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Vazão da água cresce até 60% em afluentes do rio Amazonas

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Simulação do fluxo da água no rio Amazonas e na região central da bacia Amazônica e suas planícies de inundação durante o pico da cheia de junho de 2009. Imagem: Alice Fassoni/UNB

O mais extenso e volumoso rio do mundo vem ganhando mais superlativos, dessa vez preocupantes. O rio Amazonas percorre cerca de 6.900 quilômetros (km), de suas cabeceiras na cordilheira dos Andes peruana ao oceano Atlântico, formando a maior bacia hidrográfica do mundo. No município de Óbidos, no Pará, a 800 km de sua foz, a vazão média do rio chegou a 160 mil metros cúbicos por segundo (m³/s) — um valor comparável à soma dos outros sete rios mais caudalosos do planeta.

Durante três a oito meses por ano, o Amazonas inunda vastas áreas de sua várzea, entre 10 km e 100 km de largura, levando sedimentos e nutrientes para florestas, zonas rurais e urbanas por meio de uma rede intrincada de canais e lagos adjacentes. Nas últimas décadas, porém, o rio vem sofrendo com secas e inundações cada vez mais extremas.

Durante as grandes enchentes de 2009 e 2021, na planície alagada, também chamada de várzea ou planície de inundação, de Parintins, no estado do Amazonas, a vazão quebrou recordes históricos, ultrapassando os 40 mil m³/s — quase a mesma vazão média do Congo, o principal rio da segunda maior bacia hidrográfica do mundo, na África.

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Essa é uma das conclusões de um estudo realizado por uma equipe de hidrólogos do Brasil, França e Reino Unido, que combinou medidas do nível e da vazão do rio, imagens de satélite e modelos computacionais para reconstituir o histórico até então desconhecido do fluxo das águas em quatro planícies de inundação do baixo Amazonas, entre os municípios de Manaus, no Amazonas, e Santarém, no Pará, durante os anos de 1970 a 2023.

A pesquisa liderada pela hidróloga Alice Fassoni de Andrade, da Universidade de Brasília (UnB), mostrou mudanças surpreendentes nessa região a partir de 2005. Entre esse ano e 2023, a vazão do rio aumentou 4,7% em relação ao período de 1970 a 2004. O aumento registrado na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém, em frente a Óbidos, chegou a 60% — um aumento relativo 13 vezes maior, cujas consequências para a floresta de várzea e as comunidades ribeirinhas ainda precisam ser mais bem compreendidas.

“Já havia estudos mostrando o aumento da vazão no rio, mas não nas planícies”, conta Andrade. Sua pesquisa começou ainda durante seu doutorado, defendido em 2020, sob orientação do hidrólogo Rodrigo de Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coautor do artigo publicado em março na Environmental Research Letters.

Andrade dedicou o capítulo final de sua tese ao desenvolvimento de um modelo computacional de um trecho de 1.100 km do rio Amazonas, com uma área de quase 40 mil quilômetros quadrados (km²), entre as confluências com o rio Negro, na altura de Manaus, e com o rio Xingu, em Porto de Moz, a leste de Santarém, a partir do relevo estimado por imagens de satélites, como os da série Landsat, da agência espacial norte-americana (Nasa). Modelos como esse são comuns em hidrologia, mas detalhando regiões bem menores.

“Não existem muitos exemplos no mundo de um modelo tão sofisticado”, afirma Paiva.

Vazão da água cresce até 60% em afluentes do Amazonas
Casas e moradores da planície inundável do Lago Grande de Curuai, em Santarém (PA), durante a cheia de junho de 2022. Fotos: Alice Fassoni /UNB

Medir a vazão de um rio tão grande é uma tarefa complexa. Entre Manaus e Santarém, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mantém algumas estações fluviométricas que monitoram continuamente o nível do Amazonas. Nas estações de Porto de Manaus, esse monitoramento remonta a 1902.

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) medem a vazão diretamente apenas algumas vezes por ano, utilizando um equipamento chamado de perfilador acústico de correntes por efeito Doppler (ADCP), que usa pulsos de ultrassom para determinar a velocidade da água em diferentes profundidades. Os hidrólogos usam essas medidas para calibrar a chamada curva-chave, uma relação matemática entre a vazão e o nível medido pelas estações, que permite estimar a vazão do rio e da várzea em qualquer momento.

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O modelo de Andrade utilizou essas estimativas de vazão do Amazonas e aquelas dos rios tributários, obtidas a partir de outro modelo de toda a bacia amazônica, desenvolvido anteriormente por Paiva e outros pesquisadores da UFRGS. A partir desses dados, o modelo usou as equações da hidrodinâmica para simular o escoamento de água pela região em duas dimensões, entre os anos de 2008 e 2010. Com uma resolução espacial de 400 metros, a simulação demorou dias para ser concluída em um computador do tipo workstation.

Durante a defesa de tese de Andrade, um dos membros da banca, o hidrólogo Walter Collischonn, também da UFRGS, foi o primeiro a notar que o modelo sugeria um fluxo muito elevado sobre as planícies de inundação, comparável ao de um grande rio. Em 2022, trabalhando em outro projeto, Andrade participou de uma expedição do SBG para medir a vazão na planície do Lago Grande do Curuai, durante o pico da cheia, em junho.

A pesquisadora estava com o hidrólogo Ayan Fleischmann, ex-aluno de doutorado de Collischonn e atualmente no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé, Amazonas. A vazão medida em Curuai chegou quase a 17 mil m³/s — a mesma vazão média do Mississippi, o maior rio da América do Norte. Mais tarde, descobriram que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já haviam feito medidas semelhantes no mesmo local, registrando 19 mil m³/s, em junho de 2006, e 12 mil m³/s, em julho de 2014.

Vazão da água cresce até 60% em afluentes do Amazonas
Imagem: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

Foi o que motivou a equipe a criar curvas-chave, relacionando os resultados do modelo de Andrade aos dados das estações fluviométricas entre 1970 e 2023, para estimar o histórico das vazões nas maiores planícies de inundação desse trecho do rio, com 40 a 50 km de largura: Jatuarana, em Manaus; Parintins, em Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre, em Monte Alegre, no Pará.

Os resultados mostraram que pequenas mudanças na vazão do rio ao longo de décadas foram amplificadas em até 13 vezes nas planícies de inundação.

“Diante disso, propomos que é necessário monitorar continuamente os fluxos de água nas planícies, o que ainda não é feito”, afirma Andrade.

De acordo com os pesquisadores, o aumento não linear nos fluxos do rio e nas planícies depende de variáveis como profundidade, largura, declividade e resistência da vegetação, que freia as correntezas. Para ajudar a entender como pequenas variações no rio podem provocar grandes alterações na planície, Andrade dá um exemplo envolvendo apenas profundidade. “Se a profundidade de um rio aumenta de 50 para 55 metros [m], o aumento relativo é de 10%”, ela explica. “Agora, se o nível da água na planície, que é mais rasa que o rio, sobe de 2 para 7 m, o aumento relativo é de 250%.”

“É um trabalho muito importante”, considera o ecólogo Jochen Schöngart, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, que não participou da pesquisa. De acordo com ele, o aumento observado da vazão nas várzeas vai ao encontro das conclusões de outros estudos, mostrando uma intensificação do ciclo hidrológico da bacia amazônica no século XXI. Dados da estação de Porto de Manaus revelam um aumento de 18% na diferença entre o nível mínimo e máximo do Amazonas em relação ao século anterior.

Essa tendência de secas e cheias cada vez mais intensas também está registrada em diferenças nos anéis de crescimento de árvores, como a arapari (Macrolobium acaciifolium) e o cedro-cheiroso (Cedrela odorata). Em 2025, uma equipe de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, da qual Schöngart fez parte, publicou uma análise de isótopos estáveis de oxigênio nessas espécies, mostrando o aumento da precipitação na estação chuvosa e a diminuição das chuvas no período seco, durante os últimos 40 anos.

Sem as plantas e árvores da várzea, o impacto das cheias seria ainda maior

Paiva explica que essa intensificação de secas e inundações na Amazônia é prevista pelos modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que levam em conta o aquecimento global provocado pelo aumento das emissões de gases estufa. Esses modelos também indicam um aumento das chuvas no noroeste da bacia amazônica, no Peru e na Bolívia, juntamente com uma redução no sul, o que pode afetar afluentes importantes como os rios Tapajós e Xingu. “Existe muita incerteza sobre como essa combinação de mudanças no regime de chuvas vai afetar o Amazonas no futuro”, ele explica.

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A metodologia do estudo das várzeas não permitiu analisar períodos de seca com precisão, mas outras pesquisas envolvendo colaboradores da equipe conseguiram avaliar, por meio de imagens de satélite, os impactos da seca recorde de 2023. Um estudo liderado por Fleischmann mostrou que a seca, combinada a uma onda de calor, elevou perigosamente as temperaturas dos lagos da Amazônia Central.

As águas do lago Tefé chegaram a 41 graus Celsius, provocando a morte de mais de 200 botos vermelhos (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis) (ver Pesquisa FAPESP nº 358). Já um estudo coordenado pelo hidrólogo Daniel Maciel, do Inpe, revelou uma redução de 8% na superfície coberta por água da Amazônia Central durante os piores meses da seca, em relação à média de anos anteriores, com alguns lagos encolhendo em até 80%. Em contraste, outro estudo liderado por Fleischmann mostrou que a extensão máxima de todas as áreas alagadas durante enchentes do Amazonas aumentou 26% desde 1980.

“O estudo de Andrade mostra que enchentes muito intensas não causam impactos apenas por atingirem níveis elevados de água, mas também porque aumentam a velocidade com que a água se movimenta dentro das planícies de inundação”, comenta o ecólogo Leandro Castello, do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia, Estados Unidos, especialista em peixes da Amazônia, que não participou da pesquisa. “O aumento da velocidade da água tende a acelerar os processos de erosão, o transporte de sedimentos e de matéria orgânica, especialmente detritos, folhas, frutos e pequenos organismos que caem das árvores.”

“Ainda é difícil prever com precisão como o aumento da velocidade da água afetará os peixes”, avalia Castello. Ele lembra que muitas espécies podem ter dificuldades, como o pirarucu (Arapaima gigas), o tucunaré (Cichla spp.) e o acará-açu (Astronotus ocellatus), que vivem geralmente em lagos e dependem de áreas com correnteza mais lenta, onde se alimentam de frutos e outros itens que caem das árvores inundadas. Mas outras espécies talvez possam ser beneficiadas pelas novas condições.

Schöngart lembra da importância das plantas aquáticas e das árvores da várzea em absorver a força das águas. Sem elas, o impacto das cheias extremas para as populações ribeirinhas seria ainda maior. Estima-se que um sexto da biodiversidade de árvores da Amazônia venha da floresta de várzea, que por sua vez é cercada por uma grande abundância de espécies de gramíneas e outras plantas aquáticas, como o aguapé (Eichhornia crassipes). Entretanto, poucas áreas da várzea do Amazonas estão protegidas por unidades de conservação.

Entender melhor como a aceleração das cheias afeta a biodiversidade e as populações é um dos objetivos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Rede de Paisagens Úmidas Brasileiras, criado em 2025 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e coordenado por Schöngart. Andrade faz parte de um dos projetos interdisciplinares do instituto, coordenado por Fleischmann e o ecólogo Rafael Magalhães Rabelo, também do Instituto Mamirauá.

O objetivo desse projeto de pesquisa é propor um zoneamento ecológico-econômico da várzea da Amazônia Central, mapeando as vulnerabilidades e a resiliência de cada macro hábitat da região frente a secas e cheias extremas, cada vez mais comuns na região.

“Vamos fornecer informações relevantes para políticas públicas voltadas à conservação da várzea”, afirma Schöngart.

Artigos científicos

CINTRA, B. B. L. et al. Tree ring isotopes reveal an intensification of the hydrological cycle in the Amazon. Nature Communications. 17 jun. 2025.
FASSONI-ANDRADE, A. et al. Amplified response of Amazon floodplain flows to rising river levels. Environmental Reasearch Letters. 10 mar. 2026.
FLEISCHMANN, A. et al. Extreme warming of Amazon waters in a changing climate. Science. 6 nov. 2025.
FLEISCHMANN, A. et al. Increased floodplain inundation in the Amazon since 1980. Environmental Reasearch Letters. 24 fev. 2023.
GALEAZZI, C. P. et al. Mid-late Pleistocene evolution of fluvial landscapes in Central Amazonia: shaping ecosystems and areas of endemism. Science Advances. In press.
MACIEL, D. A. et al. Sentinel-1 data reveals unprecedented reduction of open water extent due to 2023-2024 drought in the central Amazon basin. Environmental Reasearch Letters. 13 nov. 2024.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Igor Zolnerkevic

Prefeitura de Boa Vista entrega nova UBS de Boa Vista no bairro Santa Tereza

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Com prédio próprio, a UBS Dr. Robério Ribeiro amplia os atendimentos e garante mais conforto aos usuários. Foto: Francisco Sena/PMBV

A Prefeitura de Boa Vista inaugurou, na manhã desta terça-feira, 12, a nova Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Tereza. Com capacidade para mais de 4 mil atendimentos por mês, a UBS Dr. Robério Ribeiro passa a garantir mais conforto e estrutura em um prédio próprio, além de ampliar os serviços de saúde oferecidos aos usuários.

