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Turismo em Santarém cresce mais de 15% e movimenta cerca de R$ 202 milhões em 2025, aponta Dieese

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Foto: Reprodução/Agência Santarém

turismo em Santarém (PA) registrou forte crescimento entre 2024 e 2025, com o aumento superior a 15% no número de visitantes e movimentação econômica que ultrapassou R$ 202 milhões no último ano. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em informações da Secretaria de Estado de Turismo do Pará, e evidenciam o fortalecimento do município como um dos principais destinos turísticos da Amazônia.

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Em 2024, Santarém recebeu 271.845 turistas, sendo 269.166 visitantes nacionais e 2.679 estrangeiros. No ano seguinte, o fluxo subiu para 312.675 pessoas, das quais 309.541 eram turistas brasileiros e 3.134 internacionais. O resultado representa crescimento de aproximadamente 15% na movimentação turística em apenas um ano.

O aumento do fluxo de visitantes também se refletiu diretamente na economia local. Em 2024, os turistas nacionais movimentaram R$ 172.533.590, enquanto os visitantes estrangeiros gastaram R$ 1.196.596, totalizando R$ 173.730.187.

Já em 2025, a receita gerada pelo turismo alcançou R$ 202.407.634, sendo R$ 201.001.633 provenientes do turismo nacional e R$ 1.406.001 do internacional, um crescimento de cerca de 16,5% na movimentação financeira do setor.

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Praia do Cajueiro em Alter do Chão. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Para o secretário municipal de Turismo de Santarém, Emanuel Júlio Leite, os resultados refletem o trabalho de fortalecimento da atividade turística e de qualificação da cadeia produtiva local.

“Estamos investido na qualificação de profissionais, no fortalecimento das comunidades e na valorização dos nossos atrativos naturais e culturais. O turismo é um importante vetor de geração de renda e oportunidades para a população. Aliado a isso, o esforço do Governo do Estado que, em 2025, realizou a COP30, em Belém, evento que impulsionou investimentos, visibilidade internacional e novas oportunidades para o turismo. Soma-se ainda o trabalho do Ministério do Turismo, que também elevou o patamar do setor ao registrar, em 2025, números recordes de desempenho turístico em todo o Brasil”, destacou.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo de Santarém (Semtur) está a oferta de cursos e oficinas voltados à capacitação de trabalhadores e empreendedores do setor. As formações incluíram áreas como culinária regional, Turismo de Base Comunitária (TBC) atendimento em bares e restaurantes, camareira, boas práticas na manipulação de alimentos e outros, contribuindo para elevar o padrão dos serviços turísticos.

Outro destaque foi a qualificação de condutores de visitantes, com foco na interpretação do patrimônio natural e cultural da Amazônia. Ao todo, 902 pessoas foram certificadas nas capacitações realizadas ao longo de 2025, fortalecendo a qualidade da experiência oferecida aos turistas.

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Terminal Fluvial Turístico da orla de Santarém. Foto: Arquivo Ccom/PMS
Terminal Fluvial Turístico da orla de Santarém. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Paralelamente, a gestão municipal ampliou as ações voltadas ao Turismo de Base Comunitária (TBC), apoiando a estruturação de roteiros em comunidades localizadas às margens dos rios Tapajós e Arapiuns, como Alter do Chão, Ponta de Pedras, Arimum, Tucumã, Vila Socorro e Vila brasil, Maripá e São Marcos. Nessas localidades, moradores passaram a oferecer experiências autênticas, incluindo vivências culturais, oficinas de artesanato e passeios guiados.

O artesanato regional também se destacou entre os produtos mais valorizados pelos visitantes. Mais de 80% dos turistas avaliaram o artesanato local como ‘muito bom’, e a compra de peças e souvenirs representa parcela importante dos gastos realizados durante a estadia.

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Praia de Ponta de Pedras. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Para o prefeito de Santarém, José Maria Tapajós, os números confirmam o potencial do turismo como estratégia de desenvolvimento econômico e valorização cultural do município.

“O turismo tem papel estratégico no desenvolvimento de Santarém. Estamos trabalhando para estruturar cada vez mais o setor, gerar oportunidades para a nossa população e valorizar as comunidades e a cultura que fazem parte da identidade amazônica do nosso município”, afirmou.

*Com informações da Prefeitura de Santarém.

Geografia local é o principal desafio para avanço do saneamento básico na região Norte, aponta especialista

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Foto de capa: José Cruz /Agência Brasil

O Instituto Trata Brasil divulgou o ranking atualizado dos 100 municípios com os piores índices de saneamento básico entre as cidades mais populosas do Brasil. Os dados mostram que os piores resultados estão concentrados na região Norte do país e o destaque negativo fica por conta de Santarém, no Pará, que lidera o levantamento.

Além de Santarém, outros municípios da região estão na lista: Parauapebas, Belém e Ananindeua, também do estado paraense; Porto Velho (Rondônia), Rio Branco (Acre) e Macapá (Amapá). Eles estão entre as dez primeiras posições do ranking, baseado em informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). A lista completa das cidades pode ser conferida AQUI.

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Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, as particularidades geográficas da região Norte são consideradas as maiores dificuldades para avanço do saneamento básico.

“O maior desafio é a especificidade da geografia e cultura local e a baixa densidade demográfica. O fato da gente estar numa região rica em biodiversidade tem que ser levado em consideração, é uma região onde a solução muitas vezes para o acesso ao saneamento não vai ser convencional por conta dos povos ribeirinhos. Então, a gente precisa pensar em soluções que casem com a realidade da geografia, com a cultura de cada um dos itens que representam a região Norte de forma geral”, pontuou Luana.

Belém também está entre as 10 cidades com pior índice de saneamento básico dos 100 municípios mais populosos do Brasil. Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Outro fator “complicador” citado por Luana são as redes de abastecimento de água instaladas nas cidades. Segundo a presidente, muitas já são antigas e tem apresentado diversos problemas nos últimos anos.

“Quando se tem rede e tubulações antigas que tem muitos problemas de deteriorização e vazamento, é preciso trocar esses sistemas e muitas das vezes a infraestrutura já existente não possibilita um espaço para colocar novas redes de abastecimento de água ou coleta e tratamento de esgoto. É preciso que as soluções sejam planejadas de maneira inovadora. Por isso que eu sempre digo que é mais difícil modernizar do que começar do zero, porque a gente não sabe o que está pegando, qual é a realidade e o que precisa fazer. Do ponto de vista técnico, é bastante desafiador, mas que tem solução”, frisou a presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

O diretor-presidente da Águas do Pará, André Facó, confirma que o crescimento urbano acelerado é um ponto específico que contribui para a dificuldade em relação ao envelhecimento dos sistemas e que impactam no cenário geral.

“O saneamento ainda é um problema crônico no país. O Pará é um recorte do que acontece no país. (…) Quando a gente vem aqui para o Pará, talvez os dois grandes desafios sejam, primeiro, essa baixa cobertura em relação ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário (…) E o segundo desafio que nós temos aqui é de instalações, infraestruturas, tubulações, que são relativamente antigas e que precisam de investimentos para que a gente possa ter a garantia do fornecimento daquilo que já existe”, comenta Facó.

Geografia local é o principal desafio para o avanço do saneamento básico na região Norte, aponta especialista
André Facó, presidente da Águas do Pará, na CBN Belém. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Importância do investimento

De acordo com Luana Pretto, a região Norte conta com 62% da população com acesso á agua tratada, e apenas 16% estão contemplados com o serviço de coleta e tratamento de esgoto.

Apesar dos números críticos, a presidente destacou a importância dos investimentos para a implementação do saneamento básico na região amazônica.

“Por outro lado, em cada um real investido em saneamento básico na região amazônica, a gente tem um retorno de R$ 5,10, o que impacta significativamente na redução de custos com saúde, reflete no ganho de produtividade, na valorização imobiliária. No caso do Pará, significa um retorno para cada cidadão de aproximadamente R$ 650 por ano. Isso demonstra a importância da priorização desse tema, principalmente na região Norte”, pontuou.

Luana destacou ainda que um bom planejamento é crucial para a implementação do saneamento básico nas cidades do Norte. “Quando a gente fala de acesso pleno ao saneamento, a gente primeiro precisa ter o planejamento, para depois fazer o projeto, correr atrás do licenciamento ambiental, e partir daí a gente possa ter as obras iniciadas e efetivamente levar o acesso a água tratada e coleta e tratamento de esgoto. Isso é um ciclo de vida longo, pois é necessário estudar cada realidade, identificar os problemas e planejar de acordo com a realidade in loco. Por isso que a gente colhe os frutos no médio e longo prazo”, explicou Pretto, que destacou:

“Temos uma oportunidade de melhorar a vida de muitas pessoas, daquelas que não tinham água tratada e possam começar a ter, e assim diminuir o número de doenças, trazendo melhoria para a escolaridade das crianças, uma renda média para os adultos. A gente está falando efetivamente de trazer qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento econômico e social para muitas famílias, além de garantir um futuro melhor e conservação para toda essa biodiversidade tão rica da nossa região. E isso vem com acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto”, finalizou Luana.

Águas que transformam

As entrevistas com Luana Pretto e André Facó fazem parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 18 de março.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, no quadro ‘Águas que Transformam’, na CBN Belém. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação do jornalista Ronaldo Santos, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira as entrevistas completas (a partir de 1:16):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’ AQUI.

‘Humanos’: livro de Celso Athayde é lançado em Manaus com apoio da CUFA Amazonas

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Foto: Reprodução/Instagram-celsoathayde

A CUFA Amazonas realiza, em Manaus, o lançamento do livro ‘Humanos’, obra do fundador da Central Única das Favelas, Celso Athayde. O evento marca um momento importante de reflexão e diálogo sobre desigualdade, oportunidades e transformação social a partir das periferias.

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Reconhecido internacionalmente quando o assunto é favela, empreendedorismo e impacto social, Celso Athayde compartilhará sua trajetória, a atuação da CUFA no Brasil e no mundo, e os bastidores da construção do livro, escrito em parceria com seu filho, Marcus Vinícius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global.

“Trazer o lançamento de ‘Humanos’ para o Amazonas, com o apoio da CUFA Amazonas, é reafirmar que a favela e seus territórios têm voz e sabe analisar suas próprias dores. O livro é um manifesto de urgência. Precisamos decidir se vamos continuar construindo muros ou se vamos finalmente oferecer as pontes que a educação e o investimento social representam para esses jovens”, diz Celso Athayde, Fundador da Cufa e autor.

Lançado recentemente, Humanos propõe um olhar sensível sobre o tráfico como reflexo das desigualdades sociais no Brasil.

'Humanos': livro de Celso Athayde é lançado em Manaus com apoio da CUFA Amazonas
Foto: Divulgação

Leia também: CUFA Amazonas protagoniza apoio à IV Marcha das Mulheres Indígenas e reúne 700 pessoas em Manaus

‘Humanos’

A obra reúne dados de pesquisa do Data Favela com quase 4 mil pessoas em 23 estados. Os resultados mostram que a maioria é jovem, preta e com família; muitos ingressaram por falta de recursos e afirmam que teriam priorizado os estudos se tivessem oportunidade. Além disso, 84% não querem que os filhos sigam o mesmo caminho.

“O livro Humanos é a concretização de um intenso trabalho de pesquisa de campo realizado em Manaus e em outros estados do país. A obra nasce da escuta de pessoas que vivem a realidade do tráfico e propõe um olhar mais humano sobre contextos marcados pela desigualdade. Trazer esse lançamento para o Amazonas reforça nosso compromisso com a verdade das periferias”, destaca Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

O lançamento em Manaus reforça o compromisso da CUFA Amazonas com o fortalecimento do debate público, a valorização das vozes das periferias e a construção de caminhos reais para a transformação social.

O lançamento acontece nesta quinta-feira (19) a partir das 8h, na Livraria Valer, localizada na Rua José Clemente, n°.608, no Centro de Manaus. O autor vai realizar uma sessão de autógrafos.

Aprenda como fazer uma muda de planta

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Foto: Divulgação

Plantar mudas é uma prática simples que carrega diversos benefícios ambientais, sociais e econômicos. Além de contribuir para a preservação do meio ambiente, melhorar a qualidade de vida e reduzir custos, a ação também garante um futuro saudável para outras gerações.

No entanto, saber produzir uma muda é tão importante quanto o processo do plantio, já que envolve os primeiros estágios de vida de uma planta. Existem duas maneiras para fazer uma muda: a partir das sementes ou por meio de uma planta adulta.

Leia também: Fundação Rede Amazônica realiza plantio de 100 mudas em comunidade ribeirinha de Manaus

Ambos os métodos são acessíveis e podem ser realizados até mesmo por iniciantes. Confira algumas dicas de como funcionam:

A partir das sementes

No caso do processo de escolha das sementes, a germinação é essencial. O primeiro passo é saber escolher bem as sementes e o preparo do solo. Utilize uma sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes, para produzir as mudas, ou então realize o plantio diretamente no local definitivo.

Sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes.
Sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes. Foto: Reprodução/Blog Plantei

Após isso, faça pequenos furos na terra com profundidade equivalente ao dobro do tamanho da semente. É recomendável colocar de duas a três sementes (dependendo da planta, verifique as orientações específicas antes) por espaço, cobrir com terra e manter o solo sempre úmido.

É fundamental manter a semeadeira num local que tenha sombra e que o local seja irrigado pelo menos 5 vezes ao dia. O uso de um borrificador é uma dica importante, pois evita o risco das sementes se desalojarem durante a irrigação.

Quando mais de uma semente germina no mesmo ponto, é necessário fazer o desbaste, que consiste na retirada ou transplante da muda menos desenvolvida para garantir espaço e nutrientes suficientes às demais. Geralmente, quando as mudas começarem a apresentar folhas, é o período ideal para realizar a transferência para vasos maiores ou local definitivo do plantio.

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A partir da planta adulta

Há duas maneiras de gerar uma muda a partir de uma planta adulta: pela estaquia (através dos ramos e caules) ou pela divisão de touceiras. O primeiro método consiste em criar uma nova planta a partir de um ramo da planta-mãe, gerando uma cópia genética.

Produção de muda por estaquia.
Produção de mudas pelo processo de estaquia. Foto: Blog Plantei
Método da divisão de touceiras. Foto: Divulgação/Instagram-hortodidatico.ufsc

O procedimento é simples: seleciona-se um ramo jovem, com dois ou três pares de folhas, faz-se um corte na base e coloca-se em um recipiente com água. Após o surgimento das raízes, a muda pode ser transferida para o solo.

A técnica é comum em espécies como manjericão, hortelã, alecrim, orégano, ora-pro-nóbis, suculentas, jiboia e peperômia.

Já a divisão de touceiras é indicada para plantas que crescem em grupos. Nesse caso, a planta-mãe é retirada do solo e dividida em partes, separando-se as raízes com cuidado. Como já possuem sistema radicular formado, essas mudas podem ser plantadas diretamente no local definitivo.

O método é bastante eficaz para espécies como orquídeas, bananeiras, agapantos e samambaias.

Independente do método escolhido, produzir a própria muda vai além de uma técnica de jardinagem, envolve ações essenciais para garantir plantas mais saudáveis, bem desenvolvidas e uma contribuição por um planeta mais sustentável e equilibrado.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Desmatamento prejudica a cadeia alimentar dos igarapés da Amazônia, aponta estudo

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Foto: Fernando Cunha/The Conversation

Quando falamos em desmatamento na Amazônia, quase sempre pensamos na paisagem terrestre: grandes árvores derrubadas, expansão agropecuária, incêndios e perda de biodiversidade. Mas boa parte dos impactos do desmatamento ocorre fora do campo de visão. Eles acontecem dentro da água.

A Amazônia abriga milhares de igarapés — pequenos cursos d’água que drenam a floresta e alimentam rios maiores. Esses ambientes sustentam alta diversidade de insetos, peixes e microrganismos. Também desempenham papel central na manutenção da qualidade da água e na ciclagem de nutrientes, que é o transporte de matéria orgânica e nutrientes (por exemplo, nitrogênio, fósforo, potássio) da floresta para o meio aquático.

Leia também: Qual a importância dos igarapés para a Amazônia?

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Descubra a serenidade dos igarapés na Ilha do Combu. Foto: Divulgação/Agência Belém

Diferentemente de grandes rios, a maioria dos igarapés amazônicos são fortemente dependentes da floresta ao seu redor. A copa das árvores reduz a entrada de luz solar. Por isso, a produção de algas dentro da água é limitada.

A principal fonte de energia desses ecossistemas vem de fora. Folhas, galhos e outros materiais orgânicos caem na água e formam a base da cadeia alimentar. Esse material é colonizado por microrganismos e consumido por insetos aquáticos. Esses insetos, por sua vez, alimentam predadores, como insetos maiores e peixes. A floresta, portanto, sustenta diretamente a vida dentro do igarapé.

Mas o que acontece quando essa floresta é removida? Foi essa a pergunta que orientou nosso estudo, publicado na revista Freshwater Biology.

Menos floresta, menos alimento

Ao comparar igarapés preservados com igarapés em áreas desmatadas, observamos uma mudança clara na base alimentar do sistema. A retirada da vegetação ciliar reduz a entrada de folhas e matéria orgânica nos corpos d’água. Com menos recurso disponível, os insetos que dependem da decomposição desse material para sobreviver tornam-se menos abundantes.

O fogo oferece risco às pessoas e aos animais e contribui para engordar as emissões de gases do efeito estufa. Em 2018, apesar da tendência geral de queda no número de focos de calor na Amazônia Legal, estados críticos em desmatamento registraram mais fogo.
Foto: Reprodução/Greenpeace

Em seu lugar, aumentam organismos associados a ambientes mais abertos e com maior incidência de luz. A cadeia alimentar passa a depender mais de produção primária interna do que de insumos da floresta. Essa mudança pode parecer sutil. Mas ela reorganiza toda a estrutura trófica – que é a organização alimentar de um ecossistema e que define a transferência de energia e nutrientes entre os organismos produtores, consumidores e decompositores.

Saiba mais: Água gelada, beleza natural e refúgio: entenda como se formam os igarapés

Com a redução na abundância de insetos associados a matéria orgânica, predadores passam a consumir presas diferentes. A diversidade funcional se altera. A rede alimentar tende a se simplificar. Redes mais simples costumam ser menos resilientes a novas perturbações. Secas mais intensas, aumento de temperatura ou poluição podem gerar impactos mais fortes em sistemas já empobrecidos estruturalmente.

Um problema que continua atual

Os dados mais recentes de uso e cobertura da terra no Brasil mostram que o desmatamento segue transformando paisagens amazônicas. Informações do projeto MapBiomas indicam a expansão de áreas convertidas para agropecuária nas últimas décadas. Enquanto algumas regiões na Amazônia seguem relativamente menos desmatadas, outras áreas já apresentam menos de 30% de sua cobertura florestal original.

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Foto: Val Fernandes/Acervo Assecom

Grande parte dessa conversão ocorre próxima a cursos d’água. Embora a legislação brasileira determine a manutenção de faixas de vegetação ao redor de rios e igarapés, a implementação nem sempre é efetiva. Em muitos casos, a vegetação ciliar é reduzida ou eliminada.

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Mas essa remoção não é apenas uma alteração visual na paisagem. Nosso estudo mostra que ela compromete processos ecológicos fundamentais. A vegetação ciliar regula a entrada de matéria orgânica, controla a temperatura da água, estabiliza margens e reduz o carreamento de sedimentos. Ela funciona como zona de amortecimento entre atividades humanas e o ecossistema aquático. Ignorar essas funções significa comprometer a toda a integridade do sistema.

Manejo baseado em evidências

Os resultados do nosso estudo comprovam que a conservação de matas ciliares deve ser tratada como prioridade em políticas públicas e estratégias de manejo. Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal. Trata-se de manter o funcionamento ecológico dos igarapés. Programas de restauração florestal precisam considerar a largura e a qualidade da vegetação ciliar. A simples presença de uma faixa estreita de árvores pode não ser suficiente para restabelecer processos ecológicos complexos.

Além disso, estratégias de uso do solo devem integrar a dimensão aquática. Muitas vezes, o planejamento territorial foca apenas na produção agrícola ou na cobertura terrestre, sem considerar impactos hidrológicos e ecológicos. Os igarapés conectam paisagens. Eles transportam matéria, energia e organismos. Alterações locais podem se propagar para sistemas maiores.

O que está em jogo

A Amazônia é frequentemente discutida em termos de carbono, clima e biodiversidade terrestre. Esses temas são centrais. Mas os ecossistemas aquáticos também merecem atenção. Mudanças na base da cadeia alimentar podem afetar comunidades de peixes e a disponibilidade de recursos para populações humanas. Podem alterar a decomposição de matéria orgânica e a dinâmica de nutrientes.

São processos menos visíveis, mas essenciais. Proteger a vegetação ciliar é uma medida concreta e baseada em evidências para reduzir impactos do desmatamento sobre sistemas aquáticos.

A floresta não sustenta apenas o que está acima do solo. Ela também alimenta o que corre dentro da água. Reconhecer essa conexão é um passo importante para um manejo mais integrado e sustentável da Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation, escrito por Gabriel Cruz

Boa Vista recebe comitiva de MG para conhecer políticas de Primeira infância

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Boa Vista inspira: experiências e boas práticas que transformam a primeira infância e fortalecem o futuro das crianças. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Boa Vista mantém as portas abertas e se destaca por receber comitivas de todo o Brasil e até de outros países interessadas em conhecer de perto políticas públicas voltadas à Primeira Infância. Nesta semana, um grupo de gestores da Prefeitura de Curvelo, Minas Gerais, participa de uma programação técnica na capital, incluindo visitas a unidades e projetos que atendem crianças e famílias.

A iniciativa compartilha experiências e apresenta boas práticas implementadas na cidade, que se tornaram referência na promoção do desenvolvimento integral das crianças nos primeiros anos de vida. De acordo com a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de Boa Vista, Nathália Cortez, as visitas fortalecem a troca de experiências e geram ganhos mútuos para os municípios, que aprendem e evoluem juntos.

“Boa Vista é uma cidade pioneira no Brasil com relação à política pública de Primeira Infância. Desde 2013, vem crescendo e compartilhando experiências. Ficamos felizes em poder apresentar o nosso trabalho e fazer essa troca com gestores da cidade de Curvelo. Ao longo da semana, serão feitas visitas a equipamentos da educação, saúde, assistência social, meio ambiente e outros”, disse.

FQA já soma mais de uma década dedicada ao cuidado, à proteção e ao fortalecimento dos vínculos afetivos. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

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Conhecendo de perto as iniciativas de Boa Vista

A visita iniciou na sede do Família que Acolhe (FQA), localizada no bairro Pintolândia. Há 12 anos, o programa acompanha crianças desde a gestação até os 6 anos de idade, oferecendo suporte às famílias e promovendo o fortalecimento dos vínculos afetivos.

Desde sua criação, a iniciativa já assistiu mais de 30 mil gestações. Pais e mães participam de diversas ações voltadas ao cuidado e à educação nos primeiros anos de vida. Entre elas estão atividades da Universidade do Bebê (UBB), oficinas e aulas sobre cuidados com as crianças, além de visitas domiciliares realizadas por profissionais do programa.

As famílias também contam com garantia de vagas nas creches municipais, de acordo com o percentual de participação nas atividades, e acesso a outros benefícios que contribuem para o bem-estar familiar.

Leia também: Novo acesso entre Murilo Teixeira e Equatorial melhora trafegabilidade na região

Ambientes seguros e estimulantes

A comitiva ainda visitou a Escola Municipal José Arnóbio da Silva, no bairro Aeroporto. A unidade é um dos exemplos das políticas públicas voltadas para a educação infantil de qualidade, considerada uma das prioridades da Prefeitura de Boa Vista.

As crianças têm uma rotina de aprendizado desde a entrada da unidade. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Na escola, as aulas são conduzidas por professores pedagogos e seguem as diretrizes do Currículo da Educação Infantil. O processo de aprendizagem acontece de forma lúdica, por meio de brincadeiras e experiências que estimulam o desenvolvimento cognitivo, motor e social das crianças.

Além das práticas pedagógicas, os alunos participam de atividades recreativas e recebem kits de higiene fornecidos pelo município. 



Natureza como espaço de aprendizado

O último ponto visitado foi o parque naturalizado do bairro Murilo Teixeira, que apresenta um conceito inovador de espaço de brincar. Diferente dos parquinhos tradicionais, com brinquedos industrializados e superfícies de concreto ou materiais sintéticos, o local prioriza a conexão com a natureza.

Os brinquedos são produzidos a partir de elementos naturais, principalmente, troncos e materiais de poda. Conhecidos como brinquedos não estruturados, esses recursos não determinam como a criança deve brincar, estimulando a criatividade, a imaginação e a exploração do ambiente.

Último ponto visitado pela comitiva foi o parque naturalizado, um espaço inovador que valoriza o contato com a natureza. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

O espaço se tornou também um ponto de encontro para a comunidade, recebendo famílias inteiras que aproveitam o ambiente ao ar livre para momentos de lazer e convivência.

Compartilhando experiências

A secretária de Assistência Social de Curvelo, Ivene Pacheco, afirma que esse encontro representa a união de municípios em busca de soluções que garantam um futuro melhor para as crianças.

“Boa Vista sempre foi nossa referência pelas boas práticas na Primeira Infância e vendo hoje aqui, in loco, existe uma sinergia entre os secretários para fazer acontecer. Então, estamos realizando um sonho, já que há muito tempo planejávamos conhecer os programas e projetos do Município. O compromisso que Boa Vista tem com a Primeira Infância é realmente incrível”, finalizou.

Bosque da Ciência do Inpa comemora 31 anos com exposições em abril

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Foto: Kaylane Golvin/Ascom Inpa

Primeiro parque verde urbano de Manaus (AM), o Bosque da Ciência completa 31 anos de funcionamento no dia 1º de abril. Para celebrar a data, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) preparou uma programação especial com exposições, oficinas e jogos, além de uma cerimônia de homenagens a personalidades que contribuíram para a trajetória do espaço.

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Criado para estreitar os laços com a comunidade, oferecendo contato direto com a natureza  e a ciência produzida pelo Inpa, o Bosque é referência no Amazonas como espaço de lazer, educação ambiental, popularização da ciência e de turismo de natureza. Em três décadas de funcionamento, o parque recebeu mais de 2 milhões de visitantes. Em 2025, o parque bateu recorde de público dos últimos anos, com 140.554 visitantes, a maioria deles moradores locais, grupos escolares e turistas nacionais e estrangeiros. 

Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, celebrar os 31 anos do Bosque é reafirmar a importância dele para Manaus, como um espaço que aproxima a população da ciência e da biodiversidade amazônica.

“Ao longo dessas décadas, o Bosque se consolidou como referência em educação ambiental e em lazer científico. Em 2026, teremos novos investimentos no espaço, com recursos de projetos financiados pela Finep, que vão ampliar e qualificar ainda mais as experiências oferecidas ao público”, adiantou Pereira. 

Celebrações no Bosque

Neste ano, as atividades comemorativas no parque serão concentradas no próprio dia 1º de abril (quarta-feira), na data de inauguração e quase às vésperas do feriado nacional da sexta-feira da Paixão, no dia 3 de abril. Vários grupos de pesquisa, laboratórios, projetos e setores do Inpa estão envolvidos na programação especial que ocorrerá das 9h às 11h30 e das 13h às 16h. O Bosque, no entanto, funciona das 9h às 17h, sem intervalo.  

De forma prática e divertida, o público poderá conhecer vários temas estudados no Inpa sobre a biodiversidade amazônica, mudança climática, conservação de espécies, mosquitos vetores de doenças e tecnologias sociais e inovadoras. O evento também é uma oportunidade para o visitante interagir e conversar diretamente com pesquisadores, técnicos, bolsistas e estudantes de mestrado e doutorado que estarão desenvolvendo as atividades.

“O Bosque da Ciência como educador por natureza tem cumprido o seu papel de oferecer à população uma opção de lazer, de caráter científico e cultural, despertando nos visitantes a curiosidade e o interesse pela ciência e pelo meio ambiente”, destaca o chefe do Bosque, Jorge Lobato. 

Férias no Bosque 2026.
Foto: Igor Souza/Ascom Inpa

Leia também: Bosque da Ciência é opção de lazer e contato com a natureza, em Manaus; conheça

Dentre as tendas expositivas estão aquelas que vão tratar de curiosidades sobre o peixe-boi da Amazônia, coletânea de experiências de tecnologias sociais, dinâmicas hídricas e macrófitas aquáticas, registros de mamíferos amazônicos, alimentos regionais e plantas alimentícias não convencionais, aquicultura na Amazônia. E ainda a Estação Ecoethos da Amazônia – Terra, a biodiversidade que eu vejo no Bosque, Herbário – Coleção científica de plantas e fungos, e a Coleção Zoológica – vertebrados (aves, anfíbios e répteis, mamíferos e peixes). 

Os invertebrados, animais essenciais para a polinização, a ciclagem de nutrientes e a alimentação, estarão presentes em diversas formas, cores, tamanhos e apresentações. Destaque para as exposições Mundo dos insetos, Insetos aquáticos – pequenos guardiões da natureza, Conhecendo o mundo das abelhas sem-ferrão, Importância ecológica das aranhas, controle de mosquitos vetores de malária e dengue e InsetAR – insetos em realidade aumentada.

Homenagens 

Em paralelo ao evento mobilizador de popularização da ciência, o Inpa vai realizar uma cerimônia de homenagens destinada a convidados. No mesmo dia pela manhã, o Auditório da Ciência será palco da distinção que vai agraciar com certificados jornalistas e veículos da imprensa, empresários e gestores. 

A homenagem é um reconhecimento ao trabalho de profissionais e gestores que ajudaram a contar e consolidar uma trajetória de superação de desafios, mas também de sucesso do Bosque da Ciência. 

Homenagem na Aleam

O Bosque da Ciência e 30 servidores que prestaram relevantes serviços ao  parque serão homenageados pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). A cerimônia é uma propositura do deputado Dan Câmara (Podemos) e acontecerá no dia 14 de abril (terça-feira), às 14h, no Plenário Ruy Araújo.

*Com informações do INPA

Peças de cerâmica retratam história ancestral do povo Tapajó, em Santarém

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Foto: Katrine Bentes/CCOM

Considerado um dos importantes vestígios arqueológicos da Amazônia, a cerâmica tapajônica revela historicamente os aspectos do cotidiano, as crenças e a organização social dos povos Tajapó, grupos originários que habitaram a região de Santarém, no Pará, antes da colonização europeia.

Embora ainda não existisse o conceito de cidade, os vestígios apontam para grande concentração populacional, com conhecimentos técnicos, artísticos e culturais avançados.

As peças tapajônicas encantam pela riqueza de detalhes, pelas decorações elaboradas com pinturas e relevos, e pelas representações antropomorfas (figuras humanas) e zoomorfas (figuras de animais) como jacarés, serpentes, rãs, macacos, urubus-reis e outras.

“A cerâmica funciona como registro histórico. Por meio dela compreendemos hábitos, crenças e a organização das sociedades que viveram aqui antes de nós. Por isso que muitos pesquisadores consideram Santarém uma das áreas de ocupação humana mais antigas do Brasil”, afirma o arqueólogo Jefferson Paiva.

Entre os objetos mais emblemáticos estão os vasos de gargalo, com abertura semelhante à de uma garrafa e braços alongados decorados com essas criaturas, e os vasos de cariátides, em formato de taça, divididos em duas partes: a inferior, sustentada por figuras femininas, e a superior, adornada com uma mistura de seres da fauna estilizada.

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Rotinas tapajônicas

As representações das peças tapajônicas estão ligadas a rituais dos povos antigos, incluindo práticas simbólicas de memória coletiva com restos mortais cremados e misturados a bebidas cerimoniais.

“Os vasos de cariátides estavam ligados a rituais funerários praticados pelos Tapajó, que incluíam práticas de endocanibalismo. Nesse processo, após o primeiro sepultamento, os restos mortais podiam ser cremados, e parte das cinzas era misturada a bebidas, colocadas nas peças de cerâmica e consumidas em cerimônias coletivas, como forma simbólica de manter a presença do ente falecido dentro da comunidade”, comenta Paiva.

Arqueólogo Jefferson Paiva comenta importância da arte tapajônica para história de Santarém
Peças retratam cenas marcantes da vida cotidiana ancestral. Foto: Katrine Bentes/CCOM

Já as estatuetas retratam cenas da vida cotidiana, como mães com crianças no colo, bebês com o pé na boca, o pajé ou xamã em momentos de reflexão, mulheres segurando vasos, entre outras situações.

“A cerâmica funciona como registro histórico. Por meio dela compreendemos hábitos, crenças e a organização das sociedades que viveram aqui antes de nós”, destaca Jefferson.

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Apagamento cultural

Em documentos históricos, o padre João Felipe Bettendorf relatou em carta que os artefatos eram usados em rituais ligados à vida e à morte, como nascimentos, colheitas e cerimônias espirituais da vida tapajônica.

Na época, os Tapajó eram considerados “idólatras”, e suas peças associadas a práticas demoníacas. Durante a presença jesuítica na região, entre 1661 e 1665, muitas cerâmicas foram destruídas e sua produção proibida.

“Essas práticas foram consideradas ‘coisas do diabo’. Por causa disso, muitas peças foram destruídas e a produção foi proibida”, explica Jefferson.

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Para o arqueólogo, compreender esse processo histórico é fundamental para entender por que parte da tradição cerâmica tapajônica foi interrompida. Valorizar a memória e a ancestralidade é essencial para reconectar a população com as raízes culturais da região.

Obras do pesquisador e artesão são inspiradas na cultura indígena.Foto: Katrine Bentes/CCOM

“É importante resgatar essas histórias, porque muitas delas não aparecem nos livros ou nas escolas. Houve um período de intensa destruição cultural. Muito desse conhecimento foi interrompido por conta do genocídio e do etnocídio indígena. Se isso não tivesse ocorrido, provavelmente teríamos mais histórias preservadas e saberíamos com precisão o significado de cada peça e de cada ritual representado”, afirma.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Estudo da FMT-HVD proporciona tratamento preventivo mais curto contra a tuberculose

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Foto: Eduardo Gomes/ILMD Fiocruz Amazônia

A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) alcançou destaque internacional com a publicação do estudo ‘Ultra Curto‘ na revista científica PLOS Medicine, uma das mais prestigiadas da área médica.

A pesquisa investigou novas estratégias de tratamento preventivo da tuberculose, apontando que esquemas terapêuticos mais curtos podem ampliar a proteção contra a doença e facilitar a adesão dos pacientes.

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O estudo comparou dois regimes de terapia preventiva para tuberculose em pessoas expostas à doença e sem HIV. Um dos grupos recebeu o tratamento com isoniazida e rifapentina por um mês, em doses diárias (1HP), enquanto o outro seguiu o esquema de três meses com doses semanais dos mesmos medicamentos (3HP). Os resultados contribuíram para preencher uma importante lacuna de evidências científicas sobre regimes preventivos mais curtos.

Entre os principais achados da pesquisa, destaca-se que o esquema de apenas um mês apresentou alta taxa de conclusão do tratamento, alcançando 89,6% de adesão, além de demonstrar perfil de segurança adequado entre os participantes sem HIV. Em Manaus, onde parte do estudo foi conduzida, a adesão ao regime de um mês foi ainda maior, evidenciando a relevância da pesquisa desenvolvida na Amazônia.

Estudo da FMT-HVD proporciona tratamento preventivo mais curto contra a tuberculose
Foto: Divulgação/FMT-HVD

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A coordenadora clínica do estudo no Brasil, Renata Spener, professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em parceria com a FMT-HVD, destaca o impacto dos resultados para a prevenção da doença.

“Esquemas de tratamento preventivo mais curtos e bem tolerados aumentam a adesão e permitem expandir a cobertura da terapia preventiva, protegendo um maior número de indivíduos contra o desenvolvimento da tuberculose ativa”, destacou a pesquisadora.

Estudo sobre o tratamento contra tuberculose repercute

A investigação foi conduzida em Manaus, pela Gerência de Micobacteriologia da FMT-HVD, e contou também com a participação de pesquisadores da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ampliando a colaboração entre centros de pesquisa brasileiros.

A publicação teve ampla repercussão internacional. Em menos de 48 horas após sua divulgação, os resultados foram repercutidos por importantes veículos de comunicação científica, como Johns Hopkins Medicine, CIDRAP, MedicalXpress, The Microbiologist e Scienmag.

A pesquisa foi financiada pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases, com apoio do Ministério da Saúde do Brasil, e contou com colaboração científica da Johns Hopkins University.

Os resultados do estudo têm potencial para fortalecer estratégias nacionais e globais de prevenção da tuberculose, ampliando a proteção de populações vulneráveis e contribuindo para o enfrentamento de uma das doenças infecciosas mais persistentes do mundo.

Historicamente, os tratamentos preventivos contra a tuberculose podiam durar entre seis e nove meses, o que frequentemente dificultava a adesão dos pacientes e limitava a cobertura das estratégias de prevenção.

Nos últimos anos, estudos internacionais têm demonstrado que regimes reduzidos podem oferecer a mesma proteção, com maior facilidade de conclusão do tratamento.

*Com informações da Agência Amazonas

Tempo de decomposição de resíduos eletrônicos no meio ambiente pode levar séculos

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Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/ Reset descarte tecnológico

O avanço da tecnologia e o mundo cada vez mais conectado, traz consigo o aumento do volume de resíduos eletrônicos, um problema silencioso e crescente. De acordo com dados do Monitoramento global de lixo eletrônico 2024, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 2ª colocação do ranking de países da América com a maior geração de resíduo eletrônico, com 2.400 de quantidade total, em milhões de quilos.

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Segundo Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, o resíduo eletrônico é todo equipamento elétrico ou eletrônico que chegou ao fim da sua vida útil ou deixou de funcionar. Isso inclui desde itens como celulares, carregadores, pilhas e baterias, até aparelhos maiores, como computadores, televisores, impressoras e eletrodomésticos em geral.

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Resíduos eletrônicos
Resíduos eletrônicos. Foto: Zack/Ministério do Meio Ambiente

Estima-se que, por levar diversos componentes químicos em sua composição, o tempo de decomposição parcial dos resíduos eletrônicos seja de 100 a 500 anos.

Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre

Pedro Moraes, trabalhador da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre (CATAR), desenvolve, em Rio Branco, um trabalho de reciclagem de resíduos eletrônicos, por meio da iniciativa que promove a sustentabilidade ambiental e também gera emprego e renda para os cooperados, por meio da coleta seletiva.

Segundo Moraes, a cooperativa mantém parcerias com o Governo do Estado e a Prefeitura da capital, responsáveis por encaminhar os resíduos eletrônicos descartados. 

“Temos termos de cooperação com o Estado e a Prefeitura, então todo o material eletrônico recolhido vem para dentro da cooperativa. Essa ação faz parte das políticas públicas ambientais e hoje beneficia cerca de 15 famílias”, explicou.

Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre (Catar). Foto: Pedro Moraes/Arquivo Pessoal

O processo de reciclagem de resíduos eletrônicos na CATAR possui uma dinâmica própria. “A gente solicita o material, busca e traz para dentro da cooperativa, tira placa, tira ferro, tira plástico, tira tudo, seleciona e cada um vai para um lado e o que não presta, que é rejeito, vai para o aterro em forma de tratamento”, detalhou Moraes. 

Ele explica ainda que os materiais eletrônicos possuem componentes altamente resistentes à decomposição e com potencial contaminante. 

“Todos eles são resistentes à decomposição, mas só que ele tem um problema: ele contamina direto, ele não tem negócio, quando ele já vai se decompondo, ele já vai contaminando”, alertou. 

Resíduos eletrônicos na cooperativa. Foto: Pedro Moraes/Arquivo pessoal

Na cooperativa, praticamente todos os materiais e componentes, como placa-mãe e todo tipo de placa que tem dentro da CPU (computadores) são inseridos na cadeia produtiva. De acordo com Moraes o propósito é não descartar de forma irregular e reaproveitar o que for possível. 

Resíduos eletrônicos dentro de casa 

Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/Instagram-@Goethe-Institut Ghana

Itens como celulares, notebooks, tablets, cabos, carregadores e pequenos eletrodomésticos lideram os resíduos eletroeletrônicos mais gerados nas residências brasileiras, muitas vezes esquecidos em casa, guardados em gavetas ou armários. 

Segundo Dinelli, esse acúmulo doméstico é uma das principais dificuldades para que esses materiais sejam encaminhados para a reciclagem e reinseridos na cadeia produtiva.

De acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305/2010, a responsabilidade pelo descarte adequado é compartilhada entre poder público, empresas e consumidores, mas a implementação ainda é desigual em regiões mais afastadas, como o Acre. 

Substâncias perigosas e riscos ambientais

Equipamentos eletrônicos podem conter substâncias perigosas, como chumbo, mercúrio, cádmio e níquel, além de poeiras tóxicas e até fungos patogênicos, que poluem o meio ambiente e prejudicam a saúde.

De acordo com a Cartilha de boas práticas para Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos, esses metais pesados são altamente tóxicos e podem causar sérios danos à saúde humana, incluindo problemas respiratórios e renais, alterações hormonais e genéticas, risco aumentado de câncer e comprometimento do sistema nervoso.

Quando descartados de forma inadequada, em lixões ou aterros sem controle, esses resíduos contaminam o solo e a água, facilitando a liberação dessas substâncias no meio ambiente.

“Por isso, o descarte correto é tão importante, além do foco na conscientização ambiental através da educação ambiental e campanhas públicas, que são alguns dos nossos pilares de atuação”, explicou Dinelli. 

Tempo de decomposição: problema de séculos

Diferente de resíduos orgânicos, os eletrônicos possuem um tempo de decomposição extremamente longo.

O relatório Global E-waste Monitor aponta que, como os resíduos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais, dificulta a definição de um único tempo de decomposição.

Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/ Reset descarte tecnológico

“Não existe um único tempo de decomposição, pois os equipamentos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais. Alguns componentes, como plásticos e metais, podem permanecer no ambiente por muitas décadas ou até séculos. Por isso é tão importante que os resíduos eletroeletrônicos tenham destinação adequada, evitando impactos ambientais”, concordou Dinelli. 

Além disso, alguns elementos presentes em baterias e placas eletrônicas não se decompõem completamente, apenas se fragmentam, mantendo seu potencial de contaminação ao longo do tempo.

Um problema com solução local

A solução para o crescimento do descarte correto dos resíduos eletrônicos passa por ações locais. O Ministério do Meio Ambiente defende e estimula atitudes simples da população, como não descartar esses resíduos junto ao lixo comum, e buscar pontos de coleta que contribuem significativamente para a redução dos impactos.

O tempo de decomposição desses resíduos pode ser longo, mas a mudança de comportamento precisa ser imediata para evitar danos irreversíveis, segundo Dinelli.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.