A falta de métodos contraceptivos para homens continua sendo uma das principais lacunas no planejamento familiar, uma área em que historicamente a responsabilidade recaiu quase que inteiramente sobre as mulheres. Diante dessa situação, um grupo de estudantes de Bioquímica e Farmácia da Universidad Privada Franz Tamayo, na Bolívia, decidiu explorar uma linha de pesquisa pouco estudada, mas com respaldo científico crescente: o uso de sementes de mamão como base para um potencial contraceptivo masculino natural e reversível.
“Concebemos este produto como uma verdadeira contribuição para a sociedade. Queremos que os homens também tenham opções responsáveis para o planeamento familiar, e que essas opções sejam acessíveis, seguras e baseadas em recursos naturais”, afirma Jovita Baltazar García, uma das pesquisadoras que participaram no desenvolvimento do projeto.
A pesquisa foi conduzida por Jovita Baltazar, Nadia Gisela Janco Acarapi e Cristyane Laura, alunas do oitavo semestre de Bioquímica e Farmácia da Unifranz El Alto, sob a orientação do Professor Cervando Gutiérrez.
Processo de criação do contraceptivo
O trabalho faz parte de um projeto acadêmico que combina revisão bibliográfica, experimentação laboratorial e formulação farmacêutica, com o objetivo de avaliar o potencial efeito contraceptivo de extratos de sementes de mamão em uma apresentação inovadora.
A partir do quarto semestre, a equipe iniciou uma revisão abrangente de artigos científicos e farmacopeias internacionais. Essa etapa inicial identificou que as sementes de mamão (Carica papaya L.) contêm compostos bioativos — como carpaína, fenóis e isotiocianatos — que, de acordo com estudos pré-clínicos, podem reduzir reversivelmente a concentração e a motilidade dos espermatozoides.
Essas descobertas, documentadas principalmente em modelos animais, mostram que a fertilidade tende a se recuperar após a interrupção do extrato, um aspecto fundamental destacado no resumo científico que embasa o projeto.
Com essa base teórica, os alunos passaram à formulação de um grânulo efervescente à base de extrato hidroalcoólico de semente de mamão, chamado Carispermex.
O processo não foi isento de dificuldades. “Os principais desafios foram a solubilidade, o pH, a fluidez e o sabor do extrato, pois as sementes tendem a ser muito amargas. Por isso, trabalhamos em características organolépticas semelhantes às do café, para melhorar a aceitação do produto”, explica Baltazar.
Do ponto de vista técnico, a equipe alcançou um produto que atende aos parâmetros de qualidade estabelecidos pelas farmacopeias, embora reconheça que etapas fundamentais ainda estão pendentes. Estas incluem testes de estabilidade a longo prazo e, sobretudo, ensaios clínicos em humanos, que são essenciais para confirmar a eficácia, a segurança, a dosagem ideal e os potenciais efeitos colaterais.
O próprio resumo científico alerta que, embora os resultados preliminares sejam promissores, as evidências disponíveis não permitem que a semente de mamão seja apresentada como uma solução definitiva ou imediata.
A este respeito, os pesquisadores enfatizam que o Carispermex não deve ser considerado um “contraceptivo milagroso”. Em vez disso, trata-se de uma potencial alternativa em investigação, que poderá ampliar o leque de opções para os homens no futuro e contribuir para uma maior responsabilidade compartilhada no planejamento familiar. A literatura científica internacional concorda que as propriedades contraceptivas das sementes de mamão continuam sendo estudadas em diversos países, com resultados ainda em fase experimental.
Sementes de mamão foram usadas como base para um potencial contraceptivo masculino natural e reversível. Foto: Reprodução/Unifranz
Além disso, os próprios autores do projeto enfatizam que qualquer método contraceptivo masculino em desenvolvimento deve ser combinado com outras estratégias de prevenção. Até o momento, o preservativo continua sendo o único método que previne não apenas a gravidez, mas também infecções sexualmente transmissíveis, tornando seu uso essencial mesmo que novas alternativas farmacológicas para homens sejam introduzidas no futuro.
O projeto também destaca o papel do programa de Bioquímica e Farmácia da Unifranz, que promove uma abordagem de “aprender fazendo” na educação. Por meio da pesquisa aplicada, os alunos não apenas adquirem habilidades técnicas, mas também abordam questões sociais específicas, como saúde sexual e reprodutiva, a partir de uma perspectiva científica, ética e responsável.
Em conclusão, o contraceptivo masculino Carispermex exemplifica o potencial da pesquisa universitária quando esta se conecta com necessidades sociais reais. Embora ainda haja um longo caminho a percorrer até que um produto desse tipo chegue ao mercado, o trabalho desenvolvido por esses estudantes demonstra que a inovação em contracepção masculina é possível e pode ter origem na sala de aula. Projetos como este, e outros apoiados pela Unifranz, abrem caminho para novas discussões sobre equidade, responsabilidade compartilhada e ciência aplicada ao bem-estar coletivo.
As projeções do 2º Alerta de Cheias do Amazonas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgadas nesta quinta-feira (30), confirmam que os níveis dos rios em Manaus e Manacapuru apresentam alta probabilidade de ultrapassar a cota de inundação, no entanto, o evento é classificado como uma cheia de baixa magnitude. Nas estações de Itacoatiara e Parintins, os indicadores apontam baixa probabilidade de ocorrência de cenário de inundação.
Os dados são essenciais para orientar ações de prevenção e resposta, subsidiar a atuação das Defesas Civis e o processo de tomada de decisão pelos gestores públicos e pela população nas áreas potencialmente afetadas.
Prognóstico de níveis máximos do 2° Alerta
Estação
Cota prevista
Manaus (Rio Negro)
28,23 m
Manacapuru (Rio Solimões)
19,16 m
Itacoatiara (Rio Amazonas)
13,73 m
Parintins (Rio Amazonas)
8,07 m
Durante o 2º Alerta de Cheias, o pesquisador Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), explicou que de maneira geral as cotas previstas estão dentro da normalidade estatística para a série histórica.
“A cota em Manaus, por exemplo, não deve superar a cota de inundação severa de 29 m – cota que traz mais transtorno ao município”, disse Martinelli.
Em relação ao cenário para seca, Martinelli destaca: “Elaboramos cenários baseados na estação de Tabatinga (AM), que indicam quadro de apreensão. Se, de fato, o El Niño divulgado pelos meteorologistas se confirmar, poderemos enfrentar uma estiagem extrema em 2026”.
O monitoramento da bacia em tempo real sobre os níveis dos rios está disponível no Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE). A plataforma também reúne mapas de manchas de inundação, que delimitam as áreas que podem ser atingidas conforme as cotas registradas.
Foto: Jean Hassah/SGB
Projeções de cheia para os rios
O SGB usa os dados da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) processados por modelos hidrológicos, que operam com um intervalo de confiança de 80%.
Segundo as previsões, o rio Negro deve atingir cerca de 28,23 m em Manaus, com possibilidade de variar entre 27,69 m e 28,76 m. A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação na capital (27,50 m) é de 96%. Para a cota de inundação severa (29 m) essa probabilidade é de 3%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é menor que 1%.
Em Manacapuru, a previsão para rio Solimões é de, aproximadamente, 19,16 m, com intervalo provável de 18,63 m a 19,69 m. A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Manacapuru (18,20 m) é de 99%, enquanto a de atingir a cota de inundação severa (19,60 m) essa probabilidade é de 13%, já a cota máxima registrada em 2021 (20,86m) a probabilidade está abaixo de 1%.
Em Itacoatiara e Parintins, há baixa probabilidade do rio Amazonas atingir a cota de inundação. De acordo com as informações do SGB, em Itacoatiara, a projeção é de que o nível chegue a 13,73 m (intervalo provável de 13,34 m a 14,13 m), com apenas 17% de chance do rio atingir a cota de inundação (14 m), já a probabilidade de atingir cota de inundação severa (14,20 m) é de 5%. Para superar a cota máxima (15,20 m em 2021), a probabilidade é menor que 1%.
EmParintins, a previsão é que o rio Amazonas atinja a cota de 8,07 m (intervalo provável de 7,80 m a 8,34 m), com probabilidade de apenas 4% de atingir a cota de inundação (8,43 m) e de superar a cota de inundação severa (9,30 m) ou a cota máxima (9,47 m) é menor que 1%.
Articulação institucional
O evento de divulgação do 2º Alerta de Cheias do Amazonas contou com a participação de pesquisadores e colaboradores da unidade, além de representantes de instituições parceiras, como o pesquisador Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); o secretário executivo adjunto de Operações da Defesa Civil do Estado do Amazonas, 1º tenente Fabiano Vieira; e a gerente de Mapeamento e Georreferenciamento da Defesa Civil de Manaus, Rosaria Rodrigues Ferreira.
A superintendente regional de Manaus, Jussara Cury, reforça a importância desse diálogo entre as instituições.
“Além da divulgação da previsão da cheia de 2026, compartilhamos informações técnicas e operacionais das principais entidades de monitoramento do Amazonas, oportunizando um bom debate dos cenários do clima e hidrologia da Amazônia”, disse.
O próximo alerta será realizado no dia 29 de maio.
O Dnit informou à Rede Amazônica, nesta quinta-feira (30), que vai relançar os quatro editais de licitação para obras na BR-319, no Amazonas. Foto: Orlando K. Júnior
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou ao Grupo Rede Amazônica, nesta quinta-feira (30), que vai relançar os quatro editais de licitação para obras na BR-319, no Amazonas, após a Justiça Federal suspender a liminar que impedia o andamento do pregão eletrônico. A nova data para publicação ainda será definida.
A medida é um novo desdobramento da decisão da presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, que derrubou a liminar que havia paralisado os processos licitatórios da rodovia, na última terça-feira (28).
Com a decisão, foi retomada a tramitação dos pregões eletrônicos que preveem serviços de manutenção e melhoramento no chamado “trecho do meio” da BR-319, entre os quilômetros 250,7 e 656,4. O investimento estimado é de R$ 678 milhões.
A liminar suspensa havia sido concedida pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, em ação civil pública movida pelo Observatório do Clima. A decisão previa a paralisação das licitações por 70 dias.
Ao suspender a medida, o TRF1 considerou que a interrupção poderia causar prejuízos à administração pública e à população, além de comprometer a execução das obras dentro da chamada “janela hidrológica” de 2026, período de estiagem mais adequado para os serviços.
Segundo o Dnit, com a retomada do processo, os editais serão republicados para dar continuidade às etapas de contratação das obras na rodovia, que é a única ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país.
No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 km da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.
Os editais abrangem quatro segmentos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.
Além disso, entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.
O Solar da Beira, edifício histórico encravado no coração do Complexo do Ver-o-Peso, em Belém (PA), foi palco no dia 23 de abril de uma reunião que pode marcar um novo capítulo na história dos feirantes do Ver-o-Peso. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes dos 28 setores da Feira do Ver-o-Peso se encontraram para discutir a proposta de ‘Registro das práticas, saberes e tradições’ dos trabalhadores como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
A iniciativa parte dos próprios feirantes, organizados pelo Instituto Ver-o-Peso com o objetivo de obter o reconhecimento dos saberes, os ofícios e as memórias que fazem da feira um organismo vivo, pulsante e insubstituível na cultura paraense.
Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a reunião foi produtiva e sanou muitas dúvidas dos feirantes.
“Eles agradeceram muito o Iphan pela ida ao Ver-o-Peso, conseguimos reunir muitos feirantes, e muitas categorias estavam presentes. Foi um encontro muito produtivo”, disse.
A distinção técnica foi explicada durante a reunião pelo técnico do Iphan, Cyro Lins. O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso já conta com proteção federal desde 1977.
Enquanto o tombamento protege o bem físico (material) — as edificações, a paisagem, a estrutura —, o Registro incide sobre as práticas culturais, os saberes tradicionais e os modos de fazer transmitidos de geração em geração (imaterial).
No caso do Ver-o-Peso, a proposta é pela inscrição no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas de referência para uma comunidade.
Esse feito não é inédito. Feiras como a de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande, na Paraíba já percorreram essa trilha e hoje são patrimônios imateriais brasileiro.
Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
A voz de quem faz a feira acontecer
Na sala do Solar da Beira, erveiras, farinheiros, boieiras — como são chamadas as cozinheiras tradicionais — e representantes da feira do açaí e do artesanato dividiram o mesmo espaço para falar sobre o que fazem há décadas.
Os relatos trouxeram à tona tanto o peso cultural de suas atividades quanto as dificuldades crescentes para manter os ofícios vivos diante das pressões econômicas e das transformações urbanas.
Ao fim da reunião, ficou definido que o grupo de feirantes presentes se reunirá para organizar as informações necessárias e dar início formal ao pedido de registro.
O Iphan acompanhará o processo, oferecendo suporte técnico para que os saberes de erveiras, farinheiros, boieiras e tantos outros que constroem, diariamente, a identidade do Ver-o-Peso possam ter o registro.
Entre os meses de dezembro e junho, a região Norte enfrenta um período de chuvas intensas e prolongadas, tradicionais do chamado inverno amazônico. Nesta época, as chuvas além de contribuírem para diversas ocorrências como alagações e transbordamento de rios, também afetam a rede de abastecimento e esgoto das cidades que dispõem desses serviços.
Isso acontece porque o excesso de chuva acaba causando problemas como aumento no fluxo de água em rios e mananciais, quedas de energia elétrica e sobrecarga nos equipamentos dos sistemas.
Para a engenheira sanitária e ambiental, Gabriela Fragoso, as condições obsoletas das redes de água e esgoto ampliam ainda mais as dificuldades impostas pelo inverno amazônico.
“Se tratando de uma região metropolitana no meio do Amazônia, onde ocorre essa intensidade de chuvas, os sistemas são antigos e subdimensionados, e a população das cidades cresceu muito. Então, isso contribui para alagamentos e extravasamentos, que é quando essa água que vem das ruas não escoa de forma adequada e acaba indo para dentro do sistema. É como se ela não tivesse para onde ir, e aí acaba retornando para as galerias, podendo inclusive voltar para a casa dos clientes”, explicou a engenheira, referindo-se à cidades como Belém (PA).
Acúmulo da água que vem das fortes chuvas no inverno amazônico impacta no fornecimento dos serviços à população. Foto: Reprodução/Prefeitura de Bragança-PA
Outro problema que contribui, segundo a engenheira, são as ligações irregulares de água, que acabam impactando na sobrecarga das redes durante o inverno amazônico.
“Ligações clandestinas e ligações irregulares também contribuem, durante o inverno amazônico, para o maior volume de água nas tubulações, tanto drenagem quanto esgoto, causando sobrecarga nos sistemas, que como eu citei antes, são sistemas antigos e subdimensionados. Isso sem falar de outras ações, como a gestão inadequada de lixo e resíduos”, pontuou Fragoso.
A especialista explica que a realização de manutenções preventivas durante o inverno amazônico são fundamentais para identificação e solução de problemas, além de garantir o fornecimento dos serviços à população.
“As manutenções preventivas facilitam que essa água das chuvas escoem, evitando assim os extravazamentos e protegem os equipamentos, além de identificar e corrigir problemas antes que eles se agravem diante das fortes chuvas decorrentes do inverno amazônico”, frisou.
Manutenções preventivas são fundamentais para identificar e solucionar problemas nas redes de água e esgoto das cidades. Foto: Reprodução/Águas do Pará
Saneamento é uma responsabilidade conjunta
A engenheira reforça que, apesar do inverno amazônico ser um evento natural, o escoamento da água das chuvas faz parte do saneamento básico das cidades, atribuição do poder público juntamente com a população.
“É importante mencionar a responsabilidade. A Águas do Pará é responsável apenas pelo abastecimento e esgotamento, o saneamento é uma responsabilidade compartilhada entre estado e prefeitura. O saneamento básico é uma ação integrada, não é só água, esgoto ou drenagem, é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público, empresas privadas e a população, principalmente na gestão consciente e descarte correto de resíduos”, afirmou Gabriela.
“Um bom saneamento básico impacta na saúde da população e na proteção do meio ambiente. Tem uma pesquisa do Instituto Trata Brasil que apontou o quanto de crianças que se afastam das escolas por não ter água para tomar banho, fazer comida e até sair de casa. A população precisa se conscientizar que é preciso fazer a diferença neste período de inverno amazônico”, completou.
Águas que transformam
A entrevista com Gabriela Fragoso faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 29 de abril.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.
Imagem: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia
Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):
Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’ AQUI.
Praga vassoura-de-bruxa vem atingindo em massa as plantações de mandioca em áreas indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Foto: Adilson Lima/Embrapa
Uma cooperação entre pesquisadores da Embrapa e comunidades indígenas busca conter o avanço da vassoura-de-bruxa da mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá. A estratégia une a análise laboratorial ao conhecimento tradicional dos agricultores locais, que foram os primeiros a identificar os sintomas da doença em território brasileiro.
Equipes da Embrapa realizam visitas periódicas a aldeias, onde estão instalados experimentos em roças de mandioca. Nesses locais, foram instalados campos experimentais para testar a resistência de diferentes tipos de mandioca ao fungo.
Pesquisador da Embrapa, Saulo Oliveira. Foto: Divulgação/Embrapa
Ao todo, são avaliados 210 genótipos, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do Brasil e cultivos locais. A análise foca em três pilares: incidência, ocorrência e severidade do fungo
“A intenção é verificar o comportamento frente à doença. Procuramos sintomas associados, como o chamado ‘roseta’, visando selecionar plantas resistentes para o melhoramento genético”, explica o pesquisador Saulo Oliveira.
Plantação afetada pela praga. Foto: Reprodução/Embrapa
A vassoura-de-bruxa da mandioca é causada por um fungo de ocorrência inédita no Brasil, classificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como praga quarentenária presente, devido sua restrição de ocorrência (Amapá e Pará) e sob controle oficial do Ministério.
A vassoura-de-bruxa da mandioca foi constatada inicialmente em plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque (AP), localizado na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.
A presença do fungo causador representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, o fungo Rhizoctonia theobromae não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.
Em Benjamin Constant (AM), no Alto Solimões, a presença do Sebrae segue avançando sobre o território com o objetivo de compreender, na prática, como se organizam os negócios indígenas e o que ainda falta para que esses empreendedores da floresta escalem e ampliem suas oportunidades de comercialização. A agenda levou até um encontro estratégico com representantes da Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis (AAPE MATIS), povo originário do município de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, a dias de distância de Benjamin Constant.
Formalizada, com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e presença nas redes sociais, a associação reúne cerca de 120 artesãos, entre homens e mulheres, envolvidos diretamente na produção artesanal, indicativo de organização que avança e gera resultados, mas ainda em processo de estruturação.
Após a participação na 3ª Feira de Arte Indígena de Benjamin Constant, em 2025, viabilizada por meio do Edital da Política Nacional Aldir Blanc no Amazonas, conquistaram a Carteira Nacional do Artesão e adquiriram o primeiro barco coberto com motor da associação, ampliando a capacidade de deslocamento e circulação da produção, mesmo diante das grandes distâncias do Vale do Javari.
A Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis, povo originário do município de Atalaia do Norte, no extremo oeste do Amazonas, reúne cerca de 120 artesãos
Ainda assim, o nível de valorização está longe do potencial que esse trabalho representa. A produção surge da floresta e se desdobra em múltiplas expressões culturais: cerâmicas, cuias, máscaras, zarabatanas, arcos e flechas. Cada peça carrega não apenas técnica, mas um conhecimento ancestral transmitido entre gerações, que envolve desde o manejo da matéria-prima até elementos simbólicos como a pintura com urucum e jenipapo, as canções e a preservação da língua nativa.
Para o presidente da associação, Tumi Wassa Matis, a participaçãoem feiras e exposições representa um ponto de virada para o povo. A experiência mais recente, em 2025, marcou esse avanço.
“Foi uma oportunidade que a gente não imaginava. A primeira experiência foi muito importante e rentável. Isso incentiva a comunidade a produzir mais, dar visibilidade ao nosso trabalho e abrir novos caminhos. Por isso, este ano voltamos mais preparados. Antes, esse material não era divulgado. Hoje, começamos a ganhar reconhecimento”, afirma.
Segundo ele, os resultados já começam a aparecer de forma concreta, tanto na visibilidade quanto na estrutura da associação, fortalecendo a produção e ampliando as possibilidades para os artesãos. Tumi também destaca o papel da juventude na continuidade desse processo. “Eu incentivo os mais velhos e também os mais novos a produzirem. Esse conhecimento vem dos anciãos e a gente precisa manter”, enfatiza.
“O artesanato ajuda a preservar nossa cultura, nossa língua e o que mantemos dentro da comunidade”, declarou Tumi Wassa Matis, presidente da Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis.
A realidade apresentada pelos Matis reforça um ponto central da atuação do Sebrae na região: há produção, há organização e há avanços em curso. O desafio agora está em consolidar essa estrutura, ampliar o alcance da produção e fortalecer esses negócios sem que percam sua essência cultural.
É nesse ponto que entra a atuação da Prefeitura Municipal de Benjamin Constant e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio da Inpactas – Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões, responsável por articular conhecimento técnico, inovação e conexão com parceiros estratégicos.
Vinculada à universidade, a Inpactas acompanha iniciativas como a Puwakana, startup de curadoria de arte indígena que sediou a agenda na Fazenda São José, além de outros grupos do Vale do Javari, que reúnem dezenas de povos originários organizados em torno da produção artesanal.
Segundo o diretor executivo da incubadora, Pedro Mariosa, o papel da universidade é acelerar soluções que já existem no território.
“A incubadora funciona como um ambiente de apoio para ideias e negócios que ainda não conseguem caminhar sozinhos. A gente entra com suporte técnico, parceiros e ferramentas para que esses empreendimentos ganhem escala”, declarou Pedro Mariosa, diretor executivo da Inpactas.
“Quando falamos de artesanato indígena, não estamos falando de algo simples. É alta artesania, com técnica, conhecimento e qualidade comparável a qualquer produção do mundo”, explica.
Ele reforça que o conceito de inovação na região passa por outro olhar. “Aqui, inovação não é só tecnologia digital. São soluções de impacto socioambiental que já existem e que podem transformar a vida de milhares de pessoas. Esses grupos não estão à margem. Eles estão no centro de um modelo que o mundo começa a valorizar.”
No caso dos Matis, o impacto é direto: são cerca de 100 famílias envolvidas, em comunidades que podem chegar a seis dias de deslocamento até centros urbanos. Um cenário que evidencia não apenas o potencial, mas também os desafios logísticos, de acesso ao mercado e de valorização.
Foto: Reprodução/Agência Sebrae
Com uma população estimada em pouco mais de 600 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o povo Matis representa um exemplo de como pequenos grupos, altamente conectados à floresta, podem estruturar negócios sustentáveis a partir da própria cultura.
Mais do que uma visita, o encontro consolida um movimento maior: o de integrar diferentes atores (comunidades, universidade, poder público e instituições de apoio) em torno de um mesmo objetivo, que é transformar produção em oportunidade concreta de geração de renda e fortalecer o empreendedorismo indígena como vetor de desenvolvimento econômico, social e ambiental na Amazônia.
Os dias se arrastam para José Carlos Agarito Moreira, de 48 anos. Sentado no terreiro da pequena casa onde vive, ele passa a maior parte do tempo com os pés para cima. “Fico esperando anoitecer para ir deitar”, diz, enquanto tenta esquecer a dor que atravessa a cabeça e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido, impedindo que ele trabalhe.
“Acho que é o zinabre da bala que ficou lá dentro”, afirma, apontando para a prótese que carrega no lugar do olho direito, depois de ser atingido por um tiro disparado por um policial militar. Ao lado de um papagaio, ele observa o pequeno movimento da rua em um bairro de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, e quase não se levanta. A rotina só muda três vezes por semana, quando sai para fazer hemodiálise.
Há três décadas, Zé Carlos foi baleado na Curva do S, em Eldorado do Carajás, o maior massacre da história recente do campo brasileiro. Em 17 de abril de 1996, policiais militares abriram fogo contra um grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que bloqueavam a rodovia PA-150, durante um protesto em defesa da reforma agrária.
Na hora, 19 pessoas foram assassinadas e dezenas ficaram feridas. Outros dois trabalhadores morreram dias depois, vítimas dos disparos. Na Justiça, apenas os dois comandantes da operação foram condenados por homicídio.
Na semana que marca os 30 anos do massacre, o MST organiza uma marcha de cinco dias entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, com atos políticos, debates e atividades culturais ao longo do percurso. A mobilização termina na Curva do S, onde será realizado um ato em memória das vítimas e em defesa da reforma agrária.
Na época do massacre, Zé Carlos tinha 18 anos e havia chegado poucos dias antes ao acampamento onde estavam seus pais, na fazenda Macaxeira. A família migrou do Maranhão para o sudeste do Pará quando ele ainda era criança, atraída pela corrida em direção à Serra Pelada. O ouro não veio, e eles passaram a trabalhar em fazendas da região, sem acesso à própria terra.
Zé Carlos foi visitar os pais no acampamento e acabou ficando. Cerca de dez dias depois, já estava entre os trabalhadores que marchavam pela rodovia em direção a Marabá, pressionando o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela desapropriação da Macaxeira. No fim da tarde daquele 17 de abril, a Polícia Militar cercou a estrada pelos dois lados e avançou para desobstruir o bloqueio.
No início, ele pensou se tratar de bombas de efeito moral. A impressão mudou quando viu um companheiro cair. “Mataram primeiro o Amâncio, o Surdinho”, diz Zé Carlos. Conhecido pelo apelido por ter deficiência auditiva, Amâncio dos Santos Silva avançou na direção dos policiais sem compreender o que ocorria e foi baleado.
A partir dali, os trabalhadores perceberam que não se tratava de dispersão, mas de tiros com munição letal. Zé Carlos tentou sair da linha de fogo, mas não conseguiu. “O policial apontou na minha cara. Na testa. Pra matar”, lembra. A bala entrou pelo olho direito e ele caiu: “Na hora não dói. Ela pesa demais e você cai”.
Ele conta que, apesar de ferido, ainda conseguiu se levantar com ajuda de outros trabalhadores e começou a caminhar, sem compreender a gravidade do ferimento: “Esse olho aqui não é mais meu”. A bala ficou alojada e nunca foi retirada.
Zé Carlos afirma que já teve acompanhamento médico regular, determinado pela Justiça, mas que o tratamento foi interrompido. Hoje tenta retomar o atendimento com o apoio de um advogado e da associação de sobreviventes. “A gente tá correndo atrás pra ver se consegue de novo”, diz.
Depois de receber um terreno pelo programa de reforma agrária, Zé Carlos precisou vender a área e mudar para cidade para realizar tratamentos de saúde. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil
Segundo Maurílio da Silva Soares, que preside a associação das vítimas, o caso de Zé Carlos não é isolado. Ele afirma que dezenas de sobreviventes seguem com sequelas graves e sem acesso regular ao atendimento previsto em decisões judiciais e acordos firmados com o Estado do Pará desde o fim dos anos 1990.
“O massacre não acabou. Ele continua na vida dessas pessoas”, diz Soares. Segundo a associação, entre os 69 trabalhadores feridos, ao menos 25 ainda aguardam indenização e relatam dificuldades para manter tratamento médico.
Procurada, a Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará) afirmou que aguarda a formalização das demandas por parte dos representantes dos sobreviventes para dar continuidade aos trâmites administrativos dentro do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a pasta, apesar de solicitações anteriores, os documentos necessários ainda não foram encaminhados.
A secretaria não informou quantos sobreviventes são atendidos hoje nem explicou como funciona o acompanhamento médico.
“Todos os sobreviventes estão sem assistência médica. O Zé Carlos é o caso mais grave. Mas todos estão na fila do SUS como qualquer outra pessoa”, afirma Soares, presidente da associação. “No nosso caso foi o governo que provocou as sequelas. Então, o governo tem que dar uma atenção especial. Nossos sobreviventes estão morrendo por falta de assistência médica”, complementa.
Já a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) declarou que o Pará cumpre as obrigações assumidas junto à União no âmbito do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Sobre as decisões judiciais, afirmou que “todas foram cumpridas e liquidadas”.
Pará é líder em violência no campo
Soares também foi ferido no dia do massacre. Conhecido no movimento como Márcio Lima, passou a usar o codinome nos primeiros anos de organização do MST no sudeste do Pará, no início da década de 1990, em um contexto de violência brutal no campo.
Levantamento baseado em dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) indica que o Pará registrou 1.003 assassinatos no campo entre 1980 e 2024, mais do que qualquer outro estado — quase 75% dos casos estão concentrados no sul e sudeste paraenses. Os dados constam do livro Assassinatos e Impunidade no Campo no Pará: 1980 a 2024 (Editora Dialética), de José Batista Gonçalves Afonso e Airton dos Reis Pereira.
Esse padrão de violência se intensificou após a repressão da ditadura militar à Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil) na década de 1970, e marcou a relação entre trabalhadores rurais, grandes proprietários e forças de segurança na região.
No dia do massacre, Soares foi atingido por estilhaços e por uma coronhada de fuzil que lesionou seu braço esquerdo. Afastado da direção do MST desde 2002, afirma que assumiu a presidência da associação dos mutilados com o objetivo de fortalecer a cobrança por direitos.
Maurílio Soares foi uma das principais lideranças do MST no Pará e atualmente preside a associação das vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil
Soares vive em uma chácara na periferia de Parauapebas, onde planta hortaliças em pequena escala e realiza trabalhos eventuais como servente de pedreiro. Já não possui o lote que recebeu após o massacre.
“Os sobreviventes nunca deixaram de cobrar”, afirma Poliana Soares, da coordenação nacional do setor de direitos humanos do MST. Segundo ela, ao longo dos anos essa pressão foi mantida pelos próprios atingidos e voltou a ganhar apoio direto do movimento diante da persistência das violações. A atuação hoje inclui articulação política, audiências públicas e a tentativa de pressionar o Estado a cumprir as obrigações assumidas com os feridos — principalmente, indenizações e tratamento médico.
O caso foi apresentado à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) em 1996 pelo MST e pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional, apontando a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes, pelos ferimentos e pelas falhas na investigação e punição dos responsáveis. Em 2003, a CIDH declarou a petição admissível. A tramitação segue há décadas, ainda sem decisão final.
Dos 144 policiais denunciados, 142 foram absolvidos, e apenas os comandantes da operação, o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Oliveira, foram condenados por homicídio.
A terra que não pôde sustentar
Zé Carlos foi assentado no Projeto de Assentamento 17 de Abril, criado na antiga fazenda Macaxeira, menos de um ano após o massacre. Ficou lá por cerca de 20 anos, plantando e criando os filhos. Porém, as dores provocadas pela bala foram se intensificando. “Tinha dia que eu não aguentava. Tinha dia que eu desmaiava”, diz. Sem conseguir manter o trabalho, vendeu o lote e se mudou para Eldorado do Carajás em busca de tratamento médico.
Passou a fazer hemodiálise em Marabá, em viagens que consumiam o dia inteiro. Saía de madrugada e voltava à noite, passando pela mesma estrada onde havia sido baleado. Mais tarde, vendeu também a casa em Eldorado e se mudou para Canaã dos Carajás, em busca de tratamento com deslocamento menor.
Hoje vive com a esposa em uma casa de madeira, com um quarto, sala e cozinha. A renda da indenização é consumida por empréstimos consignados para as despesas médicas. Restam cerca de R$ 500 por mês. Depende da ajuda dos dois filhos para poder comer.
Zé Carlos parou de trabalhar em razão das fortes dores de cabeça causadas pela bala alojada atrás do olho. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil
Mesmo assim, Zé Carlos diz que a luta pela terra valeu. Lembra do que conseguiu produzir no assentamento e do que aquilo representou para a família. “A reforma agrária, pra mim, é luta, é conquista, pra gente conquistar uma terra, trabalhar e comer”, afirma. “Se não fosse a reforma agrária, tu acha que a gente tinha terra? Não tinha”.
Entende, porém, que a violência e as sequelas mudaram tudo. “Hoje eu estou desse jeito, com a bala na cabeça, não posso trabalhar”, afirma. Também não guarda mágoa de quem atirou: “Se eu encontrasse o policial, eu chamava ele pra comer uma galinha caipira mais eu. Porque pelo menos ele me deixou vivo”, complementa.
Sem conseguir trabalhar e sem a terra que conquistou, Zé Carlos passa os dias sentado do lado de fora de casa, à espera do cair da noite, para deitar.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Daniel Camargos, com edição de Carlos Juliano Barros
Recapeamento avança em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro. Foto: Francisco Sena/PMBV
As fortes chuvas em Boa Vista já começaram, mas os serviços de recomposição asfáltica seguem de forma intensa e contínua ao longo do mês de abril na capital. Desde o ano passado, diversos bairros vêm sendo contemplados com obras de recapeamento. Desta vez, os trabalhos avançam em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro.
O secretário municipal adjunto de Obras, Lindonir Barreto, explicou que o serviço atendeu, desde o ano passado, trechos dos bairros Asa Branca, Caçari, Jardim Tropical, Jóquei Clube, Paraviana, Pricumã, Raiar do Sol, Santa Tereza, São Francisco e Tancredo Neves. Já em 2026, as equipes também passaram pelos bairros São Vicente, 13 de Setembro e Mecejana.
O serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Foto: Rebeca Lima/PMBV
“Esse serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Priorizamos trabalhar antes da chegada do inverno em vias com maior fluxo de veículos e pedestres, com o objetivo de melhorar a segurança e a trafegabilidade”, destacou o secretário.
O prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune, também acompanha de perto os serviços em diversos bairros da capital. “A cidade está avançando, e é no dia a dia das pessoas que a transformação acontece. Ainda há muito mais por vir. É assim que trabalhamos: com planejamento, presença e resultados na vida das pessoas”, ressaltou o prefeito.
“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo”, afirmou Jackson. Foto: Giovani Oliviera/PMBV
População elogia melhorias na trafegabilidade
O entregador de gás Jackson Bruno Garcia, de 29 anos, trabalha em um estabelecimento localizado na rua Rio Grande do Norte, no bairro dos Estados, onde a via recebeu o serviço de recapeamento. Ao se deparar com o trabalho, ele demonstrou satisfação com as melhorias.
“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo. Isso mostra que a prefeitura está sempre trabalhando. Inclusive, não é só aqui. Em vários outros bairros onde vou fazer minhas entregas, vejo a atuação da prefeitura”, afirmou Jackson.
Suely Thomé e Eva Magalhães, também elogiaram o serviço de recapeamento no bairro dos Estados. Foto: Giovani Oliviera/PMBV
Quem também elogiou o serviço foram as aposentadas Suely Thomé, de 71 anos, e Eva Magalhães, de 78. Elas são amigas e fazem parte de um grupo de idosos da Unidade Básica de Saúde Dr. Silvio Botelho, localizada no bairro dos Estados.
“Agora está bem melhor com o asfalto novo. A rua ficou muito bonita, dá para caminhar com mais segurança”, disse dona Eva.
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), em parceria com a Espeleonordeste (Sociedade Nordestina de Espeleologia), realizam um estudo inédito sobre cavernas e grutas na região da Serra do Laranjal, no sul do Amapá.
O projeto, chamado‘Amapá Espeleológico: Prospecção e Topografia de Cavidades Naturais nas Microrregiões do Oiapoque e Mazagão – AP’, busca catalogar cavidades naturais e atualizar mapas e registros de GPS.
Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa
Entre as descobertas estão urnas funerárias indígenas datadas de cerca de 800 anos, já catalogadas em aproximadamente 20 sítios arqueológicos. A maioria corresponde às chamadas urnas maracá, consideradas patrimônio histórico e cultural. Essas cavernas já são conhecidas há 150 anos.
Objetivos e parcerias
O projeto tem como foco o mapeamento topográfico e a caracterização técnica das cavernas nos municípios de Mazagão, Calçoene e Oiapoque. As pesquisas se concentram em grutas conhecidas desde o século 19, mas que ainda carecem de documentação sistemática, muitas vezes associadas a contextos funerários e ritualísticos.
A iniciativa é liderada pela Espeleonordeste, com a expertise do arqueólogo e espeleólogo Daivisson Santos, em parceria com o NuPArq/IEPA e o IPHAN/Amapá, além do apoio da comunidade quilombola.
“A ideia também é que esse material, todo o mapeamento e todo o registro que for criado a partir desse projeto, sirvam para proteção desse território, a partir dessa relação que a gente tem estabelecido ao longo de 15 anos com a comunidade”, diz Lúcio Costa, gerente do Núcleo de Arqueologia do Iepa.
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa
Segundo os pesquisadores, o objetivo é garantir que essas cavidades sejam reconhecidas como patrimônio espeleológico nacional, protegidas tanto pela legislação ambiental quanto pela arqueológica.
“Esse projeto é de suma importância para nós, que vem fortalecer cada vez mais o nosso território. Por isso o Iepa está aqui sempre, no nosso território, fazendo o seu trabalho de pesquisa”, destacou José Hamilton, presidente da Associação da Comunidades Remanescentes do Igarapé do Lago Maracá.
Próximas etapas
A próxima fase do estudo está prevista para setembro, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, com conclusão em 2027. Os resultados serão encaminhados ao ICMBio e ao Instituto Federal do Amapá (Ifam) para reconhecimento oficial.
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa
As cavernas são consideradas bens da União e áreas de proteção permanente. Por isso, além de revelar segredos do passado, o estudo busca garantir que esses santuários subterrâneos sejam preservados para as próximas gerações.
*Por Francisco Pinheiro e Tatiana Guedes, da Rede Amazônica AP