A nova estrutura também beneficiará moradores de diversos bairros da região, garantindo mais comodidade e melhorias no acesso aos serviços.

“Essa UBS vai atender moradores não apenas do Santa Tereza, mas também de localidades próximas, como Piscicultura, Jardim Primavera e bairros vizinhos. Isso significa um atendimento mais próximo da comunidade e mais qualidade de vida para a população”, completou Zeitoune.

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Prefeitura de Boa Vista entrega nova UBS de Boa Vista no bairro Santa Tereza
“Tudo lindo aqui, esperamos por esse momento e agora estou feliz”, disse Maridalva. Foto: Francisco Sena/PMBV

Mais conforto e acesso à saúde

Para os moradores da região, a nova unidade representa mais comodidade e qualidade no atendimento. Maridalva Silva vive no bairro Santa Tereza há 20 anos e celebrou a inauguração. “Eu estava ansiosa por esse dia, porque quem mora aqui há tanto tempo merece uma unidade mais confortável, principalmente para quem trabalha e precisa de atendimento”, afirmou.

A agente comunitária de saúde (ACS) Poliana Souza destacou que a nova unidade proporciona um atendimento mais humanizado aos moradores.

“Estou há 13 anos na UBS e moro no bairro há 35 anos. Esperávamos por esse momento para ampliar os atendimentos à população, com mais humanidade e acesso. As expectativas agora são as melhores”, declarou.

Andreina Perdomo é atendida na UBS há nove anos. Com o filho Elian, de 8 meses, nos braços, ela relembrou o acolhimento que recebeu ao longo desse período. “Sempre fui muito bem tratada por toda a equipe. Tenho minha ACS, que nos acompanha e sempre nos ajuda. Fiz todo o meu pré-natal na UBS e, quando fui diagnosticada com diabetes gestacional, também fiz exames e acompanhamento por lá. O atendimento sempre foi ótimo e agora, com certeza, vai melhorar ainda mais”, destacou.

Poliana Souza (1ª da esquerda para a direita) é ACS da unidade há 13 anos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Valorização dos profissionais da saúde

No Dia Internacional da Enfermagem, celebrado nesta terça-feira, 12, a enfermeira Giliane Silva definiu a inauguração da UBS como um presente para os profissionais e para a população. Segundo ela, a nova estrutura proporciona mais conforto e melhores condições de atendimento.

“Receber uma UBS nova justamente no Dia do Enfermeiro é um presente maravilhoso, tanto para nós, profissionais, quanto para a população. É um espaço mais confortável, que permite um atendimento mais humanizado e acolhedor”, ressaltou.

Com 19 anos de atuação na área, Giliane também reforçou a importância da enfermagem no sistema de saúde e o compromisso diário da categoria com os pacientes. “É a maior categoria profissional da saúde e está presente em todos os momentos da vida das pessoas, do nascimento aos cuidados finais. Tenho muito orgulho de exercer essa profissão com amor, dedicação e responsabilidade”, disse.

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Andreina Perdomo com o filho Elian, de 8 meses. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Homenageado

A nova UBS leva o nome do cirurgião-dentista Robério Ribeiro. Especialista em periodontia e implantodontia, ele foi transferido para Boa Vista na década de 1980, onde exerceu a odontologia em diversas unidades de saúde, como São Pedro, 31 de Março, Raiar do Sol, São Vicente, Pricumã e Nova Cidade.

Durante a inauguração, o filho do homenageado, Robério Ribeiro Júnior, agradeceu a homenagem que eterniza o nome do pai em uma unidade de saúde de Boa Vista.

“Meu pai foi um homem simples, sem vaidade, e dedicou 37 anos da carreira odontológica a Boa Vista. O legado dele está sendo lembrado hoje, e isso é motivo de extrema gratidão para mim e toda a nossa família. Agradeço imensamente o carinho dedicado ao meu pai e quero dizer que o legado dele será lembrado para sempre”, afirmou.

Pesquisa da Uepa destaca letramento em saúde ambiental entre ribeirinhos

Abertura da Semana de Enfermagem, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata, no campus IV da Uepa, em Belém, que teve como discussão Saúde Ambiental entre ribeirinhos. Foto: Divulgação/ Uepa

Práticas e experiências cotidianas entre ribeirinhos também constroem saber. A pesquisa “Letramento em Saúde Ambiental entre Ribeirinhos da Amazônia Paraense”, desenvolvida por estudantes do curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará (Uepa), analisou como o conhecimento sobre saúde ambiental repercute no dia a dia dessa população.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi feito pelas alunas Élida Fernanda Rêgo de Andrade e Sandy Isabelly Osório de Sousa, sob orientação da professora Laura Maria Vidal Nogueira, da Escola de Enfermagem Magalhães Barata (EEMB), campus IV da Uepa, e coorientação da enfermeira Ana Kedma Correa Pinheiro. 

Estudos como esse potencializam a produção científica e o papel da instituição, que promove, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026. O evento tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica e incentivar a pesquisa, e traz como tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, marcando também o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro, celebrado em 12 de maio. 

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Semana de Enfermagem da Uepa fortalece a formação acadêmica e incentiva a pesquisa, a ética e avanços da profissão. Foto: Divulgação/Uepa

Além de fortalecer a formação acadêmica, o estudo trata do letramento em saúde ambiental (LSA) no cotidiano de ribeirinhos da Amazônia paraense, com foco na prevenção de doenças e proteção ambiental e contribuem para a compreensão de práticas em saúde mais sensíveis às realidades locais. Na Uepa, a pesquisa recebeu o primeiro lugar do Prêmio Melhor TCC 2024/2025 do curso de enfermagem. 

As alunas desenvolveram um estudo descritivo e qualitativo realizado na Unidade Municipal de Saúde da Ilha de Cotijuba, em Belém, e os dados foram coletados por meio de entrevistas. Participaram 29 ribeirinhos, a maioria do sexo feminino (82,76%), com idade média de 46 anos e renda familiar de até um salário mínimo.

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De acordo com o estudo, as populações ribeirinhas enfrentam inúmeras necessidades, mas mantêm um modo de vida próprio, junto à natureza e orientado pela herança de saberes socioculturais que influenciam o cotidiano, as relações e os cuidados em saúde.

O Letramento em Saúde Ambiental refere-se à capacidade de compreender a relação entre ambiente e saúde e o uso desse conhecimento nas decisões cotidianas, como na identificação de mudanças na água, no solo e nos ciclos naturais, associando a impactos na saúde e ajustando práticas.

Estudantes de enfermagem da Uepa desenvolveram pesquisa para trabalho de conclusão de curso sobre as práticas ribeirinhas. Foto: Reprodução/Uepa

Além do acesso à informação, a prática ribeirinha envolve a interpretação e aplicação dos saberes no contexto sociocultural, fortalecendo o protagonismo social e a corresponsabilidade pela saúde individual e coletiva, explicou a aluna Élida Andrade. Esses conhecimentos articulam práticas e noções de saúde, influenciadas por crenças e experiências locais, que orientam a forma como os ribeirinhos reconhecem riscos e adotam estratégias de cuidado e prevenção.

Resultados

A pesquisa indica que os ribeirinhos associam saúde ambiental à limpeza e ao bem-estar, recorrendo à queima de lixo na ausência de coleta pública, apesar dos riscos à saúde. A preservação é vista como essencial ao sustento, enquanto a degradação ambiental é reconhecida como causa de doenças respiratórias e infecciosas, como leptospirose e dengue.

Moradores da Ilha de  Ilha de Cotijuba, em Belém, têm saberes herdados socioculturais que influenciam o cotidiano. Foto: Reprodução/Agência Pará

Os moradores também relataram abandono do poder público e impactos negativos do turismo, sobretudo pela poluição trazida à ilha. As práticas de prevenção entre os ribeirinhos incluem o cuidado com a higiene da água e a eliminação de criadouros de mosquitos, ao mesmo tempo em que apontam desigualdades no acesso à informação, onde parte da população utiliza internet e celular, enquanto outra enfrenta limitações por falta de recursos e infraestrutura. 

“Durante a pesquisa, observamos alguns desafios vivenciados por eles, como o acesso limitado aos serviços de saúde e educação, o que dificulta a circulação de informações qualificadas, além da vulnerabilidade socioeconômica e das desigualdades estruturais presentes nesses territórios. Também se observou que, em alguns momentos, essas comunidades são impactadas por ações de visitantes e turistas que, embora contribuam para a economia e a visibilidade local, foram associados ao descarte inadequado de lixo, com repercussões negativas para o ambiente e a qualidade de vida”, disse a aluna Sandy Sousa.

Foto: Divulgação

O estudo ressaltou também o papel do enfermeiro como educador e a necessidade de ações e estratégias de educação em saúde culturalmente adaptadas para empoderar essas comunidades e fortalecer a proteção ambiental e a qualidade de vida.

A pesquisa foi desenvolvida por meio de bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e também já foi publicada na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (REEUSP), e pode ser acessada aqui. A  revista é classificada como Qualis A, reconhecida pelo seu alto rigor científico e impacto na área.

Semana de Enfermagem 2026

A Escola de Enfermagem Magalhães Barata realiza, de 12 a 15 de maio, a Semana de Enfermagem 2026 (SENF 2026). O evento tem o tema “Enfermagem em Movimento: Técnica, Ética e Política nas Lutas e Avanços”, e é promovido pela Coordenação do curso de enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e o Centro acadêmico (Caenf). A programação reúne atividades voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica, ao incentivo da produção científica e à promoção de reflexões sobre a enfermagem na sociedade. 

A semana vai ter mesa redonda, mostra científica, oficinas e cursos intensivos preparatórios para residências multiprofissionais, apresentação cultural e palestras. A SENF 2026 se propõe como espaço de integração entre ensino, serviço e comunidade acadêmica para promover o aprimoramento técnico-científico e a troca de experiências. Outras informações, programação completa e inscrições disponíveis neste link. 

“A SENF 2026 reunirá estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais da comunidade acadêmica em torno da formação, da ciência e do fortalecimento da profissão. O tema convida à reflexão sobre os pilares da enfermagem contemporânea: excelência técnica, compromisso ético e protagonismo político”, destacou a professora e coordenadora do Campus IV, Maridalva Leite.

Para estimular a solidariedade, o evento também vai contar com uma campanha de doação de sangue no dia 13 de maio, das 9h às 16h, no campus IV, com direito à certificação para os participantes. O pré-cadastro pode ser feito nesta página e cada doação pode salvar até quatro vidas. Entre os parceiros da campanha de doação de sangue estão a Liga Acadêmica Multidisciplinar de Anatomia e Fisiologia ( LAMAF) e o Hemopa. A EEMB fica localizada na Avenida José Bonifácio 1289, bairro do Guamá, em Belém.

*Com informações da Uepa

Pesquisa sobre uso do caroço de açaí em painéis MDF é apresentada em São Paulo

Docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apresentou a utilização da fibra do caroço do açaí durante o ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP). Foto: Divulgação/UEA

O desenvolvimento de um processo produtivo que utiliza a fibra do resíduo do caroço do açaí na fabricação de painéis de MDF ecológicos, possibilitando a substituição de painéis convencionais, foi apresentado pelo Prof. Dr. Antonio Mesquita, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), durante o painel ‘A natureza e as comunidades tradicionais como parceiras de negócios regenerativos na Amazônia’.

A apresentação ocorreu no ‘SciBiz Science, Business e Culture’, na Universidade de São Paulo (USP), campus Butantã, no dia 11 de maio, e discutiu como a inovação pode emergir da integração entre conhecimento científico, saberes tradicionais e a dinâmica dos ecossistemas naturais.

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O painel proposto pela Prof.ª Dra. Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso (FIA Business School, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Cepid Bridge) reuniu os painelistas Prof. Dr. Antonio de Lima Mesquita (UEA), Cinthia Souto (Soul ESGS) e Olinda Canhoto (Fundação Paulo Feitoza-FPFtech), sob mediação da Prof.ª Dra. Aline Homrich (Centro Universitário FEI e Cepid Bridge).

Fibra do caroço do açaí, uma solução ecológica

O projeto apresentado pelo professor Antônio Mesquita é considerado uma das principais alternativas econômicas que possibilita uma nova forma na decoração de móveis e divisórias. Os painéis ecológicos não utilizam resinas tóxicas nem depende de plantações de árvores para a confecção.

As estruturas são confeccionadas a partir de partículas provenientes de fibras vegetais da Amazônia, por meio de rejeitos de frutos agroindustriais, como é o caso do caroço do açaí.

Leia também: Projeto do Amapá que transforma caroço de açaí em gás de cozinha recebe certificado de viabilidade

caroço de açai
Caroço de açaí é uma das fontes sustentáveis mais utilizadas na Amazônia. Foto: Divulgação/Agência Pará

*Com informações da UEA

Cuiabá terá a maior roda-gigante da América Latina

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Projeto da roda-gigante. Imagem: Divulgação/MT Par

Você sabia que Mato Grosso terá a maior roda-gigante da América Latina? A atração turística ainda não tem data de inauguração, mas as peças para sua construção tem chegado aos poucos no espaço do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. Com mais de 70 toneladas e 16 metros de comprimento, a peça foi fabricada na China, desembarcou no Porto de Santos (São Paulo) em fevereiro, e seguiu até Cuiabá por transporte terrestre, em carreta escoltada por batedores.

