O então governador Humberto Guedes inaugurou a TV Vilhena, em Rondônia. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
A velocidade de transformação das cidades da Amazônia é narrada por um longo período por Silvino Santos. Sua obra iconográfica se destaca não só pela experiência da nova síntese de período glamoroso, mas pelo congelamento futurista que, somada a colagem de fragmentos, visões rápidas e múltiplas de nosso cotidiano urbano, aparenta hoje uma vida moderna da época em se instalavam o período do látex.
É nesse ambiente de efervescência cultural, econômica e política, de significados e alterações no espaço urbano e do cotidiano interiorano é que devemos inserir e entender a lente que documentou todo o momento com fotografias e filmes.
Silvino Santos, um imigrante português que tem uma importância diferenciada na história iconográfica da Amazônia, como também temos que considerá-lo como um dos pioneiros, juntamente, com o alemão Huebner, na tentativa de documentar e organizar a memória iconográfica da Amazônica e todo seu entorno.
Exímio fotógrafo e cineasta, como nenhum outro, soube retratar a atmosfera das cidades da Amazônia e seu cotidiano interiorano nas primeiras décadas do século XX. Sua produção retrata tudo aquilo que ele via, ao mesmo tempo, com as novidades que adentravam no espaço urbano, pouco se mostra do seu trabalho e atuação em estúdios, com retratos e crayon, produções praticamente pequena diante da exuberância de sua fotografia documental urbana. Isso é bastante raro na história da fotografia universal, já que, no período foram poucas as fotografias que conseguiram escapar da tradição do ateliê.
Silvino Santos mergulhou na arte de fotografar, documentarista, cronista, que deu relevância à fotografia como informação na história das representações visuais e foram muitas. A velocidade de transformação de todas as cidades da Amazônia foram narradas por um longo período, por dois fotógrafos: George Huebner que iniciou fotografar a Amazônia, em 1894 e Silvino Santos no início do século passado a partir de 1910.
É nessa particularidade que fotógrafos comuns tentam recuperar para a história momentos importantes de acontecimentos diversos, que marcam para eternidade com qualidade excepcional para a época o fato registrado. Na verdade este fato que enriquece não apenas o patrimônio e imagético da Amazônia, mas a própria cultura fotográfica de uma empresa em particular e de um período não muito distante, porém, histórico.
Este fotógrafo que se encontrava no momento exato, nos dá a oportunidade de ampliarmos a investigação e a pesquisa tanto no campo da fotografia quanto da história, do cotidiano urbano e da paisagem humana. Tudo isso garante o acesso irrestrito para pesquisadores, estudantes de fotografia, fotógrafos amadores e profissionais ou interessados neste segmento.
Não podemos esquecer de um período de ampliadores, câmeras, obturadores, lentes e tripés, balanças, bacias, prensas, lanternas e cortadores, químicas, filmes e chapas de vidro, papéis e fórmulas especiais, álbum, cartões-postais, pass-partouts, produtos para acabamento e apresentação dos trabalhos de um período que ficou para trás. Todas essas variedades de materiais e marcas foi a época a consolidação desse importante mercado, tanto profissional quanto o amador da época conheceram, hoje já estamos na era digital.
A bem da verdade as obras de George Huebner e de Silvino Santos se destacaram não só pela experiência de uma nova síntese de um período glamouroso, mas pelo congelamento futurista que, somada pela colagem de fragmentos visões rápidas e múltiplas da arte de fotografar o nosso cotidiano urbano retrataram uma vida moderna daquela época.


É nesse ambiente de oportunidade de significado importante que o senhor Aluísio Daou, no dia 8 de junho de 1973, documentou o ato de assinatura da homologação do canal da TV Rondônia, pertencente ao Grupo Rede Amazônica, no gabinete do Ministro em Brasília.
Estavam presentes, o Diretor Técnico da Embratel doutor Rubens Bussaco; o Diretor presidente do Grupo Rede Amazônica, Jornalista e Empresário das Comunicações Phelippe Daou; Senador Raimundo Parente; Senador José Lindoso; e Deputado Federal Ney Oscar de Lima Rayol. Aluísio Daou conseguiu inserir através da lente de sua máquina fotográfica Olimpus Trip 35 documentando esse importante momento, que usando da sensibilidade soube retratar para posteridade a atmosfera desse acontecimento histórico. O Senhor Aluísio Daou, naquela oportunidade encarnava os espíritos dos dois maiores fotógrafos da Amazônia, George Huebner e Silvino Santos, documentando este fato histórico.
Trata-se de um fato histórico importante, documentado com a exuberância de sua fotografia. Todo esse fragmento histórico documentou o tempo, as pessoas, com registro do antes e a possibilidade de estudo, depois, com recorte através dos vestígios da imagem iconográfica daquele período.
A matéria de que se alimenta esta memória lembra, principalmente, a luta desigual, as portas que se fecharam e, naturalmente, outras tantas que, se abriram, as conversas em gabinetes como fios que se entrelaçaram encadeados em cores e sonhos, muitas vezes difíceis de serem atingidos, mas certamente encantadores, pois hoje são reais.

A linha divisória das realidades e das idealidades é sempre diluída pelo sonho de fazer realizar, sem se importar com os sofrimentos em nome de uma boa causa.
Porto Velho era a meta. A Amazônia era o alvo de conquista. A crise econômica, o obstáculo. A grande maioria da população, entretanto, parecia respirar sonhos com a realidade.
A Amazônia foi revelada pelo olhar dos viajantes missionários e naturalistas e mostrada para o país a partir da chegada da Rádio TV do Amazonas. Esta chegada criou o fascínio da nossa tela, o que também, se enredou nas teias sedutoras das novelas e minisséries, embora não tenha mudado o curso das águas do velho Madeira, criou um novo olhar de outro horizonte, além da preservação assumida, de forma muito própria, não permitindo a descaracterização da nossa região, motivo de preocupação, até hoje, por parte de toda a diretoria da Rádio TV do Amazonas.
Pensar o regional foi fazer o globalismo tornar-se um desafio constante no decifrar da região. Este fato nos permitiu a conquistas da realidade. Tudo isso, buscado através da motivação que marca a longa e brilhante existência das nossas cores em toda região amazônica.
A partir daí, deu-se o início de uma nova era. O então território de Rondônia contava com um aliado, a Rádio TV do Amazonas e, um aliado forte que, juntos, seguiram lado a lado, com um único objetivo, trabalhar. Trabalhar pelo engrandecimento de Rondônia. Para homenagear o território, a emissora receberia o nome de TV Rondônia. Uma justa homenagem para uma Rede de Televisão que estava apenas começando.
O Ministério das Comunicações, através do Departamento de Telecomunicações, de acordo com Edital n.º 10/72, abre concorrência pública para a concessão de um canal de rádio e televisão na cidade de Porto Velho, como segue o demonstrativo do Diário Oficial da União, do dia 4 de julho de 1972.
Depoimento publicado no Portal A Mídia Eletrônica em Rondônia – Lúcio Albuquerque
Rede Amazônica chega a Rondônia e instala repetidoras no interior
No dia 12 de setembro de 1974 a TV Cultura canal 11, encerrou suas atividades iniciadas no mês de junho, mas no dia seguinte, um dos programas do calendário comemorativo dos 31 anos de criação do Território foi a inauguração em Porto Velho da TV Rondônia, a primeira filial da Rede Amazônica de Televisão pelo empresário Phelippe Daou, Presidente da Rede, tendo como seu primeiro diretor o jornalista Murilo Aguiar.
O funcionamento da TV Rondônia foi facilitado porque o canal 11 serviu de “laboratório” como lembrou o jornalista João Dalmo lembrando que quase toda equipe da TV Cultura foi chamada para compor a nova emissora, “e o fato de nós termos já conhecimento desde a parte técnica até a prodição e apresentação de programas certamente reduziu muito o custo da implantação”, lembrou Dalmo, que chefiava a equipe do Esporte do Canal 11 imigrou para o 4.
A programação praticamente vinha toda de Manaus, gravada em fitas Vhs envidas como era anteriormente e, várias vezes, não chagava a tempo “ou com defeito, o que obrigava informar ao telespectador que programa era repetido – teve fita que passou mais dez vezes”, dizia, entre risadas, o jornalista Osmar Vilhena.
Em 1975 um programa que atraia muito público foi implantado pelo jornalista Vladimir de Carvalho, A Hora do Povo, feito ao vivo nos domingos à noite. Vladimir Vilhena, tinha dado seus primeiros passos em TV na pioneira “Cultura” do território.
As TVs em Guajará-Mirim Vila Rondônia, depois Ji-Paraná inaugurado em 1978 e Vilhena em novembro de 1977, funcionaram no mesmo sistema de Vts enviados agora pela emissora mãe, a TV Rondônia de Porto Velho. Em 1978 a TV Porto-velhense iniciou a transmissão ao vivo de seus programas.
*Texto enviado pelo CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.
Fonte: A MÍDIA ELETRÔNICA EM RO (IX)
Lúcio Albuquerque (69) 99910 8325
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Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
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