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Joelma embala apresentação histórica e Brasil conquista ouro no Pan-Americano de Ginástica Rítmica

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Isabella Correia Tenorio, Leona Thaise Oliveira Torres, Letícia Rosa, Maria Luísa de Albuquerque e Melissa Varejão fazem performance ao som de ‘Voando pro Pará’, da artista amazônida Joelma. Foto: Reprodução/Instagram-CBGinastica

Uma música da cantora paraense Joelma foi destaque em uma das apresentações mais celebradas do Campeonato Pan-Americano de Ginástica Rítmica, realizado no Rio de Janeiro (RJ). Ao som de ‘Voando pro Pará‘, a seleção brasileira conquistou a medalha de ouro na disputa das cinco fitas, levando o público ao entusiasmo na Arena Carioca 1, localizada no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

A conquista ocorreu durante a competição continental que reuniu atletas de diversos países das Américas. Com uma série marcada pela combinação entre precisão técnica, sincronismo e elementos da cultura brasileira, o conjunto nacional alcançou a melhor pontuação da final e garantiu o lugar mais alto do pódio.

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A trilha sonora escolhida para a apresentação teve papel de destaque na execução da série, acompanhou os movimentos das ginastas e contribuiu para criar uma atmosfera de grande interação com a torcida presente no ginásio. A apresentação também incorporou referências culturais populares, incluindo passos de dança conhecidos nas redes sociais e elementos ligados à identidade da região Norte do país:

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Performance ao som de Joelma repercutiu

Além da medalha conquistada na prova das cinco fitas, o Brasil encerrou sua participação no campeonato com uma campanha de destaque. A delegação somou outras conquistas importantes ao longo da competição, ampliando o número de medalhas de ouro obtidas no evento.

A performance brasileira recebeu aplausos do público e ganhou repercussão nas plataformas digitais logo após a apresentação. Vídeos compartilhados por torcedores e perfis ligados à ginástica mostraram a reação dos espectadores durante a execução da série, que uniu esporte, música e expressão artística.

O resultado reforça o bom momento vivido pela ginástica rítmica brasileira em competições internacionais. Nos últimos anos, a modalidade tem acumulado resultados expressivos em torneios continentais e mundiais, consolidando a presença do país entre as principais potências da América.

A escolha de uma música de Joelma para embalar a apresentação também evidenciou a força da cultura amazônica em eventos esportivos de alcance internacional. Natural do Pará, a cantora tem uma trajetória marcada pela valorização dos ritmos da região Norte, e seu repertório frequentemente ultrapassa fronteiras, alcançando diferentes públicos no Brasil e no exterior.

Semana do Meio Ambiente celebra marco histórico do projeto Guerreiros da Amazônia em Manaus

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A Semana do Meio Ambiente de 2026 ganhou um importante reforço na promoção da educação ambiental com a realização de mais uma ação do projeto Guerreiros da Amazônia, que, no último dia 1º de junho, realizou a entrega de livros para estudantes e instituições de ensino da rede pública de Manaus (AM). A iniciativa foi promovida pela RJR Produções em parceria com a Fundação Rede Amazônica (FRAM).

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As atividades começaram na Escola Estadual Professora Eliana de Freitas Moraes, no bairro Lago Azul, onde os estudantes participaram de um momento de troca de conhecimentos sobre a importância da preservação ambiental e receberam exemplares da obra Guerreiros da Amazônia. Em seguida, a ação foi realizada no CIME Professor Dr. José Aldemir de Oliveira, com a entrega de livros destinados à Secretaria Municipal de Educação (SEMED).

Ao todo, 250 exemplares foram distribuídos durante as duas ações, ampliando o acesso de crianças e jovens a conteúdos que abordam temas como conservação da floresta, cidadania, identidade amazônica e sustentabilidade.

Para a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, iniciativas que unem educação e conscientização ambiental ajudam a formar cidadãos mais comprometidos com o futuro da região.

“A leitura tem o poder de transformar realidades e despertar novos olhares sobre o mundo. Ao apoiar ações como o Guerreiros da Amazônia, contribuímos para que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos que fortalecem o senso de pertencimento à Amazônia e a responsabilidade com a preservação do meio ambiente. Investir em educação é investir no futuro da nossa floresta e das próximas gerações”.

guerreiros da amazônia livro
Foto: Divulgação

Guerreiros da Amazônia promove educação ambiental multiplataforma

O idealizador do projeto, Ronaldo Barcelos, destacou a importância do marco alcançado pela iniciativa ao longo dos últimos três anos. “A Semana do Meio Ambiente de 2026 foi histórica porque consegui realizar o sonho de doar livros para todas as escolas de Manaus. De 2024 a 2026, foram 800 livros entregues. É um sentimento de gratidão muito grande à Fundação Rede Amazônica e à Secretaria Municipal de Educação, que acreditaram nesse projeto e ajudaram a levar conhecimento e conscientização ambiental para centenas de estudantes da nossa cidade”.

Ao longo de sua trajetória, o projeto Guerreiros da Amazônia tem utilizado a literatura como ferramenta de sensibilização e educação ambiental, aproximando estudantes das riquezas, dos desafios e das histórias da floresta. Com a ação realizada em 1º de junho, a iniciativa alcança mais um importante capítulo de sua missão de formar leitores, multiplicar conhecimento e inspirar novas gerações de defensores do meio ambiente. Além disso, também dispões de episódios animados. Confira:

Estudo revela altos níveis de contaminação por mercúrio em indígenas de Oiapoque, no Amapá

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Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá. Foto: Divulgação/Iepé

Um estudo inédito realizado no final de 2024 pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (Dsei), apontou altos níveis de contaminação por mercúrio entre povos indígenas do município de Oiapoque, no extremo norte do estado.

Foram analisadas 192 amostras de cabelo de indígenas das etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kali’na, residentes na região.