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Segundo o Governo de Mato Grosso, responsável pela obra por meio da MT Participações e Projetos (MT Par), as demais peças tem sido entregues de forma gradual.

No total, a roda-gigante conta com 42 cabines, cada uma com capacidade para até seis pessoas, totalizando 210 visitantes por giro. Ela será instalada no canteiro central do Parque Novo Mato Grosso e, devido à sua dimensão e localização estratégica, poderá ser vista de vários pontos da cidade, inclusive da região central de Cuiabá e de Chapada dos Guimarães.

“Trata-se de um atrativo grandioso, acessível à população e que proporcionará uma vista panorâmica privilegiada da cidade. No Parque Novo Mato Grosso, ela integrará um conjunto de atrações como pistas de skate, motocross, kart e automobilismo, ampliando as opções de lazer, entretenimento e esporte”, destacou Wener Santos, presidente da MT Par, durante a entrega de partes da atração em fevereiro.

A estrutura da roda-gigante ocupará uma área construída de 1.000,37 m², distribuída em três níveis: térreo, primeiro pavimento e cobertura, sendo esta última destinada ao embarque dos visitantes.

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Roda-gigante é parte do projeto Parque Novo Mato Grosso

Segundo o governo mato-grossense, o objetivo é que o Parque Novo Mato Grosso seja o maior espaço multieventos da América Latina e está em construção a 8 km de Cuiabá, na rodovia de acesso à Chapada dos Guimarães. Com 300 hectares de área, o empreendimento tem como objetivo impulsionar o esporte, os negócios e o turismo em todo o estado.

A operação logística do projeto da roda-gigante, conduzido pela Allog e Comexport, envolveu o transporte da estrutura desde a China até o Porto de Santos, etapa crítica e essencial para viabilizar a continuidade até seu destino final.

A operação foi estruturada em quatro embarques marítimos, reunindo estruturas metálicas de grande porte, cabines de vidro e componentes eletrônicos que darão forma à atração.

@govmatogrosso A MAIOR RODA GIGANTE DA AMÉRICA LATINA! 😱🎡 Ela vai brilhar no coração do Parque Novo Mato Grosso, o novo destino de lazer e entretenimento do Estado! 💕 👉🏼 Com peças que já começaram a desembarcar no Brasil e que em breve chegarão a Cuiabá, a superestrutura será montada bem no centro da rotatória do parque e promete entregar um visual incrível! 👉🏼 O parque será o maior complexo de lazer da América Latina, com atrações para todas as idades, espaços verdes, áreas de convivência e muita diversão para toda a família. É o GovMT trazendo mais lazer e colocando Mato Grosso na rota dos grandes destinos do Brasil! 🏞️ #turismobrasil #turismo #brasil #matogrosso_brasil #matogrosso #turismobrasileiro #rodagigante ♬ som original – Governo de Mato Grosso

Diferentes modais para uma mesma operação

Devido ao grande volume da carga e à dinâmica da produção na fábrica, a operação foi estruturada em quatro embarques distintos. As estruturas metálicas de maior dimensão foram embarcadas como carga break bulk pelo porto de Taicang, enquanto as cabines e componentes menores seguiram em containers flat rack e contêineres fechados pelo porto de Shanghai.

Segundo Carolina Frei, gerente de Contas de Carga Projeto do Grupo Allog, essa estratégia foi essencial para viabilizar o transporte de peças superdimensionadas, otimizar prazos e garantir maior eficiência na consolidação da carga.

Cuiabá terá a maior roda-gigante da América Latina
Peças da roda-gigante chegam aos poucos. Foto: Dan Lima/MT Par

O desafio do eixo central

Entre os itens transportados, destacou-se o eixo central da roda-gigante, peça fundamental para a sustentação da estrutura. Com cerca de 16 metros de comprimento e aproximadamente 70 toneladas, o componente exigiu planejamento específico de içamento, análise técnica da distribuição de peso e acompanhamento especializado durante todas as etapas do embarque.

Além das dimensões e do peso das cargas, o projeto também enfrentou prazos desafiadores e condições climáticas adversas na origem. Durante o verão chinês, as altas temperaturas exigiram ajustes operacionais, com parte das atividades sendo realizadas em horários alternativos para garantir segurança e eficiência.

*Com informações do Governo do Tocantins e da Assessoria de Comunicação GRUPO ALLOG

AMQQ promove debate sobre democracia digital e desenvolvimento sustentável durante evento de bioeconomia no Pará

Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realizou, nesta terça-feira (13), em Belém (PA), mais uma etapa do projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), com o painel “Democracia Digital e os desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia”. A atividade integrou a programação do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) e promoveu um debate estratégico sobre os impactos da transformação digital na sociedade, na circulação da informação e na construção de soluções sustentáveis voltadas à realidade amazônica.

A programação teve início com a abertura institucional do projeto, reforçando o compromisso da Fundação Rede Amazônica com a promoção de espaços de diálogo qualificado e escuta ativa sobre os desafios contemporâneos da Amazônia. A iniciativa também evidenciou a importância do fortalecimento da participação social e da construção coletiva de propostas alinhadas às transformações econômicas, tecnológicas e socioambientais que impactam a região.

O encontro aconteceu no Parque da Bioeconomia e reuniu estudantes, representantes da sociedade civil, profissionais da área jurídica, especialistas em tecnologia, pesquisadores e integrantes do ecossistema de inovação presente no evento. A programação também contou com transmissão ao vivo pelo g1 Amazonas, ampliando o alcance do debate e fortalecendo a disseminação de informações qualificadas sobre temas estratégicos relacionados ao desenvolvimento regional.

Debate multidisciplinar e construção coletiva

Participaram do painel o juiz federal e membro suplente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho, a advogada Bianca Ribeiro Lobato (OAB/PA) e Marcelo Rocha de Sá, da Jambu Tecnologia e Rede Belém Aberta. A mediação foi conduzida pelo jornalista Ronaldo Santos, da CBN Amazônia Belém.

Durante o encontro, os participantes discutiram temas relacionados à democracia digital, cidadania, desinformação, inovação tecnológica e os desafios para o fortalecimento de políticas públicas alinhadas às necessidades da Amazônia contemporânea. As discussões também abordaram os impactos da transformação digital nos processos democráticos, no acesso à informação e na ampliação da participação social em debates relacionados ao desenvolvimento sustentável.

O painel destacou ainda a importância do diálogo entre diferentes setores da sociedade na construção de soluções inovadoras, inclusivas e conectadas às especificidades da região amazônica, considerando os desafios sociais, econômicos e ambientais presentes no território.

“Discutir democracia digital na Amazônia é pensar em inclusão, acesso à informação de qualidade e fortalecimento da participação cidadã. A transformação tecnológica precisa caminhar junto com o desenvolvimento social e com a garantia de direitos para as populações da região”, destacou Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho.

“A tecnologia tem ampliado o acesso à informação e fortalecido novas formas de participação social, mas também exige atenção aos impactos da desinformação nos processos democráticos. Discutir educação digital e responsabilidade no ambiente online é fundamental para a construção de uma sociedade mais consciente, participativa e preparada para os desafios contemporâneos”, ressaltou Bianca Ribeiro Lobato.

“A Amazônia precisa estar no centro das discussões sobre inovação e transformação digital. Quando conectamos tecnologia, participação social e desenvolvimento sustentável, criamos oportunidades mais alinhadas à realidade e aos desafios da região”, afirmou Marcelo Rocha de Sá.

Amazônia e inovação em pauta

Ao integrar a programação do Bioeconomy Amazon Summit, o Amazônia Que Eu Quero reforça seu compromisso com a promoção de debates estratégicos sobre desenvolvimento sustentável, bioeconomia, inovação e cidadania na Amazônia. A iniciativa amplia espaços de reflexão sobre os caminhos para uma região mais conectada, inclusiva e preparada para os desafios contemporâneos.

O projeto segue fortalecendo ambientes de escuta ativa e construção coletiva de propostas voltadas ao desenvolvimento regional, conectando especialistas, instituições, juventude e sociedade civil em discussões sobre oportunidades, inovação e sustentabilidade na Amazônia.

A próxima etapa do Amazônia Que Eu Quero acontecerá em Rondônia, no mês de junho, dando continuidade à agenda de debates e mobilização social promovida pela Fundação Rede Amazônica em diferentes estados da Amazônia Legal.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Tocantins tem o menor percentual de desmatamento ilegal do Brasil

Foto: Marcel de Paula/Governo do Tocantins

O combate ao desmatamento ilegal e a promoção de um modelo sustentável de produção foram temas centrais de um fórum sobre agro e meio ambiente realizado pelo Governo do Tocantins, em Palmas, com a participação de autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo. O encontro discutiu estratégias de inteligência territorial para equilibrar crescimento econômico, preservação ambiental e legalidade no campo.

Durante o evento, a gestão estadual destacou através do secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, que os avanços na redução do desmatamento ilegal e na conservação da vegetação nativa são resultado da atuação conjunta entre órgãos públicos, instituições parceiras, equipes técnicas e produtores rurais. A proposta apresentada reforça que é possível aliar desenvolvimento do agronegócio à responsabilidade ambiental, garantindo geração de valor sem comprometer os recursos naturais.

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Segundo os dados apresentados, o Tocantins se consolidou como referência nacional em regularidade ambiental. Com base no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024, do MapBiomas, o estado registrou, entre 2019 e 2024, 441 mil hectares de desmatamento com autorização legal, alcançando 59,6% de área desmatada autorizada, mais que o dobro da média nacional, de 23,5%.

No cenário do Matopiba, região considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país, o Tocantins também aparece em posição de destaque. Em 2024, o estado apresentou 81,9% de cobertura de fiscalização e autorização sobre a área desmatada, o maior índice entre os estados que compõem a região, demonstrando avanço na regularidade das atividades produtivas.

O secretário ressaltou que esse desempenho não pode ser compreendido apenas pela análise do desmatamento bruto. A leitura qualificada dos dados permite diferenciar áreas autorizadas, áreas fiscalizadas, indícios de ilegalidade, cicatrizes de fogo e falsos alertas, oferecendo uma visão mais justa e transparente sobre a realidade ambiental do estado. Esse trabalho é fortalecido pelo uso de tecnologia e inteligência territorial, especialmente por meio do Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma).

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Outro ponto destacado foi o papel do setor agronegócio tocantinense na conservação, que vem tendo um papel protagonista na preservação. Além de produzir alimentos, gerar emprego, renda e fortalecer a economia do Tocantins, o setor contribui para a manutenção de reservas legais, áreas de preservação permanente, nascentes, rios e biodiversidade. A mensagem central do fórum foi a de que o Tocantins possui um agro forte, produtivo e alinhado à legislação ambiental.

A apresentação também trouxe dados recentes dos alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) que é um sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisados entre janeiro e março de 2026. Do total de alertas avaliados, 18,4% apresentaram possíveis indícios de ilegalidade. Outros alertas foram classificados como desmatamento autorizados, cicatrizes de fogo ou falsos alertas, o que reforça a importância da análise técnica antes de qualquer conclusão pública.

Apesar dos avanços na regularidade ambiental, o fogo ilegal foi apontado como um dos principais desafios ambientais do Tocantins. Em 2025, o estado registrou cerca de 29,5 mil hectares de desmatamento ilegal, enquanto a área atingida por queimadas ilegais chegou a 1.579,3 mil hectares. Isso significa que o fogo ilegal atingiu uma área 53 vezes maior que o desmatamento ilegal no período.

Além dos danos ambientais, os incêndios provocam prejuízos diretos ao setor produtivo, com perda de pastagens, redução da produtividade, aumento de custos, impactos na logística e riscos para propriedades rurais, comunidades e áreas protegidas. Por isso, o combate ao fogo foi tratado como uma agenda de união entre poder público, produtores rurais, setor privado, municípios, brigadas, sociedade civil e instituições parceiras.

Tocantins tem o menor percentual de desmatamento ilegal do Brasil
Foto: Marcel de Paula/Governo do Tocantins

Governo do Tocantins afirma que ampliou investimentos

Para enfrentar esse desafio, o Governo do Tocantins ampliou os investimentos no Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. Em 2026, o plano prevê R$ 26 milhões em investimentos, contra R$ 17,1 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 52%. O reforço busca ampliar ações de prevenção, monitoramento, estruturação de equipes, resposta integrada e uso de tecnologia.

Os resultados já apontam avanços. De acordo com os dados apresentados, a área queimada no Tocantins caiu de 2,77 milhões de hectares em 2024 para 1,83 milhão de hectares em 2025, uma redução de 34%. A inteligência geográfica também tem permitido classificar melhor os tipos de ocorrência, diferenciando queima controlada, queima prescrita, queima não autorizada e incêndio florestal.

O fórum contou ainda com a participação do chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, que apresentou o estudo de caso Produção e Preservação no Tocantins, além de mesa-redonda mediada por Humberto Simão, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Ao reunir setor produtivo, instituições públicas, entidades parceiras e especialistas, o Fórum Agro & Meio Ambiente reforçou a importância da integração para consolidar o Tocantins como referência em produção responsável, regularidade ambiental e preservação.

*Com informações do Governo do Tocantins

Festival da Cunhã 2026: saiba onde fazer a troca de ingressos

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Foto: Divulgação

A expectativa para o Festival da Cunhã 2026 já movimenta o público em Manaus (AM), com o início da troca dos ingressos da pista social em três unidades do Super Nova Era até sexta-feira (15). Idealizado pela cunhã-poranga do boi Garantido, Isabelle Nogueira, o evento promete reunir milhares de pessoas no dia 23 de maio, na Arena da Amazônia.

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A principal atração confirmada é a cantora Joelma, que lidera um line-up com mais de 10 artistas. Esta é a segunda edição do festival, que também contará com experiências culturais e gastronômicas, além de espaços dedicados ao artesanato regional.

“Patrocinar o Festival da Cunhã é uma forma de reforçar nosso compromisso com a cultura amazônica e com as tradições que fazem parte da identidade do nosso povo. O Super Nova Era acredita na força desses eventos para movimentar a economia e valorizar talentos locais”, destaca a gerente de Marketing do Grupo Nova Era, Viviane Cavalcante.

isabelle nogueira, cunhã poranga do boi garantido
Foto: Michael Dantas/SEC-AM

Locais para as trocas de ingressos do Festival da Cunhã

O Super Nova Era é o ponto oficial de troca dos ingressos para a pista social. A retirada deve ser feita até sexta-feira (15), sempre das 13h às 20h, na unidade selecionada no momento do cadastro. Para garantir o ingresso, é necessário realizar um cadastro prévio online e apresentar CPF no momento da retirada. Cada pessoa tem direito a um ingresso, mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis (exceto sal) ou uma lata de leite em pó.

As trocas acontecem nas seguintes lojas:

  • Nova Era Grande Circular – Av. Autaz Mirim, 8900, bairro Jorge Teixeira
  • Nova Era Flores – Av. Torquato Tapajós, 2871, bairro Flores
  • Nova Era Parque 10 – Av. Gov. José Lindoso, 3007

Fragmentação da vegetação nativa cresceu 163% em 38 anos, mostra estudo do MapBiomas

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Foto: Reprodução/Greenpeace

Pela primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a quantidade de fragmentos de vegetação nativa no Brasil: eles passaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. O crescimento de 163% em 38 anos sugere que a vegetação nativa no Brasil está mais exposta à degradação. Os dados inéditos são do módulo de Degradação do MapBiomas, recém-atualizado e disponível gratuitamente na plataforma. Veja AQUI.

Agora, o módulo de Degradação do MapBiomas apresenta todos os tamanhos de fragmentos de vegetação nativa no território nacional, quantificados a partir de meio hectare. Cada fragmento pode conter um ou mais de um tipo de vegetação nativa dentre as classes mapeadas pelo MapBiomas na Coleção 10.1, incluindo formação florestal, formação savânica, formação campestre, campo alagado e área pantanosa. 

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Fragmentação é o processo pelo qual áreas originalmente contínuas de vegetação nativa são divididas em porções remanescentes cada vez menores e mais isoladas por conta do desmatamento, seja para fins de expansão agropecuária, de urbanização, de abertura de estradas ou outras finalidades. Os efeitos negativos do desmatamento são ainda maiores quando as áreas remanescentes  ficam muito fragmentadas.

“Quanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa, maior será a suscetibilidade à degradação”, ressalta Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas.

“O tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta  o risco de extinções locais dessas espécies, diminui a chance  de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda. Em suma, esses fragmentos vão perdendo a diversidade de espécies”, detalha. 

Esta análise gerou outro indicativo do avanço da degradação no país: o tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa. Se em 1986 a área média de um fragmento era de 241 hectares, em 2023 esse número reduziu para 77 hectares, uma queda de 68% no período avaliado. Até 5% da vegetação nativa do Brasil (26,7 milhões de hectares) está em pequenos fragmentos, menores que 250 hectares, com destaque para a Mata Atlântica, onde essa condição atinge até 28% da vegetação nativa remanescente (10 milhões de hectares).

Todos os biomas apresentaram aumento no número de fragmentos nas últimas quatro décadas (1986-2023). O Pantanal e a Amazônia foram os biomas com maior aumento da fragmentação, com 350% e 332%, respectivamente. Seguidos do Pampa com 285%, Cerrado com 172%, Caatinga com 90% e Mata Atlântica com 68%. 

Mata Atlântica e Cerrado são os biomas com maior número absoluto de fragmentos de vegetação nativa: aproximadamente 2,7 milhões cada.

“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas  menores, na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, ou seja, pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”, pondera Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas. 

A Amazônia destaca-se pela redução no tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa: de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, uma redução de 82%. Queda semelhante (80%) pode ser observada no Pantanal, que passou de fragmentos com área média de 1.394 hectares em 1986 para 278 hectares em 2023.

mapa de cobertura amazônia - mapbiomas
Imagem: Reprodução/MapBiomas

Vegetação nativa está mais exposta à degradação

Até 24% da vegetação nativa do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação, segundo os dados disponíveis na plataforma. São até 134 milhões de hectares da vegetação nativa remanescente no país potencialmente expostos a fatores como fragmentação, área de borda, fogo, vegetação secundária e corte seletivo, entre outros. 

Na Mata Atlântica, até 72% de toda a vegetação nativa (23,4 milhões de hectares) está exposta à degradação. O Pampa vem em segundo lugar, com até 47% da vegetação nativa remanescente (4,2 milhões de hectares) exposta a algum dos vetores de degradação mapeados. Com até 42% da vegetação remanescente exposta à degradação (42,6 milhões de hectares), o Cerrado é o bioma mais afetado em área absoluta.

Amazônia Legal: distúrbio de dossel e corte seletivo de madeira

O dossel é a camada superior da floresta, formada pela continuidade das copas das árvores mais altas. Quando essa camada sofre alterações, seja por secas, ventos, incêndios, corte seletivo de madeira, efeito de borda ou outras perturbações, abre-se no local uma clareira, rompendo a continuidade original da floresta, que recebe o nome de distúrbio de dossel.

Uma das novidades no módulo de Degradação do MapBiomas foi o mapeamento desses distúrbios de dossel na floresta, considerando as classes que incluem a formação florestal e a floresta alagável da Coleção 10.1 do MapBiomas, na Amazônia Legal entre 1988 e 2024.

Nesse período, em pelo menos 7% da cobertura de floresta na Amazônia Legal (24,9 milhões de hectares) houve detecção de algum sinal de distúrbio de dossel por pelo menos um mês. No ano de 2016, foi detectada a maior área mapeada desse distúrbio, com 4 milhões de hectares. Entre 2019 e 2024, a área afetada por esses distúrbios foi de 2,1 milhões de hectares. 

Controle de queimadas acre Foto Uêslei Araújo Sema AC
Foto: Uêslei Araújo/Sema AC

Na floresta alagável, aquela situada nas margens de cursos d’água sujeitas a inundações periódicas, os maiores registros de distúrbio de dossel coincidiram com anos de seca intensa, como 2016, 2023 e 2024. “A previsão de ocorrência de El Niño para este ano indica condições favoráveis para novas secas na região, o que tende a facilitar a ocorrência desses  distúrbios nesse tipo de floresta”, alerta Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas na equipe da Amazônia.

O corte seletivo de madeira é uma das principais causas de distúrbio de dossel na Amazônia Legal. O MapBiomas identificou 9,7 milhões de hectares com indícios de corte seletivo entre 1988 e 2024. Essa atividade está concentrada: 83,5% do total ocorre no Mato Grosso e no Pará, e seis dos dez municípios com maior exploração estão no Mato Grosso em 2024.

Leia também: Primeiro trimestre de 2026 fecha com queda de 17% no desmatamento da Amazônia

Dados que orientam conservação, restauração e políticas públicas

O módulo de Degradação do MapBiomas foi desenvolvido para apoiar decisões de conservação e restauração da biodiversidade no país. O Brasil tem como meta restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, compromisso assumido no âmbito do Planaveg e reforçado em acordos internacionais como o Acordo de Paris, o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20X20.

“O monitoramento da degradação complementa o monitoramento do desmatamento. A importância desse monitoramento se justifica pelo fato de que a degradação de um remanescente de vegetação nativa muitas vezes pode ser minimizada ou revertida. Porém, se as causas da degradação não forem interrompidas, a capacidade de recuperação biológica natural das áreas afetadas pode ficar muito comprometida”, destaca Eduardo Vélez, pesquisador do MapBiomas na equipe do Pampa. 

A plataforma do MapBiomas permite análises por territórios como país, estado, município, bacia hidrográfica, áreas protegidas, entre outros — oferecendo subsídios para gestores públicos, pesquisadores, organizações de conservação e setor privado.

“O módulo de Degradação do MapBiomas é uma ferramenta estratégica de apoio à recuperação de áreas degradadas e à conservação da vegetação nativa no país”, complementa Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

O que é degradação?

Degradação é diferente de desmatamento. No desmatamento, a vegetação é totalmente removida e a área originalmente vegetada fica descoberta, sendo convertida para algum tipo de uso antrópico, como a agricultura, por exemplo. Na degradação, a vegetação nativa permanece no local, mas sob a ação de fatores que a tornam menos saudável, menos resiliente e com menor diversidade de espécies. 

Os vetores de degradação da vegetação nativa disponibilizados atualmente na segunda versão do módulo de Degradação do MapBiomas incluem o tamanho e isolamento dos fragmentos, a área e idade das bordas, a frequência do fogo, o tempo desde a última queimada, o corte seletivo, o distúrbio de dossel e a idade da vegetação secundária. 

Sobre o módulo de Degradação do MapBiomas – Disponível na plataforma do MapBiomas Brasil que permite, de forma inédita, a análise e integração de vetores de degradação da vegetação nativa nos biomas brasileiros de 1986 a 2023, de forma isolada ou em combinação. Esta abordagem permite análises multicritério para diferentes territórios (país, estados, municípios, bacias hidrográficas e áreas protegidas), abrindo novas perspectivas para aplicações científicas e tomada de decisões. Os dados estão disponíveis gratuitamente na plataformahttps://plataforma.brasil.mapbiomas.org/.

Sobre o MapBiomas – Iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. A plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais com a Coleção 10.1 de uso da terra do Brasil entre 1985 e 2024. Todos os dados, mapas, métodos e códigos são disponibilizados de forma pública e gratuita em mapbiomas.org.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo MapBiomas

De xarope para combate a gripe ao uso gastronômico: conheça as funções do malvarisco

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Foto: Sajetp/ Creative Commons

Uma planta comumente encontrada nos arredores de várias cidades da Amazônia por ser silvestre, que nasce naturalmente, o Malvarisco (Plectranthus amboinicus), também conhecida como Malva Grossa, hortelã-grosso, hortelã-da-folha-grossa, dentre outros nomes, possui diversas funções benéficas para os seres humanos, que vão desde a gastronomia até os cuidados com a saúde.

Conhecido por seu forte aroma e sabor picante, o malvarisco é uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) que surpreende por seu potencial ir além da culinária.

Na culinária

Na culinária, o malvarisco se destaca porque suas folhas aromáticas podem ser utilizadas como tempero em carnes, sopas e caldos, conferindo um sabor marcante semelhante ao da hortelã, porém mais suave e levemente picante.

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Segundo o médico geriatra Euler Ribeiro, o malvarisco se destaca não só pela ação na saúde, mas pelo cheiro e sabor característicos.

“Ela é suculenta. Tem um odor forte e maravilhoso. Além disso ela é diurética, antimicótica e antibacteriana. É uma erva muito utilizada pelos homens da floresta”, comenta.

Na saúde

Por falar em suas ações na saúde, o malvarisco é uma planta amplamente utilizada na medicina tradicional por suas propriedades terapêuticas, como aponta Ribeiro.

Suas folhas espessas são ricas em compostos com ação anti-inflamatória, expectorante e antimicrobiana, sendo muito empregadas no preparo de chás para aliviar sintomas de gripes, tosses e irritações na garganta.

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Segundo o pesquisador Moacir Biondo, técnico em Agricultura e especialista em plantas medicinais da Amazônia, com mais de 40 anos de dedicação ao estudo da flora amazônica, as propriedades do malvarisco podem ser aproveitadas de forma simples em casa, por meio da produção de um chá ou até de xarope.

Além das propriedades para a melhoria de problemas respiratórios, o malvarisco também pode auxiliar no tratamento de problemas digestivos leves, como má digestão e gases. O sumo extraído das folhas também pode ser aplicado diretamente sobre a pele para ajudar na cicatrização de pequenos ferimentos, picadas de insetos e irritações cutâneas.

Seu efeito calmante e antisséptico natural contribui para reduzir inflamações e acelerar a recuperação da pele, sendo uma alternativa caseira bastante difundida em comunidades tradicionais como de povos indígenas e quilombolas.

Malvarisco é de fácil cultivo

O malvarisco é uma planta que não necessita de tantos cuidados para crescer, por isso é considerada de fácil cultivo. Em diversos tipos de solo ela facilmente se adapta e consegue crescer.

“São plantas silvestres, que nascem pela própria natureza. A natureza tem na verdade uma maneira muito simples de atender as necessidades dela própria, da própria terra. Então toda planta que nasce espontaneamente ela está fazendo uma função que a terra está requerendo”, destaca Biondo sobre a origem da planta.

Confira mais informações sobre o malvarisco: