DO DIREITO À POESIA, Marcus Vinícius Xavier de Oliveira. Foto: Divulgação
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
O cenário acadêmico e literário de Rondônia ganha um novo e instigante capítulo com o lançamento do livro “Não bastassem os erros alheios…”. A obra é de autoria de Marcus Vinícius Xavier de Oliveira, professor adjunto do Departamento de Ciências Jurídicas da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho.
Embora Marcus Vinícius possua uma trajetória acadêmica sólida — sendo bacharel em Direito pela UNIR, mestre pela UFSC e doutorando em Direito Penal pela UERJ —, seu novo livro afasta-se do registro empolado do Direito. A obra revela um poeta envolto na filosofia e no cotidiano para explorar a experiência humana como um acúmulo de falhas.
O prefácio, assinado pelo escritor e professor Vitor Cei (UFES), descreve o livro como uma conexão entre “baixo ventre e cérebro”. Cei destaca que a poética de Marcus Vinícius é direta e irônica, misturando o erudito ao popular — do latim ao palavreado chulo — para criticar a hipocrisia e o autoritarismo moral.
Capa do livro ‘Não bastassem os erros alheios’. Foto:
A geografia amazônica transborda para os versos. O Rio Madeira surge como uma imagem central da vida que segue seu curso caudaloso, levando consigo planos, sonhos e projetos. Para o autor, viver não exige respostas ou dogmas, mas sim o exercício constante da dúvida e da perquirição.
O título do livro estabelece um paradoxo: a crítica ao erro alheio só é legítima quando se reconhece a própria implicação no erro. Como define o romancista Manoel Herzog em seu texto de apresentação, Marcus Vinícius observa o mundo a partir de um locus privilegiado — a periferia do sistema literário — para rir da “comédia humana” sem esnobismo.
Sobre o autor – Além de docente na UNIR, Marcos Vinícius desenvolve pesquisas em Direito Internacional, Direito Penal Internacional, Filosofia do Direito e Filosofia Política. Casado e pai de duas filhas, ele afirma, com o humor ácido que marca suas páginas, acreditar na “inutilidade da poesia” e na impermanência de todas as coisas.
Serviço
Título: Não bastassem os erros alheios…
Número de páginas: 56.
Formato: PDF
Editor: Carlos Henrique C. Gonçalves (Editora De Castro)
Gênero: Poesia Brasileira
Ano: 2026
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Estudo sobre “Metáforas do amor” foi vencedor no prêmio FAPEMA 2025. Foto: Agaminon Sales (DCOM)
‘Como as metáforas do amor, transgredidas por um contexto de violência, nos mostram detalhes da conceptualização de um sentimento universal?’. Essa e outras perguntas instigaram a pesquisa ‘Metáforas do amor na fala das mulheres vítimas diretas de violência doméstica’, desenvolvida pela mestra em Linguística Hanna Almeida, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Letras (PGLetras) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Sob orientação da professora Mônica Carneiro e coorientação do professor Cássius Chai, o estudo mostra, de forma inovadora, que as metáforas usadas pelas vítimas para falar do amor não apenas refletem experiências de violência, mas também podem reforçar sua naturalização ou, em contextos de acolhimento, favorecer processos de ruptura e reconstrução subjetiva. Em síntese, revela como essas mulheres interpretam e qualificam os acontecimentos vividos.
“Equivocadamente, as pessoas dizem ‘ficou porque quis’ ou ‘ficou porque ama’, mas será que é assim? O que eu posso explorar dentro do fenômeno metafórico, dentro do que elas dizem sobre o ocorrido? O que eu posso rastrear em relação a como elas apreenderam esse amor?”, questiona Hanna.
O estudo, de caráter descritivo-exploratório, foi vencedor na categoria Dissertação de Mestrado no prêmio FAPEMA 2025, realizado em janeiro de 2026. O trabalho metáforas do amor, aborda conceitos da Linguística Cognitiva, sob a óptica da Teoria da Metáfora Conceptual Estendida, para demonstrar, com maior clareza, os conteúdos da cognição envolvidos/ativados no contexto em que se insere o discurso.
Metáforas como forma de expressão
A metáfora é uma figura de linguagem essencial da comunicação humana, escrita ou falada, que estabelece uma comparação implícita entre dois termos, transferindo o sentido de um para o outro. Um exemplo é como imaginamos o conceito de ‘mais’ como algo para cima e ‘menos’ como algo para baixo, assim como ‘sucesso’ para cima e ‘fracasso’ para baixo.
“Tudo que nós pensamos é metafórico, uma maneira de apreender o mundo. No contexto do amor, buscamos aspectos da emoção, como ‘intensidade’ e ‘passividade’. Falamos frases como ‘fui cegado pelo amor’. No caso pesquisado, dentro da violência doméstica, a ocorrência é completamente diferente. Observamos a emergência de ‘amor’ muito ligado à ‘dor’, um sentimento relacionado à metáfora de ‘amor de sacrifício’, em relatos como ‘eu tenho que me sacrificar por esse casamento’”, explica a pesquisadora.
‘Metáforas do amor’: estudo da UFMA mostra resultados inéditos sobre o papel da linguagem na compreensão da violência doméstica contra a mulher. Foto: Reprodução/ Universidade Estadual do Maranhão
O estudo de Hanna teve como base discursos coletados para a tese de Carneiro (2014) e para a tese de Damacena (2021). O primeiro analisou relatos de mulheres acolhidas pela Casa Mirabal, em Porto Alegre, e o segundo, na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís — instituições que oferecem acolhimento às vítimas de violência doméstica.
A partir da Teoria da Metáfora Conceptual (TMC), proposta por Lakoff e Johnson (1980), Hanna aplicou os conceitos dos autores em diálogo com a metodologia de Kövecses (2020).
“Além de elementos como ‘dor’ e ‘sacrifício’, também observei a ideia de ‘troca econômica’, uma categoria que incluí porque emergia de forma significativa nos relatos analisados”, afirma.
Entre os exemplos, destaca frases como: “eu vou voltar com ele, com o agressor, porque ele vai terminar a minha casa”.
Outro ponto que chamou atenção foi a vulnerabilidade de muitas mulheres: “Eu tinha 16, 17 anos quando casei com ele, eu não sabia”, relatou uma entrevistada. “Nesse relato percebi uma vulnerabilidade física e emocional”, acrescenta Hanna.
Acolhimento e renovação
A experiência de violência vivida pelas mulheres evidencia a relevância das instituições de acolhimento, que, para muitas, representam uma renovação na forma de compreender os próprios sentimentos. Os relatos revelam uma ruptura com antigas concepções de amor e marcam um processo de transformação.
“Também me deparei com relatos como: ‘mas aí eu percebi que ele ia me matar’. Com isso, ocorre um colapso no frame de ‘investimento’, surgindo o da ‘sobrevivência’, a partir dos cuidados nessas casas”, explica.
‘Metáforas do amor’: estudo da UFMA mostra resultados inéditos sobre o papel da linguagem na compreensão da violência doméstica contra a mulher. Casa da Mulher Brasileira, em São Luís. Foto: Reprodução/Governo do Maranhão
Nesse contexto, os discursos ressaltam o papel essencial dessas instituições como parte das políticas de atenção e cuidado voltadas a esse público.
“Eu consegui rastrear o amor próprio. São relatos de mulheres que já passaram por um atendimento. Esse olhar, como ‘eu sou muito mais mulher’, ‘eu me amo muito mais’, revela um rastreio de amor próprio. A partir dos cuidados, as frases trazem novos olhares, como ‘hoje eu sou uma outra mulher’, ‘eu sou muito mais combativa’, ‘eu não sou mais a pessoa que eu era’, ‘eu me amo muito mais’”, afirma.
De acordo com as constatações da pesquisa, o papel desempenhado pelas casas de acolhimento também revela a construção de uma rede de apoio entre as mulheres acolhidas. “Eu tenho rastreios de um amor como ‘teia’, a sororidade muito mais nítida no discurso dessas mulheres.”
Contribuições à sociedade
Disponível no repositório on-line da Universidade Federal do Maranhão, o trabalho da autora tem importância que vai além do campo acadêmico e oferece subsídios para um olhar mais humano e empático aos casos de mulheres vítimas de violência doméstica, sendo capaz de transformar práticas sociais e políticas públicas.
“Um trabalho que traz todas essas nuances, todos esses resultados, colabora diretamente com uma escuta mais empática de qualquer acolhimento ou projeto social”, afirma Hanna.
Os relatos analisados permitem compreender não apenas a emoção demonstrada pelas mulheres, mas também como, por meio da linguagem, elas reelaboram suas experiências. Ao longo do estudo, emergem perspectivas que apontam para uma verdadeira virada de chave na vida das mulheres acolhidas.
“Hoje, elas já têm o amor próprio ocupando uma instância maior. Não somente esse, mas também a metáfora da sororidade: não se sentem mais aprisionadas, isoladas ou sozinhas”, finaliza a pesquisadora.
Mais do que um registro acadêmico, a pesquisa se torna uma ferramenta social, capaz de fortalecer redes de apoio e oferecer novos olhares sobre o enfrentamento da violência doméstica.
*Por Agaminon Sales, Universidade Federal do Maranhão.
A diversidade alimentar da Amazônia ganha destaque no e-book ‘Sabores invisíveis: PANC, histórias e receitas da Ilha de Mosqueiro’, uma obra que reúne receitas com ingredientes pouco comuns no cotidiano, mas profundamente enraizados na cultura e na biodiversidade regional.
O e-book foi desenvolvido por professores e estudantes do curso de Gastronomia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), ofertado pelo programa Forma Pará, em Mosqueiro, na Região Metropolitana de Belém, e publicado pela Editora da Uepa (Eduepa).
Resultado de um Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), o e-book evidencia a riqueza das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), reunindo espécies nativas da região amazônica. A organização é de Diego Aires da Silva, Rafael Vitti Mota e Ivonete Quaresma da Silva de Aguiar.
“O intuito dessa pesquisa, que fala sobre as PANCs, é que as pessoas possam utilizá-las no seu cotidiano, no seu dia a dia. Os restaurantes também, para que seja uma forma de atração ao público, ao turista, que chega naquela região e se depara com novidades. Onde as pessoas plantam, colhem e colocam no prato não só o arroz e o feijão, mas também outras possibilidades criativas. E isso também pode se tornar uma fonte de renda, já que é possível produzir e fornecer esses ingredientes para os restaurantes”, explica Adriana Lima, egressa da turma de Gastronomia em Mosqueiro e uma das participantes da pesquisa.
E-book reúne informações sobre PANC de Mosqueiro, no Pará. Foto: Divulgação
PANC listadas no e-book revelam potência local
Entre as espécies destacadas no e-book estão erva-de-jabuti, taioba, cipó-d’alho, vinagreira, ora-pro-nóbis, begônia, clitória azul, jaca e camapu, que se articulam a ingredientes tradicionais da culinária paraense, como queijo do Marajó, camarão regional e gurijuba, ampliando os horizontes da gastronomia amazônica.
Adriana Uchoa, que também participou da pesquisa como voluntária, relembra o processo de construção do trabalho: “a gente começou coletando os insumos, depois se reunia para preparar as receitas e fazer os registros fotográficos”.
Ela destaca ainda sua identificação com as produções à base de pães, área em que já atua, e reforça o impacto da formação: “a formação pela Uepa contribuiu muito para o meu desenvolvimento profissional. Eu já gostava de cozinhar, era a chef da família, então, amei fazer o curso. Os professores são maravilhosos e agregou muito na minha vida”.
Ao longo das páginas, o livro combina pesquisa, memória e criatividade gastronômica. Receitas como pudim de bougainvillea e pão de marimari revelam possibilidades inovadoras a partir de ingredientes pouco explorados, enquanto histórias associadas às plantas reforçam sua conexão com os territórios e modos de vida locais. Folhas, flores, frutos e sementes deixam de ser apenas elementos decorativos e passam a protagonizar preparações como geleias, saladas e pratos autorais.
‘Sabores Invisíveis’ se consolida como um registro do potencial alimentar da biodiversidade amazônica e um convite à valorização de saberes tradicionais.
Reconhecida mundialmente por sua riqueza de espécies e potencial econômico sustentável, a biodiversidade da Amazônia tem sido objeto de pesquisas científicas e iniciativas inovadoras no Brasil. No Maranhão, especialmente na região da Amazônia Legal, essa diversidade natural vem sendo cada vez mais explorada sob a perspectiva da bioeconomia, integrando conhecimento acadêmico, valorização de recursos locais e dos saberes tradicionais e geração de renda.
Foi nesse contexto que a pesquisadora e docente do curso de Engenharia de Alimentos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Imperatriz, Daniela Souza Ferreira, iniciou uma pesquisa voltada ao aproveitamento da castanha do Maranhão. Conhecida como cacau-selvagem, monguba ou mamorana, a espécie é nativa da região da Amazônia Maranhense com grande potencial nutricional e tecnológico porém ainda pouco explorada.
Sob a coordenação de Daniela, o projeto “Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia” nasceu com o objetivo de desenvolver um chocolate a partir da castanha do Maranhão, inicialmente concebido no âmbito acadêmico, o projeto ganhou força após aprovação em editais de fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), o que possibilitou sua evolução para uma iniciativa empreendedora.
A partir desse avanço, foi criada a startup Maranuts, responsável por transformar os resultados da pesquisa em produtos voltados ao mercado. Atualmente, a empresa está incubada na UFMA, consolidando a conexão entre ciência, inovação e empreendedorismo dentro da instituição.
A pesquisa teve início em 2022, quando Daniela chegou ao Maranhão e passou a investigar produtos nativos com potencial para desenvolvimento científico e tecnológico. Durante esse processo, identificou a ausência de uma cadeia produtiva estruturada para a castanha do Maranhão, apesar de sua ampla ocorrência no estado.
Foto: reprodução/patida.com
“Eu mudei para o Maranhão em 2022 e comecei a pesquisar quais eram produtos nativos para fazer os trabalhos, para desenvolver as pesquisas, visando a editais de fomento. E eu comecei a pesquisar que não tinha produtos alimentícios com essa castanha do Maranhão. Ela não tem cadeia produtiva, são árvores de forma aleatória, não tem uma plantação de castanha aqui no estado. Ela se espalha de uma forma muito fácil, tem um bom desenvolvimento. Aí, eu comecei a ver a potencialidade. Nós levamos para o laboratório e começamos os primeiros testes”, conta a pesquisadora.
Os primeiros testes laboratoriais revelaram características promissoras: a castanha é rica em gorduras com propriedades semelhantes às da manteiga de cacau, o que motivou a proposta de produção de chocolate a partir desse insumo. A carência de estudos na literatura científica também reforçou o caráter inovador da pesquisa.
Além da viabilidade tecnológica, a castanha do Maranhão apresenta importantes benefícios nutricionais. “Ela tem a parte nutricional, compostos antioxidantes. Ela tem uma riqueza de gorduras, gorduras boas. Assim como outras oleaginosas, assim como outras castanhas. Ela tem uma gordura específica, um ácido graxo específico que tem propriedades melhores do que outras oleaginosas. Previne envelhecimento mental, algumas características nesse sentido. Porque a gente sabe que gordura boa é bom para o funcionamento dos neurônios”, enumera Daniela.
Essas características colocam a castanha em posição de destaque entre as oleaginosas, ampliando seu potencial de aplicação em produtos saudáveis. Alternativas que demonstram a versatilidade da matéria-prima e abrem caminho para o desenvolvimento de novos produtos no futuro.
Segundo a pesquisadora, as pesquisas caminham em uma perspectiva de fomentar uma cadeia produtiva da castanha do Maranhão. “Abre-se uma nova cultura, um novo produto. Não só chocolate, daí podem surgir outros produtos sendo fabricados com ela. Isso criando geração de renda para as famílias”.
Para além do chocolate, estão sendo desenvolvidos diferentes produtos, com foco em alimentação saudável e sem adição de açúcar, como uma pasta de castanha, semelhante a cremes de avelã, com versões que incluem cacau e outras combinações e “bowl” de castanha, um produto similar a cereais matinais, que pode ser consumido com leite, café, açaí ou como snack.
O “Bombom do Maranhão” já passou por etapas de validação, incluindo testes sensoriais e comercialização em feiras locais, especialmente na cidade de Imperatriz. Atualmente, a startup Maranuts está em fase de aceleração, com foco na profissionalização das embalagens e na inserção dos produtos em pontos de venda, como lojas de produtos naturais, empórios e drogarias.
Bioeconomia e geração de renda no Maranhão
De acordo com a pesquisadora, o aproveitamento da castanha do Maranhão contribui para a valorização da biodiversidade maranhense além de estimular a bioeconomia regional. “Promove um desenvolvimento de bioeconomia. Desde o plantio: famílias que começam a plantar, observar ali que pode gerar renda. […] Porque o nosso estado tem muita matéria-prima. Então, está na hora de ter produto final. Embalado para vender com a marca. Com o nome do Maranhão”, pontua Daniela.
reprodução site/visoflora.com
Esse é um dos principais impactos do projeto. A iniciativa estimula o cultivo da castanha por famílias e pequenos produtores; a geração de renda em diferentes etapas da cadeia; a valorização de matérias-primas locais e a criação de produtos com identidade maranhense e maior valor agregado. Além disso, o projeto movimenta outros setores, como design de embalagens, produção gráfica e serviços locais, fortalecendo a economia regional.
A iniciativa já conta com parcerias importantes para ampliar sua atuação. Entre elas, destaca-se a colaboração com a Associação Frei Tadeu, com a qual foi implantado um viveiro de mudas da castanha do Maranhão. Além disso, há articulações em andamento com empresas como a Suzano, visando fortalecer ações com foco ambiental e social, bem como a ampliação da produção junto a comunidades e pequenos produtores.
Também foi estabelecida uma área experimental no câmpus da UFMA em Imperatriz, com cerca de 50 árvores plantadas, cujo desenvolvimento vem sendo monitorado há aproximadamente um ano e meio.
Reconhecimento e incentivo ao empreendedorismo
Transformar uma matéria-prima pouco explorada em produtos inovadores, fortalecer a bioeconomia, estimular o empreendedorismo e criar novas oportunidades de renda no estado foram aspectos que trouxeram para o projeto “Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia” o reconhecimento e a premiação com o segundo lugar no Prêmio Fapema 2025, na inédita categoria de empreendedorismo. A premiação destacou a importância de iniciativas que ultrapassam os limites do laboratório e chegam ao mercado.
Fruto da Castanha do Maranhão. Foto: Arquivo dos pesquisadores
Para a professora, o reconhecimento reforça a necessidade de incentivar estudantes e pesquisadores a desenvolverem uma visão empreendedora, integrando ciência e aplicação prática. Segundo ela, muitos projetos científicos permanecem restritos ao ambiente acadêmico, sem alcançar seu potencial de impacto social e econômico.
“O prêmio é um incentivo. É um mérito. Fiquei bem feliz e honrada. Foi o próprio governador que entregou o prêmio. […] Deu até para explicar do projeto. Então, isso é um incentivo. Mostrando que estou no caminho certo. Para continuar com essa pesquisa. Continuar na formação de pessoas. Com esse olhar de empreendedorismo”, expressou a docente.
O projeto “Bombom do Maranhão”, que deu origem à startup Maranuts, exemplifica como a pesquisa acadêmica pode gerar impactos reais na sociedade. Com o apoio de editais de fomento, parcerias estratégicas e o envolvimento da comunidade acadêmica, a proposta segue em expansão, firmando-se como um modelo de integração entre ciência, mercado e desenvolvimento regional.
A trajetória do projeto também evidencia o papel da universidade como agente de transformação social, integrando pesquisa científica, inovação e empreendedorismo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Maranhão, valorizando recursos naturais e promovendo inclusão produtiva.
E para os jovens pesquisadores, Daniela deixa uma mensagem:
“Primeiro, pensar em produtos realmente regionais, que valorizem a cultura do estado, as comunidades e os pequenos produtores. Quando a gente procura, os saberes regionais têm muito a acrescentar. A gente tem que conversar com as pessoas. Tem que ir ao campo. Tem que conversar com a comunidade. Ir ao local. Não ficar só dentro de um laboratório. E o próximo passo é arriscar. A gente sempre tem alguma coisa nova e fica com receio. ‘Será que isso vai dar certo?’ ‘Será que as pessoas vão se interessar por aquilo?’. Precisa arriscar”.
*Este texto foi originalmente publicado no site da UFMA
A qualidade do guaraná produzido na Amazônia está diretamente ligada às etapas de beneficiamento do fruto. Processos como despolpa, secagem, torra e armazenamento influenciam não apenas as características do produto final, mas também a renda das famílias produtoras e a sustentabilidade da cadeia produtiva.
Quando essas etapas são realizadas com técnicas adequadas e estruturas apropriadas, é possível melhorar a qualidade das sementes, reduzir perdas, otimizar o trabalho no campo e evitar impactos ambientais associados ao processamento do fruto.
Hoje, no Amazonas são produzidas entre 600 e 700 toneladas de guaraná nativo. Análises apontam que a produtividade poderia aumentar ao ser combinada com iniciativas de capacitação técnica, acesso a equipamentos e valorização do conhecimento local, ações fundamentais para fortalecer a produção de guaraná nas comunidades amazônicas.
Entre as soluções que vêm sendo adotadas para melhorar o beneficiamento do guaraná, estão estruturas e equipamentos que tornam o processo mais eficiente, seguro e sustentável. Alguns exemplos são:
Despolpadeira de guaraná: equipamento que facilita a separação das sementes e contribui para tornar o beneficiamento mais ágil e padronizado.
Tanque de contenção de água residuária: estrutura que evita que os resíduos líquidos gerados durante o processamento sejam descartados diretamente no ambiente. Com esse sistema, é possível reduzir riscos de contaminação de cursos d’água e ainda reaproveitar os resíduos na produção de compostos orgânicos.
Terreiro suspenso, também conhecido como secador solar: contribui para melhorar a secagem das sementes. A estrutura garante maior higiene no processo, reduz o tempo de exposição dos produtores às altas temperaturas do forno e diminui o consumo de lenha, colaborando para a redução de emissões de CO₂.
Além de melhorar a qualidade do produto final, essas soluções ajudam a tornar o processo de beneficiamento mais seguro e eficiente para as famílias produtoras.
Participantes da Oficina de beneficiamento de Guaraná. Foto: Reprodução/Imaflora
Fortalecimento da produção de guaraná nas comunidades
Para ampliar o acesso a essas melhorias, iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do guaraná têm investido em capacitação, assistência técnica e infraestrutura para os produtores.
Entre as estratégias adotadas está a organização dos agricultores em núcleos familiares de produção, modelo que permite compartilhar estruturas e equipamentos, ampliando os benefícios para diferentes famílias.
Nesse formato, cada núcleo conta com uma área de referência onde são instaladas estruturas de beneficiamento e disponibilizados equipamentos que podem ser compartilhados pelos produtores da comunidade.
Além disso, os agricultores recebem apoio técnico em diferentes etapas da produção, incluindo manejo dos guaranazais, análise de solo, recomendações de insumos e orientações sobre boas práticas de processamento e armazenamento.
Essas ações contribuem para profissionalizar a produção, melhorar a qualidade do guaraná e fortalecer a renda das famílias que dependem da cultura. “Para nós, isso vai melhorar a produtividade e até incentivar os produtores a produzirem mais. É algo muito gratificante”, afirma José Neto, produtor da comunidade Terra Preta.
Oficina reuniu produtores em Parintins para troca de conhecimentos
Como parte dessas iniciativas, o Imaflora realizou, em fevereiro, uma Oficina de Beneficiamento de Guaraná na comunidade São Pedro do Marajó, no município de Parintins (AM).
A atividade reuniu cerca de 30 produtores de cinco comunidades da região do rio Uaicurapá: São Pedro do Marajó, Peixe Marinho, Santa Luzia do Marauaru, Terra Preta e São Raimundo do Gregorte.
Durante o encontro, os participantes puderam conhecer de perto as estruturas de beneficiamento instaladas pelo projeto e receber orientações sobre o uso dos equipamentos, boas práticas de manipulação das sementes e manejo adequado dos resíduos gerados no processo.
A oficina também foi um espaço de troca de experiências entre produtores, técnicos e parceiros do projeto, reforçando a importância do conhecimento compartilhado para o fortalecimento da cadeia produtiva do guaraná.
“Essas ações contribuem para o fortalecimento da cadeia do guaraná no estado, sobretudo, para os agricultores assistidos pelo Programa Olhos da Floresta, através de investimentos e acompanhamentos próximos aos produtores. Além disso, as atividades são realizadas de maneira compartilhada e facilitada pelas organizações que representam as comunidades e os agricultores familiares, o que faz com que haja um maior entendimento da realidade local”, explica Raimundo Souza, analista técnico do Imaflora.
Projeto Aliados pelo Campo Guaraná
A oficina integra as ações do projeto Aliados pelo Campo Guaraná 2025, iniciativa executada pelo Imaflora com financiamento da Coca-Cola Latin America.
O projeto conta ainda com parceria técnica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e apoio da Prefeitura de Parintins, por meio da Secretaria de Produção, além da participação da Associação Agriguarani.
Ao final da atividade, também foi realizada a entrega oficial de equipamentos e materiais adquiridos pelo projeto para os produtores participantes, fortalecendo a infraestrutura de beneficiamento nas comunidades atendidas.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora
Parceria entre a Secretaria de Cultura e o CBA fortalece a economia criativa ao inaugurar espaço que integra pesquisa, tecnologia e saberes tradicionais na Amazônia. Foto: Gabi Vitim/SEC AM
O Hub Amazon Poranga Fashion é uma nova proposta de conectar moda, inovação e bioeconomia no Amazonas, ampliando oportunidades para artistas, estilistas, artesãos e empreendedores da região. O hub nasce da união entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC AM) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).
A iniciativa surge como um espaço de desenvolvimento, pesquisa e incubação de projetos que utilizam insumos amazônicos, como fibras naturais, sementes e materiais sustentáveis, fortalecendo uma cadeia produtiva que vai muito além da criação artística.
Segundo o gestor cultural Turenko Beça, a parceria nasceu a partir de uma estratégia da Secretaria para ampliar o alcance da economia criativa no estado.
“A economia criativa é um dos setores da Secretaria, e a gente vai mapeando oportunidades e fazendo prospecção em diversas áreas. A partir de uma orientação do secretário Caio André, fizemos essa ligação com o CBA e conseguimos instaurar aqui o hub, que é o primeiro passo dessa relação com o centro de bionegócios”, explica.
Moda amazônica usa diversos elementos regionais, como sementes. Foto: Gabi Vitim /SEC AM
Ele destaca ainda que o espaço dialoga diretamente com o uso sustentável dos recursos da floresta: “Os empreendedores trabalham com materiais amazônicos, como curauá, tucum, fibras naturais e couro de pirarucu. Isso gera uma cadeia produtiva muito rica, que envolve desde quem coleta até quem transforma esses materiais em produto final”.
O Hub funciona como uma incubadora de projetos e deve atrair novos empreendedores e investidores. A proposta é ampliar o alcance das iniciativas e fomentar negócios em escala maior, conectando criatividade e mercado.
“Esse espaço vai receber empresas e aproximar investidores dos empreendedores, tanto pela Secretaria quanto pelo CBA. A ideia é que esses projetos cresçam e ganhem escala produtiva”, destaca Turenko.
Avanço na economia criativa
Para a diretora cultural do Amazon Poranga Fashion, Jessilda Furtado, a parceria representa um avanço importante para o reconhecimento da moda como um segmento estratégico da economia criativa. “A gente percebeu a importância de valorizar a moda, porque temos estilistas incríveis, mas muitas vezes invisibilizados. O Amazon Poranga surgiu justamente para dar visibilidade a esses criativos e fortalecer esse mercado”, afirma.
Ela relembra que o projeto cresceu ao longo dos anos, passando por diferentes espaços culturais de Manaus até chegar ao CBA, consolidando-se como uma plataforma de inovação. “Hoje estamos em um lugar de pesquisa, que estuda os insumos da Amazônia e transforma isso em bionegócio. Isso amplia muito as possibilidades, vai além de um desfile de moda, é geração de renda e valorização da nossa identidade”, completa.
Com mais de um milhão de visualizações nas edições anteriores, o projeto demonstra o potencial econômico e cultural do setor. “A moda impacta diretamente na vida de muitas pessoas, do artesão ao estilista. É um segmento que coloca comida na mesa e valoriza o que é nosso”, reforça Jessilda.
A ampliação desse olhar também é destacada por Fabiana Rocha, gestora do espaço CBA de inovação, que aponta uma mudança na forma como a bioeconomia é pensada.
“O CBA está vivendo um novo momento, saindo da pesquisa apenas de laboratório para transformar ideias em negócios reais. A economia criativa entra como um elemento fundamental, porque ela amplia esse conceito e mostra que a Amazônia também é arte, cultura e inovação”, ressalta.
Para os estilistas, o impacto da parceria já é concreto. A diretora criativa Thaís Arévola ressalta que o acesso à estrutura do CBA fortalece o desenvolvimento de produtos sustentáveis.
“A gente trabalha com tecidos de fibras amazônicas, como o curauá e até fibra de abacaxi. O CBA auxiliava nesse processo, e agora, com o hub, isso se amplia para outros criativos também”, destaca.
Ela destaca ainda que o acesso a laboratórios e pesquisas deve facilitar o trabalho de quem atua com técnicas tradicionais. “Isso vai beneficiar desde estilistas até comunidades ribeirinhas e indígenas, tornando o processo mais acessível e valorizando o trabalho dessas pessoas”, finaliza Arévola.
Espécime com cianismo. Foto: Bianca Montanaro/Ibama
Um registro fotográfico feito por uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em São Félix do Tocantins (TO), identificou um caso incomum de alteração genética em um periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri). A foto foi produzida pela analista ambiental Bianca Montanaro.
Conhecido como cianismo, o fenômeno observado está relacionado à ausência de pigmentos responsáveis pelas cores amarelas, laranjas e vermelhas (psitacina).
Como a coloração verde das aves resulta da combinação entre o amarelo e o azul das penas, a ausência daqueles pigmentos faz com que o animal apresente coloração predominantemente azul.
Foto: Bianca Montanaro/Ibama
O registro foi realizado de forma ocasional, durante atividade de observação de aves. O indivíduo foi identificado em meio a um bando alimentando-se em uma plantação de milho.
“Flagrantes desse tipo em vida livre são raros e valiosos, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a variabilidade natural das espécies e reforçar a importância da conservação da biodiversidade”, afirma Bianca.
O que é cianismo?
De modo geral, o cianismo afeta apenas a coloração, não havendo evidências de que, por si só, cause prejuízos diretos à saúde do animal. No entanto, na natureza, essa alteração pode representar desvantagens, como redução da camuflagem, maior exposição a predadores, possíveis dificuldades de reconhecimento entre indivíduos e impactos no sucesso reprodutivo.
Trata-se de uma condição genética, assim como o albinismo em seres humanos. Ainda assim, sua ocorrência tende a permanecer rara em populações naturais, uma vez que indivíduos com essa característica podem apresentar menor taxa de sobrevivência e reprodução.
Alterações genéticas como o cianismo possuem importância em diferentes níveis. Do ponto de vista biológico, evidenciam a variabilidade genética das espécies e contribuem para o entendimento dos mecanismos de herança e expressão de pigmentos. Ecologicamente, podem influenciar a dinâmica das populações, ao afetar a sobrevivência e a interação dos indivíduos.
Plano Diretor e a favelização de Manaus Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
A Lei Complementar Nº 2, de 16 de janeiro de 2014, dispõe sobre o Plano Diretor Urbano e Ambiental do Município de Manaus, em atendimento ao disposto no artigo 182 da Constituição Federal, nos artigos 39 a 42-B da Lei Federal nº 10.257/2001, Estatuto da Cidade, e nos artigos 227 e 228 da Lei Orgânica do Município (LOMAN). Configura o instrumento básico destinado a atender a necessidade de cumprimento das funções sociais e ambientais da cidade e da propriedade urbana, assim como dos espaços territoriais. Pretende, por outro lado, a integração entre os órgãos, entidades e conselhos municipais, visando a atuação coordenada no cumprimento das estratégias formuladas para a execução de planos, programas e projetos priorizados pelo Executivo com suporte político do poder Legislativo municipal.
Em 22 anos de vigência do Plano Diretor, Manaus e o interior amazonense sustentam números que evidenciam brutal descompasso geopolítico em relação ao cenário nacional. Dados do IBGE revelam que a renda per capita de Manaus, R$ 63 mil por ano, é o triplo da renda per capita do interior, de R$ 21 mil/ano (em média, cerca de um salário-mínimo por mês). Não por acaso, aproximadamente 50% da população amazonense, segundo o IBGE, vivia em situação de extrema pobreza em 2021.
O IDH Médio de Manaus, 0,737, considerado alto, se contrapõe aos índices das cidades do interior, situados entre os 20 piores índices do Brasil (média de 0,50 a 0,59). O quadro resulta de transformações socioespaciais das cidades e do campo, agravado nas décadas de 50 e 60 pelo êxodo rural sistematizado em todo o país. O fenômeno gera problemas sociais urbanos e dilemas estruturais, próprios das cidades desestruturadas social e economicamente, como falta de emprego, moradia precária, violência, pouca acessibilidade, baixo acesso aos centros de saúde, transporte coletivo sucateado.
Cidade de Manaus. Divulgação/Prefeitura de Manaus
Consequência lógica desse distanciamento, a capital amazonense, a partir dos anos 1970 passou a sofrer inexorável processo de inchamento demográfico face ao abrigo de massas populacionais atraídas pela Zona Franca de Manaus de estados do Norte e Nordeste, e até de países vizinhos, que passaram a ocupar vorazmente a periferia da cidade, causando inchaço ou macrocefalia urbana. Segundo especialistas, o crescimento rápido e desordenado das cidades decorrente do fator superlotação/infraestrutura insuficiente.
Impulsionado pelo êxodo rural e industrialização, tem como efeito perverso a segregação socioespacial, favelização, trânsito intenso e sobrecarga de serviços públicos. Em 1985, estudos da PMM, no contexto do programa Cidades de Porte Médio, do Banco Mundial, concluíram que 60% de Manaus já havia sido tomada por favelas localizadas em curvões e encostas de alto risco na periferia da cidade.
A tal ponto se avolumou o problema que, dentre as 20 favelas mais populosas do Brasil, segundo o IBGE, seis estão localizadas nas zonas Leste e Norte de Manaus, como se relaciona:
Rocinha – Rio de Janeiro (RJ) – 72.021 moradores;
Sol Nascente – Brasília (DF) – 70.908 moradores;
Paraisópolis – São Paulo (SP) – 58.527 moradores; Cidade de Deus/Alfredo Nascimento – Manaus (AM) – 55.821 moradores;
Rio das Pedras – Rio de Janeiro (RJ) – 55.653 moradores;
Heliópolis – São Paulo (SP) – 55.583 moradores;
Comunidade São Lucas – Manaus (AM) – 53.674 moradores;
Coroadinho – São Luís (MA) – 51.050 moradores;
Baixadas da Estrada Nova Jurunas – Belém (PA) – 43.105 moradores;
Beiru / Tancredo Neves – Salvador (BA) – 38.871 moradores;
Pernambués – Salvador (BA) – 35.110 moradores;
Zumbi dos Palmares/Nova Luz – Manaus (AM) – 34.706 moradores;
Santa Etelvina – Manaus (AM) – 33.031 moradores;
Baixadas da Condor – Belém (PA) – 31.321 moradores;
Colônia Terra Nova – Manaus (AM) – 30.142 moradores;
Jacarezinho – Rio de Janeiro (RJ) – 29.766 moradores;
Vila São Pedro – São Bernardo do Campo (SP) – 28.466 moradores;
Cidade Olímpica – São Luís (MA) – 27.326 moradores;
Chafik / Macuco – Mauá (SP) – 26.835 moradores;
Grande Vitória – Manaus (AM) – 26.733 moradores.
O êxodo rural de povos primitivos
A pressão migratória agrava a favelização em Manaus e abre brechas para o tráfico de drogas e milícias, hoje praticamente incontroláveis. Manaus continua atraindo migrantes dos rincões em busca de trabalho e melhores condições de vida, o que só faz crescer a concentração na cidade; parte se acomoda em comunidades com problemas típicos das favelas, de falta de saneamento básico a disputas por pontos de venda de drogas. Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo (OESP – https://www.estadao.com.br/), de 3 de abril último, relata que não apenas migrantes de outras regiões e países vizinhos incharam a capital amazonense. Indígenas também.
favela de Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
A comunidade localizada na região do Tarumã-Açu, por exemplo, é resultado de uma migração iniciada nos anos 1980 por indígenas baré e kokama, contribuindo para o “boom” populacional de Manaus estimulado pela criação da Zona Franca em 1967. Os que não eram absorvidos pelo mercado de trabalho ao menos tinham uma área para cultivar roças. Quase 50 anos depois, o território continua acolhendo indígenas e não indígenas atraídos pelo sonho de uma vida melhor na cidade grande.
O Parque das Tribos, como é conhecido, sobre o qual raros amazonenses têm conhecimento, é um pequeno retrato do êxodo dentro da capital. Oficialmente reconhecido em 2014, o local abriga cerca de 850 famílias de descendentes de 32 etnias, segundo as pesquisas mais atuais. São pelo menos 4,5 mil pessoas. A comunidade indígena dentro da capital tem todos os aspectos de uma favela: ruas sem pavimentação, falta de saneamento básico, barracos amontoados, inúmeras igrejas evangélicas, conflitos por pontos de venda de drogas e uma maioria trabalhadora que encontrou ali o único lugar possível para fazer morada.
O Estado de S. Paulo revela que “a atração de indígenas para Manaus, expressada não só na realidade da favela das tribos, mas também na de outras regiões para onde esses povos se espalharam, faz da capital amazonense a cidade com mais indígenas no Brasil. São 71,7 mil, segundo o Censo de 2022. O número é 18 vezes maior do que a população indígena na capital em 2010, de 3,8 mil.
Apesar do crescimento de 1.768% em pouco mais de uma década, os números precisam ser vistos com ressalvas. Houve mudanças na metodologia de recenseamento e muitos manauaras mudaram a forma de fazer a autodeclaração. Mas não há quem conteste o fato de que a promessa de uma vida melhor em Manaus seja determinante para o êxodo que não cessa há décadas”.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O sonho do trabalho e a necessidade de fugir das mazelas do interior do Amazonas explicam parte do crescimento desordenado de Manaus ao longo das últimas décadas. Segundo o IBGE, só nos últimos 20 anos a população da capital do Amazonas cresceu 47%. Saiu de 1.403.796 em 2000 para 2.063.547 em 2022.
É um crescimento sem paralelos com outras metrópoles brasileiras no período. Para efeito de comparação, segundo a reportagem do Estadão, a população de São Paulo aumentou 10% em duas décadas. O salto da população nacional como um todo nesse intervalo foi de 19%. Um dos efeitos dessa anomalia demográfica é expresso na formação de milícias comandadas pelo tráfico.
Recentemente, a polícia debelou o embrião de uma delas. O grupo criminoso “grilava” terras e vendia lotes para pessoas muito simples. Em seguida, surgia cobrando taxa de segurança, energia elétrica e água. Quem não pagava era roubado, tinha casas incendiadas ou sofria atentados.
O esquema, segundo a polícia, começou a funcionar pouco depois da constituição do bairro, em 2015, e as primeiras prisões ocorreram em 2021. Como resolver tão complexos problemas? Na verdade, há soluções? O período eleitoral enseja oportunidade de ouro aos candidatos a mandatos eletivos propor e lutar por medidas de políticas públicas destinadas a viabilizar intervenções de Estado para pôr fim a essas agruras sociais, econômicas e urbanísticas.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Com o objetivo de promover uma educação ambiental acessível e a conscientização acerca dos aracnídeos, a cartilha ‘O mundo dos pseudoescorpiões e a educação ambiental’, desenvolvida por uma estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA), trabalha de forma didática informações sobre animais tão pequenos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano.
A iniciativa faz parte da pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvida por Erika Barbosa, estudante de Licenciatura em Ciências Naturais na UFPA e orientada pela professora Rita de Cássia. O conteúdo também orienta sobre formas seguras de convivência, prevenção de acidentes e respeito.
“Um dos grandes diferenciais foi trabalhar um grupo que não é tão conhecido e explorado e trazer à luz para que as pessoas possam saber quem são, o que comem, onde vivem. A cartilha trouxe um grupo de artrópodes que são os aracnídeos, no caso mais específico, os pseudoescorpiões para serem visualizados pelos estudantes. Todos os grupos possuem a sua importância e a sua relevância e como o quanto implicado esses organismos estão, em termos de relação, no ambiente natural”, comenta Rita de Cássia.
Cartilha reforça papel dos pseudoescorpiões no meio ambiente
Os pseudoescorpiões fazem parte da família dos aracnídeos e são animais que são quase imperceptíveis a olho nu, mas que fazem parte do nosso dia a dia e podem ser encontrados escondidos entre as folhas secas. Erika Barbosa, criadora da cartilha, comenta sobre a necessidade de apresentar esses animais desde a infância.
“A importância dessa temática é que ela funciona como porta de entrada para vários aprendizados essenciais, um deles é a quebra do medo que as pessoas possuem por aracnídeos. Da mesma forma, mostrar que apesar de serem pequenos, eles têm o seu papel no meio ambiente e participam do equilíbrio ecológico. Isso leva as crianças a desenvolverem um pensamento crítico, pensar que existe um mundo que a gente não conhece e que esse mundo também é importante”, analisa.
A cartilha aborda conteúdos que conscientizam sobre a relevância dos pseudoescorpiões na natureza e a importância da preservação dos seus habitats.
O material reúne, de maneira educativa e adaptada para o público infantil, informações sobre essa família por meio de jogos didáticos, caça-palavras, questionários e foi aplicado na matéria de educação ambiental trabalhada pelos alunos da Escola Estadual Madre Zarife Sales.
A Lei eleitoral que exige o afastamento de políticos de seus cargos atuais para disputa de novos cargos foi contabilizada até o sábado (4). Na Amazônia Legal, formada por nove estados, foram registradas cinco renúncias ao governo e outras cinco à prefeitura para as Eleições 2026.
A desincompatibilização tem como objetivo evitar o uso da máquina pública em favor das candidaturas, que devem ser oficializadas somente em agosto, após convenções partidárias e registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Confira as primeiras mudanças para as Eleições deste ano:
Governo
Entre os governadores, cinco devem disputar vaga no Senado, deixando os cargos para seus vices:
Acre: Gladson Cameli (PP). Foto: Reprodução/Governo do AcreAmazonas: Wilson Lima (União). Foto: Diego Peres/Secom AMMato Grosso: Mauro Mendes (União). Foto: Reprodução/Secom MTPará: Helder Barbalho (MDB). Foto: Reprodução/Agência ParáRoraima: Antonio Denarium (Republicanos). Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR
Ainda entre os governadores, somente Clécio Luís (União), do Amapá, pode tentar a reeleição, uma vez que Carlos Brandão (sem partido), do Maranhão; Marcos Rocha (PSD), de Rondônia; e Wanderlei Barbosa (Republicanos), do Tocantins vão concluir seus mandatos e decidiram não seguir nas disputas.
Prefeitura
Nas prefeituras o cenário também é de mudanças, com as renúncias de cinco prefeitos que devem entrar na corrida pelo comando da administração estadual:
São Luís (MA): Eduardo Braide (PSD). Foto: Reprodução/ Prefeitura de São LuísManaus (AM): David Almeida (Avante). Foto: Reprodução/Prefeitura de ManausMacapá (AP): Dr. Furlan (PSD). Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica APRio Branco (AC): Tião Bocalom (PSDB). Foto: Marcos Araújo/Prefeitura de Rio BrancoBoa Vista (RR): Arthur Henrique (PL). Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR