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Treinamento sobre babaçu reúne pesquisadores e quebradeiras de coco no Maranhão

Treinamento realizado no Laboratório de Processos Agroindustriais, na Embrapa Agroindústria Tropical. Foto: Verônica Freire

Seis representantes de associações de quebradeiras de coco babaçu do Maranhão participaram, nos dias 2 e 3 de setembro, de um treinamento sobre processamento de derivados do babaçu na Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE). A capacitação contou também com a presença de quatro representantes da Embrapa Maranhão, dois deles novos contratados da área de Engenharia de Alimentos: a pesquisadora Ludmilla Oliveira e o analista Gabriel Cicalese.

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Eles conheceram os pesquisadores que coordenaram o desenvolvimento da bebida vegetal e do análogo de queijo – Nedio Wurlitzer e Selene Benevides -, em projeto liderado pela pesquisadora Guilhermina Cayres, da Embrapa Maranhão. O treinamento realizado na Embrapa Agroindústria Tropical foi uma atividade no âmbito do projeto “Inovação e tecnologias de impacto social para a cadeia de valor do babaçu na Amazônia Maranhense”, financiado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Segundo Cayres, a capacitação atende a uma demanda dos grupos de quebradeiras de coco, que já haviam passado pelo treinamento durante projeto anterior conduzido pelas duas Unidades. “Isso porque houve renovação das participantes das agroindústrias, então foi necessário realizar mais essa capacitação”, afirmou.

O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, e a bolsista Amanda Bergmann, nutricionista que integra equipe do projeto, estiveram também presentes.

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Técnicas e processamento do babaçu

Quebradeiras de babaçu no Tocantins melhoram produção, mas convivem com ameaças. Foto: Ingrid Barros
Quebradeira de coco babaçu. Foto: Ingrid Barros

Durante a programação, foram apresentadas técnicas de produção de bebida vegetal e análogo de queijo à base de babaçu. A pesquisadora Selene Benevides, que ministrou o treinamento ao lado de Nedio Wurlitzer, ressalta que as tecnologias abrem novos mercados para as famílias extrativistas.

Segundo ela, a fabricação de derivados de maior valor agregado amplia a competitividade comercial das pequenas agroindústrias comunitárias e fortalece o desenvolvimento local. A pesquisadora Ludmila Carvalho Oliveira destacou que a capacitação foi uma oportunidade para conhecer novas formulações e planejar a replicação desses treinamentos no Maranhão.

O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, destacou as trocas entre a pesquisa e o conhecimento tradicional e entre os pesquisadores das Unidades. “As quebradeiras de coco são bem atuantes, elas dão várias dicas, vários toques durante o preparo dos alimentos, acrescentando sua cultura. É uma construção participativa. Além disso, propicia interação entre as equipes técnicas da Embrapa, estreitando os laços e nutrindo parcerias. Iniciamos conversa sobre novos projetos conjuntos para desenvolvimento de ativos para a cadeia do babaçu”.

Leia também: Farinha de babaçu é principal ingrediente para uma ‘revolução gastronômica’ no Maranhão

A transição do extrativismo para o processamento de produtos tem impactado positivamente a renda e a autoestima das mulheres que vivem do babaçu. Para Antônia Vieira, vice-presidente da Associação Clube de Mães Lar de Maria, da comunidade de Pedrinhas (Itapecuru-Mirim, MA), o curso ajuda a aprimorar técnicas na agroindústria mantida pela entidade há 11 anos, que já produz pães, biscoitos, bolos e sorvetes.

Antônia explica que a fabricação da bebida e do análogo de queijo exige conhecimentos específicos, e a capacitação permitiu sanar dúvidas práticas e corrigir falhas de produções anteriores, garantindo melhor qualidade para as feiras e pontos de venda.

“Melhorou a renda e a nossa vida. Cerca de 90% da comunidade vive do babaçu e desses produtos, mesmo quem não está diretamente na agroindústria, pois trabalha na coleta das amêndoas. Aumentou nossa renda e nossa autoestima”, relata.

Outra participante, Vanessa Fonseca, vice-presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores do Vinagre (também em Itapecuru-Mirim), conta que a entidade já desenvolveu cerca de 35 itens à base de babaçu, como brownies, chocolates e sorvetes. Para ela, a diversificação agregará ainda mais valor à matéria-prima, reduzindo a dependência do trabalho braçal de quebra do coco e incentivando o engajamento das associadas.

*Com informações da Embrapa Maranhão

EJA: Estados da Amazônia Legal registram queda na taxa de analfabetismo

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Foto: Wanderley Pessoa/MEC

O Brasil alcançou a menor taxa de analfabetismo da série histórica, de acordo com os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C). Em 2025, o índice caiu para 4,9% entre a população de 15 anos ou mais, faixa etária incluída nas políticas de educação de jovens e adultos (EJA) nos estados da federação. 

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A superação do analfabetismo tem sido trabalhada pelo Ministério da Educação (MEC) por meio de uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), um conjunto de ações colaborativas, implementadas com a participação dos entes federativos, como o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA) – plataforma virtual criada para facilitar o acesso de pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir a educação básica na idade regular.

Os dados da Pnad-C apontam que a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais nos estados da Amazônia Legal saiu de:

20242025
Acre 9,4%8,9%
Amapá 5,4%4,5%
Amazonas 4,8%4,3%
Maranhão11,2%10,9%
Mato Grosso3,8%3,5%
Pará 6,6%6,2%
Rondônia5,2%5,1%
Roraima 3,8%3,4%

Dados sobre Tocantins ainda não foram divulgados.

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Foto: Reprodução

Leia também: Desenvolvimento social infantil: 4 organizações que investem na educação de crianças na Amazônia

Pacto EJA 

O Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA é uma política pública que tem como objetivos:

  • superar o analfabetismo e elevar a escolaridade;
  • ampliar a oferta de matrículas da educação de jovens e adultos (EJA) nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre os estudantes privados de liberdade;
  • e ampliar a oferta da EJA integrada à educação profissional. 

*Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)

8 em cada 10 moradores do Norte relatam calor extremo como consequência de mudanças climáticas, aponta pesquisa

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69% dos brasileiros que vivem na região alegam que o clima mudou muito nos últimos 12 meses. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Uma pesquisa da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra as consequências da mudança climática no Norte do país no último ano. De acordo com o levantamento, 79% dos moradores da região notaram temperaturas acima do normal e ondas de calor intenso nos últimos 12 meses. O percentual é o maior entre todas as regiões do Brasil e 27 pontos percentuais acima da média do país, de 52%.

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As chuvas excessivas e os alagamentos também foram percebidos por 26% de quem vive no Norte. Em seguida, seca prolongada (22%) e tempestade de vento (7%) também foram citados. Os entrevistados podiam escolher quantas opções quisessem.

8 em cada 10 moradores do Norte relatam calor extremo como consequência de mudanças climáticas, aponta pesquisa

Os moradores do Norte também foram os que mais perceberam o clima na região ficar mais extremo de alguma forma no último ano: para 91% dos entrevistados o clima no período mudou, sendo que para 69% mudou muito e para 22%, mudou um pouco. Apenas 7% disseram que não sentiram diferença e 3% não quiseram ou não souberam opinar.

“A pesquisa aponta que os moradores do Norte são os que mais estão sofrendo com os efeitos da mudança climática, principalmente no que diz respeito às fortes ondas de calor que atingem a região. Mais do que uma percepção sobre o futuro, os números mostram que eventos climáticos extremos já são uma experiência concreta para quem vive na região”, conclui o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

Leia também: Temperatura máxima na estação seca já aumentou mais de 3 °C em área preservada da Amazônia

Junto com quem vive no Sul, os moradores do Norte são os que mais responsabilizam a humanidade pelos avanços dos efeitos climáticos extremos no país. Para 59%, as ações humanas são as únicas responsáveis pelo cenário atual, 3 p.p acima da média brasileira de 56%. Já 25% dos nortistas acreditam que as mudanças climáticas são fenômenos estritamente naturais e outros 13% acham que é uma junção das duas.

Moradores do Norte conhecem pouco El Niño

Apesar de apresentar o maior reconhecimento dos efeitos das mudanças climáticas entre todas as regiões, a pesquisa da Nexus aponta que os moradores do Norte sabem pouco sobre o El Niño.

Apenas 24% acompanham o tema, em maior (12%) ou menor (12%) escala, e 43% dos nortistas não sabem do que se trata o fenômeno, 7 p.p acima da média do Brasil de 36%. Outros 10% disseram que sabem o que é, mas não acompanham as notícias, 17% já ouviram falar, mas sabem pouco e 6% não souberam responder. O nível de desconhecimento é o maior do país junto com moradores do Nordeste.

O despreparo das cidades também é apontado por quem vive no Norte: 71% dos moradores acham que o lugar onde vivem não está nada preparado para as consequências dos efeitos climáticos extremos, maior percentual entre todas as regiões e 7 pontos percentuais acima da média brasileira de 64%. Outros 10% acham que está muito pouco preparado, 6% parcialmente preparado e 3% totalmente preparado. Um total de 11% não souberam responder.

Os moradores do Norte também demonstram preocupação com as consequências de fenômenos climáticos como o El Niño. Problemas de saúde causados por essas mudanças (79%) e aumento no preço dos alimentos (79%) foram citados como principais receios da população.

O aumento na conta de luz (78%), a vulnerabilidade das infraestruturas de onde moram (69%) e uma possível falta de água (68%) também são vistos como muito prováveis de acontecer para mais de ⅔ de quem vive na região.

Metodologia da pesquisa

Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.

*Com informações da assessoria

Fundo Amazônia: R$ 50,5 milhões são destinados para gestão territorial e ambiental quilombola na Amazônia Legal

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A iniciativa prevê ações de conservação ambiental, produção sustentável, segurança alimentar e fortalecimento da organização comunitária na Amazônia Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Fundo Amazônia anunciou no dia 8 de setembro a destinação de R$ 50,5 milhões em recursos não reembolsáveis ao projeto Naturezas Quilombolas, para apoio à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal. O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O projeto Naturezas Quilombolas conta ainda com o apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

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O anúncio foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, durante o evento Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável, em celebração ao Dia da Amazônia. Na mesma ocasião, o BNDES anunciou outras duas iniciativas: R$ 180 milhões do Fundo Clima para restauração ecológica na APA Triunfo do Xingu, no Pará, e R$ 5,3 milhões da iniciativa Floresta Viva para projetos de restauração na Bacia do Rio Xingu, em Mato Grosso.

Com prazo de execução de 60 meses, o projeto será executado pela Fundação de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável Guamá (Fundação Guamá). A instituição, escolhida por meio de seleção pública, executará o projeto com gestão compartilhada em parceria com o Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA), o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), o Movimento Afrodescendente do Pará (Mocambo) e a Universidade do Estado do Pará (UEPA). As ações terão como referência as diretrizes, objetivos e eixos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ).

Do valor total, R$ 33 milhões serão destinados diretamente a chamadas públicas de projetos, divididas em duas categorias: Sementes e Raízes. A previsão é apoiar a elaboração e a implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQs) em mais de 16 territórios da Amazônia Legal.

“Com este projeto, o Fundo Amazônia destina recursos diretamente à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas, por meio de chamadas públicas e de apoio técnico às organizações que atuam nos territórios. A iniciativa prevê recursos para elaboração e implementação dos planos de gestão, com ações de conservação ambiental, produção sustentável, segurança alimentar e fortalecimento da organização comunitária”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

Chamadas

Na chamada Sementes, serão selecionadas até dez organizações quilombolas. O apoio ocorrerá em duas etapas. Na primeira, cada organização poderá receber até R$ 100 mil para mobilização comunitária e construção de um Plano Local de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. As organizações que concluírem essa etapa poderão receber até R$ 200 mil para iniciar a implementação das ações previstas no plano. A chamada terá dotação de até R$ 3 milhões.

A chamada Raízes terá até R$ 30 milhões e selecionará até seis projetos, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Essa modalidade permitirá propostas envolvendo mais de um território quilombola e a execução de ações em rede.

Além das chamadas públicas, estão previstas ações de formação, mobilização comunitária, assistência técnica, monitoramento e avaliação. As formações previstas abrangem diversos temas que colaboram com a implementação dos PGTAQs, incluindo gestão de projetos, agroecologia, manejo sustentável e governança comunitária.

Comunidade quilombola de São José do Mata Fome, na região rural de Macapá
Comunidade quilombola de São José do Mata Fome, na região rural de Macapá. Foto: Gabriel Penha

“Quem trabalha há muitos anos com a Amazônia aprende que a floresta não pode ser pensada separadamente das pessoas que vivem nela e dela. Tenho acompanhado ao longo da minha vida experiências que mostram a força dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e tradicionais e da agricultura familiar na conservação da biodiversidade e na construção de alternativas econômicas sustentáveis”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros alerta para a importância da justiça racial e climática no enfrentamento de eventos extremos, como o El Niño, e da salvaguarda dos territórios quilombolas como espaços essenciais de proteção dos biomas em todo território nacional. “A atuação conjunta para o fortalecimento da PNGTAQ por meio do avanço nas implementações dos Planos indica um compromisso com os modos de viver das comunidades tradicionais, suas tradições e saberes”, ressalta a ministra Rachel Barros.

Gestão territorial e ambiental

Instituída em 2023, a PNGTAQ está organizada em cinco eixos: integridade territorial, usos, manejo e conservação ambiental; produção sustentável e geração de renda, soberania alimentar e segurança nutricional; ancestralidade, identidade e patrimônio cultural; educação e formação voltadas à gestão territorial e ambiental; e organização social para a gestão territorial e ambiental.

A governança do Naturezas Quilombolas contará com instâncias responsáveis pela definição das diretrizes das chamadas e pela seleção dos projetos. Participam desse arranjo representantes do MIR, do MDA, do MMA, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e da Fundação Guamá. O projeto também prevê participação de universidades públicas da Amazônia Legal em atividades de apoio técnico e metodológico.

*Com informações do BNDES

Caseiro de fazenda atravessa rio de trator durante estiagem intensa no Acre

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Quando o rio está cheio, ele utiliza balsa ou embarcação. Foto: Reprodução

O caseiro Everton Oliveira, de 21 anos, atravessou de trator um trecho do Rio Muru, em Tarauacá, no Acre, quando ia para a fazenda que trabalha na última quarta-feira (9) e registrou o momento. No vídeo, ele aparece dirigindo o trator pela água, enquanto o amigo, que estava montado em um cavalo, segue à frente. O percurso até a outra margem levou mais de três minutos.

Segundo a Defesa Civil Municipal, o manancial marcou 3,63 metros na manhã desta sexta (11), no entanto, há percursos em que o manancial está mais baixo e, por isso, é possível a travessia.

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Ao Grupo Rede Amazônica, Everton contou que a travessia faz parte da rotina de acesso à fazenda em que trabalha e que, todos os anos, espera o nível do rio baixar para conseguir passar com o trator. Ele costuma sair da cidade pelo ramal e atravessar o manancial em um ponto que fica próximo à propriedade.

“Todo ano a gente espera o rio dar uma baixada para passar com o trator. Como já deu uma baixada, a gente conseguiu essa semana”, contou.

A passagem, porém, ainda não é suficiente para transportar cargas maiores até a fazenda. De acordo com ele, quando o rio fica mais seco, eles também aproveitam para levar ração e sacas de sal para os animais usando uma carroça.

“Quando ele seca mais a gente desce com a carroça e embarca as coisas. Mas ainda não está num período bom de fazer a travessia com esses produtos porque está meio fundo”, afirmou.

Caseiro de fazenda atravessa rio de trator durante estiagem intensa no Acre
Foto: Reprodução

Everton explicou também que o nível do Muru não baixa da mesma forma todos os anos. Há períodos em que o rio seca bastante, mas também anos em que a água não recua tanto.

“Não é tão comum ficar baixo assim, porque tem ano que não baixa totalmente assim, mas tem épocas que seca bastante, então depende muito. Alguns trechos são mais secos que outros”, disse.

Ainda de acordo com Everton, quando o rio está cheio e a passagem por dentro da água não é possível, a alternativa é usar embarcação ou uma balsa.

Estiagem afeta não só os rios

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Tarauacá, Leandro Simões, o município tem registrado chuvas rápidas e curtas. Para esta sexta por exemplo, a previsão indicada pelo órgão era de 38% de possibilidade de chuva.

”A região passa por um período de estiagem e a previsão é de que o nível do rio ainda possa baixar um pouco mais. Ainda não atingimos o pico do verão”, explicou.

Apesar da estiagem, o órgão informou que os números de queimadas estão dentro da média esperada para o período e que não há, no momento, grandes alertas relacionados aos focos de incêndio.

Leia também: De La Niña a um possível El Niño muito forte: veja a evolução das projeções em 2026

Ondas de calor e El Niño

O calor deve continuar sendo um dos principais destaques dos próximos meses em diferentes regiões do país. Uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta possibilidade de pelo menos seis ondas de calor no Brasil nos próximos meses.

O número pode ser ainda maior, já que, durante o último El Niño, foram registradas nove ondas de calor. O fenômeno é diferente de um dia isoladamente quente.

Para ser considerada uma onda de calor, a situação precisa persistir por pelo menos três dias consecutivos, com temperaturas máximas e mínimas excepcionalmente acima do normal.

A análise considera um histórico de 47 anos de registros de temperatura e períodos de ocorrência do El Niño. A previsão indica a possibilidade de um episódio de forte intensidade, com efeitos diferentes entre as regiões do país, mas com um ponto em comum: a persistência de temperaturas elevadas.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

Pesquisa analisa papel da Amazônia no reordenamento geopolítico mundial no século XXI

Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

A pesquisa intitulada “The Utopias of New World Contracts and Amazonia“, do professor do Departamento de Física dos Materiais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcílio de Freitas, analisa propostas de reorganização política, social, econômica e ambiental para o século XXI e destaca a Amazônia como parte integrante das discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, desigualdade social e dessa nova ordem geopolítica. 

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Publicada no Journal of Anthropological and Archaeological Sciences, volume 12, edição 5, a pesquisa apresenta a utopia como uma estratégia metodológica para analisar problemas contemporâneos e identifica cinco propostas que orientarão os processos socioantropológicos no século XXI:

  • a construção de um contrato político mundial;
  • a consolidação da democracia participativa em um sistema político universal;
  • a criação de um novo contrato natural diante dos riscos relacionados às mudanças climáticas e à injustiça ambiental;
  • a construção de um contrato social baseado nos direitos humanos;
  • e um contrato ético entre as nações.

Segundo o estudo, essas propostas têm relação direta com a Amazônia. Para Freitas, a sustentabilidade ocupa posição central na materialidade dessas propostas.

“O paper defende uma reorganização econômica e política mundial que abrange a distribuição de riqueza, a construção da paz e a integração social e econômica entre os países. Nesse contexto, a sustentabilidade é apresentada como elemento para ressignificar os conceitos de desenvolvimento econômico e cidadania”, explicou.

Amazônia e a nova geopolítica

O professor também declara que a implementação de um novo contrato político mundial possibilitará a construção de estratégias diplomáticas para solucionar as disputas entre países e a descentralização dos poderes econômicos e políticos dos países centrais.

“A pesquisa propõe a construção de uma governança global que considere diferentes regiões, culturas e perspectivas. O artigo também relaciona esse processo à necessidade de incorporar a sustentabilidade às políticas públicas e aos processos econômicos globais, defendendo que uma nova ordem política e econômica deve considerar diferentes formas de organização social, cultural e política e propõe a democracia como sistema político universal, associada à eliminação do racismo e do antropocentrismo”, destacou.

A Amazônia é incorporada nesse cenário em razão de sua disponibilidade de recursos naturais e de sua importância nas discussões sobre o futuro ambiental e econômico do planeta.

Leia também: Ranking nacional de sustentabilidade coloca cidades da Amazônia Legal nas últimas posições

Práticas sustentáveis na Amazônia garantem aos produtores, extrativistas e seringueiros a geração de renda com os frutos da floresta.
Foto: Reprodução/Acervo REM

Na dimensão ambiental, relaciona-se a crise climática à necessidade de estabelecer um novo contrato mundial sobre o uso e proteção da natureza.

“A manutenção dos atuais padrões de produção, circulação e acumulação do capital apresenta contradições com a preservação ambiental. Faz-se necessário construir políticas regionais e globais voltadas à conservação dos recursos naturais, incluindo solos, águas e atmosfera. Neste contrato ambiental, a Amazônia é apresentada como parte das discussões e soluções sobre práticas de combate às mudanças climáticas e de sustentabilidade, considerando sua diversidade biológica e cultural, além de participante ativa na formulação de um novo contrato natural mundial”, detalhou o pesquisador.

Desigualdade e direitos sociais

O estudo também propõe um contrato social mundial voltado ao enfrentamento das desigualdades e à implementação de políticas multiculturais. Entre os problemas identificados estão racismo, pobreza, guerras, desemprego estrutural, destruição ecológica, trabalho infantil, doenças e crise moral.

“Há necessidade de mais integração entre as políticas públicas de saúde, educação e cultura e a mobilização da opinião pública internacional, considerando as particularidades locais”, disse.

Contrato ético

A quarta dimensão analisada por Freitas é a necessária construção de um contrato ético pluricultural. A proposta tem como fundamentos a autodeterminação dos povos, a tolerância política e religiosa, o respeito às diferenças e a dignidade humana.

“O artigo também relaciona essa perspectiva à regulação dos mercados, à atuação do Estado na garantia dos direitos humanos básicos e à formulação de políticas públicas, com a educação e as artes como referências simbólicas. Nessa perspectiva, o artigo defende uma concepção de sustentabilidade associada não apenas ao desenvolvimento técnico, mas também a uma dimensão ética. A Amazônia é inserida nessa discussão a partir de sua relação com a natureza, a sociedade, a cultura e a espiritualidade. O texto também aborda a injustiça ambiental, o racismo e a desigualdade social como problemas relacionados à destruição ecológica e cultural da região”, finalizou o pesquisador.

*Com informações da UFAM

Temperatura máxima na estação seca já aumentou mais de 3 °C em área preservada da Amazônia

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Foto: Michel Castro/Rede Amazônica AM

Uma área de mais de 700 mil quilômetros quadrados no centro-norte da Amazônia – quase o tamanho do Chile – registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Nesse território, a elevação foi de, no mínimo, 0,75 °C por década, revela pesquisa publicada nesta quinta-feira (10/09) na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas internacionais, incluindo brasileiros.

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O ritmo é superior ao aumento de 0,2 °C por década observado na temperatura média anual da floresta tropical. Os resultados mostram que o clima do bioma não está mudando de forma homogênea: enquanto o sul da Amazônia apresenta aquecimento médio acelerado, é no centro-norte, distante do arco do desmatamento, que as temperaturas extremas e o déficit hídrico avançam mais rapidamente.

Segundo o estudo, isso indica que o fenômeno não pode ser atribuído somente à perda florestal, principal vetor de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, mas também à influência das mudanças climáticas globais. Nesse cenário, os cientistas destacam a preocupação com a expectativa de que o El Niño deste ano seja o mais intenso já registrado, podendo levar a Amazônia a sofrer novamente com temperaturas elevadas e secas extremas dois anos após a última grande estiagem, ocorrida em 2024.

O trabalho reforça ainda a urgência de reduzir as emissões e adotar medidas de mitigação e adaptação, incluindo a conservação de trechos de florestas nativas, o combate ao desmatamento e o incentivo à restauração florestal.

“Os dados apontam para extremos cada vez mais críticos e acelerados. E, quando se manifestam, há uma deterioração com impactos sociais, ambientais e econômicos profundos. Ao falarmos de perda de biodiversidade e de mudanças dos ecossistemas, é importante fazermos a relação com os impactos nos sistemas de produção de alimentos, na saúde e no dia a dia das pessoas”, diz à Agência FAPESP a pesquisadora da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática (DIOTG) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Liana Anderson, uma das autoras do artigo.

Leia também: Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

Para o pesquisador do Inpe Luiz Aragão, que também faz parte do grupo, um dos pontos de atenção é o aumento de eventos extremos em uma região considerada resistente e resiliente às mudanças climáticas.

“A parte central e norte da Amazônia enfrenta poucos distúrbios antrópicos [causados pela ação humana], como desmatamento e queimadas, quando comparada à fração leste e sul. Os resultados da pesquisa têm implicações para a busca de soluções, com estratégias de adaptação e mitigação para atingir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, complementa Aragão, que, juntamente com Anderson, lidera o laboratório TREES (sigla em inglês para Ecossistemas Tropicais e Ciências Ambientais), apoiado pela FAPESP.

Essa região centro-norte da Amazônia, que corresponde a cerca de 10% do bioma total, engloba extensos trechos com elevada cobertura florestal, savanas naturais e importantes unidades de conservação e territórios indígenas, entre eles Coatá-Laranjal, Waimiri-Atroari, Yanomami e Trombetas-Mapuera (localizados no Amazonas e em Roraima). É considerada crucial para a riqueza cultural e conservação da biodiversidade.

“As taxas de mudança dos extremos climáticos são muito superiores às alterações do clima médio na Amazônia. As regiões mais afetadas também diferem quando comparamos os extremos com as condições médias. Isso é importante porque mostramos que o clima da floresta não está mudando de maneira uniforme”, reforça em comunicado à imprensa a brasileira Nathália Carvalho, uma das autoras correspondentes do estudo. Ex-orientanda de Anderson no Inpe, Carvalho é atualmente pesquisadora de pós-doutorado do Centro Ambiental da Universidade de Lancaster (Reino Unido).

Temperaturas máximas no período mais seco aumentaram pelo menos 0,75°C por década no centro-norte da Amazônia; taxas foram calculadas por área, com  resolução espacial de 11 km. Imagem: Liana Anderson/Inpe
Temperaturas máximas no período mais seco aumentaram pelo menos 0,75°C por década no centro-norte da Amazônia; taxas foram calculadas por área, com  resolução espacial de 11 km. Imagem: Liana Anderson/Inpe

Conhecimento acumulado

Para realizar a pesquisa, os cientistas dividiram a Amazônia em áreas de 11 quilômetros de extensão. Usando dados de alta resolução sobre temperatura e precipitação provenientes de informações de satélites e estações meteorológicas locais, o grupo identificou os períodos secos específicos de cada área.

Além da alta resolução espacial, o grupo inovou ao utilizar uma nova medida de déficit hídrico, que considera os efeitos da temperatura sobre a perda de água para calcular o impacto da seca em todo o bioma no período entre 1981 e 2023. Já a velocidade das mudanças climáticas foi analisada sob duas formas:

  • “tendência central” (que enfatiza as taxas médias de mudança da temperatura e do déficit hídrico ao longo dos anos)
  • e “tendência dos extremos”, que dá maior peso aos anos excepcionais, possibilitando avaliar as mudanças ocorridas nos períodos mais quentes ou mais secos.

“Estamos interessados no que acontece quando as condições atingem níveis mais quentes e secos, porque é nestes momentos que as altas temperaturas podem causar os maiores danos”, explica no comunicado o professor da Universidade de Lancaster Jos Barlow, principal autor do estudo.

Efeitos na Amazônia

Diversas pesquisas anteriores vêm demonstrando que os extremos climáticos são responsáveis por impactos prejudiciais à natureza e às pessoas, provocando aumento da mortalidade, perda de espécies, danos aos ecossistemas e até mesmo à economia. Na Amazônia, períodos recentes de seca extrema causaram incêndios florestais de grandes proporções, levando à perda de vegetação, de animais e à poluição do ar, entre outros.

Artigo publicado no ano passado, por exemplo, detalhou a morte de mamíferos observada na Amazônia em 2023, quando os efeitos de um período estendido de seca provocado pelo El Niño combinados à onda de calor no bioma levaram a recordes de temperatura, baixo índice de chuvas e má qualidade do ar provocada por fumaça no Amazonas. Foram encontrados 19 animais mortos, entre preguiças e outros mamíferos. Outro trabalho, realizado em 2020, já havia mostrado uma diminuição do tamanho das populações de aves.

Além disso, duas pesquisas divulgadas neste ano com a participação de Anderson e Aragão indicaram o prolongamento da estação seca na Amazônia de quatro para até seis meses, com aumento do déficit hídrico superando -150 milímetros (mm) e crescimento da degradação da floresta associada ao fogo. Na seca entre 2023 e 2024, ainda sob efeito do El Niño, houve um crescimento médio de 9% nas áreas queimadas e 19% nos alertas de degradação florestal, com até 4,2 milhões de hectares impactados por fogo (leia mais em: agencia.fapesp.br/57792).

“Estamos vendo as taxas de alterações bastante elevadas não só em relação ao clima como também aos processos naturais que ocorrem na superfície da Terra em resposta às mudanças climáticas. E sabemos da necessidade da contenção das emissões de gases de efeito estufa para estabilizar o planeta em uma temperatura segura. Vejo o Brasil com uma legislação elaborada para atacar o problema, com foco na redução do desmatamento e na transição energética limpa. Mas esses planos devem ser implementados de forma urgente, e os tomadores de decisão, que são os vetores para essa implementação, devem levar a sério essa questão”, afirma Aragão.

Recentemente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) confirmou que o aquecimento global deve ultrapassar 1,5 °C ainda nesta década, estabelecido como limite crítico no Acordo de Paris. Mesmo no cenário mais otimista, a previsão é que a temperatura média da Terra chegue a um pico de 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais antes de começar a cair com a adoção de medidas.

Próximos passos

Aragão destaca que ações de combate às mudanças climáticas e soluções que buscam a sustentabilidade do planeta dependem cada vez mais de colaboração.

“Esse trabalho consolida uma rede de cooperação internacional que vem sendo desenvolvida ao longo de vários anos, unindo cientistas brasileiros, europeus e americanos. Também contamos com a participação de jovens pesquisadores, muitos formados em instituições do Brasil. Essas redes conseguem prover informações de altíssimo nível, baseadas em diversos tipos de dados e modelos climáticos globais, que permitem análises críticas e a busca de caminhos.”

Como desdobramentos desse grupo, outras pesquisas estão sendo desenvolvidas para analisar, por exemplo, a resposta das florestas modificadas pelo homem às mudanças climáticas, o provimento de chuvas da Amazônia para áreas agrícolas nacionais e os impactos do manejo do fogo.

O estudo teve financiamento da FAPESP por meio do projeto temático AmazonFACE (23/09046-5 e 24/08543-8) – um experimento de campo montado para estudar como o aumento de CO2 atmosférico afeta a floresta amazônica, sua biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – e do auxílio à pesquisa “Vozes da Recuperação”, uma parceria plurinacional e interdisciplinar que trabalha com comunidades vulneráveis pesquisando desafios de recuperação a partir da pandemia de COVID-19.

O artigo Rapid increase of climate extremes reveals new areas of concern in Amazonia pode ser lido em nature.com/articles/s43247-026-03975-1.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Amazonas teve maior queda de PIB na região Norte durante 2° trimestre de 2026, aponta pesquisa

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O PIB do Amazonas recuou 0,8% no 2º trimestre de 2026 em relação a 2025. O resultado foi a maior queda da região Norte, segundo o FGV IBRE. Polo Industrial de Manaus. Foto: Divulgação/Suframa

O Amazonas teve a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre os estados da região Norte do Brasil no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). A economia amazonense recuou 0,8% em comparação ao mesmo período de 2025.

O levantamento, intitulado “Desempenho do PIB da região Norte no 2º trimestre de 2026”, é assinado pelos economistas Juliana Trece e Claudio Considera, do FGV IBRE. A análise faz parte de uma iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do instituto. As estimativas foram feitas com base nos dados disponíveis e comparadas com as informações do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), que têm dados até 2023.

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No panorama regional, a maioria dos estados da região Norte registrou crescimento do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior.

Roraima teve alta de 2,9%, acima da média nacional, de 2,0%. Já o Amazonas (-0,8%) e o Pará (-0,2%) tiveram queda. Como os dois estados representam mais de 60% do PIB da região, o resultado contribuiu para deixar o crescimento do Norte próximo da estabilidade, com alta de 0,2%. Veja o gráfico abaixo:

Variação do PIB na região Norte no 2° trimestre de 2026

Amazonas teve maior queda de PIB na região Norte durante 2° trimestre de 2026, aponta pesquisa

Amazonas teve queda na indústria

Segundo o estudo, o resultado do Amazonas foi influenciado principalmente pela queda na indústria do estado, com a indústria de transformação sendo citada como um destaque negativo.

A indústria de transformação é o setor econômico responsável pela conversão de matéria-prima em novos produtos, e engloba desde a produção de alimentos e bebidas até produtos eletrônicos, químicos, veiculares e metalúrgicos.

Leia também: Estudo mostra que Manaus enfrenta desafios de infraestrutura para avançar na bioeconomia

No contexto da pesquisa, entre as atividades que registraram redução estão a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, máquinas e outros equipamentos.

Os números da indústria do estado foram apontados como o principal resultado negativo entre as economias estaduais analisadas. Veja o gráfico abaixo:

Variação do PIB na região Norte por setor (2° trimestre de 2026)

*Por Marcela Orquiz, da Rede Amazônica AM

MPF cobra R$ 1,7 bilhão e providências de mineradora por garimpo ilegal de cassiterita na TI Yanomami

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Foto: Fabrício Marinho/ISA

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para responsabilizar dez pessoas pela extração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A extração de minérios ocorreu na região do Pupunha, na bacia do Rio Mucajaí (RR), entre março de 2021 e dezembro de 2022. A ação atribui à causa o valor de R$ 1,7 bilhão e pede a recuperação das áreas degradadas, indenizações pelos danos causados e medidas para controlar a origem da cassiterita comercializada.

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Entre os réus estão a White Solder Metalurgia e Mineração, a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), a Cataratas Poços Artesianos e a Tarp Táxi Aéreo.

Em pedido de urgência, o MPF requer a adoção de medidas para assegurar o controle da origem do minério. O órgão quer também a implantação de diligências no processo de fornecimento da cassiterita, a designação de responsáveis pela conformidade, a contratação de auditoria independente e a prestação periódica de informações à Justiça. O descumprimento das medidas poderá resultar na suspensão das atividades.

Recuperação ambiental

A ação também pede a condenação dos réus à recuperação das áreas degradadas pela atividade garimpeira na região do Pupunha. Para isso, o MPF requer a elaboração de um plano de recuperação aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além da realização de consulta prévia ao povo Yanomami.

Além da recuperação ambiental, a ação pede o pagamento de indenizações pelos danos causados. O pedido inclui, no mínimo, R$ 53,1 milhões pelo dano ao patrimônio mineral da União, além de indenização de R$ 25 milhões pelo dano ambiental residual e R$ 1,62 bilhão por danos morais coletivos.

MPF cobra R$ 1,7 bilhão e providências de mineradora por garimpo ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami (RR)
Foto: ISA/Divulgação

Leia também: Área degradada pelo garimpo cai, mas atividade muda estratégia e segue na Terra Indígena Yanomami

Entre as obrigações específicas solicitadas está a implantação, pela White Solder, de um programa permanente e documentado de diligência devida na cadeia de suprimento de cassiterita. Para a Coopertin, o MPF também pede a implementação de um sistema permanente de controle da origem do minério. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal. Os réus poderão apresentar defesa.

Entenda o caso

De acordo com a apuração da Polícia Federal, no âmbito da Operação Forja de Hefesto, o esquema envolvia diferentes etapas, desde a extração da cassiterita dentro da Terra Indígena Yanomami até a sua transformação e comercialização.

A investigação aponta que escavadeiras abriam frentes de lavra na região, enquanto aviões e uma pista clandestina eram utilizados para transportar o minério. Em seguida, a cooperativa registrava o material como produção de cooperados e emitia notas fiscais. A cassiterita era então encaminhada à metalúrgica, onde era transformada em lingotes de estanho certificados e, posteriormente, comercializada no Brasil e no exterior com aparência de origem legal.

A contabilidade apreendida durante a apuração registra, apenas entre maio e agosto de 2021, a movimentação de 525 toneladas de cassiterita e R$ 54,2 milhões. Em um período de cinco meses, a White Solder teria transferido R$ 166,3 milhões à Coopertin. No entanto, a filial da cooperativa em Boa Vista não possuía cooperados, empregados ou lavra em funcionamento.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para o MPF, os indícios de irregularidades não se limitaram ao período inicialmente investigado. Documentos apresentados pela própria White Solder indicam que a Coopertin permaneceu como sua principal fornecedora de cassiterita em 2022, 2023 e 2024, com o fornecimento de mais de 12,4 milhões de quilos do minério, inclusive após a realização de busca e apreensão pela Polícia Federal na sede da empresa.

Ao ser cobrada a comprovar a origem da cassiterita fornecida, a cooperativa declarou uma produção inferior ao volume que a metalúrgica afirma ter adquirido. Além disso, não apresentou licenças ou relatórios de lavra. A ação também aponta que o garimpo ilegal avançou em direção ao Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O minério seria escoado pela chamada “Estrada do Estanho”, em direção à cidade onde estão localizadas a fundição e a matriz da cooperativa.

Danos ambientais

O MPF constatou que a atividade garimpeira deixou um rastro de destruição de cerca de 1,5 quilômetro ao longo de um igarapé. A ação aponta ainda mais de 20 hectares degradados, cursos d’água assoreados e o uso de mercúrio na produção de ouro.

De acordo com a ação, os danos ocorreram durante o período mais grave da crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Até o momento, nenhuma medida de recuperação da área degradada foi adotada.

Foto: Nacho Doce/Agência Brasil

Com a ação, o MPF busca responsabilizar os envolvidos pelos danos causados, garantir a recuperação ambiental da região e estabelecer medidas para impedir que a cadeia de comercialização de cassiterita seja utilizada para dar aparência de legalidade ao minério extraído ilegalmente.

A iniciativa é do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal no Amazonas, no Acre, em Roraima e em Rondônia.

*Com informações do Ministério Público Federal.

Produção de motos no Polo Industrial de Manaus cresce e bate recorde histórico para o mês julho

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Linha de produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Funcionários da Moto Honda. Foto: Foto: Josney Benevuto/Rede Amazônica AM

A indústria de motocicletas instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou, em julho de 2026, o maior volume de produção da história para o mês. Foram fabricadas 190.794 motos, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O resultado foi 36% maior que o registrado em julho de 2025 e 45,8% superior ao de junho deste ano.

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O desempenho também garantiu ao setor o melhor resultado para os primeiros sete meses de um ano desde 2008. Entre janeiro e julho, foram produzidas 1.254.191 motos, alta de 9,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Leia também: Com faturamento de R$ 99,6 bi, Polo Industrial de Manaus se destaca nos cinco primeiros meses de 2026

A categoria Street liderou a produção em julho, com 98.571 unidades, o equivalente a 51,7% de todas as motos fabricadas no mês.

No acumulado de janeiro a julho, Street, Trail e Motoneta também ficaram nas três primeiras posições. Juntas, as categorias somaram mais de 1 milhão de motocicletas produzidas no período.

Em números absolutos, os modelos de baixa cilindrada mantiveram a liderança, com 985.788 unidades, o equivalente a 78,6% da produção acumulada no ano. As motocicletas de média cilindrada somaram 231.432 unidades (18,5%).

O destaque proporcional ficou com os modelos de alta cilindrada, cuja produção cresceu 30,7% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Foram fabricadas 36.971 unidades, ou 2,9% do total.

Produção de motos no Polo Industrial de Manaus cresce e bate recorde histórico para o mês julho
Motos na linha de montagem da Royal Enfield em Manaus. Foto: Divulgação

Em julho, os modelos de baixa cilindrada também lideraram, com 154.575 motocicletas, correspondentes a 81% da produção mensal. As de média cilindrada somaram 31.533 unidades (16,5%), enquanto as de alta cilindrada tiveram 4.686 unidades (2,5%).

A produção nacional de motocicletas está concentrada principalmente no Polo Industrial de Manaus. Segundo a Abraciclo, o Brasil está entre os seis maiores produtores de motocicletas do mundo.

As fabricantes do setor de duas rodas instaladas em Manaus geram mais de 21,9 mil empregos diretos. Em todo o país, o número ultrapassa 154 mil postos de trabalho.

Vendas, exportações e logística

O mercado de motocicletas também teve, em julho, o melhor desempenho da história para o mês. Foram licenciadas 199.236 unidades, alta de 3,1% em relação a julho de 2025 e de 2,6% na comparação com junho de 2026.

Considerando os 23 dias úteis de julho, a média foi de 8.662 motocicletas emplacadas por dia.

Entre janeiro e julho, os licenciamentos chegaram a 1.373.580 unidades, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025.

As fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus também aumentaram as exportações. Em julho, foram embarcadas 3.289 motos, alta de 22,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

No acumulado de 2026, as exportações chegaram a 27.373 unidades, crescimento de 28,6% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

Linha de montagem de motos. Foto: Abraciclo

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que o resultado de julho reforça o desempenho positivo da indústria ao longo de 2026 e a capacidade das fábricas instaladas no PIM de atender à demanda do mercado.

“O desempenho registrado em julho reforça a trajetória positiva do nosso setor ao longo de 2026 e confirma a força da indústria de motos e a capacidade das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus de responder à demanda do mercado”, afirmou.

Apesar do cenário favorável, ele destacou que o setor acompanha os efeitos dos fenômenos climáticos sobre a logística na região.

Segundo Bento, as fabricantes monitoram, junto às autoridades, o nível dos rios e as condições de navegação. O objetivo é reduzir possíveis impactos no transporte e no abastecimento das fábricas.

*Com informações da Rede Amazônica AM