Projeto do Amapá que transforma caroço de açaí em energia. Foto: Carlos Cardozo/Rede Amazônica AP
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) vem dando novo destino a resíduos orgânicos, entre eles o caroço de açaí, ao convertê-los em biogás. Implantada na área da Expofeira, a proposta recebeu recentemente certificação que atesta sua viabilidade técnica e econômica, etapa que possibilita a expansão e a aplicação mais ampla da tecnologia.
A iniciativa opera por meio de um biodigestor responsável por tratar materiais como caroços de açaí, cascas de frutas e outros restos orgânicos. A partir da decomposição controlada desses resíduos, é produzido biogás, que pode ser utilizado em substituição ao gás de cozinha tradicional ou transformado em energia elétrica.
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Segundo o pesquisador Menyklen Penafort, o biogás precisa passar por purificação e se transforma em biometano, ou seja, pode substituir o botijão de gás GLP, conhecido como gás de cozinha.
“É o biometano que tem a energia de transformação de todo esse sistema num potencial para utilizarmos como substituto do botijão de gás de cozinha”, disse.
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Como o caroço de açaí vira energia?
Coleta dos resíduos: são reunidos resíduos orgânicos da Amazônia, como caroço de açaí, casca de coco, casca de mandioca, castanha e até caroço de manga. Esses materiais seriam descartados, mas passam a ser usados como matéria-prima.
Inserção no biodigestor: os resíduos são colocados em um biodigestor, equipamento que controla o processo de decomposição. Dentro dele, microrganismos quebram a matéria orgânica em ambiente sem oxigênio (processo chamado de digestão anaeróbica).
Produção do biogás: durante a decomposição, é liberado um gás rico em metano, chamado biogás. Esse gás pode ser usado diretamente como combustível ou convertido em energia elétrica.
Purificação: o biogás passa por um processo de limpeza para retirar impurezas. Após a purificação, ele se transforma em biometano, com qualidade suficiente para substituir o gás de cozinha (GLP).
Aproveitamento energético: o biometano pode ser usado em fogões, geradores de energia ou até em veículos adaptados. Assim, resíduos que seriam descartados se tornam uma fonte renovável de energia.
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Expansão do projeto
A proposta é levar a tecnologia para municípios do interior, como Laranjal do Jari, Porto Grande, Mazagão e Oiapoque.
“Apesar de exigir investimento, o biogás pode ser aplicado em pequenas comunidades com apoio de políticas públicas. É como a energia solar há 30 anos: parecia distante, mas hoje é acessível”, explicou o pesquisador.
A estudante de engenharia de produção Tays Sousa destacou o papel da equipe jovem no projeto.
“Nosso trabalho é otimizar a produção de biogás e reduzir custos. O certificado de viabilidade facilita parcerias e ajuda a difundir a tecnologia pela Amazônia”, afirmou.

O projeto é considerado inovador devido a utilização de resíduos típicos da Amazônia. A equipe também planeja oferecer cursos técnicos de operador de biodigestor e biogás a partir de 2026.
“Praticamente no mundo todo não existe biogás de açaí, de côco ou de castanha. Estamos fazendo isso aqui no nosso estado”, disse Penafort.
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O projeto também dialoga com o futuro da matriz energética do estado. A iniciativa surge em um momento em que o estado se prepara para receber investimentos na exploração de petróleo.
“O Amapá deve receber investimentos em petróleo, mas queremos que seja também palco de produção sustentável, com biogás de resíduos da Amazônia”, disse Penafort.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP
