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Banzeiro da Esperança na COP30: Os manguezais amazônicos são instrumentos contra a crise climática

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Foto da capa: Enrico Marone/Greenpeace

Os manguezais são ecossistemas que conectam a terra com ambientes marinhos e são fundamentais para o combate às mudanças climáticas. Com a função de transitar entre o ambiente aquático e terrestre, os manguezais são responsáveis por capturar o carbono lançado pelas indústrias e pela ação humana. Além de deter esse carbono, ele o armazena em sua lama e raízes.

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Essas plantas são denominadas como “berçários”, pois são responsáveis pela reprodução, alimentação e crescimento de 80% das espécies marinhas, segundo Natáli Piccolo, diretora da Conservação Internacional Brasil. “Ter os manguezais é essencial para ter um oceano colorido”, afirma a diretora.

Além de serem berçários, segundo a diretora, os manguezais possuem “superpoderes”.

“Além de ser um espaço de crescimento da biodiversidade marinha, ele também protege a costa dos desastres naturais. É como se tivessem um grande muro natural”, explicou.

Os manguezais também atuam no turismo costeiro e fornecem alimento, através da pesca, reduzindo a insegurança alimentar.

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Os mangues da costa amazônica são grandes aliados no combate às mudanças climáticas. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A situação atual dos manguezais no Brasil

Os manguezais brasileiros possuem extensão de 1,4 milhões de hectares, ficando atrás apenas da Indonésia, país com 4 milhões de hectares de extensão. Na costa amazônica é que está a maior faixa contínua de manguezais do planeta, com mais de 7.500 km² de extensão, segundo o Greenpeace.

Desde o início do século 21, o Brasil perdeu cerca de 25% do hectare de mangue, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Essa perda foi consequência do desmatamento e expansão urbana, principalmente em áreas portuárias e resorts. Os desastres naturais também são fatores que impactam os manguezais”, explica Natáli Piccolo.

Ou seja, o desmatamento do mangue também causa impactos no cotidiano, alerta a especialista: “A gente tem impactos na agricultura, problemas com chuvas, mobilidade urbana e saneamento”.

Manguezal brasileiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A diretora afirma que, se os manguezais não são preservados, eles aceleram o aquecimento global.

“Se a gente derruba o manguezal, ao mesmo tempo que ele vai capturar mais carbono da atmosfera, ele vai devolver muito mais. A lama que estava armazenando carbono, ela volta para água e o carbono é mobilizado e solto no ar novamente, acelerando o aquecimento global”, alerta Natáli.

A pesquisadora afirma que é importante preservar o manguezal, por meio de unidades de conservação, chamadas Reservas Extrativistas (Resex) do ambiente aquático e terrestre. Também é possível manejar a conservação através da plataforma “Mapbiomas”, plataforma que monitora a conservação dos manguezais e identifica os ecossistemas que precisam ser restaurados.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

O Carbono Azul

Além de ser um protetor da natureza, o manguezal é fonte de renda para mais de 500 mil famílias, que são extrativistas, costeiros e marinhos, reconhecidos pelo Governo Federal. Esses trabalhadores possuem propriedade sobre a terra e a gestão das Resex, as unidades de conservação de uso sustentável.

A Conservação Internacional Brasil, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinha (Confren) produziram recomendações de salvaguarda socioambientais para projetos de carbono azul.

Esse material é um guia de recomendações para comunidades originárias que precisam entender a ida de empresas, que trabalham com o projeto de carbono azul, até seus territórios. Esse salvaguarda traz uma linguagem mais acessível, já que o projeto, segundo Natáli é complexo.

Dados sobre Carbono azul. Arte: Agência Brasil

O projeto de carbono azul visa restaurar, comprar e comercializar créditos de carbono, um dos principais temas da COP30. Essa iniciativa reuniu mais de 80 extrativistas, que foram capacitados sobre assuntos como créditos de carbono e as pautas que seriam discutidas na COP30 entre demais atividades de capacitação. E com eles, criou-se o salvaguarda.

O Brasil dentro da sua NDC’s Azul, incluiu o projeto “ProManguezais”, que é o Programa de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais, publicado em 2024. O decreto ressalta a necessidade de considerar os manguezais em sua integralidade, incluindo lavados, bosques de mangue a apicuns.

O projeto inclui o reconhecimento dos serviços ecossistêmicos dos manguezais, articulação interfederativa e entre órgãos públicos e valorização dos saberes tradicionais, entre outras, segundo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.

Há seis eixos de implementação, cada um com linhas próprias de ação:

  • Conservação e recuperação dos manguezais e da biodiversidade associada;
  • Uso sustentável dos recursos naturais e melhoria das condições de produção e comercialização dos recursos dos manguezais pelos povos e comunidades tradicionais;
  • Redução de vulnerabilidades socioambientais associadas à mudança do clima nos manguezais;
  • Geração, sistematização, e disseminação de conhecimento sobre os manguezais;
  • Capacitação e sensibilização sobre os manguezais do Brasil;
  • Fortalecimento e sustentabilidade financeira.

Esse decreto tem a estratégia nacional, que contém metas de restauração de áreas costeiras e ajuda nos debates na COP 30. Ele, também, reconhece os manguezais como infraestrutura natural. “O manguezal tem que fazer parte das NDC’s de qualquer país que possua esse ecossistema, porque é muito importante”, enfatizou Natáli.

Especial COP 30

A entrevista com a diretora da Conservação Internacional Brasil, Natáli Piccolo, faz parte de uma sequência especial dedicada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Conferência das Partes (COP30) do programa ‘Bate-papo na CBN’, da rádio CBN Amazônia Belém (102,3 FM ).

Com o olhar de quem vive na região, o programa reuniu informações e entrevistas sobre toda a movimentação da 30ª edição do encontro mundial realizado em Belém (PA), realizado entre os dias 10 e 22 de novembro.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia Belém

Além de entender a função dos manguezais para as mudanças climáticas, o especial também abordou o trabalho do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) na linha de frente de pesquisas referentes à Amazônia.

A pesquisadora do Imazon, Brenda Brito, destacou a importância de levar conhecimento sobre a Amazônia para o mundo, principalmente na COP30, evento que reúne representantes de diversos países. Ela explicou os levantamentos realizados pelo Imazon, que são referências, sobre o desmatamento na região – de causas às consequências.

Com oito episódios, os programas da rádio, apresentados pela jornalista Brenda Freitas, também ganharam versões especiais no canal Amazon Sat e no Portal Amazônia.

Assista as entrevistas completas no quinto episódio da edição especial do programa:

Veja outras matérias da série:

Banzeiro da Esperança

A iniciativa Banzeiro da Esperança é uma parceria entre Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Fundação Rede Amazônica (FRAM) e Virada Sustentável, com patrocínio do Banco da Amazônia (BASA). Esta edição do Banzeiro da Esperança é uma jornada de conexão, troca de saberes e transformação com foco na COP30.

Portal Amazônia responde: o que é racismo ambiental? 

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Foto: Marcelo Dutra/Rede Amazônica

A expressão ‘racismo ambiental’ descreve como, diante de eventos climáticos extremos, as populações negras, indígenas, quilombolas e moradores de áreas periféricas são, quase sempre, as mais atingidas. Formulado pelo químico e líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Benjamin Franklin Chaves Jr., o termo surgiu nos anos 1980, durante protestos contra a instalação de depósitos de resíduos tóxicos no condado de Warren, região habitada majoritariamente por pessoas negras. 

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Benjamin Chaves denunciava que as comunidades racializadas e vulneráveis são expostas a riscos ambientais maiores que os grupos privilegiados.

Área de risco com grandes chances de deslizamentos, enchentes e desabamentos. Foto: William Duarte/Rede Amazônica

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, no Brasil, a realidade é de que as pessoas negras e pobres que vivem em favelas e áreas de risco são as mais afetadas por deslizamentos, enchentes, desabamentos e falta de acesso a serviços básicos como água potável, saneamento e coleta de lixo.

Leia também: Pesquisa apresenta as desigualdades raciais e de gênero e os impactos das mudanças climáticas em Boa Vista

De acordo com o Doutor em Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari, o racismo ambiental é formado por dois eixos:

  • A discriminação contra determinados grupos sociais, como negros, indígenas, quilombolas e populações pobres.
  • Os impactos desproporcionais sofridos por essas populações quando ocorrem desastres ambientais.
Deslizamento de terra em Manaus. Foto: João Dejacy

Molinari explica que, quando uma tragédia acontece, muitas vezes a sociedade em geral faz com que as vítimas sejam acusadas com frases como: ‘Por que você mora nesse barranco?’, ‘Por que vive em área de alagamento?’, ‘Por que você está aí, sabendo que isso pode acontecer e sua família ser atingida?’, ignorando que essas populações em situação de vulnerabilidade não se encontram em áreas de risco por escolha própria.

“No passado, houve uma situação muito conhecida com o ex-prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, em que aconteceu um desastre em uma ocupação chamada Santa Marta, ali para a região da Torquato Tapajós, ali na Zona Norte, e ele foi no local e a pessoa, conversando com o prefeito, falou para ela sair de lá, mas ela falou que não tinha para onde sair. Ele falou, então morra”, explicou Molinari.

De acordo com o professor, o conceito de racismo ambiental revela uma segregação sócio espacial, em que determinados grupos sociais, como negros, indígenas, quilombolas e populações pobres são obrigados a viver nas margens de igarapés e encostas sujeitas a deslizamentos, enquanto os que têm melhores condições podem morar em áreas seguras e estruturadas. 

Racismo ambiental
Segregação sócio espacial revelada pelo racismo ambiental. Foto: Tuca Vieira

Leia também: Cúpula dos Povos exige soluções reais e alerta para risco de injustiça climática em Belém

A ausência de infraestrutura urbana adequada agrava doenças, aumenta o risco de contaminação e da vulnerabilidade diante das mudanças climáticas, já que quando chove forte são essas áreas que alagam, cedem e desmoronam primeiro. Além disso, quando o saneamento básico está em falta, são essas famílias que adoecem. 

Como combater o racismo ambiental ? 

De acordo com a secretaria de comunicação social, enfrentar o racismo ambiental exigem ações necessárias de políticas públicas como:

  • A criação de políticas públicas que levem em conta as desigualdades sociais e econômicas
  • A garantia do direito à participação das comunidades afetadas na tomada de decisão
  • A promoção da educação ambiental
  • A valorização do conhecimento tradicional das comunidades.

Em 2023, o Governo Federal criou o Comitê de Monitoramento da Amazônia Negra e Enfrentamento ao Racismo Ambiental, parceria do Ministério da Igualdade Racial com o Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa busca propor medidas focadas na população da Amazônia Legal, garantindo protagonismo aos povos tradicionais e comunidades quilombolas.

*Portal Amazônia, com informações da Secretária de Comunicação Social. 

Estudo aponta irregularidade em 37% dos processos de mineração no país

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Terreno de mineração. Foto: José Cruz/Agencia Brasil

No Brasil, há 257.591 processos minerários em atividade, dos quais 95.740, o equivalente a 37%, apresentam algum tipo de inconsistência, de acordo com o Monitor da Mineração do MapBiomas, plataforma lançada nesta terça-feira (2). A ferramenta consolida dados de mais de 80 anos de processos da Agência Nacional de Mineração (ANM) e permite o cruzamento com o histórico da área minerada a partir de mapas anuais de cobertura e uso da terra no país.

De acordo com o coordenador da equipe Mineração do MapBiomas, César Diniz, o Monitor reúne e organiza dados dispersos, destaca situações atípicas e apresenta as informações de forma clara, compreensível e com acesso gratuito, tanto para órgãos de fiscalização e controle, quanto para jornalistas, pesquisadores e sociedade civil organizada.

Leia também: Pesquisa estima quanto o desmatamento na Amazônia pode aumentar se a mineração for liberada na região

mineração
Terreno de mineração em terras indígenas Kayapó. Foto: Divulgação / Polícia Federal

“Sua finalidade é apoiar o Poder Público na ampliação da transparência e no aprimoramento dos processos relacionados à produção, à comercialização e à aquisição de produtos oriundos das atividades minerárias”, explica.

Os dados detalhados na plataforma apontam que a maior parte dos processos inconsistentes apresenta problemas com a permissão. São 84.466 processos, ou 33% do total, que não possuem concessão de lavra, registro de extração, licenciamento, permissão de lavra garimpeira ou autorização de pesquisa com guia de utilização válida.

“Se o processo não está em nenhuma dessas etapas, qualquer extração ali identificada é considerada irregular por falta de título minerário apto, caracterizando o processo como portador de um sinal de mineração em fase inapropriada”, afirma Diniz.

Há também 7.738 processos, ou 3% do total, que atuam em territórios onde a atividade é proibida por lei, como terras indígenas, unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas (Resex) e reservas particulares do patrimônio natural (RPPN).

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Em um total de 3.536 processos, foi identificada a sobreposição de inconsistência, com problemas no processo e também no local de atuação da atividade de mineração.

Estados


No recorte por estado, Minas Gerais, Bahia e Pará são as unidades da federação com maior número de processos minerários no país, representado 20,4%, 11,5% e 9,2% respectivamente. Nos dois primeiros estados, a autorização para pesquisa é o tipo de processo que prevalece, enquanto no Pará o requerimento de lavra garimpeira é o processo mais comum.

Apesar de Minas Gerais possuir o maior número de processos, a Bahia é o estado com mais inconsistência processual, irregularidade presente em mais da metade (53%) dos registros no sistema da ANM.

Já o estado do Pará apresentou proporcionalmente a maior quantidade de processos com inconsistência temporal, representando 4,19% dos registros do estado. São casos em que a extração mineral ocorreu antes do período de vigência de uma autorização ou quando, apesar da autorização adequada, é criada, por exemplo, uma unidade de conservação de uso restrito ou um território indígena, após a concessão da licença.

Também no Pará há o maior percentual (4,83%) de processos que apresentam sinais de extração minerária além dos seus limites territoriais.

A maior parte de atividade de mineração acontece em áreas de proteção ambiental. Fonte: Rede Amazônica de Informação Socioambiental

Inadimplência

O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – valor pago aos municípios, estados e à União para compensar os impactos da atividade nos territórios – também pode ser acompanhado pela plataforma. Nos casos em que há obrigatoriedade do tributo, um recorte dos últimos seis meses aponta inadimplência em 56,4% dos processos.

Leia também: A mineração ilegal em terras indígenas da Amazônia

Minério de ferro. Foto: divulgação

O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – valor pago aos municípios, estados e à União para compensar os impactos da atividade nos territórios – também pode ser acompanhado pela plataforma. Nos casos em que há obrigatoriedade do tributo, um recorte dos últimos seis meses aponta inadimplência em 56,4% dos processos.

Além da visualização de estatísticas como número, fase e distribuição dos processos de mineração, é possível aplicar filtros para realizar recortes ou cruzar dados. O Monitor da Mineração também permite a geração de um laudo por processo, com oito indicadores que incluem os dados puros, um resumo de cruzamento de dados, imagens de satélite, com mosaicos anuais e fontes dos dados.

“Com mais clareza e acessibilidade, todos conseguem identificar irregularidades mais rapidamente, acompanhar a evolução dos processos e atuar de forma mais eficiente no enfrentamento de práticas ilegais no setor mineral”, conclui César Diniz.

*Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil.

Desmatamento da Amazônia reduz acesso à carne de caça e afeta nutrição de comunidades tradicionais

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Foto: Marco Zanferrari /Flickr

A preservação da floresta amazônica é decisiva para garantir o acesso dos povos indígenas e tradicionais da região à carne de caça – importante fonte de nutrientes e prática cultural milenar. Uma pesquisa publicada na revista Nature no dia 26 de novembro de 2025, alerta para o declínio vertiginoso na disponibilidade de carne de caça em áreas desmatadas.

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O trabalho é assinado por pesquisadores de mais de 40 instituições nacionais e internacionais, sendo liderado por André Pinassi Antunes, da Rede de Pesquisa em Conservação, Uso e Manejo da Fauna da Amazônia (RedeFauna).

Regiões com mais de 70% de desmatamento acumulado sofreram uma redução de quase 75% no número de animais caçados por pessoa ao longo de quase seis décadas. Ainda, estima-se que a produtividade da carne de caça caiu cerca de 67% em quase 500 mil km² de áreas desmatadas.

Foto: Jesem Orellana/Fiocruz Amazônia

O artigo teve participação de pesquisadores de povos indígenas e tradicionais amazônicos, que forneceram dados primários a partir de iniciativas de monitoramento de caça comunitário e informações sobre práticas de caça em seus territórios. O trabalho também se valeu de dados secundários obtidos de publicações científicas anteriores. Ao todo, o estudo compilou 447.438 registros de animais caçados em 647 localidades rurais entre 1965 e 2024.

Leia também: Consumo de carne de caça pode reduzir anemia em crianças da floresta amazônica, indica estudo

Michelle Jacob, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e uma das autoras do estudo, explica que a pesquisa foi motivada por uma lacuna de conhecimento relacionado à extensão da caça e à contribuição nutricional dessa carne para os povos que vivem.

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Foto: divulgação

“Precisávamos de alguma maneira codificar essa importância para entender melhor a conexão de floresta saudável e bem-estar humano, e assim poder subsidiar políticas públicas mais eficazes de conservação e segurança alimentar”, aponta.

A extração anual estimada de biomassa animal não-processada em toda a Amazônia é de 0,57 milhões de toneladas métricas. Já a produção anual de carne de caça comestível foi estimada em 0,37 milhões de toneladas métricas.

“O trabalho mostra que a carne de caça é um pilar alimentício fundamental dessas pessoas e que possui um valor nutricional importante, atendendo quase metade das necessidades de proteínas e ferros e uma parte importante de vitaminas B e zinco dos habitantes dessa localidade. Podemos dizer que a floresta saudável é a dispensa que alimenta as famílias amazônicas”, pontua Jacob.

Carne de caça
Tayassu pecari. Foto: Irene Domhoff

Os mamíferos foram o grupo com mais registros de caça – cerca de dois terços. O estudo também revela que 20 dos 174 grupos taxonômicos identificados respondem por 72% dos indivíduos caçados, com destaque para a queixada (Tayassu pecari), a paca (Cuniculus paca) e a anta (Tapirus terrestris).

Leia também: Estudo aponta que caça de subsistência tem papel importante para segurança alimentar de comunidades tradicionais

A queda da disponibilidade de carne de caça por habitante rural diminuiu significativamente em áreas com maior população humana, maior proximidade de centros urbanos e níveis mais extensos de desmatamento, ocasionando uma simplificação da dieta. Segundo a pesquisa, substituir a carne de caça por carne bovina exigiria a conversão de até 64.044 km² de floresta em pastagem, o que resultaria na liberação do equivalente a 3% das emissões globais de CO2 na atmosfera.

Para os autores, o melhor caminho é assegurar os direitos territoriais e a autonomia desses povos amazônicos através da preservação da floresta, garantindo a proteção da biodiversidade e os sistemas alimentares tradicionais de carne de caça.

“O desafio agora é levar esses dados para a mesa de negociações e garantir que a ciência apoie as comunidades na construção de um futuro em que a floresta possa ser provedora de vida, de saúde e de cultura também para todas as pessoas”, conclui Jacob.

*O conteúdo foi originalmente publicado na Agência Bori.

Belo Monte: Supremo Tribunal Federal determina liberação de R$ 19 milhões a indígenas

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Usina de Belo Monte. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (2) que o governo federal libere R$ 19 milhões para as comunidades indígenas afetadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O montante deverá ser usado para incrementar o benefício do programa Bolsa Família aos indígenas.

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A decisão foi tomada no processo no qual Dino determinou que os indígenas devem ter participação nos lucros da usina.

Usina de Belo Monte
Usina Belo Monte. Foto: Agência Brasil

Verifico que se cuida de montante relevante, imprescindível para a dignidade das comunidades indígenas atingidas pela usina de Belo Monte, especialmente na Volta Grande do Xingu”, decidiu Dino.

O valor que será destinado aos indígenas está depositado em conta específica e é oriundo dos repasses mensais que foram feitos pela Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica, entre os meses de março e outubro deste ano.

Participação

Recurso será usado na área da usina hidreletica belo monte
Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação/Norte Energia

Em março deste ano, o ministro reconheceu o direito dos indígenas aos lucros. A decisão foi motivada por uma ação protocolada pela Associação Yudjá Miratu da Volta Grande do Xingu.

A entidade alegou ao STF que o Congresso está em omissão legislativa ao deixar de aprovar a regulamentação dos dispositivos constitucionais que garantem participação das comunidades no resultado da exploração de recursos hídricos e riquezas minerais que estão em terras indígenas.

Problemas enfrentados

As comunidades relataram os problemas enfrentados nas terras indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá com a construção da usina de Belo Monte.

Indígenas do Pará devem ter participação nos lucros da usina Belo Monte. Foto: Wellyngton Coelho/Agência Pará

Entre os problemas listados, estão a diminuição da vazão do Rio Xingu, que prejudicou a pesca e a navegabilidade, mortandade de peixes, turbidez e potabilidade da água e diminuição da caça.

Segundo o ministro, a usina começou a operar em 2015 e agravou o modo de vida dos indígenas da região.

*Com informações de André Richter – Repórter da Agência Brasil.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025 com projeto de Aparelho Auditivo Bucal

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Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

O empreendedor amazonense Augusto José da Silva é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025, a maior vitrine de inovação e negócios da favela no país. Representando o município de Manacapuru, Augusto concorre com o projeto “Fala Comigo – Aparelho Auditivo Bucal”, uma solução inovadora, acessível e de grande impacto social, que utiliza tecnologia de vibração óssea para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência auditiva.

Saiba mais: conheça o município de Manacapuru no Amazonas

”Participar da Expo Favela foi uma das experiências mais importantes da minha trajetória. Ver o ‘Fala Comigo’ alcançar a final e disputar o prêmio nacional mostra que a tecnologia desenvolvida na periferia tem valor, impacto e futuro. Levo comigo Manacapuru, nossa criatividade e o compromisso de ampliar a acessibilidade para quem mais precisa”, destaca o empreendedor.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025
Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

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A CUFA Amazonas celebra mais uma conquista histórica: pela segunda vez, um empreendedor amazonense chega à final da Expo Favela Innovation Brasil. O estado garante presença no Top 10 nacional e conquista vaga no reality show “Expo Favela – O Desafio”, exibido pela TV Globo, concorrendo a um prêmio de R$ 100 mil.

Leia também: Doce feito com caroço de cupuaçu leva startup do Amapá à final da Expo Favela Innovation

_“Chegar até aqui reforça meu desejo de conquistar o prêmio e usar esse recurso para formalizar de vez o negócio. Esse valor vai permitir que o ‘Fala Comigo’ saia da fase experimental e se torne uma solução acessível, sustentável e disponível para quem mais precisa”, afirmou Augusto José.

Projeto fala comigo – Aparelho Auditivo Bucal

A iniciativa apresenta uma tecnologia que utiliza a vibração óssea da arcada dentária para transmitir som, permitindo que pessoas com perda auditiva possam compreender a fala de maneira mais acessível e com custo muito mais baixo que aparelhos convencionais.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

A solução, desenvolvida dentro da realidade periférica, busca democratizar o acesso à comunicação, promovendo autonomia e ampliando oportunidades para milhares de brasileiros.

Reconhecimento e impacto

A classificação no Top 10 nacional reforça a potência criativa das periferias do Amazonas e demonstra como o ecossistema de inovação do estado vem crescendo. Além do finalista, outros cinco empreendedores amazonenses brilharam nos dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo, levando cultura, propósito e protagonismo para o cenário nacional.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

“Ter o Augusto entre os dez melhores do Brasil é um marco. O ‘Fala Comigo’ chamou atenção pela inovação e pelo impacto social, provando que a tecnologia produzida na Amazônia pode, sim, mudar vidas e ocupar espaços nacionais”, disse Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

Agora, o Amazonas segue na disputa no reality “Expo Favela – O Desafio”, onde os finalistas concorrem a mentorias, aportes financeiros, visibilidade e ao grande prêmio nacional, que pode transformar seus negócios e ampliar o impacto social.

A CUFA Amazonas segue apoiando e acompanhando cada etapa, com orgulho de ver o estado novamente entre os melhores do país.

Tocantins ganha duas novas rotas turísticas; saiba quais

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Novas rotas turísticas de Tocantins foram sancionadas pelo Governo. Fotos: Reprodução/Gettyimages

O estado do Tocantins ganhou oficialmente duas novas rotas turísticas: Capim Dourado e Serras Gerais. As leis 15.274/25 e 15.275/25, sancionadas no fim de novembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecem os roteiros e abrem caminho para ampliar ações de promoção, estruturação e investimentos.

A coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo, Fabiana Oliveira, ressalta que a medida fortalece destinos tocantinenses.

“Com a rota oficialmente instituída, o Ministério do Turismo passa a ter base legal para intensificar ações de promoção do destino, além de estruturar trilhas, parques naturais e iniciativas de turismo de base comunitária”, explica Fabiana.

Leia também: “Ouro de Tocantins”: você sabia que o capim dourado não é um capim?

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A capital Palmas. Foto: Adilvan Nogueira/Governo de Tocantins

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O reconhecimento das rotas turísticas amplia a visibilidade do estado, contribui para a atração de investimentos e ajuda a valorizar, de forma sustentável, as riquezas naturais e culturais que marcam o estado.

Rota do Capim Dourado 

Com o reconhecimento, municípios como Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta, Novo Acordo, Almas e Lagoa do Tocantins ganham novas condições para fortalecer vocações naturais e ampliar o turismo baseado na cultura e na tradição locais.

Rota das Serras Gerais

O novo circuito, que abrange os municípios de Dianópolis, Arraias, Taguatinga e Natividade, fortalece o ecoturismo e impulsiona a preservação ambiental e cultural de uma das regiões mais exuberantes do estado.

Leia também: Novo patrimônio cultural de Palmas: conheça o Mirante do Limpão

*Com informações do Ministério do Turismo

Prefeitura de Boa Vista inaugura iluminação em LED na avenida Brasil

A obra contempla mais de 9 km de extensão, com 264 postes e mil luminárias. Foto: PMBV

Dezembro chegou ainda mais iluminado, sobretudo em uma das principais vias de acesso à capital Boa Vista. Nesta segunda-feira, 1º, o prefeito Arthur Henrique inaugurou a iluminação em LED da avenida Brasil (BR-174, sentido sul). O trecho vai da Praça Simón Bolívar até o viaduto do Anel Viário, no bairro Airton Rocha. A obra contempla mais de 9 km de extensão, com 264 postes e mil luminárias, garantindo mais segurança, mobilidade e qualidade de vida para a população.

“A iluminação da Avenida Brasil representa um avanço significativo para Boa Vista, especialmente por se tratar de uma das principais entradas da cidade, com grande fluxo de veículos e pedestres. A obra só foi possível graças à municipalização do trecho em 2022 e agora estamos garantindo mais segurança e qualidade de vida para quem circula por aqui. Boa Vista segue avançando, sendo uma das primeiras capitais do país com iluminação 100% em LED”, disse o secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima.

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As luminárias de LED oferecem maior durabilidade, economia de energia e melhor qualidade luminosa. Foto: PMBV

Os recursos para a obra foram destinados por meio de emenda parlamentar do senador Chico Rodrigues e executadas pela Secretaria Municipal de Conservação Pública.

Eficiência

As luminárias de LED substituem as antigas de vapor de sódio, oferecendo maior durabilidade, economia de energia e melhor qualidade luminosa. Com até 60 mil horas de vida útil, reduzem custos de manutenção e
são ambientalmente mais seguras, por não conterem metais pesados e ajudarem na redução das emissões de CO₂.

Conforto, segurança e qualidade de vida em Boa Vista

Maria das Neves aprovou iluminação. Foto: PMBV

Durante a inauguração, moradores acompanharam o acendimento das luzes e comemoraram a tão aguardada iluminação. “Era muito difícil passar aqui. Esse trecho era tanto escuro quanto deserto, a partir de certa hora. Ficava perigoso. Agora está essa maravilha. Nós esperamos muito por isso. É muita história e lembranças, a gente se emociona”, contou Maria das Neves, moradora do São Bento há 20 anos.

Moradores conferiram acendimento das luzes. Foto: PMBV

Aos 12 anos, a estudante Geovana Lima acompanhou o acendimento ao lado da irmã e da avó, Nilza Batista. “Aqui era muito perigoso. Eu não via nada quando a gente brincava do lado de fora e agora está muito iluminado. Eu achei muito bom!”, contou a estudante.

Leia também: Foto rara mostra lenda do reggae Jimmy Cliff em show histórico em Roraima

Para Nilza, o sentimento é de conquista e transformação. “Antigamente, a gente vivia na escuridão, uma escuridão onde as crianças não podiam nem brincar direito. E eu fico grata hoje. Por esse trabalho de iluminar a nossa avenida. É qualidade de vida para nós, moradores”, destacou.

*Com informações da prefeitura de Boa Vista

Estudante do Amapá vence prêmio por criação de kit solar portátil para castanheiros

Estudante do Amapá venceu Prêmio Jovem Cientista. Foto: Divulgação/Ifap

A estudante Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), venceu a categoria Ensino Superior do 31º Prêmio Jovem Cientista com um kit de energia solar portátil criado para castanheiros da Amazônia.

Ela é a primeira pesquisadora do estado a conquistar o prêmio. O anúncio foi realizado em cerimônia realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília, no dia 26 de novembro.

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O projeto foi apresentado na COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Belém (PA). A solução busca substituir os motores a diesel, caros, poluentes e pesados, que dificultam o deslocamento dos extrativistas na floresta.

“Nosso objetivo é transformar a expectativa em realidade: um equipamento acessível, adaptado às necessidades locais e capaz de reduzir a pegada de carbono. Para isso, será essencial obter financiamento e apoio institucional”, disse a estudante.

O kit passou por várias etapas de prototipagem até chegar ao modelo final. O peso caiu de 1.000 litros para apenas 50, o que permite transportar o equipamento em uma mochila. O custo foi de cerca de R$ 2,8 mil, com reaproveitamento de bombonas descartadas.

Kit de energia solar portátil criado para castanheiros da Amazônia. Foto: Divulgação/Ifap

Segundo a pesquisadora, o kit atende às necessidades básicas dos castanheiros, como iluminação noturna, preparo de alimentos e comunicação. Antes, a maioria dependia de geradores a diesel, que têm alto custo e impacto ambiental.

Pesquisa de campo

A pesquisa começou em 2022, com apoio de uma bolsa de Iniciação Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Isso permitiu que Manuelle estudasse soluções sustentáveis sem sair de sua cidade natal, Laranjal do Jari (AP).

Integrante do Centro de Estudos em Ecologia e Manejo na Amazônia, ela acompanhou o cotidiano de extrativistas da vila São Francisco do Iratapuru.

Estudante do Amapá vence Prêmio Jovem Cientista com kit solar portátil para castanheiros. Foto: Divulgação/CNPq

Registro e próximos passos

Em 2023, Manuelle e o orientador Diego Armando Silva da Silva registraram o kit como modelo de utilidade no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica do IFAP.

“A premiação recebida pela estudante Manuelle reconhece o trabalho da pesquisa realizada nos últimos anos no sul do Amapá, com foco em comunidades extrativistas e melhorias para comunidades tradicionais da Amazônia. A equipe está feliz com o reconhecimento nacional. A mensagem é de gratidão às pessoas e instituições, especialmente ao Ifap e à Fapeap, pelo apoio financeiro ao projeto”, descreveu o orientador.

O projeto está alinhado aos princípios da Amazônia 4.0 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A próxima etapa é aperfeiçoar o equipamento para ampliar sua eficiência nas comunidades extrativistas.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Pesquisadores do Maranhão aprimoram carga e descarga em navios com inteligência artificial

Inteligência Artificial em carga e descarga em navios. Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

Hora de tomar o café da manhã, com um pão quentinho! Mas você já pensou qual é o caminho trilhado pelo café, açúcar ou o trigo do pão até chegarem às gôndolas do supermercado? Uma grande parcela dessa resposta está no transporte marítimo.

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Gigantes que singram os mares de um canto do mundo a outro, por milhares de quilômetros, os navios graneleiros são equipados para transportar enorme quantidades de carga solta.

Isso significa que produtos como soja e minério de ferro, dentre outros itens em massa, podem ser movimentados de forma eficiente e econômica no comércio global.

Pesquisadores do Maranhão aprimoram carga e descarga em navios com inteligência artificial
A inteligência artificial do IFMA gerou um método mais barato, rápido e confiável para aplicação em operações portuárias. Foto: Reprodução/IFMA

Porém, o processo de carregamento de navios nos portos, especialmente dos graneleiros (grãos), é complexo e meticulosamente planejado, devido envolver muitas etapas críticas, desde a preparação inicial até o abastecimento final dos porões.

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Um dos grandes problemas no processo de carga e descarga de navios graneleiros é a chuva.

“Muitos produtos como fertilizantes, trigo e açúcar, dentre outros, são sensíveis à água e molhar a carga significa atrasos consideráveis e prejuízos com a perda do produto e aplicação de multas altíssimas no caso de atraso de entrega”, ressalta o pesquisador Omar Andres Carmona Cortes.

O projeto desenvolvido pelo professor do IFMA sugere a utilização de uma rede neural convolucional – uma solução inovadora baseada em Aprendizagem Profunda, que integra a Inteligência Artificial (IA) – para a detecção do momento de fechamento. “Trata-se de uma solução muito mais barata do que a baseada em Lidar e muito mais segura do que usar uma pessoa para essa verificação”, destaca o pesquisador.

Omar Cortes (1º à esq.) e os seus orientandos, Carlos Pimentel e Roberto Reis, que trabalham com aplicações portuárias. Foto: Reprodução/IFMA

Lidar (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia óptica de detecção remota que utiliza a luz laser para medir distâncias e detectar objetos em um ambiente. “A tecnologia utilizada em outros portos, baseada em Lidar, permite escanear o navio, mas é um processo lento que exige uma infraestrutura de alto custo”, explica Omar.

Com a solução proposta, é preciso apenas uma câmera, que pode ser fixa ou até mesmo instalada em um drone.

“Essa característica abre portas para outras áreas acadêmicas, como o caso do drone, por exemplo, que pode gerar outros projetos para dar suporte à aplicação da técnica”, avalia Omar Cortes.

Sintonia entre pesquisadores e o setor produtivo

O projeto surgiu por meio da iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Tecnologia da Informação (Softex).

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O objetivo foi promover o desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação e comunicação (TIC) no país e popularizar o conhecimento em Aprendizagem de Máquina e Aprendizagem Profunda, subáreas da Inteligência Artificial.

O trabalho se transformou em uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Computação e Sistemas da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), onde Omar Cortes atua como professor permanente. “A base de dados está sendo incrementada e formas de melhorar a velocidade de detecção em tempo real estão sendo testadas”, mencionou.

Método e resultados

A metodologia da investigação utilizada foi a Cross Industry Standard Process for Data Mining (CRISP-DM), que pode ser traduzido como Processo Padrão Interindústrias para Mineração de Dados. “Ela é utilizada por especialistas em mineração de dados para atacar problemas reais, sendo adequada também para problemas a serem atacados usando Aprendizagem de Máquina”, frisou o pesquisador.

Parte da equipe do projeto Softex que atua com inteligência artificial. Foto: IFMA

Os resultados preliminares mostraram que a Yolo v4 (You Only Look Once, algoritmo avançado de detecção de objetos em imagens e vídeos) possui alta acurácia na detecção, mas baixa velocidade em tempo real. Por outro lado, o Fast Yolo (versão otimizada do YOLO) possui alta velocidade de detecção, mas uma acurácia menor. Além disso, a Fast Yolo v4 se mostrou sensível a ausência de luz, enquanto a Yolo v4 é capaz de realizar uma detecção eficiente nesse cenário de baixa luminosidade. “Espero que outros mestrandos tenham interesse no tema para continuarmos a produzir melhorias tecnológicas e inovadoras”, ressalta Omar.

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O pesquisador aponta, ainda, os benefícios da pesquisa para o Maranhão. “Em primeiro lugar está o treinamento de pessoas altamente especializadas em Aprendizagem de Máquina, o que é fundamental para o desenvolvimento da ciência e tecnologia do Maranhã”, avalia. “E consequentemente, em segundo lugar, está o desenvolvimento do IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Maranhão, já que há uma correlação direta entre o IDH e a produção científica”, aponta.

Omar Cortes e 20 anos de Inteligência Artificial 

Omar Cortes e 20 anos de Inteligência Artificial. Foto: UFMA

A experiência de Omar Cortes na aplicação de Inteligência Artificial na indústria começou por volta de 2005, envolvendo projetos desenvolvidos para as empresas Cemar e Alumar. Por volta de 2017, o pesquisador passou a trabalhar o tema de visão computacional inteligente, que corresponde à aplicação de Inteligência Artificial em imagens.

O trabalho se deu através da orientação de iniciações científicas no IFMA, direcionadas à identificação de câncer em imagens histopatológicas. “Com a experiência adquirida, passei a aplicar esse conhecimento no Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Computação e Sistemas [PECS, da Universidade Estadual do Maranhão/UEMA].

O pesquisador do IFMA informa que a oportunidade de desenvolver o trabalho partiu de problemas apresentados pela EMAP durante a execução do Projeto Softex de Residência em Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC).

Ainda no âmbito do Projeto Softex, o pesquisador se dedica à pesquisa de contagem de passageiros no ferryboat da Softex, também usando IA, com o orientando Roberto Reis. Omar Cortes também está desenvolvendo projeto de identificação de defeitos em defensores no Porto do Itaqui através de imagens. A iniciativa é financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo edital de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico.

“É o meu o projeto de bolsista produtividade, em que conto com estudante de mestrado e um de Iniciação Científica, em cooperação”, informa. O estudante de mestrado, Davi Matos de Carvalho, aluno regular do PECS – UEMA, está desenvolvendo o trabalho “Uma CNN para detecção de defeitos em defensas no porto do Itaqui” e João Pedro Ruas Brasil, de Iniciação Científica, aborda a Utilização de Redes Generativas Adversariais no Aumento de Dados na Detecção de Defeitos em Defensas”. “Temos bastante trabalho pela frente e espero que isso fortaleça o laço entre o IFMA e a EMAP”, conclui.

*Com informação do IFMA