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Manto do Círio: quem é o estilista convidado para vestir Nossa Senhora de Nazaré na edição de 2026?

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Foto: Aline Andrade/Ascom Basílica Santuário

O manto do Círio de Nazaré 2026 já está nos ajustes finais para vestir a Imagem Peregrina, que sairá às ruas de Belém (PA) ao encontro de seus filhos. A apresentação oficial da peça acontece no dia 8 de outubro, na Basílica Santuário de Nazaré. A criação e a confecção do manto são assinadas por Artur Maciel, que recebeu o convite para assumir o trabalho em 4 de fevereiro de 2026, das mãos do coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa, e de sua esposa, Rosa Sousa.

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Apaixonado pela vida, pelas artes, pelo trabalho feito à mão e pelo estilo clássico na arquitetura e na moda, o estilista conta que sempre observou o universo da moda até se aprofundar nele. Seu primeiro ateliê nasceu a partir da confecção de vestidos de uma grife espanhola, até que surgisse sua primeira criação autoral, que hoje leva sua assinatura. Segundo o estilista, essa afinidade com a moda é uma herança de sua mãe, Maria de Fátima.

“Acredito que, quando nos doamos, executamos com vontade e, acima de tudo, colocamos amor e dedicação no que fazemos, o resultado vem”, resume Artur sobre a forma como encara o trabalho.

A relação do estilista com a festividade, no entanto, começou muito antes do convite para o manto. Romeiro da corda do Círio por quinze anos, Artur também soma 20 anos de trabalhos pastorais na paróquia da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. Ele integrou por cinco anos a organização do Círio das Crianças, atuou na Pastoral da Acolhida até chegar à função que exerce atualmente, a de Guarda de Nazaré.

Foi nesse caminho de serviço, conta, que sentiu nascer o desejo de um dia assinar o manto da Santa a quem dedica um amor incondicional. “Eu sempre pedia a Nossa Senhora que tornasse isso realidade e, como tudo é no tempo de Deus, chegou a hora”, relembra.

Leia também: Círio de Nazaré: o material e o imaterial compõe a maior celebração católica do mundo

No início deste ano, algumas pessoas já começavam a sondá-lo sobre o assunto, até que, em 4 de fevereiro, veio o convite oficial do casal coordenador.

“Confesso que esperei a minha vida toda por este momento. Foram quarenta anos até que eu viesse a receber esta graça, por meio da intercessão de Maria”, afirma o estilista.

A reação à notícia veio em silêncio antes das lágrimas. “Fiquei sem saber o que falar… uma emoção que não tem como explicar. Demorou alguns segundos para a ficha cair, e logo depois as lágrimas de emoção vieram, com um sentimento de gratidão que me invadiu”, descreve.

Para Artur, assinar o manto é um marco em sua trajetória. “É poder fazer algo tão desejado e mágico, que faz parte de uma vida. Um sonho realizado, a maior bênção e graça que eu pude receber”, diz.

Os trabalhos

A confecção do manto começou por volta da Semana Santa. A partir daí, foram dias e meses de dedicação total, nos quais o estilista buscou executar, como um instrumento de Deus, a missão que lhe foi confiada. “Está quase concluído para Nossa Senhora vestir e ir ao encontro dos seus filhos pelas ruas de Belém”, celebra Artur.

Fé e devoção

Inspirado no tema do Círio deste ano, “Maria, missionária que nos dá Jesus”, o manto de 2026 chega como uma peça singela, que carrega a simplicidade daquela que foi a escolhida, a perfeita aos olhos do Pai.

“Que recebamos mais uma vez o Círio em nosso coração e sigamos o exemplo de Maria. Durante estes meses, trabalhei de braços abertos e com muito amor, colocando o meu melhor diante das possibilidades oferecidas. Este ano de 2026 ficará gravado eternamente em meu coração”, conclui o estilista.

Manto do Círio: quem é o estilista convidado para vestir Nossa Senhora de Nazaré na edição de 2026?
Foto: Rosana Pinto/ASCOM DFN

A apresentação

A cerimônia de apresentação do manto do Círio 2026 será no dia 8 de outubro, na Basílica Santuário de Nazaré, a partir das 18h. Mais do que um ornamento, o manto é um símbolo essencial do Círio: sua criação precisa refletir o tema da festa, transmitir uma mensagem evangelizadora e reforçar a devoção a Nossa Senhora de Nazaré por meio de cores, adereços e símbolos cuidadosamente pensados.

História do manto

A tradição do manto remonta à origem do Círio, desde que o caboclo Plácido encontrou a imagem de Nossa Senhora às margens do igarapé Murucutu. Nos primeiros anos, o manto tinha formato retangular. Mais tarde, a confecção passou a ser feita pela Irmã Alexandra, da Congregação Filhas de Sant’Ana, que produzia os mantos com materiais doados por promesseiros até o seu falecimento, em 1973. Desde então, a tradição se manteve viva, renovando a cada ano a devoção e a fé do povo paraense.

O Círio 2026

O Círio de Nazaré é realizado pela Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré e Diretoria da Festa de Nazaré, com patrocínio do Governo do Estado e Prefeitura de Belém, e é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Até o momento, a Festa de Nazaré tem como patrocinadores master Banpará, Equatorial Energia, Instituto Cultural Vale e Hydro. Como patrocinadores Alubar, CN Produções, Belém Bioenergia Brasil, Econômico Comércio de Alimentos, Fiepa, Guamá Resíduos, Gráfica Miriti, Hotel Gran Mercure, ITA Center Park, Magalu, PagBank, Mídia Center, Rodrigues Colchões, Sebrae PA, Sudam, SISCapital, Unimed Belém, Prefeitura Municipal de Ananindeua e Gav Resorts. Como apoiadores master Alucar, Água Mineral Crystal, Artemyn, Bagliolli Dammski Bulhões e Costa Advogados, Natura, Seara, Refrigerante Tuchaua e Jefferson. E mais 111 apoiadores.

*Com informações da Ascom DFN

Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais três poços

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Exploração de petróleo na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Petrobras

A Petrobras protocolou junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o pedido de licença ambiental para perfuração de três novos poços na Margem Equatorial, na costa do Amapá.

A informação foi confirmada pela diretora Clarice Copetti durante visita ao município de Oiapoque nesta segunda-feira (17). O anúncio reforça a ofensiva da estatal na região, onde já foram encontrados indícios de petróleo no primeiro poço perfurado no bloco 59.

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Segundo Copetti, o pedido faz parte da campanha exploratória “Amapá Águas Profundas” e está alinhado às exigências ambientais impostas pelo Ibama.

“A Petrobras já entrou com pedido de licença para a perfuração de outros três poços”, disse.

Saiba mais: Indícios de petróleo são encontrados em poço na Foz do Amazonas no Amapá, anuncia Petrobras

O Grupo Rede Amazônica procurou o Ibama para saber em que etapa está a análise do pedido da Petrobras e aguardava retorno até a publicação desta reportagem.

MPF pediu suspensão da licença ambiental em maio de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para tentar suspender a licença ambiental que autoriza a Petrobras a perfurar o bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

O recurso foi apresentado em 12 de maio de 2026, após a Justiça Federal no Amapá ter mantido a autorização mesmo diante do vazamento de mais de 18 mil litros de fluido sintético registrado no início do ano.

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Busca por petróleo é realizada na área. Imagem: Petrobras
Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

No pedido, o MPF apontou falhas técnicas e riscos ambientais não considerados, além de questionar a ausência de consulta às comunidades tradicionais. O órgão sustenta que o licenciamento ignorou aspectos fundamentais relacionados à crise climática e protocolos de emergência.

Leia também: ‘Nova fronteira exploratória’, diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo na Foz do Amazonas

O que diz a Petrobras sobre o cumprimento de exigências

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que cumpre agenda em Oiapoque nesta segunda-feira (17), visitou o Centro de Reabilitação e Recuperação da Fauna, construído como parte das exigências ambientais do Ibama.

Ela explicou que o espaço funciona como unidade de emergência para atendimento de animais em caso de acidentes durante a fase exploratória e reforçou o compromisso da estatal com a proteção ambiental.

“Tudo está sendo feito dentro do mais alto padrão técnico, com respeito à fauna, à flora e ao meio ambiente, seguindo rigorosamente o processo de licenciamento ambiental”, afirmou.

*Por Josi Paixão e Michele Ferreira, da Rede Amazônica AP

Imazon e UFOPA firmam parceria para monitorar biodiversidade em unidades de conservação do Pará

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Foto: Reprodução/Acervo Iepé

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) firmaram um termo de cooperação técnica para ampliar as pesquisas e o monitoramento da biodiversidade em duas unidades de conservação do Norte do Pará: a Estação Ecológica (ESEC) Grão-Pará e a Reserva Biológica (REBIO) Maicuru. Com duração inicial de cinco anos, o acordo busca aproximar a pesquisa científica e reunir diferentes especialidades para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da região.

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A parceria integra uma estratégia de fortalecimento do monitoramento realizado pelo Imazon dentro do Programa do Grande Tumucumaque. Atualmente, o trabalho utiliza o protocolo florestal do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A metodologia tem como uma de suas vantagens a possibilidade de ser aplicada por moradores locais, incluindo comunidades indígenas, que contribuem para a realização de acompanhamentos contínuos.

“Vamos conseguir identificar impactos que são invisíveis aos olhos, mas podem gerar grandes consequências, inclusive em locais mais distantes das UC’s. Outro ponto é a formação de pessoas da região, porque a gente espera envolver vários estudantes que vão se tornar profissionais que podem continuar auxiliando na proteção da natureza”, aponta Tainara Venturini Sobroza, professora da UFOPA.

Estação Ecológica (ESEC) Grão-Pará, unidade de conservação localizada no norte do Pará. Foto: Reprodução/IDEFLOR-Bio

A pesquisadora do Imazon Jarine Reis explica que o protocolo atualmente utilizado permite acompanhar importantes componentes da biodiversidade, como mamíferos de médio e grande porte.

A nova cooperação pretende ampliar esse conjunto de informações, incorporando grupos que podem responder de maneira mais sensível às alterações ambientais e mudanças climáticas.

Entre as categorias que poderão ser estudadas a partir da nova colaboração estão peixes, insetos, pequenos mamíferos, mariposas e outros organismos. Também está prevista a realização de levantamentos mais detalhados da vegetação arbórea, permitindo avançar da identificação em nível de gênero ou família para informações mais precisas sobre as espécies.

“A gente tem um potencial gigantesco de estudos e monitoramento de biodiversidade na região do Norte do Pará porque, apesar da elevada biodiversidade e da presença de diversas áreas protegidas, existem poucas informações de longo prazo sobre a dinâmica dos organismos nesses territórios”, observa Jarine.

Pesquisas visam entender biodiversidade de áreas protegidas

Um dos principais objetivos da parceria é construir uma linha de base da biodiversidade nas áreas monitoradas. Isso significa produzir um conjunto de dados que represente as condições atuais desses ecossistemas e que possa servir como referência para acompanhar suas transformações ao longo dos anos. A partir disso, será possível identificar mudanças na composição e na estrutura das espécies e avaliar como elas respondem a alterações no clima e no ambiente.

“O desenvolvimento de novos estudos na área é especialmente relevante, dado que a região apresenta baixa intervenção humana, pois possibilita acompanhar transformações futuras, principalmente as relacionadas às mudanças climáticas. Além disso, podem nos ajudar a identificar efeitos relacionados a alterações no uso da terra e nas condições de acesso e de governança dos territórios”, afirma Jarine.

Leia também: Três unidades de conservação federais na Amazônia têm Planos de Manejo publicados pelo ICMBio

Unidade de conservação, a Reserva Biológica (REBIO) Maicuru é referência em biodiversidade
Reserva Biológica (REBIO) Maicuru. Foto: Reprodução/Imazon

Como o Programa Grande Tumucumaque é uma iniciativa de longo prazo, os cinco anos previstos inicialmente no acordo com a UFOPA representam apenas uma etapa desse acompanhamento, que poderá ser renovado e ampliado nos anos seguintes. Em uma região que possui lacunas importantes de conhecimento sobre sua biodiversidade, os dados produzidos são fundamentais tanto para as pesquisas atuais quanto para orientar e permitir comparações futuras.

Os estudos ainda podem contribuir para reforçar a importância das áreas protegidas para a conservação da biodiversidade, tanto no contexto local quanto no nacional, gerando evidências sobre o papel desses territórios na manutenção dos ecossistemas amazônicos. Esses dados possuem o potencial de subsidiar estratégias de conservação e fortalecer o reconhecimento da relevância das unidades de conservação para a proteção da biodiversidade e para o enfrentamento das mudanças climáticas.

*o conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon, escrito por Armando Ribeiro

Revitalização do Laboratório do Hospital da Criança agiliza diagnósticos

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Mais agilidade nos exames e precisão nos resultados para fortalecer o cuidado e tornar o tratamento das crianças ainda mais seguro. Foto: Francisco Sena/PMBV

Diagnóstico mais rápido, resultados mais precisos e mais segurança para o tratamento. Esses são alguns dos benefícios da revitalização do Laboratório do Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA), entregue nesta terça-feira, 11. A unidade atende até 500 crianças por dia durante o período de sazonalidade e agora conta com recursos de alta tecnologia que tornam mais ágeis diferentes etapas do processamento das amostras.

Para a secretária municipal de Saúde, Mareny Damasceno, o investimento representa o fortalecimento da estrutura necessária para garantir um atendimento cada vez mais qualificado.

“É uma honra ver um trabalho desse ser concluído. A saúde realmente precisa e os pacientes merecem. Nosso objetivo é que o ganho de eficiência chegue à ponta: na decisão médica, no tratamento e na recuperação das crianças atendidas pelo HCSA”, pontuou.

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Laboratório do Hospital da Criança
Sala de Coleta do Laboratório do Hospital da Criança, preparada para oferecer mais conforto e segurança durante os atendimentos. Foto: Francisco Sena/PMBV

O impacto da mudança aparece, principalmente, no tempo de resposta. Com os novos equipamentos, os exames de rotina, que antes levavam até duas horas para ficar prontos, passam a ser liberados em até 30 minutos. Análises mais complexas, como a identificação de bactérias, levavam até sete dias. Agora, as primeiras informações ficam disponíveis em até 24 horas, enquanto os dados mais completos podem ser obtidos em até 72 horas.

“Mais do que um laboratório revitalizado, nós estamos trazendo os equipamentos de tecnologia de alta performance, inovação e qualidade. Isso quer dizer que a gente vai trazer resultados mais assertivos para os exames das nossas crianças e isso traz uma segurança maior, tanto no diagnóstico como nas decisões médicas”, explicou a coordenadora do laboratório, Michelly Rosas.

Leia também: Prefeitura entrega UBS revitalizada e reforça os serviços de saúde no São Bento

Sala de Coleta do Laboratório do Hospital da Criança, preparada para oferecer mais conforto e segurança durante os atendimentos. Foto: Franciso Sena/PMBV.

Tecnologia que ajuda a definir o tratamento

Na prática, a modernização também permite identificar com mais rapidez os microrganismos responsáveis por infecções e verificar a quais antibióticos eles são sensíveis ou resistentes. O processo é fundamental para que a equipe médica possa escolher a conduta mais adequada, evitando que medicamentos sejam administrados de forma empírica por períodos prolongados.
Segundo Michelly, antes da automação, algumas análises permitiam identificar apenas o grupo ao qual determinada bactéria pertencia. Com a tecnologia atual, é possível conhecer a espécie, o perfil de sensibilidade e de resistência e, a partir dessas informações, definir a terapia mais adequada e orientar as medidas de controle de infecções.

O avanço também amplia a capacidade do hospital de conhecer os microrganismos que circulam na unidade. A partir dos dados obtidos, o laboratório consegue elaborar um perfil epidemiológico mais preciso, identificar padrões de resistência e auxiliar na detecção de possíveis surtos, fortalecendo as ações de vigilância e prevenção de infecções no ambiente hospitalar.

A modernização dos equipamentos também garante segurança aos profissionais. Foto: Francisco Sena/PMBV

Mais agilidade no atendimento

A estrutura também ganhou equipamentos com alta capacidade de processamento. O analisador de bioquímica, por exemplo, faz até 600 testes por hora e processa amostras de até 120 pacientes simultaneamente. Na hematologia, o hemograma pode ser analisado em cerca de um minuto e meio, enquanto o equipamento de hemostasia tem capacidade para até 300 testes em 80 pacientes.

Com informações mais precisas disponíveis em menos tempo, os profissionais conseguem tomar decisões mais rápidas, iniciar ou ajustar tratamentos e acompanhar a evolução clínica da criança, conforme explicou a diretora do HCSA, Laudineia Barros.

“Com uma conduta definitiva de imediato, com certeza essa criança também vai ter uma redução no tempo de internação. E essa redução ajuda a ampliar a rotatividade dos leitos, um ganho muito importante para uma unidade que atende diariamente centenas de crianças”, destacou.

Dia do Patrimônio Histórico: conheça candidatos da Amazônia que buscam reconhecimento da Unesco

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Foto: UFPA, Secom/Gea e Diego Gurgel

No Dia do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto, a preservação da memória e da identidade cultural ganha destaque. Na Amazônia, monumentos, sítios arqueológicos e espaços históricos carregam parte importante da trajetória da região e, atualmente, alguns deles estão em diferentes etapas do processo para alcançar o reconhecimento como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

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Criado em 1972, o título de Patrimônio Mundial é concedido a locais considerados de valor universal excepcional e busca identificar, proteger e preservar bens que possuem importância cultural ou natural para a humanidade. 

Como funciona o processo de reconhecimento?

Antes de um bem receber oficialmente o título de Patrimônio Mundial, é necessário cumprir uma série de etapas:

O primeiro passo é a inclusão na chamada Lista Indicativa Brasileira, um inventário preliminar que reúne locais considerados pelo país como potenciais candidatos ao reconhecimento internacional.

Depois disso, é necessário elaborar um dossiê detalhado, com informações sobre a história e a importância do bem, além de um plano de gestão, preservação e definição dos limites geográficos da área candidata.

A terceira etapa é a avaliação técnica, etapa em que especialistas analisam a candidatura e verificam se o local atende aos critérios estabelecidos pela Unesco. No caso dos patrimônios culturais, a avaliação é realizada pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), enquanto os bens naturais são analisados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Por fim, o Comitê do Patrimônio Mundial se reúne anualmente para avaliar as candidaturas e decidir sobre a inscrição dos locais na lista oficial.

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Monumentos históricos da Amazônia que buscam reconhecimento

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia

Um dos patrimônios históricos amazônicos que busca avançar nesse processo é a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Porto Velho (RO). A gestão municipal apresentou uma carta de intenção ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Rondônia para estruturar uma futura candidatura do complexo à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. 

De acordo com a gestão, a proposta solicita apoio para a criação de um comitê técnico, que deverá reunir especialistas e instituições responsáveis pelos estudos necessários.

Leia também: 12 patrimônios históricos e culturais tombados para conhecer em Manaus

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, patrimônio histórico de Rondônia
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, patrimônio histórico de Rondônia. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Com o recebimento do documento, o Iphan deve abrir um processo administrativo para formalizar a solicitação e iniciar a análise da proposta. A partir dessa etapa, serão realizados levantamentos para avaliar a importância histórica, cultural e patrimonial da ferrovia, além das condições de preservação e gestão do complexo.

O primeiro passo será buscar a inclusão da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré na Lista Indicativa Brasileira. Caso avance, a candidatura deverá reunir informações produzidas por órgãos públicos, universidades, especialistas e representantes da sociedade civil.

De acordo com a prefeitura de Porto Velho, a estrada foi construída entre 1907 e 1912, após a assinatura do Tratado de Petrópolis, e teve papel importante na integração da região amazônica. A ferrovia também contribuiu para estreitar as relações entre Brasil e Bolívia e esteve diretamente ligada ao surgimento e ao crescimento de Porto Velho.

Geoglifos, no Acre

Os Geoglifos do Acre estão presentes na Lista Indicativa Brasileira desde 2015. As estruturas são grandes desenhos geométricos escavados no solo, encontrados em diferentes áreas do estado. 

Foto: Diego Gurgel/Secom AC

São círculos, quadrados, retângulos e outras formas que revelam a existência de sociedades indígenas complexas na Amazônia pré-colonial. Muitos dos geoglifos foram identificados a partir do avanço do desmatamento e do uso de tecnologias de mapeamento, que permitiram observar formas que permaneciam escondidas pela vegetação.

Leia também: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil

Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá 

No Amapá, a Fortaleza de São José de Macapá também integra a Lista Indicativa do Patrimônio Mundial desde 2015. Localizada na capital amapaense, a fortificação é considerada uma das grandes obras de arquitetura militar portuguesa construídas na América.

De acordo com a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), a construção começou em 1764 e foi concluída em 1782, com o objetivo de proteger a região do Cabo Norte, atual território do Amapá.

Foto: Reprodução/Secom GEA

Segundo a associação, o projeto foi elaborado pelo engenheiro militar italiano Henrique Galluzzi e segue características da arquitetura militar inspirada no estilo Vauban. Reconhecida como monumento nacional desde 1950, a Fortaleza de São José de Macapá também se tornou um dos símbolos do estado.

Mercado Ver-o-Peso, no Pará 

Em Belém, no Pará, o Mercado Ver-o-Peso também está na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial desde 2014.

Foto: Reprodução/UFPA

Considerado um dos principais símbolos culturais da capital paraense, o complexo arquitetônico e paisagístico está localizado às margens da Baía do Guajará, ocupa aproximadamente 25 mil metros quadrados e reúne produtos, alimentos, ervas, artesanato e manifestações de conhecimentos tradicionais.

A história do mercado remonta a 1625, quando o local funcionava como um posto fiscal destinado à pesagem de mercadorias e à cobrança de impostos para a Coroa Portuguesa.

Preservar a história para o futuro

Estar na Lista Indicativa não significa que o bem já recebeu o reconhecimento da Unesco, mas representa uma etapa necessária para uma futura candidatura oficial.

No Dia do Patrimônio Histórico, conhecer esses lugares também significa reconhecer a importância de preservá-los. 

Especialistas explicam porque ilhas de calor deixam bairros de Manaus mais quentes no verão amazônico

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Sol e calor em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O avanço do período mais seco do ano no Amazonas, o chamado “verão amazônico“, escancara um contraste de temperaturas marcante no cotidiano de Manaus. Enquanto áreas arborizadas conseguem manter climas mais amenos, bairros altamente urbanizados de Manaus enfrentam temperaturas sufocantes por conta do fenômeno das ilhas de calor.

Saiba mais: O que é uma ilha de calor? Especialista explica a influência na temperatura de Manaus

As ilhas de calor acontecem quando superfícies construídas pelo homem, como asfalto, concreto, telhados e tijolos, absorvem o calor do sol durante o dia e o liberam lentamente para o ambiente. A falta de vegetação e a pavimentação fazem com que quarteirões inteiros acumulem radiação solar, elevando a temperatura do ar.

Diante desse cenário, a dra. Luciana Gatti, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), faz um alerta sobre a necessidade de adaptação urbana. Segundo a especialista, a explicação para o aquecimento desigual na cidade está no alto nível de urbanização e na impermeabilização do solo.

A intensa concentração de asfalto, concreto e telhados escuros faz com que o ambiente urbano funcione como um acumulador térmico: essas superfícies absorvem a radiação solar ao longo do dia e devolvem a energia na forma de calor, impedindo que os bairros consigam resfriar até mesmo durante a noite.

“Para a nossa sobrevivência, a gente precisa de cidades menos quentes”, destaca a pesquisadora.

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Por que Manaus sente tanto o impacto das ilhas de calor?

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma combinação de fatores climáticos e de ocupação do solo torna Manaus vulnerável ao acúmulo de calor. A localização geográfica sob o clima equatorial já impõe, por natureza, taxas elevadas de umidade e alta incidência de radiação solar durante todo o ano. No entanto, é a transformação do espaço urbano que potencializa o problema.

Impermeabilização do solo: a pavimentação densa sobre antigas áreas verdes impede a infiltração da água da chuva. Sem água retida no solo para evaporar, a cidade perde o mecanismo natural de resfriamento da terra.
Retenção no asfalto e concreto: a predominância de materiais escuros na pavimentação e nas construções possui baixo índice de refletividade (albedo). Na prática, o asfalto e o concreto funcionam como ‘esponjas térmicas’ que absorvem a energia do Sol de dia e a liberam de noite.
Barreiras para a circulação do ar: o avanço acelerado e muitas vezes desordenado de construções e edifícios em diversos bairros cria bloqueios físicos. Essas barreiras impedem que as brisas úmidas sopradas pelos rios Negro e Amazonas circulem pela cidade.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, o nível baixo dos rios durante a seca típica do verão amazônico, que ocorre entre julho e novembro, não produz diretamente uma massa de ar quente sobre Manaus. O que favorece o calor é o mesmo ambiente atmosférico que contribui para a estiagem: menor frequência de chuva, menor nebulosidade e maior incidência de radiação solar.

“Quando o solo e a vegetação perdem umidade, a energia solar deixa de ser utilizada na evaporação da água e passa a ser convertida em calor sensível, aquecendo diretamente o ar próximo à superfície. O calor atual deve ser interpretado principalmente pelo padrão atmosférico e sazonal”, pontua Andrea Ramos.

Manaus vem registrando altas temperaturas nas primeiras semanas de agosto. Foto: Reprodução/X

‘Urgente que o poder público comece a reverter isso’, avalia especialista

Para a pesquisadora do INPE, a falta de arborização urbana aliada aos materiais da construção civil transforma as cidades em ambientes hostis e perigosos durante eventos extremos de calor.

“O pessoal não tem as cidades muito arborizadas e isso faz com que fiquem mais quentes. É urgente que o poder público comece a reverter isso porque nós vamos ter cada vez mais ondas de calor, e elas serão mais intensas”, alerta Luciana Gatti. A cientista reforça que intervenções estruturais e atitudes simples nas moradias podem atuar como aliadas imediatas para aliviar o calor interno das casas.

“Pintar as casas de branco, inclusive no telhado ou principalmente no telhado, ajuda a refrescar porque a energia solar reflete. Quanto mais escuro o cimento ou o asfalto, mais capacidade de absorver calor ele tem. Ele absorve a radiação e segura o calor ali na casa”, explica Gatti.

Leia também: Saiba o que fazer para proteger crianças do calor, fumaça e estiagem em Manaus

Praticar atividades físicas em dias de calor intenso hidratação constante — Foto: Divulgação

Como a umidade de Manaus agrava sensação de calor?

O impacto das ilhas de calor ganha contornos ainda mais críticos em Manaus devido às condições da atmosfera equatorial. Durante o verão amazônico, a redução de nuvens permite longas horas de incidência direta do Sol sobre o asfalto. No entanto, esse aquecimento severo ocorre em um ambiente que permanece com alta umidade relativa.

A meteorologista Andrea Ramos explica que essa combinação é o fator determinante para o risco à saúde humana na capital. Ela relata que quando a umidade está elevada, o suor evapora com menor eficiência, reduzindo a principal forma de resfriamento. Assim, uma temperatura de 36°C ou 37°C pode produzir uma sensação térmica significativamente maior do que o valor indicado pelo termômetro.

“No verão amazônico, há redução das chuvas e da nebulosidade, o que permite mais horas de incidência direta de radiação solar e maior aquecimento da superfície ao longo do dia. Em Manaus, esse efeito ocorre em um ambiente que continua relativamente úmido”, explica.

Leia também: Verão amazônico: personal orienta sobre prática de atividades físicas ao ar livre em período de altas temperaturas

Arborização como escudo: vegetação pode reduzir temperatura em até 4°C

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a criação de corredores verdes e a arborização planejada têm capacidade de reduzir a temperatura ambiente em cerca de 4°C nos pontos mais críticos da cidade.

As especialistas destacam três medidas fundamentais de mitigação para conter as ilhas de calor em Manaus:

Arborização massiva: plantio de árvores em calçadas, quintais e canteiros centrais para gerar sombreamento e resfriamento por evapotranspiração.
Uso de superfícies claras: adoção de tintas e materiais refletivos em telhados e fachadas para evitar que a radiação fique retida nas moradias.
Proteção de igarapés e florestas urbanas: preservação dos fragmentos vegetais que funcionam como ‘janelas de respiro’ e ajudam a circular a brisa vinda dos rios para o interior dos bairros.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Prefeitura entrega UBS revitalizada e reforça os serviços de saúde no São Bento

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UBS do São Bento foi revitalizada e agora oferece mais conforto e qualidade no atendimento à população. Foto: Francisco Sena/PMBV

Quem mora no bairro São Bento ou nas proximidades tem à disposição uma Unidade Básica de Saúde (UBS) estruturada para cuidar da saúde da família. Na UBS Dr. Rubeldimar Maia de Azevedo, a população encontra atendimento médico e de enfermagem, vacinação, pré-natal, acompanhamento de crianças, idosos e outros serviços ofertados na Atenção Primária do município.

A unidade passou recentemente por uma revitalização que garantiu melhorias na estrutura física, proporcionando mais conforto aos pacientes e aos servidores. Desde então, o espaço segue recebendo diariamente os moradores que buscam atendimento e acompanhamento em saúde.

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Rosamaria Silva é moradora do São Bento desde o início da ocupação do bairro e, por isso, acompanha a história da unidade. Ela garante que as mudanças são percebidas tanto na estrutura quanto no atendimento. Devido à hipertensão, faz acompanhamento regular na UBS, onde passa por consultas, aferição da pressão arterial e retirada de medicamentos.

Prefeitura entrega UBS revitalizada e reforça os serviços de saúde no São Bento
UBS oferece serviços da Atenção Primária à população. Foto: Francisco Sena/PMBV

“Hoje eu vim acompanhar minha sobrinha, mas já agendei minha próxima consulta. Estou feliz vendo o posto desse jeito, muito lindo. Tem varandinha para a gente sentar e poder esperar com conforto. É de se emocionar mesmo, porque, quando a gente vem aqui, é porque está precisando”, disse.

A vendedora Aline dos Santos mora no bairro há 15 anos e está grávida do sétimo filho. Todos os acompanhamentos da gestação foram feitos na rede municipal de saúde. Além das consultas na unidade, ela também recebe visitas dos agentes comunitários de saúde (ACSs).

“O acompanhamento é muito bom. Além das consultas, os profissionais fazem visitas na minha casa e, quando preciso de medicamentos ou qualquer atendimento, eu venho aqui na UBS”, contou.

Aline fez todos os acompanhamentos gestacionais pela UBS. Foto: Francisco Sena/PMBV

Cuidado que vai além da unidade

Além de moradora do São Bento, Renata Dama também é agente comunitária de saúde (ACS) da unidade há seis anos. Ela explicou que a revitalização também trouxe melhorias para o trabalho das equipes, com novos computadores, mobiliário, iluminação adequada e uma estrutura mais funcional, tornando os atendimentos mais ágeis.

“Nosso foco é oferecer um atendimento de qualidade, pautado no acolhimento e no respeito. Queremos que o morador sinta que, ao procurar nossos enfermeiros, médicos e demais equipes, será compreendido e devidamente assistido”, destacou.

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Um dos serviços gratuitos ofertados na rede municipal é a dispensação de medicamentos. Foto: Francisco Sena/PMBV

Além do atendimento dentro da unidade, os ACSs mantêm um cronograma diário de visitas domiciliares.

“Durante as visitas, orientamos as famílias sobre os serviços ofertados na UBS, acompanhamos gestantes, crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, além de identificar situações de vulnerabilidade que possam necessitar do apoio da rede de assistência social. É um trabalho integrado, que vai além da assistência à saúde”, explicou Renata.

Nota técnica propõe caminhos para fortalecer Indicações Geográficas no Amazonas

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Foto: Tácio de Melo/Instituto Mamirauá.

A Nota Técnica ‘Indicações Geográficas no Amazonas: subsídios técnicos para fortalecer a implementação das Indicações Geográficas do Amazonas’, elaborada pelo Instituto Mamirauá em parceria com instituições públicas e organizações envolvidas no tema, consolida as contribuições construídas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, realizado em novembro de 2025, em Tefé.

O documento, inédito no Amazonas, apresenta um diagnóstico sobre as Indicações Geográficas (IGs), reúne os principais desafios enfrentados pelas cadeias produtivas e propõe recomendações para fortalecer políticas públicas, ampliar o acesso a mercados e impulsionar a bioeconomia no estado. A iniciativa tem como um dos objetivos principais fortalecer as Indicações Geográficas como instrumento de desenvolvimento territorial, valorização dos conhecimentos tradicionais e geração de renda.

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A Nota Técnica também destaca que muitos produtos reconhecidos ainda enfrentam dificuldades para transformar o registro da Indicação Geográfica em ganhos econômicos concretos. Entre os principais desafios apontados estão a logística, a infraestrutura, o acesso a mercados, a governança das organizações, a fiscalização e a necessidade de assistência técnica continuada.

Segundo Tabatha Benitz, coordenadora do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (NITS) do Instituto Mamirauá, ainda existe a percepção equivocada de que o simples registro da Indicação Geográfica gera valorização automática do produto.

“A gente precisa entender que a indicação geográfica é um instrumento para organizar as várias etapas que levam ao preço agregado. A IG ajuda a estruturar qualidade, produção, governança e controle para que esse valor seja conquistado ao longo do tempo e para isso é necessário apoio dos parceiros”, explica.

Amazonas reúne nove Indicações Geográficas

Entre os produtos reconhecidos estão o Guaraná de Maués, a Farinha Uarini, o Abacaxi de Novo Remanso, o Waraná Andirá-Marau, o Pirarucu de Mamirauá, o Queijo de Autazes, o Açaí de Codajás e o Mel de Boa Vista do Ramos. Além deles, o artesanato Ticuna de Benjamin Constant encontra-se em fase de estruturação para obtenção do registro, podendo se tornar a primeira Indicação Geográfica de artesanato do Amazonas.

“A indicação geográfica garante a propriedade intelectual do produto, do território e do nome. Ao mesmo tempo, funciona como um instrumento para organizar todas as etapas necessárias para que o produto alcance mercados mais qualificados, com controle de qualidade, produção, governança e rastreabilidade”, afirma Tabatha Benitz.

A Indicação Geográfica também é importante por proteger coletivamente o nome de um produto associado ao território e fortalece aspectos como rastreabilidade, qualidade, organização produtiva e governança.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

Médio Solimões concentra duas referências

Farinha Uarini é reconhecida como Indicação de Procedência desde 2019. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá.

No Médio Solimões estão dois dos principais exemplos desse modelo de desenvolvimento territorial: a Farinha Uarini, reconhecida como Indicação de Procedência desde 2019, e o Pirarucu de Mamirauá, que recebeu o registro de Denominação de Origem em 2021.

Ambos representam produtos profundamente ligados às características ambientais da região, aos conhecimentos tradicionais e às práticas sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades locais.

Além do reconhecimento junto ao INPI, os dois processos recebem acompanhamento técnico do Instituto Mamirauá, por meio do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (NITS), da Incubadora Mamirauá e de equipes especializadas que apoiam o fortalecimento das organizações responsáveis pela gestão das IGs.

Documento orienta políticas públicas

A Nota Técnica foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado participaram de oficinas, compartilharam experiências e discussões sobre o tema, identificando desafios, oportunidades e prioridades para o fortalecimento das cadeias produtivas.

A partir do Encontro, as contribuições foram sistematizadas pela equipe do NITS e posteriormente validadas pelas associações participantes antes da publicação do documento.

Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado.
Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado. Foto: Tabatha Benitz/ Instituto Mamiraúa

Para Tabatha Benitz, trata-se de um marco para o fortalecimento das Indicações Geográficas no estado. “É a primeira nota técnica produzida com esse objetivo. Ela organiza as demandas e oportunidades em um único documento, funcionando como um diagnóstico que poderá orientar políticas públicas, projetos e novos investimentos voltados às Indicações Geográficas”.

A Nota Técnica reforça que a valorização dos territórios, dos conhecimentos tradicionais e da biodiversidade depende não apenas do reconhecimento oficial, mas também de políticas públicas e investimentos capazes de transformar patrimônios em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável.

Publicada pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), a Nota Técnica também está sendo protocolada pelo Fórum das Indicações Geográficas do Amazonas e pelo Instituto Mamirauá em órgãos públicos, instituições privadas e organizações do terceiro setor. O objetivo é ampliar a visibilidade do documento e consolidá-lo como referência para a formulação e implementação de políticas públicas, elaboração de projetos, captação de recursos e desenvolvimento de ações voltadas ao fortalecimento das Indicações Geográficas, da bioeconomia e do desenvolvimento sustentável no Amazonas.

O documento pode ser acessado neste link.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Relatório do Cimi aponta que Amazonas é o estado com mais mortes de crianças indígenas no país

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Amazonas lidera assassinatos e suicídios em relação ao país. Foto: Isadora Brant

O Amazonas registrou 306 mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em 2025, o maior número entre os estados brasileiros. Os dados são do relatório feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado na última quinta-feira, 13 de agosto. O levantamento aponta que, em todo o país, 1.024 crianças indígenas nessa faixa etária morreram no ano passado e o Amazonas representa quase um terço do total nacional.

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O número de mortes de crianças indígenas no país aumentou em relação a 2024, quando foram registrados 922 óbitos. O Amazonas aparece à frente de Roraima, que teve 158 mortes, e Mato Grosso, com 123. De acordo com o relatório, 586 mortes registradas no país, o equivalente a 57% do total, ocorreram por causas consideradas evitáveis. Entre elas estão gripe e pneumonia, que provocaram 104 mortes; doenças infecciosas intestinais, responsáveis por 85 óbitos; e desnutrição, que causou 32 mortes.

O documento faz parte do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, divulgado em Brasília. A publicação reúne informações sobre diferentes formas de violência e violações contra povos indígenas no país. Os dados foram levantados pelo Cimi a partir de informações de comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação, além de bases oficiais de saúde.

Relatório do cimi
Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório. — Foto: Matheus Santos/Rede Amazônica

Assassinatos e suicídios de indígenas no Amazonas

Além da mortalidade infantil, o Amazonas também apresentou o maior número de suicídios entre indígenas em 2025. Foram 77 casos, segundo o Cimi. O estado ficou à frente de Mato Grosso do Sul, com 42, e Roraima, com 37. No Brasil, foram registrados 215 suicídios de indígenas no ano passado. O relatório também aponta que o Amazonas teve 47 assassinatos de indígenas em 2025, ficando atrás apenas de Roraima, que registrou 82 casos. No Brasil, foram 258 assassinatos, número 22% maior que o registrado em 2024.

Além dos 258 assassinatos, o relatório contabilizou 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural, 33 casos de lesão corporal, 25 casos de violência sexual, 27 ameaças, 18 ameaças de morte e 19 casos de abuso de poder. Somadas a outros registros classificados pelo Cimi como violência contra a pessoa, foram 474 ocorrências em 2025.

Leia também: Relatório inédito revela ameaças aos Povos Indígenas e Comunidades Locais da Amazônia

Conflitos por terra crescem

O Cimi também identificou aumento dos conflitos relacionados aos direitos territoriais. Foram 169 casos em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas. Segundo o relatório, dois terços dos territórios afetados tinham alguma pendência de regularização ou ainda aguardavam providências do Estado para o processo de demarcação.

A publicação contabilizou ainda 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos ao patrimônio, que atingiram pelo menos 151 Terras Indígenas em 20 estados. Nesse caso, a maior parte dos territórios atingidos já era regularizada: 88 terras indígenas, ou 58,3% do total.

No total, o capítulo sobre violência contra o patrimônio reúne 1.276 registros: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 conflitos relativos a direitos territoriais e 210 casos de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

Demarcações de terra

Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas contabilizadas pelo Cimi no país, 897 ainda dependem de alguma medida administrativa para regularização. Dentro desse grupo, 582 não tiveram nenhuma providência para iniciar o processo de demarcação. Em 2025, nove Terras Indígenas tiveram relatórios de identificação e delimitação publicados pela Funai, dez receberam portarias declaratórias do Ministério da Justiça, sete foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União, concluindo o processo de regularização fundiária.

Criança indígena Asurini assiste ao filme durante exibição realizada pelo Curta Xingu em abril de 2023 — Foto: Divulgação

O relatório também relaciona o cenário registrado em 2025 às disputas políticas e jurídicas envolvendo os direitos territoriais dos povos indígenas, incluindo a Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal. Sobre o relatório, o Governo Federal afirmou que a proteção dos povos indígenas depende da garantia de seus territórios e destaca a retomada da política de demarcação desde 2023. Segundo a nota, 20 Terras Indígenas foram homologadas, somando mais de 3,2 milhões de hectares, além de outras medidas em diferentes etapas de demarcação.

O governo também informou que 12 Terras Indígenas passaram por processos de desintrusão, beneficiando mais de 67 mil indígenas e protegendo 27,5 milhões de hectares. Também de que a redução da violência contra os povos indígenas exige ações permanentes de demarcação, proteção territorial, combate a invasões e atividades ilegais, além do fortalecimento dos órgãos públicos e da responsabilização de criminosos.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM

Cemitério indígena é encontrado em sítio arqueológico de Itacoatiara, no Amazonas, durante escavações

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Estudantes de uma escola municipal visitaram o local para aprender sobre preservação. Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Um estudo arqueológico realizado no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, confirmou que a área abriga um antigo cemitério indígena. Durante as escavações, pesquisadores identificaram quatro pontos com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos de materiais arqueológicos.

O local é um fragmento florestal marcado pela presença de seringueiras e também é reconhecido como sítio arqueológico, com vestígios que ajudam a contar a história dos povos indígenas que ocuparam a região antes da chegada dos europeus.

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O trabalho foi realizado depois que o proprietário de uma área dentro do sítio iniciou a construção de um muro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou o responsável e solicitou a realização de um estudo arqueológico antes de novas intervenções no terreno.

O proprietário contratou uma equipe especializada para realizar o projeto de salvamento arqueológico. A intenção é preservar a maior parte da área e fazer poucas intervenções no terreno. Os locais considerados de menor potencial arqueológico poderão ser utilizados futuramente, desde que respeitadas as orientações técnicas e legais.

“Ele praticamente será um guardião desse sítio. Então qualquer obra que ele irá fazer vai consultar sempre a parte arqueológica e a parte ambiental”, explicou a engenheira ambiental Kesia Maia.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Quatro urnas funerárias são encontradas

Durante cerca de uma semana de escavações, os arqueólogos identificaram quatro locais com urnas funerárias. A descoberta confirmou a hipótese de que a área funcionava como um cemitério indígena.

Segundo a arqueóloga Elaine Parintins, as urnas não serão retiradas. As escavações foram interrompidas justamente para preservar o contexto funerário.

“É de fato um sítio arqueológico muito complexo e que conta um pouco da história pré-colonial, antes do contato com os europeus”, afirmou.

A pesquisa também se conecta a um estudo realizado há 14 anos. Em 2012, pesquisadores encontraram uma urna funerária a cerca de 200 metros da área atualmente estudada.

Segundo o professor Carlos Augusto da Silva, a urna encontrada naquele período continha restos mortais de oito pessoas, sendo duas crianças.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Para os pesquisadores, os novos achados ajudam a confirmar a função funerária do local. A expectativa é que áreas de habitação, onde ficavam as moradias dos antigos habitantes, estejam nas proximidades do cemitério.

Além das urnas, a equipe retirou mais de 200 fragmentos arqueológicos durante os trabalhos. Entre os materiais estão peças de cerâmica, fragmentos com pinturas e decorações e um objeto que pode ter sido utilizado como ferramenta.

O material coletado será levado para Manaus, onde passará por higienização, catalogação e análise em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). As quatro urnas encontradas durante a pesquisa permanecerão preservadas no próprio local.

Alunos conhecem sítio arqueológico

Durante os trabalhos, estudantes da Escola Municipal Isaac Peres visitaram o Seringal do Jauari para conhecer a pesquisa e aprender sobre a importância da preservação do patrimônio arqueológico.

A professora Lucifran Lima da Silva acompanhou a visita. Segundo ela, a escola já trabalhava com o tema e tinha preocupação com a preservação da área.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

“É importante que essas crianças que estão crescendo saibam a sua história, o que aconteceu aqui, as urnas arqueológicas e o que elas significam”, disse.

A professora destacou ainda que o contato com o sítio ajuda a despertar a curiosidade dos estudantes sobre a história dos povos indígenas que viveram na região.

Itacoatiara tem 46 sítios arqueológicos

Itacoatiara possui atualmente 46 registros no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), em áreas urbanas e rurais do município.

O número é superior ao registrado em 2012. Naquele ano, o Iphan informava que havia 27 sítios arqueológicos cadastrados em Itacoatiara e realizava estudos para inventariar outras áreas.

O Sítio Jauari já era pesquisado naquele período. Uma reportagem do g1 publicada em agosto de 2012 registrou escavações realizadas por pesquisadores no local.

Na época, o Iphan informou que os estudos faziam parte de um trabalho de levantamento do patrimônio arqueológico do município. Entre os objetivos estava identificar quais sítios ainda resistiam à ação humana e quais outras áreas poderiam ser cadastradas.

Quatorze anos depois, novas pesquisas voltaram ao Jauari e ampliaram o conhecimento sobre a ocupação indígena antiga na região.

Leia também: Descubra por quê Itacoatiara é conhecida por ser a cidade da pedra pintada

Preservação

A realização do estudo está relacionada ao licenciamento ambiental e à proteção do patrimônio arqueológico. Quando uma obra ou intervenção pode afetar esse tipo de patrimônio, o Iphan participa do processo para garantir que os vestígios sejam identificados e preservados.

No Jauari, a pesquisa permitiu delimitar as áreas de maior concentração de vestígios e orientar possíveis intervenções futuras.

Para os pesquisadores, preservar o sítio significa manter parte da memória dos povos que viveram na região antes da colonização.

Além do valor arqueológico, o Seringal do Jauari mantém uma área de vegetação com presença de seringueiras, reunindo em um mesmo espaço elementos da história indígena e da ocupação mais recente da região.

O material coletado durante a pesquisa ainda será analisado pelos especialistas. Os estudos devem ajudar a identificar com mais detalhes como viviam os povos que ocuparam o local e ampliar o conhecimento sobre a história antiga de Itacoatiara e da Amazônia.

*Por Liam Cavalcante, da Rede Amazônica AM