Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
O chef Edielson Sousa é um dos convidados que mostra que a gastronomia é construída pela experiência e pela dedicação em todas as etapas da profissão. Para ele, o aprendizado adquirido ao longo da carreira foi fundamental para se tornar o profissional que é hoje.
“Eu me sinto um chefe completo. Eu fui açougueiro, então aquela minha experiência hoje serve para a minha chefia, para a cozinha. Se precisar de mim no fogão, eu faço. Se precisar lavar panela, eu lavo. Se precisar ir para a churrasqueira, eu vou. Se precisar bandejar no salão, eu bandejo também. Vale muito a pena passar por processos que vão gerando mais experiências para você. É a minha vida, é o que eu amo fazer”, afirma.
Chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
O chef destaca ainda que a busca constante por conhecimento é uma das chaves para crescer na gastronomia.“Vale muito a pena você ter perseverança, ter a vontade de adquirir conhecimento. Eu vou ser sempre desse jeito: assumir responsabilidades, tomar a frente e buscar melhorias. Sempre.”
Eldielson Sousa já participou do programa na temporada 2026, e para conferir a história completa do chef é só clicar aqui.
A receita do episódio é um pirarucu ao molho de maracujá. Segundo o chef, o prato une dois ingredientes marcantes da região amazônica em uma combinação equilibrada entre o sabor suave do peixe e o frescor do maracujá. Confira:
Ingredientes para o pirarucu ao molho de maracujá:
Para o peixe:
2 filés de pirarucu porcionados
1/2 pimentão
1/2 cebola
2 dentes de alho
Chicória a gosto
Suco de 1 limão
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
1/2 xícara de vinho branco
Para o molho:
Polpa de maracujá
Açúcar a gosto
Sal a gosto
Suco de 1/2 limão
1 colher (chá) de amido de milho (dissolvido em um pouco de água)
Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Modo de preparo
1. Marinada e preparo do peixe:
Porcione os filés de pirarucu.
No liquidificador, bata o pimentão, a cebola, o alho, a chicória, o suco de limão, o sal, a pimenta-do-reino e o vinho branco até formar uma marinada. Coloque os filés em um refratário e cubra com a marinada.
Cubra com papel-alumínio e leve ao forno por 30 a 40 minutos.
2. Molho de maracujá:
Em uma panela, coloque a polpa de cinco maracujás. Adicione uma pequena quantidade de açúcar, uma pitada de sal e o suco de meio limão.
Leve ao fogo baixo, mexendo ocasionalmente, até que o molho reduza e adquira uma textura homogênea e levemente encorpada.
3. Montagem:
Disponha o pirarucu assado no prato. Regue generosamente com o molho de maracujá.
Finalize com pimenta-biquinho e folhas de chicória para decorar. Sirva ainda quente.
Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Dica do chef
O chef Edielson recomenda servir o prato de pirarucu ao molho de maracujá acompanhado de vinho branco, ressaltando a harmonia entre a leveza do pirarucu e a acidez equilibrada do molho de maracujá.
“O pirarucu ao molho de maracujá é um prato literalmente amazônico. É uma receita que faz muito sucesso no restaurante e que também fica perfeita para ocasiões especiais, como as festas de fim de ano”, destaca.
Especialistas de sete países iniciam ações em Iquitos para fortalecer a conservação da bacia amazônica. Foto: Reprodução/Governo do Peru
Durante três dias, especialistas, pesquisadores, representantes de comunidades indígenas, instituições públicas, organizações da sociedade civil, academia e setor privado do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Estados Unidos e França compartilharam experiências, resultados de pesquisas e propostas com o objetivo de fortalecer a gestão sustentável dos ecossistemas aquáticos da Amazônia. O evento é organizado pela Aliança Águas da Amazônia.
Ao dar as boas-vindas às delegações nacionais e internacionais, o presidente do IIAP, Jorge Revilla, enfatizou que o encontro representa uma oportunidade para fortalecer o trabalho colaborativo em prol da Amazônia.
“Esperamos que estes três dias de trabalho sejam uma valiosa oportunidade para a troca de experiências entre instituições, comunidades e especialistas comprometidos com a conservação da bacia amazônica”, afirmou.
Especialistas de sete países iniciam ações em Iquitos para fortalecer a conservação da bacia amazônica. Foto: Reprodução/Governo do Peru
Por sua vez, Vanessa Rodríguez, presidente do Conselho Diretor da Aliança Águas da Amazônia, enfatizou que a organização reúne 30 instituições que trabalham de forma coordenada para promover a gestão integrada da bacia amazônica. Ela observou que um dos principais desafios é gerar informações científicas em escala regional para fortalecer a tomada de decisões em relação à pesca e à conservação dos ecossistemas, indo além de abordagens focadas apenas em áreas locais.
Ela também explicou que um dos pilares da Aliança é conservar a conectividade dos sistemas hídricos da Amazônia e promover a ciência cidadã por meio de ferramentas como o Ictio, uma plataforma que permite aos pescadores registrar informações científicas sobre espécies e recursos pesqueiros. Ela acrescentou que a pesquisa deve se traduzir em evidências úteis para orientar políticas públicas que protejam os rios amazônicos como sujeitos de direitos.
Semana das Águas da Amazônia reúne especialistas
A Segunda Semana das Águas da Amazônia é o principal ponto de encontro da Aliança das Águas da Amazônia, uma rede com mais de 30 organizações. Por meio de pesquisas científicas, conhecimento indígena e local e cooperação regional, a Aliança promove ações para conservar a integridade e a conectividade da bacia amazônica.
Especialistas de sete países iniciam ações em Iquitos para fortalecer a conservação da bacia amazônica. Foto: Reprodução/Governo do Peru
O programa inclui um debate sobre o estado de conservação da bacia amazônica, uma feira de iniciativas, palestras, painéis técnicos e reuniões de trabalho para fortalecer a cooperação entre os países amazônicos. Além disso, os participantes começaram a coordenar a implementação do Plano de Ação para a Conservação do Bagre Amazônico, aprovado durante a COP15 da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias.
O encontro consolidou uma agenda regional baseada em evidências científicas, inovação e cooperação internacional para fortalecer a conservação e o uso sustentável da bacia amazônica.
Administrado somente por mulheres, espaço conta com nove hectares e conserva grande diversidade da fauna e flora da Amazônia peruana. Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
O contato direto com a fauna e flora amazônicas e o compartilhamento de esforços para a preservação de espaços naturais e conhecimentos ancenstrais fazem parte da experiência oferecida aos turistas da Floresta de Nuwa, área ambiental localizada na comunidade nativa de Shampuyacu, no departamento de San Martín, no Peru.
Uziela Achayap, uma das mulheres Awajún e membros da Floresta de Nuwa. Foto: Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
Administrado exclusivamente por mulheres, o local de nove hectares é cuidado por aproximadamente 60 mulheres do povo Awajún que vivem e trabalham na floresta para que seus recursos naturais não sejam maltratados ou predados. É o que conta Uziela Achayap, uma das membras da Floresta de Nuwa.
Ela e seus companheiros mais jovens atuam como guias para os visitantes, aproximando-os dos detalhes que fazem essa parte da floresta de Shampuyacu preservar a aura mágica típica daqueles lugares onde a natureza predomina. É uma experiência única de turismo comunitário, na qual o contato com a natureza é a característica predominante.
O visitante deste local, seja mulher ou homem, recebe a hospitalidade desse grupo feminino, assim como uma amostra do conhecimento ancestral que seus membros ajudam a preservar.
Entrar na Floresta de Nuwa implica passar pelo agradável ritual de pintar o rosto com achiote – um gesto simbólico que representa ter sido aceita por essas mulheres para conhecer melhor o ambiente. Avançando pelo local, um dos pontos onde é necessário parar e respirar mais de uma vez é a árvore de tomilho, uma gigantesca de 48 metros de altura que está erguida neste ponto há mais de cinquenta anos.
Diana, uma das guias de Nuwa, explica a importância dessa árvore para a comunidade. “É a árvore Tsáik”, se referindo à palavra Awajún para nomeá-la, e recomendando que os moradores da cidade lhe deem um abraço grande e sincero antes de continuar para a floresta. A palavra mencionada lembra a iconografia do filme ‘Avatar’, amplamente inspirado na Amazônia, que apresentou uma árvore enorme e majestosa como o centro de uma civilização profundamente espiritual que teve que enfrentar o avanço do expansionismo material e militarista para se manter.
Uma das tradições da Floresta de Nuwa é o abraço grande e sincero dos visitantes na árvore Tsáik, antes de continuar para a floresta. Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
O gesto é visto como uma tradição dos Awajún e das comunidades que habitam essas florestas: respeitar a natureza, já que ela é cheia de seres vivos, cujo conhecimento e energia devem ser levados em conta. A guia afirma que, no passado, os líderes Awajún pediam conselhos à árvore, podendo assim aplicar a sabedoria necessária para superar agressões e defender o ambiente em que viviam.
Alguns insetos de aparência assustadora estão presentes na floresta de Nuwa. Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
Após o ritual da árvore, o passeio pela Floresta Nuwa continua em harmonia com o fluxo de vários animais, alguns deles até com uma aparência assustadora aos olhos da cidade, mas que são apenas inofensivos e apenas cumprem o papel de equilibram o habitat que vivem.
Além desses insetos, é comum encontrar várias espécies de aves coloridas e marcantes, cuja observação é bastante valorizada por ornitólogos e observadores desses animais. Entre eles, destacam-se o turpial-de-costas-laranja, o figuinha-de-rabo-castanho, as saíras-turquesa e o garrinchão-coreia.
A Floresta de Nuwa também ostenta uma grande variedade de plantas, com mais de 100 espécies de propriedades medicinais como a Sacha Ajo, usada para aliviar o estresse, a Sangre de grado, considerado um importante curativo de feridas e a Ishanga, planta do tipo urtiga usada em infusões como relaxante e também vista como uma ferramenta de punição física para pessoas desobedientes.
Respeitando o desenvolvimento sustentável, as mulheres de Nuwas produzem infusões com as plantas sem que elas percam seus atributos naturais e com embalagens adequadas, alcançando assim, diversos mercados como redes de produtos naturistas da capital peruana.
Além da preservação ambiental, as mulheres de Nuwa também produzem peças artesanais, de forma sustentável, com acessórios da natureza. Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
Proteção feminina
Nuwas significa mulheres na língua Awajún, o que traduz a maioria do público feminino na parte da floresta na comunidade nativa de Shampuyacu. No entanto, a presença das mulheres não é exclusiva, tendo em vista que seus parentes masculinos também integram parte dos trabalhos de proteção e cuidado na floresta.
Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
De acordo com Uziela, a missão de preservar o lugar é o que todos os membros que se dedicam à Floresta de Nuwa, já que constantemente a depredação ameaça a subsistência do local. Até hoje, a equipe resistem a tentativas de transplantar plantas e sementes endêmicas dessa parte da Amazônia, além de evitar medidas como não lavar roupas no rio Tumbaro, para não contaminar as águas que passam por este espaço. Desde 2015 que tais esforços em prol da preservação do local são mantidos.
A pandemia de Covid-19 impôs uma pausa obrigatória no que diz respeito ao seu desenvolvimento, mas após o fim desse período, os guardiões da floresta mantêm o conhecimento e as habilidades de conservação do meio ambiente e de atrair os turistas.
Foto: Carlos Américo Villantoy/Agência Andina
Os visitantes, além de percorrer a floresta e entrar em contato com a fauna e flora, especialmente com insetos e aves, podem aprender como as mulheres desta parte da Amazônia peruana fazem ornamentos à mão, usando recursos totalmente naturais para dar cor à cerâmica e a diversos ornamentos. Entre os acessórios, destaca-se o corante derivado da planta conhecida como yamakai, que, após um procedimento simples, pode tingir uniformemente roupas e objetos.
