimentos com povos indígenas, que estão passando por esse processo de restauração da memória biocultural ou que já passaram, e também me adentrando mais no movimento do land back (retomada da terra, em tradução livre), que aqui é bem forte, pelo reconhecimento dos Estados Unidos enquanto território indígena”, explica.
A pesquisa foi viabilizada pelo Programa Beatriz Nascimento para Mulheres na Ciência, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Bárbara também foi uma das contempladas por um edital de apoio a cientista negros e indígenas do Instituto Serrapilheira.
O trabalho da pesquisadora Bárbara Borum-Kren se baseia em dois conceitos principais, a memória biocultural e as cascatas socioecológicas.
“Toda essa relação que é construída ao longo de muitas gerações, de milênios, dos povos com o território, cria um vínculo tão forte que passa a ser uma relação de parentesco, que a gente chama até de floresta genealógica. Isso seria a memória biocultural a partir dessa perspectiva indígena. Ela atrela as questões biológicas do território com as questões culturais”, explica.
A pesquisadora defende que terras devastadas devem receber intervenções considerando a memória biocultural dos seus habitantes originários, o que provocaria as cascatas socioecológicas, processos em cadeia que levam tanto à recuperação ambiental, quanto ao resgate da identidade desses povos.
“Por exemplo, fazer todo o levantamento das plantas que são culturalmente importantes para o nosso povo, onde elas estavam distribuídas dentro do território e em qual quantidade, assim como dos animais, também são culturalmente importantes. E a partir desse diagnóstico, a gente consegue ver onde precisa atuar e intervir”, defende.
De acordo com Bárbara, algumas experiências estadunidenses podem apontar caminhos para o Brasil.
“No Colorado e na Califórnia, eles já fazem, por exemplo, projetos de restauração ecológica em parceria com os povos indígenas, utilizando os conhecimentos tradicionais para fazer a restauração de áreas degradadas. Também fazem gestão pública de parques naturais e áreas verdes em parceria com os povos indígenas que vivem no território”, esclarece.
Novas iniciativas, no entanto, segundo a pesquisadora, têm sofrido com as políticas educacionais do governo de Donald Trump, que vêm cortando o financiamento para pesquisas de temáticas consideradas progressistas, como os direitos da população indígena e meio ambiente.
O trabalho de Bárbara, por enquanto, não foi afetado, mas ela foi orientada pela Universidade do Colorado a não sair do país, nem mesmo para participar de eventos em outros países, pelo risco de ser impedida de retornar aos Estados Unidos.
O objetivo principal de Bárbara é que a troca de conhecimento com os povos norte-americanos contribua com o trabalho que ela desenvolve desde a graduação, voltado para a retomada e a recuperação do território Borum-Kren, na região de Ouro Preto, em Minas Gerais.
Foi isso, inclusive, que motivou Bárbara a se tornar a primeira pessoa de sua família com ensino superior. Desde criança, ela tinha o anseio de conhecer melhor a história de seus antepassados, soterrada por séculos de massacres e dominação cultural. O povo Borum-Kren é descendente dos Botocudos que, segundo a pesquisadora, foram perseguidos e assassinados, para abrir caminho para a exploração do ouro.
Os que restaram, ainda de acordo com a pesquisadora, sofreram diversas formas de assimilação cultural violenta.
“Os colonos que chegavam ganhavam o título da terra quando casavam com uma indígena, então isso desencadeou muitos sequestros de mulheres indígenas e muitos estupros. Houve também um comércio de crianças indígenas, para trabalhar nas carvoarias. Meu avô foi um trabalhador escravizado e o irmão dele foi uma dessas crianças sequestradas”, disse.
Sem acesso às próprias terras e enfrentando a miséria, a família de Bárbara se mudou para a capital, Belo Horizonte, em busca de melhores condições. Enquanto crescia, ela questionava sobre a história do seu povo, e o pai dizia que “todos já morreram”.