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Os resultados mostraram que metade dos indivíduos apresentou níveis iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, índice considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse número está associado a riscos sérios de saúde, como danos neurológicos, complicações na gestação e sintomas de intoxicação — tremores, insônia, perda de memória e alterações motoras.

Como ocorre a contaminação

Segundo especialistas, o mercúrio utilizado em garimpos ilegais contamina os rios da região e, consequentemente, os peixes que fazem parte da base alimentar das comunidades indígenas. Esse consumo frequente aumenta a exposição ao longo da vida, o que explica os índices mais altos entre pessoas acima de 50 anos.

Resultado por exposição ao mercúrio:

Faixa etáriaColetas realizadasResultados ≥ 6,0 mg/kg%
10 – 20 anos1417%
21 – 30 anos462554%
31 – 40 anos552342%
41 – 50 anos432660%
51 – 60 anos241875%
≥ 61 anos10440%
Total1929750,5%

Fonte: Iepé

Leia também: Intoxicação por mercúrio gera preocupação: pesquisa revela expressiva subnotificação na Amazônia

O levantamento aponta ainda que homens apresentam níveis elevados de mercúrio em mais de 60% dos casos, quando se compara com mulheres, onde o número chega a 38,37%. No entanto, as mulheres em idade fértil preocupa, pois 31,37% apresentam níveis de mercúrio superiores ao limite seguro, o que pode representar sérios riscos ao desenvolvimento do feto, em caso de gravidez.

Nível de mercúrio por gênero:

SexoColetas realizadasResultados ≥ 6,0 mg/kg%
Feminino863338%
Masculino1066460%

Fonte: Iepé

Preocupação

Os resultados do levantamento no Oiapoque foram apresentados às comunidades durante a Assembleia da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM). A presidente da organização indígena, Janina Karipuna, falou sobre os dados considerados preocupantes:

“As consequências da contaminação pelo mercúrio atingem a todos, não só aqueles que estão no garimpo. Todos saímos prejudicados. Por isso é importante ainda fazer novos testes e ampliar a discussão sobre isso nas nossas terras”, destacou.

Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá.
Levantamento aponta níveis de contaminação por mercúrio em indígenas do Amapá. Foto: Divulgação/Iepé

Sobre o levantamento

O estudo reforça a necessidade urgente de políticas de saúde e fiscalização ambiental para conter os impactos da contaminação. Além dos povos indígenas, toda a população que consome peixes da bacia amazônica pode estar exposta. Ainda segundo o Iepé, levantamentos anteriores já haviam identificado mercúrio no pescado vendido em feiras e mercados da região Norte.

Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

‘Entrevistas’ debate custos do transporte aéreo na Amazônia; assista

Sérgio Petecão, senador pelo Acre, e Sidney Leite, deputado federal pelo Amazonas, foram os convidados do programa ‘Entrevistas’. Foto: Reprodução/Amazon Sat

O programa ‘Entrevistas‘, no canal Amazon Sat, uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica com foco nas discussões que ocorrem em Brasília, centro da tomada de decisões do país, sobre os rumos da Amazônia, segue em seu segundo episódio com um debate sobre a escassez de voos e o alto custo de viagens de avião na Amazônia.

No centro do debate, dois parlamentares que tem levado esta pauta para o Congresso Nacional: o deputado federal pelo Amazonas Sidney Leite, e o senador pelo Acre, Sérgio Petecão, ambos filiados ao Partido Social Democrático (PSD).

Leia também: ‘Entrevistas’ recebe o pré-candidato à presidência Aldo Rebelo; assista o programa completo

Comandado pelo jornalista Welliton Lopes, o programa também ouviu o professor de sistemas de transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Augusto Rocha.

Transporte aéreo na Amazônia precisa ser modernizado

Recentemente a Câmara dos Deputados aprovou um texto que agrega vários projetos de parlamentares da Amazônia que defendem a entrada de empresas aéreas estrangeiras no mercado doméstico para aumentar a oferta de voos na Amazônia e baratear os custos. O projeto de lei principal é o PL 539/2024, de autoria da deputada federal Cristiane Lopes (Podemos-RO). Diversos outros projetos de parlamentares da região amazônica foram agregados a ele, como o PL 4.392/2023 (Senador Alan Rick) e o PL 4.715/2023

Um dos autores dos textos agregados é o senador Sérgio Petecão e, para ele, a região precisa da aprovação do texto para se tornar uma lei, pois o Acre, estado em que ele foi eleito, sofre constantemente com o fornecimento de serviços de empresas nacionais e locais.

“Nós estamos diante de uma situação gravíssima na Amazônia, e eu posso falar pelo Acre. Pagamos hoje uma viagem de Rio Branco para Cruzeiro do Sul, que fica a cerca de quarenta minutos, mais de três mil reais. E estamos aqui do lado de cidades importantes como Cuzco que é no Peru, fica cerca de trinta minutos de voo ali de Rio Branco. Porque que um voo que sairia de Cuzco não pode sair de lá, fazer escala em Rio Branco e pousar em Cruzeiro do Sul? O problema é que existe um lobby pesado das empresas de aviação que não tem interesse de abrir concorrência. Para nós que estamos no Acre isso virou questão de honra”, destacou Sérgio Petecão.

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Welliton Lopes também questionou o deputado Sidney Leite sobre quais são as necessidades da região amazônica sobre oferecimento de serviços de transporte aéreo. Para o deputado federal pelo Amazonas é preciso “modernizar” o sistema de transporte aéreo da região.

“Vivemos no isolamento, pagamos o preço de uma passagem absurda, que é mais caro que um voo internacional. Nós temos dificuldades de voos entre as capitais. Para você ter uma ideia, um cidadão que mora no Amazonas, no município de Guajará, na fronteira com o Acre, ele tem que ir para Cruzeiro do Sul, pegar um voo para Rio Branco, ir para Brasília e Brasília pegar um voo para Manaus. Um desrespeito para com a população da Amazônia”, criticou Sidney Leite.

'Entrevistas' debate custos do transporte aéreo na Amazônia; assista
O professor da Ufam Augusto Rocha deu sua contribuição para o debate como convidado do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/ Amazon Sat

O programa também ouviu o ponto de vista do professor Augusto Rocha que afirmou ser contra a participação de empresas estrangeiras nessas rotas, pois ao seu ver já existem empresas brasileiras que fazem este serviço.

“Nós temos tido uma história de sucesso de algumas empresas regionais e essas empresas precisam ter um ambiente que protejam elas daqueles que entram nessas operações. Algumas empresas regionais tem histórico de sucesso, como por exemplo a Rico Táxi Aéreo, no passado aqui no Amazonas. Hoje nós somos servidos muito pouco por empresas regionais e do ponto de vista de atratividade de negócios para grandes empresas nacionais, elas terminam se interessando mais por voos de longa distância, das capitais da Amazônia para cidades do sudeste, do sul e de outras regiões do país”, afirmou o professor.

Assista o programa completo:

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4)

Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025

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Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Reprodução/Fapespa

O Pará celebra o destaque da força do setor industrial na economia estadual. Dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostram que, entre 2018 e 2025, a indústria paraense acumulou crescimento de 65,8%, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, transformação e construção civil.

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O avanço do setor também ganha visibilidade durante a XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa 2026), considerada a maior vitrine industrial da Amazônia, realizada de 20 a 23 de maio, no Hangar Centro de Convenções, em Belém. O evento reúne empresas, investidores, especialistas e representantes do poder público para debater inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico regional.

Segundo levantamento da Fapespa, o setor industrial saiu de R$ 45,5 bilhões em 2018 para R$ 72,6 bilhões em 2025. O maior pico foi registrado em 2021, quando a indústria alcançou R$ 111,3 bilhões, influenciada pela valorização internacional do minério de ferro e pela alta do dólar.

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Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025
Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Divulgação

Em termos de representatividade na economia paraense, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) total do Estado iniciou o período em 28,2%, em 2018, e atingiu seu ápice histórico em 2021, quando passou a responder por expressivos 42,3% de toda a riqueza gerada no Pará. Após as flutuações de mercado nos anos seguintes, a fatia do setor industrial na atividade econômica chegou em patamares estáveis, consolidando uma participação estimada em 25,4% no PIB paraense em 2025.

“Os dados da Fapespa mostram claramente o sucesso da indústria no nosso Estado e muito disso se deve certamente à ação proativa do governo do Pará, fornecendo a infraestrutura, desburocratizando e auxiliando o setor produtivo naquilo que compete ao governo.  Os dados revelam que o nosso Estado está no caminho certo e continuamos acelerando a nossa economia”, explica o presidente da Fapespa, professor Marcel Botelho.

A indústria extrativa continua sendo a principal atividade econômica do setor, respondendo por mais de 60% da indústria estadual. Em 2020, por exemplo, o segmento cresceu 81,5%, impulsionado pelo aquecimento do mercado global de commodities minerais.

Após a forte retração registrada em 2022, causada pela queda dos preços internacionais do minério de ferro e pela desaceleração econômica chinesa, o setor voltou a apresentar recuperação gradual a partir de 2023.

Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará

Leia também: Pará é o maior produtor de dendê do Brasil, mostra estudo da Fapespa

Os dados estimados para 2024 e 2025 indicam novo avanço, especialmente na indústria da transformação, puxada pelos segmentos de metalurgia, fabricação de produtos minerais não metálicos, bebidas, alimentos e madeira.

Para a coordenadora de Estatística Econômica e Contas Regionais da Fapespa, Regina Sanches, os números demonstram a importância estratégica da indústria para o desenvolvimento do Pará, principalmente diante do cenário de debates sobre sustentabilidade e bioeconomia na Amazônia. 

A atual edição da Fipa reforça esse movimento ao trazer como tema “Amazônia: raiz do futuro”, destacando soluções sustentáveis, inovação industrial e oportunidades de negócios alinhadas à economia verde. A expectativa da organização é receber mais de 30 mil visitantes, em mais de 100 estandes de empresas locais, nacionais e multinacionais.

Setor industrial do Pará registra crescimento acumulado de 65,8% entre 2018 e 2025. Foto: Divulgação

Durante a feira, o governo do Pará também apresenta políticas públicas voltadas à verticalização das cadeias produtivas, fortalecimento da sociobioeconomia e atração de investimentos para o Estado. 

“No Dia da Indústria, os indicadores reforçam o papel estratégico do Pará como uma das principais fronteiras industriais do País e destacam o potencial do Estado para consolidar uma economia cada vez mais conectada à inovação e à sustentabilidade”, avalia a diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, Atyliana Dias.

*Com informações da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas

Ibama constata ‘indícios’ de irregularidades de mineradora vizinha de terra indígena no Amazonas

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Rejeitos de operações da mineradora Taboca no rio Alalaú, que corta território indígena, podem ter causado a morte de botos e tartarugas. Foto: Reprodução/ACWA

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aponta “indícios de ilícito ambiental” em uma área de mineração vizinha ao território dos Waimiri Atroari, no Amazonas. Entre abril e maio, indígenas afirmam ter encontrado animais mortos, como botos e tartarugas, nos rios que cortam a terra indígena e a suspeita é que os rejeitos das operações da Mineração Taboca, maior produtora de estanho refinado do Brasil, teriam poluído as águas dessa porção da Amazônia.

“As evidências visuais obtidas via sensoriamento remoto confirmam que a frente de lavra e a degradação ambiental associada avançam em direção ao limite imediato da TI Waimiri Atroari”, informa um documento enviado em 19 de maio ao Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), que investiga o caso.

Segundo relatos dos indígenas, grandes manchas de lama com “odor forte” e “coloração barrenta” teriam atingido, no início de abril, um igarapé que atravessa a área de mineração e deságua no Alalaú — o principal rio do território dos kinja, como são conhecidos os Waimiri Atroari. Semanas depois, dois botos, duas tartarugas e uma arraia foram encontrados mortos, como mostram registros fotográficos feitos pelos próprios indígenas. De acordo com os relatos dos kinja, não haveria sinais de ataques de predadores naturais.

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Um ofício enviado em 29 de abril pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) ao MPF-AM também chama atenção para o potencial impacto sobre os botos. “A morte de um mamífero aquático deste porte é um indicador biológico crítico de que a toxicidade e/ou a alteração física da água atingiu níveis insuportáveis para vida selvagem”. O documento alerta para a configuração de um “desastre ambiental de proporções severas”.

Leia também: Kinjaiara: conheça 22 palavras do vocabulário do povo Waimiri Atroari

Mineradora nega relação

Em nota, a assessoria de imprensa da Taboca afirmou que, até o momento, não havia sido formalmente notificada sobre novas diligências relacionadas ao procedimento no MPF-AM. A mineradora disse que “segundo conhecimento da empresa, não há relação causal ou técnica entre os fatos relatados e as suas operações” e reafirmou seu compromisso com a “colaboração integral com as autoridades para o completo esclarecimento dos fatos”. A íntegra da nota pode ser lida neste link.

As investigações fazem parte de um inquérito civil do MPF-AM que apura se a mineradora seria a responsável pela contaminação de rios no território dos Waimiri Atroari. O processo corre desde 2021, depois que fortes chuvas provocaram o transbordamento de estruturas de contenção de rejeitos da mineração.

Ano passado, após uma análise química, a apuração do MPF detectou traços de chumbo, arsênio e outras substâncias tóxicas na água do igarapé que alimenta o Alalaú.

Em ofício enviado para o MPF-AM em maio, Ibama aponta para indícios de ilícito ambiental” na área da mineradora. Foto: Reprodução/MPF-AM

O caso foi revelado pela Repórter Brasil na série de reportagens ‘Kinja: o povo indígena com medo do rio‘, em parceria com a Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center). A mineradora contesta os laudos que apontam a contaminação das águas. Há mais de 40 anos na região, a Taboca atualmente é controlada por uma estatal chinesa e busca expandir a exploração dos minerais críticos, como cassiterita (matéria-prima do estanho), tântalo, nióbio e elementos de terras raras — estes ainda na fase de estudos.

No fim de abril, após tomar conhecimento dos relatos dos indígenas, o MPF-AM solicitou um posicionamento do Ibama, órgão federal responsável pelo licenciamento e pela fiscalização do empreendimento. A análise preliminar do Ibama afirma que “manchas de solo exposto e extração mineral extrapolam visivelmente os limites geográficos dos processos minerários”.

Leia também: MPF processa mineradora responsável pelo desmoronamento de porto no Amapá

Segundo o órgão federal ambiental, uma vistoria no local ainda seria necessária para confirmar a origem do problema e definir eventuais diligências. O Ibama também aponta a ausência de “zona de amortecimento ou distância de segurança” entre o complexo minerário da mineradora e a terra indígena.

O MPF pediu que o Ibama realize vistoria presencial das atividades da Taboca, “com coletas de amostras de água, sedimentos, tecidos vegetais e fauna aquática em pontos diversificados”. A Procuradoria acionou também a Polícia Federal e pediu “a instauração de inquérito policial” para apuração de possíveis crimes ambientais cometidos pela mineradora.

Procurada pela Repórter Brasil, a Mineração Taboca reafirmou seu “compromisso com a condução responsável de suas operações” e disse que “segue acompanhando o contexto relatado pelas comunidades e reconhece a importância de que os fatos sejam esclarecidos com base em evidências técnicas e científicas”. Leia a resposta na íntegra aqui.

Mineradora contesta laudo

Mapa da mineradora e a Terra Indígena Waimiri Atroari
Mapa: Rodrigo Bento/Repórter Brasil

Em funcionamento desde 1982, a mina de Pitinga, operada pela Taboca, foi instalada em uma área considerada tradicional pelos kinja, após um decreto presidencial reduzir parte da TI para viabilizar a exploração das jazidas

“Embora esteja fora dos limites, as jazidas estão nas imediações da Terra Indígena. Então é evidente que as consequências socioambientais vão incidir sobre o interior do território”, afirma André Porreca, titular do 2º Ofício da Amazônia Ocidental e responsável pela investigação do MPF-AM.

Após reunião com os indígenas no mês passado, o MPF-AM solicitou providências à ANM (Agência Nacional de Mineração), responsável pela fiscalização da atividade minerária. A autarquia respondeu que iria se reunir com a equipe técnica da mineradora para “tratar de vários assuntos”, entre eles uma “programação de vistoria de campo com possível data de ocorrência para o mês de junho”.

Em nota, a ANM confirmou que se reuniu com a Taboca na última sexta-feira (22) e informou que deve realizar uma vistoria na área da mineradora na segunda quinzena de junho, “com o objetivo de apurar pendências técnicas e processuais”.

A agência afirmou que não foi informada pelos órgãos ambientais sobre atividade de extração mineral fora dos limites autorizados. Ressaltou, porém, que a “eventual constatação de irregularidade está sujeita à devida apuração, mediante instauração dos procedimentos administrativos pertinentes e adoção das medidas cabíveis, nos termos da legislação vigente”.

Leia também: Mineração em terras indígenas da Amazônia aumentou 1.217% nos últimos 35 anos

Em março, a assessoria de imprensa da mineradora enviou nota à Repórter Brasil informando que “não há evidências que indiquem nexo de causalidade” entre suas operações e a possível contaminação do rio.

O posicionamento informou ainda que o relatório de análises químicas que detectou traços de chumbo, arsênio e outras substâncias tóxicas no igarapé Tiaraju “apresenta lacunas metodológicas que comprometem a reprodutibilidade de informações, além de inconsistências técnicas, o que demanda aprofundamento para conclusão definitiva”. A íntegra da manifestação está disponível neste link.

Animais mortos assustam indígenas

Em 27 de abril, indígenas encontraram uma tartaruga morta boiando no rio Alalaú. Na manhã seguinte, foi a vez de dois botos – um deles já em estado de decomposição. A água apresentava então coloração barrenta e odor forte, segundo o ofício enviado pela Funai ao MPF-AM em 29 de abril e um relatório de fiscalização de 18 de maio. “A cor da água não está normal”, confirma Ewepe Atroari, morador da aldeia Maryda.

Duas semanas após o envio do ofício ao MPF-AM, os indígenas encontraram uma arraia e outra tartaruga mortas no leito do rio Alalaú. “A nossa preocupação é com os animais que vivem no rio e morreram”, diz Ewepe.

Para Funai, a morte dos mamíferos pode ser um indicador de que a toxidade da água “atingiu níveis insuportáveis para vida selvagem”. Foto: Reprodução/ACWA

Essa não foi a primeira vez que os kinja encontraram peixes e mamíferos aquáticos mortos. Em 2021, após o transbordamento de rejeitos da mineração, eles registraram em fotografias os cadáveres de tartarugas e de um peixe-boi. Também relataram diminuição dos peixes, base da sua alimentação.

Ancião Ky’netxiri Atroari, aldeia Alalaú. Foto: Fernando Martinho /Repórter Brasil

“A água barrenta desceu pelo rio, matando o peixe. Não tem mais condição de tomar água e o peixe está morrendo”, relatou o ancião Kynetxiri Atroari, em entrevista realizada em outubro de 2025.

Ele guarda a lembrança de um rio limpo que, a partir da instalação da mineradora nos anos 1980, teria sido alterado. “Na minha infância o Alalaú era limpo, tinha muito peixe e fartura. A poluição da Taboca chegou e atingiu tudo”, queixa-se.

A investigação do MPF-AM busca identificar se a mineradora é responsável pelo vazamento de rejeitos e pela contaminação do rio. Se a suspeita for confirmada, o próximo passo “seria impedir que o dano ambiental continue acontecendo”, afirma o procurador André Porreca.

Uma das hipóteses investigadas é que as barragens da mineradora não seriam adequadas para a contenção dos rejeitos. Nesse caso, explica o procurador, seria preciso avaliar melhorias nas estruturas, além de possíveis indenizações e medidas de despoluição. “Época de chuvas tem todos os anos, então precisa resolver”, complementa.

Mário Paruwe, diretor da ACWA. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

No final de abril, o MPF-AM ouviu os indígenas em uma audiência extrajudicial. “É muito tempo causando problemas. Falamos, mandamos documento. A Taboca está aí, será que eles escutam a palavra do indígena?”, questionou Mário Paruwe, diretor da ACWA, a Associação Comunidade Waimiri Atroari.

De acordo com a ata da reunião, os indígenas “identificaram, ainda, a Mineração Taboca como a única fonte poluidora da região e mencionaram que o transbordo de resíduos ocorre de forma recorrente nos períodos de pluviosidade”.

Em meio às investigações, a mineradora firmou em abril um termo de cooperação de R$ 12 milhões com a ACWA. A empresa se comprometeu a apoiar iniciativas de segurança alimentar, com projetos de criação de animais (como peixes, porcos e galinhas) e de perfuração e manutenção de poços artesianos nas aldeias

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Isabel Harari com edição Carlos Juliano Barros

Planta amazônica usada contra glaucoma, jaborandi ganha banco vivo de conservação em Carajás

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Jaborandi é a única fonte natural conhecida de pilocarpina, composto usado no tratamento de glaucoma e outras doenças. Foto: Reprodução/Instituto Tecnológico Vale

Uma planta amazônica fundamental para a medicina moderna está no centro de um projeto inovador de conservação desenvolvido na Floresta Nacional de Carajás, no Pará. O jaborandi (Pilocarpus microphyllus), única fonte natural conhecida da pilocarpina — composto usado no tratamento de glaucoma, síndrome de Sjögren e xerostomia —, é classificado como vulnerável na Lista Vermelha da Flora Brasileira, pressionado por décadas de manejo e coleta inadequados e pela perda de habitat.

A situação é especialmente crítica porque não há alternativa sintética consolidada à pilocarpina extraída da planta, o que torna a conservação da espécie uma questão simultaneamente ecológica, médica e econômica.

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Para preservar sua diversidade genética a longo prazo, pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) criaram uma coleção inter situ na FLONA Carajás, ou seja, um banco de germoplasma com plantas vivas, cultivadas em condições seminaturais em áreas de restauração ecológica dentro da própria floresta. O trabalho foi publicado na renomada revista científica PLOS One.

A abordagem foi necessária porque o jaborandi não pode ser conservado pelos métodos convencionais. “As sementes de jaborandi perdem viabilidade rapidamente, o que dificulta a conservação nas formas tradicionais”, explica o pesquisador Cecilio Caldeira Frois, autor correspondente do estudo.

“Uma das formas viáveis de conservação do patrimônio genético da espécie é a implementação de um banco de germoplasma com plantas vivas”.

Leia também: Jaborandi em ambiente natural tem maior nível de substância que trata glaucoma, aponta pesquisa realizada no Pará

jaborandi
Fotos: Brendo Pereira/Ascom Ufra

Resultados expressivos do estudo com jaborandi

Entre 2020 e 2023, a equipe coletou sementes de quatro populações geneticamente distintas dentro da FLONA, produziu mudas em viveiro e as transplantou para antigas áreas de mineração em diferentes estágios de recuperação. O monitoramento foi conduzido individualmente  — cada planta rastreada desde sua origem materna até o campo —, o que permitiu identificar gargalos em cada etapa da propagação e ajustar as estratégias de coleta a cada campanha.

Até 2023, três das quatro populações apresentaram resultados expressivos, com mais de 500 plantas estabelecidas cada e representação genética adequada das populações silvestres. A quarta população, porém, ainda enfrenta desafios e segue como prioridade para as próximas campanhas de coleta.

Para Frois, os números positivos indicam progresso. “Estamos no caminho para estabelecer o banco de germoplasma de forma eficaz. No entanto, alguns desafios ainda persistem. O jaborandi é uma espécie desafiadora, mas o conhecimento gerado tem possibilitado avanços significativos que sugerem que estamos na direção correta”, afirma.

O projeto tem como um de seus pilares a participação da cooperativa local CoEx-Carajás, formada por famílias que manejam o jaborandi na floresta há gerações. Segundo o pesquisador, os cooperados não são apenas coletores de sementes; eles integram o planejamento desde o início.

“Eles são fundamentais para a identificação das necessidades e da viabilidade das propostas que buscamos desenvolver visando à conservação e ao uso sustentável do jaborandi”, diz Frois.

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Além de conservar a espécie, a coleção inter situ enriquece o sub-bosque das áreas em restauração e gera material biológico para pesquisas e para aprimorar o manejo sustentável nas áreas de coleta tradicional. Os pesquisadores apontam que o modelo pode ser replicado para outras espécies tropicais cujas sementes também não suportam armazenamento convencional e que o artigo foi escrito justamente com esse objetivo, detalhando procedimentos, dificuldades e soluções encontradas ao longo do processo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Boa Vista avança com asfalto na avenida Rio São Francisco, no Bela Vista

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A via está sendo contemplada com cerca de 2 km de pavimentação. Foto: Francisco Sena/PMBV

As melhorias de infraestrutura avançam no bairro Bela Vista com a chegada do asfalto à avenida Rio São Francisco. A via já recebeu mais de 600 metros de drenagem e, agora, está sendo contemplada com cerca de 2 km de pavimentação. Na próxima etapa, receberá serviços de urbanização, incluindo mais de 1,7 km de meio-fio, 1,7 km de sarjeta e 1,8 km de calçadas.

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De acordo com a secretária municipal de Obras, Kaynara Carvalho, as intervenções também contemplam os bairros Jóquei Clube, Jardim Tropical, Airton Rocha, Operário e Nova Cidade. Os investimentos integram um convênio de R$ 24 milhões, viabilizado por meio do Ministério das Cidades e de emenda parlamentar, com o objetivo de ampliar a infraestrutura urbana e melhorar a qualidade de vida da população.

Boa Vista avança com asfalto na avenida Rio São Francisco, no Bela Vista
As intervenções também contemplam os bairros Jóquei Clube, Jardim Tropical, Airton Rocha, Operário e Nova Cidade. Foto: Francisco Sena/PMBV

Ela destacou ainda,  que a avenida Rio São Francisco é uma das principais vias do bairro Bela Vista e está passando por uma transformação completa.

“Agora avançamos com a pavimentação e na sequência, executaremos toda a urbanização da avenida, com canteiro central, calçadas, meio-fio e sarjetas. Estamos entregando uma obra completa, que vai melhorar a mobilidade, proporcionar mais segurança e acessibilidade, valorizar os imóveis e oferecer mais qualidade de vida para os moradores”, destacou a secretária.

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“É um trabalho que a prefeitura faz pensando na população”, garantiu a comerciante Clarisse Sampaio. Foto: Francisco Sena/PMBV

Moradores comemoram chegada do asfalto

“Vai melhorar o tráfego de veículos e até o movimento do meu comércio. Sem falar que também ajuda as crianças a irem para a escola e a creche. É um trabalho que a prefeitura faz pensando na população que precisa desse serviço”, garantiu a comerciante Clarisse Sampaio, moradora do bairro Bela Vista.

O repositor Ramiro Ferreira, que mora na avenida Rio São Francisco, também agradeceu pelas melhorias no bairro. “As obras começaram com a drenagem e, quando vi as máquinas chegando com o asfalto, fiquei muito feliz. Minha casa ficará mais valorizada”, ressaltou.

Mudanças climáticas e saúde: doenças que aumentam com temperaturas extremas e ameaçam milhões de pessoas

Foto: Reprodução/Unifranz

As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental e se tornaram um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. O aumento contínuo das temperaturas, as chuvas irregulares, as ondas de calor e a poluição do ar estão alterando o comportamento de doenças infecciosas e exacerbando problemas respiratórios, cardiovasculares e de saúde mental em diversas regiões do mundo.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, entre 2030 e 2050, o aquecimento global poderá causar aproximadamente 250 mil mortes adicionais por ano devido à desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico. Essa situação é agravada pela disseminação de doenças transmitidas por vetores, como dengue, zika e chikungunya, que prosperam em climas mais quentes e úmidos.

Fernando Siles, professor do programa de Medicina da Universidade Franz Tamayo (Unifranz), explica que as épocas de chuvas criam condições ideais para a proliferação de doenças infecciosas.

“Em Cochabamba, doenças respiratórias como resfriados e gripes são comuns devido ao aumento da umidade. Doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e malária, também são prevalentes devido à proliferação desses insetos em criadouros de água parada”, observa o médico.

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Mudanças climáticas e saúde: doenças que aumentam com temperaturas extremas e ameaçam milhões de pessoas
Aedes aegypti. Foto: Reprodução/Fiocruz

Altas temperaturas e chuvas intensas favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O preocupante é que o inseto começou a se adaptar a áreas onde antes não conseguia sobreviver.

“Nos últimos anos, temos observado que o mosquito se adaptou a novas áreas geográficas; embora não sejam casos excepcionais, trata-se de uma mudança que deve suscitar preocupação”, alerta o Dr. Froilan Mamani Ch., também professor da Unifranz.

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a América Latina atravessa um de seus períodos mais desafiadores em relação às doenças transmitidas por vetores, devido à combinação de mudanças climáticas, urbanização acelerada e mobilidade humana. As temperaturas mais elevadas permitem que os mosquitos expandam sua área de distribuição geográfica e permaneçam ativos por mais meses do ano.

Até uma década atrás, a presença do mosquito Aedes aegypti acima de 2.550 metros de altitude era considerada improvável. Hoje, cidades e regiões antes consideradas seguras começam a registrar casos.

“Durante a estação chuvosa, os casos de certas doenças aumentam, sendo as mais relevantes a dengue, o zika e a chikungunya. Isso ocorre porque a umidade e a água parada levam à proliferação de mosquitos”, explica Mamani.

A dengue continua sendo uma das doenças mais perigosas. A OMS estima que ocorram entre 100 e 400 milhões de infecções em todo o mundo a cada ano. Em casos graves, o vírus pode causar hemorragias, choque e morte em poucas horas se não houver atendimento médico imediato.

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Foto: Divulgação/Arquivo/Ascom Sesau

Mas o impacto das mudanças climáticas na saúde não se limita a doenças infecciosas. Ondas de calor também aumentam o risco de insolação, desidratação e complicações cardiovasculares, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas. O relatório Lancet Countdown alertou que a exposição prolongada ao calor extremo se tornou uma ameaça crescente para as cidades devido ao efeito de “ilha de calor urbana”, causado pelo acúmulo de concreto e pela falta de áreas verdes.

A poluição atmosférica é outro fator crítico. A OMS estima que cerca de sete milhões de pessoas morrem anualmente devido a doenças associadas à poluição do ar. Os incêndios florestais, cada vez mais frequentes e intensos devido às secas e às temperaturas extremas, agravam os problemas respiratórios e cardiovasculares.

Além disso, especialistas começam a alertar sobre o impacto psicológico da crise climática. Fenômenos como incêndios, inundações e secas geram ansiedade, estresse e uma crescente sensação de incerteza, especialmente entre os jovens. A chamada “ecoansiedade” é hoje reconhecida como uma resposta emocional ligada ao medo da degradação ambiental.

Foto: Divulgação

Diante desse cenário, a prevenção surge como a principal ferramenta para reduzir os riscos. Siles enfatiza a importância da adoção de medidas diárias de proteção à saúde e controle de vetores.

“Essas doenças podem aumentar durante a estação chuvosa devido à proliferação de mosquitos em criadouros de água parada”, destaca o acadêmico.

Eliminar recipientes com água acumulada, usar repelentes, reforçar a vigilância epidemiológica, expandir as campanhas de vacinação e melhorar a infraestrutura de saúde são algumas das ações recomendadas por organizações internacionais e especialistas.

As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça futura. Seus efeitos na saúde humana são visíveis em hospitais, bairros e comunidades ao redor do mundo. A grande questão não é mais se elas impactarão a saúde pública, mas sim o quão preparados estarão os sistemas de saúde e as sociedades para enfrentar uma crise que se intensifica a cada grau de aumento da temperatura.

*Com informações da Unifranz

Unidades do ICMBio reforçam importância da preservação de animais silvestres

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Maior felino das Américas e espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas, a onça-pintada depende da conservação dos habitats naturais para sobreviver. Foto: João Marcos Rosa

Uma pesquisa recente do Instituto Vida Livre, em parceria com a Quaest, aponta aquilo que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) presencia diariamente em suas unidades de conservação (UCs) federais, centros de pesquisa e ações em campo: os brasileiros demonstram preocupação crescente com os animais silvestres e reconhecem a importância da conservação ambiental.

De acordo com o estudo, para 92% dos brasileiros, preservar os animais silvestres é algo “muito importante” (83%) ou “importante” (9%). Além disso, 68% da população acredita que a proteção da fauna deve estar entre as prioridades do país.

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Mais do que revelar empatia pela fauna, a pesquisa evidencia um desafio central para a conservação no país: transformar este sentimento em participação ativa. Isso envolve desde atitudes cotidianas e engajamento social até o fortalecimento das políticas públicas ambientais, das unidades de conservação e das ações de pesquisa, monitoramento e fiscalização.

Nas unidades de conservação e centros de pesquisa do Instituto Chico Mendes, essa questão é prioritária aos trabalhos de quem atua para evitar o desaparecimento silencioso de espécies ameaçadas.

“O resultado dessa pesquisa mostra que a sociedade brasileira compreende algo que a ciência vem alertando há décadas: não existe futuro possível com florestas vazias e espécies desaparecendo diante dos nossos olhos”, salienta Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (DIBIO) do ICMBio.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Segundo ele, quando uma espécie desaparece, não se perde apenas um símbolo da natureza brasileira. “Quando uma onça perde território, quando uma arara desaparece de um bioma, não estamos falando apenas da perda de um animal simbólico – estamos falando do enfraquecimento dos ecossistemas que sustentam a vida, a água, o clima e a própria segurança ambiental da população”, afirma.

Entre os animais silvestres, a pesquisa mostra que a onça-pintada (33%) e a arara (20%) são as espécies que mais representam o Brasil para a população. No ICMBio, projetos desenvolvidos em diferentes biomas ajudam a conservar essas espécies silvestres e também muitas outras que, mesmo menos conhecidas, são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas brasileiros.

“A proteção da fauna silvestre depende de políticas públicas permanentes, investimento em pesquisa, fiscalização, conservação dos habitats e fortalecimento das unidades de conservação”, destaca Marcelo Marcelino.

Onça, símbolo da fauna silvestre

No Parque Nacional do Iguaçu (PR), o segundo mais visitado do país em 2025, uma das mais importantes populações de onça-pintada da Mata Atlântica sobrevive graças a um esforço contínuo de pesquisa, monitoramento, proteção territorial e cooperação institucional.

“A onça-pintada é uma espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas e sua presença no Parque Nacional do Iguaçu é um importante indicador da qualidade ambiental da unidade de conservação”, coloca o chefe da unidade, Ulisses dos Santos.

Predadora de topo da cadeia alimentar, a onça regula populações de outras espécies e ajuda a manter processos ecológicos fundamentais para a floresta. Sem ela, o equilíbrio ambiental começa a se desfazer em cadeia. “Onde há onça, há vida”, resume Ulisses.

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onça, símbolo da fauna silvestre
No Parque Nacional do Iguaçu, ações de monitoramento e conservação ajudam a proteger uma das mais importantes populações de onça-pintada da Mata Atlântica – Foto: Adriano Gambarini

Leia também: Guardiã do equilíbrio ecológico: a importância da onça-pintada na cadeia alimentar

Mas proteger grandes mamíferos exige muito mais do que admiração pública. A perda e fragmentação dos habitats, os atropelamentos, os conflitos com atividades humanas e a redução dos remanescentes florestais seguem entre os maiores desafios enfrentados pela espécie. É nesse ponto que se apresentam os trabalhos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) do ICMBio.

Embora a onça-pintada seja o animal mais conhecido, o centro atua também na conservação de espécies menos visíveis – e muitas vezes mais vulneráveis – como ariranhas, jaguatiricas, gato-palheiro-pampeano, gato-macambira, raposinha-do-campo e lobos-guará. Para o coordenador do centro, Rogério Cunha, um dos maiores paradoxos da conservação no país é justamente a distância entre o discurso ambiental e o apoio efetivo às ações de campo.

“Todo mundo acha bonito, acha importante proteger, mas quando a gente fala de realmente investir em ações de conservação, em disponibilizar recursos, cadê essas pessoas?” questiona.

Segundo Rogério, muitos projetos de conservação ainda dependem de redes de apoio externas, parcerias e campanhas de financiamento coletivo para fortalecer iniciativas de proteção da fauna. O desafio, afirma, é fazer com que a grande mobilização emocional que os animais despertam também se converta em maior engajamento da sociedade geral e do setor privado com a conservação.

O pesquisador também chama atenção para outro desafio crescente: a disseminação de conteúdos sensacionalistas e fake news envolvendo animais silvestres. Vídeos que tratam onças, lobos e outros carnívoros como atrações turísticas ou animais domesticáveis acabam reforçando uma percepção equivocada da fauna e dificultam estratégias de conservação baseadas em ciência e coexistência responsável.

Para ele, apoiar a conservação também significa defender políticas públicas ambientais e cobrar compromisso institucional dos setores que geram impactos sobre os habitats naturais.

Araras que ajudam a reconectar a cidade com a floresta

No coração de uma das maiores metrópoles do país, o Parque Nacional da Tijuca (RJ) convive diariamente com esse encontro entre pessoas e fauna silvestre. Ali, em meio à Mata Atlântica cercada pela cidade, histórias como as das araras Fátima e Sueli ajudam a aproximar o público urbano da biodiversidade brasileira – e transformam aves em símbolos vivos da conservação.

Além de personagens carismáticas, as araras representam também o trabalho contínuo de conservação, monitoramento e educação ambiental desenvolvido pelo ICMBio. Em uma floresta inserida dentro de uma grande área urbana, proteger a fauna exige pesquisa, manejo, acompanhamento técnico e, principalmente, a construção de uma relação mais consciente entre sociedade e natureza.

Fátima e Sueli, araras-canindé do Parque Nacional da Tijuca e símbolos da conservação da fauna silvestre em meio à Mata Atlântica urbana – Foto: Flávia Zagury/Reprodução ICMBio

A chefe do parque nacional, o mais visitado do país, Viviane Lasmar, vai ao encontro de Marcelino. “Os dados da pesquisa refletem a nossa rotina no Parque Nacional da Tijuca: o brasileiro tem um forte laço afetivo com a fauna silvestre, mas esse sentimento precisa virar cuidado concreto”, diz.

O parque convive com desafios permanentes relacionados à coexistência entre pessoas e vida silvestre. O avanço das construções da cidade, a circulação intensa de visitantes e práticas inadequadas no contato com os animais impactam diretamente a fauna e os ecossistemas protegidos.

É por isso que, segundo Viviane, “proteger essas espécies e combater a síndrome da floresta vazia é um compromisso urgente que depende diretamente das escolhas práticas de cada cidadão”. Ela lembra que pequenas atitudes fazem diferença direta na proteção da fauna: não alimentar animais, respeitar trilhas, descartar corretamente o lixo e compreender que espécies silvestres não pertencem ao ambiente doméstico nem ao entretenimento humano.

“O passo a ser dado, além do afeto, é transformar a empatia pelos bichos em respeito real, educação ambiental e engajamento permanente com o habitat deles”, recomenda Viviane.

Nesse processo, o trabalho do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) do ICMBio estrutura estratégias de conservação em escala nacional. Como um dos 14 centros de pesquisa do Instituto, avalia o estado de conservação das espécies, elabora Planos de Ação Nacional (PANs), e atua no monitoramento populacional e em ações voltadas à proteção das aves brasileiras ameaçadas.

A coordenadora do CEMAVE, Priscilla do Amaral, também alerta para o fato de existir uma distância significativa entre sensibilização e ação prática, e destaca que as aves possuem enorme capacidade de aproximar as pessoas da biodiversidade justamente porque fazem parte do cotidiano, inclusive em áreas urbanas.

“Elas carregam um forte simbolismo cultural associado à liberdade, beleza e equilíbrio ambiental, funcionando como importantes embaixadoras da conservação”, explica.

Além do simbolismo, o monitoramento das aves também funciona como ferramenta de medição da saúde ambiental dos ecossistemas. O desaparecimento ou redução populacional de determinadas espécies pode indicar desequilíbrios ambientais relacionados ao desmatamento, fragmentação florestal, poluição e/ou mudança do clima.

*Com informações do ICMBio