A Floresta de Nuwa é, portanto, uma das iniciativas nascidas da sociedade civil que a Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo (Promperú), responsável por impulsionar o turismo no país, considera o melhor destino recomendado para quem quer conhecer a Amazônia.
Quem deseja visitar este local, localizado a uma hora e meia da cidade de Moyobamba, a 15 minutos do distrito de Naranjillo, na província de Rioja, deve reservar o serviço com um dia de antecedência, para desfrutar de um passeio que pode durar até 8 horas, e que geralmente termina com comida típica requintada e natural, além do canto e dança das nuwas.
Artesanato de Parintins. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Muito além do espetáculo apresentado no Bumbódromo, o Festival Folclórico de Parintins também impulsiona o trabalho dos artesãos que, durante o ano inteiro, transformam elementos da natureza em peças que representam a identidade amazônica. Feitas com sementes, madeira, fibras, raízes, tecidos e outros materiais naturais, biojoias, esculturas, adereços e miniaturas dos bois Caprichoso e Garantido conquistam turistas e ajudam a movimentar a economia criativa da ilha amazonense.
Um dos principais espaços para conhecer essa produção é o Centro de Artesanato Soarte, onde artesãos expõem trabalhos que carregam a cultura e a tradição do município. É ali que atua a artesã Ciomar de Oliveira, que há 26 anos faz parte da associação responsável pelo espaço.
Um trabalho que atravessa gerações
Para Ciomar o Festival de Parintins é o principal motor do artesanato local:
“O Festival de Parintins é uma bênção para nós. Assim que termina, a gente já vai procurando trabalho e alternativas para se preparar para o próximo ano”.
Ela explica que o festival beneficia não apenas os artesãos, mas toda a população da cidade, que encontra na cultura uma importante fonte de renda. Ao longo de décadas dedicadas ao artesanato, Ciomar viu a atividade transformar vidas, inclusive a dela.
“O artesanato é de grande importância para mim. Criei meus filhos e estou ajudando a criar meus netos através dele. É uma bênção na nossa vida”, destaca.
Atualmente, o espaço reúne 24 artesãos organizados em uma associação, divididos em grupos para garantir a organização e o funcionamento do local.
Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Arte feita com elementos da natureza
Entre os expositores do ‘Turistodrómo’, um dos principais espaços para conhecer o artesanato durante o Festival de Parintins, está a artesã Lissiane, que representa o trabalho desenvolvido pelo marido, responsável pela produção das esculturas comercializadas no espaço, que montado na frente da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Ela explica que cada peça é feita manualmente, utilizando matérias-primas retiradas da natureza:
“Tudo vem da natureza. Tem raiz, ouriço de castanha e outros elementos naturais. Não usamos formas. É tudo feito à mão. Peça por peça. Bico, asa, rabo… tudo é feito manualmente”.
Apesar do trabalho artesanal, a experiência permite uma produção significativa. Um dos modelos mais procurados pelos turistas pode chegar a cerca de 500 unidades produzidas em uma semana.
Lembranças que levam Parintins para o mundo
Durante o Festival Folclórico, os souvenirs inspirados nos bois Caprichoso e Garantido lideram as vendas. Miniaturas confeccionadas com sementes e materiais naturais são as preferidas dos visitantes, que procuram levar uma recordação da cidade para amigos e familiares.
“Nosso carro-chefe são essas lembrancinhas do Garantido e do Caprichoso. As pessoas levam para quem não teve oportunidade de vir para o festival. Aí, para quem não quer nem Garantido, nem Caprichoso, tem a arara azul, a arara vermelho e o tucano”, destaca a artesã.
Entre as peças de maior destaque estão pequenas casas decorativas que unem elementos da arquitetura regional aos símbolos do festival.
Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Festival impulsiona as vendas
O período do Festival de Parintins representa o momento mais importante do ano para quem vive do artesanato. Segundo Lissiane, o aumento no número de visitantes reflete diretamente nas vendas.
“O festival trouxe bastante movimento para a gente. Muitas pessoas chegam porque receberam indicação de quem já comprou aqui”, explica.
Mais do que lembranças de viagem, cada escultura, biojoia ou miniatura carrega um pouco da cultura amazônica e contribui para fortalecer a economia criativa do município. Durante o Festival Folclórico, esse trabalho ganha ainda mais visibilidade, mas continua ao longo de todo o ano, garantindo renda para dezenas de famílias e preservando saberes transmitidos entre gerações.
Para conhecer mais sobre a produção dos artesãos e acompanhar essa visita aos espaços de artesanato de Parintins, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat:
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Muito mais do que um meio de transporte, os triciclos se tornaram um dos símbolos da Ilha Tupinambarana e uma das primeiras experiências de quem chega para acompanhar o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Coloridos, personalizados e conduzidos por moradores que conhecem cada canto da cidade: esses são os tricicleiros, aqueles que ajudam a preservar uma tradição que atravessa gerações e também movimenta a economia local.
Reconhecidos como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, os tricicleiros fazem parte da história de Parintins desde o início da década de 1980. No começo, transportavam mercadorias e produtos agrícolas, mas com o fortalecimento do Festival Folclórico de Parintins ao longo dos anos, passaram a ter uma nova função: levar moradores e, principalmente, os milhares de turistas que visitam a cidade para acompanhar a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido nos meses de junho e julho.
Hoje, além de facilitar a mobilidade, os tricicleiros também apresentam aos visitantes a história, a cultura e os principais pontos turísticos da ilha, transformando cada passeio em uma experiência cultural.
Organização fortalece a atividade
Atualmente, o serviço é organizado pela Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, responsável por regulamentar a atividade e garantir mais segurança tanto para os profissionais quanto para os passageiros. O presidente da associação, Rafael Gonçalves, explica que o reconhecimento como patrimônio fortaleceu ainda mais a categoria.