Povos indígenas do Amazonas — Foto: Marcos Vicentti/Secom
Hoje, ela sabe que isso é uma meia-verdade, e tem defendido que os Borum-Kren não somente resistiram à extinção alegada oficialmente, apesar de grande parte ter sido obrigada a deixar suas terras originárias, como a retomada dessas terras seria a melhor forma de restaurá-las após anos de exploração.
“Na medida que a gente restaura o território, a gente também restaura a cultura. Da mesma forma, quando a gente restaura a cultura, a gente também restaura o território”, defende.
Mas segundo Bárbara, uma condição primordial para que isso aconteça é o reconhecimento dos territórios usurpados das suas populações originárias e a demarcação.
“Ele [reconhecimento dos territórios] garante que você possa fazer esse trabalho que leva à recuperação ambiental, porque a partir do momento que você tem garantida por lei o usufruto da terra pelo povo indígena, é que a gente pode desenvolver ações. E muitas vezes essas terras estão em uma área de amortecimento, na divisa com parques naturais. Então, com a demarcação, a gente acaba criando um corredor ecológico e ampliando essas áreas protegidas”.
Bárbara tem se articulado com outros jovens Borum-Kren remanescentes e também integra o Movimento Plurinacional Wayrakuna, o primeiro grupo de pesquisa do Brasil composto por mulheres indígenas. Wayrakuna significa “filhas do vento”.
“É uma necessidade muito forte que a minha geração sentiu de mudar esses destinos de morte, que eram como uma predestinação. A gente quer mostrar que não é bem assim, que a gente pode fazer diferente, pode fazer algo efetivo em prol da ressurgência”, conclui.
O Amapá possui uma das áreas de maior biodiversidade do país, e apesar de serem estimadas cerca de 700 mil espécies, menos de 10% da fauna e da flora são conhecidas. Além disso, a região possui uma distribuição altitudinal que vai do nível do mar até 702.701 metros de altitude.
“A altitude fica lá no complexo da serra das montanhas do Tumucumaque, e nessa região não tem muita amostragem de fauna. A gente pode ter várias espécies distribuídas nessas serras porque o que a gente da biologia costuma perceber quando caminha no topo das montanhas é que existe toda uma fauna e toda uma flora extremamente adaptada”, declarou o doutor em ecologia Rogério Fonseca.
De acordo com Fonseca, os topos de morro das pequenas montanhas, das serras do Tumucumaque, por exemplo, formam núcleos de endemismos com espécies que só ocorrem naquele lugar.
“A natureza do Amapá é fortemente marcada por um equilíbrio entre terra, água e biodiversidade. Mas, diferentemente de outros estados amazônicos, o Amapá tem mais de 90% de sua vegetação nativa preservada, tornando-se um dos últimos refúgios de espécies que já desapareceram em outras partes da Amazônia”, destacou o mestre em biologia, João Pedro Costa Gomes, complementando a explicação de Fonseca.
Segundo Costa Gomes, o estado é privilegiado por suas paisagens praticamente intocadas, já que grande parte de seu território está sob proteção ambiental. Além disso, o Amapá combina florestas tropicais densas, rios imponentes, manguezais e campos abertos de savana amazônica.
O Portal Amazônia pediu aos biólogos para destacarem cinco animais que são a cara do Amapá e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Flamingo
Segundo Rogério Fonseca, o flamingo não está em todo o território brasileiro, sendo restrito somente ao Amapá, e se destaca na região litorânea do estado.
O flamingo possui uma perna extremamente alta, e de uma função ecológica de filtragem. Além disso, o animal come micro crustáceos que permitem que ele possua uma coloração avermelhada, assim como o guará, e o bico adaptado.
“A gente tem essa distinção de que no Amapá tem esse animal que nas demais partes do Brasil a gente não vai ver fora do zoológico, na natureza a gente não vai ver esses animais”, afirmou Fonseca.
O peixe-boi-da-Amazônia é um dos poucos mamíferos aquáticos herbívoros da América do Sul, com alimentação baseada em plantas aquáticas. É dócil, tímido e muito vulnerável à ação humana, especialmente devido à caça e ao tráfego de embarcações.
O animal é considerado a menor espécie de peixe-boi do mundo, chegando a medir até 3 metros de comprimento e 450 kg de peso. Sua coloração varia de cinza à preto, possuindo uma mancha de cor branca ou rosada na barriga que pode ser comparada à uma impressão digital.
De acordo com Costa Gomes, este animal desempenha um papel ecológico vital ao manter o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e ajudar na dispersão de sementes submersas. Além disso, sua presença é rara, mas não impossível, e é alvo de programas de proteção e reabilitação.
Peixe-boi-da-Amazônia. Foto: Reprodução/Associação Amigos do Peixe-boi
Macaco-aranha-preto
O macaco-aranha-preto é um dos maiores e mais ágeis primatas amazônicos, possuindo uma cauda preênsil que atua como um quinto membro, ele se locomove com grande destreza entre as árvores.
Medindo cerca de 60 centímetros e pesando em média 8 kg, os machos da espécie possuem um chamado, utilizado para alertas de predadores e localização de alimentos, que pode ser ouvido a cerca de 500 metros pelos outros animais da espécie.
“O macaco-aranha é frugívoro e cumpre um papel fundamental na dispersão de sementes, o que o torna indispensável para a regeneração da floresta. No entanto, está sob ameaça pela caça e pelo desmatamento, sendo uma das espécies mais afetadas pela fragmentação florestal”, afirmou o biólogo João Pedro Costa Gomes.
Macaco-aranha-preto. Foto: Reprodução/Proteção Animal Mundial
Arraia-de-água-doce
A arraia-de-água-doce, com padrão circular semelhante aos olhos no dorso, é um predador do fundo dos rios, alimentando-se de pequenos invertebrados. Apesar de sua beleza, é temida por moradores ribeirinhos, pois possui um ferrão venenoso na cauda que pode causar acidentes dolorosos.
A espécie pertence a família Potamotrygonidae, e apresenta o corpo achatado em formato de disco, em que as nadadeiras peitorais, bem desenvolvidas e projetadas para as laterais, constituem a maior parte do corpo
De acordo com Costa Gomes, a arraia tem papel importante nos ecossistemas aquáticos, controlando populações de organismos bentônicos e indicando boa qualidade de água.
Arraia-de-água-doce. Foto: Itamar Júnior Tonial
Tartaruga-da-Amazônia
A tartaruga-da-Amazônia é uma das maiores tartarugas de água doce do mundo. Conhecida localmente como “tracajá” ou “jurará”, é uma espécie que desova nas praias fluviais durante a época seca, e que sofre há séculos com a coleta ilegal de ovos e caça dos adultos.
“Ela é considerada uma espécie “engenheira ecológica”, pois ao escavar ninhos e revirar as margens dos rios, ajuda a oxigenar o solo e promove o equilíbrio dos ambientes ripários. Hoje, é foco de ações comunitárias de conservação em várias regiões do Amapá”, afirmou Costa Gomes.
Além disso, a tartaruga-da-Amazônia possui como inimigos naturais, quando filhotes, os urubus, as piranhas, os jacarés e alguns outros peixes.
O Acre, situado no sudoeste da região Norte, tem como limites os estados do Amazonas e Rondônia e os países Bolívia e Peru. O estado é lar de uma das maiores biodiversidades, sendo considerado um santuário ecológico e berço das mais variadas pesquisas sobre biologia no mundo.
“O Acre abriga uma das porções mais preservadas da floresta amazônica brasileira. Sua paisagem é dominada por florestas de terra firme, várzeas e igarapés sinuosos, onde a biodiversidade prospera em níveis impressionantes”, declarou o mestre em biologia, João Pedro Costa Gomes.
Segundo o biólogo, a fauna do Acre é extremamente rica e diversificada, refletindo a imensidão e a complexidade da Floresta Amazônica, que cobre grande parte do estado. Essa biodiversidade destaca a importância ecológica do Acre, tornando-o um dos principais redutos de vida silvestre do Brasil.
O Portal Amazônia pediu ao biólogo para destacar cinco animais que são a cara do Acre e representem essa complexa diversidade característica da Amazônia para a #Série ‘A cara da Amazônia’:
Macaco-de-cheiro
O macaco-de-cheiro é um primata de hábitos diurnos que vive em grandes bandos nas copas das árvores da floresta. Ágil, comunicativo e sociável, o animal desempenha um papel ecológico fundamental como dispersor de sementes, sendo também um importante indicador da saúde do ecossistema.
Na espécie, os machos são maiores que as fêmeas e, com o avançar da idade, apresentam uma coloração geral mais clara no pelo. Seus braços e pernas são curtos, enquanto a cauda é longa, peluda, forte e preênsil, geralmente com a ponta enrolada, para ajudar na locomoção sobre as árvores.
De acordo com Costa Gomes, sua aparência simpática, com olhos grandes e expressão curiosa, o torna um dos queridinhos da fauna amazônica.
Macaco-de-cheiro. Foto: Rudimar Narciso Cipriani
Onça-pintada
Conhecido como o maior felino das Américas e predador de topo nos ecossistemas amazônicos, a onça-pintada pertence ao gênero Panthera, mesmo gênero dos leões, leopardos, tigres e leopardos-das-neves. Dotada de força extraordinária e uma mordida capaz de perfurar cascos e carapaças, ela é uma caçadora habilidosa, silenciosa e solitária.
Além disso, o padrão de pintas é único para cada onça, funcionando como uma espécie de ‘impressão digital’ do animal, o que ajuda a identificar o indivíduo e melhor estudá-lo.
“Presente em mitologias indígenas e temida por seu poder, a onça é também uma guardiã ecológica: sua presença indica um ecossistema equilibrado, onde a cadeia alimentar funciona plenamente. Infelizmente, ela sofre com o avanço do desmatamento e a fragmentação de habitat”, afirmou o biólogo.
O tamanduá-bandeira possui corpo grande, pelagem espessa e focinho longo, além de uma cauda grande e peluda, lembrando uma bandeira hasteada, o que dá origem a seu nome popular.
O animal percorre as florestas e campos em busca de cupins e formigas, que captura com sua língua pegajosa e rápida. Apesar de parecer lento e inofensivo, possui garras fortes que usa para se defender.
Segundo Costa Gomes, o tamanduá é importante no controle natural de insetos e também enfrenta ameaças, como atropelamentos e queimadas.
Tamanduá-bandeira. Foto: Reprodução/Onçafari
Traíra
A traíra, conhecida localmente também como “curupira”, é um peixe de comportamento sorrateiro, que caça à espreita e possui mandíbulas poderosas com dentes afiados. Alimenta-se de outros peixes, insetos aquáticos e até pequenos vertebrados.
A traíra é um peixe utilizado em açudes e represas como controlador de populações que se proliferam muito rápido e de forma descontrolada, como tilápias e piabas. Além disso, o peixe pode atingir 60 cm de comprimento e 4 kg de peso.
“Embora seja considerada um peixe ‘comum’, ela é vital para o equilíbrio das cadeias alimentares aquáticas e tem grande valor na pesca de subsistência e na culinária tradicional”, afirmou o biólogo.
Traíra. Foto: Reprodução
Jacaré-açu
O jacaré-açu, considerado um dos maiores répteis do continente, pode ultrapassar os 5 metros de comprimento. O animal, predador noturno e oportunista, se alimenta de peixes, aves aquáticas, mamíferos e até carcaças, desempenhando papel essencial na limpeza dos corpos d’água.
Ele apresenta uma coloração escura e manchas, quando jovens, que somem com o tempo. Além disso, sua reprodução ocorre uma vez por ano, quando as fêmeas põem de 40 a 50 ovos.
De acordo com Costa Gomes, o jacaré-açu já esteve à beira da extinção devido à caça ilegal por sua pele valiosa, mas sua população vem sendo recuperada graças a áreas protegidas como a Reserva Extrativista Chico Mendes e políticas de conservação.
Jacaré-açu. Foto: Reprodução/Instituto Marcos Daniel
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar