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136 anos: Seis lugares para conhecer ou revisitar em Boa Vista

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Boa Vista foi elevada à categoria de município em 9 de julho de 1890. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista

Boa Vista, capital de Roraima, é assim: pela manhã, chuva. À tarde, o calor ultrapassa os 30°C. Para acompanhar essas mudanças de tempo, a cidade, que completa 136 anos nesta quinta-feira (9), tem espaços para todos os gostos e climas.

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Do Mirante Edileusa Lóz à praça Germano Augusto Sampaio, opções não faltam para aproveitar a cidade ou para passeios em um dia comum. Faça chuva, faça sol — ou até os dois ao mesmo tempo —, o que não vale é ficar em casa.

O historiador Davy Batista, que produz conteúdo sobre a história da cidade e de Roraima nas redes sociais, esses espaços são além de pontos turísticos. E

Leia também: O que fazer em Boa Vista em um dia?

les são patrimônios que ajudam a preservar a memória da cidade e contam a história do povo que construiu Boa Vista desde a fundação, em 1890.

“É o povo que faz o espaço urbano. Esses locais são representantes dessa ideia de povo”, destacou.

Para celebrar os 136 anos de Boa Vista, confira seis lugares para conhecer ou revisitar na capital:

Praça Germano Augusto Sampaio

Para quem gosta de andar de bicicleta ou aproveitar eventos ao ar livre, o parque Municipal Germano Augusto Sampaio, conhecido como Praça do Pintolândia, é uma opção de passeio na zona Oeste de Boa Vista.

A praça tem áreas de lazer com quadras de vôlei e futebol, pistas de bicicross e skate, áreas com árvores, lagoa, lanchonetes, calçadão e estacionamento.

Inaugurado em 2004, o parque foi criado para ampliar as opções de lazer fora da região central da capital. O espaço recebeu o nome de Germano Augusto Sampaio em homenagem ao filho do ex-prefeito Iradilson Sampaio, que morreu aos 14 anos.

Além de receber visitantes diariamente, o parque é palco de eventos tradicionais da cidade, como o Natal da Paz, que reúne famílias em apresentações e espetáculos ao ar livre durante as celebrações de fim de ano.

Onde fica: a praça fica na rua Carmelo, no bairro Doutor Sílvio Botelho (também conhecido como região do Pintolândia). A área fica no entorno das avenidas Nazaré Filgueiras e a Laura Pinheiro Maia.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Complexo Ayrton Senna

Seu “rolê” é correr ao ar livre e praticar esportes? O Complexo Ayrton Senna é uma das opções em Boa Vista. Só vale o aviso: por volta das 18h, o movimento costuma ser intenso. Lá, tem pista de skate, quadra de vôlei e tênis, além de fontes de água para as crianças se divertirem.

O complexo se estende por cerca de 2 Km ao longo da avenida Capitão Ene Garcez. O percurso começa na praça das Águas, passa pela praça Fábio Marques Paracat e segue até a praça do Triângulo, antes de chegar no aeroporto internacional de Boa Vista.

O espaço oferece opções para quem gosta de lazer, esportes, ciclismo, caminhadas e atividades físicas nas academias ao ar livre.

Inaugurado na década de 1990, entre 1994 e 1996, o espaço surgiu a partir de uma transformação urbana na capital. O local recebeu o nome de Ayrton Senna, em homenagem ao piloto brasileiro que marcou a história do automobilismo e morreu em 1994. 

Onde fica: avenida Capitão Ene Garcez, s/n, no Centro.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Praça das Águas

Um dos cartões-postais mais conhecidos de Boa Vista, a praça das Águas é um dos espaços que reúne lazer, história e um dos símbolos da capital: o Portal do Milênio.

Inaugurado em 2000 pela prefeitura, o Portal foi construído para marcar a chegada do século 21. O monumento simboliza a passagem de Boa Vista para a nova era e se tornou um dos cartões-postais e pontos turísticos mais visitados da capital.

A praça das Águas reúne chafarizes, cascatas e fontes luminosas que, à noite, apresentam um espetáculo sincronizado de água, luzes e sons.

A área tem o nome oficial de praça das Águas Salomão Hatem, em homenagem ao comerciante que marcou a história do comércio roraimense. 

Onde fica: avenida Capitão Ene Garcez, s/n, Centro.

Imagem colorida mostra Praça das Águas Salomão Hatem em Boa Vista
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Boa Vista

Praça do Mirandinha

Se você procura um lugar para estender uma toalha no gramado, fazer um piquenique ou comemorar um aniversário ao ar livre, a Praça do Mirandinha é uma opção.

Localizado no bairro Caçari, o espaço tem área arborizada e abriga uma escultura de uma iguana gigante, criada para representar a fauna de Roraima e que se tornou um dos símbolos da praça.

Conhecida pelos moradores como Praça do Mirandinha, o espaço tem como nome oficial Praça George Manoel da Silva. O apelido faz referência ao igarapé Mirandinha, que corta a área e compõe a paisagem do local.

Onde fica: rua da Tangerineira, s/n, bairro Caçari.

Foto: Diane Sampaio/PMBV

Bosque dos Papagaios

Nem todo passeio precisa ter grandes estruturas: no Bosque dos Papagaios, a atração principal é a natureza. O espaço foi criado para preservar espécies da fauna e flora sem sair da cidade.

No espaço há animais silvestres, como araras, papagaios, tucanos, raposa, capivara, anta, veados-campeiros e mais de 90 jabutis.

Localizado no bairro Paraviana, o Bosque funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 18h em dias úteis. Aos sábados e domingos, o horário de funcionamento é das 14h às 18h.

Lá não abre nos dias de feriados. Além disso, é proibido entrar com animais domésticos, alimentar os animais, entrar com bebida alcoólica, consumir alimentos nas trilhas, fumar e descartar resíduos de forma irregular. Além disso, há dez bicicletas podem ser usadas de forma gratuita. 

Onde fica: rua Moisés de Souza Cruz, s/n, Paraviana.

Foto: Diane Sampaio/PMBV

Igreja Matriz, Orla Taumanan e Mirante Edileusa Lóz

A poucos metros uns dos outros, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, a Orla Taumanan e o Mirante Edileusa Lóz podem ser visitados no mesmo passeio, em um roteiro que reúne história, cultura e uma das vistas mais conhecidas da capital.

A Matriz Nossa Senhora do Carmo foi a primeira igreja construída em Roraima e representa a presença da igreja Católica. Em 1920, o templo foi reconstruído pelos padres beneditinos com características da arquitetura germânica e se tornou única na Amazônia.

Leia também: Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo: um marco histórico em Boa Vista

No interior da igreja, brasões de ordens religiosas e obras de um artista indígena macuxi ajudam a contar parte dessa história. 

Onde fica: rua Bento Brasil, 1140, Centro.

Foto: Reprodução/brasil-reddit

A Orla Taumanan, às margens do Rio Branco, também guarda a memória da formação de Boa Vista. Antes da estrutura atual, o local abrigava o Porto do Cimento, por onde chegavam pessoas e mercadorias à cidade. 

Onde fica: rua Floriano Peixoto, s/n, no Centro Histórico.

Foto: Katarine Almeida/PMBV

Inaugurado em 2020, o Mirante Edileusa Lóz é um dos atrativos turísticos mais recentes de Boa Vista. Com cerca de 120 metros de altura e vista panorâmica de 360 graus, o espaço permite contemplar o Rio Branco e a paisagem da capital.

A parte superior do mirante possui 250 m². O local funciona de quarta a domingo, das 15h às 21h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados por meio do site

Onde fica: travessa presidente Castelo Branco, 205, Centro.

Foto: Richard Messias/PMBV

*Por Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Pesquisadora do Inpa ganha prêmio internacional por estudo com “samburá” de abelha amazônica sem ferrão

Foto: Reprodução/Arquivo Agência Amazonas

A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), foi a vencedora do prêmio ‘MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy‘, concedido pela International Bee Research Association – IBRA. O reconhecimento veio pela publicação do artigo “Suplementação com o samburá reduz a glicose de jejum e modula a microbiota intestinal em modelo animal de obesidade induzida” e pela avaliação da sua produção científica por uma comissão composta por um pesquisador representante de cada continente.

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A cerimônia ocorreu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, realizado online, na Grécia. O prêmio é concedido a jovens pesquisadores que se destacam pela excelência científica no estudo dos produtos das abelhas sem ferrão.

Além do reconhecimento, Kemilla recebeu o livro “Stingless bee therapeutic biomaterials: Novel anti-antimicrobial-resistant agents – Springer Nature”, 2026 e a assinatura eletrônica de um ano do Journal of Apicultural Research, da Taylor & Francis, em nome da IBRA.

Samburá regula glicemia e microbiota intestinal

O estudo pré-clínico é o primeiro a demonstrar que o samburá – o “pólen das abelhas sem ferrão” produzido por uma espécie de abelha amazônica – reduz a glicemia de jejum e modula bactérias específicas do intestino em modelo animal de obesidade.

“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, explica Kemilla.

Para a pesquisadora, que atua como docente e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido do Inpa, o prêmio é um incentivo para ampliar os estudos sobre produtos de abelhas sem ferrão, ainda pouco explorados no Brasil e no mundo.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

pesquisadora kemilla rebelo - abelhas sem ferrão da amazônia - samburá
Foto: Érico Xavier/Fapeam

“Não tem muitas pesquisas sobre o samburá, embora a gente tenha mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão no mundo todo. O potencial é enorme aqui na Amazônia! O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a conhecer sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada em receber esse prêmio”, comemorou.

O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e uma linha de pesquisa sobre produtos de abelhas nativas, com foco em nutrição, saúde e bioeconomia.

Trajetória da pesquisadora

A pesquisadora Kemilla Rebelo ingressou no Inpa há cerca de um ano, trazendo uma carreira acadêmica consolidada como docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A pesquisa que resultou em sua premiação é fruto de sua trajetória e foi desenvolvida ao longo de sua formação doutoral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), período em que realizou parte dos estudos na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Sua trajetória contou com o apoio de reconhecidas instituições de ciência e tecnologia, incluindo a concessão de bolsa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Confira detalhes sobre a pesquisa de Kemilla com as abelhas amazônicas no programa Igarapod, uma parceria do Portal Amazônia com o canal Amazon Sat:

*Com informações do INPA

Aves silvestres voltam à natureza após reabilitação em projeto realizado em parceria com o Ibama em Manaus

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Aves silvestres foram reintroduzidas à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem. Foto: Divulgação/Grupo Atem

Um grupo de aves silvestres foi reintroduzido à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem, do Grupo Atem, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no dia 2 de julho em uma área verde próxima ao rio Negro, na Zona Sul de Manaus (AM).

O grupo era formado por duas araras, um tucano-de-papo-branco, um papagaio-da-várzea e uma curiquinha-verde, resgatadas pelo Ibama, e que estavam abrigadas na Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) construída pelo Grupo Atem – a única autorizada pelo instituto na capital amazonense.

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O Projeto ASAS Atem recebe animais oriundos de apreensões relacionadas ao tráfico de animais silvestres, resgates em situações de maus-tratos, acidentes e entregas voluntárias, para dar continuidade ao processo de reabilitação em um ambiente cercado pela fauna e flora amazônicas. Nesse período, os animais recuperam comportamentos silvestres encaminhados pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), essenciais para que possam ser devolvidos à natureza segurança.

O coordenador do ASAS Atem, Igor Andrade, explica que a iniciativa, desenvolvida pelo Grupo Atem e com acompanhamento técnico do Ibama, foi estruturada ao longo de dois anos. Da escolha da área à construção da estrutura e ao processo de licenciamento, todas as etapas seguiram os critérios técnicos estabelecidos pelo órgão ambiental.

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A estrutura foi implantada em um local cercada pela floresta amazônica, às margens do Rio Negro. O espaço conta com um recinto de adaptação de aproximadamente 14 metros de altura, projetado para permitir que as aves recuperem gradualmente a capacidade de voo, além de uma área de apoio destinada ao preparo e armazenamento da alimentação.

Segundo Igor, a proposta vai muito além da construção de um recinto: “Mais do que recuperar o voo, queremos que os animais recuperem seus instintos. Aqui eles voltam a ouvir os sons da floresta, sentir o vento, reconhecer os alimentos naturais, reaprender a se orientar e readquirir os comportamentos necessários para sobreviver em liberdade”.

Da recuperação das aves ao retorno à natureza

Antes de chegarem à ASAS Atem, os animais passam por um criterioso processo de recuperação no Ibama. As aves normalmente chegam debilitadas, lesionadas ou com a capacidade de voo comprometida. Durante a reabilitação, passam por avaliações clínicas, sanitárias e comportamentais, recebem acompanhamento veterinário e recuperam gradualmente a musculatura necessária para voltar a voar.

Todos os animais também recebem identificação individual por meio de anilhas, permitindo ao Ibama acompanhar seu histórico e monitorar as espécies.

Aves silvestres voltam à natureza após reabilitação em projeto realizado em parceria com o Ibama em Manaus

Aves silvestres foram reintroduzidas à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem. Foto: Divulgação/Grupo Atem

Na ASAS Atem, a reabilitação continua em um ambiente preparado para reproduzir as condições naturais. Durante aproximadamente dois meses, o contato com pessoas é reduzido e a alimentação passa a ser composta pelos mesmos alimentos encontrados na floresta, como castanhas, açaí, banana, buriti, pupunha e tucumã. O objetivo é estimular a retomada dos hábitos naturais e preparar os animais para viverem de forma independente após a soltura.

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A primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem representa a conclusão do processo de reabilitação das aves encaminhadas para a área de adaptação antes do retorno à natureza. A iniciativa fortalece as ações de conservação da fauna amazônica ao proporcionar condições para que os animais recuperem comportamentos essenciais à sobrevivência em liberdade, como voo, alimentação e interação com o ambiente natural. Para Igor, o projeto demonstra como a iniciativa reforça um compromisso ambiental.

“É um investimento que envolve infraestrutura, manutenção da área, segurança, equipe especializada e diversos outros recursos. É um grande exemplo de como uma empresa pode contribuir efetivamente para a conservação ambiental”, afirma.

A expectativa é que novas aves encaminhadas pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) passem pela área de adaptação antes de retornarem ao habitat natural, ampliando a capacidade de conservação da fauna amazônica e fortalecendo a rede de proteção à biodiversidade na região.

*Com informações da assessoria

Idesam lança manual que busca fortalecer relacionamento com comunidades na Amazônia

Foto: Rafael Froner

O Idesam lançou, no dia 2 de julho, o Manual de Interação com as Comunidades, documento criado para fortalecer as práticas de relacionamento e atuação em campo junto a comunidades tradicionais, ribeirinhas, indígenas e produtores locais.

A ferramenta reúne aprendizados construídos pelo Instituto ao longo das duas décadas de atuação nos territórios e apresenta orientações para apoiar as equipes de campo em processos baseados no diálogo, respeito aos direitos das comunidades, transparência e construção conjunta de soluções.

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Para André Vianna, diretor técnico do Idesam, o manual representa um passo importante para organizar, compartilhar e fortalecer a experiência acumulada pelo Instituto nos territórios amazônicos.

“O manual, além de institucionalizar as ações do Idesam e apoiar a capacitação e nivelamento da equipe, nos permite divulgar nossas experiências e, assim, colaborarmos com avanços da agenda para a Amazônia brasileira”.

A iniciativa começou em agosto de 2025, a partir de um movimento interno de gestão do conhecimento das iniciativas estratégicas do Idesam.

Idesam lança manual que busca fortalecer relacionamento com comunidades na Amazônia
A construção envolveu entrevistas com lideranças e equipes da organização, análise de documentos institucionais e momentos de escuta e validação com associações comunitárias. Foto: Reprodução/Arquivo Idesam

Escuta ativa ajudou na construção do manual

O processo contou com a parceria da Mirá Sustentabilidade e do escritório jurídico RottaMoro, que contribuíram para a consolidação das diretrizes metodológicas e jurídicas do documento.

Para Luciana Pacheco, fundadora da Mirá Sustentabilidade, a construção do manual partiu da escuta e da valorização da experiência acumulada pelo Idesam nos territórios.

“Partimos da escuta ativa para construir o Manual de Interação com as Comunidades, refletindo o trabalho realizado há mais de 20 anos pelo Idesam nos territórios. O processo envolveu documentos institucionais, conversas com colaboradores, produtores locais e lideranças comunitárias, sempre com a preocupação de traduzir a metodologia do Instituto em linguagem simples e valorizar o papel das comunidades”, afirma.

Segundo Paulo Simonetti, o manual contará com duas versões: uma interna, com orientações detalhadas para apoiar as atividades das equipes do Instituto, e uma versão pública, disponível em português e inglês, para ampliar o acesso aos aprendizados construídos ao longo do processo.

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“Desde agosto do ano passado começamos um movimento interno de gestão do conhecimento de todas as iniciativas estratégicas do Idesam para a consolidação de um Manual de Interação com as comunidades. Foi uma longa jornada de entrevistas com lideranças, análise de documentos e facilitação com diversas associações comunitárias para validação. Agradeço enormemente o apoio de todos que contribuíram de alguma forma nessa agenda”, destaca Paulo.

Para Fernanda Rotta, sócia da RottaMoro, a contribuição da consultoria teve como objetivo consolidar práticas já desenvolvidas pelo Idesam e incorporar aspectos jurídicos importantes para fortalecer a atuação institucional.

“O Manual é extremamente importante para fortalecer e formalizar os processos institucionais do Idesam, ao mesmo tempo em que garante uma relação de cuidado e respeito aos direitos das comunidades, promovendo maior segurança jurídica como ponto de partida na prática das atividades pelas partes envolvidas”, afirma.

Além de orientar as equipes do Idesam, o documento busca contribuir para relações mais seguras e colaborativas entre organizações, comunidades e parceiros envolvidos em iniciativas de sociobioeconomia na Amazônia.

A versão pública do Manual de Interação com as Comunidades estará disponível no site do Idesam, CLIQUE AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Idesam, escrito por Fabíola Abess

Maranhão inicia preparação para lançamento espacial do segundo foguete comercial do Brasil

Foguete Hanbit-NANO, o primeiro foguete comercial lançado no Brasil. Foto: Divulgação/Innospace

Após oito meses, o Brasil voltou a movimentar o mercado mundial de lançamentos espaciais com o anúncio de um contrato para o lançamento do segundo foguete comercial no país. A empresa sul-coreana Innospace fechou acordo com a ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.) para realizar, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o voo de teste do SEBIT, foguete suborbital multiuso desenvolvido para missões científicas e de verificação tecnológica.

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Anunciado no dia 6 de julho, o contrato entre a empresa sul-coreana e a estatal brasileira prevê o lançamento do foguete SEBIT para o segundo semestre de 2026. O acordo visa ampliar o uso comercial da base de Alcântara, uma das principais do Brasil, por empresas privadas do setor espacial.

Leia também: 5 fatos sobre o lançamento do primeiro foguete comercial do Brasil

Conheça três curiosidades sobre este acordo que promete colocar o Brasil novamente na rota do mercado global dos lançamentos espaciais:

O que é o SEBIT?

O SEBIT é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido para apoiar testes de carga útil, verificação tecnológica e missões de pesquisa para clientes. Seu voo acontece próximo à fronteira do espaço, ou seja, sem entrar em órbita terrestre e foi projetado para uma ampla gama de aplicações, incluindo simulação de ambientes de microgravidade, pesquisa científica, testes funcionais de componentes espaciais e demonstrações tecnológicas em condições de voo em alta altitude e alta velocidade.

Desenvolvido pela Innospace, foguete SEBIT possui motor híbrido de três toneladas e sistema telemétrico que permite monitoramento preciso do voo. Foto: Divulgação/Innospace

Movido por um motor híbrido classe três toneladas, o SEBIT está equipado com um sistema integrado de telemetria que permite monitoramento preciso do voo transmitindo e analisando dados de posição do veículo e status da carga útil em tempo real durante todo o voo. O nome SEBIT significa “luz precisa e delicada” em coreano, e traduz a importância do foguete como um veículo compacto otimizado para missões de teste e verificação.

“O SEBIT é um foguete suborbital focado em missão, desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisa científica e demonstração de tecnologia espacial em setores como biotecnologia, medicina, materiais avançados e orientação, navegação e controle”, disse Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.

Conheça a ALADA

Sede administrativa da ALADA funciona no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Foto: Divulgação/ALADA

Criada pelo governo brasileiro em 2025, a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA) é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. A formalização da subsidiária visa a atuação em projetos aeroespaciais, exploração econômica na infraestrutura e navegação aeroespaciais do país, desenvolvimento na comercialização de tecnologias do setor e apoio na cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.

Leia também: Entenda porquê o lançamento do 1º foguete comercial do Brasil é um marco para o país

A assinatura entre a estatal brasileira e a Innospace para o lançamento do SEBIT representa a continuação do uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, que tem sido uma das principais e promissoras bases espaciais do Brasil e vista como estrutura estratégica para operações comerciais por parte da empresa sul-coreana.

“Este acordo sobre o local de lançamento representa um passo significativo rumo à comercialização do nosso serviço suborbital. Por meio do primeiro voo de teste do SEBIT, a INNOSPACE continuará a avançar seus padrões de serviço como plataforma suborbital de teste e verificação, oferecendo oportunidades de voo personalizadas para clientes nos setores espacial, de defesa, P&D e industriais avançados”, complementa Kim.

Segundo voo comercial do Brasil

Previsto para a segunda metade deste ano, o lançamento do foguete SEBIT, se realizado, será o segundo voo comercial feito no Brasil. Em 22 de dezembro de 2025, a empresa Innospace realizou a decolagem do Hanbit-NANO direto da base do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A missão, considerada um marco histórico para o país, durou apenas 30 segundos devido uma falha no veículo espacial que culminou na interrupção do voo. Ninguém ficou ferido.

Chamada de Operação Spaceward, a missão foi coordenada de forma conjunta pela Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) e tinha o objetivo de levar ao espaço oito cargas, sendo cinco satélites e três dispositivos para pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da China.

Primeiro foguete comercial do Brasil
Primeiro foguete comercial lançado no Brasil, o Hanbit-NANO decolou em dezembro de 2025 e marcou o nome do Brasil no cenário espacial. Foto: Divulgação/MCTI

Em junho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu o relatório final que apontou as causas do incidente envolvendo o Hanbit-NANO. De acordo com o órgão, após comportamento normal ao deixar o solo, houve vazamento de gases de combustão na parte frontal do veículo, o que provocou a ruptura da estrutura e perda do veículo lançador após 33 segundos da decolagem. Os danos materiais do acidente ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação.

Apesar o fim precoce da operação, a missão foi considerada bem sucedida e demonstrou confiança para futuras missões no território brasileiro.

*Com informações da INNOSPACE

Chef Fran Santos ensina receita de ‘tacaranguejo’ 

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Tacaranguejo da chef Fran Santos. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.

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A chef Fran Santos é uma das convidadas que mostra como é gratificante apresentar para as pessoas de fora o sabor da culinária amazônica e paraense. 

“A culinária amazônica, para mim, é uma paixão desde criança, em todos os sentidos. Eu sempre digo que, na Amazônia, nós temos os melhores temperos, nós temos os melhores peixes, as melhores hortaliças. Então, isso para mim, hoje, é o centro de tudo”, declarou a chef.

Chef Fran Santos n programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Chef Manoel Brelaz ensina receita de flor de banana pacovã com tartar de aruanã

Fran Santos já participou do programa na temporada 2026, e para conferir a história completa da chef é só clicar aqui

A receita do episódio é um ‘tacaranguejo’. De acordo com a chef, o prato “é a cara da amazônia”. Confira: 

Ingredientes do tacaranguejo:

  • 500 ml de tucupi 
  • 100 gramas de camarão seco GG
  • 100 gramas de filé de patinha de caranguejo 
  • 50 gramas de jambu cozido 
  • 50 gramas de goma 
  • Alho à gosto 
  • Cebola
  • Pimenta de cheiro
Tacaranguejo da chef Fran Santos
Tacaranguejo da chef Fran Santos. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Sabores da Amazônia estreia nova temporada: aprenda a receita de pirarucu ao molho de camarão do Chef Manoel Brelaz

Modo de preparo:

1. Prepare as patinhas de caranguejo

Aqueça uma panela com um fio de óleo. Adicione o alho e deixe dourar levemente.

Coloque as patinhas de caranguejo na panela já quente, e tempere com uma pequena quantidade de sal. Refogue rapidamente até que as patinhas fiquem douradas e firmes.

Dica da chef: coloque as patinhas apenas na panela quente. Assim, a carne permanece presa ao osso e não se desmancha durante o preparo.

2. Prepare a base do tacacá

Mantenha o tucupi previamente temperado e fervendo.

Em uma cuia média (aproximadamente 500 ml), coloque o tucupi e acrescente duas conchas de goma. Adicione o jambu cozido na quantidade desejada e complete com mais tucupi quente.

3. Monte e sirva o tacaranguejo

Disponha as patinhas de caranguejo sobre o tacacá já montado. Organize-as de forma que fiquem parcialmente mergulhadas no tucupi. Acrescente a quantidade desejada de patinhas.

Em uma taça ou recipiente separado, coloque uma porção generosa de camarão cozido, e adicione um pouco de tucupi para acompanhar.

Finalização

Sirva o tacaranguejo bem quente, com a cuia contendo tucupi, goma, jambu e as patinhas de caranguejo, acompanhado da taça de camarão.

Tacaranguejo da chef Fran Santos. Foto: Reprodução/Amazon Sat

De acordo com a chef, o tacaranguejo é uma explosão de sabor: “Tem o toque do tucupi, o perfume das ervas, aquele tempero amazônico que não pode faltar. E o melhor, é fácil de preparar, conquista qualquer paladar”.

Pesquisadora da Ufam apresenta estudo inédito sobre genoma de bactéria de importância agrícola mundial

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Pesquisadora da Ufam apresentou o estudo sobre o genoma da bactéria em uma conferência na Itália. Foto: Reprodução/Ufam

A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas (PPGATR/UFAM), Milena Dantas Ribeiro, sequenciou e caracterizou pela primeira vez o genoma da subespécie pauca da bactéria Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas. Dois trabalhos resultantes dessa pesquisa inédita foram apresentados na 5ª Conferência Europeia sobre Xylella fastidiosa, realizada pela European Food Safety Authority (EFSA) na cidade italiana Mola di Bari, entre os dias 23 e 25 de junho de 2026.

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Um livro de resumos reúne os trabalhos “Primeiro genoma de Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas, Brasil” e “Posicionamento filogenômico e classificação em subespécie de um isolado de Xylella fastidiosa do Amazonas, Brasil”, em tradução livre. A autora é engenheira agrônoma (2018) e mestre em Agronomia Tropical (2022), ambas as formações também realizadas na Ufam.

“Atualmente o meu foco de investigação está na diversidade genética e evolução de Xylella fastidiosa no Amazonas. O interesse surgiu ainda durante o mestrado, quando realizei um experimento no município de Rio Preto da Eva (AM), onde trabalhamos com copas (parte que produz os frutos) e porta-enxertos (raízes) de cítricos. Naquele momento, observamos a ocorrência da Clorose Variegada dos Citros (CVC), causada por essa bactéria. Os sintomas dessa doença também eram observados em outros pomares da região”, contextualiza a pesquisadora.

O evento reuniu cerca de 400 especialistas e cientistas de diversos países com o objetivo de discutir avanços científicos voltados ao manejo de Xylella fastidiosa, uma bactéria que afeta culturas de importância agrícola mundial, como as oliveiras, os citros e o café.

Ela é considerada um patógeno de grande relevância fitossanitária, e isso significa que tanto a ocorrência quanto a disseminação exigem atenção dos órgãos de vigilância, devido ao potencial de causar impactos econômicos significativos na agricultura.

Leia também: DNA: Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia

Pesquisadora da Ufam apresenta estudo inédito sobre genoma de bactéria de importância agrícola mundial
Pesquisadora da Ufam apresenta estudo inédito sobre genoma de bactéria. Foto: Reprodução/Ufam

Relevância científica e comercial

A participação proporcionou à pesquisadora a oportunidade de partilhar os resultados da investigação desenvolvida em solo amazônico. “O estudo do genoma identificou que o isolado pertence à subespécie pauca, associada a doenças em culturas de importância econômica, como citros e café”, sintetizou a autora.

Além de estabelecer redes de colaboração científica, o encontro proporciona o debate sobre metodologias de manejo fitossanitário, que é conjunto de estratégias e práticas agrícolas aplicadas de modo integrado para prevenir, monitorar e controlar pragas, doenças e as chamadas plantas daninhas.

Durante a conferência, foram apresentados dois trabalhos já citados, frutos de pesquisa de doutorado de Milena Ribeiro. Em linhas gerais, a tese aborda a presença de Xylella fastidiosa em plantas de citros no Amazonas, sua caracterização genômica (processo que consiste em mapear e compreender o genoma de um organismo), a identificação de subespécies e, ainda, as análises comparativas da bactéria com os genomas encontrados em outras regiões do Brasil e do mundo.

Os principais destaques no evento internacional são sequenciamento e a caracterização do primeiro genoma de Xylella fastidiosa no Amazonas. Embora a presença da bactéria já seja conhecida no estado, ainda havia escassez de dados genéticos sobre esse patógeno. O sequenciamento, inédito, é um marco científico nessa área, fornecendo novos dados sobre a composição genética do isolado amazônico e a sua relação evolutiva com outras regiões.

Leia também: Genoma do açaí é sequenciado pela primeira vez por pesquisadores da Amazônia

Cafeicultura e agricultura regional

As análises genéticas revelaram que o isolado da Amazônia pertence à subespécie pauca, causadora da Clorose Variegada dos Citros (CVC), conhecida como ‘amarelinho’. “Essa doença provoca obstrução nos vasos do xilema da planta, impedindo o transporte de água e nutrientes e resultando em sintomas como a coloração amarelada e a redução do tamanho das laranjas”, explica Milena Ribeiro.

No Brasil, a subespécie pauca também é associada a enfermidades em culturas de alto impacto econômico e expansão no Amazonas, como o café. Nesse contexto, descoberta da doutoranda é um alerta estratégico para o cenário socioeconômico local, dada a expansão da cafeicultura no estado. “Com o mapeamento genético em mãos, órgãos de monitoramento e de vigilância fitossanitária passam a dispor de um embasamento científico capaz de estruturar planos de prevenção e manejo de doenças, protegendo a produção agrícola regional”, comemora ela.

Suporte à ciência

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do PPGATR, integrando as atividades do Laboratório de Genômica de Fitopatógenos Quarentenários (LAFIQ) e do Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia, ambos vinculados à Faculdade de Ciências Agrárias (FCA). A pesquisa é realizada sob a orientação das professoras Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Ferreira e Jânia Lília da Silva Bentes Lima, além de ser coorientada pelo pesquisador Gilvan Ferreira da Silva, que é vinculado à Embrapa Amazônia Ocidental.

A conquista é também o resultado da articulação interinstitucional que envolveu o Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), este representado pelo pesquisador Helvécio Della Coletta Filho, referência nacional no estudo da bactéria Xylella fastidiosa

Para viabilizar as passagens ao evento na Itália, a doutoranda recebeu apoio da Ufam, por meio da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae) e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp). Houve ainda financiamento de agências de fomento como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

*Com informações da Universidade Federal do Amazonas

A dissonância que tem cheiro de fumaça e cor de rio barrento

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Imagem: Divulgação

Por Olímpio Guarany*

Em 1954, o psicólogo Leon Festinger se infiltrou em uma seita que acreditava no fim do mundo. Quando a profecia falhou, os mais fervorosos não abandonaram a crença; criaram justificativas fantasiosas: a fé do grupo era tão grande que salvou a humanidade. Festinger chamou isso de dissonância cognitiva — o desconforto de ver a realidade contradizer suas convicções. Para aliviar a dor, o cérebro distorce os fatos antes de admitir o erro.

No Brasil, poucos fenômenos expõem essa dinâmica com tanta clareza quanto o bolsonarismo. E nenhum lugar sofre mais com suas consequências do que a Amazônia.

O bolsonarismo se construiu sobre pilares que se anulam. Discurso de família e moral cristã convive com comportamentos que os violam. Combate à corrupção esbarra em rachadinhas. Liberalismo econômico cede a intervencionismo. Mas é na pauta ambiental que a dissonância atinge seu ponto mais crítico.

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O discurso sempre foi claro: a Amazônia é um entrave, e sua proteção seria um “impedimento” ao agronegócio. As políticas de seu governo refletiram isso — o desmatamento aumentou 73% durante sua gestão, com média anual de 11.396 km², contra 7.145 km² no período anterior. Em janeiro de 2025, a devastação na Amazônia Legal cresceu 68%, atingindo 133 km². Diante desses números, a narrativa não se abala. Para o adepto, aceitar que o ídolo contribuiu para a destruição seria admitir que apoiou a devastação de terras indígenas, o garimpo ilegal e a morte de povos originários. O custo psicológico é insuportável.

Para evitar o colapso, o cérebro aciona válvulas de escape. A atribuição externa joga a culpa no governo Lula, na mídia ou no STF — o erro nunca é interno. A deslegitimação da fonte descarta dados do INPE e do Imazon como “mentira comunista”. A reinterpretação seletiva transforma desmatamento em “necessidade”, grilagem em “regularização” e garimpo em “geração de emprego”. A comparação descendente minimiza o erro: “Sim, desmatou, mas olha o que o Lula fez.”

Há ainda o efeito custo afundado: o bolsonarista radical investiu tempo, relações familiares e identidade nessa crença. Admitir que a política ambiental foi um desastre seria admitir que brigou com parentes e construiu sua vida em torno de uma farsa. É mais fácil dobrar a aposta, radicalizar e criar teorias da conspiração.

Enquanto essa ginástica mental acontece nos centros urbanos, a Amazônia paga o preço. Terras indígenas como a Yanomami viram a devastação avançar. A fiscalização foi esvaziada. O discurso de ódio contra defensores da floresta foi normalizado. A dissonância, aqui, não é apenas um fenômeno individual — tornou-se uma política pública tóxica, que permite a destruição impune e acelerada.

A dissonância é uma escolha confortável, mas a Amazônia não oferece conforto. Enquanto o apoiador se esconde em justificativas, o garimpo avança e o mercúrio envenena o futuro. Ele sabe disso — e por isso nega com tanta violência. Porém, a dissonância não apaga um hectare de floresta nem ressuscita um peixe. A verdade, aqui, tem cheiro de fumaça e cor de rio barrento. A floresta não negocia com a psicologia, e contra a realidade não há desculpa que segure.

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Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. É apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Nota técnica conjunta reforça uso das bacias hidrográficas na revisão do Zoneamento de Mato Grosso

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Foto: Reprodução

A revisão do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso deu um novo passo ao adotar a Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) como referência para o ordenamento territorial do estado. Agora, uma Nota Técnica Conjunta elaborada por pesquisadores e instituições socioambientais reforça a importância dessa escolha, destacando sua consistência científica e seu potencial para fortalecer a gestão integrada dos recursos naturais.

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O documento foi divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Centro de Vida (ICV), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Socioambiental (ISA), com apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e do projeto ‘Rumo a uma Gestão Participativa da Água na Bacia do Rio Tapajós’.

Atualmente, o ZSEE está em processo de revisão técnica conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). O instrumento orienta o ordenamento territorial do estado ao definir zonas e subzonas e indicar os usos e atividades mais adequados para cada região, considerando suas potencialidades e restrições. Seu objetivo é conciliar desenvolvimento socioeconômico, conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.

Como parte desse processo, a equipe técnica da UFV adotou as ottobacias de nível 6, derivadas da metodologia de Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO), como unidade territorial de referência para a delimitação das Unidades Socioeconômicas e Ecológicas (USEEs). Segundo a nota técnica, essa escolha representa um avanço metodológico para o ordenamento territorial de Mato Grosso.

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Nota técnica conjunta reforça uso das bacias hidrográficas na revisão do Zoneamento de Mato Grosso
Imagem: Reprodução

A Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) constitui o principal conjunto de dados hidrográficos de referência do país e integra informações geográficas sobre trechos de drenagem, áreas de contribuição hidrográfica, cursos d’água, pontos de drenagem, barragens e massas d’água.

Na prática, essa metodologia permite que toda a área de contribuição de um rio, desde sua nascente até a foz, seja considerada na definição das zonas e subzonas do zoneamento. Dessa forma, o planejamento territorial passa a refletir a dinâmica natural das bacias hidrográficas, permitindo análises mais integradas sobre os recursos hídricos e sua relação com os aspectos ambientais, sociais e econômicos do território.

“A adoção da Base Hidrográfica Ottocodificada como unidade de referência para o planejamento territorial facilita a divisão do espaço geográfico de modo a valorizar a integração de aspectos físicos, bióticos e socioeconômicos. Isso se dá em função da bacia hidrográfica por si só constituir um sistema ambiental integrado.” Explicou o analista de geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), Lucas Araújo.

Nota reforça papel das bacias hidrográficas no planejamento social

Além dos aspectos técnicos, a nota destaca que a utilização das bacias hidrográficas como unidade de planejamento fortalece a governança participativa e arranjos colaborativos de atores fundamentais para a gestão territorial.

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Rio Guaporé, na época das chuvas. Foto: Margi Moss

Essa abordagem também tem orientado outras ações promovidas pelo Instituto Centro de Vida ao longo de 2026. Em fevereiro, a instituição e parceiros realizaram, em Cuiabá-MT, o Seminário Bacias Hidrográficas e Ordenamento Territorial.

Em junho, promoveu em conjunto com o Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Teles Pires, no município de Alta Floresta, o 1º Encontro Águas da Bacia do Teles Pires, reunindo representantes do poder público, comitês de bacias hidrográficas, universidades, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil, para debater gestão integrada dos recursos hídricos, segurança hídrica e os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Para Lucas Araújo, a adesão de diversos segmentos da sociedade nesses eventos demonstra o interesse comum pela gestão da água, que possui ligação direta com o ordenamento territorial e o uso e a ocupação das bacias, “confirmando o papel da área de contribuição hidrográfica como elemento integrador na gestão e no planejamento do território”.

A nota técnica, elaborada no âmbito do projeto “Zoneamento para o Presente e para o Futuro: por uma proposta de ZSEE/MT que preserve vidas”, apoiado pelo Banco de Projetos e Entidades do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), conclui que a adoção da Base Hidrográfica Ottocodificada (BHO) fortalece a revisão do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico de Mato Grosso ao oferecer uma base metodológica consistente para integrar critérios físicos, bióticos e socioeconômicos no planejamento territorial.

“Os relatórios técnicos da Universidade Federal de Viçosa demonstram que o uso do nível 6 das ottobacias é metodologicamente adequado e assegura consistência entre a base hidrográfica nacional e o zoneamento estadual”, destacam os autores.

*Com informações do Instituto Centro de Vida

Sistema de colheita de sementes de pau-rosa sem cortes é desenvolvido por pesquisadores peruanos

Pesquisadores fazendo colheita de sementes de pau-rosa a partir de método criado localmente. Foto: Divulgação/IIAP

Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP), uma entidade do Ministério do Meio Ambiente no Peru, consolidou no Centro de Pesquisa Jenaro Herrera o principal banco vivo de pau-rosa (Aniba rosaeodora) no país, graças a 36 anos de pesquisa sobre uma das espécies florestais mais valiosas e ameaçadas da Amazônia.

As plantações, compostas por árvores de 36, 30 e 7 anos, tornaram-se a principal fonte de sementes para programas de reflorestamento, conservação e pesquisa científica voltados para a recuperação dessa espécie em diferentes regiões amazônicas.

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Uma das principais contribuições dessa pesquisa foi fortalecer o conhecimento sobre o uso sustentável do pau-rosa sem a necessidade de cortar a árvore. As avaliações realizadas pelo IIAP em Pucallpa mostraram que plantas com um ano de idade já contêm óleo essencial.

pau-rosa
O pau-rosa é uma das espécies florestais mais valiosas e ameaçadas da Amazônia. Foto: Edson Barcelos

Da mesma forma, embora esse composto possa ser obtido em qualquer idade, a partir dos cinco anos eles se tornam referência para a primeira poda, já que a planta atinge dimensões adequadas para um manejo sustentável. Essa abordagem abre a possibilidade de gerar renda sem recorrer à redução de exemplares.

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A pesquisa também levou ao desenvolvimento de um protocolo de propagação vegetativa usando estacas, uma tecnologia que facilita a produção de novas plantas para projetos de restauração e sistemas agroflorestais. Da mesma forma, os estudos mostraram que algumas árvores produzem mais de 1.200 sementes por temporada, informações que permitirão a seleção de exemplares com maior potencial para fortalecer a recuperação da espécie e expandir seu cultivo de forma sustentável.

Pau-rosa possui valor ambiental

Além de seu valor econômico, o pau-rosa desempenha um papel importante no equilíbrio das florestas amazônicas. Seus frutos servem como alimento para aves como tucanos, que dispersam suas sementes e promovem a regeneração natural, enquanto sua sombra, raízes e folheiras ajudam a preservar a umidade e a fertilidade do solo.

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Atualmente, o IIAP transfere sementes, mudas e assistência técnica para comunidades amazônicas para promover uma cadeia de produção que combina conservação, pesquisa e desenvolvimento sustentável.

*Com informações do IIAP