“Hoje os tricicleiros de Parintins são considerados patrimônio cultural e imaterial do Estado do Amazonas. O turista vem para Parintins e quer andar de triciclo, quer conhecer os pontos da cidade. Hoje somos mais de 350 tricicleiros atendendo a população local e os turistas”, conta.
Segundo Rafael, a associação trabalha em parceria com órgãos públicos e empresas para organizar o serviço durante o ano, principalmente no período do festival, quando o fluxo de visitantes aumenta significativamente.
Nos últimos anos, uma das principais mudanças foi a regulamentação da atividade. Hoje, todos os tricicleiros associados seguem um padrão de identificação, facilitando o reconhecimento pelos turistas.
“Hoje nossos tricicleiros estão padronizados. Os veículos são pintados de forma padrão, têm lona, uniforme, emplacamento e identificação. Isso passa mais segurança para os turistas nacionais e internacionais. Outra vantagem é que o preço das corridas também é tabelado”, destaca Rafael.
A padronização contribui para a organização do trânsito durante o festival e oferece mais confiança aos visitantes que utilizam o serviço para circular pela cidade.
Preparação para receber os turistas
O trabalho dos tricicleiros vai além da condução dos passageiros, já que todos os anos, antes do Festival de Parintins, os profissionais participam de capacitações voltadas ao atendimento turístico. De acordo com Rafael Gonçalves, os cursos acontecem em parceria com instituições como o Senac e o Governo do Amazonas.
“No mês de maio realizamos workshops e cursos sobre atendimento ao cliente e relações humanas. A ideia é preparar os tricicleiros para oferecer um serviço de qualidade e excelência aos turistas que visitam nossa ilha”, assegura.
Tricicleiros de Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal
A iniciativa busca qualificar o atendimento e reforçar o papel dos tricicleiros como verdadeiros anfitriões da cidade. Durante o festival, além do transporte convencional, muitos profissionais oferecem um city tour pelos principais atrativos turísticos da cidade.
O roteiro inclui locais como o Bumbódromo, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, a orla, o Mercado Municipal e outros espaços que ajudam a contar a história e as tradições de Parintins.
Cada passeio é conduzido pelos próprios tricicleiros, que compartilham curiosidades e informações sobre a cultura local ao longo do percurso.
Festival representa aumento na renda
Há 14 anos trabalhando como tricicleiro, Alzemiro Picanço afirma que o período do Festival Folclórico é o momento mais importante do ano para quem vive da atividade. Segundo ele, a procura pelos passeios aumenta significativamente durante os dias do evento, o que otimiza a renda dos tricicleiros nesta época do ano.
Foto: Reprodução/Amazon Sat
Isso porque, com o aumento da demanda, o número de corridas diárias também cresce. De acordo com Alzemiro, durante o período do festival ele consegue fazer cerca de 50 passeios por dia.
Para ele, o Festival de Parintins representa muito mais do que um grande evento cultural: “O festival é a nossa diversão, mas também é o momento de ganhar o nosso dinheiro. É dele que vem a renda de muitas famílias”.
Identidade própria
Assim como os bois Caprichoso e Garantido possuem cores e símbolos que representam sua história, muitos tricicleiros também personalizam seus veículos, decorando-os com elementos inspirados na festa. Há triciclos predominantemente azuis, outros vermelhos e também aqueles que preferem destacar apenas a cultura amazônica, refletindo o orgulho que cada profissional tem pela cidade.
Todos os condutores associados possuem documentação e seguem as normas estabelecidas pela entidade. Segundo Alzemiro, a regularização é feita pela associação, que orienta os profissionais e acompanha toda a documentação necessária para exercer a atividade.
Assim, durante o Festival Folclórico, eles se transformam em verdadeiros guias culturais, conduzindo turistas por ruas, histórias e cenários que ajudam a explicar a história de Parintins.
Para conhecer mais sobre o trabalho dos tricicleiros, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat:
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Muito além dos três dias de festival no Bumbódromo, Parintins vive a cultura dos bois o ano inteiro. E quem ajuda a manter essa tradição viva é a Q’Boi, uma marca parintinense que, há 30 anos, transforma a paixão por Caprichoso e Garantido em roupas, acessórios e souvenirs que conquistam moradores e turistas.
Fundada em 1996 pelo casal Ester Almeida e Joaquim Lima, a loja nasceu de uma necessidade percebida durante as viagens em busca de patrocinadores para o festival.
“Eu percebi que durante o ano as pessoas vinham e não tinham produtos para serem vendidos. Quando meu marido fazia parte da diretoria do boi Caprichoso e precisava buscar patrocínio, eles não tinham o que oferecer. Foi aí que eu dei a ideia de fazer algum produto com a marca do boi, e eu já estava doida pra vender camisa”, conta Ester.
Ester preparou uma cesta personalizada para que o marido presenteasse possíveis patrocinadores durante uma viagem. De acordo com ela, a receptividade foi tão positiva que a proposta foi levada ao Conselho do boi Caprichoso, dando início à criação das primeiras camisas oficiais.
“Criaram a logomarca, fizeram o registro no INPI e, a partir daí, foram feitas as primeiras camisas por mim. Depois o Garantido também criou a sua marca, fez o registro e as primeiras camisas oficiais também foram feitas pela Q’Boi”, afirma a empresária.
Marca construída com trabalho e persistência
Os primeiros anos da empresa foram marcados por desafios, já que na época, Parintins ainda não possuía estrutura para produzir as peças, obrigando Ester a buscar fornecedores em Manaus. Ela explica que contou com a ajuda dos irmãos, que também eram comerciantes, para aprender os caminhos do empreendedorismo.
“Eu tive que ir em Manaus comprar as camisas prontas. Meus irmãos me orientaram sobre onde comprar. Levava as artes para Manaus, fazia as estampas e trazia tudo para Parintins”, pontua.
Com o crescimento da marca, a empresária passou a trabalhar em parceria com artistas locais, que criavam ilustrações exclusivas para as coleções. Mesmo assim, ela faz questão de destacar que a empresa nunca deixou de ser um pequeno ateliê:
“A Q’Boi não é indústria. Eu considero a Q’Boi uma formiguinha. Nós temos um pequeno ateliê, com poucas pessoas, e passamos o ano inteiro trabalhando para que, quando chegue o festival, tenhamos uma quantidade de material pronta”.
Entre os momentos mais difíceis da trajetória da empresa, a pandemia de Covid-19 tem destaque. Além das dificuldades financeiras provocadas pela paralisação das atividades, Ester enfrentou a perda do marido, companheiro de vida e de trabalho.
Ela conta que precisou fechar a loja física justamente quando a empresa vivia um momento de crescimento: “A Q’Boi estava em ascensão, conseguimos um ponto próprio, estava ali um sonho. Aí a pandemia vem, me faz parar e leva o grande amor da minha vida. E com isso eu tive que fechar a loja e parar o meu sonho”.
Apesar da dor, a empresária decidiu seguir em frente. De acordo com ela, a inspiração veio de um projeto antigo que estava guardado: a criação dos chamados ‘Baby Bois’, pequenos bois de pelúcia inspirados nos dois rivais do festival.
“Esse boizinho veio com a missão de me ajudar a não desistir, acreditar em mim, acreditar nas pessoas que trabalhavam comigo e ajudar as famílias que dependiam da Q’Boi. E a Q’Boi é assim, aqui na Q’Boi você é a nossa estrela e nós o atendemos de coração”, destaca Ester.
O produto rapidamente conquistou o público e se tornou um dos símbolos da retomada da empresa.
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
Criatividade inspirada em Parintins
Boa parte da identidade visual da Q’Boi passa pelas mãos de Joel Almeida, filho de Ester e Joaquim, responsável pela direção criativa da marca há 18 anos. Natural de Parintins, ele conta que sua ligação com a arte começou ainda na infância, quando estudou na Escolinha de Arte do irmão Miguel de Pascale e teve contato com o desenho e, posteriormente, com a ilustração digital.
“Desde criança, quem nasce em Parintins é estimulado a lidar com a parte artística. Desde adolescente comecei a fazer os desenhos da Q’Boi, sempre conversando com a minha mãe e buscando trazer a essência de Parintins para as estampas”, explica.
As coleções misturam elementos tradicionais do festival com referências contemporâneas. Entre os destaques está uma camisa inspirada no estilo blueprint, normalmente utilizado em desenhos industriais.
“A ideia foi fazer uma imersão no interior do boi, valorizando a figura do tripa, as estruturas internas feitas de fibra e tecido. O boi também é formado de sonhos e tudo isso está representado nessa camiseta”, detalha Joel.
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
As coleções também acompanham tendências da moda, como as camisetas oversized em algodão mais encorpado e peças produzidas em serigrafia, além de modelos com detalhes refletivos e estampas integrais.
Para quem prefere celebrar a cultura da cidade sem escolher um lado na rivalidade entre Caprichoso e Garantido, a marca também desenvolveu uma linha neutra inspirada em Parintins e na floresta amazônica.
Cultura que gera oportunidades
Depois de quase 30 anos de história, a Q’Boi tornou-se mais do que uma loja de produtos temáticos. A marca representa a força do empreendedorismo criativo na Amazônia e demonstra como a cultura pode se transformar em oportunidade de negócios, geração de renda e valorização da identidade regional.
Para conhecer mais dessa história e do trabalho da marca, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat:
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Três projetos demonstram como o aprendizado vai além da sala de aula, por meio de soluções inovadoras com impacto social. Foto: Reprodução/Unifranz
A ciência universitária vem demonstrando que pode se tornar uma ferramenta poderosa para responder às necessidades reais da população. Na Universidade Privada Franz Tamayo (Unifranz), na Bolívia, estudantes do curso de Bioquímica e Farmácia desenvolveram três protótipos de alimentos e bebidas funcionais com potencial para contribuir para o bem-estar de diferentes grupos populacionais: YoguFlex, Biofranz Energy e Curcuyog.
Os projetos nasceram da pesquisa aplicada e do interesse em transformar conhecimentos científicos em soluções acessíveis para problemas cotidianos relacionados à saúde, à nutrição e ao desempenho físico. Um dos projetos de maior destaque é o YoguFlex, um iogurte enriquecido com colágeno, voltado principalmente para pessoas idosas com desconfortos articulares.
Yuguflex desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz
Jhoset Coaquira, estudante de Bioquímica e Farmácia da Unifranz, explica:
“Nosso projeto chama-se YoguFlex e é voltado principalmente para pessoas idosas que apresentam dores articulares. Seu consumo pode ajudar a reduzir esse tipo de desconforto e, além disso, pode ser utilizado de forma preventiva por pessoas com menos de 50 anos”.
O projeto utiliza colágeno obtido por meio de processos de pesquisa e validação realizados pelas estudantes. Esse componente é amplamente reconhecido por sua importância para a saúde das articulações, dos ossos, da pele e dos tecidos conjuntivos.
“Entre seus benefícios, contribui para os cuidados com a pele, ajuda a reduzir dores articulares e favorece o crescimento dos cabelos e das unhas, promovendo o bem-estar geral de quem o consome”, acrescenta Jhoset.
Além disso, a iniciativa incorpora uma perspectiva sustentável ao reaproveitar subprodutos de origem animal para a obtenção desse ingrediente.
Bebida reidratante fortalece o desempenho físico e mental
Outra proposta inovadora é o Biofranz Energy, uma bebida desenvolvida para favorecer a hidratação e a reposição de minerais essenciais em estudantes e atletas.
“Nosso projeto chama-se Biofranz Energy. Trata-se de uma solução oral reidratante. Nossa bebida foi formulada com eletrólitos, como cloreto de potássio, cloreto de magnésio e cloreto de sódio, que contribuem para o funcionamento adequado do sistema nervoso e muscular. O projeto é voltado para beneficiar estudantes e atletas”, afirma Nayely Apaza, integrante da equipe.
Biofranz Energy, desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz
Os eletrólitos desempenham funções fundamentais no organismo, pois participam da transmissão dos impulsos nervosos, da contração muscular e da manutenção do equilíbrio hídrico. Uma hidratação adequada também favorece a concentração, a memória e o desempenho físico, aspectos essenciais tanto para atividades acadêmicas quanto esportivas.
Pesquisa universitária impulsiona soluções para o diabetes
O terceiro protótipo é o Curcuyog, um iogurte funcional elaborado com curcumina, composto ativo presente na cúrcuma e amplamente estudado por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Esther Quispe, estudante de Bioquímica e Farmácia da Unifranz, destaca:
“Nosso projeto consiste na elaboração de um iogurte, ao qual demos o nome de Curcuyog, destinado a pessoas com diabetes”.
Curcuyog, desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz
Ela acrescenta que os benefícios do Curcuyog concentram-se no auxílio às pessoas com diabetes.
“Trata-se de um iogurte funcional que, graças às propriedades da cúrcuma, pode contribuir para reduzir os níveis de glicose no sangue e favorecer o aproveitamento da insulina pelo organismo”.
Além disso, a equipe responsável destaca que, por ser um alimento lácteo, o produto também fornece proteínas, probióticos e nutrientes que contribuem para o bom funcionamento do sistema digestivo e promovem o bem-estar geral.
É importante ressaltar que os protótipos, produtos e desenvolvimentos da Unifranz fazem parte de projetos acadêmicos e de pesquisa com finalidade exclusivamente educacional. Por esse motivo, não possuem as autorizações, os registros sanitários nem as licenças exigidos pela legislação vigente para sua produção, distribuição ou comercialização no país.
Ainda assim, esses três projetos demonstram como a formação universitária pode ir além das salas de aula, impulsionando soluções inovadoras capazes de responder a necessidades reais e gerar impacto positivo na sociedade.
Segundo informações obtidas no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a maior ameaça para as línguas indígenas são madeireiros, por meio da corrupção de indígenas a partir do uso de drogas e da divisão das comunidades; igrejas evangélicas pentecostais e organizações cristãs não vinculadas a igrejas, através da catequização, do desencorajamento de festas tradicionais em detrimento de atividades sociais cristãs; e da interferência na educação escolar das comunidades indígenas por meio de cartilhas de alfabetização.
Foram analisados dados de 23 línguas cujos inventários sociolinguísticos estão presentes em uma plataforma inédita lançada pelo Iphan e verificou-se que duas estão desaparecendo (Kawahiba do povo Karipuna, e Oro Win de Rondônia) e sete possuem grau severo de ameaça de extinção (Sakurabiat, Kawahiba do povo Amondawa, Salamãi, Latundê, Kwazá e Aikanã de Rondônia, e Asuriní do Trocará do Pará).
Além disso, duas estão ameaçadas (Wari’, de Rondônia e Yorùbá, Rio de Janeiro), sete estão vulneráveis (Talian, de diferentes estados das regiões Sudeste e Sul, Kalapalo, Nahukwa, Kuikuro, Karo, Karitiana e Matipu, faladas em Rondônia e no Alto Xingu) e quatro possuem grau forte de vitalidade (Paiter, do Alto Xingu, Guarani Mbya e Hunsrückisch, de diferentes estados das regiões Sudeste e Sul, e Libras, de todos os estados brasileiros).
A avaliação de vitalidade da língua indígena Kawahiba do povo Uru-Eu-Wau-Wau, de Rondônia, ainda não foi disponibilizada no site. Do conjunto, apenas a LIBRAS, o Talian e o Hunsrückisch não são originárias.
A plataforma do INDL foi lançada na última semana como forma de promover engajamento comunitário e incentivar pesquisas sociolinguísticas sobre as dinâmicas de uso e preservação das línguas faladas no Brasil. Instituído pelo Decreto Nº 7.387, de 9 de dezembro de 2010, o INDL é o instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Os inventários são elaborados em conjunto com lideranças dos respectivos povos falantes de cada idioma. O Iphan estima que mais de 250 línguas diferentes sejam faladas no Brasil.
A plataformização do inventário é uma maneira de aproximar as comunidades de suas próprias culturas linguísticas, “contribuindo para seu fortalecimento enquanto gestoras do seu próprio patrimônio cultural”. Além de dados históricos, culturais e geográficos de cada língua, a plataforma também aponta o grau de vitalidade e as principais ameaças aos falantes.
Madeireiros e casamentos com não-indígenas
Os madeireiros da região de Bandeirantes e Buriti, em Rondônia, são o principal grupo que ameaça a vitalidade da língua Kawahiba, do povo Karipuna, através da extração ilegal de madeira da T.I de Karipuna, ameaçando a tranquilidade e a sobrevivência dos Karipuna. A pesquisa sociolinguística identificou que os Karipuna possuem apenas 10 falantes da língua, cuja transmissão está interrompida e o grau de vitalidade é de desaparecimento.
“Nenhuma criança aprendeu [a língua], e os jovens de até 23 anos já não a praticam constantemente devido ao seu maior contato com os não indígenas. A cultura verbal, em geral, como cantos, danças etc. já não tem sua manutenção realizada”, diz o relatório.
A pesquisa identificou que a união conjugal do povo Karipuna com não-indígenas “tem sido um fator preponderante na obsolescência da língua dos Karipuna. Os filhos gerados dessas uniões não aprendem a língua dos pais ou mães Karipuna, mas tão somente o Português”.
Aldeia Mbyá-Guarani em São Paulo. Foto: Divulgação/Iphan
Madeireiros não identificados ameaçam a língua Salamãi, de Rondônia, à medida que “pagam um pouco de dinheiro para extração ilegal de madeira, mas estragam a floresta, trazem bebidas alcoólicas e drogas, corrompem os indígenas, dividem as comunidades”. O relatório sociolinguístico da língua aponta que a língua é lembrada por apenas duas falantes já idosas, “Dona Peridalva na T.I. Tubarão-Latundê e Dona Maria na cidade de Porto Velho. Essas senhoras não mais têm usado a língua desde sua mocidade, aos 15 anos, aproximadamente”.
Questões culturais, como a ausência de instrumentos e políticas para incentivar a presença da língua na comunidade frente ao avanço do Português, também estão presentes na plataforma. A língua Kawahiba do povo Amondawa, de Rondônia, está classificada como severamente ameaçada, devido à baixa presença de falantes.
“Como mostra o diagnóstico de proficiência dos falantes, dos 126 Amondawa, 45 não falam a língua, o que representa 35,71% da comunidade linguística. Também é de se notar a predominância do português na escola. A dificuldade é ainda maior para os professores indígenas, pois não há material didático na língua, diferentemente do português, que tem vários livros didáticos à disposição e que sempre chegam à escola a cada ano”, diz a publicação.
A avaliação de vitalidade da língua Wari’, de Rondônia, explica que o principal fator negativo na vitalidade da língua “é a expansão do uso do português nas aldeias, tanto em novos contextos (escola, saúde, internet) quanto em situações de casamentos interétnicos, que, devido à maior integração dos povos indígenas de diferentes etnias da região em situações educativas e político-sociais, está crescente em muitas aldeias. Também se observa pouco espaço social para o uso da língua em situações urbanas”.
A respeito da língua Oro Win, Rondônia, a principal razão para o seu desaparecimento é “o rompimento da transmissão da língua na época do seringal e as ações subsequentes do governo em relação aos Oro Win, especialmente a falta de apoio na expulsão imediata dos seringueiros de seu território e o restabelecimento de comunidades indígenas Oro Win no seu território tradicional”.
Atuação das igrejas e organizações missionárias
A igreja que mais incide no INDL como ameaça apontada noinventário é a Igreja Universal do Reino de Deus, através do grupo Jovens com Uma Missão. Povos Matipu residentes de Canarana e Gaúcha do Norte, no Mato Grosso, frequentam cultos religiosos da igreja ou de outras igrejas pentecostais presentes no território. O grau de vitalidade da língua é vulnerável. Segundo sua avaliação, o contato cada vez mais intenso da língua com missionários evangélicos é um dos fatores para o seu enfraquecimento.
Segundo as pesquisas do inventário da língua Matipu, do Alto Xingu, a missão evangélica da igreja Universal atua nessas cidades ‘recebendo e remunerando indígenas com a finalidade de traduzir a bíblia e textos evangélicos para a língua indígena’. Segundo o INDL, a instituição também envolve professores indígenas na produção de cartilhas de alfabetização para interferir na educação escolar indígena junto à Secretaria Municipal de Educação do município de Gaúcha do Norte. Além da língua Matipu, os dados apontam que a Igreja Universal do Reino de Deus também ameaça as línguas indígenas Kalapalo, Nahukwa e Kuikuro, do Parque Indígena do Xingu, todas em estado de vulnerabilidade.
As organizações missionárias não vinculadas a igrejas específicas que ameaçam línguas indígenas são a Summer Institute of Linguistics (SIL), integrante de um grupo missionário dos Estados Unidos que no fim do século passado foi responsável por 80% dos programas de tradução bíblica para línguas não-européias, e a organização Missão Novas Tribos do Brasil, agência missionária evangélica norte-americana que também atua na tradução da bíblia e na construção de igrejas em comunidades indígenas isoladas e de difícil acesso.
A língua indígena Paiter, do povo Paiter que originalmente residia no Mato Grosso, é o principal alvo da SIL, segundo o inventário. O INDL aponta a existência de várias igrejas nas aldeias e cantos cristãos na língua Paiter de autoria indígena. O inventário sociolinguístico da língua também indica que “houve mudança na transcrição da língua, criando certa confusão”.
Atualmente, festas cristãs ocorrem no território Paiter, ocupando o espaço de festas tradicionais entre tribos vizinhas, como a Gavião, a Zoró e a própria Paiter. Embora a SIL não esteja mais presente no território, ainda impacta nas tradições e na cultura indígena a partir de sua tradução bíblica. A Missão Novas Tribos trabalha numa tradução do Novo Testamento para a língua.
Apesar do contexto, a língua possui grau de vitalidade forte. Isso ocorre porque os Paiter que residem na Terra Indígena (T.I) Sete de Setembro (território entre Mato Grosso e Rondônia, habitado por cerca de 1.200 indígenas Suruí) “continuam a comunicar-se em Paiter em todas as situações da vida diária, estando o português restrito a contatos com não-indígenas ou pelo menos não-Paiter”. As crianças criadas dentro da T.I adotam o Paiter como língua mãe.
Fora a língua Paiter, a Missão Novas Tribos também atua em comunidades onde as línguas indígenas Wari’ e Oro Win são faladas, em Rondônia. Como ações prejudiciais à língua, o INDL cita cultos e pregação evangélica dentro das comunidades, gerando desprestígio das tradições e cultura local.
O que é o INDL
Segundo o Iphan, o inventário “é resultado de uma intensa mobilização de setores da sociedade civil e governamentais interessados em mudar esse cenário. Ele é o instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.
O INDL agrupa as línguas faladas no Brasil em cinco eixos diferentes: línguas indígenas, de imigração, de sinais, afro-brasileiras e línguas crioulas. Toda as línguas presentes na plataforma estão inventariadas, mas aguardam os trâmites necessários para sua efetiva inclusão no INDL e seu reconhecimento como Referência Cultural Brasileira.
O processo depende da avaliação de um colegiado deliberativo, atualmente em estado de constituição. Segundo informações obtidas pelo Nonada, o colegiado se tornará o futuro Conselho Nacional de Políticas para a Diversidade Linguística.
Desde o surgimento do INDL, em 2010, 7 línguas que corriam risco de extinção foram incluídas no Inventário e reconhecidas como Referência Cultural Brasileira. As demais, a exemplo da língua indígena Wari’, da língua afro-brasileira Yourùbá e da língua de sinais Libras aguardam a inclusão no inventário.
Até o momento, o Iphan já disponibilizou na plataforma o inventário sociolinguístico de 23 línguas. Além das línguas que constam no site, foram inventariadas outras seis línguas indígenas da família yanomami. Também foram inventariadas as línguas indígenas Wapichana, de Roraima, Hatxa Kui, do Acre, e a língua de imigração Pomerana, de comunidades do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rondônia e Minas Gerais. Essas línguas aguardam anuência das comunidades linguísticas envolvidas nos processos de pesquisa para constarem na plataforma.
Estão em fase de desenvolvimento inventários das línguas Kheuól Karipuna, Kheuól Galibi-Marworno, Parikwaki e Kali’na, da Região do Oiapoque, no Amapá; da Língua Medzeniako, dos povos Baniwa-Koripako, do Amazonas; da Língua A’uwẽ uptabi, do povo Xavante, do Mato Grosso; da Língua Polonesa/Polaca (do RS, SC, PR e ES); das Línguas Karib do Tumucumaque, do Pará e do Amapá; e o Inventário de Falares Afro-brasileiros de origem bantu, que traz os cânticos do Vissungo, de Minas Gerais.
Cada uma das línguas presentes no site do INDL contém informações sobre a identificação da pesquisa, sua caracterização territorial, comunidade linguística, diagnóstico linguístico e avaliação de vitalidade, que mede o grau de ameaça sofrida pelas línguas e lista ações de revitalização e promoção das mesmas.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Alexandre Briozo Filho
Quatro novos grupos genéticos de cacau nativo foram identificados no Peru, a partir de pesquisas patrocinadas pela Universidade Nacional Toribio Rodríguez de Mendoza do Amazonas.
O trabalho, desenvolvido pelo Instituto Ceja de Selva para a Investigação do Desenvolvimento Sustentável, foi publicado na revista científica ‘Plos One’.
A organização enfatizou que essa descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade genética do cacau, criando novas oportunidades para o desenvolvimento de variedades com maior qualidade, produtividade e resistência a doenças.
Durante a pesquisa foram analisados os DNAs de 390 cacaueiros do Amazonas, Ayacucho, Cajamarca, Cusco, Madre de Dios, Piura, San Martín e Ucayali.
Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará
Para isso, foram utilizadas ferramentas de genética molecular de alta precisão, identificando assim novos grupos genéticos, denominados Awajún, Porcelana, Chuncho 1 e Chuncho 2.
O estudo também confirmou que cada uma das regiões avaliadas mantém sua própria composição genética, o que consolida o Peru como um dos principais reservatórios de diversidade genética do cacau em todo o mundo, conforme indicado.
O estudo também indica que a variedade CCN-51, amplamente utilizada na produção comercial do fruto, possui 45% de ancestralidade genética do grupo Awajún. Isso demonstra a contribuição do germoplasma peruano para os programas internacionais de melhoramento genético.
Os resultados da pesquisa contribuirão para o fortalecimento dos bancos de germoplasma, promoverão o desenvolvimento de novas variedades e incentivarão a produção.
O professor de sistemas de transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Augusto César Barreto Rocha, em sua participação no programa ‘Entrevistas, do canal Amazon Sat, criticou o objetivo do projeto de lei que tramita no Congresso Nacional que busca diminuir o preço das passagens aéreas de voos na Amazônia entre cidades na região.
Para César Rocha, o projeto de lei não protege pequenas empresas que já atuam na Amazônia de grandes empresas e, ao seu ver, isso pode ser ruim para o mercado regional no serviço de transporte aéreo.
“Nós temos tido algumas histórias de sucesso de empresas regionais e essas empresas precisam ter um ambiente que proteja elas daqueles que entram nessas operações. Precisa ter um ambiente que proteja esse mercado das grandes empresas nacionais. A gente tem uma história relativa de sucesso de algumas empresas regionais, como por exemplo a Rico Táxi Aéreo, que atuou aqui no estado do Amazonas no passado. Foi uma empresa que começou a crescer muito ao operar com dois boeings no interior e na região e naquele momento eles ganharam de vários concorrentes nacionais de grande porte”, afirmou o professor.
Augusto César Barreto Rocha afirmou ainda que outras empresas que não são da região acabam se interessando apenas por voos mais longos, entre cidades de regiões diferentes, para economizar dinheiro com os custos do voo, como querosene e mão de obra.
Segundo o professor, abrir esse mercado para outras empresas, incluindo as internacionais como projeta o texto que tramita no Congresso Nacional, pode gerar ainda mais prejuízos para as pessoas que utilizam voos na Amazônia.
“Hoje nós somos servidos muito pouco de empresas regionais e do ponto de vista de atratividade de negócios para grandes empresas nacionais como Latam, Azul e Gol, elas terminam só se interessando pelos voos de longa distância, portanto das capitais da Amazônia para as capitais do Sudeste, Sul, Centro do Brasil e do Nordeste. Não há voos em grande quantidade dentro do tamanho da oportunidade que temos, pro território da própria Amazônia”, disse.
“Ou seja, é uma oportunidade não para grandes empresas e sim para empresas pequenas e médias que podem se desenvolver em cada um desses estados. Essas empresas poderiam ser desenvolvidas por meio de políticas públicas que privilegiassem por exemplo aeronaves de menor porte, que aliás é uma das especialidades da Embraer, que é um dos grandes produtores de aviões a nível global, concorrendo com a Airbus e com a Boeing”, completou. Assista:
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).