Livro enaltece a história de mulheres negras de Mato Grosso. Foto: Divulgação / UFMT
Obra escrita e ilustrada por Cristina Soares, com roteiro organizado por Everson Constantino, e publicada pela Editora KOFA, o livro ‘Mulheres na História Africana em Mato Grosso‘ foi lançado em Cuiabá no dia 9 de dezembro. O livro reúne, por meio de pesquisa histórica, texto e arte visual, as trajetórias de três mulheres essenciais para a história do estado: Tereza de Benguela, Mãe Bonifácia e Maria Taquara.
O livro convida o público a valorizar memória, ancestralidade e protagonismo feminino negro em Mato Grosso. A primeira edição, lançada digitalmente pela UFMT em 2022, alcançou ampla circulação na mídia local e nacional, atraindo leitores, educadores e pesquisadoras da história afro-mato-grossense.
O lançamento ocorreu no Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (SINTUF-MT).
A chegada da versão impressa celebra um ciclo de criação que integra arte, pesquisa e ancestralidade. A escolha da UFMT como espaço do lançamento reforçou sua importância institucional, já que a obra nasce de pesquisa realizada no âmbito do Mestrado Profissional em História – ProfHistória.
Em 2025, o livro recebeu o Prêmio Marília Beatriz Figueiredo, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), que reconhece obras que fortalecem a literatura e a memória cultural do estado.
*Com informações da Universidade Federal do Mato Grosso
Brasil lidera número de povos isolados. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registra 115 povos indígenas isolados em todo o país, mas o Estado brasileiro só confirma a existência de 29 desses grupos, uma vez que 86, o equivalente a 75%, ainda estão em fase de validação ou em etapas anteriores de análise.
“Existe um passivo gigantesco em relação ao reconhecimento da existência desses povos isolados. São registros que constam no banco de dados da Funai, mas não foram confirmados pelo Estado. Isso é muito grave”, diz o antropólogo e coordenador executivo do Observatório de Povos Indígenas Isolados, Fábio Ribeiro.
Um levantamento da organização não governamental Survival International aponta que em todo o globo existem 196 povos isolados. O Brasil está no topo do ranking, com 115 desses povos isolados. Para Fábio Ribeiro, entretanto, a lacuna entre registros e confirmações aumenta a vulnerabilidade dos indígenas.
Estado brasileiro só confirma a existência de 29 desses grupos. Foto: Reprodução/Funai
“A gente sabe que a política de proteção desses territórios chega na medida em que a Funai consegue gerar provas suficientes para falar ‘tem um povo indígena isolado ali, a gente precisa proteger aquele território’, explica Fábio Ribeiro, que antes de coordenar a OPI, já foi funcionário da Funai.
Políticas de proteção
Entre as políticas de proteção, ele cita ações como a construção de postos e bases de vigilância em locais estratégicos, sobrevoos, articulações institucionais e a presença da própria Funai e da Secretária de Saúde Indígena (Sesai).
O coordenador geral de Povos Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial da Funai, Marco Aurélio Milken Costa, reconhece a lacuna. “Há sim um passivo do Estado brasileiro com relação a esses registros. Há registros que precisam ser trabalhados e as limitações institucionais fazem com que a gente não consiga trabalhar com todos os registros que a gente precisa trabalhar”.
No entanto, ele discorda que a ausência de confirmações torne esses grupos mais vulneráveis. “Não são somente os registros na categoria de referência confirmada que estão dentro de áreas protegidas. Nós temos vários registros que estão dentro de áreas protegidas, sejam elas restrição de uso, sejam elas unidades de conservação ou terras indígenas. Quando tem algum tipo de empreendimento, alguma exploração que afete esses territórios, o registro já se encontra em um nível adequado de proteção”, explica.
Povos isolados do Brasil. Foto: divulgação
No Brasil
No Brasil, o Vale do Javari, onde atuava o indigenista Bruno Pereira, assassinado junto com o jornalista britânico Dom Philips em 2022, concentra a maior parte dos povos indígenas isolados do país, além das fronteiras com o Peru e com as Guianas.
Fábio Ribeiro, no entanto, alerta que “os povos isolados mais vulneráveis não são esses, porque esses ainda vivem em áreas contínuas de florestas monumentais”.
“Os mais vulneráveis são os povos que vivem no Arco do Desmatamento, porque esses territórios já foram totalmente fragmentados, vivem em ilhas de floresta. Então, esse pessoal vive cercado por estradas, empreendimentos, mineração, cidades, rodovias, fazendas, projetos de concessão florestal, então é uma situação muito complicada”, afirma.
O caso dos Ituna-Itatá, no Pará, é um exemplo. Apesar da restrição de uso, o território enfrentou uma escalada de invasões entre 2016 e 2019 e chegou a ser a terra indígena mais desmatada do país, segundo relatório produzido pela Coiab e Opi.
Indígenas isolados do Brasil. Foto: Reprodução/Funai
E em 2022, só teve a portaria de restrição de uso renovada depois de uma decisão do ministro e atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que determinou que todas as áreas indígenas onde vivem grupos isolados sejam protegidas por restrições de uso.
Para o diretor da Funai Aurélio Milken, “a pressão sobre os territórios ocupados por [povos] isolados vai aumentar exponencialmente, tendo em vista a alteração climática e também o avanço das frentes de exploração, porque onde estão esses povos são os redutos derradeiros de recursos naturais”.
Quando Milken fala em recursos derradeiros não é qualquer coisa. Um levantamento do telejornal Repórter Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mostra que dos 55 registros de povos isolados já confirmados ou em estudo, 80% estão cercados por pedidos de autorização para mineração de terras raras e minerais críticos.
“A instituição [Funai] precisa estar fortalecida e preparada para enfrentar o aumento desses desafios”, defende. Povos isolados são grupos que sabem da existência de outros povos, indígenas ou não indígenas, e optam pelo isolamento, geralmente, em função de experiências de extrema violência.
Indígenas isolados do Brasil. Foto: Divulgação
“Eles não aceitam uma relação permanente com o Estado brasileiro. Por várias razões, mas principalmente porque são sobreviventes de massacres, correrias, chacinas. Ou seja, o isolamento está estritamente ligado à ideia do genocídio”, explica Fábio Ribeiro.
Por isso também, a confirmação da existência de povos isolados é um processo complexo. Como o princípio é o do não contato, essa confirmação costuma ser feita por meio de evidências como a presença de malocas, roças, ferramentas, pegadas em trilhas, avistamentos visuais e, com sorte, registro de imagens.
“É muito assimétrica a carga probatória entre você demarcar uma terra e você liberar essa terra para o empreendimento. Se de um lado, exige que a Funai quase tire uma foto ao lado dos indígenas isolados para provar [que eles existem], basta um despacho afirmando que em determinado lugar não tem indígenas isolados para essa terra [ser liberada para empreendimentos]”, explica Fábio Ribeiro.
“Tem uma questão de experiência, de formação, que requer essa capacidade de leitura dos vestígios dos indígenas isolados e também as condições físicas para um deslocamento terrestre que é extenuante”, diz Aurélio Milken, para explicar porque o maior desafio no trabalho com povos isolados não está apenas na restrição orçamentária, mas principalmente na formação de profissionais habilitados para atividade.
Hi Merimã – Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato. Foto: divulgação
“A gente está falando de expedições, monitoramentos, deslocamentos terrestres, por muitos dias em regime de selva, regime de floresta, sem acesso a qualquer tipo de conforto, e enfrentando as mais diversas dificuldades logísticas e também os perigos inerentes a esse tipo de atividade dentro da floresta”.
Hoje, a Funai conta com 12 equipes de campo de frente de proteção etnoambiental. Mas segundo Aurélio Milken, nem todos os profissionais têm condições de executar atividades junto a povos isolados.
Segundo ainda Aurélio Milken, neste momento, a Funai está no processo de contratação de 1 mil servidores temporários. A promessa é de que a maioria dos contratos será de servidores indígenas. Na primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), em 2024, foram oferecidas 502 vagas na Funai para cargos de nível médio e superior.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Radioagência Nacional, escrito por Eliane Gonçalves
A Trilha Amazônia Atlântica conquistou, nos últimos dias, o segundo lugar no Prêmio Nacional de Turismo 2025, na categoria “Trilhas de Longo Curso como Vetores de Desenvolvimento Turístico”.
O percurso ecológico é uma iniciativa da Rede Brasileira de Trilhas, apoiada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), e foi celebrado como um dos mais relevantes do país na promoção do ecoturismo, da conservação e da cidadania ambiental.
O reconhecimento foi recebido com entusiasmo pelo presidente da Rede Brasileira de Trilhas e gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer. Ele destacou que o prêmio simboliza o esforço conjunto entre sociedade civil, governos e iniciativa privada na construção de uma rota sustentável e inclusiva.
“A premiação é um reconhecimento importantíssimo para uma iniciativa que nasce de uma rede de parcerias incrível e que competiu com trilhas de grande destaque em todo o território nacional”, afirmou.
Presidente da Rede Brasileira de Trilhas e gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer. Foto: Divulgação
Meyer também ressaltou que 2025 marcou a primeira vez em que trilhas de longo curso foram incluídas na premiação nacional, o que reforça a maturidade do setor e o avanço das políticas públicas voltadas ao turismo sustentável. Para ele, o destaque conquistado amplia o protagonismo do Pará na agenda do ecoturismo.
“A Trilha Amazônia Atlântica fortalece o papel do Estado no cenário brasileiro, fazendo com que o Pará seja reconhecido com o posicionamento que merece”, completou.
Referência
A rota, que se tornou uma das principais referências ambientais apresentadas na COP30, em Belém, ganhou atenção mundial ao ser oficialmente lançada diante de pesquisadores, autoridades, ambientalistas e visitantes internacionais. Com quase 460 quilômetros de extensão, ela recebeu, no último dia 14 de novembro, o título de maior percurso sinalizado da América Latina, resultado de anos de trabalho colaborativo entre comunidades tradicionais, voluntários, órgãos públicos e instituições parceiras.
A construção da trilha contou com a participação decisiva do Ideflor-Bio, responsável pela maior parte da sinalização — etapa essencial para garantir segurança a caminhantes e ciclistas e assegurar respeito à fauna e à paisagem.
O projeto integra a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) e prevê atrair, já no primeiro ano, mais de dez mil visitantes. Ao longo do trajeto, sete unidades de conservação são atravessadas, entre elas o Parque Estadual do Utinga e o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia, além de seis territórios quilombolas que oferecem cultura, hospitalidade e modos de vida preservados.
Foto: Divulgação
Atrativos no evento Trilha Amazônia
A Amazônia que se revela no caminho vai além das florestas. A trilha atravessa municípios que conectam Belém a Viseu — passando por Ananindeua, Castanhal, Santa Izabel do Pará, Capanema, Bragança e muitos outros. Cada trecho apresenta um mosaico de paisagens naturais e modos de vida, permitindo experiências autênticas com artesãs, agricultores familiares, cozinheiras tradicionais e jovens empreendedores que encontram no ecoturismo novas oportunidades de renda e valorização cultural.
Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a conquista representa um marco histórico que consolida o papel do Pará no desenvolvimento de rotas sustentáveis.
“Depois de cinco anos, inauguramos durante a COP30 a Trilha Amazônia Atlântica. Ela envolveu população, municípios, Governo Estadual e Governo Federal. Participamos da capacitação e da montagem da maior parte da sinalização, fundamental para os usuários. É uma trilha que preserva a ecologia, apoia a população local e também é peregrina: leva romeiros de Bragança a Belém no Círio de Nazaré e retorna para a festa de São Benedito. É completa e nos enche de felicidade”, celebrou.
Somando inovação ao esforço comunitário e ambiental, a plataforma digital eTrilhas, selecionada pelo EmbraturLAB, passou a integrar o projeto como ferramenta de apoio aos viajantes. Pelo aplicativo, será possível localizar hospedagens, restaurantes, serviços e empreendedores ao longo do percurso.
O acesso será facilitado por QR Codes instalados nos estabelecimentos parceiros, estimulando a circulação de renda, fortalecendo negócios locais e garantindo uma experiência ainda mais conectada e transparente para quem embarcar nessa jornada pela Amazônia paraense.
A CDE foi criada em 1978 pelos pais de Kilze e foi um empreendimento familiar até 2016. Na época se chamava LDE e devido à questões motivacionais dos familiares, resolveu-se separar os caminhos. Foi quando Kilze assumiu a liderança e fundou a CDE Blindex.
“Empreender na Amazônia é acreditar que temos novas possibilidades diante dos desafios”, declara Kilze.
A loja começou com apenas 12 funcionários e atualmente conta 80 colaboradores em nove anos. A estrutura da atual conta com três setores: área administrativa, área comercial e área de produção.
De acordo com a empresária, atualmente, todos os vidros da CDE são 100% reciclados. A iniciativa começou a partir da preocupação em reaproveitar pequenos pedaços de vidro que, até então, eram destinados ao descarte. Com esse olhar voltado à sustentabilidade, a empresa passou a estruturar processos específicos para o reaproveitamento integral do material.
Nesse contexto, surgiu a linha de produtos “Erika Glass”, criada em homenagem à sua mãe, com a produção de cantoneiras e prateleiras. Além disso, a CDE estabeleceu parceria com uma fábrica de argamassa, responsável por reaproveitar o restante do material que anteriormente seria encaminhado para o lixo.
E a CDE segue “a todo vapor” . A empresa conta em seu portfólio com soluções desenvolvidas para atender diferentes necessidades. Entre elas está o Vidro Habitat, fabricado exclusivamente pela CDE em Manaus, que se destaca pelo conforto térmico de até 70% de redução de calor e pela contribuição para ambientes mais agradáveis e protegidos, aliando tecnologia, eficiência e bem-estar.
Outro destaque é o Box Slim Blindex®, um modelo tradicional e funcional, ideal para ambientes compactos, que proporciona melhor aproveitamento de espaço sem abrir mão da segurança, da estética e da qualidade já reconhecida da marca.
Kilze Krauss é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, do canal Amazon Sat:
María Corina venceu o Prêmio Nobel da Paz em 2025. Foto: Reprodução/Instagram – @marinacorinamachado
María Corina Machado Parisca nasceu em 7 de outubro de 1967, em Caracas, na Venezuela, país que faz parte da Bacia Amazônica e por consequência, torna María uma mulher amazônida. A engenheira industrial, professora e política, é reconhecida como uma das principais líderes da oposição ao governo ditatorial venezuelano e ganhou ainda mais notoriedade após ser escolhida para receber o prêmio Nobel da Paz de 2025.
A ativista é formada pela Universidade Católica Andrés Bello e com mestrado em finanças pelo Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA). E ela também já atuou como empresária e professora antes de se engajar na política.
Seu comprometimento com a sociedade começou ainda jovem e se transformou em uma carreira política marcada por confrontos com o poder dominante na Venezuela.
María Corina Machado liderou a luta pela democracia diante do crescente autoritarismo na Venezuela. Ela iniciou sua jornada social com a criação da Fundação Atenea, para ajudar órfãos e crianças carentes da cidade de Caracas. Foi também presidente da Fundação Oportunidades.
Ela fundou a Súmate, em 2002, um grupo voluntário que promove direitos políticos e fiscaliza os períodos eleitorais, em conjunto com Alejandro Plaz, que incentiva eleições livres e justas e realiza treinamentos e monitoramento eleitoral.
Foi eleita para a Assembleia Nacional da Venezuela, com recorde de votos, no ano de 2010. O regime autoritário na Venezuela a destituiu do cargo em 2014.
Liderou o partido de oposição Vento Venezuela e, em 2017, ajudou a fundar a aliança Soy Venezuela, que une forças pró-democracia no país, transcendendo as divisões políticas.
Em 2023, ela anunciou sua candidatura à presidência nas eleições presidenciais de 2024. Quando foi impedida de concorrer, apoiou o candidato alternativo da oposição, Edmundo González Urrutia. A oposição mobilizou-se amplamente e coletou documentação sistemática que comprovava sua verdadeira vitória nas eleições. O regime declarou vitória e consolidou seu poder.
María Corina encontrando o ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush, para discutir sobre o Súmate. Foto: Eric Draper / Wikipédia
Luta pelos direitos básicos para os venezuelanos
A engenheira estava na linha de frente das manifestações contra o regime autoritário na Venezuela em 2014. O congresso da Venezuela, em 18 de Março, solicitou uma investigação criminal de María por crimes, incluindo traição por seu envolvimento nos protestos anti-governo.
Ela respondeu às acusações legais feitas contra ela dizendo, para um jornal local: “Em uma ditadura, quanto mais fraco o regime é, maior a repressão”.
Desde seu mandato cassado, juntamente com seus eleitores, iniciaram uma marcha em 1° de abril em direção ao centro de Caracas em protesto contra a expulsão dela, quando ela tentou retornar a seu assento na Assembleia Nacional. Os manifestantes foram impedidos de sair pela Guarda Nacional, que os dispersou com gás lacrimogêneo.
María Corina recebe o Prêmio Nobel da Paz, antes de tudo, por seus esforços para promover a democracia no país venezuelano. Segundo o site oficial do Prêmio Nobel, “a democracia também está em retrocesso internacionalmente. A democracia – entendida como o direito de expressar livremente a própria opinião, de votar e de ser representado em governos eleitos – é o alicerce da paz tanto dentro dos países quanto entre eles”.
Corina venceu o Prêmio Nobel da Paz “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, de acordo com o comitê norueguês do Nobel.
A líder da oposição vive escondida na Venezuela desde seus problemas políticos com Nicolas Maduro. E, por isso, María Corina não esteve presente na cerimônia de entrega do prêmio, que foi recebido por sua filha Ana Corina Sosa Machado.
A escolhida chegou a Oslo, somente na noite do dia 10 de dezembro, após a cerimônia de entrega do Prêmio. Esta foi a primeira aparição pública da líder da oposição venezuelana em 11 meses.
“Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, em Oslo.
O Prêmio Nobel da Paz entregue é avaliado em 11 milhões de coroas suecas – cerca de R$ 6,2 milhões.
*Contém informações do site oficial do Prêmio Nobel e Agência Brasil
O governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), encerrou no dia 10 de dezembro, o V Encontro Estadual dos Representantes de Doença de Chagas do estado, realizado no auditório da própria Secretaria. O evento, promovido anualmente desde 2021, reuniu representantes das 13 Regionais de Saúde, gestores municipais, instituições parceiras e especialistas para discutir estratégias de prevenção, vigilância, diagnóstico e resposta ao agravo, especialmente na forma aguda transmitida por via oral, que segue como o maior desafio no Estado.
Ao longo de dois dias de programação, os participantes apresentaram resultados locais, debateram fluxos de investigação, ações de segurança alimentar e rastreabilidade do açaí, além de pactuarem metas e responsabilidades para 2026. A programação também contou com trilhas temáticas de Nutrição, Gestão e Ensino-Pesquisa-Assistência, além de mesas-redondas envolvendo o Ministério Público, a Vigilância Sanitária, a Adepará, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva do açaí.
De acordo com o coordenador estadual de Doença de Chagas, Éder Amaral, o estado apresentou avanços importantes ao longo do ano.
“Em 2025, registramos uma redução de 19% nos casos de Doença de Chagas Aguda por transmissão oral, com diminuição também em números absolutos. Esse resultado está diretamente ligado ao aumento da suspeição clínica pelos profissionais de saúde, aos fluxos aprimorados de diagnóstico e à garantia de tratamento para 100% dos pacientes com resultado positivo”, destacou.
Ele lembrou ainda que houve ampliação do número de batedeiras licenciadas e treinadas para realizar corretamente o branqueamento do fruto, etapa essencial de prevenção contra a contaminação.
Pará segue em alerta
Mesmo com os avanços, Éder reforçou que o Estado continua em alerta permanente.
“O Pará segue como o Estado da Amazônia com maior número de episódios de Doença de Chagas Aguda, predominantemente relacionados à ingestão de alimentos contaminados, como o açaí. Nosso papel é fortalecer continuamente a vigilância e assegurar que municípios, produtores, órgãos de fiscalização e serviços de saúde atuem de forma integrada”, afirmou.
Entre os destaques de 2025, a Sespa consolidou ações técnicas e operacionais, como a realização de seminários e capacitações regionais, atualização de materiais orientadores e missões em diversos municípios, fortalecendo o trabalho territorial de prevenção, vigilância e resposta ao agravo.
Com foco no planejamento para 2026, o encontro encerrou com pactuações voltadas ao fortalecimento das ações de base territorial. “Nossa prioridade é reduzir os surtos domiciliares, especialmente nas comunidades ribeirinhas, por meio da educação em saúde, treinamento dos batedores de açaí domésticos, melhoria da notificação ativa e do fluxo de envio das amostras para investigação. Saímos deste encontro com compromissos escritos e operacionais, cronogramas definidos e uma agenda de capacitações que vai permitir avançar ainda mais no próximo ano”, afirmou Éder Amaral.
As prioridades pactuadas incluem: intensificar a fiscalização sanitária e o cumprimento das boas práticas de processamento do açaí; fortalecer ações intersetoriais envolvendo vigilância, Adepará e setores agrário e ambiental; aprimorar a resposta rápida a surtos; e ampliar estratégias de comunicação comunitária para prevenção da transmissão oral.
O V Encontro Estadual dos Representantes de Doença de Chagas concluiu mais um ciclo de integração entre Estado e municípios, reafirmando o compromisso da Sespa em aprimorar continuamente as estratégias de prevenção, vigilância e controle do agravo em todo o território do estado.
Livro narra a saga da Família Coelho, presente na região do Vale do Rio Madeira — no sul do Estado do Amazonas, atual divisa com Rondônia — desde o século 19. Foto: Divulgação
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Nesta sexta-feira (12/12), a cidade de Porto Velho (RO) foi palco de um evento cultural de grande relevância, com o lançamento do livro “O tabelião e o ministro”, de autoria do escritor Júlio Olivar. O evento foi organizado pela Emeron (Escola da Magistratura de Rondônia), que idealizou e editou o livro, distribuído gratuitamente — impresso e em formato digital.
O evento, realizado no Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um local icônico da história da capital rondoniense, reuniu autoridades, personalidades, estudantes, imprensa e amantes da historiografia regional. O presidente da Emeron, desembargador Alexandre Miguel, que fez a apresentação do livro sobre a família Coelho, foi o primeiro a se pronunciar, enaltecendo o papel da entidade que mantém projetos editoriais e o Centro Cultural e de Memória.
O livro, que narra a saga da Família Coelho, presente na região do Vale do Rio Madeira — no sul do Estado do Amazonas, atual divisa com Rondônia — desde o século 19, é um tributo à memória do tabelião Francisco Plínio Coelho, avô do ministro do STJ, Raul Araújo, e pioneiro em Humaitá que presenciou o surgimento da cidade de Porto Velho. Entre os membros da família Coelho, destacou-se o ex-governador do Amazonas Plínio Coelho, que foi uma das maiores lideranças do Norte do país entre as décadas de 1950 e 1980.
Durante o cerimonial, o autor entregou simbolicamente um exemplar da primeira edição do livro sobre a família Coelho ao ministro Raul Araújo, que se mostrou emocionado com a homenagem e falou em nome de sua família. As presenças do ministro e outras autoridades, incluindo o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, Raduan Miguel, e o presidente da Academia Rondoniense de Letras, Diego Vasconcelos, deram um tom de importância ao evento.
Livro O Tabelião e o Ministro sendo entregue a membro da família Coelho. Foto: Divulgação
A manhã de autógrafos foi um sucesso, com a presença de pessoas de várias faixas etárias e personalidades que apreciam a historiografia regional. Além disso, os convidados tiveram a oportunidade de fazer um passeio na maria-fumaça, um charme que remete ao passado ferroviário da cidade.
O lançamento de “O tabelião e o ministro” é um exemplo de como a cultura e a história podem ser celebradas de forma criativa e envolvente. O livro sobre a família Coelhoestá disponível gratuitamente para download no link: https://emeron.tjro.jus.br/images/Ebooks/O_Tabeliao_e_o_Magistrado_09_10.pdf; é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se interessam pela história de Rondônia, da Amazônia e do Brasil.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Anta é um dos animais encontrados na Amazônia. Foto: Zoológico FollyFarm
A Declaração de Mamirauá é um “compromisso unificado para proteger a inigualável biodiversidade e patrimônio cultural da Amazônia”. Trinta organizações de todo o mundo assinaram o acordo em um evento que ocorreu durante a cúpula. O Instituto Mamirauá, a Universidade Politécnica da Catalunha e a Fundação XPRIZE lideraram os esforços para coordenar e promover a declaração que ajuda a floresta amazônica.
“A declaração é um chamado para reunir governos, ONGs, povos indígenas, comunidades locais e o setor privado para medir o pulso da floresta”, disse Emiliano Ramalho, diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá, à Mongabay. “Olhando de cima, é possível dizer que a floresta está ali, mas para ver se ela está pulsando ou não, é preciso ir até lá e monitorar, e essa é a ideia-chave da declaração”.
Sob uma estrutura unificada, a declaração tem como objetivo reunir iniciativas de longo prazo, porém dispersas, que vêm monitorando a floresta amazônica há anos. Um de seus maiores destaques é a participação ativa de povos indígenas e de comunidades locais nos esforços de monitoramento. A declaração também pede mais capacitação nos países que compõem a Bacia Amazônica.
A declaração foi assinada por trinta organizações de todo o mundo para agilizar o monitoramento da biodiversidade na Floresta Amazônica. Foto: Fundação XPRIZE
“Normalmente, são instituições do Norte Global obtendo dados do Sul Global e analisando esses dados”, disse Ramalho. “Precisamos promover a análise de dados realizada localmente e a construção de infraestrutura local em parceria com organizações de base comunitária e instituições nacionais de pesquisa”.
Embora o mecanismo da estrutura tenha sido desenvolvido nos últimos meses, sua base está em um projeto transfronteiriço e interdisciplinar que instalou sensores no Brasil, no Peru e na Bolívia para monitorar a biodiversidade por meio da coleta de imagens, áudio e outros dados ambientais. O The Providence Project foi um dos seis finalistas da XPRIZE Rainforest Competition, um concurso de US$ 10 milhões para identificar tecnologias que poderiam automatizar o monitoramento de florestas tropicais. A competição, que durou cinco anos, foi concluída no ano passado.
Floresta Amazônica. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
“Isso nos permitiu integrar técnicas complementares à nossa própria abordagem”, disse Michel André, diretor do Laboratório de Bioacústica Aplicada da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC-BarcelonaTech), à Mongabay.
“Nosso trabalho de monitoramento da biodiversidade em longo prazo em Mamirauá [Reserva de Desenvolvimento Sustentável localizada no Amazonas] reforçou a convicção de que poderíamos ampliar esse modelo e promovê-lo como uma estrutura unificada para enfrentar os desafios que a floresta amazônica enfrenta”.
A declaração, que está aberta à adesão de outras organizações de todo o mundo, será implementada em três fases. A primeira é compreender a governança dos esforços existentes. “Agora precisamos construir a estrutura operacional, um passo que levará de um a dois anos para ser concluído”, disse André.
Em seguida, haverá sua implementação em níveis nacionais, depois da qual será implementada de forma simplificada em toda a Amazônia.
Desafios a serem enfrentados para proteger a floresta amazônica
Pôr do sol na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Foto: Odjair Nascimento Baena via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Por um lado, captar recursos suficientes para fazer isso em larga escala não é uma tarefa fácil. Também será necessário o esforço para fazer com que os países trabalhem de forma coordenada. “Estamos falando de muita diplomacia e multilateralismo”, disse Ramalho. “Portanto, um dos desafios é fazer com que todos estejam na mesma página”.
Tanto Ramalho quanto André, porém, expressaram esperança de que tudo se concretize nos próximos anos.
Daqui a cinco anos, “espero mostrar a você uma plataforma onde você poderá ver qualquer informação que quiser sobre a biodiversidade na Amazônia”, disse Ramalho. “E saber o que está acontecendo sob o dossel em tempo real”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Abhishyant Kidangoor e editado por Xavier Bartaburu
A capa do boletim tem design de Júlia Goulart e a foto é de Luiza Mastop (2024). Imagem: Montagem criada pelo MPEG
Descobrir e cultivar a memória de povos tradicionais, dos conhecimentos ancestrais, é algo basilar para a identidade de qualquer país. Isso porque a cultura e a história de cidadãos indígenas, quilombolas e ribeirinhosna Amazônia ou em qualquer outro bioma do mundo podem e devem funcionar como referência sólida para a busca da justiça social e o desenvolvimento sustentável, como fontes de conhecimento. E, por incrível que pareça, essas sociedades não têm podido divulgar e compartilhar de forma abrangente e perene seus saberes para as novas gerações no Brasil.
Daí ser oportuno o acesso do público ao conteúdo da nova edição do Boletim Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi (Vol. 20, nº 3 – setembro/dezembro 2025), com o dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão”. Essa publicação reúne artigos de intelectuais indígenas e quilombolas de vários estados do Brasil com novos olhares sobre temáticas estruturais para a construção do futuro da sociedade brasileira.
A organização do dossiê, que reúne 15 contribuições, é dos pesquisadores José Heder Benatti, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fatima Fernandes), Uwira Xakriabá (William César Lopes Domingues), Almires Martins Machado, Flávia Silva dos Santos e Jane Felipe Beltrão.
A foto da capa do boletim mostra uma criança indígena sorrindo para a câmera, ao lado de uma mulher adulta, ao se banhar em um rio. A imagem foi captada por uma das autoras do dossiê, a antropóloga Luiza Mastop, e tem significados múltiplos. Um deles, como se vê na publicação, é o de que os povos tradicionais seguem produzindo novos conhecimentos, a serem desfrutados em territórios do futuro, contra o ‘sequestro’ de seus direitos.
Sustentabilidade, educação e linguística
De início, pode-se ler sobre como os conhecimentos tradicionais proporcionam uma agricultura indígena sustentável, sem obedecer a concepções eurocentradas. Trata-se do artigo “Territórios indígenas, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade nas Amazônias”, escrito pelos pesquisadores Jane Felipe Beltrão, Gutemberg Armando Diniz Guerra e Tallyta Suenny Araújo da Silva.
A educação escolar diferenciada como fator decisivo para a valorização e a perpetuação desse conhecimento tradicional é abordada em artigo da pesquisadora Rosain Kamury: “Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola: movimentos de luta pelo direito à escola”. Nesse mesmo contexto, os meandros da educação e da identidade do povo Aikewara são expostos no artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade Aikewara em foco”, assinado por Luiza de Nazaré Mastop-Lima e Arihera Suruí.
Em outra face da temática do dossiê da revista científica do MPEG, a língua de um povo mostra-se um elemento estratégico para a resistência dos integrantes de um povo diante de ameaças sucessivas. Isso pode ser conferido no artigo dos pesquisadores Lucivaldo Costa e Bekroti Xikrín: “Escrita em língua materna e fortalecimento etnolinguístico”.
Saúde mental e letramento racial
A saúde mental e o bem-viver encontram nas concepções indígenas significados capazes de gerar novas perspectivas sobre esses temas tão presentes no debate das sociedades contemporâneas. Essa temática é acessada pelo leitor no estudo feito pelos intelectuais indígenas Idjarrury Sompré e Eliane Rodrigues Putira Sacuena, intitulado “Bem-viver psicoanimista como alternativa ao conceito de saúde mental: uma proposta a partir de cosmologias indígenas brasileiras”, produzido 0a partir da atuação profissional em coletivos indígenas.
O artigo “A cartilha de letramento racial como forma de enfrentamento ao racismo”, de autoria dos pesquisadores Andrew Rêgo Benjó e Celyne da Fonseca Soares, traz uma proposta de posicionamento concreto frente ao racismo praticado cotidianamente contra os povos originários brasileiros, em particular, o povo negro. Nesse documento, é abordada a aplicação prática do conhecimento acadêmico no enfrentamento de situações de segregação e desrespeito aos povos tradicionais no dia a dia.
Já na seção Debate, Almires Martins Machado, em coautoria com Divina Lopes Guarani e Yvy Mirim (nome civil: Priscila Guarani), traz o artigo “Kunangue Tenondetá: indígenas mulheres Guarani em movimento” com foco nas ações dessas duas lideranças indígenas mulheres para sustentar as possibilidades do bem-viver guarani, ou seja, cuidar dos saberes do povo, inclusive, por meio da língua materna, na coexistência com pessoas não guarani, sem perder a identidade indígena.
E o boletim ainda traz um ensaio fotográfico de José Ubiratan Sompré, intitulado “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta”. Esse trabalho versa sobre Kátia Silene Valdenilson (nome civil), a primeira cacica de seu povo, os Akrãtikatêjê, que mantém a luta na defesa dos direitos indígenas, como herdeira de seu pai, o líder Hõpryre Ronoré Jopikti Payaré. Ele jamais desistiu de lutar contra o deslocamento forçado quando da construção da Hidrelétrica de Tucuruí.
O boletim também traz três resenhas. Uma delas é “Descolonizar metodologias é necessário, alerta Linda Smith, pesquisadora maori”, de Rita Carneiro. A autora explana sobre os princípios da obra “Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas”, lançada por Linda Smith em 1999, como referência para compreensão do universo dos povos tradicionais no Brasil.
“Fatumbi: o oráculo do olhar”, de Daniely Rosário, mostra a essência antropológica das religiões afro-descendentes no Brasil, a partir de trabalhos históricos de Alex Baradel e de Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996). E ainda “Povos indígenas e audiovisual: memórias e resistências no Xingu”, de Camille Castelo Branco, fala sobre o trabalho organizado por Takumã Kuikuro e Guilherme Freitas. Referenciada por autoridades indígenas e não indígenas, como Ailton Krenak, Carlos Fausto, Naine Terena e Watatakalu Yawalapiti, a obra versa sobre a importância dos registros audiovisuais para a concretização de uma vida digna aos povos indígenas.
Povo do Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA
Artigos científicos
Além do Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão”, esta edição do Boletim Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi traz ainda aos leitores sete artigos científicos e uma seção Memória.
Os três primeiros artigos têm como títulos:
“A terra do ‘grande senhor Aparia’ e seus descendentes: sobre os Omágua/Kambeba à margem da História”, de Ferran Cabrero;
“A (morfo)fonologia das consoantes oclusivas orais em Proto-Tupi-Guarani: problemas em aberto, problemas resolvidos e novos problemas”, de Fernando O. de Carvalho;
e “Evidências arqueopalinológicas de atividades e relações de populações pré-coloniais com o ambiente semiárido, Bahia, Brasil”, de José Orlando Bispo dos Santos, Cristiana de Cerqueira Silva-Santana e Francisco Hilder Magalhães-e-Silva.
Os outros títulos dos artigos são:
“Términos comparativos y de parentesco en la zoonimia y fitonimia de los toba del oeste de Formosa (Argentina)”, escrito por Pastor Arenas e Nicolás M. Kamienkowski;
“Modelagem fotogramétrica de sítios arqueológicos e geração de produtos cartográficos: suporte à pesquisa e divulgação do patrimônio cultural de Serranópolis, Goiás, Brasil”, de Paulo Rodrigo Simões, Edilson Teixeira de Souza, Luis Augusto Koenig Veiga e Marcio Schmidt;
“Tecnologías y resiliencia en el Valle de Lambayeque: perspectiva desde el complejo arqueológico Ventarrón y Collud”, de Marcia Arcuri Suñer, Fabiola Andréa Silva, Marcelo Fagundes e Néstor Ignacio Alva Meneses;
e “Habitar os sertões: arqueologias e materialidades sertanejas na comunidade de Floresta, São João da Serra, Piauí”, de Vinícius Melquíades.
Memória
Na seção Memória, o leitor confere artigos, como “Paiakan, líder Kayapó: assassinado pelo Estado brasileiro”, de Uwira Xakriabá, acerca dessa liderança kayapó no Pará, Bepkororoti, conhecido mundialmente como Paulinho Paiakan, com atuação marcante pelos direitos dos povos indígenas a partir do município de Altamira, no Pará, em dois momentos de luta contra o Estado.
Já no texto “Memória cotidiana do quilombo Rio Genipaúba”, o pesquisador Amilton Bitencourt Azevedo apresenta as dificuldades de se construir um relato histórico sobre uma comunidade negra. Isso por conta do racismo que atinge esse núcleo populacional na área de várzea do município de Abaetetuba, no Pará.
A experiência milenar de ser cidadãos ribeirinhos diante da falta de apoio governamental para manifestações culturais que fortalecem a identidade de uma comunidade na cidade de Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó, também é tema de leitura no dossiê do MPEG. Trata-se do artigo “Espaço cultural Casa do Poeta: saraus, performances e a palavra como transformação”, de autoria do pesquisador Marcos Samuel da Costa Conceição. Desse relato memorial surge a pergunta: “Como ribeirinhas/os, não temos direitos culturais?”.
Ainda na seção Memória, com o título “Prazer, meu nome é Galdino Ramos’: uma biografia científica de um pioneiro da identificação forense no Brasil”, Gabriel Angelo da Silva Gomes, Maria Cláudia Santiago e Raul Yukihiro Matsushita relatam a trajetória do médico brasileiro Galdino Ramos e defendem sua significativa contribuição para as ciências forenses no Brasil, especialmente no âmbito da medicina legal e da identificação forense.
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Você que vai a um estádio de futebol acompanhar o seu time favorito ou assiste os jogos pela televisão, com certeza já se deparou com uma figura bem animada, geralmente um animal ou objeto fictício, sempre na beira do gramado interagindo com jogadores e a torcida. São as chamadas mascotes, personagens que representam a história e identidade de um clube.
As mascotes de time são uma tradição no mundo, não só no futebol, mas em todo ambiente esportivo, pois elas são fundamentais para a representação do processo cultural de uma agremiação. A ideia nasceu há muito tempo, com registros de tribos e clãs que usavam símbolos para representar suas crenças e identidades, mas se popularizou no futebol somente no século XX.
Na Região Norte, os clubes de futebol profissional também têm mascotes, que vão desde animais da fauna amazônica até símbolos que descrevem qualidades ou fatos históricos dos times.
Confira uma lista das mascotes de alguns times de cada estado da Região Norte e seus significados: