Home Blog Page 9

Nova análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

0

Foto: Victor Moriyama

As regras do mercado global estão intensificando o foco em cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com conformidade legal. Apesar dos atrasos na sua implementação, a EUDR (regulação da União Europeia para produtos livres de desmatamento) levou muitas empresas a investirem em sistemas de devida diligência para cumprir com a proibição de comercializar no mercado europeu commodities cultivadas em terras desmatadas ou produzidas em desacordo com a legislação vigente no país de origem.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Enquanto isso, a China, a maior compradora de soja e carne bovina brasileira, começou a realizar pilotos de importação de cargas livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, o que aponta para uma procura crescente por cadeias de abastecimento com garantia de legalidade.

No Brasil, os biomas Amazônia e Cerrado são os mais ameaçados pela expansão agropecuária. Embora o Código Florestal brasileiro forneça o quadro legal para o uso da terra, verificar a conformidade em escala continua a ser um desafio. Uma das principais informações necessárias para verificar a conformidade legal é a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), emitida por órgãos ambientais para permitir a conversão de vegetação nativa dentro dos limites permitidos.

No entanto, apesar dos esforços recentes visando aumentar a transparência e integração de dados, as informações destas autorizações são frequentemente descentralizadas e de difícil acesso, criando uma lacuna de dados significativa. Sem dados transparentes e consolidados sobre ASVs, é difícil para atores da cadeia e reguladores saberem se uma área específica de desmatamento foi autorizada ou não.

Para abordar esta lacuna de dados, o Instituto Centro de Vida (ICV) sistematizou e publicou uma base de dados de autorizações para supressão de vegetação nativa para todo Brasil. Esta iniciativa consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Nova análise mostra evidências de não conformidade

A Trase está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o ICV e o Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (CIT-UFMG) usando esta nova base de dados para trazer maior clareza sobre como os mercados consumidores internacionais estão expostos ao desmatamento não autorizado por meio das importações de carne bovina e de soja do Brasil.

Na primeira fase deste projeto, comparamos dados oficiais de desmatamento do PRODES para o período 2009–2024 com ASVs válidas, a fim de estimar quanto desmatamento e conversão de vegetação natural recentes ocorreram com e sem autorização na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os resultados mostram uma falta significativa de autorizações, tanto na Amazônia quanto no Cerrado. O desmatamento totalizou 26,4 milhões de hectares (Mha) entre agosto de 2008 e julho de 2024 e, deste total, 22,8 Mha (86%) não possuíam autorização para a supressão da vegetação nativa, enquanto apenas 3,6 Mha (14%) se sobrepunham a áreas com ASV. Isto sugere que a maior parte do desmatamento nesses biomas ocorreu sem autorização registrada e divulgada publicamente.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Na Amazônia, a evidência de desmatamento não autorizado é significativa. O desmatamento totalizou 11,7 Mha entre 2009 e 2024, dos quais 11,2 Mha (96%) sem ASV sobrepostas. Além disso, o desmatamento não autorizado é altamente concentrado geograficamente. Apenas cinco municípios foram responsáveis por 20% de todo o desmatamento sem ASV. Três municípios — Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho — foram responsáveis por 13% do total de desmatamento não autorizado.

No Cerrado, o desmatamento total atingiu 14,7 Mha no período analisado. Embora a proporção de desmatamento não autorizado seja menor do que na Amazônia, a área absoluta é elevada. Foram detectados 11,7 Mha (78%) de desmatamento sem ASV, enquanto apenas 3,2 Mha (22%) de áreas desmatadas estavam sobrepostas a uma autorização. O desmatamento sem ASV é menos concentrado no Cerrado em comparação com a Amazônia. A nossa análise mostra que 29 municípios foram responsáveis por 20% da área total desmatada sem ASV.

Fiscalização menos extensiva no Cerrado

A base de dados do ICV também sistematizou informações sobre áreas embargadas, que são sanções emitidas por agências ambientais federais e estaduais que servem como um indicador adicional de infrações ambientais. Para oferecer uma camada adicional de evidência de não conformidade, comparamos os dados oficiais de desmatamento do PRODES do mesmo período com os embargos ambientais.

Leia também: Em 2025, desmatamento tem redução de 11,08% na Amazônia

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil
Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

A análise mostra que 46% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas sob embargos, o que significa que quase metade do desmatamento não autorizado foi fiscalizado.

Em contraste, apenas 8% do desmatamento no Cerrado se sobrepõe a embargos. Esta discrepância sugere que, embora a não conformidade seja generalizada em ambos os biomas, a fiscalização é mais ativa na Amazônia do que no Cerrado.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Gestão do risco nas cadeias de soja e carne bovina

Na próxima fase deste projeto, liderada pelo CIT-UFMG, adicionaremos à análise dados de produção de soja e de carne bovina nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal, avaliando a conformidade com o Código Florestal e identificando a extensão do desmatamento não autorizado e de autuações, usando dados sobre ASVs e áreas embargadas.

Estes dados permitirão às empresas ao longo da cadeia de fornecimento que utilizam soja e carne bovina nos seus produtos priorizarem a devida diligência e a gestão de risco, identificando regiões com taxas mais elevadas de desmatamento não autorizado.

Para governos, produtores e consumidores, esses dados permitirão orientar o direcionamento de recursos de fiscalização e monitoramento onde são mais necessários. Dados transparentes sobre legalidade são essenciais para fortalecer a responsabilização e apoiar a transição para cadeias de suprimentos legais e livres de desmatamento.

Disclaimer: Apesar do robusto quadro legal brasileiro que rege a transparência das informações, existem limitações quanto à integridade, ao formato e à acessibilidade dos dados sobre ASVs e áreas embargadas. Consequentemente, deve-se ter cautela no uso e na interpretação dos resultados desta análise. Informações detalhadas sobre a metodologia desta análise.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Centro de Vida

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode sair R$ 47 bilhões mais caro que investimentos em energia renovável, aponta estudo da WWF-Brasil

Localizada na Margem Equatorial brasileira, bacia da Foz do Amazonas está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética do país. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico, está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética brasileira. O argumento mais recorrente é o de que explorar esse petróleo geraria riqueza hoje para financiar a transição energética amanhã.

O problema é que essa premissa nunca foi testada com dados. O estudo do WWF-Brasil faz justamente isso: coloca os números na mesa e pergunta se essa lógica se sustenta quando o cálculo considera não apenas o lucro das empresas, mas os custos e benefícios reais para toda a sociedade brasileira, incluindo saúde, clima e oportunidades perdidas.

Leia também: R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

O que diz o estudo?

O estudo aplica a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), do guia metodológico oficial do governo federal recomendado pelo Tribunal de Contas da União para avaliação de grandes investimentos públicos. A diferença em relação a uma análise financeira convencional é fundamental: em complemento à análise de rentabilidade privada, a ACB mede o que a sociedade ganha ou perde com cada escolha, colocando na conta os impactos que o mercado não precifica, como os danos climáticos de secas e enchentes, os prejuízos à saúde pública e as consequências de longo prazo para o país.

Para garantir que os resultados se mantenham mesmo em diferentes cenários de preço e risco, foram realizadas 10.000 simulações, comparando real por real, energia por energia e litro por litro. 

Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF
Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF-Brasil

O foco do estudo é responder a uma pergunta concreta: faz sentido, para a sociedade brasileira, alocar recursos escassos na Foz do Amazonas quando existem alternativas renováveis disponíveis?

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo o Especialista em Conservação do WWF-Brasil e doutor em Planejamento Energético, Ricardo Fujii, que é um dos coordenadores do estudo, a análise mostra que, em qualquer cenário comparado, a rota fóssil apresenta pior desempenho econômico e social para o país.

”Os motivos são estruturais: a rota fóssil prioriza extração e uso de recursos não renováveis, com altos impactos ambientais, mas a grande evidência do estudo é o custo financeiro dessa escolha. Afinal, quando inserimos na conta as consequências climáticas e sociais, os prejuízos podem ser bilionários. Já as rotas renováveis distribuem benefícios em cadeias descentralizadas, com emissões no ciclo de vida até 80% menores e maior potencial de desenvolvimento regional. Além disso, o país já é autossuficiente em petróleo, e as reservas do Pré-Sal atendem à demanda interna durante o processo de transição energética”.

Números

O estudo apresentou números sobre a comparação entre os investimentos em petróleo na bacia da Foz do Amazonas e energia renovável:

Mesmo volume de investimento (Real por Real):

  • Investimento no petróleo: perdas médias de R$ 22,2 bilhões para a sociedade;
  • Investimento em energia renovável: benefício líquido de R$ 24,8 bilhões;
  • Diferença entre as escolhas: R$ 47 bilhões em custo de oportunidade perdido.

 Mesma quantidade de energia entregue (BTU por BTU):

  • O petróleo custa entre R$ 14,2 bilhões e R$ 33,7 bilhões a mais que as renováveis;
  • A produção desse petróleo lançaria 446 milhões de toneladas de gases poluentes;
  • Esses impactos representam entre R$ 21,1 bilhões e R$ 42,2 bilhões em danos climáticos que recaem sobre a sociedade.

Mesmo volume de combustíveis (Litro por Litro):

  • Substituir petróleo por biocombustíveis (etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação e biometano);
  • Evita perdas de até R$ 29,2 bilhões;
  • Com vantagem adicional de geração de renda e empregos distribuídos pelo território nacional, usando cadeias produtivas e tecnologias já disponíveis.

O risco que ninguém está colocando na conta

Há ainda um risco que costuma ficar fora do debate público: o petróleo da Foz do Amazonas só chegaria ao mercado daqui a décadas, exatamente quando a demanda mundial já estaria em queda estrutural, segundo projeções da Agência Internacional de Energia.

Isso significa que o Brasil correria o risco de construir uma infraestrutura bilionária que se tornaria obsoleta antes de gerar retorno, forçando o Estado a arcar com o prejuízo. Escolher a Foz do Amazonas não é apenas uma decisão ambiental: é uma aposta de alto risco fiscal num ativo que pode nunca se pagar.

Energia renovável na Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por que o WWF-Brasil realizou este estudo?

O WWF-Brasil atua no país há quase três décadas na interface entre conservação, políticas públicas e desenvolvimento. A organização defende que grandes decisões de infraestrutura energética sejam tomadas com base no interesse público e não apenas na viabilidade financeira para o investidor privado.

Este estudo integra as contribuições do WWF-Brasil ao governo federal para a construção do Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada, e tem como objetivo oferecer evidências concretas para orientar escolhas públicas com base no retorno real para a sociedade.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Foz do Amazonas

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Imagem: Petrobras
A Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial Brasileira, situada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Situada no extremo noroeste da Margem Equatorial e na fronteira com a Guiana Francesa, a Bacia da Foz do Amazonas abrange o litoral do Amapá e parte do Pará, numa área de aproximadamente 283 mil quilômetros quadrados. É lá que está localizado o bloco de exploração FZA-M-59, visto como promissor para a soberania energética do Brasil. Desde outubro de 2025, a atividade exploratória na Foz do Amazonas vem sendo realizada pela Petrobras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela WWF Brasil

Mais de dez jacarés surgem em igarapé de Manaus e surpreendem moradores

0

Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Um vídeo publicado nas redes sociais viralizou ao mostrar a presença de mais de dez jacarés-tinga em um igarapé localizado no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus (AM). O registro foi feito pela psicóloga Flávia Ribeiro no domingo, dia 26 de abril, nas proximidades do condomínio Eliza Miranda, e rapidamente ganhou repercussão.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nas imagens, os animais aparecem juntos em um mesmo trecho do curso d’água, entre áreas de vegetação e acúmulo de lixo. A cena surpreendeu os moradores e chamou atenção pela quantidade de répteis reunidos em plena área urbana. 

Leia também: Jacaretinga: Um sobrevivente dos igarapés urbanos da cidade de Manaus

O jacaré-tinga (Caiman crocodilus) é uma das espécies mais comuns da Amazônia, encontrado em igarapés e rios de águas rasas, inclusive em áreas urbanas de Manaus. Ele mede entre dois e três metros e se alimenta de peixes, crustáceos e aves, desempenhando papel importante no equilíbrio ecológico da região.

Ao Grupo Rede Amazônica, Flávia revelou que já está acostumada a ver jacarés na região, mas se surpreendeu com a quantidade registrada no vídeo.

“Olha, a presença de jacarés-tinga na região é extremamente comum, mas o que chama atenção é justamente a quantidade de animais juntos e a proximidade com a área urbana, além da beleza deles que impressiona”, disse.

Ela mora há pouco mais de um ano no condomínio próximo ao igarapé e afirma que percebeu um aumento no número e no tamanho dos animais.

“Desde que eu cheguei já percebi a presença dos jacarés-tinga na região, mas o que eu notei é que com o tempo, eles vêm aumentando, tanto em quantidade como em tamanho também”, relatou.

Leia também: Por que é frequente encontrar jacarés “passeando” pelas cidades e centros urbanos?

Mais de dez jacarés surgem em igarapé de Manaus e surpreendem moradores
Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Segundo Flávia, alguns moradores alimentam os animais, o que pode ser perigoso.

“Eu mesma já presenciei moradores jogando restos de comida para os jacarés. Isso acaba incentivando a aproximação deles, o que não é seguro. Até o momento não houve nenhum acidente, mas é importante manter o cuidado e respeitar o espaço desses animais”, completou.

Jacarés se adaptaram ao meio urbano, diz especialista

O biólogo e especialista em crocodilianos amazônicos, ldean Fernandes, explicou que a espécie se adaptou ao ambiente urbano e que a presença deles no local é antiga.

“Eles vivem há bastante tempo lá. É uma espécie resiliente, que conseguiu se adaptar ao ambiente alterado. Já identificamos até ratos domésticos na dieta desses jacarés, o que mostra como eles aproveitam os recursos disponíveis em áreas urbanas”, afirmou.

Ele destacou que, apesar de serem predadores, os jacarés-tinga são ariscos e costumam se afastar quando perturbados.

“O jacaré-tinga não costuma atacar. Ele é muito arisco e, quando perturbado, se evade rapidamente. Situações de agressividade podem ocorrer apenas em casos de proteção de ninho ou quando o animal se sente encurralado”, disse.

Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Fernandes, que há dez anos monitora a espécie, contou que os animais conseguem manter uma distância segura dos humanos.

“Eles mensuram uma distância segura entre o observador e eles para poder agir. Quando estamos na ponte, eles permanecem, mas quando descemos para a borda do igarapé, todos se evadem rapidamente”, explicou.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Modelo acreana de origem indígena é o rosto da Gucci em campanha internacional

0

Foto: @demna

A modelo acreana Gabriely Dobbins, de 19 anos, natural de Sena Madureira, é uma das estrelas da campanha global da Gucci, grife italiana e uma das marcas mais tradicionais da moda de luxo. A confirmação foi feita pela própria modelo nas redes sociais, na última sexta-feira (24), e representa um avanço na carreira internacional.

O anúncio reforça o momento de ascensão da acreana, que tem consolidado espaço em passarelas e campanhas internacionais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

De Sena Madureira, Gabriely é descendente do povo indígena Huni Kuin (Kaxinawá) e iniciou a trajetória ainda adolescente e se mudou para São Paulo (SP) para investir na carreira de modelo.

Leia também: Amazon Poranga Fashion inaugura hub de moda em Manaus

Desde então, participa de desfiles, editoriais e campanhas publicitárias, chamando atenção pelo perfil e pelos traços indígenas, herança familiar que vem da bisavó.

Antes da campanha da Gucci, Gabriely já era reconhecida no cenário nacional. Em março deste ano, ela foi anunciada como uma das semifinalistas do FFW Brasil Fashion Awards, premiação que destaca profissionais da moda brasileira com base no desempenho ao longo de 2025.

Em abril de 2024, a acreana participou pela terceira vez da São Paulo Fashion Week (SPFW), considerada a maior semana de moda do Brasil, e desfilou para oito marcas durante a edição que aconteceu entre os dias 9 e 14 daquele mês.

Já em outubro de 2025, Gabriely também alcançou um marco na carreira ao estrear internacionalmente na Paris Fashion Week, uma das semanas de moda mais importantes do mundo.

Na ocasião, a acreana desfilou com exclusividade para a marca francesa Chloé, após cerca de um mês e meio de preparação para o evento. A participação marcou o primeiro trabalho da modelo fora do Brasil.

Trajetória como modelo

A trajetória da acreana na moda começou após vencer um concurso de beleza em Sena Madureira município. Um vídeo da participação chamou atenção de um produtor e abriu portas para que ela ingressasse em uma agência de modelos.

Pouco tempo depois, passou a trabalhar com a Way Model Management, agência com atuação nacional e internacional.

Gabriely foi emancipada aos 16 anos. Ela é acompanhada e incentivada pela mãe, Aleyxandra Marques. Em 2024, Aleyxandra conversou com o Grupo Rede Amazônica e falou das dificuldades do início da carreira da filha.

“No início não foi fácil. Tinha que pagar book, pagar aula de passarela, mas aí quando ela chegou em São Paulo, já fez tudo isso e tinha agendado um editorial pra Vogue, já fez pra Vogue e, desde então, começou no primeiro São Paulo Fashion Week também, que já foi quando a gente chegou há um ano em abril, chegou e fazendo três desfiles, aí continuou trabalhando. Fez foto pra muitas marcas, trabalho pra muitas marcas, Duda Reis, a Oakley, muitas”, disse a mãe.

Aleyxandra deixou a academia que tinha em Rio Branco para acompanhar a filha Gabriely na carreira de modelo. Para custear os primeiros meses, alugou os equipamentos do espaço, entregou a casa onde moravam e vendeu os móveis. Após três meses de preparação na capital, a jovem começou a ser chamada para trabalhos e castings em São Paulo.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

Amapá registra 4 km² de desmatamento e se mantém entre os menos afetados da Amazônia

0

Foto: Divulgação/ Polícia Civil do Amapá

O desmatamento na Amazônia registrou queda de 17% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O Amapá aparece como destaque positivo, com números baixos, com 4 km² de desmatamento registrados em 8 meses.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Na Amazônia Legal, foram derrubados 348 km² de floresta entre janeiro e março, contra 419 km² em 2025. Apesar da redução geral, alguns estados ainda chamam atenção pelo avanço da devastação.

Amapá entre os menos afetados no desmatamento

Entre agosto de 2025 e março de 2026, o Amapá registrou apenas 4 km² de área desmatada, contra 7 km² no ciclo anterior. A redução de 43% coloca o estado entre os menos impactados da Amazônia Legal.

Em comparação, estados como Pará (425 km²) e Mato Grosso (270 km²) concentram a maior parte da destruição, enquanto Roraima foi o único a apresentar aumento, passando de 184 km² para 222 km².

  • Pará – 425 km² (-52%);
  • Mato Grosso – 270 km² (-38%);
  • Roraima – 222 km² (+21%);
  • Amazonas – 219 km² (-35%);
  • Acre – 193 km² (-32%);
  • Rondônia – 69 km² (-27%);
  • Maranhão – 56 km² (-7%);
  • Amapá – 4 km² (-43%);
  • Tocantins – 3 km² (-67%).

Leia também: Amazonas concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, aponta PrevisIA

Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Apesar da queda acumulada de 36% no período de agosto de 2025 a março de 2026 (1.460 km² contra 2.296 km² no ciclo anterior), março isoladamente registrou aumento de 17% em relação ao mesmo mês de 2025. Foram 196 km² derrubados, contra 167 km² no ano passado.

Especialistas destacam que a manutenção de políticas de fiscalização e conservação é essencial para preservar esse cenário positivo e evitar que o estado siga a tendência de alta observada em outras regiões.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Portal Amazônia responde: qual o correto, Ilha de Marajó ou Ilha do Marajó?

0

Considerado ao maior arquipélago fluviomarinho do mundo, a Ilha do Marajó é um dos cenários ecológicos mais exuberantes do planeta, que reúne aproximadamente três mil ilhas e ilhotas. Banhada pela foz do rio Amazonas e o Oceano Atlântico, a região, no Pará, é composta de 16 municípios e possui cerca de 40 mil quilômetros de extensão.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

No entanto, bem longe de suas belíssimas paisagens e realidades contrastantes, uma questão em relação ao nome da região tem surgido nos últimos anos: é Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó?

Para esclarecer esse tema, o Portal Amazônia conversou com o professor língua portuguesa do Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alcides Fernandes de Lima.

DE Marajó ou DO Marajó: qual é o correto?

Segundo Alcides, ambas formas estão corretas e não trazem nenhum prejuízo gramatical à língua portuguesa.

“Do ponto de vista gramatical, as duas formas – Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó – são absolutamente regulares, não há nada que as desabone do ponto de vista da gramática da língua portuguesa. Trata-se apenas de um fenômeno variável, natural da língua”, explicou o professor ao Portal Amazônia.

Leia também: Ilha do Marajó, o maior arquipélago de mar e rios do mundo

Especialista em variação linguística, terminologia e geossociolinguística do português brasileiro, Lima explica que o uso do artigo definido (o, a, os, as) antes de nomes próprios faz parte da cultura brasileira, diferente de outras línguas do mundo.

“O uso do artigo definido antes do nome próprio está relacionado a um fenômeno comum da língua portuguesa. Não é comum nas línguas do mundo, já que o artigo tem a função e definir e o nome próprio, por natureza, já vem definido. É um fenômeno variável, mas no caso do português, se usa”, frisou.

Importância da identidade linguística

Alcides defende, do ponto de vista linguístico, que o uso das duas formas também faz parte da identidade de comunidades pertencentes da região.

O professor aponta que uma eventual norma obrigatória feriria traços identitários e culturais da ilha.

“Os fenômenos variáveis são interessantes do ponto de vista linguístico, porque eles constituem traços identitários das comunidades de fala. Imagina, por exemplo, que uma normatização do nome da ilha fosse determinada para ‘Ilha de Marajó’ e que a forma ‘do Marajó’ fosse considerada errada. Essa imposição seria vista como um desrespeito à sua identidade linguística, cultural e histórica das comunidades. Por isso, o melhor é admitir os dois usos, dando preferência para o que é mais comum para a população”, concluiu o professor.

Habitante do ilha de marajó
Especialista conta que qualquer imposição para normatizar nome seria um ‘desrespeito’ à identidade das comunidades. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Além de professor da UFPA, Alcides Fernandes de Lima também possui mestrado, doutorado e pós-graduação em Linguística, além da graduação em Letras e Artes. O docente atua no ensino e pesquisa das áreas de Língua Portuguesa e Linguística, com ênfase na Sociolinguística, Dialetologia e Socioterminologia.

Também é membro do Comitê Nacional do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e ainda é sócio permanente da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Ilha do Marajó

Com uma área de 40.100 km², Marajó é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo (ou seja, ela é cercada por rios de um lado, e por mar do outro), banhada pelo rio Amazonas a oeste e noroeste, pelo oceano Atlântico ao norte e nordeste, e pelo rio Pará a leste, sudeste e sul.

A ilha destaca-se pela sua paisagem diferenciada, mesmo dentro da região amazônica, e é marcada por praias desertas de água salobra, igarapés e búfalos por toda a parte. Contando com uma população total de cerca de 250.000 habitantes, sua área está dividida atualmente em 15 municípios, sendo que o principal destes é Soure, com 22 mil habitantes, seguida de Salvaterra com 17 mil habitantes.

Sobre o nome Marajó, a teoria mais aceita sobre a origem, faz menção às observações dos indígenas nativos da ilha, que a denominaram de “Mibaraió”, e que em língua tupi significa “anteparo do mar” ou “tapamar”. 

Leia também: Natureza exuberante e cultura centenária colocam o Marajó na rota do turismo nacional e internacional

Ilha do Marajó é considerada o maior arquipélago do mundo, com cerca de 40 mil quilômetros quadrados de extensão. Foto: Reprodução/Prefeitura de Afuá-PA

Licitações para obras na BR-319 são suspensas por risco ambiental no Amazonas

0

A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Dnit. Foto: Reprodução/DNIT

A Justiça Federal do Amazonas suspendeu, nesta terça-feira (28), por 70 dias, os processos de licitação para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Leia também: Justiça recebe pedido de anulação de editais do Dnit para obras em trechos da BR-319

A medida atinge quatro pregões eletrônicos lançados pelo Dnit no dia 13 de abril, que previam contratar empresas para serviços em diferentes trechos da rodovia, com investimento estimado em R$ 678 milhões. As sessões estavam marcadas para esta quarta (29) e quinta-feira (30).

O Grupo Rede Amazônica procurou o Dnit, o Ministério dos Transportes e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para comentar a decisão, mas até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.

Na ação, o Observatório do Clima afirma que o Dnit enquadrou as intervenções como manutenção para dispensar o licenciamento ambiental. A entidade argumenta, porém, que os serviços indicam reconstrução e pavimentação da estrada, o que exigiria estudos de impacto ambiental.

Ao analisar o caso, a juíza apontou indícios de irregularidade nessa classificação e destacou o risco de danos ambientais. Segundo ela, o responsável pela obra não pode definir sozinho se o empreendimento precisa ou não de licenciamento. “O proponente da obra não pode ser juiz de si mesmo”, destacou.

A magistrada também ressaltou que o trecho da BR-319 corta uma área de alta sensibilidade ecológica na Amazônia, já pressionada por desmatamento, grilagem de terras e ocupação irregular.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Risco de danos irreversíveis

A decisão cita estudos do Ibama que classificam a obra como de significativo impacto ambiental. De acordo com esses documentos, a pavimentação da rodovia pode aumentar o desmatamento, estimular a abertura de estradas ilegais e intensificar a ameaça sobre áreas protegidas e terras públicas.

Para a juíza, permitir o andamento das licitações neste momento poderia levar à assinatura de contratos e início das obras antes de uma análise completa, criando uma situação difícil de reverter.

O que muda na prática

Com a decisão, os pregões ficam suspensos por 70 dias. Nesse período:

  • nenhum contrato relacionado às obras pode ser firmado;
  • o Dnit tdeve apresentar o processo administrativo completo e detalhar as obras previstas;
  • o Ibama terá que se manifestar sobre a dispensa de licenciamento ambiental.

Caso a decisão não seja cumprida, a Justiça fixou multa de R$ 1 milhão.

Após receber as informações dos órgãos envolvidos, a Justiça deve reavaliar a medida para decidir se mantém ou revoga a suspensão.

O processo ainda será julgado no mérito. Isso significa que a decisão final vai definir se as licitações poderão continuar ou se serão anuladas.

BR-319, amazônia
Foto: Reprodução/DNIT

Editais publicados

No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 km da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

Saiba mais: Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília

Os editais abrangem quatro segmentos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.

Além disso, entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Com carreira dedicada à Amazônia, pesquisadora do Inpa vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

Foto: Érico Xavier/ Fapeam

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), é a vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, edição 2026. Pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Piedade trabalha há quase 50 anos na Amazônia, desenvolvendo pesquisas sobre ecologia, em especial a de ecossistemas, com foco na influência do pulso de inundação na biota e interações, manejo sustentável e monitoramento de áreas alagáveis.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A pesquisadora também tem pesquisas em produção primária, balanços de carbono e ecofisiologia de espécies arbóreas e de plantas aquáticas.

“Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável. Eu nunca imaginei que eu tivesse essa honraria atribuída pelos pares e pelo comitê, ao qual eu agradeço enormemente, porque eu vejo muitos dos laureados que me precederam e eles foram pessoas de grande importância e influência na minha carreira e vida”, agradece a pesquisadora, citando o geógrafo e professor Aziz Ab’Saber e a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.

Além de ser docente dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Botânica do INPA, a pesquisadora  lidera o grupo “Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua)”, no mesmo instituto e foi a responsável pelo estabelecimento do Programa Ecológico de Longa Duração Peld Maua, que coordenou entre 2013 e 2019.

Os estudos sobre ecossistemas de áreas úmidas da Amazônia realizados no âmbito do programa geram dados sobre a biodiversidade, dinâmica de carbono e impactos de mudanças antrópicas e do clima nesses ambientes críticos.

Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é atribuído ao pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso da respectiva área.

Realizado em parceria com a Marinha do Brasil, o prêmio é concedido anualmente, em sistema de rodízio entre três grandes áreas do conhecimento: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes; e Ciências da Vida – categoria deste ano.

A cerimônia de premiação ocorrerá no Rio de Janeiro, no dia 7 de maio. O premiado recebe diploma, medalha e R$ 200 mil em dinheiro.

Leia também: Fundo Amazônia lança prêmio para reconhecer iniciativas de povos e comunidades tradicionais

A pesquisadora explica que os pequenos e os grandes corpos d’água e a floresta, tanto de terra firme quanto a alagável, formam um conjunto que bombeia a água para os sistemas da terra. Essa água se transforma em rios que vão para outras regiões, como o Sul e o Sudeste, gerando precipitação e alimentando o agronegócio. “Então, é de suma importância para toda a população do Brasil e além, eventualmente”, salienta.

Com relação à Amazônia, Piedade explica que a subida e descida dos grandes rios, que pode variar em 10 metros, impactam não só toda a biota, como é chamado o conjunto de organismos que vivem às margens desses rios, mas também o ser humano.

“Os ribeirinhos, os indígenas e todas as comunidades tradicionais que habitam esses sistemas dependem intrinsecamente dessa dinâmica. Para eles, é fundamental que esses sistemas sejam preservados e funcionem de forma adequada, o que nem sempre vem acontecendo. As áreas úmidas amazônicas, que incluem as áreas alagáveis, que são aquelas ao longo dos grandes rios, elas suprem de nutrientes todas as planícies alagáveis. Esses ambientes são aqueles onde os ribeirinhos e os moradores em geral fazem seus produtos, por exemplo, agrícolas, em pequena agricultura, que alimenta todo o cinturão de moradores das cidades maiores e menores”, diz.

Para a pesquisadora, entender tanto as razões econômicas quanto as cadeias entre os organismos da região é fundamental para a designação de áreas de preservação e para o entendimento da fragilidade e da necessidade de conservação desses sistemas funcionais da maneira como eles normalmente funcionam. Alguns dos resultados de suas pesquisas já indicam a importância da questão.

“E o que a gente tem encontrado é que, em 30 anos, mais de 125 quilômetros de áreas após a hidrelétrica de Balbina, que tem sido um dos nossos focos, as florestas vêm morrendo gradualmente, em função da falta de regularidade no suprimento de água, porque esse suprimento passa a responder à demanda energética”, diz, referindo-se à hidrelétrica construída no rio Uatumã, localizada na parte nordeste do Estado do Amazonas.

Sua equipe também já evidenciou o papel do peixe boi amazônico como dispersor de sementes e plantas aquáticas. “Foi um achado fantástico, porque a importância desse animal emblemático já era citada de várias maneiras, mas nunca como um dispersor, o que significa que ele tem um papel mais importante ainda e a preservação desse animal nos sistemas aquáticos e de áreas alagáveis e úmidas da Amazônia”, ressalta.

Carreira norteada pela Ecologia

Embora desenvolva estudos na Amazônia há quase cinco décadas, Piedade afirma que atuar como pesquisadora na região ainda é um desafio. “Quando eu comecei a trabalhar 35, 40 anos atrás aqui, nós não tínhamos nenhum veículo de comunicação. Então se a gente ficava um mês no campo, 20 dias no campo, a nossa forma de comunicação com as pessoas era extremamente limitada. As pessoas incluem família, incluem todas as pessoas do nosso grupo de trabalho”, lembra.

A situação para pesquisadores melhorou desde então, mas a bióloga atenta para as distâncias na região, o que encarece os custos para se fazer uma expedição por lá. Muitas vezes, os pesquisadores têm de alternar trechos em transporte de barco, a pé ou em veículos para chegar ao destino.

“Os custos para isso são enormes e talvez isso deveria ser considerado de forma mais adequada nos financiamentos e na perenização de financiamentos para pesquisa na Amazônia, que é muito importante”, opina.

A ecologia guiou os estudos de Piedade. Graduada em ciências biológicas pela Universidade Federal de São Carlos, em 1975, ela fez mestrado e doutorado em ecologia no INPA e pós-doutorado no Reino Unido. Durante 15 anos, compôs o Conselho Científico Internacional do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA, na sigla em inglês), que teve papel central na formação das novas gerações de pesquisadores sobre a região amazônica.

O LBA é considerado um dos maiores projetos de cooperação científica internacional. Iniciado em 1998, com liderança do Brasil, reúne a cooperação brasileira com os Estados Unidos, por meio da Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), com a União Europeia e com países amazônicos em torno de sistemas de observação da Terra.

Leia também: Livro com canções de mestre do carimbó ensina sobre ecologia tradicional

Com carreira dedicada à Amazônia, Acadêmica vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026
Com carreira dedicada à Amazônia, Maria Teresa Fernandez Piedade ganha prêmio. Foto: Érico Xavier/ Fapeam

Ao longo da carreira, a pesquisadora implantou e coordenou projetos nacionais e internacionais, com equipes multidisciplinares, sendo referência na formação de redes de cooperação consolidadas. Além disso, participou de projetos de longa duração, com ênfase na cooperação Brasil–Alemanha INPA/MCTI-Sociedade Max-Planck, coordenado por ela durante três décadas. Piedade também já  foi pesquisadora visitante em várias instituições internacionais, especialmente da Alemanha e do Reino Unido.

Durante oito anos, a pesquisadora integrou o Conselho Nacional de Zonas Úmidas do MMA e o Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Ela preside o Conselho de Administração do Instituto Mamirauá e atua no Painel Científico para Amazônia (SPA) e  foi membro titular do Comitê Assessor de Ecologia e Limnologia do CNPq no período de 2013 a 2016 e coordenadora do mesmo Comitê entre 2014 e 2016.

Ao ser perguntada por que quis seguir carreira acadêmica, a pesquisadora lembra de uma vocação expressa muito antes de se formar.

“Eu sempre quis e tive uma curiosidade, eu diria, natural, por água e organismos associados a ela. Então, quando eu decidi fazer o curso de Biologia, eu imediatamente pensei que queria fazer pesquisa e de preferência na Amazônia. Então era um desejo que naquela época era basicamente um sonho. Nesse sentido eu me considero uma pessoa realizada, porque eu consegui seguir uma trilha que minha vocação, talvez o desejo, me direcionou, me indicou”, diz.  

Para a pesquisadora, é fundamental estimular jovens cientistas  a desenvolverem trabalhos na região.  “Ainda existem lacunas de conhecimento tão enormes na região, e agora eu falo da Amazônia, mas isso pode ser projetado para outras regiões do país. Então, todos os esforços ainda são necessários e é uma corrida contra o tempo, uma corrida contra ações antrópicas deletérias, uma corrida agora também contra as questões da mudança climática que vem impactando os ambientes”, completa.

Piedade ainda reserva um conselho direcionado a jovens cientistas mulheres, que desejam trilhar caminho semelhante ao dela.

“O olhar das mulheres tem sempre um aspecto que eu chamaria assim de humanização, não chamando os homens de desumanos, mas de talvez compreensão para trabalhos em grupo, porque as mulheres, e eu sou mãe, sou avó,  a gente aprende a conciliar uma série de aspectos da nossa vida profissional com as demandas afetivas e isso se projeta também nos grupos de trabalho. Eu acho que nenhuma mulher deve se sentir menor e deixar de fazer pesquisa porque é mulher”, conclui.

*Com informações da Academia Brasileira de Ciências

Eleições 2026: novas regras incentivam participação dos povos indígenas no pleito

Novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral ampliam os direitos e a participação dos povos indígenas nas eleições gerais deste ano. Foto: Divulgação/OEA

No Brasil vivem cerca de 1,7 milhões de indígenas de quase 400 etnias diferentes, segundo dados no último censo demográfico. Apesar disso, no cadastro da Justiça Eleitoral há apenas 253,3 mil eleitores que se declaram indígenas. A participação dessas pessoas no meio político é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas e a proteção dos direitos dessas populações nas eleições.

Por isso, nas leis eleitorais e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há regras para facilitar a participação dessas pessoas nas eleições. Cabe ao Ministério Público (MP) Eleitoral fiscalizar o cumprimento dessas normas, além de assegurar o direito ao voto desses povos.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nas últimas eleições municipais, 256 indígenas foram eleitos para cargos de prefeito e vereador. Um aumento de 8% em relação à disputa anterior, o que reflete a ampliação das políticas voltadas a esse público.

Este ano, as resoluções do TSE trouxeram novas regras para aumentar a participação dos indígenas no meio político, bem como nas eleições. Algumas delas foram fruto de sugestões feitas pelo MP Eleitoral. Elas buscam facilitar o deslocamento de povos indígenas até os locais de votação, além de garantir um patamar mínimo de recursos financeiros e tempo de rádio e televisão para a campanha dos candidatos e candidatas. Confira as principais regras:

1. Financiamento e tempo de campanha

Pela primeira vez, as resoluções do TSE sobre prestação de contas e publicidade incluíram explicitamente as candidaturas indígenas nas regras de repartição de recursos e tempo de propaganda. Agora, os partidos são obrigados a distribuir os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário de forma proporcional ao número de candidaturas indígenas registradas.

Ou seja, se um partido tiver 10% dos seus candidatos autodeclarados indígenas, deve destinar o mesmo percentual dos recursos para essas campanhas durante as eleições. A mesma proporção vale para o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Além disso, o TSE deve monitorar em tempo real se os recursos públicos estão chegando às aldeias e quilombos. Os partidos podem usar recursos dos fundos públicos para custear a segurança de candidatas e candidatos indígenas vítimas de violência política, mas esse gasto não pode ser computado no valor da cota mínima destinada à promoção dessas candidaturas.

2. Garantia de transporte

Este ano, a Justiça Eleitoral também deve garantir transporte gratuito para as populações indígenas e comunidades tradicionais – como quilombolas, ribeirinhos, ciganos, extrativistas, pescadores artesanais, entre outras – chegarem ao local de votação, no dia da eleição, independente do limite territorial do município.

A medida – incluída nas resoluções por sugestão do MP Eleitoral – beneficia as populações cujos territórios se estendem por mais de um município limítrofe.

Umas das normas é a garantia de transporte público para populações indígenas e comunidades tradicionais. Foto: TRE/TO
Umas das normas é a garantia de transporte público para populações indígenas e comunidades tradicionais. Foto: Reprodução/TRE-TO

Leia também: Candidaturas indígenas aumentam 14,13% nas Eleições de 2024

A resolução prevê, ainda, a criação de um comitê vinculado à presidência dos Tribunais Regionais Eleitorais para coordenar o transporte dessas populações. O relatório com a definição das providências tomadas deverá ser encaminhado ao Ministério Público, responsável por fiscalizar o cumprimento da regra nas eleições deste ano.

As populações indígenas e tradicionais também foram incluídas no programa “Seu Voto Importa” da Justiça Eleitoral, que garante transporte individual gratuito no dia da votação para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios de locomoção. Para ter acesso ao transporte individual, o pedido deve ser feito à Justiça Eleitoral até 9 de setembro (para o 1º turno) e 5 de outubro (para o 2º turno).

3. Alistamento eleitoral

Os documentos expedidos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) são aceitos como prova de identidade para que indígenas tirem o título de eleitor. O comprovante de residência também pode ser substituído por outros documentos que mostram o vínculo com a comunidade, como comprovante de matrícula em escola situada em terras indígenas, decisão judicial e declaração da própria Funai.

Os eleitores indígenas podem ser dispensados de comprovar domicílio quando o atendimento ocorrer em suas terras. O prazo para tirar o título ou regularizar o cadastro eleitoral vai até 6 de maio.

Para as eleições deste ano, a Justiça Eleitoral vem promovendo ações itinerantes, como mutirões de biometria e regularização de título diretamente nos territórios originários para evitar que o eleitor precise se deslocar até a zona urbana antes do fechamento do cadastro.

4. Facilidades para votar

Com o título em mãos e a situação eleitoral regularizada, indígenas e integrantes de comunidades tradicionais também têm a possibilidade de pedir a transferência temporária do local de votação originalmente registrado na Justiça Eleitoral. O objetivo é facilitar para essas pessoas, que muitas vezes moram em locais distantes, o acesso aos locais de votação nas eleições.

Normas visam a ampliação e participação dos povos indígenas nas eleições gerais 2026. Foto: TSE
Normas visam a ampliação e participação dos povos indígenas nas eleições gerais 2026. Foto: Reprodução/TSE

Essa alteração pode ser solicitada de 20 de julho a 20 de agosto em qualquer cartório eleitoral, por meio da apresentação de documento oficial com foto, indicando-se o local de votação de preferência.

Além disso, indígenas e povos tradicionais deverão ser previamente consultados quando houver agregações e mudanças nas seções eleitorais instaladas em seus territórios. No Brasil, há 1.181 seções instaladas diretamente em 243 territórios indígenas.

Nessas seções, a Justiça Eleitoral deve priorizar a convocação de mesários pertencentes a esses grupos étnicos. Os mesários também devem receber capacitação sobre as características socioculturais desses povos. A medida busca facilitar o atendimento no dia da eleição e garantir maior inclusão das populações no processo democrático.

Por dentro das regras 

Até outubro, o Ministério Público Federal (MPF) vai publicar matérias para ajudar o público entender o trabalho da instituição na fiscalização do processo eleitoral.

A série Por Dentro das Regras explica quais são as regras presentes nas leis e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que devem ser seguida pelos candidatos, partidos e eleitores. Já a série Me Explica, MPF! traduz os conceitos mais usados no meio jurídico relacionados à disputa eleitoral. 

O MP Eleitoral é composto por integrantes do MPF e dos Ministérios Públicos Estaduais. Eles são responsáveis por fiscalizar o cumprimento das normas relacionadas às eleições, com o objetivo de evitar abusos, assegurar o equilíbrio da disputa e a livre escolha do eleitor.  

*Com informações do Ministério Público Federal

Céu laranja: meteorologista explica pôr do sol em tons vibrantes em Manaus

0

Coloração laranja intensa e incomum do céu chamou a atenção. Foto: Reprodução/X

O pôr do sol em Manaus chamou atenção no último sábado (25) por causa da coloração intensa e incomum do céu. Registros feitos por moradores mostram a paisagem tomada por tons fortes de laranja, criando um cenário que surpreendeu quem acompanhava o fim de tarde.

Na rede social X, internautas reagiram ao fenômeno. “Hoje o pôr do sol em Manaus foi insuperável”, escreveu um usuário. Outro comentou que o visual foi “um absurdo”. Houve ainda quem classificasse como um dos mais bonitos já vistos. Uma pessoa que estava na praia relatou: “Foi uma das vistas mais bonitas que eu já tive do nosso céu. Foi incrível”.

Leia também: Pôr do sol de milhões: onde apreciar o entardecer em Manaus

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o efeito tem explicação científica e está ligado à concentração de partículas suspensas na atmosfera.

“Esse tipo de imagem é um exemplo clássico. O céu fica mais alaranjado quando há material particulado no ar, como poeira, fumaça, poluição e até sal marinho”, explicou.

Ela detalha que, no amanhecer ou no entardecer, a luz do sol percorre um caminho mais longo na atmosfera. No trajeto, partículas presentes no ar espalham e absorvem as cores de menor comprimento de onda, como azul e violeta. Com isso, predominam tons mais longos, como amarelo, laranja e vermelho, que acabam dominando o céu.

Coloração laranja intensa e incomum do céu chamou a atenção em Manaus. Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

O fenômeno pode ficar ainda mais intenso quando há partículas como fuligem e quando a luz avermelhada reflete na base de nuvens mais baixas. “Isso deixa o céu com aspecto mais difuso, opaco e com essa coloração forte que chama atenção”, disse a meteorologista.

Céu laranja pode ser um alerta

Apesar do visual impressionante, o fenômeno pode indicar piora na qualidade do ar. Andrea alerta que a alta concentração de aerossóis, como fumaça e poluentes, pode trazer riscos à saúde, principalmente ao sistema respiratório, se inalados.

Ela também explica que esse tipo de cenário não é exclusivo de Manaus e pode ocorrer em outras cidades, como Brasília e Porto Alegre, sempre associado ao aumento de poluentes na atmosfera.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

As condições meteorológicas também influenciam. Após períodos de chuva, por exemplo, é comum que a atmosfera volte a acumular partículas rapidamente. Isso acontece porque há menor dispersão dos poluentes, ventos mais fracos e maior incidência de radiação solar, o que favorece o efeito visual observado no céu.

O resultado, como visto no sábado, é um pôr do sol fora do comum, bonito aos olhos, mas que também serve de alerta para as condições do ar.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM