Área de garimpo ilegal no interior do Amazonas. Foto: Divulgação
O Ministério Público Federal (MPF) alertou sobre os impactos do garimpo ilegal no Rio Tonantins, no noroeste do Amazonas. Segundo o órgão, há risco de contaminação por mercúrio em comunidades indígenas e ribeirinhas. Mais de três mil pessoas podem estar consumindo água comprometida pela atividade clandestina.
Um relatório feito após missão institucional no fim de 2025 aponta que dragas e balsas usadas na extração de minérios mudaram a coloração do rio e colocam em risco a saúde da população.
O mercúrio, usado com frequência no garimpo ilegal de ouro, está entre as dez substâncias mais perigosas para o ser humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A simples presença de embarcações garimpeiras irregulares nos rios amazônicos representa risco elevado ao meio ambiente e à saúde humana, porque o processo de beneficiamento do ouro envolve o uso de mercúrio, substância altamente tóxica e poluidora”, diz um trecho da recomendação do órgão
O MPF enviou recomendações a seis órgãos para reforçar a fiscalização e apresentar um plano emergencial de ação. O documento aponta fragilidade na presença do Estado.
Entidades que receberam o documento:
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam)
Time no stand do Grupo Charão, na Feira da Amase Big Show Amazônia 2026. Foto: Charão Tributário
A Charão Tributário participou da última edição do Amase Big Show Amazônia 2026, um dos principais eventos do setor supermercadista da região Norte, levando o público empresarial à debater um tema que já impacta diretamente a rotina das empresas: a Reforma Tributária. Com as mudanças já em vigor, o assunto deixa de ser uma pauta pensada para o futuro e passa a exigir adaptação imediata por parte das empresas.
Nesse cenário, a Charão Tributário apresentou, durante a feira, uma Mentoria pensada exclusivamente na orientação dessas empresas e contadores que atuam na Região Norte demonstrando como agir diante da reforma e abordagens estratégicas que podem ser tomadas.
Com foco na compreensão dos impactos da reforma no negócio, ajuste de processos fiscais e financeiros, antecipação de riscos invisíveis e oportunidades tributárias e preparação de transição até 2033, a Consultoria conseguiu fortalecer relacionamentos, fazer prospecção de novos clientes e orientar novos profissionais para esta nova fase.
O time apresenta soluções contábeis, tributárias e educacionais voltadas especialmente para empresas enquadradas no Lucro Real, com atuação na Zona Franca de Manaus (AM) e na Área de Livre Comércio de Boa Vista (RR).
A participação na Amase Big Show Amazônia 2026 reforça o compromisso do Grupo Charão em oferecer informação qualificada, clareza e soluções práticas aos empresários da região Norte que movimentam a economia local.
Especialista em Lucro Real, Reforma Tributária e educação empresarial, o grupo mantém o propósito de transformar conhecimento em estratégia e resultados e seguem presentes onde as decisões acontecem.
A corda do Círio de Nazaré, um dos símbolos mais marcantes da festividade, voltará a ser produzida no Pará para utilização nas duas principais procissões da celebração em 2026: a Trasladação e o Círio. A parceria entre a Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) e a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) foi renovada no último dia 6 de março, durante encontro realizado no município de Castanhal.
A DFN esteve representada pelo coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa, pelo diretor secretário, Sérgio Reis, e pela diretoria de procissões.
Produzida com fibras de malva amazônica, a corda será totalmente confeccionada pela CTC, incluindo o entrelaçamento, os nós e as argolas que se conectam às estações.
“Este ano vamos priorizar os nós e argolas, com maior reforço, para evitar qualquer intercorrência durante as procissões”, explica Antônio Sousa, coordenador do Círio 2026.
A corda utilizada nas procissões possui 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros — uma para cada romaria —, com 60 milímetros de diâmetro e 32 nós e argolas. A entrega ocorre em setembro.
Da fibra amazônica à fé: como nasce a corda do Círio de Nazaré
A corda que conduz milhões de fiéis é resultado de um processo que envolve natureza, tradição, técnica e o trabalho de centenas de paraenses. Produzida pela Companhia Têxtil de Castanhal, a corda do Círio tem origem na malva amazônica, uma fibra natural cultivada em diversos municípios do nordeste paraense, como Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço, Irituia, São Miguel do Guamá, Paragominas e Castanhal.
Até 2022, a corda utilizada no Círio e na Trasladação era confeccionada em sisal, uma fibra vegetal resistente produzida em Santa Catarina. A partir de 2023, com a proposta apresentada pela CTC, passou a ser fabricada com fibras de malva amazônica, cultivadas na própria região. A mudança trouxe benefícios importantes, como uma corda mais macia ao toque, proporcionando maior conforto aos fiéis durante as procissões, além de valorizar a produção local.
Cerca de 300 produtores rurais participam direta ou indiretamente dessa cadeia produtiva, que começa no campo com etapas como preparo da área, plantio, colheita, afogamento, lavagem e secagem da malva. Após esse processo inicial, a fibra é enfardada, transportada e encaminhada para a indústria.
Dentro da fábrica, a produção envolve diversas etapas, como amaciar, cardar, fiar, retorcer e embalar, até a transformação final da fibra na corda. Todo esse processo leva aproximadamente um mês, desde a matéria-prima até o produto final, e conta com a atuação direta de 83 colaboradores.
Para a fabricação da corda do Círio, são necessárias cerca de uma tonelada de malva, transformada em um material resistente e seguro. A corda passa por rigorosos testes de qualidade e resistência, incluindo ensaios realizados pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que atestaram uma resistência de 31,11 kN. Em testes práticos, o material demonstrou capacidade de tração de aproximadamente 9,3 toneladas.
Além dos testes laboratoriais, todo o processo produtivo é acompanhado por uma equipe de qualidade, que realiza inspeções contínuas para garantir que a corda atenda aos requisitos técnicos exigidos para as procissões.
Segundo a CTC, para o Círio 2026, também foram reforçados os cuidados com o manuseio e a conservação da corda após a entrega, considerando que a malva é um material natural e biodegradável. Ajustes técnicos nos nós e argolas foram realizados para garantir maior distribuição de carga e robustez, sem alteração da matéria-prima ou do processo produtivo.
“A corda que guia milhões de promesseiros nasce das mãos de trabalhadores paraenses e da riqueza da Amazônia, unindo fé, cultura e identidade em um dos maiores eventos religiosos do Brasil”, destaca Antônio Sousa.
A corda passou a integrar o Círio em 1885, após uma enchente da Baía do Guajará alagar a área da orla entre o Ver-o-Peso e as Mercês durante a procissão. Na ocasião, a berlinda ficou atolada e os cavalos não conseguiram puxá-la.
Os animais foram desatrelados e um comerciante local emprestou uma corda para que os fiéis ajudassem a conduzir a berlinda. Desde então, o item se tornou parte fundamental da celebração e simboliza o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os devotos.
O Círio 2026
O Círio de Nazaré é realizado pela Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré, Diretoria da Festa de Nazaré, Governo do Estado do Pará e Prefeitura de Belém.
Até o momento, a Festa de Nazaré conta como patrocinadores master Águas do Pará e Hydro. Como patrocinadores estão a Alubar, CN Produções, Belém Bioenergia Brasil, Econômico Comércio de Alimentos, Gráfica Miriti, ITA Center Park, Rodrigues Colchões e Unimed Belém. Entre os apoiadores master estão Alucar, Artemyn, Bagliolli Dammski Bulhões e Costa Advogados e Jefferson, além de outros 66 apoiadores.
Microplásticos como fibras, fragmentos de filme plástico e até glitter foram encontrados nos peixes. Foto: Divulgação
Uma pesquisa realizada por acadêmicos da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e bolsistas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) identificou a presença de microplásticos em peixes do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.
As análises revelaram fibras, fragmentos de filme plástico e até glitter nos peixes coletados nos rios do parque.
O estudo publicado em uma revista internacional de meio ambiente, mostra que partículas invisíveis ao olho humano chegaram a uma área remota da Amazônia por influência dos ventos e das nuvens.
Microplásticos foram detectados em peixes coletados do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque — Foto: Divulgação
A mestranda Thayana Castro, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unifap, estuda o tema desde a graduação e foi quem identificou pela primeira vez os microplásticos em peixes, em 2022.
“Quando vi pela primeira vez essas partículas nos peixes, fiquei muito impactada. São invisíveis a olho nu, mas no microscópio revelam fibras, glitter, fragmentos de filme plástico. Isso mostra como o problema é silencioso e perigoso. É uma ameaça que precisa ser solucionada, porque afeta diretamente a reprodução e o crescimento dos animais”, disse Thayana.
A mestranda Thayana Castro, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Unifap. Foto: Divulgação
Hipótese dos pesquisadores sobre os peixes
A equipe acredita que os microplásticos foram transportados pela atmosfera. Ventos e nuvens carregariam essas partículas até regiões isoladas, como o Tumucumaque. Em seguida, a chuva faria a deposição no ambiente.
Jefferson Vilhena, pesquisador do Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis (Nhmet), explica que o regime de ventos já é conhecido por trazer poeira do Saara para a Amazônia.
“Nós já sabemos que a poeira do Saara chega até aqui, trazendo areia e outros poluentes. O mesmo processo pode estar trazendo microplásticos. A chuva lava a atmosfera e deposita essas partículas no meio ambiente. É um ciclo invisível, mas que tem consequências muito reais”, afirmou Jefferson.
Jefferson Vilhena, pesquisador do Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis (Nhmet). Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP
Para confirmar a hipótese, os pesquisadores coletaram água da chuva em pontos do parque. Em apenas 225 ml, foram encontradas 194 partículas de microplástico. Amanda Arnaud, graduanda em Ciências Biológicas, participou da coleta.
“Foi muito alarmante perceber que até a chuva carrega essas partículas. Em uma amostra pequena de água encontramos quase 200 fragmentos. Isso mostra que o problema está no ar que respiramos e na água que consumimos. É assustador, mas também gratificante poder contribuir com esse conhecimento e alertar a sociedade”, disse Amanda.
Amanda Arnaud, graduanda em Ciências Biológicas. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP
Impactos
Segundo os pesquisadores, os microplásticos podem afetar o crescimento e a reprodução dos peixes, deixando-os menores e mais frágeis. O problema não se limita à fauna aquática: estudos já comprovaram a presença dessas partículas em seres humanos, com impactos à saúde.
“O microplástico já foi encontrado em peixes, aves e até em seres humanos. Ele pode comprometer a saúde, causar desequilíbrios e até mortandade de espécies. É um problema global e precisamos agir para reduzir esse impacto”, reforçou Thayana.
*Por Isadora Pereira e Michele Ferreira, da Rede Amazônica AP
Estação Ecológica Rio Acre. Foto: Reprodução/Arquivo ESEC AC
Cuidar do meio ambiente é fundamental para viver bem atualmente. Além de não poluir as ruas e jogar os resíduos corretamente, outra prática sustentável pode ajudar a preservar a natureza: a jardinagem.
Na Amazônia, a cidade de Rio Branco, no estado do Acre, possui arborização de vias públicas de 39,96%, de acordo com o Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gerando iniciativas que possam ajudar a aumentar esse número.
E o plantio de mudas é uma maneira prática e acessível, sendo possível realizar em locais abertos de área verde e até na própria residência. Conheça três locais que investem na jardinagem para ajudar na manutenção do meio ambiente no Acre:
Varanda Verde
A Varanda Verde é uma opção para quem procura equipamentos de jardinagem, plantas e mudas bem cuidadas, além de orientações sobre este universo. A empresa oferece diversos itens como vasos, insumos para jardinagem e execução de serviços de paisagismo no local desejado.
Localização: Tv. Éden, 193 – Jardim de Alah, Rio Branco – AC
Espaço Varanda Verde em Rio Branco. Foto: DivulgaçãoUm dos serviços de paisagismo realizados pela Varanda Verde. Foto: Divulgação
Viveiro Primavera
O Viveiro Primavera é uma empresa especializada na produção e comercialização de plantas, flores, sementes e mudas, além de oferecer serviços ligados à jardinagem e paisagismo para áreas residenciais, comerciais e espaços verdes. O empreendimento atende clientes que buscam espécies ornamentais e soluções para criação e manutenção de jardins.
Localização: Rodovia AC-40, Km 8, nº 4067, em Rio Branco – AC
O Chalé das Plantas é um viveiro que trabalha com a venda de mudas, plantas ornamentais e espécies ideais para jardinagem e paisagismo. O espaço oferece opções para quem deseja montar ou renovar jardins e áreas verdes em casa.
Localização: R. Paraíso, 207 – Calafete, Rio Branco – AC
Fortaleza de São José de Macapá: farol foi instalado em 1900 e auxiliava na navegação. Foto: Divulgação/GEA
No feriado de São José, padroeiro de Macapá e do Amapá, em 19 de março, a Fortaleza de São Josécompleta 244 anos de história. Mesmo em obras de restauração, o cartão postal da capital segue aberto à visitação, reforçando o papel de guardiã da fé e da identidade dos amapaenses.
O monumento, erguido e inaugurado oficialmente em 1764 às margens do rio Amazonas, atravessou séculos como defesa militar, sede da guarda territorial e espaço museológico. Hoje, passa por obras que unem preservação e novos usos.
Segundo análises históricas e culturais, a Fortaleza leva o nome de São José porque foi dedicada ao santo padroeiro da cidade e do estado do Amapá.
A escolha refletia tanto a devoção religiosa dos colonizadores portugueses quanto a intenção de associar a fortificação à proteção espiritual, além da defesa militar.
Construída durante o reinado de D. José I, a Fortaleza foi parte de um projeto estratégico da Coroa Portuguesa para proteger a Amazônia de invasões estrangeiras. Sua edificação mobilizou indígenas e negros escravizados, que moldaram tijolos e pedras sob condições duras.
O historiador Amiraldo Silva, que há quase três décadas pesquisa o espaço, reforça o valor cultural do patrimônio.
“A Fortaleza é o carro-chefe do turismo e representa nossa identidade cultural. Muitas vezes, quando falamos do Amapá em outros estados, não somos reconhecidos apenas como amapaenses, mas como pertencentes ao lugar onde está a maior fortificação da América Latina. É um símbolo que nos dá visibilidade e orgulho”.
Ao longo dos séculos, o espaço foi quartel militar, sede da Guarda Territorial e até oficina de carpintaria e sapataria. “Cada fase deixou marcas que ajudam a contar a história da cidade e do estado”, lembra Amiraldo.
Em 1950, a Fortaleza foi tombada pelo IPHAN como patrimônio histórico nacional. Décadas depois, em 2008, conquistou reconhecimento nacional ao ser eleita uma das Sete Maravilhas do Brasil.
Entrada da Fortaleza de São José de Macapá. Foto: Isadora Pereira/ Rede Amazônica AP
Obras de restauração
Atualmente, a Fortaleza passa por obras de restauração e requalificação. A secretária de estado da Cultura, Clícia Vieira Di Miceli, explica que o processo é dividido em três etapas.
“Estamos na segunda etapa, com projetos de hidráulica, energia e saneamento, além do início efetivo da restauração, disse.
A Fortaleza está localizada às margens do rio Amazonas, na área central de Macapá, compreendendo uma área de cerca de 30 mil metros quadrados e para a realização da restauração uma consulta pública foi feita junto à população.
Foto: Divulgação/GEA
A secretária reforça que manter a visitação aberta durante as obras foi uma decisão estratégica.
“A Fortaleza é o ponto turístico mais visitado do Amapá. Fechar seria um prejuízo para a economia e para a notoriedade do estado”, falou.
O projeto final deve ser concluído em 2026, com a construção de restaurantes, galerias de arte, espaço para shows, sinalização turística e histórica.
Ao todo, a obra está orçada em R$ 44 milhões, o governo informou que o restante do recurso deve ser buscado pela gestão.
Data homenageia profissionais que transformam matéria-prima em identidade cultural e fonte de renda. Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, é uma data dedicada a reconhecer o trabalho de homens e mulheres que transformam saberes tradicionais em arte, preservando histórias, identidades e culturas. No Amazonas, o artesanato ganha ainda mais força por carregar elementos da floresta e das tradições dos povos originários.
Mais do que objetos decorativos, o artesanato representa a memória de um povo. No Norte do país, peças como biojoias, grafismos e artefatos produzidos com sementes e fibras naturais expressam a relação direta com a natureza e a ancestralidade, mantendo viva uma tradição transmitida há milhares de anos.
O artesão Richardson Pinedo, natural de Tabatinga (distante 1.108 quilômetros de Manaus), é um dos representantes dessa produção cultural. Segundo ele, o contato com o artesanato começou ainda cedo, movido pela curiosidade e admiração pelas peças.
“Na curiosidade mesmo de criar o artesanato com miçangas, porque eu achava muito bonito. Procurei por aulas e fiz cursos no Cetam. Foi lá que a minha mente abriu mais para o artesanato”, contou.
Hoje, Richardson trabalha principalmente com peças feitas a partir de miçangas e biojoias, utilizando materiais orgânicos como sementes e fibras. Suas criações são inspiradas na floresta amazônica e nos elementos que fazem parte do cotidiano da região.
“Eu sempre tento trazer coisas que remetem à nossa Amazônia. Trabalho com figuras de animais, como arara e onça, e também com elementos como o açaí e outras frutas da nossa região”, explicou.
Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O processo de criação das peças exige planejamento, técnica e atenção aos detalhes. Segundo o artesão, cada peça passa por etapas que vão desde o desenho inicial até a escolha e preparação dos materiais. “Antes de começar, eu faço um rascunho e organizo a quantidade de miçangas que vou usar. É um trabalho detalhado, que demora, mas no final sai uma peça muito bonita”, destacou.
Além do cuidado técnico, Richardson chama atenção para a importância de valorizar todo o processo envolvido na produção artesanal, desde a coleta da matéria-prima até o produto final.
“Não é só a peça pronta. Existe todo um trabalho por trás: colher o material, preparar, lixar, pintar. Muitas famílias dependem disso, principalmente comunidades indígenas. O artesanato sustenta casas, famílias inteiras”, afirmou.
Para o artesão, o trabalho vai além da criação estética. O artesanato também é uma ferramenta de transformação social e econômica, especialmente para comunidades que dependem dessa atividade como principal fonte de renda.
“O artesanato deixou de ser um hobby e virou minha principal fonte de renda. É um trabalho sustentável, não só pela natureza, mas porque sustenta famílias e comunidades”, disse.
O artesão Richardson Pinedo. Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
Ele também destaca a importância de conscientizar o público sobre o significado das peças, especialmente no caso do artesanato indígena.
“As pessoas, às vezes, compram sem saber o significado. Cada grafismo tem uma história. Por isso é importante mostrar o trabalho, contar o que está por trás, porque as pessoas compram também pela experiência e pela história”, explicou.
Incentivo e reconhecimento
Ao falar sobre o futuro, Richardson destaca que seu maior objetivo já está em andamento: dar visibilidade a outros artesãos e compartilhar conhecimento.
“Eu tento passar o que sei para outras pessoas, principalmente para quem não tem acesso. Muitas vezes são indígenas ou pessoas de comunidades que não conseguem pagar cursos. Isso, para mim, já é muito gratificante”, afirmou o artesão.
Como conselho para quem deseja iniciar no artesanato, ele reforça a importância da valorização do próprio trabalho.
“Não tenham vergonha. É um trabalho digno, é uma terapia e também uma forma de sustento. Mostrem o trabalho de vocês, tenham orgulho. Quando a gente valoriza o nosso trabalho, a gente valoriza o trabalho de todos”, concluiu Richardson.
A Suframa participa da feira com um estande institucional, no qual técnicos de diferentes áreas orientam visitantes sobre diversos serviços. Fotos: Divulgação/Suframa e Enock Nascimento/Suframa
Contando com mais de 115 estandes, começou nesta quarta-feira (18), em Manaus (AM), a ExpoPIM 4.0 – A Nova Indústria do Brasil, promovida pela Suframa em parceria com o Instituto Somar Amazônia. Realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques, zona Centro-Sul, a feira abriu ao público a partir das 13h e segue até sexta-feira (20).
Nos estandes, dezenas de expositores apresentam uma variedade de soluções tecnológicas, produtos e serviços alinhados às transformações da indústria moderna, com destaque para digitalização, automação, inteligência artificial e sustentabilidade. Além disso, a ExpoPIM 4.0 oferece praça de alimentação, espaço kids e ações voltadas à interação do público.
A Suframa participa da feira com um estande institucional, no qual técnicos de diferentes áreas orientam visitantes sobre cadastro de empresas, análise de projetos, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e ações ligadas ao setor agropecuário.
“A feira é fundamental para aproximar o Polo Industrial de Manaus (PIM) da população em geral, oferecendo uma imersão gratuita e a oportunidade de ver o que há de melhor na produção da indústria local, bem como o que há de mais avançado que está sendo desenvolvido nos nossos institutos de ciência e tecnologia”, resume o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva.
Entre os destaques, os estandes das instituições tecnológicas. O Centro de Inovação e Tecnologia (CITS) apresentou iniciativas do programa prioritário de Indústria 4.0, incluindo um robô humanoide com aplicações industriais, capaz de atuar em inspeções em ambientes insalubres e no transporte de cargas, demonstrando o avanço da robótica aplicada ao Polo Industrial de Manaus.
Já o Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia levou experiências em realidade virtual voltadas ao treinamento industrial, soluções de Internet das Coisas (IoT) e um sistema inteligente de monitoramento do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), utilizando visão computacional e inteligência artificial para reforçar a segurança no ambiente produtivo.
Na área de saúde e inovação, o instituto Conecthus apresentou o projeto “PAP-ONLINE, que utiliza inteligência artificial para auxiliar na detecção precoce do câncer do colo do útero, integrando pacientes, técnicos e médicos em uma plataforma digital capaz de agilizar diagnósticos, especialmente em regiões do interior da Amazônia.
O setor hospitalar também marcou presença, com o Grupo Samel exibindo tecnologias como cirurgia robótica, inteligência artificial aplicada à decisão clínica e equipamentos de fisioterapia avançada, enquanto empresas do comércio e serviços aproveitaram o evento para apresentar produtos com condições especiais ao público visitante.
Um dos destaques da programação do primeiro dia foi o lançamento do livro “Indústria 4.0 – Fábricas Inteligentes, Negócios Exponenciais”, do pesquisador e professor Sandro Breval, publicado pela Pontes Editores. O evento ocorreu, no fim da tarde, no estande da Suframa.
“O grande mérito da obra é traduzir o conceito de fábricas inteligentes para uma linguagem simples. Por certo, o livro será uma referência aos interessados em estudar os impactos da transformação digital e das novas tecnologias no futuro da indústria”, frisou Bosco Saraiva.
Abertura
A programação continua na quinta-feira (19), com a solenidade oficial de abertura às 10h, que contará com autoridades, representantes do setor produtivo e lideranças institucionais. À tarde, terá início o ciclo de palestras técnicas, incluindo apresentações de representantes da Suframa sobre prospecção de novos negócios e a evolução da Zona Franca de Manaus como modelo estratégico de desenvolvimento sustentável.
A diretoria da Fundação Rede Amazônica cumpre agenda institucional em Boa Vista (RR), com foco no fortalecimento de parcerias estratégicas e na ampliação do diálogo com o setor produtivo da região Norte. A visita integra um movimento estruturado de articulação institucional voltado à construção de soluções para o desenvolvimento econômico e social da Amazônia.
Durante a agenda, a diretoria se reuniu com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Roraima (Fecomércio-RR), Ademir dos Santos, em um encontro dedicado ao alinhamento institucional e à identificação de oportunidades de atuação conjunta.
Entre os principais temas discutidos esteve o projeto Acelera Amazônia, iniciativa que atua no fortalecimento do ambiente de negócios, na qualificação profissional e na geração de renda, em conexão com as demandas do setor produtivo e as especificidades da região.
Para a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a aproximação com a Fecomércio reforça o papel estratégico da instituição na articulação de parcerias voltadas ao desenvolvimento regional.
“A agenda de aproximação com a Fecomércio em Boa Vista fortalece o diálogo com a região, com foco no desenvolvimento da Amazônia, no fortalecimento do comércio e na geração de renda, em conexão com o Acelera Amazônia. Essa articulação amplia a capacidade de construir iniciativas alinhadas às necessidades locais e de gerar impacto positivo de forma estruturada na região”, destacou.
A agenda reforça o posicionamento da Fundação Rede Amazônica como articuladora de parcerias estratégicas, conectando setor produtivo, instituições públicas e sociedade civil na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia.
Com mais de 40 anos de atuação, a Fundação Rede Amazônica desenvolve projetos voltados à educação, cidadania e desenvolvimento sustentável, contribuindo para o fortalecimento econômico e social da região.
Um Projeto de Lei (PL) que reconhece o jaraqui (Semaprochilodus spp.) como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, proposto pelo deputado Rozenha (PSD), foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) nesta quarta-feira (18). Além de Manaus (2019), agora o estado conta com a medida que valoriza o peixe que, não à toa, tem até ditado popular regional: “quem come jaraqui não sai mais daqui”.
A proposta foi submetida em 1° de outubro de 2025 com o objetivo de preservar a representatividade da espécie no Amazonas. A aprovação prevê que o poder público passe a garantir incentivos à promoção do peixe no estado.
“Fica reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas o Jaraqui (Semaprochilodus spp.), em razão de sua relevância histórica, cultural, social, gastronômica e identitária para o povo amazonense”, informa a Aleam na aprovação.
O peixe é um dos peixes mais consumidos no Amazonas. Foto: Matheus Castro/Acervo Rede Amazônica AM
Importância regional do jaraqui
O jaraqui é um dos símbolos da alimentação tradicional das populações amazônicas, ribeirinhas e urbanas, mas também contribui para expressões populares, manifestações artísticas, literárias e musicais, sendo memória social do Amazonas, confirme aponta a justificativa.
O peixe já é Patrimônio Imaterial de Manaus desde 2019, por meio da Lei nº 2.540, de 21 de novembro daquele ano.